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sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Igreja russa recruta os quenianos para a guerra neocolonial russa na Ucrânia

A cerimónia fúnebre de Charles Waithaka Wangari, morto na guerra colonial russa contra Ucrânia e cujo corpo nunca foi recuperado, 5 de fevereiro de 2026. Foto: AP Photo/Andrew Kasuku

O Exarcado da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) em África está a participar num esquema para recrutar cidadãos quenianos à guerra neocolonial russa contra Ucrânia. A informação foi divulgada pela publicação internacional Religion News Service. 

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Vocal Africa, os padres da IOR estão a encorajar os jovens quenianos a irem «trabalhar» para a rússia, oferecendo-se para pagar as suas viagens até Moscovo/ou. 

Os familiares de mercenários quenianos mortos e despararecidos reclamam o retorno dos seus entes queridos, vivos ou mortos. Nairobi, 16 de fevereiro de 2026. Foto: AP/Andrew Kasuku

Depois dissso, os cidadãos quenianos são levados para a rússia com vistos de turista. Prometem-lhes salários desorbitantes, equivalentes aos 3.000 dólares. Na realidade, os jovens africanos nunca recebem o dinheiro prometido. Após chegarem à rússia, os seus passaportes são confiscados, eles recebem umas cadernetas militares provisórias [símples folhas A4 com foto e carimbo], são abertas as contas bancárias em seus nomes, mas totalmente controladas por seus comandantes militares, e depois estes jovens são enviados para a frente de batalha. Da onde, muitas das vezes não voltam vivos, servindo de «abre-latas», alvos usados pelos russos apenas para tentar localizar as linhas da resistência ucraniana. 

O africano francófono Francis, à servir de «abre-lata» descartável aos ocupantes russos

Por exemplo, um dos quenianos mortos na guerra colonial russa, Charles Waithaka Wangari, um jogador de futebol de 31 anos, viajou para a rússia, por intermédio da IOR, em outubro de 2025, oficialmente para trabalhar como «operador de máquinas pesadas numa fábrica», com promessas de posteriormente poder jogar num clube na Suécia, mas foi imediatamente levado à força ao exército russo e enviado para a linha da frente pouco depois da sua chegada. Foi morto numa explosão na linha da frente, apenas dois meses depois de ter chegado à rússia. A sua família recebeu a notícia da sua morte no dia de Natal e foi informada de que os seus restos mortais não poderiam ser recuperados devido aos intensos combates naquela área. O que significa também, que, muito provavelmente, a sua família nunca irá receber quaisquer compensação pela morte do Charles.

Charles Wangari, mercenário à força, morto e abandonado pelos russos. Foto: X

Um representante da IOR em Nairobi, sob anonimato, declarou à Religion News Service que os quenianos estão a ser enviados para a rússia não para combater, mas para «estudar num seminário», embora alertados para a «possibilidade» de recrutamento militar. Garante que nenhum dos jovens, recrutados pela IOR — «nunca se alistou no exército russo». 

O serviço secreto do Quénia anunciou que mais de mil quenianos foram recrutados para o exército russo para combater na guerra contra Ucrânia (contando com mortos e despararecidos, caputrados pelas forças ucranianas, feridos que voltaram ao Quénia e os que ainda estão na linha da drente e nos campos de treino). Segundo as estimativas do NIS, 89 cidadãos quenianos ainda estavam a servir na linha da frente no início de 2026. 

Os quenianos Clinton Mogesa e Ombwori Bagaka (?) / Wahome Gititu (?),
já mortos

No final de fevereiro de 2026, a página «Important Stories» noticiou que as autoridades russas elaboraram uma lista de cerca de 40 países onde o recrutamento de mercenários para a guerra contra a Ucrânia é proibido por agora. Entre eles: China, Índia, Brasil, África do Sul, Turquia, Cuba, Afeganistão, Irão, Venezuela, Argentina, Iraque, Iémen, Camarões, Colômbia, Líbia, Somália, Quénia, que é «uma importante fonte de mercenários para o exército russo».

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

General russo que ordenava o assassinato, a mutilação e a tortura dos POW ucranianos

O major-general russo Roman Demurchiev gabava-se à sua família e colegas da tortura, execução e mutilação de prisioneiros ucranianos. O ocupante russo chegou a vangloriar-se à sua mulher das orelhas decepadas dos ucranianos, que não eram as únicas formas de tortura de que se orgulhava. 

Faça click para ver o vídeo de investigação no YouTube

Os projetos de investigação «Schemes» e «Systema» publicaram a reportagem baseada na correspondência do Major-General Roman Demurchiev, o Vice-Comandante do 20º exército de armas combinadas da rússia. Os jornalistas tiveram acesso às suas mensagens, de 2022 a 2024 e confirmaram a sua autenticidade. A correspondência de Demurchiev comprova que os comandantes do exército russo têm conhecimento dos crimes de guerra, cometidos pelas forças russas na Ucrânia, incentivam-os e participam neles. 

Quem é general russo Roman Demurchiev?

Tem 49 anos, é natural de Kazan, casado e pai de duas filhas. Militar de carreira, combateu nas duas guerras russas da Chechénia. Em 2001, participou num filme de propaganda sobre os militares russos na Chechénia. 

No início da atual guerra russa contra Ucrânia, Demurchiev era coronel e comandava a 136ª brigada motorizada de guarda, que avançou contra Ucrânia livre à partir da Crimeia ocupada. Posteriormente, assumiu o comando da 42ª divisão motorizada, que incluía unidades chechenas do batalhão «Akhmat». Demurchiev é atualmente vice-comandante do 20º exército de armas combinadas. Em 2023, foi promovido ao patente de major-general. 

Com quem comunicava general Demurchiev?

Os jornalistas citam a sua correspondência com a sua esposa, outros generais do exército russo e oficiais do FSB. Em particular, Demurchiev correspondia-se ativamente com o major-general Ivan Popov, antigo comandante do 58º exército de armas combinadas, sob o qual servia. A comunicação entre ambos continuou mesmo depois de Popov ter sido destituído do cargo em 2023 e enviado para a Síria. 

Demurchiev não só mantinha conversas amistosas com Popov e queixava-se do seu serviço, como também lhe enviava dinheiro. Quando foi aberto um processo criminal por fraude contra Popov, em 2024, Demurchiev compareceu nos interrogatórios e tentou apoiar a mulher do seu colega. Temia que o marido morresse na prisão, como Alexei Navalny, mencionando o envenenamento do líder da oposição russa mesmo antes de ser definitivamente confirmado. 

O que era descutido nas conversas? 

As orelhas decepadas dos POW ucranianos

No outono de 2022, Demurchiev enviou a várias pessoas uma fotografia de orelhas humanas decepadas, suspensas por um fio num cano de metal. O contexto das suas mensagens sugere que se tratam de orelhas de um ucraniano. Não é claro se foram cortadas a uma pessoa viva ou morta. 

O primeiro destinatário da foto foi um antigo conhecido de Demurchiev, o major-general Igor Timofeev, vice-comandante do 36º Exército de Armas Combinadas. Demurchiev fala-lhe da captura de um ponto da defesa ucraniano e da captura de alguns soldados ucranianos. «Não tocaram nas orelhas? Como na infância?», pergunta Timofeev. Demurchiev responde que os prisioneiros estão a ser «transportados intactos» e envia então uma fotografia das orelhas decepadas. «Recentes», comenta. 

A expressão «como na infância» refere-se às guerras da Chechénia, durante as quais havia a prática russa comum de cortar as orelhas dos combatentes chechenos como troféu. 

A mulher de Demurchiev, Alexandra, também se recorda das guerras da Chechénia. Recebeu ainda dele uma foto de orelhas cortadas, com o comentário: «O meu ânimo melhorou!!!» Segue-se a seguinte troca de mensagens entre o casal: 

— Eu pensava que eram historietas do tempo da Chechénia. Afinal é verdade. O que fazer depois com isto?

— Vou juntar numa coroa e oferecerei.

— Como orelhas de porco para a cerveja.

— É. 

Demurchiev mencionou o corte de orelhas pelo menos mais uma vez. Em 2024, enviou a seguinte mensagem de voz a um oficial das forças especiais do FSB «Vympel», chamado Valery Nepop: «És o chefe de uma superorganização, o meu sonho. Caramba, e vocês está a cortar orelhas. Caramba. Mas, com a nossa idade, já não o fazem. Simplesmente dão ordens a alguém para fazer algo». 

O assassinato de POW ucranianos com pás de sapador

Em dezembro de 2024, surgiu nas mensagens de Demurchiev um vídeo, capturado pelo termovizor com uma voz-off a comentar o seguinte: 

— Desmembrando-os?

— Sim, com uma pá.

— Os nossos?

— Sim.

— Com c@ralho! 

As mensagens de Demurchiev e dos seus companheiros soldados indicam que a câmara termográfica captou imagens de soldados russos, ex-prisioneiros, a assassinarem três POW ucranianos a golpes de pás de sapador depois destes se terem rendido. A organização «Schemes» identificou a unidade das Forças Armadas da Ucrânia à qual pertenciam os militares assassinados. Confirmaram o massacre e afirmaram que foi levado a cabo por membros da unidade russa «Black Mamba», que combatia integrada no 20º exército da federação russa. 

As Convenções de Genebra, de que a rússia é signatária, proíbem o assassinato, a mutilação e a tortura de prisioneiros. A responsabilidade por este crime recai não só sobre aqueles que o cometem, mas também sobre os seus comandantes — não apenas se eles próprios deram a ordem criminosa, mas também se tinham conhecimento do crime e não o impediram ou não levaram os perpetradores à justiça. 

Demurchiev não só sabia do assassinato com pás de sapador, como o reportou ao seu superior imediato, Oleg Mityaev, então comandante do 20º Exército. Mityaev ordenou que os assassinos russos fossem condecorados: «Os ZEK´s [prisioneiros] que tomaram a posição e os cortaram com pás — se Deus quiser, que sobrevivam — devem ser definitivamente indicados para uma condecoração. <…> Valentes, esmaguem, esmaguem os sacanas [ucranianos]». 

Outros assassinatos e torturas de POW e civis ucranianos 

Demurchiev enviou alguns prisioneiros de guerra para um homem com o nome de código «Grego», provavelmente um oficial de contra-espionagem militar do FSB. Quando se referia à transferência de prisioneiros, o general utilizava a palavra «oferecer» e quando se referia ao assassinato, empregava a palavra «utilizar». 

«Tenho um prisioneiro <…> posso te oferecer. Ele está ali, sentado no fosso <…> O que devo fazer com ele — utilizar ou entregá-lo a si?», escreveu Demurchiev ao «Grego» no outono de 2023. Acrescentava: «Não tivemos tempo para simplesmente torturá-lo, por isso a informação é amigável... Mas vocês tem muito tempo; podem usar várias ferramentas que obrigam uma pessoa a dizer a verdade». 

«Grego» aceitou levar o prisioneiro. Demurchiev enviou-lhe a sua fotografia e o relatório do interrogatório, a partir dos quais «Schemes» estabeleceu a identidade do POW ucraniano. Era voluntário de Zaporizhia, que voltou do cativeiro russo apenas no verão de 2025. Afirmou que ainda não está nem mentalmente, nem fisicamente preparado para falar sobre a tortura russa. Referiu apenas que foi espancado e sujeito aos choques elétricos. 

Na mesma correspondência com «Grego», o general relata que, além do prisioneiro ucraniano sobrevivente, havia outro que «não sobreviveu». A isto, «Grego» responde: «Correto. Eu pessoalmente sou a favor da utiilização. Caso contrário, não os venceremos». 

Mas «Grego» não só capturava pessoas para «utilização», como também as entregava. No verão de 2023, escreve ao general: «Temos um caso. Não oficial. Há alguns cabrões apanhados em flagrante em depósitos de [artefactos explosivos improvisados]. Membros reais da residentura [resistência organizada ucraniana]. Mas não podem ser entregues ao julgamento. Temos a proposta para os lhe entregar por alguns dias para cavar as valas, trincheiras. Depois deixá-los lá. Para sempre». Demurchiev aceita receber essas pessoas, prometendo que ninguém saberá disso. 

General Demurchiev estava insatisfeito com comando militar russo

A julgar pelo arquivo de mensagens de Demurchiev, em conversas com conhecidos, general criticava frequentemente — e com muitos palavrões — o exército russo, as forças de segurança russas e a guerra com Ucrânia. Aqui ficam algumas citações: 

Sobre o exército russo: «São uns p@neleiros. Mas todos ganham medalhas. Quero sair deste exército, desta guerra inútil, o mais depressa possível. Mentirosos, p@neleiros, cobardes». 

Sobre o FSB: «O nosso FSB é um bando de p@neleiros. Não fazem o c@ralho pela defesa. Só sabem vigiar quem gamou/roubou o quê».  

Sobre a formação de voluntários russos: «As pessoas chegam, trazemo-las à noite, e de manhã estão prontas o combate. Têm preparação zero, são uns campónios, ninguém lhes dá tempo para se prepararem». 

Sobre o veículo subaquático não tripulado «Poseidon»: «O Poseidon, put@, não funciona, nem está terminado ainda... Bem, estou a dar-te as [informações] confidenciais agora». 

Sobre as unidades chechenas «Akhmat»: «Deram-me 2 mil chechenos. Cobardes e uns relações-públicas. Mostro o c@ralho [em termos de resultados]. Apenas intrigas. Só os eslavos mostram resultados. Mas são poucos».

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Cubanos que procuram a vida melhor, entram no exército russo e morrem na Ucrânia

Desde 2023 a rússia tem vindo a recrutar ativamente cubanos para a sua guerra neocolonial na Ucrânia. Uns vão voluntariamente em busca de dinheiro e das promessas de obtenção da cidadania russa, enquanto outros são enganados com promessas de «bom trabalho» e «salários altos». Segundo algumas estimativas, entre 1.000 e 20.000 cubanos combatem ao lado russo. 

O cidadão cubano Yoan Viondi Mendoza, como muitos outros, vindos nos países mais pobres de todo o mundo, caiu na lábia dos recrutadores russos, atraído pela promessa de «salários altos» e pela perspetiva de ter uma vida melhor. Tal como muitos outros estrangeiros em busca da «boa vida na rússia», não teve sorte – Yoan morreu na guerra neocolonial russa na Ucrânia como mais um mercenário do exército russo de ocupação. 

«Yoan recebeu a promessa de um contrato de um ano para reconstruir as casas e edifícios destruídos pela guerra. Garantiram-lhe que não se envolveria em combates, no máximo poderia cavar as trincheiras». 

Os jornalistas do Vot Tak localizaram o seu irmão, Michael Duro, que anteriormente já tinha feito um apelo comovente:

«Não precisamos de dinheiro. Não precisamos de nada. Precisamos dos nossos entes queridos. Ou pelo menos dos corpos dos nossos entes queridos». 

O irmão do mercenário afirma ainda que pelo menos 600 cubanos já desapareceram na Ucrânia, daqueles que foram à rússia em busca de uma vida melhor. Amaldiçoa as autoridades cubanas, que «deviam exigir o regresso destas pessoas, mas não se importam» e amaldiçoa vladimir putin pessoalmente: «O outro governo responsável por tudo isto é o governo de putin. Todos sabemos que o seu apelido lhe assenta na perfeição, que é um verdadeiro filho da puta». 

Os jornalistas também foram investigar o que levou Viondi Mendoza a ir para a rússia e a assinar um contrato com o Ministério da Defesa russo, e como se desenrolou o seu processo de recrutamento. 

Segundo Michael, o exército russo não recebeu o seu irmão com grande hospitalidade. Ao chegar ao campo de treino, Yoan tentou fugir e, de seguida, pediu ajuda repetidamente para sair da rússia. O cubano foi destacado ao 57º regimento de fuzileiros motorizados da guarda, da 20ª divisão de fuzileiros motorizados da guarda. A unidade está sendo assolada pelo caos típico do «segundo maior exército do mundo»: havia muita droga e os militares russos e estrangeiros escolhiam o que quisessem. Mercenário cubano não recebeu o salário prometido. Não admira que, a certa altura, o jovem tenha simplesmente deixado de comunicar com a família e, então, apareceu na lista de mercenários mortos. 

As coisas poderiam ter terminado de forma diferente para Yoan se ele contactasse o projeto «Quero Viver». Ele teria todas as hipóteses de ser evacuado em segurança pelo exército ucraniano. Como mostra a experiência de milhares de estrangeiros que morreram nesta guerra, para eles, o cativeiro ucraniano é a única hipótese de sobrevivência. 

Ler mais em russo ou polaco/polonês

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sábado, fevereiro 14, 2026

Selver Hrustić: primeiro cidadão da Bósnia capturado pelas forças ucranianas

Selver Hrustić, o 1º POW bósnio na Ucrânia. Foto: Detektor

Selver Hrustić é o primeiro cidadão da Bósnia e Herzegovina a ser capturado pelas forças ucranianas. Sua história é um exemplo trágico do que aguarda aqueles que buscam soluções para seus problemas na rússia e/ou que procuram ajuda do estado russo.


O muçulmano bósnio de 35 anos alistou-se voluntariamente no exército russo em setembro de 2025. Sua principal motivação eram os problemas legais (drogas e crimes violentos) que enfrentava em Bósnia e na Alemanha. Hrustić não havia conseguido obter asilo na Alemanha e esperava que, ao participar da guerra colonial russa contra a Ucrânia, as autoridades russas o ajudassem nessa questão (Sic!) Desnecessário dizer que este «plano infalível» não resultou e os russos não o ajudaram. Também será desnecessário de dizer, que as portas da Alemanhã ficaram, fechadas, definitivamente para Selver. 

Após ingressar no exército russo, Selver ficou chocado com o quanto suas expectativas divergiam da realidade. Os «carrascos da NATO/OTAN» na realidade não passavam de uma «trituradora de carne», gerida por gente sádica e mesquinha. Os russos, vezes sem conta, usavam a mesma tática de tentar vencer, mandando a infantaria mal preparada e sem nenhum apoio tático contra as posições ucranianas, sem mínima tentativa de preservar o pessoal, e os comandantes nem sequer consideram os mercenários estrangeiros como seres humanos: «eles sempre nos mandavam pela mesma rota, onde drones [ucranianos] nos matavam no mesmo lugar. Isso durou três meses. Eles nem pensaram em mudar o seu plano». 

Segundo os dados do Centro Estatal de Prisioneiros de Guerra da Ucrânia, cerca de 200 homens provenientes dos Balcãs nos últimos 4 anos lutaram do lado da rússia. 

Recomendamos, mais uma vez, que todos os estrangeiros com ilusões sobre a rússia e as suas perspectivas naquele país releiam a entrevista de Selver Hrustić: em inglês ou em bósnio.

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quinta-feira, fevereiro 12, 2026

☠️❗️ Forças ucranianas liquidam dois mercenários da Nigéria

No leste da Ucrânia cresce sigificativamente o número de mercenários africanos abatidos. Os africanos recebem o «treino» ultra-mínimo e são usados, propositadamente, em ataque frontais, somente para os ocupantes russos tentarem detectar a posição das linhas defensivas ucranianas. 

Na região de Luhansk, oficiais da inteligência militar ucraniana GUR MOU descobriram os corpos de dois cidadãos da República Federal da Nigéria — Hamzat Kazeen Kolawole (nascido em 03/04/1983) e Mbah Stephen Udoka (nascido em 07/01/1988).

Declaração do Mbah Stephen Udoka
em substituição da sua caderneta militar

Ambos serviram no 423º regimento de fuzileiros motorizados da guarda (unidade militar Nr. 91701) da 4ª divisão de tanques da divisão «Kantemirov», outrora uma unidade da elite do exército soviético e depois russo. 

Ambos assinaram contratos de 1 ano com o exército russo no segundo semestre de 2025: Kolawole em 29 de agosto e Udoka em 28 de setembro. Udoka, na verdade, não teve nenhum treino/amento — apenas cinco dias depois, em 3 de outubro de 2025, foi colocado numa unidade russa e no mesmo dia enviado aos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia.

Recibo do Hamzat Kazeen Kolawole: «no caso da recusa de assinar o contrato, você será levado à polícia e depois irá esperar, em cârcer, durante muitos meses a deportação e será interdito de visitar a federação russa para sempre. Você também terá que pagar o custo do seu bilhete de ida e volta».

Os documentos sobre o treino/amento de Kalawole não são disponíveis, mas, muito provavelmente ele também não passou por nenhum treino/amento militar. Homem deixou a esposa e três filhos órfãos na Nigéria.

Ambos os nigerianos morreram no final de novembro de 2025 numa tentativa de atacar as posições ucranianas na região de Luhansk. Nem sequer entram em combate — os mercenários foram eliminados por drones ucranianos.

O Ministério da Defesa da Ucrânia alerta cidadãos estrangeiros contra viagens à federação russa e aceitação de qualquer trabalho/emprego no território da rússia. Uma viagem à rússia é uma chance real de acabar num destacamento de ataque kamikaze, para no fim, apodrecer algures no solo ucraniano.

Blogueiro: nota-se uma certa mudança nas táticas e atitudes russas em relação aos mercenários estrangeiros. A falta do pessoal fez com que os tempos já curtos de preparação militar foram encurtados aos absolutamente mínimos. Como neste caso, em que entre assinatura do contrato e colocação no terreno se passaram apenas 5 dias. Os mercenários estrangeiros começaram a receber para assinar algum documento em inglês, para evitar a possibilidade deste mesmo mercenário alegar que não sabia o que assinava, pois não sabe ler russo. Os mercenários estrangeiros já nem sequer recebem as cadernetas militares, em vez disso, uma simples folha A4 com sua foto e carimbo. Por fim, os papeis que os mercenários assinam, mencionam que o seu contrato é de 1 ano, só que ninguém lhes explica que o contrato pode ser prorrogado pela simples decisão do comandante, por tempo indefinido, até o fim da «operação militar especial», ou seja, até o fim da guerra colonial russa na Ucrânia.

Propaganda russa dirigida aos zimbabweanos

O exemplo da propaganda/publicidade russa de um dos centenas de recrutadores russos em África dirigida ao público de Zimbabwe. O objetivo são os países mais pobres do continente africano, onde são construídas as redes de recrutamento. Nas redes sociais são publicados anúncios prometendo muito dinheiro para trabalhar na rússia. Em alguns casos, anunciam diretamente o serviço militar, mas, com mais frequência, oferecem o «treino»/«treinamento» (por exemplo, na fabricação de drones em Alabuga) ou outros empregos civis, por exemplo, na construção civil, com salários que, na rússia, na realidade só são pagos aos informáticos ou aos mercenários da guerra colonial russa. 

O recrutamento russo dos zimbabweanos

As redes de recrutamento são construídas com base no princípio do marketing multinível: indique um amigo e ganhe uma comissão. Quanto mais você recruta, mais dinheiro ganha. Os recrutadores costumam prometer de 500 a 700 dólares por cada recrutado. Naturalmente, omitem o fa(c)to de que os recrutados se tornarão tropas de ataque após 5-15 dias de preparação. Os recrutadores russos costumam prometer que os recrutados serão «assistentes militares» sem necessidade de participar em combates. O principal conseguir a assinatura do contrato. Depois disso não há voltas à dar, os que recusam a combater, ou são maltratados nas cadeias ilegais russos ou, então, podem tentar escapar, se entragando às forças ucranianas. 

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quarta-feira, fevereiro 11, 2026

O putlerista polaco foi brutalmente morto no cativeiro russo por ser um polaco

A pedagógica história do cidadão polaco/polonês Krzysztof Galos, brutalmente torturado e assassinado em cativeiro russo. Ironicamente, ele veio à Ucrânia para confirmar se «realmente havia uma guerra». Não estão totalmente claro como ele caiu nas mãos dos ocupantes russos, mas a sua morte um fa(c)to. 

«Meu tio não conhecia ninguém na Ucrânia. Ele negava constantemente que houvesse uma guerra de verdade acontecendo lá e dizia que era uma invenção da propaganda ucraniana», explicou a sobrinha do polaco/polonês, citada pelo jornal polaco/polonês Gazeta Wyborcza

Os POW ucranianos libertados que estavam no centro de detenção preventiva (SIZO Nr. 2) de Taganrog na época em que Galos foi levado para lá (verão de 2023) contaram a jornalistas que os executores russos ficaram eufóricos ao perceberem que haviam capturado um «polaco/polonês de verdade». Como psicopatas, eles literalmente começaram a competir em torturá-lo. Krzysztof era espancado todos os dias. Eles o espancaram com particular ferocidade simplesmente por ele só saber falar polaco/polonês e não dominar o russo. Durante os abusos, os guardas russos o insultavam, promentendo invadir a Polónia: «Vocês são os próximos — não fiquem relaxados, vocês perderam o medo, lá na sua Europa. Não relaxem! Nós vamos vós pegar!» 

Galos nunca recebia os cuidados médicos adequados, uma vez ele foi espancado no preciso momento em que um paramédico colocava a ligadura / enfaixava a sua cabeça! Naturalmente, nessas condições, o homem de 55 anos estava condenado e não durou nem um mês sob custódia russa. Após mais uma surra desferida pelos russos com marretas de madeira, Krzysztof sentiu-se mal, perdeu a consciência e foi retirado de sua cela, já à beira da morte. Seus companheiros de cela foram então forçados a assinar as declarações afirmando [não sendo médicos] que a morte do polaco/polonês se deu devido às «causas naturais». 

É revelador também que, quando, mais de dois anos depois, as autoridades polacas/polonesas souberam da morte de Galos, o lado russo ignorou todos os pedidos da Varsóvia. O corpo de Krzysztof ainda (Sic!) não foi devolvido, e sua família nunca recebeu qualquer confirmação oficial da sua morte. Este comportamento característico russo, tanto no tratamento dos POW/reféns civis vivos, quanto dos mortos tornou-se uma marca registrada da rússia moderna. O novo Gulag russo triturou mais uma pessoa e, claramente, obteve uma satisfação sádica adicional pelo fato de vítima ser um «membro da NATO/OTAN». 

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domingo, janeiro 25, 2026

Japoneses em campos de POW na Ucrânia soviética (1946-1949)

Envelope postal americano dedicado à guerra soviético-japonesa de 1945

Em resultado da derrota militar do Japão, mais de 640 mil soldados do Exército de Kwantung tinham deposto as armas. Mais de cem mil soldados, ou seja, um em cada seis dos POW, foram mortos ou morreram em cativeiro soviético. Os campos estavam localizados por toda a União Soviética, do Extremo Oriente ao leste da Ucrânia, escreve o historiador ucraniano Vakhtang Kipiani. 

Após a vitória militar sobre o Japão, os marechais soviéticos enfrentaram a questão de o que fazer com mais de 640 mil soldados do Exército de Kwantung que haviam deposto as armas.

O jornal propagandista soviético «Nihon Shinbun» (Jornal Japonês), dirigido aos POW japoneses, foi publicado na cidade de Khabarovsk, na USSR, entre setembro de 1945 e dezembro de 1949

Em 23 de agosto de 1945, Estaline assinou a resolução nº 9898 do Comité/ê Estatal de Defesa da URSS, «Sobre o recepção, alocação e utilização laboral de 500.000 prisioneiros de guerra do exército japonês». O documento era classificado de «ultrassecreto». Decidiu-se utilizar «aqueles fisicamente capazes de trabalhar nas condições do Extremo Oriente e da Sibéria» «para o desenvolvimento da base de matérias-primas e da infraestrutura económica/ômica". Eles se tornaram escravos do GULAG, construindo os caminhos de ferro / a ferrovia Baikal-Amur, novas fábricas, portos e bases navais, minas de carvão e minério, foram usados nas áreas de exploração madeireira, etc. Cinquenta e cinco campos foram construídos para os japoneses, ou eles foram forçados a construí-los por conta própria. Mas, frequentemente, eram desembarcados na floresta, a céu aberto.

Os quadros do POW japonês Nobuo Kiuchi, que passou pelos campos laborais da Ucrânia.
«Ao som dos gritos de "Vamos, vamos!", 40 pessoas foram colocadas em um vagão de carga, com as portas trancadas hermeticamente pelo lado de fora. Os vagões eram vigiados por soldados soviéticos armados com metralhadoras. O trem, com cerca de 1.500 prisioneiros japoneses, partiu para uma longa jornada rumo ao oeste».

Grupos separados de prisioneiros foram enviados para as repúblicas soviéticas do Cazaquistão e do Uzbequistão (cerca de 70 mil pessoas no total), bem como cerca de 5.100 para Ucrânia. 

O primeiro grupo de prisioneiros do País do Sol Nascente chegou a Zaporizhia em 3 de agosto de 1946 – eram 28 oficiais, 195 suboficiais e 1.078 soldados. Os japoneses trabalharam nos territórios de cinco regiões do leste da Ucrânia, em particular nas cidades de Kharkiv, Chuhuiv, Izyum, Sloviansk, Artemivsk e outras, bem como em dezenas de postos de concentração localizados em vilarejos e assentamentos entre as cidades, ao longo da rodovia Kharkiv-Debaltseve. 

Como descreveu Ivan Pylnyk, ex-vice-chefe de um dos campos «ucranianos»: «em geral, a administração tratava os japoneses de forma humana – eles não eram alemães! Os japoneses encaravam o trabalho com boa-fé e executavam diligentemente as obras de construção da estrada». 

A falta de tradutores de japonês obrigou os oficiais do MGB a recorrer a métodos não convencionais no processo de recrutamento de agentes. Trata-se, por exemplo, da «utilização de agentes entre os prisioneiros de guerra alemães para encontrar pessoas que falassem russo entre a população japonesa». 

Em 1 de maio de 1947, havia 25 delatores do MGB entre o contingente japonês do Campo nº 415 de Kharkiv. 

«Usando um relatório de um agente interno do campo, um alemão com o nome operativo de «Cegonha», que relatou que Narita Seihiro (então responsável pela cozinha japonesa no campo) havia entregado um quilo de arroz ao seu cozinheiro, um prisioneiro de guerra alemão, os agentes começaram a chantagear os jovens japoneses durante o interrogatório. Narita, temendo ser responsabilizado criminalmente pelo roubo do arroz, concordou em cooperar e forneceu os nomes de 13 colegas oficiais que falavam russo».

«Quem não trabalha, não come. Começamos imediatamente a trabalhar quebrando pedras. Com um pé de cabra na mão, você fica diante de um bloco de pedra e cumpre a cota diária — um metro cúbico por pessoa. O trabalho em uma brigada de quatro pessoas é ainda mais terrível, porque a carga de trabalho quadruplica, incluindo o trabalho de um carregador e um estivador».

Os oficiais de MGB procuravam não apenas os POW com pouca resistência, mas principalmente pretendiam descobrir as «categorias opostas, ideologicamente e de classe, da sociedade japonesa»: polícias, funcionários do governo, sacerdotes xintoístas, industriais e banqueiros, comerciantes, negociantes, donos de restaurantes e grandes proprietários de terras. 

Em paralelo, os MGBistas tentavam achar os membros do destacamento nº 731 do Exército de Kwantung, que eram acusados, pelas autoridades soviéticas, de «se dedicar, principalmente, à pesquisa de agentes ativos de guerra bacteriológica e métodos de sua aplicação». 

De acordo com as estatísticas oficiais do Departamento de Prisioneiros de Guerra e Internados do Ministério do Interior da RSS da Ucrânia, em 1 de janeiro de 1949, restavam apenas 29 japoneses étnicos nos campos do GULAG. «É provável que sobre eles os órgãos operacionais dos campos conseguiram encontrar material incriminatório e preparavam os processos para a sua transferência aos Tribunais Militares». Sabe-se que pelo menos um POW japonês esteve no campo de prisioneiros de Dnipropetrovsk no verão de 1950. 

Mais de cem mil, ou seja, um em cada seis dos prisioneiros, morreram ou faleceram em cativeiro soviético. Até recentemente, acreditava-se que 165 prisioneiros de guerra japoneses permaneciam para sempre no território da Ucrânia (na região de Estalino (atual Donetsk) – 94, Zaporizhia – 42, Kharkiv – 27, Dnipropetrovsk – 2). Mas os pesquisadores ucranianos provaram que o número de mortes documentadas chegou a 212, apesar de um conjunto significativo de documentos ainda ser inacessível aos historiadores. Segundo a política russa dos arquivos militares e dos serviços secretos russos. 

«A inveja do prato alheio é a mesma em todo lugar. Como os pratos japoneses parecem maiores, os alemães lançam olhares de maldade. Eles comem pão e sopa, nós comemos papa/mingau de arroz, sopa de missô e assim por diante».

Uma característica interessante do sepultamento dos corpos dos japoneses falecidos foi descoberta na cidade de Slavyansk. Em sepulturas separadas, ao lado dos falecidos, foram colocadas cápsulas de vidro com dados pessoais sobre eles, incluindo apelido/sobrenome, nome e local de residência. 

A maior necrópole japonesa na Ucrânia é o chamado «Novo Cemitério (Cemitério nº 2)», na cidade de Druzhkivka, na Donbas. Os cidadãos japoneses falecidos eram enterrados aqui em um local separado. No total, de 6 de outubro de 1946 a 30 de agosto de 1948, 106 pessoas desse contingente foram sepultadas no cemitério. 

O coletivo de autores encontrou as memórias escritas por um ex-soldado do exército imperial, Mizushima Shohei, que narra suas andanças pela Ucrânia. A família do soldado autorizou a publicação e tradução das memórias: «Embora eu não queira me lembrar, eu me lembro. Saiam mais lágrimas do que palavras. No entanto, para deixar um legado para as crianças que não viram a guerra, estou me dedicando a esta difícil escrita... Quantas vezes pensei em morrer, e a cada vez me faltava coragem...» Foi tão terrível que, mesmo no dia da libertação, quando todos dançavam, o narrador se lembrava da dor e do medo.

sábado, janeiro 24, 2026

As expectativas de vida de um mercenário do exército russo

As expectativas de vida de um mercenário estrangeiro do exército russo na sua campanha de ocupação da Ucrânia é de apenas 4 meses. Após analisar as informações disponíveis, constata-se o seguinte: 42% dos mercenários morreram nos primeiros 4 meses de serviço no exército russo. 

Esse indicador comprova, mais uma vez, que nenhum dos comandantes russos se preocupa com a preservação do seu pessoal. Principalmente quando se trata de estrangeiros. Mercenários são usados ​​puramente como «carne de canhão» / «boi para piranha», sem qualquer treino/amento especial. Assina o contrato (em russo), recebe a uniforme e um Kalashnikov (às vezes nem recebe) - «vá em frente»! 

Com este infográfico, também lembramos àqueles que pensam em assinar um contrato em busca de «boas condições» na rússia, que ir para a guerra como parte das forças armadas russas é uma passagem só de ida. Militares russos já começaram a anunciar (https://t.me/hochu_zhyt/4363) números de baixas, ainda que subestimados, mas monstruosos, na casa das centenas de milhares de mortos. Entre eles, estão milhares de estrangeiros que pensavam conseguir a cidadania russa, mas que foram enganados ou enviados à força para o abate. Esse número cresce diariamente e continuará crescendo enquanto os governos dos seus países de origem permitirem que seus cidadãos sejam recrutados para a morte certa. 

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sábado, janeiro 17, 2026

Os mercenários africanos na rússia: «carvão descartável»

Um excelente vídeo promocional de «bons empregos na rússia» para os estrangeiros. Não importa se são africanos, latino-americanos ou asiáticos. A voz-off russa deixa tudo muito claro: assinou o contrato com exército russo? Prepare-se para se tornar mais uma unidade descartável.

O vídeo à seguir mostra um mercenário africano chamado Francis, que foi requalificado pelos russos, à força, passando de soldado de infantaria à kamikaze, que carrega, amarrada, ao seu corpo, uma bomba de fumaça, a UDSh-U. O próprio Francis, visivelmente, não ficou nada contente com esta «promoção», mas acaba por sofrer as consequências de tentar construir o seu próprio «futuro melhor», baseado no sofrimento e nas mortes dos ucranianos. A voz do militar russo (liquidado pelas FAU, o vídeo foi extraído no seu telemóvel) explica, que hoje Francis servirá de «abre-latas», ou seja, será lançado contra as posições ucranianas, unicamente, para que os ocupantes russos tentarem detectar as suas localizações exatas. 

Para o ministério da defesa russo, os cidadãos dos países africanos são uma verdadeira mina de ouro: não falam a língua russa, acreditam facilmente em qualquer mentira sobre empregos «bem remunerados» e estão prontos para assinar qualquer documento sem o ler. Mais importante ainda, são baratos e ninguém se importa com as suas mortes, ninguém será responsabilizado. Estamos certos de que veremos vídeos como este vezes sem conta – em vários países onde a rússia recruta «carne para canhão» / «boi de piranha», os governos locais não interferem, e até colaboram tacitamente com Moscovo/ou nesta questão, enviando deliberadamente os seus cidadãos para a morte certa. 

Num outro caso, Richard Akantoran, cidadão da Uganda, foi para a rússia em busca de trabalho. O agente prometeu-lhe um emprego num supermercado, numa fábrica ou como segurança no aeroporto. Para um homem que ganhava 50 dólares por mês, a oferta parecia tentadora. Chegou pedir dinheiro emprestado para comprar a passagem / o bilhete para Moscovo/ou. 

Ao chegar à rússia, ele e outros três ugandeses foram imediatamente levados para uma instalação militar em Balashikha, onde os literalmente obrigaram a assinar os contratos. Depois disso, foram prontamente enviados para a linha da frente num abrigo improvisado e infestado de insetos. Akantoran escapou por pouco, assim como o seu amigo queniano, Evans Kibet, que, na primeira oportunidade, conseguiu fugir do local, se rendendo aos militares ucranianos.

Para saber mais sobre como o governo russo está a recrutar estrangeiros para combater na Ucrânia, veja o documentário ucraniano “Mercenários”:

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sexta-feira, janeiro 16, 2026

O retorno dos mercenários cubanos da Venezuela e da Ucrânia

No momento em que Cuba celebra pomposamente o retorno de 32 mercenários cubanos que serviram de segurança ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, ninguém se lembrou dos 54 mercenários cubanos que morreram na guerra contra Ucrânia ao serviço do exército russo. 

Este vídeo mostra a cerimónia de entrega dos restos mortais de 32 mercenários cubanos que serviram de segurança ao ditador venezuelano Nicolás Maduro. Todos morreram durante a operação norte-americana para capturar Maduro. As autoridades cubanas decretaram duas semanas (!) de luto nacional. 

O projeto ucraniano «Quero Viver» publica a lista de 54 mercenários cubanos que morreram na guerra contra Ucrânia enquanto serviam no exército russo. Não é uma lista exaustiva das perdas de mercenários cubanos, mas apenas daqueles cujas mortes são confirmadas.

Morreram de armas em punho a dez mil quilómetros de casa. Os seus nomes são conhecidos tanto em Moscovo/ou como em Havana, mas não há homenagens, luto ou qualquer menção pública a estes homens. Não há discursos grandiosos, memoriais erguidos e não se escreve nenhum artigo nos «pravdas» cubanos sobre eles. 

Muito provavelmente, os seus restos mortais nunca regressarão à sua ilha natal e permanecerão, como adubo, nas florestas ucranianas de Donbas. Havana, oficialmente, não reconhece os seus mercenários recrutados pela rússia por dinheiro — nem os que morreram, nem os que talvez ainda estejam vivos, cujas listas foram publicadas anteriormente. Cuba também não se recorda dos seus cidadãos capturados pela Ucrânia.

Há nisto uma certa ironia cruel: depois, destas cubanos morrerem no esquecimento, os seus nomes são preservados precisamente por ucranianos, somente por aqueles que eles vieram matar por dinheiro...

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domingo, janeiro 04, 2026

«Mercenários»: o documentário ucraniano sobre três POW estrangeiros

«Mercenários» é um documentário ucraniano sobre três estrangeiros que a rússia usou como instrumentos da sua guerra colonial contra Ucrânia. As histórias tristes de togolês, cingalês e brasileiro, Pedro Henrique Antunes Pantoja.

Os protagonistas do filme são cidadãos de países diferentes de três continentes distintos: África (Cemechon Koffi Victor de Togo), Ásia (Fernando Warnakulasuriya da Sri Lanka) e América do Sul (Pedro Henrique Antunes Pantoja do Brasil). Eles se viram no exército russo, atraídos por promessas de dinheiro e cidadania russa, ou enganados por recrutadores que ofereciam emprego legal na rússia. Para muitos estrangeiros, o momento de assinar um contrato com o Ministério da Defesa russo provou ser fatal. Os que sobreviveram foram capturados pelas forças ucranianas — e agora, pela primeira vez, compartilham publicamente como se tornaram parte da guerra de outros, o que sofreram e o que esperam para o futuro. 

Kemechon Koffi Victor de Togo

É de notar que em maio de 2025 as FAU capturarm em combate pelo menos dois cidadãos de Togo, um dos países africanos, onde a rússia faz o recrutamento de mercenários para a sua guerra colonial contra Ucrânia.

A história do Pedro, contada pelo próprio 

Pedro Henrique Antunes Pantoja foi formado no Brasil na área de TI, trabalhou na Austrália, diz que em 2024 recebeu um convite para trabalhar na rússia na corporação «Rostech», um dos maiores fornecedores de tecnologia militar e para-militar ao exército russo. Os russos prometeram lhe bom salário, juntamente com um bom pacote social (seguro, etc.) Em janeiro de 2025 (?) ele recebeu o endereço, onde deveria se apresentar em Moscovo/ou, na rua Iablochkovo, Nrº 5, onde está situado o centro de recrutamento de estrangeiros do exército russo. No local, o simpático tradutor russo Alexander explicou que Pedro deveria assinar «muitos documentos», todos relacionados com o seu futuro salário e benefícios sociais. Naturalmente todos os documentos eram em russo (Sic!) Dessa forma Pedro Pantoja acabou por assinar o contrato com exército russo com a duração de um ano. De seguida, ele foi enviado à base militar «Avangard», onde o exército russo oferece um treino muito básico aos dispensáveis mercenários estrangeiros. Se aprecebendo do sucedido, Pedro Pantoja conseguiu mandar dois e-mails a embaixada do Brasil na rússia, se quixando da sua situação e pedindo ajuda. Nenhum e-mail foi respondido...

Após um mês de treinos e desespero, Pedro foi enviado à cidade russa de Rostov-on-Don, onde os militares russos, de imediato, aprenderam o seu telefone, passaporte e todos os documentos e identificações. Depois, um comandante russo que falava português explicou ao Pedro que ele estaria trabalhar para a inteligência militar russa. A sua primeira tarefa real era ser um observador noturno (Sic!) num determinado ponto da linha da frente à cerca de 1 km das posições ucranianas. Numa outra excursão à linha da frente o seu grupo/team foi detectado pelos drones FPV ucranianos, um colega seu foi morto e ele próprio ferido por estilhaços. Percebendo que foi definitivamente abandonado pelos russos e vendo uma oportunidade de ouro para salvar a sua vida, Pedro fez uma coisa bastante inteligente: ele tirou o seu capacete, colete prova de bala e baixou a arma, mostrando ao drone ucraniano que queria se render. Operador do drone entendeu a sua intenção sincera e lhe passou a simples mensagem: «me siga».

Foto: GZH

Após chegar às posições ucranianas, Pedro Pantoja recebeu assistência médica, comida e água. Foi lhe explicado que à partir daquele momento ele se tornava um POW, protegido pela Convenção de Genebra, levado, de seguida, para a Cadeia Operativa (SIZO) de Zaporizhia. No total, ele passou por 6 unidades penitenciárias e dois campos de POW. Pedro conhece os seus deveres (trabalhar) e direitos (receber pelo trabalho), dinheiro que depois pode gastar na cantina especial do campo dos POW.

Durante os vários meses da sua permanência como POW (em kaneiro de 2026 são cerca de 1 ano e 7 meses), Pedro Pantoja nunca foi contactado por nenhum representante da Embaixada brasileira na Ucrânia. Numa mensagem dirigida à Embaixada, Pedro diz, que neste momento «se sente completamente abandonado pela Embaixada do Brasil». Pedro relata que apenas recebeu uma dica curiosa e não oficial, vinda de uma brasileira, funcionária da Cruz Vermelha Internacional: «Voltar à rússia, receber novo passaporte na embaixada brasileira em Moscovo/ou e depois voltar ao Brasil ou, então, à Austrália»... 

À primeira vista a história contada pelo Pedro parece ser bastante sólida. Um especialista de TI à trabalhar na Austrália, em princípio, não deveria desejar se tornar um soldado numa guerra distante. Embora, naturalmente não há maneiras de saber até que ponto ele está sendo realmente sincero, se não esconde algns pontos mais sórdidos. Há dúvidas óbvias de como e porque um informático não consegui usar um programa básico e símples de tradução instantânea de documentos. Mas enfim... 

De qualquer maneira, os brasileiros e outros estrangeiros que viajam à rússia para poder ter um «bom emprego muito bem renumerado» devem perceber algumas coisas simples: a) os estrangeiros são vistos, pelos russos, como seres absolutamente dispensáveis; b) enganar um estrangeiro de uma maneira mais vil e abusiva é visto na rússia como virtude e não como falha moral; c) usando as técnicas do marechal Zhukov o exército russo usa muita infantaria dispensável, por isso mais um ou menos um estrangeiro morto não conta nem para as estatísticas; d) as famílias dos estrangeiros mortos e desparecidos em combate nem sequer vão receber quaisquer compensação, pois habitualmente são registados pelos seus comandantes como SOCh, ou seja desertores; e) por favor, não disperdiçem as vossas vidas, vindo de tão longe somente para se tornar o adubo às terras negras da Ucrânia.

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sábado, janeiro 03, 2026

⚡️⚡️⚡️ O retrato do POW russo, capturado na Ucrânia pelas FAU

Compilando os resultados no final do 2025, o projeto ucraniano «Quero Viver» divulga as estatísticas abrangentes, baseadas em dados de mais de 10.000 militares russos capturados pelas FAU durante todo o período da invasão russa em grande escala, que começou em 24.02.2022. 

O número de russos que se renderam aumenta ano após ano. Em 2025, o número de militares russos capturados foi superior ao total de 2022 e 2023 juntos. Em média, de 60 a 90 militares pertencentes às forças armadas russas são feitos prisioneiros por semana, e em agosto de 2024, esse número chegou a 350 por semana. Desde junho de 2023, os militares russos têm sido capturados com mais frequência do que os militares ucranianos pela rússia. 

O maior número de POW russos foi capturado nos distritos de Pokrovsk e Bakhmut, na região de Donetsk, na região de Kursk e também no distrito de Pologovsk, na região de Zaporizhia. 

Em 2025, o número de mercenários estrangeiros, ao serviço da rússia, aumentou significativamente. A cada semana, aproximadamente 2 a 3 soldados do exército russo, que se são capturados pelas FAU revelam-se cidadãos de países terceiros. Em 2025, o número de estrangeiros capturados foi maior do que em todos os anos anteriores juntos. Atualmente, quase 7% de todos os prisioneiros de guerra na Ucrânia são mercenários estrangeiros, proveninentes de 40 países. 

O prisioneiro de guerra russo típico:

  • 83% – soldados rasos;
  • 13% – sargentos e sub-oficiais;
  • 1,4% – furrieis e sub-oficiais da marinha;
  • Quase 3% são oficiais júniores e superiores.

A patente mais alta entre os POW russos é coronel.

O mais jovem no momento da sua caputra tinha 18 anos, o mais velho, 65 anos. Aproximadamente 76% são militares sob contrato, incluindo os recrutados em prisões e membros da EMP. Mobilizados – cerca de 19%, quase 5% – recrutas via SMO. 24% dos prisioneiros relataram participação involuntária nessa guerra – foram enganados ou forçados a participar no conflito.

40% de todos os prisioneiros de guerra russos possuem antecedentes criminais. Os 5 principais crimes pelos quais os militares russos foram presos são:

  • Furtos – 35,1%,
  • Drogas – 18,5%,
  • Roubo e furto – 16,3%,
  • Lesões corporais graves – 8,3%,
  • Homicídios – 7,2%.

Apenas 7% de todos os prisioneiros de guerra estudaram numa universidade ou possuem ensino superior. 44% concluíram o ensino médio ou técnico, e 30% sequer concluíram o ensino médio. Várias dezenas de prisioneiros de guerra nem sequer frequentaram a escola. 

Antes da guerra, 38% estavam desempregados. 18% trabalhavam na construção civil, 11% eram motoristas e 7% mecânicos, soldadores e eletricistas. 6% trabalhavam na área de segurança e outros 6% no serviço público. 

36% são casados, 16% são divorciados, 13% são casados em regime de facto e 34% nunca se casaram. 46% têm filhos. 8% tinham três ou mais filhos, mas isso não lhes permitiu serem dispensados do exército russo. 

Centenas de pessoas foram capturadas com doenças como HIV/AIDS, Hepatite B e C, tuberculose, diabetes e doenças mentais como esquizofrenia. 

No total, pouco mais de 6.000 prisioneiros de guerra já foram devolvidos à rússia em trocas dos POW, 52% dos quais aconteceram em 2025. Sabe-se da morte ou desaparecimento de pelo menos 237 ex-POW russos que foram reenviados para a frente de batalha. Quatro soldados russos estão atualmente em cativeiro ucraniano pela segunda vez. 

Quem a rússia aceita em troca? A composição étnica dos russos trocados é marcadamente superior aos demais prisioneiros. Se entre os POW 66% são de etnia russa, então entre os trocados essa proporção sobe para 83%. Moradores de Moscovo/ou e da região metropolitana de Moscovo/ou, das regiões de Krasnodar e Perm, e da região de Rostov foram repatriados com mais frequência do que outros. Raramente são trocados os habitantes e naturais da Chuváchia, Udmúrtia, Calmúquia e da região de Sacalina. 

Primeiramente, o Ministério da Defesa russo se esforça para repatriar aqueles que não estão gravemente feridos e que passaram pouco tempo em cativeiro: 28% dos trocados estiveram em cativeiro por menos de três meses. Outros 40% estiveram em cativeiro entre quatro e nove meses. Entre aqueles que estiveram em cativeiro por mais de um ano, apenas 22% foram aceites em troca pela rússia. 

Quanto aos cidadãos estrangeiros, a rússia não demonstra quase nenhum interesse na sua repatriação e não os solicita para serem incluídos nas trocas. 

Neste momento, milhares de POW russos permanecem presos na Ucrânia, entre eles aqueles que foram capturados nos primeiros dias da invasão, recrutas de Kursk, feridos e doentes. O lado russo recusa-se, pelo quarto ano consecutivo, a devolvê-los aos seus países de origem, no âmbito da promessa de «todos por todos». 

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domingo, dezembro 28, 2025

A guerra colonial soviética no Afeganistão: as etapas de uma derrocada

Batalhões muçulmanos soviéticos no Afeganistão. Foto de arquivo

A guerra soviética no Afeganistão começou em abril de 1978. Inicialmente, a URSS negou seu envolvimento, e a guerra foi travada por batalhões muçulmanos soviéticos. A data oficial de início da guerra só veio à tona muito mais tarde, com a lei russa «Sobre Veteranos» de 2023. 

Em 24 de junho de 1979, foi criado o Batalhão Muçulmano das forças especiais do GRU do Estado-Maior Geral das Forças Armadas da URSS; seis meses depois, a unidade invadiria a residência do presidente do Afeganistão. O batalhão foi composto por naturais das repúblicas soviéticas da Ásia Central (uzbeques, tadjiques, casaques, quirguizes, turcomanos) que tinham traços físicos semelhantes aos afegãos. A ideia provinha da doutrina do KGB, chamada «maskirovka», disseminar a presença soviética no Afeganistão, ajudar a negar as suas evidências, se salvando do uso de militares, fisicamente parecidos com a população local. 

Em 12 de dezembro de 1979, numa reunião do Bureau Político da PCUS, o governo real da URSS, foi tomada a decisão final sobre invasão soviética em grande escala do Afeganistão. O KGB, o Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores e os representantes do complexo militar-industrial se manifestaram ao favor. O Estado-Maior Geral das forças armadas e os conselheiros militares apresentaram argumentos desfavoráveis. 

Em 25 de dezembro de 1979, tropas soviéticas desembarcaram em Cabul. Oficialmente, o objetivo era «guardar o aeroporto». Um dos aviões caiu nas montanhas. Os soviéticos nunca removeram os corpos. Apenas em 2005, o Ministério da Defesa russo lançou, no local do acidente, à partir do ár, uma placa com os nomes das vítimas. 

Em 27 de dezembro de 1979, Musbat do GRU, usando os uniformes do exército afegão e a unidade «Alfa» do KGB, atacaram a residência do chefe de Estado do Afeganistão (Operação Shtorm-333). Mataram o chefe de Estado, Hafizullah Amin (o homem que convidou os soviéticos ao Afeganistão), uma parte de sua família e centenas de guardas. O chefe de Estado assassinado foi declarado o «agente da CIA», e um novo chefe de Estado afegão, Babrak Karmal, foi trazido de Moscovo/ou. 

O novo chefe de Estado declarou a «revolução de militares patriotas afegãos» e solicitou o envio de tropas soviéticas, que «pela coincidência» realizavam exercícios na fronteira afegã naquele momento. Os militares soviéticos foram indotrinados pela propaganda militar especial de que «se não fossem nós [soviéticos], as tropas da OTAN estariam lá quatro horas depois!» 

2/17/83-Nova Iorque: Esses quatro desertores soviéticos sentados foram entrevistados pela ABC-News numa base rebelde muçulmana no sudeste do Afeganistão. Um dos soldados explicou a sua entrega: “eu não quero matar mulheres e crianças”. Eles disseram que a moral nos regimentos soviéticos é baixa e descreveram a existência de armas químicas, repetidamente negadas por Moscovo. @ABC News 20/20

Em 14 de janeiro de 1980, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução condenando a invasão. Sanções foram impostas à URSS. Armas chinesas e europeias começaram a ser fornecidas aos mujahidins. Essas medidas aumentaram o custo da agressão, mas não impediram a guerra. 

Em junho de 1982, começaram em Genebra as negociações «para a resolução da situação no Afeganistão». Líder soviético Leonid Brejnev morreu em novembro de 1982. O seu sucessor, ex-chefe do KGB, Yuri Andropov morreu em fevereiro de 1984. O sucessor deste, Konstantin Chernenko morreu em março de 1985. A escalada do conflito só aumentou durante esses anos. 

Em meados da década de 1980, os preços do petróleo começaram a cair. Os mujahidins receberam mísseis Stinger, o que limitou a logística aérea soviética e a capacidade de bombardear a resistência afegã impunemente. O uso generalista de minas limitou a logística terrestre. O custo da continuação da guerra aumentou. 

A propaganda visual anti-soviética afegã 

Em abril de 1988, um acordo sobre a retirada das tropas soviéticas foi assinado em Genebra. Afeganistão e Paquistão eram as partes signatárias, e a URSS tornou-se a garantidora do acordo. A retirada das tropas terminou oficialmente em 15 de fevereiro de 1989. Restaram apenas alguns «assessores». 

O contingente soviético do sudeste do Afeganistão estava sendo retirado através do estreito túnel de Salang. Representantes soviéticos iniciaram negociações de cessar-fogo com Ahmad Shah Massoud, que controlava aquela região, durante a retirada. Ahmad Shah Massoud cumpriu a sua parte do acordo. Enquanto isso, o comando soviético lançava projéteis termobáricos sobre as aldeias vizinhas. 

***

A guerra russo-ucraniana começou em abril-maio de 2014. Inicialmente, o Kremlin negou seu envolvimento, alegando que a guerra era travada por «mineiros de Donbas». A data oficial de início da guerra foi definida pela lei russa «Sobre Veteranos», aprovada em 2023. 

Em 24 de fevereiro de 2022, os paraquedistas russos tentaram ocupar o aeródromo de Hostomel. O Kremlin declarou que «tropas ucranianas patrióticas derrubarão o regime criminoso». Yanukovych foi levado, às pressas, para Minsk. Os exercícios na fronteira se transformaram numa agressão russa.

A guerra colonial soviética no Afeganistão durou nove anos

  • A URSS perdeu aproximadamente 15.000 homens (14.427 exército, 576 KGB, 28 polícia), mais de 400 desapareceram em combate ou se tornaram POW;
  • Cerca de 60.000 foram perdidos pelas forças afegãs pró-soviéticas;
  • Os mujahidines perderam aproximadamente de 75.000 à 90.000 homens. 

O Ocidente lutou no Afeganistão por 20 anos

  • O exército dos EUA perdeu 2.459 militares mortos;
  • CIA, EMP´s perderam cerca de 3.900 contratados;
  • Aliados dos EUA (NATO/OTAN): perderam aproximadamente 1.150 mortos, ou seja, o Ocidente perdeu cerca de 7.500 homens — metade das perdas soviéticas, e em um período duas vezes maior.
  • As forças governamentais afegãs sofreram aproximadamente 66.000 baixas.
  • Perdas dos mujahidin: de 51.000 à 53.000, sem muita precisão.