domingo, março 31, 2019

Eleições presidenciais na Ucrânia: 2ª volta entre Zelensky e Petró Poroshenko

O cómico Volodymyr Zelensky e Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko passaram para a 2ª volta/o 2º turno das eleições presidenciais na Ucrânia, segundo os dados de exit-poll nacional, citado pela agência «Interfax».

Zelensky conseguiu 30,4% dos votos, Petró Poroshenko — 17,8%, Yúlia Tymoshenko — 14,2%.

Segundo os dados do exit-poll citado pelo serviço noticioso TSN (favorável ao candidato Zelensky), até 18h00 (hora ucraniana) Zelensky recebeu 30,1% dos votos, Petró Poroshenko — 18,5%, Yúlia Tymoshenko — 14%. Os dados da agência de estudos de opinião SOCIS apontam que às 19h00 Zelensky obteve 29,25% dos votos, Petró Poroshenko — 19,19% e Tymoshenko — 13,75%.

O exit-poll citado pela TSN foi efetuado no dia 31.03.2019 na saída da boca das urnas pelas empresas Kantar TNS e Info Sapiens, ao pedido do canal da TV 1+1 (as três entidades favoráveis ao candidato Zelensky). Foram abordados cerca de 20.000 eleitores maiores de 18 anos à saída de 600 assembleias de voto em toda Ucrânia (menos Crimeia, territórios ocupados e assembleias de voto especiais e no estrangeiro). Erro teórico não superior ao 0,7%.

Os resultados definitivos oficiais serão apurados até o dia 10 de abril. No total, na 1ª volta/ no 1º turno, neste domingo, 31 de março de 2019, participaram 39 candidatos. 2ª volta/2º turno terá o lugar no dia 21 de abril.

Blogueiro: caso estes dados se confirmem, a grande derrotada destas eleições será Yúlia Tymoshenko, efetuando uma campanha extremamente cara (avaliada em cerca de 250 milhões de UAH ou 9.250 milhões de dólares), que começou entre 12 à 9 meses antes da reta final. A derrota da Yúlia Tymoshenko afasta, em definitivo, o pior cenário eleitoral possível, a disputa na 2ª volta/no 2º turno entre os dois populistas, Zelensky e Tymoshenko.
Para já tudo indica que o Presidente Poroshenko tem bastante margem para o crescimento eleitoral e que o seu rival atingiu a margem máxima de aceitação. Mas muita coisa pode acontecer em 21 dias, na política é uma eternidade. O resultado definitivo dependerá dos acordos que os dois candidatos conseguirão fazer para reforçar as suas posições. 

As crónicas da severa pauperização ucraniana

Após 15 anos (Sic!) de inatividade começou funcionar o aeroporto da cidade ucraniana de Poltava. O aeroporto foi inaugurado com voo Poltava-Sharm el-Sheikh da lowcost SkyUp, contratado pela operadora turística JoinUp, escreve a página ucraniana Biz.liga.net

O próximo voo Poltava – Sharm el-Sheikh ocorrerá no dia 2 de abril, e à partir de maio de 2019, são planeados os voos semanais a região turística turca de Antália.
A recuperação do aeroporto de Poltava custou cerca de 68 milhões de UAH (cerca de 2.500 milhões de dólares), usados para a reparação inicial da pista e substituição do sistema de iluminação. O edifício do aeroporto foi reparado de raiz.
Para que o aeroporto funcione no inverno, haverá necessidades de adquirir uma viatura de bombeiros e os equipamentos especiais para manuseio de líquido de degelo – isto custará cerca de 60 milhões de UAH (2.205 milhões de dólares), outros 30 milhões de UAH (1.100,000,00 dólares) são necessários para a reparação profunda da pista. As obras serão financiadas pelo orçamento do Estado.

É de recordar que em 2017 o governo ucraniano atribuiu ao aeroporto de Poltava o status internacional.

Mercado dos telemóveis da Ucrânia continua a crescer. Em 2018, os ucranianos gastaram na compra de telemóveis e smartphones mais de 30 bilhões de UAH (1.100,000,00 dólares), o que supera em 34% os números de 2017, escreve Gagadget.com, citando dados da MOYO e da GfK Ucrânia.

O artigo possui a diversa infografia interessante, escolhemos apenas uma imagem. Em 2018 em cada dia do calendário os ucranianos gastavam em compra dos smartphones 82,4 milhões de UAH (3.029.000,00 dólares).
3.029.000,00 dólares por dia!

Realmente, Ucrânia passa por uma pauperização muitíssimo severa!
Presidente Poroshenko, por favor, não pare por aqui!

sábado, março 30, 2019

As razões secretas que ditaram a derrocada da União Soviética

Os fãs da URSS adoram explicar a derrocada da União Soviética, socorrendo-se de teorias de conspiração, baseadas nos supostos planos maléficos do Allen W. Dulles ou Otto von Bismarck. Alternativamente, eis 4 razões verídicas, que realmente derrubaram o primeiro país comunista do mundo.

1. Derrocada da ideologia soviética

No início da década de 1980, a ideologia soviética vivia o seu colapso final. A guerra no Afeganistão parecia estranha e anacrónica – quando os rapazes de 18-20 anos, calçando sapatilhas/tênis Adidas, tinham que morrer pelos chavões, bastante ultrapassados, da propaganda bolchevique.
O colapso do sistema soviético foi pré-programado na sua mitologia dogmática. Como observaram corretamente os estudiosos do sistema soviético (Sam Harris, Karl Popper ou Bertrand Russell), o sistema soviético tinha na URSS características praticamente religiosas – havia “profetas” – Karl Marx, “messias” – Lenine e “apóstolos” – os seus discípulos, reais ou imaginários. Todos os fieis do sistema comunista acabariam no “paraíso” – comunismo, no caminho ao qual era necessário aniquilar muitos inimigos (“infiéis” ou “hereges”). O sistema soviético também possuía vários dogmas ideológicos e históricos, negar as quais era considerado um crime.

Nas décadas de 1920-30, os camponeses e operários semianalfabetos ainda viam este sistema como algo “científico”. Mas nas décadas de 1960 e 1970, cresceu uma nova geração de cidadãos com uma visão muito mais ampla, que começou a questionar o dogma soviético. Como resultado, a ideologia soviética dos anos 1970 foi alvo de piadas, nos anos 1980 – de artigos críticos dos dissidentes, e em 1985 já ninguém acreditava que um dia chegaria o tal “comunismo”, onde todos os bens seriam dados aos cidadãos de forma livre e “segundo às suas necessidades”.

2. Comparação com a vida no Ocidente

Até às décadas de 1940-50 quase todas as informações sobre a vida fora da URSS eram inacessíveis à maioria dos cidadãos, já nas décadas de 1970 e 1980, com o crescimento da globalização e da difusão do rádio e da televisão, tornou-se mais acessível a comparação. Em geral, engenheiros, médicos e trabalhadores soviéticos conseguiam perceber que os seus colegas no “Ocidente decadente” viviam de forma muito mais confortável e com muito mais decência do que eles próprios na URSS.
"Glória ao trabalho": exemplo da típica propaganda monumental soviética
Quando um operário qualificado nos EUA vivia numa casa decente, possuía um carro pessoal e podia viajar ao exterior, um trabalhador soviético, na melhor das hipóteses, vivia, com sua família num reles apartamento T1, sobrevivendo com o salário magro e de todo entretenimento possível tinha apenas hóquei na TV e cerveja / vodca baratas na companhia de amigos.

3. Aceitação de valores humanos universais

Se analisarmos as obras de arte soviéticas das décadas de 1920-1940, verificaremos que absoluta maioria estava completamente repleta de ideologia, militância e militarismo soviéticos. Espiões, comboios/trens blindados, ataques de cavalaria, metralhadoras, segredos militares: “incêndio em redor, vestígios na neve, e os regimentos burgueses, tocando o tambor de cobre, marcham em guerra dos países distantes”, escrevia Arkady Gaydar.
"Abaixo leninismo"
Nas décadas de 1970-1980, a situação mudou drasticamente. Outros tópicos, humanistas e universais, começaram ser evocados na cultura. Os cartoons soviéticos da mesma época, com raras exceções, contavam as histórias humanistas. O famoso gato Leopoldo, para ser gentil, não precisava ser militante do PCUS. O Pequeno Guaxinim, que sorria para seu reflexo no lago, não saberia quem era Lenine e gotinha Kapitoshka, para ser feliz, seguramente não tinha que aprender os princípios do marxismo-leninismo.

4. Chegada da sociedade de informação

A ditadura soviética de 1920-1950 se manteve na base do défice de informação. Os cidadãos da URSS eram privados praticamente de todas as fontes de informação independentes, e sobre todos os eventos que ocorriam no mundo, eram informados através da propaganda soviética, baseada nos dogmas do marxismo-leninismo.
Com o passar do tempo, esse bloqueio de informações tornou-se cada vez mais difícil de manter. Cidadãos soviéticos começaram a viajar ao exterior, trazendo histórias sobre como as coisas realmente estavam no Ocidente. Várias estações de rádio ocidentais (e não só) ofereciam a interpretação não soviética e não comunista do mundo – uma alternativa poderosa à mídia soviética dogmática. A sonegação da informação pelo governo soviético, sobre as repressões das décadas de 1930-50, acidente de Chornobyl ou a guerra no Afeganistão – teve o efeito de uma bomba informativa.

A chegada da sociedade da informação, quando todos têm o direito de receber, divulgar e interpretar livremente determinadas informações, tornou-se uma das principais causas do colapso da URSS. O partido comunista soviético, com a sua interpretação “unicamente correta” dos fa(c)tos e eventos, tornou-se um atavismo risível e ridículo.

Fotos: GettyImages | Texto: Maxim Mirovich

segunda-feira, março 25, 2019

Dias de Cinema Ucraniano em Lisboa

Temos o prazer de anunciar o ciclo cinematográfico “Dias de Cinema Ucraniano”, que terá lugar nos dias 26, 27 e 28 de março, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Lisboa.
Nome de código "Banderas"
Trata-se de um evento aberto ao público e de entrada livre.
Esperamos poder contar com a Vossa presença.

domingo, março 24, 2019

Turismo de guerra na Donbas livre: 355 euros por dia

Operador turístico TripAdvisor promove os pacotes turísticos para “explorar a antiga zona fronteiriça da agressão militar da Rússia contra Ucrânia (2014-2019) em Sloviansk e Kramatorsk”.

TripAdvisor afirma: “a guerra no leste da Ucrânia é a mais sangrenta desde a II G.M.” (o que naturalmente e completamente está muito longe da verdade, pois a mais sangrenta desde 1945 foi a guerra de Balcãs). Por outro lado, 355 euros por dia não é muito caro.
Crime russo em Mariupol
Há ucranianos que são ao favor e contra da iniciativa. Contra – porque é negócio “baseado no sangue”, cerca de 11.000 civis e militares ucranianos morreram, para que empresários sem escrúpulos transformem essas mortes reais em negócio. À favor, pois a vida não para, e até os moradores locais apoiam a ideia. O turismo significa a entrada das divisas, o desenvolvimento da infra-estrutura, serviços de transporte e alimentação contratados localmente, diversas atividades económicas consumidas localmente.

Naturalmente, nenhum turista fará a “parte da nova história da Europa”, só por visitar Sloviansk e Kramatorsk, mas realmente, é uma oportunidade de verificar in loco, os resultados da chegada do “mundo russo”. A viagem poderia ser especialmente útil aos fãs da dita “URSS 2.0”…

Grupo russo Necro Stellarcomposição Baracco Russian Style:

War in Ukraine is the hugest and bloodshed military conflict since WWII. During 2014-2019 more than 10.000 military and civilians were killed. The war still goes on. You can have an opportunity to become a part of new European history.
Highlights:
• Explore the former frontline zone of Russia’s War aggression against Ukraine (2014-2019) in Sloviansk and Kramatorsk
• See destroyed and ruined buildings, hospitals and schools
• Talk to locals who eye-witnessed bombings
• Take a picture wearing helmet and bulletproof vest
• Visit active bomb shelters
• Pass through Ukrainian military checkpoints
• Explore local craft market where you can buy a ceramic Kalasnikov gun and grenades!

sábado, março 23, 2019

As operações de “medidas ativas” russas contra os EUA e Ucrânia

O ex-agente especial do FBI, ex-oficial do exército dos EUA e especialista em segurança cibernética, Clint Watts, oferece um olhar devastador e essencial das campanhas de desinformação, notícias falsas e operações de espionagem eletrónica, que se tornaram a vanguarda da guerra moderna russa contra os EUA e contra Ocidente.
De momento, Clint Watts é o principal perito americano em “higiene digital”, ele chegou a testemunhar perante a Comissão do Senado no âmbito da investigação sobre o presidente Trump e da interferência russa nas eleições dos EUA. As imagens são extraídas do seu livro Messing with the Enemy.
Ler mais e/ou comprar o livro
Clint Watts explica como funciona o sistema russo dos hackers, trolls e “medidas ativas”, que neste momento está sendo estudado por outros países no intuito de o perceber para poder contrariar, usar e se defender dele.

As “medidas ativas” russas estão estruturadas em três níveis.
Profissionais (IRA), conhecidos como “trolls de Olgino”;
Apoiantes;
“Idiotas úteis”, que são a maioria.

Os trolls de Olgino reúnem os apoiantes em grupos em que estes se comunicam, sem desconfiar que o grupo é organizado pelos agentes/operativos russos, em seguida, no grupo são despejadas determinadas informações, os apoiantes partilham a informação pela Internet e o trabalho principal é feito por “idiotas úteis”, que buscam e distribuem a informação no resto da sociedade.

Assim é criado o vírus das determinadas informações que são úteis aos russos.

O blogueiro Michael Bernadsky explica como as táticas russas são usadas na Ucrânia:

“Cria-se uma conta no FB. A foto de uma pessoa é selecionada, roubada na Internet. À foto é anexada a bandeira ucraniana. Ou a frase “Free Sentsov!”. A conta é ativa. Usuário reposta constantemente notícias ucranianas sem qualquer importância. Faz parte de várias comunidades ucranianas. Desde “Kiev Interessante” até “Amantes de bordados ucranianos”. Usuário analisa os perfis dos visitantes e/ou dos seus amigos. Seleciona os “apoiantes”. Comunica com eles em privado. Cria o seu próprio grupo, por exemplo, “Diga não à corrupção na Ucrânia!” Convida os amigos e apoiantes à aderir ao grupo, depois convida toda a gente fazer o mesmo. O mesmo usuário opera várias contas, que se “comunicam” ativamente umas com as outras. Os usuários deste tipo (trolls de Olgino) são vários. Todos são amigos uns dos outros, todos se “comunicam” ativamente. Qualquer tópico escolhido por seus bots e bots de seus colegas parece uma conversa real. Nela participam os “apoiantes” e até os usuários desavisados que não percebem que estão envolvidos numa teia de “medidas ativas”. Eles são o alvo. Os chamados “idiotas úteis”. Eles reagem à qualquer “isca” e a espalham pela Internet. Além de notícias simplesmente polarizadas e pré-selecionadas, são lançadas as notícias falsas, as chamadas fake news. Eles também se espalham pela rede.

Fábrica de Lipetsk! Offshores! Férias nas Maldivas! Alcoolismo! Patronato dos corruptos. Lucrando com a guerra. Ficou rico em suprimentos militares!

Toda essa porcaria como um vírus se espalha pela rede”...

A receita do Clint Watts para combater as fake news – as refutar imediatamente na Internet para que as notícias falsas não tenham tempo para ganhar o impeto. Clint Watts também avisa que neste momento o poder total do sistema usado na Ucrânia está direcionado contra Presidente Petró Poroshenko.

Como uma vez disse o jornalista russo Arcady Babchenko: “a primeira coisa que Ucrânia deveria criar, é o instituto do estudo da Rússia”...

Fronteira entre Ucrânia livre e Donbas ocupada: a corrida de sobrevivência

Cinco anos atrás, instigados pelos separatistas, alguns moradores de Luhansk barravam o caminho do exército ucraniano e gritavam pelo Putin. Em resultado receberam o recolher obrigatório, terroristas armados e estatuto da região permanentemente depressiva.
Na primavera de 2014 Luhansk e Donetsk caíram nas mãos dos separatistas. Ucrânia não tinha conseguido organizar a sua defesa face ao rápido avanço das forças russo-terroristas na sub-região de Donbas. Neste momento os moradores de Luhansk são obrigados de correr e muito rápido, logo às 6h00 de manha, para serem primeiros na fila para entrar na Ucrânia livre. É lá, na terra dos “faxistas” e “banderas”, onde eles recebem diversas ajudas sociais, compram a comida ou medicamentos.
Foto e vídeo foram tirados na localidade de Stanytsya Luhanska na região de Luhansk
Em 2004, no decorrer da Revolução Laranja, os barões locais afirmavam, com pompa e circunstância, que “Donbas alimenta Ucrânia”. Hoje, eles não são capazes de alimentar à si próprios. Algo que acontece com os adoradores do “mundo russo”, quando este mundo realmente se abate sobre as suas cabeças.

A “novoróssia” é uma local bastante real, mas não é uma coisa particularmente bonita... 
A Novorossia real

segunda-feira, março 18, 2019

Crimeia: celebrando o 5º aniversário da ocupação

Celebrando o 5º aniversário da ocupação da Crimeia, as autoridades russas organizaram uma série de eventos, em Moscovo e na península ocupada: desde desfile dos bikers “antifascistas” até bandeiras vermelhas do PC russo.
02. Uma moça toca a balalaica no centro de Moscovo. Elemento da cultura russa que nunca teve qualquer impedimento na Crimeia ucraniana.

03. Babuchka com a bandeira russa-soviética. Cada vez mais a bandeira tricolor russa se torna símbolo do comunismo 2.0.

04. Concursos pseudo-populares.

05. Danças dos tártaros da Crimeia, agora sob ocupação, quando vários ativistas tártaros desapareceram ou estão detidos/presos nas cadeias russas.

06. O 5º aniversário da ocupação foi celebrado também na Crimeia, com ajuda dos forasteiros russos — bikers alinhados com poder russo do bando “Lobos noturnos”:

07. Os lobosem Simferopol ocupada:

08. Mostrando que são fãs do Estaline, o mesmo que fuzilava os seus avôs!

09. “Obrigado ao avô pela vitória [na II G.M.] e ao Putin pela Crimeia”.

10. Alta liderança dos comunistas russos em Simferopol ocupada:

11. Monumento ao ocupante russo da Crimeia. Na realidade, os ocupantes russos usavam as máscaras para esconder as suas caras. E não usavam as insígnias, como bandidos.
Crimeia, primavera de 2019
Crimeia, primavera de 2014
A atual ditabranda russa não é eterna. Espera-se que alguns anos mais tarde, os cidadãos russos sentirão vergonha pela ocupação da Crimeia, assim como até hoje os alemães sentem a vergonha pelo anschluss austríaco.
Moscovo, março de 2016: "Morreu aquele, morrerá este"
Foto: GettyImages | Texto: Maxim Mirovich

sábado, março 09, 2019

As exportações e importações da Ucrânia em 2018

Pela primeira vez na história as exportações de bens da Ucrânia para a União Europeia ultrapassaram o marco de 20 bilhões de dólares e totalizaram, em 2018, os 20,2 bilhões de USD.

A participação da UE na estrutura das exportações de mercadorias ucranianas em 2018 elevou-se ao 42,6%. Ao mesmo tempo, as exportações de produtos ucranianos para a federação russa totalizaram 3,7 bilhões, representando 7,7% do total das exportações.

Importação de bens da UE em 2018 totalizou 23,2 bilhões de dólares e representa 40,6% das importações ucranianas totais. As importações de mercadorias da federação russa em 2018 totalizaram 8,1 bilhões e sua participação representa 14,2% do total importado.

Da federação russa as empresas privadas ucranianas importam os produtos petrolíferos – 2,063 bilhões no ano passado. Seguidos pelo carvão – 1,823 bilhão (devido à decisão ucraniana de deixar comprar o carvão diretamente nos territórios ocupados de Donbas).

A única coisa que o Estado ucraniano importa da federação russa é o combustível nuclear, usado nas estações nucleares da Ucrânia. Em 2018 foram 378 milhões, em 2016 o valor era quase o dobro (Ucrânia diversifica as suas compras neste domínio, optando, cada vez mais, pelos fornecedores americanos).

Os operadores da TV, compram na federação russa os equipamentos da televisão, possivelmente, devido ao facto de usarem algum equipamento russo, em 2018 essas compras valeram 102 milhões.

Essa é a situação atual e “nada mudou” só para aqueles que aspiram o retorno da escravidão neocolonial moscovita (fonte).

quarta-feira, março 06, 2019

O mapa eletrónico do Serviço Nacional de Saúde da Ucrânia

O Serviço Nacional de Saúde da Ucrânia (NSZU) criou um mapa eletrónico de todas as instituições que prestam cuidados médicos primários, bem como base de dados de todos os médicos que assinaram o contrato com este serviço.

No mapa você pode encontrar:

— Todas as instituições e todos os médicos que assinaram o contrato com NSZU;
— Informações de contato de instituições e médicos;
— O número de contratos que o médico já assinou com pacientes (informação ajuda avaliar se o médico é bem cotado/procurado pelos pacientes ou não);
— Especialização dos médicos.

No mapa, é possível procurar pelas instituições médicas por regiões, cidades, código único de pagador dos impostos e existência do contrato com NSZU. Além disso, você pode encontrar um médico específico por seu nome ou especialidade.

terça-feira, março 05, 2019

Recordar o general Roman Shukhevych (3)

No dia 5 de março de 1950, em resultado da operação especial da secreta soviética MGB, foi descoberta a casa segura do comandante-em-chefe do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), general Roman Shukhevych, situada na aldeia de Bilogorsha, nos arredores da cidade de Lviv (hoje a parte da cidade).
Foto pós-morte, 5/03/1950 | arquivo do SBU
Na operação participaram cerca de 700 militares do MGB e do exército soviético. Na aldeia, eles cercaram 5 casas onde pensavam que poderia se esconder general Shukhevych. A casa foi descoberta devido as táticas do MGB que combinavam as torturas com uso do agente provocador. Na troca de tiros, e no momento em que Roman Shukhevych tentou romper o cerco, ele abateu major do MGB Rovenko, mas foi gravemente ferido pelo tenente-coronel Fokin (contra as ordens expressas de capturar o líder do UPA vivo) e não querendo cair nas mãos do inimigo suicidou-se com uma bala na testa. O seu corpo, às ordens do MGB, foi reconhecido por alguns dos membros presos da OUN e pelo seu filho, Yuri. O mais provável que de seguida o corpo do general foi destruído em segredo pelo MGB, até hoje o local exato da sua sepultura é desconhecido (ler Mistério da morte do Roman Shukhevych).
Foto rara do Romans Shukhevych tirada na década de 1930, constava no âlbum do MGB 
As primeiras informações sobre a sua morte foram publicadas no Ocidente só nos finais de outubro de 1950. O jornal ucraniano Svoboda, editado ininterruptamente nos EUA desde 1893, publicou a notícia, usando apenas o pseudónimo do general, “Taras Chuprynka”, também usando o pseudónimo para identificar o seu sucessor, “coronel Vasyl Koval” (general Vasyl Kuk).
A imagem é da coleção privada do jornalista ucraniano Vakhtang Kipiani
As forças de ocupação soviéticas celebravam a morte de Roman Shykhevych por diversas vezes. Pela primeira vez, os rumores sobre a morte do comandante do UPA apareceram em 1945. A próxima dessas informações surgiu no outono de 1947. Em 10 de setembro daquele ano, na floresta de Stanimir, na região de Lviv, MGB atacou um esconderijo de OUN-UPA e matou cinco guerrilheiros ucranianos. De um deles dizia-se que era Roman Shukhevych.
Roman Shukhevych e esposa Natália no dia do seu casamento, 1930
Nenhum dos líderes do movimento anticomunista da Europa Central e do Leste conseguiu liderar a resistência armada anti-soviética durante mais de 6,5 anos seguidos. Melhor morrer de pé do que viver de joelhos essa foi a máxima da luta contra o sistema comunista, que Roman Shukhevych seguiu no dia 5 de março de 1950. A foto póstuma foi feita pelo fotógrafo do MGB. General se suicidou para não ser capturado.
fotos: galinfo.com.ua
Ler mais sobre general Roman Shukhevych:
Ver: 12 fotos do Roman Shukhevych

A comandante separatista de blindados se entrega à Ucrânia

A notória comandante separatista Svitlana “Veterok” Dryuk passou ao lado ucraniano, e juntamente com os seus filhos foi retirada de Donetsk. Na saída, Svitlana  participou na destruição de 9 blindados T-72, incluindo do seu pessoal – T-72B3 “Prizrak” (Fantasma).

Na Donbas ocupada, Svitlana Dryuk (1978), conhecida pelo seu nom de guerreVeterok” (Ventinho) era vista como símbolo do movimento separatista, entre 2014 e 2018 ela fez uma carreira brilhante, passando de uma simples paramédica até vice-comandante do regimento de blindados. As peripécias da sua vida serviram aos propagandistas russos como guião do primeiro blockbuster da “novaróssia”, filmado na Donbas com dinheiro russo, e que deveria ser exibido nos cinemas da Donbas ocupada já no dia 9 de maio de 2019, informa na sua reportagem a TV ucraniana 1+1 (tsn.ua)
Svitlana Dryuk, 28.08.1978
Não se sabe se o filme ainda será mostrado ao público, já que Svitlana Dryuk fugiu para Ucrânia livre e já declarou que deseja testemunhar no Tribunal Internacional de Haia sobre os crimes da guerra russos, cometidos no leste da Ucrânia:

Enredo do filme propagandista é simples, três ucranianas de Donbas estão combater Ucrânia e os ucranianos sob a bandeira da “novaróssia”. A publicidade do filme separatista usava as imagens reais da Svitlana Dryuk.
Quando a secreta ucraniana SBU retirou Svitlana de Donetsk, ela contava aos seus ex-comparsas que estava na cidade russa de Rostov, à tratar das feridas da guerra.

A memória fenomenal e a capacidade de trabalho rapidamente elevaram Svitlana até a liderança das unidades mercenárias. Ela ocupou as posições de destaque no assalto russo contra a cidade de Debaltseve; passou pelo batalhão Cheburashka”, “A 9ª” – ​unidade russo-terrorista que atacou Shyrokyne. O topo da sua carreira é o posto do vice-comandante do “11º regimento, a unidade mais combativa dos separatistas.

“Me dizem – você estava lutando, você matava as pessoas, sim, por isso me tornei a chefe da divisão de artilharia reativa em 2014. Não estou se justificando [...] eu fazia aquilo que me diziam” – diz Svitlana.
Mas o motivo pessoal forçou-a a mudar completamente sua vida e passar para o lado ucraniano: “Eu tenho aqui, espero, um amigo, que me está muito próximo. Ele é um oficial de serviço secreto [ucraniano], e a atitude de todos os envolvidos no meu presente destino é muito diferente daquilo que eu via lá [na Donbas ocupada]. Não me arrependo”.

Svitlana Dryuk comandava o blindado russo T-72B3. A versão russa do clássico T-72, que após uma modificação profunda até o nível de T-90. As forças armadas russas usam, em grande segredo, os territórios da Ucrânia ocupada para rodagem dos seus equipamentos militares. Svitlana entregou à Ucrânia os documentos que provam que os equipamentos mais modernos russos são ilegalmente levados até Donbas através da fronteira controlada pelas forças russas e separatistas.

O T-72B3 da Svitlana com código de identificação “Prizrak” (Fantasma) foi lhe trazido pelo capitão do exército russo Yuri Prilutsky. O capitão deveria receber a nova patente e se tornar o major. Poderá ficar surpreendido, quando souber que este blindado e outros oito T-72 “mais simples” foram dinamitados pela resistência ucraniana em novembro de 2018 no polígono militar nos arredores da cidade de Chystiakove (ex-Torez).
Publicado em 19/11/2018
A informação sobre a explosão dos blindados foi publicada na Internet, embora naquela altura as fontes ucranianas escreviam, no esforço de proteger os agentes e a rede da resistência, que os blindados foram perdidos, basicamente, devido ao excesso de álcool no seio dos separatistas.  

Alguns dias após a explosão, Svitlana já estava fora do território ocupado. Mas seus dois filhos, Dmytro e Natália, ficaram em Donetsk. Svitlana colocou apenas uma única condição para cooperar em pleno com a contra-inteligência ucraniana. Os filhos deveriam ser levados para Ucrânia livre.

“Realmente poderiam (matar as crianças). Em primeiro lugar, iriam maltratá-las, fazendo com que esta informação chegasse até mim, para me atrair novamente ou obter outra coisa qualquer. Seriam vítimas dos maus-tratos – isso com certeza. Mas se não conseguissem nada – as matariam”, – explica Svitlana.

A retirada dos filhos foi feita por etapas. Um erro e quer os jovens, quer os agentes ucranianos poderiam ser presos e torturados. Mas operação corre bem, Svitlana se reúne com os filhos já na Ucrânia livre.
Dmytro Dryuk, 24.02.1998
Dmytro também foi separatista ativo, por isso seu perfil está registado na página Myrotvorets. Zombificado pela propaganda separatista e russa, ele esperava que será detido, maltratado. Diz que se souber de início que mãe o chamou para ficar na Ucrânia livre, recusaria. “Mas a mãe disse – confia em mim”, – conta Dmytro.

Após a explosão dos blindados, o comando militar russo enviou ao regimento o novo comandante – alemão étnico Alexey Berngard (1978). Oficial de carreira, ele participou na ocupação e anexação da Crimeia, no ataque das forças regulares russas contra Debeltseve. Oficialmente, o tenente-coronel Berngard é comandante da 810ª Brigada dos fuzileiros navais russos em Sebastopol ocupada, na realidade, sob o nome fictício de “Tarasov” ele comanda o 11º regimento separatista de blindados no Donbas. Svitlana era a sua vice-comandante.  
Alexey Berngard, 22.10.1978
Svitlana está pronta para testemunhar no Tribunal Internacional de Haia sobre ele e diversos outros oficiais russos no ativo, que vieram até Ucrânia ocupada para não deixar terminar a guerra no leste do país.   

O próprio Berngard é caraterizado pela Svitlana como “um carreirista, interessado em realizar as tarefas à qualquer custo”, homem que chegou à Donbas com intenção de subir na carreira militar.

“Chegando cá [na Donbas], eles imediatamente assinam uma ordem que não tenham o direito de se comunicar connosco, aborígenes, fora do âmbito do serviço”, diz Svitlana.

Segundo Svitlana, o exército russo criou o algoritmo secreto para a eventual invasão do território ucraniano. Em cada unidade ilegal armada da dita “dnr” existe o departamento de RH. O departamento possui os documentos forjados dos soldados russos, que serão usados no ataque contra Ucrânia na qualidade dos “cidadãos locais”. Um único regimento da dita “dnr” em questão de horas, pode se desdobrar em três regimentos russos. Em toda a Donbas, podem chegar aos cerca de 100.000 militares.

“Todos os russos da lista são [registados] como locais. Um regimento local desdobra-se em três – se unidade possuir duas mil pessoas, virão seis mil russos”, explica Svitlana.

Tudo isso Svitlana está disposta repetir no Tribunal de Haia. Assim como está pronta para voltar à linha da frente no caso de agressão russa – trajando a uniforme ucraniana.

Blogueiro: o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) confirma o fa(c)to da passagem aos territórios controlados da Ucrânia da mercenária das unidades ilegais armadas russas na Donbas, Svitlana Dryuk, a “chefe do 11º batalhão de tanques do 1º corpo da milícia popular da dita dnr”, com o nome de código “Veterok”.

O chefe do SBU, general Vasyl Hrytsak disse: “Esta operação foi uma competição da inteligência e profissionalismo entre os serviços secretos russos e ucranianos, e o resultado obtido é mais uma prova da agressão armada russa”.