segunda-feira, julho 06, 2020

Korenizatsiya: o sistema de ucranização da Ucrânia Soviética

"Filho! Inscreva-se na escola de oficiais vermelhos e a defesa da Ucrânia soviética é garantida!" 1921.
Imagem: Wkipédia, Domínio Público
Korenizatsiya (literalmente enraizamentofoi um elemento do sistema de ucranização e derussificação, adoptado pelo poder comunista na Ucrânia Soviética entre 1923 e 1932. Politicamente e culturalmente, destinava-se a eliminar o domínio russo nas diversas repúblicas soviéticas.  

Na imagem em baixo, podemos ver um certificado de aprovação no exame do conhecimento da língua ucraniana, sem o qual o cidadão não era admitido nos empregos, principalmente nos empregos estatais. Região de Kyiv, 1928. Inscrições de dois lados do cartão: “O conhecimento do ucraniano é apenas o primeiro passo para a ucranização completa” e “A ucranização unirá a cidade e a aldeia”.
"Valido por um ano"
No final de 1932, o primeiro ano de Holodomor, a ucranização foi oficialmente condenada como “petliurista” e vários ativistas e apoiantes do sistema foram condenados e deportados ao GULAG comunista. Assim alguns pesquisadores levantam a questão: será que a “corenização” e a “ucranização” não foram uma grande provocação do regime comunista soviético apenas para identificar e depois eliminar os “elementos nacionalmente conscientes”?
Mykola Skrypnyk, 13 de janeiro (jul.) de 1872 - 7 de julho de 1933
No dia 7 de julho de 1933, suicida-se Mykola Skrypnyk, ministro da educação da Ucrânia Soviética, o ideólogo da ucranização em 1923-1932. Foi acusado pelo regime soviético de “nacionalismo burguês” por seu trabalho de derussificação e pela criação da ortografia ucraniana conhecida como “skrypnykivka”.

quinta-feira, julho 02, 2020

A história da artista que atirou ao lixo a bandeira russa e separatista

Artista ucraniano-espanhola Yevguenia Yepez-Vinueza, presa pelos separatistas de Donetsk e acusada de “desrespeitar os símbolos” russos e separatistas acabou por ser libertada do seu cativeiro por pressão conjunta da comunidade internacional.

Yevguenia Yepez-Vinueza (de solteira Lukienko) é natural de Donetsk. No final dos anos 1990, ela e o marido, cidadão espanhol, se mudaram para Europa. Desde 2011, Yevguenia nunca esteve em sua cidade natal, mas chegou em Donetsk ocupada no final de 2019 para cuidar do apartamento familiar naquela cidade. No entanto, devido à quarentena e fronteiras fechadas ela não teve tempo de sair.

No dia 3 de junho, nas vésperas do dia da Rússia, uma bandeira tricolor russa e a bandeira da dita “dnr” foram penduradas, sem a sua permissão, na sua varanda. A artista quebrou as duas, as atirando ao lixo, pelo que foi presa pelos separatistas, ameaçada com anos de prisão.

Detenção

Na manhã de 3 de junho ela se deparou com as “autoridades” municipais que estavam pendurar na sua varanda a bandeira russa.
Yevguenia Yepez Vinuesa, em Donetsk na Ucrânia, em imagem cedida pela família
“Uma declaração política está sendo pendurada na minha varanda em meu nome! Gritei aos trabalhadores municipais: “Venham cá e tirem isso! Só eu posso pendurar algo na minha própria varanda!” Os pedi por bem, mas eles recusaram. Depois tirei-a eu própria, tentei atirar [a bandeira] por dentro do guindaste deles, mas ela passou voando. Mesmo assim, durante os interrogatórios, fui acusada de jogar a bandeira na calçada! Provavelmente, era necessário juntar uma pedra à bandeira e atirar dentro do guindaste”, está se rindo Yevguenia.

No entanto, naquela mesma tarde ela encontrou na sua varanda uma nova bandeira – desta vez a bandeira separatista da dita “dnr”.

“A minha dignidade humana se tornou acima da razão. Eu pensei, bem, eles me poderão assustar, passam uma multa e é isso”, lembra Yevguenia.

Dado que a bandeira estava firmemente presa à varanda, tinha que rasgá-la.

Uma hora depois bateram na sua porta. Primeiro era o suposto vizinho, depois supostos polícias. Antes de abrir, Yevguenia ligou para o marido para que este saiba o que estaria acontecer com ela.

Quando a abriu a porta viu oito funcionários do chamado “mgb”, a cruel e sangrenta secreta separatista. Eles a empurrada para dentro, interrogando dentro da sua casa por duas horas, a acusando de “obstruir e não cooperar com a investigação”, para por fim deter e levar à tristemente famosa cadeia “Izoliaciya” (Isolamento), o GULAG dos russo-separatistas, sob acusação de insultar os símbolos “estatais”:

1 noite em “Isolamento” e 16 dias no centro de detenção comum

Foi levada para a prisão com um saco na cabeça para não poder ver os rostos dos seus raptores.

“Eram pessoas muito agressivas. Além disso, de um nível [cultural baixo] que não sequer conseguiam articular uma questão. Apenas [preferiam] palavrões após os palavrões”, conta a artista ucraniana.

A cela tinha dois por dois metros – exatamente o comprimento do beliche, sem janelas e com um balde em vez de um vaso sanitário. Assim que Yevguenia descreve sua noite em “Isolamento”.

“Eles me levaram para a cela e disseram para dormir. Entendi então por que é necessário usar o momento e dormir, porque das seis da manhã às dez da noite é proibido ficar deitada, somente é possível ficar de pé ou sentada”.

Após o segundo interrogatório, Yevguenia foi transferida para o Centro de Detenção Temporária. Depois de “Isolamento”, ela chama este centro de “resort” e “paraíso”. Havia uma cela para três detidas com janelas, um banheiro com uma divisória e os guardas não eram brutamontes.

Durante os restantes 16 dias de detenção solitário Yevguenia nunca mais foi convocada para interrogatórios.

Libertação

Em 20 de junho, às dez horas da manhã, um segurança entrou na cela e disse-lhe para sair com suas coisas. Na saída, ela foi recebida por representantes do dito “mgb”.

“Quando os vi, eu disse – vou ter um ataque cardíaco agora, me diga o que vocês querem e o que [tenho que] esperar. E de repente eles me dizem que agora tudo vai acabar bem – somos generosos com você e vamos ao tribunal. E, naquele momento, percebi que a reação lá fora [dos territórios ocupados] foi mais forte do que eu poderia imaginar”, se lembra.

O marido de Yevguenia, Hannibal, apelou para muitas autoridades durante esses dias. Entre eles estão o Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores da Espanha, as embaixadas espanholas em Kyiv e Moscovo/u, a OSCE, vários organismos da ONU, a Cruz Vermelha, entre outras, informa a TV ucraniana Hromadske.ua

“Na manhã de 20 de junho, eles me levaram a um julgamento fictício e não me acusaram mais de ofender os símbolos do Estado, mas de desordem pública. Entendi que havia uma mobilização a meu favor e que isso havia mudado a atitude dos meus carcereiros. O juiz, que parecia cansado, aplicou uma multa de 238 rublos (cerca de três euros) e me perguntou se eu tinha dinheiro para pagar. Eles não lhe deram tempo para pagar. “Os agentes de segurança me levaram ao apartamento e me deram 20 minutos para recolher minhas coisas. Eles não me deixaram tirar fotos dos meus avós ou meus quadros e eu só levei os objetos inúteis ”. Com eles carregados, os agentes a deixaram na “linha de contato” [divisória entre Ucrânia ocupada e Ucrânia livre]. “Estou certa de que minha libertação foi influenciada pela mobilização ao meu favor por organizações internacionais e embaixadas, e também porque meu marido é espanhol. Sou privilegiada porque tenho alguém que lutou por mim, mas há outras pessoas trancadas aqui que não têm ninguém lá fora”, diz ela em entrevista telefónica ao El Pais.
Já após a sua libertação, os canais da TV ucraniana “112” e “ZIK”, divulgaram as notícias de que Yevguenia está supostamente pessoalmente grata pela sua libertação ao oligarca ucraniano pró-russo e padrinho do Putin – Viktor Medvedchuk.

“É uma mentira absoluta. Porque, antes de tudo, ninguém falou comigo. [...] Não agradeci e não vou agradecer ao Viktor Medvedchuk, porque seria o mesmo que agradecer ao presidente russo Vladimir Putin”, disse ela.

terça-feira, junho 30, 2020

O “nada nenhum” soviético retratado pelo ucraniano Oleksandr Ranchukov

Em 1987, o fotógrafo ucraniano Oleksandr Ranchukov, e alguns outros fotógrafos de Kyiv fundam o agrupamento criativo “Pohliad” (Olhar) e um ano depois organizam a sua primeira exposição coletiva.
“Ele queria mostrar os rostos das pessoas – bem diferentes dos de cartazes propagandistas. O fotógrafo enquadrava as faces dos transeuntes ao ambiente, sem contrastar, sem complementar, mas alegando que era o mesmo: os rostos dos transeuntes parecem calçadas, paredes surradas, casas, janelas escuras com “olhar” mau de vidros empoeirados”, explica o crítico de arte Olexander Lyapin sobre fotografias de Olexander Ranchukov.
Lyapin recorda que as pessoas não entendiam por que o fotógrafo estava fotografando o “nada nenhum”, pois entre os momentos capturados da vida quotidiana dos anos finais da URSS não havia nada de especial à ser encontrado, mas apenas uma grande desesperança e tristeza.
O fotógrafo ucraniano Oleksandr Ranchukov é conhecido, em primeiro lugar, pelas suas fotos de espaços urbanos e arquitectónicos – o seu trabalho para as publicações e arquivo do Instituto de Teoria e História de Arquitectura de Kyiv. Muitas destas fotos já foram publicadas em álbuns.
Em 1987 Ranchukov e alguns outros fotógrafos de Kyiv fundam o agrupamento criativo “Pohliad” e um ano depois organizam a sua primeira exposição coletiva.

– As suas fotos poderiam ser vistas apenas após o início da Perestroika. Antes disso ninguém teria coragem de as expor, – conta Oleksandr Lyapin. Em 1987 ele telefonou à mim e alguns outros rapazes. Dado que não tínhamos nenhum espaço, se encontramos no metro de Kyiv.
Tínhamos sonhos de chegar às exposições, à imprensa. Decidimos fazer a exposição, no edifício dos sindicatos na rua Khreschatyk em Kyiv. Exposição durou um dia, fechada pelo KGB e ao mando das estruturas do partido comunista. As fotos foram devolvidas, mas apenas 5 anos antes, seguramente iríamos ser presos. Levamos as nossas fotos e as expomos no recinto da Exposição Permanente da Economia Popular em Kyiv. Fomos seguidos pelos agentes [do KGB], mas estes ao menos não impediam de nos tirar as fotografias.

O típico da era soviética era a rua soviética: o cidadão estava mal vestido, com uma típica cesta nas mãos, uma sacola feita de cordas com as garrafas, cebolas ou qualquer outra coisa. A desordem das ruas também é transmitida às pessoas, e as pessoas desarrumadas contêm as ruas. O fotógrafo era atraído pela devastação espiritual. Ele escolhia, claro, mas escolhia cenas absolutamente típicas. Vejamos, por exemplo, a fila para comprar o arenque na rua: poderia ser em Sumy, Lviv ou Kyiv.

Cidadão como parte da cidade. Olexander Ranchukov escolhia não os momentos estéticos, mas momentos sociais: fila para comprar algo; um carro americano atrai uma multidão de curiosos; venderam o arenque e despejaram a marinada em plena rua; uma passagem ao pátio interior sujo e uma mulher infeliz está andando. Ela até pode não ser infeliz, mas no horror ao seu redor, ela parece desesperada. Por outro lado, a vida é inútil neste lugar com o slogan inscrito “Glória ao PCUS!”.

O fotógrafo tentou registar os momentos de desaparecimento, ou seja, hoje existe um objeto e amanhã já não. Isso pode ser visto claramente na foto, com o famoso quiosque de sapateiro no histórico bairro Podil em Kyiv, ao lado da Igreja de São Nicolau Pritisk e do Mercado “Zhytniy”. O quiosque já se foi para sempre. E isso faz a diferença.

Uma das famosas fotos do Ranchukov – um grande e moderno carro americano, possivelmente um “Lincoln”, fotografado no fim da década de 1980, e uma multidão de curiosos que até se agacham para ver os pneus da viatura.

O fotógrafo Yefrem Lakatskiy também fazia parte do agrupamento “Pohliad”, recordando uma das suas primeiras exposições colectivas:
"Serviço do emprego"
– Uma das exposições era dedicada à XIX conferência do PCUS, contando com as fotos do “Pohliad”. O director da exposição exigiu categoricamente retirar a foto do famoso músico folclorista ucraniano Leopold Yashenko, que na imagem simplesmente tocava a sua flauta, sentado numa carruagem de metro de Kyiv. O director da exposição estava categórico: “Retirem essa foto! Ele é um nacionalista!” Estávamos em 1989, por isso cada vez que a foto era retirada, eu colocava um exemplar novo, o público me defendia.

Um dia na [futura] Praça de Independência de Kyiv conheci Chrystia Freeland. A ucraniana étnica, até recentemente ministra dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores, depois disso a vice-primeira-ministra do Canada. Ela levou as fotos do agrupamento “Pohliad” à Grã-Bretanha, onde estas foram publicadas no jornal londrino “Independent”. Uma semana depois foi chamado ao departamento do KGB e tive problemas por causa das fotos.

Olexander Ranchukov, 1943-2019

quarta-feira, junho 24, 2020

“Parada da Vitória”

Autor: Host photo agency | Direitos autorais: REUTERS
A Ucrânia permanece fiel às tradições e princípios do antifascismo, como tem sido evidenciado, em particular, pela sua escolha por um caminho de desenvolvimento democrático e europeu. A Rússia, escondida por detrás da retórica antifascista, está essencialmente na frente de uma política neo-fascista agressiva na Europa.

por: Inna Ohnivets, Embaixadora da Ucrânia em Portugal, in Publico.pt

Na semana passada, a União Europeia prorrogou por um ano as sanções impostas à Rússia pela ocupação ilegal da Crimeia e aprovou a renovação, por mais seis meses, das sanções económicas à Rússia devido à sua agressão militar no leste da Ucrânia.

As referidas decisões da União Europeia demonstram, mais uma vez, a unidade europeia a respeito do apoio à soberania e integridade territorial da Ucrânia, bem como à importância de cumprir em pleno os Acordos de Minsk.

O Kremlin, por sua vez, responde à condenação e às sanções internacionais com uma guerra de propaganda e de desinformação contra o mundo democrático, cujo elemento principal é a retórica antifascista, através da qual a Rússia tenta criar uma cortina de fumo para encobrir a sua política agressiva, a sua guerra armada contra a Ucrânia e uma guerra híbrida contra a União Europeia e contra todo o mundo democrático.

Como é sabido, exactamente 75 anos depois de Estaline ter realizado uma “Parada da Vitória”, a Rússia organiza a sua réplica na Praça Vermelha em Moscovo.

Ao ter ocupado ilegalmente a Crimeia, em 2014, a Rússia foi a primeira nação após Hitler a tentar anexar território soberano de um Estado europeu, perdendo, assim, o seu direito moral de realizar eventos internacionais em comemoração da vitória sobre o nazismo.

É de recordar o facto bem comprovado de que a agressão armada da Rússia contra a Ucrânia teve início a 20 de Fevereiro de 2014, quando a Rússia ocupou uma parte do território ucraniano – a península da Crimeia.

Logo após a ocupação da Crimeia, a 12 de Abril de 2014, quando os mercenários liderados por oficiais dos serviços especiais da Federação Russa capturaram as cidades ucranianas de Slavyansk, Kramatorsk e Druzhkivka, iniciou-se a guerra russa na Donbas, que resultou na morte de mais de 14 mil cidadãos ucranianos.

Diversas e mais do que suficientes provas mostram que a guerra no leste da Ucrânia não é de todo uma guerra civil. Face a essas provas, a Rússia continua a tentar negar a sua participação directa no conflito, usando uma vasta série de ferramentas híbridas, incluindo a desinformação.

Em mais de seis anos de guerra na Donbas, a Rússia transformou o território ucraniano ocupado num campo de treino das suas forças armadas e de teste do seu armamento moderno. O mesmo se passa na Crimeia, onde se documentam, e cada vez mais se agravam, os casos de violação dos direitos humanos por parte do estado de ocupação, o qual recusa o acesso das equipas de monitorização internacionais ao território.

A Ucrânia permanece fiel às tradições e princípios do antifascismo, como tem sido evidenciado, em particular, pela sua escolha por um caminho de desenvolvimento democrático e europeu.

Hoje, a Ucrânia é o único país da Europa que, de armas em punho, resiste à agressão militar do regime neo-fascista e neo-estalinista do Kremlin. A Ucrânia protege não apenas a sua independência e integridade territorial, mas também toda a Europa democrática e os seus valores civilizacionais.

Na situação actual, as unidades militares na “Parada da Vitória” na Praça Vermelha representam não só os soldados da Segunda Guerra Mundial, mas também as tropas russas regulares que ocuparam a Crimeia e o Donbas, os gangues de cossacos russos, os “voluntários” e “turistas” que mataram os habitantes do Donbas e roubaram as suas casas abandonadas, os artilheiros antiaéreos que abateram o voo MH17 da Malaysia Airlines, os mercenários do exército privado de Wagner que cometeram inúmeros crimes contra a humanidade na Síria e na Líbia enquanto cumpriam ordens do Kremlin, bem como os envenenadores profissionais dos serviços secretos russos e os milhares de sabotadores de vários tipos que conduzem a guerra híbrida em larga escala contra todo o mundo democrático, há muitos anos.

O Congresso Geral Grã-Ucraniano de Figuras Públicas e Cidadãos do Extremo Oriente

No dia 24 de junho de 1917, na cidade Mykolsk-Ussuriysky realizou-se o Primeiro Congresso Geral Grã-Ucraniano de Figuras Públicas e Cidadãos do Extremo Oriente russo.

Um ano depois, em abril de 1918, aqui foi estabelecido o Conselho Distrital Ucraniano de Mykolsko-Ussuriysky – órgão territorial do governo autónomo da população ucraniana do distrito de Mykolsk-Ussuriysky da região de Primorye em 1918–1922, um componente administrativo da República Ucraniana do Extremo Oriente. O conselho uniu a comunidade ucraniana, a Prosvita local, o sindicato ucraniano dos funcionários do Correio e Telégrafo e dos Professores ucranianos, realizou diversas atividades culturais e educacionais nas aldeias ucranianas da região.
Os ucranianos provenientes da Ucrânia Central, começaram emigrar para o Extremo Oriente siberiano em 1883, sensivelmente na mesma altura, quando os seus irmãos da Ucrânia Ocidental (Galiza Ucraniana) iniciaram a emigração para Brasil e Canada.

Nos últimos 20 à 30 anos a comunidade ucraniana local é alvo de uma assimilação acelerada, quer por razões naturais e objectivos, quer por razões mais políticas e subjectivas. Desde o início da Revolução de Dignidade de 2013-14 (movimento EuroMaydan), qualquer manifestação da vida política ucraniana é simplesmente impensável, embora as autoridades locais toleram as manifestações ucranianas puramente culturais. Ou seja, é possível dançar hopak, cantar as canções tradicionais ou fazer as feiras culinárias ou de artesanato, mas qualquer espécie de ação mais política imediatamente chama a atenção das autoridades e muitas das vezes é vítima da auto-censura dos próprios ucranianos locais.   
Faça click para ler mais: Emigração ucraniana na Sibéria
Actualmente, na cidade de Primorsk funciona o Centro de Cultura Ucraniana, responsável por dois eventos anuais em massa – a Feira Sorochynsky e o Festival Ucraniano de Cultura, realizado no Palácio da Cultura dos Trabalhadores Ferroviários. O centro é dirigido pela presidente do conselho da organização Tetiana Tkachenko:

terça-feira, junho 23, 2020

Cinema militar: “Massacre na Ucrânia” (2017)

O comandante do Exército Insurgente da Ucrânia (UPA), Danylo Chervonyi, capturado pelo NKVD e enviado ao GULAG lidera o movimento da resistência anti-comunista, suportado, em primeiro lugar pelos guerrilheiros ucranianos e lituanos.

Co-produção ucraniano-lituana. Baseado numa história real.
Legendado em português e disponível no Brasil em Prime Vídeo

sábado, junho 20, 2020

Karl Marx, um dos piores anti-semitas e racistas

Karl Marx, que advogava que os povos inteiros deveriam desaparecer no “holocausto revolucionário” odiava especialmente os judeus e negros. Ou seja, era um verdadeiro racista, anti-semita e xenófobo.

Judaísmo como “elemento anti-social”

Um desprezo chocante pelas minorias emerge das cartas e artigos de Karl Marx. Marx escreveu ao seu amigo político Arnold Ruge o quão “nojento” para ele era “a crença israelita”. O seu ensaio “Zur Judenfrage” / On the Jewish Question (1843) estabelece as bases espirituais do puro ódio anti-semita: “Qual é a base secular do judaísmo? A necessidade prática, o interesse próprio. Qual é o culto secular dos judeus? A fraude. Qual é o seu deus secular? O dinheiro”. As passagens de Marx sobre os judeus às vezes parecem como originais textos nazistas. O judaísmo é “um elemento anti-social contemporâneo geral”. Na religião judaica há “desprezo pela teoria, arte, história e homem como um fim em si”. Na sua obra principal “O Kapital”, Marx escreveu em 1872 que todos os bens “na verdade são os dinheiros, circuncidados pelos judeus interiormente e também meios milagrosos de ganhar mais dinheiro com dinheiro”.

As suas cartas expõem Marx como um racista. Ferdinand Lassalle, o fundador da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães e um concorrente político de Marx, é denegrido por causa de sua origem judaica apenas como Jüdel Braun” (Judeu Castanho), Ephraim Gescheit ou Itzig. Depois que Lasalle visitou Marx em Londres em 1862, este o repreendeu como negro judeu Lasalle e escreveu: Agora está completamente claro para mim que, como prova a formação de sua cabeça e crescimento de pêlos, ele é descendente de negros que seguiram o comboio/trem dos judeus do Moisés do Egito. Bem, essa conexão entre o judaísmo e o germanismo com a substância básica negra deve produzir um produto estranho. A insistência do rapaz também é um assunto nigeriano”.

Mesmo o seu genro Paul Lafargue, cuja mãe era uma crioula cubana, Marx humilhou em uma carta a sua filha Jenny como Negrillo e descendente de um gorila. Quando Marx ficou chateado novamente com seu genro não-branco, ele escreveu ao Engels: Lafargue tem a cicatriz ruim da tribo negra: não possui o sentimento de vergonha.

Quando Lafargue concorreu em 1887 no bairro parisiense Jardin des Plantes para o conselho municipal da cidade, Friedrich Engels, companheiro de Karl Marx, fez o seguinte comentário profundamente racista em uma carta: “Meus parabéns ao Paul, candidato do Jardin des Plantes – e dos animais. Sendo um negro, ele está um grau mais próximo do resto do reino animal do que o resto de nós, ele é sem dúvida o representante certo para este distrito.

Em vista de todo este legado brutal, anti-semita, xenófobo, racista e opressivo, surge a questão de saber se 52 espaços públicos, mais de 500 ruas e até várias escolas na atual Alemanha realmente devem continuar à ostentar o nome de Karl Marx?..

Ler o texto original “Karl Marx war einer der übelsten Rassisten” em alemão

quinta-feira, junho 18, 2020

O maior poeta da Ucrânia, Taras Shevchenko, nasceu como escravo

O maior poeta da Ucrânia, Taras Shevchenko, nasceu como escravo, foi comprado e depois recebeu a sua liberdade em 1838. Aqui estão os documentos sobre a sua liberdade.

Ele foi preso pelo regime czarista russo alguns anos depois e perdeu a liberdade por escrever poesia. Quando ele retornou à liberdade após anos de prisão militar, gastou muito de seu tempo e dinheiro tentando comprar liberdade dos seus familiares. O império russo libertou os servos somente após a sua morte, em 1861 1861 (via Virlana Tkacz).

Curiosidades

A banda britânica de rock New Order lançou um álbum de vídeo intitulado Taras Shevchenko em agosto de 1983. Ele contém o registo de um show realizado no Ukrainian National Home, em Nova Iorque, no dia 18 de novembro de 1981:

quarta-feira, junho 17, 2020

Ucrânia e os cossacos ucranianos na TV turca TRT

A TV turca TRT realizou um filme histórico-documental, dedicado às artes bélicas dos cossacos ucranianos, que despertou bastante interesse entre o público turco. As filmagens decorreram na cidade ucraniana de Zaporizhia e na ilha de Khortytsia.

O embaixador da Ucrânia na Turquia, Andrij Sybiha, conta que os cineastas estavam completamente imersos na vida local, treinando e vivendo de acordo com os costumes cossacos.
Faça click para ver o filme
O mesmo grupo preparou o vídeo promocional da Ucrânia, dirigido especialmente ao público turco, chamado Ukrayna Bizleri Bekliyor (Ucrânia está esperando por nós):
Blogueiro: no passado histórico os cossacos ucranianos quer guerreavam os turcos, quer faziam acordos tácticos com eles, a famosa Roxelana (Roksolana de Rohatyn) foi a esposa e mãe de alguns sultões da Turquia. O filme mostra que Turquia e os turcos conseguem superar as traumas históricas e olham Ucrânia sem preconceitos coloniais.

segunda-feira, junho 15, 2020

Russo que lutou pela Ucrânia independente até a morte

Em maio de 1948 o MGB da Ucrânia Soviética prendeu em Kyiv os 15 membros da resistência anti-comunista de Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), liderados pelo russo étnico, Ihor Pronkin “Berkut”, que apesar de tortura se recusou colaborar com autoridades soviéticas.
Ihor Pronkin, 1929-1953
Ihor Pronkin “Berkut” nasceu em 1929 na cidade russa de Kazan, na Ucrânia ele estudava física na Universidade de Kyiv, ao mesmo tempo liderava a rede da resistência de OUN na capital ucraniana, que se dedicava às ações de inteligência e propaganda,  preparando-se para ações de luta armada contra autoridades de ocupação soviéticas, representantes do partido comunista, do MGB e do ministério de interior.

Ihor Pronkin foi condenado aos 25 anos de GULAG, onde morreu em 1953 durante a revolta de Norilsk
Yuriy Hayduk, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Ivan Velyhurskiy, nasceu em 1930, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Petro Bendyuk, nasceu em 1929, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Hryhoriy Hovdyo, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Recorda o veterano do KGB soviético Albert Dichenko:
Ihor Denysenko, nasceu em 1930-2007, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Hryhoriy Pidoplichko, nasceu em 1927, sentenciado aos 10 anos de GULAG
Oleksiy Hordiychuk, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Emiliy Khomenko, nasceu em 1928, sentenciado aos 10 anos de GULAG
“...Nessa altura, terminaram as ações do seguimento de dois casos de acompanhamento secreto de grupos – “Krai” e “Grachi” – sob os quais eram seguidos os membros da rede municipal da OUN de Kyiv. Nota-se que essa organização clandestina na própria capital [da Ucrânia] operou até 1949, e isso apesar da enorme concentração de unidades de contra-inteligência.

Interessante que organização foi liderada por um aluno do Instituto de Educação Física, da etnicidade russa, Ihor Pronkin. Ele foi capturado de forma simples – foi decifrado o emissário que chegou com as instruções e, quando ele chegou, foram detidos juntos.

[...]
Anatoliy Marchenko, nasceu em 1927, sentenciado aos 10 anos de GULAG
Natália Deyneko, nasceu em 1929, sentenciada aos 5 anos de GULAG
Lyudmyla Marchenko, nasceu em 1928, sentenciada aos 5 anos de GULAG
Literatura, armas e objetos pertencentes à rede da OUN de Kyiv
E o que é interessante, apesar dos métodos específicos de conduzir a investigação [uso da tortura], ele não disse nada, exceto: “Sim, sou o chefe da rede da OUN na cidade de Kyiv. E não vou vos contar mais nada. Além disso, ele disse: “Enquanto eu estiver vivo e por quanto tempo vou viver – lutarei por uma Ucrânia independente”.

Então ele, me parece que foi sentenciado aos vinte anos. Depois houve uma poderosa revolta em Norilsk e muitas pessoas morreram lá. Tanques a esmagaram. Naturalmente, a revolta foi liderada pelo ramo da OUN-Norte, que operou em Norilsk (ou melhor, em três grandes campos do norte – Inta, Vorkuta, Norilsk) por vários anos. Vejam o nível de conspiração.
Processo do MGB número 149064
E Ihor Pronkin também entrou na liderança dessa rede. E quando a revolta foi esmagada, ele foi mortalmente ferido por um estilhaço de um obus do blindado...”

Ler mais sobre este caso em ucraniano.