Enquanto milhares de ucranianos e belarusos foram enviados aos campos do GULAG e o mundo ocidental se recuperava dos horrores da Segunda Guerra Mundial, a máquina de propaganda soviética trabalhava a todo vapor para atrair emigrantes e «deslocados internos» (DP) à retornar à União Soviética.
![]() |
| «Pelo retorno à Pátria», março de 1957, edição ucraniana |
Os segredos do «gancho» comunista
As páginas que podemos ver nas imagens, descrevem uma vida na URSS completamente idílica:
«Igual e feliz»: histórias sobre «direitos incríveis» das mulheres, medicamentos gratuitos e cuidados gerais, providenciadas pelo Estado.
«Com felicidade eles voltam para casa» (edição belarusa): fotos encenadas de repatriados felizes, supostamente retornando da Brasil, da Argentina ou dos EUA para um paraíso de kolkhozes, isso é fazendas coletivas «prósperas».
Temas culturais: artigos sobre novas obras musicais, concertos e «infância feliz».
Foi uma operação psicológica do KGB, especialmente planeada. Jornais eram distribuídos nos campos de refugiados e deslocados em toda a Europa, colocados nas caixas de correio de emigrantes, tentando explorar a sua possível nostalgia e as situações económicas complicadas de alguns.
![]() |
| «Pelo retorno à Pátria», junho de 1956, edição belarusa |
Onde essas ilusões eram fabricadas?
O centro dessa «fábrica de sonhos» não ficava em Kyiv ou Mensk/Minsk, mas na zona de ocupação soviética de Berlim. A redação do comité «Pelo Retorno à Pátria», liderado pelo major-general do KGB Nikolai Mikhailov e seus colaboradores, que serviam os interesses de Moscovo/ou, estava localizada em: Berlin NW 7, Schadowstraße 1b.
Foi daqui que milhões de cópias de mentiras foram espalhadas por todo o mundo, prometendo anistia geral e «montanhas de ouro». Em vez disso, muitos dos que acreditaram e retornaram se viram diante de interrogatórios, campos de filtragem, deportações / exílio ou vida sob a vigilância eterna das autoridades soviéticas.
Oitente anos depois, em nome da cidade ucraniana de Mariupol, ocupada pelos russos, foi criado um canal no YouTube onde são contadas «histórias fascinantes» sobre a reconstrução da cidade e das condições de vida «maravilhosas» sob a ocupação russa. Nada de novo na propaganda estatal russa...
Fonte: Arquivo da OUN. - Biblioteca. - Jornais. - Inv. nº 71-72
Blogueiro: é de notar, que os jornais eram impressos no papel de uma qualidade superior, usando uma ótima base poligráfica (uso das imagens artificialmente coloridas), muito melhor do que vários jornais soviéticos das décadas de 1970-80. Os jornais usam como slogan as frases «Glória à grandiosa terra pátria!» (edição ucraniana) e «Glória, à Pátria nossa livre!» (edição belarusa) em vez do unificado «Proletários de todos os países uni-vos!», que praticamente TODOS os jornais soviéticos usavam até fim da URSS em 1991. Estes jornais falam vizivelmente menos do socialismo/comunismo ou de autoridades soviéticas, em vez disso fala-se do «Estado» e muito abundamente dos «cuidados do Estado».




Sem comentários:
Enviar um comentário