sábado, maio 02, 2026

As pedras salvadoras, atiradas às «traidoras da pátria» soviética

Gertrud Platais presa pelo NKVD. Foto: www.bundesstiftung-aufarbeitung.de

A alemã Gertrud Platais, foi prisioneira do campo de concentração soviético de ALZHIR, na atual Cazaquistão, pela única «culpa» de ser a esposa de um «traidor da pátria», o engenheiro alemão Karl Platais, executado pelo NKVD em abril de 1938. 

Quando Gertrud visitou o Cazaquistão em 1990, ela contou à equipa/e do Museu ALZHIR sobre seu primeiro encontro com os cazaques locais e o tratamento que estes davam às prisioneiras.

Em uma manhã tempestuosa de inverno, enquanto as prisioneiras colhiam juncos na margem do Lago Zhalanash sob forte vigilância do NKVD, para construir barracões, homens idosos e crianças — moradores da vila cazaque vizinha de Zhanashu — emergiram dos juncos. A mando dos mais velhos, as crianças começaram a atirar pedras nas mulheres exaustas (para atingir a cota de 40 feixes de juncos, elas tinham que trabalhar no frio de 17 a 20 horas por dia). Os guardas começaram a rir alto:

«Viram? Não só em Moscvo/ou, mas até aqui na vila, nem as crianças gostam de vocês!»

«Foi muito ofensivo e doloroso, especialmente emocionalmente», conta Sra. Platais. Isso continuou por alguns dias. As prisioneiras insultadas só podiam apelar ao destino, queixando-se da injustiça sofrida às mãos dos cazaques, enganados e amargurados pela propaganda soviética...

Karl Platais, 1907-1938, executado pelo NKVD

Um dia, desviando-se das pedras que voavam em sua direção, a exausta Gertrud tropeçou e caiu numa destas pedras. Ao enterrar o rosto nelas, de repente sentiu o cheiro de queijo fresco e percebeu que aquelas mesmas pedras cheiravam a... queijo e leite! Levou/pegou um pedaço e colocou na boca — parecia delicioso.

Ela recolheu as pedras e as levou de volta ao quartel. Havia também prisioneiras cazaques lá. Elas disseram que era kurt — queijo fresco salgado, seco ao sol.

Gertrud Platais na década de 1990. Foto: httpswww.bundesstiftung-aufarbeitung.de

Acontece que, arriscando a vida de seus próprios filhos, cazaques compassivos, incapazes de encontrar outra maneira senão compartilhar seus últimos pertences — o kurt — com as prisioneiras dessa forma, sem despertar as suspeitas dos guardas, fizeram isso para, de alguma forma, apoiar as mulheres pobres e famintas, tendo elas mesmas experimentado a fome e a privação na década de 1930. Mais tarde e sem que os guardas soubessem, eles deixavam os pedaços de carne cozida, papa/mingau de aveia, kurt (um tipo de pão achatado) e pão sírio para os prisioneiros debaixo dos arbustos.

sexta-feira, maio 01, 2026

Perdas russas na Ucrânia podem atingir meio-milhão de mortos

O serviço russo da BBC e Mediazona identificaram os nomes de 216.205 militares russos mortos durante a invasão em larga escala da Ucrânia. As perdas russas totais, contando com as baixas dos separatistas das ditas «repúblicas populares» de Donetsk e de Luhansk podem ultrapassar o marco de 500.000 mortos.

Somente as baixas confirmadas de apenas duas regiões russas com o maior número de baixas militares — Bascortostão e Tartaristão — já superam o total de perdas soviéticas durante os 10 anos de guerra no Afeganistão. 

Nas últimas duas semanas, mais de 4.600 nomes foram adicionados à lista. Esse número está acima da taxa média de crescimento em comparação com os dados de 2025. No entanto, a maioria das mortes confirmados no último mês são de militares que estavam desaparecidos em combate desde 2024 e que foram posteriormente oficialmente reconhecidos como mortos pelo lado russo (em alguns casos, os corpos foram encontrados; em outros, a decisão foi tomada por tribunais com base em solicitações de familiares ou unidades militares). 

Tendências Gerais

Nas últimas duas semanas, o Bascortostão ultrapassou 9.500 baixas militares na Ucrânia, enquanto o Tartaristão ultrapassou 8.000. As perdas confirmadas somente nessas duas regiões (18.116) já superam em 20% o total de perdas soviéticas durante os 10 anos de guerra no Afeganistão (os números oficiais soviéticos apontvam cerca de 15.500 mortos). 

O Bascortostão e o Tartaristão lideram há muito tempo todas as regiões russas em número de baixas confirmadas, em parte devido ao trabalho ativo de voluntários locais e organizações públicas que coletam esses dados. 

A rússia continua a sofrer perdas em seu corpo de oficiais. Desde o início da invasão, 7.143 oficiais tiveram suas mortes confirmadas, incluindo 494 tenentes-coronéis, 164 coronéis e 15 generais, entre eles o major-general do Ministério do Interior Andrey Golovatsky, condenado, mas não destituído de sua patente, e o major-general do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) Vladimir Lyapkin, que desertou para a rússia e, segundo documentos públicos, manteve sua patente de general. 

77% de todas as baixas entre oficiais eram comandantes subalternos. Oficiais que variam de tenente a capitão são responsáveis ​​pela execução dos planos operacionais elaborados por seus superiores. Ao mesmo tempo, os próprios comandantes subalternos frequentemente carecem do apoio, dos recursos e da autoridade decisória necessários em um ambiente de rápidas mudanças. Como resultado, eles — juntamente com os soldados e sargentos — são as principais vítimas de problemas sistêmicos não resolvidos no exército russo. 

Qual é a real dimensão das perdas? 

As perdas reais da rússia excedem os dados obtidas de fontes abertas. Especialistas militares estimam que a análise de cemitérios russos, memoriais de guerra e obituários pode subestimar entre 45% e 65% do número real de mortos. 

Um dos motivos é que os corpos de muitos dos mortos nos últimos meses ainda não foram removidos do campo de batalha, já que a atividade de drones dificulta o processo de recuperação. Outro número de mortes permanece sem registro porque as autoridades locais ou familiares optam por não divulgar publicamente os óbitos. 

Com base nessas estimativas, o número real de mortos na rússia pode estar entre 332.600 e 480.500. 

O número total de baixas aumenta significativamente se incluirmos os mortos em unidades das chamadas «repúblicas populares» de Donetsk e de Luhansk. Desde dezembro de 2022, os separatistas de Donetsk deixaram de publicar dados sobre as baixas, enquanto os de Luhansk nunca os divulgaram. 

Com base na análise de obituários e relatórios de busca por combatentes das «l/dnr» que estavam incomunicáveis ​​há muito tempo, estima-se que entre 21.000 e 23.500 pessoas morreram até o final de setembro de 2025. 

Assim, de acordo com os dados coletados, as perdas totais das forças pró-rússia podem variar de 353.600 a 504.000 militares. 

Bónus 

As perdas dos equipamentos militares russos, verificáveis e confirmadas por foto e/ou vídeo, divulgadas pelo grupo OSINT Oryx no mês de março de 2026. É de notar, que em março as forças ucranianas, atingiram e danificaram, no mínimo, 4 helicópteros e 2 submarinos:

Faça click para consultar a lista completa


⚡️⚡️💥 Ucrânia atinge aviões russos Su-57 e Su-34 nos Urais

Em 25 de abril corrente, no aeródromo de Shagol, na região russa de Chelyabinsk, nos Urais, os drones ucranianos de Forças de Sistemas Não Tripulados (USBS) atingiram vários caças Su-57 e um caça-bombardeiro Su-34. 
Os alvos estavam localizados a uma distância de aproximadamente 1.700 km da fronteira estatal da Ucrânia. A extensão dos danos pode ser vista aqui:

Confirmação visual via satélite

Na República de Komi, um helicóptero Mi-8 russo caiu em um heliponto localizado na zona industrial da cidade de Usinsk. A aeronave tombou de lado: 

Mi-8 russo tombado ao lado em Usinsk, região de Komi

A 4ª (!) rodada de chegadas de drones ucranianos à zona de tanques do porto de exportação de petróleo de Tuapse na noite de 01/05/2026:



Cidade de Tuapse, 1 de maio de 2026
 

Analisando o vídeo do incêndio, bem como as imagens de satélite de 28/04/2026, podemos geolocalizar o fogo na área de 4 tanques de 10 mil metros cúbicos de petróleo. Destes, pelo menos 2 estão em chamas, segundo uma estimativa conservadora. 

Situação corrente na Estação de Produção e Despacho em Linha (LPDS) «Perm» após uma nova incursão de drones de ataque profundo do Centro de Operações Especiais CSO «A» do SBU:



 

Glória à Ucrânia!

FontesGeneralStaffZSUexilenova_plus;

quinta-feira, abril 30, 2026

💣 Ucrânia atinge petróleo em Perm e embarcações junto a Ponte de Kerch

Uma unidade de destilação atmosférica de petróleo a vácuo está em chamas em Perm. Não se trata apenas de um tanque de combustível, mas de um equipamento importante, cuja destruição afetará a futura produção petrolífera russa. 





Logo à seguir, os drones ucranianos atingiram Permnefteorgsintez: a fábrica/planta de processamento do petróleo. A Estação de Produção e Despacho em Linha (LPDS) «Perm» é uma «artéria de transporte», que opera na mesma cadeia de produção do petróleo com a Permnefteorgsintez. Ou seja, Ucrânia atinge o conjunto completo do sistema russo de produção de petróleo. Está dizimando todo o arsenal russo.


Os momentos ímpares em que os drones ucranianos «Lyutiy» atingem as instalações russas:


Ucrânia atinge embarcações russas que protegiam a Ponte de Kerch

Na noite de 30 de abril de 2026, os drones marítimos da Marinha da Guerra da Ucrânia danificaram a frota de navios e embarcações russas na área do Estreito de Kerch. Como resultado do ataque, foram atingidas a lancha de patrulha «Sobol» do FSB e a lancha antissabotagem «Grachonok». O ataque causou perdas ​​e danos nos ocupantes russos. 

Essas embarcações são unidades-chave da Guarda Costeira do Serviço de Fronteiras do FSB e da marinha russa, utilizadas para proteger a Ponte de Kerch. Este é mais um exemplo do trabalho eficaz da Marinha ucraniana e da redução constante das capacidades russas no Mar Negro.

Glória à Ucrânia!

Fontes: kazansky2017; exilenova_plus

❗️⚠️💀 Os estrangeiros residentes é o novo alvo do MinDefesa russo

Até o fim de 2026, a rússia planeia recrutar, no mínimo, 18.500 estrangeiros residentes para a sua guerra neocolonial. O alvo principal são os cidadãos dos países da Ásia Central pós-soviética e outros países mais pobres da África e da Ásia. O projeto ucraniano «Quero Viver» revela detalhes. 

Em 2026 a rússia está intensificando os esforços para recrutar estrangeiros, incluindo migrantes, para o seu exército de ocupação. Em todos as regiões russas foram realizadas verificações de controlo/e do número de estrangeiros residentes, homens com idades entre 18 e 60 anos. 

As verificações foram realizadas pela Diretoria Principal de Organização e Mobilização do Estado-Maior das Forças Armadas da federação russa, em conjunto com o Serviço de Cidadania e Registro de Cidadãos Estrangeiros do Ministério do Interior da rússia. 

Indicadores específicos de mobilização foram apresentados aos comissariados militares: recrutar à guerra criminosa contra Ucrânia de 0,5% a 3,5% do número total de estrangeiros residentes em cada região russa. O recrutamento é realizado por meio de 97 postos de recrutamento. O maior número desses postos está no Distrito Militar Central — 30. Nos Distritos de Moscovo/ou e do Sul — 21 cada, no Leste — 14, e o menor na região de Leninegrado — 11. 

No total, até 2026, o Ministério da Defesa russo planeia recrutar pelo menos 18.500 cidadãos estrangeiros para o seu exército de ocupação. 

O principal alvo do recrutamento militar russo são os cidadãos dos países da Ásia Central: Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão. Paralelamente, o recrutamento está sendo realizado fora da rússia. As áreas prioritárias estão Bangladesh, Chade, Sudão, Burundi e outros países mais pobres da África e da Ásia. 

Além dos postos de recrutamento oficiais, o recrutamento nas regiões russas é realizado por estruturas paramilitares, criadas sob o controlo/e dos serviços secretos russos, em particular o GRU: as alegadas EMP, com os nomes pomposos de “Redut”, “Konvoy”, “Wagner-2”, “Potok”, “Irmãos de Guerra Russos”, “Fakel”, “Patriot”, “Plamya”, “Sokol”, “Veteranos”. 

Para atrair estrangeiros, além de promessas de altos salários, benefícios sociais e obtenção da cidadania russa, usam-se as velhas táticas de pressão e coerção. Os russos exploram a vulnerabilidade jurídica de cidadãos estrangeiros, residentes no seu território, em particular: 

  • expiração de visto de turista ou estudante;
  • impossibilidade de prorrogar o visto ou regularizar a situação dentro dos prazos estabelecidos;
  • detenção administrativa por violação da legislação migratória russa. 

Nessas condições, criadas, artificialmente pelo regime russo, os estrangeiros recebem uma “alternativa”, isso é, a sua participação na guerra contra Ucrânia. Forçados à escolher entre uma longa pena de prisão (são mencionadas penas de até 8 anos) e assinatura de um contrato para servir nas forças armadas russas. 

O Ministério da Defesa da Ucrânia alerta cidadãos estrangeiros contra viagens à federação russa e contra aceitação de execução de quaisquer empregos/trabalhos no território russo. Uma viagem à rússia é um risco real de acabar num esquadrão kamikaze de “homens-bomba” e, em última instância, apodrecer em solo ucraniano. 

Salve a sua vida e entrega-se às FAU: t.me/spasisebyabot

Ligue para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos)

Escreva ao Telegram ou WhatsApp:

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quarta-feira, abril 29, 2026

Ucrânia atinge helicópteros militares russos Mi-17 e Mi-28 em Voronezh

O novo recorde incrível de drones ucranianos SBS. Na região russa de Voronezh, a 150 (!) quilómetros da linha de frente, os drones de ataque ucranianos conseguiram atingir dois helicópteros militares russos Mi-17 e Mi-28, estacionados no solo. 

Blogueiro militar russo confirma o deep strike ucraniano

A ação ucraniana foi confirmada pelo propagandista militar russo Kirill Fedorov, que «está chocado». O propagandista russo não consegue entender como isso foi possível. 

Nesta noite, os vários alvos estratégicos russos em Perm (mais de 1.500 km da Ucrânia) foram atacados com sucesso pelos drones de ataque do Centro de Operações Especiais CSO «A» SBU. 



A LUKOIL-Permnefteorgsintez ou Transneft e outras empresas foram danificadas (muitas vezes as instalações destas empresas se situam junto umas às outras, por isso informações estão sendo apuradas).

Também foi atingida uma refinaria de petróleo em Orsk, na região de Orenburg (vídeo acima). 

Além disso, segundo as informações não confirmadas de forma independente (apenas a fonte do Kremlin), houve uma tentativa de liquidação do major-general Azambek Omburekov, ex-comandante da 64ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, que em 2022 ocupou a Bucha. A explosão ocorreu em uma unidade militar na vila de Knyaze-Volkonskoye-1, na região de Khabarovsk, no Extremo Oriente russo. 

O explosivo foi colocada numa caixa de correio do prédio Nrº 55. 

Como resultado, a explosão matou o comandante do batalhão de comunicações, o tenente-coronel Kuzmenko, e vários outros militares ficaram feridos. O estado de saúde de Omburekov ainda é desconhecido. Desde 2023, o general Omurbekov chefiava o 392º Centro Distrital de Treino/amento de Oficiais Subalternos do Distrito Militar Oriental. 

Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017; nevzorovtv

terça-feira, abril 28, 2026

Tuapse. A retribuição justa pela invasão russa da Ucrânia

Em resultado dos novos ataques ucranianos, pelo menos 4 tanques no território da refinaria de petróleo de Tuapse estão em chamas. Nos ataques anteriores o alvo era a zona de tanques, desta vez o alvo principal é a própria refinaria de Tuapse. 

Pontos de dano confirmados:

  • pelo menos 2 tanques: 44.103117,39.102745
  • 1 tanque: 44.100777,39.096268
  • 1 tanque: 44.103963,39.095760 

Há possibilidade de o fogo se alastrar para tanques vizinhos. 

Mas nada disso teria acontecido se putin e regime russo simplesmente tivessem concordado em estender a trégua da Páscoa, como foi proposto pela Ucrânia. Então, putin literalmente fez tudo isso com a própria Tuapse. 


Os drones ucranianos atingiram também o prédio da administração das forças de ocupação em Markivka, na região de Luhansk.

Foi relatado que uma reunião das forças russas de ocupação estava ocorrendo no local, razão pela qual houve muitos feridos. Três ocupantes gravemente feridas foram evacuados de helicóptero. De acordo com relatos não confirmados, há baixas entre os militares e russos que trabalhavam no prédio. 

Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017

A guerra na Ucrânia: drones FPV ucranianos vs táticas russas da II G.M.

Dado a desigualdade do tamanho dos recursos humanos, disponíveis às duas partes da guerra russo-ucraniana, os beligerantes tomaram decisões estratégicas opostas. Ucrânia apostou no uso maciço de drones FPV e a rússia, recupera as «táticas gloriosas» soviéticas usadas na II G.M. 

Imagens contemplativas em 4k da eliminação de «russos supérfluos» por operadores de drones do Centro CSO «A» do SBU. Na última semana de abril de 2026, as unidades da Alfa eliminaram 2.812 ocupantes russos, em toda a linha de frente (número representa os ocupantes KIA e WIA):

Um outro vídeo de encontro multicultural épico de um drone FPV ucraniano com um cami(nh)ão carregado com 11 ocupantes russos na área tática de Hulyaipole, na região de Zaporízhia. A pontuação eletrônica é recebida pelos pilotos ucranianos de elite da unidade da Guarda-fronteira «Fênix»:

A destruição dos invasores russos em Pokrovsk. Cada alvo atingido pelos drones facilita o trabalho das tropas de assalto no terreno: 

Como é claro, os equipamentos pesados russos também não são esquecidos. A explosão épica de um cami(nh)ão russo, carregado de munição, após um ataque de drone kamikaze ucraniano:

Fontes: SBU; Feniksdpsu; Exilenova_plus

segunda-feira, abril 27, 2026

O dia em que Mikhail Gorbachev iniciou à Perestroika

Em 23 de abril de 1985, no plenário do Comité Central do PCUS, o Secretário-Geral Mikhail Gorbachev apresentou um relatório e declarou um rumo para mudanças na política económica e social da URSS.

Capa do jornal «Pravda» de 24 de abril de 1985

Gorbachev assumiu a liderança do partido em 11 de março de 1985, após a morte de Konstantin Chernenko. A nova política foi chamada de Uskorenie (aceleração do desenvolvimento socioeconómico) e mais tarde tornou-se parte da derradeira tríade soviética de Perestroika (reconstrução) - Glasnost (transparência) - Uskorenie (aceleração).

Assim, Gorbachev tentou salvar a URSS, que, de uma forma acelerada rumava ao seu colapso final e inevitável.

Pin soviético «Perestroika, democracia, transparência»

Mas só um ano depois, já se sentindo razoavelmente seguro como o novo líder soviético, em 8 de abril de 1986, durante uma visita a Togliatti, Gorbachev, falando aos operários da Fábrica de Automóveis Volga, usou publicamente, pela primeira vez, a palavra Perestroika para descrever o rumo da mudança na URSS. Antes disso, após sua eleição como Secretário-Geral em março de 1985, a retórica oficial soviética usava a fórmula «aceleração do desenvolvimento socioeconómico».

Gorby na fábrica automóvel de Togliatti que produzia as Ladas «Zhiguli»

«Devemos começar, antes de tudo, com a reestruturação do pensamento e da psicologia, da organização, do estilo e dos métodos de trabalho. Direi francamente: se não nos reestruturarmos, estou profundamente convencido disso, não reconstruiremos a economia e nossa vida social de acordo com o espírito das decisões do congresso. Mas, nesse caso, não conseguiremos lidar com as tarefas estabelecidas, cuja escala e novidade são sem precedentes», disse Gorby.

O termo Perestroika começou a ser usado regularmente em discursos oficiais da liderança da URSS e da impensa/mídia estatal. Tornou-se o nome da era anterior ao colapso final da URSS.

domingo, abril 26, 2026

A família Khodemchuk: vidas ceifadas pelo Chornobyl e pela rússia

Valery Khodemchuk. Foto: divulgação
Valery Khodemchuk foi a primeira vítima do acidente nuclear de Chornobyl. Nascido em 24 de março de 1951, começou a trabalhar na estação/usina nuclear em 1973. Na noite de 26 de abril de 1986 estava na sala de máquinas durante a explosão do reator. O seu corpo nunca foi encontrado.

Ele era operador de caldeira, operador sênior de caldeira do departamento de comunicações térmicas e subterrâneas, operador do grupo 6 e operador sênior do grupo 7 da bomba de circulação principal da unidade de energia. Na noite de 26 de abril de 1986, estava na sala de máquinas durante a explosão do reator. Após a explosão foi soterrado por destroços e seu corpo nunca foi encontrado. Tinha 35 anos na época de morte.

Natalia Khodymchuk. Foto: Facebook

Em 14 de novembro de 2025, um drone russo-iraniano Shahed-136, atingiu um prédio residencial em Kyiv, na rua Balzac, onde morava Nataliya Khodymchuk, viúva de Valery Khodemchuk. Ela sofreu ferimentos graves, incluindo queimaduras significativas, superiores aos 45% do corpo e foi hospitalizada. No dia seguinte, Nataliya Khodymchuk faleceu no hospital em decorrência dos ferimentos. Tinha 73 anos de idade.

Prédio na rua Balzac em Kyiv, atingido pelo drone russo em 14 de novembro de 2025.
Foto: Thomas Peter / Reuters / Scanpix / LETA

Devido a um erro do funcionário responsável pela emissão dos ID, os passaportes internos ucranianos, os apelidos/sobrenomes de Natalya e Valery diferiam por uma letra: ele é Khodemchuk, ela é Khodymchuk.

Natalya levava uma vida ativa e era muito sociável – por exemplo, reunia em sua casa mulheres que tricotavam meias e cintos de lã para os militares ucranianos. O novo lote foi entregue justamente na véspera do ataque russo. Naquele dia, ela queria visitar a sua casa do campo, mas mudou de ideia.

Nataliya conheceu Valery em Pripyat. Ele trabalhava em Chornobyl, ela – numa cantina local. Casaram-se e, em 1975, receberam um apartamento espaçoso onde criaram dois filhos. Natalya recordou o último encontro deles: Valery estava se preparando para o turno da noite, eu assistia na TV um filme sobre casamento arranjado. O abracei e perguntei se ele havia se casado comigo por amor. Ele sorriu e respondeu: «Claro que sim, por amor!»

Foto: Ilya Prokopenko

A famosa artista ucraniana, a pintora naive Maria Prymachenko, era a tia de Valery. Ela lhe dedicou um quadro de um pássaro azul com as asas abertas, como se tentasse cobrir o seu sobrinho falecido. A pintura traz a seguinte legenda: «Este pássaro está voando, procurando seu homem. Ele não está em lugar nenhum. Seu corpo foi espalhado por toda a Ucrânia».