quarta-feira, setembro 02, 2026

Zirka, Goga, Eric – os bons russos que lutam pela Ucrânia

As histórias únicas de Goga, Eric e Zirka – três combatentes e cidadãos russos, que lutam pela Ucrânia na «Legião da Liberdade da Rússia», uma unidade da GUR do MinDefesa da Ucrânia, foram divulgadas pela britânica Sky News. 

Goga é originário de Kaliningrado, serviu na frota russa e foi o único, entre a sua tripulação que se opôs à guerra criminosa iniciada por putin. Sabotou o navio “Serpukhov”, o porta-mísseis dos “Caliber” e “Zircon” e passou a documentação valiosa ao GUR, começando a lutar pela Ucrânia como parte da Legião russa. 

“O que diria eu aos militares russos? Corram, seus tolos – vão todos morrer! Quanto a putin, não quero que morra. Gostava que fosse julgado na Ucrânia”, disse Goga. 

Zirka (Estrela) é natural de Moscovo, trabalhava em design de vestuário, viveu em Paris e trabalhou na indústria da alta costura. Após conhecer os crimes de guerra dos russos, cometidos em Bucha, decidiu largar tudo e juntar-se ao exército ucraniano – agora é médica de combate na «LSR». 

“Quero que a rússia se liberte do regime de putin. Quero que a rússia se torne um país livre – que admita que foi uma guerra terrível, um acto de agressão, e que pague reparações”, diz Zirka. 

Eric, originário da Sibéria, foi mobilizado para o exército de ocupação russo. Para chegar ao lado da Ucrânia, utilizou o projeto “Quero Viver”. Juntos, desenvolveram um plano de fuga. Além disso, Eric ajudou a retirar dois ucranianos do território ocupado — arranjou-lhes documentos e coletes à prova de bala, forneceu-lhes as uniformes russos e transportou-os num carro desviado. Eric é agora o comandante de um grupo de drones de reconhecimento da Legião. 

“Quando chegámos às posições ucranianas, perguntei se a Legião da Liberdade da rússia. Até ao fim, não tinha a certeza se a Legião era real. [...] Estamos unidos pelo desejo de restaurar a ordem na rússia e libertá-la do regime de putin”, explica Eric.

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terça-feira, setembro 01, 2026

Dentro do novo GULAG russo: as tormentas das civis e das POW ucranianas

«Valentyna Zayarna no cativeiro [russo] desde 08.040.23»

Desde 2014 — e sobretudo desde 2022 — a rússia prendeu e mantém em cativeiro pelo menos 1.878 civis ucranianos. Estes são apenas os casos confirmados; o número real pode chegar aos 10.000 pessoas. Pelo menos 223 dos detidos conhecidos são as mulheres.

Natalia Vlasova (44) foi detida pelos russos em Donetsk, em 2019. Na cadeia de «Izolyatsia», foi despida, amarrada com fita adesiva, encharcada com água e sujeita a choques elétricos. Se ela não gritasse alto o suficiente, o choque elétrico era intensificado. Os seus dentes foram cerrados com uma lima de metal, os seus mamilos foram torcidos e tentaram inserir uma garrafa na sua vagina. Um médico reanimou-a com amoníaco quando ela desmaiou. 

Natalia Vlasova no cativeiro russo

A Natália pediu para ser fuzilada. Disseram-lhe que ela deveria sofrer.

Após uma das torturas, Natalia foi acorrentada durante toda a noite numa cela estreita onde só podia estar de pé com os braços levantados. Numa outra ocasião, foi levada para o duche e informada de que 15 soldados a iriam violar. Viram que ela estava menstruada e mudaram de ideias.

A cela típica da cadeia / centro de tortura russa de «Izolyatsia» em Donetsk

O telefone militar da época da II G.M:, conhecido como «tapik» usado na tortura de ucranianos

Os russos mantêm-na presa há mais de sete anos. Atualmente, encontra-se numa colónia penal na Sibéria. Foi condenada a 18 anos de prisão. A revista americana The NewYorker escreve sobre as mulheres ucranianas da mesma cela prisional em Rostov. Antes disso, muitas delas foram torturadas pelos russos em Donetsk.

Os russos capturaram a médica do batalhão «Aydar», Liliya Prutian, perto de Petrivske. No mesmo dia, um dos soldados russos violou-a.

POW ucraniana Liliya Prutian

Três homens aproximaram-se de Liliya. Um deles disse: “Preciso que entendas. Estivemos na linha da frente / front durante três meses”. Liliya chorou e implorou para que fosse somente um deles... 

As cozinheiras do «Aydar» também estavam em Donetsk. Os ocupantes russos julgaram-as como membros de uma “organização terrorista”. 

Após a ocupação de Mariupol pelo exército russo, Marina Tekin foi por conta própria ao centro de triagem russo. Prometeram-lhe que seria libertada e regressaria a casa. Depois, ameaçaram cortar-lhe os dedos se ela não «confessar» de ser «uma fascista». 

Depois de passar por várias prisões, Marina foi levada para uma prisão em Donetsk. Ela, juntamente com outras mulheres do batalhão «Azov» foram obrigadas a rastejar pelo chão de betão até à cave. Já lá estavam mais de dez mulheres ucranianas. Havia seis camas no total e alguns colchões sujos.

As mulheres eram obrigadas a cantar o hino russo. Se cometessem um erro, eram espancadas com bastões de borracha com metal no interior. Os guardas percorriam o corredor todos os dias e espancavam as prisioneiras aleatoriamente. Certa manhã, a Marina ouviu um guarda dizer: «Eu me cansei pr´o ca..lho de bater nelas».

Na cela ao lado, os russos estavam a espancar um soldado ucraniano. Gemia de dor, e os seus companheiros de cela pediram um médico. «Avisam quando ele morrer», respondeu o guarda russo. No dia seguinte, o corpo foi retirado da cela. 

Não havia água, nem lavatório na cave. Em vez de uma sanita, havia um cano de esgoto no chão. As ucranianas deixavam um pouco do líquido de sopa para podessem lavar o esgoto.

Elas faziam pensos higiênicos/absorventes com as suas t-shirts. Partilhavam o sabonete entre si. Quase nunca tinham autorização para tomar banho. Ao fim de uma semana, muitas tinham as mãos e os pés infetados. 

A cozinheira do «Azov», Iryna Mogitych, diz que estavam a apodrecer vivas. Quando ela pediu um médico, a enfermeira respondeu: “Não são previstos médicos num campo de concentração”.

Uma das guardas costumava sufocar as ucranianas com saco plástico na cabeça e ameaçava-as com fuzilamento. Durante os interrogatórios, os guardas espancavam-as por qualquer movimento na cadeira.

Iryna Navalny, de 26 anos, foi levada para uma cela com um saco na cabeça. As suas costas e nádegas estavam cobertas de hematomas roxos. Os russos acusaram-na de preparar uma explosão em Mariupol e gravaram a sua “confissão” em vídeo.

Antes disso, foi espancada e torturada com um choque elétrico, ameaçavam fazer o mesmo à sua mãe e a avó. A avó de Iryna trazia, por vezes, chupa-chupas. As ucranianas partiam um chupa-chupa com uma pedra e dividiram-no entre todas.

Valentyna Zayarna, professora de inglês, de 66 anos, deu guarida a um homem que conhecia por Dima. Ela não sabia que ele era o tenente-coronel das FAU Denys Storozhuk, que tinha fugido de «Azovstal» antes da rendição do contingente ucraniano.

Ucraniana civil, Valentyna Zayarna, no tribunal russo

Valentyna foi buscar um pacote para ele a Donetsk. Aí, foi detida pelo FSB. Os russos espancaram o seu filho e ameaçaram enviá-lo para um hospital psiquiátrico se Valentyna não assinasse uma confissão. Ela concordou e, de seguida, engoliu um punhado de comprimidos. Valentyna sobreviveu. Foi condenada a 12 anos de prisão.

Iryna Kulish, da região de Zaporizhzhia, vendia legumes no mercado antes da ocupação russa. Alguém avisou os russos que ela apoiava Ucrânia. Os russos detiveram-na e acusaram-na de preparar uma explosão. A Iryna tem Parkinson. Na prisão, as mãos começaram a tremer tanto que não conseguia dormir descansada. Os russos transferiram-na por mais de 20 prisões e centros de detenção preventiva (as famosas cadeias SIZO).

Kateryna Korovina, de 29 anos, de Starobilsk, foi condenada a 10 anos de prisão por uma doação equivalente aos 12 dólares americanos, destinados às ONG´s ucranianas. Kateryna explicava que ajudou os civis. O FSB disse que o dinheiro era para os militares ucranianos e acusou-a de «financiar o terrorismo».

Após 14 meses numa cave em Donetsk, algumas das mulheres foram transferidas para a cidade russa de Rostov.

Chegaram exaustas e todas machucadas. O subdiretor da cadeia SIZO entrou para gritar com elas. Viu as mulheres machucadas e calou-se. Ordenou um banho quente, comida adequada e cigarros para as fumadoras.

Em Rostov, havia água e uma casa de banho. As mulheres liam, escreviam cartas, cantavam, dançavam, aprendiam inglês, inventavam guiões de filmes e conversavam sobre crianças e famílias.

Nos aniversários, faziam um bolo de bolachas e leite condensado. Em setembro de 2024, várias mulheres foram levadas para um centro médico. Foram despidas, ficando apenas de roupa interior, e revistadas em busca de hematomas no corpo. Se encontrassem alguma, eram obrigadas a assinar uma declaração em como não tinham queixas sobre a detenção.

Poucas horas depois, os guardas leram a lista da troca. As mulheres de «Azov» e «Aydar» foram levadas para a troca. Os civis permaneceram em cativeiro russo.

Natalia Vlasova mantinha um saco com roupa lavada na sua cela, caso fosse trocada. O seu nome não foi mencionado novamente. 

Na primavera de 2026, ela foi transferida para uma colónia penal em Kemerovo, na Sibéria. Quando Natalia foi detida, a sua filha tinha quatro anos. Agora ela tem onze.

Ler mais: New Yorker (ler ou escutar, somente assinantes); Meduza (inglês, versão curta); Ucraniano

Ninguém foi ou será esquecido...

Na noite de 29 de agosto, Dmitry Neyolov, o vice-chefe do centro penal de Olenivka, onde foram mantidos os POW ucranianos, explodiu dentro do seu carro, algures no território ocupado da região de Donetsk, confirmou a sua esposa.

Neyolov em 2022, juntamente com os propagandistas russos em Olenivka


No início da invasão russa de grande escala, Neyolov era o primeiro vice-chefe da cadeia/centro penal de Olenivka. Após a explosão na noite de 29 de julho de 2022, que matou pelo menos 53 POW ucranianos, ele assumiu o comando daquele centro.

Neyolov é um ex-polícia ucraniano de Donetsk. Em 2014, traiu o seu juramento e passou para o lado russo. Neyolova não respondeu diretamente à pergunta sobre se o seu marido tinha morrido. 

⏳ Revolucionária judia-ucraniana que tentou eliminar Lenine

Fanni Kaplan, 1890-1918. Foto: Wikipédia

Aos 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenine discursava num comício na Fábrica «Mikhelson», em Moscovo. Ao sair para o pátio e dirigir-se para o seu carro após o discurso, foram disparados três tiros. Duas balas atingiram Lenine — uma no pescoço e no ombro, outra no braço. Os ferimentos eram graves.

Logo de seguida, Fanni Kaplan (nome de nascença Feiga Roitblat, alcunha revolucionária «Dora»), de 28 anos, uma revolucionária judia, nascida na Ucrânia, que tinha cumprido anos de trabalhos forçados sob o regime czarista, foi detida nas proximidades. Revolucionária anti-monárquica de longa data, após a revolução democrática russa de fevereiro de 1917, ela foi libertada e juntou-se ao partido dos Socialistas Revolucionários (SR), conhecidos como eseres.

Fanni Kaplan, foto após a detenção pela CheKa

Durante o interrogatório, Kaplan assumiu a responsabilidade pela tentativa de assassinato. Afirmou que já tinha decidido há muito tempo matar Lenine, por considerá-lo um «traidor da revolução». Uma das principais razões foi a liquidação da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques em janeiro de 1918, após a derrota dos bolcheviques nas eleições para os seus rivais, SR. Kaplan alegou ter agido sozinha e recusou-se a revelar onde obteve a arma ou se teve cúmplices.

Pistola que foi usada na ação

A investigação bolchevique foi extremamente breve. Aos 3 de setembro, apenas quatro dias após a tentativa de assassinato, Kaplan foi sumariamente executada dentro do recinto do Kremlin, por comandante do Kremlin, por ordem de mais alta liderança bolchevique. O seu corpo foi profanado, queimado dentro de um tambor, regado com a gasolina. Os restos mortais, muito possivelmente, foram atirados ao Rio Moscovo.

Na mesma manhã, o chefe da Cheka local, Moisei Uritsky, foi assassinado em Petrogrado. Os bolcheviques usaram estes dois acontecimentos como justificação para um aumento drástico da repressão. Poucos dias depois, aos 5 de setembro, o Conselho de Comissários do Povo adotou oficialmente o decreto «Sobre o Terror Vermelho».

No entanto, as provas de que Kaplan foi a autora efetiva dos disparos não são consideradas absolutamente conclusivas. Testemunhas oculares deram relatos contraditórios, poucas testemunharam o disparo em si, e a execução sumária de Kaplan afastou a possibilidade de uma investigação completa, e muito menos imparcial.

Em 2016, na Ucrânia foi produzido um filme dramático-histórico, chamado «A minha avó Fanni Kaplan», que explorava a vida e história pessoal da Fanni, desde a sua meninice na Volyn, até a vida revolucionária, no mundos dos anarquistas e eseres, nas derradeiras e muito conturbadas décadas da existência do império russo.

segunda-feira, agosto 31, 2026

Ucrânia atinge vários locais russos de lançamento de drones

Na noite de 30 de agosto, as Forças de Defesa da Ucrânia realizaram uma série de ataques contra depósitos e locais de lançamento de drones russos de ataque. No aeródromo militar de Tsimbulova, na região de Orel, foi atingido o sistema de lançamentos e o depósito de drones.


Aeródromo militar de Tsimbulova, os locais atingidos pelos drones ucranianos

Nessa mesma noite, as Forças de Defesa da Ucrânia atacaram depósitos, locais de preparação e lançamento de drones de ataque nas regiões de Orel e Rostov. Houve ataques ao aeródromo militar em Yeysk e no Mar Negro. Os militares ucranianos também aplicaram sanções de longo alcance à refinaria na região de Leninegrado, que contribui mensalmente com milhões de dólares para o orçamento militar russo. A eficácia dos ataques de longo alcance foi também confirmada durante a semana, em particular em instalações no Bascortostão e na região de Arkhangelsk.

A rússia deve sentir todos os dias que a sua guerra está a voltar para o lugar da onde veio. É importante que a influência ucraniana de longo alcance seja complementada por novas medidas de sanções por parte dos parceiros [ocidentais] contra as infraestruturas militares russas. A grande maioria dos meios através dos quais o agressor aterroriza as cidades e comunidades ucranianas simplesmente não pode funcionar sem milhares e milhares de componentes, produtos químicos e máquinas estrangeiras. Estamos constantemente a fornecer aos parceiros detalhes dos esquemas russos para contornar as sanções. Estou grato a todos os que ajudam a acabar com eles, escreveu presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.

Os drones ucranianos middle-strike estão a incendiar os camiões TIR com a matrícula russa nos territórios ocupados dos sudeste da Ucrânia. Um camião russo à arder nos arredores da cidade ocupada de Melitopol.

 

A cidade ucraniana de Slavyansk recebe a «ajuda russa». Uma bomba planadora de meia tonelada demoliu metade de um edifício; pessoas estão soterradas sob os escombros – os mesmos residentes russófonos de Donbas pelo destino dos quais putin e ministro lavrov tanto se preocupam.

Na região de Moscovo, continuam as lutas corporais já habituais pela posse de combustível nos postos de abastecimento locais. A NATO fuma nervosamente à margem do conflito:


A repressão comunista da era Brejnev, que visava os dissidentes ucranianos

Artista e dissidente ucraniano Opanas Zalyvakha. Foto do KGB.

No final de agosto de 1965, o KGB da Ucrânia soviética lançou uma operação especial de grande envergadura contra a intelectualidade ucraniana. Era o início das várias outras purgas dirigidos contra os dissidentes ucranianos. 

Dados sobre os detidos devido às «atividades nacionalistas»:
23 pessoas, região de Kyiv: 7; região de Lviv: 9

Mais de 20 figuras foram presas em Kyiv, Lviv, Ivano-Frankivsk, Ternopil e Lutsk. Entre elas estavam Ivan Svitlychny, os irmãos Mykhaylo Horyn e Bohdan Horyn, Ivan Gel, Valentyn Moroz...

Processo do Mykhaylo Horyn (1930-2013)

Nos relatórios do KGB, estes jovens intelectuais eram chamados de “moralmente instáveis”, “caluniadores”, “distribuidores de propaganda hostil”.

Processo do Bohdan Horyn

Na cidade de Ivano-Frankivsk foi preso o artista Opanas Zalyvakha. Hoje, documentos desclassificados do seu processo criminal permitem-nos ver como o regime tentou eliminar a resistência cultural ucraniana.

De que foi acusado o artista?

Da “agitação anti-soviética”: produção, armazenamento e distribuição de literatura samizdat (em particular, obras sobre a russificação da Ucrânia).

Arte do Opanas Zalyvakha

Da “sabotagem ideológica” na arte: um ano antes da sua detenção, Zalyvakha, em colaboração com artista monumental Alla Horska, criou o vitral “Shevchenko. Mãe” para a Universidade Estatual de Kyiv «Taras Shevchenko». O partido comunista declarou a obra como “ideologicamente hostil” – essa foi destruída ainda antes de quaisquer veredicto oficial.

Arte que assustou o regime soviético ao ponto de ser destruído.
«Shevchenko. Mãe», 1964

Sentença e “condições especiais”

Zalyvakha foi condenado a 5 anos de regime fechado nos campos de GULAG em Mordóvia. A administração recebeu uma instrução clara: estava categoricamente proibido de pintar, tal como aconteceu mais de 100 anos antes, no regime czarista russo, ao póprio Taras Shevchenko, que foi condenado ao serviço militar obrigatório com a clara menção real: «com a proibição de pintar e desenhar». 

Pedido de clemência, endereçado ao Tribunal Supremo da Ucrânia Soviética,
em abril de 1966, por parte da classe artística ucraniana. Em vão.

Apesar da reação negativa da sociedade e das cartas coletivas que expressavam esperança no “espírito humanitário das leis soviéticas”, as purgas continuaram. A operação especial do KGB de 1965 tinha como objectivo intimidar os dissidentes e impedir a disseminação de ideias livres. No entanto, os documentos de arquivo comprovam que a tentativa de suprimir o movimento levou à sua radicalização e internacionalização.

Fonte: Arquivo Estatal do Serviço de Segurança da Ucrânia, fundo 16, descrição 1, processo 952; Direção do SBU na região de Ivano-Frankivsk, processo 8311-p; Direção do SBU na região de Lviv, processo 20227-p.

domingo, agosto 30, 2026

⚡️💥 Ucrânia atinge uma refinaria, um aeródromo militar e local de lançamento de drones

Na noite de 30 de agosto, as unidades das Forças de Defesa da Ucrânia atingiram vários alvos russos importantes: a refinaria de petróleo de Kirishi, o local de lançamento de drones no aeródromo militar de Millerovo e o aeródromo militar de Yeysk. 

Em Kirishi, na região de Leninegrado, foi atacada e atingida a refinaria de petróleo de «Kirishinefteorgsintez» (KINEF). A KINEF é uma das maiores refinarias de petróleo da rússia, a sua capacidade de processamento é de cerca de 20 milhões de toneladas de petróleo por ano (aproximadamente 400 mil barris por dia). A KINEF está totalmente integrada na estrutura da companhia petrolífera russa Surgutneftegaz. É a única refinaria de petróleo no noroeste da rússia e uma das maiores daquele país.

Área preliminar de impacto das instalações críticas são os sistemas de processamento L-35-11/1000, LCh-35-11/600, LCh-35-11/600, AT-1, hidrotratamento LCh-24-9/2000:


Comparação OSINT das instalações antes e no decorrer do incêndio
Imagem de satélite das instalações da KINEF

Localização: 59°29'20.26"N 32°04'17.46"E 

Os residentes da cidade russa de Yeysk, na região de Krasnodar, relatam um ataque ao aeródromo militar e uma detonação secundária. O serviço de satélites NASA FIRMS regista novos focos de incêndio após o ataque. Os residentes relatam ainda que os ataques atingiram não só o próprio aeródromo, mas também a cidadela militar adjacente.



Locais à arder no aeródromo militar de Yeysk e nos seus arredores

Além disso, no aeródromo militar de Millerovo, na região de Rostov, foi atingido o local de armazenamento, preparação e lançamento de drones de ataque. Um incêndio foi registado no local. 

Armazéns logísticos de «Ozon» em chamas após ataque ucraniano em Belgorod. Os residentes locais relatam que o ataque atingiu o centro de triagem e o pólo logístico de «Ozon». Um incêndio deflagrou nas instalações e as atividades do polo foram suspensas. 


Os já famosos «hunger games» em Ecaterimburgo: corrida desenfreada ao combustível; os condutores procuram desesperadamente postos de abastecimento de combustível onde ainda haja combustível. Uma nova realidade por causa da guerra de Putin.


Fonte Osint: worldmilitares

Ucranianos vistos pela Hollywood: máfia, mulheres, borsch, guerra e rússia

Como Hollywood, as produções de TV europeias e de outros países retratam os ucranianos: através da máfia, das mulheres, do borsch, da guerra, da rússia e de raras representações positivas. Embora os fãs ucranianos de cinema têm notado que, ultimamente, as referências à Ucrânia em filmes e séries de TV se tornaram não só mais frequentes, mas também mais positivas. 

Por exemplo, a quinta e mais recente temporada da popular série The Boys (2026) faz uma sátira à política dos EUA em relação à Ucrânia. 

Os vilões ucranianos de Hollywood

Na 22ª temporada de NCIS, um dos enredos gira em torno da ameaça de um potencial conflito nuclear. A equipa do NCIS interceta mensagens encriptadas que sugerem que a Belarus está a preparar um ataque com mísseis contra alvos na Europa. No final, descobre-se que as forças ucranianas já tinham destruído os lançadores móveis de mísseis belarusos antes mesmo de os Estados Unidos poderem lançar um ataque de retaliação. 

Igualmente importante, a resistência da Ucrânia está a mudar a forma como o mundo vê não só a Ucrânia, mas também a rússia. Um exemplo marcante é a série Sweetpea (2025), na qual a protagonista compara a mulher que a atormenta a um tumor cancerígeno, às alterações climáticas e à rússia, apontando que o mundo seria melhor sem qualquer um deles. 

No entanto, durante 30 anos, o cinema mundial tem vindo a criar uma imagem muito diferente da Ucrânia. 

Hollywood cria herói-amante ucraniano

Analisámos o que o cinema mundial sabe sobre Ucrânia desde a independência do país e estivemos à conversa com o cineasta ucraniano Antonio Lukich, mais conhecido pelo seu filme «Luxemburgo, Luxemburgo», sobre como devemos perceber e interpretar tudo isto. 

Ler mais em inglês ou ucraniano. 

A relação entre Ucrânia / ucranianos com a Hollywood não é estática. Por isso, sempre é muito interessante verificar como as coisas mudaram na última década e meio, para isso leia as análises anteriores, de 2011 e 2013.

sábado, agosto 29, 2026

❗️ Ataque aéreo russo mata 27 civis ucranianos nos arredores de Kyiv

No mínimo 27 ucranianos civis foram mortos no ataque russo na localidade de Myla, nos arredores de Kyiv — um armazém foi atingido, seguindo-se uma detonação. Dezenas de pessoas ficaram feridas e as infraestruturas locais foram amplamente afetadas, incluindo edifícios residenciais e uma instituição de acolhimento para pessoas idosas e pessoas com deficiência.

A operação de socorro no local prossegue desde ontem à noite. Entre as vítimas mortais encontra-se Taras Didych, responsável pela comunidade local. No momento do ataque, participava na operação de socorro, ajudando as pessoas afetadas.

Durante a noite, a rússia realizou ataques contra 10 regiões da Ucrânia. No total, o ataque massivo da rússia com drones à jato prolonga-se há vários dias — literalmente sem parar, tendo a cidade de Kyiv como epicentro.

As ruas de Kyiv após o ataque russo...

Ucrânia apela aos parceiros e aliados para que que estes reforcem o seu apoio à Ucrânia e aumentem a pressão das sanções sobre a rússia. País agradece a todos aqueles que estão a tomar decisões nesse sentido, escreve a Embaixada da Ucrânia em Portugal.

Uma criança de 2 anos foi morta em Kyiv e outras 2 pessoas feridas no ataque russo de 29 de agosto:

Bairro de Obolon: a fachada de um restaurante foi danificada, assim como a decoração de um parque público. Em consequência dos ferimentos, uma criança de 2 anos morreu no hospital. Dois feridos foram encaminhados para assistência médica, informa o Serviço de Situações de Emergência da Ucrânia (DSNS).



Também durante a noite se registaram ataques [russas] às regiões ucranianas de Odesa, Dnipropetrovsk, Kyiv, Zaporízhia, Sumy, Kherson, Kharkiv, Mykolaiv, Donetsk e Chernihiv. Foram mais de 260 drones de ataque, incluindo mísseis «Banderol». Ataques praticamente contínuos de drones à jato contra Kyiv. Ucrânia não pode estar sozinha na procura de soluções para se proteger contra estes ataques, e agradeço a todos os que estão a ajudar com pacotes de apoio adicionais e medidas de sanções contra a rússia, escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy.

e a resposta ucraniana...

Na refinaria russa de Kstovo todas as unidades de destilação a vácuo (AVTs) foram afetadas, a central está parada e existe a possibilidade de que assim se mantenha por um longo período.

Faça click para ver e ler mais

  • AVT-6 sofreu danos graves devido aos ataques anteriores e está claramente em reparação;
  • AVT-5 foi atingida no dia 27/08 e parou de funcionar;
  • AVT-1 embora está parcialmente ocultada pelos núvens, aparentemente que foi bastante afetada.
  • AVT-2 também ficou danificada.
  • A unidade VT-2 de destilação a vácuo de fuelóleo também foi afetada. 

Em geral, todas as AVT são unidades primárias de processamento de petróleo. A VT-2 é o ponto final do ciclo de processamento, sendo também crucial para o pleno funcionamento da fábrica. 

sexta-feira, agosto 28, 2026

🔥Ucrânia atinge e danifica o bombardeiro estratégico russo Tu-95MS

Na noite de 28 da agosto, os drones ucranianos atingiram o bombardeiro estratégico russo Tu-95MS, estacionado na aeródromo militar Engels-2 na região de Saratov. O aparelho era usado para a realização de ataques de mísseis contra Ucrânia. 

No ataque anterior, no dia 17 de agosto, as forças ucranianas atingiram e danificaram um Tu-95MS de treino, estacionado no mesmo aeródromo de Engels-2.

Tu-95MS de treino que perdeu a sua cauda em resultado do ataque ucraniano de 17.08.2026

Dado que os blogueiros militares russos, se apressaram dizer que não havia os bombardeiros Tu-95MS em Engels-2. Uma das páginas ucranianas de OSINT mostrou as imagens de satélite que comprovam o óbvio: um Tu-95MS foi atingido na noite de 28 de agosto, ficou com a asa direita gravemente danificada e um outro Tu-95MS foi danificado do ataque anterior. Além disso, os mísseis/drones ucranianos atingiram os armazéns de suprimentos, imagem claramente visível na fotografia tirada por satélite (na parte superior direito da imagem abaixo).

Aeródromo militar russo Engels-2 visto à partir de satélite

Na região russa de Yaroslavl, os drones ucranianos atingiram a refinaria local, que ficou em chamas. A Força-Tarefa composta por unidades de Forças de Operações Especiais SSO-SOU. 



Dois drones ucranianos voando ao encontro do seu alvo

A refinaria de Kstovo. A torre AVT-6 foi atingida. Em redor da AVT incendiada, estão posicionados vários guindastes, que estão tentar recuperar a instalação.

Os trabalhos de reparação da torre de produção AVT-6

A refinaria de Kstovo («LUKOIL-Nizhnegorodnaftoorgsintez») se posiciona entre 3 à 4 maiores refinarias da rússia, com uma capacidade de processamento de cerca de 17 milhões de toneladas de petróleo por ano.

Momento da explosão e pós-explosão, que liquidou o major da força aérea russa em São Petersburgo. A liquidação do Sergei Sechkov, um oficial, afecto ao regimento de helicópteros, responsável em bombardear a população civil ucraniana, foi confirmada pelo seu pai. A publicação russa Meduza escreve, que uma russa de 24 anos foi identificada como suspeita da ação. O seu nome não foi divulgado.

 

De acordo com a publicação, a alegada operacional não residia em São Petersburgo. Um dia antes da explosão, chegou de uma outra cidade e colocou a bomba na noite de 26 de agosto. Na manhã seguinte, embarcou num voo para a Turquia. Quando os agentes do FSB a identificaram e contactaram as autoridades turcas, descobriram que a suspeita já tinha chegado a Chisinau, portanto estando sá e salva, longe da jurisdição russa.

Sergey Sechkov, o major liquidado

Os dados pessoais do militar liquidado


Local de explosão, num bairro militar de São Petersburgo