O ataque russo com drones danificou em Zaporizhia o terminal da «Nova Poshta», uma empresa ucraniana de logística. Um incêndio começou numa casa particular noutra morada. Informações sobre o número
de vítimas estão a ser apuradas.
As equipas de resgate extinguiram o incêndio, informa o Serviço Estatal das Situações de Emergência da Ucrânia (DSNS).
...e a resposta da Ucrânia
Após uma resposta maciça de drones de ataque das Forças de Defesa da Ucrânia, em Togliatti, na região russa de Samara, foram registados vários focos
de incêndio na zona industrial da fábrica química de «Togliattikauchuk», a produtora de borracha industrial.
Na cidade russa de Nizhnekamsk, a unidade de separação de petróleo AVT-8 da fábrica/uzina de «Nizhnekamskneftekhim», está em chamas:
A 2ª república polaca (1918-1939), era um país bastante agressivo, sobretudo para dentro, às suas minorias nacionais, mas também para fora, principalmente à partir da segunda metade
da década de 1930, quando a sociedade polaca sonhava em se transformar na detentora de colónias africanas.
«Não estamos aqui desde ontem. Seguiremos bem longe para Oeste»
«Não deixaremos de nós separar do Báltico!» 25.VI-2.VII. Dias do Mar. Liga Marítima e Colonial. Autor: Antoni Wajwód
É de recordar que em resultdo da guerra polaco-soviética de 1919-21, a Polónia passou a ocupar toda a Ucrânia Ocidental, mais a região de Volyn, a Belarus Ocidental
e uma parte considerável da Lituânia, incluíndo a sua capital atual e histórica, cidade de Vilnius.
Mês da Pomerânia. União da Defesa das Fronteiras Ocidentais. 16.XI-16.XII. 1930 «Defenderemos a Pomerânia contra a invasão teutónica».
«Polónia seguindo o caminho do Józef Piłsudski». 1914.6.VIII.1939
«Empréstimo de defesa antiaérea»
Em 1930, na Polónia foi formada a nova «Liga Marítima e Colonial», a organização polaca, criada na base na Liga Naval e Fluvial. Não se tratava simplesmente
de uma mudança de nome, mas de uma mudança de rumo e atitude — o programa da organização incluía pontos sobre a necessidade de lutar pela aquisição de colónias por parte
da Polónia. A organização era liderada pelo General Mariusz Zaruski.
A implementação prática do programa da organização consistiu na aquisição de territórios ultramarinos para uso dos colonos polacos (por
exemplo, no Brasil, Peru, Libéria). Em 1934, a organização comprou terras na província brasileira do Paraná e aí fundou um colonato/uma colónia chamada Morska Wola.
Em outubro de 1938, na sequência do Acordo de Munique, Polónia apoiou Alemanha nazi nas suas reivindicações territoriais para com a Checoslováquia, anexando e ocupando os territórios checos e eslovacos, nomeadamente a região de Cieszyn Silesia e a cidade de Český Těšín, os territórios de Orava e Spiš. Faltava menos de um ano
até a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop.
A invasão da Checoslováquia foi celebrada, com um aperto das mãos, dado em público, entre o marechal polaco Edward Rydz-Śmigły e o adido militar alemão,
coronel Bogislav von Studnitz (1888-1943) durante a parada do «Dia de Independência» em Varsóvia aos 11 de novembro de 1938. A própria parada polaca era especialmente ligada à captura
dos territórios checos e eslovacos.
No entanto, apenas um ano depois, no final de setembro de 1939, Hitler agradeceu publicamente à liderança da República Eslovaca pela ajuda dada ao Wehrmacht na campanha
da invasão da Polónia. Em 21 de setembro, os antigos territórios poloneses de Spis e Orava, com uma área de mais de 700 km², foram transferidos para a soberania da Eslováquia.
No decorrer de uma operação conjunta do 1º OShP, 475º OShP e do Centro de Operações Especiais CSO «A» do SBU, Ucrânia atingiu/destruiu
a ponte em Armyansk e queimou vários camiões russos de transporte de combustível e da munição. Não restam pontes intactas para a logística russa proveniente da Crimeia ocupada.
Uma série de ataques bem direcionados foi realizada na noite de 11 de junho. Cerca de 50 camiões foram concentrados na zona de destruição junto à ponte em
Armyansk, prontos para serem enviados na direção de Gulyaipilya. A própria ponte foi inutilizada através de ataques com mísseis balísticos FP-5 Flamingo e não requer destruição
adicional — uma importante rota logística russa foi completamente paralisada.
Esta operação é o resultado do trabalho sistémico do centro multidomínio conjunto «Phalanga» do 1º OShP «Dmytro Kotsiubaylo»,
do 475º OShP «Code 9.2» e do Centro de Operações Especiais CSO «A» do SBU. Os ataques visam enfraquecer as 37ª e 64ª brigadas russas de fuzileiros motorizados, estacionadas
naquela área operativa.
Ucrânia está à recuperar territórios não à custa de vidas, mas através de um trabalho abrangente.
Bónus
Recentemente, a propaganda russa espalhou activamente a notícia de que Ucrânia estará a bombardear autocarros civis. Um ocupante russo revelou o interior do centro de controlo móvel
de drones, localizado dentro de um autocarro/ônibus civil. De fora, um autocarro/ônibus destes é indistinguível de um transporte civil. Mas o seu objetivo é matar ucranianos, militares e civis.
Automaticamente, estes autocarros são um alvo militar legítimo. Os seus operadores também.
Bónus II
O propagandista e blogueiro militar russo Romanov informa que a autoestrada/rodovia Donetsk-Mariupol está a ser gradualmente encerrada à logística militar russa e partilha
um vídeo de um camião/nhão militar russo em chamas.
A guerra neocolonial russa, que era anunciada pela propaganda moscovita como uma «operação militar» de curtíssima duração, já dura tanto, quando
durou a Primeira Guerra Mundial. Os russos ainda não tomaram a aldeia de Mala Tokmachka...
A corte e a remoção de logística russa, pela unidade de drones de ataque K2 nas zonas temporariamente ocupadas de Donbas, nos arredores de Horlivka e Yenakieve:
É característico que os próprios ocupantes russos demonstrem alegria ao verem que os drones ucranianos atingiram uma viatura da polícia militar russa, a entidade
que persegue constantemente os militares russos, procurando suas violações de normas, reais ou imaginários.
A fábrica/depósito de petróleo de Ust-Labinsk, um grande número de tanques e infraestruturas foram destruídos após o ataque de drones ucranianos. O
local ardeu durante 4 dias consecutivos, e os moradores locais estimaram a dimensão da «movimentaça» do putin:
Uma visualização aproximada do voo dos mísseis FP-5 «Flamingo» em direção à fábrica russa VNIIR-Progress em Cheboksary, na Chuváchia. A visualização
é baseada em dados de código aberto processados pelo sistema de IA ucraniano OCHI AI.
De facto, o míssil, tanto por radares, como por vizualisação dos habitantes locais, foi detectado sobretudo no início da sua trajectória e nos momentos de
aproximação ao alvo. Isto indica que foram utilizadas rotas alternativas, contornando grandes cidades e áreas de cobertura de radares russos.
De acordo com os dados disponíveis de fontes abertas, pode-se confirmar que foram lançados aproximadamente 5 mísseis, em que 2 foram abatidos na aproximação
à região da Chuváchia e um nas imediações de Cheboksary. Portanto, presume-se que outros dois mísseis atingiram o alvo pretendido. Absolutamente fabuloso, tendo em conta as disparidades
reais entre as capacidades da indústria de mísseis da Ucrânia e as supostas ou esperadas capacidades russas no domínio da sua defesa anti-aérea.
As Forças de Defesa da Ucrânia estão a operar na região ocupada de Skadovsk em Kherson. As medidas de estabilização e os drones de ataque estão
em funcionamento. As FAU continuam a corte sistémica da logística russa, atacando, nomeadamente, o fornecimento de combustível aos territórios ocupados.
12 de junho de 1990: o fim oficial da censura soviética: «Censura é abolida!»
O ator, deputado, obscurantista e propagandista russo, Dmitry Pevtsov, publicou uma espécie de manifesto, onde exige a alteração da Constituição russa e a
reintrodução da censura oficial do Estado, que será realizada por comissões especiais com a participação do FSB.
Como acontece neste tipo de iniciativas supostamente «populares», o Kremlin usa os representantes da intelligentsia cultural russa totalmente servil, para testar os limites da «nova normalidade»
do seu regime neofascista. Se a reação da sociedade russa for mais ou menos silenciosa, a censura estatal avançará e muito rapidamente, já se a reação for bastante
negativa e ruidosa, Kremlin dirá que era apenas uma proposta particular de um artista que por sua livre a expontânea..., enfim, discursos do costume.
«Este é um exemplo perfeito da censura soviética, que operava, antes de mais, dentro da estrutura do programa ideológico da URSS, um programa que foi implementado
no país de forma sistemática e planeada, a partir dos primeiros anos da escola secundária.
O «Código dos Construtores do Comunismo» [uma espécie da livro sagrado semi-oficial em vigor na União Soviética], com pequenas correcções,
baseava-se nos mandamentos de Moisés (a partir do 5º mandamento). Esta ideologia é um corredor conceptual completamente específico, «saltando» fora do qual qualquer artista, realizador,
escritor, etc. (representante de qualquer profissão criativa) ficava sem nada para fazer, ficava sem os espectadores, sem os direitos de autor, sem as perspectivas criativas, etc.
Quanto aos «excessos» da censura soviética, sim, houve muitos exemplos em que os filmes, as peças teatrais foram de facto fechados, «engavetados», proibidos,
mas...
A censura soviética proibia as obras literárias tão distintas como «Por quem os sinos dobram» de Hemingway (até 1962) à «Lolita» de Nabokov, considerada na URSS de «amoral» e «pornográfica».
Vejam quantas obras-primas do cinema e do teatro nasceram durante a dura censura soviética. Sem falar da literatura e da música.
Estou profundamente convencido de que a censura só ajudará à nossa cultura, a nossa arte, na promoção contínuo do seu desenvolvimento na direcção
correcta.
Enquanto o artigo 13º da Constituição da federação russa falar sobre «pluralismo ideológico» (isto é, sobre a ausência de uma
ideologia estatal), nada certo relacionado com a censura funcionará, porque não existem «limites» ideológicos na qual seja possível «inserir», «avaliar» e discutir
esta ou aquela obra de arte.
Mas! Penso em criar um órgão especial (comissão ou comité) semelhante em princípios e estrutura ao que existia na União Soviética... Encontrar
pessoas que trabalhem por um salário e, ao mesmo tempo, «não por medo, mas por consciência» e de forma profissional.
Graças a Deus, ainda existem figuras normais da cultura e da arte no país: editores, críticos, actores, realizadores, argumentistas e dramaturgos...
Deveria haver lá representantes das lei e ordem, professores, psicólogos infantis e representantes das confissões religiosas oficiais.
Estou convencido que a arte e a cultura, agora durante a [operação militar especial, o termo russo permitido pela, de facto, a censura para designar a guerra russa contra Ucrânia] SVO, são também uma vanguarda, são o nosso «soft power»!
O nosso «produto final» também exige o controlo Estatal.
Mas enquanto houver um artigo nos «Fundamentos da legislação da federação russa sobre a cultura» onde esteja escrito à preto-no-branco que «O
Estado não tem o direito de interferir na criatividade...», nenhum funcionário público excederá voluntariamente os seus poderes nesta área.
[...] criar uma comissão ou comité, que irá operar em todo o lugar, onde existam instituições de cultura e da arte, dando as instruções claras
— o que é permitido e o que não é.
Basta ter medo de alguma coisa — «ah, vamos violar ali qualquer coisa!», «ah, vamos magoar alguém!», «ah, os inocentes vão sofrer!»...
BASTA! Já nós perdemos três ou quatro gerações dos nossos filhos.
CHEGA. ESTÁ NA HORA DE ACABAR COM ISSO!»
Blogueiro
A censura na União Soviética existiu praticamente desde a chegada dos bolcheviques ao poder e até junho de 1990, quando, em resultado das mudanças impostas pela
Perestroika, foi abolido, da Constituição soviética de 1977 o artigo 6º, que definia o partido comunista PCUS como «a força orientadora e guia da sociedade soviética, o núcleo
do seu sistema político».
A crítica soviética da censura soviética, revista satírica «Crocodilo», 1962, era Khruschev. A palavra «amor» é censurada e substituida pelas: «amizade», «respeito», «simpatia»
A censura soviética abrandou consideravelmente no período entre 1955 à 1964, na época do «degelo» de Khruschev, quando vários escritores, expulsos, presos e até executados,
foram readmitidos à oficiosa União dos Escritores soviéticos. Algumas das obras, de alguns destes escritores foram publicados oficialmente.
No resto do tempo a censura estatal prévia garantia que nenhuma obra literária, filme, peça do teatro, música (em forma de discos LP, mais tarde K7 e até VHS) ou outra
produção artística, poderiam vir ao público sem antes serem aprovadas de acordo com a ideologia comunista vigente.
Até a mencionar a existência da própria censura era proibido e censurado na URSS!
Em 1976 a Direção-Geral da Defesa dos Segredos Estatais (Glavlit) publicou «A lista de dados proibidos à serem publicados na imprensa, na rádio e na televisão».
O documento secreto de 176 páginas, que decidia o que podiam e o que não podiam saber os cidadãos, foi preparado pelo Conselho dos Ministros da URSS em colaboração com KGB. Entre várias
informações proibidas de publicar, eram as informações «sobre os órgãos do Glavlit da URSS, revelando o caráter, organização e métodos do seu funcionamento».
Em Moscovo foi liquidado Damir Davydov, o chefe da Direção Principal de Mísseis e Artilharia (GRAU) do Ministério da Defesa russo. O ocupante russo constava na base
de dados do site Mirotvorets, responsável direto da agressão russa contra Ucrânia.
A informação foi divulgada e confirmada por vários TG canais russos e ucranianos, assim como pelo conselheiro do Ministro da Defesa ucraniano, Serhiy Sternenko. Segundo
o jornal russo Kommersant foi usado um engenho explosivo, colocado debaixo de um BMW x3, que tinha uma potência equivalente a 500 gramas de TNT.
Segundo as fontes ucranianas, Davydov tinha 57 anos e cresceu na cidade fechada de Penza-19 (Zarechny). O seu pai, Rafail Davydov, trabalhava na fabricação de mísseis nucleares
soviéticos. Já o TG canal russo Shot, próximo das forças russas de repressão, informou que Davydov tinha 62 anos.
É de notar que o microdistrito moscovita «Aviadores» é habitado exclusivamente pelos militares russos, no ativo e reformados/aposentados. Construído no território
do aeródromo militar desativado, os apartamentos no local não se destinam à venda, mas à distribuição aos militares e funcionários do MinDefesa russo.
Os mísseis ucranianos FP-5 «Flamingo» foram utilizados para destruir completamente a fábrica militar VNIIR-Progress em Cheboksary, que produz componentes
para drones e mísseis. Após o primeiro ataque com os drones, cerca de duas semanas atrás, desta vez os mísseis foram enviados exatamente para onde eram mais necessários.
Vista frontal à fábrica VNIIR-Progress em Cheboksary
O momento do voo do míssil ucraniano FP-5 Flamingo
Os FP-5 “Flamingo” visitou também a refinaria em Samara:
A refinaria Kuybishev em Samara
Nos arredores da cidade russa de Novorossiysk, na região de Krasnodar, foi novamente atacada a localidade de Grushovaya Balka, local, onde se situa um dos maiores depósitos de
transbordo de petróleo do Cáucaso, parte do complexo industrial «Sheskharis» (AT Chornomortransneft).
Na noite de 8 de junho os drones ucranianos atingiram, com sucesso, o depósito/base de petróleo de Semikolodezyanskaya, situado na aldeia de Lenino, na Crimeia ocupada. Os mísseis ucranianos
também atingiram a ponte de Chongar, a ligação rodoviária entre Ucrânia continental e a Crimeia.
A ponte de Chongar atingida pelos mísseis ucranianos
O local da base petrolífera de Semikolodezyanskaya: 46.05505 34.79948
A base foi atacada pela unidade de SSO-SOU, que além de Semikolodezyanskaya, também atingiu o terminal petrolífero marítimo de Feodosia, também na Crimeia
ocupada.
As autoridades ilegítimas da ocupação russa da Crimeia precisam de fazer as malas, enquanto ainda é possível sair da península por rede ferroviária/ferrovia
e pontes, porque já começaram a aparecer alguns buracos por lá.
A fábrica/base petrolífera de Ust-Labinsk, continua a arder pelo segundo dia consecutivo, após a imposição das sanções ucranianas. Os russos
devem estão muito satisfeitos com o decorrer da «operação militar especial», a chamada SVO do putin.
A fábrica/base petrolífera de Ust-Labinsk
Nos territórios ucranianos temporariamente ocupados, as restrições à circulação de veículos impostas pelas autoridades ilegítimas estão
em vigor há vários dias, mas, como podemos ver, os condutores continuam a tentar a sua sorte, e o resultado está à vista no vídeo. Aqui, o drone de ataque atingiu em cheio o local do condutor;
as hipóteses de sobreviver a um ataque destes são menos que mínimas...
Aos 27 de maio de 1987, na auge de Perestroika, o piloto reformado/aposentado, ucraniano Roman Svistunov, desertou da Letónia soviética para a Suécia, a bordo de um avião agrícola,
o An-2P.
Um An-2 típico
Roman Svistunov (nascido em 1963), chamado na imprensa sueca de Svistonov, de acordo com as regras gramaticais suecas, tinha na altura 24 anos. Vivia em Mykolaiv na Ucrânia. Era casado e tinha uma filha e um filho, mas já não
vivia com a família. Tinha patente militar de tenente, mas foi dispensado do exército soviético e transferido para a reserva, após disso, ingressou na aviação
civil, onde trabalhou como piloto de aviões agrícolas.
Como Svistunov relatou mais tarde, depois de ter sido dispensado e transferido para a reserva, sentiu injustiçado, começando odiar o regime soviético. A sua mãe,
que não gostava do regime soviético, também o pode ter influenciado. Assim, já por volta de 1984, Roman decidiu fugir para Ocidente.
Algumas semanas antes da sua fuga, ele visitou um ex-colega na Letónia, que também era piloto. É possível que, durante este período, Svistunov, fazendo-se
passar por mecânico, tenha conseguido fazer amizade com o pessoal do aeródromo.
Na noite de 26 para 27 de maio, Roman Svistunov e o seu amigo, guarda do aeródromo do kolkhoze letão de «Druva», estavam a beber. Quando o guarda ficou embriagado,
Roman, sob o pretexto de realizar a manutenção da aeronave, entrou, no aeródromo, guardado por uma cerca semi-caída, onde embarcou num An-2R agrícola desocupado, aparelho número 70501,
e ligou o motor. Ao ouvir o barulho, o guarda correu para o exterior, sacou a sua espingarda mas não chegou à disparar. Às 5h10 o voo 70501 descolou em direção ao Mar Báltico.
A distância entre a costa da Letónia e a ilha de Gotland
Svistunov não foi o primeiro a pensar em fugir da URSS para a Suécia num avião agrícola: exactamente quatro anos antes, a 27 de Maio de 1983, o piloto letão
Voldemārs «Valdis» Vanags, de Riga, comandante de voo, também usou um An-2 na fuga para Gotland. As autoridades suecas devolveram a aeronave à URSS, mas o piloto recebeu asilo político.
No entanto, ficou na Suécia por cerca de um ano e depois voltou à União Soviética em junho de 1984, onde foi preso, cumprindo algum tempo ora na cadeia, ora no hospital psiquátrico de Riga (conhecido popularmente como «hospital na rua Tvaika»), isso é, apesar de promessa de perdão, dada pelas autoridades soviéticas.
Para evitar tentativas de fuga semelhantes, o Ministério da Aviação Civil emitiu uma instrução de obrigatoriedade de reduzir o nível de combustível
das aeronaves durante as operações aéreas. Além disso, a mesma instrução imponha o desligamento da bateria, para impedir o funcionamento do motor. No entanto, Svistunov sabia tudo
disso e percebeu que o avião estava com pouco combustível, mas isso não o demoveu.
O seu voo sobre o Mar Báltico durou mais de duas horas, durante as quais o avião percorreu aproximadamente 350 km. Junto à ilha de Österngarnsholm, o motor do avião
começou a falhar, devido à falta de combustível e, de seguida, parou completamente, levando o piloto a decidir amerissar.
Anteriormente, a força aérea sueca tinha detetado no radar uma pequena aeronave a voar em baixa altitude em direção à Suécia. Dois caças F-17
Kallinge foram enviados do aeródromo de Ronneby para a intercetar. No entanto, quando as aeronaves militares chegaram, o An-2 já tinha caído na água a aproximadamente 100 metros da costa leste da
ilha sueca de Gotland, perto da aldeia de Östergarn, e logo afundou a uma profundidade de 4 metros.
O piloto conseguiu sair da cabine de pilotagem e nadou o resto do percurso. De seguida, achou uma casa na costa, onde levou a roupa seca. Foi ali detido por Lars Flemström, um piloto de
helicóptero que chegou depois de pescadores terem reportado a queda do avião perto da costa. Roman foi levado de helicóptero para a esquadra de Visby para interrogatório, onde solicitou asilo político.
Em depoimento à polícia, Roman Svistunov disse que planeava fugir da URSS há muito tempo, mas inicialmente recusou-se a explicar os seus motivos. Disse ainda que deixou
para trás a mulher, Marina, e filhos: Kristina, de três anos, e Denis, de oito meses. Nas entrevistas posteriores Roman contou que a sua família tinha conhecimento dos seus planos de fuga, mas não
alinhou, achando demasiadamente arriscado. A polícia sueca informou ainda que Svistunov se queixou de dores no peito, mas que, de resto, estava bem de saúde.
Primeira publicação soviética sobre o caso: «No dia 27 de maio um avião An-2 do Aeroflot foi levado à Suécia. Essa ação criminosa...»
Quando a notícia da fuga se espalhou pela URSS, a 28 de maio, Roman Svistunov foi acusado de sequestrar o avião, e a Suécia foi presssionada pelo regime soviético
para devolver o piloto e a aeronave. Nesse mesmo dia (28 de maio), a agência soviética TASS publicou informações sobre as acusações contra o piloto, exigindo a sua extradição
para a União Soviética. Contudo, no momento da publicação, a embaixada sueca já havia encerrado o expediente, pelo que não houve resposta imediata. Um funcionário da embaixada
soviética e um representante do Ministério da Aviação Civil da URSS (proprietário da aeronave) também se deslocaram a Visby para se encontrarem com o fugitivo, mas este recusou terminantemente
a oferta.
Artigo no jornal soviético «Izvestia» sobre o caso Svistunov
Ao mesmo tempo, a propaganda soviética começou a denegrir Svistunov, alegando que, após se ter dispensado da aviação, vivia de rendimentos ilícitos
e estava envolvido no chamado «mercado paralelo». No entanto, quando a Suécia questionou os soviéticos sobre o motivo da demissão de Roman da aviação, não foi dada qualquer
resposta adequada.
A Suécia não extraditou Roman Svistunov, mas um tribunal sueco condenou-o a dois anos de prisão suspensa; no dia 4 de setembro, recebeu uma autorização de
residência. Roman trabalhou durante dois anos na pizzaria-restaurante Söderports, seguidos de mais um ano noutra pizzaria. Em 1990, deixou Gotland para trabalhar como chef noutros países europeus. Em 1992,
Svistunov regressou à Suécia, mas não sozinho, mas sim com a sua família ucraniana de Mykolaiv (a sua mulher e os filhos).
Alguns anos mais tarde, o An-2 foi içado e entregue a Gotland, onde uma equipa composta por Nils-Åke Stenström, Thor Carlsson e Lars Boström passou dois anos a restaurá-lo.
An-2P do Svistunov após ser retirado do Mar Máltico
A 28 de maio de 2016, para assinalar o 29º aniversário da fuga, foi inaugurada uma exposição dedicada à história soviética no Museu da Defesa
de Gotland, em Visby, tendo o voo número 70501 como uma das principais peças expostas.
Roman Svistunov em 2016
Um dos convidados da cerimónia de abertura, surpreendentemente, foi o próprio Roman Svistunov, que se destacou da multidão e abraçou Stenström, um dos homens
que restaurou a aeronave sequestrada. Quando perguntaram ao ex-sequestrador se alguma vez tinha considerado a possibilidade de uma exposição como aquela enquanto pilotava um pequeno avião sobre o mar,
Roman respondeu: «Não estava a pensar em nada. Só queria sobreviver».
A 27 de maio de 1973, o mecânico soviético Yevgeny Vronsky realizou, com sucesso, a sua ideia de desertar para o Ocidente ao bordo de um bombardeiro Su-7BM. O seu plano era simples: levantar
voo do aeródromo Großenhain, na RDA e voar para Alemanha Ocidental.
Su-7BM com número «52» usado pelo Vronsky
Para contornar o seu problema maior, de não ser um piloto, o 1º tenente Vronsky conseguiu fazer amizade com um instrutor que ensinava pilotos em simuladores especiais e pôde praticar nas horas vagas. Após a sua fuga descobriu-se que Yevgeny, de apenas
23 anos, praticava mais tempo no simulador do que os pilotos soviéticos dos Su-7BM, dominando facilmente as habilidades básicas de pilotagem. É certo que só aprendeu a descolar e a controlar uma aeronave no ar; não sabia como aterrar. Contudo, este aspecto crucial da pilotagem
não influenciou a sua decisão de voar para Ocidente.
Uma vez levantando o voo, Vronsky, subiu a uma altitude de 500 metros e voou a baixa velocidade em direção à Alemanha Ocidental. Ignorou as instruções e não
recolheu o trem de aterragem, temendo que a aeronave perdesse o equilíbrio.
Local da queda do Su-7BM do Vronsky
O comando da Força Aérea Soviética emitiu uma ordem imediata para interceptar o fugitivo, enviando para o tal 32 (!) caças intercetores. No entanto, Vronsky nunca
foi detetado, provavelmente devido à sua baixa altitude de voo. Após atravessar a fronteira, piloto simplesmente se ejetou. Aterrou quase ao lado do avião acidentado. Os habitantes locais ofereceram-lhe
ajuda.
A União Soviética exigiu a sua deportação forçada, o pedido que foi negado. O piloto não fez declarações políticas. Em entrevistas
à imprensa, afirmou simplesmente que tinha planeado a sua fuga com antecedência, até aos mais pequenos detalhes. O seu destino posterior é desconhecido.