domingo, agosto 16, 2026

⚡️🔥 Ucrânia atinge centros «Wildberries» na região de Moscovo e alvos na Crimeia ocupada

Os drones ucranianos, atingiram, com muito sucesso, o maior centro de distribuição da «Wildberries», situado nos arredores de Moscovo, em Koledino, com uma área de 229.500 m² e dois armazéns no complexo logístico «Domodedovo Norte».

 

Após os anteriores ataques ucranianos aos outros grandes centros da «Wildberries», o foco logístico principal foi redistribuído para Koledino (localização: 55.386345, 37.584193), o que aumentou ainda mais a sua importância. Um incêndio de grandes proporções deflagrou após as explosões, tendo o armazém principal ficado completamente destruído.

 

O centro de distribuição da «Wildberries» em Koledino, era utilizado pelo Ministério da Defesa russo para armazenar as cargas militares. O que até pode ser confirmado pelo tipo de fumo, produzido pelo incêndio no local.


Um outro complexo de produção e logística de 51.700 m² (localização: 55.473179, 37.723962), situado no complexo «Domodedovo Norte» também foi atingido em cheio; o espaço estava sendo alugado pelas empresas russas «Logistics Agency 20A» e «Almafood». O chefe de distrito confirmou a completa destruição de um outro armazém, com uma área de 56.000 m². O cliente mais interessante do local é a «NC Logistic». Trata-se de um grande operador logístico terceirizado (3PL) especializado na indústria farmacêutica.

A operação militar especial russa, a dita «SVO», está a decorrer conforme o planeado!

Armazém de «Wildberries» em Kaledino em chamas, 16.08.2026

As forças especiais ucranianas, as SSO-SOU, estão a trabalhar intensamente com os alvos russos na cidade de Feodosia, na Crimeia ocupada. 

Os prováveis alvos russos em Feodósia, na Crimeia ocupada

O vídeo, muito provávelmente, mostra as posições dos sistemas de defesa aérea russa na cidade de Feodosia, já em chamas. O NASA FIRMS regista incêndios na área do radar e no local das posições dos complexos antiaéreos S-300/S-400.


Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017;

sábado, agosto 15, 2026

🔥Os mísseis de cruzeiro FP-5 Flamingo atingem os alvos russos em Samara

Na noite de 15 de agosto, Ucrânia atingiu, com sucesso, o centro espacial e de foguetões «Progress», em Samara – a única empresa russa, dedicada à montagem em série de foguetões do grupo «Soyuz-2». Também foi danificado o aeródromo militar de Savasleyka, onde estão baseados os caças russos MiG-31K.

 

O ataque atingiu provavelmente o edifício 106A – 53.217623, 50.303163. Faz parte da linha de produção dos foguetões espaciais «Soyuz». O edifício 106A opera a um elevado nível de limpeza: aqui são montados equipamentos elétricos, instrumentos e placas de circuito impresso – na verdade, o «sistema nervoso» do veículo de lançamento: sistema de controlo, rede de cabos, compartimento de instrumentos. Sem esta etapa, o foguetão não pode ser montado, mesmo quando o casco e os tanques estão prontos. 

O edifício 106B também se encontra nas proximidades e é responsável pela montagem final. 

Uma instalação como esta demora mais tempo a ser restaurada do que uma unidade de produção normal. Incêndio, fuligem e água de combate a incêndios num edifício de alta limpeza significam não só a reparação do telhado, mas também a requalificação das áreas limpas, a recertificação do processo técnico e o controlo repetido do pó – meses, e não semanas. Acresce um circuito de sanções: a electrónica usada ao bordo das «Soyuz» depende de uma base de componentes importados e de fornecimento limitado, que não podem ser adquiridos actualmente. 




Cidade de Samara após receber os impactos dos FP-5 Flamingo 

A importância estratégica de «Progress» reside na sua singularidade. É o único ponto de montagem de toda a linha de produção da «Soyuz-2», com a qual a rússia implanta tanto o reabastecimento do grupo orbital militar (rádio-técnico e designação de alvos «Liana», reconhecimento óptico «Persona»/«Razdan»), como o variante russa de «starlink» – a internet por satélite «Rassvet», fornecido pelo «Bureau 1440», usada exclusivamente pelos fogutões «Soyuz-2.1b». Não existe qualquer outra unidade dessa produção. 

Instalação da fábrica progress em Samara, vista de satélite

A extensão dos danos está a ser determinada por imagens de satélite. 

As forças ucranianas infligem também os danos no aeródromo militar de Savasleyka, na região de Nizhny Novgorod, onde estão baseados os caças russos MiG-31K, portadores de mísseis aerobalísticos «Kinzhal», usados nos bombardeamentos da Ucrânia:

Imediações do aeródromo militar de Savasleyka


A tragédia da intelligentsia judaica na Noite dos Poetas Assassinados

Iosif Vaisbalt, da série «Prisão», 1963

Aos 12 de agosto de 1952, por ordem direta de Estaline, foram executados em Moscovo treze intelectuais e ativistas judaicos, condenadas no processo do Comité Judaico Antifascista soviético. Váras vítimas daquela Noite dos Poetas Assassinados eram naturais da Ucrânia. 

Entre os executados encontravam-se proeminentes escritores e intelectuais judeus, vários deles naturais da Ucrânia: poeta e tradutor Leib Kvitko, poeta e dramaturgo Peretz Markish, poeta Itzik Feffer, poeta e tradutor Dovid Hofshteyn, escritor e dramaturgo David Bergelson. No total, inúmeros judeus em toda a URSS foram presos e processados judicialmente ​​em conexão com o caso, sob acusações de espionagem e «atividades nacionalistas anti-soviéticas». 

Entre os presos, que conseguiu sobreviver estava o artista judaico-ucraniano Iosif Weissblat (1898-1979), filho do rabino-chefe de Kyiv.

Iosif Weissbalt no momento da sua detenção, arquivo de MGB, 1951

«Da Ordem de Detenção,

8 de março de 1951.

O Responsável especial, 1ºTenente Leleko, do Departamento do Distrito de Krasnogvardeisky do MGB de Moscovo:

O cidadão Weissbalt I.N. durante bastante tempo demonstra uma forte tendência anti-soviética e nacionalista, manifesta a insatisfação com as condições de vida na URSS, venera tudo o que é estrangeiro e difama os dirigentes do partido e do Governo Soviético.

Propõe-se a detenção do cidadão Weissbalt I.N.

Concordo — o tenente-coronel Grishin, Chefe do Departamento do Distrito de Krasnogvardeisky do MGB de Moscovo.

Coronel Serov, Chefe do Departamento do MGB da Região de Moscovo».

Iosif Weissbalt, no exílio pós-GULAG, 1954

As imagens: o quadro de Iosif Weissblat da série «Prisão» (1963), e as suas fotos na prisão em 1951 e no exílio/degredo em 1954.

sexta-feira, agosto 14, 2026

Mercenários africanos — vítimas da ganância dos recrutadores russos

Os recrutadores russos, que aliciam os jovens africanos à servirem no exército neocolonial russo, inventaram o sistema de «prestação de serviços», que permite aos recrutadores ficarem com entre 30% à 83% dos valores pagos aos africanos pelo MinDefesa russo. 

O esquema é muito simples. Os jovens são recrutados em países mais pobres com a promessa de não serem usados em combates, mas apenas em tarefas da retaguarda, subordinados ao Ministério da Defesa russo, com salários mensais de 2.000 à 2.500 dólares e um bônus único de 5.000 a 6.000 dólares. No Uganda, os recrutadores russos usam a empresa «Meteorinvestproekt», LLC; apresentada como a provedora dos serviços: pela assistência na assinatura do contrato, pelo custeio da viagem, obtenção do visto, comunicação com a família, etc., o mercenário concorda em pagar até 83% do valor do bônus e até 30% dos seu salário mensal ao recrutador. A cobrança pode variar consoante a ganância do recrutador, por exemplo, uma outra empresa russa de recrutamento cobrou aos mercenários nigerianos apenas a metade do valor do bônus de assinatura do contrato. 

Mercenário nigeriano Chukwuebuka Joseph (25.10.1994), que pagou aos
recrutadores russos 50% do seu bônus do exército russo, morreu na Ucrânia

A «Meteorinvestproekt», LLC é prática e cínica e sabe que pode explorar estrangeiros mensalmente até o dia da sua morte. Inclui uma cláusula nos seus contratos de «prestação de serviços», exigindo que a vítima lhe pague 30% do seu salário mensal. Assim, a empresa russa recebe 1.150 dólares mensais sem fazer absolutamente nada. 

Para os russos, os mercenários africanos ou asiáticos são verdadeiramente descartáveis. O Ministério da Defesa russo utiliza-os para satisfazer a sua necessidade de tropa de ataque, e os recrutadores russos ganham milhões com cada soldado contratado que trazem. Ao soldado recrutado são prometidas apenas algumas migalhas, que provavelmente nunca receberá de qualquer forma, uma vez que morrerá em mais um ataque russo inútil. 

Como foi o caso da esposa do cidadão zimbabweano Wheda Joseph, que gravou a mensagem em vídeo na qual explica que o marido, de 51 anos, foi para a rússia à procura de trabalho remunerado, mas acabou por se ver enviado à guerra. Um recrutador prometeu emprego legal na construção civil, mas, como acontece frequentemente, tratou-se de um golpe clássico contra os estrangeiros. Wheda recebeu um contrato para assinar em russo, sem qualquer tradução, com a garantia de que se tratava de um simples contrato de trabalho. A 8 de junho de 2026, Wheda assinou o documento e, na prática, caiu num regime de servidão mortal nas mãos do Ministério da Defesa russo. Foi então enviado para Ucrânia. O seu último contacto com a família foi em 17 de julho de 2026. Não se sabe o seu destino e desconfia-se que esteja morto algures nas estepes da Ucrânia.

Mais um lembrete para os cidadãos estrangeiros de que as viagens à rússia «em trabalho» terminam, geralmente, em clima da coersão e assinatura do contrato para servirem numa guerra neocolonial e injusta.

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Peru regista mortes e desaparecimentos dos peruanos que lutaram pela rússia

O governo do Peru divulgou oficialmente dados sobre o número de baixas entre os seus cidadãos, recrutados para o exército russo para combater na guerra neocolonial russa contra Ucrânia. Constam-se 11 mortos, 114 desaparecidos e 3 capturados. 

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru, dos 459 peruanos que assinaram contratos com as forças armadas russas, 11 foram mortos, 114 constam como desaparecidos e três foram capturados. Além disso o MNE do Peru informa que a secção consular da Embaixada do Peru na federação russa auxiliou e coordenou o repatriamento de dois jovens peruanos em situação de vulnerabilidade, que escaparam ao recrutamento forçado a que foram sujeitos para servir na guerra contra Ucrânia. Até a data (9 de agosto de 2026) as autoridades peruanas já evacuaram da rússia 31 peruanos (28 regressaram ao Peru e 3 permanecem na Europa por opção própria).

Familiares de peruanos recrutados pela rússia para combater na guerra contra Ucrânia foram fotografados no dia 4 de agosto de 2026 durante uma manifestação que exigia o regresso dos seus entes queridos, especialmente os feridos, em frente à Embaixada da rússia em Lima, no Peru.
Foto: Paula Bayarte/EFE

Portanto, pelo menos 128 cidadãos peruanos — quase 28% do total de recrutados — na realidade já foram mortos, estão desaparecidos ou foram capturados. 

O número de desaparecidos é particularmente alarmante. Este número é mais de dez vezes superior ao de mortos oficialmente confirmados. Esta é uma prática comum do exército russo, especialmente no caso dos estrangeiros, cuja busca, evacuação e repatriamento dos corpos não são realizadas. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru enfatizou que os dados publicados foram oficialmente confirmados. Ao mesmo tempo, familiares dos peruanos recrutados afirmam que o número de mortos pode ser significativamente maior. É também importante compreender que o número de vítimas está a aumentar constantemente e que o governo peruano não está claramente a conseguir acompanhar esta contagem. Por exemplo, já há mais peruanos em cativeiro do que à data desta publicação. 

As autoridades peruanas alertaram ainda os cidadãos para os perigos dos esquemas de recrutamento disfarçados de ofertas de emprego bem remunerado na rússia. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, alguns cidadãos peruanos afirmaram que, depois de chegarem à rússia, foram obrigados a assinar contratos e a participar na guerra contra Ucrânia. 

Com base nos nomes que Ucrânia dispõe, hoje são conhecidos mais de 28.000 cidadãos estrangeiros recrutados pela rússia. Todos eles servem um único propósito: servirem de «carne para canhão», comprados e importados do estrangeiro, uma vez que as suas mortes não acarretam consequências negativas para a sociedade russa.

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quinta-feira, agosto 13, 2026

Ucrânia atinge, com sucesso, a armada russa no porto de Novorossiysk

Na noite de 11 à 12 de agosto, as FAU e SBU, realizaram uma operação inédita em atingir, com vários meios e em simultâneo, a base naval de Novorossiysk – o último posto avançado principal da frota russa no Mar Negro, a mais de 300 quilómetros da linha da frente.

Os drones «Palanytsia», os mísseis «Neptun» e drones navais atingiram, com precisão e sucesso, os alvos designados: inclusivamente as fragatas «Almirante Makarov» e «Almirante Essen», portadores de mísseis «Kalibr», além do navio patrulha «Vasily Bykov». Também foram confirmados os impactos nas posições de defesa aérea, nos atracadouros e nas infraestruturas portuárias. 

Porto comercial de Novorossiysk, 12 de agosto de 2026

Na noite de 11 para 12 de agosto de 2026, como resultado de uma operação conjunta de ataque profundo das Forças de Segurança e Defesa da Ucrânia, na qual foram utilizados operadores do Departamento de Operações Ativas e do Departamento de Sistemas Não Tripulados do Ministério da Defesa da Ucrânia, bem como do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), da Marinha, do Serviço Estatal de Guarda-fronteira da Ucrânia em cooperação com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, foram atingidos alvos militares de alto valor da rússia em Novorossiysk, à saber: 

  • as fragatas “Almirante Essen” e “Almirante Makarov” — portadoras dos mísseis “Kalibr”;
  • o navio patrulha “Vasily Bykov”;
  • a infra-estrutura do depósito petrolífero “Grushovaya” e do terminal petrolífero “Sheskharis”;
  • o radar 30N6E do complexo S-300. 

«Agradeço aos militares das Forças Armadas da Ucrânia, ao Serviço de Segurança da Ucrânia e à nossa inteligência pela sua precisão e pelos bons resultados. A frota de ocupação e todas as infraestruturas que a suportam não estarão seguras enquanto a agressão russa continuar. A guerra deve parar, e todas as propostas diplomáticas adequadas estão em cima da mesa. Glória à Ucrânia!», escreveu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Os armazéns de «Wildberries» na cidade russa de Voronezh:

 

As imagens raras: a câmara de um membro da tripulação do cargueiro «Yasar», sob a bandeira do Panama, registou o momento inédito em que o drone ucraniano atinge o bulker e os momentos depois:


Fontes: DIUkraine; risk_dept; kazansky2017

quarta-feira, agosto 12, 2026

General republicano espanól que se tornou o prisioneiro do GULAG soviético

Valentín González (conhecido na Espanha pela alcunha de «El Campesino»), foi um militar e político comunista espanhol, um dos generais republicanos durante a Guerra Civil de Espanha. Na URSS sofreu a tortura de NKVD e os horrores dos campos de concentração de GULAG. 

Esta fotografia oficial a preto e branco foi tirada por um correspondente da agência soviética Soyuzfoto a 13 de novembro de 1937 e capta um dos episódios mais dramáticos da Guerra Civil de Espanha: uma revista às tropas do Exército Popular da República, conduzida pelo Presidente da República Espanhola, Manuel Azaña, em frente a Madride, na cidade de Alcalá de Henares. 

Nesse dia, as unidades da 46ª Divisão estavam a ser inspeccionadas na Praça Cervantes. Comandada pelo lendário Valentín González, chamado/apelidado de «El Campesino» (O Camponês), surge a caminhar à direita, usando um boné e botas de cano alto com atacadores. 

Ao seu lado, de boné e casaco leve, está o comandante da frente de Madride, o general José Miaja, apoiado numa bengala. Ao seu lado está o Presidente da República, Manuel Azaña, e, à extrema-esquerda, o Primeiro-Ministro, Juan Negrín. 

Na altura em que esta fotografia foi tirada, Valentín González-Campesino estava no auge da sua glória militar, um dos mais reconhecidos comandantes republicanos, um herói da propaganda soviética, o «Chapayev espanhol». No entanto, este triunfo foi de curta duração...

«A vida e morte na rússia soviética»

«Fui chamado o general mais fanático da Guerra Civil de Espanha. Não me arrependo do sangue que derramei na luta contra o fascismo. Mas arrependo-me e lamento ter desejado impor ao povo espanhol um regime semelhante ao que existe na rússia. Na União Soviética, vivi a maior catástrofe da minha vida», escreveu Gonzáles a sua biografia, descrevendo os horrores que passou na União Soviética, onde viveu sob o nome de Pyotr Antonovich Komissarov. 

Após a derrota dos republicanos na guerra civil, «El Campesino», com cerca de 6.000 outros espanhóis, emigrou para a URSS. Juntamente com alguns outros militares espanhóis, foi enviado para estudar na Academia Militar «Frunze». Mas os estudos de um herói militar semi-analfabeto e bastante abrupto claramente não correram bem (ao contrário da sua vida pessoal – González se casou com Ariadna Gian, a tradutora de espanhól e filha de um coronel soviético). É conhecido um relato do clima vivido entre os cadetes espanhóis. O «El Campesino» recebia as críticas mais negativas: indisciplinado, incontrolável. «Ele critica as doutrinas de cavalaria de Budyonny». Sobre o marechal Tukhachevsky: «Em Espanha, os soldados não teriam permitido que o seu comandante fosse preso – teriam formado um quadrado à sua volta e ripostado». Além disso, Campesino era justo e orgulhoso. Discutia com praticamente toda a gente: a líder comunista Dolores Ibárruri mandou o marido para Rostov, enquanto vivia, maritalmente, com um jovem comunista espanhol. González atirou-lhe isso à cara de forma pública: «Em vez de pensar na luta, comporta-se como uma prostituta!» Mas González estava especialmente desiludido com a realidade soviética. Uma vez gritou com um empregado da mercearia: «Eu sou proletário, tu és proletário! Porque é que me estás a enganar?» Os apartamentos comunitários soviéticos, os komunalkas, horrorizavam especialmente González, ele não parava de perguntar à sua mulher: «Como é na URSS um marido e uma mulher dormirem juntos à noite, com a avó à direita e os filhos à esquerda no mesmo quarto?»

Valentín González, «Yo escogi la esclavitud», 1953
A direção da Academia decidiu expulsar o «cadete Komissarov» e outros dois espanhóis que tinham chumbado nos exames. Jesús Hernández, secretário do Comité Central, chegou para investigar o incidente. O «arquivo pessoal» do comandante da brigada foi investigado pela Comissão de Controlo da Comintern. Ela reuniu-se por mais de uma semana. A filha do González, VictoriaKravchenko (nascida em 1944): «Eles gritaram com o meu pai, e ele gritou. A minha mãe estava sentada no corredor. Finalmente, não aguentou mais: ´Vamos embora, Valentino, estas pessoas não são pessoas, são animais!´ O meu pai atirou o seu cartão de filiação partidária para a cara de Ibárruri».

Acusado de espionagem e trotskismo, foi preso pelo NKVD, enviado para a cadeia moscovita Lubyanka, onde foi torturado, ao ponto de «confessar» ser agente dos serviços secretos britânicos e americanos, e depois enviado para trabalhos forçados na construção do metro de Moscovo. Em 1944, fez a sua primeira tentativa de fuga através da fronteira soviético-iraniana; foi capturado, mas escapou ao Irão novamente, em 1948. As suas ilusões anteriores sobre um «paraíso soviético» foram destruídas: mais tarde, escreveria que a URSS de Estaline se tornou «a maior decepção e o pior fracasso de toda a sua vida». 

Caiu nas mãos dos americanos, que o enviaram para a França.

«Comunista en España y antistalinista en la U.R.S.S.», 1980

Em 1950-51, a França foi abalada pelo «julgamento de David Rousset», político socialista francês, membro da Resistência e vítima do nazismo, que expôs a verdade sobre os campos de concentração soviéticos, a primeira pessoa na França que usou o termo GULAG. O jornal comunista francês «Les Lettres Françaises» acusou Rousset de calúnia: «mas que campos de concentração no país mais livre!»

«El Campesino» participou no processo, como a testemunha abanatória do David Rousset, acabando por se tornar a maior sensação. Um grupo de espanhóis de Moscovo enviou ao tribunal de Paris uma carta a chamar González de louco. Mas a resposta de «El Campesino» à imprensa parisiense deixou claro que louco não era ele: 

«Chamaram-me o general mais fanático da guerra civil espanhola. Não me arrependo do sangue que derramei na luta contra o fascismo. Mas arrependo-me e lamento ter desejado impor ao povo espanhol um regime semelhante ao que existe na rússia. Na União Soviética, vivi a maior catástrofe da minha vida». Campesino não falou; na verdade, gritou. O juiz fez uma careta e disse ao intérprete: «Diga à testemunha para falar mais baixo.» Campesino recuou da barreira, surpreendido, batendo no peito: «Sou espanhol! Os espanhóis não conseguem falar baixo!» 

David Rousset ganhou o processo. 

González não se contentou com isso. A partir de França, se aliou aos terroristas bascos, os auxiliando nos ataques em Espanha. Em 1961, a pedido de Madrid, foi preso pelas autoridades francesas e encarcerado. Valentín González esteve 17 anos nas prisões francesas. Libertado em 1978, regressou a Espanha e anunciou o fim da sua luta: Franco estava morto e a mudança democrática estava em curso em Espanha. Faleceu em Madrid em 1983. 

Valentín González chegou de ser mencionado no livro de Ernest Hemingway «Por Quem os Sinos Dobram», através dos pensamentos de Robert Jordan, que o descreveu como corajoso e difícil: «Quando viu Campesino, com a sua barba negra, os seus lábios grossos, típicos de negros, e os seus olhos febris e inquietos, pensou que ele poderia causar muitos problemas. Era um temerário, um temerário mesmo — seria difícil encontrar um homem mais corajoso. Mas, meu Deus, como ele falava! E no calor da conversa, podia dizer qualquer coisa! Mas, como comandante de brigada, ele mostrou-se altura da situação, mesmo nas circunstâncias aparentemente mais desesperadas».

domingo, agosto 09, 2026

O Grande Terror soviético na Ucrânia que visou o renascimento literário

Na década de 1920, enquanto o mundo lia as obras de F. Scott Fitzgerald, Virginia Woolf e Erich Maria Remarque, os escritores ucranianos estavam a construir o seu próprio renascimento literário. Em 1938, a maioria deles já tinha sido detida, encarcerada ou morta.

5 de agosto de 1937. Neste dia, entrou em vigor a portaria n.º 00447 do NKVD. Esta autorizava a detenção e a execução de «elementos antissoviéticos». No espaço de dois anos, causou a morte de aproximadamente 700 000 pessoas em toda a União Soviética.

O terror chegou à Ucrânia, já devastada pela fome de 1932–33, e atingiu com maior severidade os camponeses, o clero e os dirigentes do partido. Mas um alvo destacou-se pelo que simbolizava: os escritores, artistas e académicos que tinham construído a cultura ucraniana durante o breve período de liberalização da década de 1920.

Muitos deles tinham vivido sob o mesmo teto. O edifício dos escritores «Slovo», em Kharkiv, foi concluído em 1929 para acolher a elite literária da república. Dos seus 66 apartamentos, 40 foram afetados pelo terror. Trinta e três residentes foram executados.

A 3 de novembro de 1937, numa clareira da floresta na Carélia, o NKVD fuzilou, numa única noite, pelo menos doze dos mais célebres escritores e artistas da Ucrânia.

A floresta de Sandarmokh, onde muitas das vítimas estão enterradas, é agora alvo de uma campanha de desinformação do Estado russo.

Os meios de comunicação estatais russos afirmam que os túmulos contêm prisioneiros de guerra soviéticos mortos pelas forças finlandesas, e não vítimas do NKVD de Estaline.

Na década de 1920, Moscovo permitiu, por um breve período, que os tártaros da Crimeia construíssem as suas próprias escolas, teatros e jornais. Essa liberdade produziu uma geração de professores, escritores e académicos.

A 17 de abril de 1938, em Akmesdzhyt (Simferopol), um tribunal militar soviético condenou 36 deles à morte numa única sessão.

Seis anos mais tarde, Estaline deportou da península toda a nação tártara da Crimeia. Os historiadores consideram as execuções de 1938 como o seu preâmbulo.

O Grande Terror estendeu-se muito para além da Ucrânia. Um balanço parcial do seu número de vítimas:

sábado, agosto 08, 2026

🔥🚢 Ucrânia continua à realizar várias operações bem-sucedidas na rússia

Na noite de 8 de agosto de 2026, operadores do Departamento de Ações Ativas e de Sistemas Não Tripulados da GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia, no âmbito da operação de ataques profundas à rússia, atingiram a refinaria de petróleo de Ilsk, na região de Krasnodar.

Como resultado do ataque à refinaria, que fornece recursos à guerra neocolonial russa contra Ucrânia, deflagrou um incêndio.

À noite de 8 de agosto, os drones ucranianos voltaram a atingir a refinaria de Syzran, na região russa de Samara, os residentes relataram os impactos próximos das instalações primárias de refinação de petróleo (AVT) e nos tanques de petróleo. Podemos observar, no mínimo, três focos de incêndio na refinaria, que já foi atingida, mais que uma vez pelos drones das forças especiais da Ucrânia, SSO-SOU. O incêndio está à consumir os equipamentos que sobreviveram nos ataques anteriores.


A cidade portuária de Gelendzhik, na região russa de Krasnodar. Explosão no aquartelamento da unidade militar Nº 2156 e no campo de treino militar adjacente, sob a jurisdição do Serviço de Guarda-fronteiras do FSB russo. Os drones ucranianos atingiram o radar e o sistema antiaéreo:

A embarcação (bulker) russo à fumegar na baía de Gelinzhik 

A baía de Gelinzhik

Localização: 44°34'18.67"N 37°59'21.41"E

ROV: 44°33'05.77"N 38°02'54.56"E

A operação ucraniana «Molochka», conduzida pela USBS: três mísseis do sistema russo da defesa aérea «Pantsir-S1», falharam miseravelmente e não conseguiram derrubar o drone ucraniano FP-2, que atinge os seus alvos:


+12 embarcações da frota-sombra russa foram imobilizadas pela USBS nos Mar Negro e de Azov.

Durante toda a operação “Molochka” (de 6 de junho à 8 de setembro de 2026) os drones de USBS , atingiram, com sucesso 218 embarcações, das quais 134 no Mar de Azov e 84 do Mar Negro. 

Uma embarcação russa foi atingida perto de Novorossiysk:

O navio-patrulha do FSB «Nadezhda» após o encontro com o drone ucraniano

Navio russo a fumegar em Novorossiysk

Fontes: risk_dept; DIUkraine; kazansky2017

Ajuda polaca à Ucrânia. Factos nús e um diagnóstico amargo

A assistência altruísta dos polacos aos ucranianos tornou-se a principal conquista das relações polaco-ucranianas. Agora, essa assistência está a ser transformada num jogo político.
Na foto: cidade de Przemyśl, 2022. Fonte: Pakkin Leung/Wikicommon

A Fundação polaca «im. Stefana Batorego» publicou uma análise detalhada da ajuda polaca/polonesa à Ucrânia, incluindo neste relatório também os contextos políticos e o contributo dos ucranianos para a economia polaca. Os resultados surpreenderão muitos, e alguns na Polónia ficarão indignados. 

por: Marek Ziółkowski, Fundacja im. Stefana Batorego

Ajudar outros países – o que de mais maravilhoso se pode imaginar em política externa. Ajudar as pessoas, sobretudo noutros países, é a forma mais bela de conduzir a política externa. Seria este um sentimentalismo excessivo e ingénuo? 

Algumas teses do relatório:

— A ajuda polaca à Ucrânia foi considerável, mas os políticos polacos, manipulando as estatísticas, exageraram o seu volume em cerca do dobro do valor real;

— Ao contrário de outros países que ajudaram a Ucrânia, a Polónia, e apenas a Polónia, rapidamente começou a exigir «gratidão» à Ucrânia sob a forma de concessões económicas e políticas, incluindo no domínio da memória histórica;

— A «tendência polaca para exagerar a escala da ajuda e emitir facturas quase diariamente, combinada com uma onda de expectativas de gratidão ucraniana», criou artificialmente entre os polacos a ilusão de uma «ingratidão ucraniana» crónica e minou a sua confiança na política de assistência à Ucrânia;

— Como resultado, embora do lado ucraniano as expressões de gratidão «se tenham tornado uma rotina de correcção política em relação à Polónia», Ucrânia conta cada vez menos com a ajuda polaca («pois a gratidão não é uma coleira);

— No entanto, paralelamente à ajuda, a Polónia lucrou e continua a lucrar muito com esta guerra, em particular, com um aumento das exportações de armas;

— Além disso, a contribuição dos refugiados ucranianos para o PIB da Polónia em 2022-2024 é praticamente igual ao volume da ajuda polaca à Ucrânia nesse período — por outras palavras, os refugiados ucranianos já retribuíram toda a ajuda prestada à Ucrânia pela Polónia (!);

— O contributo significativo dos refugiados ucranianos para a economia polaca, a balança comercial positiva da Polónia com a Ucrânia, as exportações recorde de armas polacas e a insignificante ajuda polaca à Ucrânia — tudo isto indica que, na verdade, foi a Ucrânia que deu um contributo significativo para o bem-estar e a economia da Polónia. 

É tempo de perguntar: afinal, quem deve estar grato a quem?

Embora, na realidade, a ajuda não devesse tornar-se uma moeda de troca política.

Contudo, para uma parte (considerável?) dos políticos e da sociedade polaca, isso já aconteceu. 

O texto integral do relatório em polaco e a sua tradução no site ucraniano Sestry (texto em ucraniano e infografia em polaco).