domingo, outubro 25, 2026

Afinal, quantos anos da história tem Ucrânia?

Ultimamente, a propaganda russa, tenta novamente reduzir existência da Ucrânia aos meros 35 anos, desde o dia da reinstalação da sua Independência em 24.08.1991. Mesmo se fosse verdade, que absolutamente não é, isso não daria nenhum poder ao regime neofascista russo de invadir o país, tentando aniquilar a soberania ucraniana. 

Nome do Estado e os povos/tribos que nele habitavam

Os tribos proto-eslavos que havitavam na chamada Rus de Kyiv (os territórios da Ucrânia moderna e do Médio Dnipro):

  • Polianos — a tribo principal, com o seu centro em Kyiv; o núcleo do estado formou-se à sua volta;
  • Drevlíanos — viviam na margem direita do rio Polissia (a principal cidade era Iskorosten);
  • Siverianos — ocupavam as bacias dos rios Desna, Seim e Sula (Chernihiv, Pereyaslav);
  • Volynianos (também conhecidos como buzhany, buliby) — habitavam a bacia do rio Buh Ocidental e da Volyn atual;
  • Tivertsios — viviam ao longo dos rios Dniester e Prut até ao Mar Negro;
  • Ulychi — inicialmente viviam no curso inferior do Dnipro, mais tarde migraram entre o Dniester e o Prut.
  • Croatas Brancos — habitavam as regiões dos Cárpatos e da Transcarpátia.

O nome da Ucrânia

1ª menção conhecida da palavra Ucrânia, ano 1187, Codex Khlebnikov da Crónica Ipatiev

O primeiro registo escrito do termo «Ucrânia» data de 1187, aparece na Crónica de Kyiv (preservada como parte da Lista de Ipatiev, cópia conhecida se chama Codex Khlebnikov). A palavra é mencionada a propósito da morte do Príncipe Volodymyr Glibovych de Pereiaslav, conhecido pela sua luta contra os polovtsianos: «о нем же Оукраина много постона» («por causa [da morte] dele Ucrânia gemeu muito»).

Um excerto do Evangelho de Peresopnytsky (1556)
no qual ocorre a palavra “Ucrânia”.

Língua(s) faladas e escritas

Os habitantes da Rus de Kyiv falavam várias línguas nativas, usando, para a escrita e documentação a antiga língua búlgara (a sua variante macedónia), que mais tarde foi conhecida do eslavo antigo ou eslavo eclesiástico. Em vários grafitties, deixadas nas paredes das igrejas em Kyiv, é possível notar vários ucrainismos, principalmente, na terminação das palavras ou quando os autores usavam, quando não sabiam certas palavras em antigo búlgaro, que era usado, na Europa Oriental, como a língua franca, à semelhança do latim, na Europa Ocidental.

Reprodução gráfica de uma inscrição do livro de Serhiy Vysotsky, “Inscrições da rus´ antiga de Sofia de Kyiv, séculos XI-XIV”. Inscrição: “SENHOR, AJUDA O TEU SERVO PAVLOVY”. A inscrição da oração termina com um nome no caso dativo tipicamente ucraniano “PAVLOVY”. “Na língua ucraniana, desde os monumentos escritos mais antigos até aos séculos XVI-XVII, a terminação do caso dativo (-OVY) era sólida” – historiador da língua, Doutor em Filologia, Viktor Moisienko.

Rurik e Kyiv como capital da Rus de Kyiv

Segundo a historiografia ainda soviética, a cidade de Kyiv foi fundada no ano 482 (século V). O alegado fundador da dinastia, Rurik, é uma personagem mítica, a sua existência real não está confirmada em nenhuma crónica da chamada «historiografia paralela», fora das crónicas da Rus de Kyiv: nem árabes, nem bizantinos, nem da Europa Ocidental.

A data oficial e provável da fundação de Novgorod, uma outra cidade importante de Rus de Kyiv, é considerada 859 (de acordo com as Crónicas de Nikonov e Primeira de Sófia). As camadas culturais reais da cidade e dos povoados no território moderno de Novgorod datam a sua existência da década de 930 (século X). Portanto, a cidade de Kyiv é cerca de 5 séculos mais antiga do que Novgorod, além disso, Novgorod que era um dos mais importantes centros políticos e comerciais da Rus de Kyiv na rota «dos varegues aos gregos», de 1136 a 1478, foi a capital da República Independente de Novgorod (República Boiariana de Novgorod).

O batismo do Volodymyr

O príncipe Volodymyr (que após o batismo adotou o nome de Basílio, em forma do tributo ao imperador bizantino Basílio II Bulgaráctono). Volodymyr realmente foi batizado em Quersoneso, na Crimeia — (uma antiga cidade-estado grega na costa sudoeste da Crimeia), em 988, no mesmo ano em que ele promoveu o batismo de Kyiv, também em 988.

As igrejas de Kyiv

Os mosaicos da Catedral de Santa Sofia, em Kyiv e outras igrejas da Rus de Kyiv, eram realmente executados por mestres gregos bizantinos. Uma prática absolutamente habitual da época, em que os dinastias reinantes convidavam os mestres bizantinos, como mais experientes na arte sacra. A Catedral de Santa Sofia foi construído entre 1017 e 1037 por ordem e às expensas do Príncipe Yaroslav,o Sábio, de Kyiv (George, após o seu batismo).

A dinastia ruríkida que governou Kyiv 

Os historiadores na realidade não sabem como realmente se chamava aquela dinastia, o termo «ruríkida» ou «de Rurik», foi cunhado pelos historiadores russos no século XIX. A existência do próprio fundador da dinastia, o mítico Rurik não está comprovada historicamente. 

Mapa da “Tartária Europeia ou Tartária Menor” do italiano Giacomo Cantelli da Vignola (1688).
A região do rio Dnipro é representada como “Ucrânia ou a terra dos cossacos zaporozhianos”.

Em 1654, o Hetmanato dos Cossacos Bohdan Khmelnytsky e, de-facto, chefe do estado ucraniano chamado Exército de Zaporizhia, jurou lealdade ao czar russo no Conselho de Pereyaslavl. O embaixador em Moscovo, o boiardo Vasily Buturlin, recusou-se terminantemente a jurar em nome do czar. Declarou que «o czar não jura aos seus súbditos» e que a sua palavra real era inviolável. A essência da união era um protectorado e não uma «reunificação»: para Khmelnytsky, o juramento ao czar era o reconhecimento de um protectorado (união político-militar) com a preservação da plena autonomia do Estado ucraniano, dos seus próprios tribunais, finanças, exército e do direito às relações internacionais. O hetman já tinha firmado juramentos e alianças táticas semelhantes com o sultão turco.

Em 1608, em Cracóvia foi publicado o livro «Ukraina od tatar utrapiona, xiązat i panów pogranicznych o ratunek żałosnym lamentem pros» (Ucrânia, atormentada pelos tártaros, pede aos príncipes e aos senhores das terras fronteiriças a salvação com um lamento comovente).
O autor do poema foi Martyn Paszkovski, um nobre da classe média da casa de Zador.

As fronteiras atuais da Ucrânia e as trocas territoriais com rússia 

Após a ocupação da Ucrânia independente (República Popular da Ucrânia, Estado Ucraniano e Diretória, 1917-1921) pela rússia soviética, entre 1919 e 1928, as autoridades da Ucrânia Soviética transferiram vários dos seus territórios para a rússia Soviética (RSFSR):

  • Taganrog e parte do Donbas Oriental (incluindo a cidade de Taganrog e parte dos atuais distritos do Oblast de Rostov) — transferidos por decisão oficial do Presidium do Comité Executivo Central da URSS, em 16 de outubro de 1925.
  • Região de Belgorod — os territórios do norte de Slobozhanshchyna, juntamente com a cidade de Belgorod, que faziam parte da Ucrânia nos primeiros anos do poder soviético, foram transferidos para a RSFSR como resultado da redistribuição das fronteiras entre 1919 e 1928.
  • Região de Starodubschyna (parte da região de Chernihiv) — transferida para a rússia no início da década de 1920.

As atuais fronteiras da Ucrânia na Europa

Os Acordos de Helsínquia (Acto Final de Helsínquia) foram assinados a 1 de Agosto de 1975 em Helsínquia, Finlândia, pelos líderes de 35 Estados (33 países europeus, os Estados Unidos e o Canadá) no âmbito da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE, actualmente OSCE).

Disposições-chave sobre fronteiras no Acto de Helsínquia 

A secção sobre os princípios interestatais (em particular, os parágrafos sobre a inviolabilidade das fronteiras e a integridade territorial) estabeleceu as seguintes disposições-chave:

  • Inviolabilidade das fronteiras: os Estados participantes reconheceram as fronteiras existentes na Europa (formadas após a Segunda Guerra Mundial) como invioláveis ​​e comprometeram-se a abster-se, agora e no futuro, de qualquer violação dessas fronteiras. Declararam que não fariam quaisquer reivindicações territoriais.
  • Integridade territorial: os participantes comprometeram-se a respeitar a integridade territorial de cada Estado participante.
  • Não utilização da força ou ameaça de força: as partes comprometeram-se a abster-se de qualquer acção incompatível com os objectivos da Carta das Nações Unidas contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
  • Resolução pacífica de litígios: todos os litígios devem ser resolvidos exclusivamente por meios pacíficos, de modo a não pôr em perigo a paz e a segurança internacionais.

Deportação soviética permanente: limpeza étnica praticada na URSS

Declaração da letã (?) Aria Resevskis (1934), uma jovem de 17 anos

Entre 1949 e até à morte de Estaline os cidadãos deportadas, expelidos da parte europeia da URSS para a Sibéria e Ásia Central, eram coagidos à assinar uma declaração escrita em que se comprometiam a viver permanentemente nas «regiões remotas da União Soviética, sem o direito de regressar ao seu antigo local de residência».

Este tipo de declaração escrita era entregue à todos os cidadãos, que foram alvo dessa medida punitiva, de aplicação geral, indiscriminada e extrajudicial, com base na sua nacionalidade, antes, durante e após a II G.M. A formulação da declaração é simplesmente brutal, se considerarmos o seu significado e o facto de que aqueles que foram punidos desta forma não tinham cometido qualquer crime que pudesse ser provado como justificando numa punição tão brutal.

Deportação soviética dos letões, 14.VI.1941

«...Eu, [nome] um deportado, fui informado de que fui deportado permanentemente pela Autoridade Suprema da URSS para regiões remotas da União Soviética, sem o direito de regressar ao meu antigo local de residência.

Foi-me também dito que não tenho o direito de sair, mudar o meu local de residência ou de trabalho, mesmo que temporariamente, sem a permissão do Ministério do Interior local.

Sei que, se violar esta declaração escrita, serei sujeito a um processo criminal nos termos do Decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS de 26 de Novembro de 1948 e condenado a 20 anos de trabalhos forçados [a punição czarista, oficialmente re-introduzida na URSS em 1943]. O decreto de 26 de Novembro de 1948 foi-me comunicado...»

Quem era alvo dessa medida? 

A medida era aplicada às populações inteiras, principalmente residentes e naturais na Ucrânia Ocidental, Países Bálticos (Letónia, Lituânia e Estónia), Moldova, nações como tártaros da Crimeia, chechenos e ingushes, entre vários outros grupos étnicos. 

As vezes, as autoridades soviéticas acusavam as nações internas de colaboração como os nazis, como aconteceu aos chechenos ou tártaros da Crimeia, noutros casos, os cidadãos eram acusados de serem «elementos antisoviéticos», perseguidos pela sua suposta ou real ajuda aos movimentos da resistência (OUN-UPA na Ucrânia ou «irmandade de floresta» na Lituânia ou Estónia). 

Em alguns casos, estas pessoas puderam regressar às suas terras de origem após a morte de Estaline, mas principalmente após a denúncia dos crimes de estalinismo pelo Khruschev, à partir de 1953-56, noutros casos o regresso só foi possível várias décadas depois, e mesmo assim, recebia uma forte resistência das autoridades soviéticas, o caso dos tártaros da Crimeia ou dos alemães de Volga.

As tentativas de tártaros da Crimeia, alemães de Volga e os turcos de Meskhetia
de regressar às suas terras de origem, 1971

Tudo isso, sem esquecer que a deportação dos povos nativos, nunca vinha só. No lugar dos deportados: ucranianos, lituanos ou chechenos, as autoridades soviéticas traziam os «novos colonos» as populações russas, geralmente vindas da rússia central. Alguns dos seus descendentes se recusam à se integrar nos países onde vivem até hoje, declarando, de uma aberta ou então, encoberta, a não aceitação da realidade pós 1991, a queda ou desaparecimento da União Soviética. Essa, em grande parte, é a base de aceitação do atual expansionismo imperial russo, dentro e fora da rússia...

sábado, outubro 24, 2026

Mercenários estrangeiros ao serviço da rússia: entre a morte e o suicídio

Pela primeira vez desde 24.02.2022, a rússia aceitou receber de volta um mercenário estrangeiro. No último repatriamento dos restos mortais de militares russos, Ucrânia entregou a contraparte russa o corpo do cidadão do Sri Lanka, Rohan Kumar Sudi.

De acordo com o direito internacional humanitário, Kumar era um combatente do exército russo, razão pela qual o seu corpo foi entregue à federação russa. Para que o corpo regresse ao Sri Lanka, as autoridades cingalesas precisam agora de fazer um pedido formal à rússia. Pois ao contrário, e tal como acontece por padrão, as autoridades russas cremam ou enterram mercenários estrangeiros, mortos na guerra, dentro da rússia, sem se preocuparem em repatriar os seus corpos para os países de origem. 

No início de 2026, o projeto ucraniano «Quero Viver» já conhecía os nomes e as identidades de mais de 5.000 estrangeiros mortos, que passaram pelo exército russo. Todos eles, de uma forma ou de outra, não sobreviveram ao confronto com a bastante desumana realidade russa: ou morreram na guerra ou, então, foram eliminados pelos seus «companheiros» russos. Claramente, para Moscovo, reconhecer a morte de milhares de cidadãos de outros países seria admitir, mais uma vez, que o «2º maior exército do mundo» é incapaz de vencer Ucrânia sozinho, o que criaria tensões ainda maiores nas relações com alguns países «doadores» destes mesmos mercenários. 

Mas não se pode esconder uma agulha num palheiro, e mais cedo ou mais tarde a liderança russa será forçada a repatriar os recrutados. Os vivos e os mortos. Ucrânia apela aos governos de todos os países cujos cidadãos a rússia recruta para o seu exército, bem como a toda a comunidade internacional, para que aumentem a pressão sobre o Kremlin no sentido de acelerar este processo e, principalmente, impedir que os estrangeiros se juntem a uma guerra injusta e neocolonial. 

Enquanto isso, a obsessão russa por se suicidar no campo de batalha em qualquer situação incerta começou a espalhar-se entre os mercenários estrangeiros.

Um homem africano incógnito disparou sobre si próprio após ouvir um drone ucraniano a aproximar-se. Claramente, antes de ser enviado para um ataque ele foi «bombardeado» com histórias de terror sobre ucranianos e a propaganda militar e até religiosa russa que, valoriza e muito, a morte no campo de batalha. Mas será que valeu mesmo a pena viajar meio mundo para participar na guerra da Ucrânia, só para terminar a sua vida dando um tiro nos miolos? Uma morte muito estúpida e sem nenhum sentido.

A famosa imagem do «Francis, o descartável», mercenário africano amarrado à uma bomba de fumaça

Mais uma vez apelamos aos estrangeiros que se juntaram ao exército russo: não precisam de se matar só porque os vossos «mestres» russos assim mandam. É melhor escolher a vida e o seguro cativeiro ucraniano, onde vão viver bem e de acordo com as regras do direito internacional humanitário. 

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Países Bálticos: o próximo e inevitável alvo militar russo

Há mais de dois anos que tento convencer toda a gente: a rússia definitivamente irá atacar os Países Bálticos. Vejo nisto uma lógica política séria. O comandante dos voluntários russos Denis «White Rex» Kapustin é da mesma opinião: «É muito mais fácil para a rússia capturar Tallinn, Riga ou Vilnius do que Zaporízhia, Kryvyi Rih ou Kharkiv».

por: Tymofiy Mylovanov, ex-Ministro do Desenvolvimento Económico, Comércio e Agricultura da Ucrânia (2019-2020), Presidente da Escola de Economia de Kyiv

Não haverá a necessidade de uma grande concentração de tropas russas na fronteira. Alguns poucos Grupos Táticos de Batalhão (BTG) serão suficientes. Não será ocupada toda a região. Tensão relâmpago num único ponto: a cidade de Narva, do outro lado do rio, na fronteira russa-estónia, ou o Corredor de Suwalki. Antes que o flanco leste da NATO tenha tempo de se mobilizar.

Os europeus sentar-se-ão à mesa das negociações e a rússia apresentará a principal exigência: a UE e a NATO não poderão, de forma alguma, ajudar Ucrânia. Para além da exigência do reconhecimento dos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia, fim de ataques aos portos e garantia de passagem pelo Estreito da Dinamarca.

O exército melhor treinado e mais experiente da Europa agora é o ucraniano. Os exércitos da NATO lutaram activamente pela última vez em 1945. Estão preparados para o confronto com a União Soviética de 1989.

Mas a União Soviética já não existe, e a rússia atual possui «Rubicons», «Lancets», «Shaheds» e um exército que está constantemente em guerra. Um drone de fibra ótica, vindo de território russo, facilmente pode atingir o centro de Tallinn. O que farão os dispendiosos caças com os seus dispendiosos mísseis? O comando esconder-se-á em um bunker. Quem será o alvo? 

Toda a guerra é baseada na manipulação. Durante o horário nobre do «Canal Um», da TV estatal russa, atrás das costas do apresentador, surge um mapa onde as cidades ucranianas de Izmail, Odesa, Mykolaiv, metade da região de Kharkiv e toda a de Sumy já estão «russas».

Putin diz recentemente que a cidade de Svyatohorsk foi «libertada», embora na realidade esteja à 20 km atrás das linhas defensivas ucranianas. Os residentes de Moscovo ou Kazan nunca ouviram falar de Avdiivka ou Chasiv Yar. As ruínas de Bakhmut não poderão lhes ser «vendidas» como uma vitória. Mas a vitória sobre a NATO facilmente será vendida.

Putin vive na realidade dos relatórios e das pastas em cima da mesa. Se os seus generais lhe garantirem: não funcionou na Ucrânia, mas isto não é Ucrânia, três dias — e Narva, Riga, Tallinn, Vilnius serão russos —, ele poderá, muito facilmente, tomar essa decisão. 

Blogueiro 

A rússia atual é uma ditadura, onde todas as decisões são tomadas pelo «amado líder», putin, com apoio de um grupo muito restrito da elite dominante, embora essa, com a voz meramente consultiva. É muito difícil de prever, com uma boa dose de realidade, o próximo passo do Kremlin. Que tanto poderá seguir o cenário acima traçado, como poderá tomar outras decisões não menos drásticas: invadir e ocupar o Cazaquistão ou tentar abrir o corredor terrestre entre os territórios temporariamente ocupados do leste da Ucrânia até a região separatista de Transnístria, na Moldova.

Por outro lado, todos os paladinos da propaganda putinista, em Portugal, principalmente são o analista MS e escritor MST, não se cansam em gastar o seu latim para provar que rússia «jamais» irá atacar e invadir Europa / Países Bálticos, ridicularizando, a todo o custo, a própria ideia da doutrina expansionista russa. Outros propagandistas russos promoviam a mensagem absolutamente idêntica, mas em relação à Ucrânia entre dezembro de 2021 à fevereiro de 2022. Alguns deles faziam isso mesmo nas vésperas da invasáo russa de 24.02.2022...

sexta-feira, outubro 23, 2026

«Mães de Kherson» – uma ópera corajosa e impactante sobre as crianças raptadas da Ucrânia

A Metropolitan Opera de Nova Iorque encenou a ópera «Mães de Kherson», dedicada às mulheres ucranianas que lutam para recuperar os seus filhos, raptados pelo exército russo. A música foi composta pelo ucraniano Maxim Kolomiiets e o libreto pelo dramaturgo norte-americano George Brant.

Uma das personagens da ópera é a Maria Lvova-Belova, representante do presidente russo para os direitos da criança, contra quem foi emitido um mandado de detenção pelo Tribunal Penal Internacional. As suas declarações reais, feitas numa conferência de imprensa, serão ouvidas na ópera.

De acordo com o diretor-geral da Metropolitan Opera, Peter Gelb, encontrar uma cantora que aceitasse interpretar este papel não foi fácil.

«É uma mulher muito convincente e atraente, o que a torna ainda mais sinistra — como uma vilã de um filme de James Bond», disse Gelb em entrevista.

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A ópera já foi apresentada em Kyiv e Varsóvia. A estreia americana acontecerá em abril de 2028.

⚡️⚡️⚡️ A 9ª troca de POW de 2026: Ucrânia liberta 270 soldados e oficiais

No dia 23 de outubro foi concluída, com sucesso, a 9ª troca dos Prisioneiros de Guerra (POW), decorrida em 2026. Esta foi a 3ª e última etapa da troca, que teve início em 19 de agosto de 2026. Ucrânia libertou 270 militares, incluíndo 35 do regimento «Azov». 


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270 defensores da Ucrânia regressaram à Ucrânia Livre e 270 militares do exército russo foram enviados para o quartel da unidade militar Nº 61899 na cidade militar de Mosrentgen (ex-Vidnoye-4, também conhecida como a cidade militar de Tyoply Stan) para interrogatórios e triagens adicionais.

Para casa regressam os membros da Guarda Nacional (NGU), incluindo militares do «Azov», da Guarda-fronteira, da Defesa Territorial (TrO), da Marinha de Guerra, da infantaria, as tropas aerotransportadas, do Serviço Estatal de Transporte Especial, bem como nove civis. A maioria deles estava em cativeiro desde 2022.

A maioria dos libertados são militares que defenderam Ucrânia em Mariupol. Os defensores das regiões de Donetsk, Luhansk, Kharkiv, Zaporízhia, Kherson, Kyiv, Mykolaiv e Chernihiv também foram libertados. Muitos deles foram condenados ilegalmente na rússia. Entre os que regressam estão cinco pessoas que sobreviveram ao ataque terrorista russo em Olenivka, em julho de 2022, escreveu Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Nos últimos três anos, a propaganda russa tem tentando a convencer as famílias dos separatistas de Donbas de que o Ministério da Defesa russo não inclui os POW provenientes dos territórios temporariamente ocupados das ditas repúblicas populares de «l/dnr» nas listas de troca, porque Ucrânia, alegadamente, se recusava a trocá-los. A troca do dia 23 de outubro demonstrou, mais uma, vez que as autoridades russas desinformam. 

Um dos POW ucranianos agora libertados, Oleksandr Maksymchuk, o 2º sargento do «Azov»,
foi vítima de tortura, condenado na rússia aos 20 anos de prisão efetiva. 18.12.2024. Foto: Mediazona

Este é um lembrete importante para os familiares dos prisioneiros de guerra russos/de militantes separatistas. Pessoas que a rússia, sempre alegava que não conseguia trocar devido à alegada posição intransigente da Ucrânia foram trocadas imediatamente após o lado russo as ter acrescentado às suas listas de troca. 

Ucrânia declarou publicamente, por várias vezes, que não existem nenhuns obstáculos ao seu regresso. Além disso, os próprios POW russos, proveninentes das unidades separatistas formados nos territórios temporariamente ocupados (TOT) registaram inúmeros apelos às autoridades russas exigindo a sua inclusão na troca. A única coisa que faltava era a boa vontade do lado russo. A troca de hoje é mais uma confirmação deste facto. 

Por que razão Moscovo «se lembrou» agora dessas pessoas? 

Para a rússia, a situação nos territórios ocupados continua a deteriorar-se. Falta água, electricidade, combustível e comunicações, os preços estão a subir, a indústria está em queda e as minas de carvão de Donbas estão à fechar — tudo isto está gradualmente a amargurar a população local. 

A rússia não trouxe ao Donbas, nada, além de guerra e devastação da região — toda a gente vê e compreende isso. Aparentemente, para amenizar a situação, tentando usar a cobertura mediática, o Kremlin finalmente lembrou-se destes prisioneiros. 

Veja o vídeo completo da troca de POW de hoje:

Veja as fotos dos POW do lado russo, incluídos na troca de 23 de outubro:

Mais fotos exclusivas dos POW russos na Instagram

Pode verificar os nomes de todos os que regressaram hoje à rússia no site «Quero Voltar» – os seus nomes, datas de nascimento, números de identificação pessoal, unidades e tempo de cativeiro já foram adicionados à base de dados do projeto. 

Por sua vez, Ucrânia consegue a libertação de 35 combatentes do «Azov» que defenderam Mariupol em 2022. Muitos deles foram condenados, absolutamente ilegalmente, na rússia às longas penas de prisão, incluindo a prisão perpétua. Durante muito tempo a rússia negava a inclusão de soldados e oficiais de «Azov» na lista dos POW à serem trocados. 


General Denys Prokopenko «Redis»: «no cativeiro russo continuam 500 membros do Azov»

Mais, entre os POW ucranianos libertados hoje estão cinco militares do «Azov», que durante muito tempo foram considerados mortas, vítimas do ataque terrorista russo ao campo de Olenivka, que visava, especialmente, os membros da OZSP «Azov».

quinta-feira, outubro 22, 2026

A rússia continua a espalhar o seu «humanismo» por toda Ucrânia

Na noite de 22 de outubro, a rússia lançou uma nova vaga de ataques de drones e mísseis contra Ucrânia, provocando a morte de pelo menos dois e deixando 34 civis ucranianos feridos em todo o país, informa a Embaixada da Ucrânia em Angola.

Em Kyiv, um civil morreu e 22 ficaram feridos, incluindo quatro crianças. Foram danificados edifícios residenciais, infraestruturas energéticas e de transportes, estabelecimentos comerciais e um mosteiro.



Na região de Kharkiv, um ataque russo provocou a morte de uma pessoa e danificou habitações, um edifício de escritórios e uma unidade de saúde. Na região de Poltava, as forças russas atingiram uma estação de radiodifusão privada. No total, 12 regiões da Ucrânia foram alvo de ataques. As infraestruturas energéticas também estiveram entre os alvos da rússia.


Moscovo/ou continua a responder aos esforços diplomáticos com novos ataques contra a população civil ucraniana. Ucrânia precisa urgente de sistemas de defesa aérea mais robustos, de entregas mais rápidas de mísseis e de uma maior pressão sobre o agressor russo para pôr fim à sua guerra neocolonial e injusta.

...e a resposta ucraniana 

Os operadores das Forças de Operações Especiais SSO-SOU atingiram, com sucesso, com mísseis/drones à jato, o 75º Arsenal em Serpukhov, na região de Moscovo/ou.

Trata-se de uma empresa do complexo russo militar-industrial de defesa, especializada na reparação/restauração e armazenamento de equipamentos militares, em particular, os sistemas de defesa aérea. Segundo a «Rostec», a empresa reparava equipamentos para os sistemas Buk-M1, Buk-M2 e S-300V.

A instalação recebeu especial atenção da OSINT ucraniano. Numa publicação de 29 de março de 2024, o investigador Jompy escreveu que o 75º arsenal era a única base russa de armazenamento de sistemas antiaéreos que tinha descoberto.

Geolocalização do 75º Armazém em Serpukhov

Localização: 54.931187, 37.412960 

O jornalista investigativo e quase sempre muito bem informado, Oliver Caroll, do «The Economist» anunciou a suspensão do limite de velocidade do Starlink na Ucrânia:

O trabalho dos drones kamikaze middle-strike ucranianos no transporte logístico russo nos territórios temporariamente ocupados. A autoestrada está repleta de veículos russos em chamas.


quarta-feira, outubro 21, 2026

A morte da menina Angelina, uma das 2.570 civis ucranianas mortas em 2026

A menina ucraniana Angelina, de apenas um ano, morreu no seu carrinho de bebé em 19 de outubro de 2026, durante um ataque de drone russo no parque central da aldeia de Nova Vodolaga, na região de Kharkiv. A sua mãe, Inna, ficou gravemente ferida e faleceu mais tarde no hospital. No total, seis pessoas, incluindo duas crianças (a outra menina morta tinha 11 anos), foram mortas no ataque russo, e 15 ficaram feridas, informa a Polícia Nacional da Ucrânia.

A rússia continua a matar crianças ucranianas, enquanto Washington continua a debater sobre o tipo de concessões que Ucrânia deveria fazer para que a rússia aceite parar de matar os civis ucranianos. 

Donald Trump: «Francamente, a rússia está a comportar-se de forma bastante normal com a Ucrânia. Não estão a fazer nada de especial por lá».


Na Nova Vodolaga o drone russo atingiu o parque central onde as famílias com crianças passeavam. Morreram seis pessoas: Angelina, de um ano (morta no seu carrinho de bebé), a mãe, Inna (que morreu no hospital), uma menina de 11 anos e três outros adultos. Quinze pessoas ficaram feridas, 2 delas crianças.

Estes ataques têm ocorrido quase diariamente em outubro. A ONU classificou as duas primeiras semanas do mês como um dos períodos mais mortíferos para os civis ucranianos nessa guerra. Mais de 100 civis foram mortos numa única semana. Em Pryluky, nos dias 6 e 7 de outubro, um míssil russo destruiu um edifício de habitação, matando 22 pessoas, incluindo crianças. Em Kramatorsk, no dia 8 de outubro, um ataque a autocarros de passageiros matou aproximadamente 30 à 35 pessoas. Em Zaporizhzhia, no dia 10 de outubro, aproximadamente 20 pessoas foram mortas em edifícios de habitação.

Em setembro de 2026, a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia registou pelo menos 328 mortes de civis e 2.105 feridos — um aumento de 85% em relação a setembro de 2025. De janeiro a setembro, 2.570 civis foram mortos. A principal causa foram os mísseis, drones e bombas guiadas russos lançados sobre áreas residenciais, transportes e áreas densamente povoadas, longe da linha da frente. 

Só um completo canalha, sem qualquer consciência ou compaixão humana, poderia chamar tudo isto de «completamente normal» e «nada de especial».

Bónus

No dia 21 de outubro a rússia perdeu duas aeronaves militares. Um caça-bombardeiro Su-30SM caiu na região de Kaliningrado. Os dois pilotos conseguiram se ejatar, mas sofreram ferimentos médios e foram levados ao hospital.

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No mesmo dia foi registada a queda de um outro Su-30, os blogueiros militares russos já noticiaram que a sua tripulação, muito felizmente, não sobreviveu.

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domingo, outubro 18, 2026

⚡️📍 Ucrânia efetuou um ataque de grande envergadura ao São Petersburgo

Na noite de 18 de outubro, os drones ucranianos, atingiram, com muito sucesso, vários alvos em São Petersburgo e na região de Leninegrado: terminal petrolífero «Ruchyi», porto comercial, centro de dados da rede social «VK», armazém da «Ozon». Incêndios e explosões estão por todo o lado. 


Imagens do ataque e do incêndio no porto comercial:


O depósito de petróleo «Ruchyi» continua em chamas:



Geolocalização do depóstio de petróleo de «Ruchyi»

Localização: 59.994292,30.449055

O gasóleo à arder na baía de São Petersburgo:

O armazém da «Ozon» em São Petersburgo será obviamente completamente destruído pelo fogo. Os russos podiam simplesmente ter concordado com um cessar-fogo, e nada disto teria acontecido. Mas putin recusou cessar os ataques contra os alvos civis na Ucrânia. Então foi o putin que incendiou este armazém, assim como tudo o resto que explodiu e ardeu na cidade.


Geolocalização do centro logístico da «Ozon»

O armazém logístico da «Ozon», possui uma área de aproximadamente 51.500 m², está situado nos arredores de São Petersburgo. O armazém é um elemento importante da infraestrutura logística da «Ozon», garantindo o armazenamento, a triagem e o processamento seguros das mercadorias, bem como a sua posterior distribuição aos pontos de venda dos clientes.

Localização: 59.814357833407605, 30.478667894695434

Os helicópteros estão a tentar extinguir o incêndio da central logística de «Ozon»:

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Fonte Osint: worldmilitares; 

🎥☝️ POW’s africanos capturados na Ucrânia pedem ajuda à União Africana

Os mercenários prisioneiros de guerra africanos apelam aos participantes da 3ª Cimeira rússia-África, que irá decorrer ente 28 à 29 de outubro em Moscovo, para que os ajudem a regressar a casa. Um destes homens pode ser descendente direto dos famosos e históricos prazeiros da Zambézia.

Desde o início da invasão russa em grande escala da Ucrânia, as FAU já capturaram mercenários oriundos de 59 países, 18 dos quais africanos. Apenas 30% destes POW africanos manifestam o seu desejo de regressar à África, outros 70% dizem, que querem ser trocados, regressando à rússia. Desde o primeiro dia da guerra, que começou em 24.02.2022, a rússia não trocou e nem sequer pediu para trocar NENHUM prisioneiro de guerra africano.


Caso Nunes Rosario Andrade 

O nome do mercenário proveniente do Zimbábue, Nunes Rosario Andrade é totalmente português, o que indica que ele é um filho/neto de africanos, profundamente luso-aculturados. É de recordar, que historicamente, a família Rosário Andrade era uma influente dinastia mercantil luso-africana (dos chamados prazeiros), estabelecida na região do Alto Zambeze, no atual Moçambique. As suas atividades no século XIX obrigaram o governo português a declarar oficialmente as suas reivindicações territoriais (assim chamada política de «ocupação efetiva») sobre estas regiões.

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Por agora, Ucrânia recorda aos cidadãos de países estrangeiros: participar na guerra ao lado do exército russo acarreta um elevado risco de morte ou de ferimentos graves. Se está a ser recrutado para combater na Ucrânia ou se já juntou ao exército russo, contacte o projeto «Quero Viver». O projeto ajudrá-lhe a salvar a sua própria vida e a render-se em segurança às FAU. 

Renda-se e salve a sua vida: t.me/kak_sdatsya_bot

Salve a sua vida e entrega-se às FAU: t.me/spasisebyabot

Ligue para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos)

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