sexta-feira, junho 26, 2026

Começam as corridas de carruagens funerárias do Kremlin

Um importante camarada e burocrata da era putin, o ex-ministro da Defesa russo, Serguei Ivanov, que foi considerado como possível sucessor de putin em 2007, faleceu. Tal como putin, o «dinosáurio do Kremlin» tinha 73 anos. 

O fim da Era da Estagnação soviética, a derradeira final da era zastoy (1980-85), é muitas vezes chamada, ironicamente, de “era/plano quinquenal de funerais magníficos”, “corridas de carruagens funerárias”, “plano quinquenal de três caixões”, etc. Mais de quarenta anos depois, neste momento histórico, um grande número dos aliados e camaradas do putin, assim como próprio presidente russo, já ultrapassaram o marco de 70 anos. Para colmatar a situação, a rússia está investindo em programas estatais semi-secretos de grande escala para combater o envelhecimento e prolongar a vida, com um financiamento estimado em 26 mil milhões de dólares. O projecto está a ser implementado no âmbito do projecto russo «Novas Tecnologias de Preservaçãoda Saúde» e é supervisionado pessoalmente pela cúpula do governo russo, incluindo o círculo íntimo do presidente putin.

Já Sergei Ivanov era um dos mais influentes funcionários ​​russos das últimas décadas. Ao longo dos anos, desempenhou as funções de Vice-Primeiro-Ministro e Primeiro Vice-Primeiro-Ministro, Ministro da Defesa, Secretário do Conselho de Segurança e Chefe de Gabinete da Administração Presidencial.

Ivanov na década de 1970 no seu uniforme do KGB

Ivanov, um outro ex-quadro do KGB, só não ocupou a presidência russa em 2007, devido ao medo do putin, que no fim da sua cadência poderia simplesmente não aceitar a devolução do poder. Por isso putin escolheu pessoalmente como o seu sucessor o jurista obscuro Dmitri Medvedev, o eterno «bêbado baixote», exatamente por este ser uma pessoa totalmente inofensiva e sem nenhuma probabilidade de «usurpar» o poder do novo czar russo.

Perdendo gradualmente a sua influência à partir do início da década de 2010, de 2016 a fevereiro de 2026, Ivanov foi claramente despromovido ao cargo do representante especial do presidente russo para a Proteção Ambiental, Ecologia e Transportes. Uma espécie de degredo, equivalente à prática soviética de designar os perdedores das lutas pelo poder como embaixadores da URSS em Mongólia. Mesmo assim, até recentemente, ele conservou o seu lugar de membro do conselho de segurança da federação russa.

Bónus

No dia 26 de junho um novo grupo de 160 militares ucranioanos voltou para casa, libertados do cativeiro russo. Quase todos estavam presos nas masmorras russas desde 2022.


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Entre os defensores libertados hoje estão militares das Forças Armadas da Ucrânia, do Serviço Estatal de Transportes Especiais, da Guarda Nacional e da Guarda-Fronteira. Defenderam a Ucrânia em Mariupol e Azovstal, nas regiões de Donetsk, Luhansk, Kharkiv, Zaporízhi, Kyiv, Chernihiv e Sumy, escreveu o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy

Bónus II 

Estado-Maior da FAU: no decorrer da análise dos dados, foram confirmados os resultados do ataque de 22 junho de 2026 pelas Forças de Defesa da Ucrânia ao Centro de Comunicações Espaciais (CCE) «Vladimir» nos arredores de Gus-Khrustalny, na região de Vladimir, na federação russa. 

  • Assim, foi danificada, de forma crítica, a antena principal do complexo (antena parabólica de 25 metros) e a antena do Complexo Principal de Hardware e Software. 
  • Danificado, de forma considerável, a parte central do complexo principal de hardware e software, onde estão situadas as salas de modems e multiplexadores de satélite, bem como a unidade central de comutação, onde convergem as linhas de fibra ótica de ligação com outros centros espaciais. 
  • Também, foi denificado, de forma crítica, o Edifício de Hardware e Técnico nº 1, onde estão instalados os complexos de recepção e transmissão de dados, a comutação central de cabos de antena do Centro e os equipamentos para arrefecimento das transmissões e a parte eletrónica da antena principal do complexo. 

Fontes: kazansky2017; Exilenova_plus

❗️☝️ Mercenários africanos que morreram na guerra russa na Ucrânia

Nos últimos quatro anos pelo menos 485 cidadãos africanos morreram ao serviço do exército russo na sua guerra neocolonial contra Ucrânia. Mas é apenas a ponte do iceberg, o número real de africanos mortos e desaparecidos é significativamente mais elevado. 

É importante esclarecer que este é o número mínimo de baixas com base nos dados pessoais que inteligência ucraniana possuí de mercenários estrangeiros no exército russo. O número real de mortos e desaparecidos é significativamente mais elevado. No total, Ucrânia conhece os dados pessoais de 2.984 africanos de 40 países africanos que assinaram contratos com exército russo, dos quais quase um em Ecada seis já morreu.

O maior número de baixas conhecidas é entre cidadãos dos Camarões, Gana, Egipto e Quénia, o que também se coaduna com a escala de recrutamento nestes países nos anos anteriores.

  • África do Sul — 10;
  • Argelia — 14;
  • Benim — 2;
  • Botswana — 2;
  • Burundi — 7;
  • Camarões — 104;
  • Chade — 1.
  • Congo (República) — 3;
  • Costa do Marfim — 5;
  • Egipto — 81;
  • Etiópia — 3;
  • Gabão — 1;
  • Gambia — 22;
  • Gana — 85;
  • Guiné (República) — 3;
  • Mali — 15;
  • Marrocos — 4;
  • Nigéria — 24;
  • Rep. CA — 2;
  • Senegal — 8;
  • Serra Leoa — 5;
  • Sudão — 7;
  • Tanzânia — 2;
  • Togo — 3;
  • Tunísia — 2;
  • Quénia — 59;
  • Uganda — 3;
  • Zimbabwe — 6;

Os africanos do exército russo são os soldados de patente mais baixa, tratados, pelos seus camaradas e superiores, com despreso absoluto. Por não falarem russo, o que limita significativamente a sua eficácia no campo de batalha, os africanos são frequentemente utilizados em ataques frontais, onde as suas hipóteses de sobrevivência são mínimas. As suas mortes não criam problemas ao Estado russo, nem causam nenhum impacto público. São geralmente tidos como desaparecidos em combate, sem qualquer tentativa para recuperar os seus corpos e os levar fora do campo de batalha. Aqueles, cujos corpos são evacuados são cremados ou enterrados algures na rússia — a procura de familiares e o repatriamento dos corpos aos países de origem não são uma preocupação para as autoridades russas. 

Como resultado, os residentes de países africanos cujos entes queridos desapareceram na rússia contactam regularmente o projecto «Quero Encontrar». Além disso, em vários países africanos, os familiares dos desaparecidos e falecidos realizam protestos e manifestações regularmente, exigindo que as autoridades auxiliem no regresso dos seusentes queridos.

De acordo com os dados ucranianos, devido à indignação pública e à pressão diplomática sobre a rússia, o Ministério da Defesa russo cessou ou reduziu significativamente o recrutamento em 14 países africanos.

É importante que os familiares dos falecidos exijam que as autoridades russas não só vão buscar os desaparecidos e repatriem os seus corpos para o sepultamento na sua terra natal, como também paguem a indemnização devida. O Ministério da Defesa russo engana constantemente os cidadãos estrangeiros e não paga indemnizações às famílias dos falecidos, principalmente aos africanos e asiáticos.

Mesmo que um africano seja jogador de futebol e receba uma proposta «milionária» de um clube russo, a pessoa acabará num ataque frontal suicída das posições ucranianas. Por isso a melhor e a única forma segura de evitar tais consequências é não ir para a rússia e não se tornar um mercenário ao serviço do neocolonialismo russo. 
Africano desconhecido alguns instantes antes de ser atingido por um drone FPV ucraniano...

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quinta-feira, junho 25, 2026

Ucrânia liberta e as FAU hasteiam a bandeira ucraniana em Kinburn

De acordo com o comunicado oficial do Exército da Ucrânia, as unidades das FAU-Sul expulsaram os ocupantes russos do Pontal de Kinburn, na região de Mykolaiv, tomando as suas linhas defensivas previamente estabelecidas.

As informações e imagens relevantes do local foram divulgadas pelo Grupo Operacional-Tático «Odesa» das FAU.

«Como resultado dos intensos danos causados ​​pelo fogo, as Forças de Defesa do Sul forçaram os ocupantes russos a recuar das suas posições ocupadas, o pessoal sobrevivente está a ser evacuado e os ocupantes estão a abandonar as suas linhas de defesa», refere o resumo do Grupo Operacional-Tático «Odesa».

Bónus

Provavelmente as melhores imagens do voo do drone An-196 «Lyutiy» sobre Moscovo.



Imagens do arquivo, junho de 2026.

Bónus II

A base petrolífera «Poltavskaya» foi atingida e está a arder na região russa de Krasnodar. Não haverá gasolina. A piada sobre a rússia como «gasolineira louca» se torna uma piada dentro da outra piada. De momento apenas a loucura fica, enquanto a gasolina se vá)

O nome ucraniano da base é derivado do facto, de a região russa de Krasnodar contar com a importante Diáspora ucraniana, fruto da emigração do século 18, infelizmente, hoje pouca gente possui quaisquer ligação afetiva com Ucrânia, mas o marco civilizacional ficou em nomes geográficos, apelidos/sobrenomes e até a fala ucraniana, chamada pelos locais de «balachka», que ainda sobrevive nas zonas rurais da região. 


Fontes: kazansky2017; ButusovPlus

200 mil soldados russos estão desaparecidos na Ucrânia desde 2024

Desde o seu lançamento, em janeiro de 2024, o projeto ucraniano «Quero Encontrar», recebeu 200.084 pedidos de informação sobre militares desaparecidos do exército russo. Ao mesmo tempo, o número real dos que foram para a guerra como parte do exército russo e desapareceram é muito superior: nem todos os familiares conhecem o projecto e registam os pedidos de busca. 

Durante este período, foi possível localizar 3.939 militares russos entre os prisioneiros de guerra. Até 1 de junho de 2026, 2.519 delas foram repatriadas para a rússia em operações de troca de POW. Em média, durante as últimas trocas de prisioneiros de guerra, mais de metade dos retornados foram encontrados pelos seus familiares através do projecto «Quero Encontrar». A confirmação através do projeto permitiu que milhares de famílias russas obtivessem o estatuto de prisioneiro de guerra e a inclusão dos seus familiares nas listas de repatriamento.

O maior número de buscas por pessoas desaparecidas foi registado no distrito de Pokrovsky, na região de Donetsk — 28.514 pedidos. Em segundo lugar, está o distrito de Bakhmut, também na região de Donetsk, com 12.553 pedidos. 

Entre as unidades mais «mortíferas» do exército russo, onde se perdeu o maior número de militares, lidera a 15ª Brigada da infantaria motorizada, a unidade militar Nrº 90600, da região de Samara, com 3.883 pedidos. O projeto «Quero devolver» contém dados sobre os 6.533 militares mortos e 1.020 feridos da brigada. Assim, as perdas totais na unidade já ultrapassaram os 10.000 militares. São apenas os dados conhecidos.

Em números absolutos, o maior número de pessoas desaparecidas procuradas pelo projeto «Quero Encontrar» é da República do Bascortostão — 6.163 pedidos. Os moscovitas procuram um número semelhante — 6.101 pedidos. No entanto, se recalcularmos o número de pessoas desaparecidas por 100.000 habitantes em cada região, o cenário altera-se completamente. 

Os residentes do Bascortostão procuram 153 pessoas por cada 100.000 habitantes, enquanto os moscovitas procuram apenas 46. 

Esta distribuição desigual é também confirmada por dados de outras regiões remotas da rússia. As 5 regiões da federação russa com o maior número de desaparecidos por 100.000 habitantes:

  • Região de Transbaikal — 291
  • Região Autónoma Judaica — 226
  • República de Tuva — 198
  • Região de Amur — 180
  • Região de Irkutsk — 179 

Menor número de desaparecidos por 100.000 habitantes:

  • Região de Leninegrado — 58
  • Região de Moscovo — 52
  • Cidade de São Petersburgo — 47
  • Cidade de Moscovo — 46
  • Chechénia — 22 

Existem várias razões pelas quais mais pessoas desaparecem e morrem, vindas das regiões remotas dos confins da rússia. Por um lado, a principal motivação para assinar contratos e entrar na guerra neocolonial contra Ucrânia é o dinheiro. As regiões periféricas russas, durante décadas entregam toda a sua riqueza ao Moscovo, e é difícil ganhar a vida no interior da rússia. Além disso, as forças russas de segurança de Moscovo ou São Petersburgo, ao menos, fingem cumprir a lei e raramente usam a violência para obrigar as pessoas a assinar contratos com o Ministério da Defesa. 

Para solicitar informações sobre a busca de um militar russo desaparecido na Ucrânia, utilize o bot do Telegram do projeto «Quero Encontrar».

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Bloqueiro: a questão principal que pode surgir, é simples, à onde estão todos estes desaparecidos? Como vemos, alguns foram encontrados no cativeiro ucraniano e já foram trocados. Outros possivelmente poderiam ser achados nos hospitais russos e nas prisões ilegais russos, vulgo «burracos», onde acabam todos aqueles militares russos que tenham quaisquer tipo de conflito com os seus superiores. Mas a absoluta maioria dos restantres, simplesmente estão mortos, seus corpos estão espalhados pelas estepes e florestas do leste da Ucrânia, onde muitas vezes servem de alimento aos animais selvagens (lobos, raposas, cães e até gatos), e onde simplesmente se transformam no adubo natural às famosas terras negras da Ucrânia...

Destruição da logística russa na região de Kherson e na Crimeia ocupada

Os drones ucranianos continuam à atacar a logística militar e paramilitar russa nos terrotórios temporariamente ocupados de Donbas e na Crimeia ocupada. Na rússia, surgem as primeiras lutas, corpo-a-corpo, pelo posse de combustível. 

A destruição de logística russa (camiões e infantaria) por drones do Regimento Especial de Assalto — 475º OShP «CODE 9.2» A unidade usa principalmente os drones de ataque de médio alcance «DARTS».

Diversos alvos russos em apenas uma semana de junho, alguns de bastante valor, como os sistemas de foguetes/mísseis não guiados BM-27 «Uragan» e «Buk», foram atingidos. 

No total, em apenas uma semana de junho as perdas russas, somente da ação da unidade «CODE 9.2» foram: equipamentos militares russos pesados destruídos ou danificados: 124 unidades; pessoal — 42 militares (liquidados); sistema BM-27 — 1 unidade; sistema de mísseis antiaéreos «Buk» — 1 unidade; radares — 3 unidades. 

Uma viatura russa em chamas, algures na região de Kherson, que transportava os drones FPV e os seus acessórios: 

Na rússia, já surgem as lutas corpo-a-corpo, pela posse de combustível. Outros russos, alinhados em filas para abastecer, empurram os seus carros até aos postos de abastecimento para não desperdiçar combustível enquanto esperam. 


Fontes: kazansky2017; Exilenova_plus; 

quarta-feira, junho 24, 2026

Ucrânia atinge alvos de logística russa no interior da Crimeia ocupada

Unidades ucranianas do grupo Middle Strike das SSO, com apoio da resistência ucraniana na Crimeia, destruíram a ponte ferroviária sobre o Canal da Crimeia do Norte, perto de Rozdolne, na Crimeia ocupada. 

Na noite de 22 de junho, drones das SSO destruíram os carris e um dos vãos da ponte. Após a chegada do combóio/trem de reparação russo, na noite de 23 de junho, as SSO voltaram a atacar a ponte e ainda atingiram o próprio comboio/trem de reparação. 

O comandante do USBS, Robert «Magyar» Broudi, publicou as imagens de ataques nocturnos na Crimeia e nas regiões temporariamente ocupadas de Donbas (alvos entre 1 à 23 de junho de 2026).

Nestes ataques os drones ucranianos atingiram vários drones de ataque russos «Orion» (custo por unidade 5 milhões de USD), sistemas Pantsir-S1 e S-300, radares, depósitos de combustível e diversos equipamentos logísticos russos. 

Imagens de ataque recentente à cidade de Kerch, na Crimeia ocupada, onde os drones ucranianos atingiram o porto comercial e a base petrolífera local, situada a poucos dezenas de metros da ponte da Crimeia.

As imagens de satélite mostram as consequências do incêndio no depósito de petróleo/da base petrolífera em Kerch e dos danos nos ferries que foram levados para o estaleiro de reparação naval de Kerch.

Os ferries danificados, levados para o estaleiro naval de Kerch

Base petrolífera de Kerch após o impacto de drones ucranianos


Estaline poderia ter iniciado a Terceira Guerra Mundial em 1954

A edição estónia da obra
No seu novo livro «Um Fim Premeditado do Mundo: Como Estaline Preparou a Terceira Guerra Mundial», o historiador Alexander Gogun, radicado em Berlim, revela que o ditador soviético planeou desencadear uma nova guerra na primeira metade da década de 1950, desafiando os Estados Unidos. 

Baseado numa vasta gama de documentos recentemente desclassificados dos arquivos da rússia e de outros países, bem como em fontes publicadas numa dezena de línguas, a obra mostra como as autoridades soviéticas, fria e persistentemente, avançaram durante décadas para um ataque aos Estados Unidos com o objetivo de escravizar a humanidade, ou seja, de completar a revolução comunista global. São referidos casos até então desconhecidos do uso operacional de armas químicas e biológicas de destruição maciça. Por fim, são publicadas informações sobre as proezas de Estaline nos últimos anos da sua vida, quando sincronizou meticulosamente os seus esforços abrangentes para conquistar o planeta. O autor demonstra de forma convincente e persuasiva como a teoria da revolução mundial de Lenine e Trotsky foi meramente modernizada e reinterpretada por Estaline após o advento das armas nucleares, mas de forma alguma esquecida ou descartada. Este estudo histórico é particularmente relevante hoje, dado que a liderança da federação russa retomou as operações militares contra o Ocidente, interrompidas na década de 1990, e, tendo descartado o conceito de coexistência pacífica do governo pós-soviético, regressou a uma sangrenta batalha com o mundo democrático. 

O livro é poderoso na sua análise. Enquanto muitos outros autores que estudam as relações internacionais durante as fases iniciais da Guerra Fria ou o final do estalinismo enumeram frequentemente factos ou simplesmente descrevem acontecimentos ou fenómenos, esta obra explica-os claramente. Por outras palavras, o texto baseia-se numa estrutura de causa e efeito. 

A questão do antiamericanismo russo/soviético/russo 

A opinião pública no império russo, fraca sob o absolutismo ou mais forte no início do século XX, nunca sofreu de americanofobia. Mas os bolcheviques abandonaram completamente esta abordagem. Para eles, os Estados Unidos representavam o centro do capitalismo, o inimigo número um. Estaline enfatizou isto nos seus discursos até cerca de 1927. Depois abandonou esta ideia, ao começar a utilizar os americanos na industrialização e nas suas manobras políticas. No entanto, em correspondências internas do partido, escreveu ao Molotov e ao Kaganovich que os Estados Unidos eram o principal inimigo soviético. 

Depois de 1945, até deixou de o esconder. Os Estados Unidos continuaram a ser o principal inimigo para as autoridades da União Soviética e, mais tarde, para a rússia de putin. Este perdurou essencialmente, com poucas interrupções, durante cerca de 80 anos. 

Estaline utilizou o «método de controlo reflexivo» em relação aos Estados Unidos. O que significa?

Para dispersar as forças americanas pelo mundo, Estaline utilizou duas vagas de manipulação. De 1945 a 1949, orquestrou todo o tipo de provocações no oeste da Ásia, no Médio Oriente e na Europa, atraindo assim forças e recursos americanos, financeiros e materiais, para a região, desviando-os de Mao Tsé-Tung, que lutava pelo poder na China. E quando Mao chegou ao poder graças à ajuda soviética — directa (fornecimento de armas, apoio financeiro) e, principalmente, indirecta — Estaline, com a ajuda de Mao, iniciou uma segunda vaga de manipulação. Desviou forças e recursos americanos da Europa, do oeste da Ásia e do norte de África para a região da Ásia-Pacífico. A Guerra do Vietname começou contra os franceses, que eram apoiados pelos americanos.

Forças nacionalistas e comunistas na guerra civil chinesa


O auge das maquinações de Estaline foi a Guerra da Coreia, quando colocou a China e os Estados Unidos um contra o outro. Truman nunca conseguiu compreender totalmente este complexo jogo. A política de contenção, a famosa «Doutrina Truman», representou uma dispersão, um espalhamento de recursos e uma pressão não sobre a URSS, mas antes atingindo as pontas dos tentáculos do polvo vermelho. Esta política foi vantajosa para Estaline, que estava a reforçar sistematicamente as suas tropas e a preparar-se para uma campanha até Gibraltar e ao Canal da Mancha, seguida da conquista dos Estados Unidos. 

As ideias de Estaline para o desenvolvimento do Extremo Norte soviético/russo. O que tem o Ártico a ver com as ideias de dominação mundial e com a Terceira Guerra Mundial? 

Foi uma das combinações calculadas, porque o próprio Estaline passou um tempo considerável no Extremo Norte, exilado na região de Turukhansk. E como viveu durante a era da revolução científica e tecnológica, provavelmente já considerava a possibilidade de chegar aos Estados Unidos através do Pólo Norte. Nas décadas de 1920, 1930 e posteriormente, contava não só com o que tinha, mas também com o que poderia ser criado em 5 a 10 anos, tendo em conta o desenvolvimento da tecnologia. 

A Bacia Árctica, com as suas vastas extensões desabitadas, oferecia uma boa rota para penetrar no continente norte-americano. Para este efeito, Estaline desenvolveu a Rota Marítima do Norte, desde a URSS europeia até às costas dos Estados Unidos e do Canadá. O Canal do Mar Branco, curiosamente, foi também construído para chegar à América, pois proporcionava à frota um fácil acesso aos oceanos do mundo através do Mar Branco. Os navios construídos nos estaleiros de Gorky (atual Nizhny Novgorod) ou Leninegrado podiam então navegar até às costas dos Estados Unidos, quer através do Atlântico, quer, inversamente, através do Oceano Ártico. 

Mas o auge do avanço no Ártico ocorreu com as expedições aéreas a altas latitudes do final da década de 1940 e início da década de 1950, quando um grande número de aeronaves de combate, transporte e reconhecimento aterraram em gelo flutuante perto do Pólo Norte e realizaram manobras acrobáticas nos céus do Ártico. Essencialmente, preparavam-se para atacar os Estados Unidos pelo norte, se necessário. Os americanos também se aperceberam da ameaça, embora a tenham subestimado um pouco. 

Existem documentos ou provas de que Estaline planeou o início da Terceira Guerra Mundial num ano específico? 

É o discurso de Estaline [publicado primeiro em romeno] aos seus aliados, comunistas romenos, em janeiro de 1951. É uma reunião apocalíptica no Kremlin, onde ele diz: devem criar uma boa força armada dentro de três anos.

Recepção dos camaradas romenos no Kremlin, Moscovo, 1947

Isto leva-nos a 1954. Muitos documentos do último período do regime de Estaline são classificados até hoje, e isto também demonstra eloquentemente que o dia X estava mesmo ali. O decreto do Ministério da Segurança do Estado [NKVD-MGB] de finais de 1952 foi publicado parcialmente pela primeira vez por historiador Nikita Petrov. Contém uma frase sobre a necessidade de os chekistas passarem a atuar em chamada «inteligência ativa». Isto implicava terrorismo, tentativas de assassinato contra inimigos de classe, assassinatos, incêndios e atentados bombistas. Claramente, os líderes da NATO não ficariam de braços cruzados enquanto tentativas de assassinato contra eles — ou seja, contra «inimigos de classe» — começassem no seu próprio território, visando políticos e empresários influentes. Isso significava que Estaline já estava a soltar os travões. 

Para iniciar uma nova guerra mundial seriam necessários recursos colossais — tanto financeiros como humanos. A União Soviética possuía-os? 

A URSS adquiriu um recurso incrível: os recursos humanos. A sua carne para canhão era a República Popular da China, o país mais populoso do mundo. Além disso, Estaline adquiriu recursos adicionais sob a forma dos países da Europa Central, muitas vezes subestimados. Paradoxalmente, contrariando muitas avaliações e previsões dos americanos em 1945, da CIA, do Comité Conjunto de Informações e dos analistas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a União Soviética foi capaz de renascer como uma fénix das cinzas em 1950. E em 1950, durante o plano quinquenal do pós-guerra, Estaline escreveu ao Mao: «Se a guerra é inevitável, que seja agora».

Agricultura soviética pós-II G.M.: uso extensivo de mão-de-obra semi-escrava

Por outras palavras, já estava preparado para iniciar a guerra em 1950, mas graças à sua manobra em várias frentes na Coreia, obteve melhores oportunidades para a lançar um pouco mais tarde e, felizmente, morreu. 

Obteve esses recursos, antes de mais, através da pilhagem da Europa Central. Para além da pilhagem directa e das reparações, Estaline também roubou países através do comércio desproporcional, roubando propriedade intelectual, todo o tipo de conhecimentos técnicos e patentes. E através do comércio desigual e das empresas mistas, drenou-os economicamente de recursos significativos. Portanto, o que se fala em «libertação» [da Europa] era, na verdade, a libertação de «excedentes» materiais. 

É óbvio que as armas nucleares seriam utilizadas nesta guerra. Estaline não foi dissuadido pelo medo da destruição de vastos territórios e de milhões de pessoas? 

Estaline era um misantropo. Muitas pessoas exploram as suas posições profissionais para garantir um tratamento preferencial e vantagens para os seus filhos. Em particular, o actual governo russo concede sinecuras aos seus filhos para que se possam divertir e viver confortavelmente. Estaline, por outro lado, utilizava os seus filhos para os seus próprios fins políticos, arruinando as suas vidas. Claramente, ele teria facilmente sacrificado a humanidade, ou uma grande parte dela. Para ele, a vida de dezenas de milhões de pessoas não significava nada.

Fonte

A decepção geral do povo [soviético] com os resultados da Segunda Guerra Mundial foi expressa de forma breve e precisa pelo três vezes Herói da União Soviética, o Marechal do Ar Alexander Pokryshkin, na revista «Soldado Soviético» (1985, nº 9, p. 32): “Todos concordavam: a guerra na Europa terminou, mas a fronteira capitalista permaneceu [intacta]”. 

Será que o camarada Estaline poderia ter aceitado isso? Ele não poderia e não aceitou. 

Os resultados da Segunda Guerra Mundial não o satisfizeram. Portanto, imediatamente após o fim da guerra, Estaline começou os preparativos para a Terceira Guerra Mundial. 

Este capítulo da história foi pouco estudado até agora. Ele nos foi apresentado pelo notável historiador militar moderno Alexander Gogun em seu livro «Um Fim Premeditado do Mundo: Como Estaline Preparou a Terceira Guerra Mundial». Recomendo fortemente a leitura.

Viktor Suvorov (Vladimir Rezun), veterano do GRU , no semanário ucraniano Dzerkalo Tyzhnya, 30/08/2025.

Ver: edição estónia; edição russa

terça-feira, junho 23, 2026

Uma das maiores batalhas de blindados da II G.M.: a batalha de Brody

A 23 de junho de 1941, teve início uma das maiores batalhas de tanques da história da II G.M., conhecida como batalha de Brody, ocorrida na Ucrânia entre as cidades de Lutsk, Dubno, Brody e Rivne. Aconteceu apenas um dia após a Alemanha nazi ter atacado e invadido a URSS.

Blindado ligeiro soviético BT-5 danificado. Foto: Bundesarchiv

O 1º Grupo Panzer do Coronel-General Ewald von Kleist rompeu as defesas soviéticas na zona da fronteira. O comando da Frente Sudoeste do RKKA ordenou que o corpo mecanizado contra-atacasse o grupo alemão. Aproximadamente 3.000 tanques e canhões de assalto soviéticos e mais de 700 alemães participaram nos combates. O Exército Vermelho utilizou tanques ligeiros T-26, BT-5 e BT-7, tanques de múltiplas torres T-28 e T-35, o novo tanque médio T-34 e os tanques pesados ​​KV-1 e KV-2. As divisões alemãs possuíam tanques Panzer I, Panzer II, Panzer III, Panzer IV, veículos Panzer 35(t) e Panzer 38(t) de fabrico checoslovaco, tanques de comando e canhões de assalto autopropulsados (howitzer) ​​StuG III.

O blindado médio soviético T-34 à arder. Foto: Bundesarchiv

Os combates continuaram até 30 de junho de 1941, numa vasta área entre Lutsk, Dubno e Brody. Os 8º, 9º, 15º, 19º e 22º corpos mecanizados soviéticos entraram na batalha em grupos separados, após longas marchas durante as quais os seus equipamentos consumiam o combustível, partiam-se e ficavam para trás. Partes do 8º corpo mecanizado soviético romperam as linhas alemãs e chegaram ao Dubno a 27 de junho, onde foram atacadas por tanques, artilharia e aviões alemães. Falhas de comunicação, escassez de combustível, munições, equipamento de reparação e transporte dificultaram a coordenação dos ataques soviéticos. No final da batalha, o corpo mecanizado soviético tinha perdido cerca de 2.500 a 2.600 tanques, destruídos, danificados ou abandonados devido a falhas ou falta de combustível. As tropas alemãs mantiveram a sua ofensiva, tomaram Dubno e continuaram o seu avanço pelo interior da Ucrânia.

O blindado pesado soviético KV-2 danificado. Foto: Bundesarchiv

Em primeiros 3 à 4 meses da guerra nazi-soviética, os alemães capturaram cerca de 2.300 milhões de soldados e oficiais do RKKA...

Ministro queniano é acusado de recrutamento dos mercenários para exército russo

Moses Muyela and Josephine Ngoya hold photos of their son, who reportedly died in Ukraine
© Brian ONGORO / AFP

O Ministro do Trabalho e da Protecção Social da Quénia, Alfred Mutua, é acusado no seu país de estar envolvido no recrutamento e envio de mercenários quenianos para combater na guerra neolocolonial russa na Ucrânia. 

Os familiares dos quenianos mortos viraram-se contra o ministro – muitos dos homens foram parar à rússia graças a um programa estatal de emprego, o que levantou várias questões, incluindo por parte das autoridades policiais, segundo a AFP, citada pela France24. 

Mutua dirige este programa desde agosto de 2024. Ajudou aproximadamente 400 mil quenianos a emigrar. Até há pouco tempo, a rússia era um destino popular para a migração laboral. Por exemplo, o ministro chegou a publicar fotos nas suas redes sociais de pessoas que o Estado tinha enviado para trabalhar naquele país distante. Os activistas locais de direitos humanos estimam que a maioria destas pessoas morreu há muito tempo nos campos de batalha da Ucrânia. 

O envolvimento do Ministro Mutua no esquema criminoso para enviar compatriotas a uma morte certa é confirmado por dados do Serviço Nacional de Informações do Quénia (NIS). Fontes da AFP nas agências de segurança do país confirmam que o envolvimento do responsável foi para além de «simplesmente político». Alfred Mutua ainda não foi formalmente acusado, mas o caso gerou repercussões significativas. 

Recorde-se que as autoridades quenianas já tinham conseguido que a Rússia interrompesse o recrutamento dos seus cidadãos. Posteriormente, foi noticiado que o comando russo transferiu, com urgência, 518 cidadãos quenianos, anteriormente mantidos em campos de treino do exército russo, para a linha da frente, a fim de os «zerar», ou seja, sacrificar e encobrir a sua presença, camuflando as suas mortes como baixas habituais da guerra. De acordo com as estimativas dos serviços de informação quenianos, o número de cidadãos quenianos que se juntaram ao exército russo pode ultrapassar os 1.000. 

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segunda-feira, junho 22, 2026

⚡️ Ucrânia atinge cidade de Voronezh e Centro de Comunicações Espaciais

Os mísseis ucranianos atingiram a fábrica de semicondutores de Voronezh («VZPP-S»), que produz dispositivos semicondutores discretos, circuitos integrados e módulos de potência. Os drones das FAU atingiram o Centro de Comunicações Espaciais de Dubna, na região de Moscovo.


 

A fábrica «VZPP-S» é um dos principais desenvolvedores e fabricantes russos dos componentes eletrónicos, usados nos sistemas de mísseis e artilharia Pantsir-S1/2, nos mísseis Iskander-K e Kh-101.

O edifício da fábrica totalmente em chamas




A fábrica possivelmente foi atingida com uso de mísseis Storm Shadow ou então FP-5 Flamingo. 

A vista da fábrica-alvo à partir de satélite


A fábrica atingida estava nas listas de sanções de muitos países Ocidentais e aliados da Ucrânia.

Menos um «Pantsir-S2» russo na direção de Zaporízhia

Os ocupantes russos tentaram esconder o seu sistema de mísseis antiaéreos num abrigo subterrâneo, mas os drones ucranianos trabalharam com tanta intensidade que o equipamento foi completamente destruído pelo fogo. 

Além disso, na noite de 22 de junho de 2026, as FAU lançaram um ataque contra o Centro de Comunicações Espaciais de Dubna, na região de Moscovo. A informação foi divulgada pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas da Ucrânia.

Foto © Página oficial VK da Administração do Distrito da Cidade de Dubna

O relatório do exército ucraniano informa que as instalações foram atingidas e que foi observada uma grande quantidade de fumo no local. Quando aos danos, estes estão sendo avaliados. O sucesso do ataque ucraniano foi confirmado pela assessoria de imprensa da empresa-mãe do Centro, a Companhia de Comunicações Espaciais, que declarou que o centro foi atacado em massa por drones.