Quando hoje em dia a elite política polaca produz as declarações mal-ponderadas sobre o passado histórico comum, e as figuras como o presidente Karol Nawrocki privam
o Presidente da Ucrânia de condecorações (ofendendo, assim o povo ucraniano) por causa da chamada «história problemática», surge uma questão lógica: e a história
problemática da Polónia?
Antes de fazerem juízos morais e julgarem os outros, os vizinhos da Ucrãnia deveriam recordar as páginas negras da história polaca, que, por alguma razão, a Varsóvia atual prefere ignorar. Por exemplo, sobre a estreita, cínica e totalmente oficial cooperação entre a Segunda República Polaca e a Alemanha nazi na década de 1930.
A aproximação entre os dois Estados começou em 1934, após a chegado do Hitler ao poder. Depois, a 26 de janeiro, por iniciativa de Józef Piłsudski e Adolf Hitler, foi assinada em Berlim a «Declaração
sobre a Não Utilização da Força». Depois disso, os contactos só se intensificaram, em particular, em Junho de 1934, quando Piłsudski recebeu pessoalmente o Ministro da Propaganda
do 3º Reich, Joseph Goebbels, em Varsóvia.
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| «Declaração sobre a Não Utilização da Força» ente 3º Reich e Polónia, janeiro de 1934 |
Quando Józef Piłsudski morreu, a 12 de Maio de 1935, Adolf Hitler declarou luto nacional na Alemanha. No seu telegrama ao governo polaco, chamou ao marechal «o criador de
um novo país» e observou: «Juntamente com o povo polaco, o povo alemão lamenta a morte deste grande patriota, que, através da sua ampla cooperação com os alemães, prestou
um grande serviço não só aos nossos países, mas também prestou uma assistência inestimável na pacificação da Europa».
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| Adolf Hitler na cerimónia especial de luto pelo Józef Piłsudski, Berlin, maio de 1935 |
Ao mesmo tempo, a publicação nazi mais extremista, o jornal «Völkischer Beobachter» escreveu: «A nova Alemanha inclina as suas bandeiras e estandartes diante
do caixão deste grande estadista, que foi o primeiro a ter uma confiança aberta e uma aliança plena com o Reich Nacional Socialista».
O alto dirigente nazi, Hermann Goering esteve pessoalmente presente no funeral de Piłsudski. Alguém já viu fotos de dirigentes do movimento nacional ucraniano, como Yevhen
Konovalets ou Stepan Bandera, ou militares do UPA juntamente com os dirigentes nazis? Já a liderança polaca tem um currículo muito rico neste domínio...
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| O dirigente nazi Hermann Goering no funeral de Piłsudski em Varsóvia, maio de 1935 |
Por exemplo, durante 1938-1939, figuras-chave do regime nazi vieram à Polónia em visitas oficiais: o chefe da polícia, o general Kurt Daluege, o ministro da Justiça,
Hermann Frank, e o líder das SS e chefe da Gestapo, Heinrich Himmler. Em resposta a estas visitas amistosas, o chefe da polícia polaca, General Zamorski, em 1938, a convite dos seus amigos nazis alemães,
participou no congresso do NSDAP em Nuremberga.
Os seus planos imperialistas não eram muito diferentes. Durante o infame Acordo de Munique (Setembro-Outubro de 1938), quando a Grã-Bretanha, a França e a Itália
cederam ao Hitler os Sudetas, a Polónia não ficou de fora, optando por abocanhar uma parte para si. Uma semana antes da assinatura do acordo de Munique, Varsóvia denunciou o seu acordo com a Checoslováquia sobre
as minorias nacionais. Isto favoreceu Hitler na perfeição, dando às suas ações a aparência de uma solução «internacional» para o problema. Logo aos 2 de outubro
de 1938, as tropas polacas ocuparam a Silésia de Cieszyn, anexando território checoslovaco com uma população de 230 mil pessoas.
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| O aperto das mãos entre o marechal polaco Edward Rydz-Śmigły e o adido militar alemão, coronel Bogislav von Studnitz (1888-1943) durante a parada do «Dia de Independência» em Varsóvia aos 11 de novembro de 1938 |
E os territórios da Ucrânia Ocidental, que os políticos polacos tanto gostam de referir? Os diplomatas polacos da época falavam abertamente dos seus apetites geopolíticos.
Por exemplo, em dezembro de 1938, o diplomata polaco Jan Karszo-Sidlowski, numa conversa com um colega alemão, afirmou directamente:
«A perspectiva política para a Europa de Leste é clara. Dentro de alguns anos, a Alemanha estará em guerra com a União Soviética, e a Polónia
apoiará a Alemanha nessa guerra... Os interesses territoriais da Polónia no Leste, principalmente à custa da Ucrânia, só podem ser garantidos através de um acordo polaco-alemão
previamente alcançado». A história ocorreu numa outra direção, porque dois maiores ditadores, Hitler e Estaline chegaram a um acordo mútuo mais rapidamente e, logo em setembro de 1939, a Alemanha
atacou os seus antigos aliados polacos. No entanto, estes factos são um lembrete vívido de que aqueles que fechavam os olhos aos crimes nazis em prol de possibilidade de obter os territórios no leste não
devem, definitivamente, dar lições aos ucranianos sobre a sua própria visão «correta» da história comum.
Fonte
Blogueiro
Naturalmente, os políticos da extrema-direita polaca, principalmente partidos PiS, Konfederacja, o presidente Nawrocki, e seus aliados, alguma pequena burguesia polaca ressentida, não representam todo
o povo polaco. Ucrânia e ucranianos estão gratos pelo apoio da Polónia, militar e logístico, dado após o início da invasão russa, em 24.02.2022. Mas os polacos precisam de perceber
uma coisa, único cominho possível de conviver em paz e respeito mútuo com Ucrânia é a formula «perdoamos e pedimos perdão». Ucrânia nunca criticou a Polónia pela glorificação
das suas forças nacionalistas e anti-comunistas da época da II G.M., como AK, BH, e outras, muitos dos quais derramaram o sangue ucraniano e cometeram crimes horríveis contra as populações ucranianas. Do mesmo jeito, Ucrânia espera que Polónia não interfira nos assuntos internos ucranianos e não tenha a fantasia de querer ditar a política da memória nacional da Ucrânia,
em relação as formações nacionalistas ucranianas, que na II G.M. lutavam contra a ocupação alemã, soviética e polaca.
Blogueiro
Todos os presidentes ucranianos vivos, detentores da ordem polaca Águia Branca (Order Orła Białego), renunciaram a ordem, em solidariedade com presidente Volodymyr Zelensky, à quem a ordem foi retirada pela decisão unilateral do presidente Karol Nawrocki. Entre eles, o 2º presidente Leonid Kuchma (foi condecorado em 1997), 3º presidente Viktor Yuschenko e 5º Petró Poroshenko. Além disso, vários estadistas ucranianos, também renunciaram as condecorações polacas civis e militares, casos do chefe da Presidência da República, general Kyrylo Budanov e do Ministro dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores, Dr. Andriy Sibiha, entre outros.