segunda-feira, novembro 12, 2018

Ucrânia ocupada: a “guerra civil” pelo repolho e cebola

No domingo passado os territórios da Ucrânia ocupada viveram assim chamado “processo eleitoral”. A foto mostra uma cidadã ucraniana que “vota” à favor da guerra contra Ucrânia, usando o passaporte interno ucraniano, para, em troca, poder comprar repolho, cebola e alguma comida com desconto, “assegurado” pelos separatistas.
Pelo meio ficaram mais de 10.000 ucranianos mortos, mais de 25.000 feridos, mais de 1 milhão de refugiados internos, o parque industrial e a infra-estrutura de Donbas bastante destruídos, e que, diga-se de passagem, não serão reconstruídos tão já, mesmo, se existir a boa vontade ucraniana neste sentido.
São as mesmas pessoas que costumam reclamar, aos jornalistas internacionais, que a marvada da “Ucrânia não lhes paga pensões/reformas”...

domingo, novembro 11, 2018

A descomunização búlgara em 15 fotos

O monumento ao exército soviético, instalado em Sófia, capital da Bulgária, em 1954 para marcar a “libertação” do país pela União Soviética, deveria ser desmantelado ainda em 1993. O monumento acabou por ser extremamente resistente e os artistas e ativistas búlgaros criaram seu próprio caminho para combater a herança totalitária: eles pintam o monumento em cores diferentes! 
Slogan: "Caminhando com o tempo"
Nota: durante a dita “libertação” da Bulgária, exército soviético não perdeu um único homem...
A história mais famosa aconteceu em março de 2011, quando o monumento foi pintado em homenagem aos heróis dos quadrinhos americanos / a banda dsenhada americana (fotos acima: Gizmodo).

Em 2013, para recordar solenemente a ocupação da Checoslováquia em 1968 pelas tropas do Pacto de Varsóvia (o exército comunista búlgaro participou no esmagamento da Primavera de Praga), o monumento foi pintado cor-de-rosa. O slogan escrito no monumento em checo: “Bulharsko se omlouvá”, significa literalmente “Bulgária pede desculpas” (fotos: Orrazz).

Em 2014, no auge da Revolução da Dignidade (Maydan) na Ucrânia, uma das figuras adquiriu as cores da bandeira ucraniana (fotos: Orrazz).

Em memória do massacre comunista soviético de Katyn, as cores da bandeira polaca/polonesa apareceram no monumento, e após a anexação da Crimeia, foi pintada a bandeira ucraniana e a inscrição correspondente em ucraniano (fotos: Orrazz).

Em 2012, o monumento usou as máscaras de apoio à banda russa Pussy Riot (fotos: BgNews)

E em 2015, as participantes de Pussy Riot chegaram a Sofia e repetiram esta ação! (fotos: Facebook do Pavel Shumilov).

Às vezes o monumento é simplesmente pintado nas cores da bandeira búlgara (foto: e-vestnik).

E este não é o único monumento comunista na Bulgária, que está sujeito a um repensar criativo! Aqui, por exemplo, aparece a abandonada “edifício monumento” do partido comunista búlgaro no Monte Buzludzha (foto: Zoipman/Flickr)
Ler mais sobre o monumento comunista no Monte Buzludzha
Antes do início do processo de descomunização ucraniana, o mesmo tratamento artístico foi dado aos muitos monumentos soviéticos e comunistas nas diversas localidades da Ucrânia, recorda lifter.com.ua

sábado, novembro 10, 2018

Regimento “Azov” anuncia aceitação de pessoal nas suas fileiras

O regimento “Azov”, da Guarda Nacional da Ucrânia (NGU), abre o concurso de aceitação do pessoal (recrutas ou militares) nas suas fileiras.

Termos:
- Contrato de 3 anos.
- Provisão completa.
- As bases possuem: ginásios, piscinas, Wi-Fi.
- Capacidade de crescimento na carreira.
- Salários à partir de 12.000 UAH (430 dólares).
- Pacote social completo.

Requisitos:
- Idade: 18-45
- Caderneta militar ou documento semelhante.
- Conjunto padrão de documentos.
- Sem ter problemas de saúde.

Informação mais detalhada: + 380 68 566 47 74

@Ucrânia em África: todas e quaisquer questões devem ser tratadas diretamente com a unidade, qualquer responsabilidade de nossa página acaba em fornecer aos leitores os dados úteis. Se você escreveu ao Regimento, e “Azov” não lhe respondeu, significa que você não possui os requisitos mínimos para entrada na unidade. Tente Exército da Ucrânia (FAU):
Como os estrangeiros podem se alistar nas FA da Ucrânia

Teatro ucraniano nomeado ao prémio de arquitectura Mies van der Rohe Award 2019

O “Teatro no Podil”, situado no histórico bairro de Podil na histórica rua de Uzviz, em Kyiv, reaberto ao público em 2017, foi nomeado ao prestigiante prémio europeu de arquitectura Mies van der Rohe 2019, informa o estúdio ucraniano Drozdov & Partners, responsável pelo projeto de requalificação do edifício.

O prémio Mies van der Rohe Award foi criado pela catalã Fundació Mies van der Rohe e pela Comissão Europeia em 2001. É um prémio bianual, aplicado aos projetos implementados à cada dois anos. O objetivo é alcançar uma compreensão das transformações e da formação de um ambiente europeu, inovações no campo da arquitetura (conceitual e de construção).

Após o anúncio dos indicados, o júri da competição seleciona uma lista curta de quarenta projetos, que, por sua vez, serão reduzidos aos cinco finalistas.

Em 2018, o “Teatro no Podil” recebeu o grand-prix do Ukrainian Urban Awards; em dezembro de 2017 foi notado pela edição online da publicação internacional, especializada em arquitetura, Arch Daily, escreve a publicação ucraniana Bukvy.com

Blogueiro: na Ucrânia, principalmente em 2017 o teatro foi bastante hostilizado pela seita dos “conhecedores da arte”, que chegaram à criar a petição pública que exigia a demolição da obra. Uma das razões principais (senão a única) é o facto de que a obra foi financiada pela corporação Roshen, pertencente ao Presidente Petró Poroshenko, que investiu na requalificação do teatro qualquer coisa como 174 milhões de UAH (cerca de 6,23 milhões de dólares, ao câmbio de novembro de 2018).

sexta-feira, novembro 09, 2018

Contrato polaco de GNL/LNG: rumo à independência energética

As empresas energéticas, polaca/polonesa PGNiG e americana Cheniere Marketing International, assinaram o contrato com a duração de 24 anos de fornecimento do gás americano GNL/LNG. Imprensa polaca escreve que o preço será em cerca de 30% mais baixo do que o atual gás russo.

As entregas começarão já em 2019 e até 2022 terão o nível insignificante – de 2019 à 2022, será fornecido apenas 0,52 milhão de toneladas de GNL/LNG, equivalentes ao 0,7 bilhão de metros cúbicos de gás natural, após a sua regaseificação.

Mas em 2022, o PGNiG terminará o seu contrato de fornecimento de longo prazo com a russa Gazprom Export, cuja continuação está pendente. De 2023 à 2042 a PGNiG pretende receber da Cheniere 1,45 milhão de toneladas de GNL/LNG por ano (1,95 bilhão de metros cúbicos de gás natural após a regaseificação). As entregas serão feitas nos termos DES/FOB no Terminal polaca/polonesa de Swinoujscie.

Anteriormente, a PGNiG assinou um contrato de fornecimento de 2 milhões de toneladas de GNL/LNG por ano (2,7 bilhões de metros cúbicos) com a Venture Global LNG, válido por 20 anos, com o início das entregas em 2022 em termos DES/FOB.

Em 2017, a Polónia importou 15,7 bilhões de metros cúbicos de gás: 10,32 bilhões de m³ da Rússia; 3,57 bilhões de m³ da Alemanha e 1,54 bilhão de m³ do Qatar.

Assim, desde ano 2022 (o fim do contrato com a Gazprom), o monopolista polaco/polonês já possui os contratos assegurados de 4,65 bilhões de m³ de GNL/LNG americano por ano – cerca de metade do volume de fornecimento de gás da Rússia em 2017.

Blogueiro: como é natural neste tipo de acordos, assinando os contratos com as empresas americanas, Polónia assegura fortemente não apenas a sua independência energética, mas também a segurança nacional. Polónia convida os EUA para abrir uma base militar no seu território, concordando em suportar os custos da construção e de apetrechamento da base. A segurança nacional nunca é cara demais. Os polacos/poloneses possuem a forte memória nacional em que derrotando os bolcheviques em 1921, eles sucumbiram ao avanço do pacto nazi-soviétio em 1939. E naturalmente não querem repetir os mesmos erros.

Ucrânia, também naturalmente poderá comprar o mesmo gás americano, possivelmente assinando os contratos de fornecimento com a PGNiG, “matando dois coelhos de uma cajadada”. Garantindo a sua independência energética e a segurança nacional, fazendo bons negócios com os EUA e com a vizinha Polónia, podendo, dessa forma, controlar as fantasias imperiais polacas da «Polska od morza do morza».

quinta-feira, novembro 08, 2018

Novas perdas russas na Síria


https://el-murid.livejournal.com/3963276.htm
Após a recente informação sobre o ataque contra as forças russas em Deir ez-Zor, que matou de 7 à 6 mercenários, chega a nova informação de Deir ez-Zor do novo ataque do Daesh/EI contra as posições das EMP russas, que resultou na morte dos 11 mercenários russos.

Nenhum dos episódios foi confirmado pelo Ministério da Defesa russo, que apenas acusa os EUA de deixarem de controlar a situação na “sua” margem do rio Eufrates. Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, acusações até tem uma certa base factual. Se na margem direita do rio Eufrates (controlada pelas forças russo-iranianas) Daesh/EI está engajado na luta esporádica e não controla os territórios, na margem esquerda (curdo-americana) Daesh/EI ocupa os territórios e as localidades, empurrando os curdos na direcção oposta a da fronteira iraquiana.
  
Além disso, Daesh/EI agora passa esporadicamente para a margem “russa”, atacando, quer os proxies iranianos xiitas, quer os militares (privados ou estatais) russos.

Blogueiro: a situação pode significar que os EUA conseguiram, de certa forma, dominar Daesh/EI e neste momento usam, indirectamente, as suas forças para combater certos “não crentes” (russos e xiitas), tal como na década de 1980 foi feito, com bastante sucesso, pela administração do Ronald Reagan no Afeganistão. E claro, sem esquecer que cerca de 3/4 efetivos da EMP Vagner passaram pelo leste da Ucrânia, nas suas mãos está sangue dos ucranianos...

terça-feira, novembro 06, 2018

Quem matou Kateryna Handziuk? Os idiotas e a guerra híbrida

A ativista ucraniana anti-corrupção Kateryna Handziuk faleceu este domingo, três meses após ser atacada com ácido sulfúrico, tendo sofrido queimaduras em quase 40% do seu corpo. O caso foi notado na Europa, que muito habitualmente ignora as mortes de homens e mulheres ucranianas, que dia sim – dia não, tombam na defesa da Ucrânia na frente leste...

A informação privilegiada no caso de Kateryna Handziuk:

por: Karl Volokh e [Ucrânia em África]

1. Os executantes [quatro reais veteranos da OAT, detidos pela polícia ucraniana e presos preventivamente] estão colaborar com investigação, eles dizem que receberam todas as instruções do organizador [Serhiy Torbin, aka “Oper”, também detido, preso no estabelecimento prisional sob controlo da secreta ucraniana SBU, para a sua maior segurança]. Organizador não colabora com investigação, os executantes não sabem de quem partiu a ordem, mas a possibilidade de existir um mandante não é de excluir.

2. Os executantes dizem [sob juramento], que organizador, supostamente, tinha motivos pessoais de animosidade contra Kateryna, mas a investigação não considera essa versão muito convincente (pelo menos por enquanto).

3. Não foi estabelecido nenhum outro motivo convincente, isto é, situação em que a morte de Kateryna teria resolvido algum conflito social ou económico sério.

4. Considerando o esforço despendido na execução deste assassinato, incluindo certos custos financeiros, os investigadores ucranianos consideram a versão da existência de um mandante é a mais provável, mas não possuem as evidências disso.

5. Não é de excluir, entre outras hipóteses, de que a tarefa dos criminosos era simplesmente desestabilizar a situação na Ucrânia ou desacreditar o atual Governo ucraniano nas vésperas das eleições presidenciais. Neste caso, o mandante final pode ser o serviço secreto de um país vizinho.

6. Se o organizador [Serhiy “Oper” Torbin] não falar, será extremamente difícil, se não impossível, descobrir o mandante final. No entanto, mesmo que ele concordar em depor (caso contrário se arrisca à prisão perpétua), não há garantias que as suas alegações poderão ser provadas no tribunal.

7. Se o objetivo do assassinato era perturbar a sociedade ucraniana e fomentar o seu descontentamento para com o poder central (Governo e Presidente), então os serviços secretos de um país vizinho conseguiram cumprir a sua missão, embora não aos cem por cento. É muito fácil manipular um povo para quem a ideia da independência e da soberania do Estado ainda não se tornou um valor sério.

Alguns outros casos sonantes de mortes dos ativistas ucranianos (2014-2018):


Advogada e defensora dos direitos humanos Iryna Nozdrovska, o seu corpo foi achado em 1/01/2018 nos arredores de Kyiv. O presumível assassino se chama Yuri Rossoshansky (1954), é pai de um jovem, que graças ao empenho da advogada foi condenado aos 7 anos da cadeia pelo acidente de trânsito, que matou a irmã da Iryna. O presumível assassino foi detido, ele reconheceu a sua culpa e colabora com a investigação. Mesmo assim, arrisca-se à uma prisão perpétua.

Veterano da OAT, Vitaly “Sarmat” Oleshko, foi assassinado em 31 de julho de 2018 na cidade de Berdyansk. O assassino, os cúmplices e o mandante foram detidos pela polícia ucraniana, todos colaboram com a investigação. Motivo do assassinato – disputas comerciais.

Oleksandr Muzychko, conhecido como “Sashko Biliy”, aventureiro, ativista social, coordenador regional do Setor da Direita, agiota, morto pela polícia ucraniana (unidade “Sokil”) em 24 de março de 2014. Após a vitória da Revolução de Dignidade (conhecida como Maydan), Muzychko “Biliy” achou genuinamente que chegou à hora das expropriações revolucionárias (pior que poderia acontecer à Ucrânia). A solução não foi bonita, mas chegou rapidamente e evitou o aparecimento dos outros como ele.

Oleh Muzhchil, budista, aventureiro, combatente da guerra russo-ucraniana, presumível terrorista, liquidado pelo SBU em 9 de dezembro de 2015 em Kyiv.

De acordo com as memórias do fundador e primeiro líder do Setor da Direita, Dmytro Yarosh, Oleh Muzhchil (“Lesnik”, também conhecido como “Serhiy Amirov”), apareceu no campo do Setor da Direita em agosto de 2014 e ofereceu os seus serviços na realização de ataques na retaguarda dos separatistas. Yarosh achou essa proposta racional, pois Muzhchil-Amirov era natural da cidade de Donetsk. Ao executar uma das missões de sabotagem, ele desapareceu, tendo aparecido alguns dias depois com uma ideia brilhante de “colocar mais ênfase não em combate ao inimigo externo, mas em suprimir o regime de ocupação interna. Na noite de 9 aos 10 de dezembro de 2015, Oleh Muzhchil (Serhiy “LesnikAmirov) foi abatido pela SBU na tomada de seu apartamento seguro em Kyiv, onde ele guardava 20 granadas e 4 quilos de TNT.  

Apenas cinco casos mais sonantes. Alguns dos assassinos (e dos assassinados) eram heróis da OAT, combatentes reais, com feitios reais, que ganharam as suas medalhas de uma forma absolutamente justa e eram heróis na guerra russo-ucraniana.

O poder ucraniano, representado pelo Presidente Petró Poroshenko e pelo Ministro do Interior Arsen Avakov, não os cobriram, e todos os participantes e os organizadores destes crimes foram detidos. Apesar do enorme dano reputacional, político e eleitoral.

Quatro ilações podem ser tiradas disso:

1. A lei finalmente funciona na Ucrânia, com nuances e problemas, mas funciona.
2. Petró Poroshenko e Arsen Avakov querem que a lei funcione.
3. A sociedade civil da Ucrânia é uma força que pode fazer a lei funcionar.
4. Os pontos 1, 2, 3 fazem parte da nova tendência e fazem parte da nossa realidade.

A morte da Kateryna Handziuk é amplamente usada pela quinta coluna pró-russa, por uma parte da imprensa alegadamente ucraniana e por alguns ativistas, que tentam ganhar alguns pontos pessoais e/ou eleitoralistas, alegando que “poder não investiga” e “está acobertar” não se sabe à quem.

A demissão do Procurador-geral da Ucrânia

O Procurador-eral da Ucrânia, Yuriy Lutsenko informou os deputados do parlamento ucraniano que irá apresentar a sua demissão formal. A Rada Suprema deverá considerar a sua carta de renúncia ainda esta semana.
Ninguém se apega ao poder. Estou enviando minha renúncia ao Presidente da Ucrânia hoje. E vocês, no parlamento, devem considerar esta questão. Peço-vos para fazer isso ainda nesta semana. Eu fiz o meu trabalho e vou fazê-lo. Tudo, o que prometi à Kateryna Handziuk no hospital, foi feito e será feito”, disse Yuriy Lutsenko.

Como era de esperar, os mesmos ativistas que ainda na segunda-feira (5/10/2018) exigiam histericamente a “demissão imediata” do Procurador-geral, estão novamente descontentes, exigem não menos histericamente que este “fique até o fim, para compartilhar as responsabilidades”.

É muito difícil não considerar alguns deles de “idiotas úteis” clássicos, senão a quinta coluna fiel às forças nada amigáveis à Ucrânia...