domingo, agosto 19, 2018

Ensaio da parada militar do Dia da Independência da Ucrânia

No dia 18 de agosto na idade de Kyiv decorreu o ensaio geral da parada militar do Dia da Independência da Ucrânia. No ensaio participaram 4.500 militares e 250 unidades de equipamentos militares: novos, modernizados e aqueles que já participaram em combates na frente leste.
Blindado KShM (do comando)
Blindado ligeiro "Bohdan"
Blindado ligeiro "Triton"
Camião/caminhão ucraniano KrAZ e canhão D-30
Os jovens operadores de blindados
Detalhe interessante.
Nas vésperas da passagem da coluna, foi cortado o trânsito na avenida Velyka Vasylkivska.
Apareceu um casal, ele e ela.
– Pode por faaavor de dizer o que estaaá aaacontecendo?
– Espera-se a passagem dos equipamentos militares. Estamos se preparando para a parada militar.
– E paaademos assistir?
– Vejam. Será bastante útil.
Logo fizeram as caras tristes e desapareceram momentaneamente...
Capelães militares
Canhões auto-propulsados 2S1 "Gvozdika"
Canhões auto-propulsados 2S1 "Gvozdika"
Camiões/caminhões KrAZ transportarem os canhões auto-propulsados 2S7 "Pion"
Sistemas de mísseis reativos BM-24 (modernizados) na base de camiões/caminhões KrAZ
Sistemas de mísseis reativos BM-27 (modernizados) "Uragan"
Sistemas de mísseis reativos BM-30 (modernizados) "Smerch"
Sistema de mísseis táticos 9K79 «Tochka» (SS-21 «Scarab A») 
À frente da coluna estava T-84-120 “Yatagan” – blindado ucraniano projetado aos padrões da NATO/OTAN, com uma torre diferente e canhão de 120 mm de fabrico ucraniano; seguido por T-84 modernizados e por T-64BV da 17ª Brigada especial de blindados e depois todo o resto (fotos @Aleksandr Shulman):

Pela divulgação receberá vários pontos ao seu karma )))

sábado, agosto 18, 2018

Default russo de agosto de 1998 (17 fotos)

20 anos atrás, no dia 17 de agosto de 1998 Rússia anunciou o default — o rublo russo se desvalorizou pesadamente face às divisas estrangeiras e estado russo parou de garantir os seus próprios títulos da dívida pública. Visa e American Express começaram bloquear os bancos russos e vários deles entram na bancarrota.

Muitos russos recordam agosto de 1998 por longas filas junto às casas de câmbios, os cidadãos tentavam adquirir a moeda ocidental forte, como dólares americanos ou marcas alemãs – porque a taxa de câmbio do rublo caia praticamente à cada hora.

Como tudo começou?

Em 1991, a União Soviética colapsou e Rússia declarou-se a sua sucessora legal – herdando todos os ativos e todos os passivos da URSS. Descobriu-se que a “poderosa e indestrutível” União Soviética vivia de dinheiro emprestado – a dívida acumulada em 1991 equivalia 96,6 bilhões dólares “fortes”.

Após o fim da União Soviética, a Rússia optou pela não lustração, e a Duma Estatal estava quase inteiramente composta pelos ex-funcionários soviéticos – que constantemente atrapalhavam o governo do Boris Yeltsin e não deixavam realizar as reformas liberais, na esperança de “voltar tudo como era antes”.
De esquerda para a direita: Boris Nemtsov, Sergei Kirienko e Boris Yeltsin
Na Rússia, na década de 1990 tinha poucas fábricas novas e os antigos itens industriais se vendiam bastante mal – a cadeia económica soviética quebrou, e nos mercados externos ninguém queria os produtos das antigas fábricas soviéticas, de baixa qualidade e sem originalidade. Ao mesmo tempo, nos mercados internacionais caiu o preço do petróleo, responsável pela parte muito significativa do orçamento geral russo – o que agravou ainda mais a situação.

Embora os fãs da URSS dizem que default de 1998 era o “resultado da políticas liberais”, na verdade era uma consequência de política soviética dos últimos setenta anos – em União Soviética construía os “ciclos económicos fechados”, isolando-se do resto do mundo.

Os antecedentes do default
Em 1998 o petróleo pesado russo de marca Urals era vendido por 10-15 dólares por baril [no dia 1 de agosto de 1998 o preço do baril do brent se fixa em 12,04 dólares], e como consequência – as reservas cambiais do Banco Central russo começaram escassear. Para resolver problemas económicos, o governo começou a emitir aos mutuários títulos da dívida pública de curto prazo. Para pagar os títulos eram emitidos mais títulos à uma taxa de juros mais alta – uma espécie de uma pirâmide financeira. 
Título da dívida pública no valor de 10 rublos, 2º plano quinquenal
Título da dívida pública no valor de 500 rublos, 3º empréstimo estatal
Título da dívida pública no valor de 100 rublos, emissão de 1956
Título da dívida pública no valor de 10 rublos, emissão de 1953
Os “empréstimos obrigacionistas do Estado” eram mais um traço do sistema soviético, especialmente populares na União Soviética nas décadas de 19330-1950 – o regime comunista usava este esquema para se apropriar dos ativos financeiros da população, financiando assim a sua “industrialização” [os cidadãos soviéticos eram obrigados à comprarem os bilhetes, e depois, o estado soviético, podia, em qualquer momento, deixar de os pagar, tal como realmente aconteceu em 1957].


As regiões russas – principalmente com a maioria da população não russa, começaram adotar maciçamente as suas próprias constituições, se recusando à enviar grande parte de dinheiro arrecadado para Moscovo – ficando com os fundos para os orçamentos locais. O orçamento federal se ressentia disso. A “velha guarda” comunista no Duma estatal exigia cada vez mais e mais dinheiro para as “despesas sociais” – sem se aperceber (ou fazendo de propósito) que tudo isso levava ao desastre.

Como tudo começou

Na sexta-feira dia 14 de agosto de 1998 o presidente Boris Yeltsin afirmou, usando as palavras “firmemente e claramente” que não haverá a desvalorização:

Mas já em 17 de agosto, o primeiro-ministro russo, Sergei Kiriyenko, fala sobre o “complexo de medidas que visam a normalização da política financeira e fiscal”. Traduzido para uma linguagem comum, isso significa que a Rússia se reconhece como estado falido e começa a desvalorizar o rublo.

O que acontecia nas ruas
Imediatamente após disso caiu o câmbio do rublo russo – de 6 rublos por dólar de manha do dia 17 de agosto, para 19 rublos por dólar naquela mesma tarde (até o fim de 1998 o câmbio do dólar se fixará em 21 rublos; em março de 1999 já era 26-27 rublos). O jornal económico russo “Kommersant” saiu com o título principal “Nós acordamos num outro país” – o que apenas aumentou o pânico entre a população russa.
"Senhores!!! (Valores) acima de 1000 dóalres são atendidos fora da fila"
A fila junto à uma das agências de câmbio em Moscovo, setembro de 1998
Troca de moeda fora dos câmbios, estação dos caminhos-de-ferro Kievsky em Moscovo, agosto-setembro de 1998
Imediatamente após disso caiu o câmbio do rublo russo – de 6 rublos por dólar de manha do dia 17 de agosto, para 19 rublos por dólar naquela mesma tarde (até o fim de 1998 o câmbio se fixará em 21 rublos). O jornal económico russo “Kommersant” saiu com o título principal “Nós acordamos num outro país” – o que apenas aumentou o pânico entre a população russa.
Fila junto à um dos poucos ATM moscovitas, agosto-setembro de 1998
Agência de câmbios, 26 de agosto de 1998 | pressa.tv
O segurança impede a fotografia junto ao ATM, 14/09/1998 | pressa.tv
Fila junto à uma das poucas casas de câmbio abertas em Moscovo, 27/08/1998 | press.tv
O rublo caia à cada hora que passava, e as pessoas começaram a invadir as casas de câmbio – tentando trocar os rublos desvalorizados por dólares, na maior parte dos câmbio as divisas acabaram antes de hora de almoço, mas em todos os lugares havia filas enormes – pessoas esperavam a chegada de mais dólares ou marcas alemãs.
A classe média na corrida de compra dos fogões, geleiras ou máquinas de lavar roupa
Os mais pobres correram à comprar os alimentos mais baratos
"Fechado", inscrição numa loja mercearia de Moscovo, 30/08/1999 | pressa.tv
A outra parte da população correu para comprar, em rublos, os bens duradouros – mas até a hora do almoço do dia 17 de agosto os preços nas lojas dos produtos importados crescem em dobro – os bens são comprados por moeda convertível, e nenhum dos comerciantes queria os vender por rublos, rapidamente depreciados.
A fila junto à casa de câmbio. Uma mulher idosa compra meias no mercado paralelo. 26/08/1998
foto: pressa.tv
A compra no mercado dos alimentos baratos, novembro de 1998
A compra e venda de alimentos e dodca, possivelmente junto à estação dos caminhos-de-ferro
As empresas Visa e American Express começaram a bloquear os cartões dos bancos russos – já em 20 de agosto de 1998, a maioria destes estava à beira da falência. Os bancos também pararam de aceitar os títulos do governo – mais uma vez estes se transformaram em simples pedaços de papel. Muitas pessoas, para sobreviver, foram novamente obrigadas à sair às ruas para vender qualquer coisa que seja (na foto em cima).

Ecos do default
Uma das últimas raras fotos realistas do Vladimir Putin, 2018 
Um ano após o default, em 9 de agosto de 1999, Putin se tornou o chefe interino do governo russo. Boris Yeltsin o declara como seu “sucessor”, e mais tarde Putin será indicado para ser eleito presidente da Rússia – os russos votarão nele pela “estabilidade”. O que aconteceu depois vocês já sabem.

Fotos: arquivo; pressa.tv | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África].

Blogueiro: de acordo com os cálculos da União Bancária de Moscovo, as perdas da economia russa em agosto de 1998 totalizaram 96 bilhões de dólares, dos quais o setor corporativo perdeu mais 30 bilhões e a população cerca de 19 bilhões (fonte). Consta-se também, que só na cidade de Moscovo em agosto-setembro de 1998 faliram cerca de 500.000 empresas.

A crise russa também atingiu outros países do espaço pós-soviético, principalmente nos segmentos da economia com fortes ligações ao mercado consumidor russo. Mas isso aconteceu de forma gradual e o choque foi muito menos violento.

Os defensores da Ucrânia em 9 fotos

Todos estes militares defendem Ucrânia na frente leste. Alguns começaram a atual guerra russo-ucraniana como voluntários, maioria eram civis, vários estão na linha da frente desde 2014, as fotos @narodna.armiya.
Soldado Kateryna é cozinheira, ela alimenta os
militares ucranianos em serviço ativo | @narodna.armiya
Tenente Oleh apenas meio ano atrás foi graduado pela Academia Nacional de Infantaria,
hoje ele comanda uma companhia na região de Luhansk | @narodna.armiya
Operador de metralhadora Oleksandr tem 55 anos, mas na guerra desde 2016.
Ele está convencido: um verdadeiro homem deve defender a sua Pátria | @narodna.armiya
Desde início da guerra o 2º tenente Victor estava na defesa de região de Donetsk e Prymorsk,
desde 2017 defende os arredores de localidade de Schastia | @narodna.armiya
Andriy é comandante de um dos pontos avançados ucranianos no arco de Svitlodarsk.
Empresário, deixou o seu negócio, quando foi chamado ao exército numa das primeiras
ondas de mobilização em 2014 | @narodna.armiya
Olhe começou a guerra russo-ucraniana como voluntário.
Depois se alistou numa das unidades que defende Ucrânia na região de Donetsk | @narodna.armiya
Comandante de unidade Ivan "África" segue diariamente as movimentações de forças inimigas | @narodna.armiya
A instrutora paramédica Oksana da região de Kirovohrad é casada, mãe de duas filhas e um filho.
Em 2014 ela vendeu os seus negócios — salão de beleza e um café e enviou o marido ao exército ucraniano.
Após a sua desmobilização, ela própria assinou o contrato com as FAU | @narodna.armiya
Vitaliy foi mobilizado ainda em 2014. Um ano e meio depois foi desmobilizado.
Assinou o contrato com as FAU e voltou à frente leste, onde agora comanda uma companhia | @narodna.armiya