sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Igreja russa recruta os quenianos para a guerra neocolonial russa na Ucrânia

A cerimónia fúnebre de Charles Waithaka Wangari, morto na guerra colonial russa contra Ucrânia e cujo corpo nunca foi recuperado, 5 de fevereiro de 2026. Foto: AP Photo/Andrew Kasuku

O Exarcado da Igreja Ortodoxa Russa (IOR) em África está a participar num esquema para recrutar cidadãos quenianos à guerra neocolonial russa contra Ucrânia. A informação foi divulgada pela publicação internacional Religion News Service. 

De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Vocal Africa, os padres da IOR estão a encorajar os jovens quenianos a irem «trabalhar» para a rússia, oferecendo-se para pagar as suas viagens até Moscovo/ou. 

Os familiares de mercenários quenianos mortos e despararecidos reclamam o retorno dos seus entes queridos, vivos ou mortos. Nairobi, 16 de fevereiro de 2026. Foto: AP/Andrew Kasuku

Depois dissso, os cidadãos quenianos são levados para a rússia com vistos de turista. Prometem-lhes salários desorbitantes, equivalentes aos 3.000 dólares. Na realidade, os jovens africanos nunca recebem o dinheiro prometido. Após chegarem à rússia, os seus passaportes são confiscados, eles recebem umas cadernetas militares provisórias [símples folhas A4 com foto e carimbo], são abertas as contas bancárias em seus nomes, mas totalmente controladas por seus comandantes militares, e depois estes jovens são enviados para a frente de batalha. Da onde, muitas das vezes não voltam vivos, servindo de «abre-latas», alvos usados pelos russos apenas para tentar localizar as linhas da resistência ucraniana. 

O africano francófono Francis, à servir de «abre-lata» descartável aos ocupantes russos

Por exemplo, um dos quenianos mortos na guerra colonial russa, Charles Waithaka Wangari, um jogador de futebol de 31 anos, viajou para a rússia, por intermédio da IOR, em outubro de 2025, oficialmente para trabalhar como «operador de máquinas pesadas numa fábrica», com promessas de posteriormente poder jogar num clube na Suécia, mas foi imediatamente levado à força ao exército russo e enviado para a linha da frente pouco depois da sua chegada. Foi morto numa explosão na linha da frente, apenas dois meses depois de ter chegado à rússia. A sua família recebeu a notícia da sua morte no dia de Natal e foi informada de que os seus restos mortais não poderiam ser recuperados devido aos intensos combates naquela área. O que significa também, que, muito provavelmente, a sua família nunca irá receber quaisquer compensação pela morte do Charles.

Charles Wangari, mercenário à força, morto e abandonado pelos russos. Foto: X

Um representante da IOR em Nairobi, sob anonimato, declarou à Religion News Service que os quenianos estão a ser enviados para a rússia não para combater, mas para «estudar num seminário», embora alertados para a «possibilidade» de recrutamento militar. Garante que nenhum dos jovens, recrutados pela IOR — «nunca se alistou no exército russo». 

O serviço secreto do Quénia anunciou que mais de mil quenianos foram recrutados para o exército russo para combater na guerra contra Ucrânia (contando com mortos e despararecidos, caputrados pelas forças ucranianas, feridos que voltaram ao Quénia e os que ainda estão na linha da drente e nos campos de treino). Segundo as estimativas do NIS, 89 cidadãos quenianos ainda estavam a servir na linha da frente no início de 2026. 

Os quenianos Clinton Mogesa e Ombwori Bagaka (?) / Wahome Gititu (?),
já mortos

No final de fevereiro de 2026, a página «Important Stories» noticiou que as autoridades russas elaboraram uma lista de cerca de 40 países onde o recrutamento de mercenários para a guerra contra a Ucrânia é proibido por agora. Entre eles: China, Índia, Brasil, África do Sul, Turquia, Cuba, Afeganistão, Irão, Venezuela, Argentina, Iraque, Iémen, Camarões, Colômbia, Líbia, Somália, Quénia, que é «uma importante fonte de mercenários para o exército russo».

A Missa conjunta pela Paz na Ucrânia em Moçambique

No domingo de 22 de fevereiro de 2026, a Embaixada da Ucrânia, liderada pelo Embaixador Rostyslav Tronenko, juntou-se à Comunidade ucraniana, aos Embaixadores e altos representantes do Corpo Diplomático, aos Amigos da Ucrânia e aos paroquianos na Igreja Ortodoxa Grega dos Santos Arcanjos Miguel e Gabriel, em Maputo, para uma Missa conjunta pela Paz na Ucrânia.


A Missa foi realizada no contexto do Dia Nacional de Oração na Ucrânia para assinalar 4 anos desde o início da agressão em grande escala da rússia contra Ucrânia e também 12 anos de ocupação ilegal da Crimeia e da cidade de Sebastopol — uma violação contínua do direito internacional e da Carta da Organização das Nações Unidas.

Rezou-se pelos heróis que deram as suas vidas pela liberdade e soberania da Ucrânia, pelas vítimas inocentes desta guerra e por uma Paz justa, abrangente e duradoura.


Durante a Missa, foram também expostos ícones da Santíssima Virgem Maria, apresentados em Moçambique pela primeira vez.

As obras de iconógrafos ucranianos Sonya Atlantova, Oleksandr e Herman Klymenko, desenhados sobre fragmentos de caixas de munições trazidas da linha da frente, constituem testemunhos silenciosos da guerra e, ao mesmo tempo, símbolos da vitória da vida sobre a morte.

Expressamos a nossa sincera gratidão ao Padre Silvio, aos Embaixadores e altos representantes do Corpo Diplomático, à Comunidade Ucraniana, aos Amigos da Ucrânia e a todos paroquianos da Igreja Ortodoxa Grega pela sua solidariedade, apoio e orações pela Ucrânia e pelo povo Ucraniano. 

Bónus 

Parabéns pelo seu 75º Aniversário ao grande amigo da Ucrânia, Cônsul Honorário da Ucrânia em Maputo, Dr. Abílio de Lobão Soeiro.


quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Mais de 200 mil militares russos confirmados mortos na Ucrânia

Os jornalistas russos da Mediazona e da BBC publicaram os nomes e as fotos de mais de 200 mil militares russos mortos na Ucrânia. Dado que as baixas confirmadas representam entre 45% e 65% do número real de mortos, as perdas totais das forças russas podem situar-se no intervalo entre 329.000 e 468.500 pessoas. 

A base de dados contém um total de 200.186 nomes de militares russos mortes, que tiveram as suas mortes confirmadas. Ao longo de 2025 foram adicionados mais de 100 mil novos registos à lista. Além disso, a funcionalidade da lista foi alargada com um mapa e a possibilidade de pesquisa por cidade, vila e aldeia. No mapa, é possível escolher entre o total de baixas e as baixas por ramo das forças armadas, bem como verificar a origem dos militares mortos. 

Recorde-se que esta lista inclui apenas os nomes de militares russos mortos cujos nomes foram confirmados em fontes públicas: reportagens dos meios de comunicação social, informação dada pelas autoridades locais, obituários nas redes sociais, etc. Segundo os autores do estudo, 2025 será o ano mais sangrento para o exército russo: foram confirmados os nomes de 49.935 militares mortos em 2025. Tendo em conta que as perdas das ditas repúblicas populares «ldnr» não são divulgados, assim como é ocultado o número de mercenários estrangeiros mortos, estes números e o total podem ser significativamente superiores. 

Foi confirmada a morte de mais de 6.800 oficiais do exército russo e de outras forças de segurança. Até à data, foram oficialmente confirmadas as mortes de 13 generais russos: quatro tenentes-generais, sete majores-generais e dois generais na reserva. Três generaias foram liquidados em Moscovo, longe de linha da frente. 

Quais são os números reais de baixas russas? 

As perdas reais do lado russo são superiores às que podemos determinar a partir de fontes abertas. De acordo com os analistas militares, as estimativas baseadas em cemitérios, memoriais e obituários abrangem entre 45% e 65% do número real de mortos. 

Isto porque uma parte significativa dos corpos de militares mortos nos últimos meses pode ainda estar no campo de batalha: a sua evacuação representa riscos para os sobreviventes, principalmente devido aos ataques com drones. 

Considerando a estimativa acima, o número real de mortos do lado russo pode situar-se entre os 308.000 e os 445.000. 

O número final aumenta significativamente se incluirmos os sapartistas das ditas «repúblicas populares» de Donetsk e Luhansk. Uma análise dos obituários e dos registos de pesquisa de combatentes das «ldnr», que não publicam os dados praticamente desde 2022, sugere que entre 21.000 e 23.500 separatistas morreram durante o primeiro ano da invasão russa. Os que morreram posteriormente são contabilizados como «cidadãos estrangeiros» nas baixas da rússia, dado que as unidades separatistas foram oficialmente incorporadas no exército russo. 

Como resultado, as perdas totais das forças russas podem situar-se no intervalo de 329.000 a 468.500 pessoas. 

Fonte: em inglês (dados também disponíveis em françês, espanhól e alemão). 

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quarta-feira, fevereiro 25, 2026

A cidade de Kyiv em fevereiro - março de 2022

Os primeiros dias da invasão russa. A capital da Ucrânia se prepara para a inevitável batalha urbana. A queda de Kyiv foi absolutamente possível nos primeiros 14 dias da guerra russa de larga escala, explica o general Budanov (ex-GUR MOU).





Kyiv, rua Valeriy Lobanovsky






O rosto ensanguentado e a cabeça enfaixada às pressas de Olena Kurylo, professora na cidade de Chuhuiv, região de Kharkiv, que foi ferida na manhã de 24 de fevereiro de 2022. O fotógrafo registou a imagem de Olena assim que esta foi retirada da casa onde vivia, destruída pelos ocupantes russos. E apesar da situação, da dor e da confusão, ela tentou sorrir… 

A foto, que se espalhou instantaneamente pelo mundo e apareceu nas capas de muitos dos jornais e revistas mais populares da época, comoveu profundamente o artista americano de raízes ucranianas, Zhenya Gershman, que em poucos dias pintaria um retrato de Olena Kurylo a partir da sua foto e chamar-lhe-ia «O Primeiro Rosto da Guerra». 

domingo, fevereiro 22, 2026

Navios e aviões russos atingidos pelas FAU na Crimeia ocupada

Na noite de 21 de fevereiro, na Crimeia ocupada, nos arredores da cidade de Inkerman, as forças ucranianas atingiram dois navios russos de patrulha do projeto 22460 «Hunter». Além disso, na cidade de Yevpatoria, foram atingidas duas aeronaves da luta anti-submarina Be-12. 

No âmbito do trabalho sistemático para redução das capacidades agressivas da rússia, as Forças de Defesa da Ucrânia continuam a atingir as instalações e equipamento militares russos nos territórios temporariamente ocupados (TTO) da Ucrânia. A extensão dos danos de alvos atingidos está sendo apurada, informa o Estado-Maior General das FAU.


«Tornado-S» russos atingidos em Zaporizhia

Além disso, na área do assentamento de Astrakhanka, na região de Zaporizhia, unidades das Forças de Defesa da Ucrânia atingiram o sistema russo de lançamento múltiplo de rockets «Tornado-S». As perdas dos ocupantes russos e a extensão final dos danos infligidos estão a ser apuradas.

As Forças de Defesa da Ucrânia continuam a reduzir sistematicamente o potencial de combate dos ocupantes russos, privando-os da capacidade de conduzir operações ofensivas.

Mais informações em breve! 

Bónus 

Resultado do ataque com mísseis ucranianos F-5 «Flamingo» da fábrica russa de mísseis «Iskander» na cidade de Votkinsk. Um enorme buraco no telhado de uma das oficinas. 

Fonte: TG canal @kazansky2017

sábado, fevereiro 21, 2026

Agente do FSB Nomma Zarubina finalmente presa nos EUA

A cidadã russa Nomma «Alyssa» Zarubina declarou-se parcialmente culpada das acusações de mentir aos agentes do FBI e de obter fraudulentamente a cidadania norte-americana (envolvimento na prostituição), de acordo com a página oficial do Departamento de Justiça dos EUA.

A confissão (parcial) da culpa por agente «Alyssa»

Zarubina admitiu que, em 2020, aceitou trabalhar para os serviços secetos russos, criando uma rede de contactos nos EUA («marketing de rede») e recebeu o nome de código «Alyssa». Várias vezes, entre 2020 e 2022, ela encontrou-se com um agente do FSB russo, comunicou com ele através de aplicações de mensagens instantâneas e recebeu tarefas, por exemplo, de investigar os jornalistas ou procurar um indivíduo específico nos EUA. Ela tinha negado essas alegações nos seus depoimentos anteriores ao FBI.

Zarubina pode ser condenada a até cinco anos de prisão por mentir.

Outra acusação, da qual Zarubina se declarou culpada, diz respeito às suas ligações à prostituição nos EUA. De acordo com a acusação, ao solicitar a cidadania americana, Zarubina afirmou que nunca se tinha envolvido em prostituição. Na verdade, o FBI apurou que ela «participou num esquema para transportar mulheres entre Nova Iorque e Nova Jérsia para prostituição numa casa de massagens». Esta acusação também prevê a pena máxima de prisão de cinco anos.

Quem é Nomma Zarubina?

Nomma Zarubina é uma cidadã russa, nascida em Tomsk. Mudou-se para os Estados Unidos em 2016, após se ter licenciado na Academia Presidencial russa de Economia Nacional e Administração Pública (RANEPA). Chamou a atenção das agências de informação norte-americanas em 2022 devido aos seus contactos próximos com uma outra russo-americana, Elena Branson. 

Branson era a chefe do Conselho Coordenador das Organizações de Compatriotas russos (Russian Community Council of the USA) nos Estados Unidos. A organização foi encerrada em novembro de 2021, devido as fortes suspeitas do que era usada nas atividades ilegais de lobbing pró-Kremlin nos EUA. Em 2022, as autoridades norte-americanas acusaram a própria Bransom de atividades não registadas como agente estrangeira da rússia. A sua casa foi revistada e Branson fugiu apressadamente dos Estados Unidos, regressando à rússia.

Zarubina costumava encontrar-se com várias figuras públicas proeminentes da oposição liberal russa, que vivem na Europa e nos EUA. Ela também tentou se infiltrar nas organizações ucranianas, ativas nos Estados Unidos.

Zarubina num encontro público em Ukraine House em Washington 

Entretanto, pelo menos até 2021, Zarubina costumava publicar os conteúdos pró-russos e pró-putinistas na sua página na rede social russa VK. Mesmo já vivendo nos Estados Unidos, Zarubina posou para as fotografias com uma t-shirt com o slogan «KGB Summer Camp». 

A própria Zarubina afirmava, nas entrevistas, que contactou, ela própria, os agentes do FBI em 2021 para se «proteger de todos os lados». Manteve-se em contacto com o FSB para «se proteger na Rússia» e para «compreender por mim própria, o que aconteceria à Rússia em geral, às regiões e ao mundo inteiro». Zarubina disse ainda aos meios de comunicação social que começou a trabalhar para os serviços secretos russos sob ameaças. 

Assédio persistente de um agente do FBI

Pela primeira vez Zarubina foi formalmente acusada nos EUA em novembro de 2024. Depois dissso, ela começou a comentar ativamente o seu julgamento no seu perfil de Facebook. Por exemplo, em abril de 2025, ela escreveu no Facebook: «Podemos fazer um grande alarido disto. Até precisamos de o fazer. Mas precisamos de chegar à Netflix, no mínimo». 

Processo original. EUA VS Nomma Zarubina aka «Alyssa»

Sendo a mãe-solteira de uma filha menor, após a sua detenção, Zarubina foi posta em liberdade sob a fiança de 25.000 dólares. No entanto, o Ministério Público americano interpôs uma ação exigindo a sua detenção. O motivo foram as mensagens de Zarubina para o agente do FBI Peter R. Dubrowski, responsável do seu caso, nas quais agente russa tentava insinuar a suposta relação amorosa. Por exemplo, Zarubina escrevia: «Os arquivos de Epstein não existem. E o nosso amor?» ou enviou um meme: «Militares, quando sepreparam para arruinar a vida de uma outra mulher sem motivo», com a legenda: «Isto é sobre ti». Por vezes, até escrevia em russo: «O que achas? Estou tão cansada. Estou fodid@ de tudo», escrevia Zarubina ao agente do FBI, anexando fotografias suas de chapéu de cowboy com a bandeira americana em segundo plano.

«O que achas? Estou tão cansada. Estou fodid@ de tudo»

Em setembro de 2025, o tribunal americano, mais uma vez mostrou o humanismo e compreensão, decidiu não deter Zarubina, dando-lhe uma «última oportunidade» e ordenando que se submetesse ao tratamento para o alcoolismo. Mesmo assim, Zarubina continuou a enviar mensagens ao agente do FBI. Numa das mensagens, indicou o filme «Arizona Dream», no qual a protagonista se suicida. Como consequência, Zarubina foi finalmente detida em dezembro de 2025. O novo pedido de libertação sob a fiança foi negado e a sentença está marcada para 11 de junho de 2026. Até a data agente russa passará ser detida numa prisão federal. 

«Legendamento» e «maskirovka» 

Estamos aqui perante um caso bastante típico, em que uma agente russa, usa tática de «legendamento» e o famoso sistema do KGB, conhecido como «maskirovka». Na rússia, alegadamente, existe um processo contra Zarubina, por ela ser membro de «uma organização indesejável». Na prática do KGB-FSB isso se chama «legendamento» e é habitualmente usado para legalizar e/ou legitimar um indivíduo, criando-lhe a aura artificial do «dissidente» ou do «opositor». Por outro lado, o comportamento errático e assédio bastante primitivo ao um agente do FBI se enquadra numa outra tática do KGB-FSB, conhecida como «maskirovka» (literalmente mascaramento). Um/a agente se comporta de uma maneira grosseiramente estúpida, fingindo ser bêbado, mulherendo ou jogador compulsível, para projetar, para fora, uma imagem de um personalidade fraca e sendo assim, inofensiva. 

sexta-feira, fevereiro 20, 2026

General russo que ordenava o assassinato, a mutilação e a tortura dos POW ucranianos

O major-general russo Roman Demurchiev gabava-se à sua família e colegas da tortura, execução e mutilação de prisioneiros ucranianos. O ocupante russo chegou a vangloriar-se à sua mulher das orelhas decepadas dos ucranianos, que não eram as únicas formas de tortura de que se orgulhava. 

Faça click para ver o vídeo de investigação no YouTube

Os projetos de investigação «Schemes» e «Systema» publicaram a reportagem baseada na correspondência do Major-General Roman Demurchiev, o Vice-Comandante do 20º exército de armas combinadas da rússia. Os jornalistas tiveram acesso às suas mensagens, de 2022 a 2024 e confirmaram a sua autenticidade. A correspondência de Demurchiev comprova que os comandantes do exército russo têm conhecimento dos crimes de guerra, cometidos pelas forças russas na Ucrânia, incentivam-os e participam neles. 

Quem é general russo Roman Demurchiev?

Tem 49 anos, é natural de Kazan, casado e pai de duas filhas. Militar de carreira, combateu nas duas guerras russas da Chechénia. Em 2001, participou num filme de propaganda sobre os militares russos na Chechénia. 

No início da atual guerra russa contra Ucrânia, Demurchiev era coronel e comandava a 136ª brigada motorizada de guarda, que avançou contra Ucrânia livre à partir da Crimeia ocupada. Posteriormente, assumiu o comando da 42ª divisão motorizada, que incluía unidades chechenas do batalhão «Akhmat». Demurchiev é atualmente vice-comandante do 20º exército de armas combinadas. Em 2023, foi promovido ao patente de major-general. 

Com quem comunicava general Demurchiev?

Os jornalistas citam a sua correspondência com a sua esposa, outros generais do exército russo e oficiais do FSB. Em particular, Demurchiev correspondia-se ativamente com o major-general Ivan Popov, antigo comandante do 58º exército de armas combinadas, sob o qual servia. A comunicação entre ambos continuou mesmo depois de Popov ter sido destituído do cargo em 2023 e enviado para a Síria. 

Demurchiev não só mantinha conversas amistosas com Popov e queixava-se do seu serviço, como também lhe enviava dinheiro. Quando foi aberto um processo criminal por fraude contra Popov, em 2024, Demurchiev compareceu nos interrogatórios e tentou apoiar a mulher do seu colega. Temia que o marido morresse na prisão, como Alexei Navalny, mencionando o envenenamento do líder da oposição russa mesmo antes de ser definitivamente confirmado. 

O que era descutido nas conversas? 

As orelhas decepadas dos POW ucranianos

No outono de 2022, Demurchiev enviou a várias pessoas uma fotografia de orelhas humanas decepadas, suspensas por um fio num cano de metal. O contexto das suas mensagens sugere que se tratam de orelhas de um ucraniano. Não é claro se foram cortadas a uma pessoa viva ou morta. 

O primeiro destinatário da foto foi um antigo conhecido de Demurchiev, o major-general Igor Timofeev, vice-comandante do 36º Exército de Armas Combinadas. Demurchiev fala-lhe da captura de um ponto da defesa ucraniano e da captura de alguns soldados ucranianos. «Não tocaram nas orelhas? Como na infância?», pergunta Timofeev. Demurchiev responde que os prisioneiros estão a ser «transportados intactos» e envia então uma fotografia das orelhas decepadas. «Recentes», comenta. 

A expressão «como na infância» refere-se às guerras da Chechénia, durante as quais havia a prática russa comum de cortar as orelhas dos combatentes chechenos como troféu. 

A mulher de Demurchiev, Alexandra, também se recorda das guerras da Chechénia. Recebeu ainda dele uma foto de orelhas cortadas, com o comentário: «O meu ânimo melhorou!!!» Segue-se a seguinte troca de mensagens entre o casal: 

— Eu pensava que eram historietas do tempo da Chechénia. Afinal é verdade. O que fazer depois com isto?

— Vou juntar numa coroa e oferecerei.

— Como orelhas de porco para a cerveja.

— É. 

Demurchiev mencionou o corte de orelhas pelo menos mais uma vez. Em 2024, enviou a seguinte mensagem de voz a um oficial das forças especiais do FSB «Vympel», chamado Valery Nepop: «És o chefe de uma superorganização, o meu sonho. Caramba, e vocês está a cortar orelhas. Caramba. Mas, com a nossa idade, já não o fazem. Simplesmente dão ordens a alguém para fazer algo». 

O assassinato de POW ucranianos com pás de sapador

Em dezembro de 2024, surgiu nas mensagens de Demurchiev um vídeo, capturado pelo termovizor com uma voz-off a comentar o seguinte: 

— Desmembrando-os?

— Sim, com uma pá.

— Os nossos?

— Sim.

— Com c@ralho! 

As mensagens de Demurchiev e dos seus companheiros soldados indicam que a câmara termográfica captou imagens de soldados russos, ex-prisioneiros, a assassinarem três POW ucranianos a golpes de pás de sapador depois destes se terem rendido. A organização «Schemes» identificou a unidade das Forças Armadas da Ucrânia à qual pertenciam os militares assassinados. Confirmaram o massacre e afirmaram que foi levado a cabo por membros da unidade russa «Black Mamba», que combatia integrada no 20º exército da federação russa. 

As Convenções de Genebra, de que a rússia é signatária, proíbem o assassinato, a mutilação e a tortura de prisioneiros. A responsabilidade por este crime recai não só sobre aqueles que o cometem, mas também sobre os seus comandantes — não apenas se eles próprios deram a ordem criminosa, mas também se tinham conhecimento do crime e não o impediram ou não levaram os perpetradores à justiça. 

Demurchiev não só sabia do assassinato com pás de sapador, como o reportou ao seu superior imediato, Oleg Mityaev, então comandante do 20º Exército. Mityaev ordenou que os assassinos russos fossem condecorados: «Os ZEK´s [prisioneiros] que tomaram a posição e os cortaram com pás — se Deus quiser, que sobrevivam — devem ser definitivamente indicados para uma condecoração. <…> Valentes, esmaguem, esmaguem os sacanas [ucranianos]». 

Outros assassinatos e torturas de POW e civis ucranianos 

Demurchiev enviou alguns prisioneiros de guerra para um homem com o nome de código «Grego», provavelmente um oficial de contra-espionagem militar do FSB. Quando se referia à transferência de prisioneiros, o general utilizava a palavra «oferecer» e quando se referia ao assassinato, empregava a palavra «utilizar». 

«Tenho um prisioneiro <…> posso te oferecer. Ele está ali, sentado no fosso <…> O que devo fazer com ele — utilizar ou entregá-lo a si?», escreveu Demurchiev ao «Grego» no outono de 2023. Acrescentava: «Não tivemos tempo para simplesmente torturá-lo, por isso a informação é amigável... Mas vocês tem muito tempo; podem usar várias ferramentas que obrigam uma pessoa a dizer a verdade». 

«Grego» aceitou levar o prisioneiro. Demurchiev enviou-lhe a sua fotografia e o relatório do interrogatório, a partir dos quais «Schemes» estabeleceu a identidade do POW ucraniano. Era voluntário de Zaporizhia, que voltou do cativeiro russo apenas no verão de 2025. Afirmou que ainda não está nem mentalmente, nem fisicamente preparado para falar sobre a tortura russa. Referiu apenas que foi espancado e sujeito aos choques elétricos. 

Na mesma correspondência com «Grego», o general relata que, além do prisioneiro ucraniano sobrevivente, havia outro que «não sobreviveu». A isto, «Grego» responde: «Correto. Eu pessoalmente sou a favor da utiilização. Caso contrário, não os venceremos». 

Mas «Grego» não só capturava pessoas para «utilização», como também as entregava. No verão de 2023, escreve ao general: «Temos um caso. Não oficial. Há alguns cabrões apanhados em flagrante em depósitos de [artefactos explosivos improvisados]. Membros reais da residentura [resistência organizada ucraniana]. Mas não podem ser entregues ao julgamento. Temos a proposta para os lhe entregar por alguns dias para cavar as valas, trincheiras. Depois deixá-los lá. Para sempre». Demurchiev aceita receber essas pessoas, prometendo que ninguém saberá disso. 

General Demurchiev estava insatisfeito com comando militar russo

A julgar pelo arquivo de mensagens de Demurchiev, em conversas com conhecidos, general criticava frequentemente — e com muitos palavrões — o exército russo, as forças de segurança russas e a guerra com Ucrânia. Aqui ficam algumas citações: 

Sobre o exército russo: «São uns p@neleiros. Mas todos ganham medalhas. Quero sair deste exército, desta guerra inútil, o mais depressa possível. Mentirosos, p@neleiros, cobardes». 

Sobre o FSB: «O nosso FSB é um bando de p@neleiros. Não fazem o c@ralho pela defesa. Só sabem vigiar quem gamou/roubou o quê».  

Sobre a formação de voluntários russos: «As pessoas chegam, trazemo-las à noite, e de manhã estão prontas o combate. Têm preparação zero, são uns campónios, ninguém lhes dá tempo para se prepararem». 

Sobre o veículo subaquático não tripulado «Poseidon»: «O Poseidon, put@, não funciona, nem está terminado ainda... Bem, estou a dar-te as [informações] confidenciais agora». 

Sobre as unidades chechenas «Akhmat»: «Deram-me 2 mil chechenos. Cobardes e uns relações-públicas. Mostro o c@ralho [em termos de resultados]. Apenas intrigas. Só os eslavos mostram resultados. Mas são poucos».

quinta-feira, fevereiro 19, 2026

Cubanos que procuram a vida melhor, entram no exército russo e morrem na Ucrânia

Desde 2023 a rússia tem vindo a recrutar ativamente cubanos para a sua guerra neocolonial na Ucrânia. Uns vão voluntariamente em busca de dinheiro e das promessas de obtenção da cidadania russa, enquanto outros são enganados com promessas de «bom trabalho» e «salários altos». Segundo algumas estimativas, entre 1.000 e 20.000 cubanos combatem ao lado russo. 

O cidadão cubano Yoan Viondi Mendoza, como muitos outros, vindos nos países mais pobres de todo o mundo, caiu na lábia dos recrutadores russos, atraído pela promessa de «salários altos» e pela perspetiva de ter uma vida melhor. Tal como muitos outros estrangeiros em busca da «boa vida na rússia», não teve sorte – Yoan morreu na guerra neocolonial russa na Ucrânia como mais um mercenário do exército russo de ocupação. 

«Yoan recebeu a promessa de um contrato de um ano para reconstruir as casas e edifícios destruídos pela guerra. Garantiram-lhe que não se envolveria em combates, no máximo poderia cavar as trincheiras». 

Os jornalistas do Vot Tak localizaram o seu irmão, Michael Duro, que anteriormente já tinha feito um apelo comovente:

«Não precisamos de dinheiro. Não precisamos de nada. Precisamos dos nossos entes queridos. Ou pelo menos dos corpos dos nossos entes queridos». 

O irmão do mercenário afirma ainda que pelo menos 600 cubanos já desapareceram na Ucrânia, daqueles que foram à rússia em busca de uma vida melhor. Amaldiçoa as autoridades cubanas, que «deviam exigir o regresso destas pessoas, mas não se importam» e amaldiçoa vladimir putin pessoalmente: «O outro governo responsável por tudo isto é o governo de putin. Todos sabemos que o seu apelido lhe assenta na perfeição, que é um verdadeiro filho da puta». 

Os jornalistas também foram investigar o que levou Viondi Mendoza a ir para a rússia e a assinar um contrato com o Ministério da Defesa russo, e como se desenrolou o seu processo de recrutamento. 

Segundo Michael, o exército russo não recebeu o seu irmão com grande hospitalidade. Ao chegar ao campo de treino, Yoan tentou fugir e, de seguida, pediu ajuda repetidamente para sair da rússia. O cubano foi destacado ao 57º regimento de fuzileiros motorizados da guarda, da 20ª divisão de fuzileiros motorizados da guarda. A unidade está sendo assolada pelo caos típico do «segundo maior exército do mundo»: havia muita droga e os militares russos e estrangeiros escolhiam o que quisessem. Mercenário cubano não recebeu o salário prometido. Não admira que, a certa altura, o jovem tenha simplesmente deixado de comunicar com a família e, então, apareceu na lista de mercenários mortos. 

As coisas poderiam ter terminado de forma diferente para Yoan se ele contactasse o projeto «Quero Viver». Ele teria todas as hipóteses de ser evacuado em segurança pelo exército ucraniano. Como mostra a experiência de milhares de estrangeiros que morreram nesta guerra, para eles, o cativeiro ucraniano é a única hipótese de sobrevivência. 

Ler mais em russo ou polaco/polonês

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Propaganda soviética dirigida especialmente aos emigrantes e ostarbeiters

Após o fim da II G.M., a propaganda soviética produzia diversas publicações que exortavam os emigrantes, principalmente da Argentina e do Brasil e aos antigos ostarbeiters à retornar ao paraíso socialista, caso dos jornais «Pelo Retorno à Pátria», em ucraniano e em belaruso, publicados e distribuídos em 1956-1957. 

Enquanto milhares de ucranianos e belarusos foram enviados aos campos do GULAG e o mundo ocidental se recuperava dos horrores da Segunda Guerra Mundial, a máquina de propaganda soviética trabalhava a todo vapor para atrair emigrantes e «deslocados internos» (DP) à retornar à União Soviética. 

«Pelo retorno à Pátria», março de 1957, edição ucraniana

Os segredos do «gancho» comunista 

As páginas que podemos ver nas imagens, descrevem uma vida na URSS completamente idílica:

«Igual e feliz»: histórias sobre «direitos incríveis» das mulheres, medicamentos gratuitos e cuidados gerais, providenciadas pelo Estado.

«Com felicidade eles voltam para casa» (edição belarusa): fotos encenadas de repatriados felizes, supostamente retornando da Brasil, da Argentina ou dos EUA para um paraíso de kolkhozes, isso é fazendas coletivas «prósperas». 

Temas culturais: artigos sobre novas obras musicais, concertos e «infância feliz». 

Foi uma operação psicológica do KGB, especialmente planeada. Jornais eram distribuídos nos campos de refugiados e deslocados em toda a Europa, colocados nas caixas de correio de emigrantes, tentando explorar a sua possível nostalgia e as situações económicas complicadas de alguns. 

«Pelo retorno à Pátria», junho de 1956, edição belarusa

Onde essas ilusões eram fabricadas? 

A edição belarusa de junho de 1956 conta a história da família numerosa do ucraniano Alexander Satsik (Satsyk), que vivia no Brasil na colónia Mandury (possivelmente Mandurah em Manduritiba no Paraná). Publicação diz que a família se dirige à região de Odesa.

O centro dessa «fábrica de sonhos» não ficava em Kyiv ou Mensk/Minsk, mas na zona de ocupação soviética de Berlim. A redação do comité «Pelo Retorno à Pátria», liderado pelo major-general do KGB Nikolai Mikhailov e seus colaboradores, que serviam os interesses de Moscovo/ou, estava localizada em: Berlin NW 7, Schadowstraße 1b.

Foi daqui que milhões de cópias de mentiras foram espalhadas por todo o mundo, prometendo anistia geral e «montanhas de ouro». Em vez disso, muitos dos que acreditaram e retornaram se viram diante de interrogatórios, campos de filtragem, deportações / exílio ou vida sob a vigilância eterna das autoridades soviéticas.

Oitente anos depois, em nome da cidade ucraniana de Mariupol, ocupada pelos russos, foi criado um canal no YouTube onde são contadas «histórias fascinantes» sobre a reconstrução da cidade e das condições de vida «maravilhosas» sob a ocupação russa. Nada de novo na propaganda estatal russa... 

Fonte: Arquivo da OUN. - Biblioteca. - Jornais. - Inv. nº 71-72 

Blogueiro: é de notar, que os jornais eram impressos no papel de uma qualidade superior, usando uma ótima base poligráfica (uso das imagens artificialmente coloridas), muito melhor do que vários jornais soviéticos das décadas de 1970-80. Os jornais usam como slogan as frases «Glória à grandiosa terra pátria!» (edição ucraniana) e «Glória, à Pátria nossa livre!» (edição belarusa) em vez do unificado «Proletários de todos os países uni-vos!», que praticamente TODOS os jornais soviéticos usavam até fim da URSS em 1991. Estes jornais falam vizivelmente menos do socialismo/comunismo ou de autoridades soviéticas, em vez disso fala-se do «Estado» e muito abundamente dos «cuidados do Estado».

quarta-feira, fevereiro 18, 2026

Jerry Berman, engenheiro sul-africano que presenciou Holodomor na Ucrânia

O engenheiro sul-africano Jerry Berman veio na década de 1930 para a União Soviética em busca de trabalho. Em 1932-1933, ele se viu envolvido na construção de uma ponte em Stanytsia Luhanska na região de Luhansk e tornou-se a testemunha ocular do Holodomor. 

Em 16 de fevereiro de 1903, nasceu na Lituânia, numa família judaica, Jerry Berman, um engenheiro sul-africano que, no início da década de 1930, cegado pela propaganda soviética, veio para a União Soviética em busca de trabalho. Em 1932-1933, ele se viu envolvido na construção de uma ponte em Stanytsia Luhanska e tornou-se testemunha ocular do Holodomor. Jerry correspondia-se ativamente com seus parentes irmãos, irmã e melhor amigo. Em suas cartas, ele descrevia em detalhes o que viu e não escondia sua decepção e indignação com o «paraíso soviético». 

“Não acreditem no paraíso aqui e não acreditem em uma única palavra daqueles belos discursos que vocês leem nos jornais que eu envio! escreve Berman em 8 de fevereiro de 1933 em uma de suas cartas. Deus! Se eu pudesse descrever as cenas noturnas que vi! Vocês ficariam arrepiados! Nenhum de vocês consegue imaginar uma enorme pilha de cascas de batata misturadas com lama, neve e areia, perto de um refeitório! Para imaginar isso, vocês teriam que tentar descrever a sujeira com um cheiro e aparência repugnantes, e é melhor eu poupá-los disso!

Mas imaginem os quatro trabalhadores nesta ponte, que eu vi agachados na escuridão da noite às 3h da manhã, remexendo nessa pilha em busca de pedaços de casca de batata para «alimentar» suas esposas e filhos! Uma pessoa consegue alimentar a si mesma e sua família com 800 gramas de pão preto e nada mais!

Um cobrador de elétrico/bonde recebe 80 rublos por mês. Um carpinteiro, 150 rublos. Um especialista 140-80 rublos. Um operário, 100-120 rublos. Um vigia, 55 rublos, etc. Ao mesmo tempo, meio quilo de manteiga custa 20 rublos, um pão, 25 rublos. Dá vontade de enlouquecer com tanta pobreza!

Acho que não dá para aguentar mais! Maldições que atingem a todos e se espalham por todos! Maldições e raiva! Vi um capataz dormindo, de pé com uma vareta na mão, pálido como a morte, com os ossos expostos! Que olhos terríveis! A caldeira estava prestes a explodir! Não havia água na caldeira e uma catástrofe de proporções gigantescas era inevitável!

As cartas de Jerry Berman sobreviveram milagrosamente e foram encontradas no sótão da casa da família de Alison Marshall, no Reino Unido. Em 2021, ela as doou ao Museu Nacional do Holodomor-Genocídio.

A história de Jerry Berman se tornou base da pintura «Cartas do Sótão», que será publicada em breve. Acompanhe nossas novidades!

Desenho de Anna Komar (da pintura «Cartas do Sótão»). 

Biografia de Jerry Berman

  • 1903 – Jerry Berman nasceu em Pikeliai, Lituânia.
  • 1921 – Junto com sua mãe e irmã, mudou-se para a Cidade do Cabo (África do Sul) para morar com seus irmãos e pai.
  • 1923 – Ingressou na Faculdade de Engenharia Civil da Universidade da Cidade do Cabo.
  • 1932-1935 – Trabalhou na URSS, inclusive na Ucrânia.
  • Após trabalhar na URSS, retornou à África do Sul, onde trabalhou na construção de pontes e estradas até sua reforma7aposentadoria no final da década de 1960.
  • Na década de 1940, casou-se e, em 1947, tiveram um filho, Peter.
  • 1979 – Jerry faleceu na Cidade do Cabo.

Blogueiro: é de notar, que na história existiu um outro engenheiro sul-africano, Robert Sassone, que vivia a trabalhava na União Soviética, quando foi preso pelo NKVD em 3 dezembro de 1937, condenado pela “tróica” do NKVD já em 20 de dezembro, acusado de “agitação anti-soviética e intenções terroristas”, e fuzilado apenas dois dias depois, em 22.12.1937.