quinta-feira, março 12, 2026

Os crimes russos da guerra: destruição de Bakhmut e ataques ao Kramatorsk

A cidade ucraniana de Bakhmut, imagens aéreas captadas por um drone. Somente a EMP Wagner perdeu aqui 22.000 mortos e cerca de 44.000 feridos, mais baixas mortais do que a URSS teve na sua guerra colonial no Afeganistão.









Mais uma cidade ucraniana que deixou de existir devido à invasão russa. Na II G.M. a região leste da Ucrânia sofreu pesadamente da invasão nazi(sta) e agora sofre a invasão ruscista…

Fotos: TG @kazansky2017

A cidade ucraniana de Kramatorsk. Os ocupantes russos bombardeiam, diariamente e deliberadamente, os edifícios residenciais. Atacam o centro da cidade com mísseis e bombas aéreas, atingindo as zonas mais densamente povoadas. Matam civis da mesmo Donbas, que exigem que lhes seja entregue.



Fotos: TG @kazansky2017

A cidade de Slavyansk se defende, como pode, dos ataques russos, colocando a coberta de redes antidrone para a proteger os civis do terror militar russo. 


Fotos: TG @kazansky2017

...e a resposta ucraniana

 

No dia 11 de março, os mísseis ucranianos atingiram um terminal petrolífero russo em Tikhoretsk, na região de Krasnodar. 

Vídeos: TG @kazansky2017

quarta-feira, março 11, 2026

A janela de oportunidades para 2ª frente russa contra os países da NATO e da UE

Ler o relatório em lituano, PDF
A rússia está a expandir as suas unidades militares na fronteira da NATO, proporcionando-lhes experiência de combate na Ucrânia, afirma a inteligência lituana na sua avaliação anual das ameaças à segurança em 2026.

Ao longo de toda a fronteira da NATO, estão a ser expandidas brigadas até o nível de divisões e estão a ser criadas novas unidades militares. De acordo com os serviços de informação, a maioria das unidades recém-formadas das forças armadas russas não estão totalmente equipadas e estão a ser criadas por etapas, devido à escassez de pessoal, equipamentos militares e infraestruturas. As unidades recém-formadas e os equipamentos que lhes estão atribuídos não permanecem nas suas áreas de implantação permanentes, mas estão a ser enviados para participar em operações de combate contra Ucrânia.

Anteriormente, os relatórios dos serviços de informação da Lituânia e da Estónia afirmavam que a rússia não pretendia iniciar operações militares na região do Báltico em 2026, e possivelmente em 2027, e que serão necessários cerca de seis anos para reconstruir totalmente o exército e prepará-lo para um conflito com a NATO. Depois disso, o exército russo, possivelmente, será de 30 à 50% mais forte e mais moderno. Mas isto refere-se a um conflito em grande escala com toda a NATO. Pois a rússia não precisa cumprir todos estes prazos para aterrorizar os países vizinhos com drones do tipo Shahed-136 ou organizar os separatismos locais do tipo de criação das «repúblicas populares».

Recentemente, na Estónia, a propaganda russa tenta promover a criação da uma «república popular de Narva» separatista, por enquanto nas redes sociais. No último mês, têm circulado este tipo da propaganda russs, nos canais de Telegram, VK e TikTok, espalhando ideias sobre a separação das cidades de Narva e Ida-Virumaa da Estónia e a criação de uma suposta «república popular». As descrições dos canais são muito diretas: «Esperando pela rússia».

O Ministério da Defesa russo elaborou um projeto de lei que autoriza a «utilização extraterritorial de unidades das forças armadas russas para proteger os cidadãos da federação russa». O documento, segundo a agência de notícias russa Interfax, citando uma fonte, foi aprovado por uma comissão governamental para ser submetido à Duma Estatal.

Esta é a notícia mais importante. Permitam-me recordar que exatamente isto já aconteceu duas vezes antes. A primeira vez foi a 1 de março de 2014, quando o conselho da federação (Cãmara alta do parlamento russo) autorizou o uso de tropas russas na Crimeia. A segunda vez foi a 22 de fevereiro de 2022, quando foi aprovado o uso das forças armadas russas no estrangeiro. Apenas dois dias depois, começou a invasão russa de larga escala da Ucrânia.

Neste momento, os ataques maciços contra Ucrânia praticamente cessaram, tanto nas principais cidades como ao longo da linha da frente. Nota-se uma diminuição significativa do uso de drones russo-iranianos «Shahed-136»/«Geran». Enquanto até mais recente eram usados sem parar, agora os ucranianos dormem mais descansados.

Isto pode indicar indirectamente que a rússia está a acumular recursos para um ataque noutro teatro de guerra.

Conclusão. Aparentemente, putin vê a 3ª Guerra do Golfo como uma janela de oportunidade que se abriu subitamente. O mundo inteiro está agora atento ao Irão, não há excedentes de armas, Trump não tem tempo para isso e os preços do petróleo estão novamente a subir. Uma dádiva divina.

A análise do jornalista russo, Arkady Babchenko, neste momento residente na Estónia e engajado na ajuda técnica às FAU, é bastente pessimista: Na minha opinião, a decisão de atacar os Países Bálticos já foi tomada em princípio, e a utilização extraterritorial das forçasarmadas russas para proteger os cidadãos russos é uma prova directa disso. A Duma Estatal russa nunca produz projetos de lei por iniciativa própria, a menos que a decisão já fosse tomada.E muito menos se o MinDefesa russo for o iniciador. Agora — neste preciso momento — os russos estão sentados a decidir se o momento de ataque já chegou ou ainda não.

terça-feira, março 10, 2026

O primeiro Taras Shevchenko em África

Ocorreu um acontecimento histórico na República do Botswana: naquele país foi erguido o primeiro monumento ao poeta-mor da Ucrânia, Taras Shevchenko, no continente africano, informou o ministro dos NE/RI da Ucrânia, Dr. Andrij Sybiha. 

Fonte: threads.com/@anastasia_elenok

A inauguração do monumento decorreu na maior instituição de ensino do país, a Universidade do Botswana, com a participação da direção, professores, estudantes, corpo diplomático estrangeiro, comunidade ucraniana e jornalistas. 

O monumento foi criado em bronze botsuano pelo escultor Franois Koteze. Durante a cerimónia, o Decano da Faculdade de Ciências Humanas, Tapelo Otlokhetswe, leu a sua própria tradução do «Testamento» para a língua nacional do Botswana, o setswana. 

Existem 1.384 monumentos ao Taras Schevchenko, conhecido como «Kobzar» no mundo, a maioria na Ucrânia, mas 128 estão em 35 outros países. Agora, o primeiro Estado africano, o Botswana, junta-se a eles.

Monumento do Shevchenko metralhado pelos ocupantes russos em Bucha, 2022

Estou grato à Diretora do nosso Departamento de África e Organizações Regionais, Lyubov Abravitova, ao Embaixador da Ucrânia no Botswana, Oleksiy Sivak, e à equipa da embaixada pela implementação desta importante iniciativa, à direção da Universidade do Botswana pela sua cooperação e à nossa comunidade pela sua preocupação. O primeiro Kobzar em solo africano representa a universalidade das ideias de Shevchenko, a intemporalidade das suas palavras e o poder do seu pensamento, que ao longo dos séculos uniu o povo ucraniano e o mundo inteiro em torno dos valores universais da liberdade, da justiça e da identidade nacional, - escreveu o ministro na sua página do Facebook.

Testamento, poema do Taras Shevchenko (1814-1861) 

Quando eu morrer, me enterrem

Na minha amada Ucrânia,

Meu túmulo ficará sobre um monte elevado grave

Em meio à planície se espalhando,

Assim como os campos, as estepes sem limites,

A margem que mergulha do Dnipro.

Meus olhos já podem ver, meus ouvidos ouvem

O rugido poderoso do rio.

 

Quando da Ucrânia

lançado será ao mar azul profundo

o sangue dos inimigos

Então, eu vou deixar

Esses montes e campos férteis

e voar para longe

Para a morada de Deus,

E então eu irei rezar.

Mas até esse dia

Eu nada saberei de Deus.

 

Depois de me enterrar, levantem-se

E rasguem as grilhetas que nos prenderam,

lancem na água o sangue dos tiranos

e comemorem a liberdade

que conquistarão.

E na grande família nova,

A família do livre, do Justo e do Fraterno,

Com fala mansa, e palavras amáveis,

Lembrem-se também de mim.

Tradução livre por Jaime Leitão (com algumas correções do nosso blogue)

É de recordar, que em abril de 2025, a estudante russa de 19 anos, Daria Kozyreva, foi condenada a 2 anos e 8 meses de prisão por ter colado um pedaço de papel com o poema «Testamento» no monumento de poeta ucraniano Taras Shevchenko em São Petersburgo.

Foto: VK da Daria Kozyreva


O surgimento do regime teocrático do Irão em preto no branco

Manifestação a favor da principal figura da oposição, o aiatolá Kazem Shariatmadari. Tabriz, Irão,1980. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

As fotografias do lendário fotógrafo Gilles Peress, tiradas no Irão em 1979. Estas imagens são completamente diferentes de tudo o que já viu, mostrando as condições em que este regime teocrático surgiu há 47 anos. 

Manifestação num estádio. Tabriz, Irão. 1979. © Gilles Peress | Magnum

Ruas do Azerbaijão iraniano. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Apoiantes da oposição, aiatolá Kazem Shariatmadari. Azerbaijão iraniano. 1979.
© Gilles Peress | Fotos de Magnum

Em 1979, ocorreu a revolução islâmica no Irão. O Xá Mohammad Reza Pahlavi foi forçado à abandonar o país, um governo provisório assumiu o poder e, posteriormente, foi proclamada uma república islâmica. Em novembro do mesmo ano, os «estudantes» iranianos afiliados ao novo regime invadiram a embaixada dos EUA em Teerão e fizeram reféns americanos. 

Agentes do serviço secreto real, Savak, em julgamento na prisão de Evin.
Teerão, Irão. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Mãe e filho. Qom, Irão. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Mercado de armas. Curdistão iraniano, 1979. © Gilles Peress | Magnum

Foi então que o fotógrafo francês Gilles Peress chegou ao Irão. Nas suas fotografias para o livro «Telex Iran: In the Name of Revolution», captou o momento e as condições em que o atual regime islâmico estava a emergir. Peress trabalhou durante cinco semanas, e as suas fotografias não contam uma história específica, nem analisam as causas da revolução. Em vez disso, transmitem a atmosfera geral de tensão e violência que pairava no ar.

Viciados no bairro de Gumruch. Teerão, Irão, 1979. © Gilles Peress | Magnum

O clero apresenta queixas ao governo do novo regime.
Azerbaijão iraniano. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Não é claro se o Irão sobreviverá à atual Guerra do Golfo, que eclodiu no final de fevereiro de 2026. O futuro da república islâmica está em jogo — por isso publicamos as fotografias de Peress. Para mostrar as condições em que este regime teocrático surgiu há 47 anos.

Mais fotos do Gilles Peress

domingo, março 08, 2026

A guerra de memes chegou nos EUA aos drones ucranianos

Os utilizadores de redes sociais nos Estados Unidos começaram a criar ativamente os memes após o surgimento da notícia do interesse americano em drones intercetores, desenvolvidos pela Ucrânia, informa o grupo OSINT ucraniano InformNapalm Espanol/Português.







Os drones ucranianos P1Sun (cujo nome também pode ser traduzido como pica, o que, por sua vez, deu à origem aos vários outros memes, desta vez na Ucrânia), concebidos para destruir drones russos, têm-se revelado uma solução muito mais barata e eficaz contra ataques massivos com drones, algo que já atraiu a atenção de vários países.

As lindas e charmosas iranianas nas páginas da revista «Vogue»

Em 1969, Henry Clarke, um fotógrafo de moda, foi ao Irão para tirar uma série de fotos para a revista «Vogue». Ele fotografou suas modelos nas mesquitas e palácios em Teerão, Isfahan, Shiraz e Persépolis. As fotos foram publicadas na «Vogue» em dezembro de 1969.












Esta edição da «Vogue» também incluiu uma foto da Rainha Farah Pahlavi (atualmente de 87 anos de vida) com um vestido inspirado na tradição balúchi de «Souzandoozi», um anúncio da Iran Air promovendo seu serviço de voos de Londres (e outros pontos da Europa) para Teerão e algumas fotos da elegante loja de Vida Zahedi em Teerão, «Number One Avenue Sanieddoleh», na página regular de Boutiques da «Vogue». 


Infelizmente, apenas 10 anos depois o poder no país caiu nas mãos de uma ditadura teocrática protofascista. As forças mas retrógradas e menos evoluídas da sociedade ocuparam o poder, censurando e proibindo as coisas tão banais como a música ocidental e as cantoras femininas, erradicando os animais domésticos / pets ou mesmo as gravatas, consideradas pelo regime dos ayatollah como um símbolo da «opressão ocidental».

Fonte