quinta-feira, agosto 20, 2026

19 de agosto de 1991: a tentativa de golpe do Estado comunista em cartoon

No dia 19 de agosto de 1991, em Moscovo ocorreu a tentativa de golpe do Estado comunista. No seu 35º aniversário compartilhamos o cartoon «Putsch» (literalmente Golpe, 2 min), produzido no estúdio moscovita «Pilot» apenas 4 dias depois. 

No 35º aniversário do golpe de agosto de 1991, recordamos o desenho animado «Putsch» (2 min), produzido no estúdio moscovita «Pilot» em quatro dias, logo após os acontecimentos. O final apresenta a «Canção Patriótica» de Glinka, então o hino nacional russo. 

Em 1991 a democracia russa derrotou o neo-estalinismo, abrindo o caminho do país à democracia. No entanto, uma série de acontecimentos, ditou, o retorno da rússia ao autoritarismo, que 35 anos depois caminha, aos passos largos à um novo império, uma mistrura entre URSS comunista e o velha monarquia russa imperial.

Os acontecimentos do dia 19 de agosto de 1991, vistos por um jovem estudante ucraniano, que fazia os seus primeiros passos no jornalismo.

«Moscovo 2042» 

Edição espanhóla «Moscovo 2042»

O romance distópico «Moscovo 2042» do escritor russo Vladimir Voynovich descreve a rússia no ano de 2042, quando no país se estabelece uma nova ordem – é proclamado um único e eterno czar, nas escolas alunos passam à estudar apenas a teologia, o dicionário clássico da língua russa e as obras de um escritor anticomunista (alusão ao Soljenítsin). Os “voadorkas” (aviões) são proibidos – somente transporte puxado por cavalos pode ser desenvolvido, todos devem ir à igreja, todas as mulheres devem usar roupas longas e cobrir o cabelo, e todos os homens devem usar barba. Na rússia começam as execuções em massa e as repressões, semelhantes às dos comunistas, mas em nome de uma outra coisa...

Museu Memorial dos Mártires do Terror Vermelho em Addis Ababa

Póster da propaganda comunista etíope. Fonte: Wikipédia

Tour virtual pelo Museu Memorial dos Mártires do Terror Vermelho em Addis Ababa, na Etiópia. País africano, que apostou na construção do «socialismo africano» durante um longo período, de 1974 a 1991, com o apoio da URSS e da China, enquanto o país era governado pelo brutal ditador Mengistu Haile Mariam.


Intelectuais como primeiras vítimas

Torturas típicas usadas pela junta comunista Derg

Paradas militares, fome e mortes

Presidente de uma junta político-militar marxista-leninista, Haile Mariam, decidiu transformar a Etiópia profundamente agrária num centro africano de indústria e ciência, muito influenciado pelo marxismo militarista de Ceaușescu e Pol Pot, com a sua colectivização forçada e a supressão até mais pequena dissidência política. Durante o seu regime, e no decorrer do Terror Vermelho morreram entre 1,5 e 2 milhões de pessoas, e o país afundou-se na fome e na pobreza absoluta.


As pertenças de vítimas, imagem muito semelhante aos campos de concentração nazis


Restos mortais de inúmeras vítimas

Com o apoio militar soviético, Haile Mariam conseguiu criar o maior exército de África, com milhares dos mais modernos tanques soviéticos e a força aérea mais poderosa do continente. No entanto, este vasto exército de pobretonas revelou-se incapaz de vencer os rebeldes na Eritreia, que não só derrotaram as tropas etíopes através de tácticas de guerrilha, como também apreenderam uma enorme quantidade de equipamentos militares. A perda da Eritreia, juntamente com a perda do acesso ao mar, para além da devastação e da fome, levaram à revolução. O ditador foi deposto e fugiu para o Zimbabué para se juntar ao seu amigo Robert Mugabe, e onde, aparentemente, vive até hoje.

Faces dos etíopes mortos no decorrer do terror vermelho

A famosa foto (à esquerda) do Haile Mariam à atirrar uma garrafa de sangue a multidão. 1.04.1977 

Fotos e texto: Alexander Lapshin

quarta-feira, agosto 19, 2026

Ucrânia atinge a refinaria em Ufa e alvos estratégicos em Cheboksary

No dia 19 de agosto, na cidade de Ufa, em Bascortostão, os drones de longo alcance das Forças de Defesa da Ucrânia atingiram, com sucesso, a refinaria «Bashneft-UNPZ». Os drones, por poucos metros, não chegaram à torre principal do ELOU-AVT-6, conseguindo atingir e incendiar o sistema de oleodutos.

A refinaria de Ufa após o ataque de drones ucranianos deep-strike

Aos 13 de agosto de 2026, as Forças de Defesa da Ucrânia atacaram o centro logístico da «Wildberries Ufa», na localidade de Chishmiv, no Bascortostão. Após o ataque, um incêndio de grandes proporções devastou parte dos armazéns.

Armazém de «Wildberries Ufa» após o ataque de 13 de agosto

Controlo objetivo de um dos maiores centros logísticos da «Wildberries» em Koledino, na região de Moscovo, após o ataque das FAU em 16 de agosto. Um dos principais nós logísticos da empresa, com uma área operacional de 229.500 m².


Armazém de «Wildberries» em Kaledino após o ataque de 16 de agosto

Após a destruição do maior centro logístico, as empresas de transporte começaram a retirar o logotipo/logomarca da «Wildberries» dos seus camiões/nhões de transporte de marcadorias. 

As ruínas de um dos complexos de «Domodedovo Norte», após o ataque ucraniano de 16 de agosto. Os armazéns que serviam de centro logístico foram completamente destruídos.


Um dos armazéns logísticos de «Domodedovo Norte», após o ataque de 16 de agosto

O vídeo cotado como filmado na autoestrada Mariupol-Berdyansk, os drones middle-strike ucranianos continuam a atingir a logística militar e paramilitar russa no sul da Ucrânia temporariamente ocupada:


Uma subestação elétrica em chamas em Cheboksary, na região de Chuvachia:

 

A fábrica militar VNIIR, atingida anteriormente pelos mísseis FP-5 Flamingo, está em ruínas, com uma subestação em chamas em segundo plano. 



Cidade de Cheboksary, região de Chuváchia

Ucrânia consegue, numa troca dos POW, a libertação dos 103 defensores da Ucrânia. São defensores da Ucrânia das Forças Armadas, do Serviço de Guarda-fronteira e da Guarda Nacional (NGU). Entre os libertados estão soldados que defenderam a Ucrânia nas direções de Mariupol, Donetsk, Luhansk, Kharkiv, Zaporízhia, Kherson, Dnipro e Sumy.

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Fontes: Exilenova_plus; V_Zelenskiy_official

terça-feira, agosto 18, 2026

O «Salto para a Liberdade», uma das fotografias mais famosas da Guerra Fria

Aos 15 de agosto de 1961, dois dias após o início da construção do Muro de Berlim, a fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental foi selada com arame farpado na esquina das ruas Bernauer Strasse e Ruppiner Strasse. Conrad Schumann, de 19 anos, membro do quartel da Polícia Popular da Alemanha de Leste, foi destacado para a guardar.

No seu posto, Schumann fumava muito, mudava o peso de um pé para o outro e aproximava-se repetidamente da vedação, pressionando o arame com o pé, como se estivesse a testar o seu salto. Mais tarde, explicou a sua decisão de forma muito simples: não queria disparar sobre as pessoas, não queria prender ninguém e não queria ele próprio ficar preso. Decidiu escapar ao Ocidente no seu próprio turno.

Os berlinenses ocidentais do outro lado da fronteira aperceberam-se do seu comportamento. Schumann fez sinal a um deles que pretendia fugir. A polícia de Berlim Ocidental parou um carro, pronta para obrigar o desertor de imediato.

Os operadores de câmara também observavam a cena. Um deles era o fotógrafo Peter Laibing, que trabalhava para a agência fotográfica Conti-Press, de Hamburgo. Reparou no nervosismo do polícia da Alemanha de Leste e pré-focou a sua teleobjetiva no arame farpado. Laibing decidiu esperar: o comportamento de Schumann indicava que algo estava prestes a acontecer.

O operador de câmara Dieter Hoffmann trabalhava nas proximidades. A sua câmara de 16mm captou não só o clímax, mas também os preparativos de Schumann para a fuga. Por isso, hoje o episódio pode ser visto quase exatamente como foi testemunhado por aqueles que estavam no lado ocidental da fronteira: o jovem polícia caminha de um lado para o outro perto do arame farpado, hesita e, depois, toma subitamente uma decisão.

Por volta das quatro horas da tarde, Schumann esperou até que os outros polícias da Alemanha de Leste se distraíssem. Tomou impulso e saltou sobre o arame farpado num único movimento. Ao saltar, deixou, propositadamente, cair a sub-metralhadora PPSh do ombro, aterrou no lado ocidental e correu em direção ao carro da polícia de Berlim Ocidental que o aguardava. Poucos segundos depois, o carro já o levava para longe da fronteira.

Foi nesse instante que Peter Laibing premiu o gatilho. Na fotografia, Schumann parece suspenso entre dois mundos: as pernas abertas acima do arame farpado, o uniforme a esvoaçar, a arma a escorregar-lhe do ombro. A imagem foi intitulada «Sprung in die Freiheit» (Salto para a Liberdade) e tornou-se uma das fotografias mais reconhecidas da Guerra Fria.

Dieter Hoffmann filmava a mesma cena em simultâneo. Enquanto a fotografia de Laibing transformou o momento num símbolo, o filme de Hoffmann captou a ação em si — a espera, a corrida, o salto e a corrida de Schumann até ao carro. Assim, um dos episódios mais famosos da história do Muro de Berlim foi excecionalmente bem documentado por dois meios: a fotografia e a filmagem.

A vida do homem na fotografia, depois do seu famoso salto, foi muito mais difícil do que esta imagem quase triunfante poderia sugerir.

Após a fuga, Schumann passou por campos de refugiados e acabou por se estabelecer na Baviera, perto de Günzburg. Trabalhou durante algum tempo como enfermeiro e depois encontrou emprego numa vinícola. Em 1962, casou e teve um filho. Em 1970, a família mudou-se para a Alta Baviera e Schumann conseguiu um emprego na fábrica da Audi em Ingolstadt. Aí, tornou-se um operário comum — operador de torno e, mais tarde, ajustador de máquinas.

Schumann tentou levar uma vida o mais normal possível. Segundo as memórias do filho, o famoso salto raramente era mencionado em casa — o pai mostrava-se relutante em falar sobre o assunto. Mesmo muitos colegas da Audi não sabiam, durante muito tempo, que o mecânico que trabalhava ao seu lado era o mesmo homem de uma das fotografias mais famosas do século XX.

No entanto, as consequências da sua fuga nunca desapareceram. Na RDA, Schumann era considerado não só um «Republikflüchtling» — alguém que tinha abandonado o país ilegalmente — mas também um desertor. O Ministério da Segurança do Estado abriu um importante dossier sobre ele e continuou a monitorizar a sua vida no Ocidente. Os seus parentes na Saxónia estavam sob vigilância.

Vinte anos depois do salto, em 1981, Schumann posa em frente à icónica foto de Peter Leibing. Imagem: Edwin Reichert/AP

Schumann vivia com o medo constante de ser raptado ou de sofrer represálias. Tentaram manter o seu endereço em segredo. Os documentos da Stasi listavam-no como procurado; o processo contra ele manteve-se ativo quase até ao fim da RDA. Quando as autoridades da Alemanha de Leste declararam amnistia aos que tinham fugido do país, em 1987, Schumann estava entre os excluídos. Se regressasse voluntariamente, enfrentaria uma longa pena de prisão por deserção.

Em 1987, Schumann esteve presente em Berlim Ocidental durante o famoso discurso de Ronald Reagan junto às Portas de Brandemburgo — aquele em que o presidente norte-americano declarou: «Senhor Gorbachev, derrube este muro». Schumann chegou a encontrar-se com Reagan.

O desaparecimento da RDA após a queda do Muro de Berlim não significou que as consequências da sua fuga tenham desaparecido com ela. Schumann começou a visitar a sua Saxónia natal, mas o relacionamento com alguns familiares e conhecidos revelou-se difícil. Para a Alemanha Ocidental, era um herói que tinha «saltado para a liberdade», mas as pessoas da sua terra natal continuavam a vê-lo como um desertor e um homem que tinha abandonado a sua família. Segundo os seus familiares, estes encontros eram tensos.

O medo antigo da Stasi também persistia. Formalmente, a Stasi já não existia, mas as pessoas que Schumann temera há quase trinta anos permaneciam. A sua esposa relatou mais tarde que, após a reunificação alemã, a ansiedade do marido não tinha diminuído significativamente. Através de documentos desclassificados, a família descobriu posteriormente o quão de perto o serviço secreto da Alemanha de Leste o monitorizava, bem como os seus familiares.

A 20 de junho de 1998, Conrad Schumann, de 56 anos, enforcou-se no jardim da sua casa, na Baviera. Os motivos exatos do seu suicídio são desconhecidos. Infelizmente, ele não deixou nenhuma nota que explicaria as razões da sua decisão. As pessoas que conheceram Schumann falaram da sua ansiedade de longa data, do peso do seu passado e da complexidade da sua relação com a sua pátria após a unificação da Alemanha, mas ele não deixou uma explicação clara.

domingo, agosto 16, 2026

⚡️🔥 Ucrânia atinge centros «Wildberries» na região de Moscovo e alvos na Crimeia ocupada

Os drones ucranianos, atingiram, com muito sucesso, o maior centro de distribuição da «Wildberries», situado nos arredores de Moscovo, em Koledino, com uma área de 229.500 m² e dois armazéns no complexo logístico «Domodedovo Norte».

 

Após os anteriores ataques ucranianos aos outros grandes centros da «Wildberries», o foco logístico principal foi redistribuído para Koledino (localização: 55.386345, 37.584193), o que aumentou ainda mais a sua importância. Um incêndio de grandes proporções deflagrou após as explosões, tendo o armazém principal ficado completamente destruído.

 

O centro de distribuição da «Wildberries» em Koledino, era utilizado pelo Ministério da Defesa russo para armazenar as cargas militares. O que até pode ser confirmado pelo tipo de fumo, produzido pelo incêndio no local.


Um outro complexo de produção e logística de 51.700 m² (localização: 55.473179, 37.723962), situado no complexo «Domodedovo Norte» também foi atingido em cheio; o espaço estava sendo alugado pelas empresas russas «Logistics Agency 20A» e «Almafood». O chefe de distrito confirmou a completa destruição de um outro armazém, com uma área de 56.000 m². O cliente mais interessante do local é a «NC Logistic». Trata-se de um grande operador logístico terceirizado (3PL) especializado na indústria farmacêutica.

A operação militar especial russa, a dita «SVO», está a decorrer conforme o planeado!

Armazém de «Wildberries» em Kaledino em chamas, 16.08.2026

As forças especiais ucranianas, as SSO-SOU, estão a trabalhar intensamente com os alvos russos na cidade de Feodosia, na Crimeia ocupada. 

Os prováveis alvos russos em Feodósia, na Crimeia ocupada

O vídeo, muito provávelmente, mostra as posições dos sistemas de defesa aérea russa na cidade de Feodosia, já em chamas. O NASA FIRMS regista incêndios na área do radar e no local das posições dos complexos antiaéreos S-300/S-400.


Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017;

sábado, agosto 15, 2026

🔥Os mísseis de cruzeiro FP-5 Flamingo atingem os alvos russos em Samara

Na noite de 15 de agosto, Ucrânia atingiu, com sucesso, o centro espacial e de foguetões «Progress», em Samara – a única empresa russa, dedicada à montagem em série de foguetões do grupo «Soyuz-2». Também foi danificado o aeródromo militar de Savasleyka, onde estão baseados os caças russos MiG-31K.

 

O ataque atingiu provavelmente o edifício 106A – 53.217623, 50.303163. Faz parte da linha de produção dos foguetões espaciais «Soyuz». O edifício 106A opera a um elevado nível de limpeza: aqui são montados equipamentos elétricos, instrumentos e placas de circuito impresso – na verdade, o «sistema nervoso» do veículo de lançamento: sistema de controlo, rede de cabos, compartimento de instrumentos. Sem esta etapa, o foguetão não pode ser montado, mesmo quando o casco e os tanques estão prontos. 

O edifício 106B também se encontra nas proximidades e é responsável pela montagem final. 

Uma instalação como esta demora mais tempo a ser restaurada do que uma unidade de produção normal. Incêndio, fuligem e água de combate a incêndios num edifício de alta limpeza significam não só a reparação do telhado, mas também a requalificação das áreas limpas, a recertificação do processo técnico e o controlo repetido do pó – meses, e não semanas. Acresce um circuito de sanções: a electrónica usada ao bordo das «Soyuz» depende de uma base de componentes importados e de fornecimento limitado, que não podem ser adquiridos actualmente. 




Cidade de Samara após receber os impactos dos FP-5 Flamingo 

A importância estratégica de «Progress» reside na sua singularidade. É o único ponto de montagem de toda a linha de produção da «Soyuz-2», com a qual a rússia implanta tanto o reabastecimento do grupo orbital militar (rádio-técnico e designação de alvos «Liana», reconhecimento óptico «Persona»/«Razdan»), como o variante russa de «starlink» – a internet por satélite «Rassvet», fornecido pelo «Bureau 1440», usada exclusivamente pelos fogutões «Soyuz-2.1b». Não existe qualquer outra unidade dessa produção. 

Instalação da fábrica progress em Samara, vista de satélite

A extensão dos danos está a ser determinada por imagens de satélite. 

As forças ucranianas infligem também os danos no aeródromo militar de Savasleyka, na região de Nizhny Novgorod, onde estão baseados os caças russos MiG-31K, portadores de mísseis aerobalísticos «Kinzhal», usados nos bombardeamentos da Ucrânia:

Imediações do aeródromo militar de Savasleyka


A tragédia da intelligentsia judaica na Noite dos Poetas Assassinados

Iosif Vaisbalt, da série «Prisão», 1963

Aos 12 de agosto de 1952, por ordem direta de Estaline, foram executados em Moscovo treze intelectuais e ativistas judaicos, condenadas no processo do Comité Judaico Antifascista soviético. Váras vítimas daquela Noite dos Poetas Assassinados eram naturais da Ucrânia. 

Entre os executados encontravam-se proeminentes escritores e intelectuais judeus, vários deles naturais da Ucrânia: poeta e tradutor Leib Kvitko, poeta e dramaturgo Peretz Markish, poeta Itzik Feffer, poeta e tradutor Dovid Hofshteyn, escritor e dramaturgo David Bergelson. No total, inúmeros judeus em toda a URSS foram presos e processados judicialmente ​​em conexão com o caso, sob acusações de espionagem e «atividades nacionalistas anti-soviéticas». 

Entre os presos, que conseguiu sobreviver estava o artista judaico-ucraniano Iosif Weissblat (1898-1979), filho do rabino-chefe de Kyiv.

Iosif Weissbalt no momento da sua detenção, arquivo de MGB, 1951

«Da Ordem de Detenção,

8 de março de 1951.

O Responsável especial, 1ºTenente Leleko, do Departamento do Distrito de Krasnogvardeisky do MGB de Moscovo:

O cidadão Weissbalt I.N. durante bastante tempo demonstra uma forte tendência anti-soviética e nacionalista, manifesta a insatisfação com as condições de vida na URSS, venera tudo o que é estrangeiro e difama os dirigentes do partido e do Governo Soviético.

Propõe-se a detenção do cidadão Weissbalt I.N.

Concordo — o tenente-coronel Grishin, Chefe do Departamento do Distrito de Krasnogvardeisky do MGB de Moscovo.

Coronel Serov, Chefe do Departamento do MGB da Região de Moscovo».

Iosif Weissbalt, no exílio pós-GULAG, 1954

As imagens: o quadro de Iosif Weissblat da série «Prisão» (1963), e as suas fotos na prisão em 1951 e no exílio/degredo em 1954.

sexta-feira, agosto 14, 2026

Mercenários africanos — vítimas da ganância dos recrutadores russos

Os recrutadores russos, que aliciam os jovens africanos à servirem no exército neocolonial russo, inventaram o sistema de «prestação de serviços», que permite aos recrutadores ficarem com entre 30% à 83% dos valores pagos aos africanos pelo MinDefesa russo. 

O esquema é muito simples. Os jovens são recrutados em países mais pobres com a promessa de não serem usados em combates, mas apenas em tarefas da retaguarda, subordinados ao Ministério da Defesa russo, com salários mensais de 2.000 à 2.500 dólares e um bônus único de 5.000 a 6.000 dólares. No Uganda, os recrutadores russos usam a empresa «Meteorinvestproekt», LLC; apresentada como a provedora dos serviços: pela assistência na assinatura do contrato, pelo custeio da viagem, obtenção do visto, comunicação com a família, etc., o mercenário concorda em pagar até 83% do valor do bônus e até 30% dos seu salário mensal ao recrutador. A cobrança pode variar consoante a ganância do recrutador, por exemplo, uma outra empresa russa de recrutamento cobrou aos mercenários nigerianos apenas a metade do valor do bônus de assinatura do contrato. 

Mercenário nigeriano Chukwuebuka Joseph (25.10.1994), que pagou aos
recrutadores russos 50% do seu bônus do exército russo, morreu na Ucrânia

A «Meteorinvestproekt», LLC é prática e cínica e sabe que pode explorar estrangeiros mensalmente até o dia da sua morte. Inclui uma cláusula nos seus contratos de «prestação de serviços», exigindo que a vítima lhe pague 30% do seu salário mensal. Assim, a empresa russa recebe 1.150 dólares mensais sem fazer absolutamente nada. 

Para os russos, os mercenários africanos ou asiáticos são verdadeiramente descartáveis. O Ministério da Defesa russo utiliza-os para satisfazer a sua necessidade de tropa de ataque, e os recrutadores russos ganham milhões com cada soldado contratado que trazem. Ao soldado recrutado são prometidas apenas algumas migalhas, que provavelmente nunca receberá de qualquer forma, uma vez que morrerá em mais um ataque russo inútil. 

Como foi o caso da esposa do cidadão zimbabweano Wheda Joseph, que gravou a mensagem em vídeo na qual explica que o marido, de 51 anos, foi para a rússia à procura de trabalho remunerado, mas acabou por se ver enviado à guerra. Um recrutador prometeu emprego legal na construção civil, mas, como acontece frequentemente, tratou-se de um golpe clássico contra os estrangeiros. Wheda recebeu um contrato para assinar em russo, sem qualquer tradução, com a garantia de que se tratava de um simples contrato de trabalho. A 8 de junho de 2026, Wheda assinou o documento e, na prática, caiu num regime de servidão mortal nas mãos do Ministério da Defesa russo. Foi então enviado para Ucrânia. O seu último contacto com a família foi em 17 de julho de 2026. Não se sabe o seu destino e desconfia-se que esteja morto algures nas estepes da Ucrânia.

Mais um lembrete para os cidadãos estrangeiros de que as viagens à rússia «em trabalho» terminam, geralmente, em clima da coersão e assinatura do contrato para servirem numa guerra neocolonial e injusta.

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Peru regista mortes e desaparecimentos dos peruanos que lutaram pela rússia

O governo do Peru divulgou oficialmente dados sobre o número de baixas entre os seus cidadãos, recrutados para o exército russo para combater na guerra neocolonial russa contra Ucrânia. Constam-se 11 mortos, 114 desaparecidos e 3 capturados. 

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru, dos 459 peruanos que assinaram contratos com as forças armadas russas, 11 foram mortos, 114 constam como desaparecidos e três foram capturados. Além disso o MNE do Peru informa que a secção consular da Embaixada do Peru na federação russa auxiliou e coordenou o repatriamento de dois jovens peruanos em situação de vulnerabilidade, que escaparam ao recrutamento forçado a que foram sujeitos para servir na guerra contra Ucrânia. Até a data (9 de agosto de 2026) as autoridades peruanas já evacuaram da rússia 31 peruanos (28 regressaram ao Peru e 3 permanecem na Europa por opção própria).

Familiares de peruanos recrutados pela rússia para combater na guerra contra Ucrânia foram fotografados no dia 4 de agosto de 2026 durante uma manifestação que exigia o regresso dos seus entes queridos, especialmente os feridos, em frente à Embaixada da rússia em Lima, no Peru.
Foto: Paula Bayarte/EFE

Portanto, pelo menos 128 cidadãos peruanos — quase 28% do total de recrutados — na realidade já foram mortos, estão desaparecidos ou foram capturados. 

O número de desaparecidos é particularmente alarmante. Este número é mais de dez vezes superior ao de mortos oficialmente confirmados. Esta é uma prática comum do exército russo, especialmente no caso dos estrangeiros, cuja busca, evacuação e repatriamento dos corpos não são realizadas. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru enfatizou que os dados publicados foram oficialmente confirmados. Ao mesmo tempo, familiares dos peruanos recrutados afirmam que o número de mortos pode ser significativamente maior. É também importante compreender que o número de vítimas está a aumentar constantemente e que o governo peruano não está claramente a conseguir acompanhar esta contagem. Por exemplo, já há mais peruanos em cativeiro do que à data desta publicação. 

As autoridades peruanas alertaram ainda os cidadãos para os perigos dos esquemas de recrutamento disfarçados de ofertas de emprego bem remunerado na rússia. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, alguns cidadãos peruanos afirmaram que, depois de chegarem à rússia, foram obrigados a assinar contratos e a participar na guerra contra Ucrânia. 

Com base nos nomes que Ucrânia dispõe, hoje são conhecidos mais de 28.000 cidadãos estrangeiros recrutados pela rússia. Todos eles servem um único propósito: servirem de «carne para canhão», comprados e importados do estrangeiro, uma vez que as suas mortes não acarretam consequências negativas para a sociedade russa.

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quinta-feira, agosto 13, 2026

Ucrânia atinge, com sucesso, a armada russa no porto de Novorossiysk

Na noite de 11 à 12 de agosto, as FAU e SBU, realizaram uma operação inédita em atingir, com vários meios e em simultâneo, a base naval de Novorossiysk – o último posto avançado principal da frota russa no Mar Negro, a mais de 300 quilómetros da linha da frente.

Os drones «Palanytsia», os mísseis «Neptun» e drones navais atingiram, com precisão e sucesso, os alvos designados: inclusivamente as fragatas «Almirante Makarov» e «Almirante Essen», portadores de mísseis «Kalibr», além do navio patrulha «Vasily Bykov». Também foram confirmados os impactos nas posições de defesa aérea, nos atracadouros e nas infraestruturas portuárias. 

Porto comercial de Novorossiysk, 12 de agosto de 2026

Na noite de 11 para 12 de agosto de 2026, como resultado de uma operação conjunta de ataque profundo das Forças de Segurança e Defesa da Ucrânia, na qual foram utilizados operadores do Departamento de Operações Ativas e do Departamento de Sistemas Não Tripulados do Ministério da Defesa da Ucrânia, bem como do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), da Marinha, do Serviço Estatal de Guarda-fronteira da Ucrânia em cooperação com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, foram atingidos alvos militares de alto valor da rússia em Novorossiysk, à saber: 

  • as fragatas “Almirante Essen” e “Almirante Makarov” — portadoras dos mísseis “Kalibr”;
  • o navio patrulha “Vasily Bykov”;
  • a infra-estrutura do depósito petrolífero “Grushovaya” e do terminal petrolífero “Sheskharis”;
  • o radar 30N6E do complexo S-300. 

«Agradeço aos militares das Forças Armadas da Ucrânia, ao Serviço de Segurança da Ucrânia e à nossa inteligência pela sua precisão e pelos bons resultados. A frota de ocupação e todas as infraestruturas que a suportam não estarão seguras enquanto a agressão russa continuar. A guerra deve parar, e todas as propostas diplomáticas adequadas estão em cima da mesa. Glória à Ucrânia!», escreveu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Os armazéns de «Wildberries» na cidade russa de Voronezh:

 

As imagens raras: a câmara de um membro da tripulação do cargueiro «Yasar», sob a bandeira do Panama, registou o momento inédito em que o drone ucraniano atinge o bulker e os momentos depois:


Fontes: DIUkraine; risk_dept; kazansky2017