quinta-feira, abril 30, 2026

💣 Ucrânia atinge petróleo em Perm e embarcações junto a Ponte de Kerch

Uma unidade de destilação atmosférica de petróleo a vácuo está em chamas em Perm. Não se trata apenas de um tanque de combustível, mas de um equipamento importante, cuja destruição afetará a futura produção petrolífera russa. 





Logo à seguir, os drones ucranianos atingiram Permnefteorgsintez: a fábrica/planta de processamento do petróleo. A Estação de Produção e Despacho em Linha (LPDS) «Perm» é uma «artéria de transporte», que opera na mesma cadeia de produção do petróleo com a Permnefteorgsintez. Ou seja, Ucrânia atinge o conjunto completo do sistema russo de produção de petróleo. Está dizimando todo o arsenal russo.


Os momentos ímpares em que os drones ucranianos «Lyutiy» atingem as instalações russas:


Ucrânia atinge embarcações russas que protegiam a Ponte de Kerch

Na noite de 30 de abril de 2026, os drones marítimos da Marinha da Guerra da Ucrânia danificaram a frota de navios e embarcações russas na área do Estreito de Kerch. Como resultado do ataque, foram atingidas a lancha de patrulha «Sobol» do FSB e a lancha antissabotagem «Grachonok». O ataque causou perdas ​​e danos nos ocupantes russos. 

Essas embarcações são unidades-chave da Guarda Costeira do Serviço de Fronteiras do FSB e da marinha russa, utilizadas para proteger a Ponte de Kerch. Este é mais um exemplo do trabalho eficaz da Marinha ucraniana e da redução constante das capacidades russas no Mar Negro.

Glória à Ucrânia!

Fontes: kazansky2017; exilenova_plus

❗️⚠️💀 Os estrangeiros residentes é o novo alvo do MinDefesa russo

Até o fim de 2026, a rússia planeia recrutar, no mínimo, 18.500 estrangeiros residentes para a sua guerra neocolonial. O alvo principal são os cidadãos dos países da Ásia Central pós-soviética e outros países mais pobres da África e da Ásia. O projeto ucraniano «Quero Viver» revela detalhes. 

Em 2026 a rússia está intensificando os esforços para recrutar estrangeiros, incluindo migrantes, para o seu exército de ocupação. Em todos as regiões russas foram realizadas verificações de controlo/e do número de estrangeiros residentes, homens com idades entre 18 e 60 anos. 

As verificações foram realizadas pela Diretoria Principal de Organização e Mobilização do Estado-Maior das Forças Armadas da federação russa, em conjunto com o Serviço de Cidadania e Registro de Cidadãos Estrangeiros do Ministério do Interior da rússia. 

Indicadores específicos de mobilização foram apresentados aos comissariados militares: recrutar à guerra criminosa contra Ucrânia de 0,5% a 3,5% do número total de estrangeiros residentes em cada região russa. O recrutamento é realizado por meio de 97 postos de recrutamento. O maior número desses postos está no Distrito Militar Central — 30. Nos Distritos de Moscovo/ou e do Sul — 21 cada, no Leste — 14, e o menor na região de Leninegrado — 11. 

No total, até 2026, o Ministério da Defesa russo planeia recrutar pelo menos 18.500 cidadãos estrangeiros para o seu exército de ocupação. 

O principal alvo do recrutamento militar russo são os cidadãos dos países da Ásia Central: Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão e Tadjiquistão. Paralelamente, o recrutamento está sendo realizado fora da rússia. As áreas prioritárias estão Bangladesh, Chade, Sudão, Burundi e outros países mais pobres da África e da Ásia. 

Além dos postos de recrutamento oficiais, o recrutamento nas regiões russas é realizado por estruturas paramilitares, criadas sob o controlo/e dos serviços secretos russos, em particular o GRU: as alegadas EMP, com os nomes pomposos de “Redut”, “Konvoy”, “Wagner-2”, “Potok”, “Irmãos de Guerra Russos”, “Fakel”, “Patriot”, “Plamya”, “Sokol”, “Veteranos”. 

Para atrair estrangeiros, além de promessas de altos salários, benefícios sociais e obtenção da cidadania russa, usam-se as velhas táticas de pressão e coerção. Os russos exploram a vulnerabilidade jurídica de cidadãos estrangeiros, residentes no seu território, em particular: 

  • expiração de visto de turista ou estudante;
  • impossibilidade de prorrogar o visto ou regularizar a situação dentro dos prazos estabelecidos;
  • detenção administrativa por violação da legislação migratória russa. 

Nessas condições, criadas, artificialmente pelo regime russo, os estrangeiros recebem uma “alternativa”, isso é, a sua participação na guerra contra Ucrânia. Forçados à escolher entre uma longa pena de prisão (são mencionadas penas de até 8 anos) e assinatura de um contrato para servir nas forças armadas russas. 

O Ministério da Defesa da Ucrânia alerta cidadãos estrangeiros contra viagens à federação russa e contra aceitação de execução de quaisquer empregos/trabalhos no território russo. Uma viagem à rússia é um risco real de acabar num esquadrão kamikaze de “homens-bomba” e, em última instância, apodrecer em solo ucraniano. 

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quarta-feira, abril 29, 2026

Ucrânia atinge helicópteros militares russos Mi-17 e Mi-28 em Voronezh

O novo recorde incrível de drones ucranianos SBS. Na região russa de Voronezh, a 150 (!) quilómetros da linha de frente, os drones de ataque ucranianos conseguiram atingir dois helicópteros militares russos Mi-17 e Mi-28, estacionados no solo. 

Blogueiro militar russo confirma o deep strike ucraniano

A ação ucraniana foi confirmada pelo propagandista militar russo Kirill Fedorov, que «está chocado». O propagandista russo não consegue entender como isso foi possível. 

Nesta noite, os vários alvos estratégicos russos em Perm (mais de 1.500 km da Ucrânia) foram atacados com sucesso pelos drones de ataque do Centro de Operações Especiais CSO «A» SBU. 



A LUKOIL-Permnefteorgsintez ou Transneft e outras empresas foram danificadas (muitas vezes as instalações destas empresas se situam junto umas às outras, por isso informações estão sendo apuradas).

Também foi atingida uma refinaria de petróleo em Orsk, na região de Orenburg (vídeo acima). 

Além disso, segundo as informações não confirmadas de forma independente (apenas a fonte do Kremlin), houve uma tentativa de liquidação do major-general Azambek Omburekov, ex-comandante da 64ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, que em 2022 ocupou a Bucha. A explosão ocorreu em uma unidade militar na vila de Knyaze-Volkonskoye-1, na região de Khabarovsk, no Extremo Oriente russo. 

O explosivo foi colocada numa caixa de correio do prédio Nrº 55. 

Como resultado, a explosão matou o comandante do batalhão de comunicações, o tenente-coronel Kuzmenko, e vários outros militares ficaram feridos. O estado de saúde de Omburekov ainda é desconhecido. Desde 2023, o general Omurbekov chefiava o 392º Centro Distrital de Treino/amento de Oficiais Subalternos do Distrito Militar Oriental. 

Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017; nevzorovtv

terça-feira, abril 28, 2026

Tuapse. A retribuição justa pela invasão russa da Ucrânia

Em resultado dos novos ataques ucranianos, pelo menos 4 tanques no território da refinaria de petróleo de Tuapse estão em chamas. Nos ataques anteriores o alvo era a zona de tanques, desta vez o alvo principal é a própria refinaria de Tuapse. 

Pontos de dano confirmados:

  • pelo menos 2 tanques: 44.103117,39.102745
  • 1 tanque: 44.100777,39.096268
  • 1 tanque: 44.103963,39.095760 

Há possibilidade de o fogo se alastrar para tanques vizinhos. 

Mas nada disso teria acontecido se putin e regime russo simplesmente tivessem concordado em estender a trégua da Páscoa, como foi proposto pela Ucrânia. Então, putin literalmente fez tudo isso com a própria Tuapse. 


Os drones ucranianos atingiram também o prédio da administração das forças de ocupação em Markivka, na região de Luhansk.

Foi relatado que uma reunião das forças russas de ocupação estava ocorrendo no local, razão pela qual houve muitos feridos. Três ocupantes gravemente feridas foram evacuados de helicóptero. De acordo com relatos não confirmados, há baixas entre os militares e russos que trabalhavam no prédio. 

Fontes: Exilenova_plus; kazansky2017

A guerra na Ucrânia: drones FPV ucranianos vs táticas russas da II G.M.

Dado a desigualdade do tamanho dos recursos humanos, disponíveis às duas partes da guerra russo-ucraniana, os beligerantes tomaram decisões estratégicas opostas. Ucrânia apostou no uso maciço de drones FPV e a rússia, recupera as «táticas gloriosas» soviéticas usadas na II G.M. 

Imagens contemplativas em 4k da eliminação de «russos supérfluos» por operadores de drones do Centro CSO «A» do SBU. Na última semana de abril de 2026, as unidades da Alfa eliminaram 2.812 ocupantes russos, em toda a linha de frente (número representa os ocupantes KIA e WIA):

Um outro vídeo de encontro multicultural épico de um drone FPV ucraniano com um cami(nh)ão carregado com 11 ocupantes russos na área tática de Hulyaipole, na região de Zaporízhia. A pontuação eletrônica é recebida pelos pilotos ucranianos de elite da unidade da Guarda-fronteira «Fênix»:

A destruição dos invasores russos em Pokrovsk. Cada alvo atingido pelos drones facilita o trabalho das tropas de assalto no terreno: 

Como é claro, os equipamentos pesados russos também não são esquecidos. A explosão épica de um cami(nh)ão russo, carregado de munição, após um ataque de drone kamikaze ucraniano:

Fontes: SBU; Feniksdpsu; Exilenova_plus

segunda-feira, abril 27, 2026

O dia em que Mikhail Gorbachev iniciou à Perestroika

Em 23 de abril de 1985, no plenário do Comité Central do PCUS, o Secretário-Geral Mikhail Gorbachev apresentou um relatório e declarou um rumo para mudanças na política económica e social da URSS.

Capa do jornal «Pravda» de 24 de abril de 1985

Gorbachev assumiu a liderança do partido em 11 de março de 1985, após a morte de Konstantin Chernenko. A nova política foi chamada de Uskorenie (aceleração do desenvolvimento socioeconómico) e mais tarde tornou-se parte da derradeira tríade soviética de Perestroika (reconstrução) - Glasnost (transparência) - Uskorenie (aceleração).

Assim, Gorbachev tentou salvar a URSS, que, de uma forma acelerada rumava ao seu colapso final e inevitável.

Pin soviético «Perestroika, democracia, transparência»

Mas só um ano depois, já se sentindo razoavelmente seguro como o novo líder soviético, em 8 de abril de 1986, durante uma visita a Togliatti, Gorbachev, falando aos operários da Fábrica de Automóveis Volga, usou publicamente, pela primeira vez, a palavra Perestroika para descrever o rumo da mudança na URSS. Antes disso, após sua eleição como Secretário-Geral em março de 1985, a retórica oficial soviética usava a fórmula «aceleração do desenvolvimento socioeconómico».

Gorby na fábrica automóvel de Togliatti que produzia as Ladas «Zhiguli»

«Devemos começar, antes de tudo, com a reestruturação do pensamento e da psicologia, da organização, do estilo e dos métodos de trabalho. Direi francamente: se não nos reestruturarmos, estou profundamente convencido disso, não reconstruiremos a economia e nossa vida social de acordo com o espírito das decisões do congresso. Mas, nesse caso, não conseguiremos lidar com as tarefas estabelecidas, cuja escala e novidade são sem precedentes», disse Gorby.

O termo Perestroika começou a ser usado regularmente em discursos oficiais da liderança da URSS e da impensa/mídia estatal. Tornou-se o nome da era anterior ao colapso final da URSS.

domingo, abril 26, 2026

A família Khodemchuk: vidas ceifadas pelo Chornobyl e pela rússia

Valery Khodemchuk. Foto: divulgação
Valery Khodemchuk foi a primeira vítima do acidente nuclear de Chornobyl. Nascido em 24 de março de 1951, começou a trabalhar na estação/usina nuclear em 1973. Na noite de 26 de abril de 1986 estava na sala de máquinas durante a explosão do reator. O seu corpo nunca foi encontrado.

Ele era operador de caldeira, operador sênior de caldeira do departamento de comunicações térmicas e subterrâneas, operador do grupo 6 e operador sênior do grupo 7 da bomba de circulação principal da unidade de energia. Na noite de 26 de abril de 1986, estava na sala de máquinas durante a explosão do reator. Após a explosão foi soterrado por destroços e seu corpo nunca foi encontrado. Tinha 35 anos na época de morte.

Natalia Khodymchuk. Foto: Facebook

Em 14 de novembro de 2025, um drone russo-iraniano Shahed-136, atingiu um prédio residencial em Kyiv, na rua Balzac, onde morava Nataliya Khodymchuk, viúva de Valery Khodemchuk. Ela sofreu ferimentos graves, incluindo queimaduras significativas, superiores aos 45% do corpo e foi hospitalizada. No dia seguinte, Nataliya Khodymchuk faleceu no hospital em decorrência dos ferimentos. Tinha 73 anos de idade.

Prédio na rua Balzac em Kyiv, atingido pelo drone russo em 14 de novembro de 2025.
Foto: Thomas Peter / Reuters / Scanpix / LETA

Devido a um erro do funcionário responsável pela emissão dos ID, os passaportes internos ucranianos, os apelidos/sobrenomes de Natalya e Valery diferiam por uma letra: ele é Khodemchuk, ela é Khodymchuk.

Natalya levava uma vida ativa e era muito sociável – por exemplo, reunia em sua casa mulheres que tricotavam meias e cintos de lã para os militares ucranianos. O novo lote foi entregue justamente na véspera do ataque russo. Naquele dia, ela queria visitar a sua casa do campo, mas mudou de ideia.

Nataliya conheceu Valery em Pripyat. Ele trabalhava em Chornobyl, ela – numa cantina local. Casaram-se e, em 1975, receberam um apartamento espaçoso onde criaram dois filhos. Natalya recordou o último encontro deles: Valery estava se preparando para o turno da noite, eu assistia na TV um filme sobre casamento arranjado. O abracei e perguntei se ele havia se casado comigo por amor. Ele sorriu e respondeu: «Claro que sim, por amor!»

Foto: Ilya Prokopenko

A famosa artista ucraniana, a pintora naive Maria Prymachenko, era a tia de Valery. Ela lhe dedicou um quadro de um pássaro azul com as asas abertas, como se tentasse cobrir o seu sobrinho falecido. A pintura traz a seguinte legenda: «Este pássaro está voando, procurando seu homem. Ele não está em lugar nenhum. Seu corpo foi espalhado por toda a Ucrânia».

A junta maliana aliada do Kremlin sofre uma derrota grave no Mali

As forças tuaregues, juntamente com os militantes do JNIM, lançaram operações ofensivas em larga escala contra as autoridades do Mali e mercenários russos da «Afrika Korps» (ex-Wagner). Foi abatido um helicóptero russo e eliminado o Ministro da Defesa maliano.

 
Abate do heli e a morte dos ocupantes é confirmada
pelos blogueiros militares russos, afiliados ao MinDefesa

O helicóptero russo que transportava mercenários da «Afrika Korps» (ex-Wagner) foi abatido no Mali. Tripulação e mercenários morreram. Os rebeldes tuaregues também eliminaram o ministro da Defesa maliano, amigo da rússia, Sadio Camara, e recapturaram um território significativo ao governo pró-russo. Os mercenários russos do «Afrika Korps» (ex-Wagner), enviados para apoiar o governo maliano, fugiram, em várias localidades, praticamente sem oferecer a resistência.

Fontes: TG @kazansky2017; ButusovPlus; Exilenova_plus

Bónus

As forças ucranianas atingiram, com sucesso, a fábrica de processamento petrolífero de Iaroslavl (IANOS):




O dia em que a URSS abateu um Boeing sul-coreano sobre a Carélia

Em 20 de abril de 1978 o Boeing 707 sul-coreano, voo KAL 902, que voava de Paris para Seul com 97 passageiros e 13 tripulantes à bordo foi abatido pelas defesa anti-aérea soviética sobre a região da Carélia. Apenas o sangue frio e uma ótima preparação militar do piloto sul-coreano permitiram evitar a tragédia maior.

O piloto Kim Chang-Kyu, de 45 anos, coronel reformado/aposentado da Força Aérea e veterano da Guerra da Coreia, tentava escapar da floresta e pousar o avião no gelo do Lago Korpiyarvi, na Carélia, com um pedaço de três metros de comprimento da asa esquerda arrancado e um buraco na fuselagem. Ele conseguiu chegar a uma ilha para evitar que o avião caísse no gelo e pousasse de nariz. Das 110 pessoas a bordo, 108 sobreviveram (2 pessoas morreram e 13 foram feridas pelos estilhaços do míssil soviético).

Dano de fuselagem, causado pelo míssil soviético R-8

O voo 902 da Korean Air Lines (KAL-902) decolou do Aeroporto de Orly em 20 de abril de 1978, com 30 minutos de atraso. A rota Paris-Seul foi planeada para contornar o território soviético pelo Mar da Noruega e pelo Polo Norte, com uma paragem/parada para reabastecimento em Anchorage, no Alasca, e uma aterragem final em Tóquio. Enquanto sobrevoava a Groenlândia, o Boeing repentinamente virou bruscamente para o sul. As defesas aéreas soviéticas, ainda sobre águas neutras, detectaram um alvo desconhecido se aproximando ao território soviético.

Um caça-bombardeiro Su-15TM, pilotado por Alexander Bosov, do 431º Regimento de Aviação de Caça, decolou do aeródromo militar de Afrikanda, nos arredores de Murmansk. Na época, a Ordem nº 0040 do Ministro da Defesa e as instruções do serviço de caças de combate da Defesa Aérea Soviética estavam em vigor, estipulando que aeronaves de transporte militar e de passageiros que violassem o espaço aéreo soviético não deveriam ser alvejadas, mas sim forçadas a pousar ou serem expulsas. O piloto Bosov aproximou-se o máximo que pode, fazendo a sinalização com as asas e nariz do seu Su. O piloto soviético não usou a rádio, pois o seu aparelho não possuia as frequências usadas na aviação comercial ocidental. O comando militar soviético, no espírito da Guerra Fria fez-se à acreditar que o avião sul-coreano estivesse sobrevoando território soviético no intuíto de espiar os exercícios militares que estavam em andamento em Murmansk.

Su-15TM soviético, semelhante ao pilotado pelo Bosov

O piloto Bosov recebia ordens contraditórias, em que o comando do exército exigia o abate do aparelho, enquanto os comandantes de corpo argumentavam que abate seria contra as normas. O piloto não sabia a quem dar ouvidos; estava simplesmente farto da constante enxurrada de ordens para abatê-los e depois para não abatê-los. Em algum momento piloto gritou: «Digam-me o que fazer, por favor». Bosov voou ao lado do Boeing e não tinha mais dúvidas de que se tratava de um avião de passageiros. As pessoas sentadas na cabine da direita acenavam alegremente e tiravam fotos.

Dentro de seis minutos, o Boeing entraria no espaço aéreo da Finlândia, o que significava que o comandante do 21º Corpo, Tsarkov, o comandante do exército, Dmitriev, e o General Ozersky poderiam ser acusados de «deixar escapar o inimigo». Assim o Major-General Vladimir Tsarkov ordenou ao piloto Bosov que abatesse o alvo. 

O míssil R-8, guiado por calor explodiu perto do motor do Boeing, estilhaços arrancaram um pedaço de três metros de comprimento aquém do motor, quebrando uma janela e abrindo buracos na fuselagem. Permanece um mistério o motivo pelo qual o míssil não atingiu o motor e não destruiu o Boeing. O avião continuou voando, mas a despressurização da cabine ameaçou a vida dos passageiros.

O interior do Boeing após a sua aterragem. Foto do arquivo do Valeriy Volynets

A uma altitude de 9.500 metros, o comandante da aeronave iniciou um mergulho de 45 graus. Os passageiros pensaram que estavam caindo, gritando e rezando, mas a um quilómetro de altitude, o piloto estabeleceu/equalizou a pressão e anunciou que iria pousar. A menos de um quilómetro de altitude, com um pedaço da asa faltando e um buraco na lateral, Kim Chang-Kyu procurou um local para pousar em um terreno completamente desconhecido. No feixe de luz dos faróis, o piloto viu/avistou um comboio/trem e, descendo ainda mais, viu uma floresta e, além dela, uma ilha cercada de branco. Ele percebeu que era um lago e decidiu pousar. Temendo que houvesse placas de gelo, pousou com rodas/trem de pouso semiaberto, como se estivesse esquiando.

Tendo se aproximado da ilha, o avião já estava voando às cegas devido à neve e, usando os instrumentos de navegação, parecia estar com o nariz apontado para a ilha. Começou a incrível manobra do piloto sul-coreano que pilotou um caça numa guerra aérea real. Ele pousou o avião com precisão, baixando o nariz na margem, de modo que apenas rodas/trem de pouso atravessaram o gelo. Por cerca de duas horas, os passageiros esperaram por ajuda no lago congelado, enquanto caças soviéticas continuavam a procurá-los no ar.

Enquanto os passageiros permaneciam sentados no gelo e depois seguiam para Poduzhemye, o exército soviético forneceu camas de campanha, cobertores e os próprios soldados, esvaziaram o auditório do Clube de Oficiais local. O Clube dos Oficiais pareceu, às autoriudades soviéticas, o melhor e único local minimalmente digno para alojar os estrangeiros. Ao se encontrarem no antigo auditório, os coreanos, japoneses, alemães e franceses olharam com uma expressão de incredibilidade para as fileiras de camas de ferro, colchões listrados e lençóis com estampas cinza. Mas, devido ao frio, finalmente levaram/pegaram os cobertores militares e começaram a se enrolar. Os «hóspedes» locais chegaram a encontrar até o papel higiênico para os passageiros, já que não podiam lhes dar o jornal «Pravda» recortado, bastante usado na URSS na época. 

O KGB começou a investigar as circunstâncias da «violação da fronteira» pelo Boeing. O navegador testemunhou durante os interrogatórios que o avião saiu da rota porque seu equipamento de navegação falhou sobre o polo magnético da Terra. O piloto automático estava recebendo dados incorretos, causando uma curva para o sul. Afinal, para onde quer que vire a partir do Polo Norte, sempre estará virando ao sul. Devido a um erro do sistema, o seu «sul» indicava o norte soviético. Os agentes de KGB ficaram incrédulos e, após inspecionarem a aeronave, suas suspeitas foram «confirmadas».

No cabine de comandante, o KGB encontrou um rádio de emergência de reserva, as pistolas dos pilotos e uma revista «Newsweek» com um tanque na capa. Tudo isso, de acordo com a KGB, demonstrava «irrefutavelmente» a disposição da tripulação em arriscar a vida dos passageiros para obter segredos militares soviéticos. A versão final foi a seguinte: uma aeronave de reconhecimento, disfarçada de avião comercial civil com cem passageiros a bordo, violou o espaço aéreo soviético com intenções claramente hostis, mas foi forçada a pousar pacificamente no gelo de abril usando um caça Su-15 e um míssil ar-ar. Isso justificou a ordem do comando de aviação para abater a aeronave civil. Os chekistas também ficaram satisfeitos com isso: eles consideraram que «frustraram» um «ato de espionagem». Enquanto isso, o piloto sul-coreano reescreveu as suas notas explicativas por cinco vezes; primeiro, o departamento político as confiscou e, em seguida, o obrigou a reescrevê-las novamente.

Nenhuma aeronave de reconhecimento se comportaria dessa maneira a menos que fosse suicida, especialmente com passageiros a bordo. O Boeing não carregava nenhum equipamento de reconhecimento. Os operativos do KGB vascularam Boeing minuciosamente, mas não encontraram nada além de perfumes e conhaque francês. Esse tipo de aeronave tinha um defeito no seu sistema de navegação. Todas as aeronaves e aeródromos operam um canal internacional de radiogoniometria, que transmite um sinal de SOS em caso de emergência. O «Mayday» nas comunicações por radiotelefonia, e o Boeing enviou esse sinal quando percebeu que havia se desviado da rota oficial.

Os militares soviéticos acabaram por desmontar o interior do Boeing sul-coreano, carregando tudo o que for possível arrancar: principalmente a loiça, refrscos, sumos e bebidas alcoólicas, objetos da loja duty-free. Aparentemente, a bagagem de passageiros ficou salva do saque. Os soviéticos roubaram «apenas» uma câmera de vídeo, que nunca mais foi encontrada.

Em 30 de abril de 1978, os pilotos foram libertados. O jornal «Pravda» escreveu que eles «se arrependeram» e foram perdoados pela liderança soviética. O «New York Times» citou os próprios pilotos dizendo que não se arrependeram de nada, não pediram nenhum perdão e continuaram a afirmar que não fizeram nada de mal e que apenas o sistema de navegação havia falhado.

Logo após o incidente com o Boeing, piloto Alexander Bosov foi transferido para o Extremo Oriente soviético, um procedimento padrão, que, em teoria, deveria garantir ficaria de boca calada e que não falasse «em demasia» sobre aquilo que tinha acontecido. Em setembro de 1983, um outro Boeing coreano se desviou da rota sobre Kamchatka e entrou no espaço aéreo soviético. Ele também estava a caminho de Seul via Anchorage, desta vez vindo de Nova York. Caças de bases aéreas no Extremo Oriente foram acionados para interceptá-lo. Entre os pilotos prontos para receber a ordem de destruir o Boeing estava, então, o capitão Bosov. Ele deveria dar apoio ao piloto líder. Mas o piloto líder conseguiu abater o Boeing primeiro.

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Dessa feita, o Boeing-747 sul-coreano, voo KAL007, que seguia de Nova Iorque ao Seul caiu sobre o Mar de Okhotsk, ao sudoeste da Ilha de Sacalina, todas as 269 pessoas ao bordo (23 tripulantes e 246 passageiros), morreram...

sábado, abril 25, 2026

Um grupo de mercenários quenianos foi liquidado na Ucrânia

Mercenários africanos são apenas meros consumíveis descartáveis, na ótica do comando militar russo: um grupo de cidadãos quenianos foi eliminado em combate na Ucrânia. Tropas russas lançaram novamente um ataque suicida, usando os mercenários estrangeiros — desta vez um grupo de quenianos.  

Entre os mercenários eliminados pelas FAU estava o cidadão queniano Nyambura Eric Mwangi, nascido em 2003. Juntamente com outros três compatriotas — Wanjiro Joseph Kamau, Karithi Joel Ngure e Kibet Ronaldo Kipkurui — ele chegou a cidade russa de Iaroslavl entre 23 e 24 de outubro de 2025.

Carta ao chefe do posto do FSB no aeroporto de Domodedovo em Moscovo,
informando os nomes dos quatro quenianos que passarão de Moscovo rumo ao Iaroslavl,
para celebrar o contrato do serviço militar no exército russo, 24.X.2025

Sensivelmente no mesmo período, chegaram ao Iaroslavl outros dois quenianos, que mais tarde foram liquidados pelo exército ucraniano — Ombwori Denis Bagaku e Wahome Simon Gitittu, tal como o GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia informou em 6 de fevereiro corrente.

Em Iaroslavl, todos estes mercenários africanos assinaram os contratos com MinDefesa russo e foram enviados para um centro de treino/amento, onde foram treinados por apenas uma semana e meia. Depois disso, Mwangi foi promovido ao operador de rádio e enviado para a frente de batalha.

No entanto, Mwangi não chegou à servir na sua especialidade — foi mandado para uma unidade de assalto. No início do ano, ele participou de operações de assalto na área do assentamento de Borova, na região de Kharkiv. Morreu atingido por um morteiro ucraniano, enquanto ainda tentava se aproximar a linha da frente.

Apesar dos acordos firmados pelo Kremlin com países africanos para interromper o recrutamento de seus cidadãos, esse processo não parou e até continua acelerado — recentemente Ucrânia consegui obter os dados pessoais de 2.965 cidadãos de países africanos que assinaram contrato com as forças armadas russas.

Neste momento os «top 10» dos dez países africanos, que fornecem o maior número de mercenários é composto por: Quênia, Egito, Camarões, Gana, Nigéria, Uganda, Argélia, Mali, Sudão do Sul e República da África do Sul. Até agosto de 2025, a morte de pelo menos 316 mercenários africanos já havia sido confirmada. As perdas reais são bastante maiores.

O Ministério da Defesa da Ucrânia alerta os cidadãos estrangeiros contra o perigo das viagens à federação russa e aceitação do qualquer tipo de trabalho/emprego no território daquele estado agressor. Uma viagem à rússia é uma chance real de se transformar em um «homem-bomba» e, simplesmente apodrecer em solo ucraniano.

Francis, o homem-bomba africano, aos serviço dos russos com o destino desconhecido...

Enquanto isso, na Índia, as famílias daqueles que foram enganadas com as promessas falsas e viajaram para a rússia para participar, de fato, na guerra neocolonial russa, entraram com uma ação coletiva no Tribunal Supremo / Suprema Corte.

Vinte e seis famílias, cujos filhos e maridos foram para a rússia em busca de emprego, mas foram enganados e forçados a participar da guerra russa contra Ucrânia, uniram-se e, por meio do Tribunal, estão tentando obter respostas sobre o destino de seus entes queridos. As famílias estão tentando descobrir a situação atual dessas pessoas, ao mínimo saber se os seus familiares estão vivos ou mortos. As famílias não sabem nada sobre seus parentes, já que ligações telefônicas são proibidas aos indianos dentro do exército russo. Por esse motivo, as famílias exigem que o embaixador indiano na rússia forneça informações atualizadas sobre toda a situação.

Até hoje um total de 26 famílias aderiram ao processo, porém, segundo os advogados, eles tem o conhecimento de mais de 100 casos semelhantes. 

O problema aqui, está na total incompreensão dos indianos sobre o que estavam enfrentando diante do regime russo. Os recrutadores do Ministério da Defesa da rússia sabiam perfeitamente para onde estes indianos seriam enviados. Os mercenários indianos foram recrutados para que, após um treino curtíssimo, pudessem ser enviados às unidades de assalto, sem se importar se sobreviveriam ou não. Agora que desapareceram, seus comandantes russos lavam as mãos e não se importam com o destino dos estrangeiros. 

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