quinta-feira, julho 02, 2026

‼ O crime de guerra russo em Kyiv e a resposta ucraniana em Kstovo

Em resultado do ataque maciço russo na noite de 1 à 2 de julho, 10 civis ucranianos foram mortos, 34 ficaram feridos e 16 foram resgatados. Incêndios e destruição de infraestrutura civil e de edifícios residenciais ocorreram em diversas zonas da capital ucraniana, cidade de Kyiv. 







  • Distrito de Darnytsya: destruição parcial de vários edifícios residenciais e casas particulares;
  • Distrito de Shevchenkivskyi: um incêndio deflagrou no telhado comum de um edifício residencial e um hotel [Premier Pallace]. Noutras moradas — destruição de um edifício de 5 andares, um incêndio num edifício residencial com uma área de 300 m², bem como num edifício não residencial;
  • Distrito de Holosiivskyi: um incêndio no piso técnico de um edifício de 16 andares.
  • Distrito de Pechersk: destruição de um edifício residencial, um incêndio no 1º e 2º andares numa área de 200 m². As equipas de emergência resgataram uma pessoa.
  • Distrito de Obolon: incêndio num armazém, de onde a vítima foi levada para o quartel de bombeiros mais próximo. Os socorristas estão a prestar os primeiros socorros.
  • Distrito de Svyatoshyne: 2 edifícios residenciais privados danificados.
  • Distrito de Desnyansky: edifício residencial de 9 andares danificado.










A cratera deixada por um míssil russo que por muito pouco não atingiu um edifício habitacional




‼ Todos os serviços estão a atuar no local. Informação em apuração, informa o Serviço Estatal de Situações de Emergência (DSNS).

Mas também há boas notícias. Drones ucranianos atingiram, mais uma vez, a refinaria de petróleo em Kstovo, na região de Novgorod, norte de rússia. A refinaria está em chamas.


Enquanto os ocupantes russas atacam os civis ucranianos, as Forças Armadas da Ucrânia continuam a destruir, metodicamente, os alvos estratégicos russos.

Fontekazansky2017DSNS.GOV.UA 

terça-feira, junho 30, 2026

Ucrânia atinge Novorossiysk e aprofunda o colapso gasolineiro russo

Os drones ucranianos atacaram a zona do porto da cidade russa de Novorossiysk. As forças ucranianas continuam à cortar, de forma sistémica, a logística russa, aumentando e aprofundando a crise petrolífera, sem precedentes, na rússia.

Os moradores de Novorossiysk relataram fortes explosões na zona do porto e o funcionamento contínuo das defesas antiaéreas.

Ataques de drones ucranianos das SSO-SOU queimam equipamentos militares russos nos arredores de Starobesheve, na região ocupada de Donetsk.

Imagens épicas da refinaria russa em Slavyansk-on-Kuban, nos dias susequentes após o ataque com drones ucranianos contra aquelas instalações estratégicas. Os vídeos possuem a trilha sonora de alguma musiquinha patrioteira russa, que promete «não disistir» e diz que «ataques não importam»)

 

A cidade de Yalta na Crimeia ocupada. A gasolina já é vendida, no mercado negro/paralelo aos 600-650 rublos ao litro (7.62 - 8.26 USD), chegando aos 1.000 rublos por litro (12.71 USD), quando o comprador é um moscovita ou alguém com cara do betinho endinheirado. Apenas duas semanas atrás a mesma gasolina custava menos de 100 rublos (1.27 USD) ao litro. Afinal, as sanções económicas ucranianas funcionam mesmo!

Fontes: kazansky2017; Exilenova_plus;

O chefe do NKVD da Ucrânia soviética, que tentou escapar às garras do NKVD

Alexander Uspensky na nota soviética de procura dos criminosos. Wikipédia

Aos 14 de novembro de 1938, o chefe de NKVD da Ucrânia soviética, Aleksandr Uspensky, percebendo que a sua convocação para Moscovo à fim de receber uma «promoção» significaria a prisão subsequente, fugiu de Kyiv, fingindo suicidar-se.

O bilhete deixado pelo Uspensky

Deixou um bilhete manuscrito no seu gabinete oficial do NKVD:

«...Adeus, bons camaradas!

Procurem o meu corpo, se necessário, no [rio] Dnipro. É mais seguro disparar sobre mim próprio e depois atirar-me para a água... sem falhas.

Nunca fui um Lyushkov!

Uspensky ...»

Com isto, distraiu temporariamente os oficiais da NKVD. Viveu, na clandestinidade, em várias cidades da rússia soviética, com identidades falsas, previamente elaboradas, na maioria das vezes sob o nome do operário Ivan Lavrentyevich Shmashkovsky. A ordem de procura veio pessoalmente de Estaline para Béria: «capturar este canalha». O ditador soviético estava furioso, Uspensky era o 3º alto patente do NKVD, que abandonou os seus deveres na polícia secreta soviética, fugindo, em apenas cinco meses. Foi imediatamente colocado na lista de procurados de toda a União Soviética e em breve, foi encontrado. Preso, foi executado em 27 de janeiro de 1940.

Capa do processo do NKVD sobre a fuga/desaparecimento do Uspensky.
Arquivo Estatal do SBU, Kyiv

O seu local de enterro é o «túmulo de cinzas não reclamadas» nº 1 do crematório do Cemitério de Donskoye, nos arredores de Moscovo. Comissário do NKVD do 3º grau (equivalente ao general do exército), nunca reabilitado judicialmente à título póstumo, Uspensky é um exemplo perfeito de como, na URSS, a mesma pessoa poderia ser perpetuador e a vítima do regime repressivo soviético. 

No mesmo ano de 1940, a sua mulher, Anna Uspenskaya, foi executada pelo NKVD, sob a acusação de «traição, conspiração para fugir para o estrangeiro com o seu marido, o Comissário do Povo para os Assuntos Internos da Ucrânia, a não-denúncia [do marido ao NKVD]». O destino do filho do casal, um adolescente na altura, é desconhecido.

Genrikh Lyushkov, que Uspensky mencionou na nota, serviu como chefe da Direção da NKVD para o Território do Extremo Oriente russo em 1937-38. Antecipando a sua eminente prisão, em 13 de junho de 1938 fugiu para a Manchúria e rendeu-se aos japoneses. Testemunhou contra o regime soviético, denunciou as repressões comunistas, dos quais fazia uma parte mais que ativa. 

Lyushkov na conferência de imprensa em Tóquio. No Japão viveu sob o nome do Yamagochi Tosikadzu

Foi morto pelos japoneses em agosto de 1945. As circunstância exatas da sua morte são desconhecidas. Embora existe a versão, não confirmada por evidências verificáveis, do que Lyushkov não foi morto, mas se mudou aos Estados Unidos, onde trabalhou para a CIA. No entanto, em 1979, o seu curador dos serviços secretos japoneses, Yutaka Takeoka, declarou publicamente, que foi o responsável pela morte do agente, após a ordem superior de o executar e a recusa do próprio Lyushkov de cometer o suicídio honroso.

A sua esposa, Nina Pismenna, foi presa aos 15 de junho de 1938 e, a 19 de janeiro de 1939, condenada, na qualidade do «membro da família de um traidor à pátria», a oito anos num campo de trabalhos forçados. No entanto, o seu caso foi revisto em fevereiro de 1940, numa Conferência Especial da NKVD, a pena foi comutada aos cinco anos de degredo forçado. Após a reabilitação judicial em 1962, encontrou a sua filha, Lyudmila Pismenna (enteada de Lyushkov), em Jurmala, Letónia, onde viveu o resto da sua vida e morreu aos 90 anos em 1999. A enteada do Lyushkov, Lyudmila Pismenna, nascida a 5 de maio de 1927 em Kharkiv, na Ucrânia, após a II G.M., mudou-se com a família para a Letónia soviética, onde se tornou professora na Academia de Música da Letónia e na Academia de Pedagogia e Gestão Educacional de Riga. Doutorada em História da Arte, Artista Homenageada da Letónia. Faleceu em fevereiro de 2010.

Fonte da nota

segunda-feira, junho 29, 2026

Ucrânia atinge as centrais de processamento do gás e do hélio em Oremburgo

Na noite de 24 de junho de 2026, as unidades das FAU, atingiram, com sucesso, a central de processamento de gás e a única central russa de produção de hélio. Ambas em Oremburgo, à uma distância superior aos 1.200 km da fronteira ucraniana. 

A Central de Processamento de Gás de Oremburgo (GPZ) e a Central de Hélio de Oremburgo (OGZ) formam um único complexo industrial. Registou-se um incêndio no territóriodas das duas empresas. A extensão dos danos está a ser apurada.

Na noite de 26 de junho, foi atingido um outro centro estratégico russo de comunicações criptografadas em Minyaevo, na região de Moscovo. Foram danificados os edifícios técnicos do centro.

A imagem do centro por satélite, antes do ataque ucraniano

Nos arredores da localidade de Novoazovsk, na região de Donetsk ocupada, uma ponte rodoviária foi atingida por fogo das FAU.

A cidade russa de Izhevsk. Os russos estão empenhados nos seus próprios Hunger Games/Jogos Vorazes, a lutar pela posse de combustível. Ainda não é uma guerra civil, mas já é um bom começo)


Mercenários peruanos arrependidos procuram fugir da guerra neocolonial russa

Entre 600 à 800 peruanos, quase todos sem nenhuma experiência militar, foram atraídos para a guerra neocolonial russa contra Ucrania. Sabe-se que 13 deles ja morreram, 120 outros são desaparecidos / incontactáveis pelos seus familiares por mais de 5 semanas. 

O Ministério Público do Peru abriu uma investigação preliminar após denúncias de familiares de cidadãos peruanos aliciados pela rússia e enviados para lutar na sua guerra neocolonial contra Ucrânia. O anúncio foi feito em 1 de maio de 2026, após reportagens na imprensa/mídia peruana no final de abril sobre centenas de cidadãos que se encontravam nessa situação. A investigação está sendo conduzida por uma unidade especializada em crimes de tráfico de pessoas.

Dados de alguns dos peruanos do exército russo

Um total de aproximadamente 600 peruanos deixaram o Peru rumo à rússia desde outubro de 2025, disse, aos jornalistas, o advogado Percy Salinas, que representa alguns dos cidadãos desaparecidos. Outro advogado, Marcelo Tataje, que assessora as famílias dos que foram para a rússia, afirmou que 135 boletins de ocorrência de pessoas desaparecidas já foram registados e que há informações sobre outros 250 casos possíveis.

Pelo menos 13 cidadãos peruanos morreram, informa o Dr. Salinas. Um deles é Ronald Rojas Alcantra, de 25 anos, que foi para a rússia trabalhar como segurança, morreu após ser ferido em 29 de abril de 2026, sem receber atendimento médico adequado, relatou sua irmã à rádio RPP. Sabe-se que vários peruanos ficaram feridos, incluindo um cozinheiro de 63 anos.

A familiar de um mercenário peruano chora durante uma manifestação em Lima,
em maio de 2026. Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Segundo advogados e familiares, os peruanos foram atraídos para a rússia com promessas de trabalho em diversos setores, incluindo relacionados às forças armadas, mas supostamente longe da linha de frente (por exemplo, foi lhes prometido trabalho como seguranças em bases militares ou em serviços de alimentação do exército). De acordo com o jornal peruano Le República, aos peruanos prometiam empregos de guardas de embaixadas e hospitais, e para trabalhar como engenheiros, cozinheiros e motoristas de táxi. Segundo a publicação, os salários prometidos variavam de US$ 2.600 a US$ 4.000 por mês, além de um bônus de «boas-vindas» de 20.000 dolares, algo que os mercenarios simplesmente nunca receberam. De acordo com um advogado, o recrutamento foi feito por uma organização registada na Colômbia.

Segundo Dr. Salinas, antes de embarcarem para a rússia, os peruanos receberam documentação para assinar em russo. Já na rússia, os seus pasaportes, os telemóveis e até os cartões de identidade foram confiscados. Os russos diziam: “Agora devem-nos 20 mil dólares, porque foi o que custou trazê-los até aquí”. Depois os peruanos são enviados para um curto treino/amento militar e, em seguida, diretamente para a guerra, relata a Le República.

A irmã de um dos mercenarios relatou que ele conseguiu fugir da frente de batalha e tentar procurar ajuda no consulado peruano em Moscovo/ou, mas foi aconselhado, pelos funcionarios do Consulado, a retornar à sua unidade militar russa, tentar rescindir o contrato e solicitar a devolução do passaporte. Mercenario seguiu este conselho e, após isso, perdeu-se quaisquer contato com ele, segundo a RPP.

O Dr. Salinas também mencionou um grupo de 13 peruanos presos numa trincheira sob ação constante de drones, implorando pela sua evacuação. Os advogados também falaram de dez peruanos que se refugiaram na embaixada de Peru em Moscvo/ou. Salinas contou que a missão diplomática teria se recusado a abrigar os cidadãos, recomendando que tentassem deixar a rússia por conta própria. O Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores do Peru negou a recusa de asilo.

Um grupo de familiares de mercenários peruanos realiza uma vigília à luz das velas em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lima. Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Familiares de 130 peruanos solicitaram ao Ministério dos NE / das RE do Peru a prestação do auxílio na repatriação de seus parentes. Por sua vez, o Ministério peruano anunciou que convocou o encarregado de negócios da embaixada russa em Lima para uma reunião sobre a situação e solicitou informações às autoridades russas relativamente ao paradeiro e ao estado de saúde dos cidadãos peruanos. O ministério enfatizou que os cidadãos peruanos precisam de autorização governamental para servir nas forças armadas estrangeiras.

A 30 de abril corrente, a embaixada russa no Peru emitiu um comunicado em resposta às preocupações das famílias peruanas em relação aos seus familiares, que assinaram contratos de serviço militar com o exército russo. O comunicado afirmava que, no caso for formalmente solicitada, a embaixada está pronta para fazer tudo o que for necessário para obter informações sobre estes cidadãos.

Nesse mesmo dia, familiares de peruanos envolvidos na guerra realizaram um protesto em frente à embaixada russa em Lima. Uma das manifestantes contou ao jornal La República que o seu pai e outros 25 peruanos foram atraídos para a rússia sob o pretexto de uma viagem turística.

Familiares de mercenários peruanos exigem o seu regresso a casa, mas as autoridades peruanas respondem que retirar alguém de uma zona de guerra não é tarefa fácil.
Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Segundo ela, durante a última comunicação, o seu pai relatou que ele e os seus companheiros estavam a ser preparados para serem enviados para a frente de batalha no dia 15 de maio. Disse ainda que estavam fisicamente exaustos e a viver em condições precárias, por exemplo, nos locais onde recebiam a comida, estavam empilhados os cadáveres dos militares russos mortos.

Em 1 de maio, o projeto russo de direitos humanos “Go by the Forest, que ajuda as pessoas a fugir do alistamento militar russo, relatou o caso de um grupo de peruanos em Lipetsk que estava a ser preparado para ser enviado para a frente de batalha num futuro próximo. Um advogado familiarizado com a situação informou os ativistas de direitos humanos sobre o sucedido através de um amigo no Peru. 

O advogado esclareceu que o grupo incluía o pai de um conhecido, que tinha ido à rússia em meados de abril de 2026 para ganhar dinheiro. Prometeram-lhe trabalhos de limpeza, manutenção de cozinhas e guarda de depósitos do exército russo; o motivo legal da viagem era supostamente assistir um evento desportivo em Moscovo. Após chegar à rússia, foi enviado para Lipetsk, onde recebeu um registo temporário e foi submetido a um exame médico. Em seguida, assinou um contrato de serviço militar e foi enviado para formação.

Em algum momento o homem conseguiu contactar brevemente a sua família no final de abril e pediu para ser socorrido. Segundo os familiares do homem, na noite de 1 de maio, este grupo de peruanos já se encontrava no território ucraniano temporariamente ocupado, na região de Luhansk, escreve a publicação russa Meduza.io.

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domingo, junho 28, 2026

Ucrânia atinge a refinaria de petróleo em Slavyansk-on-Kuban

Ucrânia atinge, com sucesso, a refinaria de petróleo da cidade de Slavyansk-on-Kuban, na região russa de Krasnodar. A refinaria fornece combustível à Crimeia ocupada, além de outras regiões, e, dadas as operações ucranianas em curso na Crimeia, é um alvo estratégico.



 

Posição geográfica da refinaria: 45.2410986, 38.1423952

A petrolífera localizada na cidade de Sloviansk-na-Kubani, está à mais de 300 km da fronteira estatal da Ucrânia. É especializada na produção de uma vasta gama de produtos petrolíferos: gasolina, fuelóleo e combustível marítimo. É uma empresa especializada chave na região, sendo também um importante exportador através dos portos do Mar Negro. Como resultado do ataque de drones ucranianos, foram registados incêndios na área de um parque de tanques de petróleo, um parque de carga de produtos petrolíferos, bem como numa unidade primária de refinação de petróleo, escreva a secreta ucraniana SBU, confirmando a sua própria participação no ataque bem.sucedido.

 

Além da refinaria de petróleo, o serviço FIRMS da NASA detetou um possível incêndio na unidade de estabilização de petróleo e tratamento de gás de Slavyansk (USNiPG), pertencente à empresa RN-Krasnodarneftegaz LLC.

 

A monitorização objetiva dos resultados do ataque ucraniano à refinaria de petróleo de Slavyansk-on-Kuban à partir de um local próximo. Os especialistas podem avalir a dimensão do ataque.

Bónus I

Além de Slavyansk-on-Kuban, os drones ucranianos também atingiram a refinaria de petróleo de Yaroslavl, ataque que ainda não foi confirmado pelos russos e com menos dados do contrololo objetivo.

Ataque ucraniano à refinaria de Yaroslavl, os danos por apurar

Bónus II



A ponte de Sabivka, região de Luhansk
As imagens da ponte ferroviária, localizada na aldeia de Sabivka, parte temporariamente ocupada da região ucraniana de Luhansk, danificada, em resultado da ação ucraniana de 26 de junho corrente. A ponte desempenhava um papel importante na logística ferroviária entre as áreas temporariamente ocupadas das regiões de Luhansk e Donetsk.

Localização: 48.575458,39.152875

Fontes Osint worldmilitares; Exilenova_plus;

sábado, junho 27, 2026

Instituto Polaco da Memória Nacional na tentativa de demonizar a OUN

Há alguns dias que o Instituto Polaco da Memória Nacional (IPN) tem vindo a conduzir uma campanha de informação que tenta demonizar os «pais-fundadores» do nacionalismo ucraniano. Nas redes sociais são publicadas ilustrações com textos que visam comprovar a natureza supostamente «genocida» das ações da UPA. No entanto, tudo é feito de uma forma surpreendentemente primitiva, escreve o historiador ucraniano Volodymyr Viatrovych.

Estão a tentar encontrar as raízes do «genocídio» na obra de Dmytro Dontsov, mas não encontraram nele uma única citação anti-polaca. Porque, na verdade, não existe nenhuma. Dontsov era um polonófilo, trabalhou e publicou a sua obra legalmente na Polónia nas décadas de 1920 e 1930, e a sua principal obra, «Nacionalismo», foi publicada na Polónia em 1926, numa editora religiosa «Missioner», em Zhovkva [na atual região ucraniana de Lviv].

A citação de Stepan Bandera também não resultou. Eis o que lemos no site polaco do IPN: “A nossa ideia, tal como a entendemos, é tão grandiosa que, quando se trata da sua implementação, para a alcançar, é necessário sacrificar não centenas, mas milhões de vítimas”, disse um dos líderes nacionalistas ucranianos, Stepan Bandera, perante o tribunal em Lviv, em 1936. Estas palavras foram um aviso sombrio do genocídio cometido pelos seus apoiantes apenas sete anos depois”.

Na verdade, Bandera falava sobre a disponibilidade dos ucranianos para sacrificar as suas próprias vidas em nome da liberdade. Referia-se aos seus companheiros da OUN, que foram presos e executados pelas autoridades polacas. A citação completa é a seguinte: “As pessoas que estão constantemente conscientes, no seu trabalho, de que podem perder a vida a qualquer minuto, estaspessoas, mais do que ninguém, sabem valorizar a vida. Conhecem o seu valor. A OUN valoriza muito a vida dos seus membros, mas a nossa ideia é tão grandiosa na nossa compreensão que, quando se tratada sua implementação, não algumas, não centenas, mas milhões de vítimas devem ser sacrificadas para a concretizar.”

Quando a história é substituída por propaganda primitiva, conduzida por uma instituição estatal, e a memória das vítimas é substituída por um culto pseudo-religioso, a sociedade perde a capacidade de avaliar criticamente não só o passado, mas também o presente. Já vimos isso no exemplo dos nossos vizinhos de leste, escreveu Dr. Viatrovych.