sábado, setembro 05, 2026

O ex-marine norte-americano foi morto na guerra contra Ucrânia

Natural de Arizona, ex-fuzileiro naval, Seth William Baker, foi dispensado do serviço militar americano por ter recusado se vacinar durante a pandemia de COVID-19. De seguida falhou o ingresso na academia de polícia, então converteu-se à ortodoxia, viajando para rússia, onde assinou o contrato com exército russo e morreu algures na Ucrânia. 

As informações sobre a morte de Baker só agora surgiram em grupos russos de Telegram. De acordo com os dados ucranianos, o norte-americano morreu há dois anos – no início de setembro de 2024 – e estava listado como desaparecido em combate desde 27 de setembro de 2024. Apenas três meses se passaram entre a assinatura do contrato com o Ministério da Defesa russo e a sua morte. 

Seth William Baker, nascido a 7 de setembro de 2000, era natural do Arizona. Serviu anteriormente no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (a Marinha dos EUA confirma que teve nas suas fileiras o cabo Seth William Baker, que servia como «especialista em combustíveis a granel» mas não confirma, se é a mesma pessoa que aparece em algumas filmagens da Internet, vestindo uniforme russo). Segundo Baker, ele foi dispensado do serviço militar por se ter recusado a se vacinar durante a pandemia de COVID-19, que vitimou 1,2 milhões de americanos. Tentou então ingressar na academia de polícia, mas não conseguiu atingir a pontuação necessária.

Sentindo-se perdido, desprezado e abandonado na sua terra natal, Baker converteu-se à fé ortodoxa e partiu para a rússia, onde assinou o contrato com o exército russo aos 2 de junho de 2024. Tinha 23 anos à data do contrato e da sua morte. Enquanto o Kremlin bajula publicamente a Casa Branca, os cidadãos americanos atraídos para a rússia pela propaganda russa estão a ser forçados a participar em ataques sem nenhum sentido ao lado de mercenários de África e da Ásia. 

Os azarados podem ser alvejados pelas costas, como aconteceu com o norte-americano Russell «Texas» Bentley, que foi torturado, estuprado e morto por militares da 5ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, e o seu corpo foi atirado ao poço de uma mina. A rússia pode falar o que quiser sobre a sua suposta «amizade» com os americanos, mas, na realidade, um passaporte americano não protege ninguém de um tiro, de um ataque brutal ou de represálias numa guerra neocolonial russa. 

Baker foi enviado para o 1442º Regimento de Fuzileiros Motorizados da 6ª Divisão de Fuzileiros Motorizados. Esta unidade é conhecida pelas suas pesadas baixas e por habitualmente «zerar os efectivos», eufemismo russo para morte propositada e/ou assassinato dos seus próprios militares, como foi repetidamente relatado pelas esposas dos soldados daquele regimento. 

Para Baker, o exército russo tornou-se também o seu último local de serviço. Três meses depois de assinar o seu contrato, morreu, e apenas um canal propagandista russo da rede social Telegram, se recordou da sua morte, e mesmo assim, dois anos depois. 

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Blogueiro: o caso do Seth William Baker faz nós lembrar o caso do brasileiro Rafael Lusvarghi. Ambos pertenciam à classe médias dos respetivos países, ambos tiveram uma razoável posição social e uma possibilidade privilegiada de progressão na carreira. Ambos destruíram a sua própria carreira por razões absolutamente fúteis, entrando no espiral de auto-destruição. Em resultado, Baker morreu, de uma forma totalmente inglória, na qualidade do ocupante e agressor. Enquanto Lusvarghi teve mais sorte, ele «apenas» cumpre a pena numa cadeia brasileira, devido ao tráfico de droga e poderá ser libertado algures em 2029...

O sistema da escravatura soviética na agricultura entre 1930 à 1974

Há 96 anos na URSS foram introduzidos os «dias-trabalho» — a medida de avaliação, coerção, controlo e pagamento pelo trabalho nas explorações agrícolas coletivas soviéticas entre 1930 e 1966. A base jurídica para a sua introdução foi o «Estatuto Modelo de um Artel Agrícola», aprovado pela resolução do Comité Executivo Central e do Conselho de Comissários do Povo da URSS de 13 de abril de 1930. Posteriormente, a 7 de junho de 1930, foi emitida uma resolução do Centro de Kolkhozes da URSS, que esclareceu como se calculava o dia-trabalho, o dia laboral útil. 

As pessoas chamavam os dias-trabalho de «varas», porque por cada dia de trabalho realizado, um agricultor colectivo recebia um risco no livro do registo — uma «vara» — pelo trabalho realizado. «O trabalho no kolkhoze era pago? Uma vara, assim chama-se dia de trabalho. Fez o seu trabalho diário e atingiu a quota que lhe foi atribuída. Por esse dia de trabalho, talvez no Outono lhe dêem um quilo de algum grão. Há um boletim pendurado na parede, todas as pessoas estão lá listadas. Depois, à noite ou na manhã seguinte, há uma pessoa que aponta no que conseguiu ontem. Se for um dia inteiro de trabalho, então é uma vara, mas se não for inteiro, então já é uma percentagem — oitenta por cento ou algo do género», recorda Polina Tkachuk, de Kyiv, nascida em 1921, cujas memórias foram registadas pelo realizador Serhiy Bukovsky. 

Cada membro do kolkhoze tinha de trabalhar de 60 à 100 dias úteis por ano; crianças com mais de 12 anos tinham a sua própria norma: 50 dias úteis. Um dia trabalhado num kolkhoz não era equivalente a um dia de trabalho. Muitas vezes, para ganhar uma «vara», era necessário trabalhar vários dias. Afinal, os tipos de trabalho foram inicialmente divididos em 5 categorias por complexidade e, desde 1933, em 7 categorias. Por exemplo, para ganhar 1,5 dias de trabalho, era necessário lavrar 6 hectares de terra ou atar 480 feixes. «Trabalha-se, trabalha-se durante uma semana e três dias, e ainda assim não se ganha o suficiente para um dia de trabalho. Por uma «vara», recebíamos uma ração, beterrabas ou batatas», recorda Valentyna Rebik, nascida em 1938, da aldeia de Dmytrivka, distrito de Bakhmat, região de Chernihiv. 

O folclore desse período reagiu amargamente a isto:

A velha senta-se no banco e conta os dias de trabalho:

Ela trabalhou durante quarenta dias –

Passou apenas um dia útil. 

Pagavam os salários depois da colheita (pagamento antecipado) e no final do ano — depois de a quinta coletiva «entregar o planificado». Aquilo o que sobrava era distribuído entre os camponeses de acordo com o número de «dias-trabalho» efetuados. Podiam ser 100, 300 ou 500 gramas de trigo por cada «vara», nos melhores momentos — até um quilo e meio. Ou seja, por 100 dias de trabalho, um camponês soviético poderia receber 10, 30 ou até 50 kg de grãos. Era uma quantia bastante escassa que não permitia à família sobreviver. Por isso, mesmo nos anos «fartos», os camponeses sofriam tradicionalmente de pobreza e eram forçados a sobreviver apenas graças às suas próprias pequenas hortas/roças/machambas. 

A contabilidade kolkhoziana dos «dias-trabalho»: em 1948 «ganhou» 0 rublos e 3 kg de trigo... 

Aqueles que não cumpriam a quota dos «dias-trabalho» eram expulsos do kolkhoze, tinham as suas pequenas hortas/roças confiscadas e podiam até ser enviados para a Sibéria. “A minha mãe trabalhava num kolkhoze, não cumpriu o número mínimo de «dias-trabalho» e foi enviada para a Sibéria por cinco anos”, recorda Nadiya Dobrovolskaya, nascida em 1924, da aldeia de Andriyevo-Ivanivka, distrito de Mykolaiv, região de Odessa. 

A 21 de fevereiro de 1948, o Presidium do Soviete Supremo da URSS aprovou o decreto segundo o qual qualquer pessoa que não cumprisse o número mínimo de «dias-trabalho» poderia ser deportada para fora da Ucrânia. 

Os «dias-trabalho» tornaram-se essencialmente a mais nova forma de servidão ao estilo soviético. Este sistema foi abolido apenas em 1966 (em 1966 também re-começou a emissão dos cartões/bilhetes de identidade aos camponeses, ação que foi completamente terminada apenas em 1974), como consequência de liberalização do sistema social soviético, resultado das reformas do Khruschev. 

Tudo isso, conjugado com o facto, do que os camponeses soviéticos, as pessoas nascidas no campo desde de 1932 deixaram de possuir o cartão/bilhete de identidade. Este simplesmente não era emitido aos naturais do campo. Para efetuar a viagem à cidade, ou fora do seu assentamento, os camponeses recebiam os certificados da curta duração, que os autorizavam à se deslocar à uma determinada localidade por um limitado período do tempo. Era mais um elemento de servidão soviética, sistema criado para «assentar» os camponeses numa determinada área, os coagindo à trabalhar no campo. Os jovens soviéticos tinham apenas duas únicas maneiras viáveis de fugir a toda essa escravatura kolkhoziana. Para os rapazes era o serviço militar obrigatório, que depois de ser cumprido lhes abria a possibilidade de não voltar ao campo, fixando-se nas cidades. Para as mulheres era apenas o casamento, a possibilidade de se casar com alguém vindo da cidade, era o passo legal para sair do kolkhoze e viver uma vida ligeiramente mais livre, do que a escravidão do campo soviético. 

Primeira foto: contabilização de dias úteis no kolkhoze «Foice e Martelo», distrito de Berdyansk, região de Zaporizhia. Foto de Arquivo Estatal CentralAudiovisual e Eletrónico da Ucrânia.

O sistema soviético de passaportes internos

Aos 27 de dezembro de 1932 na URSS foi introduzido o sistema de passaportes (documento equivalente ao Bilhete de Identidade/Cartão do Cidadão). O seu principal objetivo oficial era a declarada vontade governamental de recensear a população das cidades e povoações operárias, combater a criminalidade. Os passaportes eram emitidos apenas para pessoas que viviam nas cidades e vilas. Somente em 21 de outubro de 1953, já após a morte do Estaline, o Conselho de Ministros da URSS aprovou o regulamento «Sobre Passaportes», que especificava as localidades onde os cidadãos eram obrigados a possuir passaportes.

Os passaportes eram concedidos aos residentes de centros distritais, cidades e povoações de tipo urbano, bem como a empregados e trabalhadores que não residiam em zonas rurais, incluindo trabalhadores de explorações agrícolas estatais, os ditos sovkhozes. Os camponeses, de explorações agrícolas coletivas, os ditos kolkhozes, no entanto, não possuíam passaportes e, de 1935 a 1974, não lhes era permitido abandonar as suas quintas colectivas ou mudar-se para uma outra zona de residência. De acordo com diversas fontes, na URSS o número de camponeses de todas as idades em 1970 era de aproximadamente 50 milhões (ou cerca de 20,5% da população total do país). Não lhes era permitido sair da sua aldeia por mais de 5 (e depois por mais de 30 dias) e, para visitar parentes, precisavam de obter uma autorização permissiva, emitida pelo chefe do kolkhoze e/ou pelo conselho da aldeia.

Para sair da aldeia era necessário obter a autorização do chefe do kolkhoze e/ou do chefe do conselho da aldeia — um certificado como este.

Declaração emitida ao camponês ucraniano Mykola Mozhoviy, região de Odesa, 8.04.1963

Ucraniano Mykola Mozhoviy, que trabalhou no kolkhoze (oficialmente a cooperativa agrícola «22º Congresso do PCUS») na região ucraniana de Odesa, teve sorte — foi autorizado a sair. Mas em vários outros casos os presidentes negavam frequentemente essa permissão, principalmente se o kolkhoze estivesse com falta de trabalhadores. A saída não autorizada sem tal declaração/certificado implicava penalizações: multa e, em caso de reincidência, uma pena efetiva de até três anos de prisão. A emissão dos passaportes para os residentes nas zonas rurais terminou somente em 1974, na era Brejnev, o processo arrastou-se por vários anos.

Este documento, publicado na Fecebook pelo neto do Mykola, Ihor Mozhoviy, é uma pequena lembrança familiar da facilidade com que o Estado pode rapidamente restringir os direitos básicos de uma pessoa e quanto tempo leva para restaurar a liberdade de movimento. Este documento antigo faz refletir sobre mais do que apenas o passado. Porque a liberdade parece natural até que precise de pedir autorização para algo que antes considerava garantido.

sexta-feira, setembro 04, 2026

Os alvos estratégicos russos atingidos em Adler, Sochi e Crimeia ocupada

Na noite de 4 de setembro os drones ucranianos atingiram duas bases petrolíferas russas em Sochi e Adler. Em Sochi também foi atingido e destruído um sistema S-400, danificado o radar ORL-A. O complexo de mísseis «Bastion» foi atingido na Crimeia ocupada.






Complexo de combustível e reabastecimento «Bazovy AviaToplyvny Operator».





A petrolífera da cidade de Sochi

Os momento da detonação do sistema da defesa anti-aérea S-400, que em teoria deveria proteger a petrolífera «Lukoil» da cidade de Sochi: 

As imagens mostram o lançamento de um míssil do sistema «Pantsir S-1», mas não está claro se o míssil atingiu algum drone ou simplesmente falhou miseravelmente, como é o costume. Também foi registado o impacto de drone num depósito de petróleo. 

Neste vídeo, o depósito de petróleo da «Lukoil» em Adler está em chamas:


Vista de satélite das instalações de «Lukoyl» em Adler

Na cidade de Sochi os drones ucranianos também atacaram uma instalação de radar.

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Segundo informações preliminares, trata-se das instalações do radar ORL-A (radar de vigilância aeroportuária) do Centro de Controlo de Tráfego Aéreo do Mar Negro, um sistema utilizado para detetar e rastrear aeronaves na zona do aeroporto. Na verdade, este é um dos nós de engenharia de rádio que fornece controlo de tráfego aéreo na área de Sochi.


As Forças de Defesa da Ucrânia continuem a implementar o plano recém-anunciado de bloquear a operação aeroportuárias dos aeroportos russos. 

Na Crimeia ocupada, os drones das unidades da GUR MOU, atingiram o complexo «Bastion» (visível no final do vídeo), responsável pelos lançamentos dos mísseis «Zircon» e «Ónix»:

Os moradores locais relatam o ataque contra a Central Petroquímica de Sterlitamak, em chamas, situada no Bascortostão, à cerca de 1.500 km da fronteira da Ucrânia (1.764,67 km de Kyiv):

Fonte OSINT: worldmilitares;

quinta-feira, setembro 03, 2026

Baleado o major-general russo, responsável do ataque ao centro médico infantil em Kyiv

Na manhã de 3 de setembro foi baleado na rússia o major-general Nikolai Varpakhovich, comandante da 22ª Divisão de Aviação de bombardeiros pesados da força aérea russa, responsável direto por ordenar um ataque de mísseis contra o centro médico infantil de Okhmatdyt, em Kyiv, ocorrido em 8 de julho de 2024.

O ataque contra o Okhmatdyt foi aprovado pela propaganda russa: «não há pessoas do outro lado. Nem uma única pessoa. Os nossos mísseis não matam pessoas. Nem uma única pessoa. Não há lá pessoas».

Sabe-se que o atacante emboscou o major-general perto da sua residência particular na rua Entuziastov, nº 2, na vila de Probuzhdenie, em oblast de Saratov. General russo foi atingido por duas vezes na cabeça e no abdómen por um tiro de pistola. O major-general encontra-se em estado crítico. O executante conseguiu escapar e não foi detido. 

A 22ª divisão é constituída por:

  • 121º Regimento de Aviação de bombardeiros pesados (Engels-2, Tu-160);
  • 184º Regimento de Aviação de bombardeiros pesados (Engels-2, Tu-95MS);
  • 52º Regimento de Aviação de bombardeiros pesados (“Shaykovka”, Tu-22M3). 

A divisão faz parte da tríade nuclear russa e participa constantemente nos ataques maciços contra o território da Ucrânia. No dia 1 de Setembro, Varpakhovychfoi oficialmente notificado, à revelia, de suspeita, nos termos do artigo 438.º, Parte 2, do Código Penal da Ucrânia (crimes de guerra que causaram a morte de pessoas), por ordenar um ataque com mísseis contra o centro médico infantil de Okhmatdyt, em Kyiv, ocorrido em 8 de julho de 2024.

O porto da cidade de Sochi foi atacado pelos drones marítimos. Aparentemente, o principal objetivo era «NEFRIT», o navio de abastecimento MPSV (Multipurpose Supply Vessel / Navio de Abastecimento Multiusos), concebido para garantir operações de petróleo e gás offshore.


A posição do sistema Panstir S-1

Pânico na praia, a guerra russa volta às suas origens


De acordo com dados confidenciais, «NEFRIT» estava a operar na zona de Novorossiysk e do Mar Negro, navegando sob a bandeira russa. 

O navio «NEFRIT» atingido no ataque

A Marinha da Guerra da Ucrânia confirmou o seu papel ativo no ataque ao navio de apoio russo «NEFRIT» no porto de Sochi.

Os resultados do ataque ucraniano, efetuado pelas unidades SSO-SOU, de 1 de setembro de 2026, à petrolífera russa «Novatek LLC» em Ust-Luga, na região de Leninegrado:

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  1. Incêndio de 2 colunas da unidade de hidrocracking;
  2. Incêndio na central primária de processamento de condensado de gás, secção S200;
  3. Incêndio de tubagem na zona da estação de bombagem. 

Possivelmente foi atingida a tubagem de oleodutos entre os tanques, mas não são visíveis na imagem. A petrolífera está parada.

⏳ As práticas quotidianas do terror vermelho na Ucrânia ocupada

«Morte à burguesia e aos seus capangas - viva o terror vermelho», Petrogrado, 1918
Desde os primeiros momentos da sua tomada do poder, a liderança bolchevique soviética usava os meios mais drásticos de dominação e subjugação da sociedade, quer na rússia, quer nos países ocupados. Uma parte integrante do Terror Vermelho era a tomada de reféns e execução sumária dos mesmos. 

Os cidadãos comuns, eram forçados se tornar agentes, colaboradores e delatores, as vezes dos próprios amigos e até familiares, sob o medo constante de verem os órgãos repressivos soviéticos poderem executar os membros mais diretos da sua família: mãe, pai, esposa, marido ou filhos... 

Uma declaração, feita em língua russa, e assinada por camponês ucraniano Vasyl Zahumennyi:

Declaração de colaborador secreto do CheKa»

«No dia 10 de Junho de 1921, eu, abaixo assinado, Vasily Vasilyevich Zagumennyi, residente na aldeia de Kiziyar, no mesmo distrito de Melitopol, entrego essa declaração a Cheka do distrito de Melitopol, declaro que me juntei à Cheka do distrito de Melitopol como colaborador secreto na luta contra a contra-revolução em geral e o movimento petliurista em particular.

Prometo desmascarar e investigar as organizações petliuristas, bem como outras organizações contra-revolucionárias, não por medo, mas por consciência. 

Deixo a minha amada esposa e mãe como garantia, se eu violar esta declaração, a minha família, isto é, a minha mulher e mãe, correm o risco de serem sujeitas à pena máxima de punição – o FUZILAMENTO, a mesma punição pode ser aplicado à mim. 

Endereço da minha família: Kiziyar, casa nº 70, perto da igreja, Zagumennyi

Li a declaração, pelo que assino /assinatura/

Declaração foi aplicada: o VICE-RESPONSÁVEL do 1º grupo /assinatura/».

quarta-feira, setembro 02, 2026

Repressões Políticas, Violência e Resistência na Moldova socialista, 1924-1956

A 17 de agosto de 1937, o NKVD lançou oficialmente a “Operação Romena” na República Autónoma da Moldávia (parte da Ucrânia soviética). Sob o pretexto de combater a espionagem romena, NKVD realizava detenções em massa. Romenos, moldavos, ucranianos, russos, judeus, alemães e búlgaros foram o seu alvo.

As repressões no âmbito da “linha romena” foram rapidamente combinadas com purgas de pessoal. NKVD utilizou acusações de espionagem à favor da Romênia para eliminar os líderes políticos e culturais da autonomia.

Um dos objetivos oficiais da criação da ASSR da Moldávia em 1924 foi formar uma elite comunista que falasse romeno, língua que era designada por “moldavo” na URSS. Moscovo esperava utilizar os seus representantes para sovietizar a Bessarábia.

O Grande Terror destruiu uma parte significativa desta elite. Quando a URSS ocupou a Bessarábia, em 1940, quase não havia líderes que conhecessem a língua e a cultura local. Durante décadas, a liderança da RSS da Moldávia esteve entrincheirada nos quadros da antiga autonomia da margem esquerda do Dniestre, que tinham ligações com Kyiv e Moscovo.

De acordo com os dados atualmente disponíveis, 8.292 pessoas foram presos e condenadas durante a “operação romena”, das quais 5.439 condenados à pena de morte. NKVD inventou a sua própria “rede de espiões” à partir de biografias transfronteiriças, confissões sob tortura e nomes que os detidos forneceram, tentando salvar-se a si próprios e aos seus entes queridos. Entre eles não estavam apenas romenos: o nome da operação não determinava o círculo das suas vítimas.

Os registos mostram como o local de nascimento e os familiares residentes no estrangeiro, isso é, fora da URSS, eram vistos pelo NKVD como «provas de espionagem», e que os organizadores desta purga, eles próprios, se viram rapidamente vítimas de uma purga seguinte e como esta operação é hoje recordada em Moldova e na Roménia.

O material é baseado no livro de Igor Cașu «Dușmanul de clasă. Represiuni politice, violență și rezistență în R(A)SS Moldovenească,1924-1956, Cartier, 2015.» (O Inimigo de Classe. Repressões Políticas, Violência e Resistência na R(A)SS da Moldova, 1924-1956), Cartier, 2015, 389 páginas, PDF, ler e/ou descarregar/baixar gratuitamente em romeno.

A ocupação soviética da Bessarábia (região histórica, que atualmente em cerca de 70% pertence à Moldova e 30% à Ucrânia), anexada à União Soviética em 1940 e novamente, no fim da Segunda Guerra Mundial, é descrita no livro «Quanto custa uma pessoa», de uma honestidade absolutamente brutal, escrito e com as ilustrações de Eufrosínia Kersnovskaya (1907–1994), uma proprietária rural, que perdeu tudo em resultado da ocupação soviética e acabou no Gulag, que milagrosamente sobreviveu graças à sua força de vontade, saúde e educação. A descrição do início da ocupação soviética da Bessarábia faz lembrar a ocupação russa da Crimeia em fevereiro-março de 2014 — o mesmo equipamento russo que entrou sem que ninguém esperasse, e os soldados que apenas fingem serem «pessoas educadas», e na verdade — matam.

Eufrosínia Kersnovskaya «Quanto custa uma pessoa»

«Estávamos em 1940... No dia 27 de Junho, regressando do campo à noite e depois de terminar as tarefas domésticas, sentei-me com a minha mãe para tomar chá. A lâmpada não estava acesa: o pôr-do-sol brilhava lá fora, através da janela — a 'iluminação' preferida da minha mãe — e sentámo-nos junto à janela aberta, tomando chá lentamente e ouvindo o rádio. Nove horas. As últimas notícias estão a ser transmitidas de Bucareste: 'Londres informa...' Primeiro — sobre a situação em batalha, que é muito triste para a França: os alemães estão a avançar para sul sem qualquer resistência;

Devido à fome de 1947, novamente o número de mortos era tão grande que os
caixões não chegavam para todos

E de repente, com a mesma voz monótona, o locutor continua:

— A União Soviética reivindicou o território da Bessarábia. Uma comissão mista composta por... generais está a caminho de Odesa para resolver esta questão...

A minha mãe levava a chávena à boca. A mão tremia-lhe, e a chávena tilintava no pires. Lembro-me do seu olhar confuso:

— Como assim? O que será isto? O quê?

Acho que não percebi o que ouvimos. Ou pareceu-me algo fútil — mais uma “disparate”.

— Veremos o que acontece. Enquanto isso, beba o seu chá! — disse imperturbavelmente.

 «Assina! E poderás comer tudo isso e irás dormir!» (uma das técnicas de interrogação soviéticas, quando o investigador do NKVD fazia-se passar por «bom rapaz»)

Agora é até difícil imaginar que o coração, que deveria ser um presságio, não tenha previsto nada. É como se nada de semelhante tivesse acontecido nas repúblicas bálticas recentemente e como se não conseguíssemos adivinhar onde isso iria dar! Uma coisa é certa: nessa noite, sentámo-nos à mesa despreocupadamente pela última vez… Não terminámos o chá e levantámo-nos da mesa deprimidos. A mamã estava chateada, e eu… Ah, não fazia a mínima ideia do que nos esperava. À noite, carros com os faróis acesos. Pensávamos que eram romenos. Nunca nos ocorreu que tivesse sido construída uma ponte de barcas em Buzherovka e que aqueles fossem tanques e veículos blindados soviéticos.

Não fazia ideia de que uma reviravolta brusca tinha ocorrido nas nossas vidas e que tudo o que era familiar e inabalável já tinha desaparecido algures para lá do horizonte...” 

⚡️ Alvos russos atingidos pelos drones e mísseis ucranianos da «Fire Point» em agosto de 2026

76 alvos russos foram atingidos pelos drones e mísseis ucranianos da «Fire Point» em agosto de 2026. Vamos analisar os ataques mais importantes do mês. 

Ataque a Novorossiysk, 12 de agosto

Uma das operações mais eficazes contra as capacidades de exportação russas e a frota militar. O reconhecimento por satélite confirmou pelo menos 30 impactos. Um grande número de drones ucranianos foi utilizado durante a operação, sendo uma parte significativa deles FP-1. 

Como resultado do ataque, três navios de guerra ficaram seriamente danificados: o navio-almirante da frota russa do Mar Negro «Almirante Makarov», a fragata «Almirante Essen» e um caça-minas do Projecto 266M. Os dois primeiros são portadores de mísseis de cruzeiro «Kalibr», que a rússia utiliza regularmente para atacar a Ucrânia. 

Outra consequência foi a suspensão das exportações de cereais devido aos danos críticos no elevador portuário e no terminal de cereais. A suspensão das exportações no pico da época, mesmo que por uma semana, provoca perdas económicas significativas para a rússia. 

Ataque com míssil Flamingo à fábrica «Progress», 15 de agosto

Ataque estratégico. A fábrica «Progress» é responsável pela produção de veículos de lançamento Soyuz-2, utilizados pela rússia para lançar satélites militares de reconhecimento e seguimento, bem como satélites «Rassvet», o equivalente russo do Starlink. 


Dois mísseis atingiram o edifício 106A, onde é realizada a montagem de equipamentos elétricos de bordo, sistemas de controlo, redes de cabos e compartimentos de instrumentos dos mísseis. Este é um dos principais edifícios de produção da empresa, e os danos no mesmo afetam diretamente a capacidade da fábrica para montar mísseis. 

Ataque à refinaria de Orsk, 11 de agosto

A cerca de 1.500 km da fronteira com a Ucrânia, os drones FP-1 atingiram todas as unidades primárias de processamento de petróleo da empresa. Este ataque foi um dos mais eficazes contra refinarias russas nos últimos tempos. 

Em consequência dos danos sofridos, a fábrica suspendeu os trabalhos de reparação. 

Infraestruturas do aeródromo de Millerovo com drones FP-1

A 30 de agosto, os drones FP-1 destruíram duas estações de radar e atingiram as infraestruturas do aeródromo militar de Millerovo, na região de Rostov.

Quatro alvos foram confirmados como atingidos:

  • Radar RSP-27: 48,953803° 40,296889°
  • Radar Nebo-SV: 48,932208° 40,294460°
  • Armazéns da munição: 48,947273° 40,291718°
  • Unidade técnica e operacional: 48,951479° 40,301451°

Zirka, Goga, Eric – os bons russos que lutam pela Ucrânia

As histórias únicas de Goga, Eric e Zirka – três combatentes e cidadãos russos, que lutam pela Ucrânia na «Legião da Liberdade da Rússia», uma unidade da GUR do MinDefesa da Ucrânia, foram divulgadas pela britânica Sky News. 

Goga é originário de Kaliningrado, serviu na frota russa e foi o único, entre a sua tripulação que se opôs à guerra criminosa iniciada por putin. Sabotou o navio “Serpukhov”, o porta-mísseis dos “Caliber” e “Zircon” e passou a documentação valiosa ao GUR, começando a lutar pela Ucrânia como parte da Legião russa. 

“O que diria eu aos militares russos? Corram, seus tolos – vão todos morrer! Quanto a putin, não quero que morra. Gostava que fosse julgado na Ucrânia”, disse Goga. 

Zirka (Estrela) é natural de Moscovo, trabalhava em design de vestuário, viveu em Paris e trabalhou na indústria da alta costura. Após conhecer os crimes de guerra dos russos, cometidos em Bucha, decidiu largar tudo e juntar-se ao exército ucraniano – agora é médica de combate na «LSR». 

“Quero que a rússia se liberte do regime de putin. Quero que a rússia se torne um país livre – que admita que foi uma guerra terrível, um acto de agressão, e que pague reparações”, diz Zirka. 

Eric, originário da Sibéria, foi mobilizado para o exército de ocupação russo. Para chegar ao lado da Ucrânia, utilizou o projeto “Quero Viver”. Juntos, desenvolveram um plano de fuga. Além disso, Eric ajudou a retirar dois ucranianos do território ocupado — arranjou-lhes documentos e coletes à prova de bala, forneceu-lhes as uniformes russos e transportou-os num carro desviado. Eric é agora o comandante de um grupo de drones de reconhecimento da Legião. 

“Quando chegámos às posições ucranianas, perguntei se a Legião da Liberdade da rússia. Até ao fim, não tinha a certeza se a Legião era real. [...] Estamos unidos pelo desejo de restaurar a ordem na rússia e libertá-la do regime de putin”, explica Eric.

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terça-feira, setembro 01, 2026

Dentro do novo GULAG russo: as tormentas das civis e das POW ucranianas

«Valentyna Zayarna no cativeiro [russo] desde 08.040.23»

Desde 2014 — e sobretudo desde 2022 — a rússia prendeu e mantém em cativeiro pelo menos 1.878 civis ucranianos. Estes são apenas os casos confirmados; o número real pode chegar aos 10.000 pessoas. Pelo menos 223 dos detidos conhecidos são as mulheres.

Natalia Vlasova (44) foi detida pelos russos em Donetsk, em 2019. Na cadeia de «Izolyatsia», foi despida, amarrada com fita adesiva, encharcada com água e sujeita a choques elétricos. Se ela não gritasse alto o suficiente, o choque elétrico era intensificado. Os seus dentes foram cerrados com uma lima de metal, os seus mamilos foram torcidos e tentaram inserir uma garrafa na sua vagina. Um médico reanimou-a com amoníaco quando ela desmaiou. 

Natalia Vlasova no cativeiro russo

A Natália pediu para ser fuzilada. Disseram-lhe que ela deveria sofrer.

Após uma das torturas, Natalia foi acorrentada durante toda a noite numa cela estreita onde só podia estar de pé com os braços levantados. Numa outra ocasião, foi levada para o duche e informada de que 15 soldados a iriam violar. Viram que ela estava menstruada e mudaram de ideias.

A cela típica da cadeia / centro de tortura russa de «Izolyatsia» em Donetsk

O telefone militar da época da II G.M:, conhecido como «tapik» usado na tortura de ucranianos

Os russos mantêm-na presa há mais de sete anos. Atualmente, encontra-se numa colónia penal na Sibéria. Foi condenada a 18 anos de prisão. A revista americana The NewYorker escreve sobre as mulheres ucranianas da mesma cela prisional em Rostov. Antes disso, muitas delas foram torturadas pelos russos em Donetsk.

Os russos capturaram a médica do batalhão «Aydar», Liliya Prutian, perto de Petrivske. No mesmo dia, um dos soldados russos violou-a.

POW ucraniana Liliya Prutian

Três homens aproximaram-se de Liliya. Um deles disse: “Preciso que entendas. Estivemos na linha da frente / front durante três meses”. Liliya chorou e implorou para que fosse somente um deles... 

As cozinheiras do «Aydar» também estavam em Donetsk. Os ocupantes russos julgaram-as como membros de uma “organização terrorista”. 

Após a ocupação de Mariupol pelo exército russo, Marina Tekin foi por conta própria ao centro de triagem russo. Prometeram-lhe que seria libertada e regressaria a casa. Depois, ameaçaram cortar-lhe os dedos se ela não «confessar» de ser «uma fascista». 

Depois de passar por várias prisões, Marina foi levada para uma prisão em Donetsk. Ela, juntamente com outras mulheres do batalhão «Azov» foram obrigadas a rastejar pelo chão de betão até à cave. Já lá estavam mais de dez mulheres ucranianas. Havia seis camas no total e alguns colchões sujos.

As mulheres eram obrigadas a cantar o hino russo. Se cometessem um erro, eram espancadas com bastões de borracha com metal no interior. Os guardas percorriam o corredor todos os dias e espancavam as prisioneiras aleatoriamente. Certa manhã, a Marina ouviu um guarda dizer: «Eu me cansei pr´o ca..lho de bater nelas».

Na cela ao lado, os russos estavam a espancar um soldado ucraniano. Gemia de dor, e os seus companheiros de cela pediram um médico. «Avisam quando ele morrer», respondeu o guarda russo. No dia seguinte, o corpo foi retirado da cela. 

Não havia água, nem lavatório na cave. Em vez de uma sanita, havia um cano de esgoto no chão. As ucranianas deixavam um pouco do líquido de sopa para podessem lavar o esgoto.

Elas faziam pensos higiênicos/absorventes com as suas t-shirts. Partilhavam o sabonete entre si. Quase nunca tinham autorização para tomar banho. Ao fim de uma semana, muitas tinham as mãos e os pés infetados. 

A cozinheira do «Azov», Iryna Mogitych, diz que estavam a apodrecer vivas. Quando ela pediu um médico, a enfermeira respondeu: “Não são previstos médicos num campo de concentração”.

Uma das guardas costumava sufocar as ucranianas com saco plástico na cabeça e ameaçava-as com fuzilamento. Durante os interrogatórios, os guardas espancavam-as por qualquer movimento na cadeira.

Iryna Navalny, de 26 anos, foi levada para uma cela com um saco na cabeça. As suas costas e nádegas estavam cobertas de hematomas roxos. Os russos acusaram-na de preparar uma explosão em Mariupol e gravaram a sua “confissão” em vídeo.

Antes disso, foi espancada e torturada com um choque elétrico, ameaçavam fazer o mesmo à sua mãe e a avó. A avó de Iryna trazia, por vezes, chupa-chupas. As ucranianas partiam um chupa-chupa com uma pedra e dividiram-no entre todas.

Valentyna Zayarna, professora de inglês, de 66 anos, deu guarida a um homem que conhecia por Dima. Ela não sabia que ele era o tenente-coronel das FAU Denys Storozhuk, que tinha fugido de «Azovstal» antes da rendição do contingente ucraniano.

Ucraniana civil, Valentyna Zayarna, no tribunal russo

Valentyna foi buscar um pacote para ele a Donetsk. Aí, foi detida pelo FSB. Os russos espancaram o seu filho e ameaçaram enviá-lo para um hospital psiquiátrico se Valentyna não assinasse uma confissão. Ela concordou e, de seguida, engoliu um punhado de comprimidos. Valentyna sobreviveu. Foi condenada a 12 anos de prisão.

Iryna Kulish, da região de Zaporizhzhia, vendia legumes no mercado antes da ocupação russa. Alguém avisou os russos que ela apoiava Ucrânia. Os russos detiveram-na e acusaram-na de preparar uma explosão. A Iryna tem Parkinson. Na prisão, as mãos começaram a tremer tanto que não conseguia dormir descansada. Os russos transferiram-na por mais de 20 prisões e centros de detenção preventiva (as famosas cadeias SIZO).

Kateryna Korovina, de 29 anos, de Starobilsk, foi condenada a 10 anos de prisão por uma doação equivalente aos 12 dólares americanos, destinados às ONG´s ucranianas. Kateryna explicava que ajudou os civis. O FSB disse que o dinheiro era para os militares ucranianos e acusou-a de «financiar o terrorismo».

Após 14 meses numa cave em Donetsk, algumas das mulheres foram transferidas para a cidade russa de Rostov.

Chegaram exaustas e todas machucadas. O subdiretor da cadeia SIZO entrou para gritar com elas. Viu as mulheres machucadas e calou-se. Ordenou um banho quente, comida adequada e cigarros para as fumadoras.

Em Rostov, havia água e uma casa de banho. As mulheres liam, escreviam cartas, cantavam, dançavam, aprendiam inglês, inventavam guiões de filmes e conversavam sobre crianças e famílias.

Nos aniversários, faziam um bolo de bolachas e leite condensado. Em setembro de 2024, várias mulheres foram levadas para um centro médico. Foram despidas, ficando apenas de roupa interior, e revistadas em busca de hematomas no corpo. Se encontrassem alguma, eram obrigadas a assinar uma declaração em como não tinham queixas sobre a detenção.

Poucas horas depois, os guardas leram a lista da troca. As mulheres de «Azov» e «Aydar» foram levadas para a troca. Os civis permaneceram em cativeiro russo.

Natalia Vlasova mantinha um saco com roupa lavada na sua cela, caso fosse trocada. O seu nome não foi mencionado novamente. 

Na primavera de 2026, ela foi transferida para uma colónia penal em Kemerovo, na Sibéria. Quando Natalia foi detida, a sua filha tinha quatro anos. Agora ela tem onze.

Ler mais: New Yorker (ler ou escutar, somente assinantes); Meduza (inglês, versão curta); Ucraniano

Ninguém foi ou será esquecido...

Na noite de 29 de agosto, Dmitry Neyolov, o vice-chefe do centro penal de Olenivka, onde foram mantidos os POW ucranianos, explodiu dentro do seu carro, algures no território ocupado da região de Donetsk, confirmou a sua esposa.

Neyolov em 2022, juntamente com os propagandistas russos em Olenivka


No início da invasão russa de grande escala, Neyolov era o primeiro vice-chefe da cadeia/centro penal de Olenivka. Após a explosão na noite de 29 de julho de 2022, que matou pelo menos 53 POW ucranianos, ele assumiu o comando daquele centro.

Neyolov é um ex-polícia ucraniano de Donetsk. Em 2014, traiu o seu juramento e passou para o lado russo. Neyolova não respondeu diretamente à pergunta sobre se o seu marido tinha morrido. 

⏳ Revolucionária judia-ucraniana que tentou eliminar Lenine

Fanni Kaplan, 1890-1918. Foto: Wikipédia

Aos 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenine discursava num comício na Fábrica «Mikhelson», em Moscovo. Ao sair para o pátio e dirigir-se para o seu carro após o discurso, foram disparados três tiros. Duas balas atingiram Lenine — uma no pescoço e no ombro, outra no braço. Os ferimentos eram graves.

Logo de seguida, Fanni Kaplan (nome de nascença Feiga Roitblat, alcunha revolucionária «Dora»), de 28 anos, uma revolucionária judia, nascida na Ucrânia, que tinha cumprido anos de trabalhos forçados sob o regime czarista, foi detida nas proximidades. Revolucionária anti-monárquica de longa data, após a revolução democrática russa de fevereiro de 1917, ela foi libertada e juntou-se ao partido dos Socialistas Revolucionários (SR), conhecidos como eseres.

Fanni Kaplan, foto após a detenção pela CheKa

Durante o interrogatório, Kaplan assumiu a responsabilidade pela tentativa de assassinato. Afirmou que já tinha decidido há muito tempo matar Lenine, por considerá-lo um «traidor da revolução». Uma das principais razões foi a liquidação da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques em janeiro de 1918, após a derrota dos bolcheviques nas eleições para os seus rivais, SR. Kaplan alegou ter agido sozinha e recusou-se a revelar onde obteve a arma ou se teve cúmplices.

Pistola que foi usada na ação

A investigação bolchevique foi extremamente breve. Aos 3 de setembro, apenas quatro dias após a tentativa de assassinato, Kaplan foi sumariamente executada dentro do recinto do Kremlin, por comandante do Kremlin, por ordem de mais alta liderança bolchevique. O seu corpo foi profanado, queimado dentro de um tambor, regado com a gasolina. Os restos mortais, muito possivelmente, foram atirados ao Rio Moscovo.

Na mesma manhã, o chefe da Cheka local, Moisei Uritsky, foi assassinado em Petrogrado. Os bolcheviques usaram estes dois acontecimentos como justificação para um aumento drástico da repressão. Poucos dias depois, aos 5 de setembro, o Conselho de Comissários do Povo adotou oficialmente o decreto «Sobre o Terror Vermelho».

No entanto, as provas de que Kaplan foi a autora efetiva dos disparos não são consideradas absolutamente conclusivas. Testemunhas oculares deram relatos contraditórios, poucas testemunharam o disparo em si, e a execução sumária de Kaplan afastou a possibilidade de uma investigação completa, e muito menos imparcial.

Em 2016, na Ucrânia foi produzido um filme dramático-histórico, chamado «A minha avó Fanni Kaplan», que explorava a vida e história pessoal da Fanni, desde a sua meninice na Volyn, até a vida revolucionária, no mundos dos anarquistas e eseres, nas derradeiras e muito conturbadas décadas da existência do império russo.