domingo, abril 05, 2026

KGB no ecumenismo: religiosos soviéticos na missão propagandista em Portugal

Revista «Paz e Amizade», n.º 10, ano III/78, pp. 20-22

Em abril de 1978 uma delegação eclesiástica soviética visitou Portugal. Composta por representantes católicos, ortodoxos armênios e evangélicos russos, o grupo foi chefiado pelo Bispo Makário da Igreja Ortodoxa russa (IOR), agente do KGB “Wisler”, muito ativo no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra. 

O texto sobre a visita, da autoría da jornalista e respeitada ativista do MDM Dra. Dulce Rebelo, pode ser lido na íntegra aquí, publicado, na Revista “Paz e Amizade”, da Associação Portugal-URSS, sob forte influência dos comunistas portuguese e chefiada, na altura, pelo politico portugués, proximo ao PS, Dr. Bruto da Costa

Revista «Paz e Amizade», n.º 10, ano III/78, pp. 20-22

Como transparece o próprio texto, a principal razão da visita era simples, tentar convencer o público português do que não havia perseguição religiosa na URSS. As décadas de 1960-80, na realidade foram marcadas pela intolerância religiosa aguda do regime soviético, naturalmente, com os seus “altos e baixos” e também com os tratamentos diferenciados dispensados aos diversos credos. 

Assim, em 1961 o poder soviético inicia a sua ofensiva contra os evangélicos. No total, entre 1961 a 1988, na União Soviética foram condenados às diversaspenas prisionais cerca de 1500 pastores e sacerdotes evangélicos e batistas. O primeiro pico da repressão religiosa se deu em 1961-63, quando foram condenados cerca de 200 pastores. O pico seguinte aconteceu em 1980-82, quando as autoridades soviéticas encarceram 158 pastores evangélicos, a metade de todos os prisioneiros de consciência soviéticos, presos únicamente pela fidelidade da sua fé religiosa. 

A primeira onda represiva resultou da campanha antireligiosa do Nikita Khruschev, que tentou, de forma voluntarista, eliminar, ao máximo, a religião da vida dos cidadão, uma vez que tinha prometido, publicamente, a chegada triunfante do comunismo até 1980. Já a segunda, muito possivelmente, se deu aos vários fatores, que ditaram a agressividade adicional do regime: desde a guerra neocolonial soviética no Afeganistão até o medo de Moscovo em “perder” a Polónia, devido ao forte desempenho social do sindicato “Solidariedade”. Ao sentimento geral de paranoia do Kremlin também contribuíram os Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980. Dados a tentação de tentar impressionar os estrangeiros que, deveriam vir em massa, ao país bastante fechado ao exterior, o regime soviético e KGB decidiram intensificar a repressão em massa, que muitas vezes culminava com a deportação, fora de Moscovo e das capitais das repúblicas soviéticas todo e qualquer tipo de dissidência: política, religiosa ou mesmo cultural. 

Em 1960, ao Conselho de Toda a União de Cristãos Evangélicos-Batistas (AUCECB), a única organização batista legal em toda a URSS, foi imposto um novo estatuto, criado e aprovado pelas autoridades soviéticas. O estatuto exortava os pastores a se abster de “tendências missionárias não saudáveis”, nomeadamente manter ao nível mínimo o batismo de jovens entre 18 a 30 anos, com a total proibição de batismo de menores de 18 anos. Os pastores eram exortados a combater as “tendências negativas” do seu clero em relação à “arte, literatura, rádio, cinema e televisão”, ou seja serem permissivos, ao máximo, em relação a propaganda soviética, impedindo, de forma absoluta, que as crianças (jovens menores de 18 anos) sejam presentes nos templos e na celebração dos cultos religiosos. 

Como é natural, a imposição do regime comunista não foi recebida com agrado por muitos dos pastores, no seio do AUCECB nasceu o assim chamado Movimento iniciativo, que reivindicava a liberdade da fé e não interferência das autoridades soviéticas na vida religiosa dos cidadãos. O conflito chegou ao ponto em que um número significativo de fiéis e pastores deixou o AUCECB, acusando sua liderança de conluio com as autoridades ateístas. Criando uma união alternativa, hoje conhecida como União Internacional de Igrejas de Cristãos Evangélicos-Batistas (IUCEB). 

O poder soviético respondeu de forma habitual: aumentando o nível da repressão contra os dissidentes e coagindo e recrutando os agentes no seio dos pastores. Um destes pastores e funcionários seniores do AUCECB foi Alexei Stoian, promovido ao posto de presidente do Departamento Internacional do Conselho dos Cristãos Baptistas Evangélicos de toda a rússia. Nessa qualidade ele visitou Portugal em abril de 1978. 

Situação na Lituânia socialista 

Em 1978, padres católicos romanos lituanos intensificaram a resistência contra a perseguição, fundado, em novembro de 1978, o Comité Católico para a Defesa dos Direitos dos Fiéis, com o objetivo de monitorar e denunciar publicamente as violações destes mesmos direitos. Figuras importantes do clero lituano, arriscaram-se à prisão para desafiar o Estado sovietico, colaborando com o jornal clandestino Crônica da Igreja Católica da Lituânia.

Os padres protestaram ativamente contra a nova Constituição soviética da Lituânia, argumentando que ela discriminava os fiéis. No início de 1978, padres da Arquidiocese de Kaunas protestaram junto ao Bispo Juozas Labukas contra a interferência das autoridades soviéticas nos assuntos da Igreja. Apesar do perigo, incluindo vigilância e ameaças de agentes da KGB, o clero catolico lituano continuou suas atividades, muitas vezes secretas, para manter a vida religiosa. Muitos padres católicos lituanos, como o Alfonsas Svarinskas e Sigitas Tamkevičius, sofreram prisão por suas atividades. 

Não consegui achar as provas diretas de que o padre Stanislovas Lidys (Dulce Rebelo o chamou de Staxis Lidis) era o agente ou informador formal do KGB. Sabe-se que o padre Lidys chegou a assinar, em 1978, a petição contra a aprovação da nova constituição da Lituânia. Ao mesmo tempo nas décadas de 1970-1980 as autoridades soviéticas costumavam colocar este sacerdote (que de 1969 a 1990 era o pároco da Igreja da Imaculada Conceição da Virgem Maria em Vílnius nas mais diversas viagens ao estrangeiro, sempre para tentar provar a tese: do que “não havia perseguição religiosa na URSS”. 

O músico jazista russo-lituano, Vladimir Tarasov, recorda no seu livro “The Drummer Diaries”, que em 1979, juntamente com padre Lidys, fui convidado para uma digressao/turnê com um dos grupos musicais juvenis da Lituânia pela África – visitando Gana e Benin. Tarasov estava perfeitamente conciente do papel do padre Lidys na delegacao soviética: “Ficou claro por que o padre católico Stanislovas Lidys [...] estava incluído em nossa delegação.Aparentemente, eles queriam mostrar aos seus amigos africanos que a religião não era proibida e que estava florescendo na Lituânia soviética”. 

Pergunta retórica. Poderia um padre católico, crítico aberto ao regime soviético de viajar ao estrangeiro e ser incluído nas delegações oficiais soviéticas ao estrangeiro? Claro que poderia, na condição óbvia do informador/agente do KGB. Muito possivelmente tivemos aqui o caso do dito “legendamento”, quando KGB criava, artificialmente, ao seu agente, a cobertura falsa, o retratando ao público geral como um dissidente. 

O caso do bispo Makário

Bispo Makário (ucraniano Leonid Svystun) muito cedo se destacou na sua colaboração com o KGB. Assim em 1969, Makário, ao pedido do KGB, escreveu uma denúncia formal contra o seu colega do seminário de Kyiv, padre dissidente russo Pavel Adelheim. Em 1970, Adelheim foi condenado a três anos de prisão num campo de trabalhos forçados sob a acusação de “difamar o sistema soviético”. O original da denúncia, assinado pelo Makário Svystun foi encontrado no arquivo do seu processo criminal. Apenas 10 dias antes da condenação do amigo ao GULAG, padre Makário se tornou o bispo, aos 32 anos de idade. 

Desde o fim da década de 1960, Makário viaja constantemente ao estrangeiro: 1967 (Suíça), 1968 (Praga e Uppsala), 1970 (Argentina e Roma), 1971 (EUA), 1975 (EUA e Quênia). Em 1968 ele estuda no Instituto Ecumênico de Bossey na Suíça. 

Em 1970 Makário é designado como Administrador das paróquias sob a jurisdição da IOR no Canadá e nos Estados Unidos. Em dezembro de 1974 foi nomeado o representante do Patriarcado de Moscovo/ou junto ao Conselho Mundial de Igrejas em Genebra e reitor da paróquia estauropégica da Natividade da Virgem Maria em Genebra. É de notar, que em Genebra Makário sucedeu o atual líder da IOR, Kirill. Os relatórios da imprensa suíça de 2023, baseados em arquivos, indicam que o Kirill (Vladimir Gundyaev), na década de 1970 era um agente do KGB em Genebra, utilizando o nome de código/codinome “Mikhaylov”. Ele servia no Conselho Mundial de Igrejas para influenciar a organização em prol dos interesses soviéticos.

Vladimir Gundyaev, década de 1980

Naturalmente, o mesmo trabalho de influenciar o Conselho Mundial de Igrejas, em prol dos interesses soviéticos, continuou o bispo Makário, o agente do KGB “Wisler”. Outras fontes baseadas nos arquivos soviéticos sugerem que «Wisler» também era usado pelo KGB na vigilância ao dissidente e escritor russo Alexander Soljenitsin, autor do «Arquipélgago GULAG», o objeto “Pauk” nos relatórios do KGB.

Missão ao Portugal 

Em 1965, o padre dissidente russo, Gleb Iakuin elaborou e enviou uma carta aberta ao Patriarca da IOR Alexy I, que descrevia detalhadamente a supressão ilegal dos direitos e liberdades dos cidadãos pelas autoridades estatais da URSS. Yakunin publicou também centenas de materiais e documentos que comprovavam as violações dos direitos dos crentes na URSS, os quais tiveram grande repercussão internacional. Em 1976, tornou-se um dos cofundadores do «Comite Cristão para a Defesa dos Direitos dos Crentes na URSS». 

Conferência da delegação de eclesiásticos soviéticos, realizada na Biblioteca Nacional (Lisboa). Da esquerda para a direita: pastor Alexei Stoian, sacerdote Sarkis Tgdjian, bispo Makário, Dr. Bruto da Costa (da Associação Portugal-URSS), e padre católico Staxis Lidis (Stanislovas Lidys).

Em novembro de 1979, foi preso e em agosto de 1980 condenado por “agitação antissoviética”, cumpriu a sua pena nos famigerados campos do GULAG soviético de Perm-35, Perm-36 e Perm-37. 

Reagindo à essa mesma repercursão internacional, em abril de 1978, o nosso grupo de sacerdotes soviéticos, acarinhados pela Associação Portugal-URSS e promovidos ao público pelas personalidades intelectuais próximas ao PCP e ao PS, veio ao Portugal em missão de comprovar o incomprovável: “ausencia da perseguição movida pelo sistema socialista a religião e aqueles que a professam”. Será que a sua missão foi bem-sucedida? Isso só podem testemunhar aqueles que acompanharam a situação de perto. O que parece mal nessa história toda, é o empenho, com que as pessoas aparentemente honradas, casos do Bruto da Costa ou da Dulce Rebelo participaram no exercício da propaganda soviética, de um regime comunista absolutamente cruel e despótico, que atentava sobre os direitos mais básicos de milhões de cidadãos da URSS. 

Será que Bruto da Costa ou Dulce Rebelo sabiam que colaboram, mesmo que indiretamente, com KGB na tentativa de manipular a opinião pública ocidental e portuguesa? Sendo intelectuais e saindo de uma outra ditadura tinham a obrigação de desconfiar do seu papel de “idiotas uteis” do regime soviético. Será que algum deles, alguma vez pediu desculpas pelas suas ações ou omissões? Aparentemente não...

Blogueiro: agradecemos ao Pavlo Sadokha a indicação da matéria.

O major-general do SBU morre na Ucrânia

Um colaborador importante, o major-general Vladimir Lyapkin, da secreta SBU, que traiu Ucrânia e passou a servir os ocupantes russos ainda em 2014, foi morto na Ucrânia. A sua morte foi anunciada por outro traidor, ex-deputado Oleg Tsarev. 

Lyapkin chefiava um dos principais departamentos do SBU, responsáveis pela documentação operacional — escutas telefónicas, vigilância e recolha de informações. Em 2013-2014, participou na repressão dos protestos de Maydan (Praça de Independência) em Kyiv. Depois, disso fugiu para a rússia, viveu na Crimeia ocupada.

A morte do Lyapkin é confirmada pelo Oleg Tsarev

Em fevereiro de 2022, viajou com Tsarev para Kyiv, num comboio do exército russo, preparado para trabalhar na administração da ocupação. Falhou novamente. Depois disso, aderiu à unidade militar russa Bars-33, que, aparentemente, e em parte, era composta por aqueles que trairam o seu juramento à Ucrânia, se aliando aos ocupantes russos. Apesar de Oleg Tsarev afirmar, que Lyapkin conservou a sua patente ucraniana no exército russo, nota-se que na realidade ele ocupava uma posição vários escalões mais baixa do que ao de um major-general. 

No final, o traidor simplesmente não sobreviveu à guerra. Recebeu uma condecoração ucraniana bem merecida. Se transformou no adubo das terras negras ucranianas da região de Kherson. 

A sepultura do Eduard Malov com a data da sua morte

Ainda não são conhecidos os pormenores da morte do traidor. Sabe-se apenas que juntamente com Lyapkin morreu o coronel Eduard Malov, antigo funcionário do Ministério das Situações de Emergência da rússia. Malov e Lyapkin, eram colegas dos tempos soviéticos, ambos foram graduados em 1989 pela Escola Superior de Comando de Armas Combinadas de Tashkent, no Uzbequistão. Os dois morreram ou foram liquidados em 17 de março de 2026. O dia da morte confirma-se pela recente sepultura do coronel Malov, efetuada nos arredores de Moscovo. 

Fonte: @kazansky2017

sábado, abril 04, 2026

🔥🔥🔥A presença militar ucraniana na Líbia: o controlo do Mar Mediterrâneo

Ucrânia mantém uma presença militar na Líbia, e as tropas ucranianas estiveram por trás do ataque ao gasoleiro russo «Arctic Metagas» no Mar Mediterrâneo, no início de março de 2026, afirma a rádio francesa RFI. 


Navio «Arctic Metagaz» após ser atacado por um drone marítimo

De acordo com duas fontes líbias, mais de 200 oficiais e especialistas ucranianos estão destacados no oeste da Líbia com o consentimento do governo de Tripoli, liderado por Abdelhamid Dbeibah. 

A RFI informa que as tropas ucranianas estão presentes em três instalações. Entre elas, a base da Academia da Força Aérea em Misrata (que também alberga forças turcas e italianas, o Comando Africano dos EUA e um centro de inteligência britânico) e uma base na cidade de Zawiya, aproximadamente 50 quilómetros a norte de Tripoli, perto do complexo de petróleo e gás de Mellita. Esta base está totalmente equipada para lançar drones aéreos e marítimos. 

Outro local é utilizado para reuniões de coordenação entre as forças armadas ucranianas e o exército líbio. Está localizado no território da 111ª Brigada, na estrada para o Aeroporto de Tripoli. 

Segundo fontes da RFI, o navio «Arctic Metagas» foi atacado por um drone de superfície Magura V5, de fabrico ucraniano, lançado de uma base próxima de Mellita e que atingiu a casa das máquinas da embarcação. 

De acordo com a RFI, o acordo sobre a presença de tropas ucranianas foi assinado em outubro de 2025 ao pedido oficial do adido militar ucraniano na Argélia, Andriy Bayuk. Em troca, Trípoli recebe treino para as suas forças armadas, incluindo o uso de drones. O acordo de longo prazo prevê o fornecimento de armas e investimentos ucranianos no sector petrolífero da Líbia, segundo a RFI. As autoridades ucranianas não responderam ao pedido de informação da RFI. 

No início de março, um incêndio deflagrou a bordo do navio-tanque «Arctic Metagas», que navegava sob bandeira russa e transportava mais de 60 mil toneladas de gás natural liquefeito. A embarcação encontrava-se no Mar Mediterrâneo, entre Malta e a Líbia, na altura do incidente. A tripulação foi evacuada, mas o navio-tanque, que sofreu um rombo no casco, permaneceu à deriva no mar com a sua carga de gás natural liquefeito a bordo. A rússia afirmou que o navio foi atacado por drones marítimos ucranianos. 

Posteriormente, a Corporação Nacional de Petróleo da Líbia anunciou que iria tomar a conta da embarcação, planeando rebocá-la para o porto. No entanto, poucos dias depois, a Autoridade Portuária e Marítima da Líbia informou que «a operação de reboque falhou». 

General do GRU Andrei Averyanov, foto: Getty Images

Além disso, a RFI informa que o ataque ao petroleiro da frota-sombra russa «Qendil», em dezembro de 2025, resultou, muito provavelmente, na morte de Andrei Averyanov, o general da inteligência militar russa GRU, responsável por sabotagens e assassinatos no estrangeiro.

sexta-feira, abril 03, 2026

A rússia perde 4 aviões e 1 general em 4 dias da guerra na Ucrânia

A rússia perdeu mais um caça. O Su-30SM caiu/foi abatido na Crimeia ocupada. Não há ainda informações fidedignas dos pilotos. Tratou-se do 4º avião de guerra russo perdido em 4 dias. Já o general foi o 14º general russo morto na sua guerra neocolonial contra Ucrânia. 

O tenente-general Aleksandr Otroschenko

A versão oficial russa da queda do Su-30SM é «incêndio do motor». Entre outros aparelhos russos perdidos nos últimos dias é de notar a perda do An-26 com 3 pilotos e 26 passageiros a bordo, entre eles o tenente-general Aleksandr Otroschenko, o comandante do corpo misto de aviação da frota russa do Norte e pelo menos 6 oficiais do Estado-maior da frota russa do Norte. O general Otroschenko é o 14º general russo morto na sua guerra contra Ucrânia. A morte do general foi confirmada pelo serviço russo da BBC.

Outros aparelhos foi um caça-bombardeiro Su-34 que despenhou-se na Crimeia ocupada (aparentemente o piloto morreu e navegador sobreviveu, com ferimentos) e um An-72P – a aeronave de patrulha marítima para monitorização da zona costeira, usada pelos ocupantes russos para detetar os dornes ucranianos que sua rota à Crimeia ocupada.


No dia 2 de abril, os operadores do 1º Centro Independente da Força de Sistemas não-Tripuladas (SBS), juntamente com a inteligência militar ucraniana GUR MOU, realizaram uma série de operações contra alvos militares no território da Crimeia temporariamente ocupada. Os ataques foram realizados em coordenação com o Centro de Ataque Profundo. 

O depósito de drones Orion foi atingido – um drone de ataque e reconhecimento reutilizável avaliado em mais de 5 milhões de dólares, capaz de transportar mísseis e bombas aéreas e de permanecer no ar até 24 horas. A destruição de 4 drones Orion foi confirmada. 

Foi também atingida um An-72P – a aeronave de patrulha marítima para monitorização da zona costeira. O terceiro alvo foi a estação de radar P-37 MECH, concebida para detetar alvos aéreos, guiar aeronaves de combate e designar alvos para sistemas antiaéreos.

quinta-feira, abril 02, 2026

A guerra neocolonial russa na Ucrânia: a tragédia dos povos indígenas

Forças russas após mais um ataque motorizado...
Uma ilustração gráfica da dimensão das perdas russas na Ucrânia. O chefe de uma pequena aldeia na Iacútia revelou estatísticas chocantes de perdas dos povos indígenas na guerra neocolonial russa contra Ucrânia. 

Sergey Tretyakov, chefe da aldeia de Andryushkino, no distrito de Nizhnekolymsky, na famigerada região de Colyma, a pátria do GULAG soviético, informou que a aldeia vivem 839 habitantes, destes, 581 representantes de povos indígenas. No total, 72 homens locais foram combater na Ucrânia e 22 já morreram (mais alguns estão desaparecidos em combate, o mais provável, também mortos). 

Os mortos representam mais de 30% do total de pessoas que partiram. 

Os povos indígenas da rússia estão a ser efectivamente exterminados. Estão a ser massacrados por uma guerra estrangeira, completamente desnecessária, a milhares de quilómetros de suas casas, onde eles morrem pelas ideias tresloucadas da ideologia do neofascismo russo. 

Fonte: TG @kazansky2017

Bónus


A cidade de Ufa, a capital de Bashkortostão, a terra nacional do povo bashkort. A unidade de craqueamento da refinaria local está em chamas após ser atingida pelos drones de ataque ucranianos, segundo a propaganda russa uns «meros destroços», pois como é de costume, as forças russas «derrubaram tudo» e como sempre, «não há nenhum perigo». 


Fonte: TG @kazansky2017

quarta-feira, abril 01, 2026

A mobilização forçada russa – dos estudantes e trabalhadores menos qualificados

As autoridades russas continuam a juntar os recursos humanos cada vez mais escassos na tentativa de evitar um nova mobilização geral – o Kremlin decidiu enviar para a sua guerra neocolonial os estudantes e os trabalhadores menos qualificados. 

Segundo os meios de comunicação, o Ministro da Ciência e Ensino Superior da rússoa, Valery Falkov, emitiu uma directiva aos reitores das maiores universidades do país para que pelo menos 2% dos estudantes assinem contratos com o Ministério da Defesa. 

Isto implica que os estudantes russos receberão a licença académica de um ano e um ano de serviço militar sob contrato. Naturalmente, as autoridades russas não mencionam o facto de que os «voluntários» não poderão regressar a casa ao fim de um ano. A motivação estudantil é simples: promessas de benefícios e pagamentos adicionais, além da possibilidade de transferência para um programa financiado pelo Estado, ou ameaça de expulsão devido ao fraco desempenho estudantil. 

Os jornalistas calcularam que, se as universidades conseguirem cumprir o plano estabelecido, o exército russo será reforçado com cerca de 44 mil soldados (ou 76 mil, se incluir as escolas técnicas). As autoridades russas prometem enviar jovens principalmente para a recém-criada força dos meios não-tripulados. Mas se sabe perfeitamente como é curto e rápido o caminho para a infantaria de assalto no exército russo. 

As autoridades russas estão a esforçar-se por encontrar formas de reabastecer as suas tropas, no meio da crescente tensão nas linhas da frente – as baixas mensais no exército russo ultrapassam o número de recrutas contratados. Por isso, Kremlin tenta transferir as responsabilidades de encontrar «carne de canhão» aos empregadores, incluindo as empresas privadas. 

A primeira a tomar esta medida foi a região russa de Ryazan – o governador Pavel Malkov emitiu uma ordem exigindo que todas as empresas da região, independentemente das formas de propriedade, selecionem os candidatos para o serviço militar no exército russo. O documento correspondente foi descoberto pelos analistas da Conflict Intelligence Team no site oficial de informação jurídica russa. 

Fonte: TG canal «Quero Viver»

De acordo com a ordem de Malkov, as empresas com 150 à 300 funcionários deverão enviar duas pessoas para a guerra entre 20 de março e 20 de setembro. As que têm 300 à 500 funcionários devem enviar três pessoas, e as que têm mais de 500 funcionários devem enviar cinco pessoas. Para justificar a decisão, as autoridades regionais de Ryazan citam os decretos presidenciais nº 756 e nº 757 de vladimir putin, de 19 de outubro de 2022, que autorizam os líderes regionais a «implementar medidas para satisfazer as necessidades» das forças armadas russas. No entanto, não é especificado se isto se aplica apenas a funcionários de empresas ou se qualquer pessoa se pode tornar o candidato, ou seja, se ao modo medieval, as empresas poderão «comprar» os candidatos no mercado livre. 

De salientar que esta prática já ocorreu anteriormente em diversas regiões russas. Contudo, esta é a primeira vez que ela vem à tona oficialmente. Há muito tempo, as autoridades russas transformaram o recrutamento militar num negócio lucrativo, praticamente esclavagista, para todo o tipo de intermediários obscuros, introduzindo o programa «tragam um amigo para a guerra», criando um bónus financeiro para os «caçadores de talentos». 

Embora não seja claro se haverá alguma penalização para quem não cumprir o plano estipulado, e que os empregadores estão provavelmente a ser utilizados como forma de intimidação, estamos confiantes de que muitos líderes de empresas e organizações aplaudirão este decreto. Este recrutamento terceirizado pode permitir o adiamento de uma nova mobilização geral (algo que o Kremlin está muito relutante em fazer), mas não passará disso — cada vez há menos pessoas dispostas a morrer pelo «movimentamento», neologismo usado pelo putin para desrever a sua guerra neocolonial russa. 

A vida e a morte de um der sturmer russo 

O russo Mikhail G., de 56 anos, possivelmente um liberal no seu passado recente (marinheiro de água doce, um dia ele navegou até Islândia), decidiu participar na agressão militar russa contra Ucrânia.

O corpo do nosso der sturmer ficou algures na zona cinzenta.
Por enquanto está registado como MIA, desaparecido em combate

Engenheiro de profissão, Misha era cérebro em drones, recebendo a «promessa de ferro» de que assinando o contrato militar será destacado à uma unidade de drones. Assinou o contrato e foi imediatamente colocado, pelos pais-comandantes, na infantaria de ataque. O nosso der sturmer, como era de prever, não durou mais do que alguns poucos ataques. Um drone ucraniano deu lhe o golpe da misericórdia.

Aconteceu, tal-e-qual como num verso anónimo:

O filhão ia matar os ucranianos, mas até que foi morto.

Porque razão aconteceu a tal desgraça cruel e injusta?

Porquis pá, porquis?!!

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Ocupantes russos perdem um Su-34 e um An-26 com tropas

Num único dia rússia perdeu um caça-bombardeiro Su-34 e num outro caso separado o avião de transporte An-26, à transportar 26 militares, algures sobre a Crimeia ocupada, possivelmente vítima do fogo-amigo. 

«An-26 transportava o pessoal. Cerca de 30 pessoas»

Os dois casos já foram confirmados pelos blogueiros militares russos, nos seus canais TG, que em princípio, deverão ficar calados no dia 1 de abril de 2026, fruto à imposição do regulador russo. 

rússia reconhece a perda do An-26, oficialmente foi um mero «acidente»

UPD: Os blogueiros militares russos confirmam, ao bordo do An-26, que caiu ou foi abatido na Crimeia ocupada estava o tenente-general Aleksandr Otroschenko, o comandante do corpo misto de aviação da frota russa do Norte e pelo menos 6 oficiais do Estado-maior da frota russa do Norte.

Fonte: TG @kazansky2017

Massacre de Praga: crime de guerra russo na Polónia

«Massacre de Praga». Artista Alexander Orlowski, 1810

A propaganda russa e soviética elaborou cuidadosamente a imagem heróica do marechal russo Suvorov. Assim o filme homónimo retrata a cena das tropas a encontrarem o seu comandante após a 2ª batalha pela Varsóvia, na Polónia, em 1794.


A legenda / os créditos dizem «após a batalha nos arredores de Varsóvia», não explicando do que se trata nesta cena. Explicam, no entanto, que em Novembro de 1794, as tropas sob o comando de Suvorov reprimiram brutalmente a revolta nacional polaca, derrotando as forças polacas em Praga, um subúrbio de Varsóvia. Após a derrota da guarnição polaca em Praga, o inferno instalou-se — as tropas russas levaram a cabo um sangrento massacre de civis, no qual, segundo várias estimativas, morreram até 20 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças. 

Lev Engelhardt, o fidalgo e oficial russo, um dos participantes na tomada de Praga, escreveu sobre isto: «Ao longo de todo o caminho até ao Vístula, corpos de todas as classessociais eram visíveis a cada passo, e nas suas margens acumulavam-se montes de corpos de mortos e moribundos: soldados, moradores, monges, mulheres e crianças. A visão de tudo isto faz o coraçãoafundar e o olhar torna-se nauseabundo perante tal espectáculo... os habitantes massacrados eram incontáveis». 

Conta-se que Suvorov, que abandonará Praga à mercê dos seus «heróis milagreiros», ao ver o que estes tinham feito, ordenou que a ponte sobre o Vístula que conduzia a Varsóvia fosse incendiada, para que a sangrenta atrocidade não se propagasse ainda mais. 

Por suprimir a revolta e destruir Praga, Suvorov foi promovido a marechal de campo pela imperatriz russa, enquanto por toda a Europa o comandante russo ficou conhecido como «demónio sedento de sangue». Dizia-se que Suvorov ordenou a amputação das mãos de 6.000 nobres polacos. Na Polónia, os acontecimentos desse dia terrível são conhecidos como o «Massacre de Praga» (Rzeź Pragi).

domingo, março 29, 2026

🎥 Mercenários africanos e árabes na guerra neocolonial russa na Ucrânia

A procura de um futuro melhor, com um emprego bem remunerado ou acesso à educação, leva alguns residentes do Médio Oriente ou do Norte de África à rússia. Mas apenas os mais sortudos, acabam por ser capturados pelas forças ucranianas.

Não imaginam até que ponto um estudante egípcio ou um trabalhador migrante iemenita possam ser facilmente pressionados a assinar um contrato com exército russo com a promessa de montanhas de dinheiro, cidadania russa e uma trabalho facil na retaguarda. Aqueles que se recusam a cooperar são acusados ​​de infringir a lei e ameaçados com longas penas de prisão. Há sempre apenas uma alternativa, mas os mercenários só aprendem as realidades da guerra depois de se encontrarem na linha da frente.

Sem conhecimento da língua ou da região, tornam-se descartáveis ​​para os comandantes russos. Apenas alguns, sobretudo os mais sortudos, acabam por ser capturados pelas forças ucranianas e começam a ponderar as consequências das suas decisões.

Veja o filme sobre cinco «aventureiros» – mercenários do Egito, Iémen e Somália – no YouTube. Todos eles afirmam que foram para a rússia para ganhar dinheiro, mas acabaram na linha da frente:  

Faça click para ver o vídeo no YouTube

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sábado, março 28, 2026

Uma maternidade em Odessa foi alvo do ataque aéreo russo

Enquanto as FAU visam e destroem alvos militares russos, os criminosos de guerra russos atacam, como habitualmente, as maternidades. Desta vez atacaram uma maternidade em Odessa. Dois civis foram mortos no ataque russo à cidade.

Há poucos dias atrás lançaram um ataque de drones contra uma maternidade em Ivano-Frankivsk, matando duas pessoas. Em maio, os propagandistas russos voltarão a expressar falsamente piedade por Odessa e per separtistas que morreram lá em maio de 2014. 





Fonte: @kazansky2017

Porto russo de Ust-Luga visto por satélite 




A infra-estrutura petrolífera russa que demorou anos a ser construída, e depois, devido às escolhas dos cabecilhas do Kremlin que iniciaram a guerra contra Ucrânia, e agora tudo foi por água abaixo. A guerra russa está a avançar conforme o plano-diretor do «mestre do xadrez» e dentro do cronograma previamente definido. 

Fonte: @kazansky2017