domingo, novembro 08, 2026

Katya Mayorova, da «andorinha» à «Miss KGB» de 1990

Num esforço de relações públicas, o KGB soviético anunciou em outubro de 1990, que realizou um concurso de beleza secreto e coroou uma funcionária como «Miss KGB». A secretária Ekaterina «Katya» Mayorova, de 23 anos, foi declarada vencedora e desfilou pela comunicação social nos meses seguintes, escreve Spycraft101

As «andorinhas» do KGB

No final da década de 1980, a sociedade soviética da era Perestroika parecia ter redescoberto a beleza feminina. Uma onda de concursos de beleza varreu o país – «Miss URSS», «Miss Estónia». Mas, mesmo neste contexto, a notícia da atribuição do título de «Miss KGB» pareceu sensacional.

Foto by SHONE/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foto by SHONE/Gamma-Rapho via Getty Images)

O KGB era uma estrutura excessivamente secreta, e rumores sinistros circulavam em torno das suas agentes. KGB apelidava as agentes atraentes de «andorinhas» – eram utilizadas para tecer redes em torno de diplomatas, jornalistas, empresários estrangeiros e outras fontes de informação.

A chamada estratégia da «armadilha de mel» consistia em comprometer uma pessoa através do contacto íntimo com uma «andorinha» e, em seguida, chantageá-la ou persuadi-la a cooperar. 

Artigo sobre Katya no jornal soviético «Komsomolskaya Pravda»

KGB não forneceu informações sobre quando o concurso ocorreu ou quantas candidatas participaram. Mas as fotos da Katya a relaxar em casa ou a sorrir em frente ao Kremlin e a participar alternadamente em treinos de artes marciais e tiro ao alvo apareceram nos meios de comunicação soviéticos e internacionais. Um artigo no «Pravda» descreveu-a a usar o seu colete à prova de bala “com uma suavidade requintada, como uma modelo de [Pierre] Cardin”, e que foi treinada para dar um pontapé de karaté “na cabeça do seu inimigo”.

Artigo do WP sobre Katya, publicado no The Montreal Gazette, 4.11.1990

Katya apareceu no noticiário televisivo de Moscovo para fornecer atualizações sobre o KGB. Foi ainda entrevistada por David Remnick, correspondente do The Washington Post em Moscovo. 

«Katya Mayorova estava diante de mim – uma beldade de camisola de angorá e calças de ganga italianas justas. Na presença de um oficial do KGB encarregado das 'relações com a imprensa', Katya respondeu às minhas perguntas – ou, pode dizer-se, não as respondeu. Segundo ela, o concurso de beleza foi realizado 'em privado', e até o número de candidatas era um segredo.

Igor Mikhalev/Sputnik

Igor Mikhalev/Sputnik

É claro que não havia concurso nenhum. Presumi que isso fosse óbvio e não exigisse explicação. Mas para alguém 'treinada para matar' e membro de uma das organizações mais temidas do mundo, Katya era encantadora», recordou mais tarde o jornalista. Mayorova disse à imprensa que gostava do filme «E Tudo o Vento Levou», que gostava de tricotar, que preferia bananas e que o seu homem preferido era James Bond. “Gostaríamos que as pessoas pensassem que não somos monstros a trabalhar aqui”, tinha dito ela.

Foto: Igor Mikhalev/Sputnik
No entanto, esta mudança brusca de estratégia do KGB foi um caso de “muito pouco, muito tarde”. Quando foi coroada rainha da beleza, os protestos em massa aconteciam por toda a Moscovo, apoiados por um número crescente de figuras públicas. O KGB perdera grande parte do controlo sobre a população moscovita e assistiu passivamente ao derrube de estátuas e à construção de monumentos em homenagem aos milhões que morreram nas purgas de Estaline.

Foto: Igor Mikhalev/Sputnik

Foto: Igor Mikhalev/Sputnik

Foto: Igor Mikhalev/Sputnik

Katya com um polícia de trânsito exemplar). Foto: Igor Mikhalev/Sputnik

Foto: Igor Mikhalev/Sputnik

O que aconteceu a Katya depois de a União Soviética ter finalmente colapsado em dezembro de 1991 é desconhecido. Nem sequer se sabe se Ekaterina «Katya» Mayorova era o seu nome verdadeiro. Simplesmente desapareceu dos livros de História. Pode ter-se juntado ao recém-formado FSB, como muitos funcionários do KGB fizeram.

A obra literária do Brejnev, escrita por «ghost writers»

Edição soviética em espanhól, 1978. Tradução do Angel Pozo Sandoval

Aos 8 de novembro de 1978, os jornais da URSS anunciaram o lançamento do livro de Leonid Brejnev, «Terra Virgem», a 3ª parte da trilogia de memórias do líder comunista soviético. Naturalmente, o já bastante senil, Brejnev apenas assinou a obra, escrita por «ghost writeres» diferentes. 

Os dois primeiros volumes, «Malaya Zemlya» (Terra Pequena) e «Vozrozhdenie» (Renascimento), tinham sido publicados pouco antes. Cada parte teve uma tiragem gigantesca de 15 milhões de exemplares. Assim, com a conclusão da trilogia, «o querido Leonid Ilyich» tornou-se um dos autores mais publicados da URSS. Brejnev estabeleceu também outro recorde, tornando-se o primeiro líder soviético cujas memórias chegaram ao público. Lenine e Estaline não deixaram memórias, e as notas de Khrushchev foram publicadas, primeiro nos Estados Unidos e depois, no Ocidente em geral.

As memórias do Khruschev, publicadas nos EUA em 1970

No entanto, mais tarde foi revelado que a trilogia foi escrita pelos chamados «ghost writers», jornalistas e escritores soviéticos, Arkady Sakhnin (presumível autor da «Malaya Zemlya»), Anatoly Agranovsky (autor de «Vozrozhdenie») e Alexander Murzin (autor de «Terra Virgem»). Contudo, foi o Secretário-Geral do PCUS quem recebeu a fabulosa quantia de 179.241 rublos (304.000 dólares ao câmbio oficial soviético da época). No entanto, no verão de 1987, apenas dois anos após o início da Perestroika, todos os seus livros foram retirados das livrarias e enviados à reciclagem na qualidade do papel velho.

69 prisioneiros políticos morreram na rússia desde 2022

Desde 2022 pelo menos 69 vítimas da repressão política morreram na rússia nas prisões, nas cadeias de detenção preventiva (SIZO) no decorrer de investigação ou alguns dias após a sua libertação. Pelo menos 20 delas foram mortas na sequência de tortura e espancamentos. Muitos eram ucranianos.

Desde o início da guerra russo-ucraniana de larga escala, pelo menos 69 pessoas morreram na rússia, perseguidas pelas autoridades russas por motivos políticos. A informação consta num relatório do projeto de direitos humanos «Apoio aos Presos Políticos. Memorial», publicado no Dia Internacional da Lembrança das Vítimas da Repressão Política. 

Na maioria das vezes, as mortes ocorreram devido a doenças e à falta de assistência médica — os ativistas de direitos humanos contabilizaram 29 casos deste tipo. Pelo menos 20 pessoas morreram na sequência de espancamentos, tortura ou suas consequências, e dez suicidaram-se. 

Uma pessoa morreu em consequência de uma greve de fome, e outra, Alexei Navalny, foi assassinada deliberadamente numa colónia penal. As causas da morte de outras oito pessoas permanecem desconhecidas. 

Os activistas dos direitos humanos registaram o maior número de mortes em 2024, com 26 pessoas assassinadas. Em 2025, morreram 13 pessoas, e em menos de dez meses de 2026, 16. 

Os mais novos desta lista, os ucranianos Daniil Dakhov e Pavlo Hrymak, tinham ambos 18 anos. Ambos, possivelmente, foram torturados pelos agentes do FSB até a morte. Os seus corpos, até hoje, não foram entregues aos familiares. O mais velho foi o cientista russo de origem ucraniana Valery Mitko, ele morreu de doença aos 81 anos. As forças russas mataram até o polaco Krzysztof Galos, simpatizante do regime russo, que veio à Ucrânia propositadamente para comprovar que a invasão russa da Ucrânia é uma invenção da propaganda ocidental. A média de idades dos mortos é de 51 anos. As estatísticas incluem não só aqueles que morreram em centros de detenção provisória e colónias penais, mas também aqueles que morreram durante as buscas, em prisão domiciliária e logo após a libertação. 

O relatório da Memorial contém as histórias de todas as 69 vítimas.

RIP Viktoriia Roshchyna

A jornalista ucraniana Viktoriia Roshchyna foi raptada, pelas forças russas, em agosto de 2023, quando investigava prisões secretas no território ocupado da região de Zaporizhzhia, na Ucrânia. Foi mantida presa em Melitopol, onde foi sujeita a tortura sistemática, e posteriormente transferida para a Prisão Preventiva (SIZO) nº 2 de Taganrog, notória pelo uso de tortura. As suas companheiras de cela constataram que Roshchyna se encontrava em estado de extrema magreza, pesando aproximadamente 30 quilos e tendo sido privada de cuidados médicos. 

Faça click para saber mais sobre o Projeto Viktoriia

De acordo com uma carta oficial do Ministério da Defesa russo, Viktoriia Roshchyna morreu a 19 de setembro de 2024 durante uma transferência entre locais de detenção. Os seus restos mortais foram entregues à Ucrânia somente em fevereiro de 2025, no âmbito de uma troca de corpos. Os especialistas identificaram inúmeros sinais de violência e tortura, bem como a ausência de vários órgãos internos. Diversos médicos e peritos forenses sugeriram que o lado russo removeu deliberadamente estes órgãos para ocultar provas de tortura.

sábado, novembro 07, 2026

Angelica Minakova: a criadora de «bonecas monstrecas»

A fundadora de uma pequena «quinta de monstros de trapos», a marionetista de Uman, artista ucraniana Angelica Minakova (1973) cria brinquedos têxteis originais ao estilo de filmes de terror (monstros, zombies, vampiros e outras personagens) e arte primitiva («bonecas de sótão»).







É contabilista de sua formação acadêmica. Desde criança que sempre foi boa no desenho e no bordado. Começou a criar bonecas por volta de 2020-2021, quando vivia com a família no campo: no inverno, depois das tarefas diárias, a filha aconselhou-a a fazer brinquedos. Foi assim que surgiram as imagens no espírito do Halloween.

As bonecas são frequentemente levadas pelos militares ucranianos como amuletos, e a artesã distribui-as gratuitamente aos soldados. Parte das receitas das vendas é destinada ao apoio das Forças Armadas da Ucrânia.









No final de outubro de 2025, a sua exposição individual de «bonecas monstrecas», dedicada ao Halloween, foi realizada na galeria «Templo da Arte» em Uman.

Mais imagens

🔥⚡️🎃 As maiores perdas da aviação militar russa desde operação «Teias de Aranha»

Em outubro de 2026, a aviação militar russa sofreu as suas maiores perdas desde junho de 2025, quando o SBU realizou a famosa operação «Teias de Aranha». De acordo com os dados confirmados, a rússia perdeu pelo menos 11 aviões e dois helicópteros num mês.

Quais as aeronaves que a rússia perdeu? 

Segundo o portal ucraniano «Military», a destruição ou perda de aeronaves foi confirmada por imagens de satélite e materiais fotográficos e de vídeo de aeródromos russos. Entre eles, sete caça-bombardeiros Su-34, dois caças Su-30SM, um Su-35 e um Su-57. Outros dois Su-34 e um Su-30SM2 ficaram danificados.

Além dos aviões, a rússia perdeu dois helicópteros de transporte militar Mi-8. Um deles, segundo informações disponíveis, foi abatido por um caça russo Su-35 enquanto repelia um ataque de drones ucranianos. O segundo foi destruído pelas forças armadas ucranianas com recurso a drones de ataque Hornet na parte ocupada da região de Luhansk. 

As maiores perdas foram sofridas pelos bombardeiros Su-34, que a rússia utiliza para ataques com bombas aéreas guiadas com módulos UMPK. 

Como as FAU atacaram os alvos da aviação russa? 

Um dos ataques mais eficazes foram os ataques a aeródromos russos. Na noite de 4 de outubro, drones do Centro CSO «A» do SBU atacaram o aeródromo de Khanskaya, em Adiguésia. Aí, destruíram Su-34 e Su-35. 

A 15 de outubro, a Marinha da guerra da Ucrânia lançou um ataque com mísseis «Neptuno» contra o aeródromo de Borisoglebsk, na região de Voronezh. Imagens de satélite confirmaram a destruição de pelo menos quatro Su-34. Outros dois bombardeiros foram danificados. 

A 21 de outubro, a rússia perdeu dois Su-30SM: um caiu durante um voo na região de Kaliningrado e o segundo ficou danificado. Ambas as tripulações ficaram feridas e os pilotos da primeira aeronave morreram. 

Na noite de 29 de outubro, a Marinha ucraniana atacou o aeródromo de Marinovka, na região de Volgogrado, com mísseis «Neptuno-D» (conhecido como «Neptuno longo»). A destruição de dois Su-34 foi confirmada por imagens de satélite. No mesmo dia, um caça Su-57 ardeu/pegou fogo no aeródromo de Akhtubinsk. 

Segundo os analistas, a real extensão do esgotamento da aviação russa pode ser maior. Não se trata apenas de equipamento destruído. Devido à operação intensiva, as aeronaves esgotam gradualmente a sua vida útil e necessitam de grandes reparações ou substituição. Isto também reduz o número de aeronaves que a rússia pode utilizar em missões de combate. 

Ucrânia não se esquece dos pilotos russos)

A imprensa russa confirma o baleamento do piloto

No dia 6 de novembro corrente, na cidade russa de Tambov, foi baleado um piloto militar russo. Tenente Artyom Snezhkov, de 28 anos, foi encontrado abandonado na rua, com dois ferimentos (a informação foi confirmada pelo seu irmão). Atualmente, está na UTI da cidade no estado crítico.

Ucrânia começou à usar terminais HiSKY SmartLITE 

As FAU começaram a utilizar terminais da empresa israelita HiSKY SmartLITE (SmartLight) para lançar ataques de drones na profundidade do território russo.

Os blogueiros patrioteiros russos reportam a «traição» israelita

HiSKY não é um análogo direto do Starlink, uma vez que o terminal oferece uma taxa de transferência significativamente mais baixa e não foi concebido para fornecer um canal de controlo de banda larga completo com transmissão de vídeo em tempo real. No entanto, as suas capacidades são suficientes para a troca de telemetria e transmissão de comandos de controlo remoto, incluindo alterações de rota e ajustes de missão de voo.

A principal vantagem destes terminais em relação ao Starlink americano é que a rede opera legalmente em todo o território russo)

A HiSKY não possui nenhuma rede própria de satélites, mas simplesmente negoceia o acesso com parceiros. Essencialmente, a antena SmartLight liga-se a satélites disponíveis em órbita de vários países e empresas com os quais a HiSKY tem acordos e que possuem o equipamento necessário.

Ucrânia ataca Saratov e Oryol 

Na madrugada de 7 de novembro, os drones ucranianos das SSO-SOU atingiram a refinaria de petróleo de Saratov, na região de Saratov.


A capacidade projetada é de cerca de 7 milhões de toneladas de petróleo por ano, o que representa aproximadamente 2 a 3% da capacidade total de refinação de petróleo da rússia. A refinaria tem uma grande importância militar e económica, pois é responsável pelo abastecimento do exército russo com combustível e lubrificantes. A produção de gasóleo, essencial para o abastecimento de veículos militares e blindados, desempenha um papel fundamental. 


Geoposicionamento da refinaria de Saratov

A empresa produz gasolina automóvel, em particular AI-92 e AI-95, gasóleo, combustível marítimo, betume para pavimentação e telhados, enxofre técnico e outros produtos petrolíferos.

Imagens de controlo objetivo do alvo registaram vários focos de incêndio no território da refinaria. A extensão dos danos está sendo apurada.

Na cidade russa de Oryol, está sendo atingida, por mísseis de cruzeiro «Neptuno», a fábrica militar «Proton». Um incêndio deflagrou na zona do edifício nº 48 da fábrica.

Localização: 52.984779° 36.056301°

Geoposicionamento da fábrica «Proton» em Oryol

Fonte Osint: DniproOfficial

sexta-feira, novembro 06, 2026

ONU: 438 ucranianos morreram em cativeiro russo

A ONU publicou um relatório da autoria de Mariana Katsarova, Relatora Especial sobre a situação dos direitos humanos na federação russa. Desde o início da invasão 24.02.2022, os 438 ucranianos — entre POW e reféns civis — morreram sob custódia russa.

O documento centra-se no tratamento dado aos prisioneiros de guerra e aos reféns civis ucranianos. Nota a violência sexual e do género, tortura e maus-tratos dos ucranianos e impunidade para os responsáveis ​​por estes crimes. 

A autora do relatório sublinha que a tortura e os maus-tratos a prisioneiros são generalizados e sistemáticos, fazendo parte da estratégia de repressão interna e de agressão externa do Estado. Por outras palavras, a ONU confirmou que a rússia é um Estado gulagiano. 

A ONU solicitou também uma investigação independente sobre os crimes contra prisioneiros de guerra e reféns civis ucranianos. Desde o início da invasão, 438 ucranianos — entre POW e reféns civis — morreram sob custódia russa. Este número não inclui os militares ucranianos, feitos prisioneiros e executados pelas tropas russas no campo de batalha após serem capturados. 

Milhares de ucranianos estão detidos ilegalmente em prisões russas. Entre eles, prisioneiros de guerra, julgados por participação em hostilidades em violação das Convenções de Genebra, e civis sequestrados pelos ocupantes. Estão detidos há anos sem acusação formal ou direito a defesa, simplesmente por serem ucranianos. 

A comunidade internacional dispõe de inúmeros mecanismos para influenciar a federação russa nesta matéria. Ucrânia espera que os seus parceiros tomem medidas diplomáticas decisivas que visem o fim imediato do uso de tortura contra os ucranianos sob custódia russa e o fornecimento de informações completas sobre todos os civis ucranianos e prisioneiros de guerra nas prisões russas. O objetivo continua a ser o mesmo: o regresso de todos os ucranianos a casa. 

Foi morta pela rússia

Uma professora de Kharkiv, que tinha ido visitar os pais à Crimeia ocupada, morreu/foi assassinada num centro de detenção preventiva na Crimeia, informação divulgada nas redes sociais pela escola de línguas «Profissional», co-fundada por Oleksandra Kazarovytska (Kolesnikova).

RIP Oleksandra Kazarovytska

«Foi morta pela rússia», informa a escola na sua página de Facebook. A publicação explica que, no verão de 2026, Kazarovytska foi a Sebastopol para ajudar os seus pais a vender o apartamento e a mudar-se para a Turquia, onde ela própria vivia com o marido.

A professora foi detida pelas autoridades de ocupação, acusada de manter correspondência com um voluntário civil, correspondência que vinha ocorrendo «desde o início da invasão russa em larga escala». O seu destino foi, então, determinado pela política neofascista de putin.

Kazarovytska passou três meses em regime de solitária à aguardar julgamento. As autoridades russas alegam, que a causa da morte da professora foi suicídio. Fontes da Crimeia afirmam que ela foi torturada para forçá-la à «confessar a culpa». De uma ou de outra forma, as autoridades russas têm a culpa direta na morte da jovem professora. Também, é mais um exemplo prático, de como uma «simples» visita a rússia pode equivaler ao suicídio. Apesar de ter origens étnicas russas, a professora foi encarrada pelos ocupantes russos como uma inimiga, por ser cidadã da Ucrânia. A sua provável recusa de «confessar» o crime inexistente ditou o seu destino. Oleksandra Kazarovytska foi mais uma cidadã ucraniana, morta/assassinada pelo regime russo de ocupação.

Até quando? Não temos a resposta...

Jaime Lannister passa uma noite no metro de Kyiv

Ator Nikolaj Coster-Waldau abrigou-se no metro de Kyiv, juntamente com os habitantes de capital ucraniana, na noite de 28 de outubro, enquanto a cidade enfrentava a ameaça de ataques de mísseis e drones russos. Jaime Lannister na «A Guerra dos Tronos» montou um catre dobrável numa plataforma do metro. Na manhã seguinte escreveu no seu Instagram: «Passei a noite no metro de Kyiv. Noite bastante difícil».

É Embaixador da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento desde 2016 e disse que iniciou a viagem para manter a atenção internacional sobre Ucrânia. Queria que as pessoas se lembrassem de que o país precisa da ajuda da comunidade internacional, especialmente agora com a chegada do inverno.

Fonte

As estações de metro profundas de Kyiv serviram como abrigos antibombas durante toda a guerra em grande escala, com os residentes a permanecerem regularmente no subsolo durante os alertas de ataque aéreo. Coster-Waldau enfatizou que o viveu durante uma noite, enquanto milhares de ucranianos dependem de abrigos para segurança durante os bombardeamentos. «Precisamos de continuar a ajudar os civis e a cumprir as regras com as quais todos concordamos», escreveu no seu Instagram.

Faça click para ver mais fotos

O músico country americano, Brad Paisley conta que a sua música pró-Ucrânia «Same Here» caiu de 98% percepção positiva para 90% negativa depois de contas que se fizeram passar por americanos terem começado a atacá-la. Um exemplo prático da atividade dos bots russos online:


A luta bolchevique contra a liberdade de imprensa na URSS

A 4 de novembro de 1917, aproximadamente dez dias após os bolcheviques terem tomado o poder, quatro comissários do povo do primeiro governo soviético demitiram-se simultaneamente. Os comissários alertavam sobre os perigos do «terror político». 

Defenderam a criação de um «governo socialista homogéneo» com a participação de todos os partidos representados nos Sovietes (conselhos populares) e criticaram duramente as restrições à liberdade de imprensa. 

Um dos gatilhos para o conflito foi o Decreto sobre a Imprensa, adoptado pelo Conselho de Comissários do Povo aos 27 de Outubro. O documento estipulava que apenas as publicações que incitassem à resistência aberta, à desobediência ao novo governo ou a crimes seriam encerradas. Enfatizava o carácter temporário da medida: assim que a «nova ordem se consolidasse», as restrições administrativas seriam levantadas e a imprensa gozaria de completa liberdade — mas com responsabilidade legal. Na prática, vários jornais da oposição («Rech», «Den», «Russkoye Slovo» e outros) foram encerrados em Petrogrado quase imediatamente.

Aos 4 de Novembro, a questão foi debatida numa reunião do Comité Executivo Central de Toda a Rússia (VTsIK), o órgão máximo do poder soviético entre os congressos. Os Socialistas Revolucionários de esquerda (SR) e alguns bolcheviques opuseram-se ao decreto. O bolchevique Yuri Larin apresentou uma resolução revogando o documento; os Socialistas Revolucionários de Esquerda apoiaram-na. No entanto, o VTsIK acabou por adotar a resolução da fação bolchevique por maioria de votos. O documento aprovado justificava o encerramento dos jornais como necessário para privar os capitalistas — proprietários de gráficas e de papel — da capacidade de moldar unilateralmente a opinião pública. 

Nesse mesmo dia, o Comissário do Povo para o Comércio e a Indústria, Viktor Nogin; o Comissário do Povo para o Interior (o futuro primeiro-ministro da rússia soviética e da União Soviética de 1924 a 1929 e de 1924 a 1930, respectivamente), Alexei Rykov; o Comissário do Povo para a Agricultura, Vladimir Milyutin e o Comissário do Povo para a Alimentação, Ivan Teodorovich, anunciaram as suas demissões ao governo. Na sua declaração, escreveram que consideravam necessário formar um governo composto por todos os partidos soviéticos. Os comissários alertaram que, se tal não acontecesse, persistiria o rumo para um «governo puramente bolchevique», que, na sua opinião, só poderia ser mantido «através do terror político».

Mais tarde, alguns deles reconheceram os seus «erros» e regressaram ao serviço público. Mas não foram perdoados. Ivan Teodorovich e Vladimir Milyutin foram executados em 1937, Alexei Rykov em 1938. Viktor Nogin morreu de causas naturais em 1924; em 1930, à cidade de russa de Bogorodsk foi atribuido o novo nome, Noginsk (o mesmo nome ainda ostentava uma praça e uma estação de metro de Moscovo/ou).

quinta-feira, novembro 05, 2026

Crianças e jovens ucranianos mortos pela rússia em Outubro de 2026

Crianças, jovens e adolescentes ucranianos, mortos, em resultado da guerra ilegal russa de larga escala, lançada contra Ucrânia em 24.02.2022. Os meninos e meninas que morreram somente em outubro de 2026. Vários deles faziam parte das mesmas famílias.

Crianças mortas pelas forças russas de ocupação ou em resultado dos bombardeamentos aéreos russos: 

  • Oleksandr Antipenko – 1 ano, Pryluky
  • Maksym Kyrlo — 1 ano, Pryluky
  • Oleksii Lysovol – 1 ano, Pryluky
  • Maksym Ivanchenko — 8 anos, Pryluky
  • Iryna Ivanchenko — 13 anos, Pryluky
  • Maksym Udovychko — 14 anos, Krolevets
  • Maksym Udovychko — 14 anos, Zaporizhzhia
  • Yelyzaveta Sorochyshyna — 13 anos, Zaporizhzhia
  • Anna Mur-Zak — 13 anos, Zaporizhzhya
  • Polina Foshan — 16 anos, Zaporizhzhia
  • Maksym Voloshyn — 13 anos, Rivne
  • Vladyslava Pershyn — 16 anos, região de Kharkiv
  • Kseniia Pikolova — 13 anos, Kramatorsk
  • Evelina Vahan — 17 anos, Zaporizhzhia
  • Anzhelika Mariukhna — 1 ano, Nova Vodolaha
  • Aryna Koval — 11 anos, Nova Vodolaha
  • Artem Koval — 12 anos, Nova Vodolaha
  • Yana Peshkova — 15 anos, Chernihiv
  • Mariia Mozghova — 15 anos, Chernihiv

Estes são apenas os nomes verificados e oficialmente documentados — uma fração das crianças que sofreram às mãos da guerra neocolonial movida pela rússia.

Há mais dezenas: crianças separadas por explosões, soterradas sob escombros, raptadas ou assassinadas com tanta brutalidade que os seus corpos ficaram irreconhecíveis.

Isto é apenas outubro. Um único mês do 5º ano da guerra da rússia contra Ucrânia.

Segundo a plataforma estatal ucraniana “Crianças da Guerra”, desde início da guerra em 24.02.2022 até 8 de outubro de 2026, pelo menos 770 crianças ucranianas morreram e mais de 3.016 ficaram feridas. Estes números incluem bebés, crianças em idade pré-escolar e adolescentes que não estiveram envolvidos em combates, mas que se tornaram vítimas da guerra.