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quinta-feira, junho 29, 2017

Ubre Blanca: o milagre lácteo da vaca socialista cubana

Desejoso de mostrar a alegada superioridade do socialismo cubano, o camarada Fidel Castro colocou perante os técnicos agrícolas do seu país a tarefa ambiciosa – levar Cuba ao primeiro lugar do mundo em produção de leite por cabeça de vaca.

Assim, a tarefa de alcançar o recorde foi estabelecida. Mas era preciso contratar os especialistas. Fidel não quis chamar os técnicos da União Soviética, os “sucessos” da URSS em criação de gado não convenciam o el comandante. Por isso, convidou os especialistas do Canada, país profundamente neoliberal e capitalista.

Após estudar o terreno, os canadenses emitiram o seu veredicto: o país pode chegar aos recordes no domínio de produção leiteira. Para isso era preciso ter o clima perfeito, os solos ideais, alimentação e vitaminas ideais, perfeitas condições sanitárias, vacinação e cuidados médicos perfeitos, os equipamentos perfeitos, as condições ideais de instalações, e assim por diante... Os canadenses também estimaram os custos, o Bureau Político se engasgou, suspirou amargamente, percebendo que os recordes terão que esperar.

Até que o camarada Fidel teve uma ideia socialista, se não era possível criar uma indústria, então se pode criar uma única vaca recordista! O alto custo do embuste não importava, o Partido Comunista e o povo cubano não se importariam em gastar para “americano ver”, a principal coisa é conseguir recorde! Mostrar ao mundo que em Cuba, graças à liderança de partido comunista e da política de construção do socialismo real, é alcançada a melhor produção de leite do mundo.

Os especialistas canadenses receberam uma fortuna com apenas uma única demanda – alcançar o recorde! Embora numa única vaca. Canadenses assim prometeram – levaremos uma única vaca ao recorde, mas nem pensar os 10 milhões de bovinos.

O partido significa sucesso e vitória. O recorde de produção de leite foi conseguido em menor tempo possível. A vaca chamada Ubre Blanca (Úbere Branca; 1972 – 1985) foi escolhida com todo o cuidado entre milhares de bezerros recém-nascidos, comparados por peso, pedigree, testes da resistência. Finalmente, na cidade de Nueva Gerona foi achada a vitela perfeita (más línguas dizem que na realidade foi trazida do Canada, mas nem cubanos, nem canadenses confirmam estes rumores imperialistas).
A jovem vaca foi preparada para alcançar o recorde. E, graças aos métodos socialistas de gestão, o recorde mundial foi estabelecido! Ubre Blanca conseguiu 100 litros de leite delicioso por dia. Enquanto a produção média de leite nos EUA era menos de 60 litros diários por cada vaca. E quando a nossa celebridade conseguiu 109,5 litros por dia, toda a Cuba estava comemorando esta grande conquista socialista!

O recorde mundial de Ubre Blanca até hoje não foi quebrado, por mais que os imperialistas tentassem. Nenhuma vaca, desde então, produziu 109,5 litros por dia. Assim, o socialismo criativo derrotou o capitalismo decadente, e os grandes cineastas do mundo, como Oliver Stone, se amontoavam na fila para filmar a grande estrela cubana.

Como conseguiram alcançar o recorde?

Na verdade, Ubre Blanca era única vaca cubana que vivia numa sala com ar condicionado, separada da rua pelo corredor também climatizado. A temperatura estável era mantida 24/24 horas 365 dias ao ano, ninguém se preocupava com os custos de energia elétrica.

Os alimentos e até água (!) da vaca recordista eram trazidos do Canada. Ubre Blanca geralmente passeava sozinha, para que os outros bovinos não pudessem a ferir, acidentalmente. A vaca era constantemente vigiada por um pelotão de forças especiais (para que CIA não raptar a recordista, nunca se sabe os planos dos inimigos da revolução).
A vaca era cuidada por uma equipa de 5 pessoas, dedicada à Ubre Blanca em regime de exclusividade. Diariamente eram feitas as análises da sua urina e fezes, a quantidade de alimentos era calculado até último grama, bem como a quantidade de vitaminas, a qualidade da água. Os equipamentos usados em Ubre Blanca não eram usados em nenhuma outra vaca. O camarada Fidel que visitava a vaca regularmente, tinha que apagar o charuto, antes de cruzar o limiar do seu palácio.

É assim o socialismo derrotou os inimigos do progresso

Quando a recordista morreu em 1984, a primeira página do órgão do Comité Central de partido comunista de Cuba, jornal “Granma”, publicou um obituário solene: “Descanse em paz, querida Ubre Blanca, você nos deixou, mas a revolução é imortal!” Obituário ocupou toda a primeira página do jornal, igual quando a morte do camarada Estaline ou camarada Brezhnev.
Um monumento de mármore branco, ao estilo de “realismo socialista” foi erguido na cidade natal da heroína da revolução. Ubre Blanca olha ao céu. O seu olhar reflete a profundidade do espaço cósmico e o sonho de tempos mais felizes, quando o socialismo triunfará em redor do mundo e a produção de leite de 109,5 litros por dia será a coisa comum. Taxidermistas cubanos também empalaram e colocaram o seu corpo em uma caixa de vidro com ar controlado, no átrio do Centro Nacional de Veterinária, nos arredores de Havana, onde ainda permanece.
Desde então, o número de vacas em Cuba entrou em colapso. Hoje, existem apenas 4,5 milhões de vacas – enquanto em 1980 eram 10 milhões. A produção de carne per capita caiu em 50%, comparando com 1980, de leite também. Mas o povo cubano, e os amigos do socialismo, se lembram da vaca cubana que estabeleceu o recorde mundial de produção de leite que ainda não foi alcançado por nenhum país capitalista. Victoria o muerte!

Na primeira imagem — o selo cubano em memória da Ubre Blanca.
Ver o filme trilíngue no YouTube: em espanhol com legendas em inglês e francês.

segunda-feira, maio 01, 2017

A bandeira americana no desfile do 1 de maio em Havana

Um manifestante cubano teve a ousadia e coragem de desafiar o regime comunista, ostentando publicamente a bandeira dos EUA no desfile do dia 1 de maio em Havana, Cuba, num dia “sagrado” para a ideologia oficial da ilha.
O manifestante, presumivelmente Daniel Llorente que ostentou a bandeira americana na parada no dia 1 de maio na Praça da Revolução em Cuba foi preso pelas forças de segurança, relata o jornalista da CNN Patrick Oppmann.
Jornalista e um outro colega seu compartilharam no Twitter o momento em que o cubano correu sob a bandeira dos EUA, enquanto era perseguido pelas forças de segurança trajados à civil. De acordo com Oppmann, o manifestante foi “arrastado” para fora do cordão de segurança pronto para o desfile, uma das maiores concentrações feitas pelo partido comunista cubano à cada ano.
Os policiais à paisana detiveram o manifestante e o arrastaram longe dos meios de comunicação social estrangeiros credenciados para cobrir o “desfile histórico” dos “trabalhadores cubanos”, segundo a propaganda oficial cubana, escreve a Cubanet.org
7 polícias contra 1 Homem e 1 bandeira

sexta-feira, abril 14, 2017

Riscos de fazer negócios em Cuba: prisão, expropriação e expulsão

A história do empresário britânico Stephen Purvis que foi preso em Cuba e levado para Villa Marista em Havana, a sede do serviço de segurança do estado para ser interrogado das acusações de corrupção, o caso se deu em 2012-13.

por: Ramon Espinosa, AP

Muito antes de o presidente Barack Obama estabelecer as relações diplomáticas com Cuba, algumas empresas americanas como a Carnival Cruise Lines, Airbnb, Starwood Hotels and Blue Jet, começaram à fazer negócios na ilha, e ainda tinha as empresas espanholas, britânicas, canadenses, italianas, chinesas e japonesas, à assinarem os contratos em Havana. A maioria deles, desde que seguissem as regras do governo cubano e se tiveram um pouco de sorte, operava sem problemas.

No entanto, outros não tiveram a mesma sorte; a polícia fechou seus escritórios, o governo confiscou as suas propriedades e alguns de seus executivos acabaram na prisão. Como aconteceu com o arquiteto britânico Stephen Purvis, que acaba de publicar um livro intitulado “Close But No Cigar: A True Story Of Prison Life In Castro's Cuba” (Fechado, mas sem nenhum charuto: a verdadeira história da vida prisioneira na Cuba de Castro), que relata os horrores que viveu em uma prisão cubana: “A partir de agora você não tem o nome; é o prisioneiro № 27”.

Ler mais em espanhol

O jornal britânico The Guardian publica um trecho do livro:
– Posso ligar para minha esposa?
– Não, vamos providenciar para que ela o visite.
– Quando será a visita de embaixada?
– Essas coisas levam o seu tempo.
Sinto um nó na minha garganta. Eu me concentro duro para não me ir abaixo.
– Posso ter algo para ler?
– Isso depende do seu instrutor. O seu instrutor decide as suas condições e segurança. Isso depende da sua conduta.
– Tenho um advogado?
Ele ri. “Isso também leva muito tempo. Leve o meu conselho, não espere”.

quinta-feira, dezembro 08, 2016

O primeiro caro americano é registado em Cuba em 57 anos

Ainda o ditador cubano Fidel Castro não tinha “arrumado as botas”, o filho dos emigrantes cubanos, Alfonso Albaisa (51), trouxe à “ilha de liberdade” o novo Infiniti Q60. É a primeira viatura americana fabricada para o mercado americano e registada em Cuba (embora apenas temporariamente!) desde 1959.
Albaisa é um designer automotivo apaixonado, com mais de 25 anos de experiência no ramo do design. Em 1988 ele se juntou ao bureau do design de Nissan em San Diego na Califórnia e em 2004 foi nomeado como o diretor do design do Nissan nos EUA. Desde 1 de abril de 2013 Albaisa é diretor executivo do design de Infiniti.
É de recordar que desde 2009, a administração Obama começou a aliviar o embargo cubano, permitindo que os cubano-americanos viajassem livremente de e para a ilha. As restrições para os restantes cidadãos dos EUA têm sido suavizadas desde 2015, embora o turismo puro permaneça proibido (cnet.com).
Em agosto de 1962, dois anos antes do nascimento do Alfonso, os seus pais fugiram de Cuba num voo noturno secreto, pago com o relógio “Rolex” e uma viatura Edsel. Embora Alfonso Albaisa cresceu na Florida, a sua família estava profundamente enraizada em Cuba. Uma tia-avó tinha sido casada com José Martí, considerado o herói nacional; um dos avôs foi governador da província de Camagüey na época do golpe castrista e o tio-avô Max Borges-Recio era um importante arquiteto.
Após um encontro com cerca de 150 designers, arquitetos e artistas cubanos, decorrido no verão de 2016 em Havana, Albaisa disse: “Se a minha família conseguiu escapar da ilha e eu acabei projetando os carros de luxo no Japão, então eles [jovens cubanos] também podem fazer grandes coisas” (fortune.com).
Alfonso Albaisa
Apenas uma coisa a acrescentar, se a família Alfonso Albaisa não conseguisse escapar da ilha comunista, ele estaria reparar um Edesel, Lada ou Niva nada luxuosos, sonhando que também poderia fazer grandes coisas...
Na entrada do famoso clube "Tropicana", projetado pelo tio-avô do Alfonso - Max Borges-Recio
Blogueiro: as pessoas que conhecem a realidade cubana explicam que a matrícula da série “K” significa que a viatura pertence à uma das empresas estrangeiras que estão trabalhando em Cuba. Ou seja, a série “P”, que significa as pessoas físicas particulares, continua sendo um sonho em Cuba que ainda não é livre.

domingo, dezembro 04, 2016

A saúde e educação da Cuba pré-castrista *

Os apoiantes do ditador cubano oferecem ao Fidel Castro uma espécie de absolvição histórica: “a ditadura [...] melhorou as condições de saúde e educação na ilha caribenha”. O mito da ditadura benigna emerge, em outras formulações similares, refletindo um consenso dos que, ao menos, recusam-se a elogiar fuzilamentos sumários ou o encarceramento de dissidentes.

por: Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela USP, colunista do jornal Folha de São Paulo

Temo estragar a festa contando um segredo de Polichinelo: a Cuba pré-castrista exibia indicadores de saúde e educação tão notáveis quanto os atuais. Fulgêncio Batista dominou a política cubana durante um quarto de século, até a revolução de 1959. Em 1937, no seu segundo ano de poder, instituiu o salário mínimo e a jornada de oito horas, antes do Brasil (1940) e de qualquer país latino-americano.

No início da segunda década da “era Batista”, em 1955, a taxa de mortalidade infantil em Cuba (33,4 por mil) era a segunda menor na América Latina. O embargo económico dos EUA contra Batista (sim, Batista!) começou em 1957. Naquele ano, a taxa de mortalidade infantil cubana (32 por mil) estava entre as 13 mais baixas do mundo, perto da canadense (31) e menor que as da França (34), Alemanha (36) e Japão (40).
Atualmente, segue baixa, mas já não está entre as 25 menores do mundo. No mesmo ano, Cuba aparecia como o país latino-americano com maior número de médicos per capita (um por 957) e a maior quantidade de calorias ingeridas por habitante (2.870). Enquanto promovia centenas de execuções sumárias, o regime castrista conduziu campanhas de alfabetização rural tão inúteis quanto o Mobral de Emilio Médici.

Como no Brasil, o analfabetismo reduziu-se quase à insignificância pelo efeito inercial da universalização do ensino básico. Mas Cuba partiu de patamar invejável: as taxas de alfabetização de 1956, quando os guerrilheiros chegaram à Sierra Maestra, colocavam a ilha na segunda posição na América Latina (76,4%), bem à frente da Colômbia (62%) e do Brasil (49%).

Todas essas estatísticas estão na série da anuários demográficos publicados pela ONU entre 1948 e 1959, hoje disponíveis na internet. O jornalismo prefere ignorá-las, repercutindo a cartilha de propaganda castrista. Batista fugiu para a República Dominicana no Ano Novo de 1959. Se, na época, a Folha aplicasse o critério que usa para Fidel, teria escrito que a ditadura de Batista “é reconhecida por ter melhorado as condições de saúde e educação na ilha caribenha”. Por sorte, não o fez: Cuba não foi salva por Fidel nem pelo tirano que o precedeu.
Médicos cubanos realizaram a primeira anestesia com éter em terras latino-americanas (1847), identificaram o agente transmissor da febre amarela (1881) e inauguraram a pioneira máquina de raio-X da América Latina (1907). Antes de Batista, em 1931, a taxa de mortalidade geral cubana (10,2 por mil) era menor que a dos EUA (11,1). Governos têm importância menor que a “história profunda”.

Nos tempos coloniais, Cuba foi a “joia da coroa” espanhola no Caribe, um dos mais dinâmicos centros hispano-americanos, atraindo uma numerosa elite económica e intelectual. A excelente faculdade de Medicina de Havana, os hospitais e as escolas do país nasceram no mesmo solo cosmopolita que produziu José Martí, apóstolo da independência, a Constituição democrática de 1940 e o Partido Ortodoxo, berço original do grupo revolucionário liderado por Fidel.

Dia e noite já se sucediam em Cuba antes do triunfo final da guerrilha castrista, na Batalha de Santa Clara. Frei Betto dirá que a presciente ONU falsificou preventivamente as estatísticas colhidas na era pré-revolucionária para presentear o imperialismo ianque com torpes argumentos anticastristas. Apesar dele, os malditos anuários teimam em narrar uma história inconveniente (@fonte pública; fonte apenas para os assinantesl).

Hasta siempre, Comandante!

* O título do artigo e o 1º parágrafo introdutório foram modificados pelo nosso blogue.

Ver como era Cuba antes do Castro:

Não apaguem a memória

Nestes dias após a morte de Fidel Castro, temos assistido aos mais espantosos depoimentos, relativizando e branqueando os crimes do regime comunista cubano e de Fidel em particular.

por: Zita Seabra

É sabido que as vítimas dos regimes comunistas não têm nome, não têm monumentos, não têm baladas de homenagem, nem memoriais. Reduzem-se a números e, quando alguém sublinha que um fuzilado no «paredón» não é diferente de um assassinado no Estádio Nacional do Chile de Pinochet, cai um silêncio tal que se torna uma evidência que as vítimas do comunismo o foram por serem contrarrevolucionários e por colocarem em risco uma qualquer revolução comunista, tendo por isso apenas direito a ser apagadas da história com H grande (ler o texto integral).

Anticomunista, graças a Deus
Cubano, a receber extrema-unção antes de ser fuzilado pelos castristas.
Prémio Pulitzer de fotografia de 1960 
Os regimes não se medem pelas suas belezas retóricas mas pelas suas obras. O sonho revolucionário de Fidel, um terrível pesadelo para os cubanos, não o exime das atrocidades perpetradas pelo castrismo.

por: P. Gonçalo Portocarrero de Almada

Apesar de esperada, a morte de Fidel Castro foi uma notícia surpreendente. Talvez porque a invulgar resistência do ancião guerrilheiro tivesse levado a crer que alcançara, como os antigos deuses, o dom da imortalidade. Mas, humano como era, embora não muito, Fidel também tinha os seus dias contados e, a estas horas, já prestou contas ao Criador. Paz à sua alma e, já agora, à nossa também. A sua morte não significa, para o seu país, o fim do comunismo mas, desaparecido o ditador, está mais próxima a tão desejada libertação de Cuba. Neste sentido, é um sinal de esperança (ler o texto integral).
Entre os apoiantes do ditador cubano circula a lenda urbana do que o “povo não chora a morte dos ditadores”. A história mostra exatamente o contrário, quase todos os ditadores foram chorados pelo povo, o mesmo povo, que por vezes, os amaldiçoava alguns meses (ou anos) mais tarde...

Vejamos, no dia 5 de março de 1953 morre Estaline, o 2º ditador mais sanguinário da história mundial (2º após Mao em números absolutos e também 2º após Pol Pot em relação entre os mortos e a população do país), responsável pela morte de milhões de cidadãos da URSS (o vídeo às cores bastante raro, ver até o minuto 2´22´´):
Apenas 7 anos depois, em 30/10/1961, o CC do PCUS decide retirar o corpo do Estaline do mausoléu na Praça Vermelha, na noite de 31 de outubro à 1 de novembro de 1961 o corpo é retirado, do casaco militar do Estaline são retirados os botões de ouro e os galões de generalíssimo:

Bónus

Mongólia comunista, 1924-1990:

quinta-feira, dezembro 01, 2016

A pujante democracia cubana: caso do Leamsy Requejo Lorité

Nesta terça-feira, 29 de novembro, o jovem cubano Leamsy Requejo Lorité (1985), que trabalhava como curador do Museu Nacional de Belas Artes de Havana, foi expulso do seu emprego, após publicar na rede social Facebook um texto irónico sobre a morte de Fidel Castro, acusando o ditador de lhe dever milhares de pesos que nunca pagou pelo trabalho de toda a sua vida.
Segue a tradução portuguesa do texto, a mais fidedigna possível, preservando ao máximo o estilo do texto original (publicado em 26 de novembro de 2016, somando, desde então, 566 curtidas e 88 partilhas).

Eu me sinto tão triste, mas tão triste que faleceu uma pessoa que estava pagando o meu salário mensal desde que trabalho, se foi e não me pagou o que me devia, se foi me devendo milhares de pesos que me pagava mensalmente, não mais de 500 pesos cubanos {20 $} e não menos do que 250 pesos da moeda nacional [10 $], assim mantidos por +50 anos de trabalho, quando o salário básico mensal de um ser humano, é no mínimo de 1.500 dólares por mês ..... assim quando este homem se foi me devendo, espero que me paguem aquilo que me devem ....... Se foi e nunca me pagou o que me deve :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-( :-(

De seguida Leamsy Lorité (filho da Barbara Lorite e pai de uma menina que faz anos em 1 de janeiro próximo) foi censurado pelos colegas de trabalho, foi lhe dito que jovem “mistura os pensamentos com o trabalho” e “não é confiável”, recordando, não poderia faltar essa, de que “Facebook é americano” (Sic!)

No dia 29 de novembro, apenas três dias após a postagem, Leamsy perdeu emprego decisão assumida pelo sub-diretor do Museu (o barbudo na foto em baixo, todas as fotos deste artigo são do Facebook do Leamsy Lorité).
Blogueiro: efetivamente, não é impossível dizer que hoje em dia a Cuba vive uma ditadura, basta lembrar que no decorrer do “PREC cubano” o “progressista” Che ordenava os fuzilamentos dos cidadãos cubanos por delitos tão graves como “a autoria de um verso contra-revolucionário”.

domingo, novembro 27, 2016

As vítimas não-militares do regime cubano, 1959-2005

Como qualquer regime totalitário, o “socialismo caribenho”, desde os primeiros dias da sua existência apostou em “conveniência revolucionária”, ignorando por completo a “legalidade socialista”, o resultado dos mortos e desaparecidos supera, duas vezes, a “ditadura má” do general Pinochet...
Nota: A tabela não inclui as mortes registadas dos civis (cubanos e cidadãos de outras nações), causadas pelas agressões militares internacionais, sabotagem e ações subversivas, efetuadas pelas autoridades cubanas.

(1) Incluindo 187 assassinados durante as tentativas de deixar a ilha e encontrar o abrigo no exterior.
(2) O número das 2199 mortes nas prisões inclui 200 mortes devido a falta de cuidados médicos, 155 assassinatos, 272 suicídios, 1315 mortes devido acidentes e outras razões, incluindo a morte devido às causas naturais, agravadas pelas condições prisionais, assim como as 258 mortes nos campos de concentração UMAP. Os fuzilados, mesmo que no momento da execução eram prisioneiros são contados como “fuzilados”.
(3) A estimativa do número de balseros advêm de estudos do Instituto Oceanográfico da Universidade de Miami, da Universidade de Miami e dos relatórios da Guarda Costeira dos EUA. O número real de refugiados cubanos que morreram no mar é muito difícil de determinar. O professor de matemática e dissidente cubano, Francisco Chaviano, que tentou pesquisar em Cuba o número das pessoas desaparecidas, incluindo balseros, foi condenado em 1995 à uma pena de 15 anos de prisão, cumpriu 13 e é considerado o prisioneiro de consciência com a maior pena de prisão em toda América Latina e Caraíbas (ler mais).
O número dos refugiados e emigrantes cubanos forçados entre 1959 e 1993 é avaliado em 1.200.000 pessoas: Human rights in Cuba  

A população cubana em 1959 era de 6,9 milhões de pessoas. Desta feita, o número de vítimas não-militares do regime do Castro em 1959-2005 ascendeu ao 1,26% da população de Cuba em 1959, o número de refugiados e emigrantes – 17,4% da população do mesmo ano.

As proporções correspondentes significariam, comparadas com a população da União Soviética em 1959: o assassinato de 2.650 mil pessoas, e fuga do país como refugiados e imigrantes de 37 milhões de pessoas (fonte @aillarionov).

O fuzilamento do coronel Cornelio Rojas
Uma das primeiras vítimas dos assassinatos extrajudiciais comunistas era o coronel Cornelio Rojas, o chefe da polícia de Santa Clara, fuzilado em 7 de janeiro de 1959 na sequência da Batalha de Santa Clara, por ordens do Che Guevara que não permitiu nenhum procedimento judicial.

Cuba antes de Castro

Em 1958, existiam em Cuba um total de 38,384 fábricas e 65,872 estabelecimentos comerciais de todos os tipos e tamanhos que representavam o comércio de 4,778 milhões de dólares. Cuba possuía uma indústria de refinação de petróleo com as capacidades superiores das necessidades do país. A indústria têxtil fornecia mais de 65% do consumo doméstico, do calçado – mais de 90%. O país fabricava cerca de 10.000 itens diferentes de produtos industriais.

segunda-feira, agosto 17, 2015

Félix Rodríguez: o homem que liquidou Che Guevara

Félix Ismael Rodríguez Mendigutia (1941) é cubano que capturou Che Guevara e que deu a ordem para o seu fuzilamento.
Faça click para assistir a entrevista exclusiva do Félix Rodrigues
Félix Rodríguez deixou a sua Cuba natal aos 18 anos. Saiu do colégio para se unir à Legião Caribe Anticomunista que tentou derrubar o regime dos Castro em Cuba. Participou na invasão fracassada da Baía dos Porcos, mas conseguiu sair do país com ajuda da embaixada de Venezuela em Havana. Em 2004 Rodríguez se tornou o presidente da Associação dos Veteranos da “Brigada 2506”, os sobreviventes da invasão da Baía dos Porcos.
Funcionário da CIA desde 1967, Félix Rodríguez teve como missão capturar Che Guevara e aniquilar o seu movimento terrorista na Bolívia. Foi bem sucedido em ambas as missões. Na primeira foto deste artigo, a última com Che vivo, Rodríguez está ao lado dele. Meia hora depois Guevara será liquidado.

Após a Bolívia, Rodríguez combateu os comunistas no Vietname, tive mais de 300 missões de helicóptero, 5 vezes foi abatido, mas sobreviveu e evitou a captura. Depois foi a América Central, em El Salvador ele ajudou o governo à combater a guerrilha comunista; em Nicarágua, pelo contrário, ajudava aos guerrilheiros anticomunistas à derrubar o governo marxista. Para ajudar os guerrilheiros “contras”, Rodríguez participou no esquema Irão-Contras, em que as armas americanas eram vendidas ao Irão para conseguir os fundos destinados à luta anti-comunista em Nicarágua.
Félix Rodrigues no Vietname
Félix Rodríguez em 2006
Conhecido como anti-Che na imprensa ocidental, Félix Rodríguez é um coronel no ativo. O veterano de 74 anos é detentor da raríssima e muito importante medalha da CIA — “Intelligence Star”. Ele também é considerado um dos melhores agentes secretos da história dos EUA. Até hoje apoia a oposição cubana, participando nas suas ações e alertando para o perigo dos “pequenos castros”, eleitos democraticamente: Chavez, Maduro, Morales...
Em 1989, em colaboração com John Weisman, Félix Rodríguez publicou a sua biografia “Shadow Warrior: The CIA Hero of a Hundred Unknown Battles” (Combatente de Sombra: Herói das cem batalhas desconhecidas da CIA). Um homem de carne e osso, Félix Rodríguez viveu a vida de sacrifícios e perigos. Quem sabe, como hoje estaria o nosso mundo se os heróis como eles não lutassem contra o perigo comunista.
A edição argentina do livro em espanhol

quinta-feira, julho 16, 2015

Cuba: o capitalismo híbrido comunista

O renomado jornalista e repórter americano, Jon Lee Anderson, publicou na revista americana “New Yorker” a receita de se tornar o novo rico na nova Cuba.

É um texto que retrata um mundo que está a mudar e depressa: “Para um visitante, Havana parece muito na mesma, como estava há décadas – as pessoas em pontas soltas, edifícios afligidos, mas tem havido uma explosão de pequenas empresas privadas e, com eles, bolsas da prosperidade estimulante. Pela primeira vez desde os anos 1960, quando Castro declarou uma “ofensiva revolucionária” para “eliminar todas as manifestações de comércio privado”, os cubanos estão autorizados a tomar conta de suas vidas materiais. As pessoas estão melhor vestidas; há mais carros na estrada; e em todos os lugares há novos restaurantes, bares e pousadas, onde cubanos alugam os quartos aos visitantes estrangeiros. No início de abril, Airbnb, anunciou o início de suas operações cubanas.”

Ou seja, bastou o mínimo de liberdade económica para a vida das pessoas começar a melhorar – e isso mesmo antes de chegarem os turistas americanos em massa. Mesmo assim, a perspectiva do repórter não é muito entusiasmante: “Cuba parece vinculada à um campo não muito diferente do Vietname e China: os estados comunistas híbridos em que os cidadãos gozam poucas liberdades políticas e uma liberdade económica significativa.”

Ler o artigo original em inglês “Opening for Business”:

Sem esquecer de ler as últimas novidades de Cuba no blogue da Yoani Sánchez:
http://www.14ymedio.com/blogs/generacion_y

quarta-feira, março 04, 2015

«Miss Alemanha» é uma ucraniana

Olga Hoffmann (23) que nasceu na Ucrânia ganhou o concurso «Miss Alemanha», informa Der Spiegel.

O final do concurso decorreu no sábado passado na cidade alemã de Rust, perto de Freiburg, num dos maiores parques de diversões da Alemanha “Europa Park”. A loira de olhos azuis e assistente do médico, Olga ganhou uma viatura ligeira, jóias, roupas e viagens até Cuba, Brasil e à ilhas turística alemã de Borkum, no Mar do Norte.

O concurso “Miss Alemanha” foi criado em 1927, neste ano 5.115 mulheres se inscreveram para participar no certame, 23 mais belas chegaram até o final.

Olga Hoffmann vive na Alemanha desde 2001, é cidadã alemã naturalizada.

A ucraniana é a 2ª vice do «Miss Universo»

A modelo ucraniana Diana Garkusha se tornou a 2ª vice do “Miss Universo – 2014” que decorreu em Miami, nos EUA, no fim de janeiro deste ano.
Diana Garkusha no meio das finalistas
Ucrânia foi representada no certame pela modelo de Kharkiv, Diana Garkusha (19), após a desistência da Anna Andres (21) de Lviv, escreve Depo.ua

O concurso “Miss Universo” é organizado desde 1952 e faz parte dos quatro concursos internacionais de beleza feminina mais prestigiantes: «Miss World», «Miss Earth» e «Miss International».

As 11 fotos mais interessantes da Diana Garkusha (@ EPA, East News):

A luta continua da Nadia Savchenko

Nadia Savchenko agradeceu à todos aqueles que saíram às ruas ao nível global para apoiar a sua luta desigual contra o terrorismo russo que também se torna cada vez mais global:

Agradeço às pessoas que saíram em 1.03.2015 para ação de solidariedade pela justiça contra a morte criminosa!!
Eu estou convosco!
Eu não morrerei até nós juntos não derrubaremos as paredes dessa sangrenta cadeia dos povos que se chama Kremlin!

03.03.2015 Com respeito e agradecimento, Nadia Savchenko