sexta-feira, abril 27, 2018

Ucraniano-americana Paula Dobriansky aguarda a nomeação ao Departamento de Estado

Paula J. Dobriansky foto: J Carrier/Bloomberg
A página de notícias Bloomberg escreve que administração norte-americana pretende nomear a ucraniano-americana Paula Dobriansky, a diplomata americana sénior, ao segundo cargo mais importante do Departamento de Estado, citando as fontes familiarizadas com a decisão.

por: Nick Wadhams, Bloomberg.com

Paula Dobriansky, que desempenhou as funções da enviada especial dos EUA na Irlanda do Norte (2007-2009) e já foi a subsecretária de Estado para assuntos globais (2001-2009), substituirá o diplomata de carreira Thomas Shannon, que no início de 2018 anunciou o desejo de se reformar, segundo as fontes da Bloomberg, que pediram para não serem identificadas antes do anúncio público da decisão.

A decisão ressalta a rapidez com que o presidente Donald Trump e o ex-diretor da CIA, Mike Pompeo, indicado para secretário de Estado, estão preenchendo cargos no Departamento de Estado […] Sabe-se que o Departamento de Estado fez perguntas sobre Paula Dobriansky à Casa Branca, mas os oficiais não comentam essas notícias.

Paula J. Dobriansky, é membro sénior do Centro Belfer para a Ciência e Relações Internacionais (Belfer Center for Science and International Affairs) da Escola Kennedy da Universidade de Harvard. Ela também tinha sido considerada para desempenhar um posto sénior sob a liderança do ex-secretário de Estado Rex Tillerson, a quem Trump demitiu no mês passado.

Blogueiro: Paula Dobriansky nasceu numa família ucraniano-americana. Seu pai, Lev Dobriansky (1918-2008), foi embaixador dos EUA nas Bahamas e notável ativista anti-comunista, por muitos anos ele dirigiu o Comité Parlamentar Ucraniano da América (UCCA).

quinta-feira, abril 26, 2018

RIP Ihor Branovytskiy: 3º aniversário da morte do ciborgue

Arte @Oleg Kinal
No dia 25 de abril de 1976 nasceu ciborgue Ihor Branovytskiy, operador de metralhadora do Batalhão especial de assalto “Zhytomyr”, um dos defensores do aeroporto de Donetsk (DAP), ciborgue, nom de guerre “Natriy”. Herói da Ucrânia, “Herói Popular da Ucrânia” (ambas, à título póstumo).
Participante ativo da Revolução da Dignidade na praça da Independência (Maydan) de Kyiv (2013-14). Após a invasão militar russa, foi mobilizado às Forças Armadas da Ucrânia (FAU), se tornou soldado da 81ª Brigada especial aerotransportada.
Em 20 de janeiro de 2015, após a queda do aeroporto de Donetsk, foi capturado pelas forças russo-terroristas, durante a tentativa de retirar do local dois companheiros feridos. Foi torturado juntamente com os companheiros capturados e feridos e para os salvar, revelou que é operador da metralhadora, procurado pelos terroristas por motivos de vingança. Após torturas prolongadas e desumanas, Ihor foi assassinado, com dois disparos na cabeça pelo sádico terrorista e cidadão russo Arsen “Motorola” Pavlov. Em março do mesmo ano, Ihor Branovytskiy foi identificado entre os corpos maltratados dos militares ucranianos, que foram retirados do DAP.
Não esquecem Ihor! Ele não poderá perdoar os seus carrascos, ele morreu na batalha, mas estará sempre connosco, na nossa MEMÓRIA!
Blogueiro: eu quero ver liquidados, um por um, todos os terroristas que participaram, diretamente ou indiretamente na morte do Ihor Branovytskiy!

quarta-feira, abril 25, 2018

Oficiais da divisão “Galiza” em selos ucranianos não oficiais

Para assinalar o 75º aniversário da criação da 14ª Divisão de Granadeiros Galiza (1ª Divisão ucraniana), no dia 28 de abril na cidade de Lviv irá decorrer o lançamento de bloco comemorativo de selos ucranianos não oficiais, dedicados à história dessa unidade militar.
As atividades irão decorrer às 11h00 de manha, na praça São Jorge (Sv. Jura) em Lviv. No evento, será efetuado o cancelamento especial (mata selos) do envelope com um selo comemorativo (na imagem em cima), também criado para a mesma ocasião pela designer ucraniana Nadia Datsko.
Espera-se a presença no evento do ilustrador e designer do bloco comemorativo Oleg Kinal.

Blogueiro: temos a obrigação de recordar que os veteranos da Divisão Galiza foram absolvidos no processo de Nuremberga, declarando aquele tribunal que sobre eles não pesava qualquer acusação de qualquer eventual culpa ou má conduta militar. Além disso, a Comissão de Investigação dos Criminosos de Guerra no Canada (Deschênes Commission) em 1985 – 1986 publicou no seu relatório a seguinte declaração sobre os veteranos da Divisão Galiza, emitida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores Britânico em 4 de setembro de 1950, relativa aos veteranos da Divisão Galiza: 
Ler o relatório oficial, pp. 251-252
While in Italy these men were screened by Soviet and British missions and neither then nor subsequently has any evidence brought to light which would suggest that any of them fought against the Western Allies or engaged in crimes against humanity. Their behaviour since they came to this country has been good and they have never indicated in any way that they are infected with any trace of Nazi ideology.

[...]

From the reports of the special mission set up by the War Office to screen these men it seems clear that they volunteered to fight against the Red Army from nationalistic motives which were given greater impetus by the behaviour of the Soviet authorities during their earlier occupation of the Western Ukraine after the Nazi-Soviet Pact. Although Communist propaganda has constantly attempted to depict these, like so many other refugees, as “quislings” and “war criminals” it is interesting to note that no specific charges of war crimes have been made by the Soviet or any other Government against any member of this group [Relatório oficial da Comissão Deschênes].

MPLA chacinou um quarto dos 'Flechas' após fim da guerra colonial

John P. Cann, entrevistado pela agência Lusa a propósito do seu mais recente livro 'Os Flechas – Os Caçadores Guerreiros do Leste de Angola – 1965/74', publicado pela editora Tribuna da História, indicou que só numa operação, realizada em Mavinga, na província de Cuando-Cubango (sudeste de Angola), as forças do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) mataram 130 bosquímanos, escrevem Notícias ao Minuto.com

Os 'Flechas', inicialmente conhecidos por 'Corpo Auxiliar', foram uma força especial indígena criada em 1966 em resposta a uma necessidade da Polícia Internacional de Defesa do Estado – Direção Geral de Segurança (PIDE/DGS) para a recolha de informações de interesse político-militar português no leste de Angola.
Os Flechas com Governador-Geral de Angola Camilo A. Rebocho Vaz
No início, a força criada pelo antigo inspetor da polícia política portuguesa António Fragoso Allas, com os “tentáculos” das ações desestabilizadoras portuguesas a estenderem-se também ao Congo, Namíbia, Zaire (atual RDCongo) e Zâmbia, contava com apenas oito homens, mas, até 1974, ultrapassaram os 2.000.

Os bosquímanos, recrutados entre a milenar população de caçadores-coletores que residem nas planícies e savanas do leste de Angola, Namíbia e deserto do Karoo (região semidesértica na África do Sul), têm uma pequena estatura e rosto de aparência asiática, sendo especialistas em operações de reconhecimento.

Segundo John Cann, que se reformou dos Marines em 1992, tendo, então, feito um doutoramento em Estudos de Guerra no Kings College, na Universidade de Londres, os Flechas revelaram “grande competência” em operações conjuntas com forças terrestres regulares, respondendo à PIDE/DGS, que os integrou como organização paramilitar, e também ao comandante local do Exército português.

“Quando a guerra [colonial] acabou, ficou rapidamente claro que os 'Flechas' eram um grupo em perigo. Famílias atrás de famílias foram assassinadas numa série de massacres. Num só caso, cerca de 130 bosquímanos foram mortos a tiro num genocídio sangrento nos arredores de Mavinga”, referiu historiador norte-americano.
foto @DN Portugal
“Mais tarde, foi estimado que cerca de 25% dos bosquímanos angolanos foram mortos nos primeiros sete meses de poder do MPLA. Como consequência, muitos fugiram para a África do Sul, onde se juntaram às Forças Armadas Sul-Africanas (SADF) para formar o Grupo de Combate Alfa, que se tornaria, depois, o 31º Batalhão das SWATF”, acrescentou.

Questionado sobre se há dados relativamente às baixas entre os 'Flechas' durante o período do conflito em Angola (1961/74), John Cann disse não ter encontrado, ao longo das investigações feitas, quaisquer estatísticas.

“Devem existir em algum lugar. Mas, inicialmente, os 'Flechas' eram utilizados em missões de espionagem, de recolha de informações, uma vez que eram claramente uma força passiva. No entanto, após alguns encontros desafortunados com forças inimigas, ficou claro que o arco e flecha não conseguiriam bater o armamento moderno”, afirmou.

John Cann lembrou que as coisas mudaram a partir do momento em que uma pequena patrulha de bosquímanos foi capturada e torturada.

“A partir daí, os Flechas foram armados com uma espingarda automática ligeira. A sua filosofia de combate passava por evitar o confronto direto, o que permitiu manter reduzidas as baixas. Se tivesse de fazer uma estimativa, diria que o número de baixas em combate estará no intervalo entre 1% e 2%, ou seja, entre 20 a 40 mortes”, disse.
© Getty Images MPLA chacinou um quarto dos 'Flechas' após fim da guerra colonial 
Hoje em dia, realçou o capitão-de-mar-e-guerra aposentado da Marinha dos Estados Unidos, os bosquímanos residem maioritariamente na África do Sul, onde grande parte de se integrou nas forças de segurança locais.

Questionado pela Lusa sobre como surgiu o interesse sobre a guerra que Portugal manteve durante 11 anos em Angola, Guiné e Moçambique, John Cann explicou que o primeiro contacto teve-o no outono de 1967, quando o seu esquadrão utilizava a base das Lajes (Açores) e o aeroporto do Sal, em Cabo Verde

“Era claro que Portugal estava a combater uma contra-subversão em África, mas tinha muito pouco tempo para a seguir com interesse. No final da década de 1980, tive a oportunidade de coordenar exercícios militar na sede da NATO em Oeiras. Aqui conheci veteranos das guerras em África e fiquei fascinado com as suas histórias e as campanhas para manter os territórios portugueses em África”, prosseguiu.

A tese de doutoramento versou o conflito português e, mais tarde, foi publicada no livro “Counterinsurgency in Africa: The Portugueses Way of War – 1961/1974”, que teve duas edições em Portugal, estando o autor a revê-lo para uma terceira.

Ao convite das autoridades militares portuguesas, publicou 'A Marinha em África: Angola, Guiné e Moçambique – Campanhas Fluviais 1961/74' (2009) e 'Plano de Voo África: O Poder Aéreo Português na Contra-subversão – 1961/74' (2017).

Para a série Africa@War, já publicou, em inglês, o livro 'The Flechas, The Commandos, The Paras and The Fuzileiros', 'Os Paras' saiu em Portugal em 2017 e 'Os Flechas' agora, estando previsto para breve os restantes dois.

Atualmente, John Cann está a escrever um livro similar sobre a utilização da Cavalaria nas guerras em Angola e Moçambique.

terça-feira, abril 24, 2018

Moscovo destruiu a sua única biblioteca pública ucraniana

Como informa agência ucraniana UNIAN, nesta semana em Moscovo foi concluída a destruição final da única biblioteca pública ucraniana em toda a federação russa. No edifício onde estava situada a biblioteca até foi desmontada a respetiva placa.
De acordo com ex-funcionários, ainda há uma semana, no edifício № 61 na rua Trifonovskaya estava escrito: “Biblioteca de Literatura Ucraniana”. Depois a placa desapareceu e a página da biblioteca na Internet (mosbul.ru) está bloqueada, a inscrição em russo diz: “Desculpem, mas de momento o site está fechado para a reconstrução”.

Segundo os dados da UNIAN, o prédio da biblioteca foi transferido ao balanço do Departamento de Desportos da capital russa, no seu endereço será localizado o Centro de Desenvolvimento Turístico de Moscovo.
De acordo com o advogado Dr. Ivan Pavlov, que representa os interesses da ex-diretora da biblioteca Natália Sharina (60), no dia 24 de abril às 15h00 o Tribunal da Cidade de Moscovo deveria continuar apreciar o recurso apresentado pela ex-diretora, condenada aos 4 anos com pena suspensa, acusada da distribuição de literatura extremista e de desvio do dinheiro. Esperava-se que nessa sessão de tribunal pudessem falar a própria Natália Sharina e representante da acusação (Ministério Público russo).

A biblioteca, de facto, cessou o seu funcionamento ainda em 2017, ficando apenas a placa. Parte dos livros ucranianos foi enviada para a Biblioteca de Literatura Estrangeira, outra parte dos livros ucranianos foi simplesmente destruída.

Como conta um dos ex-funcionários da biblioteca, após a onda da repressão contra a biblioteca e condenação judicial da sua diretora, procura da investigação pela literatura “extremista” e “nacionalista”, os leitores deixaram de visitar a biblioteca. As duas últimas bibliotecárias foram demitidas no dia 1 de março de 2018.

Em 28 de outubro de 2015 a Biblioteca da Literatura Ucraniana em Moscovo foi alvo de uma busca policial no decorrer da qual a polícia russa colocou na biblioteca a literatura ucraniana considerada nacionalista (e que na realidade não existia na biblioteca). As buscas também foram efetuadas em casa da diretora Sharina.
Exemplos da literatura "extremista" e "nacionalista", (revista infantil ucraniana "Barvinok"),
achadas pela polícia russa na biblioteca em 2015
No dia 5 de junho de 2017 o tribunal moscovita do bairro Meshchansky condenou Sharina aos 4 anos de prisão com pena suspensa. Ela foi acusada de distribuir literatura extremista “que exorta ao ódio e hostilidade”, bem como de desvio de recursos financeiros do orçamento da biblioteca.

Natália Sharina recorreu dessa decisão. A organização internacional de direitos humanos Amnistia Internacional considerou que ela foi vítima de uma arbitrariedade judicial, e o veredicto mostra desprezo total do sistema judicial russo pelo Estado de Direito.

Além disso, a Biblioteca de Literatura ucraniana era única biblioteca pública ucraniana em toda a federação russa. Com o seu fecho, os cidadãos russos de origem ucraniana residentes na Rússia viram os seus direitos de manter e preservar a sua identidade e cultura ucranianas, no espaço público russo, desprezados e destruídos praticamente na sua totalidade.   

Blogueiro: no entanto, a ironia suprema reside no facto, revelado pelo co-diretor da organização “Ucranianos de Moscovo”, Valeriy Semenenko: a própria Natália Sharina foi colocada ao posto da diretora da Biblioteca, em 2007, exactamente para limpar a biblioteca do “perigo do nacionalismo ucraniano”. Valeriy Semenenko contou, em outubro de 2015, ao rádio moscovita Govorit Moskva (Fala Moscovo) que Sharina “zelosamente assumiu a limpeza, e agora, ela própria foi colhida pelas pedras de moinho. O que é uma reviravolta do destino, por assim dizer”.

Chornobyl, 32 anos após a catástrofe em 32 fotos

No dia 26 de abril de 1986 aconteceu o maior acidente da história da energia nuclear: a explosão do reactor número quatro da central nuclear de Chornobyl, na Ucrânia. Foi a maior catástrofe tecnogénica ao nível global.
Ler mais: Ucrânia inaugura o novo sarcófago do Chornobyl

Hoje, já há visitas guiadas à 3ª central (não atingida pela explosão de 1986, em todas as fotos acima) e chamado “corredor de ouro”, um corredor com mais de 1 km de extensão, que antigamente ligava todos os reatores ente si. As paredes do corredor hoje estão protegidos por placas de metal “dourado”, dai o seu nome atual.
A central real do 4º bloco | foto @secretsofthefed.com
A central real do 4º bloco | foto @wikimapia.org
Ler mais: Chornobyl em documentos secretos do KGB
O novo sarcófago que cobre o 4º bloco de Chornobyl com garantia por 100 anos
A explosão e o incêndio que se segui seguiu libertaram partículas radioativas na atmosfera, causando danos irreversíveis tanto na cidade como, principalmente, na população da região e da Ucrânia. O reactor nuclear esteve a arder durante dez dias e os materiais radioactivos viajaram com a chuva e o vento para zonas mais longínquas do nosso globo.

A explosão de Chornobyl enviou 190 toneladas de urânio radioactivo e grafite para a atmosfera, obrigando à retirada de 120 mil pessoas de uma região correspondente a uma zona de 30 quilómetros ao redor da central, hoje conhecida como “Zona de Exclusão”.

Fotos (principais): EPA/Sergey Dolzhenko e REUTERS/Gleb Garanich

Os crimes do comunismo soviético...
foto @arquivo
Cidade de Kyiv, atual praça de Independência (Maydan), Ucrânia soviética, 1 de maio de 1986, a catástrofe do Chornobyl aconteceu há apenas 5 dias, os níveis de radiação são centenas de vezes superiores aos normais. Nada disso impede a liderança do partido comunista da Ucrânia soviética de obrigar as crianças à desfilarem, sob ameaça do despedimento dos seus pais. Os fatos-treino que foram dados as crianças e recolhidos depois, apresentavam os níveis de radiação que ditaram a sua desinfeção posterior...