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domingo, julho 26, 2026

Testemunho do Holocausto proibido e silenciado pela censura soviética

Zinovy ​​​​​​Tolkachev, “Tałeskoten”, da série Majdanek.
Imagem: Instituto Histórico Judaico Emanuel Ringelblum em Varsóvia
Aos 23 de julho de 1944, foram libertados aproximadamente mil prisioneiros da «fábrica da morte» — do campo de concentração nazi de Majdanek, na Polónia, perto de Lublin. Um dos libertadores era o militar e artista ucraniano Zinovy ​​​​Tolkachev.

Aproximadamente 130.000 pessoas passaram por naquele campo nazi, 80.000 deles morreram em Majdanek.

A capa da 1ª edição polaca de 1945

O conceituado artista judaico ucraniano Zinovy ​​​​Tolkachev-Schenderovich (1903-1977), enquanto militar soviético, participou na libertação de prisioneiros nos campos de Majdanek e de Auschwitz. Criou, então, as BD/quadrinhos gráficos «Majdanek» (1944-45) e «Flores de Auschwitz» (1945), publicados apenas na Polónia.

“Guarda Feminina”. Portfolio com reproduções das obras de “Majdanek”.
Coleção do Instituto Histórico Judáico Emanuel Ringelblum em Varsóvia

Na União Soviética, estas obras não apenas não foram publicadas, como provocaram perseguições ao artista nas décadas de 1950-60, durante a campanha antisemita estatal soviética dirigida contra os «cosmopolitas», eufemismo soviético aplicado aos judeus. 

«Libertação», 1945. Museu virtual Yad Vashem

Apesar do uso de narrativas perfeitamente alinhadas com a ideologia dominante soviética (por exemplo, a presença da bandeira vermelha no quadro «Libertação»), a sua obra foi perseguida e censurada na URSS. Em 1949, o jornal oficial do PC da Ucrânia soviética, «Pravda Ukrayiny», acusou Tolkachev de promover obras de «conteúdo sionista-religioso», chamou o seu trabalho «profundamente perverso» e definiu os seus álbuns gráficos como uma manifestação de «nacionalismo burguês» e de «cosmopolitismo sem raízes».

“Lugar do não retorno”, 1945. Portfolio com reproduções das obras de “Majdanek”
Coleção: Instituto Histórico Judaico Emanuel Ringelblum em Varsóvia.

Após a morte do artista em 1977 em Kyiv, o seu espólio criativo foi oferecido, pela família, à fundação israelita Yad Vashem.

Faça click para ler mais sobre o padre Omelián Kovch 

No campo de concentração de Majdanek, em março de 1944, foi assassinado, pelos nazis, o Padre Omelián Kovch, o sacerdote greco-católico ucraniano, que salvava os judeus e foi conhecido como “o pároco de Majdanek”.

quarta-feira, julho 22, 2026

Eugeniusz Bodo: do galã do cinema polaco ao prisioneiro do GULAG soviético

Atores Eugeniusz Bodo e Helena Grossówna, década de 1930

Ator, encenador, empreendedor polaco Eugeniusz Bodo. O seu nome era Bohdan Eugène Junod; a sua mãe era polaca e o seu pai suíço, que fazia negócios e residia no império russo. Na Polónia entre as guerras, Eugeniusz era um dos principais estrelas de cinema, interpretando charmosos galãs românticos. Viveu em Lviv. Morreu num campo do GULAG soviético.

Um dos seus filmes mais famosos é a comédia de culto «Piętro wyżej» (o título internacional «Vizinhos», 1937). Está disponível em várias versões no YouTube:

A heroína (a bela Helena Grossówna) acaba de entrar, por engano, no apartamento do herói (Eugeniusz Bodo) e, sem se aperceber que está no apartamento de outra pessoa, adormece na sua cama. Entretanto, o herói regressa a casa embriagado, descobre a bela na sua cama e deixa-a galantemente dormir, enquanto ele, vestido com um fato e gravata, vai dormir para a banheira. Naturalmente, acorda de manhã, abre a torneira e vê-se encharcado da cabeça aos pés. Naturalmente, tudo termina com um final feliz.

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A famosa comédia soviética «A Ironia do Destino» (1975) usou o mesmo enredo (troca de apartamentos, herói bêbado, uma bela desconhecida, interpretada até por uma atriz polaca), como o elemento principal do seu trama. 

Em 1939, após o início da II G.M., Bodo encontrou-se em Lviv, na União Soviética. O conceituado músico Henryk Wars organizou a orquestra Lviv Tea-Jazz, que começou a fazer digressões por toda a União Soviética com grande sucesso. Bodo cantava nesse teatro; existem muitos registos dele a cantar em russo, incluindo a tradução russa da famosa canção polaca «Somente em Lviv».

«Tea Jazz-orquestra» de Lviv

Ao mesmo tempo, Bodo tentou, usando o seu passaporte suíço de viajar para a Suíça. Após o início da guerra nazi-soviética, quando o Exército Vermelho já deixou a cidade de Lviv, mas os alemães ainda não entraram nela, dois homens com uniformes da NKVD abordaram Bodo e disseram que tinham um carro e tentariam romper as linhas inimigas para leste, convidando-o a juntar-se a eles. Percorreram estradas rurais durante vários dias e, quando finalmente chegaram ao quartel-general do Exército Vermelho, disseram-lhe que estava, na verdade, preso e enviaram-no para o NKVD.

Entretanto, a partir de 30 de Julho de 1941, sob pressão do seu novo aliado, a Grã-Bretanha, a URSS aceitou assinar um acordo com o governo polaco no exílio em Londres (o Acordo Maisky-Sikorski). De acordo com este acordo, todos os cidadãos polacos presos na URSS e nos territórios por este controlados desde 1939 receberiam amnistia. A partir destes cidadãos, começou a formar-se um exército polaco na Ásia Central soviética, sob a liderança de general Anders. A orquestra de Wars também se juntou ao exército de Anders.
A sua última foto conhecida, prisioneiro dos soviéticos...

Bodo era muito conhecido, e os representantes polacos perguntavam constantemente aos soviéticos sobre o seu destino. Mas estes lhes responderam que Bodo não era cidadão polaco, mas sim suíço, e, por isso, não tinha direito a amnistia. Morreu num campo de concentração soviético nos arredores da cidade de Kotlas, de inanição (fome severa) em outubro de 1943. Durante décadas a URSS desinformava os polacos, afirmando que Eugeniusz Bodo foi assassinado pelos alemães. Somente em 1991, as autoridades soviéticas entregaram aos polacos os documentos a ele relacionados.

Já a atriz Helena Grossówna, chegou a participar na Revolta de Varsóvia de 1944 como tenente, usava o nom de guerre / codinome de «Bystra» (Rápida), foi capturada e presa em campos alemães de prisioneiros de guerra, casou com um oficial polaco, que libertou o campo e viveu uma longa vida na Polónia, falecendo em 1994 aos 90 anos. 

Blogueiro

A ironia do destino, um polaco-suíço que nada de mal fez à URSS e foi um artista aceite e reconhecido na União Soviética, não sobreviveu o GULAG comunista. Enquanto uma combatente, que lutou contra os alemães, de armas nas mãos, sobreviveu um campo de concentração nazi...

sexta-feira, julho 17, 2026

Massacre de civis ucranianos pelas forças armadas da Polónia comunista

O massacre de Goraytsi (Gorajec) foi a destruição física de uma aldeia ucraniana, perpetuada pelas forças comunistas polacas. Tudo o que restou da memória dos ucranianos é o cemitério, mas reparem nestas lápides – foram erguidas após o massacre e antes da deportação massiça dos ucranianos da Polónia em 1947.

Os ucranianos conseguiram preservar a memória. Indicam a causa da morte. Por exemplo, a família ucraniana Kurij enterrou aqui três gerações de mulheres de uma só vez – Eva (1895), Maria (1919) e Anna (1943), a menina Anna só tinha dois anos: «aqui descançam servas do Deus Eva, Maria e Ana Kurij, mortas pelos polacos aos 6 de Abril de 1945 em Goraytsi». A palavra «polacos», neste e em vários outros túmulos, está parcialmente apagada, arrasada. Os atuais moradores da aldeia não gostam de recordar dessas coisas, percebem? 

«Eva, Maria e Ana Kurij, mortas pelos polacos aos
6 de Abril de 1945 em Goraytsi»

Eis o que escreve a Wikipédia polaca sobre massacre de Gorajec:

No dia 5 de abril [de 1945], às 21h00, o 2º batalhão operacional independente do Corpo de Segurança Interna (KBW), juntamente com a milícia sob o comando do Tenente-Coronel Stanisław Shopinski, saiu do quartel em Lyubachów. No dia seguinte, às 4h50, o batalhão, dividido em quatro grupos, assumiu posições de combate. Os Gorajec e os seus povoados foram cercados. Às 5h, a ofensiva começou. Iniciou-se com um bombardeamento de morteiros, seguido de um ataque de infantaria. Às 6h10, a aldeia foi ocupada. O exército permaneceu em Gorajec até às 10h00, matando civis por todo o povoado. Cerca de 60 pessoas foram fuziladas numa das quintas. A aldeia foi incendiada e muitas outras pessoas que se escondiam dos assassinatos foram queimadas vivas nos edifícios. As ações do exército foram acompanhadas pelas ações de civis polacos. Os bens dos moradores foram confiscados à favor do exército. Durante a operação morreram 174 pessoas [ucranianas]: 32 mulheres, 35 crianças e 19 pessoas com mais de 60 anos.

O objetivo da operação era (supostamente) destruir o quartel-general do Exército Insurgente Ucraniano (UPA). No entanto, naquele momento, nenhuma unidade do UPA estava estacionada na aldeia. A única força armada na aldeia era um pequeno destacamento da autodefesa ucraniana. A verdadeira tarefa das unidades polacas era intimidar os residentes para os obrigar a abandonar o território polaco.

Aqui repousam Teodor Vorobel, que viveu 53 anos, e Yuriy Vorobel, que viveu 48 anos.
Mortos às mãos dos polacos. Em 06/04/1945 (a inscrição está parcialmente destruída)

Os restantes residentes de Gorajec — quase mil pessoas — foram deportadas [no decorrer da operação Wisla]. Há muitas aldeias como esta. Presidente Nawrocki devia consultar a Wikipédia. Ou talvez já a tenha lido... Entre 1944 e 1947, mataram e deportaram todos os ucranianos do seu próprio território.

Foto e texto de Artur Mielnik

Bónus

No entanto, a Polónia atual não pode ser vista unicamente através dos crimes do passado ou através das ações criminosas e retórica violenta da extrema-direita polaca.

A livraria polaca/polonesa «Toniebajka. Księgarnia dla wszystkich», em Bydgoszcz, colocou uma placa à entrada com palavras de apoio aos ucranianos.

Diz a placa que, se na Polónia esperem pedidos de desculpas dos indivíduos pelas ações dos seus familiares ou por acontecimentos históricos, então a própria livraria quer pedir desculpa aos ucranianos pelos ataques que hoje sofrem por parte dos extremistas polacos, e questiona também porque é que ninguém espera um pedido de desculpas de putin.

«Se Michnik tem de pedir desculpa pelo irmão, Tusk pelo avô e Sofia, de 12 anos, por Volyn, então Toniebajka pede desculpa pelos ataques dos polacos contra ucranianos (e se pergunta: porque é que ninguém espera um pedido de desculpas de putin?»)

Numa outra publicação, o proprietário da livraria, Piotr, escreveu que estava envergonhado pela onda de sentimentos antiucranianos na Polónia, pela redução da ajuda aos refugiados e pelos recentes ataques [por enquando sem derramamento de sangue], às crianças ucranianas. Disse ainda que queria pedir desculpas pessoalmente aos ucranianos que lutam contra os russos, trabalham na Polónia ou procuram refúgio no país.

sábado, julho 04, 2026

Kielce: o maior pogrom anti-judaíco na Polónia comunista pós II G.M.

Funerais das vítimas do pogrom de Kielce, 8 de julho de 1946 © PAP/Jerzy Baranowski
Completa-se hoje o 80º aniversário do pogrom judaico, que ocorreu na cidade polaca/polonesa de Kielce, aos 4 de julho de 1946. Este e vários outros maiores pogroms contra os judeus na Europa pós-guerra ocorreram apenas na Polónia comunista.

Caixões com os corpos de judeus mortos durante o pogrom em Kielce, Polónia, 6 de julho de 1946

Kielce viveu um pogrom clássico, o termo russo, que entrou para todos os dicionários do mundo. Do pogrom de agosto de 1945 em Cracóvia ao mais sangrento em Kielce, o cenário era sempre o mesmo, os rumores espalhados entre a populaça, baseados no libelo de sangue contra os judeus: «Um menino cristão foi morto por judeus para fins ritualísticos». A Igreja Católica na Polónia, com o seu antissemitismo inerente, desempenhou o papel mais que sinistro na construção do contexto para esta terrível tragédia. O pogrom em Kielce foi o mais sinistro precisamente porque um pequeno grupo de sobreviventes judeus do Holocausto se instalou numa casa, onde foram encurralados e assassinados metodicamente, durante horas. Foram mortos não só por polacos comuns, residentes na cidade, mas também com a participação direta do exército e da polícia polaca (as autoridades polacas chegaram prender 34 militares e oficiais do exército e das forças desegurança e 6 polícias). A Igreja Católica Polaca, representada pelo bispo local Czesław Kaczmarek, de forma singular para a Igreja, apoiou passivamente estes assassinatos e NUNCA os condenou.

Foto: Jerzy Baranowski / PAP / Vostock Photo
Naquele momento histórico a Igreja Católica polaca estava totalmente alinhada com o governo estalinista do Bolesław Bierut no seu ódio aos judeus, sob o lema não pronunciado, mas largamente sentido naquele mesmo pogrom «vamos terminar o trabalho de Hitler». Apoio estatal total à tragédia. Esta série de pogroms causou um êxodo em massa de sobreviventes judeus da Polónia em poucos meses. O antigo diretor do Instituto Polaco da Memória Nacional, o atual presidente Karol Nawrocki, deveria estar hoje em Kielce, no 80º aniversário da tragédia. Levando consigo o primaz Wojciech Polak, para que se ajoelhasse em frente daquela casa e rezasse. Se tivesse a coragem de honrar a memória dos judeus mortos nos pogroms polacos do pós-guerra. Pelo menos foi isso que o seu chefe político Kaczynski e o seu antecessor Duda fizeram. Hoje, exatamente no 80º aniversário da tragédia.

A placa memorial em Kielce «em memória dos 42 judeus assassinados»

Em resultado dos julgamentos pós-pogrom, que se prolongaram até dezembro de 1946, nove pessoas foram condenadas à morte, três a prisão perpétua e outras dez a sete anos de prisão. As sentenças subsequentes foram muito mais brandas, e dos altos funcionários da polícia e da segurança, apenas três foram julgados, sendo que somente o comandante do departamento de polícia provincial, Coronel Kuznytsky, foi condenado a um ano de prisão.

No decorrer do pogrom de Kielce morreram mais de 40 pessoas (37/42 judeus, 3 polacos e 35 pessoas ficaram feridos; o número de vítimas nos povoados vizinhos e na linha ferroviária / ferrovia não pôde ser determinado com precisão). Pensa-se que este pogrom terá sido o catalisador para a emigração em massa de judeus polacos para a Palestina e à partir de 1948 para o recém-criado Israel, e de cerca de meio milhão de judeus, que sobreviveram o Holocausto nazi no final da década de 1950, restaram não mais de 30.000 na República Popular da Polónia.

sexta-feira, julho 03, 2026

Yaroslav Haivas: o ativista da OUN perseguido pelo KGB por 40 anos

Foto do Yaroslav Haivas e sua filha do arquivo do MGB-KGB

MGB-KGB soviético passou décadas a tentar aproximar-se ao Yaroslav Haivas (1912–2004). Em certa altura, era considerado, pelos soviéticos, como uma das figuras mais perigosas do movimento de libertação nacional da Ucrânia. 

Yaroslav Haias, década de 1950 (?)

No final, em 1982, o seu processo foi arquivado, KGB foi obrigado a admitir que era impossível recrutá-lo. Infelizmente, hoje, o seu nome não está devidamente lembrado, mesmo por aqueles, que se interessam pela história ucraniana. 

Quando jovem, juntou-se ao movimento escuteiro ucraniano, Plast, posteriormente à Organização Militar Ucraniana (UVO) e, em seguida, à OUN. Foi um bancário nas instituições ucranianas de crédito na 2ª república polaca, nos meados da década de 1930. Foi preso e encarcerado pelos polacos, liderou os serviços de informação, foi adjunto de Roman Shukhevych no Comité de Autodefesa, durante a II G.M., chefiou o grupo expedicionário da OUN para o leste da Ucrânia e, durante o período mais difícil de 1944-1945, serviu como líder da OUN-M.

Em documentos do KGB desclassificados, os chekistas escreveram sobre ele:

«Pessoas como ele não podiam ser recrutadas, nem persuadidas a abandonar as suas atividades antissoviéticas.»

Informação confidencial sobre Haivas, processo do KGB, 1952

Em 1944, foi procurado pela Gestapo. Yaroslav escapou-lhes saltando de uma janela. A sua mulher e a sua mãe foram enviadas para um campo de concentração pelos nazis, e duas crianças pequenas tiveram de ser resgatadas secretamente. Alguns meses depois, os ativistas ucranianos conseguiram a libertação das duas mulheres, e a família voltou a reunir-se.

Após o fim da II G.M., a luta ucraniana não terminou. O KGB tentou infiltrar-se no seu círculo íntimo durante décadas. Recrutou agentes, criou operações especiais, tentou usar os seus conhecidos e familiares, escreveu artigos difamatórios e procurou até a mais pequena prova comprometedora.

A sua cunhada, Daria Andrianovych-Sytnytska, era agente do MGB,
«Pravdyva» (Verdadeira), vivia em Lviv, faleceu antes de julho de 1952   

Mas, de cada vez, deparava-se com um problema: Haivas tinha uma vasta experiência em trabalho clandestino, inteligência e contra-informação. Sabia ver o perigo onde outros poderiam não o notar.

Mais tarde, Yaroslav Haivas tornou-se secretário executivo do Comité do Congresso Ucraniano da América (UKKA), editou os jornais ucranianos «Svoboda» e «Shlyakh Peremohy» (Caminho da Vitória), escreveu livros e continuou a trabalhar pela causa ucraniana no mundo.

Memórias do Yaroslav Haivas: «Liberdade não tem preço»,
publicadas nos EUA em 1972, PDF, DjVu, 312 pág, ucraniano

Em 1982, o seu processo no KGB foi encerrado. Após décadas de vigilância, os serviços secretos soviéticos admitiram, efectivamente, a sua derrota. Por vezes, a grandeza de uma pessoa é melhor demonstrada não pelas suas condecorações, mas pelos documentos do inimigo. A história de Yaroslav Haivas é exatamente um desses casos.

Fonte

sábado, junho 27, 2026

Instituto Polaco da Memória Nacional na tentativa de demonizar a OUN

Há alguns dias que o Instituto Polaco da Memória Nacional (IPN) tem vindo a conduzir uma campanha de informação que tenta demonizar os «pais-fundadores» do nacionalismo ucraniano. Nas redes sociais são publicadas ilustrações com textos que visam comprovar a natureza supostamente «genocida» das ações da UPA. No entanto, tudo é feito de uma forma surpreendentemente primitiva, escreve o historiador ucraniano Volodymyr Viatrovych.

Estão a tentar encontrar as raízes do «genocídio» na obra de Dmytro Dontsov, mas não encontraram nele uma única citação anti-polaca. Porque, na verdade, não existe nenhuma. Dontsov era um polonófilo, trabalhou e publicou a sua obra legalmente na Polónia nas décadas de 1920 e 1930, e a sua principal obra, «Nacionalismo», foi publicada na Polónia em 1926, numa editora religiosa «Missioner», em Zhovkva [na atual região ucraniana de Lviv].

A citação de Stepan Bandera também não resultou. Eis o que lemos no site polaco do IPN: “A nossa ideia, tal como a entendemos, é tão grandiosa que, quando se trata da sua implementação, para a alcançar, é necessário sacrificar não centenas, mas milhões de vítimas”, disse um dos líderes nacionalistas ucranianos, Stepan Bandera, perante o tribunal em Lviv, em 1936. Estas palavras foram um aviso sombrio do genocídio cometido pelos seus apoiantes apenas sete anos depois”.

Na verdade, Bandera falava sobre a disponibilidade dos ucranianos para sacrificar as suas próprias vidas em nome da liberdade. Referia-se aos seus companheiros da OUN, que foram presos e executados pelas autoridades polacas. A citação completa é a seguinte: “As pessoas que estão constantemente conscientes, no seu trabalho, de que podem perder a vida a qualquer minuto, estaspessoas, mais do que ninguém, sabem valorizar a vida. Conhecem o seu valor. A OUN valoriza muito a vida dos seus membros, mas a nossa ideia é tão grandiosa na nossa compreensão que, quando se tratada sua implementação, não algumas, não centenas, mas milhões de vítimas devem ser sacrificadas para a concretizar.”

Quando a história é substituída por propaganda primitiva, conduzida por uma instituição estatal, e a memória das vítimas é substituída por um culto pseudo-religioso, a sociedade perde a capacidade de avaliar criticamente não só o passado, mas também o presente. Já vimos isso no exemplo dos nossos vizinhos de leste, escreveu Dr. Viatrovych.

sábado, junho 20, 2026

A amizade entre a 2ª República polaca e o 3º Reich: olhar histórico

Józef Piłsudski recebe Ministro da Propaganda do 3º Reich, Joseph Goebbels, em Varsóvia 
Quando hoje em dia a elite política polaca produz as declarações mal-ponderadas sobre o passado histórico comum, e as figuras como o presidente Karol Nawrocki privam o Presidente da Ucrânia de condecorações (ofendendo, assim o povo ucraniano) por causa da chamada «história problemática», surge uma questão lógica: e a história problemática da Polónia? 

Antes de fazerem juízos morais e julgarem os outros, os vizinhos da Ucrãnia deveriam recordar as páginas negras da história polaca, que, por alguma razão, a Varsóvia atual prefere ignorar. Por exemplo, sobre a estreita, cínica e totalmente oficial cooperação entre a Segunda República Polaca e a Alemanha nazi na década de 1930.

A aproximação entre os dois Estados começou em 1934, após a chegado do Hitler ao poder. Depois, a 26 de janeiro, por iniciativa de Józef Piłsudski e Adolf Hitler, foi assinada em Berlim a «Declaração sobre a Não Utilização da Força». Depois disso, os contactos só se intensificaram, em particular, em Junho de 1934, quando Piłsudski recebeu pessoalmente o Ministro da Propaganda do 3º Reich, Joseph Goebbels, em Varsóvia.

«Declaração sobre a Não Utilização da Força» ente 3º Reich e Polónia, janeiro de 1934

Quando Józef Piłsudski morreu, a 12 de Maio de 1935, Adolf Hitler declarou luto nacional na Alemanha. No seu telegrama ao governo polaco, chamou ao marechal «o criador de um novo país» e observou: «Juntamente com o povo polaco, o povo alemão lamenta a morte deste grande patriota, que, através da sua ampla cooperação com os alemães, prestou um grande serviço não só aos nossos países, mas também prestou uma assistência inestimável na pacificação da Europa».

Adolf Hitler na cerimónia especial de luto pelo Józef Piłsudski, Berlin, maio de 1935

Ao mesmo tempo, a publicação nazi mais extremista, o jornal «Völkischer Beobachter» escreveu: «A nova Alemanha inclina as suas bandeiras e estandartes diante do caixão deste grande estadista, que foi o primeiro a ter uma confiança aberta e uma aliança plena com o Reich Nacional Socialista».

O alto dirigente nazi, Hermann Goering esteve pessoalmente presente no funeral de Piłsudski. Alguém já viu fotos de dirigentes do movimento nacional ucraniano, como Yevhen Konovalets ou Stepan Bandera, ou militares do UPA juntamente com os dirigentes nazis? Já a liderança polaca tem um currículo muito rico neste domínio...

O dirigente nazi Hermann Goering no funeral de Piłsudski em Varsóvia, maio de 1935

Por exemplo, durante 1938-1939, figuras-chave do regime nazi vieram à Polónia em visitas oficiais: o chefe da polícia, o general Kurt Daluege, o ministro da Justiça, Hermann Frank, e o líder das SS e chefe da Gestapo, Heinrich Himmler. Em resposta a estas visitas amistosas, o chefe da polícia polaca, General Zamorski, em 1938, a convite dos seus amigos nazis alemães, participou no congresso do NSDAP em Nuremberga.

Os seus planos imperialistas não eram muito diferentes. Durante o infame Acordo de Munique (Setembro-Outubro de 1938), quando a Grã-Bretanha, a França e a Itália cederam ao Hitler os Sudetas, a Polónia não ficou de fora, optando por abocanhar uma parte para si. Uma semana antes da assinatura do acordo de Munique, Varsóvia denunciou o seu acordo com a Checoslováquia sobre as minorias nacionais. Isto favoreceu Hitler na perfeição, dando às suas ações a aparência de uma solução «internacional» para o problema. Logo aos 2 de outubro de 1938, as tropas polacas ocuparam a Silésia de Cieszyn, anexando território checoslovaco com uma população de 230 mil pessoas.

O aperto das mãos entre o marechal polaco Edward Rydz-Śmigły e o adido militar alemão, coronel Bogislav von Studnitz (1888-1943) durante a parada do «Dia de Independência» em Varsóvia aos 11 de novembro de 1938

E os territórios da Ucrânia Ocidental, que os políticos polacos tanto gostam de referir? Os diplomatas polacos da época falavam abertamente dos seus apetites geopolíticos. Por exemplo, em dezembro de 1938, o diplomata polaco Jan Karszo-Sidlowski, numa conversa com um colega alemão, afirmou directamente:

O terror da “pacificação” polaca/polonesa da Ucrânia Ocidental, 1930 | foto: photo-lviv.in.ua

«A perspectiva política para a Europa de Leste é clara. Dentro de alguns anos, a Alemanha estará em guerra com a União Soviética, e a Polónia apoiará a Alemanha nessa guerra... Os interesses territoriais da Polónia no Leste, principalmente à custa da Ucrânia, só podem ser garantidos através de um acordo polaco-alemão previamente alcançado». A história ocorreu numa outra direção, porque dois maiores ditadores, Hitler e Estaline chegaram a um acordo mútuo mais rapidamente e, logo em setembro de 1939, a Alemanha atacou os seus antigos aliados polacos. No entanto, estes factos são um lembrete vívido de que aqueles que fechavam os olhos aos crimes nazis em prol de possibilidade de obter os territórios no leste não devem, definitivamente, dar lições aos ucranianos sobre a sua própria visão «correta» da história comum.

Fonte

Blogueiro

Naturalmente, os políticos da extrema-direita polaca, principalmente partidos PiS, Konfederacja, o presidente Nawrocki, e seus aliados, alguma pequena burguesia polaca ressentida, não representam todo o povo polaco. Ucrânia e ucranianos estão gratos pelo apoio da Polónia, militar e logístico, dado após o início da invasão russa, em 24.02.2022. Mas os polacos precisam de perceber uma coisa, único cominho possível de conviver em paz e respeito mútuo com Ucrânia é a formula «perdoamos e pedimos perdão». Ucrânia nunca criticou a Polónia pela glorificação das suas forças nacionalistas e anti-comunistas da época da II G.M., como AK, BH, e outras, muitos dos quais derramaram o sangue ucraniano e cometeram crimes horríveis contra as populações ucranianas. Do mesmo jeito, Ucrânia espera que Polónia não interfira nos assuntos internos ucranianos e não tenha a fantasia de querer ditar a política da memória nacional da Ucrânia, em relação as formações nacionalistas ucranianas, que na II G.M. lutavam contra a ocupação alemã, soviética e polaca.

Faça click para ler: Stefan Dąmbski: as memórias de um carrasco
Blogueiro

Todos os presidentes ucranianos vivos, detentores da ordem polaca Águia Branca (Order Orła Białego), renunciaram a ordem, em solidariedade com presidente Volodymyr Zelensky, à quem a ordem foi retirada pela decisão unilateral do presidente Karol Nawrocki. Entre eles, o 2º presidente Leonid Kuchma (foi condecorado em 1997), 3º presidente Viktor Yuschenko e 5º Petró Poroshenko. Além disso, vários estadistas ucranianos, também renunciaram as condecorações polacas civis e militares, casos do chefe da Presidência da República, general Kyrylo Budanov e do Ministro dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores, Dr. Andriy Sibiha, entre outros.

sexta-feira, junho 12, 2026

O sonho colonial polaco nos cartazes do período entre as duas guerras: 1918-39

«Queremos as colónias para Polónia»
Liga Marítima e Colonial. Dias Coloniais, 7-13.IV.1938

A 2ª república polaca (1918-1939), era um país bastante agressivo, sobretudo para dentro, às suas minorias nacionais, mas também para fora, principalmente à partir da segunda metade da década de 1930, quando a sociedade polaca sonhava em se transformar na detentora de colónias africanas. 

«Fora prussiano! Repetiremos [a batalha de] Grunwald!!

«Não estamos aqui desde ontem. Seguiremos bem longe para Oeste»

«Não deixaremos de nós separar do Báltico!»
25.VI-2.VII. Dias do Mar. Liga Marítima e Colonial. Autor: Antoni Wajwód

É de recordar que em resultdo da guerra polaco-soviética de 1919-21, a Polónia passou a ocupar toda a Ucrânia Ocidental, mais a região de Volyn, a Belarus Ocidental e uma parte considerável da Lituânia, incluíndo a sua capital atual e histórica, cidade de Vilnius.

Mês da Pomerânia. União da Defesa das Fronteiras Ocidentais. 16.XI-16.XII. 1930
«Defenderemos a Pomerânia contra a invasão teutónica».  

«Polónia seguindo o caminho do Józef Piłsudski». 1914.6.VIII.1939

«Empréstimo de defesa antiaérea»

Em 1930, na Polónia foi formada a nova «Liga Marítima e Colonial», a organização polaca, criada na base na Liga Naval e Fluvial. Não se tratava simplesmente de uma mudança de nome, mas de uma mudança de rumo e atitude — o programa da organização incluía pontos sobre a necessidade de lutar pela aquisição de colónias por parte da Polónia. A organização era liderada pelo General Mariusz Zaruski. 

A implementação prática do programa da organização consistiu na aquisição de territórios ultramarinos para uso dos colonos polacos (por exemplo, no Brasil, Peru, Libéria). Em 1934, a organização comprou terras na província brasileira do Paraná e aí fundou um colonato/uma colónia chamada Morska Wola. 

«Da nossa colónia "Morska Wola" no Paraná»

Em outubro de 1938, na sequência do Acordo de Munique, Polónia apoiou Alemanha nazi nas suas reivindicações territoriais para com a Checoslováquia, anexando e ocupando os territórios checos e eslovacos, nomeadamente a região de Cieszyn Silesia e a cidade de Český Těšín, os territórios de Orava e Spiš. Faltava menos de um ano até a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop.


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A invasão da Checoslováquia foi celebrada, com um aperto das mãos, dado em público, entre o marechal polaco Edward Rydz-Śmigły e o adido militar alemão, coronel Bogislav von Studnitz (1888-1943) durante a parada do «Dia de Independência» em Varsóvia aos 11 de novembro de 1938. A própria parada polaca era especialmente ligada à captura dos territórios checos e eslovacos. 

No entanto, apenas um ano depois, no final de setembro de 1939, Hitler agradeceu publicamente à liderança da República Eslovaca pela ajuda dada ao Wehrmacht na campanha da invasão da Polónia. Em 21 de setembro, os antigos territórios poloneses de Spis e Orava, com uma área de mais de 700 km², foram transferidos para a soberania da Eslováquia. 

«O protesto do Embaixador da Eslováquia»

Todavia, alguns diplomatas eslovacos discordaram publicamente do colaboracionismo do seu país com o 3º Reich. Por exemplo, no primeiro dia da invasão nazi alemã da Polónia, o embaixador eslovaco na Polónia, Dr. Ladislav Szathmáry se encontrou com o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros/ das Relações Exteriores da Polónia, Jan Szembek, a quem entregou uma carta dirigida ao ministro dos Negócios Estrangeiros/das Relações Exteriores da Polónia, Józef Beck, que dizia o seguinte: “Em nome do povo eslovaco e de seus representantes,que são forçados a permanecer calados sob a pressão do Terceiro Reich, eu protesto como representante do estado eslovaco na Polónia contra o uso da Eslováquia como base para o Terceiro Reichpara condução dos combates contra a Polónia”. 

CartazesFonte

sábado, maio 16, 2026

As virulências da propaganda russa: o caso Krzysztof Flaczek

Um bom e claro exemplo de como, na prática, funciona a propaganda russa, mentindo e desmentindo à si própria, criando e recriando os «fatos», mudando constantemente as narrativas, se enrolando nas suas próprias versões de mentiras. 

Agosto de 2025: «ex-mercenário polaco é voluntário do batalhão russo» 

Em agosto de 2025, a agência estatal russa de notícias «RIA Novosti» noticiou e depois até publicou a entrevista com o cidadão polaco Krzysztof Josef Flaczek (1978). Alegava-se que Flaczek era voluntário polaco que em 2024 se juntou à Legião Internacional das FAU, defendeu Ucrânia na região de Luhansk. Em novembro de 2024 se perdeu e foi capturado pelos militares russos (as versões da sua captura/deserção diferem) ou então, se entregou, voluntariamente, ao exército russo. Após a sua captura, o homem alegadamente se juntou-se à unidade russa «batalhão Maxim Krivonos», uma unidade semi-virtual e puramente propagandista, que alegadamente agrega ex-militares ucranianos que trairam o seu juramento e manifestaram o desejo de lutar contra Ucrânia. 

Oito meses depois, e sem mais nem menos, os separatistas de Luhansk informaram, com a maior normalidade, que Krzysztof Flaczek, é afinal, um «mercenário polaco» e foi condenado em Luhansk ocupada aos há 13 anos de prisão maior.

Abril de 2026: «mercenário é condenado aos 13 anos da cadeia pesada»

Ninguém diz nada nem sobre o alegadamente «heróico» e realmente invisível «batalhão Maxim Krivonos», nem o que foi feito ao Krzysztof Flaczek nestes oito meses, nem qual foi a razão da propaganda russa mudar a narrativa sobre o caso de forma tão dramaticamente oposta. 

Mais um caso que só poderá ser plenamente desevendado após Ucrânia conseguir a libertação do POW. De qualquer maneira, os militares ucranianos e os estrangeiros que defendem Ucrânia são instruídos numa coisa: no caso da sua captura eles são livres de entregar toda a informação e dizer tudo, que é exigido pelos seus captores russos. À semelhança dos exércitos Ocidentias ou de Israel, o objetivo das FAU é a sobrevivência dos seus efetivos. Ninguém pede aos militares das FAU para serem heróis e nenhum militar é castigado posteriormente, por repetir aquilo que os ocupantes russos exigiram de dizer.

Fonte: TG @kazansky2017  

Uma boa alternativa russa


Já os militares russos, indoctrinados pela propaganda russa, sob o medo irracional das «crueldades ucranianas», são encorrajados, quer pela igreja ortodoxa russa IOR, quer pela propaganda estatal, quer pelo seu comando militar à não se entregar às FAU. Como neste vídeo em que um soldado russo, primeiro, aplica um torniquete na perna ferida, mas desiste rapidamente, para logo à seguida, apontar uma espingarda/rifle à sua própria cabeça e realizar o procedimento de autodesnazificação, também conhecido como «o beijo do putin».

Fonte: TG @kazansky2017

quarta-feira, abril 01, 2026

Massacre de Praga: crime de guerra russo na Polónia

«Massacre de Praga». Artista Alexander Orlowski, 1810

A propaganda russa e soviética elaborou cuidadosamente a imagem heróica do marechal russo Suvorov. Assim o filme homónimo retrata a cena das tropas a encontrarem o seu comandante após a 2ª batalha pela Varsóvia, na Polónia, em 1794.


A legenda / os créditos dizem «após a batalha nos arredores de Varsóvia», não explicando do que se trata nesta cena. Explicam, no entanto, que em Novembro de 1794, as tropas sob o comando de Suvorov reprimiram brutalmente a revolta nacional polaca, derrotando as forças polacas em Praga, um subúrbio de Varsóvia. Após a derrota da guarnição polaca em Praga, o inferno instalou-se — as tropas russas levaram a cabo um sangrento massacre de civis, no qual, segundo várias estimativas, morreram até 20 mil pessoas, incluindo mulheres e crianças. 

Lev Engelhardt, o fidalgo e oficial russo, um dos participantes na tomada de Praga, escreveu sobre isto: «Ao longo de todo o caminho até ao Vístula, corpos de todas as classessociais eram visíveis a cada passo, e nas suas margens acumulavam-se montes de corpos de mortos e moribundos: soldados, moradores, monges, mulheres e crianças. A visão de tudo isto faz o coraçãoafundar e o olhar torna-se nauseabundo perante tal espectáculo... os habitantes massacrados eram incontáveis». 

Conta-se que Suvorov, que abandonará Praga à mercê dos seus «heróis milagreiros», ao ver o que estes tinham feito, ordenou que a ponte sobre o Vístula que conduzia a Varsóvia fosse incendiada, para que a sangrenta atrocidade não se propagasse ainda mais. 

Por suprimir a revolta e destruir Praga, Suvorov foi promovido a marechal de campo pela imperatriz russa, enquanto por toda a Europa o comandante russo ficou conhecido como «demónio sedento de sangue». Dizia-se que Suvorov ordenou a amputação das mãos de 6.000 nobres polacos. Na Polónia, os acontecimentos desse dia terrível são conhecidos como o «Massacre de Praga» (Rzeź Pragi).

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

O putlerista polaco foi brutalmente morto no cativeiro russo por ser um polaco

A pedagógica história do cidadão polaco/polonês Krzysztof Galos, brutalmente torturado e assassinado em cativeiro russo. Ironicamente, ele veio à Ucrânia para confirmar se «realmente havia uma guerra». Não estão totalmente claro como ele caiu nas mãos dos ocupantes russos, mas a sua morte um fa(c)to. 

«Meu tio não conhecia ninguém na Ucrânia. Ele negava constantemente que houvesse uma guerra de verdade acontecendo lá e dizia que era uma invenção da propaganda ucraniana», explicou a sobrinha do polaco/polonês, citada pelo jornal polaco/polonês Gazeta Wyborcza

Os POW ucranianos libertados que estavam no centro de detenção preventiva (SIZO Nr. 2) de Taganrog na época em que Galos foi levado para lá (verão de 2023) contaram a jornalistas que os executores russos ficaram eufóricos ao perceberem que haviam capturado um «polaco/polonês de verdade». Como psicopatas, eles literalmente começaram a competir em torturá-lo. Krzysztof era espancado todos os dias. Eles o espancaram com particular ferocidade simplesmente por ele só saber falar polaco/polonês e não dominar o russo. Durante os abusos, os guardas russos o insultavam, promentendo invadir a Polónia: «Vocês são os próximos — não fiquem relaxados, vocês perderam o medo, lá na sua Europa. Não relaxem! Nós vamos vós pegar!» 

Galos nunca recebia os cuidados médicos adequados, uma vez ele foi espancado no preciso momento em que um paramédico colocava a ligadura / enfaixava a sua cabeça! Naturalmente, nessas condições, o homem de 55 anos estava condenado e não durou nem um mês sob custódia russa. Após mais uma surra desferida pelos russos com marretas de madeira, Krzysztof sentiu-se mal, perdeu a consciência e foi retirado de sua cela, já à beira da morte. Seus companheiros de cela foram então forçados a assinar as declarações afirmando [não sendo médicos] que a morte do polaco/polonês se deu devido às «causas naturais». 

É revelador também que, quando, mais de dois anos depois, as autoridades polacas/polonesas souberam da morte de Galos, o lado russo ignorou todos os pedidos da Varsóvia. O corpo de Krzysztof ainda (Sic!) não foi devolvido, e sua família nunca recebeu qualquer confirmação oficial da sua morte. Este comportamento característico russo, tanto no tratamento dos POW/reféns civis vivos, quanto dos mortos tornou-se uma marca registrada da rússia moderna. O novo Gulag russo triturou mais uma pessoa e, claramente, obteve uma satisfação sádica adicional pelo fato de vítima ser um «membro da NATO/OTAN». 

Salve a sua vida e entrega-se às FAU: t.me/spasisebyabot

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