sexta-feira, setembro 20, 2019

Israelitas fazem o primeiro filme em hebraico sobre Holodomor ucraniano

“Com este filme, quero quebrar o silêncio em Israel sobre Holodomor”, disse o ator, diretor e produtor israelita/israelense Dim Amor numa entrevista ao Ukrainian Jewish Encounter.

por: Shimon Briman (em Israel)

O filme está sendo filmado às custas próprias da “Academia de Artes Cénicas” – uma escola particular de Dim Amor de preparação de atores. Os seis principais atores (Alina Rubin, Tanya Tal Makhin, Ruslan Vilnitsky e outros) são cidadãos israelitas/israelenses, alguns dos quais nasceram na Ucrânia. O hebraico será o idioma do filme, também serão produzidas as legendas de outros idiomas. O guião também foi escrito em hebraico.

As filmagens de inverno ocorrerão em dezembro de 2019 na vila de Dukhanivka, no distrito de Konotop, na região de Sumy – no local foram encontradas casas autênticas com telhados de palha. Uma empresa ucraniana parceira fornecerá adereços e automóveis da década de 1930, além de artistas locais como extras.

A área de Sumy é a região nativa do criador deste filme, Dmytro Shatokhin. Dmytro, que foi chamado de “Dim-Dim” na sua família, nasceu em Konotop em 1984, estudou numa escola ucraniana local e se repatriou ao Israel aos dezassete anos. Em 2003-2006, ele serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF) na divisão de combate Givati. Após o serviço militar, o jovem estudou nas escolas de arte cénica de Yoram Levinstein e de Yuval Karmi. Ele adotou o pseudónimo Dim Amor, no qual seu sobrenome profissional escolhido é “Roma”, a sua cidade preferida, soletrada de trás para frente.

Em 2016-2019, um grupo de jovens artistas israelitas/israelenses da “Academia de Artes Cénicas” de Dima Amor passou por ensaios de teatro em Kyiv. Uma nova viagem que oferece um estágio profissional para israelitas/israelenses na Universidade Nacional de Cultura e Artes de Kyiv ocorrerá em fevereiro de 2020.
Jovens artistas israelitas/israelenses durante o ensaio de teatro em Kyiv
O filme será chamado de “Fome”. O enredo contará a história de uma família – a mãe com seis filhos e os horrores da fome que caem sobre eles.

É interessante notar que imediatamente após o anúncio do início das filmagens o diretor recebeu mensagens dos institutos de teatro de Moscovo e de São Petersburgo sobre o fim de todo tipo de cooperação com a sua Academia. Muitas figuras teatrais russas o removeram dos seus amigos na rede social do Facebook.
A jornalista judia que alertou o mundo do Holodomor na Ucrânia
Dim Amor espera que o filme seja exibido em 2020, e não apenas nos cinemas israelitas/israelenses e no festivais de cinema. O jovem diretor enfatizou: “Eu realmente quero que o filme seja exibido no Knesset. Espero que nosso filme seja capaz de influenciar a posição dos parlamentares israelitas/israelenses na questão de reconhecer Holodomor [ucraniano] como genocídio”.

Ler mais em inglês ou ucraniano.

sábado, setembro 07, 2019

Oleg Sentsov é libertado e está na Ucrânia!

O realizador Oleg Sentsov, POW ucraniano, falsamente condenado aos 20 anos de prisão na Rússia, retornou à Ucrânia como parte de uma troca de prisioneiros entre Ucrânia e Moscovo.

A transmissão ao vivo do aeroporto de Boryspil, onde os prisioneiros ucranianos são recebidos pelo presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, é realizada pelo canal de televisão Hromadske.



Falando no aeroporto, Zelensky disse que procuraria libertação adicional de todos os prisioneiros ucranianos em poder russo.

A troca em 7 de setembro ocorreu de acordo com o esquema “35 por 35”. Como parte do acordo Ucrânia libertou o editor-chefe da delegação ucraniana da agência noticiosa russa RIA Novosti Kirill Vyshinsky e Volodymyr Tsemakh – a testemunha chave no caso do abate russo do Boeing da Malásia no verão de 2014.
Comandos ucranianos capturam separatista envolvido na tragédia do Boeing MN17
É de notar que em julho de 2019 os comandos ucranianos capturaram Volodymyr Tsemakh (o chefe da “defesa antiaérea” das forças russo-separatistas da cidade de Snizhne) na retaguarda segura dos separatistas e o trouxeram para Ucrânia livre para ser julgado devido a sua participação direta no abate do Boeing-777 do voo MH-17, ocorrido em 17 de julho de 2014.

quinta-feira, agosto 29, 2019

Donbas escolheu ser a parte integral da Ucrânia

A maioria dos moradores de Donbas considera a sua região como parte da Ucrânia. O estudo de opinião foi efetuado pelo Centro alemão dos Estudos Internacionais e da Europa Oriental (ZOiS) entre fevereiro à março de 2019.

Segundo os seus resultados, 54,5% dos respondentes consideram a sua região como parte da Ucrânia: 31% deles querem uma maior autonomia dentro da Ucrânia e 23,5% desejam voltar à ser as regiões regulares (oblast) do país.

Apenas 18,3% querem fazer parte da federação russa e outros 27,3% aceitam isso, mas somente se a sua região teria o estatuto da região autónoma.
Conferir o estudo
Na parte da Donbas ucraniana mais de 95% dos seus moradores consideram a Donbas ocupada como parte da Ucrânia e apenas 2,3% dos respondentes gostariam de fazer parte da federação russa.

Nas regiões ocupadas o estudo da ZOiS era feito via telefone e na Ucrânia livre através da entrevista pessoal, no total foram inquiridos 2.400 respondentes (1.200 na Donbas livre e outros tantos na região ocupada).

quarta-feira, agosto 28, 2019

Projeto Ukraïner: Ucrânia vista à partir do céu

O projeto ucraniano Ukrainer.net durante 3 anos (!) viajou pela Ucrânia e produziu um vídeo de 35 minutos onde mostra todas as regiões ucranianas à partir do céu:
Saber mais e até apoiar o projeto: https://ukrainer.net/donate

segunda-feira, agosto 26, 2019

Cristiano Lima completou 6 meses da cadeia russa

Completando 6 meses da cadeia russa, Cristiano Lima recebeu a notícia desencorajadora – o seu pedido de asilo foi, pela 2ª vez consecutiva, oficialmente recusado. Já Rafael Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão e seguiu para o local da punição numa colónia penal ucraniana. 

O nosso blogue segue de perto as peripécias do estalinista brasileiro Cristiano Lima, preso na Rússia. Detido, desde 24 de março na fronteira com a Finlândia, devido a sua permanência ilegal no país, desde o dia 25 de março ele esta preso no Centro de detenção dos emigrantes ilegais em Gatchino, onde aguarda a deportação compulsiva da Rússia, com a proibição de voltar ao país durante 5 anos.

Na cadeia, Cristiano escreveu uma carta ao presidente russo, pedindo a concessão do asilo, carta que ficou sem qualquer resposta conhecida. O seu advogado está preparando o 3º apelo ao Tribunal Supremo e 2º, no caso da recusa do asilo político. Todos os apelos anteriores foram oficialmente recusados pela justiça russa.    

Morando atualmente na cadeia, Cristiano continua à pagar o aluguer/aluguel do apartamento russo, onde estão os seus parcos pertences. Neste momento, o estalinista brasileiro está economicamente falido, além disso, o seu cartão de crédito foi apreendido pela justiça russa e bloqueado pelo banco.

Dado que os seus simpatizantes russos estão tentar amealhar 50.000 rublos (cerca de 757 dólares), isso indica que após a perca do último recurso, Cristiano será compulsivamente deportado ao Brasil. Algo que ele pretende evitar à todo o custo: devido às alegadas ameaças e devido a dificuldade de suportar a realidade: ser expulso, de forma bastante inglória, de um país que ele venerava tanto.

Evitando, ao todo custo, voltar ao Brasil, Cristiano Alves apresentará ao Tribunal Supremo russo um último recurso que lhe custará, no mínimo, mais 45 dias de cadeia russa.

... o caso Rafael Lusvarghi
No dia 31 de julho de 2019, o Tribunal de Recursos da cidade ucraniana de Dnipro efetuou a audiência sobre o recurso do advogado do Rafael Lusvarghi. Durante a audiência, o cidadão brasileiro interpôs uma ação para recusar o provimento ao recurso e o tribunal encerrou o processo de apelação, informou a Procuradoria (MP) de Kyiv.

Assim, a sentença, aprovada pelo tribunal da instância anterior, transitou em julgado (tornou-se válida). Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão sob a acusação de envolvimento em atividades de organizações terroristas “ldnr” e grupos armados não previstas na lei ucraniana. A decisão do tribunal de recurso não está sujeita a apelação. Após a audiência, o réu Rafael Lusvarghi segui para o local da punição (uma colónia penal), informa a TV ucraniana TSN.ua

Anteriormente, mo dia 2 de maio de 2019, o Tribunal Interdistrital de Pavlohrad deu como provada a participação do Rafael Lusvarghi em atividades de organizações terroristas e dos grupos armados não previstas na lei e condenou-o aos 13 anos de prisão efetiva com confisco de todos os bens, informou a Rádio Svoboda.

domingo, agosto 25, 2019

A Marcha dos Defensores da Ucrânia: Kyiv, 24.08.2019

O novo presidente da Ucrânia prescindiu da tradicional parada militar do Dia de Independência da Ucrânia, substituindo-o por um show musical. Em resposta, os militares, veteranos, voluntários organizaram a Marcha dos Defensores da Ucrânia, uma verdadeira parada daqueles que defenderam e defendem a independência da Ucrânia.

Logo no início da coluna marcharam as crianças com os retratos dos pais que deram as suas vidas pela liberdade, soberania e Independência da Ucrânia...
A marcha em Kyiv vista pela imprensa americana
"Caixinha" que representava a cidade de Kyiv
No momento mais difícil para Ucrânia, essas pessoas vieram em sua defesa. O que aconteceu em Kyiv foi indescritivelmente belo. Aqueles que participaram em marcha  combatentes, veteranos, voluntários, médicos, capelães. E aqueles que vieram para lhes agradecer e os apoiar – todos eram maravilhosos!
Região de Donetsk
Região de Rivne
Região de Luhansk com a bandeira do batalhão "Aydar" 
Os participantes vieram de todos os cantos da Ucrânia, desde Donbas livre ao Lviv, vieram por sua própria conta, para uma ação organizada pela sociedade civil ucraniana. Na marcha participaram mais de 15.000 pessoas, apoiados por mais de 100.000 ucranianos (polícia de Kyiv confirma oficialmente cerca de 50.000 pessoas).
A marcha começou em frente da Universidade Taras Shevchenko e depois se dirigiu pelo boulevard Shevchenko através da avenida Khreschetyk até a praça de Independência de Kyiv (Maydan).

Tocava o hino da Ucrânia e várias outras lindas canções nacionais,  populares e militares.

Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!
Morte aos inimigos!
Ucrânia acima de tudo!

A organização do evento foi impressionante – sem orçamento oficial, sem participação do Estado – zero restrições e proibições, zero conflitos, com a presença mínima de polícia e com a simpatia absoluta – absolutamente lindo.
É óbvio que a Marcha dos Defensores da Ucrânia à partir de hoje tornou-se o principal evento do Dia da Independência por muitos anos.
Os capelães das Forças Armadas da Ucrânia

Ver vídeo de um momento da marcha: