segunda-feira, maio 20, 2019

Showtime para Volodymyr Zelensky, o falso presidente da Ucrânia

O novo líder do país vai trocar entretenimento por altos cargos amanhã, mas sérios desafios aguardam o ator cómico. A britânica The Sunday Times arrasa o novo presidente da Ucrânia.

Quando o ator cómico que seria inaugurado amanhã como presidente da Ucrânia decidiu escolher o rosto público de sua nova administração, ele o fez num estilo tipicamente não ortodoxo: através de uma mensagem na rede/mídia social.
Devido altura baixinha do presidente eleito, no Parlamento da Ucrânia aparentemente
estão à subir o degrau na tribuna, onde ele fará o seu juramento solene...
Mais de 3.000 pessoas se inscreveram para o posto do porta-voz de Volodymyr Zelensky. Os 50 melhores candidatos foram convidados a enviar vídeos de si mesmos, disse Olga Rudenko, que trabalha no departamento de marketing da Kvartal 95, a produtora de televisão de Zelensky, e está ajudando a selecionar o vencedor. Temos que assistir a todos eles, escolher os melhores 10 e mostrá-los a ele”.

Outros cargos governamentais poderão ser preenchidos da mesma maneira.

domingo, maio 19, 2019

Os retratos do Grande Terror comunista na Ucrânia

Maria Bahliy-Ivanenko nasceu em 1912 na região de Kyiv. Tinha apenas 25 anos, quando foi fuzilada em 4/02/1938, decisão da “tróica” de NKVD, acusada da “atividade de espionagem à favor do governo do Japão”. Maria era simples costureira em Kyiv.

Cada ano, no terceiro domingo de maio Ucrânia e os ucranianos recordam as vítimas do Grande Terror comunista. As repressões políticas — são perseguições de uma pessoa ou grupo na sociedade por razões políticas, a fim de restringir ou impedir a sua capacidade de participar na vida política de uma sociedade, reduzindo assim as suas posições entre os seus concidadãos.

Hoje, podemos não sentir, ao nível individual, as repressões da época da União Soviética, mas estamos precisamente todos os dias lidando com suas consequências como país, como comunidade e como a nação. O regime bolchevique matou centenas de milhares de pessoas que deveriam viver e criar. Perda de Independência política transformou-se aos ucranianos no exílio, tortura e balas na nuca. Para o resto, foi um medo constante de se comunicar, unir, ter fé ou confiar.

Há 81 anos, neste dia em Kyiv, em 19 de maio de 1938, nas prisões do NKVD foram fuziladas 563 pessoas. Os fuzilamentos, por via de regra, conduziram-se no pátio de prisões, em porões do NKVD ou imediatamente antes do enterro. Inicialmente, nos cemitérios eram designadas áreas especiais para os enterros em massa. No auge das repressões comunistas, a fim de ocultar a escala dos crimes, NKVD mudou essa prática. Nos pomares, parques, florestas suburbanas, eram escavadas valas comuns, muitas vezes os cadáveres eram cobertos pelo cal.
 
Segundo os historiadores, na área secreta do NKVD na floresta de Bykivnya, o número total de mortos e executados pode ser de 20 à 100 mil pessoas. Aqui estão sacerdotes e estudiosos, camponeses e operários, artistas e escritores, atores e engenheiros, compositores e funcionários públicos. Suas vidas foram brutalmente interrompidas como parte da implementação do mais um “plano” de Estaline/Stalin de construção do paraíso comunista. Os túmulos na floresta de Bykivnya são comuns, mas não são anónimos.
As comunidades e nações desenvolvidas diferem de outros pela sua capacidade de lembrar as páginas mais terríveis de sua história e não se esconder delas, mas se fortalecer à partir delas. O poder de divulgar a verdade sobre aqueles que já não podem fazer isso sobre si mesmos. O poder de proteger o outro e o mundo do mal.
O Presidente e a 1ª Dama, Petró e Maryna Poroshenko
Este é o nosso passado. Que este nos torne mais fortes. Vamos se lembrar.

Instituto Ucraniano de Memória Nacional (UINP).

A história do soldado russo que participou na invasão da Ucrânia

Vyacheslav (nome fictício) é um ex-soldado russo de 21 anos, com contrato da 76ª Divisão aerotransportada de Pskov, que participou na invasão da Ucrânia em agosto de 2014. Sobreviveu, foi condecorado, mas preferiu sair do exército russo. Agora contou ao jornal russo Novaya Gazeta toda a sua história.

— Após exercícios na região de Pskov — fomos levados ao aeródromo de Pskov e de lá ao Rostov. Em Rostov, o comandante do grupo disse, que estamos indo ao Luhansk. […] Disseram que temos que acompanhar a coluna com ajuda humanitária.

— Ainda em Rostov nos disseram retirar [os sinais de identificação]. Dos telemóveis retirar as baterias. Pois através dos telemóveis poderiam nos detectar. Qualquer um. Inimigos.

— Éramos o grupo tático de combate — ​90 pessoas.

—  Tínhamos armamento abundante. Segundo o estatuto. Eu tinha espingarda/fuzil de assalto. Possuimos [blindados ligeiros] BMD, [camiões/caminhões] KamAZ. Os de artilharia tinham [canhões autopropulsados] «NONA». Equipamentos novos. Ninguém explicava nada. Nenhum de nos perguntava nada. Não fomos preparados para aquilo que vinha à seguir. Mas sabíamos disparar, éramos preparados para a guerra. Entendíamos onde estávamos e o que está à acontecer. Não discutíamos isso, pensávamos apenas em voltar vivos. Muitos tinham esposas, filhos. Prometeram nos o pagamento extra. 50 dólares por cada dia.

— Uma semana depois disseram que devíamos atacar duas aldeias, um deles não esquecerei nunca – Novosvitlivka/ Novosvetlovka.
A moradora de Novosvitlivka - Svitlana no seu apartamento atingido pelo fogo de morteiros, região de Luhansk, 2014,
foto: Anna Artemyeva / «Novaya Gazeta»
— Nos disseram que tínhamos que ... por assim dizer aniquilar ... estes que chamávamos de “banderistas” [exército ucraniano ou mais possivelmente as unidades voluntárias, batalhões “Aydar”, “Azov”, “Donbas”, etc.].

— Eles não nos atacaram. Mas nos recebemos uma ordem assim.

— Percebemos claramente [que estamos agir no território de um outro país]. Mas era uma ordem. Na aldeia [de Novosvitlivka] metade do grupo foi ferida, quase todos de estilhaços de morteiros. Usamos [os blindados ligeiros] BMD contra aldeia, disparávamos os canhões. O combate demorou cerca de uma hora. Nos disparamos, contra nós dispararam, matamos uns, outros fugiram. Quem era, muito sinceramente não sei, não capturamos ninguém vivo.
Os moradores de Novosvitlivka, região de Luhansk, 2014, foto: Anna Artemyeva / «Novaya Gazeta»
— Depois daquele combate por dois dias ficamos naquela aldeia, fomos reunidos para ir até aeroporto de Luhansk. Mas não chegamos até lá, paramos nas proximidades, no dia seguinte nos disseram: acabou, vamos para casa. Não tivemos outros combates. Voltamos ao Rostov, depois à casa.

— Vós pagaram aqueles 50 dólares extra que prometeram?
— Não. Disseram que não estávamos lá. Simplesmente se perdemos quando estávamos nos exercícios militares. E não pagaram nada. Não estava no nosso alcance conseguir que nos paguem. Depois perdemos o prémio, quase 20.000 rublos (308 dólares). Devíamos receber 50 dólares diários, mais o prémio, e não recebemos nada.

— Os feridos também não receberam?
— Os feridos receberam 1 milhão de rublos (15.440 dólares). Nas outras unidades as esposas, mães dos mortos também receberam 1 milhão de rublos.

— Como aconteceu que você deixou exército?
— Depois disso tudo – deixei. Queriam nos mandar pela segunda vez. Muitos recusaram. Depois acabaram por aceitar. Outros, como eu, não aceitaram. Disseram nós fazer o relatório. Escrevi e sai [do exército].

— Contra quem e porque vocês sentiam ódio? Foram vocês que vieram ter com os “banderistas”, eles não foram ter convosco.
— Somos o que? Recebemos a ordem, somos serviçais.

— Mas porque este ódio?
— Sei lá… Outros simplesmente gostavam [...] Principalmente um. Ele era assim ... muito político. Permanentemente tocava os temas políticos. Geralmente eram apenas os palavrões. Que estes ucranianos… simplesmente se devia os queimar.

— Você entendia que poderia morrer nos arredores de Luhansk? Pela glória, pela Pátria, mesmo pelo dinheiro?
— Poderia morrer por uma coisa de nada. Mas entendi isso apenas depois. Simplesmente tínhamos a ordem. Em resultado, nem a glória, nem “pela Pátria”, nem o dinheiro.

sexta-feira, maio 17, 2019

O terror comunista no sul da Ucrânia: resultados e prática


https://allin777.livejournal.com/391995.html
Em 1921 a CheKa de Odessa (futuros NKVD-MGB-KGB) publicou os resultados das suas atividades de 1920, que mostram que a polícia política do novo regime comunista fuzilou 38,8% de todos os cidadãos por si condenados (1.418 pessoas).
Original
Na época, os órgãos repressivos do novo poder comunista produziam a estatística abundante dos seus crimes, embora escondendo os documentos sob a marca “absolutamente secreto”.
Original
Olhando para a demografia, podemos verificar que em 1939 viviam na região de Odessa 2.079.000 pessoas (em 2015 – 2.396.493 pessoas). A título de exemplo, em 1940 em São Paulo viviam 7.180.316 pessoas e em Portugal 7.722.152 pessoas (é de notar, que os órgãos repressivos soviéticos condenavam as pessoas por crimes tão graves como: ausência de uma ocupação). 
Original
Só na região de Odessa e num único ano de 1920, a Cheka de Odessa fuzilou 1.418 pessoas (ou 38,8%) de todos os cidadãos por si condenados (exercendo as funções de juiz, carcereiro e carrasco), número cerca de 2,5 superior à de todas as vítimas dos governos autoritários brasileiros no século XX.

Fonte  

A primeira grande derrota do presidente Zelensky

https://prm.ua/narodniy-front-viyshov-z-parlamentskoyi-koalitsiyi
O grupo parlamentar “Narodniy Front” (Frente Popular) saiu da coligação governamental, formada no Parlamento ucraniano. Bloqueando, dessa forma, e definitivamente, qualquer possibilidade de dissolver Rada Suprema da Ucrânia.

“Nós declaramos a saída da coligação governamental, a suspensão de suas atividades à partir de 17 de maio de 2019 e [lançamos] a iniciativa de formar uma nova coligação com uma nova agenda”. Além disso, a Frente Popular diz que “insta os grupos parlamentares da ideologia patriótica começar imediatamente as consultas sobre a preparação de um novo acordo de coligação com o novo plano de acção” – declarou o líder do grupo parlamentar da “Frente Popular” Maxim Burbak, durante o seu discurso no parlamento ucraniano (fonte).

Burbak enfatizou que agora, de acordo com a legislação ucraniana, o Parlamento tem 30 dias para criar uma nova coligação governamental. Durante este período, o presidente recém-eleito, Volodymyr Zelensky, não poderá dissolver o Parlamento. Quando os 30 dias terminarem, o presidente não pode dissolver o Parlamento na mesma, porque o Parlamento ucraniano não pode ser dissolvido seis meses antes do fim do seu mandato. Se tomarmos como a referência a data do juramento dos deputados desta legislatura – 27 de novembro de 2014 – o último dia legal para dissolução do Parlamento é 27 de maio de 2019.

Blogueiro: neste momento a aprovação do partido virtual do presidente eleito “Sluga Narodu” (Empregado/Servidor do Povo) é bastante alta: 39% entre os que decidiram o sentido do seu voto e tencionam votar e 29% entre todos os eleitores. Daqui à 6 meses estes números poderão ser (e possivelmente serão) bastante diferentes. Tudo será decidido nos primeiros 100 dias da governação do novo presidente que, para já, perdeu a sua primeira e decisiva batalha: não conseguirá dissolver o Parlamento e não terá uma legislatura favorável. 
http://ratinggroup.ua/getfile/358/pr_16_05_2019__smc-uisr-gr__present.pdf

terça-feira, maio 14, 2019

A libertação de Lviv da ocupação russa em 12 fotos

Ucrânia Ocidental (Galiza) se tornou um dos palcos principais da I G.M., na sua frente leste. Em setembro de 1914, a cidade de Lviv foi ocupada pelo exército czarista russo, começando o longo período da ocupação.
As ovações às unidades austríacas na atual rua Horodotska, 22.06.1915
General Eduard von Böhm-Ermolli com o seu estado-maior, 22.06.1915
Exército austríaco na atual avenida Svoboda (Liberdade), 22.06.1915
Exército austríaco é saudado pelos moradores de Lviv, 22.06.1915
Em 10 meses incompletos sob a ocupação militar russa a cidade sofreu inflação, repressões contra os intelectuais ucranianos, pogroms judeus, buscas coercivas na Catedral de São Jorge (igreja greco-católica ucraniana), tentativa de mudar o trânsito rodoviário à direita, toque de recolher obrigatório, tentativa de introduzir a “lei seca”, assédio religioso...
Militares e moradores da cidade de Lviv na praça Rynok, 22.06.1915
As unidades austro-húngaras na atual avenida Svoboda (Liberdade), 22.06.1915
Militares bósnios do exército austro-húngaro, na atual rua Doroshenko, junho de 1915
Militares bósnios do exército austro-húngaro, na atual rua Doroshenko, junho de 1915
A cidade, que vivia de acordo com normas europeias, não aceitava as “inovações” russas e vivia com a expectativa de libertação...
O exército austro-húngaro é saudado pelos moradores de Lviv, atual praça Halytska, 22.06.1915
Militares austro-húngaros na atual rua Knyaz/Conde Roman, 22.06.1915
A recepção do 2º Exército na praça Mariiska, 22.06.1915
A recepção do 2º Exército na praça Mariiska, 22.06.1915
Até que no dia 22 de junho de 1915, na hora de almoço, os dois corpos (vienense e de Budapeste) do 2º Exército Austro-Húngaro sob o comando do General Eduard von Böhm-Ermolli entraram na cidade de Lviv, recebidos em festa pelos seus habitantes (photo-lviv.in.ua).

domingo, maio 12, 2019

Submarino soviético K-21, que perseguia e afundava os barcos pesqueiros da Noruega

Em abril de 1943, o submarino soviético K-21, comandado pelo capitão Nikolai Lunin, atacou vários e afundou dois barcos pesqueiros, desarmados e pertencentes aos pescadores da Noruega, país sob a ocupação nazi desde 1940.
  
No dia 12 de abril de 1943, K-21 aproximou-se à um grupo de barcos pesqueiros noruegueses, ao ocidente da ilha Senja, uma área muito rica em recursos pesqueiros na região de Tromsø.
  
Os noruegueses estavam à pescar sem receios, dado que as autoridades alemãs permitiam a pesca costeira.

Após avisarem o submarino soviético, os pescadores içaram a bandeira da Noruega, mostrando a pertença dos seus barcos. Apesar disso, os marinheiros soviéticos abriram o fogo contra pescadores desarmados, usando o canhão do submarino e mesmo as armas ligeiras e até pessoais.
O canhão de 100 mm na proa de K-21 em exercícios de fogo
O primeiro barco atcado foi Havegga, com tripulação de 7 pessoas. O seu capitão parou a máquina, içando a bandeira norueguesa, para mostrar a nacionalidade do barco. Em resposta, K-21 abriu o fogo de canhão contra Havegga, danificando a proa, matando três e ferindo três outros pescadores. Depois disso, a tripulação soviética atacou os pescadores sobreviventes, usando as armas ligeiras, ferindo, com a gravidade, o capitão do barco. K-21 aproximou-se tão perto de Havegga, que os oficiais soviéticos (incluindo capitão Lunin) atiravam contra os pescadores, usando as suas armas pessoais.

O barco Baren, com tripulação de 6 pescadores, que estava próximo, foi obrigado, pelo fogo da metralhadora do K-21 de se afastar, dirigindo-se ao alto mar.

O barco Øistein estava mais longe e não tinha compreendido a situação, achando que o submarino soviético estava pedir algum peixe. Os pescadores foram se aproximar, quando numa distância de cerca de 100 metros K-21 alvejou Øistein com o seu canhão de 100 mm, danificando proa e matando 5 pescadores.
Barco pesqueiro Øistein (à direita) antes do ataque soviético | arquivo
Barco pesqueiro Øistein após o ataque soviético | arquivo
A tripulação de Skrein (GRT 70) foi aprisionada, sob ameaça de armas. Ultimo atacado foi o Frøy (GRT 40), que estava puxar a rede. O barco foi alvejado com fogo de canhão e afundado, em resultado um membro de tripulação foi ferido e um morto.
A tripulação de Skrein em Murmansk na URSS | arquivo
Todos os pescadores sobreviventes, abandonados pelos soviéticos no alto mar (!), foram resgatados pelo barco pesqueiro Juda, único que não foi alvo do corsário soviético.

Em 1979, na entrevista ao jornal norueguês Aftenposten, o capitão sobrevivente da Havegga, Sr. Alver caraterizou os marinheiros soviéticos de seguinte maneira:

Foi um jogo sádico, que o capitão do submarino adorou. Essa é a minha opinião. Temos repetidamente solicitado esclarecimentos às autoridades soviéticas. Não recebemos nenhuma resposta. Não houve sequer um simples pedido de desculpas... Se eu encontrasse novamente este capitão de submarino russo, eu colocaria uma faca nele, mesmo que nos encontrássemos na igreja.

Além dos pescadores noruegueses, nessa história houve uma outra vítima – o marinheiro soviético Alexey Labutin de apenas 18 anos, que servia no K-21 como estafeta.
Marinheiro Labutin no cativeiro alemão | arquivo
...Ao conduzir o fogo de artilharia contra o quarto barco às 15h17, escreveu Lunin no seu relatório, as ondulação levou bordas fora o carregador de obuses do canhão de 100 mm na proa – o marinheiro-estafeta da Marinha Vermelha Labutin. Ouvindo o grito “Homem no mar”, eu, como aqueles presentes na ponte, o vi junto à borda da popa do lado de estibordo, depois ele foi coberto por uma onda, e não mais apareceu na superfície. O marinheiro caído – Labutin – considero como afogado.

Era uma mentira grosseira.

Lunin e a tripulação soviética simplesmente abandonaram o seu camarada de armas, que foi à sua primeira missão de combate, praticamente sem saber nadar.
Labutin oficialmente dado como morto pelo capitão do K-21 | arquivo
Mas o marinheiro Labutin sobreviveu, salvo pelos pescadores noruegueses, os mesmos que ele ajudava à matar e afundar. O marinheiro foi levado a bordo, recebeu as roupas secas, os noruegueses lhe ofereceram o café. Ele recusou, temendo que fosse o veneno (Sic!) Na terra, Labutin foi entregues às autoridades alemãs de ocupação, levado para um campo de prisioneiros de guerra em Tromsø, onde trabalhou como estivador no porto local.
Labutin no cativeiro alemão | arquivo
No inverno de 1944, os membros da resistência norueguesa levaram Labutin e alguns outros POW´s para a Suécia e, a partir daí, da Finlândia para a União Soviética. Labutin foi novamente mobilizado para o Exército Vermelho, participou na batalha de Koenigsberg, foi ferido e deixou o serviço militar em 1948.

Imediatamente após a guerra, ele escreveu uma carta ao seu ex-comandante, perguntando por que razão foi abandonado à morte no mar. O futuro almirante soviético Lunin não se dignou de lhe responder...

Os pescadores de Skrein foram levados à força para Murmansk. Após as interrogações pelo NKVD, apenas um deles, jovem Rasmus Ridningen de 17 anos concordou em colaborar com os soviéticos. Ele aprendeu russo, se tornando o operador de rádio e voltou à Noruega em 1945. Seis outros pescadores foram condenados aos diversos termos prisionais nos campos de concentração soviéticos. Três deles voltaram à Noruega em 1947, três outros morreram no GULAG.
Os pescadores resgatados pela Noruega com a vida do GULAG soviético
“Do barco de pesca perto da Senja ao campo № 99 de Karaganda e Sibéria”:
a história de três pescadores noruegueses sobreviventes
Após o fim da II G.M., os pescadores feridos e as famílias dos mortos em Gryllefjord esperavam que o comando soviético se desculpasse e explicasse a ação do comandante do K-21, mas isso nunca aconteceu.

O próprio Lunin explicou as suas ações pelo fa(c)to de que os pescadores noruegueses entregavam a maior parte das suas capturas aos alemães, o que significa, na lógica soviética, que os noruegueses eram cúmplices dos nazis.
O capitão Nikolai Lunin junto ao periscópio do seu submarino
Além disso, Lunin explicou que tinha uma ordem para afundar e destruir todos os barcos e navios nas áreas de atuação do seu submarino. No total foram-lhe atribuídas 13 vitórias: dois navios sob bandeira alemã e 11 barcos pesquiros noruegueses desarmados.
Rasmus Olsen é um dos moradores de Gryllefjord junto à placa memorial, colocada em 1992 em memória dos pescadores noruegueses mortos pelos soviéticos no mar e no GULAG. Ele tinha apenas nove anos quando o seu pai foi morto por submarinistas soviéticos de K-21.

Fonte1; Fonte2 e Fonte3