Uma análise dos registos de 10.000 soldados russos cujos corpos foram encontrados pelas equipas de evacuação entre 2025 e 2026 mostrou que, a descoberta dos corpos dos soldados russos mortos ocorreu com um atraso significativo, em média 150 dias após as suas mortes no campo de batalha. A declaração jurídica da morte, na ausência do corpo físico, ocorreu, em média, 236 dias depois.
Nos últimos 30 dias os nomes de 22.358 soldados russos mortos foram adicionados à base de dados. Este aumento significativo não está diretamente relacionado com a situação na frente de batalha. A maioria dos nomes adicionados recentemente, ou seja, 18.657 indivíduos, são de pessoas que estavam desaparecidas há muito tempo, ou cujos corpos foram encontrados pelas equipas de evacuação em 2025-2026. Alguns destes soldados morreram em combate ainda em 2022, mas a maioria foi morta em 2025.
Consegue-se confirmar as mortes destes soldados com base em dados abertos de registos estatais russos: especificamente, o registo de óbitos e decisões judiciais publicadas que reconhecem, juridicamente, a morte dos indivíduos como mortos em combate, mesmo na ausência física dos seus corpos.
Os registos de óbitos militares no registo de inventário dos herdeiros confirma essencialmente o óbito de uma pessoa: documenta os pedidos de herança feitos pelos familiares do falecido. Consequentemente, os militares desaparecidos cujos nomes constam do registo ou já foram encontrados ou foram declarados mortos. A diferença entre as datas em que uma pessoa foi morta e a data em que foi registado o seu óbito demonstra o atual atraso na confirmação do óbito de um militar russo na linha da frente.
Existem vários motivos para esta tendência:
Durante os dois primeiros anos da guerra, o número de militares listados como desaparecidos em combate foi relativamente baixo. O aumento acentuado do número de desaparecidos em 2024-2025 deve-se principalmente à natureza mutável das operações de combate.
A utilização generalizada de drones de reconhecimento e ataque, combinada com fogo de artilharia e colocação de minas, torna praticamente qualquer movimento perto da linha da frente perigoso, incluindo tentativas de evacuar feridos e mortos.
Os investigadores Jack Watling e Nick Reynolds, do Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI) britânico, observam no seu relatório que a evacuação de feridos exige agora frequentemente uma operação separada e cuidadosamente preparada. Isto requer esperar pela escuridão, nevoeiro ou chuva forte. As tentativas de chegar rapidamente aos feridos e mortos podem levar a mais baixas entre aqueles que realizam estas operações.
Outro motivo são as múltiplas tentativas do lado russo para avançar em «zonas cinzentas». O analista militar norte-americano Michael Kofman observa que, desde 2025, as tropas russas têm tentado avançar cada vez mais em grupos de um ou dois soldados. Nestas condições, os corpos dos mortos permanecem na zona neutra durante muito tempo, fora do controlo de ambos os lados.
A situação em 2026
Desde o início de 2026, BBC/Mediazona encontraram os dados sobre a morte de mais de 90.000 militares russos. No entanto, as perdas de 2026 representam menos de 10% desse total, sendo que o restante das perdas confirmadas ocorreu entre 2022 e 2025.
Até o início de outubro, foram conhecidos os nomes de apenas 7.854 militares russos que morreram em 2026 (alguns outros milhares russos possuem as datas de morte desconhecidas, pelo que ainda não possível atribuir as suas mortes a um ano em concreto).
Quais são os números reais de baixas russas?
As perdas reais do lado russo são superiores ao número de mortos cujos nomes podem ser confirmados por fontes abertas. Segundo os especialistas militares, a análise dos cemitérios russos, memoriais de guerra e obituários pode reflectir entre 45% e 55% do número real de mortos.
Nem todas as mortes são divulgadas publicamente. Além disso, os corpos de um número significativo de militares russos mortos permanecem no campo de batalha. As tentativas de os evacuar representam um sério risco para os sobreviventes, principalmente devido à ameaça de ataques com drones.
Com base nas estimativas dos especialistas, o número real de mortos de cidadãos russos pode situar-se entre 483.695 e 591.182.
Uma análise dos obituários e publicações de 2022 sobre os soldados desaparecidos das ditas «repúblicas populares l/dnr» sugere que entre 21.000 e 23.500 separatistas morreram até ao final de 2022.
Depois de analisar imagens de satélite e fotografias oficiais do novo memorial de guerra construído na Coreia do Norte, o Serviço Coreano da BBC identificou os nomes de 2.304 militares coreanos que combateram ao lado das forças russas e morreram entre 2024 e 2025.
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| Uma pequena parte de tumbas dos norte-coreanos mortos em Kursk em 2024-25 |
Assim, com base nos dados recolhidos, o total de baixas das forças russas pode variar entre 506.999 e 616.986 militares.




















































