quinta-feira, agosto 29, 2019

Donbas escolheu ser a parte integral da Ucrânia

A maioria dos moradores de Donbas considera a sua região como parte da Ucrânia. O estudo de opinião foi efetuado pelo Centro alemão dos Estudos Internacionais e da Europa Oriental (ZOiS) entre fevereiro à março de 2019.

Segundo os seus resultados, 54,5% dos respondentes consideram a sua região como parte da Ucrânia: 31% deles querem uma maior autonomia dentro da Ucrânia e 23,5% desejam voltar à ser as regiões regulares (oblast) do país.

Apenas 18,3% querem fazer parte da federação russa e outros 27,3% aceitam isso, mas somente se a sua região teria o estatuto da região autónoma.
Conferir o estudo
Na parte da Donbas ucraniana mais de 95% dos seus moradores consideram a Donbas ocupada como parte da Ucrânia e apenas 2,3% dos respondentes gostariam de fazer parte da federação russa.

Nas regiões ocupadas o estudo da ZOiS era feito via telefone e na Ucrânia livre através da entrevista pessoal, no total foram inquiridos 2.400 respondentes (1.200 na Donbas livre e outros tantos na região ocupada).

quarta-feira, agosto 28, 2019

Projeto Ukraïner: Ucrânia vista à partir do céu

O projeto ucraniano Ukrainer.net durante 3 anos (!) viajou pela Ucrânia e produziu um vídeo de 35 minutos onde mostra todas as regiões ucranianas à partir do céu:
Saber mais e até apoiar o projeto: https://ukrainer.net/donate

segunda-feira, agosto 26, 2019

Cristiano Lima completou 6 meses da cadeia russa

Completando 6 meses da cadeia russa, Cristiano Lima recebeu a notícia desencorajadora – o seu pedido de asilo foi, pela 2ª vez consecutiva, oficialmente recusado. Já Rafael Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão e seguiu para o local da punição numa colónia penal ucraniana. 

O nosso blogue segue de perto as peripécias do estalinista brasileiro Cristiano Lima, preso na Rússia. Detido, desde 24 de março na fronteira com a Finlândia, devido a sua permanência ilegal no país, desde o dia 25 de março ele esta preso no Centro de detenção dos emigrantes ilegais em Gatchino, onde aguarda a deportação compulsiva da Rússia, com a proibição de voltar ao país durante 5 anos.

Na cadeia, Cristiano escreveu uma carta ao presidente russo, pedindo a concessão do asilo, carta que ficou sem qualquer resposta conhecida. O seu advogado está preparando o 3º apelo ao Tribunal Supremo e 2º, no caso da recusa do asilo político. Todos os apelos anteriores foram oficialmente recusados pela justiça russa.    

Morando atualmente na cadeia, Cristiano continua à pagar o aluguer/aluguel do apartamento russo, onde estão os seus parcos pertences. Neste momento, o estalinista brasileiro está economicamente falido, além disso, o seu cartão de crédito foi apreendido pela justiça russa e bloqueado pelo banco.

Dado que os seus simpatizantes russos estão tentar amealhar 50.000 rublos (cerca de 757 dólares), isso indica que após a perca do último recurso, Cristiano será compulsivamente deportado ao Brasil. Algo que ele pretende evitar à todo o custo: devido às alegadas ameaças e devido a dificuldade de suportar a realidade: ser expulso, de forma bastante inglória, de um país que ele venerava tanto.

Evitando, ao todo custo, voltar ao Brasil, Cristiano Alves apresentará ao Tribunal Supremo russo um último recurso que lhe custará, no mínimo, mais 45 dias de cadeia russa.

... o caso Rafael Lusvarghi
No dia 31 de julho de 2019, o Tribunal de Recursos da cidade ucraniana de Dnipro efetuou a audiência sobre o recurso do advogado do Rafael Lusvarghi. Durante a audiência, o cidadão brasileiro interpôs uma ação para recusar o provimento ao recurso e o tribunal encerrou o processo de apelação, informou a Procuradoria (MP) de Kyiv.

Assim, a sentença, aprovada pelo tribunal da instância anterior, transitou em julgado (tornou-se válida). Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão sob a acusação de envolvimento em atividades de organizações terroristas “ldnr” e grupos armados não previstas na lei ucraniana. A decisão do tribunal de recurso não está sujeita a apelação. Após a audiência, o réu Rafael Lusvarghi segui para o local da punição (uma colónia penal), informa a TV ucraniana TSN.ua

Anteriormente, mo dia 2 de maio de 2019, o Tribunal Interdistrital de Pavlohrad deu como provada a participação do Rafael Lusvarghi em atividades de organizações terroristas e dos grupos armados não previstas na lei e condenou-o aos 13 anos de prisão efetiva com confisco de todos os bens, informou a Rádio Svoboda.

domingo, agosto 25, 2019

A Marcha dos Defensores da Ucrânia: Kyiv, 24.08.2019

O novo presidente da Ucrânia prescindiu da tradicional parada militar do Dia de Independência da Ucrânia, substituindo-o por um show musical. Em resposta, os militares, veteranos, voluntários organizaram a Marcha dos Defensores da Ucrânia, uma verdadeira parada daqueles que defenderam e defendem a independência da Ucrânia.

Logo no início da coluna marcharam as crianças com os retratos dos pais que deram as suas vidas pela liberdade, soberania e Independência da Ucrânia...
A marcha em Kyiv vista pela imprensa americana
"Caixinha" que representava a cidade de Kyiv
No momento mais difícil para Ucrânia, essas pessoas vieram em sua defesa. O que aconteceu em Kyiv foi indescritivelmente belo. Aqueles que participaram em marcha  combatentes, veteranos, voluntários, médicos, capelães. E aqueles que vieram para lhes agradecer e os apoiar – todos eram maravilhosos!
Região de Donetsk
Região de Rivne
Região de Luhansk com a bandeira do batalhão "Aydar" 
Os participantes vieram de todos os cantos da Ucrânia, desde Donbas livre ao Lviv, vieram por sua própria conta, para uma ação organizada pela sociedade civil ucraniana. Na marcha participaram mais de 15.000 pessoas, apoiados por mais de 100.000 ucranianos (polícia de Kyiv confirma oficialmente cerca de 50.000 pessoas).
A marcha começou em frente da Universidade Taras Shevchenko e depois se dirigiu pelo boulevard Shevchenko através da avenida Khreschetyk até a praça de Independência de Kyiv (Maydan).

Tocava o hino da Ucrânia e várias outras lindas canções nacionais,  populares e militares.

Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!
Morte aos inimigos!
Ucrânia acima de tudo!

A organização do evento foi impressionante – sem orçamento oficial, sem participação do Estado – zero restrições e proibições, zero conflitos, com a presença mínima de polícia e com a simpatia absoluta – absolutamente lindo.
É óbvio que a Marcha dos Defensores da Ucrânia à partir de hoje tornou-se o principal evento do Dia da Independência por muitos anos.
Os capelães das Forças Armadas da Ucrânia

Ver vídeo de um momento da marcha:

28 anos de Independência da Ucrânia: desafios de hoje

Ucrânia celebrou ontem o seu 28º aniversário de Independência do Estado, conseguindo alcançar um desejo inabalável de liberdade, unidade espiritual e crença em uma vitória comum.

Apesar da agressão militar russa, as reformas ucranianas (sociais, políticas, económicas) são uma escolha consciente do povo ucraniano. Ucrânia hoje é um estado moderno com instituições funcionais e uma economia sustentável. Os ucranianos entendem que as reformas bem-sucedidas são chaves do futuro do país na Europa e na União Europeia. Neste aspeto até mesmo a agressão russa – não é um obstáculo para alcançar os objetivos, Ucrânia é um parceiro previsível e responsável na implementação de reformas e projetos conjuntos.

Após quatro anos da agressão e da guerra híbrida russa, Rússia continua ser uma ameaça não apenas à Ucrânia, mas à toda Europa Ocidental. Neste contexto Ucrânia luta e defende não apenas a sua própria independência e soberania nacional, mas também a liberdade e segurança de toda a Europa. Fechar olhos à agressão russa e convidar o país-agressor à retornar ao grupo G7 é esperar pela Rússia nas suas próprias fronteiras. Para parar agressão russa é necessário agir: apoiar Ucrânia; aplicar novas sanções ao Kremlin, manter e aprofundar as sanções antigas, etc.

Ucrânia não surgiu de nada após o colapso da União Soviética em 1991. Já em 1710 o país produziu um dos primeiros projetos da Constituição na Europa Central (Constituição do Pylyp Orlyk). Por isso a cooperação entre Ucrânia e Europa não é apenas uma escolha política, mas é uma escolha civilizacional, baseada na história e nos valores comuns.

Uma das maiores riquezas e orgulhos da Ucrânia é o seu povo, à viver na Ucrânia continental e na Diáspora. Cerca de 65 milhões de ucranianos em todo o mundo são um só povo, cujo principal valor é a liberdade.
Bósnia e Herzegovina, Sarajevo, 28/08/2019, foto: Oleksandr Fomenko
Celebrando o 28º aniversário da Independência da Ucrânia, importa dizer ao mundo que ucranianos, alguns dos quais, devido várias circunstâncias, conseguiram se vingar fora de sua pátria, dedicaram essas conquistas ao seu país de origem, permaneceram e permanecem como filhos e filhas fiéis da pátria dos seus antepassados.

Os ucranianos participaram ativamente da conquista do Espaço e no avanço tecnológico mundial (Sergei Korolev), estabelecendo recordes desportivos e criando obras-primas da cultura mundial (Hector Babenco).
Sergei Korolev: o prisioneiro do GULAG № 1442
Hoje, Ucrânia, que está experimentando mudanças rápidas sem precedentes em tempos difíceis e desafiadores em todo o mundo, orgulha-se de seu povo trabalhador, talentoso, dedicado e construindo um estado moderno onde todos são do mais alto valor.

sexta-feira, agosto 23, 2019

A história da Bandeira Nacional da Ucrânia

No dia 23 de agosto Ucrânia celebra o Dia da Bandeira Nacional. Hoje seguiremos a estória da bandeira ucraniana através dos séculos e séculos da história.

Não está muito claro, quando exatamente, o brasão de armas com um leão dourado escalando em um campo azul-celeste se fortaleceu no Principado da Galiza-Volyn. Mais provavelmente foi no século XIII. Desde que o emblema era azul e amarela, significa que as bandeiras também eram. Em todo caso, na batalha de Grunwald em 1410, os combatentes de Lviv já estavam lutando precisamente sob essas bandeiras. Desde então, o leão dourado em um campo azul, não desapareceu da Galícia ucraniana, não importando as bandeiras e emblemas que os governantes reinantes tentavam à impor. E eles, claro, imponham.

Os ucranianos tem uma bandeira de verão. É brilhante, bonita, parece um campo de trigo sob um céu azul profundo. Talvez seja por isso que todas as datas precisamente conhecidas de sua história são datas de verão.
Tamanho da bandeira não importa, apenas pessoas e significados...
Durante a Revolução dos Povos de 1848-49 no Império Austríaco, foi sob a bandeira azul-amarela que marchavam os manifestantes ucranianos. Bandeira era nova para eles – como, alias, as próprias revoluções. Outra coisa é o brasão familiar com um leão escalando. Mas a bandeira criou raízes quase instantaneamente. Foi com essa bandeira que os ucranianos foram às barricadas e foi essa bandeira azul-amarela que foi pendurada sobre a Prefeitura de Lviv no início da manhã de 25 de junho de 1848. Na mente dos ucranianos ocidentais, a bandeira se enraizou rapidamente, e as partes central, sul e leste de nosso país estavam esperando. Não tiveram de esperar muito tempo: até uma próxima revolução.

Já durante a revolução russa de 1905, as bandeiras azul-amarelas apareceram do outro lado do rio Dnipro. O grão caiu no solo sedento. Apenas doze anos depois, durante os eventos de 1917, a bandeira azul-amarela já nem sequer era discutida. Por qualquer pessoa. Simplesmente existia.

Em Kyiv (Kiev). Em Odessa. Em Lviv. Em Kharkiv. Em Vladivostok. Na Crimeia.
Em todos os lugares onde havia ucranianos.
ex-POW ucraniano Hennadii Afanasiev, Crimea, Simferopol, 2014
Então, depois, quando os ucranianos foram afogados em sangue vermelho, as bandeiras também ficaram vermelhas. As vezes – com martelo e foice, as vezes – com uma suástica. Mas onde quer que Ucrânia tenha sobrevivido, também se manifestava a bandeira azul e amarela. Na Transcarpatia em 1938. A luta de OUN e UPA. Nos dissidentes e na resistência. Em Kyiv em 1966, em Dnipropetrovsk em 1967. Em Montreal, no Canadá, durante as Olimpíadas. Entre os ucranianos no Exército dos EUA na Coreia e no Vietname, e depois na Croácia (já sem os Estados Unidos). Em muitos e muitos lugares.
Norte-americano e ucraniano étnico – Bohdan Kopystyansky, tenente da 101ª Divisão aerotransportada
dos EUA no Vietname, 1969
Ucrânia estava onde decorria a luta.
Algures na OAT by franco-ucraniano Youry Bilak
Em 24 de julho de 1990, a bandeira azul-amarela foi hasteada junto ao edifício do Conselho Municipal de Kyiv (ler mais). Há uma placa comemorativa, dê uma olhada quando você estiver na avenida Khreshchatyk. Em 23 de agosto de 1991, a bandeira azul-amarela foi introduzida no Parlamento (Rada) da Ucrânia ainda soviética. Ainda está lá.
Inna Ohnivets, embaixadora da Ucrânia em Portugal, Lisboa, 23/08/2019
Azul-amarelo – através dos séculos. Agora e para sempre, enquanto pelo menos um ucraniano esteja vivo.