A
lei soviética, tristemente conhecida como “decreto sete-oito” ou a “lei de espigas”
permitiu o fuzilamento legal dos cidadãos pelo roubo de 3-5 espigas de trigo,
incluindo as crianças à partir dos 12 anos.
Que
lei foi essa?
A
Lei, que recebeu o nome popular de “lei sobre espigas” ou a “lei das cinco
espigas” foi aprovado em 7 agosto de 1932, tornando-se o Artigo 328º no Código
Penal soviético da época estalinista. A lei também era chamada de “sete oitavos”
e “decreto sete-oito” – por causa da data de sua aprovação. Há evidências históricas
que mostram que a aprovação da lei era imposta pelo próprio Estaline – o ditador
soviético chamou abertamente todos os que não concordavam com o seu plano
insano de coletivização forçada de inimigos do povo e do Estado.
De
acordo com a nova lei os “saqueadores da propriedade socialista” espera o
fuzilamento, que em circunstâncias excepcionais podia ser substituído por 10
anos dos campos de GULAG. “A propriedade socialista” era considerado mesmo um
punhado de espigas, levadas do campo de um kolkhoz – no sentido literal do
termo, bastava ser apanhado com três à cinco espigas – uma pessoa podia ser
fuzilada.
A
imprensa soviética escrevia que a lei foi aprovada “para atender à demanda dos operários
e agricultores coletivos”, a repressão era chamada de “luta decidida contra os
elementos kulaks-capitalistas que resistem” (assim eram chamadas as pessoas que,
empurradas pela fome, simplesmente levaram algumas espigas do trigo dos campos
kolkhozianos) e o fuzilamento foi chamado de “medida suprema de proteção social”.
Como
era aplicado a “lei de cinco espigas”. Os fuzilamentos de crianças
De
acordo com o “decreto de sete-oito” eram apanhados literalmente todos que apenas
eram suspeitos de “roubo de propriedade socialista”. Anistia não se aplicava à
essas pessoas, o Estado comunista decididamente os chamava de inimigos
inequívocos. Outro facto interessante é que uma parte da lei implicava a
responsabilidade criminal pela “propaganda anti-kolkhoziana” – se alguém se
atrevia à dizer publicamente que kolkhoz – não é uma coisa boa, também poderia
ser fuzilado ou deportados para os campos de concentração de GULAG como o “elemento
kulak/kurkul ameaçador”.
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| O dia em que URSS decidiu fuzilar as crianças |
Em
7 de abril de 1935, foi aprovada a Deliberação № 3/598 que previa a aplicação da
pena capital, segundo os artigos correspondentes ao Código Penal soviético, à
partir da idade de 12 anos, o decreto assinado pelo Estaline pessoalmente – na época
a propaganda soviética retratado Estaline como “um amigo de crianças”, sempre com
uma menina nos braços ou rodeado de pioneiros com as flores.
Os
arquivos soviéticos, contêm informações sobre muitas crianças e adolescentes fuzilados
no polígono de Butovo,
nos arredores de Moscovo. É possível identificar 196 corpos de menores – em apenas
um dos locais de fuzilamentos (existiam centenas em toda a URSS) e apenas durante
um ano e poucos – entre agosto de 1937 a outubro de 1938.
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| As crianças da União Soviética: fuzilamento do Mikhail Shamonin |
Uma
das crianças fuziladas no polígono de Butovo era Misha
Shamonin – desamparado, sem lar ou família, com fome, ele roubou algumas pães
e foi fuzilado pela “lei sobre espigas”. De Misha ficou apenas esta foto do seu
processo, na qual veste um casaco de adulto, e a data da sua morte – Misha foi fuzilado
em 9 de dezembro de 1937.
[Dado que os fãs da URSS e do comunismo costumam
negar a existência deste caso, publicamos a cópia da resposta oficial do FSB
russo, emitida em 27 de dezembro de 2017. O documento da secreta interna russa
confirma que Mikhail Shamonin foi fuzilado (e sepultado) em 9 de dezembro de
1937 no Polígono de Butovo].
O
fim da «lei de cinco espigas». E depois disso?
Em
1936, o Procurador/Promotor Geral da URSS, Vyshinsky, preparou um memorando com
as estatísticas – a procuradoria/promotoria da URSS verificou os 115.000 casos
com aplicação do “decreto sete-oito” e constatou que em 91.000 casos a
aplicação deste decreto era errada e criminosa. Com base nisso, planeou-se à reabilitar
37.000 pessoas que foram fuziladas ilegalmente, mas Estaline agiu de acordo com
a lógica habitual das autoridades soviéticas – simplesmente mandou fuzilar
todos aqueles que “cometeram excessos”. Acredita-se que desde 1936 a “lei das
espigas” já não tenha sido usada com tanta frequência, mas o fuzilamento de
Misha Shamonin é uma prova do contrário.
A
lei sobre as espigas foi completamente abolida apenas com o fim das repressões estalinistas
e da condenação do culto à personalidade do Estaline, embora, muito
possivelmente, os países do espaço pós-soviético não condenaram, nem perceberam,
até hoje, a imensidade e as consequências dessas repressões.
E
sim, quase esquecemo-nos de acrescentar – naquela época o sorvete soviético (da tecnologia comprada nos EUA) era
muitíssimo saboroso e gostoso...





1 comentário:
Uma história assombrosa, de tempos obscuros. É incrível como pessoas idolatram monstros como Lênin e Stalin nos dias de hoje.
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