sábado, fevereiro 21, 2026

Agente do FSB Nomma Zarubina finalmente presa nos EUA

A cidadã russa Nomma «Alyssa» Zarubina declarou-se parcialmente culpada das acusações de mentir aos agentes do FBI e de obter fraudulentamente a cidadania norte-americana (envolvimento na prostituição), de acordo com a página oficial do Departamento de Justiça dos EUA.

A confissão (parcial) da culpa por agente «Alyssa»

Zarubina admitiu que, em 2020, aceitou trabalhar para os serviços secetos russos, criando uma rede de contactos nos EUA («marketing de rede») e recebeu o nome de código «Alyssa». Várias vezes, entre 2020 e 2022, ela encontrou-se com um agente do FSB russo, comunicou com ele através de aplicações de mensagens instantâneas e recebeu tarefas, por exemplo, de investigar os jornalistas ou procurar um indivíduo específico nos EUA. Ela tinha negado essas alegações nos seus depoimentos anteriores ao FBI.

Zarubina pode ser condenada a até cinco anos de prisão por mentir.

Outra acusação, da qual Zarubina se declarou culpada, diz respeito às suas ligações à prostituição nos EUA. De acordo com a acusação, ao solicitar a cidadania americana, Zarubina afirmou que nunca se tinha envolvido em prostituição. Na verdade, o FBI apurou que ela «participou num esquema para transportar mulheres entre Nova Iorque e Nova Jérsia para prostituição numa casa de massagens». Esta acusação também prevê a pena máxima de prisão de cinco anos.

Quem é Nomma Zarubina?

Nomma Zarubina é uma cidadã russa, nascida em Tomsk. Mudou-se para os Estados Unidos em 2016, após se ter licenciado na Academia Presidencial russa de Economia Nacional e Administração Pública (RANEPA). Chamou a atenção das agências de informação norte-americanas em 2022 devido aos seus contactos próximos com uma outra russo-americana, Elena Branson. 

Branson era a chefe do Conselho Coordenador das Organizações de Compatriotas russos (Russian Community Council of the USA) nos Estados Unidos. A organização foi encerrada em novembro de 2021, devido as fortes suspeitas do que era usada nas atividades ilegais de lobbing pró-Kremlin nos EUA. Em 2022, as autoridades norte-americanas acusaram a própria Bransom de atividades não registadas como agente estrangeira da rússia. A sua casa foi revistada e Branson fugiu apressadamente dos Estados Unidos, regressando à rússia.

Zarubina costumava encontrar-se com várias figuras públicas proeminentes da oposição liberal russa, que vivem na Europa e nos EUA. Ela também tentou se infiltrar nas organizações ucranianas, ativas nos Estados Unidos.

Zarubina num encontro público em Ukraine House em Washington 

Entretanto, pelo menos até 2021, Zarubina costumava publicar os conteúdos pró-russos e pró-putinistas na sua página na rede social russa VK. Mesmo já vivendo nos Estados Unidos, Zarubina posou para as fotografias com uma t-shirt com o slogan «KGB Summer Camp». 

A própria Zarubina afirmava, nas entrevistas, que contactou, ela própria, os agentes do FBI em 2021 para se «proteger de todos os lados». Manteve-se em contacto com o FSB para «se proteger na Rússia» e para «compreender por mim própria, o que aconteceria à Rússia em geral, às regiões e ao mundo inteiro». Zarubina disse ainda aos meios de comunicação social que começou a trabalhar para os serviços secretos russos sob ameaças. 

Assédio persistente de um agente do FBI

Pela primeira vez Zarubina foi formalmente acusada nos EUA em novembro de 2024. Depois dissso, ela começou a comentar ativamente o seu julgamento no seu perfil de Facebook. Por exemplo, em abril de 2025, ela escreveu no Facebook: «Podemos fazer um grande alarido disto. Até precisamos de o fazer. Mas precisamos de chegar à Netflix, no mínimo». 

Processo original. EUA VS Nomma Zarubina aka «Alyssa»

Sendo a mãe-solteira de uma filha menor, após a sua detenção, Zarubina foi posta em liberdade sob a fiança de 25.000 dólares. No entanto, o Ministério Público americano interpôs uma ação exigindo a sua detenção. O motivo foram as mensagens de Zarubina para o agente do FBI Peter R. Dubrowski, responsável do seu caso, nas quais agente russa tentava insinuar a suposta relação amorosa. Por exemplo, Zarubina escrevia: «Os arquivos de Epstein não existem. E o nosso amor?» ou enviou um meme: «Militares, quando sepreparam para arruinar a vida de uma outra mulher sem motivo», com a legenda: «Isto é sobre ti». Por vezes, até escrevia em russo: «O que achas? Estou tão cansada. Estou fodid@ de tudo», escrevia Zarubina ao agente do FBI, anexando fotografias suas de chapéu de cowboy com a bandeira americana em segundo plano.

«O que achas? Estou tão cansada. Estou fodid@ de tudo»

Em setembro de 2025, o tribunal americano, mais uma vez mostrou o humanismo e compreensão, decidiu não deter Zarubina, dando-lhe uma «última oportunidade» e ordenando que se submetesse ao tratamento para o alcoolismo. Mesmo assim, Zarubina continuou a enviar mensagens ao agente do FBI. Numa das mensagens, indicou o filme «Arizona Dream», no qual a protagonista se suicida. Como consequência, Zarubina foi finalmente detida em dezembro de 2025. O novo pedido de libertação sob a fiança foi negado e a sentença está marcada para 11 de junho de 2026. Até a data agente russa passará ser detida numa prisão federal. 

«Legendamento» e «maskirovka» 

Estamos aqui perante um caso bastante típico, em que uma agente russa, usa tática de «legendamento» e o famoso sistema do KGB, conhecido como «maskirovka». Na rússia, alegadamente, existe um processo contra Zarubina, por ela ser membro de «uma organização indesejável». Na prática do KGB-FSB isso se chama «legendamento» e é habitualmente usado para legalizar e/ou legitimar um indivíduo, criando-lhe a aura artificial do «dissidente» ou do «opositor». Por outro lado, o comportamento errático e assédio bastante primitivo ao um agente do FBI se enquadra numa outra tática do KGB-FSB, conhecida como «maskirovka» (literalmente mascaramento). Um/a agente se comporta de uma maneira grosseiramente estúpida, fingindo ser bêbado, mulherendo ou jogador compulsível, para projetar, para fora, uma imagem de um personalidade fraca e sendo assim, inofensiva. 

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