quinta-feira, setembro 21, 2017

Cinema europeu: “Easy: uma viagem fácil-fácil”

A co-produção italiano-ucraniana Easy (“Easy – Un viaggio facile facile”), arrecadou quase 300.000 dólares nas primeiras 3 semanas da sua estreia mundial. Filme, produzido com apoio financeiro maioritário ucraniano (58%), já foi vendido à Turquia e será lançado na China em novembro de 2017 na plataforma VOD.
Ao mesmo tempo, após a sua estreia no festival de Locarno, em 25 de setembro Easy será demonstrado no Festival dʼAnnecy na França e em outubro no Festival do Cinema Europeu na China, com demonstrações em cinco cidades daquele país. A película continua sendo exibida nos cinemas da Itália e da Ucrânia.
O quarentão Isidoro, conhecido por todos como Easy, é um ex-corredor vitorioso do go-kart, em profunda depressão crónica após ter ficado à um passo de se tornar um piloto de Fórmula-1. Ele vive com a mãe, joga “PlayStation” e não possui nenhuma esperança de melhorar a sua vida. Para ajudá-lo, o seu irmão Filo lhe encomenda um trabalho “muito fácil”, de levar o caixão do falecido emigrante ucraniano Taras à Ucrânia, para que este possa ser sepultado na sua terra natal. A partir daqui começa uma aventura na estrada, cheia de risos e sentimentos, uma longa jornada através das emoções e de uma Ucrânia épica e idealista, país visto como um paraíso perdido da Europa, país dos anjos que necessitam da nossa ajuda.
Dirigido pelo realizador italiano Andrea Magnani, Easy conta com Nicola Nocella no papel principal, ao seu lado aparecem duas estrelas do cinema italiano Barbara Bouchet e Libero De Rienzo (irmão Filo), diversos atores ucranianos, entre eles Ostap Stupka.

Ler mais sobre o filme em italiano.

Blogueiro: o filme, muito provavelmente, não ficará na história do cinema mundial, mas é uma comédia bastante bem conseguida, com a qualidade e profundidade acima das habituais comédias europeias, ou mesmo americanas do género.
Faça click para entrar na página oficial do filme

Morgan Freeman: “Estamos em guerra com a Rússia”

O famoso e influente ator afro-americano, Morgan Freeman, gravou um vídeo em que exorta defender os EUA da ameaça russa. A declaração foi divulgada por uma ONG recém-criada, Committe to Investigate Russia (Comité para Investigar a Rússia).

«Formos atacados. Estamos em guerra», — começa explicar Freeman. Depois ele conta a história do ex-espião do KGB que está com a raiva por causa do colapso do seu país [URSS] e então desenvolve um plano de vingança. “Aproveitando o caos ao seu redor, ele sube pelos degrãos da hierarquia na Rússia pós-soviética e se torna presidente. Ele estabelece um regime autoritário e após disso olha ao seu inimigo jurado – os Estados Unidos da América”.

“Como um verdadeiro agente do KGB, o que ele é, ele secretamente usa tecnologias cibernéticas para atacar os países democráticos ao redor do mundo. Usando meios de comunicação de massa para espalhar propaganda e informações falsas, ele convence os membros das sociedades democráticas à não confiar em sua própria mídia, nos seus mecanismos políticos e até mesmo nos seus vizinhos. E ele consegue isso”, conclui a sua história Morgan Freeman, explicando que tudo isso não é um guia cinematográfico.

“Este espião é Vladimir Putin”, diz Freeman:

Bónus
A embaixada dos EUA na Ucrânia recorda aos cidadãos russos que têm dificuldade de obter o visto americano na Rússia (neste momento a espera média do visto de negócios já é de 89 dias), que podem pedir o visto na embaixada dos EUA na Ucrânia. Para isso não é preciso ser residente na Ucrânia, mas é absolutamente necessário entregar os documentos e receber o visto pessoalmente em Kyiv.

À partir de 1 de janeiro de 2018 todos os cidadãos russos para visitar Ucrânia vão necessitar do passaporte biométrico e preencher, antecipadamente, um questionário; qualquer visita ilegal à Crimeia (fora dos postos de controlo terrestres ucranianos) significará a recusa imediata da entrada do cidadão na Ucrânia.

quarta-feira, setembro 20, 2017

Quem esconde os carrascos estalinistas e o seu chefe?

Um tribunal de Moscovo recusou novo pedido da família de Raoul Wallenberg, diplomata sueco que salvou do Holocausto dezenas de milhares de judeus, de acesso à documentação sobre o seu destino na URSS.

por: José Milhazes (Observador.pt)

Oficialmente, a polícia política soviética KGB desapareceu em 1991 com o fim da União da URSS, mas as suas metástases russas: FSB (Serviço Federal de Segurança da Rússia) continuam a ditar as regras de jogo à justiça. Pouco parece ter mudado, por exemplo, na defesa dos carrascos estalinistas
Raoul Wallengerg
O Tribunal do Bairro Meschanski de Moscovo recusou, no dia 19 de Setembro, mais um pedido da família de Raoul Wallengerg, diplomata sueco que salvou do Holocausto dezenas de milhares de judeus húngaros e foi raptado pelos serviços secretos soviéticos em Budapeste, em 1945, de acesso à documentação sobre o seu destino na União Soviética.

Depois de cerca de setenta anos após esse rapto e o de Vilmos Langfelder, motorista de Wallenberg, o citado tribunal concordou com os argumentos apresentados pelos advogados do FSB que insistem em afirmar que já foi aberto o acesso a alguns documentos, mas não se pode publicar outros porque eles “contêm informação sobre outras pessoas”.

Marie Dupuy, sobrinha do diplomata sueco, considera que “há várias dezenas de anos que [os serviços secretos russos] andam a contar contos de fadas aos parentes de Wallenberg de que não há nenhuns documentos”, frisando que isso não corresponde à realidade e que os documentos que foram revelados aos historiadores tinham sido sujeitos a censura e que parte das folhas do processo foram arrancadas.

As circunstâncias da morte de Wallenberg continuam a ser um mistério. Em Agosto de 1947, Andrei Vychinski, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS e uma das figuras mais tenebrosas da “justiça estalinista”, declarou oficialmente de que Wallenberg não se encontra na União Soviética e que as autoridades de Moscovo nada sabiam sobre o seu paradeiro.

Mas, em Fevereiro de 1957, após numerosas insistências das autoridades suecas, o Governo soviético de Nikita Khruschov informou que Raoul Wallenberg teria falecido de um ataque cardíaco na prisão Lefort de Moscovo, a 17 de Julho de 1947.

Porém, esta versão está longe de ser aceite pelos historiadores, pois existem declarações de outros reclusos que afirmaram ter visto ou ouvido falar de Wallenberg nos anos de 1950 noutras prisões. As autoridades suecas, por exemplo, consideram que o diplomata foi assassinado numa prisão soviética a 31 de Julho de 1952.

Além disso, [o general] Ivan Serov, que dirigiu o KGB logo após a morte de Estaline, escreveu nos seus diários que Victor Abakumov, seu antecessor no cargo e um dos mais sangrentos carrascos do ditador soviético, reconheceu que a ordem para liquidar Wallenberg teria sido dada por José Estaline e por Viatcheslav Molotov, seu ministro dos Negócios Estrangeiros. Serov não tinha dúvidas de que o diplomata sueco teria sido liquidado em 1947.
O livro de memórias do general Serov
Após essas revelações, Marie Dupuy e o Raoul Wallenberg Research Initiative voltaram a tentar várias vezes, através dos tribunais russos, conseguir o acesso ao processo completo, sem censura, a fim de saberem o destino do diplomata e do seu motorista, mas todas as tentativas esbarram no secretismo do FSB russo.

“O destino de Wallenberg é uma das maiores mistificações na História da Rússia. Os documentos que os familiares de Wallenberg exigem já têm 70 anos e o acesso a eles deve ser permitido”, defendeu o advogado Ivan Pavlov, em declarações à agência russa “Interfax”.

O mais estranho é que o diplomata sueco e o seu motorista foram reabilitados em Dezembro de 2000 pela Procuradoria-Geral da Rússia, que os considerou “vítimas de repressão política”.

Quem é que o FSB esconde? Além dos criminosos que deram a ordem de assassinato: Estaline e Molotov, o Serviço Federal de Segurança da Rússia não quer revelar os nomes dos que prenderam e torturaram Wallenberg e Langfelder. Talvez algum dos carrascos ainda esteja vivo e seja considerado mais um “herói” da Grande Guerra Pátria, assim é chamada na Rússia a Segunda Guerra Mundial, e ainda tenha forças para contar aos seus netos os seus “feitos na frente de combate” contra o nazismo.

Afinal de contas, quem manda hoje na Rússia senão os antigos agentes do KGB, tendo como chefe máximo o coronel Vladimir Putin?

P.S. Tenho sido acusado de difamar constantemente a Rússia e o Presidente Putin por aqueles que consideram que a Rússia é Putin e vice-versa. Repito uma vez mais: trata-se de um erro grave semelhante associação. Além disso, sou também acusado de responsabilizar Putin por todos os males do seu país. Esta acusação é verdadeira, mas é preciso acrescentar que se o autocrata concentra nas suas mãos o poder absoluto, deve responder por tudo.

Exercícios militares Zapad-2017: o helicóptero Ka-52 dispara mísseis contra alvos civis e militares (fotos e vídeo)

No decorrer dos exercícios militares conjuntos Belarus-Rússia “Zapad-2017”, o helicóptero russo Ka-52 Alligator disparou três mísseis S-8, ferindo três pessoas e atingindo equipamentos civis e militares.
Em 16 de setembro de 2017, às 14h00, um par de helicópteros de ataque Ka-52, tripulados pelo tenente-coronel Smakhtin A. V. e 1º tenente Volchkov A. S.; descolaram do aeródromo Pushkin na região de Leninegrado na direção ao polígono de Luzhsky, para a realização de treino e demonstrações de fogo real. Às 14h47, à uma altitude de cerca de 50 metros, à uma velocidade de 200 km/h, os comandantes dos helicópteros receberam permissão da chefia dos exercícios “Zapad-2017” para entrar na rota de combate e se preparar aos disparos. Naquele momento, ocorreu o possível lançamento espontâneo não controlado de três mísseis não guiados ar-ar S-8, efetuado pelo aparelho do 1º tenente Volchkov. Os mísseis lançados explodiram em estreita proximidade com o público, composto por adidos militares, especialistas do complexo militar-industrial e jornalistas. Três pessoas ficaram feridas com gravidade em resultado da explosão, atingidos pelos estilhaços. Também foram danificados dois camiões/caminhões militares.
foto @Kommersant
Vídeo № 1 de aproximação do helicóptero:

Vídeo № 2 da abordagem dos helicópteros, filmado de um ângulo diferente:

Vídeo № 3, as consequências:

Vídeo № 4, vista do cockpit do helicóptero:

Numa análise detalhada dos materiais de vídeo disponíveis, os voluntários da comunidade OSINT internacional InformNaplm estabeleceram que na aproximação ao alvo, um dos helicópteros lançou três mísseis, e não um, como foi indicado na imprensa. Entre os camiões/caminhões danificados, identificou-se o veículo de controlo de drones do complexo RB-341B “Leer-3” (transmissor aerodinâmico de interferências nos terminais da comunicação celular do padrão GSM). O vídeo também mostra os seguintes equipamentos militares: contentores de transporte do drone “Orlan-10”, veículo de posto de comando P-230T, complexo de controlo e comunicação P-260T “Redut-2US”.

Clique na imagem para ampliar:
@InformNapalm (Creative Commons Attribution 4.0 International – CC BY 4.0)

terça-feira, setembro 19, 2017

Como a União Soviética fornecia o petróleo à Alemanha nazi em 1940 (15 fotos)

A série de fotos que mostra o transbordo do petróleo soviético das cisternas pertencentes aos caminhos-de-ferro da URSS às cisternas pertencentes à Alemanha nazi. Cidade de Przemyśl, a nova fronteira URSS-Alemanha nazi, 29 de fevereiro de 1940.
Curiosidade histórica: operário com certas semelhanças
faciais com Putin, está envolvido na operação
A largura dos trilhos entre URSS e Alemanha nazi era diferente, como tal, os comboios/trêm não podiam circular diretamente entre URSS e resto da Europa (excluindo a Finlândia). Como tal, em Przemyśl decorria a operação de transbordo, que assegurava ao Wehrmacht, ao Luftwaffe e ao Kriegsmarine, o petróleo tão necessário para manter a máquina de guerra nazi, em luta contra o resto da Europa.
A placa "Proibido fumar", em alemão, ucraniano e polaco/polonês

A Cronologia da Segunda Guerra Mundial em fevereiro de 1940 (apenas a Europa):

Outra curiosidade histórica: operário com certas semelhanças faciais com Hitler inspeciona a qualidade dos trabalhos
5/02/1940: A Grã-Bretanha e França decidem intervir na Noruega para cortar o comércio de minério de ferro em antecipação a uma ocupação alemã esperada e de forma ostensiva para abrir uma rota para ajudar a Finlândia. A operação está programada para começar em 20 de março.
9/02/1940: Erich von Manstein é colocado no comando do XXXVIII Corpo blindado alemão, removendo-o do planeamento da invasão da França.
10/02/1940: A União Soviética concorda em fornecer grãos e matérias-primas para a Alemanha em um novo tratado de comércio.
14/02/1940: O governo britânico pede voluntários para lutar na Finlândia.
15/02/1940: O exército soviético captura Summa, um importante ponto de defesa na Finlândia, rompendo assim a Linha Mannerheim.
: Hitler ordena a guerra submarina irrestrita.
16/02/1940: O contratorpedeiro britânico HMS Cossack força a remoção de 303 prisioneiros de guerra britânicos do petroleiro alemão Altmark em águas territoriais da Noruega neutra, o que provocou o Incidente do Altmark.
17/02/1940: Os finlandeses continuam a retirada da Linha Mannerheim.
: Manstein apresenta a Hitler seus planos para invadir a França através da floresta das Ardenas.
21/02/1940: O general alemão Nikolaus von Falkenhorst é colocado no comando da próxima invasão alemã da Noruega.

Os cogumelos de Chornobyl: beleza e perigo (15 fotos)

Na Ucrânia e Belarus começou a época de apanha de cogumelos. As páginas do Facebook estão cheias de fotos de cogumelos, as pessoas contam as suas histórias, mostram a colheita, se vangloriam pela quantidade, qualidade e exemplares mais vistosos. O blogueiro belaruso Maxim Mirovich visitou a zona de exclusão de Chornobyl e voltou vivo para mostrar o que viu.

Ele próprio, está contra a apanha de cogumelos “selvagens” em todo o território da Belarus (especialmente na sua parte sul). Em 1986, a contaminação por radiação afetou [uma parte da Ucrânia] e quase toda a Belarus sob a forma de precipitação radioativa, carregada de sais de radioisótopos césio-137 e estrôncio-90, bem como muitos elementos transuranianos, como plutónio e amerício. Mesmo os territórios que são considerados “limpos”, receberam pelo menos uma pequena dose de poluição. Os radioisótopos geralmente estão no solo, e se as árvores ou arbustos os absorvem em menor quantidade, então o musgo e os cogumelos são um acumulador absoluto de radiação – se houver, pelo menos, a menor partícula radioativa na zona, o micélio necessariamente o absorverá.

A postagem de hoje é dedicada aos cogumelos de Chornobyl e mostrará as evidências que confirmam: os cogumelos daquela região não são para apanhar, nem para comer.

01. O passeio pela zona de exclusão começa na cidade abandonada de Pripyat. Em muitos locais da cidade o dosímetro mostra o ar praticamente livre de radiação, mas tudo que cresce da terra, por exemplo, o musgo pode mostrar níveis excessivos bastante significativos.

02. Não foram encontrados os cogumelos em Pripyat, então aqui vêm as fotos inéditas que nunca foram publicadas antes: ponto de propaganda eleitoral soviético “agitpunkt” no centro cultural e recreativo “Energetik” (em maio de 1986 em Pripyat, deveriam se realizar algumas eleições locais):

03. A saída de emergência do centro “Energetik”, com um guarda-roupa público para guardar os paletós e casacos:

04. Cabines de observação da roda-gigante no parque da cidade. No parque também não se vêem cogumelos – todo o território é asfaltado.

05. Para observar os cogumelos, se viajou até o objeto “Chornobyl-2” – são antenas gigantes de 150 metros de altura – um objeto soviético secreto – o sistema de vigilância de radar além do horizonte, chamado “Duga”. Simplificando, essas antenas possibilitavam o rastreamento do lançamento de mísseis nucleares intercontinentais por parte do “inimigo provável”. Na entrada os viajantes podem ver os sinais rodoviários todos enferrujados:

06. Posto de controlo abandonado. Aqui estão os locais mais favoráveis ao crescimento dos cogumelos: mata seca, musgo e folhas de pinheiro em forma acicular.

07. As próprias antenas são um complexo gigante de várias centenas de metros de comprimento e 150 metros de altura.

08. Mais uma vez, o dosímetro mostra os níveis quase normais de radiação, medidas “no ar”, ultrapassando a norma apenas ligeiramente. O amador poderá considerar que é seguro apanhar os cogumelos aqui, mas isso não é verdade.

09. As antenas são uma estrutura de metal gigante, que em si é um acumulador de radiação. Em 1986, quando a poucos quilómetros do “Duga” ardia e fumegava o 4º reator da estação nuclear de Chornobyl, as antenas atraíram e absorveram bastantes radionuclídeos. Depois disso, as chuvas que caiam naquela área, por muitos anos lavavam o pó radioativo até ao solo.

10. Os locais mais ricos em cogumelos são os mesmos, onde, durante anos, caia a água das antenas:

11. É verdade – muitos cogumelos diferentes podem ser encontrados debaixo dos pinheiros, tanto comestíveis, como venenosos. Olha, que bonitão!

12. Um pequeno cogumelo. O dosímetro mostra 0,34 mSv/h (norma é 0,5 mSv/h), em vez de 0,15-0,20/h do ar.

13. Durante a sua vida curta, os cogumelos conseguem literalmente, “como uma esponja”, absorver todo o tipo de radionuclídeos. Um cogumelo um pouco maior – 0,35 mSv/h.

14. Um cogumelo maior ainda – 0,44 mSv/h.

15. Um cogumelo velho e respeitado, vários dias mais velho do que os seus coirmãos. “Sua Majestade” mostra quase 1,00 mSv/h. Não é mais um cogumelo, é um depósito de lixo radioativo sólido de baixo nível de emissão, na sua posse, o turista será barrado no desembarque no aeroporto, por exemplo. Tenham em mente que estas são apenas medições rápidas e feitas por um amador, com auxílio de um dosímetro doméstico. Se este cogumelo for esmagado e medido no laboratório em termos reais de raios beta e gama, a sua contaminação radioativa real será algumas vezes maior.
Como podem ver – com os indicadores de radiação de fundo (do ar) bastante “seguros”, os cogumelos absorvem, com sucesso, tudo o tipo de radioatividade que conseguem achar na natureza. Portanto, não recomendamos apanhar os cogumelos “selvagens” na zona de Chornobyl – melhor comprar um pacote no supermercado.

E vocês, queridos leitores do nosso blogue, costumam apanhar os cogumelos? O que depois fazem com eles?

Fotos e texto @Maxim Mirovich

Bónus

Peixe-gato gigantes perto da central nuclear de Chornobyl:

domingo, setembro 17, 2017

Como a União Soviética atacou e invadiu Polónia em 1939 (14 fotos)

Em 17 de setembro de 1939, a União Soviética comunista, na qualidade do aliado da Alemanha nazi, invadiu Polónia, violando a sua fronteira leste, apenas 17 dias após a invasão nazi, que se deu no dia 1 de setembro do mesmo ano. A URSS e 3º Reich de antemão decidiram as zonas de ocupação e agiam de forma coordenada.

A versão oficial soviética das razões de invasão foi a suposta “defesa da população belarussa e ucraniana”, que vivia no território do “estado polaco/polonês que revelou [a sua] insolvência interna”. Uma série de historiadores consideram os eventos de 17 de setembro de 1939 inequivocamente como a entrada da URSS na II Guerra Mundial ao lado do agressor (Alemanha nazi). Os historiadores soviéticos e alguns pesquisadores russos consideram a invasão da Polónia pela URSS e a II G.M. como dois eventos separados.

A postagem de hoje mostra como decorreu a invasão soviética de setembro de 1939, usando as fotos e depoimentos dos moradores locais.

02. Tudo começou com a “Nota do Governo da URSS, apresentada ao embaixador da Polónia em Moscovo na manhã de 17 de setembro de 1939. Prestem atenção às frases, especialmente interessantes foram realçadas em negrito – os argumentos semelhantes foram usados pela federação russa em 2014 na anexação da Crimeia.
Por sinal, na história, em geral, é muito raramente o agressor classificar as suas ações de agressão. Em regra, são ações destinadas à proteger / prevenir / defender” e assim por diante. Atacar, um país vizinho, para “prevenir a agressão à nascença”.

“Senhor embaixador,

A guerra polaco-alemã revelou a inconsistência interna do estado polaco/polonês. Em dez dias de operações militares, Polónia perdeu todas as suas áreas industriais e centros culturais. Varsóvia, como a capital da Polónia não existe mais. O governo polaco/polonês se desintegrou e não mostra nenhum sinal de vida. Isso significa que o estado polaco/polonês e seu governo deixaram de existir. Desta forma, cessaram a sua vigência os tratados assinados entre a URSS e a Polónia. [...]

O governo soviético não pode ficar indiferente ao facto de que os ucranianos e os belarusos de sangue fraterna que residem no território da Polónia, abandonados à mercê do destino, permanecem indefesos. Em vista desta situação, o governo soviético ordenou ao Comando-geral do Exército Vermelho ordenar às tropas para atravessar a fronteira e tomar sob a sua proteção a vida e a propriedade da população da Ucrânia ocidental e da Bielarússia ocidental.

Ao mesmo tempo, o governo soviético pretende tomar todas as medidas para tirar o povo polaco/polonês da guerra malvada, a que este foi lançado por seus líderes irracionais e para que este possa viver uma vida pacífica.

Aceite, senhor embaixador, as garantias do Lhe devido respeito.

Comissário popular dos Negócios Estrangeiros da URSS

V. Molotov.

03. De facto, imediatamente após a entrega da nota, as tropas soviéticas entraram rapidamente no território da Polónia. A União Soviética usou na invasão as unidades de blindados, cavalaria, infantaria e artilharia. Na foto – a cavalaria soviética acompanha uma bateria de artilharia.

04. Unidades de infantaria da URSS na área de fronteira. Atenção aos capacetes de militares – são capacetes soviéticos SSh-36, também conhecidos sob o nome de “khalkingolka. Estes capacetes foram amplamente utilizados pelas tropas soviéticas nos momentos iniciais da II Guerra Mundial, mas no cinema soviético quase não aparecem – talvez porque lembram o capacete alemão stahlhelm.

05. Blindado soviético BT-5 nas ruas da cidade fronteiriça de Mir, na atual Belarus.

06. Logo após a anexação da parte oriental da Polónia à URSS, na cidade de Brest (então chamado de Brest-Litovsk), ocorreu a parada conjunta das tropas da Wehrmacht e do Exército Vermelho (RKKA), que teve lugar em 22 de setembro de 1939.

07. A parada foi programada para celebrar a linha de demarcação entre a URSS e a Alemanha nazi, bem como o estabelecimento de uma nova fronteira entre dois países agressores.

08. Vários historiadores chamam essa ação não de “parada conjunta”, mas de um “desfile solene, na essência nada muda. O general Guderian queria realizar uma parada conjunta de plena funcionalidade, mas acabou por concordar com a proposta do comandante da 29ª Brigada Blindada do RKKA, Semion Krivoshein, que dizia: Às 16.00 partes do vosso corpo [alemão] em coluna de marcha, com as bandeiras [içadas] em frente, deixam a cidade, as minhas unidades [RKKA], também em coluna de marcha, entram na cidade, param nas ruas onde desfilam os regimentos alemães e saúdam, com as suas bandeiras, as unidades que passam. As orquestras tocam as marchas militares.
O que isso é, se não uma parada?

09. As conversações nazi-soviéticas sobre a nova fronteira, cidade de Brest-Litovsk, setembro de 1939:

10. A nova fronteira:

11. Os operadores de blindados, nazis e soviéticos em confraternização:

12. Os oficiais, alemão e soviético:

13. Imediatamente após a chegada às terras libertadas”, as unidades soviéticas lançaram a propaganda comunista. Nas ruas foram instalados os stands com a informação sobre as forças armadas soviéticas e as vantagens de viver na URSS.

14. De imediato, muitos moradores locais saudaram o Exército Vermelho com alegria, mas mais tarde vários deles mudaram as ideias sobre os “visitantes do leste. Começaram as “limpezas” sociais e as deportações de pessoas para a Sibéria, havia casos em que uma pessoa era fuzilada apenas porque não tinha calos nas mãos – as autoridades soviéticas argumentavam que se tratava de “um elemento improdutivo”, o explorador.
O que contaram sobre as tropas soviéticas de 1939 os habitantes da cidade belarussa de Mir, as citações do livro “Mir: a história da vila, contada pelos seus habitantes” (texto em PDF; 248 páginas), traduzido ao português pelo nosso blogue:

“A primeira coisa que surpreendeu os moradores é a aparência dos militares do Exército Vermelho, que para eles eram os primeiros representantes do “paraíso socialista”. Quando vieram os soviéticos, foi imediatamente claro como as pessoas vivem lá. As roupas eram más. Quando eles viram um “escravo” do conde, pensaram que era o próprio conde, queriam o prender. Tão bem este estava vestido – um fato/terno e chapéu. Goncharikova e Manya (Maria) Razvodovsky caminhavam com os seus casacos longos, os soldados começaram à apontar nelas e diziam que são as “filhas do latifundiário”.
Hitler e Estaline num cartoon britânico da época
“Logo após a entrada das tropas começaram as “mudanças socialistas”. Foi introduzido o sistema fiscal. Os impostos eram altos, alguns não eram capazes de pagá-los, e aqueles que pagavam – ficavam sem nada. O dinheiro polaco foi se depreciando em um dia. Nos vendemos a vaca, e no dia seguinte conseguimos comprar apenas 2-3 metros de tecido e sapatinhos. A liquidação do comércio privado levou à um déficit de praticamente todos os bens de consumo. Quando vieram as tropas soviéticas, no início todos ficaram felizes, mas quando surgiram as filas noturnas para comprar o pão – entendemos que tudo era mau/ruim”.

Nós não sabíamos como as pessoas vivem na Rússia [Soviética]. Quando chegaram os soviéticos ai acabamos por saber. Fomos felizes pela [chegada] dos soviéticos. Mas quando vivemos sob os soviéticos estávamos em um horror. Começaram chamar as pessoas. Imputavam algo à uma pessoa e a deportavam. Os homens eram presos e a sua família ficava sozinha. Todos os que foram deportados não voltaram”.
Atrocidades soviéticas na Ucrânia Ocidental, cidade de Lviv, cadeia na Lonckoho, julho de 1941
E você, o nosso querido leitor, como avalia estes acontecimentos? Gostaria de experimentar um pouco de “mudanças socialistas”?

Fotos @GettyImages | Internet | Texto @Maxim Mirovich