segunda-feira, maio 02, 2016

Em GULAG por içar a bandeira da Ucrânia

Na noite de 1 de maio de 1966, dois jovens operários ucranianos, Victor Kuksa (1940) e Georgiy Moskalenko (1938), içaram em Kyiv a bandeira azul e amarela ucraniana, proibida pelo poder soviético considerada a “bandeira nacionalista” ou a “bandeira dos nacionalistas burgueses ucranianos”.
O informe especial do KGB da Ucrânia sobre o caso, datado de 3 de maio de 1966
A bandeira da Ucrânia independente foi içada no edifício principal do Instituto de Economia Popular de Kyiv (atualmente a Universidade Nacional de Economia de Kyiv). O local, situado em frente da fábrica “Bolchevique”, foi escolhido pelo facto de lá se formarem as colunas dos manifestantes que depois marchavam até o centro da cidade para participarem na manifestação do dia 1 de maio, organizada pelo regime soviético.     
Kuksa e Moskalenko em 2006
A bandeira foi feita dos dois lenços femininos, o símbolo de tryzub (tridente), de cor preta, foi copiado das notas da República Popular da Ucrânia (1917-1919). Além disso, na bandeira estava escrito: “A Ucrânia ainda não morreu  ainda não a assassinaram. DPU” (a sigla DPU significava Partido Democrático da Ucrânia, na realidade inexistente).

Georgiy Moskalenko, na altura com 28 anos, ficou em baixo, com a pistola de sinalização nas mãos, Victor Kiksa (26) subiu a escada de incêndio, cortou a bandeira vermelha, com uma faca de cozinha e amarrou a bandeira da Ucrânia.
Victor Kuksa atualmente
Durante 9 (!) meses KGB procurava implacavelmente os patriotas, acabando por prende-los. Ambos foram julgados na secção fechada do Tribunal Provincial de Kyiv, acusados de “propaganda e agitação anti-soviéticos”, condenados, respetivamente, à 2 e 3 anos de prisão em campos de concentração em regime severo, pena que cumpriram na totalidade.

As penas, relativamente “liberais”, foram lhes aplicados, em parte pelo facto de que, a liderança da Ucrânia soviética não quis chamar a atenção pública ao sucedido, e em parte pelo facto do que os dois não pertenciam à elite intelectual, mas eram representantes de puro proletariado, ambos operários na cidade de Kyiv.
Georgiy Moskalenko atualmente
Em 20 de maio de 1994 o Plenário do Supremo Tribunal da Ucrânia anulou, por falta de provas, as penas do Moskalenko e Kuksa na parte da acusação do artigo “anti-soviético” e as manteve na parte de acusação da “porte e uso de armas de fogo e armas brancas”. Foram precisos mais alguns anos de luta até que em 26 de janeiro de 2007, o Supremo Tribunal da Ucrânia removeu e anulou todas as acusações contra os dois dissidentes ucranianos.

No dia 16 de novembro de 2006, no edifício da universidade sobre o qual a bandeira ucraniana apareceu em 1966, foi inaugurada a placa em memória do acto heróico do Victor Kuksa e Georgiy Moskalenko. São estes pequenos actos, em tempos difíceis, que recordavam à todos: Ucrânia sempre será ucraniana! (fonte1; fonte2).  

domingo, maio 01, 2016

Cristo Ressuscitou: a Páscoa ucraniana na linha da frente

No caminho às aldeias Pervomaiske e Pisky, nos arredores de Donetsk, em frente da aldeia Vodiane, ficou na estrada o corpo mutilado do blindado com a inscrição “Pela Ucrânia” na sua armadura. Aparentemente, explodiu a sua munição durante o combate com os terroristas – debaixo do blindado ficou uma cratera no asfalto. A tripulação não sobrevivia a explosão...
Cristo Ressuscitou!
Normalmente, todos andam nesta estrada à velocidade máxima. Muitos grupos de sabotagem vindos do “mundo russo”, ultimamente andam na retaguarda ucraniana, também todos sabem muito bem que a velocidade é a principal coisa que ajudará à sobreviver, caso se iniciar o ataque de morteiros.
Mas nós paramos. Para a nossa surpresa, o tanque estava coberto de flores. Velhas e secas, relativamente novas, com fitas azuis e amarelas. E ainda, no corpo do blindado foram colocadores os cigarros caros. Também, uns já velhos, outros mal lá passaram a noite. O tabaco na zona da Operação Antiterrorista (OAT) não tem preço, mas ninguém se atreve de lá os tirar. Embora existem quem poderia faze-lo.
Cristo Ressuscitou!
Nos pátios abandonados das aldeias vizinhas vagueiam os saqueadores locais. Eles estão roubando sistematicamente as casas dos vizinhos, arrancando das paredes até mesmo os fios e cabos elétricos. Em seguida, queimam o plástico dos fios com ajuda das fogueiras diretamente nos quintais roubados. Mas ninguém se aproxima ao tanque. Nem pelos cigarros, nem pela vodca que esta colocada nos copos plásticos descartáveis, nem, sobretudo, pelas flores. Tudo fica tal como uma vez foi colocado na blindagem enferrujada.
Nós não tínhamos flores, mas deixamos lá a paska (o bolo ucraniano de Páscoa), um daqueles que levávamos nas vésperas da Páscoa como presente aos rapazes que servem atualmente nas Forças Armadas da Ucrânia (FAU). Absolutamente fresca, num guardanapo limpo, paska ficou no metal aquecido pelo sol, mesmo três horas depois, quando estávamos de volta.
Cristo Ressuscitou! Ressuscitará Ucrânia!
Infelizmente, não sabemos os nomes daqueles que morreram naquele blindado. Não sabemos da onde eles eram. Sabemos apenas que esses rapazes escreveram na sua blindagem “Pela Ucrânia” e isso é suficiente para um verdadeiro monumento (por Oleksandr Kurbatov).
Blogueiro: existem diversas versões daquele combate, o blindado pode pertencer à 93 Brigada aerotransportada ou à 17ª Brigada especial de blindados. Em combate, que decorreu em 14.09.2014, morreram entre 5 à 9 ucranianos, os terroristas perderam 6 mortos e 4 feridos. A sorte da tripulação do blindado não está clara, as informações contraditórias apontam ora a sua morte, ora o salvamento. De qualquer maneira, em combate morreram diversos jovens ucranianos. O grupo de sabotagem terrorista que os atacou estava à espera por uma coluna inteira dos blindados ucranianos, os militares que morreram e que ficaram feridos salvaram diversas vidas à custa das suas próprias...

Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!

RIP Rezo Tsiklauri
Mais um georgiano morreu pela Ucrânia. Na batalha de Avdiivka perdeu a vida Rezo Tsiklauri. Na véspera da Páscoa, ele entrou na fileira dos heróis georgianos que sacrificaram as suas vidas, primeiro na Maydan e depois na região de Donbas, protegendo quer Ucrânia, quer a Geórgia. Rezo recentemente estendeu o seu contrato com as FAU. Ele deixa a esposa e duas filhas pequenas (por Mikheil Saakashvili).
Memória eterna aos heróis da Ucrânia e da Geórgia!
A vitória será nossa!

As crianças soldados, os retardados, FSB e ajuda humanitária ao Donbas

Como qualquer organização terrorista, a novoróssia bicéfala, que por vezes se divide em bandos “lnr” e “dnr”, precisa dos seus próprios mitos e dos seus heróis. Quando mais heróicos são estes heróis é melhor, o ideal é o uso e abuso das crianças.
Bohdama, a aluna normal de uma escola ucraniana
Em 2014-2015, o bando terrorista “Prizrak”, sediado na província de Luhansk e comandada pelo Aleksey Mozgovoy (com passado de cantor amador e cozinheiro), decidiu usar para a propaganda do grupo a menina Bohdana Nesheret, atualmente com 10 anos (!) de idade, natural da cidade de Alchevsk. O seu pai, Roman Nesheret, ex-polícia ucraniano e ex-guarda que traiu o juramento, se juntando ao mesmo grupo terrorista.  
Os pais da Bohdana
Um belo dia, Bohdana, alegadamente, escreveu a carte ao Mozgovoy (o terrorista costumava usar a fraseologia soviética, tornando-se pólo de atração aos esquerdistas estrangeiros que viajavam à Ucrânia para lutar contra “imperialismo americano”): Quero parabenizá-lo pelo Ano Novo próximo! Eu lhe ofereço o [...] mascote [...] eu o levei para a escola e trouxe as notas de cinco [igual às 17-20]. Eu te amo e estamos dizendo com as meninas “o tio Aleksey Mozgovoy é o mais poderoso e legal!

Depois foram os desenhos infantis, recepção das prendas dos terroristas, as fotos conjuntos com eles e com próprio Mozgovoy, a imagem da Bohdana foi usada para as cartazes e diversa outra propaganda terrorista em geral e do bando “Prizrak” em particular.
No dia 23 de maio de 2015 Mozgovoy foi liquidado pelos desconhecidos, os terroristas, como de costume, acusaram o “grupo de sabotagem ucraniano”, embora diversas fontes, incluindo dos separatistas apontavam a empresa militar privada russa “Vagner” de ser responsável direto pela execução do comandante separatista.

O assassinato elevou a histeria à volta da Bohdana à um novo nível, foram produzidos diversos cartazes onde a menina “lembrava-amava-lamantava”; no verão de 2015, aos 9 anos de idade, ela foi aceite, com a pompa e circunstância, no bando “Prizrak”, recebendo alcunha “Docha” (filha, em russo marginal) e um crachá sob o número 1793:
Na cerimónia de enterro do Mozgovoy, Bohdana “sentiu” o seu novo talento de escrever a poesia (o que nunca acontecia antes). Nos textos amadores ela exortava “mundo russo”, “grande vitória” e “morte em combate”; pedia aos cidadãos “russos e moscovitas” os “artigos de papelaria e biscoitos; livros e álbuns de exercícios, tintas, canetas e lápis; mais doces” e claro, maldizia a “junta”, os “valores da Europa” e pois claro, o “nazismo da Ucrânia”.    

As televisões russas usaram, ou talvez pura e simplesmente ajudaram à criar o caso, proclamando Bohdana de “jovem poetisa – o novo símbolo de Luhansk”. A menina até escreveu apelo às “mães ucranianas”, que não vão ter “de quem parir”. Embora olhando para o texto, teve várias dificuldades de lê-lo e ainda maiores para explicar o seu significado.
Depois veio à fama e Bohdana participava em quase todas as ações políticas dos grupos terroristas “lnr” e “dnr”, se fotografava com os terroristas, com os propagandistas pró-terroristas, incluindo britânico Graham Phillips, fazia as poses na linha da frente, no hospital, na campa do Mozgovoy.
Bohdana (no meio) e o propagandista britânico Graham Phillips 
Foi criada a página da Bohdana na rede social VK, onde eram postadas as suas fotos patéticas e onde a menina contava a sua difícil vida da “militante”:
Eu tenho aqui os meus deveres: eu estou ajudando aos nossos combatentes com aquilo que posso e com isso apoio o espírito combativo da brigada. Além disso, eu ajudo às mulheres na cozinha, ocasionalmente, descascar a batata, cozinhar, lavar os pratos. A única coisa que eu não gosto é lavar o chão e as corrimãos na sede.

Os terroristas lançaram o novo mito, alegadamente SBU tentou rapta-la; os veteranos russos da guerra de Afeganistão condecoraram a menina com a medalha “Para coragem e bravura”, o clube dos veteranos do FSB lhe concedeu a medalha “Pela cidadania activa e patriotismo”.
    
Único senão em toda essa história era a presença exagerada do Mozgovoy na obra da Bohdana, pois, embora oficialmente “lnr” dedica lhe “honras e lembranças”, o seu conflito aberto e muito agudo com fuhrer Plotnitski era de conhecimento geral de todos em Luhansk.  

Os voluntários russos foram os primeiros que investigaram a personagem de Bohdana à fundo, chegando à conclusão que a menina é uma falsidade em toda a linha.

Após a visita dos psicólogos (da “lnr” e em Luhansk), descobriu-se que a menina não escrevia a “sua” poesia. Os testes psicológicos realizados constataram o subdesenvolvimento da criança. Bogdana não sabe declinar as frases, não conhece as regras de pontuação, não consegue recontar o texto, e assim por diante.
Como contou em vídeo a colaborante dos terroristas, a cidadã russa Olga Zakhran, Bogdana foi incapaz de explicar o significado do quadro “Gralhas vieram”, a única coisa que conseguia dizer neste caso era: “isso é...”, “isso é....”, “isso é...”. A mesma Olga conta que agora os psicólogos terão que trabalhar com Bohdana durante anos (!) para que a menina pudesse voltar à normalidade. Para já, o seu pai Roman e avó Larissa (presumível autora da “poesia de combate” atribuída à Bohdana), foram proibidos pelas terroristas de dar quaisquer entrevistas ou aparecerem com a menina em público. A “lnr” fez saber à família que a violação dessa ordem não será tolerada e a família será vigiada de perto pelos órgãos da tutela dos menores da dita “lnr”.
O quadro "Gralhas vieram" do russo Alexei Savrasov
Além disso, soube-se que Bohdana tinha abandonado a sua escola, onde recebia notas baixas e que toda a família Nesheret (pai e avó separatistas) não trabalhava, usando a criança de 9 anos para angariar as doações russas em forma de dinheiro e de géneros (!).
https://www.youtube.com/watch?v=SR86GwS4x68
Ao pedido do membro do Conselho Coordenador do FSB, o Major-general Velichko V. N., a atribuição da sua medalha foi oficialmente cancelada, na versão dos veteranos do FSB está foi feita, supostamente, por engano:
A história da menina heróica da novaróssia terminou oficialmente e sem nenhuma glória. A comunidade voluntária internacional InformNapalm, deseja à Bohdana apenas que cresça como uma pessoa normal, porque os adultos que a cercaram na dita “lnr” não conseguiram o mesmo.

Blogueiro: além de um claro conflito entre fuhrer Plotnitski e os apoiantes do Mozgovoy, que transformou Bohdana em um “ativo descartável”, aqui existe o conflito não menos dramático em torno da “ajuda humanitária” russa. A família da menina e em um grau muito maior, aqueles que usavam a sua imagem na Rússia, recebiam a ajuda para distribuir entre os seus. Algo que Plotnitski não poderia permitir. Pois, numa região absolutamente dependente dos subsídios estatais ainda antes do início da guerra russo-ucraniana, quem controla ajuda humanitária é o rei e senhor do seu bairro. Como tal, ajuda humanitária é a razão e o motivo quer dos assassinatos, quer de eliminação dos concorrentes e dos seus ativos. Mesmo se estes ativos sejam as meninas de 9 ou 10 anos de idade...    

sábado, abril 30, 2016

Made in Ucrânia: módulo de combate “Shablya”

Recentemente, os voluntários ucranianos do Peoples Project entregaram aos militares das FAU que defendem Ucrânia no zona industrial de Avdiivka, o seu módulo experimental de combate “Shablya” (Sabre) que permite dirigir as operações remotamente, poupando as vidas e saúde dos militares ucranianos.
Como explicou o coordenador do projeto, Maxim Ryabokon, o módulo de combate Shablya é uma plataforma móvel com raio de 360º que permite a colocação nela de armas ligeiras anti-infantaria ou antitanque, por exemplo a metralhadora Kalashnikov, morteiro AGS, outros tipos de armamento semelhante. Além disso, a plataforma possuí uma câmara de vídeo que permite ao operador de estar à uma distância de até 500 metros do módulo. O módulo prevê a possibilidade de colocação de termovisores, medidores de distância e outros sistemas óticos. Tudo isso torna-se de importância extrema, pois na guerra moderna os Estados e os exércitos dedicam cada vez a sua maior atenção à defesa das vidas dos seus militares.
O uso do módulo “Shablya” permite contornar essa questão, pois o módulo pode ser instalado quer nos pontos fixos, quer nas viaturas blindadas. A coordenação do módulo é feita com uso do controle remoto e um monitor, preservando assim a vida do operador, que está em um ponto de localização segura. Na atual guerra russo-ucraniana, as forças terroristas costumam usar drones que voam à baixas altitudes, espiando as posições do exército ucraniano que depois são alvejadas pelos mísseis “Grad”. O módulo permite derrubar os drones nas distâncias afastadas das posições ucranianas, não deixando, efetivamente, detectar as localizações exatas das FAU.
A fundação Peoples Project pretende produzir 10 módulos “Shablya”, que para já mostra um desenho simples e seguro que permite a sua rápida reparação e substituição de peças mesmo na linha da frente.
Ajudar ao projeto é fácil:
http://www.peoplesproject.com/operativne-reaguvannya/
Informação sobre os gastos:
http://www.peoplesproject.com/operativne-reaguvannya/#report
►Transferência SWIFT em USD
Beneficiário: Fundação de caridade BLAGOCHESTA
Conta: UA803266100000026009053209659
Banco do beneficiário: Privatbank,Ucrânia
Código Swift: PBANUA2X
Banco intermediário: JP Morgan Chase Bank, New York
Código Swift: CHASUS33
Conta correspondente: 001-1-000080
Descrição: Doação ao projeto “Rapid Response”
► Transferência SWIFT em EUR
Beneficiário: Fundação de caridade BLAGOCHESTA
Conta: UA413266100000026009053206287
Banco do beneficiário: Privatbank,Ucrânia
Código Swift: PBANUA2X
Banco intermediário: Commerzbank AG,Germany
Código Swift: COBADEFF
Conta correspondente: 400 8867 00401
Descrição: Doação ao projeto “Rapid Response”

sexta-feira, abril 29, 2016

Ator Orlando Bloom visita Ucrânia

O ator de Hollywood e embaixador de Boa Vontade do UNICEF, britânico Orlando Bloom, visitou Ucrânia no dia 27 de abril, passando pelas cidades do Dombas livre dos terroristas e pelo Kharkiv, existe informação que ele planeia ficar uma semana em Kyiv.

Na cidade de Slovyansk, ator visitou a escola pública №13 e em Kramatorsk foi visto num dos cafés da cidade, informa Newsru.ua. As fotos da sua recepção e interação com as crianças ucranianas foram colocados e podem ser vistas no Instagram oficial do ator, mais conhecido pelos seus papéis de Legolas na trilogia de “O Senhor dos Aneis” e Will Turner em “Piratas do Caribe”.
Como é possível imaginar, as aulas pararam em Slovyansk por completo. Não é de estranhar, nem todos os dias a cidade fustigada pela guerra e em processo de recuperação após o terror e ocupação russo-terrorista recebe as visitas dos astros de Hollywood e dos combatentes do bem.

Além de Donbas, Orlando Bloom visitou a cidade de Kharkiv, onde foi visto numa loja e tirou as fotos com os funcionários da mesma. O ator não divulga o itinerário pormenorizado das suas visitas por questões de segurança.
Uma das razões do ator é ver no terreno como ajuda da UNICEF transforma a vida das crianças ucranianas no leste do país. A região recebe os fundos da UNICEF que são gastos na compra de novos equipamentos para as instituições de ensino. Algumas das escolas sofreram os danos em resultado dos combates pela libertação de Slovyansk, principalmente dado ao facto do que os terroristas russos, em muitos dos casos usavam as escolas e até os jardins-de-infância como as suas bases, seguros do que estes locais jamais seriam alvejados pelas forças ucranianas, informa agência UNIAN.
A visita do Orlando Bloom também originou a criatividade dos internautas ucranianos que produziram diversas imagens, dedicadas ao mítico Legolas e a sua luta pelo bem e contra o mal. Pois, como escreveu um dos blogueiros: “Legolas visitou Donbas. Que outras provas são precisas para perceber que Ucrânia luta contra Mordor?!” 

quarta-feira, abril 27, 2016

Chornobyl 30 anos depois: os animais de Chornobyl

Os receios de uns sobre o aparecimento eventual de animais mutantes após a catástrofe do Chornobyl foram dissipados pela própria mãe – natureza. Esta elimina impiedosamente qualquer tipo de espécie com genes em mutação, impossibilitando a sua procriação e sobrevivência.

O biólogo ucraniano Serhiy Hashak contou à revista Focus.ua as razões do seu apego pela zona de exclusão de Chornobyl, 30 anos após a catástrofe, filmando os animais que vivem naquela área, praticamente livre de seres humanos...

O vice-diretor do Laboratório Internacional de Radiologia Ecológica, chefe do Departamento dos Estudos de Radiologia Ecológica, Serhiy Hashak dedicou quase vinte anos da sua vida à filmar a natureza selvagem na zona de Chornobyl, uma área de cerca de 30 km em redor da estação nuclear, também chamada de zona de exclusão.

Porque ele?
Já no fim do ensino secundário, Serhiy Hashak decidiu se tornar biólogo, opção aceite, embora não compreendida muito bem pelos seus pais. Entrou na Faculdade de Biologia da Universidade de Kharkiv, por intermédio dos amigos, futuros ornitólogos, começou estudar os pássaros. Embora as primeiras fotos tirou aos 10 anos com a câmara juvenil “Smena 8M”, na faculdade, já tendo o “Zenit”, começou experimentar com as cores, ângulos, iluminação ou tratamento químico das películas.

Em 1986, quando Serhiy era funcionário do Instituto de Economia Florestal de Kharkiv, ele, como oficial na reserva foi chamado para participar na liquidação da catástrofe de Chornobyl. A unidade dele lavava e descontaminava as viaturas que deixavam a zona. Ao seu redor se situava a chamada “floresta ruiva”, os pinheiros que morreram devido as altas doses de radiação. Embora a floresta não estava totalmente morta, ela abrigava os pássaros e as diversas plantas que sobreviveram a catástrofe.  
Após várias tentativas, em 1990 consegui se empregar no Laboratório de Radiologia Ecológica, onde estudava os animais domésticos, viajando por toda a zona de exclusão, contemplando nestas viagens os animais, pássaros, a natureza. Naqueles tempos, o arvoredo começou tomar a conta dos campos, outrora pertencentes aos antigos kolkhozes. De pouca altura e bastante parca, a vegetação permitia ver os animais de grande porte, renas, javalis, cabras de mato de grande distância. Hoje, em Chornobyl é possível ficar à alguns metros de um animal destes e não o ver, as árvores ou arbustos irão o esconder do olhar curioso dos humanos.  

A caça fotográfica

Na segunda metade da década de 1990 Serhiy Hashak conseguiu convencer os diretores do laboratório à comprarem a câmara Canon que ainda usava a película fotográfica, com um boa lente e começou filmar a natureza selvagem. Subia nos telhados e varandas dos prédios abandonados e até por vezes selados, para fotografar os ninhos dos pássaros.
No ano 2000 os parceiros americanos do Laboratório tiveram a ideia de fotografar a natureza selvagem nos locais mais atingidos pela radiação, usando as câmaras automáticas. Pois trabalhando nas margens do rio Prypyat, eles podiam ver as pegadas de diversos animais selvagens, apenas não possuíam as provas apresentáveis da sua sobrevivência.

As primeiras máquinas não eram mais apropriadas ao clima da Ucrânia, as suas recargas duravam apenas duas semanas, máquinas atraíam a condensação natural. Depois Serhiy comprou no eBay a máquina automática “Little Acorn”, a montou perto de uma trilha animal na mata do Chornobyl e em duas semanas consegui fotografar diversos animais selvagens: lobos, águias, veados, texugos, guaxinins, martas, linces.

“Agarrado”

Desde ai, Serhiy Hashak sentiu-se “agarrado”. Tal, como os toxicodependentes procuram a nova dose, ele procurava pelas novas câmaras, pensava em locais onde podia as colocar e nos melhores ângulos da sua colocação. O segredo de uma boa fotografia é encontrar uma trilha que os animais usam para se locomover nos bosques. De preferência um local de passagem sobre um rio, lago ou riacho, uma ponte, que naturalmente vai trilhando o seu caminho. Na Ucrânia, a câmara, preferencialmente, deve olhar ao norte, senão os raios solares, diretos ou refletidos, “enganam” o termovisor e provocam as fotos “vazias”, sem presença de animais. Para que a foto não seja demasiadamente escura, a câmara deve ser colocada à uma distância de uns 10 metros de mata cerrada, esta servirá de pano de fundo natural às fotos.   
Os cavalos-de-przewalski
O animal que mais surpreendeu Serhiy Hashak foi o urso castanho. Estranhamente, este foi visto muitas vezes nas zonas de alta radioatividade em Belarus e quase nunca na Ucrânia. Desde outubro de 2015 Serhiy tirou 7 fotos do animal, contemplando pelo menos três ursos diferentes.

Mais de um ano atrás Serhiy Hashak começou um projeto de cooperação com os britânicos, além das suas 5-7 câmaras, ele tinha que gerir 42 pertencentes aos parceiros que regularmente mudavam de posição, num raio de 5 km. Em resultado se conseguia cobrir um território muito maior, o que resultava em muitas e boas fotos.
Entre os seus pequenos grandes descobrimentos Serhiy enumera os tipos e formas mais que variadas dos cornos de renas e dos veados; o facto do que os castores sobrevivem em canais semi-secos, longe dos lagos e dos rios; assim como as cegonhas, vivem perfeitamente bem dentro dos bosques e não apenas junto às fontes de água.
O "veado-mutante de Chornobyl"
Por vezes, as imagens de fotos digitais ficam distorcidas, devido ao movimento natural dos animais. Uma vez veado estava virar tão rapidamente que facilmente poderia passar na foto pelo “mutante do Chornobyl”. No entanto, o mesmo animal absolutamente normal aparecia nas outras fotografias. Embora a natureza selvagem também tem os seus problemas, os animais adoecem, tal como as pessoas. Por exemplo, a “peste africana”, atingiu recentemente os porcos e os javalis na Ucrânia e em Belarus. Provavelmente essa doença foi responsável pelas imagens dos javalis anormalmente magros, com a cerda bastante parca, meio carecas. Nas fotos também aparecem os animais traumatizados ou feridos. Assim numa foto podemos ver a rena de três pernas. Ela perdeu uma das suas pernas. Como conseguiu sobreviver? Como se escapou dos lobos? É um mistério...

Os morcegos

Um outro hobbie do Serhiy Hashak são os morcegos. Usando um detetor do ultra-som ele costuma andar nas matas do Chornobyl, nas margens do rio Slavutych, escutando a natureza local. No ano 2000, conhecendo o biólogo ucraniano Anton Vlashenko, formado na mesma faculdade de Kharkiv, eles por duas semanas trabalharam na zona de Chornobyl. A quantidade de morcegos que vive naquela área é absolutamente inacreditável.
Desde ai, cada ano são organizadas uma ou duas expedições à zona de Chornobyl só para estudar os morcegos. Pois a procura e captura dos morcegos, para o seu anilhamento, é sempre um trabalho coletivo. A zona se tornou um burgo seguro, onde vivem diversos tipos de morcegos, alguns dos quais incluídos no “Livro Vermelho” das espécies animais em perigo, entre eles myotis dasycneme. Outros morcegos notáveis que vivem em Chornobyl são morcego-negro que tem orelhas que parece que crescem do seu nariz e ainda — morcego-arborícola-gigante, o maior morcego da Europa com alcance de asas até 50 cm. É um morcego extremamente raro que pode até caçar os pássaros mais pequenos (até recentemente considerava-se que pela última vez este animal foi visto na Ucrânia na década de 1950).

Chornobylpara sempre

Serhiy Hashak conta que na mata, fora do escritório sente-se muito mais confortavelmente do que na cidade. O biólogo ucraniano considera-se missionário, portador das experiências e dos conhecimentos que deve passar à alguém. Para os seus parceiros ocidentais Serhiy é especialista de alta categoria, perita da geografia e da tipografia da zona, conhecedor profundo de sua situação ecológica e radiológica, do mundo animal e vegetal.
Lobo se aproxima à uma rena ferida 
“Abandonar tudo isso é impossível. Embora não sou natural daqui, agora sou o homem de Chornobyl, não imagino a minha vida sem a zona”, conta Serhiy Hashak na entrevista conduzida pela Anna Synyashyk.