segunda-feira, janeiro 16, 2017

A URSS estalinista: tudo do melhor – ao NKVD

Em 5 de novembro de 1938 o Conselho de Comissários Populares da URSS deliberou a entrega (em Moscovo) de 1.900 quartos aos funcionários do Comissariado Popular do Interior da URSS (que entre junho de 1934 e março de 1946 unia a polícia e NKVD), juntamente com as mobílias que se encontravam nos respetivos apartamentos.

O documento marcado como “absolutamente secreto” deliberava o seguinte:
1. A entrega aos cuidados do Comissariado Popular do Interior da URSS de 1.900 quartos [...] de [vítimas] de repressões para alocação dos funcionários e 600 quartos para alocação das famílias de [vítimas] de repressões que serão retirados dos alojamentos entregues ao Comissariado Popular do Interior da URSS. No total são 2.500 quartos.
2. A colocação no balanço do Comissariado Popular do Interior da URSS os alojamentos libertados pelos funcionários do Comissariado Popular do Interior da URSS, independentemente da sua pertença.
3. A entrega ao Comissariado Popular do Interior da URSS dos prédios do Comissariado de Finanças – 114 quartos; do Conselho [Municipal] de Moscovo – 615 quartos e do prédio do Comissariado Popular de Vias de Acesso – 112 quartos.
4. A entrega ao cuidado do Comissariado Popular do Interior da URSS das mobílias  [...] que se encontram nos apartamentos selados que passam ao fundo de alojamento do Comissariado Popular do Interior da URSS.

Assinado: o Chefe do Conselho dos Comissários Populares da URSS – V. Molotov
(a cópia do documento foi enviada ao chefe Comissariado Popular do Interior da URSS camarada Beria).

domingo, janeiro 15, 2017

Lituânia apoia as Forças Armadas da Ucrânia

No Dia dos Defensores da Liberdade, na Lituânia decorreu o concerto em apoio da defesa da Ucrânia que ajudou a coletar cerca de 120.000 Euros que irão reverter às necessidades das Forças Armadas da Ucrânia (FAU) e das populações ucranianas de Donbas.

A organização voluntária lituana de apoio do Operação Antiterrorista (OAT), Blue/Yellow informou que os fundos foram angariados no decorrer do concerto de caridade, por si organizado e transmitido pela TV nacional lituana, no 26º aniversário da tentativa falhada do poder soviético de esmagar o governo independente lituano em 1991.
Os militares soviéticos atacando o parlamento da Lituânia em 1991
Os fundos serão usados para apoiar a luta heróica das FAU contra os agressores russos e também em prol da população ucraniana de Donbas que sofre as consequências da guerra de ocupação russa.

O evento chamado “Juntos até a vitória” mostrou claramente a unidade e a decisão, vontade e capacidade da Lituânia, das suas autoridades e da sociedade civil, de apoiar a Ucrânia. A ONG Blue/Yellow agradece cordialmente à todos os patrocinadores e apoiantes da iniciativa na Lituânia e nos outros países. Nas próximas semanas os organizadores iniciarão os esforços de apoio concretos, de caráter militar e humanitário.
As manif de apoio da Ucrânia à Lituânia em 1991 e
o apoio da Lituânia à Ucrânia em 2014-1017
Os voluntários lituanos estão decididos não deixar Ucrânia sozinha nessa luta, todos os que sentem a vontade e a necessidade de ajudar, juntando-se aos esforços de apoio, podem contactar os organizadores.

O patrono do evento – o ex-presidente da Lituânia Valdas Adamkus. O evento foi patrocinado pelo Ministério lituano das Relações Exteriores, Forças Armadas da Lituânia e pelo Ministério do Interior.

Obrigado especial ao Jonas Oehman, à Senhora Presidente Dalia Grybauskaitė, as ONGʼs Blue/Yellow e Blue/Yellow for Ukraine e ao todo o povo lituano.

ACIU LIETUVA!!! 

sábado, janeiro 14, 2017

Os “coprófagos” do GRU e do KGB

O famoso historiador britânico de origem ucraniana Viktor Suvorov (Volodymyr Rezun), ex-operativo do GRU soviético que não voltou da Grã-Bretanha em 1978, publicou o seu novo livro “Inteligência militar soviética. Como funcionava a mais poderosa e mais fechada organização de inteligência do século XX”. No livro ele conta vários pormenores interessantes, nomeadamente sobre os “patriotas da URSS” que viviam no Ocidente. Os “coprófagos” no jargão do GRU e do KGB...

A história dos diferentes tipos de agentes seria incompleta sem mencionar mais um tipo de pessoas – provavelmente o menos atraente de todos. Os agentes da GRU eram proibidos de chamar essa gente de agentes, mas eles nem eram agentes, no sentido estrito da palavra, porque a inteligência soviética nunca os recrutava. Refiro-me aos vários membros das sociedades de amizade com a União Soviética. No ambiente oficial, os diplomatas soviéticos tratavam calorosamente estes parasitas, mas entre si os chamavam de “coprófagos”. É difícil dizer porque essa alcunha se colou à eles, mas essa gente a merecia. O nome era amplamente utilizado nas conversas informais entre os funcionários das missões diplomáticas soviéticas: «Hoje temos a tarde de amizade com os “coprófagos”», “Hoje teremos um jantar com a delegação dos “coprófagos”. Preparem uma ementa apropriada».

Os oficiais da GRU e do KGB respeitavam os seus agentes muito mais do que os “coprófagos”. Os motivos do comportamento dos agentes eram claros: uma vida fácil e muito dinheiro. Agente tinha que arriscar muito por causa disso, e se ele não fornecia ao serviço de inteligência soviético o que lhe era exigido, não recebia nem o dinheiro, nem a vida fácil. Uma vez que começava a trabalhar como agente da inteligência soviética, não poderia mais escapar desse cativeiro até o fim de sua vida, tal como no submundo da criminalidade. Mas os motivos dos “amigos da União Soviética” permaneciam incompreensíveis aos olhos dos soviéticos. Cada cidadão soviético, sem exceção, sonhava de estar no exterior e estava pronto para ir para qualquer lugar, desde Mongólia à Camboja.

Qualquer coisa feita no exterior era valorizada na URSS muito acima do produto nacional, independentemente do país de fabricação, do seu estado de conservação e da qualidade real; o adjetivo “importado” significava “de primeira classe”. E agora, se encontrando numa missão no exterior o cidadão soviético se cruza com “amigos da União Soviética”, que desfrutam de todos os frutos da civilização, desde as lâminas Gillette até os bons carros, têm a oportunidade de comprar nas lojas tudo o que o seu coração pode desejar, até mesmo as bananas, e ainda assim estão louvar a União Soviética. Não, para os espiões soviéticos, essas pessoas eram as nulidades completas. O desprezo não impedia ao GRU e ao KGB de usar essas pessoas na primeira oportunidade. Eles estavam dispostos à trabalhar de graça e vir às reuniões, mesmo na embaixada soviética.

O KGB não recomendava recrutar essas pessoas, mas ninguém no GRU e no KGB sequer pensava nisso, para que se preocupar com o recrutamento, se eles trabalhavam para nós na mesma? GRU normalmente usava os “coprófagos” às cegas – sem revelar para que os usam e que tipo de benefícios derivam de seus serviços. Através de tais pessoas normalmente eram colhidas as informações sobre os seus vizinhos, amigos, conhecidos, colegas e assim por diante. Às vezes, alguém dos “coprófagos” era solicitado a organizar uma festa e convidar nela, entre outros, um determinado amigo ou conhecido, que era alvo do interesse do GRU, e em seguida lhe agradeciam a sua ajuda e pediam para esquecer-se deste pedido. E estas pessoas maravilhosas, pois claro, se esqueciam de tudo.

quinta-feira, janeiro 12, 2017

A vedação. 2015 (O resgate do “mundo russo”)

– Mishka, deves, mas é, arranjar a vedação!
O sol está em declínio. A mãe rega a horta / roça de mangueira, olha para o seu filho. Ele – um tipo forte e de face redonda, de cerca de trinta e cinco anos, está sentado na soleira da casa, mastiga um pedaço de relva / grama, e de forma sonolenta e feliz olha às penas ruivas de nuvens, espalhadas largamente por cima da aldeia.

– Mishka, ficaste surdo, ou quê?
De repente, uma das tábuas de vedação é afastada, rangendo, atrás dela entra algo rosado e sujo. Mishka levanta as sobrancelhas em forma de surpresa. A tábua cai, e no quintal se introduz rapidinho o porco vizinho.
– Vai te embora daqui!

Mishka tem preguiça de se levantar, ele apenas abana com a mão com desgosto. Mas o porco é magro e rápido, ele apenas se esquiva, para e olha ansiosamente à roça alheia. O seu dono é descuidado, gosta de beber, o alimenta mal. Então o animal está procurando que Deus lhe enviará.

A mãe repara no porco, pega um galho, corre atrás, o porco corre pela roça. Atinge algumas cabeças de repolho. Mishka finalmente se levanta, abre o portão e o porco corre para a rua.

– Eu lhe disse, é preciso arranjar a vedação! – se irrita a mãe.
– Vou arranjar, depois. – canta Mishka.

A vedação foi feita ainda pelo pai falecido e quando Mishka foi cumprir o serviço militar obrigatório a vedação já precisava da reparação. Mishka queria, então, afixar umas tábuas, substituir um par de estacas, mas ai foi à farra dos recrutas. Voltou, já lá vão uns quinze anos, e a vedação vai se degradando.

Está ficando escuro. A mãe entra em casa para fritar as batatas. A frescura da tarde é revigorante. Mishka decide fazer uma visita ao quintal do vizinho. Sem nenhuma razão especial. Ele empurra a placa e se aperta em um bueiro.

De repente, vê na varanda as botas quase novas de lona, ​​leva-os automaticamente e volta ao quintal. A porta está entreaberta. Se oiça o murmurar da TV. Mishka entra na casa. A televisão é única entre as dez casas, outros também tem os aparelhos, mas estão quebrados e não há mestre para os reparar. Agora, uns vizinhos os visitam “à televisão”, como dizem por aqui.

Mishka entra na sala. No sofá estão sentadas várias mulheres velhas, incluindo a sua mãe. No tapete tecido à mão está sentado o neto de uma das convidadas – o bebé careca de um ano com uma T-shirt branca.

As mulheres esticaram os pescoços, olhando às imagens – todos elas com as suas almas e corações estão lá. Mesmo o bebé, com a boca aberta, vê as notícias, a saliva está pendurada no seu lábio inferior.

Na tela – um prédio em chamas, as pessoas, em camuflagem, correndo.

– Estamos ver o que se passa com os ucranianos. – Explica a avó Sima, sem se virar.
– Na Novaróssia. – Esclarece Mishka. – Mais uma vez estes demónios estão bombardear os nossos.

Da cozinha cheira o queimado, mas ninguém presta atenção, até que o quarto se enche da fumaça.

– Estamos se queimando! – Salta avó Sima.
– Mãe, se queimaram as batatas. O que lá se passa com os ukros, com os ukros! Cacete! – Grita Mishka, percebendo que ficou sem a janta.
– Então, dá cá uma pena pelas pessoas, filho. Os russos sofrem lá. Os fascistas crucificam as crianças. - As velhas vão, levam o bebé chorão.

Na tela aparece um gajo barbudo e começa com tristeza e firmeza falar sobre o destino pesado da Santa Rússia.
Mishka traz os tomates da roça e começa os comer com pão, olhando à tela. Aos poucos, deixa de mascar e oiça com um olhar fixo, como se fosse encantado. De repente a sua própria vida começa lhe parecer pequena e insignificante em comparação com a escala de eventos. Ele coloca do lado o tomate e a fatia do pão.

O politólogo explica com entusiasmo que ao povo russo não chega o conforto quotidiano, quando sabe que algures alguém está sofrendo. O que o russo sempre está sedoso da justiça. Que o seu destino é combater o mal.

Na alma do Mishka renasce o sentimento há muito esquecido, infantil, entusiasta, brilhante – sede de se apressar à algum lugar, fazer algo, salvar alguém, e para que tudo em seu torno mude de tirar o fôlego. Vinte anos atrás, quando na aldeia ainda funcionava o clube, projetando os filmes sobre a guerra, com o tal sentimento Mishka saia do cinema. Esse sentimento foi lhe devolvido pelo politólogo barbudo.

Mishka salta, vai ao quintal – tudo ao seu redor lhe parecia cinzento, detestável. A horta, galinhas, a pilha de madeira. A vedação torta. Que importa a vedação agora? Quando algures os nossos levam dos ukrofaxistas. Vendidos à América! Não há Estaline para eles!

Mishka volta para a casa e começa correr freneticamente, colocando os seus pertences em uma mochila que pensava usar na pesca. Jogou fora um pote de minhocas vermelhas gordas, e elas, alegremente se espalharam pelo chão.

Mishka jogou no chão as roupas do armário e rugiu irremediavelmente:
– Mamãe, onde estão as minhas meias?

Mãe veio correndo, começou preparar Mishka, lamentando:
– Mas à onde, você está indo, nessa hora da noite?
– Para a Novaróssia! Me dá o dinheiro para a passagem. Só de ida.

Vestido a camisa limpa, embora amassada, os jeans cozidos às pressas e calçando as botas roubadas – Deus seguramente perdoará pela causa sagrada, Mishka salta fora dos portões, os bate com tanta força que a vedação cai rangendo para trás, por cima das urtigas. Se abre a visão da casa velha e indefesa, o quintal cheio de lixo e das galinhas assustadas. Mishka se vira, suspira, dá um passo para trás, como se quisesse voltar. Mas é um mau presságio. E abanando a mão, ele rapidamente se afasta pela estrada poeirenta à resgatar o mundo russo.

Ler original da escritora russa Maria V. Strukova.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

O terrorista russo sem noção e sem as pernas

O terrorista russo Sergey Koltunov veio à Ucrânia para matar os ucranianos e achou ser muito à maneira desrespeitar a bandeira ucraniana. Em resultado da sua aventura, o terrorista perdeu as pernas, ganhou três “medalhas”, a cadeira de rodas e a tristeza nos olhos...

O terrorista e mercenário russo de 33 anos de idade e natural da região de Rostov veio ao Donbas para matar os ucranianos e expandir o mundo russo. No meio do seu percurso realmente matava e expandia. Achava muito divertido pisar a bandeira da Ucrânia.
Como bónus pelo seu empenho na guerra russa não declarada contra Ucrânia, Sergey ganhou 3 “madalhinhas” fake pois não garantem nenhum pacote social, uma cadeira de rodas e alguma tristeza nos olhos. Como escrevem os usuários das redes sociais, agora Koltunov, ou seja ½ dele, que deixou de precisar as botas ou as calças, irá sentir na pele a sentença tão antiga como a guerra colonial no Afeganistão: “nos não te mandamos para lá!” Ou seja, a pátria do “mundo russo” sempre o abandonará, é algo simplesmente inevitável.
O mercenário perdeu as pernas após um ataque falhado contra as posições das Forças Armadas da Ucrânia na região de Luhansk, quando em 21 de outubro de 2015 o terrorista russo pisou uma mina (24tv.ua).

terça-feira, janeiro 10, 2017

Madurescu recebeu SMS do Ceauşescu!

Em 21 de dezembro de 1989 o ditador romeno Nicolae Ceauşescu discursou no seu último comício popular na cidade de Bucareste. Apesar do mal-estar social bem visível no vídeo, o ditador ainda acreditava que poderia vencer a revolução popular...

Ceauşescu fez várias promessas para agradar o povo revoltado: prometeu que desde 1 de janeiro de 1990 o salário mínimo passará de 2.000 à 2200 lei; o subsídio infantil de 30 à 50 lei e a pensão de reforma subirá de 800 aos 900 lei (no câmbio oficial 14,5 lei valiam $1 dólar, no câmbio real os 10 maços de cigarros Kent valiam cerca de 100 dólares).
A revolução romena tornou-se real e inevitável quando o exército nacional se juntou ao povo. O casal Ceauşescu foi capturado em 22 de dezembro e já no dia 25 submetido ao julgamento que durou 90 minutos e acabou com uma sentença clara: a morte dos ambos.

A sentença foi executada apenas pelos voluntários, todos pára-quedistas, a elite do exército romeno. O capitão pára-quedista Ionel Boeru, que tinha a ordem anterior de abater o casal no caso de qualquer tentativa da sua libertação, disparou 29 munições em 3 rajadas.

Ele recebeu aqulo que mereceu, até hoje acho assim.

Bónus
Um agente de secreta Securitate (pró-regime) acaba de matar um cidadão desarmado
Um ótimo texto em inglês chamado The Romanian revolution tour com muitas fotos e vídeos. 

segunda-feira, janeiro 09, 2017

Secret Revolution: Memoirs of a Spy Boss

Em novembro de 1979 o catedrático sul-africano Niël Barnard se torna o novo chefe do Departamento Sul-Africano de Segurança Nacional (DONS) que em 6 de fevereiro de 1980 se transforma em Serviço Nacional de Inteligência (NIS). Em 2015 Barnard publicou o livro de suas memórias Secret Revolution: Memoirs of a Spy Boss que seguramente será apreciado por todos os que se interessam pela África e pelo mundo dos serviços secretos.
Niël Barnard e Gert Rothman nas Maurícias
No mundo sinistro dos espiões, poucas regras são respeitadas e tudo é permitido em nome da segurança do Estado – até mesmo falar com o seu inimigo № 1. E é exatamente isso que Niël Barnard fez no final dos anos 1980 como chefe do Serviço Nacional de Inteligência. Instruido por Pieter Willem Botha (1916 – 2006) ele começou as conversações secretas com Nelson Mandela sobre a possibilidade da organização das eleições democráticas na África do Sul. Nem mesmo os membros do gabinete do primeiro-ministro sul-africano foram informados dessas negociações.
A edição em afrikaans
O livro revela os detalhes dessas reuniões que foram o primeiro passo para uma África do Sul democrática. O texto também fala do vínculo pessoal especial que se desenvolveu entre esses dois ex-inimigos. Embora os dois homens tivessem as personalidades fortes e poderiam ser teimosos e até mesmo de mau humor às vezes, eles perceberam a importância do que estavam fazendo.
Niël Barnard em 2015
O livro também oferece uma visão fascinante sobre a vida diária dos espiões e dos sucessos da NIS na década de 1980. Como chefe de espionagem Barnard conseguiu estabelecer relações com amigos e inimigos do estado sul-africano. Ele não só visitou vários chefes de Estado africanos numa época em que a África do Sul foi evitada pela comunidade internacional, mas também conseguiu abrir um canal de inteligência com a URSS comunista (após a detenção na RAS em junho de 1980 do agente do KGB Alexey Kozlov aka “Otto Schmidt” e da sua consequente troca em 11 de maio de 1982 na Alemanha Federal por 8 cidadãos alemães e um militar sul-africano).
Ex-agente do KGB Alexey Kozlov na década de 2010
Em soma, “Secret Revolution: Memoirs of a Spy Boss” é uma leitura obrigatória para quem quer conhecer melhor a história da África do Sul na década de 1980.

domingo, janeiro 08, 2017

O milagre socialista soviético de Ryazan

"Alcançaremos América. Na produção de carne, leite e manteiga per capita"
Em maio de 1957, o líder do PCUS e do estado soviético, Nikita Khruschev, lança o slogan “Alcançar e ultrapassar América!” em todos os indicadores económicos, bem como a construção do comunismo até o ano de 1980. Uma das medidas anunciadas era triplicar a produção da carne no período máximo de três anos. Apesar de todos os esforços do partido-estado, na URSS se sentia a falta de produtos alimentares da primeira necessidade.

Em 1959 o primeiro secretário do Comité Regional do PCUS na região russa de Ryazan, Alexsey Larionov, fez a declaração ambiciosa, prometendo em apenas um ano triplicar a produção pública de carne na sua região. Era a fraude económica que destruiu a economia regional e o levou até a morte.

A região ainda nem começou implementar o seu programa, mas já foi largamente “medalhada”, em fevereiro de 1959 a região recebe a “Ordem Lenine”, o próprio Larionov se torna “Herói do Trabalho Socialista”.

Para cumprir a promessa, o comité regional do partido comunista emitiu a ordem de abate de todos os bovinos nascidos em 1959, mais a maior parte do rebanho leiteiro e os bois “produtores”, acrescentados de toda a criação de gado criado nos kolkhozes. No entanto, mesmo essas medidas não foram suficientes para cumprir a promessa feita, portanto, foi organizada a aquisição do gado nas regiões vizinhas à custa de fundos públicos destinados à aquisição de máquinas, construção de escolas, infra-estrutura, etc.

Em 16 de dezembro de 1959 as autoridades locais reportavam com a pompa e circunstância a execução do cem por cento do plano: a região “vendeu” ao estado soviético 150 mil toneladas de carne, superando em três vezes a produção do ano anterior; fazendo as promessas ainda maiores para 1960 – 180 toneladas!

Nos seus discursos Khrushchev exortava a região de Ryazan, que num só ano aumentou a sua produção de carne em 3,8 vezes. Os responsáveis regionais, criadores do “milagre socialista” e da “alta” produção e abastecimento de carne recebiam altas condecorações estatais. Ninguém podia os criticar, isso seria interpretado como uma espécie de sedição...

No entanto, em 1960, a produção de carne não ultrapassou 30 mil toneladas, após o abate massificado de animais, o seu rebanho diminuiu, em relação ao 1958 em 65%. Os agricultores kolkhozianos, que “cederam temporariamente” o seu gado ao Estado e não o receberam de volta, se recusaram a executar a safra nas terras pertencentes aos kolkhozes, levando à uma queda na produção de grãos em 50%. Até o final de 1960 tornou-se impossível de esconder o desastre completo do programa.

Após a exposição de fraude, em setembro de 1960, Larionov cometeu suicídio, assim acabou o “milagre socialista” de Ryazan.

sábado, janeiro 07, 2017

Feliz Natal é assegurado pela Iron Brigade (3BCT4ID)

Nesta sexta-feira, 6 de janeiro, na cidade alemã de Bremerhaven começou o descarregamento dos equipamentos militares da Unidade de Combate da 3ª Brigada da 4ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA (Iron Brigade). No total, no decorrer das rotações militares #AtlanticResolve, dos EUA para Europa serão movidos mais de 2.700 equipamentos militares.
O navio de transporte “Resolve” atracou no porto de Bremerhaven ainda no dia 4 de janeiro, os navios “Freedom” e “Endurance” são esperados na Alemanha o mais tardar no dia 8. A sua chegada completará a maior transferência dos equipamentos militares americanos na Europa desde a derrocada da União Soviética.
Na cidade de Bremerhaven os blindados serão colocados nos comboios e enviados para a Polónia para a certificação, antes de serem usados nos exercícios militares em diversas nações europeias. Pelos cálculos do Bundeswehr o transporte necessitará de 900 vagões com o cumprimento total do 14 km (todas as fotos @ SFC Jacob McDonald, 21st Theater Sustainment Command PAO).
A parte principal de mais de 4 mil militares da Brigada será levada à Polónia via aérea, onde estará localizada a sua sede. O aumento da presença militar na região é a resposta das nações da Europa Central, aliados europeus dos EUA na NATO pela retórica e as ações agressivas da Rússia. O objetivo da presença americana é para melhorar as capacidades de dissuasão na região, melhorar a capacidade EUA para responder às crises potenciais e defender os aliados e parceiros da comunidade europeia.
O grupo americano será dividido em pequenas unidades, colocadas, em sistema de rotação de 9 meses em diferentes países: espera-se que, em primeiro lugar, estas serão recebidas pela Roménia, Bulgária e Lituânia, no entanto, para já, o Pentágono não revela as suas futuras localizações exatas (USArmyEurope).
Calcula-se que a Unidade de Combate conta com cerca de 4 mil militares, 87 blindados, 18 canhões autopropulsados Paladin, mais de 400 Humwee e 144 blindados ligeiros Bradley.

Bónus

Os 12 pratos (pelo número dos apóstolos) de Tarde Sacra na tradição natalina ucraniana:

quinta-feira, janeiro 05, 2017

2017 é o Ano da Revolução ucraniana de 1917-1921

O ano de 2017 foi oficialmente proclamado na Ucrânia como Ano da Revolução ucraniana de 1917-1921. É o período da proclamação da 1ª república ucraniana e de outras formas do estado soberano nacional, genericamente conhecidos como a luta de libertação nacional.
O Instituto Ucraniano da Memória Nacional (UINP) ajudou na criação do calendário comemorativo (que em princípio será colocado na Internet para a consulta livre para os usuários o puderem descarregar / baixar gratuitamente), em colaboração com o diretor ucraniano Ihor Kanivets (realizador do filme “Revolução Ucraniana”) e o clube histórico-militar “Povstanets” (Insurgente).

Ver o 1º e 2º capítulo do filme (25 min. cada; com legendas em inglês):