quarta-feira, fevereiro 22, 2017

Recordar Olena Teliha, a poetisa ucraniana fuzilada pelos nazis

75 anos atrás, na tristemente famosa ravina de Babi Yar em Kyiv, foi fuzilada pelos nazis a poetisa e ativista política ucraniana Olena Teliha (1906-1942), membro proeminente da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M).   

A sua vida curta parecia um relâmpago: «Amor louco da vida e o desprezo imprudente pela morte. Poderá haver uma junção mais bela e mais profundo?» Assim escrevia e assim agia Olena Teliha – poetisa, crítico literário, figura pública e política, sem dúvida, uma das figuras mais proeminentes da Diáspora ucraniana. Ela entrou na vida como se fosse numa “dança despreocupada”, e saiu dela como uma guerreira corajosa. Nascida nos arredores de Moscovo em 1906, ela viveu na República Checa e na Polónia, mas sempre sonhou e pensou principalmente em Ucrânia. Morreu também na Ucrânia – em Kyiv ocupada pelos nazis.

Por pertencer liderança da OUN-M, ela era procurada pela Gestapo. Foi detida nas instalações da União dos Escritores da Ucrânia, que foi por si liderada durante a ocupação alemã, presa e executada em 22 de fevereiro, em Babi Yar. O seu marido – Mikhaylo Teliha, sem nenhuma relação à literatura (era um engenheiro), acompanhou, de forma voluntaria, a esposa até a morte.

«Aqui estava encarcerada e daqui vai ao fuzilamento Olena Teliha», – raspou ela na parede da sua cela na rua Korolenko № 34 (espaço pertencente ao NKVD-Gestapo-MGB-KGB), agora a rua Volodymyrska № 33. E ainda por cima – desenhou o tridente ucraniano. De lá, ela foi levada à morte.

Eu não vi a pessoa que morria tão heroicamente como esta bela mulher”, – disse um dos oficiais alemães antes da execução da poetisa. Pode-se dizer que a sua vida se duvidiu em duas metades: a primeira – bastante burlesca e despreocupada, e a segunda – a ideológica e heróica. Olena cresceu num ambiente russo. A sua família viveu em São Petersburgo, desde 1918 – em Kyiv. O pai de Olena – Ivan Shovheniv era professor no Instituto Politécnico de Kyiv, na 1ª República ucraniana (1917-1920) dirigiu um dos Departamentos do Ministério dos Caminhos-de-ferro. Após a derrota da revolução ucraniana, a família emigrou para a Checoslováquia. Olena frequentou a faculdade de história e de filologia do Instituto Pedagógico Ucraniano de Praga. Na época de estudante, a falante de língua russa até então, ela opta pela sua identidade ucraniana.

Em 1926 casou com engenheiro ucraniano Mikhaylo Teliha. Na Checoslováquia ganhou o nome como poetisa e crítico literário. Mais tarde, após um encontro com o poeta Oleg Olzhych, em 1939, adere às fileiras da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-M), trabalha no seu departamento cultural. Prepara os textos de folhetos, manifestos, e outros materiais que eram enviados a Ucrânia. Após o início da guerra soviético-alemã, em julho de 1941, juntamente com o escritor Ulas Samchuk entra ilegalmente na Ucrânia, passa pelo Lviv e no dia 22 de outubro de 1941 chega a Kyiv. Aqui a poetisa mergulha na vida cultural e organiza a União de Escritores Ucranianos, colabora com o jornal “Ukrayinske slovo”, onde publica o complemento literário e artístico “Litavry”. As atividades notadas pelos nazis, Olena Teliha recebeu o aviso do perigo de ser presa, a pediram deixar Kyiv, mas ela respondeu: “As pessoas estão esperando por mim. Eu não posso deixar de vir por medo da prisão... Quando eu não voltar, não se esquecem de mim. Quando eu morrer, sei que cumpri o meu dever até o fim...”

No dia 22 de fevereiro de 1942, Olena Teliha, juntamente com o seu marido e outros membros da OUN-M foram fuzilados em Babi Yar. O poder soviético sempre ignorou e silenciou este facto. Um monumento dedicado aos patriotas ucranianos, foi colocado no local das suas mortes recentemente, a sua inauguração solene terá lugar no dia 25 de fevereiro de 2017, às 13h00 (hora de Kyiv), escreve o blogueiro ucraniano, Oleg Leusenko.

A ação internacional “Tryzub é Ucrânia”

Anunciamos a ação internacional do tipo flash-mob, “Tryzub é Ucrânia“ (“Tridente é Ucrânia”), aberto à qualquer amigo e simpatizante da Ucrânia. A meta principal da ação é divulgar a informação, entre a comunidade internacional, sobre os símbolos nacionais e estatais da Ucrânia.
Recentemente, surgiu uma necessidade de melhor identificar, no exterior, os símbolos nacionais e estatais ucranianos. Devido a fraca cultura geral, falta de informação e a propaganda anti-ucraniana, surgiu a situação em que os símbolos nacionais da Ucrânia são confundidos com a simbologia dos movimentos da direita extraparlamentar. Essa situação permite às forças de esquerda extremista, usar os símbolos ucranianos para a sua propaganda anti-ucraniana, desinformando às sociedades de acolhimento sobre a Diáspora ucraniana e sobre a situação na Ucrânia.
A presente ação é organizada pelo Congresso Mundial das Organizações Juvenis Ucranianas (CKYMO) e pelo grupo interparlamentar “Cooperação: Ucrânia – Diáspora”. O flash-mob começou na cidade ucraniana de Volnovakha, mostrando que Donbas realmente é Ucrânia, as fotos da ação podem ser vistas na página social do evento.

Aderir à ação:

1) Imprimir o cartaz com o slogan “Tridente é Ucrânia” ou “Trident is Ukraine” e fazer uma foto horizontal.
2) Publicar a foto na página oficial da ação www.facebook.com/events/234505363677566 e no seu perfil nas páginas sociais com hashtag #ТризубцеУкраїна #TridenteéUcrânia #TridentisUkraine e a cidade do país, onde foi feita a foto: Curitiba, Brasil #TridenteéUcrânia.
3) É possível fazer as fotos em grupo, das pessoas vestindo as camisas bordadas ou com símbolos da Ucrânia, ou a foto em que as pessoas formam o tryzub. A criatividade é vossa!
4) Marcar os seus amigos nas redes sociais e lhes passar este desafio.
5) Enviar as fotos de boa qualidade (para e impressão) ao e-mail: tridentisukraine@gmail.com

Os cartazes já prontos em ucraniano e inglês:

No fim de agosto de 2017, na cidade de Dnipro, no decorrer do Fórum da Juventude Ucraniana da Diáspora “Dnipro 2017” é planeada uma exposição fotográfica de melhores e mais originais fotos.

Glória à Ucrânia!

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Ucranianos de Portugal afugentam o embaixador russo

Nesta terça-feira os ativistas da diáspora ucraniana em Lisboa impediram o Embaixador russo à discursar no seminário organizado pelo Instituto da Defesa Nacional (IDN) e pelo Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa (IPRI-UNL), denominado “A Federação da Rússia no Sistema Internacional”.
Como explicavam os organizadores, o evento, inserido no ciclo de seminários sobre os BRICS, inscreve-se no seu esforço “em proporcionar um contraste de visões sobre o posicionamento da Federação da Rússia na região e no mundo”.
Conhecendo, em primeira mão, o «posicionamento da Federação da Rússia na região e no mundo», a comunidade ucraniana de Portugal montou o seu piquete na entrada ao seminário com o slogan próprio: «não se fala sobre o combate contra o terrorismo com os terroristas!»
Conforme o programa do mesmo seminário, foi prevista a intervenção programática do embaixador russo em Portugal, Oleg Belous, que simplesmente não veio ao encontro por causa da manifestação da comunidade ucraniana. O líder da Associação dos Ucranianos em Portugal, Pavló Sadokha, escreveu no seu Facebook, que a informação sobre a recusa do embaixador de aparecer no evento devido à intervenção dos ativistas ucranianos foi confirmada pelos organizadores do certame.
Sabe-se que os ativistas ucranianos planearam a sua manifestação com antecedência, algo que não foi divulgado publicamente, para se tornar uma verdadeira surpresa aos organizadores do seminário e, especialmente, aos diplomatas russos em Lisboa.

Oligarca Dmytro Firtash à um passo de extradição aos EUA

Nesta terça-feira o Tribunal Superior Regional de Viena decidiu a extradição do oligarca ucraniano Dmytro Firtash aos EUA. Na saída do tribunal Firtash foi surpreendido com a sua detenção, uma medida, aparentemente, sem a conexão com a decisão de extradição, escreve a página ucraniana Novynarnia.

O Tribunal satisfez o apelo da Procuradoria austríaca (MP), contra a decisão anterior do Tribunal Criminal Regional de Viena em recusar a extradição, na base de sua crença de haver as razões políticas na base do pedido de extradição, formulado pelos Estados Unidos.
Firtash, momentos antes da sua detenção, mas já sabendo da decisão de extradição
A porta-voz da procuradora de Viena explicou aos jornalistas que, tecnicamente, a detenção do Firtash não está ligada à decisão de o extraditar aos EUA e é feita na base de uma ordem judicial espanhola, em que oligarca é acusado de lavagem de dinheiro, escreve a Deutsche Welle. A decisão final sobre a extradição caberá ao Ministro federal da Justiça da Áustria.

Os EUA acusam o oligarca ucraniano, dono do grupo industrial DF Group, anteriormente o chefe do monopolista energético “RosUkrEnergo”, conhecido pelos seus laços próximos com Moscovo em acto de suborno no valor de 18,5 milhões de dólares, para a obtenção, fora do concurso, da licença de exploração depósitos de titânio na Índia. Em 2014 os EUA solicitaram a sua extradição da Áustria, Firtash saiu em liberdade, sob a fiança de 125 milhões de Euros. Em 30 de abril de 2015 o Tribunal Criminal Regional de Viena recusou a sua extradição.

Dmytro Firtash, dono de uma fortuna avaliada em 3,3 biliões de dólares, ainda tentou impugnar o acordo de extradição entre Áustria e os EUA (Sic!), mas o tribunal simplesmente se recusou a apreciar o caso. Nos EUA Firtash se arrisca à uma pena prisional de até 50 anos e confisco de todos os seus bens.

Vitaly Churkin: na cama com Lenine (+18)

O representante da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, aceitou #ExplosionChallenge dos terroristas Motorola e Givi, morrendo em Nova Iorque. Não sentimos nenhuma pena, as suas mentiras mataram tantos ucranianos, como as armas dos mercenários terroristas. Ficou apenas uma única incógnita: quem será o próximo?
Pouca gente sabe, mas na sua meninice o embaixador Churkin era garroto-ator de cinema, num dos seus papéis ele até partilhou a cama com próprio Lenine, o líder do proletariado mundial.
Nascido em 1952, Churkin participou em alguns dos filmes soviéticos, nomeadamente “Caderno azul” (1964); “Zero três” (1964) e “Coração da mãe” (1965). Quer o “Caderno azul”, quer “Coração da mãe” são dedicadas ao Lenine, um tema imbatível no cinema soviético, pois a figura do Lenine era equiparada na URSS à santíssima trindade: Lenine era Deus, seu filho e espírito comunista, tudo simultaneamente. O “Caderno azul” até era a película bastante liberal, mostrando, pela primeira vez em décadas, o líder comunista Grigory Zinoviev como colega e companheiro do Lenine e não como traidor imperialista. Estreado nos cinemas em 1964, o filme foi retirado da exibição pública logo após a queda do Khrushev, em outubro do mesmo ano.
A filmografia do jovem Churkin
Desde o início da guerra russo-ucraniana Churkin usava muito da sua preparação artística para manter a face, desmentindo o envolvimento direto do seu país na ocupação da Ucrânia, ou acusando Ucrânia dos “crimes” simplesmente inventados (fonte).

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Militares russos liquidados em Síria: 4 mortos e 2 feridos

Em Síria, em resultado da explosão de um AEI, morreram 4 militares russos, dois outros foram gravemente feridos. Ao menos um dos militares mortos, no passado recente era o terrorista russo na Donbas, mostra a investigação OSINT ucraniana.  

A explosão ocorreu no dia 16 de fevereiro, a viatura com os militares russos estava inserida na coluna militar síria e se dirigia do aeroporto militar de Tiyas (a famosa base russa T4) em direção à cidade de Homs. Após percorrer cerca de 4 km, a viatura explodiu, atingida pelo AEI, possivelmente acionado por controlo remoto. Dado que não é nada fácil atingir a viatura certa numa coluna militar em andamento, é possível que a viatura, usada pelos militares russos, foi armadilhada ainda na base T4.
A publicação russa E1 informa que no mesmo dia, 16 de fevereiro na Síria também morreu o 1º tenente de artilharia Vadim Magamurov (1985), o chefe da unidade dos batedores. Na versão russa e citando o seu amigo, Elnar Sadirov, o 1º tenente Magamurov foi liquidado pelo fogo de metralhadora pesada dos militantes sírios. Sadirov também deixou escapar que conheceu o artilheiro russo em Donetsk, em 2014, ou seja, mais que provável que ambos eram terroristas russos, inseridos nos bandos armados, lutando contra Ucrânia e contra as suas forças armadas no leste da Ucrânia.
Até 16 de fevereiro, as oficiais perdas russas na Síria eram de 25 militares e duas enfermeiras, afetas ao Ministério da Defesa, informa a TV russa TV rain.

A publicação russa Nash Gorod revelou o nome de um outro militar russo morto na Síria, o major Pavel Kozachenko de 31 anos, fuzileiro naval, sepultado em 19 de fevereiro na cidade russa de Penza. A publicação estabelece claramente que major Kozachenko foi vítima de uma explosão AEI.

Bónus
A para abrilhantar o dia, chegou a notícia de que Vitaly Churkin aceitou #ExplosionChallenge do Motorola, Anashenko e Givi, batendo a bota em Nova Iorque, nas vésperas do seu aniversário. Não sentimos nenhuma pena, as suas mentiras mataram tantos ucranianos, como as armas dos mercenários terroristas. Ficou apenas uma única incógnita. Who is next?

domingo, fevereiro 19, 2017

A esquerda portuguesa e a sua ingerência nos assuntos internos da Ucrânia

A Assembleia da República Portuguesa condenou a ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia: o voto apresentado pela bancada do PCP e aprovado pelas bancadas do PS, PCP, BE e PEV, com votos contra de PSD e CDS. A Diáspora ucraniana de Portugal considera que o voto da esquerda, na verdade, tenta justificar a guerra de agressão e de ocupação russa, apoiando e favorecendo o agressor, e não o país que está resistir à essa mesma agressão militar ilegal – Ucrânia.

Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa,
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa,
Estimados Senhores Deputados da Assembleia da República Portuguesa.

Na passada sexta-feira, dia 17 de fevereiro de 2017, a Assembleia da República Portuguesa condenou a ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia (ocorrida em 2015). O voto contra a ilegalização dos comunistas foi apresentado pela bancada do PCP e aprovado pelas bancadas do PS, PCP, BE e PEV e teve o voto contra de PSD e CDS.

No texto aprovado, lê-se que a lei de 2015 da Ucrânia que ditou a ilegalização dos comunistas “é antidemocrática e contraria às normas e convenções do direito internacional”.

Excelências, os ucranianos residentes em Portugal, naturalizados e imigrantes, os cidadãos cumpridores da lei e co-responsáveis pelo desenvolvimento e pelo bem-estar deste país acolhedor, não precisam de recordar a necessidade absoluta desta AR de se abster na ingerência, aguda e mal informada, nos assuntos internos de um país independente e soberano, que nos últimos três anos se tornou a vítima da ocupação e de anexação estrangeira, tendo as partes do seu território nacional ocupadas ilegalmente pelas forças “híbridas” (regulares e irregulares), criadas, financiadas e armadas pela federação russa.

Recordaremos no entanto que o artigo 37º da Constituição da Ucrânia estipula a proibição de “formação e actividades dos partidos políticos e das organizações públicas, cujas metas estatuais ou cujas ações visam eliminar a Independência da Ucrânia, a ordem constitucional, violar a soberania e integridade territoriais, comprometer a segurança...”

O mesmo é secundado pela Lei da Ucrânia “Sobre os partidos políticos da Ucrânia” que prevê, no seu artigo 5º, a “proibição da formação e das actividades dos partidos políticos, caso os seus objetivos ou ações programáticas são destinadas à eliminação da Independência da Ucrânia”.

É do conhecimento geral que desde 16 de março de 2014 a parte integrante da Ucrânia – península da Crimeia é ilegalmente ocupada e anexada pela federação russa (através de um “referendo”, considerado ilegal pela Resolução № 68/262 da Assembleia Geral das Nações Unidas). Desde abril de 2014, a própria Ucrânia continental é alvo do ataque militar “híbrido”, perpetuado pelas forças paramilitares russas, com apoio dos separatistas locais, uma parte dos quais pertencia às estruturas e às lideranças locais do Partido Comunista da Ucrânia.

No dia 14 de junho de 2014, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) entregou ao Ministério da Justiça da Ucrânia o dossier das evidências de atividades ilegais do Partido Comunista da Ucrânia e dos seus representantes. A base de evidências destas actividades ilegais consistia em cerca de 120 páginas, além de provas de vídeo e áudio. Em particular, a evidências demonstravam o envolvimento direto e ativo de representantes do Partido Comunista da Ucrânia nas ações que levaram à ocupação da Crimeia pela Rússia, nas ações de fornecimento de armas e financiamento de terroristas nas regiões do leste da Ucrânia, na organização dos referendos ilegais e separatistas nas regiões de Luhansk e Donetsk. Além das provas documentais da participação direta das estruturas do Partido Comunista da Ucrânia em açõs armadas contra as Forças Armadas da Ucrânia, no decorrer da Operação Antiterrorista (OAT).

Além disso, em 23 de julho de 2015, o Ministério da Justiça da Ucrânia aprovou um parecer jurídico sobre o não cumprimento pelo Partido Comunista da Ucrânia da Lei “Sobre condenação dos regimes totalitários comunista e nacional-socialista (nazi) na Ucrânia e a proibição de propaganda de seus símbolos” (a vítima dos dois maiores totalitarismos da século XX, do comunismo e do nazismo, Ucrânia apoia plenamente a Declaração de Praga sobre Consciência Europeia e Comunismo, que por sua vez possui o apoio do Parlamento Europeu, particularmente na sua Resolução sobre a Consciência Europeia e o Totalitarismo, e pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).

Finalmente, em 16 de dezembro de 2015, o Tribunal Administrativo do Distrito de Kyiv (Kiev) concluiu o julgamento do pedido do Ministério da Justiça da Ucrânia de proibição do Partido Comunista da Ucrânia. O processo decorria na presença do Responsável dos Direitos Humanos do Parlamento da Ucrânia. O tribunal satisfez o pedido do Ministério da Justiça na íntegra, proibindo as atividades do Partido Comunista da Ucrânia (PCU e todos os outros grupos e organizações comunistas deixaram de fazer a parte no processo eleitoral desde 24 de julho de 2015).

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República,
Estimados Senhores Deputados,
Excelências,

Cada país europeu possui a sua própria história, passou por suas próprias vivências coloniais e lida, de forma diferente, com o seu passado colonial e a presente pós-colonial. Ucrânia é uma jovem democracia que por cerca de 350 anos foi dominada por uma potência colonial estrangeira – o Império russo. Após um curto período de vigência da 1ª República de inspiração socialista (1917-1920), o país foi novamente ocupado pela Rússia bolchevique, a futura URSS.

Tento em conta a complexidade do passado histórico e do presente da Ucrânia, a comunidade ucraniana de Portugal e da Diáspora, exorta a Assembleia da República Portuguesa, de se abster, desde já e para o futuro, de quaisquer declarações e/ou condenações unilaterais, que sem acrescentar nada nas relações fraternas entre Portugal e Ucrânia, apenas podem prejudicar o desenvolvimento harmonioso destas mesmas relações.
  
Por fim, em nome da comunidade ucraniana de Portugal e da Diáspora, condenamos e repudiamos veemente a decisão da Assembleia da República Portuguesa, tomada no preciso momento em que Ucrânia precisa de todo o apoio internacional para parar a agressão militar russa. Consideramos que o voto irrefletido do PS, PCP, BE e PEV, na verdade, tenta justificar a guerra de agressão e de ocupação russa, de facto, apoiando e favorecendo o agressor, e não o país que está resistir à essa mesma agressão militar ilegal – Ucrânia.

Com muita estima, cordialmente,

Associação dos ucranianos em Portugal, Presidente – Pavlo Sadokha,
Presidente da subdelegação de Lisboa – Olga Petriv Ferreira,
Presidente da subdelegação de Águeda – Nadiya Umanska,
Presidente da subdelegação de Leiria – Yulia Grygoryeva,
Subdelegação de Santiago do Cacém – Vasyl Senkiv,
Presidente da subdelegação das Caldas de Rainha – Mariya Ryakova,
Presidente da subdelegação de Abrantes – Yulia Balyuk,
Presidente da subdelegação de Lagos – Roman Prystay,
Presidente da subdelegação de Braga – Valentyna Bykova,
Presidente da subdelegação do Funchal – Maria Cherkas,
Presidente da subdelegação de Viseu – Andriy Dyakun,
Presidente da subdelegação de Santarém – Tetyana Tarnavska,
Presidente da  subdelegação de Vila Nova de Gaia – Alyona Smertina,
Presidente da  subdelegação da Marinha Grande – Nadia Shkuro.

Associação UPE—Centro Social e Cultural Luso-Ucraniano, Vasyl Bundzyak,
Associação “Fonte de Mundo”, Presidente – Boris Kucheras,
Associação dos ucranianos do Algarve, Presidente – Igor Korbelyak,
Associação Pirâmide das palavras, Presidente – Myroslava Martynyuk,
Centro Educativo e Cultural “Milagre do Mundo” (Lisboa), Diretor – Vlada Kiyak,
Centro Educativo e Cultural «Oberig», director – Ulyana Kucheras,
Centro Educativo e Cultura “Escola Ucraniano-Portuguesa T. Shevchenko” (Faro), Directora – Natalia Dmytruk,
Comunidade dos ucranianos na cidade de Albufeira.

Declaração da Srª Embaixadora da Ucrânia em Portugal Inna Ohnivets (video):

sábado, fevereiro 18, 2017

Rússia reconhece os “passaportes” da “dnr” e “lnr”: uma oferenda à Ucrânia?

O presidente russo assinou o decreto do reconhecimento formal dos documentos emitidos pelas organizações terroristas “dnr” e “lnr”, a medida chamada de “temporária”, alegadamente até a resolução do conflito no leste da Ucrânia. O decreto oficializa a prática russa existente e poderá levar às novas sanções ocidentais contra Rússia, na medida que o reconhecimento atenta contra a soberania da Ucrânia.

Putin legitimou as práticas que, de facto, já estavam funcionar na Rússia. Os “passaportes”, certificados escolares e outros documentos emitidos pelas “dnr” e “lnr” são reconhecidos na Rússia, de facto, desde 2015. As pessoas munidas de documentos emitidos pelas “repúblicas populares” eram livres de atravessar a fronteira com a Rússia, e praticamente sem problemas compravam as passagens aéreas e ferroviárias. Apenas os bancos recusavam a concessão de empréstimos na base de tais “documentos”. Até o início de 2017 a “dnr” já emitiu 40.000 “passaportes” e “lnr” dezenas de milhares.

Agora, os “passaportes” da “dnr” e “lnr” passarão ser obrigatoriamente aceites por todas as entidades russas como os documentos de identidade válidos. O governo russo irá alterar os regulamentos das agências estatais, nomeadamente do Ministério da Educação (certificados e diplomas), do Ministério do Interior (registo de residência), do FSB (a travessia da fronteira), do Ministério dos Transportes (venda de passagens) e do Banco Central (abertura de contas e empréstimos). Após a publicação das ordens correspondentes, os “passaportes” dos terroristas terão o seu estatuto final. Para impor a nova regra à sociedade, as autoridades reguladoras russas podem usar uma variedade de ferramentas – desde multas a revogação da licença.

A nova decisão do Kremlin poderá agravar as sanções ocidentais contra as empresas e os funcionários estatais russos. Eles não se podem recusar à cumprir o novo decreto, o que significa que todos os bancos, companhias aéreas e outras empresas serão obrigadas a aceitar o “passaporte” da “dnr” e “lnr”. Por sua vez, os EUA e a UE sempre indicavam que iriam introduzir medidas restritivas contra os indivíduos e empresas que ponham em causa a integridade territorial da Ucrânia. O reconhecimento oficial de “passaportes” emitidos pelos terroristas tem todas as possibilidades de sere classificado como tal.

As sanções não entrarão em vigor automaticamente e contra todos os implicados. Os organismos ocidentais primeiro vão ter que estabelecer que certas empresas russas são envolvidas na violação do regime de sanções. Por exemplo, o Tesouro dos EUA periodicamente atualiza a sua lista de empresas russas que trabalham na Crimeia, na base das novas informações disponíveis. A última atualização foi feita em dezembro de 2016, embora as sanções já funcionam por mais de dois anos.

Para já não está claro como as empresas russas irão operar após a assinatura do novo decreto. As grandes empresas russas, na sua maioria, têm medo de trabalhar na Crimeia, na península não funcionam os maiores bancos e operadoras de telefonia móvel. As companhias aéreas russas continuam à voar à Crimeia, apenas a “Dobrolet” foi completamente banido do espaço ocidental, a empresa voava apenas de e para Crimeia, escreve a página Meduza.

Reação da Ucrânia
A decisão da federação russa de reconhecimento dos passaportes das ditas “dnr” e “lnr” é mais uma evidência da ocupação russa e da violação do direito internacional. Muito simbólico e cínico que tudo isso aconteceu no decorrer da Conferência de Segurança de Munique. Essa decisão [russa], teve, nomeadamente, a nossa atenção no encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence”, escreveu no seu Facebook o presidente ucraniano Petró Poroshenko.

Reação dos terroristas
Os terroristas agradeceram a Rússia pelo reconhecimento de seus “documentos”. O chefe da “dnr”, Alexander Zakharchenko, afirmou que “se a Mãe-Pátria, de forma alta e corajosa apoia a nossa luta, então a nossa luta é justa, significa que os nossos sacrifícios não são em vão, as nossas expectativas são justificadas”. O chefe da “lnr”, Igor Plotnitsky seguiu a mesma deixa: “O dia de hoje é mais um passo ao reconhecimento internacional da soberania da nossa república. A decisão do Vladimir Putin é uma ilustração vívida de quem exatamente é o nosso povo irmão”.

Visão otimista: “um presente à Ucrânia”
A decisão de Putin de reconhecer os passaportes dos terroristas é um presente para Ucrânia. De todos os pontos de vista. Mas oficialmente ninguém irá dizer isso. Haverá condenações. Possivelmente, mesmo o agravamento das sanções. Moscovo fica enraivecido porque tudo corre não como tinha planeado. Agravamento é a única maneira deles para atrair a atenção depois de críticas do Ocidente. Esta decisão confirma que a ideia de negociar com Ocidente nas costas da Ucrânia falhou. Quem ficará mal, após esta decisão, que na prática significa a anexação de Donetsk e de Luhansk?

Apenas Moscovo – quer à curto, quer à longo prazo. A decisão deveria, supostamente, baixar a onda de decepção entre os fãs de “novaróssia”, após tantos assassinatos de seus líderes. Mas a decisão significa, para os locais, que não os querem receber como os “russos”, eles serão “repúblicas”, sem futuro e com “passaportes” seus e não os russos.

De facto, Putin simplesmente aquece a situação, para usá-la nas negociações com o Ocidente e supostamente fortalecer as suas posições. Ucrânia precisa de um muro ao longo da linha da frente. E ao longo da fronteira com a Rússia, que agora é quase o mesmo (fonte). #maissanções
Visão pessimista: o mais popular blogueiro georgiano, Cyxymu, recorda que em abril de 2008 Rússia tinha reconhecido os “passaportes” da Abecásia e da Ossétia do Sul, apenas quatro meses antes da guerra de 5 dias, em que Moscovo mais uma vez, atacou um país vizinho, sem declarar a guerra, causando a destruição e sofrimento humanos. 

Ator zoófilo russo fará o papel do líder terrorista russo na Donbas

O polémico ator russo, Aleksey Panin, conhecido, sobremaneira, pelas suas relações amorosas com um cão, fará o papel do líder dos terroristas russos na Donbas, num filme russo, baseado na obra do escritor estalinista e anti-semita Alexander Prokhanov.

O meu personagem é ambíguo: é miliciano, mas não é nada limpo e fofo. Com um passado. Pelas suas ações de hoje ele é definitivamente um herói, mas com uma biografia controversa. Para mim é uma história muito interessante, explica o ator numa entrevista ao jornal russo KP.ru

Em 2013 ator efetuou o coming-out, afirmando ser o bissexual, mais tarde causou muita polémica, afirmando num talk-show que o seu sonho é fazer felácio à um homem. Em 2014 apoiou a anexação da Crimeia pela Rússia e a ocupação russa de Donbas. Em 2015 Panin foi internado numa clínica psiquiátrica de Moscovo, após o ataque agudo de delirium tremens. Mas a “fama” maior, alcançou o ator quando em 2016 a TV russa NTV mostrou um vídeo (supostamente o trecho de um filme porno) em que uma pessoa extremamente parecida com ele entra em vias de facto com um cão...  
Blogueiro: o ator é absolutamente perfeito para representar um líder terrorista russo na Donbas, pois tudo nele é absolutamente genuíno, desde a sua face à biografia, das ambiguidades físicas e morais às tendências amorosas. Os terroristas russos, seguramente aprovarão a escolha do realizador.    

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Recordando o 2º aniversário dos combates em Debaltseve

As fotos são do blindado ligeiro russo BPM-97, destruído pelas forças ucranianas na batalha de Sanzharivka (colina 307,5), pertencente às forças russo-terroristas. Na batalha de Debaltseve os ucranianos destruíram pelo menos 3 blindados deste tipo, o da foto foi queimado pelos defensores do ponto reforçado ucraniano “Seryoha”.  
Recorda o major Oleh Barkatov, comandante do pelotão de blindados da 92ª Brigada das FAU, ponto reforçado “Seryoha”:
“Em 27 de janeiro de [2015] os blindados ucranianos vieram aos pontos reforçados de “Valera”, “Seryoha” e “Lyokha”, na parte oriental do campo de batalha. No dia seguinte já entramos em combate, aniquilamos a coluna de equipamentos militares terroristas. No meu ponto reforçado eu possuía dois blindados, do Ivan Bozhko e meu, mais o blindado ligeiro BMP da 128ª Brigada. Os nossos blindados estavam bem camuflados, debaixo das redes próprias. Perto estava o blindado atingido da 17ª Brigada das FAU.
Atingimos três blindados [dos terroristas], blindado ligeiro KamAZ “Vystrel”. Apenas o exército russo tem a tal coisa. Atingimos o [rebocador] MTLB, uns três KamAZ [BMP-97], o tudo o que ficou junto à zona verde, não vi bem” (fonte).
Blogueiro; as criaturas que aparecem nas fotos pertencem aos bandos armados da dita “lnr”, os terroristas tem a tendência estranha de tirar as fotos junto aos seus próprios equipamentos militares destruídos.

Bónus

O vídeo que se segue foi filmado pelos militares ucranianos do 25º Batalhão “Kyivska Rus”, as imagens mostram os combates contra as forças russas nos arredores de Debaltseve e Ridkodub; os equipamentos militares russos destruídos; a saída dos militares ucranianos do cerco terrorista.