sexta-feira, junho 22, 2018

Países do G7 pedem libertação de cineasta ucraniano preso na Rússia

O cineasta ucraniano Oleg Sentsov durante o seu julgamento | foto: Sergey Pivovarov/Reuters
Os países do G7 afirmaram nesta quinta-feira (21) que estão muito preocupados com o destino do cineasta ucraniano Oleg Sentsov, preso na Rússia e em greve de fome há um mês, e pediram sua libertação em uma troca de detentos entre Moscovo e Kyiv, informa página brasileira G1.
“Estamos muito preocupados com a situação de Oleg Sentsov e outros presos e detidos na Rússia”, afirmaram os embaixadores em Kyiv das sete potências do G7: Estados Unidos, Canada, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha, França e Itália.

“Sua libertação, como parte de uma troca bilateral de detidos, constituiria um avanço humanitário importante”, destacaram em uma declaração conjunta divulgada no Twitter.
Contrário à anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, Oleg Sentsov foi condenado por “terrorismo” e “tráfico de armas" em um processo chamado de estalinista pela organização Anistia Internacional e denunciado pela Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos.

Greve de fome
Nesta quinta-feira (22/06/2018), seu 38º dia sem alimentação, o cineasta de 41 anos afirmou que está disposto a morrer na prisão para exigir a libertação de todos os prisioneiros políticos ucranianos detidos na Rússia.
Os presidentes da Rússia e da Ucrânia, Vladimir Putin e Petró Poroshenko, mencionaram recentemente a possibilidade de uma troca de prisioneiros entre os dois países.
Ao comentar a hipótese de um indulto reclamado por alguns defensores do cineasta, o Kremlin afirmou esta semana que o procedimento deveria ser solicitado “pelo próprio condenado”.
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O Conselho Europeu, assim como várias personalidades, incluindo o escritor americano Stephen King, também pediram a libertação do cineasta.

quinta-feira, junho 21, 2018

Protestantes ucranianos vítimas do terror religioso russo

Na cidade ucraniana de Sloviansk foram solenemente homenageados quatro moradores locais – dois diáconos e dois fiéis da igreja protestante “Transfiguração do Senhor”, mortos pelos terroristas russos e separatistas locais na onda do terror do verão de 2014.
Quatro anos atrás, os terroristas russos do bando de inspiração neonazi «Exército Ortodoxo Russo» atacaram o salão de oração da igreja protestante «Transfiguração do Senhor» na cidade de Sloviansk e detiveram ilegalmente dois diáconos: Volodymyr Velychko e Viktor Bradarsky, assim como dois filhos crescidos do pastor: Ruvim e Albert Pavenko.
Eles foram torturados por um longo período de tempo. Depois os terroristas os colocaram dentro de uma viatura, prometendo que seriam libertados, em vez disso, os quatro foram levados aos arredores da cidade, onde foram assassinados. Mesmo assim, os assassinos durante um mês chantageavam os seus familiares, exigindo (e acabando por receber) o resgate pela sua libertação. Os adeptos do Putin, da “novaróssia” e do “mundo russo” deixaram órfãos 11 crianças.
Os detalhes deste crime são realmente revoltantes (ler mais em ucraniano).

RIP Stepan Chubenko (16) morto por manter a fita com as cores ucranianas
Quatro anos depois, os moradores de Sloviansk, cristãos locais, às suas próprias custas, construíram um memorial no exato local da morte para recordar as vítimas da agressão russa. No dia 17 de junho, os cidadãos se uniram para recordar os mártires pela fé e pela Ucrânia.
memória eterna às vítimas inocentes da agressão russa.

Texto: Ukrinform Fotos: Administração Estatal de Donetsk

Blogueiro: todas as vítimas eram moradores locais, eles não participavam nas atividades políticas, o seu único crime era professar a fé protestante e pertencerem à classe média. Estes dois factores os fizeram vítimas preferenciais do neonazis russos e dos separatistas locais.
RIP pastor Oleksandr Homchenko, "culpado" por orar pela Ucrânia

quarta-feira, junho 20, 2018

Os cossacos russos do Wehrmacht exibem a sua arte de matar (+18)

No decorrer da II G.M. nas diversas unidades de Wehrmacht serviram entre 50.000 à 80.000 cossacos russos de Astrakhan, Don, Kuban, Terek, Sibéria e Urais. No total, em 1945, se renderam aos aliados mais de 135.000 cossacos, cerca de 50.000 deles foram entregues, à força, às autoridades soviéticas.

Estado-maior de tropas cossacos de Kuban, Terek e Don (ao serviço de Wehrmacht),
cidade de Melitopol (sudoeste da Ucrânia), 1944
Durante os primeiros anos da guerra nazi-soviética, milhares de cossacos russos se aliaram aos nazis. Formando até 20 divisões (nos meados de 1943) e grupos auxiliares, que foram treinadas principalmente para executarem as tarefas policiais, na luta contra os partisanes soviéticos ou na segurança das infra-estruturas. Sob comandos militares alemães funcionavam várias centenas de cossacos, por exemplo duas centenas de cossacos de Don estavam localizadas na Stanytsia Luhanska e mais duas – em Krasnodon (Sorokyne desde 2016), ambas na região de Luhansk. Na sua passagem, os cossacos russos se destacaram pela sua crueldade. Principalmente contra as populações civis e outros “inimigos do 3º Reich”.


Na Ucrânia, a partir do outono de 1941, as tropas ocupantes húngaras também se dedicavam às funções de segurança, com as quais contavam com auxílio dos cossacos russos. O seu inimigo comum eram os partisanes soviéticos.

Uma série de nove imagens perturbadoras foi feita em outono de 1941 em algum lugar da Ucrânia ocupada. Dificilmente poderemos saber mais sobre essa incrível série de fotos, do que apresentaremos neste histórico. Um cossaco russo com um sabre cossaco (shashka) executa dois civis ucranianos, possivelmente os prisioneiros do Exército Vermelho (RKKA) ou partisanes soviéticos, num ritual macabro especial. Num pátio espaçoso, os militares húngaros assistem o evento e tiram as fotos.
Se colocarmos as imagens em linha, a história se desenrolará perante os nossos olhos. Primeiro homem é morto pelo cossaco, que cavalga ao seu redor, mostrando a virtude cossaca, com apenas um golpe sacrificando a vítima, e ao segundo homem, na “demonstração” é dissecada a orelha, antes do golpe letal.
As fotografias foram entregues à Coleção Fotográfica do Museu da História Contemporânea (depois o Museu do Movimento dos Trabalhadores da Hungria, agora departamento de Fotografia Histórica do Museu Nacional da Hungria), em 1965, por um ex-correspondente de guerra que fotografou o evento.

A série foi feita por capitão húngaro Zsolt Bedő, que provavelmente pertenceu ao Diretório de Oficiais do 2º exército real húngaro. Neste local, apenas um correspondente de guerra ou um oficial do exército poderia fotografar. Não se sabe se as mesmas imagens foram publicadas na impressa da época.

Durante a II G. M., foi feito um número relativamente grande de fotografias de várias atrocidades e execuções. Os eventos horríveis eram fotografados quase compassivamente, por aqueles que tinham uma câmara, e graças à eles uma grande parte destas imagens foi preservada. Tais fotografias podem ser uma fonte particular, às vezes primordial, das pesquisas históricas, já que os acontecimentos semelhantes raramente foram acompanhados pelas fontes escritas e documentação.

Imagens chocantes e dramáticas permaneceram no museu húngaro por décadas. Tamás Stark publicou duas delas em 1991 no seu álbum fotográfico “Hadak Útján” (O Exército Real Húngaro na Segunda Guerra Mundial). A série inteira está sendo publicada pela primeira vez [fonte].

Bónus
Descarregar/baixar o livro em inglês
A mesma crueldade que os cossacos russos mostraram ao serviço do 3º Reich, foi aplicada aos próprios, pelas autoridades soviéticas. Os cerca de 50.000 cossacos que foram entregues à URSS pelos aliados tiveram destinos tristes: a sua liderança foi executada pelo NKVD e os cossacos de baixos patentes foram condenados aos longos termos prisionais (até 25 anos) no sistema de GULAG soviético.  
Os jovens cossacos russos de Kuban, filiados na organização neonazi russa "Kuban-88"
(eram ativos na Donbas no verão de 2014-15, usando o nome mais neutro de Kornilovtsi)
Novamente os cossacos russos de Kuban apareceram na Ucrânia no decorrer na guerra russo-ucraniana, em 2014, mais uma vez se destacando pela crueldade desmesurada contra civis e prisioneiros ucranianos de guerra. A história de repete sempre...
Chefão cossaco russo Nikolay Kozitsin da "Guarda Nacional Cossaca",
região ucraniana de Luhansk, cerca de 2014

Campeonato/Copa 2018: ufanismo futboleiro polaco

A equipa de futebol polaca/polonesa se inspira, no campo de futebol, por vitórias militares dos seus antepassados. Entre outros feitios históricos, os responsáveis escolheram a captura da cidade de Kyiv pelo rei Boleslaw I em 1018.
Ver o vídeo
Este evento não desempenhou qualquer papel importante na história da Polónia – no ano seguinte, em 1019, os moradores de Kyiv, organizaram o Maydan, expulsando Boleslaw da capital. Mas hoje, para os chauvinistas polacos, é importante, por algum motivo, se lembrar da sua “vitória sobre Kyiv...

Vive le Sénégal!

terça-feira, junho 19, 2018

RIP poeta ucraniano Ivan Drach

foto @Korrespondent.net
Aos 82 anos de vida morreu em Kyiv o famoso poeta ucraniano, estadista e figura pública ucraniana Ivan Drach. Cidadão que evoluiu do jovem comunista à um dos criadores e líderes do primeiro movimento legal não comunista da UcrâniaRukh Popular.

Do comunismo à Independência

Ivan Drach formou-se na Universidade Taras Shevchenko de Kyiv e nos Cursos Superiores de Guionistas/Roteiristas e Diretores de Cinema do Comité Estatal/Estadual do Cinema da URSS em Moscovo.
Ivan Drach (1º à esquerda) com intelectuais ucranianos, década de 1960
Ivan Drach (3º à esquerda) com intelectuais ucranianos, década de 1960
Durante seus estudos em Moscovo, Ivan Drach começou a escrever poesia. Alguns versos eram críticos em relação à União Soviética. Na mesma época ele estabeleceu os contatos com os dissidentes ucranianos, mas após o início da onda de repressões soviéticos nos meados da década de 1960, em 1966, Drach foi obrigado a escrever uma carta em que teve que lamentar essa aproximação. E desde então até o final da década de 1980, as relações entre o poeta e as autoridades soviéticas eram muito calorosas.

Ivan Drach na década de 2000
A primeira coleção de poemas do escritor foi publicada em 1962 sob o nome “Soniashnyk” (Girassol). Depois disso foram publicados várias outras colectâneas do poeta.

Em 1989, Ivan Drach, juntamente com Viacheslav Chornovil (1937-1999), Mykhailo Horyn (1930-2013) e outros dissidentes ucranianos criaram o Movimento Popular da Ucrânia – Rukh. Esta foi a primeira organização legal não comunista ucraniana. Drach foi o primeiro presidente de Rukh. Em 1990, ele foi eleito deputado do Soviete Supremo da Ucrânia Soviética e desde 1991 por três vezes se elegeu como deputado do Parlamento da Ucrânia (Verkhovna Rada).
De esquerda à direita: Chornovil, Horyn, Drach, 1990 (?)
De esquerda à direita: Drach, Chornovil, Horyn, início da década de 1990
De agosto de 1992 à 19 de maio de 2000, Ivan Drach era o chefe do Conselho Mundial Coordenador Ucraniano (UVKR) e desde 1995 ele liderou o Congresso da Inteligentsia Ucraniana.


Atenção fake!
"Obrigado russos! Torcedores da Ucrânia"
Nas redes sociais apareceu a suposta foto dos fãs / torcedores de futebol ucranianos que supostamente estão assistir na Rússia o Campeonato do Mundo / Copa de Futebol 2018. Na realidade a foto é de 2013 e foi feita no decorrer do Campeonato de atletismo que decorreu em Moscovo.

segunda-feira, junho 18, 2018

Ucrânia que se livrou do Lenine e da sua herança (10 imagens)

Em resultado da vitória do movimento Maydan (2013-2014) e de descomunização posterior, Ucrânia desmontou praticamente todos os monumentos ao líder bolchevique Vladimir Ulianov (nom de guerre Lenine). Uma figura histórica terrível e sinistra para com Ucrânia e os ucranianos.

Foi Lenine quem, de facto, ordenou a ocupação e destruição da independente República Popular da Ucrânia (UNR) e do estabelecimento da Ucrânia Soviética, criada, armada e dirigida pela Rússia Soviética; foi Lenine que instigou o início de onda das repressões políticas na Ucrânia, que levaram à primeira fome em grandes proporções de 1921-23, que se transformou em Holodomor de 1932-1933. Foi Lenine quem começou a deportar da Ucrânia a população trabalhadora e ativa – chamando-a de kulaks/kurkuls e de “sanguessugas”, a declarando inimiga do regime soviético.

O que Lenine dizia sobre Ucrânia

Se deve admitir, Lenine, em um certo sentido, era um homem honesto e direto, ele não se apegava aos mitos de “povos irmãos” ou “mundo eslavo unido”, ele dizia claramente: temos de conquistar Ucrânia, a fim de se apropriar do pão [trigo] e recrutar de lá soldados ao exército vermelho. Aqui está o que Lenine disse na conferência de trabalhadores ferroviários em 1919, o discurso publicado no 38º volume de suas obras completas:
Discurso na conferência de trabalhadores ferroviários, 38º volume das obras completas do Lenine (em russo)
«Agora, com a conquista da Ucrânia e com o fortalecimento do poder soviético na [região] de Don, a nossa força está se fortalecendo. Agora estamos dizendo que temos as fontes de pão [trigo] e alimentos, temos a oportunidade de receber combustível da bacia de Donetsk. Estamos confiantes de que, apesar de chegarem os meses mais difíceis, quando a crise alimentar se agravou, quando o nosso [sistema] de transporte está desgastado e destruído, nos, no entanto, sobrevivemos essa crise. Na Ucrânia há estoques enormes, excedentes de pão [trigo], é difícil os tomar imediatamente – lá ainda existe a insurgência.

Nos devemos mover para a Ucrânia não menos de três mil trabalhadores ferroviários, parte dos camponeses da Rússia faminta. O governo ucraniano [governo fantoche da Ucrânia soviética] já aprovou um decreto sobre a expropriação exata de pão [trigo] que agora pode ser levado em quantidade de 100 milhões de poods” (cerca de 1.638 milhões de kg).

Lenine não mentiu – de facto, após a ocupação da Ucrânia e da expropriação forçada de trigo e da leva de recrutas, o poder soviético ficou mais fortalecido, deixando na Ucrânia as aldeias devastadas pela fome e pela guerra.

O que Lenine criou na Ucrânia
Em 1917 na Ucrânia já existia a UNR independentemente, que possuía a Rada Central, o parlamento estatal, situado em Kyiv. Em contrapartida, os bolcheviques, sob a liderança, apoio e financiamento da Rússia soviética, criaram em Kharkiv o “governo” da Ucrânia Soviética e usando os meios militares (à Ucrânia foram enviadas numerosas tropas russas), os bolcheviques tomaram à força o poder da Ucrânia.
Os trabalhadores da fábrica de locomotivas de Kharkiv junto ao sino de prata, expropriado
da Catedral de Kharkiv na campanha da expropriação dos valores da igreja, 21 de maio de 1922
Imediatamente após a ocupação da Ucrânia, Lenine, como um homem honesto, honrou a sua promessa – organizando a coletivização e expropriação de trigo da Ucrânia, provocando a fome de 1921-23 anos – em maio de 1921 na Ucrânia passavam a fome cerca de 10 milhões de pessoas, quase metade da sua população – entre 1,5 à 3 milhões de pessoas, morreram em resultado dessa fome. Além da expropriação de trigo, os bolcheviques leninistas também devastaram as igrejas ucranianas, da onde, sob o disfarce de luta “anti-religiosa” expropriavam os ícones, ouro, outros valores históricos – que depois eram vendidos no Ocidente, e o dinheiro era novamente usado para a guerra contra ucranianos e contra outras nações do império soviético.
Crianças inchadas pela fome. Foi publicada pela primeira vez no jornal socialista de Lviv "Zemlia i Volia"
(Terra e Liberdade). Em 28 de junho de 1922 re-publicado no "Ucraniano Canadense".
Crianças inchadas pela fome. Foi publicada pela primeira vez no jornal socialista de Lviv "Terra e Liberdade".
Em 28 de junho de 1922 re-publicado no "Ucraniano Canadense".
Crianças doentes num hospital rural numa aldeia com fome. A foto foi publicada pela primeira vez no jornal
socialista de Lviv "Terra e Liberdade". Em 28 de junho de 1922 re-publicado no "Ucraniano Canadense".
Transporte ao cemitério dos cadáveres dos que morreram de fome nas ruas de Kherson.
Foi publicada pela primeira vez no jornal socialista de Lviv "Terra e Liberdade".
Em 28 de junho de 1922 foi re-publicado no "Ucraniano Canadense".
Foi Lenine que começou a deportar da Ucrânia a sua população mais activa, que foi chamada de kulaks (em russo) ou kurkuls (em ucraniano) – os camponeses mais capazes e mais trabalhadores, na melhor das hipóteses eles tiveram o direito de levar consigo apenas uma carroça (por família) de coisas pessoais, deportados para a Sibéria ou para Cazaquistão. Na Rússia atual além dos montes Urais e mais à Leste – cada segundo ou cada terceiro russo possui as raízes ucranianas, os seus antepassados ​​vieram da Ucrânia à estas regiões inóspitas não pela vontade própria...
“Armazéns alimentares e cozinhas da American Relief Administration (ARA) para as vítimas da fome na Ucrânia
 – o  verão de 1922”. O mapa é publicado em: Documentos da American Relief Administration:
Russian Operations, 1921-1923, vol. III, Universidade de Stanford, Califórnia, 1931, f. pág. 122
Na década de 1930, a política do Lenine foi continuada na Ucrânia por Estaline – organizando o Holodomor de 1932-33 e continuando a deportação dos ucranianos para os campos de concentração soviéticos (sistema GULAG) – os acusando de serem os “inimigos do povo”.

O que do Lenine sobrou na Ucrânia
No decorrer da Maydan de 2013-2014 e da descomunização que se seguiu, Ucrânia se livrou quase completamente de todos os vestígios do Lenine – desde 2015, quando a lei de descomunização foi aprovada, o país mudou os nomes de 987 localidades (geralmente devolvendo os seus nomes históricos) e mudou 52.000 outros topónimos. Também foram desmontados cerca de 1.500 monumentos do Lenine, que generosamente foram construídos na era soviética – Ucrânia até recentemente era o 1º país do mundo em número de monumentos do líder bolchevique.
A fome na URSS em 1921-1923 e ajuda alimentar anglo-americana
[Como testemunham os documentos de arquivo, por exemplo, os cartões semelhantes ao da fotografia em cima, em 1921-1923 os moradores da Ucrânia Soviética recebiam a ajuda alimentar americana. Bastava preencher o cartão emitido pela ARA em inglês e russo, colocando nele a sua identificação e o endereço. O cartão na imagem foi preenchido pelo cidadão ucraniano de origem judaica, Kalman-Wolf Hatskelev Minkes, morador da cidade de Odessa. Não se conhece a sua vida posterior. Não se sabe se ele consegiu escapar a fúria soviética de luta contra os “espiões ocidentais”. Nem tão pouco se sobreviveu a “solução final” nazi...]

A lei de descomunização proibiu na Ucrânia completamente o partido comunista e os seus símbolos, abriu totalmente os arquivos da KGB, e agora qualquer cidadão pode descobrir o que realmente foram o poder soviético, o que o bolchevismo e Lenine representavam para os ucranianos.

Foto: GettyImages | archives.gov.ua | istpravda.com.ua | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

Bónus

Entre 1931 à 1944 existiu na Belarus soviética o kolkhoz “Krasnie Podonki” (Escumalha Vermelha), certamente um topónimo que tinha todo o direito de permanecer em memória coletiva do povo...

A cidade russa de Lensk, onde as vespas locais construíram uma casa diretamente no cú / na bunda de Lenine.

Lenine descansa no rio Sunja, algures na Ossétia do Norte, região de Cáucaso.
E mais alguns...