domingo, junho 24, 2018

Robert Patrick “cyborg T-1000” está a filmar na Ucrânia

O ator americano Robert Patrick, conhecido principalmente pelo seu papel do cyborg T-1000 em “Terminator 2: Judgement Day”, está à filmar na Ucrânia, onde tem o papel principal no drama histórico ucraniano «Zahar Berkut» (o título internacional é The Rising Hawk).
The Rising Hawk (2019)
«Zahar Berkut»/The Rising Hawk é o novo filme do realizador ucraniano Ahtem Seitablaev (diretor dos Ciborgues), baseado no romance homónimo do clássico da literatura ucraniana – Ivan Franko. Neste momento decorrem as filmagens em vários locais da Ucrânia, principalmente na região da Transcarpátia. A estreia do filme, como o slogan em ucraniano «Em liberdade está a minha natureza» e em inglês “Freedom is my nature”, está planeada para 2019.
Instagram do Robert Patrick
Instagram do Robert Patrick
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Sinopse: Ano 1241. A horda mongol, liderada por khan Burunda, se move para o oeste, destruindo tudo no seu caminho. Tendo alcançado as altas montanhas dos Cárpatos, os mongóis param. Numa das noites, alguns caçadores locais – irmãos Berkut penetram no acampamento mongol e liberam os prisioneiros. Fora de sim de raiva, khan quer a vingança, pretendendo destruir as vilas locais. Para fazer isso, ele encontra um traidor entre os habitantes locais, que lhe revela a passagem secreta nas montanhas. No entanto, a pequena comunidade de caçadores da montanha, liderada por Zahar Berkut, existe o seu próprio plano parar para sempre o avanço do inimigo numeroso.
Pessoal ucraniano das filmagens
«Zahar Bertkut»/The Rising Hawk é o trabalho mais internacional do realizador ucraniano, além do Robert Patrick, o filme conta com uma série de muito bons atores britânicos: Tommy Flanagan, Poppy Drayton, Alex MacNicoll e Alison Doody.
Ler o romance em ucraniano
Facebook: https://www.facebook.com/ZakharBerkutFilm
Instagram: www.instagram.com/zakharberkut_film/

Ver “Zahar Berkut”, Ucrânia, estúdio Dovzhenko, 1971:

Os Heróis da Ucrânia que se imortalizam em ruas e praças

Uma das ruas do bairro histórico de Darnytsia da cidade de Kyiv ganhou o nome do jovem major Andriy Kyzylo “Orel” de apenas 23 anos, que tombou na batalha de Avdiivka em 29 de janeiro de 2017, no decorrer da guerra russo-ucraniana em curso.
A iniciativa partiu dos cadetes do Liceu militar de Kyiv “Ivan Bohun” e da associação ucraniana Comunidade dos Cadetes que reune as várias gerações de cadetes formados nas diversas escolas militares da Ucrânia. A decisão foi votada favoravelmente e por unanimidade pela Comissão de mudança de topónimos de Kyiv.
Natural da cidade de Uman, o major e Herói da Ucrânia (à título póstumo) Andriy Kyzyli foi formado no 1º pelotão do Liceu “Ivan Bohun” da capital ucraniana que se tornou a sua segunda cidade natal. Como escreveu a deputada Irina Suslova, uma das co-autoras da proposta: “Isso é apenas uma pequena fração do que podemos fazer para honrá-lo”.
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O vice-comandante da 72ª Brigada Mecanizada das FAU, o capitão Andriy “Orel” Kyzylo (02.05.1993) morreu sem completar 24 anos. O jornalista ucraniano Andriy Tsaplienko o descreveu assim: “O vice-comandante do batalhão ainda é uma criança. Apenas três anos mais velha do que a minha filha. Parece que nas cidades pacíficas [da Ucrânia] os jovens de sua idade falam apenas sobre “Counter-Strike” e “Tanks”. Para ele, a palavra “Tank” não soava de forma legal. Os tanques [russo-terroristas] toda a noite os alvejavam. Eles suportaram tudo. E então veio um “porquinho”. A mina de 120 mm. Matando três. Andriy estava entre eles” (fonte).

Não traiam as memórias dos que cairam pela Ucrânia! Não os esqueçam!

Bónus

A guerra na Donbas em infografia em inglês e português:

Síria: Irão e Rússia se desentendem, EUA e Israel atuam

Enquanto o mundo está se entretido com a bola, na Síria decorrem os processos, interessantíssimos em todos os aspetos. Os EUA e Israel funcionam como uma espécie de exterminador implacável, enquanto Irão e Rússia se desentendem profundamente.  

No dia 22 de junho nos arredores de Al-Tanf decorreu um combate direto entre o exército do regime sírio e militares americanos. Dois militares sírios foram abatidos, sem baixas à registar do lado americano.
Os americanos publicaram oficialmente a sua exigência de parar quaisquer ações militares na zona sul de desescalonamento. Assad apostou tudo no assalto contra a cidade de Daraa, mas a Rússia não pretende participar nisso, pelo menos até o fim do Campeonato / da Copa, e assim, os sírios estão tentados à usarem as forças da EGRI, situação absolutamente intolerável por parte dos EUA e principalmente pelo Israel.

Mas antes disso, vamos recuar até 15-16 de junho...

As lutas internas entre os militares do regime

Nos dias 15-16 de junho na cidade de Tartus decorreram os combates esporádicos entre a Guarda Republicana síria e Forças Tigre (Qawat Al-Nimr). Os desentendimentos (possivelmente em resultado do conflito interno das alas pró-russa e pró-iraniana das forças sírias), resultaram em 15 mortos e 10 feridos, entre os mortos o comandante da 4ª Divisão mecanizada do EAS major-general Ahmed Milad.
Major-general Ahmed Milad
As áreas sírias que ainda podem ser saqueadas encolheram drasticamente, consequentemente, as lutas entre vários bandos rivais ficam severamente endurecidas. Nem se sabe como se pode controlar toda essa situação...

Os arredores de Daraa: 16/06

Os aviões “desconhecidos” atacaram as forças do regime sírio ao norte da Daraa. Nas vésperas, a coligação/coalização anti-Assad emitiu um comunicado avisando Damasco contra quaisquer ações militares na zona de desescalonamento em Daraa. Hezbollah ficou indignado, a cidade de Daraa está na sua zona de interesses. Coligação/coalizão e Israel estão decididos, caso os proxies iranianos avançarem, serão alvos da sua defesa ativa, isso é, aniquilados com auxílio da artilharia e aviação.
Irão não quer deixar as zonas da Síria sob o seu controlo (toda a parte ocidental e parcialmente a central). Os proxies iranianos se recusam abandonar os locais sob o seu controlo, já foram registados os conflitos entre eles e a polícia militar russa, até agora sem as contabilizar as vítimas mortais.

Abu Camal: 18/06

O regime sírio mandou para a Daraa cerca de 50 blindados e cerca de 30 canhões autopropulsados Msta-S, pertencentes às Forças Tigre. Aviação russa se recusou à participar na operação e Damasco optou por “esperteza militar”: as unidades de Hezbollah e proxies iranianos vestiram uniformes do exército regular do regime sírio.
Na resposta, na área de Abu Camal os aviões “desconhecidos” (possivelmente da Força Aérea de Israel) efetuaram os ataques em larga escala contra os mercenários xiitas, militares sírios e proxies iranianos: se fala entre 38 à algumas centenas de mortos. No vídeo divulgado pelos próprios xiitas se pode ver a destruição maciça e dezenas de crateras profundas.
Bashar al-Assad se arrisca ao máximo. Colocando no sul da Síria, numa pequena área, quase todas as suas forças capazes, no caso de um ataque maciço da coligação/coalizão e/ou da aviação israelita/israelense, a escala de perdas pode ser catastrófica.

Limpeza étnicalight

O coordenador regional da ONU na questão da crise síria, Panos Mumtsis, disse recentemente em Genebra que desde início de 2018 (dados dos primeiro semestre) foi registada a deslocação de 920.000 cidadãos sírios, que de facto, se tornaram refugiados. É a maior taxa desde o início da guerra em 2011. Espera-se que no futuro próximo os deslocados internos se tornem outros 2,5 milhões de pessoas, além dos 4,5 milhões atuais.
Bashar al-Assad executa a política de deportação em massa de cidadãos “desleais” das zonas de ocupação do Irão e da Rússia aos territórios ocupados pela Turquia e pelos Estados Unidos. A maioria dos moradores locais é levada para o Idlib. Seu lugar é gradualmente ocupado por imigrantes de outros países, principalmente xiitas. Acreditando nas estatísticas da ONU, no futuro próximo Assad pretende expulsar do “seu” território cerca de 10% da população síria pré-guerra. Sem contar com 4,5 milhões de sírios que já se tornaram refugiados desde 2011.

Quer o regime do Damasco, quer o Irão estão interessados em mudança populacional do país e na criação de um “cinturão xiita”: deportando e expulsando os sunitas sírios, os substituindo pelos iranianos e xiitas de toda a região. Ao longo prazo é a maneira mais realista de controlar e defender o território sírio leal ao atual regime de Damasco.

No decorrer da guerra atual, Irão e o seu mentor, Qasem Soleimani, tentam “queimar” e dispersar a população marginal e mais desfavorecida iraniana e xiita (a tática muito semelhante usada pela Rússia na guerra russo-ucraniana em curso). Naturalmente, o território precisa de ser conquistado e desprovido da população local.

O Daesh/EI, tentou ao máximo se opor à essa estratégia iraniana, concentrando-se em causar os danos máximos às forças xiitas, mas mesmo as perdas dez vezes superiores nas fileiras xiitas se mostraram insuficiente para parar o seu avanço.

Naturalmente, quer Israel, quer outros países da região estão preocupados com expansão iraniana/xiita. Por um lago, ninguém quer chegar à uma guerra convencional às suas portas, por outro lado ninguém quer permitir a vitória iraniana. Como tal, podemos esperar o uso de força cada vez mais brutalmente persuasiva por parte dos EUA e do Israel, para parar EGRI e Soleimani. 

Conflito Irão – Rússia: “Putin é um canalha burlador”
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No fim do maio de 2018, o Ministro dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, disse que “todos os exércitos estrangeiros devem sair da Síria”. Irão, percebendo muito bem que Moscovo falava do Hezbollah e dos proxies iranianos, respondeu que Rússia interfere cada vez mais ativamente nos assuntos internos da Síria e se as suas ações prejudicarão os interesses do Irão, o Teerão, terá que responder.
O jornal iraniano reformista (!) Ghanoon Daily chama Putin de "canalha burlador"
(edição de 3/06/2018)
Naturalmente Irão não quer saber dos interesses sírios, a sua reação dura foi a resposta às medidas do Kremlin para aniquilar a ala pró-iraniana do regime do Assad e transformá-lo em um fantoche exclusivo do Kremlin. Consequentemente, o Irão não gostou da medida.

Daraa: 19-20/06
Os duelos da artilharia entre as forças pró e anti-Damasco
Começou a operação terrestre. O Exército Livre de Síria e as forças do Assas trocaram o fogo de artilharia. Os proxies iranianos não abandonam a região, aviação e infantaria russa se recusou à participar na operação. As forças de Damasco sofreram primeiras baixas significativas em resultado de já citados duelos de artilharia.
Em Daraa, a situação é agravada pelo facto de que no flanco leste do grupo em avanço está a zona de zona de desescalonamento de Al-Tanf, onde está concentrada a oposição síria moderada e as forças de coligação/coalizão. Houve pelo menos dois episódios, em que as forças americanas da zona atingiram alvos dentro do território sírio, usando sistemas HIMARS. O que naturalmente pode ser repetido mais vezes.

Daraa: 22-21/06

Mais uma vez as aeronaves “desconhecidas” atacaram uma coluna de mercenário pró-Assad nas proximidades da zona de desescalonamento de Al-Tanf. Desta vez, provavelmente, atacou a coligação/coalizão – os xiitas foram informados sobre a proibição dos movimentos de quaisquer unidades armadas dentro da zona de exclusão de 30 km ao redor da zona proibida. Aparentemente, as formações iranianas, como sempre, ignoraram a ameaça, pelo que imediatamente pagaram um preço.
As forças russas continuam à recusar se envolver na operação em Daraa, as forças anti-Assad lançaram cerca de 600 mísseis de sistemas de fogo simultâneo do tipo “Grad”, atingindo a inteira divisão anti-aérea síria, aniquilando quase a totalidade dos seus equipamentos e pessoal. Baixas diárias entre a infantaria pró-Damasco chegam aos 50 combatentes mortos.

Daesh/EI continua ser ativo no deserto, atacando as comunicações e infra-estrutura, se engajando na tradicional guerra de guerrilha.

A oposição moderada síria recebeu dos EUA um número significativo de mísseis manpad portáteis “Stinger” da 2ª geração, capazes de atingir alvos nas altitudes de até 8.000 metros. O facto que desencoraja a participação da aviação russa nestes eventos – existe uma probabilidade bastante alta de perder um avião ou um helicóptero.

Aumenta cada vez mais a possibilidade de os EUA usarem a força definitiva contra o regime sírio. O sul da Síria claramente está em crise e a crise terá que ser resolvida. A guerra da Síria continua no seu 7º ano consecutivo...

sábado, junho 23, 2018

O processo de descomunização em curso no Cazaquistão

O ano 2018 poderá ser considerado no Cazaquistão como ano de descomunização. O país está se livrando do passado comunista em forma de monumentos e topónimos, resgatando a história nacional e recordando as repressões comunistas que atingiram nas décadas de 1920-1930 mais de 200.000 pessoas.

No dia 20 de junho a cidade de Esil oficialmente se livrou do monumento local do Lenine. Anteriormente, em 17-18 de maio de 2018 na cidade de Aqtöbe foi legalmente desmontado o monumento do Levon Mirzoyan, o 1º líder do Cazaquistão soviético e chefe do PC do Cazaquistão em 1933-38. Arménio étnico, nascido fora do Cazaquistão e sem nenhuma ligação especial ao país, Mirzoyan participou ativamente no processo de repressões comunistas, o que não o salvou. Ele foi executado em fevereiro de 1939 em Moscovo, no auge do Grande Terror estalinista.    
O mapa dos campos de concentração soviéticos do sistema GULAG em 1954
Desde o abril de 2018 no Cazaquistão funciona o fórum legal de oposição liberal e pró-ocidental, chamado Zana Kazakstan (Novo Cazaquistão), que pede a proibição da ideologia comunista, início do processo de descomunização do país, apresentando o seu anteprojeto-lei de reconhecimento da Grande Fome, semelhante ao que foi aprovado na Ucrânia.       
Holodomor é recordado no Cazaquistão
No dia 31 de maio, Cazaquistão anualmente celebra solenemente o Dia das vítimas de repressões políticas de anos 1920-1930, nestas duas décadas as repressões comunistas mataram cerca de 200.000 pessoas, incluíndo vários ucranianos. É de notar que atualmente vivem no Cazaquistão mais 300.000 cidadãos da descendência ucraniana. Na sua maioria, são descendentes de ditos kulaks/kurkuls (os camponeses ucranianos), vítimas das repressões comunistas na Ucrânia, que foram deportados à força às estepes do Cazaquistão precisamente nos anos 1920 e 1930, recorda a página ucraniana Dialog.ua
Em 2018 os eventos em memória das vítimas da repressão comunista decorreram em todas as regiões do Cazaquistão. Descendentes dos mortos e sobreviventes, que passaram fome e privação, compartilhavam as histórias dos seus familiares, colocando aos monumentos erguidos (mais de 60 em todo o país) as flores com as fitas pretas. Muitos deles nem sequer podem visitar as sepulturas dos familiares e antepassados, porque ninguém sabe onde as vítimas foram enterradas. Em 2018 na cidade de Aqtöbe foi erguido um novo monumento em honra das vítimas de repressões e da Grande Fome.
É de recordar também que só na onda do Grande Terror estalinista em 1938-38, mais de 100.000 cidadãos foram vítimas de repressões comunistas no Cazaquistão, cerca de ¼ deles foram condenados à morte. No território do Cazaquistão funcionavam 11 campos de concentração de GULAG, os maiores eram “Dalniy”, “Peschaniy”, KarLag, ALZHIR (o campo infantil), “StepLAG” e “KamyshLAG”.
As crianças no GULAG soviético, ler mais
Naturalmente, todas essas mudanças provocam a verdadeira irra da extrema-direita russa e dos socialistas cazaques, ambos consideram que “a ideologia da extrema-direita começa tomar conta do Cazaquistão, mesmo sem o Maydan”: 

Os franco-atiradores das forças armadas da Ucrânia (7 fotos)

Estes rapazes “trabalharam” dezenas e mesmo centenas de alvos. Vocês não os verão “ao vivo” e não conhecerão os seus nomes. Eles não darão as entrevistas e não mostrarão as suas faces. Eles estão à trabalhar e trabalham bem.
Dificilmente vocês já ouviram falar dos “Sandora”, “Tykhiy”, “Kozhaniy”, “Boxer”, “Grom”, “Kip”, “Psih”... Mas já ouviram falar dos combates no Aeroporto de Donetsk (DAP) e de Luhansk, na colina de Saur-Mohyla, nas localidades de Krasniy Lyman, Sloviansk, Stanytsia Luhanska, Schastia. E podem imaginar que em todos estes locais estavam à trabalhar os franco-atiradores ucranianos do spetsnaz do exército e das Forças de Operações Especiais (SSO). Trabalhavam sempre e com bastante sucesso.
Nas fotos estão os franco-atiradores ucranianos do 3º e 8º Regimentos especiais, do 140º Centro de operações especiais, do 73º Centro de operações especiais marítimas e da companhia dos atiradores da 79ª Brigada separada aerotransportada [fonte].

Bónus
Olena Bilozerska na linha da frente
Uma das poucas snipers ucranianas que não esconde a sua identidade, é a franco-atiradora, jornalista e blogueira Olena Bilozerska. Na guerra russo-ucraniana desde o seu início, primeiro no Corpo Voluntário Ucraniano (DUK PS), depois no Exército Voluntário Ucraniano (UDA), ambas sob comando do Dmytro Yarosh.  

Bónus II
Lera Burlakova na linha da frente
O livro Zhittya P.S é a melhor e a mais honesta obra, das publicadas até agora, sobre a guerra russo-ucraniana. Sem exageros. Da autoria de uma jornalista de Kyiv – Valéria (Lera) Burlakova, a excelente repórter, que foi para a guerra. Como voluntária, para a linha da frente. E de seguida, encontrou a felicidade e amor e, logo depois, também de repente – perdeu tudo, quando o seu noivo morreu nos arredores da mina de Butivka (distrito Kyivsky da cidade de Donetsk). 
A capa da 1ª edição | ler os trechos (em ucraniano)
E foi capaz de viver com tudo isso e foi capaz de descrever tudo isso – com as palavras simples e livres de patetice, palavras da testemunha ocular...” (c) Pavlo Solodko.

Como Estaline e URSS perderam o início da guerra nazi-soviética

No dia 22 de junho de 1941 começou a guerra entre Alemanha nazi e União Soviética comunista. Até o verão de 1941 a URSS e Alemanha eram amigos e aliados, que acabaram de assinar o “pacto de não-agressão”.

Desde 1939 a URSS e Alemanha nazi eram aliados, que em agosto de 1939 ocuparam e dividiram a Polónia (2ª República polaca/polonesa). No entanto, vários meses antes da guerra, Estaline recebia os avisos dos militares e dos serviços secretos sobre os preparativos da Alemanha à uma guerra eminente. O ditador soviético ignorou por completo estes avisos e, de facto, é o primeiro responsável das perdas catastróficas do Exército Vermelho (RKKA) nos primeiros dias e meses da guerra – os militares soviéticos não estavam preparados para se defender do avanço alemão.

Relações entre Alemanha nazi e URSS até o verão de 1941
Os dois países assinaram o pacto de não-agressão e o protocolo secreto Molotov-Ribbentrop. Em agosto de 1939 os dois aliados ocuparam e dividiram a Polónia, organizando, de seguida a parada militar conjunta na cidade de Brest. Estalinistas e fãs da URSS tentam provar que a parada não era uma parada, mas “a passagem conjunta de unidades militares acompanhada pela música” (WTF?), mas a definição pouca coisa muda no essencial do acontecimento.
A imprensa soviética da época estava cheia de epítetos elogiosos em homenagem ao Hitler – ao estilo propagandista, querido kameraden Adolf, juntos puniremos os arrogantes anglo-saxões e todos aqueles que mentem sobre a nossa amizade são inimigos e agentes ao serviço de inteligência americana. Estes são bons votos pessoais do Estaline ao Hitler, publicados no jornal soviético Pravda em 25/12/1939:

São as teses da má memória “tratado sobre amizade e a fronteira”, que ambos os países concluíram após “eliminação do fruto feio do acordo de paz de Versalhes” – Polónia:

Lançado em 1938, o filme de Sergei Eisenstein “Alexander Nevsky” (em que os cavaleiros teutões, isso é, alemães são mostrados como a perigosa força do mal) foi por algum tempo banido nos cinemas soviéticos de modo à não prejudicar a amizade com Alemanha. Após 22 de junho de 1941, o filme começou ser demonstrado novamente, divulgado com a força redobrada.
Como a União Soviética fornecia o petróleo à Alemanha nazi em 1940 (15 fotos)
Até junho de 1941 a União Soviética fornecia freneticamente à Alemanha nazi e ao amigo Adolf petróleo e alimentos – apenas em 1940 a URSS forneceu 657.000 toneladas de produtos petrolíferos (75% de todas as exportações soviéticas!) e quase um milhão de toneladas de grãos. Último comboio de grãos passou na fronteira soviética rumo à Alemanha às 2:00 da madrugada de 22 de junho de 1941.

O que aconteceu nas vésperas do 22 de junho de 1941?

Ficaram registadas as evidências de que muitos comandantes militares e órgãos de inteligência soviética informavam Estaline no início do verão de 1941, que os alemães estão se preparando para uma ofensiva – levando à fronteira comum as unidades de assalto, armazenando o combustível, preparam a logística, aprimoram nos aeródromos os bombardeiros e aviação de suporte. Mas o “o grande linguista e marechal” respondia apenas uma única coisa, que tudo é mentira e desinformação criados pelos anglo-saxões burgueses, que querem enredar as relações entre os dois estados aliados.

Ficou preservado um documento, datado de 17 de junho de 1941, que mencionava os preparativos para os ataques aéreos alemães contra URSS (que, de fato, aconteceram apenas cinco dias depois). No papel está a resolução pessoal do Estaline, escrita à lápis verde “Ao cam. Merkulov. Pode mandar vossa “fonte” do estado da aviação alemã à fod@ da mãe. Não é uma fonte, mas é desenformador”.
Ou seja, apenas 5 dias antes do início da invasão alemã “o comandante supremo” (e nutricionista nas horas vagas) manda os militares e profissionais das secretas p'ro c@ralho e não faz absolutamente nada.

O resultado deplorável da não decisão do Estaline
Como resultado – o ataque alemão de 22 de junho de 1941 foi uma completa surpresa para a União Soviética – não estava preparada a defesa antiaérea, não estavam preparadas as forças de guarda-fronteira – para os cidadãos comuns a guerra foi uma surpresa completa. Nas primeiras semanas da guerra da URSS perdeu uma parte significativa do território, diversas cidades foram bombardeadas, muitos civis morreram, foram capturados centenas de milhares de soldados e oficiais e se perdeu grande parte dos equipamentos militares – os alemães queimavam e capturavam os aviões parados nos aeródromos e se apoderavam dos blindados – muitos nem sequer tinham combustível nos seus tanques.
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[Mais tarde, vários destes aviões soviéticos foram usados pela Luftwaffe, assim como os blindados, que passaram ao uso das divisões das SS e do Wehrmacht]. Coisas que não são nada de estranhar, quando o poder supremo se concentra nas mãos de uma pessoa má e não muito brilhante intelectualmente.
Fotos: Internet | Texto Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]