domingo, setembro 25, 2016

A nova polícia nacional da Ucrânia: a primeira morte dos agentes

No dia 25 de setembro de 2016, dois agentes da nova polícia nacional da Ucrânia, Olha Makarenko e Artem Kutushev, abordaram na cidade de Dnipro um cidadão para a verificação dos seus documentos. Seguiu-se o tiroteio. Infelizmente, ambos os agentes morreram, conseguindo, nos últimos momentos da sua vida ferir o bandido. Este já foi detido.
Dois agentes da nova polícia da patrulha da Ucrânia estavam em missão de patrulhamento, quando abordaram uma viatura, cujo condutor cometeu uma violação do código da estrada. Foi lhe pedida a identificação pessoal à fim de verificar o seu histórico na base de dados da polícia. Inserindo os dados pessoais no sistema, os patrulheiros perceberam que o cidadão abordado é Aleksandr Pugachev (1983), natural da Rússia, ex-voluntário da companhia de polícia “Tornado”, procurado pela justiça ucraniana pelo(s) crime(s) cometido(s) em 2013. O bandido também se apercebeu que foi descoberto e exigiu ao Artem Kutushev que lhe sejam devolvidos os documentos de identificação e entregue a sua arma pessoal. Quando Artem recusou a exigência, o bandido disparou à queima-roupa, matando Artem, de seguida disparando contra a sua parceira. Infelizmente, Olha, transportada de emergência para hospital não resistiu aos ferimentos e também morreu. A reconstituição do sucedido foi feita pelo chefe da polícia de patrulha da cidade de Dnipro, Volodymyr Bohonis.
A tente da polícia, Olha Makarenko, fez tudo o que podia antes da sua morte. Ela abriu o fogo, disparando e ferindo o atacante na barriga. Olha não conseguiu disparar mais, ele respondeu à queima-roupa... Fisicamente forte, o assassino não foi parado com a única bala. Mas tive que se dirigir ao hospital militar “Mechnikov”, usando um documento de identificação falso. Graças à essa circunstância foi detido no hospital. As fotos das suas duas cicatrizes muito particulares não deixam duvidas, Pugachov é assassino dos dois patrulheiros. Agentes que vieram à polícia nacional muito recentemente, vindos da sociedade civil ucraniana. A verificação simples e rotineira de documentos foi o primeiro e último combate das suas vidas.
Devido ao facto de que os polícias pararam a viatura do agressor, ele atacou os patrulheiros e não conseguiu ir adiante pelo caminho do crime. Eles tentaram deter um criminoso perigoso procurado por suspeitas de cometer uma série de crimes graves. Olha e Artur salvaram as vidas de civis. Morreram, até o fim leias ao seu juramento de servir o povo da Ucrânia.
Olha Makarenko e Artem Kutushev morreram porque o procurado pela justiça sabia, ou talvez se aprecebeu naquele momento, que a nova polícia não aceita “resolver a questão” por um punhado de notas, bem ao estilo habitual da milícia ucraniana do antigo regime, antes da reforma do Ministério do Interior. Os patrulheiros erraram, eles cometeram diversos erros que custaram as suas vidas. Olha deveria abrir o fogo e abater o atacante, imediatamente após verificar que este estava armado e ameaçava o seu parceiro. A patrulheira ucraniana não estava psicologicamente preparada para disparar contra o cidadão para o matar. Os dois pagaram o mais alto preço pela sua indecisão, mas apesar de tudo, eles morreram pela Ucrânia e pelos seus cidadãos.


Espera-se que o caso servirá de modelo para que outros patrulheiros saibam como se comportar nos casos semelhantes. O seu sacrifício é uma verdadeira proeza cívica, eles merecem todo o respeito e a memória dos ucranianos.  

Olha era a mãe de dois filhos; a filha do Artem Kutushev fez três anos hoje, mas estas crianças nunca mais vão ver os seus pais..., escreve o jornalista ucraniano Yuriy Butusov.

Não é segredo que a nova polícia nacional da Ucrânia, criada e idealizada pela equipa dos reformadores georgianos não agrada muita gente. Na Internet podem ser vistos dezenas de vídeos, onde a nova polícia é provocada maldosamente e descaradamente para que os agentes reagem, criando os proveitos políticos ou pessoais para os autores das provocações. Mas gente que veio à polícia da sociedade civil e não foi recrutada entre os membros da antiga polícia de trânsito ou, pior ainda, das unidades antimotim (como o famigerado “Berkut”), na maioria dos casos não se deixe à provocar. E realmente, os polícias vindos do antigo ministério do Interior não iriam morrer, apenas aceitariam algum suborno e deixariam o vilão seguir o seu caminho.
   
Muito infelizmente, eles não estavam prontos. E eles, infelizmente, não serão os últimos polícias ucranianos que morrerão na linha do dever. E nem importa a proveniência exacta do seu assassino. Num país em guerra há e haverá muita gente com as armas nas mãos e sem problemas morais de premir o gatilho. E a nova polícia apenas deve tirar as devidas ilações e estar pronta para essa nova realidade ucraniana. Gosta-se ou não.

O assassino detido
Aleksandr Pugachev, natural da Rússia e ex-voluntário do “Tornado”, procurado pela polícia ucraniana, foi detido no hospital com uma perfuração na barriga. Pugachov tentou receber a assistência médica usando a identidade falsa com o apelido de “Mykhaylenko”. Nas fotos tiradas pela câmara individual do patrulheiro é possível ver as duas cicatrizes muito caraterísticas do agressor. As mesmas são bem visíveis no seu corpo estendido na maca do hospital militar “Mechnikov”.
De momento o agressor se encontra sob a custódia da polícia no hospital, a peritagem irá estabelecer, ao certo, qual a arma fez o disparo que atingiu o assassino dos polícias (UPD: a peritagem inicial mostra que disparou Artem Kutushev e não Olha). Na sua posse, Pugachov tinha o documento que lhe conferia o estatuto de combatente da Operação Antiterrorista. Embora o documento é datado de 5 de novembro de 2015, e o mandato da sua busca e captura foi emitido em 2 de outubro de 2015, a sua passagem para a ilegalidade é datada de 3 de setembro do mesmo ano. Como tal, será verificada a autenticidade do próprio documento e a possível ilegalidade daqueles que emitiram a identificação (fonte).

O herói popular
Uma das testemunhas da tragédia, o condutor do mini-bus urbano, sediado habitualmente na estação dos autocarros de Dnipro (e que aparentemente serve a emigração laboral ucraniana na Espanha), tentou impedir a fuga do assassino, bloqueando a saída da sua viatura. Pugachov disparou 8 vezes (!) contra o condutor, uma das balas por incrível sorte não fez mais vítimas mortais.

Mesmo assim, o condutor, obrigado à recuar, não fugiu, continuando perseguir o assassino pelas ruas da cidade de Dnipro!
Qualquer um que seja, homem, obrigado por não teres medo, os seus filhos, netos e bisnetos ficam felizes que têm [ao seu lado] uma pessoa como você! E daí, nos também estamos orgulhosos de você. #HeróidoDia) Que Deus lhe conceda a felicidade.
Talvez isso soa algo patético. Mas nessas pessoas é que se aguenta o país, escrevem as redes sociais ucranianas.

A história proibida da grande fome russa: a preciosa ajuda americana

A grande fome russa de 1891-92 ceifou as vidas de cerca de 400.000 camponeses. O número das vítimas poderia ser muito maior se não fosse a ajuda e empenho da sociedade civil norte-americana, desde filantropos famosos até os populares anónimos.
Devido à péssima safra de 1891 que varreu o sul da Rússia e a região do Volga, no vasto território do Império russo começou a fome, agravada pela continuação das exportações de trigo ao exterior. O governo russo, no entanto, negava a existência de fome, alegando que Ocidente está exagerando a gravidade da situação (um rumor atribuía ao imperador Aleksandr III a frase: “Não tenho vítimas de fome, tenho apenas afectados por uma má colheita”). O conde e editor russo Vladimir Obolensky (1869 – 1950) conta nas suas memórias que a censura estatal da época riscava dos textos jornalísticos dedicados à fome as palavras “fome”, “esfomeados” ou “famintos”.
Ilustração ocidental da época: os camponeses famintos caminham ao São Petersburgo
Alarmado e sentido pela situação catastrófica, o governo dos Estados Unidos ofereceu a Rússia a sua ajuda humanitária através da missão diplomática dos EUA em São Petersburgo. A oferta feita de forma oficial em meados de novembro de 1891 foi formalmente aceite pelo governo russo em 4 de dezembro de 1891.

Em 20 de novembro de 1891, William C. Edgar (1856-1932), filantropo e editor americano, dono da influente revista “Northwestern Miller”, mandou à embaixada russa nos EUA o telegrama, perguntando da predisposição do czar russo de receber ajuda financeira e alimentar americana. Uma semana depois, sem receber qualquer resposta do embaixador russo Karl von Struve (Kirill Struve), William Edgar escreveu a carta com o mesmo teor e passando mais uma semana veio a resposta russa: “A Sua proposta é recebida pelo governo da Rússia com agradecimento”.
Naquele mesmo dia, “Northwestern Miller” escreveu: “No nosso país [...] temos tanto trigo que não conseguimos o comer todo. Ao mesmo tempo, os cães mais sarnentos que vagueiam pelas ruas das cidades americanas se alimentam melhor do que os camponeses russos”. William Edgar escreveu as cartas aos 5.000 empresários do ramo moageiro da costa leste dos EUA. Quase todos eles reponderam favoravelmente. Durante três meses os americanos reuniam a farinha para ajuda humanitária. Em 12 de março de 1892 os navios zarparam para o Império russo. William Edgar acompanhou a missão, de Hamburgo ao São Petersburgo ele viajou de comboio. Na fronteira russa o esperava o primeiro choque: “Os alfandegários russos foram tão severos que eu me sentia como um rato na ratoeira”,— escreveu o filantropo. A capital russa o surpreendeu — o luxo não correspondia ao país em fome. Seguiu-se a viagem pelas zonas afetadas: a fome, as famílias exaustas e famintas que apenas em conjunto conseguiam carregar um saco de farinha, o desaparecimento de uma parte da ajuda humanitária americana, a compra, pelo governo russo, no intuito de alimentar os famintos, de várias toneladas do trigo impróprio para o consumo humano...
Cantina popular montada em 1892 na base da ajuda humanitária americana
Em 1893 William C. Edgar publicou em Mineápolis o seu livro de memórias “The Russian Famine of 1891 and 1892” (The Russian famine of 1891 and 1892: some particulars of the relief sent to the destitute peasants by the millers of America in the steamship Missouri: a brief history of the movement, a description of the relief commissioners' visit to Russia, and a list of subscribers to the fund). Algumas imagens deste artigo são provenientes deste livro.
Navio fretado pelos moageiros americanos no seu caminho ao Império russo
Nos Estados Unidos foi criado o Comité para ajudar os famintos russos (Russian Famine Relief Committee of the United States), que recebeu o apoio moral de autoridades oficiais americanas, embora a ajuda alimentar foi realizada principalmente à custa dos recursos captados por cidadãos americanos e pelas organizações privadas. A orquestra sinfónica da Nova Iorque, juntamente com outros artistas, através dos concertos de caridade reuniu 77.000 dólares para ajuda aos camponeses russos.

A sociedade civil da Filadélfia apetrechou o navio de transporte «Indiana» com os diversos alimentos ao peso total de 1.900 toneladas que chegou ao atual porto letão de Liepaja aos 16 de março de 1892. O segundo navio, de responsabilidades dos cidadãos dos estados de Minnesota, Iowa e Nebraska – “Missouri” trouxe a carga de trigo e de farinha de milho com o peso total de 2.500 toneladas em Liepaja aos 4 de abril de 1892. Em maio de 1892 chegou ao porto letão de Riga mais um navio de ajuda humanitária enviada pelos moradores da Filadélfia; em junho o navio enviado pela Cruz Vermelha americana de Washington e em julho – um outro, de Nova Iorque. Além dos farmeiros americanos que reuniram e enviaram à Rússia a farinha no valor de 1 milhão de dólares, as empresas estatais e privadas dos EUA ofereceram aos agentes agrícolas russos os empréstimos de longa duração no valor de 75 milhões de dólares.

O futuro imperador russo Nikolai II (na altura Grão-Duque e chefe do comité especial russo para assistência das vítimas de fome) disse: “Estamos todos profundamente comovidos com o facto de que vêm da América os navios cheios de comida”. A resolução preparada por representantes proeminentes do público russo dizia: “Através do envio de trigo ao povo russo em tempos de dificuldades e necessidades, os Estados Unidos mostram o exemplo mais emocionante de sentimentos fraternos”.
Todo este movimento de solidariedade americana é retratado em dois quadros do pintor russo Ivan Aivazovskii, esquecidos e ignorados na Rússia atual. Ambos são dedicados à época em que os EUA e dos americanos salvaram milhares de camponeses russos da morte certa, a morte que poderia ser evitada pelo seu próprio governo, mas não foi. A morte que foi impedida pelos norte-americanos, considerados em 2014 como “inimigo № 1”, por 73% dos cidadãos russos.

O primeiro quadro, chamado “Entrega dos Alimentos” (1892) mostra uma carroça russa de três cavalos (a famosa tróica), carregada de alimentos americanos e um camponês russo empenhando, com orgulho, a bandeira dos Estados Unidos. Os moradores da aldeia abanam os seus lenços e chapéus, alguns, caindo no chão, rezam ao Deus e agradecem os EUA pela sua ajuda alimentar.
O segundo quadro se chama “O navio da ajuda” (o título inicial “A chegada do navio “Missouri” com o trigo à Rússia” (1892) e é dedicado à chegada da ajuda alimentar americana nos portos do império russo em 1892.

As razões da fome
Ilustração ocidental da época: os cossacos russos não permitem aos camponeses abandonar a sua aldeia
As fomes naturais, fustigavam a Rússia, de forma cíclica, durante séculos. Para contrariar  a situação, desde o reinado da imperatriz Catarina II no Império russo foi criado um sistema de armazéns locais, onde era armazenado o excesso dos cereais. Nos anos de má safra, a administração regional emprestava o stock aos camponeses para os alimentar e garantir a próxima colheita. No entanto, no fim do século XIX, o estado russo vendia na Europa cerca de metade da safra, recebendo anualmente mais de 300 milhões de rublos (aos preços da época).
 
Na primavera de 1891 foi feita a revisão destes armazéns. O resultado foi assustador, em 50 províncias o stock representava 30% do normal, em 16 regiões chegava à apenas 14%. No entanto, o Ministro das Finanças russo, Ivan Vyshnegradsky, tinha dito: “Nós próprios não vamos comer, mas iremos exportar”. Naquele ano Império russo vendeu no estrangeiro quase 3,5 milhões de toneladas de trigo. Em 1892, na auge da fome, o governo russo tentou proibir a exportação, mas a proibição só funcionou por cerca de 10 meses e em 1892, severamente fustigado pela fome, o país vendeu na Europa 6,6 milhões de toneladas de trigo.
Ilustração ocidental da época: os cossacos russos à procura do trigo roubado pelos camponeses
A fome foi acompanhada pelas epidemias, o sociólogo russo Vladimir Pokrovsky estipula o número de mortos em resultado daquela fome em, no mínimo, de 400.000 pessoas (até o verão de 1892).

A história foi lembrada nos EUA apenas em 1962, quando a URSS e os Estados Unidos estavam na eminência de uma guerra nuclear. A Primeira-dama dos EUA, Jacqueline Kennedy, pediu os quadros do Aivazovskii à Corcoran Gallery (à quem o pintor ofereceu os dois quadros) para os mostrar na Casa Branca. Na percepção dos americanos, as obras deveriam recordar ao Kremlin os sentimentos fraternais que dois países sentiam reciprocamente no passado. Em 1979 os quadros foram vendidos à uma coleção privada, novamente revendidos em 2008 no leilão de Sothеby’s por 2,4 milhões de dólares. Os seus compradores privados atuais são desconhecidos (fonte1; fonte2; fonte3).

sábado, setembro 24, 2016

Golpe na “lnr”: o “suicídio” na prisão da “república popular”

Na noite de 23 à 24 de setembro, numa prisão da “lnr” foi morto o ex-chefe do “conselho dos ministros” desta “república popular”, Gennadiy Tsyplakov. Um dos separatistas influentes, conhecido por participar no assalto do edifício da secreta SBU de Luhansk em 2014, na versão da “procuradoria-geral” dos terroristas, acabou por se enforcar.

O chefe da “procuradoria” separatista, Sergey Rakhno, informou os jornalistas que na “tentativa de golpe de estado na lnr” estão envolvidos os representantes das antigas e atuais autoridades desta organização terrorista, assim como as lideranças mais elevadas dos grupos armados ilegais.
Durante a investigação, foi detido o assessor do chefe da lnr, Tsypkalov [...] devido à existência de informação operativa sobre a possibilidade de eliminação física dos detidos, pelos outros membros do complô conspirativo, os detidos eram mantidos num dos edifícios administrativos dos órgãos do poder da lnr [...]

Nesta noite, o detido Tsyplakov, provavelmente percebendo a profundidade de suas atividades criminosas e percebendo que a informação operativa por si fornecida sobre o círculo dos indivíduos, participando na conspiração para derrubar o governo legítimo da república é certamente perigosa para a sua vida, e serão feitas as tentativas de sua eliminação física pelos conspiradores que se encontram em liberdade, cometeu o suicídio por enforcamento”, – disse o representante dos terroristas.
Tsyplakov, na auge da sua influência ao lado do fuhrer Plotnitsky (único à civil)
O representante dos terroristas também divulgou a versão oficial do motivo dos “golpistas” em se rebelar contra a sua “república popular”: “ações tomadas pelo chefe da lnr e pelas autoridades executivas em exercício para combater a corrupção e esquemas criminosos relacionados com o “esquema de proteção” das atividades comerciais ilegais, incluindo o contrabando” (sprotyv.info).

A porta-voz da secreta ucraniana SBU, Olena Gitlianska, aproveita a oportunidade solenemente alegre triste para recordar aos outros separatistas e terroristas das “repúblicas populares” ainda à monte:
No SBU funciona, com sucesso, o programa Caminho para Casa que beneficiou mais de uma centena de antigos membros de grupos armados ilegais. Após o julgamento, eles conseguiram voltar às suas famílias VIVOS. Eles não tiveram que “se enforcar, temendo a violência física”!! Ucrânia oferece uma alternativa real ao sabão e à corda – o tribunal e o direito à vida. O que vocês acham disso?
É de recordar que após a liquidação na semana passada do Evgeniy Zhylin, o perito militar ucraniano, Alexey Arestovich, também se dirigiu aos separatistas e terroristas das “repúblicas populares”:  

Caros militantes da “DNR” e “LNR”!

Hoje (19/09/2016) na região de Moscovo foi liquidado o ex-chefe do “Oplot” Evgeny Zhylin, combatente dedicado, um dos ideólogos da “Novaróssia”.
O terrorista Zhylin já no caixão
Gostaria de vos explicar algumas coisas simples:
1. FAU e estruturas da lei e ordem da Ucrânia protegem todos os cidadãos da Ucrânia, incluindo os que se perderam. Protegem do Kremlin, que aldrabou vocês, usou, roubou, abandonou, e agora está queimando.
2. Mais cedo ou mais tarde, Ucrânia chegará à Donbas – chegará até onde vocês não esperam. Bem profundo, com muito gosto, até a fronteira.
3. Iremos matar alguns de vocês (no caso de resistência), é a guerra. Uma parte – amnistiaremos. É um passo inevitável.
4. Na Rússia, vocês não terão a vida, literalmente. Vocês ficarão convencidos disso, novamente e vezes sem conta. Se eles assim tratam os vossos líderes, o que acontecerá com a gente comum?..
Rússia, à onde vocês estavam tão ansiosos de chegar, anunciou a vossa caça. No decorrer do encerramento do projeto, as limpezas serão mais brutas e mais abrangentes.
5. É importante entrar atempadamente na categoria dos amnistiados e ganhar a proteção da Ucrânia, segundo o direito europeu e a justiça.
6. Não demorem, comecem já.
7. Vejam o ponto № 1.

Dmytro Muravsky: as fotos da linha do fogo

O fotógrafo militar ucraniano Dmytro Muravsky continua reatratar o quotidiano da guerra russo-ucraniana em curso. Desta vez publicamos 8 fotos suas à preto-branco e 8 à cores.
Todas as fotos foram feitas na linha “zero”, na linha de fogo e combates diários entre as Forças Armadas da Ucrânia e as forças russo-terroristas. As fotos foram feitas em diversas localidades e em espaços temporais diferentes. Hoje, ainda não é possível fornecer mais informação sobre as circunstâncias de cada foto. A maioria dos seu heróis ainda estão na linha do fogo.
Na totalidade, o álbum terá cerca de 100 fotos, uma parte dos quais só será publicada daqui à algum tempo. 

A vida no bestiário: “lnr” em golpe e se preparando para a guerra civil

Na cidade ucraniana de Khrustalniy (ex-Kraniy Luch) na região de Luhansk fomenta-se o conflito entre o “poder local” e o “poder central”, personificado pelo líder do agrupamento terrorista “lnr”, fuhrer Igor Plotnitsky.

O “chefe do município” local, Yuriy Kondratenko, exortou os seus apoiantes, através da conta no Twitter de “apoiar a liderança da polícia popular na luta contra o estelionatário Plotnitsky” (embora não se conhece ao certo a autoria da postagem, desconfiando-se que o Twitter do separatista Kondratenko poderia ser hackeado).

Para já, os moradores da cidade não fornecem nenhuma informação adicional sobre o que se passa na urbe. Na sua página na rede social OK, os terroristas do bando “Oplot” dizem que são vítimas do Plotnitsky e exortam os apoiantes à se reunir numa base da unidade para resistir à liderança da dita “lnr”: Imaginando-se um reizinho, Igor Venediktovich [Plotnitsky], sob o pretexto de combater os culpados do imaginário golpe do estado na república, pretende remoer todos os indesejáveis! Ele considera como os indesejáveis todos aqueles que durante a guerra com os punidores ucranianos não se sentavam nos escritórios, mas cumpriram o seu dever nas trincheiras defendendo a pátria!
A "2ª milícia" do bando "Prizrak"
Na página do bando “Prizrak” na rede social VK é possível ler a seguinte frase, postada no dia 23 de setembro: “A primeira milícia deixou de servir o povo, não desempenha plenamente as tarefas que lhe foram atribuídas. Portanto, é hora de começar a criar uma SEGUNDA MILÍCIA, que libertará o Donbas de neofascistas e traidores. DÊ-NOS A SEGUNDA MILÍCIA!

O Twitter do bando também informa que o grupo pretende resistir ao Plotnitsky de forma armada.
Apenas alguns dias atrás, Plotnitsky discursou na TV, falando da alegada tentativa do golpe do estado na “república”: “Houve uma outra tentativa de golpe [...] criar um precedente da suposta indignação do povo ucraniano, e debaixo disso tudo deveria entrar o exército ucraniano. Por isso, fomos pró-ativos, sabemos tudo muito bem, conhecemos os inimigos internos e aqueles que têm patrões, talvez, até na Federação Russa”.
O bando “Prizrak” divulga ativamente na rede social VK a informação sobre a possibilidade do retorno ao Luhansk de dois terroristas influentes: Igor “Bes” Bezler e o primeiro líder do bando “lnr”, cidadão russo Valeriy Bolotov. Nas páginas do Bolotov nas redes sociais nos meados de agosto foi divulgada a informação do que este pretende organizar o 2º congresso do seu movimento no decorrer do qual serão aprovados “os novos passos no interesse dos habitantes das repúblicas [“lnr”/”dnr”], registo e participação nas eleições”.

O terrorista Igor “Bes” Bezler comandou as forças russo-terroristas em Horlivka e Donetsk, no outono de 2014, após o conflito aberto com líder da “dnr”, Aleksandr Zakharchenko, ele foi removido da Donbas, passando à morar na Crimeia.

Separatistas caçam o separatista  

Além disso, já após o discurso na TV, a dita “procuradoria” da dita “lnr” anunciou em 21 de setembro a emissão do “mandato” de busca e captura do ex-chefe do “parlamento” da “lnr”, Aleksey Karyakin. O ex-comparsa do Plotnitsky é acusado de “tentativa de atentar contra a vida do membro das forças de lei e ordem e um militar; danos intencionais à propriedade alheia (causando os danos significativos); aquisição, armazenamento, transporte ou porte ilegal de armas de fogo e munições”.

Essas acusações permitem supor que Karyakin, que no passado gozava da influência entre os separatistas da “lnr” poderia fazer a parte dos conspiradores contra o regime do Plotnitsky. No dia 25 de março de 2016, este removeu Koryakin do seu cargo de “presidente do conselho popular” da “lnr” (ler mais É golpi).

A morte dos pais do Plotnitsky
No dia 22 de setembro Plotnitsky confirmou a morte de ambos os seus pais: a faxineira Nina e mecânico Veniamin. “Sim, eu realmente confirmo que na semana passada toda a nossa família acompanhou na última viagem os meus pais – o pai e a mãe” – disse Plotnitsky e acrescentou que não dará mais detalhes sobre o sucedido pois “separa a sua vida pessoal e pública”.

Dos seus país, que até recentemente viviam na Ucrânia Ocidental, na aldeia de Kelmentsi se sabe que ultimamente eles se mudaram para a cidade russa de Voronezh da onde no início de setembro de 2016 foram evacuados para o Moscovo, onde ambos morreram, segundo a versão oficial, “devido ao envenenamento com cogumelos” (lenta.ru).

Na sua localidade a família Plotnitsky tinha a má fama, embora as pessoas contam que o pai, natural da terra, era um bom mecânico: “5-6 anos atrás ele deixou a sua própria mãe em um asilo. E antes disso, abusava muito dela, nem mesmo a alimentava. De modo que as pessoas da aldeia lhe levavam a comida”, – conta um dos moradores locais (BBC).
É de recordar que no dia 6 de agosto de 2016 Plotnitsky sobreviveu uma tentativa de liquidação. A viatura em que seguia o líder da “lnr” foi atingida numa explosão (pensa-se que foi usada a mina MON-50 ou TM-62), alegadamente morreu um dos seus guarda-costas e dois ficaram feridos.  Na altura, a maior parte dos analistas considerou o caso como RP do próprio Plotnitsky, devido ao facto de após a explosão ele recebeu a alta do hospital um ou dois dias depois. No entanto, após uma nova coincidência (Sic!) da morte dos pais, dá para pensar que a luta sem quartel “debaixo dos tapetes” na dita “lnr” entrou na sua fase muito quente. Onde uns bandidos querem conservar, à todo o custo, o seu poder e outros desejam ardentemente usufruir dos seus frutos. Com o papel do Moscovo, nisso tudo, ainda por esclarecer...   

As “repúblicas populares” no Top-10 dos organismos mais perigosos

Os grupos terroristas “lnr” e “dnr” entraram na lista dos Top-10 de actores não-estatais, com o maior nível da vilência ao nível mundial em 2015, segundo o estudo da IHS Jane’s Terrorism and Insurgency Centre.
A «dnr» ocupa o 3º ligar e «lnr» o 7º. O gráfico mostra as atividades dos grupos não estatais que usam a violência e a morte para conseguir os objetivos políticos em 2015 (descarregar o relatório completo, PDF, 2 MB). Além disso, pelos dados do Fórum Económico Mundial (World Economic Forum), a cidade de Donetsk ocupa o 17º ligar entre as cidades com a maior ameaça terrorista em 2015.
O perigo terrorista é medido em mais de 2.100 cidades mundiais, se baseando nos dados das mortes violentas por 100.000 pessoas. A lista é encabeçada pela cidade iraquiana de Ramadi (dn.ua).