sábado, dezembro 10, 2016

Cazuza – O Lobo mau da Ucrânia [Ao Vivo]

Em 1987, o talentoso e polémico Cazuza, o cantor, compositor, poeta e letrista brasileiro, o rockeiro muito famoso na década de 1980, compôs a musica com o tema sobre Chornobyl. O vídeo ao vivo foi gravado no decorrer da turnê promocional do Disco “Só se for a 2” no Teatro Ipanema, Rio de Janeiro, 1987.

O Lobo Mau da Ucrânia
Meus olhos são bem grandes pra te secar
Minha boca é um bueiro que vai te sugar
E a minha narigona
Te cheira bonitona
Sou o lobo mau que veio da Ucrânia

Cheguei no Brasil
Na terra azul de anil
Back, back from Chernobyl
O lobo mau de Chernobyl

Quando você deitar, eu já vou tá na cama
O medo do futuro que não te abandona
Pra você o perigo mora em terras distantes
Em livros pendurados na estante

Cheguei no Brasil
Na terra azul de anil
Back, back from Chernobyl
O lobo mau de Chernobyl

Minha sede de viver é uma ameaça atômica
E os meios que eu uso, baby, eu nem te conto
Meus “is” não tem ponto
Nunca peço desculpa
E escrevo “deus” com letra minúscula

Cheguei no Brasil
Na terra azul de anil
Back, back from Chernobyl
O lobo mau de Chernobyl
@letras  

Blogueiro: estamos gratos à dica do anónimo, vejam também as fotos do Jim Morrison em camisa bordada ucraniana – vyshyvanka.

O canhão do franco-atirador do batalhão “Donbas”

A metralhadora pesada de calibre 23 mm, com sistema de mira telescópica, usada pelo batalhão “Donbas”, revelou-se sistema bastante efetivo contra os alvos blindados e como instrumento de persuasão dos terroristas de tentar penetrar no território sob controlo da Ucrânia.
Entre os “peritos de Facebook” não há unanimidade sobre a origem de arma, uns dizem que cano usado é de uma antiaérea, outros apontam como a sua origem possível os blindados T-54/55/62. Como alternativa, dizem que é uma KPV ou KPVT (dos blindados) com alcance de 3.000 metros e calibre de 14,5 mm (fonte).
De qualquer maneira, o brinquedo ucraniano não deixa os terroristas nem contentes, nem sossegados.

O doping estatal russo: 7 conclusões finais e 1.000 culpados

O chefe da comissão independente da WADA, Prof. Richard McLaren apresentou a parte final do seu relatório sobre uso do doping estatal no desporto russo. O novo relatório confirma os dados anteriores e apresenta as novas provas: no programa estatal de doping participaram mais de 1.000 atletas russos, entre eles os medalhistas de ouro de JO de Sochi. A televisão russa tvrain leu o relatório e sublinhou o mais importante.

O novo relatório é baseado não apenas nos depoimentos, mas nas provas materiais os dados medicinais e laboratoriais. Estes resultados são corroborados pelos depoimentos das testemunhas e pela correspondência eletrónica. McLarem também divulgou a base de dados que contêm 1.166 documentos, entre fotos, relatórios forenses, análise de testes, horários, e-mails e documentos de trabalho.

Mais de 1.000 atletas russos fizeram a parte do esquema de doping estatal (no período entre 2011 e 2015), destes, 84% representavam os desportos de verão e 16% de inverno. O sistema de doping estatal funcionou nos JO-2012 de Londres; nos Jogos Universitários de Kazan (2012); no Campeonato do Mundo de Atletismo de Moscovo (2013) e nos JO e JPO de Sochi (2014). WADA acredita que os burocratas desportivos russos optaram pelo sistema de doping estatal após a má exibição dos atletas russos nos JO de Vancouver.

— 12 desportistas russos que ganharam as medalhas em Sochi-2014 usavam o esquema de doping estatal: 4 deles eram medalhistas de ouro. Foram efetuadas 44 análises dos atletas russos que participaram nos JO de Sochi, na equipa feminina russa de hóquei de gelo as provas de duas atletas eram falsificadas, a urina continha ADN masculino. Para falsificar as provas, era usado o sal, água e café instantâneo uma série de análises mostravam as concentrações químicas fisiologicamente impossíveis. A falsificação de análises foi detectada em 6 das 21 provas de atletas paralímpicos russos em Sochi. No total, a comissão da WADA detectou 96 análises falsificadas (com invólucros violados) de JO de Sochi e 21 dos JPO de Sochi.

— O relatório confirma que o esquema de doping estatal em Sochi usava o método de «análises desaparecidoa», que permitia aos atletas russos usar o doping mesmo no decorrer das competições. O esquema foi lançado, pela primeira vez, nos jogos universitários de Kazan (2013). Ao esquema aderiram os atletas russos dos escalões mais altos da elite desportiva do país.

Nos JO-2012 de Londres o doping foi detectado nas análises dos 15 medalhistas russos dos 78 verificados, 10 deles já perderam as medalhas. No campeonato do Mundo de atletismo de Moscovo de 2013 foram falsificadas as análises dos 4 desportistas russos.

O Ministro do Desporto russo, Vitali Mutko, não podia não saber do sistema estatal de doping que estava sob controlo dos responsáveis do Ministério do Deporto, da Agência Russa Antidoping (RUSADA), FSB e do Laboratório Antidoping de Moscovo. Mutko, juntamente como o seu vice, Yuri Nagornikh geria o sistema de troca de análises: «Segundo as ordens de Mutko e do Nagornikh, os testes de doping previamente recolhidos fora das competições, deveriam ser recolhidos debaixo da mesa e em recipientes informais. Após a testagem destas amostras tomava-se a decisão se o atleta poderia ser “limpo” na competição, e se não for, ele ou ela ficavam em casa”.

O relatório da WADA não revela os novos nomes dos atletas apanhados em doping, justificando a sua decisão com o “respeito pela privacidade”. Os nomes da corredora russa Anastasiya Kapachinskaya e da lançadora do disco Darya Pishchalnikova, ambas desqualificadas e citadas no relatório, foram divulgados anteriormente.

Os nomes realmente novos
O pugilista russo de origem arménia, Mikhail Aloyan, detentor a medalha de prata no peso mosca (até 52 kg) dos JO-2016 no Rio perdeu a sua medalha pela decisão do Tribunal Arbitral de Desporto de Losanna (CAS). A análise do Aloyan (28), efetuada em 21 de agosto de 2016 acusou o uso de estimulador tuaminoheptane – o doping proibido. O treinador do Aloyan, Eduard Kravtsov prometeu que o seu pupilo irá recorrer da decisão do tribunal, pois alegadamente “apenas” usou o spray contra a rinite, escreve a página Meduza.

A mesma «Meduza» também expôs mais dois medalhistas russos de Sochi-2014, que foram apanhados no uso de doping e cujos nomes ainda não foram divulgados oficialmente. São Alexandr Zubkov e Alexey Voyevoda, a dupla do bobsleigh que ganhou quatro medalhas de ouro nos JO de Sochi.
No relatório do McLarem é dito que nas análises dos dois medalhistas de ouro de Sochi foi achada a quantidade anormalmente alta de sal, cuja presença é impossível na urina de uma pessoa saudável. Os nomes não são revelados, todos os dados são codificados, mas é dito que os dois ganharam 4 medalhas de ouro.

O impossível teor de sal
O documento sobre o teor de sal na urina, indicado no relatório se chama «Report on Urinary Sodium Analysis and Data Interpretation» (“Relatório da análise urinária de sódio e a interpretação de dados”); que apresenta os resultados de um estudo realizado em outubro de 2016. No total, foram efetuadas 121 testes, dos quais seis excederam a concentração máxima de sal; ou seja, há mais sal na análise do que é humanamente possível na urina de uma pessoa saudável com a desidratação. As mesmas seis amostras foram registadas entre as danificadas mecanicamente, o que também indica a falsificação das análises.

A página também demonstra que é possível chegar à mesma conclusão analisando o documento chamado «Schedule of Samples and ADAMS Reports.xlsx» («Agenda de amostras e relatório ADAMS.xlsx»; onde ADAMS é a base de dados da WADA que contém a informação sobre análises), e onde estão listadas todas as análises de todos os atletas com menção dos tipos de desporto, onde estes competem. O mesmo acontece na análise dos documentos «Medals per day.doc» (1 e 2) e «Medals Care Sochi COLOR.docx» («Plano colorido de controlo de medalhistas de Sochi»).

Os culpados

Os seus nomes já foram mencionados anteriormente. Alexandr Zubkov foi mencionado pelo ex-chefe do Laboratório antidoping de Moscovo, Grigori Rodchenkov, ainda na primeira publicação da The New York Times, que desencadeou a investigação massificada da WADA. Alexey Voyevoda figurava na lista que Rodchenkov entregou à WADA.

O natural da Ucrânia, Voyevoda (1980) socorreu-se da retórica patrioteira russa: «... quando surgiu a situação com Crimeia, começaram as sanções anti-russos, a retórica anti-russa, e isso continuou através dos atletas». Zunkov afirmou que nada teme: «Toda a minha vida joguei limpo, sempre realizei os testes de doping, e nem poderá haver problemas».

A posição do Kremlin

O secretário de imprensa do presidente russo, Dmitri Peskov, disse não se deve agir emocionalmente aos relatos da existência na Rússia de conspiração estatal de falsificação de testes de doping. Segindo Peskov, Kremlin estudará o relatório da comissão independente da Agência Mundial Antidoping (WADA) e verificará as informações disponíveis na página da comissão. Enquanto isso, o ministro russo do desporto, Pavel Kolobkov, afirmou que na Rússia “não havia e não poderia haver a conspiração estatal” e que com “as violações individuais e até mesmo [...] com os crimes cometidos [...] irão lidar as autoridades policiais russas”, informa a televisão russa tvrain

sexta-feira, dezembro 09, 2016

“A Crimeia, como era”: as crónicas de ocupação e da resistência

O Estúdio ucraniano Babylon'13 apresenta a primeira longa-metragem sobre a ocupação e anexação da Crimeia pela Rússia. As filmagens originais e as histórias não-ficcionais dos marinheiros, dos pilotos, dos pára-quedistas e dos fuzileiros navais ucranianos da resistência aos invasores que podem ajudar ao público encontrar a resposta à pergunta Por que em 2014 Ucrânia desistiu da Crimeia?

Os realizadores olharam aos eventos históricos na Crimeia através do prisma dos militares ucranianos que não trairam o seu juramento, o filme é a história das mais altas qualidades humanas: honra, fidelidade, coragem.

Desejo que mais pessoas saibam sobre o que aconteceu na Crimeia na primavera de 2014”, dis Kostyantyn Klyatskin, o realizador do A Crimeia, como era”.
Exibição pública do filme em Portugal

13 de dezembro de 2016 – Lisboa
14h00 – AUDITÓRIO CAMÕES, Rua Almirante Barroso  25-B
19h00 – Avenida das Descobertas, № 18 – Restelo

14 de dezembro de 2016 – Porto
19h00 – Sabiamente, Rua da Alegria, № 299

A entrada é gratuíta, o filme é legandado em português. Após a exibição seguir-se-á a conversa com o realizador do filme – Kostyantyn Klyatskin. O filme foi apresentado no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale).

quinta-feira, dezembro 08, 2016

O acordo final da UE de isenção de vistos com Ucrânia e Geórgia

A liderança da União Europeia informou que o acordo firmado nesta quinta-feira (o 23º aniversário do fim oficial da URSS) permitiu acabar com as disputas internas da UE e removeu o último obstáculo formal que impedia a introdução do regime de abolição dos vistos com Ucrânia e Geórgia.

As conversações que prorrogaram-se pela noite dentro entre os Estados-Membros da UE e o Parlamento Europeu permitiram chegar ao compromisso sobre os termos do mecanismo que pode ser utilizado para suspender o regime de isenção de vistos em situações de emergência.

O acordo sobre a suspensão de vistos deve ainda ser formalmente aprovado pelos Estados-Membros e pelo Parlamento Europeu. O acordo entre o Parlamento Europeu e os Estados-Membros facilitará a consideração imediata das duas propostas de liberalização de vistos para a Geórgia e Ucrânia.

Nos termos do acordo, os requisitos de vistos podem ser reintroduzidos se houver uma onda de cidadãos de países terceiros, como Ucrânia ou a Geórgia, permanecendo irregularmente no território da UE. Podem também ser reintroduzidos os vistos se houver um aumento de pedidos de asilo infundados, ou uma falta de cooperação em relação aos migrantes retornados, ou se os cidadãos nacionais destes países forem considerados a ameaça à segurança da UE.

“Este acordo é equilibrado e é extremamente importante para a eficácia e a credibilidade da política de liberalização de vistos da União. O atual mecanismo de suspensão não é adequado e agora será melhorado. O facto de termos chegado a um acordo deve abrir a porta a novos avanços nas negociações de liberalização de vistos com outros países que cumpram todos os requisitos necessários”, disse o ministro do Interior da Eslováquia, Robert Kalinak.

As duas ex-repúblicas soviéticas, Ucrânia e a Geórgia procuram se afastar de Moscovo e se aproximar ao Ocidente. No entanto, os seus povos ficaram [muitíssimo!] frustrados com a lentidão da UE em cumprir o prometido.

Depois da crise de refugiados do ano passado, os governos da UE ficaram nervosos com a reação popular liderada por partidos anti-imigração contra o movimento para facilitar as visitas de 45 milhões de ucranianos e 5 milhões de georgianos.

Permitir que eles viajassem para a zona Schengen da Europa comunitária sem solicitar antecipadamente o visto é um incentivo importante para que as pessoas aceitassem reformas duras dos governos em Kyiv e Tbilisi, à medida que buscam relações mais estreitas com a UE.

No início desta semana, o chefe do Conselho Europeu disse que a UE estava colocando em risco a sua credibilidade e reputação, deixando as discussões políticas internas bloquearem a prometida flexibilização dos requisitos de visto para Ucrânia e Geórgia.

Numa carta enviada ao presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz na última terça-feira e vista pela Reuters, Donald Tusk pediu ao legislador que comprometa-se com os governos nacionais para desbloquear a liberalização de vistos: “Estão em jogo as legítimas esperanças e aspirações das nações que são nossos vizinhos, bem como a reputação da União Europeia, que se empenhou categoricamente e repetidamente na questão. Apesar de todas as partes neste debate terem seus próprios bons argumentos e, sem dúvida, boa vontade, parece que estamos chegando perto de desperdiçar os nossos esforços conjuntos”, acrescentou, dizendo que a falta de introduzir a liberalização prometida seria “um erro imperdoável”, escreveu o ex-primeiro-ministro polaco (Independent.co.uk).

O Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko escreveu no seu Facebook sobre o acordo do mecanismo de suspensão do regime de isenção de vistos: “A notícia encorajadora de Bruxelas sobre os resultados dos meus contactos permanentes com os líderes da UE. O compromisso sobre o mecanismo de suspensão de isenção de vistos foi encontrado. Agora a ação é com o Conselho Europeu ao nível de embaixadores e com o Parlamento Europeu”.

Anteriormente, as instituições da UE determinaram que a entrada em vigor da liberalização dos vistos para Ucrânia e Geórgia será realizada simultaneamente com a introdução do mecanismo de suspensão do regime de isenção de vistos.