sábado, dezembro 16, 2017

Contos mágicos, roubados e plagiados pela União Soviética

Durante décadas a URSS foi o campeão de plágio, roubando no Ocidente tudo o que chegava às suas mãos, desde bomba atómica às calculadoras, desde viaturas aos eletrodomésticos. Os escritores soviéticos também estavam bem ativos no campo de plágio literário, área, que nem sequer necessitava de investimentos e apenas exigia talento e imaginação.  

Na União Soviética não existia a legislação moderna dos direitos de autor e o país aderiu à Convenção Universal dos Direitos de Autor apenas em fevereiro de 1973. Por sua vez a “cortina de ferro” separava os cidadãos soviéticos do resto da cultura mundial, fazendo com que os plagiadores sentiam-se protegidos. Os seus leitores simplesmente não tinham como comparar os originais ocidentais com as cópias soviéticas.

Além disso, os plagiadores soviéticos, geralmente não conseguiram produzir nada semelhante às “suas” obras realmente talentosas, copiadas dos autores ocidentais. Fora dos plágios eles escreviam as obras propagandistas ignoradas e esquecidas no momento da sua publicação, mostrando o verdadeiro nível intelectual e criativo destes autores.

1. «As Aventuras de Pinóquio» (1881-83) e «Chavinho de ouro» (1935)
Pinóquio ocidental e Buratino soviético
Em 1881-83, o jornalista e escritor italiano Carlo Collodi publica o seu livro «As Aventuras de Pinóquio». Cinquenta anos depois a história é plagiada pelo escritor soviético Alexey Tolstói (não confundir com escritor russo Lev Tolstoy, autor da “Guerra e Paz”, os autores nem sequer são parentes).  

No conto mágico do Collodi, um velho carpinteiro chamado Antonio (que se torna um realejeiro Carlo na versão do Tolstói) encontra um pedaço de madeira que pretende usar para fazer a perna da mesa, mas a madeira reclama de dor e cócegas. Antonio é visitado pelo seu amigo Gepetto (Giuseppe de Tolstói), que lhe aconselha à fazer um boneco de madeira.

Ambos os contos possuem personagens idênticos: o grilo sábio, a menina com cabelos azure (Malvina), poodle/caniche Medoro (Artemon), ladrões Gato e Raposa, o proprietário do teatro de marionetes Mangiafuoco (Carabas Barabas). Tolstói copiou, por inteiro, diversos episódios originais, criados pelo Collodi.

O livro «As Aventuras de Pinóquio» foi publicado em russo em 1895, 1906, 1908, 1914 e 1924. Esta última edição foi redigida pelo próprio Alexey Tolstoy, que usando a sua proximidade ao poder soviético, consegui a proibição da publicação do «Pinóquio» na URSS (a próxima edição soviética saiu apenas em 1959, já após a morte do Tolstói em 1945).

2. «Mágico de Oz / Feiticeiro de Oz» (1900) e «Feiticeiro da cidade das Esmeraldas» (1939)
O matemático e escritor soviético Alexander Volkov “escreveu” o seu livro “Cidade das Esmeraldas” (1939) / “Feiticeiro da cidade das Esmeraldas” (1941), copiando, praticamente na totalidade o “Feiticeiro de Oz”, a obra do americano Lyman Frank Baum, escrita em 1900. 
 
Nem na revista juvenil soviética “Pioner” (Pioneiro) em 1939, nem no livro, publicado em 1941, alguma vez se menciona a autoria do universo Oz. Apenas em 1959, na 2ª edição da obra soviética, no prefácio é mencionado, “de raspão”, o autor do original americano. 
Mas Volkov não parou por ai, continuando plagiar a obra do Baum. Assim, a segunda parte da saga do Baum “A maravilhosa terra de Oz” (1904), foi plagiada pelo autor soviético em “Urfin Juice e os seus soldados de madeira” (1963).    

Além do universo plagiado da terra de Oz, Volkov é autor de versos, baladas, canções e peças radiofónicas, dedicadas aos jovens soviéticos na II G.M., todas essas obras foram totalmente esquecidas.     

3. The Brownies (1883), «Reino dos Pequeninos» (1889) e «Aventuras de Neznaika» (1954)
Na década de 1880, o autor e ilustrador canadense Palmer Cox criou o universo das pequenas criaturas brownie (duendes) que viviam nos bosques e estavam em constante procura de aventuras. A obra do Cox, cuja parte textual era considerada bastante “crua”, foi adaptada ao russo pela escritora Anna Hvolson (1868-1931), que recriou duas personagens infantis: Murzilka (Sujinho) e Neznaika (Dunno / Naosabinho).    
Em 1952 o escritor russo Nikolay Nosov contou ao escritor e editor ucraniano Bohdan Chaliy (1924-2008) a sua ideia de escrever o livro infantil “Neznaika”, baseado na obra de Anna Hvolson “Reino dos Pequeninos”, publicada originalmente em 1889 (com reedições em 1898, 1902, 1915 e 1991).
Murzilka ocidental (snobe à esquerda na sua versão russa) e soviético (com pés na mesa à direita)
Bohdan Chaliy achou a ideia interessante e a obra do Nosov, “As aventuras de Neznaika e os seus companheiros”, foi publicada em 1953-1954 na revista infantil ucraniana “Barvinok”, em russo e ucraniano.
"O novo Murzilka", desenhos de Palmer Cox, edição russa de 1913
Palmer Cox (a ideia de personagem) e Anna Hvolson (o nome russo) foram criadores de uma outra personagem infantil: Murzilka. Naturalmente, Murzilka soviético do Nosov (pioneiro, jornalista e fotógrafo) difere do seu original Chollie Boutonnière (do Cox). Na obra original, Chollie é um snobe extravagante que usa o boné do cilindro, se comunica um tanto com desinteresse com outros personagens do livro e tenta não sujar as suas luvas brancas.
Os pequenotes do Nosov (1954)
De qualquer maneira, é de notar que Nosov conseguiu criar uma obra inteiramente original – de facto, ele “levou de empréstimo” apenas os nomes dos heróis e algumas cenas de enredo.

04. «The Brass Bottle» (1900) e «Velhote Hottabych» (1938)
Um exemplo de “plágio soft” da obra do novelista e jornalista britânico Thomas Anstey Guthrie (que escrevia sob pseudónimo F. Anstey), foi feito pelo autor e propagandista soviético Lazar Lagin. 

No livro “The Brass Bottle” (A garrafa de latão) um certo jovem encontra um velho jarro de cobre e libera o génio, que não está familiarizado com as realidades da vida moderna após mil anos de sua prisão. O génio Fakrash, tentando beneficiar o seu libertador, faz muitas coisas curiosas que apenas criam problemas ao libertador...

Lazar Lagin situa o enredo na União Soviética, introduzindo o componente ideológico – o pioneiro Volka não aceita as ofertas do génio por causa do seu “desprezo pela propriedade privada” e constantemente fala sobre as vantagens da vida na URSS. Os finais dos dois livros são diferentes – no original Fakrash volta à sua garrafa e Hottabych fica à viver na URSS, pretendendo trabalhar no circo.
Ler mais sobre a luta contra "cosmopolitismo" na URSS
Na edição de 1953 no auge da luta contra “cosmopolitismo” (em que próprio Lagin participou de uma forma tristemente ativa), no livro foram acrescentadas algumas passagens bastante agressivas antiamericanas e antibritânicas. Dois anos depois, essas passagens foram removidas da nova edição, mas apareceram outras emendas – os heróis voaram, no tapete voador, ao território sob poder dos capitalistas e imediatamente começaram a sofrer lá, de uma forma insuportavel)

O autor do livro alegadamente não mexeu no seu texto original, os “melhoramentos” foram feitos pelos camaradas anónimos.

05. «Doctor Dolittle» (1920) e «Doctor Aybolit» (versos em 1929 | em prosa 1936)
O escritor britânico Hugh Lofting escreveu o seu «Doctor Dolittle» nas trincheiras da I G.M., como uma alternativa bondosa à terrível realidade daquela época. O seu herói, Dr. John Dolittle (do inglês do-little, “faça pequenas [coisas]”), vive numa cidade imaginária, cura os animais e sabe falar as suas línguas. Os seus amigos são porquinho  Gub-Gub, cão Jip, pato Dab-Dab, macaquinho Chee-Chee, coruja Too-Too, a Pushmi-pullyu (Puxa-empurra, uma mistura entre gazela e unicórnio) e um ratinho branco chamado simplesmente Branquinho.     

Mais tarde, Doolittle viaja para a África para ajudar os macacos doentes, o seu navio é naufragado, e ele próprio é capturado pelo rei da Jolliginki, passando pelas muitas aventuras, mas no final salva os animais doentes da epidemia.

Praticamente na sua totalidade a obra foi plagiada pelo escritor soviético Kornei Chukóvski que, por sua vez, afirmava que tinha baseado a sua obra na vida do Zemach Shabad, médico, ativista político e maçon lituano de origem judaica.
Ler mais e/ou comprar
Como se pode ver, até mesmo as histórias mágicas de diversos livros infantis soviéticos foram, no mínimo “levados de empréstimo”. Com tal, destaca-se o acto honesto do escritor e tradutor soviético Boris Zakhoder – ele re-contou às crianças soviéticas as histórias do Ursinho Pooh (Winnie-the-Pooh), indicando claramente o autor da obra – Alan Alexander Milne (A. A. Miln).
A primeira edição soviética do "Ursinho Pooh e todos os outros", 1960 | foto RIAN
Imagens @Internet | Texto Maxim Mirovich

13 anos da vida do blogue Ucrânia em África

Hoje o nosso blogue fez 13 anos da vida. Lançado em 15 de dezembro de 2004 para defender a Revolução Laranja, nunca se pensou atingir a audiência atual: de maio de 2010 até hoje, o blogue já teve mais de 1.530.000 visitantes. Uma pequena grande obra.
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Obrigado à todos os que seguem o nosso blogue, principalmente aos ucraniano-brasileiros e todos os amigos da Ucrânia. Sem o vosso empenho e interesse pela pátria distante dos antepassados, nunca estaríamos onde estamos hoje.

The Ukrainians (Grã-Bretanha) “Shchedryk”

Abraços e Glória à Ucrânia! 

sexta-feira, dezembro 15, 2017

Os 12 museus mais inusitados da Ucrânia (14 fotos)

Hoje, graças à pesquisa de Zruchno Travel, o nosso blogue oferece uma seleção de museus mais incomuns e mais engraçados da Ucrânia, que certamente não deixarão ninguém aborrecido. Os museus escolhidos permitem conhecer as subtilezas da preparação da aguardente, perceber melhor os seus próprios sonhos, apreciar o “toucinho Andy Warhol” ou participar na cerimónia de um verdadeiro casamento ucraniano.

1. Museu do sexo e culturas sexuais do mundo (Kharkiv)
foto @io.ua
O Museu das Culturas sexuais mundiais é um dos museus mais incomuns e extravagantes da Ucrânia. A base de sua exposição é uma coleção privada do professor Valentyn Kryshtal, professor da Academia Médica de Kharkiv. Diferentes salas apresentam exposições dedicadas à cultura sexual de doze países. Aqui você pode ver pinturas egípcias e estatuetas antigas, reproduções de pinturas de Picasso, Manet e outros artistas famosos, bem como fotografias e desenhos contemporâneos. Existe uma sala de deviações e uma outra, especialmente pensada em adolescentes, que permite estudar anatomia, fisiologia e psicologia de uma pessoa, bem como ouvir palestras sobre a educação sexual.

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2. Museu da história de casa de banho / banheiro (Kyiv) 
Aqui, você pode ver não apenas a maior coleção de bidés / banheiros de souvenir / lembrancinha, mas também aprender muitos factos interessantes sobre a história de WC. A coleção do museu apresenta uma grande variedade de bidés/banheiros de quase todos os tempos – desde as panelas noturnas até bidés/banheiros com controlo tácito, feitos de cerâmica, porcelana, prata, madeira, metal e plástico. Também no museu há uma loja de souvenirs onde você pode comprar um bidé/banheiro-rádio, um bidé/banheiro isqueiro, o livro “A história mundial de (WC)”, um bidé dourado e muitos outros itens interessantes. O museu frequentemente recebe uma variedade de eventos que muitas vezes não estão diretamente ligados ao tema principal da exposição.
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3. Museu dos sonhos (Kyiv)
foto @kudago.com
Da onde vem os sonhos e porque sonhamos com algo que nunca conhecemos, tudo isso se pode descobrir no Museu dos Sonhos em Kyiv. Cada parte de exposição é uma instalação dinâmica, e cada visitante se torna um expositor e um pesquisador de seus próprios sonhos. O museu tem uma Janela dos Sonhos, onde todos podem deixar uma descrição de seu sonho. Você também pode espreitar ou mesmo estudar os sonhos dos outros. Se você tiver alguma dúvida, você pode descreve-la no papel e deixá-la numa das caixas do Mural de Associações Livres, e chegando ao museu na próxima vez, encontrar a resposta na caixa. Além disso, o museu periodicamente organiza as conferências abertas, seminários, exposições, aulas de mestrado e mostras de filmes.


4. Museu de coisas inúteis (Kyiv)
foto @kubikus-rubikus.livejournal.com
Um dos museus mais incomuns de Kyiv está localizado no território da fábrica de processamento e utilização de materiais reciclados. A coleção começou a ser formada imediatamente após a instalação da fábrica em 1943. Aqui, são reunidos os objetos mais estranhos e incomuns, peças antigos e vintage, alguns com mais de duzentos anos. A coleção é reabastecida pelos visitantes e funcionários da fábrica, que classificam e escolhem os itens mais interessantes. Entre o grande número de peças se pode ver um antigo conjunto de ferramentas de cabeleireiro, uma máquina de processamento de cânhamo, um antigo samovar com uma bota e muito mais. A maior parte da exposição é exposta ao ar livre, e o resto, a parte menor, numa exposição.

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5. O Museu da ferramenta antiga “Pátio do Mestre” (Zhytomyr)
foto @remeslennik.org
O museu privado “Pátio do Mestre” (Handicraft House) do Fedir Yevtushenko é uma espécie de “máquina do tempo” que lhe permite viajar ao passado e se familiarizar com as profissões antigas, saber mais sobre o trabalho dos ferreiros, barbeiros, alfaiates e carpinteiros, e ver os instrumentos reais (os 115 machados diferentes!), usados pelos mestres e artesões, criando as coisas necessárias na vida quotidiana. A coleção do museu é dividida em seções expositivas dedicadas a ocupações específicas ou a instrumentos individuais. Todos os objetos são ferramentas, dispositivos, máquinas e mecanismos originais, muitos dos quais ainda estão funcionando. O museu possui uma forja com montanha e bigorna, uma das quais foi construída em 1749. Em 2016 museu abriu uma grande exposição de brinquedos infantis, em 2017 aqui é exibido o artesanato checo. Num bom tempo, os hóspedes podem relaxar na área de churrasco ao ar livre e tomar o chá de samovar, alimentado pela madeira.

6. Museu da Som do Vasyl Pinchuk (Odessa)
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O Museu da Som está localizado em Odessa. Aqui está reunida toda a história de gravação e repercussão de som. O museu abriga antigas caixas mecânicas de música, gramofones e gira-discos, rádios e gravadores. Os visitantes podem ver uma coleção exclusiva de equipamentos raros e modernos, uma exposição dos mais antigos aos mais modernos objetos portadores de som, itens ligados ao mundo musical, como cartazes, desdobráveis, discos LP com logótipos de estúdios outrora muito conhecidos.
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A peculiaridade do museu reside no fato de que é possível não apenas ver a exposição, mas também usar todos os objetos, ouvindo o seu som. Desde as melodias de antigas caixas musicais ao som de gramofones e gira-discos.

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7. Museu de casamento ucraniano (vila Velikii Budyshcha, região de Poltava)
foto @ingreen.in.ua | visitar
Na pequena vila de Veliki Budyshcha (conhecida pelo menos desde 1660), na região da Poltava, apenas à 6 km da famosa Dykanka descrita pelo Nicolas Gogol, está situada a Casa da Cultura local que obriga no seu interior a decoração de uma casa regional tradicional. É o Museu do casamento ucraniano, que mostra as decorações de casamentos ucranianos de diferentes épocas, itens antigos da vida quotidiana, móveis, fotos, as camisas tradicionais ucranianas (vyshyvankas) e toalhas bordadas. O orgulho do museu é o vestido de casamento de uma residente local, costurado em 1926. Todos os adereços do museu podem ser usadas, o que significa que os visitantes podem os usar, para celebrar o casamento tradicional ucraniano ao estilo étnico. Aos grupos de turistas são oferecidos os passeios interativos que recriam as tradições dos antigos casamentos rurais com todas as tradições ucranianas presentes: canções, piadas, poesia e, claro, banquete.


8. A fábrica e mina de sal de Drohobych (Drohobych)
foto @navkoloua.com | visitar 
A fábrica e mina de sal de Drohobych em primeiro lugar é uma empresa industrial que funciona, pelo menos desde 1250 até hoje. Na era soviética, a fábrica produzia 11 mil toneladas de sal por ano, mas agora o sal é extraído novamente por métodos de artesanato, evaporando-o da salmoura natural em uma lareira de forno à lenha. É necessário fazer um registo preliminar, solicitando uma visita guiada, durante a qual os turistas visitarão a mina de sal e conhecerão os processos de trabalho, além disso, poderão comprar, como lembrança uma deliciosa “cabeça” de autêntico sal evaporado.


9. Complexo-museu cultural da história da cerveja “Lvivarnia” (Lviv)
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O Museu da Cerveja de Lviv funciona no território da mais antiga cervejaria de Lviv. Hoje é um complexo museológico e cultural, único na Ucrânia. Sua coleção contém tudo o que diz respeito a cerveja e Lviv. Aqui se pode ver um fogão de cerveja antigo, uma adega, barris para maturação de cerveja, uma coleção de garrafas e canecas de cerveja. Muitas das exposições são interativas, criadas em 3D e usando as sombras teatrais. No segundo piso é possível ver a cerveja ao microscópio, contemplar o processo de fabricação de uma bebida de lúpulo e até criar a sua própria variedade de cerveja. No final do passeio, os visitantes são convidados à saborear as cervejas mais variadas produzidas em Lviv.

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10. Museu de arte e horilka-barSalo” (Lviv)
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“Nunca haverá demais toucinho!” – pensaram em Lviv e abriram o único na Ucrânia, e possivelmente no mundo, o Museu do Toucinho. Esta é uma instituição moderna que combina um museu, um restaurante e um palco de arte, onde são realizadas festas, tertúlias literárias e concertos. A coleção do museu contém os mais diversos objetos de arte feitos de toucinho: pinturas e desenhos animados, como “Toucinho do Malevich” e “Toucinho do Andy Warhol”, bem como esculturas como “A orelha Van Gogh”, “A mão do Buda”, “A cabeça do Elvis Presley”, entre outros. A principal exposição do museu é um enorme coração de toucinho. Os visitantes também recebem um menu/cardápio com pratos nacionais ucranianos e uma excelente seleção de entradas feitas de toucinho. Os particularmente populares são sushi e rolinhos, churrasco de toucinho e claro, o prato principal – toucinho em chocolate.

Visitar: Salo

11. Museu da magia Hutsul (aldeia de Verkhovyna, região de Ivano-Frankivsk)
foto @newsparky.livejournal.com
O museu da magia Hutsul apresentará os costumes e segredos de feiticeiros e curandeiros dos Cárpatos – molfares. A coleção do museu apresenta uma variedade de itens que já foram utilizados por molfrares para criar curas e poções que ajudam as pessoas. Entre os objetos expostos é possível ver o pilar, a faca e a cruz, as principais ferramentas de trabalho do mais famoso feiticeiro dos Cárpatos – Mykhailo Nechay. Aos visitantes são oferecidas as aulas práticas de fabricação de colheres de madeira, tecelagem e caligrafia espelhada e a proposta mais ousada – o misterioso passeio noturno “Em busca de molfrares”.

Visitar: endereço

12. Museu de aguardente Vagão Samohon (aldeia de Polyanytsya, região de Ivano-Frankivsk)
foto @Kurt Lee
O primeiro Museu de Aguardente nacional foi inaugurado na Ucrânia em 2013 na cidade de Ternopil pelo empresário do ramo de restauração, Mykhaylo Hrosulyak. Agora o museu se mudou para a aldeia de Polyanytsya, perto da famosa estância turística ucraniana de Bukovel. O museu está situado numa carruagem austríaca vintage, que obriga uma coleção dos mais variados dispositivos de alambiques: clássico e exclusivo, funcionais e raros, grandes e em miniatura, locais e trazidos de todos os lugares do mundo. Aqui são expostos os alambiques feitos de um trombone, de uma bota de borracha e um bule de chá, de uma caldeira e até mesmo de peças sobressalentes de um avião. Além dos dispositivos reais, os visitantes poderão avaliar uma coleção de variedades de aguardente de todos os cantos do mundo.

Visitar: Vagão Samohon

Bónus

Na cidade ucraniana de Sebastopol (atualmente na Crimeia ocupada) em 2011 foi inaugurado o museu da infância soviética:

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Crimes soviéticos: a morte do cientista e teólogo Pavel Florensky

8 de dezembro de 1937, após a transferência do campo de concentração soviético de Solovki, foi fuzilado, pela ordem do NKVD, o destacado filósofo e teólogo russo, cientista, poeta, inventor e sacerdote, Pavel Florensky.

Os últimos anos da sua vida:
Pavel Florensky, no momento da sua prisão em 1933, foto do arquivo de NKVD
no verão de 1928 foi enviado ao exilo para a cidade de Nizhny Novgorod, mas no mesmo ano, após o pedido da Yekaterina Peshkova o exilo foi cancelado com opção de emigrar para Praga, mas Florensky preferiu ficar na Rússia soviética;
– no início da década de 1930 foi alvo de uma campanha agressiva da imprensa soviética;
– em 1933 foi preso e condenado à 10 anos do GULAG;
– em 1933 foi deportado ao campo de concentração siberiano de “Svobodny” (Livre), onde trabalhou no departamento da pesquisa científica do BAMLAG;
– em 1934 foi enviado para Skovorodino, onde realizou pesquisas científicas numa estação experimental de permafrost;
– em 1934 ele foi enviado ao campo de concentração de Solovki, onde trabalhou na fábrica da indústria de iodo, lidando com o problema da extração de iodo e ágar-ágar de algas marinhas e patenteou mais de dez descobertas científicas;
– aos 25 de novembro de 1937, foi condenado à pena capital por uma troika do NKVD de Leninegrado e foi fuzilado no dia 8 de dezembro...

De acordo com as recordações do Alexey Favorsky, que se encontrou com Pavel Florensky nas vésperas da sua morte: Florensky em Solovki era o homem mais respeitado – genial, resignado, corajoso, filósofo, matemático e teólogo. Minha impressão de Florensky, e esta é também a opinião de todos os prisioneiros que estavam com ele – alta espiritualidade, atitude benevolente para com as pessoas, riqueza da alma. Tudo aquilo que enobrece uma pessoa” (fonte).

O fator russo do retorno dos combatentes do Daesh/EI (infografia)

A imprensa internacional divulgou a infografia com o número dos combatentes estrangeiros do Daesh/EI (cerca de 40.000 pessoas de 110 países), e também do número dos que já voltaram aos seus países de origem – cerca de 5.600 dos 33 estados.
A fonte da informação é empresa americana de consultoria Clarion Project.org, especializada nas questões de segurança.
Os cidadãos americanos no Daesh/EI
O número dos cidadãos russos nas fileiras do Daesh/EI é o mais alto de todos os outros países e estados, assim como o número dos combatentes russos retornados, acima dos 10% dos que estiveram ao serviço do Califado. A língua russa até já se tornou a segunda língua mais falada do Estado Islâmico, ultrapassando, na sua importância, o inglês.
Os cidadãos dos restantes países do mundo no Daesh/EI
O blogueiro militarista russo el-murid escreve que uma parte considerável dos militantes do Daesh/EI, falantes do russo, em vez de voltarem para casa, passaram para outras frentes de combate, nomeadamente no Egito. Outros voltam mesmo para Rússia.
O membro russo do Daesh/EI prepara-se para decapitar um russo capturado pelo Daesh/EI na Síria

O nosso blogue já escreveu sobre os “leõezinhos do Califado”, as crianças e adolescentes, formados na ideologia da jihad, com experiência real de combate e de participação na guerrilha. O número dos pupilos formados nos últimos 4 anos no Iraque e Síria é avaliado em 2.500-3.000 jovens, até cerca de 200 deles são naturais da Rússia, não se sabe quantos voltaram ou pretendem voltar ao seu país de origem...
Atentados terroristas na Europa e fator feminino
Recentemente, o Daesh/EI divulgou o vídeo em que mostrou o seu grupo que, no início de novembro de 2017, atacou a base aérea síria/russa em Deir ez-Zor:
No centro está o líder sírio, os restantes membros do grupo são formandos do programa “leõezinhos do Califado”. Penúltimo à direita é um militante russo, que falando russo e usando a uniforme russa conseguiu introduzir o grupo dentro do perímetro do aeroporto, passando todos os postos de controlo. O último balanço da sua operação, de acordo com o mesmo el-murid, são 2 aviões destruídos e cerca de 80 pessoas mortas, todos os membros do grupo foram liquidados na operação.

quarta-feira, dezembro 13, 2017

Prémio Sakharov é atribuído à oposição democrática da Venezuela

A União Europeia atribuiu o Prémio Sakharov de 2017 à oposição democrática da Venezuela. O ex-presidente da zona Metropolitana de Caracas — Antonio Ledezma é um dos rostos da oposição a Chávez e Maduro. Após 1002 dias da prisão — conseguiu fugir do seu país a tempo de receber, em Estrasburgo, o prémio que a Europa atribui anualmente a figuras que se distinguem pela Defesa dos Direitos Humanos.

Quando a União Europeia anunciou, a 26 de outubro, que iria atribuir o Prémio Sakharov à oposição democrática da Venezuela, Antonio Ledezma era um dos presos políticos do regime de Nicolás Maduro. Mas após 1002 dias de cativeiro (a maioria em prisão domiciliária), o antigo presidente da zona Metropolitana de Caracas — e um dos rostos da oposição a Chávez e Maduro — conseguiu fugir do seu país a tempo de receber, esta quarta-feira, em Estrasburgo, o prémio que a Europa atribui anualmente a figuras que se distinguem pela Defesa dos Direitos Humanos.

Antonio Ledezma, a quem Maduro chama de “vampiro“, chegou a ser apontado como candidato contra Hugo Chávez em 2008, mas acabou por avançar para a presidência da zona metropolitana de Caracas. Acabou por vencer o candidato do partido chavista e logo no mais importante cargo autárquico. Chávez contornou a questão e criou um “chefe de Governo do distrito capital” que assumiu parte dos poderes da competência de Ledezma. Em protesto, o autarca fez greve de fome. Desde então tem sido um dos rostos da oposição ao regime. Primeiro de Chávez, depois de Maduro. Acabou detido a 19 de fevereiro de 2015 pela secreta venezuelana no seu escritório na Torre EXA, em Caracas. Chegaram a ser disparados tiros para o ar no momento da detenção e esteve preso mais de dois meses na prisão militar de Ramo Verde até ser transferido para prisão domiciliária por razões de saúde.

Conseguiu libertar-se a 17 de novembro de 2017. Depois fugiu para Colômbia e de çá voou para Madrid, onde foi recebido por Mariano Rajoy, o que irritou ainda mais o regime de Maduro. Agora sente-se livre e vai receber — ao lado de outro rosto do combate ao regime de Maduro, Leopoldo López — presencialmente o prémio Sakharov. Com o tempo contado, em Estrasburgo, concedeu uma entrevista ao Observador.

Nicolás Maduro é pior do que Hugo Chávez?

São farinha do mesmo saco. São ambos representantes do populismo maléfico na política, que tira vantagem da democracia para chegar ao poder. Não para melhorar e aprofundar o sistema, mas antes para se enraizarem, como acontece com todas as ditaduras, no exercício do poder, sem querer saber dos danos que provocam aos cidadãos. Por isso, a situação – antes com Chávez e agora com Maduro – vai de mal a pior. São defensores do mesmo plano demagógico e de uma governação cheia de anacronismo, de esquemas fraudulentos, como o câmbio e o controlo dos preços, inspecionando tudo e fazendo com que, hoje em dia, a Venezuela tenha a inflação mais alta do mundo. Com este controlo dos preços, tem sido um boomerang [arremesso] contra os consumidores. E com o controlo do câmbio, enriquecem-se as elites que tornaram a economia venezuelana num casino financeiro. Um dólar hoje em dia – para que tenha uma ideia de como está a conversão na Venezuela – é equivalente a 100 milhões de bolívares. E para ter uma ideia da crise social, um trabalhador num supermercado na Venezuela, numa categoria qualquer, ganha um salário médio não superior a cinco dólares por mês. São salários paupérrimos.

E é possível tirar Maduro do poder de forma pacífica e democrática?

Nós temos insistido na saída de Maduro pela via pacífica. Temos insistido e por isso propusemos, no ano passado, um referendo revogatório. Lamentavelmente, foram logo encerradas todas as vias para um referendo revogatório.

O Partido Comunista Português, que tem deputados aqui no Parlamento Europeu, tem defendido Nicólas Maduro em intervenções política. Tem ideia que está num Parlamento em que existem forças que defendem o regime de Maduro?

É a liberdade de pensamento e há que o respeitar. São opiniões. Gostava que [os deputados do PCP no Parlamento Europeu] fossem à Venezuela para terem noção dos grandes desequilíbrios que temos, em distintas áreas. Deixe-me sublinhar algumas: a situação de pobreza em que vivem muitos venezuelanos, que têm de vasculhar o lixo para comer. Isso é insólito num país rico como o nosso, que tem das receitas de petróleo mais elevadas do mundo. Também podem ir à Venezuela e ver que temos dos mais altos níveis de insegurança, que são níveis superiores aos de qualquer país europeu: estamos nos primeiros lugares dos países com mais insegurança do mundo. Somos ainda um país com uma grande interferência económica do Estado e onde os governantes são generais, narcotraficantes, terroristas e corruptos… Se é isso que [os deputados comunistas] querem defender, é sua responsabilidade.

Ler o texto integral da entrevista.