sexta-feira, dezembro 19, 2014

Cazaquistão condena o mercenário fugido da Ucrânia

No Cazaquistão foi julgado e condenado à 5 anos de cadeia o cidadão nacional que participou na guerra de desestabilização na Ucrânia, fazendo parte do bando terrorista internacional, informa agência Tengrinews.kz

No dia 15 de dezembro, a juíza Galina Bylkilova, do Tribunal № 2 do bairro Saryarkinsky da capital do Cazaquistão, Astana, considerou o réu, Evgeni Vdovenko (30), ao abrigo do artigo 162, 1ª parte, do Código Penal casaque, “participação nos conflitos militares estrangeiros”, como culpado e o condenou à 5 anos da cadeia severa. Embora a decisão ainda não transitou em julgado e pode ser contestada nas instâncias superiores.

O julgamento começou no dia 12 de dezembro, foi rápido e parcialmente fechado à imprensa, o tribunal considerou provado que o réu participou nos combates no leste da Ucrânia, usava as armas de fogo, guardava os postos do controlo separatistas, patrulhava a cidade de Luhansk e desempenhava outras tarefas dados pelos terroristas.

O réu, provavelmente colaborou com a investigação, tentando reduzir a pena, pois reconheceu parcialmente a sua culpa, disse que realmente “participou nos acontecimentos ... não tinha a intenção maliciosa ... admito que cometi um crime e violei a lei”, embora argumentando que “não matou ninguém ... não pretendia derrubar o poder na Ucrânia ... apenas queria ajudar aos locais”.

Como informou o representante do Ministério Público do Cazaquistão, o procurador Dauren Ashimov, Evgeni Vdovenko chegou à Ucrânia através de uma rede terrorista russa, recebendo o “convite” via rede social russa VK, vindo da cidade russa de Rostov-no-Don. No local, ele se filiou no bando, composto por cerca de 30 mercenários, provenientes do Azerbaijão, Rússia e Dagestão. Todos eles entraram no território da Ucrânia ilegalmente e conscientemente, a sua primeira localização no solo ucraniano foi na cidade de Krasnodon. Uma vez que o aprendiz de terrorista não teve a preparação militar prévia, esta foi lhe dada pelos instrutores militares na cidade de Luhansk.
    
É sabido que Vdovenko é reincidente no mundo do crime, anteriormente ele cumpriu a pena de três anos pelo assalto e porte ilegal de arma.

... na Polónia

Na Polónia, de acordo com as informações do jornal Rzeczpospolita, o serviço secreto interno, a ABW (Agência de Segurança Interna), começou a investigação contra os cidadãos polacos que participam como mercenários terroristas na guerra russo-ucraniana.

O departamento regional da ABW da Silésia e o Ministério Público local, estão investigar pelo menos um membro da organização de extrema-direita “O Campo da Grande Polónia”. O mercenário poderá enfrentar a pena de prisão entre 6 meses à 8 anos (artigo 141, 2ª parte). Outro mercenário polaco conhecido por alinhar nas formações terroristas de Donbas é Dariusz Lemanski, residente há 12 anos no Reino Unido e próximo ao britânico Graham Philips, terrorista que colabora com o canal da propaganda russa RT.

... no Brasil

Os diversos leitores brasileiros mandam ao nosso blogue a informação privilegiada sobre o(s) mercenário(s) brasileiro(s) que estão sendo vistos ou anunciados nas fileiras terroristas de Donbas. Agradecemos o vosso empenho e asseguramos que todas as informações relevantes são entregues aos organismos próprios, em ambos os países.
No entanto, dado que a união faz a força, exortamos os nossos leitores brasileiros à contactar ABIN diretamente, reportando aos seus profissionais toda e qualquer informação sobre os terroristas – cidadãos brasileiros. Pois, se na Ucrânia eles não passam de meras estatísticas irrelevantes, vistos pelos próprios terroristas como freaks engraçados, após a derrota do terrorismo na Ucrânia, invariavelmente eles voltarão ao Brasil e ai, representarão o perigo bem mais sério para o bem-estar dos cidadãos, da sociedade e da democracia brasileira. 

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Belarus ou Bielorússia, a ditadura que resiste

O jornalista português João de Almeida Dias escreveu uma série de reportagens sobre a Belarus, liderada com os punhos de ferro pelo Alexander Lukashenka, o último ditador da Europa, expressão cunhada em 2006 pela Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. Já os seus apoiantes caraterizam batska (paisão) como um homem justo e um líder carismático, o único que foi capaz de unir o país. No meio, é o facto: Lukachenka é o líder europeu que está há mais tempo no poder, precisamente 20 anos.

Poderes ditatoriais

Em 1996 (Lukashenka) lançou um referendo com sete questões que o tornou, legalmente, um ditador. O sistema político passou a ser divido em duas câmaras: o Palácio dos Representantes (a mais baixa) e o Conselho da República (mais próximo de Lukashenka). Metade dos nomes de cada um destes órgãos, tal como no Tribunal Constitucional e na Comissão Eleitoral, seriam escolhidos pelo Presidente. No Tribunal Supremo e no Tribunal de Contas, a escolha passou a ser exclusiva de Lukashenka. Além do mais, todos os seus decretos teriam valor de lei, dispensando aprovação parlamentar.

[Desde cedo] tornou-se claro que [Lukashenka] tinha sede de poder. Da mesma maneira que um rapaz de 16 anos deseja intimidade com uma mulher, Lukashenka, com cada fibra do seu espírito, com cada célula do seu organismo, queria ter poder.
Alexander Feduta, jornalista e antigo ministro de Lukachenka

Aniquilamento da oposição em 19-20 de dezembro de 2010

“Depois eles atacaram.” Andrei Sannikov (candidato presidencial em 2010, os resultados oficiais atribuíram-lhe 2,56%, fazendo dele o segundo candidato mais votado. Lukashenko venceu com 79,67%) lembra-se de ver dezenas de polícias a avançar atrás de enormes escudos cinzentos, quase da altura deles, munidos de um bastão. Uma mão cheia deles correu na sua direção e pontapearam-no até ele cair. Depois, colocaram um escudo por cima do seu corpo e saltaram-lhe em cima repetidas vezes. Ao mesmo tempo, a sua esposa, Irina Ralip (a jornalista de investigação), tentava salvar o marido, que ficara inconsciente durante o ataque. Quando recuperou os sentidos, percebeu que tinha a perna partida.
https://www.youtube.com/watch?v=R2IjKa-Gi9A

Detidos no caminho à hospital pela polícia, Sannikov e Ralip, pararam nos calabouços do KGB, juntamente com cerca de 700 outros ativistas pró-democracia.

Irina Ralip esteve encarcerada durante um mês. Depois seguiram-se quase cinco meses de prisão domiciliária — durante este tempo todo, em que quase perdeu a custódia do filho de três anos, viveu com dois agentes dos serviços secretos permanentemente dentro de sua casa.

Andrei Sannikov foi condenado à cinco anos de prisão por organizar as “manifestações violentas”. Ao fim de um ano e seis meses, com a saúde em risco, foi amnistiado pelo próprio Lukashenko. Nada que o faça esquecer a tortura, a negação de cuidados médicos e as ameaças de morte que recebeu. Ameaçado na TV pelo próprio Lukashenka, após pedir publicamente a libertação de todos os presos políticos, Sannikov saiu do país. Hoje vive em Varsóvia, a capital da Polónia, enquanto a mulher e o filho continuam em Minsk.

Belarus em números

Em matérias de liberdade de imprensa, a reputada associação dos Repórteres Sem Fronteiras coloca o país em 157º lugar num total de 180. Na corrupção, a Transparency International, colocou-o em 123º entre 177 países. No Índice de Liberdade Económica, determinado pela Heritage Foundation, os números são da mesma ordem: 150º em 178 nações.

O poder da propaganda

No filme documental “Ploscha” (Kalinovski Square), de 2006, o seu realizador, Yuriy Khashchevatskiy, visita uma aldeia isolada, de onde os seus habitantes raramente saem. Não têm televisão nem telefone e a única janela que têm para o resto do mundo é o rádio. Assim que vêem uma câmara, os aldeões queixam-se das suas condições de vida. O tom é de revolta. O cineasta pergunta-lhes, então, se acham que Lukashenko é o culpado da situação deles. “Claro que não!”, respondem-lhe de imediato. “Eles no rádio dizem que todas as outras aldeias são boas, tudo o resto na Bielorrússia é perfeito. Só aqui na nossa aldeia é que vivemos na merda!”
https://www.youtube.com/watch?v=AxdcEQJJido

Ler o texto integral, 1ª parte: Quanto tempo resta ao último ditador da Europa?
http://observador.pt/especiais/quanto-tempo-resta-ao-ultimo-ditador-da-europa

terça-feira, dezembro 16, 2014

Arseni Iatseniouk: «Poutine a changé de tactique!»


Arseniy Yatsenyuk, o primeiro-ministro ucraniano pensa que a arma do Putin agora é tentar se aproveitar dos movimentos sociais que surgiriam na Ucrânia, a fim de submeter o país ao ditado do Kremlin. Na entrevista ao jornalista francês Renaud Girard, publicada no “Le Figaro” em 14/12/2014 (o trecho em português).

Putin: “Agora a sua arma é tentar se beneficiar de movimentos sociais, que devem surgir na Ucrânia, para subjugar o país ao ditado do Kremlin, à sua visão de uma grande esfera de influência e ao grande “mundo russo”. Yatsenyuk não acredita no sucesso deste plano e confia que Ucrânia irá “sobreviver ... como uma nação independente”.

Situação na Ucrânia: “Se amanhã Putin retirar os seus soldados e agentes do FSB do território ucraniano, se ele deixar de interferir nos assuntos internos da Ucrânia, o problema das regiões orientais desapareceria. [...] Ucrânia ... já cumpriu a sua parte das obrigações inscritas no Acordo de Minsk. [...] Embora a ideia do Acordo de Minsk pertence ao Putin, de seguida, ele fez uma viragem de 180 graus e se recusou a implementa-lo. [...] Putin não deixa de se comportar de maneira contraditória, já que para ele Ucrânia é apenas um campo de batalha contra o Ocidente. O seu objetivo estratégico é recriar o império soviético e a sua antiga “esfera de influência”, que pertencia à URSS”.

Anexação e ocupação da Crimeia: foi a parte do plano global para ocupar Ucrânia e também um meio para “mostrar, quer à  opinião pública russa, quer ao Ocidente que ele é um político forte. [...] Putin está na corrida desesperada de novas e novas conquistas, para demonstrar o seu poder, tanto dentro do país, como no exterior. O problema é que ele não é um Super-Homem. [...] Putin sabe que ele caiu na armadilha do nacionalismo russo, para cuja criação ele próprio contribuiu. Ele quer sair desta (armadilha) mas não sabe como”.

Donetsk e Luhansk: “Putin não precisa dos estados independentes em Donetsk e Luhansk, porque sabe que esses estados, dependerão depois do dinheiro russo. Ele não quer arcar com estes custos. Ele só quer deixar essas áreas como uma espécie de zonas cinzentas, onde ele muito facilmente poderia aumentar a tensão quando isso seria lhe conveniente”.

Leste da Ucrânia: para resolver o problema do leste da Ucrânia “não deve haver os soldados russos no território ucraniano. Não temos nenhuma dificuldade em oferecer uma maior descentralização às nossas províncias do leste, aprovamos uma lei que vai nesse sentido, eu fui lá para lhes oferecer isso. Eu não foi ouvido, porque a minha voz foi abafada pelo barulho da artilharia russa”.

Ler em francês (o conteúdo pago): Arseni Iatseniouk: «Poutine a changé de tactique!»

Os russos capturaram a herança da Ucrânia em seu próprio benefício
A resistência nacional ucraniana: anos 1940-50 (UPA) e em 2014
Entrevista ao jornal francês “Liberation” (dezembro de 2004) do Daniel Beauvois, historiador especializado na história da Ucrânia e da Polónia, que explica como Rússia, declarando Kyiv (Kiev) como o seu berço nacional, reescreveu a história, recusando à Ucrânia a sua própria identidade distinta.

Ler em francês: “Les Russes ont capté l'héritage de l'Ukraine à leur profit”

Ciborgues como guias turísticos (linguagem +16)

Os ciborgues, defensores do aeroporto de Donetsk, conduziram uma excursão em vídeo (9'29''), pelo antigo terminal destruído, que no dia 1 de dezembro chegou à cair nas mãos dos terroristas. É de lembrar que no seu último relatório especial, a missão de monitoramento da OSCE tinha afirmando que um dos terminais do aeroporto internacional “Prokofiev” foi absolutamente destruído.

Ver no YouTube, canal The Medvedova:

https://www.youtube.com/watch?v=Rvq8hWUR8wU

segunda-feira, dezembro 15, 2014

O 10º aniversário do nosso blogue

Amigos, leitores e seguidores, hoje, 15 de dezembro de 2014 é o 10º aniversário de criação do nosso blogue. Começamos na auge da Revolução Laranja e hoje estamos na auge da guerra russo-ucraniana. Mas é a vida...

Nos tempos iniciais, ficávamos contentes com 100 visitas por semana, depois alegravam-nós os 100 visitas por dia, neste momento mantemos o ritmo de cerca de 10.000 visitas por mês, e já tivemos muito mais.

No total, de junho de 2006 até hoje tivemos 557.918 visitas, antes disso, entre 15 de dezembro e junho de 2006, outros, cerca de 180.000. No total publicamos 2.357 artigos, diversas fotos, vídeos e outros materiais.

Sem exagerar a importância relativa da nossa página, de alguma maneira influenciamos mais de 700.000 pessoas, escrevendo, ironia suprema, em português, sobre os problemas ucranianos à partir de África. É a globalização no seu melhor!

Queremos dizer obrigado aos todos os amigos, leitores e seguidores, gratos pelas vossas amizades, sugestões, conselhos e participações. Para hoje é tudo, deixamos vós com uma pequena BD, chamada “As nossas bandeiras”, invariavelmente é sobre Ucrânia.

A jovem Eudoquia e von Goethe: as histórias da OAT

O seu nome é Eudoquia. Vive na zona de OAT, nos arredores de Shchastya. Durante quatro últimos meses, todos os dias, de manha e até cair a noite, ela sai à estrada perto da sua casa e cumprimenta os militares ucranianos na caminhada à frente de batalha. 

Texto e fotos do jornalista Taras Tomenko da ICTV

Os militares ucranianos ficam simplesmente felicíssimos, vendo este solzinho, embrulhado na bandeira nacional da Ucrânia! Ela não vai para a escola, depois de, a sua professora (que leciona a língua ucraniana!), chama-la de “banderista”, ou seja “nacionalista”; toda a sua turma cortou os relacionamentos com ela.


“Estarei cá até o final da guerra, – diz Eudoquia Kulinich (Ducia, para os amigos), – estarei e cumprimentarei os nossos rapazes!” Para apoiar o seu espírito combativo, os militares ucranianos batizaram um blindado em seu nome! Agora eles tem “Eudoquia” na aldeia de Triokhizbenka que dispara contra os inimigos.
Glória à Ucrânia! Glória aos Heróis!

O livro que salvou uma vida

Dizem que os livros curam as almas, o romance clássico Os Sofrimentos do Jovem Werther, escrito no longínquo ano de 1774 pelo genial Johann Wolfgang von Goethe, em conjunto com outras abras suas, literalmente salvou a vida de um militar ucraniano na frente de batalha no Donbas (FONTE)

Leiam os livros! 

Exército felino da Ucrânia

Os gatinhos "Grad" e "Uragan": os carrascos felinos ucranianos
Cada posto de controlo das forças ucranianas na região de Donetsk têm o seu próprio gato. São todos amados e cuidados. A gata que aparece em baixo, agora está nas operações militares nos arredores de Mariupol.

O texto e fotos por: Nataliya Zubar (o título é da responsabilidade do nosso blogue, a foto dos gatinhos “Grad” e “Uragan” pertencem à comunidade Ukraina edyna krajina).
  
A gata de combate não é uma metáfora. Os gatos do Exército são psicólogos ou uma espécie de “felicidade andante”, como disse um comandante de batalhão. Os gatos também caçam os ratos e ratazanas que estão às centenas nos postos militares nas estepes da Ucrânia.

Além disso, os gatos e as gatas sentem as explosões antes dos humanos. Eles detectam os estranhos e avisam do perigo próximo. Os gatos também são verdadeiros especialistas em recursos humanos, mostrando com o seu comportamento o estado mental dos combatentes. Um psicólogo militar disse que pelo comportamento de um gato ele consegue avaliar imediatamente o estado psicológico em que se encontra um militar, além do tipo e da necessidade de assistência que este, porventura, precisa.

Quando o exército ucraniano assume uma nova área, as tropas imediatamente iniciam a busca pelos gatos locais. Quando o exército se retira, os militares querem garantir que todos os seus gatos são deixados em boas mãos. “O gato de um posto de controlo está à procura das boas mãos”, – os anúncios deste tipo são encontrados regularmente nas redes sociais e nos apontamentos dos militares e voluntários ucranianos. Essa é a proposta do nosso amigo Vitaly:

O número de cães que participam em acções militares é muito menor. Um cão tem de ser bem treinado para evitar os latidos desnecessários. Os gatos do exército não fazem barulho. O vídeo que se segue mostra um gato local, simplesmente andando numa posição de combate nas estepes da Donetsk, divertido e alegrando os militares ucranianos.
https://www.youtube.com/watch?v=4BFDJm4EfFg

O voluntário da EuroMaydan de Kharkiv, Ivan Kravchenko, escreveu: “Nós temos um monte de gatos. Dois deles eram gatos selvagens puros, 8 quilos cada um, o resto são pequenos gatinhos de 4-8 meses. Onde quer que estamos estacionados, os gatos vêm até nós por conta própria. Este cinza-branco, escondeu-se hoje debaixo da cama 10 segundos antes da explosão. À partir de agora vamos chamá-lo de um Barómetro de Bombas”.
"Barómetro de bombas" à descansar
Os voluntários que se deslocam através dos territórios ocupados afirmam que eles têm visto um monte de cães selvagens nos postos de controlo dos separatistas, mas não há gatos. Descobriu-se que há uma razão para isso. Esta razão não é nada agradável.

Uma vez visitei um posto de controlo longínquo, para encontrar um gatinho para os soldados. Não havia nenhum por perto, mesmo nas latas de lixo. Os separatistas usaram todos os gatos para limpar as armadilhas. Eles colocavam nas caudas dos animais a gasolina ou a terebintina e mandavam os à correr na direção de armadilhas, a fim de provocar as explosões. Para que os animais não hesitassem, os terroristas acendiam as suas caudas e até colocavam nelas os paus. Desta maneira, os terroristas exterminaram todos os gatos nas vizinhanças.

O Exército ucraniano tem uma abordagem bem diferente para com estes animais misteriosos. Os militares ucranianos até estão mais perplexos pelas atitudes desumanas dos separatistas em relação aos animais do que contra os outros humanos. Pois, os animais não são capazes de se defender. Quando perguntamos aos soldados por que eles teriam mais pena de um gato do que de um ser humano (a morte dos gatos salvaria as vidas humanas), eles respondem que um soldado sempre tem uma escolha de combater ou não, já um gato não tem esse privilégio. Isto é o que faz a diferença entre eles.
Os dois carrascos ucranianos no metro de Kyiv 
Debatendo estas fotos, um dos meus amigos, notou que estas estórias “de-humanizam os separatistas”. Tendo visitado todas as áreas de combate na região de Donetsk, reuni bastantes dados que confirmam, os nossos adversários são muito bem sucedidos em sua própria de-humanização.

A utilização de animais para fins militares tem a sua própria história no exército soviético e russo. Dê uma olhada rápida neste artigo sobre o cão antitanque, a história é para maiores de 16 anos.

A blogueira ucraniana Sonia Kagna escreveu: “Não poderá haver dúvida de que Ucrânia irá ganhar, porque é impossível derrotar um exército de gatos. Alguma vez você já tentou que o seu gato faça algo que ele próprio não quer?”
O blindado ucraniano "Gatinho" 
Hoje em dia, os veículos blindados do Exército ucraniano são chamados de “gatos” e “gatinhas”. Os militares contam que um gato saltou para dentro do blindado ucraniano e agora acompanha os militares nas suas patrulhas regularmente.

Fontes:
http://maidanua.org/2014/12/ukrajinska-kotyacha-armiya-za-scho-vijskovi-postavlyat-pamyatnyky-kotam (ucraniano) 

domingo, dezembro 14, 2014

FSB contra a arte pró-Ucrânia

Na Rússia foi aberto um processo-crime contra o ativista e artista russo, Antom Myrzin (blogueiro Paperdaemon Chaognostic), por causa de uma série dos cartazes da sua autoria que apoiavam a luta da Ucrânia contra os separatistas e terroristas no Donbas.

A Direção de Investigação do FSB na região de Perm, abriu o processo-crime contra Anton Myrzin após receber a informação do que ele enviou uma série de cartazes da sua autoria para a participação na exposição “Os 100 melhores cartazes patrióticos”, à decorrer em Kyiv.

https://www.youtube.com/watch?v=gs8u-yS4Gh0

Os trabalhos do Anton Myrzin são leituras contemporâneas dos diversos cartazes soviéticos, os textos exortam à luta contra os separatistas e terroristas russos que invadiram Donbas e outros territórios do leste ucraniano.

Como escreve o jornal russo Kommersant, a procuradoria regional acusa Anton Myrzin ao abrigo do artigo 280º do Código Penal da federação russa: «Exortação pública às atividades extremistas». A procuradoria também convocou Anton Myrkin para prestar as declarações, ameaçando o ativista, de antemão, que “no caso da não comparência, os funcionários do FSB garantirão a sua presença compulsiva perante o investigador”.

Os dados do Anton foram obtidos pelo FSB através de um hacker que violou as contas do blogueiro Paperdaemon Chaognostic nas redes sociais e colocou na Internet a informação pessoal do ativista russo. Após disso, o deputado da Duma estatal russa, pelo partido governamental “Rússia Unida”, Alexander Khinshtein, ex-jornalista sensacionalista, foi a fonte oficial que pediu a iniciação do processo-crime contra a ativista pró-ucraniano.

Paperdaemon Chaognostic escolheu a liberdade


Sendo cidadão russo e conhecendo bastante bem os métodos e as capacidades dos órgãos repressivos do estado, que em teoria, deveriam zelar pela defesa dos direitos dos cidadãos, Anton Myrzin antecipou-se aos seus perseguidores, declarando o seguinte na sua página na rede social VK:

Percebendo a completa falta de forças e recursos para lutar sozinho contra todo o país, que entrou em uma loucura induzida massificada, eu fui forçado a emigrar da Rússia para a Ucrânia, a fim de obter asilo político, com possíveis novas perspectivas de carreira, tanto na arte política, como na arte de propaganda. Vejo a continuação das minhas atividades em um espaço livre de qualquer censura artística ou ideológica.

Obrigado pela vossa atenção,
Anton Myrzin ou Paperdaemon

Blogueiro

Na URSS o estado também costumava perseguir os artistas, mesmo aqueles que exortavam o regime. É muito preocupante que estas práticas estão voltar ao quotidiano russo. Pois, tal como nos anos 1920-1940, primeiro são perseguidos e destruídos os dissidentes, depois são atingidos os ditos “acompanhantes” e mais tarde são aniquilados mesmo os “apoiantes”. Pois, o pêndulo das repressões está atiçado e já não consegue parar...   

Ler mais: Realismo socialista como comodidade política