quinta-feira, junho 23, 2016

Ocupação soviética da Ucrânia: 24.000 assassinatos na Galiza ucraniana

No dia 23 de junho Ucrânia recorda solenemente a memória das vítimas dos fuzilamentos em massa dos prisioneiros políticos ocorridos nas cadeias de NKVD no território da Ucrânia Ocidental, em junho-julho de 1941.
Os moradores de Lviv à procura dos seus entes queridos na entrada da cadeia № 1 de Lviv, 3/07/1941
Com início da guerra nazi-soviética, em 22 de junho de 1941, as cadeias da Ucrânia Ocidental, sobrelotadas de prisioneiros políticos se tornaram uma preocupação para o poder soviético. Principalmente as cadeias situadas na linha da frente. O poder soviético decidiu “resolver o problema” à maneira muito característica do comunismo soviético.
Os moradores de Lviv procuram os seus entes queridos entres os prisioneiros fuzilados pelo NKVD,
pátio interior da cadeia na rua Lonckoho, junho de 1941

No total, o poder soviético fuzilou naqueles dias, apenas na Ucrânia Ocidental, cerca de 24.000 prisioneiros: judeus, polacos e ucranianos. Hoje, a sua memória é recordada solenemente ao nível das suas comunidades. O Instituto Ucraniano da Memória Nacional (Memory.gov.ua) exorta à honrar a sua memória, assim sugere a cobertura deste evento ao nível nacional.
O interior de uma cela prisional da cadeia de Lonckovo em Lviv, onde NKVD matava os prisioneiros,
atirando as granadas por dentro das celas ou metralhando as pessoas através das vigias, 1/07/1941

terça-feira, junho 21, 2016

Euro 2016: a despedida da Ucrânia

Sem brilho e sem glória a seleção da Ucrânia se despediu do Euro 2016, após averbar três derrotas em outros tantos jogos. No entanto, e como em muitas outras ocasiões, a estima do país foi salva pelas fãs ucranianas, poucas seleções poderiam ganhar Ucrânia neste capítulo.
Por outro lado, a derrota na Euro será bastante benéfica, pois novamente poderá recordar aos ucranianos esquecidos (nomeadamente à um grande grupo de deputados do Parlamento que foram à França para assistir os jogos), que o país está em guerra e as reformas não podem esperar até o fim do campeonato.
Além disso, hoje em, a verdadeira beleza e a verdadeira vitória da Ucrânia podem ser vistos nas outras paragens, na zona de Operação Antiterrorista (OAT)!

Bónus
O terrorista russo, Aleksey Okulov aka “Akula” (Tubarão), nascido na cidade russa de Krasnodar aos 10/2/1984 foi liquidado na zona industrial de Avdiivka no último dia 13 de junho. O “irmão russo” fez todo o caminho até o Donbas para participar no “safari aos ucranianos”, como testemunha a foto na qual ele se aparece com uma pá. Agora a pá será precisa para enterrar mais um canalha que veio à Ucrânia com a espada e da espada morreu...

Glória à Ucrânia!

Destruição parcial da base militar russa “Ashuluk”

No dia 20 de junho, às 9:20 hora moscovita, o polígono militar russo “Ashuluk”, pertencente à força antiaérea e situado na região de Astrakhan, na fronteira com Cazaquistão, foi fustigado pelo incêndio de grandes proporções, seguido de uma série de explosões.

Graças ao operário da empresa russa OOO FNK Engeneering que participava na execução dos trabalhos de construção dos edificações militares no local, foi possível ver o vídeo do incêndio, produzindo o fumo, que, segundo as testemunhas chegava aos 100 metros da altura.
https://www.youtube.com/watch?v=KZ7CJ7glwvM
A informação sobre os resultados do incêndio é censurada pelos serviços secretos russos, no entanto, graças à informação OSINT é possível identificar os meios técnicos destruídos pelo incêndio e pelas explosões e a sua localização exacta.        
Nas imagens publicadas no nosso blogue podemos ver a localização cartográfica e geográfica dos equipamentos destruídos, chamados de “posição “Kama”. É uma estação de radar 5N64C (custo aproximado de 40 milhões de dólares), parte integrante do complexo de mísseis S-300PT, além das estações queimadas de fornecimento de energia elétrica do mesmo radar.
A versão oficial russa dos acontecimentos fala sobre “incêndio do motor de arranque do míssil do sistema S-75”. Possivelmente se incendiou não um, mas vários “motores de arranque”, pois a base “Ashuluk” é o local de armazenamento de componentes de lançamento dos mísseis S-75.
No comunicado de imprensa o Ministério da Defesa russo afirma que não houve baixas, nem evacuação da base. Algo difícil de acreditar, pois quase no epicentro da explosão, cerca de 300 m à norte, está situada a casa da guarda e o edifício de preparação dos alvos aéreos na base dos mísseis soviéticos antiaéreos antiquados. Tendo em conta o tamanho da base e o número das edificações, a guarda do polígono deveria ser composta por um mínimo de 20-25 militares do exército russo (fonte). 

segunda-feira, junho 20, 2016

Grécia recebe Concílio pan-ortodoxo boicotado por Moscovo

O Patriarca Ecuménico Bartolomeu I de Constantinopla
Nos dias 19-26 de junho, na ilha grega de Creta, na cidade de  Heraclião, decorrerá o Concílio pan-ortodoxo, sob a liderança do Patriarca Ecuménico Bartolomeu I de Constantinopla, boicotado pela Igreja Ortodoxa Russa e pelos seus satélites.

O atual Concílio da liderança da igreja ortodoxa é histórica – os representantes das diversas Igrejas Ortodoxas se encontram juntos pela primeira vez desde a cisão da igreja que ocorreu há mais de 1200 anos atrás (desde 1054). No entanto, nas vésperas do início do Concílio, os representantes da Igreja Ortodoxa Russa (IOR), a Igreja Ortodoxa da Geórgia, da Bulgária e Patriarcado de Antioquia, leal ao presidente sírio, Bashar Al-Assad, se recusaram à tomar parte no encontro. Neste momento o Concílio conta com a participação dos mais de 170 bispos, informa a agência KNA.
Foto @GOA/DIMITRIOS PANAGOS
Apesar de, previamente concordar em participar no Concílio, no dia 13 de junho  Moscovo e os seus satélites decidiram boicotar a reunião magna das igrejas ortodoxas por causa de “algumas questões” que teme serem abordados no evento. Em resposta, o Patriarca Ecuménico, Primaz da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, Bartolomeu I disse que o Consílio pan-ortodoxo será realizado, apesar da recusa de Moscovo à participar nele. Os participantes do Consílio ortodoxo devem discutir seis temas: a relação da Igreja Ortodoxa com o resto do mundo cristão, jejum, casamento, a missão da Igreja no mundo moderno, a tutela dos ortodoxos na Diáspora, os meios da proclamação da autonomia da Igreja Ortodoxa. A sexta questão é importante para Ucrânia que pede Autocefalia (independência religiosa), querendo afastar-se da influência de Moscovo, escreve a página NV.ua

No dia 16 de junho, o Parlamento da Ucrânia aprovou por uma maioria de 245 votos um Apelo ao Patriarca Ecuménico Bartolomeu para conceder o poder Autocéfalo à Igreja Ortodoxa na Ucrânia (retirado no anos 1686 à favor de Moscovo).

As circunstâncias especiais que se criaram na vida da Ucrânia instaram nos à se dirigirem ao chefe da Santa Igreja de Constantinopla, o Patriarca Ecuménico... Nas circunstâncias atuais, o povo da Ucrânia já não aceita a ideia da unidade da Igreja com a Sua Beatitude o Patriarca Kirill de Moscovo, que não apenas não defendeu os cristãos ortodoxos da Ucrânia face à agressão russa, mas também se tornou um dos principais ideólogos do “mundo russo” e, consequentemente, um dos arquitetos da guerra híbrida atual contra a Ucrânia”, – diz a declaração.

O documento nota que o estatuto da Autocefália da Igreja Ortodoxa da Ucrânia poderá se tornar a base para superar o cisma da igreja que agora existe no país que possui três principais igrejas ortodoxas. O Parlamento também pede para convocar sob os auspícios do Patriarcado Ecuménico o Concílio pan-ucraniano da unidade ortodoxa que decidiria todas as questões controversas e uniria a igreja ortodoxa ucraniana, informa Ukrpress.info

Como informa no seu Facebook o Arcebispo da Igreja Ortodoxa da Ucrânia – Patriarcado de Kyiv, Arcebispo de Chernihiv e de Nizhyn, o chefe do Departamento de Informação do Patriarcado de Kyiv, Yevstratiy (Zoria), 10, de 14 de primatas das igrejas ortodoxas vieram à ilha de Creta para participar no Grande Consílio.
Estão presentes estão o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I; o Metropolita Sawa de Varsóvia (Igreja Ortodoxa Polaca); o Arcebispo de Chipre Chrysostomos; o Patriarca Sérvio Irineu; o Patriarca Theodore da Alexandria; o Patriarca Theophilos de Jerusalém; o Patriarca Daniel da Roménia; o Arcebispo Jerome de Atenas (Igreja Ortodoxa da Grécia); o Arcebispo Anastasios da Albânia; o Metropolita de Prešov Rostislav (Igreja Ortodoxa Checa e Eslovaca), informou Yevstratiy (Zoria).

Blogueiro: estamos perante uma situação de significado muito especial. A Igreja Ortodoxa Russa se rebeldia abertamente contra a primazia da Igreja Ortodoxa Ecuménica, exerce a pressão separatista sobre outras igrejas ortodoxas, o que poderá levar à uma nova cisão no mundo ortodoxo. A recusa da igreja Ecuménica à ceder a chantagem moscovita é inevitável, desde a démarche do patriarca Kirill em se encontrar com o Papa Francisco, em alegada representação do mundo ortodoxo, posição que nunca ocupou, não ocupa e nunca poderá ocupar na hierarquia da igreja ortodoxa Ecuménica.
A propaganda anti-Concílio distribuída em Moscovo
Em termos profanos, estamos perante um caso de redistribuição do poder da influência geopolítica na ala ortodoxa do mundo cristão. Caso a Igreja ortodoxa ucraniana receber a sua Autocefália, isso é, a independência do Patriarcado de Moscovo, Ucrânia ortodoxa passará à subordinação direta de Constantinopla e, assim, torna-se igual entre outras igrejas ortodoxas iguais. De uma vez por todos será reparada a injustiça contra a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, cometida mais de 300 anos atrás.

Lyudmila Pavlichenko no romance gráfico americano

A franco-atiradora ucraniana-soviética Lyudmila Pavlichenko (1916-1974), detentora do melhor desempenho da história mundial entre as mulheres snipers, foi, recentemente, eternizada no romance gráfico americano da autoria do grupo dos artistas Rejected Princesses, publicado na página do Facebook da editora Postize.
A filha do oficial do NKVD, nascida na cidade de Bila Tserkva, Lyudmila Pavlichenko se mudou para Kyiv, onde ingressou na Universidade Taras Shevchenko, estudando a história. Com início da guerra nazi-soviética, Pavlichenko se alista como voluntária no Exército Vermelho e participa na defesa da Odessa. É creditada com 309 mortes, entre eles 36 franco-atiradores e mais de 100 oficiais nazis, embora não existem as provas documentais destes números. Gravemente ferida em junho de 1942, ela nunca mais voltou ao campo de batalha. Pavlichenko foi usada na campanha das RP soviéticas nos EUA e no Canadá, advogando a abertura urgente da famosa 2ª frente americana contra os nazis. Promovida ao major, se tornou a instrutora e treinou franco-atiradores do RKKA até o fim da II G.M. Depois da guerra, ela terminou seus estudos na Universidade de Kyiv e começou a carreira como historiadora. De 1945 à 1953, foi assistente de pesquisas no Quartel-General da Marinha Soviética. Morreu em Moscovo de cerrose de fígado.
Em apenas três dias a publicação da Postize ganhou 18 curtidas e foi repostada por mais de 50.000 usuários. É de notar que ne vida real Pavlichenko nunca tive a alcunha “Senhora Morte”, é apenas uma invenção do filme ucraniano Inquebrável (título internacional: Batalha pela Sebastopol), informa a TV ucraniana 5ua.
Blogueiro: outro ponto interessante, ucraniana de origem e militar soviética, Pavlichenko lê o discurso, aprovado até o última virgula pela censura soviética, afirmando: “como militar russa, quero dizer...”. A frase diz muito sobre o internacionalismo real que reinava na União Soviética.
Ver Lyudmila Pavlichenko, discursando em Nova Iorque:
https://www.youtube.com/watch?v=jDO6n7GuslA
A batalha pela Sebastopol, o filme