sexta-feira, março 24, 2017

A história do crónico déficit comercial soviético em 15 fotos

Pão. Loja № 61
Praticamente durante toda a sua história, a URSS convivia com o déficit de certos bens de consumo – produtos manufatureiros e alimentos. Déficit particularmente forte surgiu nos derradeiros anos da União Soviética, quando a economia planificada mostrou-se totalmente caduca e fora de qualquer utilidade.

Um déficit de mercado é excesso de demanda sobre a oferta. Na década de 1980 a população soviética possuía dinheiro, o seu poder de compra permanecia intacto, mas o mercado não tinha oferta dos bens que podiam ser comprados. A economia planificada, na forma como existiu na União Soviética, não poderia fornecer uma quantidade suficiente de bens desejados à sua população, além disso, vários bens simplesmente não eram produzidos, pois eram considerados na URSS de “sinais de consumismo burguês”.

Que bens eram deficitários? A situação diferia muito, dependendo do ano e da região. O abastecimento prioritário era assegurado na cidade de Moscovo e nas restantes cidades capitais das repúblicas da União, bem como nas cidades especiais e fechadas, caso de Pripyat; enquanto nas repúblicas da Ásia Central e nas localidades menores a oferta era muito pior. Aqueles que dizem que “União Soviética tinha tudo” – viviam, principalmente nas grandes cidades, mais provavelmente se abasteciam nas lojas especiais da elite do partido – estado, onde realmente havia tudo do bom e do melhor.

02. As prateleiras vazias do departamento de carne de uma mercearia, foto feita na década de 1980. A boa carne ou não chegava às lojas ou era vendida à um preço inflacionado, aos “amigos” – muitas vezes nas portas traseiras de lojas. Além de carne, entre os produtos particularmente escassos estava o bom chouriço (devido à presença de carne, ao contrário da mortadela, fabricada sabe se lá de que), café (em vez disso se vendia a “bebida do café” na base de chicória), boas conservas de peixe.

03. Frutas e bons vegetais eram um déficit tremendo, nos departamentos/lojas de vegetais & frutas se vendiam alguns maçãs agridoces nacionais, entre os legumes se vendia a cenoura, beterraba e repolho sujas e cebola. As prateleiras de frutas e vegetais enlatados não raramente eram entulhadas de grandes frascos de três litros com sumo/suco de maçã ou bétula – e não havia mais nada.

04. Na Ucrânia ou Belarus não havia o déficit de roupas feitas na URSS, mas, em geral, na década de 1980 os cidadãos não se sentiam muito entusiasmados para comprar as roupas ou calçado soviético por causa de sua aparência horrorosa. Ao mesmo tempo, em algumas regiões, até a roupa e sapatos soviéticos eram bens escassos.
Reclame em cima: "Fardamentos do pioneiro"
05. Na questão da roupa interior, o déficit absoluto era a roupa íntima feminina; havia muita falta de boas meias e collants (estes últimos eram a terrível raridade). As meias rotas nunca eram deitadas fora – eram remendadas, muitas vezes com ajuda de uma lâmpada.
"Não há meias. Não há sapatos".
06. Em vários lugares da URSS até os fatos de treino soviéticos, de lã de cor azul, eram um déficit. Após os Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980 a marca “Adidas”, entrou na moda e todas as peças de roupa que tinham três faixas, eram literalmente varridas das lojas.

07. Nos períodos mais agudos da escassez, o departamento dos produtos manufactureiros em algum lugar da periferia poderia ter essa aparência – nas prateleiras estavam alguns poucos “pesos mortos” em forma de bens soviéticos industriais, tipo chapéus fora de moda e algum paletó solitário do tamanho 7XL.
"Produtos de confeitaria e produtos afins"
08. As filas enormes se formavam para comprar álcool – processo que começou em peso após o início de assim chamada “campanha anti-álcool”, uma das primeiras iniciativas do Gorbachev em 1985. Sensivelmente ao mesmo tempo, os proletários se habituaram a beber água-de-colónia e outros produtos de perfumaria pessoal e industrial (líquido de limpar alcatifas, líquido anticongelante, etc.), as bebidas alcoólicas normais, simplesmente eram muito difíceis de comprar. O vinho tinto poderia aparecer no comércio nas vésperas do algum feriado, bem como em ocasiões especiais – por exemplo, em Kyiv se vendida o vinho tinto avulso, após o acidente de Chornobyl, se considerava que ajudava retirar a radiação do organismo (o que não corresponde a verdade).
Slogan na parede: "Fora com os burocratas!"
09. Como o preço dos bens em termos monetários já não poderia regular a demanda por determinados produtos de uma forma natural (a demanda era muito superior à oferta), o governo soviético começou a introduzir várias medidas adicionais – começaram a aparecer cupões e “livros comerciais”. Imagem do final da década de 1980 – a vendedora faz uma marca no “livro comercial” da compradora – mesmo quando os bens deficitários apareciam à venda, a sua quantidade era estritamente limitada e vendida aos portadores dos “cupões”.

10. Muitos fãs da URSS dizem agora que os cupões é uma invenção pós-soviética, dos “malditos anos 1990”, quando os “democratas destruíram um grande país”, mas é apenas tentativa de confundir a causa com efeito – “o grande país” fracassou, em grande parte por razões económicas, incapaz de fornecer ao seu cidadãos, mesmo os bens mais básicos, e os “cupões” começaram a aparecer nos últimos anos da existência da URSS.
Na foto – os cupões dos bens essenciais, emitidas em 1990 na cidade de Neryungri, fundada em 1975, mais de um ano faltava até o fim da União Soviética.

11. Além dos cupões havia outras formas menos formais para regular a venda de bens escassos. Por exemplo, a comida para bebés poderia ser vendida na base de alguma “lista do pediatra”, como mostra a foto:

12. A venda de alguns bens escassos não era limitada e era realizada sem cupões, mas tais produtos simplesmente muito raramente apareciam nas lojas. Era necessário ter uma vendedora amiga em algumas lojas que poderia informar confidencialmente: “amanhã será “deitado fora” isto e aquilo, não se esqueça de marcar o lugar na fila”. Após o fornecimento de tais bens à loja, eles eram literalmente varridas em apenas 1-2 horas.
Na foto em cima um homem conseguiu “desenrascar” varias dezenas de maços de cigarros escassos, embora de qualidade bastante deficiente: “Belomorkanal” sem filtro, que as pessoas decentes nunca fumavam. Geralmente essa marca era vendida livremente, já a marca “Cosmos” era um déficit e um produto de prestígio, porque possuía um filtro e se assemelhava aos cigarros “ocidentais”. Um bloco (10 maços) destes cigarros era uma moeda de troca bastante séria, que poderia ser trocado por uma peça de um bom chouriço ou até um frasquinho do caviar.

13. A imagem típica de época – a fila para comprar algum produto escasso, a julgar pelas caixas, é um bolo, “lançado” à venda livre antes de algum feriado (provavelmente o Ano Novo ou mais um aniversário do golpe bolchevique). Mesmo para comprar os bolos maus, com as rosas amanteigadas amarelas, verdes e rosadas, se formavam as longas filas.
14. A profissão do vendedor(a) tinha um grande prestígio na época de déficit – principalmente a da vendedora sénior, chefe de um departamento ou diretor(a) da loja. Quase legalmente se poderia fazer uma fortuna – a quantidade de bens escassos que entrava na loja, era geralmente muito menor do que o número de compradores potenciais. Os cidadãos procuravam a amizade com vendedores, para conseguir os produtos escassos através da sua “amizade”. De uma perspectiva legal, tudo estava perfeito – porque a lei não regulava exatamente que cidadãos podiam comprar um determinado bem escasso.
Uma imagem muito boa daquela época – vejam como os compradores olham, de forma agachada para a vendedora e, como cheia de confiança e petulância age ela, logo se vê “quem é que manda aqui”. Facilmente imagina-se o diálogo – “por favor, pode ser que ficou alguma coisinha no armazém?” — “Nada lá ficou, vocês são muitos e eu estou sozinha!”

15. As prateleiras vazias...
No início dos anos 1990, durante os anos de reestruturação económica real e não a fictícia Peretroica socialista, o déficit comercial persistiu por mais algum tempo, e depois desapareceu gradualmente – a economia planificada ficou à margem da história, dando lugar aos modelos económicos mais sustentáveis (fonte).

Chocolate produzido na Ucrânia fazendo sucesso no Brasil

O chocolate produzido pela “Nestle”, “Lion” tem o leite condensado caramelizado na parte interna, a bolacha wafer no meio, coberto por uma camada de caramelo com o chocolate e flocos crocantes por cima. Se encontra em supermercados, drogarias, lojas de conveniência nos postos de gasolina, padarias e custa entre R$ 2,50 à R$ 3,00, o mais barato do que os seus concorrentes diretos.
A barra de 42 gr é produzida na fábrica Svitoch na cidade de Lviv.

Onde comprar:
Em Campinas pode ser encontrado em diversas padarias, na panificadora São Judas II, na Avenida Padre Gaspar Bertoni, no Jardim Pacaembu e na Panificadora QLuz, na Avenida Antônio Carvalho de Miranda, no Jardim São Bento.
Linha 2.42 – Jardim Aurélia via Jardim Miranda ou qualquer linha que passa no Enxuto (a QLuz fica na frente do prédio da Claro).
Fotos @MVA e NN. Ler a avaliação mais detalhada na página brasileira CBS

quinta-feira, março 23, 2017

O assassinato com assinatura do FSB em Kyiv

No centro de Kyiv hoje foi assassinado o ex-deputado da Duma estatal russa, Denis Voronenkov, ex-deputado comunista, que em 2016 emigrou, com a sua esposa, para Ucrânia, onde recebeu a cidadania ucraniana e testemunhou, em juízo, contra o ex-presidente ucraniano Victor Yanukovych.
Como contou à agência Censor.net o chefe da Polícia Nacional de Kyiv, Andriy Krishenko, o assassinato se deu em seguintes modos:
O guarda-costas do Voronenkov, ferido, caminha, ajudado pela polícia
Voronenkov se dirigia à um encontro com ex-deputado da Duma estatal russa, Ilya Ponomariov [único deputado da Duma que em 2014 votou contra anexação da Crimeia pela Rússia]. Quando Voronenkov estava próximo ao hotel Premier-Palace, o assassino aproximou-se bruscamente e abriu o fogo à queima-roupa, usando a pistola TT [ilegal]. Voronenkov foi atingido por cinco vezes, no torax, barriga e pescoço. O seu guarda-costas [oficial da inteligência militar ucraniana GURtambém foi ferido, mas conseguiu ferir o atacante que foi detido. O guarda-costas e assassino foram transportados para o hospital, onde se encontram sob as medidas de proteção. A identidade do assassino está sendo apurada. Neste momento a versão principal de investigação é que o assassinato foi organizado pelos serviços secretos da federação russa (fonte).
O ex-deputado da Duma estatal, Denis Voronenkov, colocado na lista de procurados na Rússia, foi uma importante testemunha no processo de traição estatal contra o ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych.

Denis Voronenkov percebia o alto nível de ameaça à sua segurança pessoal, mas tinha decidido ir até o fim. Sendo a pessoa bastante rica, ele poderia estar em qualquer país do mundo, mas escolheu estar na Ucrânia. Ele concedia diversas entrevistas, se preparava aos quais sem ajuda do serviço de imprensa, fazia tudo sozinho. Deputado comunista, agente e depois chefe do departamento do Serviço Federal de Controlo de Drogas (FSKN), Voronenkov optou por uma profunda mudança, decidindo mudar toda a sua vida. Parte dos atual sistema putinista, responsável pela colocação dos agentes antidroga nos órgãos de aplicação da lei da federação russa, ele sabia demais sobre o sistema de poder russo.

Na Rússia gritam que é necessário trocar me pelo [jornalista Roman] Sushchenko, e se não acontecer – matar, tal como Bandera”.
O assassino do Voronenkov mortalmente ferido, faleceu no hospital
No momento de deixar Rússia, não existiu nenhum processo criminal contra Voronenkov. O processo foi aberto no dia seguinte após a publicação de uma entrevista na página Censor.net em que o deputado fez várias acusações contra Putin e o seu regime. “A situação na Rússia é como na Alemanha nazi. Eu não quero viver em mentiras e hipocrisia. Eu me tornei um cidadão da Ucrânia e me orgulhoso disso”, tinha dito o ex-deputado na entrevista ao Censor.net.ua. Voronenkov entrou em conflito aberto com o sistema de Putin, não sendo anteriormente o seu inimigo aberto ou mesmo oponente.

«Percebam, o poder tentou colocar todos nessa merda. A decisão de anexação [da Crimeia] foi tomada por uma única pessoa. Todas as pessoas normais eram contra. Incluindo o seu círculo íntimo», – disse Voronenkov na entrevista à TV ucraniana Hromadske.ua 

Ligado desde sempre aos órgãos do Exército, Procuradoria, Ministério do Interior e FSKN, Voronenkov entendia perfeitamente os riscos que corria, respondendo que fez a sua escolha e que todas as ameaças e pressão apenas reforçam a sua decisão de continuar os protestos contra Putin.

Na Ucrânia ele usava um telemóvel, mas falava apenas, usando o programa “watsup”, estava presente no Facebook. Em Kyiv, Voronenkov pretendia entrar no serviço civil, pensando se tornar o funcionário ordinário do Conselho Nacional da Defesa e Segurança da Ucrânia, como um especialista em Rússia. Nessa qualidade poderia trazer uma série de benefícios à Ucrânia. Não mostrava nenhuma ambição política, não parecia que pretendia fazer a carreira política.

Morreu como cidadão da Ucrânia, foi morto como o inimigo de Putin, e seu assassinato, pode ser colocado em pé de igualdade com o assassinato em Kyiv do jornalista Pavel Sheremet, ocorrido em julho de 2016, escreve Yuriy Butusov.

O homem que sabia demais
Denis Voronenkov (1º à esquerda), sua esposa, cantora de ópera Maria Maksakova (depurada do partido do poder "Rússia Unida") e o ex-chefe da Duma estatal, Sergey Naryshkin
A imprensa russa veicula a informação de que Voronenkov preparou a sua emigração à Ucrânia, com bastante antecedência, gravando várias conversas suas com altos funcionários russos, e aqueles que supervisionaram a política russa em relação à Ucrânia.

Voronenkov testemunhou perante o Gabinete do Procurador-Geral da Ucrânia no caso do ex-presidente Viktor Yanukovych. Ele disse aos investigadores que Yanukovych escreveu uma carta a Vladimir Putin com um pedido de invadir militarmente Ucrânia. As acusações de traição estatal contra Yanukovych, podem, parcialmente, se basear no depoimento do Voronenkov.

Em 2005, após se tornar o agente não oficial permanente do FSKN, Voronenkov participou nas investigações do processo de «Três baleias» de contrabando de mobílias. O processo resultou em uma guerra sem quartel entre os serviços secretos russos, levando ao despedimento de 16 oficiais do FSB. Desde, aquela data, como contava Voronenkov, ele se tornou o inimigo do FSB. Acusado de ser um lobista [atividade não regulamentada na Rússia], o próprio Voronenkov explicava que o seu maior inimigo é ex-general do FSB Oleg Feoktistov. Além disso, Denis Voronenkov sempre dizia que o processo criminal movido contra si (“fraude no mercado imóvel moscovita”) estava ligado à luta entre FSB e FSKN. 

É de notar que em 2014 Voronenkov votou a favor da anexação da Crimeia “por medo pela sua família” e que os deputados da Duma receberam as ordens coercivas de apoiar a decisão do Putin: “quem não votar, não será eleito à Duma” (fonte). 

Ucrânia. Primavera. Arco de Svitlodarsk

A voluntária ucraniana Olena Bilozerska, próxima do DUK PS, publica algumas fotos da linha da frente, tiradas no arco de Svitlodarsk, o local sob controlo das forças ucranianas, palco de violentos confrontos em 2016 e início de 2017.
A terra ucraniana agredida...
O gym improvisado na linha da frente
RPG

quarta-feira, março 22, 2017

Como a imprensa soviética reabilitava o nazismo alemão em 1939-1941

Desde assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, a imprensa soviética começou a reabilitação do nazismo alemão, retratando França e Inglaterra como os vilões; Polónia como “estado falhado” e secundando Alemanha nazi no seu esforço de invadir e anexar os países vizinhos.  
O jornal "Pravda" sobre a retificação do Pacto de não-agressão (pacto Molotov-Ribbentrop)
Setenta anos depois, em maio de 2009 na Rússia foi criada a «Comissão no âmbito do Presidente da Federação da Rússia para combater as tentativas de falsificar a história em detrimento dos interesses da Rússia» (cessou a sua existência em 2012). Era uma ação preventiva de discussões na Europa sobre a semelhança entre os crimes do nazismo e do comunismo. Como resultado, em 3 de julho de 2009 na sua resolução OSCE equiparou os crimes de estalinismo aos crimes do nazismo. Na Rússia, essa decisão causou um alvoroço, uma vez que essa formulação destrói diretamente os pressupostos da missão “libertadora” da URSS na II Guerra Mundial.
O discurso do Hitler no Reichstag: "A luta entre Alemanha e URSS pode ser benéfica apenas aos países terceiros".
A própria fórmula «...em detrimento dos interesses da Rússia» era bastante eloquente – Rússia procurava não a verdade histórica real, mas uma versão desejável de uma informação histórica confortável em termos usados na União Soviética, por trás da Cortina de Ferro e com arquivos históricos fechados aos historiadores.
Guerra entre Alemanha e Polónia.
As unidades alemãs entraram na Varsóvia
Em novembro de 2016, decorreu no Conselho de Segurança russo uma reunião que debateu a proposta do Ministério da Defesa para criar um “Centro de luta contra a falsificação da história”. E o tema continua sendo evocado.
A nota do governo da URSS, entregue ao embaixador polaco em Moscovo na manha de 17 de setembro de 1939.
(a URSS entra na II G.M. ao lado da Alemanha nazi, participando na divisão da Polónia)
Toda a discussão gira em torno do Pacto Molotov-Ribbentrop e da divisão da Europa pós-II G.M. Às vezes o pacto é chamado na Rússia de “prática internacional normal”, embora é sabido que o pacto provocou as guerras contra Polónia e Finlândia, “sovietização” e ocupação dos Estados Bálticos, Ucrânia Ocidental, Belarus, Bessarábia e Bucovina do Norte. Levou o terror e as deportações de massa para aquelas áreas. Os protocolos secretos que especificavam a divisão de esferas de influência entre Alemanha nazi e URSS soviética e a conquista dos países vizinhos não são práticas normais. Na verdade, tudo em que Alemanha nazi foi acusada no Tribunal de Nuremberga, era usado com sucesso na URSS. A União Soviética possuía um sistema de campos de concentração, chamado GULAG. E até mesmo a alegação do que os nazis perseguiam as pessoas na base racial e os comunistas em termos sociais (luta de classes) é muito convencional. Desde 1935 na URSS foram submetidos a repressão e deportação os representantes de cerca de 15 nacionalidades, apenas pelo facto de pertencer à uma determinada nacionalidade ou grupo étnico.
Apresentamos uma pequena seleção de recortes de jornais jornais soviéticos no “curto” período de 1939-1941. Durante este período a imprensa da União Soviética estava totalmente envolvida na reabilitação do nazismo: eram justificadas as ações do 3º Reich na invasão e ocupação dos países vizinhos; Polónia, Inglaterra e França foram acusadas de atacar Alemanha; Hitler e von Ribbentrop felicitavam-se pelos seus aniversários; eram publicados os seus discursos e outros tipos de propaganda que na federação russa constitui uma ofensa criminal. @ fonte
Afinal, os malvados dos polacos se preparavam para atacar a União Soviética!
O discurso do Hitler em Danzig (atual Gdansk): "Polónia nunca tive a democracia
"Exército Vermelho traz liberdade e felicidade"
"Acordo germano-soviético sobre a amizade e a fronteira
entre URSS e Alemanha" 
Almoço no (gabinete) do chefe do Conselho dos comissários do Povo e Comissário do povo dos Negócios Estrangeiros cam. V. M. Molotov em honra do ministro dos negócios estrangeiros da Alemanha sr. Joachim von Ribbentrop  
28 de setembro de 1939: "a URSS irá fornecer as matérias primas e Alemanha irá compensar
(o valor) com o fornecimento dos produtos manufacturados". V. Molotov ao von Ribbentrop 
Hitler e von Ribbentrop felicitam Estaline pelo seu aniversário, com o direito
de publicação dos telegramas no jornal oficioso soviético "Pravda" 
Estaline agradece pessoalmente Hitler e von Ribbentrop
Informe da TASS: "os rumores sobre a proximidade da guerra entre URSS e Alemanha são
fabricados toscamente pelas forças inimigas da URSS e da Alemanha" 
Agora a frase do Estaline sobre “ataque pérfido” compreende-se melhor. Claro, os amigos íntimos não fazem isso. Mas podemos parar falar de política, vamos ao cinema. Der Postmeister, 3º Reich, 1940, realizador Gustav Ucicky, vencedor da “Coppa Mussolini” (1940), baseado na obra do autor russo Alexandre Pushkin.