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terça-feira, setembro 25, 2018

Made in Ucrânia: sistema S-125 da Etiópia na sua modernização ucraniana

Em setembro de 2017, o Bureao de Construção “Luch” (Kyiv) informou o público interessado sobre os lançamentos de mísseis do sistema modernizado S-125 (SA-3 Goa) num país estrangeiro não mencionado. Hoje podemos revelar que o país se chama Etiópia, que na década de 1980 era a verdadeira pedra basilar da presença soviética em África.
Uma página militarista russa publicou, recentamente os dados do Ministério da Defesa da Etiópia com a lista dos armamentos ucranianos que foram fornecidos ao país em 2017-16 pela corporação ucraniana UkrSpetsExport no valor global de 8.747.466 dólares. Entre os itens está um sistema completo de lançamento do S-125M1/2 “Nilo Azul” e 14 novos mísseis com as cabeças (homing head) modernas de auto-orientação e alinhamento ao alvo, fabricados pela empresa ucraniana “Radioniks”.

Isso significa que “Luch” começou a produção em série. Pois uma série, mesmo pequena, é lançada quando o fabricante esta certo do que o seu equipamento funciona de uma forma regular e não haverá necessidade de fazer alterações na cabeça dos mísseis no decorrer dos testes.
Míssil antigo ZUR 5V27D (acima) e míssil modernizado ZUR 5V27D-M1/M2 (abaixo)
com elementos que são retirados (à vermelho) e os que são adicionados (à verde)
De forma objetiva, o S-125 modernizado pode atingir os alvos nas distâncias de até 40 km (contra os 25 km do sistema antigo) e nas alturas de até 25 km. Em vez de poder atingir um único alvo com até 2 mísseis ao mesmo tempo, o novo sistema pode atingir até 4 alvos com até 8 mísseis ao simultâneo. Isso significa que o sistema ucraniano modernizado está se posicionar, nas suas características técnicas, algures entre os sistemas antiaéreos BUK-M1/M2 e S-300PT.

O que isso significa para Ucrânia:

1. Se pode esperar o retorno do S-125 ao uso nas Forças Armadas da Ucrânia (é uma melhoria significativa e mais económica do reforço do sistema da defesa antiaérea do país);
2. A modernização significativa efetuada sugere que o surgimento de um novo sistema da defesa antiaérea ucraniano do alcance médio poderá acontecer dentro de 2-3 anos e não em 7-10 anos, como era esperado até agora.

Especialmente divertida foi a reação das páginas especializadas e dos fóruns militares russos: se antes o aparecimento das modernizações ucranianas provocava os risos indulgentes, agora o riso parou abruptamente e se tornou dramaticamente claro que após o sucesso de mísseis Vilkha, a modernização do S-125 e outras criações e modernizações ucranianas como “Bohdan”, “Neptun”, “Hrim-2” mostram o seu rápido sucesso, acompanhado pela relação bastante atrativa de custo vs benefício.

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No dia 20 de setembro de 2018 Ucrânia lançou à água a sua segunda lancha blindada de assalto Kentavr-LK (Centauro). Para breve é esperada a fabricação de vários outros “Centauros” e lanchas de patrulha Lan TT-400TP (4 unidades de artilharia e 3 de mísseis), desenhadas na Ucrânia e fabricadas no Vietname:

Blogueiro: estes desenvolvimentos também são interessantes do ponto de vista da geopolítica. Etiópia, que desde a queda da monarquia era a peça-chave da presença soviética em África, apesar da recente normalização das relações com Eritreia, optou por encomendar a modernização dos seus sistemas S-125 na Ucrânia. Muito possivelmente, devido a inclinação da Eritreia à esfera de influência russa. Por sua vez Vietname, que beneficiou do apoio incondicional da URSS na guerra contra os EUA, fabricará as lanchas para Ucrânia, seguramente para equilibrar a pendência russa para o lado do seu vizinho chinês, com qual tem as relações bastante tensas desde as décadas de 1960-80. Geopolítica pura, onde os interesses atuais desconhecem as alianças históricas...

quarta-feira, setembro 19, 2018

Ucrânia na feira Africa Air and Defense 2018

Na cidade sul-africana de Pretória começou uma das maiores feiras africanas da defesa, Africa Air and Defense 2018, que irá decorrer entre 19 à 23 de setembro. Ucrânia é representada por um número considerável de empresas do setor da defesa, filiadas na corporação UkrOboronProm.
Stand do Ukrinmash | Stand da Antonov
O pavilhão da Ucrânia conta com a presença da corporação UkrOboronProm e das empresas afiliadas: Ukrinmash, FED, Radar, Aviakon, Artem, AutoKrAZ, Fábrica de reparação aérea (narp.ua), Antonov, Motorsich, 410ª Fábrica de aviação civil (arp410) que juntaram os esforços na representação forte e digna da Ucrânia no continente africano, escreveu na sua página do Facebook a chefe da representação diplomática da Ucrânia na RAS, Sra. Liubov Abravitova.
Faça click para ver os catálogos completos do UkrOboronProm
As empresas ucranianas trazem à Pretória as propostas do um leque bastante variado de equipamentos militares e de utilização dupla, nomeadamente os aviões AN-158 e AN-178, drones, mísseis guiados ar-ar R-27, navio patrulha da classe “Coral”, camiões/caminhões KrAZ “Fiona” e “Hulk”, blindados, mísseis antitanque Stugna-P e armamento da infantaria.
No decorrer da exposição está prevista uma série de negociações e encontros bilaterais com os representantes dos ministérios da Defesa e de Forças Armadas de vários países africanas e fora do continente africano, empresas privadas.
A feira Africa Air and Defense decorre numa base bianual e a exposição é considerada na África do Sul como um ativo do país e o património nacional, informa a fábrica Ukrinmash na sua página do Facebook.

Fotos: FB@Liubov Aravitova e FB@Valery Ryabukh

sábado, agosto 04, 2018

South African engineer executed by the soviet regime

South African engineer Robert Sassone lived in the Soviet Union when he was arrested by the NKVD on December 3, 1937. He was executed at Butovo field, near Moscow, only nineteen days later, on December 22, 1937.

Little is known about Robert Sassone, who was Afrikaner (Boer), possibly of French origin. He was born in Pretoria in 1888. He graduated from a military academy, also possibly in South Africa. His father´s name was Richard, so the Soviets authorities attributed to Robert a patronymic name and changed the initial letter S from his family name to Z. Therefore, Soviet identification documents identified him as Robert Richardovich Zassone (Роберт Ричардович Зассонэ).

We don’t have details on how, why, and when Robert Sassone moved to the Soviet Union. We can entertain two more probable hypotheses. First, he moved on his own will being a naive sympathizer of the left-wing ideas. Second, Robert came through some British military mission, since the Union of South Africa (founded on May 31, 1910) was the domain of the British Empire.

At the time of his arrest by the NKVD on December 3, 1937, Robert Sassone was 50 years old. He had no political affiliation, and he served as the chief of the wood department in the construction of the Moscow Canal (which until 1947 was called the Moskva-Volga Canal), one of the Stalin´s Pharaonic construction sites. He lived in the locality of Dedenevo (house № 102), located in Dmitrovski district, in the Moscow region.
Early release certificate (issued by the NKVD) from Dmitlag labor camp
for accelerated work for the construction of the Moscow-Volga canal | Wikipedia
As in a many other works of the Soviet communist regime of that time, the government used the semi-slave labor of soviet prisoners, both political and ordinary ones at the construction of the canal. On September 14, 1932, the Soviet concentration camp of Dmitlag was established for the construction of the canal. This camp operated until 1938, and its population reached 192,000 prisoners in 1935-1936. It was the absolute record in terms of number of prisoners in the Soviet GULAG system of the time. There is no exact data on the number of prisoners who died in Dmitlag, but according to several sources, this figure ranges from 10,000 to 30,000 people [source].

Several “freely contracted” people (i.e. the civilian workers) worked at similar construction sites as well. Many of them were ex-prisoners who decided to stay and work at the same workplace upon their release. It is not clear if Robert Sassone was among them, but there is as a strong possibility.

Robert Sassone was arrested by the NKVD on December 3, 1937.
His case № 20897 (volume II, p.166) is stored in the Russian Federation State Archive (it is possible to consult its data online in Russian HERE or HERE). Robert Sassone is smiling in his archive photo. He did not suspect that his fate had already been decided, and he would be swallowed up by the relentless Great Soviet Terror machine...

He was accused of “anti-soviet agitation and terrorist intentions”, condemned by the NKVD “troika” on December 20, 1937. It is unknown whether Robert confessed his alleged “crimes”. He was executed at Butovo field, near Moscow, two days later, on December 22, 1937. The short period of two days between the date of conviction and the date of execution naturally implies that the convicted person had no opportunity to appeal the conviction, much less rely on the assistance of a lawyer.
Robert Sassone was rehabilitated posthumously on July 15, 1989.

Our blog would like to thank Ms. Iryna Andrews for the linguistic revision of the text.

Our blog also thanks readers for any additional information about Robert Sassone.

quarta-feira, agosto 01, 2018

Os três jornalistas investigativos assassinados em África

Na República Centro Africana foram assassinados dois jornalistas russos e um ucraniano, que estavam rodando o filme documental sobre as atividades mercenárias da empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner” neste país.

Os nomes dos jornalistas foram avançados pela TV russa “Dozhd”, os assassinados são o realizador russo Aleksander Rastorguev (1971); repórter militar russo Orhan Dzhemal (1966) e cameraman ucraniano Kirill Radchenko (33). Na RCA eles estavam engajados no projeto conjunto com o “Centro de gestão investigativa” (tzurrealism); oficialmente, os seus nomes ainda não foram revelados nem pelas autoridades locais ou russas, nem pelo MNE da Ucrânia.

Como informa Reuters tudo aconteceu nos arredores da localidade de Sibut, localizada cerca de 200 km a nordeste da capital Bangui. Os jornalistas se dirigiam para a cidade de Bambari, várias agências noticiosas escrevem que o assassinato aconteceu num dos postos de controlo na estrada pela qual circulavam os jornalistas.

Henri Dépélé, prefeito de Sibut, contou à Reuters, que os jornalistas foram emboscados por volta das 22 horas locais (21h00 GMT) do dia 30 de julho, por homens armados escondidos na vegetação ao longo da estrada pela qual viajavam; a viatura deles foi metralhada. Ao contrário dos passageiros, o motorista sobreviveu e já prestou os depoimentos às autoridades locais.

Um porta-voz da presidência da RCA, Albert Yaloké Mokpémé, disse que os corpos das três vítimas “aparentemente européias” foram encontrados perto de Sibut por soldados do exército regular.

A fonte da página russa Zona.Media disse que os jornalistas estavam indo à uma reunião com o fixer – pessoa que deveria ajudá-los a trabalhar na RCA – e levavam consigo os equipamentos de filmagens caros.

A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, informou aos jornalistas que os diplomatas russos já foram identificar os corpos. A ex-esposa de Dzemal, a jornalista do jornal russo Novaya Gazeta, Irina Gordienko, disse ao canal The Bell que identificou o corpo do marido pela fotografia que recebeu pelos canais diplomáticos.

Quem são os jornalistas mortos?

Graduado pela Academia de São Petersburgo de Artes Cénicas, Aleksandr Rastorguev tornou-se um dos representantes mais proeminentes do novo cinema documentário russo – nos seus filmes os heróis tinham muito mais liberdade do que era costume na tradição soviética; as vezes eles recebiam do realizador a câmara, para pudessem filmar as suas próprias vidas.
Aleksandr Rastorguev | Rádio Svoboda
Rastorguev fez alguns projetos em conjunto com o diretor Pavel Kostomarov e jornalista da TV russa NTV Alexei Pivovarov – como a série de documentários “Srok” (O termo), sobre os protestos liberais russos de 2011-2012.

Orhan Dzhemal era filho do conhecido acadêmico e ativista islâmico russo, Geydar Dzhemal (1947-2016). Geólogo de profissão, Orhan Dzhemal se tornou o repórter militar, trabalhava para a edição russa de Newsweek. Em 2008, no decorrer da guerra russa contra Geórgia, Dzhemal estava “acamado” com o batalhão checheno “Vostok” (Leste), a unidade que em 2014-15 participou nas atividades terroristas no leste da Ucrânia. O repórter já trabalhou em África, nomeadamente escrevendo para a Newsweek, Dzhemal passou por uma cadeia na Somália.
Orhan Dzhemal | Rádio Svoboda
Em 2011, como repórter do jornal russo “Izvestia” cobriu a guerra na Síria, foi gravemente ferido numa das pernas. Após a recuperação se dedicou aos ensaios, se recusava de ter um olhar objetivo e enfatizava que olha ao mundo como um muçulmano.

Orhan Dzhemal criticou a ocupação russa da Crimeia e chamava à si próprio de “ukrop” (literalmente endro, também é o nome que os russo-terroristas usam para descrever os ucranianos da atual guerra russo-ucraniana), escreve a página ucraniana Novynarnia.com

Pouco se sabe sobre o terceiro morto, o cameraman e cidadão ucraniano Kirill Radchenko. A julgar por suas contas nas redes sociais, ele tinha 33 anos de idade. Trabalhou numa série divulgada exclusivamente na Internet, colaborava com uma agência de notícias pró-separatista, passou pela Síria como cameraman, “acamado” com as forças do regime de Damasco.
O cameraman e cidadão ucraniano Kirill Radchenko | Facebook
Apesar de vários conselhos não irem à República Centro Africana, os jornalistas pretendiam fazem o filme documental sobre os mercenários russos em África. A sua viagem foi preparada durante cerca de 6 meses e se deu devido aos fortes rumores do que neste país africano desde 2018 são vistos os militares ou mercenários russos que alegadamente treinam as forças governamentais.  

O blogue francês Lignes de defense escreveu que nos arredores de Sibut deveriam decorrer os exercícios militares do exército governamental. Os jornalistas receberam as informações que no local poderiam estar os assessores militares russos e possivelmente os mercenários do “grupo Vagner”.

O Instituto Independente da Defesa dos Direitos Humanos (IPIS) divulgou em dezembro de 2017 o relatório, que afirmava que nas estradas da RCA foram instalados pelo menos 284 postos de controlo: 115 são controlados por tropas governamentais, cerca de 150 pela coligação/coalizão de oposição Séléka, os restantes pertencem aos diversos outros grupos paramilitares.
Diversos postos de controlo nas estradas da RCA
O jornal russo Novaya Gazeta, citando as fontes do francês Le Monde, escreveu no início de junho de 2018 que os mercenários russos apareceram no país em forma de “instrutores civis” da unidade de proteção do presidente Alexandre-Ferdinand Nguendet.
Possivelmente um dos elementos do "grupo Vagner" | Foto: facebook.com/presidence.centrafrique
A publicação escreveu sobre a chegada à RCA, no início de 2018, de cinco oficiais russos e até 170 “instrutores civis”. Formalmente todos eles trabalham para duas empresas militares privadas – Sewa Security Services e Lobaye, Ltd. No entanto, dizem os especialistas, ambas servem apenas como a cobertura para a EMP russa “grupo Vagner”, associada ao empresário Eugeniy Prigozhin, conhecido como “cozinheiro do Putin”.
Possivelmente os elementos do "grupo Vagner" | Foto: facebook.com/presidence.centrafrique
“Novaya Gazeta” também escreveu que os mercenários russos foram vistos no Burundi e no Madagáscar, informação sem a confirmação documental e sempre desmentida pelas autoridades russas.
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No dia 31 de julho, a publicação russa Lenta.ru escreveu que no decorrer dos exercícios militares, os combatentes [russos] mataram um civil africano. Revoltados, os moradores locais decidiram se vingar e lincharam o mercenário russo.

domingo, julho 01, 2018

Franceses atacados no Mali, dois blindados VBCI destruídos

No dia 1 de julho, as tropas francesas no Mali perderam dois veículos de combate da infantaria VBCI, no ataque de militantes que usaram os carros armadilhados. Não houve mortes entre os militares francesas, tudo aconteceu na região de Gao, informa Defence-blog.com
O porta-voz militar francês disse que não houve mortes entre as tropas francesas, mas o Ministério da Defesa do Mali disse que pelo menos dois civis foram mortos no ataque.
Como resultado do ataque terrorista, dois modernos veículos franceses de combate VBCI (Vehicule Blinde de Combat d’Infanterie) foram destruídos. Esta é a primeira perda conhecida de veículos de combate de infantaria deste tipo.
O ataque aconteceu quando mais de 40 chefes de Estado africanos se reuniram para a cimeira da União Africana na capital da Mauritânia, Nouakchott, com as questões de segurança no topo da agenda.
Os blindados VBCI estão entre os mais modernos veículos de combate de infantaria (que usam as rodas) do mundo. Os VBCI foram projetados para substituir os antigos veículos de combate de infantaria blindado AMX-10P, que atualmente são usados pelas unidades mecanizadas do exército francês.

A TV iraniana Press TV publicou o vídeo do ataque:





terça-feira, maio 29, 2018

Quem alimentava à quem na União Soviética?

Mais de duas décadas após a queda da URSS, existem pessoas que acreditam que na União Soviética a “irmã mais velha” alimentava todos as outras repúblicas “desocupadas”. No entanto, de forma paradoxal, ou não, no lugar de felicidade pela partida das tais “desocupadas” em 1991, a maior nostalgia pela União Soviética é registada na atual federação russa.

Quando, de verdade, ganhava o trabalhador soviético?
Os fãs da URSS gostam de falar sobre o “caldeirão conjunto”, onde primeiro o “coletivo” mete as suas coisas e depois a mamãe-quarenta tira as coisas de lá e as distribui à todos por igual.

Segundo as estatísticas de ONU (citadas por diversos autores russos, por exemplo AQUI), as repúblicas soviéticas tiveram os seguintes números do PIB (de maior ao menor):
No sistema económico moderno, o PIB per capita anual, dividido em 12 meses mostra o salário médio aproximado de um determinado país (por uma questão de interesse, podem verificar isso, usando Wikipedia, funciona na maior parte dos países com um erro não superior aos 20%), e é lógico – pessoa recebe em forma de renda consoante  a sua produção. Mas na URSS tudo era completamente diferente. Por exemplo, de acordo com a tabela, o trabalhador médio da Ucrânia deveria receber em 1990 cerca de 1.033 dólares mensais que à taxa oficial soviética de câmbio do dólar seria equivalente aos 1.751 rublos por mês, valendo muito mais ao câmbio paralelo.

No entanto, o salário médio na URSS não ultrapassava a quantia de 140-150 rublos mensais (237-254 dólares). E para onde ia o resto? Na verdade, todo o dinheiro ganho por uma pessoa era levado pelo Estado comunista. Já isso, inviabiliza todas às fantasias dos fãs soviéticos de que alguém na URSS “alimentava” outros – não, os simples operários a camponeses, através do seu dinheiro suado, mantinham o exorbitante aparelho estatal, que gastava esse dinheiro ao seu belo prazer.

Orçamentos das repúblicas da União
Depois, os fãs da URSS tentam provar que a Rússia Soviética supostamente “alimentava todos”, mostrando a diferença do PIB da RSFSR (17.500 dólares per capita em 1990), e, por exemplo, do Tajiquistão (5.500 dólares per capita). Alegadamente, uma vez que na Rússia Soviética as receitas eram maiores – isso significava que esta alimentava o resto da União.

No entanto, este raciocínio também está errado. O PIB do Tajiquistão Soviético, per capita, significa que em 1990, o salário médio na república poderia chegar aos cerca de 458 dólares por mês – mas os tajiques recebiam os mesmos 140-150 rublos soviéticos. Na verdade, isso significa apenas que a burocracia soviética, da mesma forma que roubava os tajiques, também roubava aos belarusos, russos e ucranianos, só que dos tajiques recebia um pouco menos. Mais uma vez, para todos os alternativamente dotados – em 1990, um tajique médio ganhava com o seu suor e trabalho cerca de 5.500 dólares por ano, recebendo às mãos alguns poucos rublos.

Para onde se drenava o dinheiro?

O resto do dinheiro ganho ia para a manutenção de um grande número de parasitas que proliferaram na era soviética, por exemplo, junto às fábricas soviéticas relativamente bem-sucedidas, em grande abundância existiam centenas e milhares de empresas e fábricas subsidiadas e simplesmente desnecessárias, cujos funcionários trabalhavam no princípio descrito por escritor e dissidente soviético Venedikt Yerofeyev no seu imortal poema Moscou-sur-Vodka – “Entregamos-lhes duas vezes ao mês as nossas promessas socialistas – eles nos mensalmente pagam o salário”. O “trabalho” da “equipa socialista” muitas vezes consistia em que os mesmos trabalhadores ora desenterravam os cabos, em seguida, os enterravam, sendo pagos por este trabalho, bebendo sem nenhuma esperança de melhorar a sua vida.
Além disso, uma incrível quantidade de dinheiro, sem nenhum controlo da sociedade civil, era gasto em várias aventuras militares, como a guerra no Afeganistão, bem como no apoio de todos os bandidos armados do 3º mundo – bastava aparecer algum grupo armado algures no Médio Oriente / Oriente Médio, Ásia, África ou América Latina que declarasse a luta contra algum governo pró-ocidental – URSS imediatamente declarava o bando de “combatentes pela paz e socialismo”, após disso enviava lhes armamento e outra ajuda material.


O funcionamento de “redistribuição de recursos” na União Soviética funcionava de seguinte maneira. Imaginem um prédio com 10 apartamentos. De todas as famílias lá residentes, trabalha apenas você e o seu vizinho, ganhando 1.500 dólares ao mês. O “camarada comandante” leva todo o seu dinheiro, deixando lhe apenas 100 dólares ao mês. Os restantes 1.400 dólares são destinados à apoiar o João alcoólico/alcoólatra do primeiro apartamento, Sérgio, também alcoólico, do terceiro, uma parte dos fundos é roubada, e os 400 dólares mensalmente vão para comprar as bebidas para um bando de vizinhos do prédio ao lado, que lutam pelo seu direito de mijar no vosso elevador, depredar/pichar as paredes e roubar as lâmpadas do espaço comum.
Já agora, as paredes de áreas comuns do seu prédio sempre estão sujas e depredadas/pichadas, e quando você pergunta sobre a reparação do edifício, o “camarada comandante” levanta um dedo para o céu e começa lhe contar as estórias da situação internacional [na Palestina, na Síria, no Iraque e na Líbia].

Presunto para a ditadura do proletariado

Сomo podemos ver, não existiu nas repúblicas da União Soviética nenhuma “alimentação de uns aos outros” – todos os cidadãos soviéticos em toda a União Soviética recebiam muito menos, pelos seu trabalho, do que mereciam – variava apenas a quantia de fundos que a burocracia soviética lhes tirava. Mas no tópico de quem é que alimentou à quem na URSS, há outro aspecto curioso – quem, de fato, produzia na URSS os alimentos e quem os consumia?
Uma quantidade absolutamente considerável de alimentos de carne e laticínios era produzida na URSS pelos Estados Bálticos, Belarus e Ucrânia – nesses países antes de 1917 (e em algumas partes – até 1939) existia excelente produção privada local, que fazia bons e excelentes enchidos, salsichas, queijos, queijos frescos e outros produtos alimentares. Após o golpe bolchevique de 1917, os comunistas simplesmente nacionalizaram as empresas, expulsaram os seus proprietários legítimos, continuando lá fabricar alguma coisa – isso aconteceu, por exemplo, com um certo número de cervejarias, talhos/açougues semi-industriais e fábricas de produção de manteiga e queijo em Belarus e Ucrânia.

O mais interessante é que a população local das repúblicas soviéticas praticamente não via, em venda livre, os produtos das fábricas locais de processamento de carnes e outros alimentos. Diversos enchidos de carne apareceram nas lojas apenas em 1991-1992, após a queda da União Soviética, na URSS as empresas locais produziam tudo isso – mas enviavam ao mítico “centro”. Literalmente, à 100 quilómetros de Minsk ou Kyiv poderia funcionar uma grande fábrica de empacotamento de carne – e na cidade, nos talhos, as prateleiras estavam vazias. Aparentemente, todos os alimentos de qualidade iam diretamente para os “cestos bonificados” da nomenclatura partidária comunista...

Assim, toda a União Soviética trabalhava para a nomenclatura soviética – alimentando-a, calçando-a e vestindo-a, e até patrocinando as suas aventuras políticas internacionais.

Ilustrações: Anzhela Dzherih | Texto Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

sábado, dezembro 16, 2017

13 anos da vida do blogue Ucrânia em África

Hoje o nosso blogue fez 13 anos da vida. Lançado em 15 de dezembro de 2004 para defender a Revolução Laranja, nunca se pensou atingir a audiência atual: de maio de 2010 até hoje, o blogue já teve mais de 1.530.000 visitantes. Uma pequena grande obra.
Para nos seguir no Facebook
Obrigado à todos os que seguem o nosso blogue, principalmente aos ucraniano-brasileiros e todos os amigos da Ucrânia. Sem o vosso empenho e interesse pela pátria distante dos antepassados, nunca estaríamos onde estamos hoje.

The Ukrainians (Grã-Bretanha) “Shchedryk”

Abraços e Glória à Ucrânia! 

domingo, novembro 19, 2017

Maydan zimbabueano: “Enough is Enough” (19 fotos)

Na capital zimbabueana Harare e outras cidades do país decorreram, neste sábado, as numerosas manifestações populares que exigem a saída do Robert Mugabe do poder e em apoio às Forças Armadas do Zimbabwe (ZDF).
O símbolo principal dos protestos é a bandeira nacional do país que mostra a unidade nacional dos zimbabueanos. Tudo decorre de forma calma, pacífica e muito civilizada. As pessoas exigem a saída do Mugabe, vestindo as T-shirt com a frase de “Enough is Enough”. Da rua central do Harare são retiradas as placas com o nome do presidente deposto. Os cidadãos empunham os cartazes que exortam a União Africana e SADC não interferir nos assuntos internos do país.
Para já tudo indica que Mugabe e o seu grupo perderão o controlo e poder à favor do Emmerson Mnangagwa, militares e oligarcas [industriais locais]. A intriga reside no facto de como os acontecimentos correntes serão vistos pela comunidade internacional e se a comunidade internacional aceitará os protestos populares deste sábado como um argumento suficientemente válido para reconhecer o novo regime.  
Foto: Doug Coltart | Internet | Texto: Oleksandr Mishyn

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[Anúncio da saída do Mugabe da chefia do ZANU-PF]: