No
dia 28 de setembro a Missão Especial de Monitoramento da OSCE na Ucrânia (SMM OSCE) detetou
e revelou a localização de uma grande base militar das forças
russo-separatistas na região de Luhansk, à uma distância de apenas 15 minutos da
linha da frente.
Os
equipamentos, alguns dos quais nunca estiveram em uso das Forças Armadas da
Ucrânia (FAU) foram detectados na localidade de Myrne,fora da zona proibida pelo acordo de
Minsk-2, não em armazéns, como preconiza o acordo, mas em prontidão combativa e
à uma distância de apenas 30 km da linha da frente.
No
total, o drone da OSCE detetou na base russo-separatista os seguintes
equipamentos militares:
Blindados
de infantaria (BMP-1 e BMP-2) – 41 unidades;
Canhões
autopropulsados de 122 mm (2S1 “Gvozdika”) – 4 unidades;
Canhões
pesados de 122 mm (D-30) – 6 unidades;
Canhões
antitanque de 100 mm (MT-12 “Rapira”) – 6 unidades;
Além
disso, foram detetados os rebocadores blindados MT-LB, viaturas de engenharia
(de desminagem e de abertura de trincheiras) e camiões:
No
total, entre 17 à 23 de setembro de 2017, a Missão da OSCE observou 283 unidades de
equipamentos militares “fora das linhas de retirada, mas fora dos locais de
armazenamento e à 15 minutos de condução até a distância de disparos”.
No
dia 26 de setembro, as forças russo-separatistas também retiraram a sua guarda armada
junto à base da OSCE na cidade ocupada de Horlivka.
Bonus
Recentemente,
num artigo de opinião no jornal português “Público”, o deputado do Partido
Social-Democrata (PSD), Prof. José Pacheco Pereira, à respeito da problemática
da Catalunha tentou manipular a opinião pública portuguesa, nomeadamente, falando
sobre “a guerra civil nos Donets”.
As
imagens divulgadas pelo drone da OSCE mostram a realidade dessa mesma “guerra
civil” em que os equipamentos militares russos, seu combustível e as munições entraram no território ocupado da Ucrânia através
da fronteira russo-ucraniana, na sua parte fora do controlo da Ucrânia e sob o
controlo total e efetivo da federação russa.
Em
setembro de 1947, a popular atriz soviéticaZoya Fyodorovafoi
condenada aos 25 anos de GULAG por causa da sua ligação amorosa ao adido
militar da embaixada americana em Moscovo, o futuro vice-almirante da marinha dos
EUA,Jackson Tate.
Jackson Tate e Zoya Fyodorova em 1945 @Wikipédia
Atriz
conheceu capitão Tate em 1945 numa recepção oficial e aos 13 de janeiro de 1946
(quando o adido já foi declarado a pessoa non-grata e teve que abandonar a
URSS) desta relação amorosa nasceu a futura atriz Victoria Fyodorova (1946-2012).
Na época, a legislação soviética proibia aos cidadãos soviéticos de se casar
com estrangeiros, por isso, tentando esconder a paternidade, atriz se casou com
o compositor Alexander Ryazanov.
Zoya Fyodorova num dos papéis no cinema soviético
Apesar
disso, em 27 de dezembro de 1946 Zoya Fyodorova foi detida e após a prisão
preventiva nas cadeias de Lyubianka e Lefortovo (onde recebia das autoridades o tratamento
bastante desumano e humilhante), foi condenada pela “espionagem” aos 25 anos de prisão severa no
GULAG (substituída pela prisão na cadeia central da cidade russa de Vladimir). Entre as hipóteses prováveis deste tratamento todo, dado ao regime soviético à atriz, cita-se a recusa da Zoya Fyodorova de satisfazer os avanços sexuais de todo-poderoso Lavreniy Beria, na altura o chefe máximo do NKVD-MGB. Além
disso, o tribunal decidiu o confisco de todos os seus bens e a deportação de
todos os seus familiares. A sua irmã Alexandra foi condenada à deportação intemporal
junto com os seus filhos (Nina e Yuri) e a sobrinha Victoria; a irmã Maria foi
condenada aos trabalhos forçados numa fábrica de tijolos na cidade de Vorkuta,
onde morreu em 1952.
Zoya Fyodorova na sua casa na década de 1970 (?)
Zoya
Fyodorova foi libertada da cadeia em 1955, já após a morte do Estaline, cumprindo 8 anos
de condenação simplesmente absurda, em fevereiro de 1955 ele se reuniu com a
filha Victoria e até conseguiu voltar ao cinema, onde nas décadas de 1960-1970
teve vários papéis pequenos, mas marcantes.
Em
1976 as autoridades soviéticas deram a permissão para que Zoya Fyodorova visite
os EUA, onde ela novamente se reuniu com o seu amado Jackson Tate. Após a morte
do Tate em 1978 ela mais duas viajou aos EUA, onde visitou a filha Victoria,
que emigrou da URSS em 1975, atriz também tinha planeado deixar a União
Soviética para sempre.
Aos 11 de dezembro de 1981
Zoya Fyodorova foi executada na sua casa no centro de Moscovo com um disparo na
nuca da pistola alemã Sauer (a sua filha Victoria não recebeu a permissão do governo soviético de visitar o funeral da mãe). O ex-investigador dos casos particularmente
importantes da Procuradoria-geral da URSS (1980-1992), mais tarde advogado, o jurista
soviético e russo de origem ucraniana, Vladimir Kalinichenko, considera
que a responsabilidade maior na morte da atriz cabe ao Ministro do Interior da
URSS de então, Nikolai
Shchelokov, que por sua vez se suicidou em dezembro de 1984. O caso do
assassinato da Zoya Fyodorova não foi desvendado até hoje...
Neste
verão na cidade de Lviv dois veteranos do batalhão “Donbas” abriram o restaurantePatriot, ambientado
ao estilo militar. Muitos dos clientes são veteranos ucranianos da Operação Antiterrorista
(OAT) no leste da Ucrânia. Nas paredes estão as armas, bandeiras e divisas das unidades
do exército ucraniano (FAU), fotos dos militares, vivos e os que tombaram na
defesa da Ucrânia.
02.
Os donos são Ostap e Yuriy, ambos passaram pela guerra na Donbas. Yuriy [Antonov]
(à direita) por 25 anos viveu em Moscovo, quando começou a guerra — voltou à
Ucrânia, se alistou às FAU como voluntário, cumpriu SMO e fez duas missões como
profissional. No inferno do cerco de Ilovausk conheceu Ostap [Prots] (à
esquerda), um galiciano de gema, natural de Lviv. Após a sua desmobilização, os
amigos decidiram abrir o restaurante temático.
03.
Pátio em frente do restaurante — as caixas de munições e flores, bem ao estilo
do Hemingway no seu romance “Adeus às armas”.
04.
Interior do restaurante, numa das paredes as bandeiras das unidades das FAU e
morteiro RPG.
05.
Encontro dos veteranos, muitos dos que serviram na OAT sentem as dificuldades
de se enquadrar na vida civil.
06. Seçãodefotografias:
07.
As fotos nas paredes tiradas na zona de OAT são deixados pelos clientes.
08.
Veterano conversa com a sua namorada. Antes da atual guerra russo-ucraniana os veteranos
na Ucrânia eram apenas os velhinhos da II G.M. ou então os que passaram pelo
Afeganistão do lado soviético.
09.
Mísseis e morteiro antitanque. As escadas do restaurante são feitas de tijolos
autênticos de Lviv:
10.
A coleção das divisas das diversas unidades das FAU.
11.
A caixa de transporte de munição, cheia de estojos vazios.
12.
Decoração.
13.
Armas usadas na OAT — RPK-74, PPSh e AK-47.
14.
Os clientes. Nem todos são veteranos, aparecem as meninas kawai)
15.
Interior do restaurante. Brasão de armas da Lituânia e foto do blindado entrincheirado.
16.
Colete de infantaria ucraniana:
17.
Cliente com RPK-74 nas mãos:
18.
Mísseis:
19.
A bandeira de uma unidade especial de morteiros do bat “Donbas” :
Estalinismo,
ativamente fomentado em alguns países do espaço pós-soviético e outras paragens, se baseia na mitologia do culto de personalidade do ditador que é visto
pelos seus fãs como um habilidoso inteligente, génio militar e geralmente um bom
chefão. A história de milhões de vidas, por ele arruinadas, é silenciada ou é
justificada como “sacrifícios necessários”.
Na
verdade, Estaline não era nem inteligente, nem um génio militar – apenas um
homem mau e cruel que chegou ao poder derramando o sangue e assim governou até
a sua morte.
1.
Mito que camarada Estaline era «um grande cientista»
Camarada
Estaline não terminou o seminário teológico (que em si não era o topo da
instituição educacional da época), após disso, todo o seu tempo livre o jovem Koba
gastava nas atividades criminosas (assaltava as estações dos correios) e depois
nas ações e na sua carreira dentro do partido bolchevique. Apesar de todo o seu
declarado “confronto com a religião”, o camarada Estaline era uma pessoa
profundamente religiosa (no sentido mau/ruim da palavra) – ele dividiu todas as
pessoas em dois grupos e acreditava firmemente que todas as “pessoas boas” deveriam
entrar num lugar mágico chamado “comunismo” (análogo ao paraíso), e todos os “maus”
deveriam ser punidos e exterminados.
Estaline
criou um “marxismo-leninismo” primário, vulgarizando o marxismo leninista na
medida em que o próprio Lenine vulgarizou o marxismo dito clássico. Estaline tentou,
de forma sofrível, colocar toda a diversidade do mundo no quadro da “luta de
classes”, que segundo ele, apenas se intensificava no caminho ao “socialismo
real”. Nas suas obras, ditador soviético defendia que após destruir todos os “kulaks
e exploradores”, a URSS viverá otimamente, enquanto isso o país ficava cada vez
mais atrasado em relação ao mundo desenvolvido, em grande parte porque uma
grande parte da intelligentsia, que não concordava com as ideias do Estaline foi
simplesmente exterminada.
A
imagem do “Estaline formado” era diligentemente criada pela propaganda
soviética – houve tempo em que no Kremlin, à noite, era ligada a luz numa das janelas,
afirmando que ali o camarada Estaline estava lendo e trabalhando. Quando ele
terminar, país viveria, certamente, como se fosse no comunismo.
2.
Mito que «apenas graças ao génio do Estaline a URSS venceu na II G.M.»
Se
a URSS estivesse realmente se preparando para uma guerra defensiva (e não à uma
“pequena [guerra] vitoriosa no território estrangeiro”), então, no verão de
1941, Hitler não teria chegado às portas de Moscovo e Leninegrado. Estaline pessoalmente
é responsável pela decapitação da estrutura de comando supremo do RKKA na
década de 1930 e despreparação absoluta à guerra defensiva, em parte por esta
razão, no verão de 1941 a URSS sofreu perdas tão terríveis em pessoal e meios.
As
suas ações nos anos subsequentes também estavam longe de ser ideais, as táticas
soviéticas continuavam se basear em “capturar as colinas e cidades ao qualquer
custo”, criando as enormes baixas nas suas forças armadas. Oficialmente, a URSS
perdeu na II G.M. 27 milhões de pessoas, embora recentemente apareceram os
novos dados que apontam para 41 milhões – dos quais 19 milhões eram militares do
Exército Vermelho.
Nunca
existiu no Estaline nenhum “génio militar”. Os diversos autores soviéticos chamaram
Estaline, nas páginas dos seus diários e obras não publicadas de “canalha
generoso”, devido ao facto de que todas as vitórias militares soviéticas eram alcançadas
à custa de perdas humanas colossais.
3.
Mito de «respeito pela URSS na era Estaline»
Este
respeito simplesmente não existia – a União Soviética era vista como um perigoso
marginal do bairro, preferindo não o irritar e, de tempos em tempos, tentando o
chamar à razão. No final da década de 1920 e início dos anos 1930, o Ocidente
ainda olhava com algum interesse no que estava acontecendo na URSS, mas depois
do início das repressões e das “purgas” em massa, e principalmente quando s
realidade soviética foi descrita por proeminentes pensadores, como Bertrand Russell –
tudo ficou mais claro.
Os
estalinistas gostam do mito em que Estaline supostamente foi elogiado pelo
Churchill – alegadamente no seu discurso no Parlamento britânico em 21 de
dezembro de 1959, ele chamou Estaline de “um génio que liderou a Rússia nos
anos de provações mais difíceis”. Este discurso é um simples fake, na edição
completa dos discursos de Churchill (publicada na enciclopédia Britannica), não
existe o tal “discurso”. Em geral, este discurso não poderia existir dado que em
1959 o parlamento britânico se reuniu na sessão plenária em 17 de dezembro, e a
próxima reunião foi agendada apenas em 26 de janeiro de 1960.
A
URSS era encarada como uma ditadura perigosa e tóxica, sem liberdades e
direitos humanos mais elementares, e todas as suas “realizações e feitios” eram
direcionadas apenas à esfera militar e, como consequência, em expansão da sua
influência e do seu território.
4.
Mito que «Estaline era um altruísta absoluto»
Em
todos os seus textos, estalinistas repetem a máxima que quando Estaline morreu,
deixou apenas as suas botas, cachimbo, uniforme, alguns objetos pessoais sem
valor e nenhuma poupança. É sempre servido juntamente com a frase: “olham aos
oligarcas modernos, quanto eles roubaram”, etc.
Naturalmente
surge uma pergunta – para que precisava do dinheiro a pessoa que já possuía o
país inteiro em regime de uma ditadura absoluta? Ele simplesmente não precisa do
dinheiro – fazia o que queria, pois não existia na URSS nenhum poder que o controlasse
minimalmente que seja. Além disso, Estaline vivia em mansões e apartamentos com
criados, usava as casas de campo e limusines com motoristas pessoais, comia os
melhores alimentos e bebia melhores bebidas alcoólicas, era protegido 24/24 horas
por vários batalhões do NKVD.
O
camarada Estaline custava ao estado soviético milhões de rublos por ano, o que
ele não pagava, pois simplesmente era o criador deste sistema. O fato de que
ele “nunca pagou nada em dinheiro” significa apenas que ele estava completamente
fora do controlo, fazendo tudo o que queria, usando ao seu belo prazer o
dinheiro do orçamento do Estado.
5.
Mito que «Estaline recebeu a Rússia com arado e deixou com uma bomba atómica»
A
frase também atribuída ao Churchill no mesmo “discurso no Parlamento” – que nunca
tinha acontecido. O autor da citação compara coisas incomparáveis, criando uma
falsa aparência de algum tipo de “progresso” soviético. As bombas atómicas que
apareceram na URSS não tiveram nada a ver com a qualidade de vida dos cidadãos –
os camponeses que estavam arando com arado – continuavam a arar. E não apenas com
um arado, mas com um arado puxado pela vaca – já que muitas vezes aos camponeses
kolkhozianos era proibido ter o seu próprio cavalo, algo considerado como “sinal
de riqueza”.
Nas
cidades soviéticas eram construídos os novos apartamentos mais confortáveis, conhecidos
como “stalinkas” e destinados à nomenclatura estatal e partidária, e nas
aldeias havia uma pobreza terrível e falta absoluta de direitos – os camponeses
não possuíam documentos de identificação até a década de 1960 [para impedir a
sua fuga do interior] e, de fato, eram escravos estatais. Os mesmos escravos
eram trabalhadores fabris – não tinham direitos, não possuíam sindicatos livres
e podiam expressar suas opiniões apenas no âmbito do “modelo socialista de
construção estatal”.
Nos
comentários os nossos queridos leitores pode escrever que outros mitos sobre Estaline
conhecem, de repente algum foi esquecido.
Foto
@GettyImages | TextoMaxim
Mirovich e [@Ucrânia em África]
Bónus
O
historiador russo, de origem ucraniana, Oleg Khlevniuk, grande
conhecedor da época estalinista descreve este período de seguinte forma:
“—
A era Estaline foi o terror em massa. [...] A maioria absoluta dos prisioneiros
eram pessoas comuns. A falta de proteção social. Numa população de 170 milhões
de pessoas antes da II G.M., na URSS havia apenas 4 milhões de reformados/pensionistas.
Somente pessoas selecionadas receberam a reforma/pensão. Nas vésperas da morte
de Estaline cada cidadão soviético possuía 4,5 metros quadrados de espaço
vital. Ou seja, num qualquer quarto de 18 m², viviam quatro pessoas. Durante
todo o período do governo de Estaline, desde final da década de 1920 à 1953,
não houve um único ano em que não houve fome. Houve períodos de fome em massa –
como em 1932-1933, 1936, 1946 -1947, mas, além disso, todos os anos, pelo menos
em alguma região havia fome. E o deficit de alimentos (para não falar dos
produtos manufaturados) era um companheiro constante da maioria da população do
país” (fonte).
A
cantora britânicaPaloma Faithapresentou o seu novo vídeo musical “Crybaby” (Chorona), filmagens do qual
decorreram na cidade de Kyiv na Ucrânia.
imagem @YouTube
As
imagens, depreciando uma sociedade distópica orweliana mostram o Museu Nacional
da História da Ucrânia na II Guerra Mundial e o famoso monumento da “Mãe – Pátria”,
situado no espaço daquele Museu.
As
obras monumentais são exemplos do estilo realismo socialista na arquitectura, ambas
frutos do fim de era Brejnev, construídos em Kyiv às pressas, para agradar o
líder comunista soviético, cuja visita à cidade era programada em 1983.
Bónus
foto @Google+
O
nosso querido leitor brasileiro, Paulo “Sexy Nerd” Tartano acredita que “russofobia
rola solta por aqui”, pois na sua visão “os países bálticos por séculos forma
parte do império russo” (ortografia do original). Bem, querido Paulinho, Angola, Brasil ou Moçambique por
séculos formavam parte do império ultramarino português. O que não os impediu
de se tornar independentes. E imagine só, este facto histórico hoje não é visto como
exemplo de qualquer “lusofobia” ;-)
Em
1940 a União Soviética ocupou e anexou Estónia. Em 1944, expulsou do país os nazis
para de seguida se “esquecer” de sair da Estónia, até a sua independência plena
em 1991.
01.
A primeira etapa da anexação da Estónia ocorreu em 1939-1940 – o governo da
URSS, através de pressão, ameaças e chantagem, conseguiu a permissão dos estónios
de criação no país de bases de um grande contingente militar soviético. De
facto, era início do fim da Estónia como um país independente.
Em
16 de maio de 1940, Molotov apresentou ao embaixador da Estónia em Moscovo o ultimato
em que Estónia foi acusada de violar o “pacto de não-agressão de 1932”, por
concordar com a entrada da Lituânia na União defensiva Estónia-Letã. Além
disso, o governo soviético exigiu o consentimento estónio para a entrada de
mais tropas soviéticas, alegadamente para “impedir os atos provocativos contra as
bases soviéticas”.
No
dia 17 de junho de 1940, nas margens estónios do Mar Báltico, desembarcaram os
fuzileiros navais soviéticos, ao mesmo tempo em Tallinn entraram as colunas dos
blindados e de infantaria do RKKA. Na foto acima – a rua Harju na cidade velha
de Tallinn, em 1940 a via foi usada pelos tanques soviéticos.
02.
A rua Harju é uma das mais antigas de Tallinn e, ao mesmo tempo, uma das mais
danificadas durante a II Guerra Mundial. Muitos edifícios que cederam nos combates
não foram reconstruídos, os edifícios novos, construídos no seu lugar possuem
um estilo arquitectónico bastante diferente do edifícios históricos da rua.
A
entrada do contingente de tropas soviéticas 77 anos atrás na realidade não procurava
defender as suas bases militares, mas a pretendia efetuar a eliminação total da
independência da Estónia. A primeira coisa que as novas autoridades fizeram foi
a proibição das assembleias populares e, de seguida, em 24 horas, foi afetuada
a apreensão total e absoluta de armas de fogo, pertencentes aos cidadãos.
03.
Simultaneamente, os ocupantes liquidaram a autoridade suprema da autonomia
estónia, o seu parlamento. O Parlamento tradicionalmente se situava no edifício
de Riigikogu, especificamente construído em 1920-1922. O prédio foi ocupado,
após o que as novas autoridades soviéticas anunciaram a data das “novas
eleições” – 14 de julho de 1940. No período entre a ocupação soviética e as novas
“eleições”, o país, de facto foi gerido pela embaixada soviética em Tallinn.
As
próprias eleições eram uma farsa. Os cidadãos participantes na votação recebiam
um carimbo especial no passaporte, e o boletim era colocado na urna mão pelo
eleitor, mas por um membro pró-soviético da comissão eleitoral – ou seja, não
houve a eleição secreta. Os candidatos de partidos não comunistas não podiam participar
nas eleições, e o partido pró-soviético “União dos Trabalhadores” recolheu 92,8%
dos votos.
Comunistas estónios: "Viva Estaline, Molotov e todo Exército Vermelho"
Assim, o “o povo estoniano entrou voluntariamente e honestamente na
família dos povos soviéticos”, ninguém duvidou disso.
04.
É de notar um detalhe muito importante: a ocupação armada soviética aconteceu mesmo
que o governo estoniano concordou com o ultimato da URSS e estava pronto satisfazer
todas as suas condições. Mas a liderança da União Soviética já tinha tomado a a
decisão de invadir Estónia e o ultimato do Molotov era uma mera formalidade. Antecipadamente,
as tropas do NKVD foram preparadas para receber entre 45 à 70 mil prisioneiros,
e o exército soviético estava se preparando para atravessar a fronteira.
Na
foto acima – o Castelo de Toompea, cujo complexo inclui o edifício do
parlamento da Estónia. Em julho de 1940, a bandeira vermelha foi hasteada na
torre mais alta do castelo chamada “Alto Herman”.
05.
Logo após a entrada das unidades do RKKA em Tallinn e outras cidades da Estónia,
no país entraram as unidades do NKVD, que iniciaram a “limpeza” e deportação de
todos os cidadãos que as autoridades soviéticas consideravam como “desleais”.
No centro de Tallinn, na rua Toompea, se pode visitar um edifício de vidro
chamado Museu de Ocupação, onde se pode conhecer estes eventos mais detalhadamente.
O
museu é dedicado às várias ocupações – a primeira ocupação soviética de 1940, a
ocupação alemã entre 1941 e 1944 e a segunda ocupação soviética entre 1944 e
1991. Surpreendentemente, nenhum alemão protesta, na Internet ou nas redes
sociais, contra a existência do museu, já os diversos usuários russos escrevem
algo como “apenas um idiota completo poderia criar o tal lugar”.
06.
Os tais “idiotas perdidos” contam, por exemplo, como decorriam as deportações soviéticas
na Estónia – na maioria das vezes deportavam as pessoas alvos de uma denúncia,
ou aqueles que simplesmente eram considerados “desleais”, após um julgamento curto
eram enviados aos distantes cantos asiáticos da URSS. Era permitido levar
apenas uma única mala, que os deportados tentavam preencher o máximo possível,
já que muitas vezes as pessoas eram literalmente atiradas dos comboios/trêm de
deportações nos campos abertos.
Essas
pequenas malas, que se tornaram praticamente impossíveis de carregar –
tornaram-se parte do design de entrada do museu.
07.
Os painéis que contam sobre o museu são feitos de alguns cartazes de propaganda
soviética.
08.
As mesmas malas, mas já reais, podem ser vistas no próprio museu. Com uma
dessas malas (na melhor das hipóteses), o deportado era desembarcado em algum inóspito
nas estepes do Cazaquistão ou na região dos Urais.
As
repressões de massa começaram em 6 de novembro de 1940, quando Moscovo aprovou um
decreto para que os “crimes” cometidos nos estados bálticos antes da sua ocupação
sejam julgados de acordo com a legislação soviética. A lei recebeu o efeito
retroativo – se cidadão viver na Estónia antes de 1940 e fosse acusado de ser
“burguês” sob as leis soviéticas, então era julgado por isso.
09.
Antes da anexação da URSS, Moscovo promoveu e apoiou os comunistas estónios locais,
do partido “União do Povo Trabalhador”, a base do novo parlamento após a
ocupação. Após a anexação tanto aos quadros do novo “parlamento independente”,
quanto de cidadãos estónios foram surpreendidos pelos planos da URSS em anexar a
Estónia na União Soviética, acabando de vez com a sua independência, naturalmente
antes de 1940 ninguém falou sobre isso.
Em
21 de julho, na presença de militares soviéticos (Sic!), o parlamento “votou
unanimemente” para que a Estónia se junte à URSS. No mesmo dia, o presidente Konstantin Päts
foi forçado à apresentar a sua demissão, sendo deportado para região russa de
Bashkortostão [em 1942 foi colocado no hospital psiquiátrico da prisão de Kazan
sem nenhuma acusação formal; somente em 1952, Konstantin Päts foi condenado aos
25 anos de prisão com confisco de todos os bens, morreu em 18 de janeiro de
1956 em uma clínica psiquiátrica na
Rússia
Soviética].
Konstantin Päts presidente
e prisioneiro de NKVD em 1941
É
muito importante entender como a URSS atuou na anexação de territórios
estrangeiros – primeiro uma declaração sobre “perseguições” e uma declaração com
desejo expresso de colocar no país as suas tropas. Então, com a ajuda de
simpatizantes locais, é criado um “governo” supostamente “independente”, leal à
URSS, que, com a “ajuda e apoio” de militares soviéticos, toma o poder. Depois
disso, se realiza o controlo direto do país e todos aqueles que têm tempo para
se surpreender são fuzilados ou deportados para GULAG.
10.
Museu de ocupação tem na sua exposição diversos objetos do quotidiano soviético,
pertencentes aos diversos estágios da sovietização da Estónia. Aqui, por
exemplo, são reunidos as placas dos quartéis do exército soviético, que estavam
localizados no território da recém-criada Estónia Soviética.
11.
A edição soviética pós II G.M. do manual de censura intitulado “A lista de
informações proibidas à publicação pública”. A informação proibida incluía, por
exemplo, as estatísticas reais nas áreas de cultura e economia, qualquer
informação recebida fora dos “órgãos oficiais da imprensa soviética”. A
distribuição de edições de samizdat era sancionada com a prisão efetiva.
12.
O stand dedicado ao início dos anos 1980 e à Perestroika – o retrato de Leonid Brejnev,
cartões de racionamento de alimentos, moeda-papel soviética e um uniforme de
combate usado pelo Exército Soviético no Afeganistão com um conjunto completo
de emblemas do pára-quedista (geralmente eram cinco) e algumas condecorações
militares. Acima do exposto é colocada a pergunta simples: para que os estónios
precisariam tudo isto?
13.
As portas das celas de prisão, onde eram mantidos os prisioneiros políticos.
14.
Olho da porta. Era usado pelos guardas para verificar se os prisioneiros
estavam mantendo o regime da detenção – por exemplo, em algumas celas era proibido
de se deitar durante o dia, os prisioneiros podiam apenas ficar de pé ou
sentar.
15.
A exposição mostra o equipamento de espionagem, que foi amplamente utilizado
para escutas telefónicas dos cidadãos “não confiáveis”, e também para monitorar
cidadãos estrangeiros que chegavam à Estónia Soviética.
16.
O equipamento era instalado, regra geral, em uma sala especial em um grande
hotel – geralmente um agente do KGB estava permanentemente presente, mantendo
os registos das conversas mantidas.
17.
Um desses hotéis é atual e moderno “Sokos”, que na época soviética era chamado
de “Hotel Viru”. Os estrangeiros eram alojados nos andares superiores sob o
pretexto de supostamente obterem “uma bela vista da cidade”, na realidade,
nestes andares eram instalados os dispositivos de escutas.
18.
São os tais andares superiores nos quais KGB realizava as escutas e vigilância.
Todos os dispositivos de escuta estavam escondidos e colocados nos quartos, ainda
durante a construção do hotel.
19.
O principal período de repressão e diversas “purgas” em massa contra os dissidentes
ocorreram na Estónia na década de 1940-50. Entre a data de ocupação soviética até
o verão de 1941, cerca de 9.500 estónios foram presos e deportados ao GULAG,
várias centenas foram executadas. Para a pequena Estónia foi uma grande
tragédia – na verdade, foi exterminado todo o estrato cultural da intelectualidade
estónia. Aqueles que não foram exilados — foram silenciados.
Na
rua Pagari № 1 em Tallinn está situado um grande edifício antigo, construído em
1912 – durante a ocupação soviética nas caves deste prédio estava situada uma
prisão do NKVD, e mais tarde do KGB.
20.
No interior da cave existem as portas duplas, são originais desde então – a primeira
porta da rua, dissimula o complexo em forma de uma cave comum. A segunda,
interna – são enormes portas de prisão, trancadas com trincos ferrolhos pesados.
21.
Mais recentemente, as caves da prisão do KGB da Estónia foram abertas ao público
em forma de visitas gratuitas – antes disso, as instalações estavam
simplesmente fechadas.
22.
A prisão propriamente dita funcionou aqui de 1940 à 1959. Essa era aparência de
uma cela prisional:
23.
Uma outra cela. Aparentemente, os ferros na parede seguravam o segundo nível de
beliches dos prisioneiros.
24.
Lavatório enferrujado:
25.
Em algumas celas se pode ver a exposição dos retratos de pessoas que foram vítimas
de repressões soviéticas nestas mesmas paredes – muitos dos que foram levados pelos
oficiais de NKVD / KGB nunca mais voltaram deste lugar.
26.
As portas das celas.
27.
Corredor prisional.
28.
Cela de interrogações.
29.
Nos pisos superiores da casa № 1 na rua Pagari, estão ligadas as luzes – agora é
um prédio habitacional. Será que eles sabem o que já estava localizado na cave de
sua casa? Seguramentenemtodos.
30.
A pedra da última foto, de fato, marca o fim de ocupação soviética soviético da
Estónia – 20 de agosto de 1991, a pedra protegia a entrada do Conselho Supremo
da Estónia Soviética, que decidiu restaurar a independência.
Ironicamente,
a pedra está no mesmo lugar, pisado em 1940 pelos tanques soviéticos.
Blogueiro:
os argumentos preferenciais de esquerda mais ou menos totalitária e dos
saudosistas do império russo/soviético tentam desculpar a ocupação soviética
pela necessidade de “salvar Estónia dos nazis” e “se não for URSS, vocês ainda
hoje falassem alemão”. Quando se questiona por que a ocupação decorreu em 1940,
quando URSS e Alemanha nazi eram aliados e porque a URSS ficou no país após
1944, geralmente não há respostas...
E
vocês, queridos leitores do nosso blogue, o que acham desta história soviética?