sexta-feira, abril 17, 2026

Ucrânia assume o controlo aéreo na cidade e na região de Donetsk

O 1º Corpo da Guarda Nacional da Ucrânia (NGU) «Azov» controla a logística dos ocupantes russos na região de Donetsk. Os drones de ataque caçam a logística russa na retaguarda operacional distante. Os ucranianos passaram à controlar as rotas logísticas na cidade e em redor de Donetsk.

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Zugres, Andriyivka, Starobeshevo, Horlivka, Lysychansk, estrada Circular de Donetsk – a atuação dos drones ucranianos nestas rotas demonstra a eficácia do sistema de controlo do espaço aéreo da região. 

Muito recentemente os ocupantes russos sentiam-se ali completamente seguros. À partir de agora, todos os alvos militares que se deslocam pelas estradas em redor de Donetsk estão sendo atacados e destruídos. Não existe retaguarda segura para os ocupantes russos. É impossível esconder-se em Donetsk e nos arredores.

Bónus

Brigada do NGU «Bureviy» aceita os novoso recrutas: 

Ligue para: +38 073 033 3027

Preencha o formulário de inscrição online.

quinta-feira, abril 16, 2026

Os crimes de guerra russos em Kyiv, Odesa, Dnipro

Edifício civil ucraniano atingido na região de Dnipropetrovsk

Um ataque russo em larga escala feriu mais de 100 civis ucranianos e matou mais de uma dúzia de pessoas nas últimas 24 horas. Os bombardeamentos atingiram áreas civis e edifícios residenciais em Kyiv, Odesa, Dnipro e outras regiões da Ucrânia.

É impossível classificar os ataques como um acidente. Trata-se de terrorismo do estado russo dirigido contra os civis ucranianos. Ataques deliberados aos edifícios residenciais. Os ocupantes russos só são capazes de lutar contra idosos e crianças adormecidas. Não são capazes e não conseguem vencer Ucrânia militarmente durante quatro últimos anos, por isso tentam «se vingar» contra a população civil.

Edifícios civis atingidos na região de Kyiv 

Em Kyiv, equipas de emergência foram atingidas durante um segundo ataque russo enquanto prestavam assistência às vítimas. Três agentes da polícia e quatro paramédicos ficaram feridos.

Ucrânia continua a coordenar com parceiros internacionais para reforçar as capacidades de defesa aérea. A resposta internacional deve corresponder à escala do terror russo — através de apoio decisivo à defesa da Ucrânia e de pressão contínua sobre a rússia para pôr fim à sua agressão. 

... a resposta da Ucrânia


 

Na cidade russa de Tuapse os drones e mísseis das Forças de Operações Especiais (SSO) da Ucrânia atingiram o terminal petrolífero, a refinaria e vários depósitos de petróleo (o fogo, levado pelo vento, passa de uns depósitos aos outros). Os passageiros da estação ferroviária de Tuapse relatam vários incêndios, que já duram mais de 24h.

Os caixões vindos da rússia continuam a chegar à Índia

O vídeo gravado por jovem indiano Ankit retrata a vida dos mercenários estrangeiros enviados para a morte pela rússia. Natural da província de Haryana, Ankit gravou o vídeo no verão de 2025, juntamente com quatro dos seus compatriotas sobreviventes. Conta como ele e os seus amigos foram ao Moscovo em busca de trabalho.

Aí, foram enganados, acreditando que havia para eles lugares de motoristas e riqueza à sua espera. No final, os russos confiscaram os seus passaportes e entregaram-lhes contratos militares feitos em russo. Os indianos assinaram e tornaram-se soldados comuns do exército russo. Quando, já no campo de treino, tentaram à resisitir, foram avisados ​​sem rodeios: ou iam para a batalha ou seriam simplesmente fuzilados.

Após 5 a 6 dias deste tipo de «treino», os indianos «recém-formados» foram enviados para a frente de batalha. Dos 20 soldados enviados, apenas seis indianos sobreviveram e gravaram um vídeo a implorar ao primeiro-ministro da Índia que os salvasse do massacre russo. O vídeo abaixo é de abril de 2026. Mostra o mesmo Ankit, da província de Haryana. Regressou a casa em um caixão de zinco.

Na sua busca insana para dominar Ucrânia, o regime neofascista russo está a exterminar não só os seus próprios cidadãos, mas também os estrangeiros mais vulneráveis. Enganar pessoas comuns de países «amigos» da Ásia ou de África, oferecendo-lhes contratos com o Ministério da Defesa russo? Sem problemas para os russos – estão dispostos a recorrer a qualquer truque para atingir a sua quota mensal de «carne para canhão». Os caixões de zinco são o principal produto de exportação da rússia e já foram distribuídos por todo o mundo. 

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quarta-feira, abril 15, 2026

A história do Fiat, do Lada e do camarada Togliatti

Publicidade do «Lada» dirigida ao mercado ocidental. Imagem: Internet

A história de como e porque a União Soviética, de entre todos os países produtores de automóveis, escolheu os italianos, como o Fiat 124 se transformou num Lada e porque a cidade soviética Stavropol-on-Volga se transformou em Togliatti.

Palmiro Togliatti foi o secretário-geral do Partido Comunista Italiano. Juntamente com Antonio Gramsci, organizou greves de trabalhadores na fábrica da Fiat na década de 1920. Em 1930, Togliatti aceitou a cidadania soviética e, mais tarde, estabeleceu-se em Moscou/vo. Participou na campanha de denúncias e repressões estalinistas contra os comunistas italianos que trabalhavam na Comintern. 

«Viva o grande chefe e professor do partido comunista e do povo soviético camarada Estaline».
4.VI.1950, teatro Bolshoi de Moscovo, camarada Togliatti último à esquerda.

Após o desembarque dos Aliados na Sicília e a capitulação de Itália, regressou à terra natal. Sob a sua liderança, o Partido Comunista Italiano tornou-se o maior partido do país e o maior partido comunista não governamental da Europa, com mais de dois milhões de membros. 

Camarada Togliatti com as crianças soviéticas, década de 1960

Em 1964, Togliatti estava de férias e a receber tratamento na Crimeia. Enquanto visitava o campo infantil de «Artek» (acessível quase exclusivamente aos filhos da supra elite comunista), perdeu os sentidos e morreu subitamente. Uma delegação do partido soviético, chefiada por Leonid Brejnev, acompanhou o caixão de Togliatti até Itália. Dois meses depois, Brejnev, liderou o golpe do Estado que afastou Khrushchev do poder.

Nikita Krushechev à carregar o caixão (à direita), Brejnev está, de mãos livres, ao seu lado

A morte súbita de Togliatti gerou muita especulação, envergonhando os camaradas soviéticos perante os comunistas italianos, e apenas dois meses depois, o Presidium do Soviete Supremo da rússia soviética decretou: renomear a cidade de Stavropol, na região de Kuibyshev, para Togliatti. É um tanto irónico que a cidade onde os carros eram fabricados sob licença italiana tenha sido batizada em homenagem ao homem que arruinou a indústria automóvel italiana.

Capa do jornal «Pelo Comunismo», publicado em Stavropol.
«À partir de agora a nossa cidade ostentará o nome de Togliatti», 30.08.1964

Na Itália, Palmiro Togliatti foi sepultado perante uma enorme multidão. O artista italiano Renato Guttuso criou uma tela de grande escala para a ocasião, com a participação de Angela Davis, Ho Chi Minh, Dolores Ibárruri, Rosa Luxemburgo, Luchino Visconti, Salvatore Quasimodo, Jean-Paul Sartre, Estaline e cinco (!) Lenins. Khrushchev não está na pintura.

Obra do Renato Guttuso. Cinco Lenines e nenhum Khruschev...

Falando sobre o Lada. No início da década de 1960, havia uma escassez catastrófica de automóveis na URSS. Khrushchev, e depois Brejnev, estabeleceram o objetivo de criar um automóvel popular produzido em massa — barato e fiável. A capacidade tecnologíca soviética própria era insuficiente para tal salto, pelo a URSS decidiu comprar uma solução já feita. 

O lado soviético negociou simultaneamente com várias empresas ocidentais — Volkswagen, Renault, Ford, Peugeot e Fiat. Cada uma ofereceu o seu próprio modelo e condições para a construção da fábrica. A Renault era considerada a principal concorrente, com o seu hatchback de tração dianteira, o Renault 16, o «Carro do Ano 1966» na Europa. Tecnicamente, era mais avançado que o Fiat 124, mas esse mesmo facto jogou contra ele.

«Me chamo Fiat 124», a publicidade italiana de 1966

O Fiat 124 era um projeto clássico e simples: tração traseira, um motor básico, nada de luxos. Já o Renault 16, de tração dianteira, parecia demasiado complexo para a realidade soviética — tanto para a produção, como para a manutenção.

Mas o principal argumento acabou por ser político, não económico. O Partido Comunista Italiano era o maior partido comunista da Europa Ocidental, e as relações italo-soviéticas eram significativamente mais cordiais do que com a França, a Alemanha ou, principalmente, os Estados Unidos. Brejnev, depois de devolver Togliatti de Itália, após o seu funeral, disse: «Os italianos são mais próximos de nós».

A 4 de maio de 1966, foi assinado um protocolo de cooperação em Turim e, a 15 de agosto de 1966, foi assinado um acordo geral em Moscovo. A Fiat comprometeu-se a construir uma fábrica com capacidade para 660.000 veículos por ano na cidade de Togliatti. Que coincidência! Que símbolismo!

Os engenheiros soviéticos fizeram centenas de alterações ao design da Fiat 124 – simplificando o design, embora também reforçaram a carroçaria, aumentaram a altura ao solo, possivelmente pioraram o motor, reforçaram o motor de arranque, alteraram os vedantes e tentaram melhorar a proteção contra a corrosão em climas de inverno. 

Publicidade de «Lada» no mercado da Alemanha Ocidental, 1970

O primeiro modelo de Lada «Zhiguli», lançado no mercado soviético em 1970, custava cerca de 5.600 rublos (9.655 dólares ao câmbio oficial soviético). Com um salário médio de 120 rublos, um cidadão soviético tinha de poupar totalidade dos seus rendimentos durante quase quatro anos para comprar um automóvel. Sob o «cabrão» Mussolini, um italiano podia comprar o carro popular economizando apenas um ano e meio.

Publicidade ocidental de «Lada» 2102 «Kombi», 1970


terça-feira, abril 14, 2026

A desonestidade intelectual do Michel Foucault: caso do Irão

Em 1978-1979, o filósofo francês, conotado com a esquerda intelectual, Michel Foucault, viajou por duas vezes como jornalista ao Irão, a convite do jornal italiano «Corriere della Sera». 

Observou os acontecimentos iranianos em primeira mão: participou em manifestações, encontrou-se com figuras da oposição, visitou mesquitas e entrevistou pessoas de todas as classes sociais, desde vendedores de mercado a intelectuais.

Foucault ficou fascinado, e esse fascínio é evidente nas suas reportagens.

Viu algo de fundamentalmente novo na revolução iraniana: não uma revolta marxista de classes ou uma revolução liberal, mas aquilo a que chamou “espiritualidade política” (spiritualité politique) — um movimento de massas motivado não por interesses económicos, mas por um impulso religioso e existencial.

Ficou fascinado com a própria ideia de que milhões de pessoas arriscavam a vida por algo que não se reduzia a bens materiais.

Descreveu Khomeini com evidente simpatia — como uma “voz” que exprimia a vontade coletiva do povo.

Quando as execuções em massa que começaram após a vitória dos ayatollah – principalmente de gays, mulheres que se recusavam a usar o hijab, activistas de esquerda – feministas iranianas, jornalistas (como Marie-Jo Bonnet) e activistas (como Kate Millett) escreveram uma carta aberta a Foucault com duras críticas. Repreenderam-no por romantizar o que de facto levou à morte de determinadas pessoas. 

Foucault respondeu – e a sua resposta foi bastante mal sucedida: tentou defender a sua posição distinguindo o «espírito da revolução» do que aconteceu depois. Os críticos consideraram-no desonestidade intelectual.

Entretanto, 48 anos após a sua visita, no Irão continua a operação de desmilitarização gradual do regime dos ayatollah.

O vídeo mostra a destruição de um lançador iraniano de mísseis balísticos, do lançador móvel de drones kamikaze Shahed-136, montado numa carrinha de caixa aberta, de um canhão anti-aéreo ZU-23-2 em posição de tiro e de um caça de fabricação chinesa Chengdu J-7.



Fonte: TG @kazansky2017

domingo, abril 12, 2026

As memórias pascoais da Donbas ucraniana por Alexander Chekmenev

O fotógrafo ucraniano Alexander Chekmenev combina as técnicas de encenação e realismo cru, conseguindo uma mensagem emocional penetrante em cada imagem. Realista, ele evita o brilho e os temas modernos, preferindo observar a prosa da vida quotidiana, a vida das pessoas comuns e os vestígios desbotados do passado à nossa volta. 








A minha primeira memória da Páscoa está ligada a algo proibido e à polícia. Estávamos no final da década de 1970 e, talvez, no início dos anos 1980 na minha cidade natal, Luhansk. Desde a noite anterior à Páscoa que a Igreja de São Pedro e São Paulo, no bairro de Kamianobrydsky, estava cercada por um destacamento policial: formavam um círculo fechado e, por alguma razão, só permitiam que os idosos assistissem à missa, mas também ninguém mais se atrevia a ir. Como me explicaram os meus pais, visitar a igreja significava prejudicar a sua carreira profissional: sem nenhuma razão formal era-se imediatamente denunciado ao seu serviço, nalguma comissão sindical. Era o que eu pensava: um homem embriagava-se — o denunciavam-no no serviço; ia à igreja para se arrepender e confessar — também apresentavam queixa contra ele. Então, para onde podia ir um simples trabalhador?









Lembro-me do meu padrinho me dizer: “Perdoa-me, Sasha, nós não fomos à igreja quando foste batizado: a avó Vera, uma vizinha, pegou-te ao colo e levou-te para a Igreja de São Pedro e São Paulo — é a tua madrinha.”

Em meados da década de 1980, já não havia cordões policiais e os casamentos tornaram-se moda — a Perestroika estava em seu pleno vigor. Nessa altura, oito casais casavam ao mesmo tempo, e o padre confundia os nomes e as alianças, e depois da cerimónia, servia champanhe nas taças de casamentos — ali mesmo na igreja, o que me parecia estranho e pouco natural.








Mas eu sinceramente queria confessar-me e fui à mesma Igreja de São Pedro e São Paulo. Enquanto pensava do que exatamente me deveria confessar e se arrepender, o padre acelerou as coisas perguntando: “Estás a assistir a televisão?” — “Estou, claro”, respondi, sem perceber para onde isso me levava, e ouvi então: “Já és um pecador!” Esse foi o fim do meu confessionário.

Já na década de 1990, as garrafas de vodca e as mesas com comidas nos cemitérios pareciam mais naturais e orgânicas — era o domingo de Páscoa, como era costume na nossa Donbas. Lá podia encontrar aqueles que não via um ano inteiro. Todos estavam a fazer os beijos «cruzados» — dando o beijo triplo e oferecendo comida uns aos outros nos túmulos dos seus parentes e antepassados. Alguns embriagavam-se ao ponto de ficarem semi-mortos, para depois, aparentemente, “ressuscitarem” na manhã seguinte.









Fiquei surpreendido quando, ao chegar a Kyiv, decidi tirar fotografias no cemitério no decorrer da Páscoa, tal como fazia na minha terra natal, foi surpreso pela ausência de pessoas naquele dia e naquele local.

Na década de 2000, os padres já se dirigiam às pessoas na televisão com um apelo para que homenageassem os mortos uma semana depois da Páscoa — no decorrer de assim chamado «Monte Vermelho», assim chamavam à semana memorial. As pessoas os ouviram, mas à sua maneira: começaram a ir aos cemitérios tanto na Páscoa, como aos semana seguinte, chamada também de Hrobký, literalmente «os túmulos». Ali, no cemitério, todos se encontravam e ainda se encontram — enquanto ainda estão nesta vida e, talvez, na outra.

Fotos e texto: Alexander ChekmenevLuhansk, 1998.