Os protagonistas do filme são cidadãos de países diferentes de três continentes distintos: África (Cemechon Koffi Victor de Togo), Ásia (Fernando Warnakulasuriya da Sri Lanka) e América do Sul (Pedro Henrique Antunes Pantoja do Brasil). Eles se viram no exército russo, atraídos por promessas de dinheiro e cidadania russa, ou enganados por recrutadores que ofereciam emprego legal na rússia. Para muitos estrangeiros, o momento de assinar um contrato com o Ministério da Defesa russo provou ser fatal. Os que sobreviveram foram capturados pelas forças ucranianas — e agora, pela primeira vez, compartilham publicamente como se tornaram parte da guerra de outros, o que sofreram e o que esperam para o futuro.
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| Kemechon Koffi Victor de Togo |
É de notar que em maio de 2025 as FAU capturarm em combate pelo menos dois cidadãos de Togo, um dos países africanos, onde a rússia faz o recrutamento de mercenários para a sua guerra colonial contra Ucrânia.
A história do Pedro, contada pelo próprio
Pedro Henrique Antunes Pantoja foi formado no Brasil na área de TI, trabalhou na Austrália, diz que em 2024 recebeu um convite para trabalhar na rússia na corporação «Rostech», um dos maiores fornecedores de tecnologia militar e para-militar ao exército russo. Os russos prometeram lhe bom salário, juntamente com um bom pacote social (seguro, etc.) Em janeiro de 2025 (?) ele recebeu o endereço, onde deveria se apresentar em Moscovo/ou, na rua Iablochkovo, Nrº 5, onde está situado o centro de recrutamento de estrangeiros do exército russo. No local, o simpático tradutor russo Alexander explicou que Pedro deveria assinar «muitos documentos», todos relacionados com o seu futuro salário e benefícios sociais. Naturalmente todos os documentos eram em russo (Sic!) Dessa forma Pedro Pantoja acabou por assinar o contrato com exército russo com a duração de um ano. De seguida, ele foi enviado à base militar «Avangard», onde o exército russo oferece um treino muito básico aos dispensáveis mercenários estrangeiros. Se aprecebendo do sucedido, Pedro Pantoja conseguiu mandar dois e-mails a embaixada do Brasil na rússia, se quixando da sua situação e pedindo ajuda. Nenhum e-mail foi respondido...
Após um mês de treinos e desespero, Pedro foi enviado à cidade russa de Rostov-on-Don, onde os militares russos, de imediato, aprenderam o seu telefone, passaporte e todos os documentos e identificações. Depois, um comandante russo que falava português explicou ao Pedro que ele estaria trabalhar para a inteligência militar russa. A sua primeira tarefa real era ser um observador noturno (Sic!) num determinado ponto da linha da frente à cerca de 1 km das posições ucranianas. Numa outra excursão à linha da frente o seu grupo/team foi detectado pelos drones FPV ucranianos, um colega seu foi morto e ele próprio ferido por estilhaços. Percebendo que foi definitivamente abandonado pelos russos e vendo uma oportunidade de ouro para salvar a sua vida, Pedro fez uma coisa bastante inteligente: ele tirou o seu capacete, colete prova de bala e baixou a arma, mostrando ao drone ucraniano que queria se render. Operador do drone entendeu a sua intenção sincera e lhe passou a simples mensagem: «me siga».
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| Foto: GZH |
Após chegar às posições ucranianas, Pedro Pantoja recebeu assistência médica, comida e água. Foi lhe explicado que à partir daquele momento ele se tornava um POW, protegido pela Convenção de Genebra, levado, de seguida, para a Cadeia Operativa (SIZO) de Zaporizhia. No total, ele passou por 6 unidades penitenciárias e dois campos de POW. Pedro conhece os seus deveres (trabalhar) e direitos (receber pelo trabalho), dinheiro que depois pode gastar na cantina especial do campo dos POW.
Durante os vários meses da sua permanência como POW (em kaneiro de 2026 são cerca de 1 ano e 7 meses), Pedro Pantoja nunca foi contactado por nenhum representante da Embaixada brasileira na Ucrânia. Numa mensagem dirigida à Embaixada, Pedro diz, que neste momento «se sente completamente abandonado pela Embaixada do Brasil». Pedro relata que apenas recebeu uma dica curiosa e não oficial, vinda de uma brasileira, funcionária da Cruz Vermelha Internacional: «Voltar à rússia, receber novo passaporte na embaixada brasileira em Moscovo/ou e depois voltar ao Brasil ou, então, à Austrália»...
À primeira vista a história contada pelo Pedro parece ser bastante sólida. Um especialista de TI à trabalhar na Austrália, em princípio, não deveria desejar se tornar um soldado numa guerra distante. Embora, naturalmente não há maneiras de saber até que ponto ele está sendo realmente sincero, se não esconde algns pontos mais sórdidos. Há dúvidas óbvias de como e porque um informático não consegui usar um programa básico e símples de tradução instantânea de documentos. Mas enfim...
De qualquer maneira, os brasileiros e outros estrangeiros que viajam à rússia para poder ter um «bom emprego muito bem renumerado» devem perceber algumas coisas simples: a) os estrangeiros são vistos, pelos russos, como seres absolutamente dispensáveis; b) enganar um estrangeiro de uma maneira mais vil e abusiva é visto na rússia como virtude e não como falha moral; c) usando as técnicas do marechal Zhukov o exército russo usa muita infantaria dispensável, por isso mais um ou menos um estrangeiro morto não conta nem para as estatísticas; d) as famílias dos estrangeiros mortos e desparecidos em combate nem sequer vão receber quaisquer compensação, pois habitualmente são registados pelos seus comandantes como SOCh, ou seja desertores; e) por favor, não disperdiçem as vossas vidas, vindo de tão longe somente para se tornar o adubo às terras negras da Ucrânia.
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