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domingo, fevereiro 24, 2019

Ler e baixar o livro “Hugo Chávez: o Espectro” de Leonardo Coutinho

Neste livro, o jornalista Leonardo Coutinho revela – com base em milhares de páginas de documentos, muitos deles secretos, e mais de uma centena de entrevistas em dez países – como as digitais de Hugo Chávez estão espalhadas em todo o mundo, desde a explosão da violência na América Central e no México, até o financiamento de organizações terroristas como o grupo Estado Islâmico.

O que levou um país rico, dono das maiores reservas de petróleo do planeta e com uma localização estratégica ao maior colapso financeiro e institucional do Ocidente? A destruição da Venezuela é apenas a face mais evidente de uma intrincada rede de organizações políticas e criminosas que foram criadas ou alimentadas por Hugo Chávez como parte de seu sonho de reengenharia global. Eleito em 1998 com a promessa de tirar a Venezuela da crise e com o compromisso de conduzir os venezuelanos ao desenvolvimento, Hugo Chávez desperdiçou a fortuna arrecadada durante a bonança petroleira para financiar um modelo de mundo que fosse o seu espelho: caótico e subversivo. Apesar de sua morte, em março de 2013, em decorrência de um câncer, Chávez segue presente “assombrando” o mundo com os efeitos destrutivos de sua combinação de tráfico de cocaína, terrorismo e corrupção. Um legado que o presidente Nicolás Maduro soube herdar e manter, conduzindo o país a um colapso económico e institucional sem precedentes.

Bónus

É de reconhecer que para já batalha de entrega da ajuda humanitária (marcada ao dia 23 de fevereiro de 2019) foi ganha pelo regime bolivariano. Agentes da secreta venezuelana, o SEBIN, travestidos de titushki “coletivos”, queimaram camiões de ajuda humanitária em Ureña, na fronteira colombiana. Houve vários feridos entre o povo presente.
Cerca de 23 militares, guardas e polícias venezuelanos abandonam os seus comandantes, alguns pediram o asilo na Colômbia. O major-general Alexis López Ramírez (ex-secretário executivo do Consejo de Defensa de la Nación (Codena) pediu aos colegas para que reconheçam o presidente legítimo Juan Guaidó e deixem de apoiar o regime criminoso de Maduro.
O major-general Alexis López Ramírez, ex-secretário executivo do Codena
Os 13 oficiais venezuelanos que abandonam o regime do Maduro, 23/02/2019
O regime do Maduro mata o seu povo para que este não seja alimentado por los americanos, muito semelhante a posição do Estaline em 1932-33 em relação os ucranianos, que morriam de fome no Holodomor, mas estado soviético não aceitava e até rejeitava toda e qualquer ajuda alimentar ocidental...

O ataque das forças leais ao regime socialista bolivariano da Venezuela contra camião/caminhão de ajuda humanitária em Ureña (twitter do presidente Juan Guaidó):



quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Ucrânia reconhece Juan Guaidó como chefe da única autoridade legítima na Venezuela

A Ucrânia reconheceu o líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como chefe da única autoridade democraticamente eleita na Venezuela, e acredita que ele será capaz de organizar eleições democráticas no país. Afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Kateryna Zelenko, aos representantes dos meios de comunicação social, de acordo com a declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, escreve o serviço espanhol da agência noticiosa ucraniana UkrInform.

“Ucrânia reconhece Juan Guaidó como o chefe da única autoridade venezuelana democraticamente eleita, que é a Assembleia Nacional, assim como o líder da oposição democrática. Portanto, o retorno à governança democrática no país depende dele e de outros líderes das forças políticas venezuelanas, em particular através de acordos sobre a realização de eleições democráticas e certificadas por observadores eleitorais”, enfatiza Zelenko.

A porta-voz da MNE acrescenta que a Ucrânia pede às autoridades venezuelanas que façam todo o possível para evitar métodos violentos para resolver a crise política e combater a catástrofe económica que já leva a problemas humanitários e ao sofrimento do povo venezuelano.

Conforme relatado, um grupo de 19 países da União Europeia reconheceu o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino do país, reforçando as exigências para que o presidente, Nicolás Maduro, se demitisse. São eles Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Hungria, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa e Suécia.

Por enquanto, Juan Guaidó, foi reconhecido por 23 países.

Venezuela: problemas com petróleo

Venezuela já armazenou 7 milhões de barris de petróleo nos navios petroleiros, que não consegue vender nos mercados externos. As sanções americanas proíbem às empresas americanas de negociar o petróleo venezuelano e as empresas estrangeiras não compram o petróleo venezuelano devido às sanções secundárias, além disso, o petróleo do país é muito específico, “pesado”, o que obriga os compradores o misturar com as espécies mais leves, que encarece a logística e a sua transformação.
O espaço nos barcos petroleiros deve acabar nessa semana, depois petróleo poderá ser armazenado nas facilidades dentro do país, o que poderá significar mais 10 dias de folga. Após disso, a indústria entrará em colapso, dado que os poços de petróleo não são nada fáceis para serem “conservados”.

... e com combustível

Os EUA deixaram de fornecer à Venezuela o combustível, o que significa que em 3-4 dias, máximo uma semana o país espera um novo colapso, desta vez de gasolina e gasóleo.

... e com ajuda humanitária

Maduro emitiu a ordem para que seu exército impeça a entrada dos camiões e comboios da ajuda humanitária no país. Da mesma forma Hitler decidiu em 1945 inundar o metro de Berlim, o povo alemão, na sua opinião, foi indigno da grande missão que lhe fora confiada e, portanto, tinha que desaparecer...
Os medos de Maduro são certamente compreensíveis – a distribuição da ajuda humanitária precisará de ter coberta das forças armadas estrangeiras simplesmente porque os mais fortes serão tentados roubar essa ajuda aos mais fracos e a vender no mercado – exatamente como aconteceu na Donbas, onde os separatistas e bandidos locais faziam fortunas vendendo essa ajuda internacional. Maduro teme a ajuda internacional, pois ela cria uma ameaça ao seu regime (e exatamente para escapar as acusações internacionais, Ucrânia nunca impediu a entrada ilegal da “ajuda humanitária” russa aos territórios ocupados).

Após os generais, se rebelam os coronéis e capitães, exortando o exército não apenas a reconhecer Juan Guaidó como o presidente legítimo, mas falando diretamente sobre a revolução popular armada contra o regime ditatorial.




Maduro teima em apelar ao Papa para ser intermediário e organizar o diálogo. Não percebendo que o seu tempo está se passar e realmente, no futuro próximo ele poderá seguir o caminho do Ceauşescu.

A Rússia continua persistentemente à chamar o presidente Juan Guaidó de impostor. Uma estranha política para quem investiu tanto na economia venezuelana. O exemplo do presidente Yanukovych não ensinou nada os aventureiros do Kremlin – a sua teimosia em apoiar Maduro poderá levar diretamente à situação em que o futuro governo venezuelano recusará pagar as dívidas do regime bolivariano. Resultando em mais carga fiscal e menos benefícios aos contribuintes russos...

sábado, fevereiro 02, 2019

Como os vizinhos salvaram Guaidó: “Que emoção é ser um grãozinho de areia na História do nosso país!”

Juan Guaidó Presidente interino da Venezuela | foto: Federico Parra AFP/Getty Images
Quando uma força especial da policia entrou na casa do Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, os vizinhos mobilizaram-se para o defender. Uma venezuelana conta como tudo aconteceu: Que emoção!

por: João de Almeida Dias, Observador.pt
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Esta quinta-feira, enquanto apresentava o seu plano para o país numa sessão previamente agendada, Juan Guaidó soube que as FAES (Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana) tinham entrado na casa dele, numa altura em que estava lá a sua filha de 20 meses e a sogra. Os vizinhos saíram a correr para a porta do prédio, para gritar contra as autoridades e a favor do homem que é, desde 23 de janeiro, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela — e assim reconhecido pelos EUA e pelo Parlamento Europeu.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Tudo isto aconteceu na urbanização de Santa Fe Norte, bairro onde nasceu e cresceu Ines Gonçalves, empresária de 45 anos. Ficou a saber de tudo o que se passava pela mãe, uma idosa de 84 anos, e pela empregada que a acompanha. Nas próximas linhas, segue-se o relato na primeira pessoa de Ines Gonçalves, resultado de um depoimento ao Observador:

“Assim que se soube que a polícia tinha subido para ir à casa do Guaidó, os vizinhos juntaram-se todos na porta do prédio para o defenderem até onde desse. Ele estava a fazer uma apresentação do “Plan País” na Universidade Central de Venezuela, em Caracas, quando se soube de tudo. Ele escreveu logo um tweet a dizer que as FAES tinham entrado na casa dele, onde estava a filha de apenas 20 meses com a avó, a sogra de Guaidó, a tomar conta dela.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
A notícia espalhou-se num instante, foi incrível. Os vizinhos começaram a gritar nas varandas: ‘As FAES vêm atrás do Guaidó!’. A minha mãe contou-me que toda a gente desceu à rua, todos aos gritos, a dizer ‘Viva Guaidó, fora FAES!’.

A adrenalina que sentimos neste momento na Venezuela leva as pessoas a agir de maneira impensável. Nunca passaria pela cabeça destas pessoas saírem de casa a gritar contra as FAES, até porque eles estão sempre à paisana e agarram qualquer um. Fazem o que querem com quem querem, para eles tanto faz! Mas só de pensar que lhe podiam fazer alguma coisa, ou, pior ainda, à filha dele, as pessoas foram imediatamente para a rua. Se eu lá tivesse estado, tinha ido logo, sem pensar. Não quero que nos tirem esta esperança.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Aquele bairro tem muitas senhoras idosas, como a minha mãe, e digo-lhe já: foram todas para a rua com a roupa que tinham no corpo só para defenderem o Guaidó. É que esta urbanização, que é Salta Fe Norte, que é da classe média, sempre foi muito opositora. É das zonas de Caracas onde há mais manifestações de repúdio ao governo. E calha que o Guaidó vive lá. Por isso as pessoas quiseram ir defendê-lo, porque ele deu-nos esperança. A minha mãe também quis ir, mas ela não pode, não tem saúde para isso. Já tem 84 anos e foi operada ao joelho. Então pôs-se a gritar da janela e mandou a empregada lá para baixo!

Depois até veio uma multidão de jornalistas para a conferência de imprensa do Guaidó. Nunca pensei que houvesse uma coisa destas no bairro onde cresci!
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
As pessoas ficaram lá duas horas. Não sei bem como foi com as FAES. É até possível que eles tenham saído antes de as pessoas chegarem, não sei. Mas, seja como for, foi bonito as pessoas irem para lá defender o Guaidó. Porque até há uns dias ninguém o conhecia e a verdade é que já ninguém acreditava na oposição. Mas o Guaidó é uma cara nova, não era conhecido. Por isso é que as pessoas foram. Ele agora é um símbolo! Foi uma coisa incrível as pessoas terem tido a coragem de estar ali. Os venezuelanos recuperaram a esperança na luta.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019 (?), Austrália
À noite, o Guaidó ligou à associação de condóminos e disse que queria falar aos vizinhos como gesto de agradecimento. E assim foi: juntaram as pessoas num campo de jogos da urbanização e ele agradeceu-lhes por terem saído em defesa da sua família. Falou da importância da esperança, foi muito bonito. Ele é uma pessoa muito corajosa por tudo o que está a fazer. Eu acho que as pessoas que não são da Venezuela não entendem totalmente o risco que ele corre, e também a família dele, por estar a fazer isto. E por isso, contou-me a empregada da minha mãe, as pessoas estavam todas emocionadas. Que emoção enorme é ser um grãozinho de areia na História do nosso país!”

Ver vídeo de Guaidó a agradecer aos vizinhos:





Bónus

O General de Divisão e Diretor de Planeamento Estratégico do Alto Comando Militar da Aviação, Francisco Estéban Yánez Rodríguez, reconheceu Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela, escreve El-Nacional
“Hoje, com orgulho patriótico e democrático, informo que não conheço a autoridade irritante e ditatorial do senhor Nicolás Maduro e reconheço o Deputado Juan Guaidó como presidente da República Bolivariana da Venezuela, pelo qual me coloco dignamente ao seu serviço, afirmou em vídeo:



Da mesma forma, assegurou que 90% das Forças Armadas não apoiam Nicolás Maduro e que a transição para a democracia é iminente. “90% das Forças Armadas não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela (...) Peço aos companheiros de armas que não reprimam mais”, afirmou general Francisco Estéban Yánez Rodríguez.

Além disso, ele alertou que os colegas da aviação lhe informaram que Maduro tem dois aviões prontos todos os dias, sugerindo que use um deles para sair do país imediatamente.

Yánez foi nomeado Presidente da Junta Permanente de Avaliação do Comando Geral da Aviação Militar Bolivariana em 2015.

Bónus II

Vídeo curto, mas preciso, chamado What's Happening in Venezuela?: Just the Facts, onde a comediante venezuelana Joanna Hausmann explica de forma cristalina (e sentida) o que se passa no seu país (em inglês, mas com legendas em espanhol). Muito bom:


segunda-feira, agosto 20, 2018

Venezuela: o fim cada vez mais próximo do regime bolivariano

Na Venezuela, o dólar americano atingiu o novo máximo histórico no mercado paralelo de câmbios: 6 milhões de bolívares. Em resposta, o regime aboliu o subsídio estatal de combustível, os preços subiram imediatamente até 750 vezes (Sic!)
Taxa do câmbio paralelo: 1 dólar vs milhões de bolívares
O ex-motorista de autocarro/ônibus, Maduro, prometeu aumentar o salário mínimo em 35 vezes, o que significará apenas, que em vez de ir às compras com um saco, os cidadãos terão que levar a mochila ou uma carrinha de mão, igual à que são usadas nas obras de construção civil nos países pobres.
Chávez deixou o poder quando 1 dólar valia no mercado paralelo cerca de 15-20 bolívares. Em apenas cinco anos da presidência atual, a moeda nacional venezuelana já se desvalorizou 300.000 vezes (Sic!). Naturalmente, Maduro não é o culpado primordial, pois como dizia a saudosa Margaret Thatcher: “O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.
O socialismo bolivariano apostou em franjas mais lumpen da sociedade venezuelana, comprando a sua lealdade em forma de diversos subsídios. Uma decisão até que de certa forma sábia, pois dessa maneira os mais marginalizados continuavam na absoluta miséria, e seguramente, sempre votando no partido e no regime que lhes garantia os seus subsídios. Diferentemente do aumento salarial, quando a classe média, começa exigir as mudanças reais, fim (ou ao menos diminuição) da corrupção ou aplicação dos princípios da boa governação. Mas assim, quando subsídio acaba – acaba a lealdade.
Os cidadãos venezuelanos fogem do país em massa, os países vizinhos introduzem ou ponderam a introdução de medidas para limitar a entrada destes mesmos refugiados, em alguns casos, como no caso brasileiro, já foram registados os confrontos entre os refugiados e a população local. A explosão social venezuelana sempre irá atingir os seus vizinhos continentais, na maior proporção, quando mais tempo a região irá tolerar o regime bolivariano nas suas portas.
A comunidade internacional está ocupada: a União Europeia não sabe o que fazer com os seus próprios refugiados e com problemas económicos na sua periferia sul; a ONU está habitualmente dormindo; os vizinhos latino-americanos estão em processos de grande turbulência económica e social. Os EUA aparentemente não estão interessados em entrar “no barulho”, pelo menos, por enquanto, embora a sua decisão pode mudar de um momento para outros, devido à grande instabilidade da sua administração presidencial e naturalmente, para defender os ativos das empresas americanas, nacionalizadas pelo regime bolivariano desde 2007.

ConocoPhillips recupera o seu investimento na Venezuela

Nesta segunda-feira, dia 20 de agosto à americana ConocoPhillips informou que a empresa estatal petrolífera venezuelana Petróleos de Venezuela, S.A. (PDVSA) pagará à contraparte americana 2 biliões de dólares pela nacionalização dos seus ativos em 2007. O primeiro pagamento no valor de 500 milhões de dólares terá que ser efetuado dentro de 90 dias, o restante valor sera amortizado durante 4,5 anos. Os detalhes do acordo são confidenciais.
Em 2007 o presidente da Venezuela Hugo Chevéz assinou o decreto da nacionalização de jazigos de petróleo no delta do rio Orinoco (nomeadamente os investimentos de ConocoPhillips em projetos de petróleo pesado em Hamaca e Petrozuata, além de outros medidas de expropriação). Decreto previa que as empresas estrangeiras sejam forçadas à vender à PDVSA não menos de 60% de sua participação nestes projetos. As americanas ConocoPhillips e ExxonMobil se recusaram à entrar no esquema e viram os seus projetos nacionalizados. ConocoPhillips recorreu aos tribunais internacionais, nomeadamente à Câmara Internacional do Comércio (ICC), que em abril de 2018 acordou que a PDVSA deve pagar à empresa cerca de 2 biliões de dólares. Em maio de 2018, os tribunais das ilhas holandesas, Curaçãu, Bonaire, Sint Eustatius e Aruba decidiram a congelação dos ativos da PDVSA, que usava os portos, fábricas de processamento e sistemas de armazenamento destas ilhas.
Mais uma vez, o socialismo bolivariano durou até acabar o dinheiro dos outros...

domingo, agosto 05, 2018

Apenas dois drones colocam exército venezuelano em fuga

O ditador da Venezuela – Nicolás Maduro sobreviveu o ataque de dois drones. Mas o mais caricato é ver o seu exército em fuga, uma pequena amostra o que acontecerá no momento em que o seu regime colapsar, informou a BBC.


As autoridades venezuelanas dizem que os drones explodiram quando Nicolás Maduro fazia o discurso televisionado ao vivo em Caracas, por ocasião do 81º aniversário do exército venezuelano. Mais de uma centena de militares foi vista à fugir do local, antes que a transmissão televisiva fosse interrompida.
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Um pequeno aviso muito semelhante que o destino ofereceu ao ditador romeno – Nicolae Ceauşescu em dezembro de 1989, e que este também não entendeu. Os ditadores são assim mesmo, só começam à entender as coisas quando são levados ao local da execução.

sexta-feira, julho 27, 2018

Criptodólares para a ditadura bolivariana

A moeda venezuelana chegou ao seu novo “recorde”, um dólar americano vale mais de 4 milhões de bolívares e o presidente venezuelano Maduro anunciou a denominação da moeda nacional. O atual bolívar “perderá” cinco zeros e será indexada à criptomoeda venezuelana chamada Petro.

A inflação deste ano é esperada ao nível de um milhão por cento por ano. Em janeiro de 2018, no mercado paralelo o dólar valia um pouco mais de 100 mil bolívares. Nestas condições a economia se transforma em pura ficção, o dinheiro deixa de desempenhar o seu papel e perde qualquer valor.

No entanto, a denominação só faz sentido quando a queda da moeda nacional e a inflação selvagem, forem estagnadas, algo que não acontece na Venezuela atual. Mais, a criptomoeda estatal venezuelana Petro está por sua vez indexada ao custo do petróleo venezuelano. Formalmente 100 milhões de tokens correspondem ao valor de 5,3 mil milhões de barris de petróleo venezuelano, que está indexado (embora de forma indirecta) ao câmbio do dólar americano, dado que os preços do petróleo são cotados em dólares.

A indústria petrolífera venezuelana está numa crise gravíssima, a empresa estatal de petróleo PDVSA já é incapaz de realizar a entrega dos volumes previamente contratados, a OPEP está estudar seriamente a divisão da quota da Venezuela devido ao colapso da indústria petrolífera do país. Hoje em dia, a Venezuela possui apenas um único produto estável no mercado – a cocaína colombiana, cujo trânsito pelo território do país é controlado pelo seu exército revolucionário, que é essencialmente é um cartel militarista estatal de droga. Naturalmente, por razões políticas, Venezuela não poderá criar a criptomoeda nacional, indexada ao custo da cocaína.

O governo socialista bolivariano levou a situação económica, social e política à uma crise insolúvel sem precedentes. Devido à sua incompetência socialista e por enriquecimento pessoal dos seus dirigentes. Na sua forma atual, o regime da Venezuela já não tem nenhuma solução, o país precisa começar a reforma profunda do todo o sistema de poder e da administração estatal. Algo que dificilmente poderá acontecer sem um Maydan, dado que o exército, simplesmente não entregará o poder à oposição democraticamente eleita, pois isso levará ao colapso da liderança do exército que criou um esquema de negócios de transporte de droga da região ao mundo exterior.
Aparentemente, a atual liderança americana não estará disposta à interferir nos processos em curso, embora não é de excluir a intervenção regional – possivelmente do Mercosul para assumir o controlo dos objetos da indústria petrolífera, impedir a desintegração do país, evitar o caos nas fronteiras e impedir a onda de refugiados. Os tempos extremamente difíceis esperam por Venezuela e os venezuelanos. Como dizia a saudosa Margaret Thatcher: “o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.

segunda-feira, julho 09, 2018

As vitórias e recordes de Venezuela bolivariana (2)

No dia 8 de julho de 2018 o câmbio do bolívar venezuelano chegou aos 3,5 milhões de bolívares (Sic!) por 1 (um) dólar americano. Um mês atrás 1 dólar valia 1,4 milhões, um ano atrás – 6.200 e em 2014 – 70 bolívares.

A economia socialista bolivariana está entrar em colapso. O regime do ex-motorista de autocarro/ônibus é marcado pelo roubo desenfreado, incompetência aguda e “solidariedade internacionalista” da pior espécie. O regime que não vê inconvenientes em fazer negócios de droga, praticamente deixou de ter a capacidade de controlar a situação interna.

O regime venezuelano está enfrentar vários cenários possíveis: a queda do regime no âmbito de uma revolução popular (uma espécie do Maydan venezuelano) – que poderá levar à guerra civil (devido à posição privilegiado do exército, que controla o trânsito de cocaína de Colômbia e não estará disposto de abdicar deste privilégio), com a possibilidade de intervenção estrangeira e até de ocupação temporária do país. Outro cenário é a tentativa de proclamação da ditadura comunista, que, em teoria, permitirá ao regime bolivariano de se manter no poder. E que, por sua vez, poderá levar à um levantamento popular mais violento, onde Maduro seguramente seguirá o caminho dos Ceauşescu e Gaddafi.
Nicolae Ceauşescu horas antes de ser executado pelo pelotão de pára-quedistas voluntários
Os membros da OPEP já está à dividir as quotas da Venezuela. O atraso da entrega do crude aos compradores já está chegar à alguns meses. Muito possivelmente ao curto prazo o país não terá a capacidade de honrar os seus compromissos anteriormente assumidos. A crise não permite comprar materiais e equipamentos necessários para execução dos trabalhos de manutenção (situação crónica que já se manifesta por vários anos). No caso de quotas venezuelanas serem completamente divididas entre os seus concorrentes, os seus clientes irão reprogramar os seus equipamentos de destilação do petróleo para outros tipos de crude. O que, em teoria, levará ao fim muito rápido da economia venezuelana e de entrada do país num dos cenários possíveis, descritos acima.

quarta-feira, abril 18, 2018

A prostituição russa: beleza, solidão e Donbas em 10 fotografias (+16)

Três milhões de mulheres se dedicam à prostituição, é o saldo estatístico sobre o comércio sexual na Rússia. A fotógrafa frilancer russa Tatiana Vinogradova penetrou na intimidade das casas de dez prostitutas para fotografá-las ao natural e conhecer as suas histórias individuais.

por: Rodrigo Ayala Cárdenas, Culturacolectiva.com

Isto apela aos visitantes desta nação euro-asiática, que são atraídos pela possibilidade de ver, tocar e intimar com algumas das mulheres que, devido à pobreza que assola certas áreas deste imenso país, dedicam-se a uma prática ilegal. A Rússia é popular por causa da beleza exótica de suas mulheres loiras com pele leitosa, olhos azuis ou verdes e corpos esguios, uma imagem idílica que nem sempre corresponde à realidade.
Tatiana Vinogradova entrou na intimidade das casas de dez prostitutas para fotografá-las ao natural e conhecer as histórias individuais. Ela é uma fotógrafa freelancer radicada em São Petersburgo, que foi atraída pela vida secreta dessas mulheres e suas razões para se dedicarem a um comércio tão antigo, perigoso e difícil.
Cada imagem mostra a vulnerabilidade dessas mulheres de diferentes aparências, idades e personalidades. Mas o que é realmente angustiante e comovente, que se esconde por trás de seus corpos nus são as necessidades que as levaram a se enveredar por um ofício, controverso para alguns.
A história de Vera, de 45 anos e moradora de São Petersburgo, é uma prova clara da dureza da vida e dos esforços de uma mãe para ajudar os seus filhos. Ela trabalhou por 20 anos como cozinheira e depois como chefe de obras. Quando seu filho foi diagnosticado com esquizofrenia, seu mundo virou de cabeça para baixo. Uma mãe solteira com um salário insuficiente para pagar medicação e tratamento adequado, ela decidiu tentar a sorte em uma sauna pública que oferecia serviços sexuais aos seus clientes.
Uma infância dolorosa em que sua mãe a maltratou física e psicologicamente, e um casamento fracassado que terminou depois de oito anos de convivência, fizeram com que Vera pensasse na vida como numa luta constante. Ela vê seu trabalho da seguinte maneira: Os homens só precisam de sexo e eu preciso de dinheiro.
Este tipo de histórias de magnitude social trágica e dolorosa se opõem àquelas mais escandalosas que também envolvem prostitutas: em 2017, o presidente russo Vladimir Putin, falando de um escândalo envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, referiu-se a ao facto do seguinte modo: «Estava relacionado com as mulheres mais belas do mundo. Eu tenho dificuldade em imaginar que ele correu para um hotel para se encontrar com as nossas meninas de baixa responsabilidade social. Sem dúvida, eles são as melhoras do mundo, mas duvido que Trump caia nisso.


O evento mencionado foi aquele em que, de acordo com um espião britânico, Trump contratou os serviços de várias prostitutas em Moscovo para urinar na cama de uma habitação em que Barack Obama e sua esposa Michelle haviam ficado alojados durante a sua visita à Rússia em 2009.

É comum ver que as russas trabalharem como prostitutas, porque a situação económica às vezes não é muito boa e são os turistas que gostam de nos visitar. Somos uma atração e uma fantasia ao mesmo tempo. No meu caso, recebi 2.000 rublos (cerca de 60 dólares) pelos meus serviços e todos os turistas pagam sem problemas, diz Olga Kyliuchenko, trabalhadora do sexo numa boate conhecida de Moscovo.

No entanto, a prostituição em São Petersburgo é algo com muita história, que data de meados do século XIX. Foi em 1844 que foram estabelecidas as normas policiais e sanitárias para que a prática da prostituição se daria em condições ótimas, tanto para as mulheres como para aquelas que as procuravam. Havia matronas em cada bordel que se dedicavam à administração monetária e de saúde de suas funcionárias, que, na maioria dos casos, recebiam pagamentos miseráveis.
As prostitutas do império russo que passavam os controlos sanitários e pertenciam à folha de pagamento de um bordel obtinham um cartão amarelo para trabalhar livremente e protegidas por lei.

O escritor russo Alexandre Kuprin descreve, no seu conto [de suspense e espionagem] Stabscapitão Rybnikovum bordel da época, de seguinte forma: Aquele lugar era algo entre um bordel caro e clube chique: tinha uma entrada elegante, um urso empalhado na sala de espera, tapetes, cortinas de seda, lâmpadas em forma de teia de aranha e serventes de fraque e luvas. Lá os homens chegaram ao fim da noite quando os restaurantes fechavam. Naquele lugar se jogavam cartas, havia vinhos caros e sempre havia um grande estoque de mulheres bonitas e frescas, que eram mudadas com frequência.

[A foto de moça deitada no sofá com tapete barato com leopardos, ganhou o 3º prémio na nominação “Histórias fotográficas”, na categoria “Pessoas” no concurso de World Press Photo 2018.
Menina se chama Aliona e é natural de Donetsk. Cresceu no orfanato e quando começou a guerra russo-ucraniana, recebeu a proposta, de se mudar para São Petersburgo e se tornar a administradora, uma espécie de matrona, num prostíbulo ilegal local. Aliona, possivelmente, achou que não perderia nada em sair de Donbas e viajou ao São Petersburgo, onde rapidamente descobriu que foi enganada, obrigada à vida de uma simples trabalhadora de sexo. Nesta situação ela foi retratada pela Tatiana Vinogradova.


Caso absolutamente triste, se considerarmos a situação através do destino separado de uma pessoa singular. Mas na verdade, é uma ilustração diabolicamente precisa dos habitantes de Donbas (sem generalizar, claro) e da Rússia. Venha, Donbas, você será o administrador, você irá administrar outras prostitutas. Você é tão forte, Donbas, ninguém te coloca de joelhos, Donbas, você não faz promessas vazias, Donbass. E no final, claro, comem o seu cú ou a sua bunda].

Na sua série fotográfica Girls/Meninas, Tatiana Vinogradova trocou os bordéis das tapeçarias de veludo e das fragrâncias sufocantes do século XIX pelas casas onde essas mulheres vivem, que são o motivo de suas imagens. Todas elas foram expostas não apenas às lentes de uma câmara, mas às inclemências de uma ocupação que, na maioria dos casos, é exercida por uma necessidade angustiante.

Bónus
Foto do ano de World Press Photo: o manifestante José Victor Salazar Balsa – participante da ação de protesto contra o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, em Caracas, em 3 de maio de 2017 – em chamas. Foto @Ronaldo Schemidt / AFP