sexta-feira, outubro 12, 2018

Brasil: Bolsonaro – sim! comunismo – não!

A história dessa foto, tirada em 3 de março de 2018, no Aeroporto Internacional de Dubai nos Emirados Árabes Unidos.

Estava retornando de viagem da Tailândia para Brasil – partindo de Bangkok [Banguecoque] para São Paulo com conexão em Dubai, quando minha esposa me chama atenção que um homem sentado no chão do aeroporto parecia com o Bolsonaro, olhei e falei pra minha esposa é o Bolsonaro sim, achei incrível encontrar o Bolsonaro em Dubai, mais incrível ainda sentado no chão do aeroporto, me dirigi a ele e falei brincando, “cara que vc esta fazendo em Dubai sentado no chão?”
Ele de forma muito simples e simpática disse que estava fazendo conexão também de uma viagem à Ásia para conhecer experiências nesses países para aplicar no Brasil, perguntei a ele se estava viajando sozinho, disse que com seu filho Eduardo, perguntei só vcs dois ele disse sim, achei incrível, como vai conseguir ser eleito Presidente dessa forma, sem nenhum assessor, com essa simplicidade toda, conversei com Bolsonaro por 20 minutos sentado com ele no chão do aeroporto, íamos embarcar no mesmo voo da Emirates para São Paulo, me despedi de Bolsonaro e fui embarcar um voo de 14 horas.

Estou no meu assento, na classe econômica, e olho para o lado e vejo Bolsonaro sentado 5 poltronas [em frente] do meu assento junto com seu filho, falei comigo mesmo, inacreditável um candidato à presidência do Brasil, sentado no chão do aeroporto, conversar comigo por 20 minutos e vir na classe econômica num voo de 14 horas, tomara que seja eleito Presidente do Brasil.

“O Brasil acima de tudo e
Deus acima de todos”.

Publicado em Goias é Bolsonaro, preservado no seu original, em termos do léxico e da ortografia.

Folha de São Paulo visita “mansão” de Jair Bolsonaro em Angra dos Reis:

quinta-feira, outubro 11, 2018

Igreja Ortodoxa da Ucrânia recupera a sua independência lhe retirada em 1686!

O Sínodo da Igreja Ecuménica Ortodoxa, na sua sessão regular dos dias 9 à 11 de outubro, discutiu a questão eclesiástica da Ucrânia e na sequência das deliberações extensas decretou à concessão da Autocefalia à Igreja da Ucrânia; restabelecimento do Patriarcado Ecuménico em Kyiv; fim do anátema dos patriarcas ucranianos e fim da dependência do Patriarca da Ucrânia ao patriarcado russo.

O Sínodo da Igreja Ecuménica Ortodoxa, decidiu nomeadamente:

1) Renovar a decisão já tomada de que o Patriarcado Ecuménico proceda à concessão da Autocefalia à Igreja da Ucrânia.

2) Restabelecer, neste momento, a Estauropegião [o estatuto mais alto de independência] do Patriarcado Ecuménico em Kyiv, uma de suas muitas Estauropegias na Ucrânia que sempre existiram lá.
O retrato do Patriarca Filaret (com a sua bênção) por Olena Bilozerska
3) Aceitar e rever as petições de recursos de Filaret Denysenko [Patriarca da Igreja ortodoxa da Ucrânia – Patriarcado de Kyiv], Makariy Maletych [Patriarca da Igreja Autocéfala Ortodoxa da Ucrânia] e dos seus seguidores, que se encontravam em Cisma não por razões dogmáticas, e de acordo com as prerrogativas canónicas do Patriarca de Constantinopla para receber tais pedidos pelos hierarcas e outros clérigos de todas as Igrejas Autocéfalas. Assim, os supracitados foram canonicamente reintegrados ao seu nível hierárquico ou sacerdotal, e os seus fiéis foram restaurados à comunhão com a Igreja.

4) Revogar a ligação jurídica da Carta sinodal do Ano 1686, emitida no âmbito das circunstâncias da época, que concedeu o direito, através de oikonomía [comunhão], ao Patriarca de Moscovo para ordenar o Metropolitano de Kyiv, eleito pela Assembleia dos clérigos e leigos de sua paróquia, que homenagearia o Patriarca Ecuménico como o Primeiro hierarca em qualquer celebração, proclamando e afirmando a sua dependência canónica à Igreja Matriz de Constantinopla.

5) Apelar à todas as partes envolvidas que evitam a apropriação de igrejas, mosteiros e outras propriedades, bem como [se abstenham] de todos os outros atos de violência e de retaliação, de modo que prevalecerão a paz e o amor de Cristo.

[Feito] no Patriarcado Ecuménico, 11 de outubro de 2018
Do Secretariado Principal do Santo e Sagrado Sínodo

Ler original desta decisão em inglês e grego; a sua tradução ucraniana
Ler mais
Blogueiro: a decisão do Sínodo da Igreja Ecuménica Ortodoxa na sua importância supera qualquer outra decisão tomada pela Ucrânia ou em relação à Ucrânia desde 1991. A decisão acaba com o ciclo da dependência eclesiástica da Ucrânia em relação ao Moscovo que durou 332 anos (!) A decisão restabelece a plena independência eclesiástica da Ucrânia e rompe, definitivamente, as teias daquilo, que em pleno Maydan de 2004, o estrategista russo Marat Guelman classificou de “o nosso recurso de influência, que tivemos desde sempre – a Igreja Ortodoxa da Ucrânia – Patriarcado de Moscovo. [...] O elemento importantíssimo da influência legitima pró – russa na Ucrânia”.

quarta-feira, outubro 10, 2018

Energia solar e Real Madrid descobrem o potencial da Ucrânia

No distrito ucraniano de Kamyanets-Podilskiy foi montada a estação de geração de energia elétrica, que usa as placas fotovoltaicas, a estação ocupa o espaço de 110 ha, escreve a blogueira e fotógrafa ucraniana Iryda Pustynnikova.
Dado que a atual potência máxima das placas solares é de cerca de 150 W/m², então os 110 ha geram cerca de 165 MW (valor aproximado). Tendo em conta que 1 MW é suficiente para iluminar cerca de 1.000 casas ou 2.000 apartamentos, podemos chegar a simples conclusão de que 165 MW são suficientes para as necessidades de cerca de 165.000 casas ou 330.000 apartamentos. Ou seja, o resultado é nada mal!

A primeira estação de energia solar em Chornobyl
fotos: Stepan Franko / EPA
Na zona de exclusão de Chornobyl, no último dia 5 de outubro de 2018 foi colocada em funcionamento a estação de energia solar, localizada em frente ao antigo 4º reator, que explodiu em 1986 e que em 2017 foi coberto por um novo sarcófago.
fotos: Stepan Franko / EPA
O complexo com a capacidade de 1 MW pertence à empresa ucraniana Solar Chernobyl LLC, um projeto conjunto dos ucranianos de Rodina EG e da alemã Enerparc AG, que custou cerca de 1 milhão de euros.
fotos: Stepan Franko / EPA
Ao mesmo tempo, a área de exclusão permanecerá restrita às pessoas por cerca de 24.000 anos, informa BBC, citando uma declaração das autoridades ucranianas. Este tempo será necessário para a meia-vida de isótopos de plutónio.

“Real Madrid” abre sua academia juvenil na Ucrânia

O ex-jogador do Real Madrid, Álvaro Arbeloa, ligado ao clube madrileno através da Fundação Real Madrid, informou sobre a abertura da academia juvenil na cidade ucraniana de Ternopil (primeira na Ucrânia), usando para isso a sua conta de Instagram, no passado dia 8 de outubro de 2018.
Foto: instagram do Álvaro Arbeloa
Álvaro Arbeloa escreveu em espanhol e inglês:

Hoje tive a oportunidade de assistir à inauguração de uma nova escola da Fundação Real Madrid. Esta será a primeira na Ucrânia e beneficiará mais de 200 crianças vulneráveis. É um grande orgulho ver de perto como o #RealMadrid está trabalhando com milhares de crianças em todo o mundo.

Obrigado ao Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia por participar neste evento e a todas as pessoas e entidades que tornaram possível este maravilhoso projeto.

Blogueiro: três notícias importantes (cada uma à sua maneira) que seguramente não tiveram destaque nem na imprensa ucraniana (“desencantada” com o presidente Poroshenko), nem na imprensa internacional, naturalmente interessada em todo o tipo de notícias negativas (em relação à todos os países do mundo, não necessariamente à Ucrânia).

Obrigado ao Pavló Klimkin, um dos melhores ministros do atual governo ucraniano, o ministro que “não dorme” e que está conseguir (com ajuda de todos) as pequenas vitórias diárias, que beneficiam Ucrânia e ucranianos e que são ignoradas pela imprensa. Ucraniana ou internacional. Muito felizmente, hoje em dia temos os blogues)

Os propagandistas russos aos “voluntários russos” no leste da Ucrânia: voltem para casa!

Nas últimas semanas diversos propagandistas russos divulgaram apelos aos “voluntários russos” na Donbas para regressarem à casa. O vídeo que se segue foi gravado e difundido pela cidadã e propagandista russa Anastasiya Babir (1981) e no seu essencial afirma: “ninguém apreciará as vossas ações [...] vocês morreram por nada”.

A propagandista, ex-«Miss Kursk-2000» e ex-«Melhor corpo do Moscovo-2004», conhecida entre os separatistas de Donbas e entre os terroristas russos pelo seu nom de guerre de “Sova” (Coruja) gravou recentemente e colocou nas redes sociais um apelo “aos rapazes voluntários russos”, para que estes regressem à Rússia.

Seguem os pontos mais importantes do «seu» apelo (um texto escrito por algum especialista em RP/PR, com várias mensagens subliminares fortes e bastante apelativas, alias, nessa imagem se vê que a propagandista lê o texto que está imediatamente abaixo do alcance da câmara):
Ver vídeo na Facebook
Nos próximos 10 anos certamente nada irá melhorar, está decorrer a recessão...
Não há nenhumas premissas para as melhorias...
Por favor, encontrem as vossas forças interiores e vão embora...
Tenho pena do vosso futuro, do vosso tempo...
Aqui (olhem à vossa volta) ninguém apreciará as vossas ações...
Não apreciará aquilo porque vocês agora estão aqui, isso ao mínimo.
Ao máximo, haverá mais mortes, e haverá certamente...
Já morreram bastantes nossos rapazes russos que vieram para cá...
E eu não gostaria de saber que morreu mais alguém [...] ou que os vossos familiares, que permanecem lá na Rússia entendessem claramente que vocês morreram por nada...
Combater, essencialmente, já não há por que...
Quero por isso simplesmente salvar as vossas vidas...

Blogueiro: naturalmente Babir “Sova” não gravou este vídeo por sua espontânea e livre vontade. As ditas “repúblicas populares”, as “lnr/dnr” são duas organizações terroristas e qualquer ação deste tipo, não autorizada, levaria o seu autor às masmorras e às torturas da secreta separatista “mgb”. Como tal, ação da “Sova” e de outros propagandistas russos só pode ser entendida como a tentativa do Kremlin de tentar “baixar o grau” de confrontos na Donbas, para eventualmente conseguir devolver a região à Ucrânia, naturalmente, sempre na tentativa de transformar a região no travão do desenvolvimento ucraniano, na força de bloqueio que tentará atrasar ou impossibilitar a entrada do país na NATO e na UE.

Mas como a constatação da pura verdade, o apelo até é bonito: “ninguém apreciará as vossas ações [...] vocês morreram por nada”.

Bónus

Na primeira foto aparecem os militares russos, capturados pelas forças ucranianas na batalha de Ilovaysk em agosto de 2014. Uma parte deles, morreu devido aos bombardeamentos russos, quando o exército russo alvejou as forças ucranianas que se retiravam do cerco de Ilovaysk, através do “corredor verde”, passagem supostamente segura, garantida pela “honra militar” dos oficiais russos...
 

segunda-feira, outubro 08, 2018

Conferência internacional “Fomos mortos por sermos ucranianos” (em Lisboa)

No dia 12 de outubro,  às 10h00 e às 13h00 na sala de conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, na Alameda da Universidade, 1600-214, em Lisboa, Portugal, decorrerá a Conferência internacional dedicada à problemática do Holodomor ucraniano.

O filme documental ucraniano “Zhorna” (| Stone Mill) é dedicado a tragédia do Holodomor de 1932-1933 na província ucraniana de Kharkiv. No filme falam apenas os velhos – eram crianças naquela época. Nenhuma voz-off. Nenhum comentário ou resumo. Nenhuma politiquice. Apenas as memórias e citações dos documentos de arquivo.

“… Quando o Victor morreu eu me lembro bem. Mamã cozinhava a batata na caçarola, já era a primavera. A batatinha era pequenina, acabou de brotar, do tamanho de ovo de uma pomba. Água quase ferveu, já se levantou a espuma. Victor estava deitado e toda a hora dizia: “Mamã, quero comer, mamã, quero comer”. Ela lhe respondeu: Vitinho, agora vai ferver e eu trago. Mais um minutinho… Trouxe, mas ele já tinha morrido… Mãe repetia toda a sua vida: “se eu trazia dois minutos mais cedo, Victor estaria vivo”…

Ver o filme no YouTube (80'23'', legendado em inglês):

sábado, outubro 06, 2018

GULAG: o sistema de campos de concentração do regime comunista soviético

O entomologista e melitologista russo Viktor Grebennikov foi um dos prisioneiros dos campos de concentração comunistas, ele publicou as suas memórias e desenhos. O GULAG comunista em nada diferia dos campos nazis — os nazis queimavam as pessoas nos crematórios e os comunistas — atiravam os corpos dentro de minas abandonadas ou os enterravam nas valas comuns anónimas.

Viktor Grebennikov entrou no GULAG soviético aos 20 anos, presenciando todos os horrores dos campos comunistas na sua própria experiência – em 1947, e para não morrer de fome, ele falsificou um talão de racionamento. Foi apanhado, julgado como “inimigo político do Estado” e enviado para GULAG por 20 anos. Inicialmente trabalhou na mina de cobre de Karabash, em poucos meses se transformou num “acabado”, após disso foi admitido na unidade “cultural e educacional” do seu campo, para produzir a propaganda visual – o que salvou a sua vida. Viktor passou seis anos no GULAG e foi libertado, com a remoção completa das acusações, em 1953, após a morte do Estaline.

Em liberdade Victor Grebennikov tornou-se um conhecido entomologista, especialista em reprodução e proteção dos insetos, e durante algum tempo dirigiu a escola de arte para as crianças.

Mas até o fim de seus dias, Victor era atormentado por pesadelos do GULAG, ele sonhava, de forma recorrente – que polícia secreta soviética o prende à noite [como era a prática recorrente do NKVD-MGB], e o leva de volta aos campos de concentração para “servir” os restantes 14 anos da sua pena “estalinista”. No fim da URSS Victor publicou as memórias e desenhos, que mostram o GULAG soviético por dentro, visto pelas suas vítimas, na sua maioria pessoas completamente inocentes.

Auto-retrato e «Minhas Universidades»

Neste auto-retrato Victor Grebennikov tem 22 anos, ele escreveu: 

«Agora tenho 61 anos, mas ainda duas ou três vezes por semana tenho sonhos terríveis com detalhes naturalistas: os tempos mudaram, fui levado à cumprir os meus 14 anos “estalinistas” e estou novamente no GULAG, na etapa ou transferido entre os campos. Tudo isso — vividamente, super-real, com um anseio terrível e desesperado por filhos, netos, coisas inacabadas, livros inacabados, tristeza por todos os infelizes, mais uma vez impelidos por novos déspotas atrás do arame farpado, estes pesadelos me impedem de trabalhar, de concentrar-se e eu vivo por muito tempo nestes dois mundos simultaneamente – atual e GULAGianao”.

O mapa dos campos do GULAG que Victor chamou com a triste ironia de “Minhas Universidades” [em alusão ao livro homónimo do Maksim Gorki].
1. Miass, 1947. Tenho 20 anos. A prisão. “Celas da Detenção Preliminar” (KPZ), os primeiros horrores prisionais.
2. Zlatoust, 1947-1948. Uma das maiores e piores prisões da URSS. A investigação. A sessão externa do tribunal regional: 20 anos de campos de concentração. Etapa para a cidade de Chelyabinsk.
3. Chelyabinsk. 1948. Transferência entre os campos. Eu já sou um “acabado”, quase morto, espiritualmente quebrado.
4. Karabash, 1948–1950. Campo: o comandante é major Durakov (literalmente tolo, estúpido), um monstro sádico. Os criminosos comuns e os prisioneiros do artigo 58º (políticos), 1000-1200 pessoas. Minas de cobre, mineração de turfa, carreira de cal, carpintaria. Depois de um curto período de tempo parei no “campo zero” – praticamente a morte certa (as zonas fechadas em Karabash permaneceram ativas até o fim da URSS, não se sabe como estão agora).
5. Kyshtym, 1950–1951. Campo: cerca de 800 «inimigos do povo» e criminosos comuns. Transbordo do minério e do cobre da bitola estreita para a larga. Trabalho como pintor na unidade “cultural e educacional”.
6. Uvildy. 1951–1953. Campo: cerca de 1000 prisioneiros, políticos e criminosos comuns. Comandante – major Lavrov (um pessoa nada má – um caso raro). Trabalhos de construção civil, na fábrica de grafite, outras unidades, no abate de madeira. Sou um pintor, um topógrafo. Morreu Estaline, e no verão mais feliz de 1953, estou livre.
7. Odlyan – campo para jovens. De lá, até os campos de adultos regularmente eram enviadas as gerações crescidas com uma boa “experiência”. Odlyan até hoje continua o seu terrível “trabalho” mesmo agora (referindo-se aos últimos anos da URSS).
8. Linhas de alta tensão Taiginka — Uvildy. Não suspeitava que em 1952-1953 eu erguesse com as minhas próprias mãos um monumento aos aqui detidos – a linha de alta tensão. Que este meu memorial de muitos quilómetros (em vez de cruzes – torres) fica aqui para sempre.
9. «Chelyabinsk-40» (desde 1994 a cidade se chama de Ozyorsk). Primeira na URSS fábrica da morte atómica. Diversos campos de concentração. Aqui trabalhavam os [de facto] condenados à morte.

Como realmente vivia o GULAG soviético?

«Em cada dos muitos campos do sul dos Urais, havia cerca de mil pessoas – exceto nos campos maiores. Aquele em que entrei, com o nome de gozação “1º de maio”, foi misturado: os criminosos comuns foram mantidos juntos com os prisioneiros do artigo 58º “inimigos do povo”. Poucos sobreviveram aqui. Após o primeiro, segundo mês – o campo ficava visivelmente com poucas pessoas. Os meus beliches ficavam na tal posição que, pelo canto da janela, podia-se ver como, à noite, os cadáveres eram retirados da zona em trenós, puxados por um touro negro com apenas um chifre.

O guarda que entrega os cadáveres – um punhado de quase esqueletos congelados vindos do necrotério – afasta a lona, ​​e o receptor os conta, partindo os crânios com um martelo ferroviário de cabo longo: por assegurar que ninguém saia vivo e para a facilidade de contagem. Verificando os números num pedaço de papel, saem do portão».
Nossos cadáveres são retirados do campo, perfurando as cabeças com um martelo. Karabash, 1948
«Transportavam, dessa forma não para muito longe, até o depósito velho de minério de uma mina de cobre abandonada. Assim até a próxima etapa, quando os vagões de carga, cheios de pessoas, chegavam através da bitola estreita e a zona mais uma vez ficava lotada.

Uma vez um guarda bêbado me confidenciou: receberam 14 cadáveres, mas transportaram até o destino... 13! Afinal de contas, perfuraram as cabeças de todos – onde é que os maldito zek (prisioneiro) se meteu? Acompanhantes são dois, um não confia no outro, voltaram. Fizeram metade do caminho: “aqui está ele, mardito, nu, numa vala à beira da estrada – escorregou, como um pedaço de gelo, enquanto trenó estava saltando no caminho. Ficamos encantados: partimos lhe a cabeça com força com um ferro, chegamos ao local, empurramos todos os 14 mina abaixo. Inicialmente ficamos com bastante medo, depois disso estávamos muito bem e calmos».
O “acabado” da categoria “nula”. Muitos deles ferviam o pão desfeito da sua dose diária em água salgada.
O resultado – inchaço, necrotério, o poço da mina abandonada. Karabash, 1948
«Eu sobrevivi por um milagre. Sobreviver um ano na categoria “nula” (a categoria de prisioneiros incapazes de trabalhar devido a fome e sofrimento) e não ficar no fundo da velha mina com a cabeça quebrada me ajudaram os estónios. Uma barraca estava totalmente ocupado por eles; todos eram condenados ao abrigo do artigo 58º, se mantinham juntos, unidos, e dos caçadores das encomendas de casa – “urki”, “semicoloridos”, “chacais” – se defendiam de uma maneira organizada, usando os bastões.

Eu lhes pintava os pequenos retratos a lápis, que eles conseguiam, de alguma forma, enviar para a liberdade, contornando a censura, para a sua distante Estónia. Talvez, os filhos ou netos desses maravilhosos modelos ainda mantenham os meus desenhos de GULAG. Ganhando, assim, o meu próprio pedaço de pão, eu tinha certeza de que os criminosos comuns não o tirariam: eu praticamente não saía da barraca dos estónios durante alguns meses. A distrofia “nula”, escorbuto, pelagra começaram a diminuir, a tuberculose desapareceu...»
Categoria “nula” no banho. Nós tínhamos a caudas reais – sobressaia o cóccix.
Eu conseguia fechar com as palmas das mãos a minha cintura – os dedos se tocavam. Karabash, 1948
«Outro quadro. Alinhamento, isto é, a saída até a zona para trabalhar. Os portões do campo estão abertos, atrás deles estão os guardas armados, gritos ásperos dos guardas e latidos caninos de cortar o coração. O sol baixo matinal vai dourando, de forma indiferente as montanhas, as torres e o vapor da boca das brigadas em construção. À esquerda – a nossa orquestra: trompete, trombone, acordeão, tambor, violino, o maestro-violinista era um prisioneiro idoso, o estónio Rimus, que usava pince-nez/pincenê.

De pé! Em sentido! Dar as mãos! Música! Os cinco primeiros – para frente! Woof, woof! Os cinco à seguir: Woof! uau! uau! Terceiros!... Toca a marcha, os pastores alemães latem roucamente, cinco, cinco, rapidamente, quase correndo... À direita do portão, para que todos possam ver, estão dois novos cadáveres, com grossas pontas de perfurações de AK – à queima-roupa – buracos no peito, no estômago, no rosto; acima está uma placa de contraplacado, na qual eu (já era pintor na unidade “cultural e educacional”) escrevi: “Assim será com todos que tentarem fugir”. Do lado de fora do portão, os guardas gritam ao alto a fórmula que recordo para sempre:
Ida das equipas/es aos locais de trabalho. Karabash, Chelyabinsk, 1950. Vou caminhando, como geodesista, instalar uma linha de alta tensão, entre a fábrica de grafite até o campo, escoltado, na qualidade do prisioneiro condenado à uma longa pena de prisão. Aos moços à direita, isso já não se aplica, eles são semi-libertos, Taiginka-Uvildy, 1952
— Brigada, aviso! A tentativa de fuga, o não cumprimento das exigências dos guardas no caminho e no local do trabalho, os guardas usarão armas! Passo à esquerda, passo à direita são considerados uma fuga! Sigam em frente!

— Tu, corre lá para buscar a tábua!
— Chefe, mas vais me matar...
— O que, queres eu te repetir? – e o pobre coitado, provavelmente sentindo que isso é a morte, ia até lá quase com alegria. De repente, os guardas ordenam: — Brigada, deite-se! – e uma longa rajada acima de suas cabeças com um cheiro forte de pólvora, e aquele que foi buscar a tábua – levou nas costas, na cabeça, no peito, e depois com as botas, com a coronha, com os cães... Não acho que apenas o sadismo fosse um incentivo para as execuções dos “fugitivos”, diziam que para abatido os guardas recebiam o dinheiro do Estado soviético. Seria muito necessário estabelecer agora quais dos incentivos realmente funcionavam».
Os “inimigos do povo” – os habitantes da barraca estónia. À esquerda – o violinista chamado Rimus. Karabash, 1949. Propaganda visual nos portões do campo (a placa de identificação da minha autoria). Karabash, 1949
«Desde 1948, já não fomos mais atirados/jogados em minas, mas enterrados na terra. Há minhas contribuições modestas para este procedimento triste. Produzia duas etiquetas de contraplacado para os mortos: uma letra e um número de dois ou três dígitos, uma etiqueta maior – para cavilha no cemitério, a outra com um buraco, pequeno – era amarrado, com a corda de juta, à perna do cadáver.

Em cada seção das barracas eram pendurados os “Deveres e direitos dos presos” – um terrível documento assinado pelo Ministro do Interior da URSS, Lavreniy Beria. Alguém guardou uma cópia daquele documento sinistro? Eu, recebia regularmente, do chefe da unidade “cultural e educacional” um novo conjunto de advertências, avisos e apelos do GULAG, que escrevia com a guache em letras grossas nas quatro paredes acima dos beliches superiores de cada seção. “Só pelo trabalho honesto você ganhará o direito à liberdade condicional” – isso era um escárnio, dado que as compensações (por exemplo, por cada ano e meio de GULAG, ao prisioneiro eram contabilizados dois anos, o que, por exemplo, era praticado no Kolyma para os criminosos comuns, de condenações relativamente curtas), simplesmente não eram praticadas nos Urais.
Desenho slogans na seção (quarto) de uma barraca residencial. Nossos beliches de quatro níveis; As roupas já várias vezes remendadas. Karabash, 1950. Comandante do campo major A. Durakov. Mutas vezes bêbado, e todo o caminho da latrina até a administração prisional, abotoando as calças, não conseguia as fechar. Karabash, 1949
Naturalmente não conheço nenhum único nome dos guardas sádicos. Esqueci os seus patentes, nomes dos comandantes de supervisão, do comando, dos agentes. E mesmo assim, lembro me de um deles. Este é o comandante do campo, major Durakov (literalmente tolo, bobo, estúpido; sem brincadeira, o sobrenome real), cujo hobbie era “inspecionar” os corpos dos prisioneiros abatidos em “fuga”; o meu supervisor imediato da unidade “cultural e educacional”, o 1º tenente Ryazantsev — intelectualmente limitado e mal-intencionado oficial dos quadros de Beria; dos guardas internos, os sargentos com os nomes de Stolbinsky e Haylo distinguiam-se pela crueldade e ódio aos prisioneiros».

Victor Grebennikov termina o livro de suas memórias assim

«Por que os criminosos de guerra nazis(tas) que exterminaram os soviéticos foram condenados, os ainda escondidos – são procurados, mas o comando do GULAG de Beria, dos campos, das prisões, os guardas, as escoltas, que fizeram virtualmente o mesmo em relação aos seus sofridos soviéticos, estão vivos e bem com medalhas, boas reformas? Afinal de contas, esses sátrapas estalinistas, semianalfabetos no seu passado, se escondendo por trás de jovens apoiantes e adoradores, podem se unir e causar os danos irreparáveis. Ah, como eu hoje reconheço a voz deles nas publicações de alguns jornais e revistas!

...Saindo do GULAG em 1953, eu me comprometi, por escrito, perante o estado soviético de que não revelarei tudo que passei. Fiquei em silêncio, especialmente na era Brejnev, quando o nome de Estaline novamente provocava ovações e aplausos no Palácio dos Congressos [em Moscovo], quando novamente, apareceu o legado monstruoso de Trofim Lysenko, e o povo novamente começou olhar para trás das costas e falar sussurrando. E agora, na época de Glasnost e já velho, eu me considero livre em esquecer aquela assinatura e contar tudo o que vi e presenciei, através dos meus próprios desenhos documentais».
Victor Grebennikov (1927 — 2001) | Wikipédia
Os desenhos e textos-memórias de Victor Grebennikov foram publicados, pela primeira vez, na revista soviética “Nauka e Zhizn” (Ciência e Vida) em 1990. Na Wikipédia, no artigo sobre Viktor Grebennikov, não se mencionam, nem a sua passagem pelo GULAG, nem os desenhos do GULAG por ele produzidos...

Imagens: Victor Grebennikov | Texto: Maxim Mirovich | Tradução: Ucrânia em África

Blogueiro: podemos imaginar que os apoiantes do comunismo irão dizer: “Victor Grebennikov cometeu um crime e pagou pelo mesmo”. Tal, como NKVD soviético, os comunistas atuais dividem as pessoas (os prisioneiros do GULAG) em duas categorias: “inimigos do povo” e “cidadãos socialmente próximos”. Quando um criminoso socialmente próximo rouba, mata ou estupra, os comunistas dizem que “entendem a lógico do roubo”, já sobre as vítimas do comunismo afirmam “que Estaline fuzilou é pouco”. Como sempre, os comunistas não pensam que um dia poderá chegar a sua vez...

O Senado dos EUA reconheceu Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano

O Senado dos EUA aprovou uma resolução bipartidária unânime, em que Holodomor ucraniano de 1932-1933 foi reconhecido como genocídio do povo ucraniano.

Em particular, na parte decisória do documento, está mencionado o reconhecimento pelo Senado americano das conclusões da Comissão Governamental dos EUA sobre a fome na Ucrânia (de 22 de abril de 1988) em que se diz: “Estaline e o seu circuito próximo cometeram em 1932-1933 o genocídio contra os ucranianos”.

A resolução também condena a violação sistemática dos direitos humanos, incluindo o direito à autodeterminação e liberdade de expressão cometida pelo governo soviético contra o povo ucraniano.

RESOLUÇÃO (a tradução não oficial do nosso blogue)

Expressando o sentido do Senado de que o 85º aniversário da Fome Ucraniana de 1932-1933, conhecida como Holodomor, deveria servir como um lembrete das políticas soviéticas repressivas contra o povo da Ucrânia.

Considerando que 2017-2018 marca o 85º aniversário da fome ucraniana de 1932-1933, conhecida como o Holodomor;

Considerando que, em 1932 e 1933, milhões de ucranianos morreram devido a vontade do governo estalinista totalitário da antiga União Soviética, que perpetrou a fome premeditada na Ucrânia, em um esforço para romper a resistência da nação através da coletivização e de ocupação comunista;

Considerando que o governo soviético confiscou deliberadamente colheitas de grãos e matou de fome milhões de homens, mulheres e crianças ucranianas através de uma política de coletivização forçada que buscava destruir o movimento de independência nacionalmente consciente;

Considerando que o ditador soviético Joseph Estaline ordenou que as fronteiras da Ucrânia fossem fechadas para evitar que alguém escapasse da fome causada pelo homem e para impedir a entrega de qualquer ajuda alimentar internacional que proporcionasse alívio aos famintos;

Considerando que inúmeros académicos do mundo inteiro trabalharam para descobrir a escala da fome, incluindo o especialista em cereais canadense Andrew Cairns, que visitou a Ucrânia em 1932 e foi informado de que não havia grãos “porque o governo havia coletado demasiadamente cereais e exportado para Inglaterra e Itália”, enquanto Joseph Estaline negou simultaneamente a ajuda alimentar ao povo da Ucrânia;

Considerando que quase um quarto da população rural da Ucrânia morreu ou foi forçada ao exílio devido à fome induzida, e toda a nação sofreu com as consequências da fome prolongada;

Ao passo que correspondentes notáveis da época foram refutados por sua coragem em descrever e relatar a fome forçada na Ucrânia, incluindo Gareth Jones, William Henry Chamberlin e Malcolm Muggeridge, que escreveram: “Eles [os camponeses] dirão que muitos já morreram de fome e muitos morrem todos os dias; que milhares foram mortos pelo governo e centenas de milhares exilados... ”;

Considerando que o Título V do Departamento de Comércio, Justiça e Estado, o Poder Judiciário e a Lei de Apropriações de Agências, 1986 (Lei Pública 99-180; 99 Estatística. 1157), sancionada em 13 de dezembro de 1985, estabeleceu a Comissão da Fome na Ucrânia para “conduzir um estudo sobre a fome ucraniana de 1932–1933, a fim de expandir o conhecimento mundial sobre a fome e fornecer ao público americano uma melhor compreensão do sistema soviético revelando o papel soviético”;

Considerando que, com a dissolução da União Soviética, foram disponibilizados documentos de arquivos que confirmaram a natureza letal deliberada e premeditada da fome e que expuseram as atrocidades cometidas pelo governo soviético contra o povo ucraniano;
"SOVIET GENOCIDE IN THE UKRAINE" By Raphael Lemkin (1953), em 28 línguas
Enquanto Raphael Lemkin, que dedicou sua vida ao desenvolvimento de conceitos e normas legais para conter as atrocidades em massa e cuja incansável defesa influenciou as Nações Unidas em 1948 a adotar a Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, escreveu um ensaio em 1953; intitulado “Genocídio soviético na Ucrânia”, que destacou o “exemplo clássico do genocídio soviético”, caracterizando-o “não apenas como um caso de assassinato em massa [mas como] um caso de genocídio, de destruição, não apenas de indivíduos, mas de uma cultura e uma nação”;

Considerando que a lei da Ucrânia № 376-V “Sobre o Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia” de 28 de novembro de 2006, deu reconhecimento oficial ao Holodomor como um acto de genocídio contra o povo ucraniano;

Considerando que o presidente George W. Bush sancionou a Lei Pública 109-340 em 13 de outubro de 2006, autorizando o governo da Ucrânia a “estabelecer um memorial em terrenos federais no Distrito de Colúmbia para homenagear as vítimas do genocídio da fome ucraniana de 1932 - 1933”, que foi oficialmente inaugurado em novembro de 2015;

Considerando que o Governo da Ucrânia e as comunidades ucranianas nos Estados Unidos e em todo o mundo continuam seus esforços para garantir uma maior conscientização e compreensão internacional da tragédia de 1932-1933; e

Considerando que as vítimas do Holodomor de 1932-1933 serão recordados pelas comunidades ucranianas em todo o mundo, e na Ucrânia, até novembro de 2018: portanto, agora seja

Decidido, que o Senado—

(1) recorda solenemente o 85º aniversário do Holodomor de 1932-1933 e estende suas mais profundas condolências às vítimas, sobreviventes e famílias desta tragédia;

(2) condena as violações sistemáticas dos direitos humanos, incluindo a liberdade de autodeterminação e a liberdade de expressão do povo ucraniano pelo governo soviético;

(3) reconhece as conclusões da Comissão sobre a Fome da Ucrânia, conforme submetido ao Congresso em 22 de abril de 1988, incluindo que “Joseph Estaline e o seu circuito próximo cometeram genocídio contra os ucranianos em 1932-1933”;

(4) encoraja a disseminação de informações sobre o Holodomor de 1932-1933, a fim de ampliar o conhecimento do mundo sobre esta tragédia provocada pelo homem; e

(5) apoia os esforços contínuos do povo da Ucrânia para trabalhar no sentido de assegurar os princípios democráticos, uma economia de mercado livre e o pleno respeito pelos direitos humanos, a fim de permitir à Ucrânia atingir o seu potencial como parceiro estratégico importante dos Estados Unidos naquela região do mundo e refletir a vontade de seu povo.

sexta-feira, outubro 05, 2018

Estreia do filme ucraniano CYBORGS em Lisboa

No próximo dia 12 de outubro, às 18h00, no Cinema City Alvalade em Lisboa será exibido o filme ucraniano “CYBORGS” (Ciborgues), dedicado à defesa do Aeroporto de Donetsk (DAP), que durou 242 dias e noites.
O filme do realizador ucraniano Akhtem Seitablaiev, contará a resistência dos militares e voluntários ucranianos que durante 242 dias e noites conseguiam defender o aeroporto, completamente cercados, resistindo avanços constantes dos separatistas locais e terroristas russos.
DAP real em 17/11/2017 | foto Facebook Sergei Loiko | ler mais
Local: cinema City Alvalade, Av. de Roma, № 100, Lisboa.
Início: 18h30.
Entrada é livre