Ator, encenador, empreendedor polaco Eugeniusz Bodo. O seu nome era Bohdan Eugène Junod; a sua mãe era polaca e o seu pai suíço, que fazia negócios
e residia no império russo. Na Polónia entre as guerras, Eugeniusz era um dos principais estrelas de cinema, interpretando charmosos galãs românticos. Viveu em Lviv. Morreu num campo do GULAG soviético.
Um dos seus filmes mais famosos é a comédia de culto «Piętro wyżej» (o título internacional «Vizinhos», 1937). Está disponível em várias versões no YouTube:
A heroína (a bela Helena Grossówna) acaba de entrar, por engano, no apartamento do herói (Eugeniusz Bodo) e, sem se aperceber que está no apartamento de outra pessoa, adormece
na sua cama. Entretanto, o herói regressa a casa embriagado, descobre a bela na sua cama e deixa-a galantemente dormir, enquanto ele, vestido com um fato e gravata, vai dormir para a banheira. Naturalmente, acorda
de manhã, abre a torneira e vê-se encharcado da cabeça aos pés. Naturalmente, tudo termina com um final feliz.
A famosa comédia soviética «A Ironia do Destino» (1975) usou o mesmo enredo (troca de apartamentos, herói bêbado, uma bela desconhecida, interpretada até por uma atriz polaca), como o elemento principal do seu trama.
Em 1939, após o início da II G.M., Bodo encontrou-se em Lviv, na União Soviética. O conceituado músico Henryk Wars organizou a orquestra Lviv Tea-Jazz, que começou
a fazer digressões por toda a União Soviética com grande sucesso. Bodo cantava nesse teatro; existem muitos registos dele a cantar em russo, incluindo a tradução russa da famosa canção polaca «Somente em Lviv».
«Tea Jazz-orquestra» de Lviv
Ao mesmo tempo, Bodo tentou, usando o seu passaporte suíço de viajar para a Suíça. Após o início da guerra nazi-soviética, quando o Exército
Vermelho já deixou a cidade de Lviv, mas os alemães ainda não entraram nela, dois homens com uniformes da NKVD abordaram Bodo e disseram que tinham um carro e tentariam romper as linhas inimigas para leste,
convidando-o a juntar-se a eles. Percorreram estradas rurais durante vários dias e, quando finalmente chegaram ao quartel-general do Exército Vermelho, disseram-lhe que estava, na verdade, preso e enviaram-no
para o NKVD.
Entretanto, a partir de 30 de Julho de 1941, sob pressão do seu novo aliado, a Grã-Bretanha, a URSS aceitou assinar um acordo com o governo polaco no exílio em Londres (o Acordo
Maisky-Sikorski). De acordo com este acordo, todos os cidadãos polacos presos na URSS e nos territórios por este controlados desde 1939 receberiam amnistia. A partir destes cidadãos, começou a formar-se
um exército polaco na Ásia Central soviética, sob a liderança de general Anders. A orquestra de Wars também se juntou ao exército de Anders.
A sua última foto conhecida, prisioneiro dos soviéticos...
Bodo era muito conhecido, e os representantes polacos perguntavam constantemente aos soviéticos sobre o seu destino. Mas estes lhes responderam que Bodo não era cidadão
polaco, mas sim suíço, e, por isso, não tinha direito a amnistia. Morreu num campo de concentração soviético nos arredores da cidade de Kotlas, de inanição (fome severa) em outubro de 1943. Durante décadas a URSS
desinformava os polacos, afirmando que Eugeniusz Bodo foi assassinado pelos alemães. Somente em 1991, as autoridades soviéticas entregaram aos polacos os documentos a ele relacionados.
Já a atriz Helena Grossówna, chegou a participar na Revolta de Varsóvia de 1944 como tenente, usava o nom de guerre / codinome de «Bystra» (Rápida),
foi capturada e presa em campos alemães de prisioneiros de guerra, casou com um oficial polaco, que libertou o campo e viveu uma longa vida na Polónia, falecendo em 1994 aos 90 anos.
Blogueiro
A ironia do destino, um polaco-suíço que nada de mal fez à URSS e foi um artista aceite e reconhecido na União Soviética, não sobreviveu o GULAG comunista.
Enquanto uma combatente, que lutou contra os alemães, de armas nas mãos, sobreviveu um campo de concentração nazi...
Em 15 de janeiro de 1990, os manifestantes pacíficos invadiram a sede da secreta comunista Stasi em Berlim Oriental. Desta forma, os arquivos do antigo serviço de segurança
estatal da RDA foram impedidos de serem destruídos.
O filme absolutamente indispensável para perceber o nível de violência, exercida pela Stasi sobre a sociedade na ex-RDA: «A Vida dos Outros» (ver o filme completo):
«O escudo e a espada do partido» — era assim que o Ministério da Segurança do Estado da RDA se auto-intitulou orgulhosamente, emulando o seu «irmão
mais velho» soviético, o KGB. Mais de 90.000 agentes de segurança a tempo inteiro e quase 200.000 informadores a tempo parcial trabalhavam para a Stasi (como era popularmente conhecida a secreta, um derivado
do alemão Staatssicherheit, ou «segurança do Estado»). A polícia secreta da Alemanha comunista monitorizava principalmente os seus
próprios membros. O arquivo da Stasi é colossal: 110 quilómetros de prateleiras repletas de dossiers sobre cidadãos da RDA e de outros países, um índice de fichas com informação
sobre 40 milhões de pessoas, 1,5 milhões de fotografias, 30 mil disquetes e cassetes contendo gravações de conversas telefónicas interceptadas...
Dos milhares de sacos com fragmentos de documentos que os agentes de Stasi tentaram destruir nos últimos dias da RDA, menos de mil foram catalogados. Os documentos foram restaurados
graças ao trabalho meticuloso de arquivistas e a um programa de computador desenvolvido por especialistas alemães em TI especificamente para este fim.
O facto de a Stasi ter começado a destruir documentos imediatamente após a queda do Muro de Berlim e o início da revolução pacífica na RDA foi a principal
razão para o ataque aos escritórios da secreta em todo o país e à sede central em Berlim. Por ordem do chefe da Stasi, os dossiers foram queimados e triturados. Tentaram transportá-los em
camiões, mas o fumo das fornalhas sobre os escritórios locais de segurança do Estado era visível, as fornalhas e os trituradores não suportavam a carga, e os manifestantes em piquete impediram
a remoção dos ficheiros. Então, simplesmente começaram a rasgar os documentos em pedaços.
A revolução pacífica na RDA ocorreu sobretudo graças aos alemães de leste que exigiam a liberdade, a demissão das autoridades comunistas e a reunificação
do país. Além disso, por iniciativa dos alemães de Leste, foi aprovada uma lei especial relativa aos arquivos da Stasi. Eles são públicos. No Gabinete Federal para o Estudo dos Arquivos da
Stasi, qualquer pessoa pode aceder aos seus arquivos, saber se foi monitorizada pelo Ministério da Segurança do Estado da antiga RDA e ler relatórios de informadores. Cerca de 80.000 pessoas por ano exercem
este direito.
O soldado russo esmagou o rosto da Lyudmila com a coronha de uma espingarda/rifle. Arrancou seus dentes, cortou seu estômago com uma faca e a estuprou. Roubou sua bicicleta como despedida e deixou
uma bala/munição de Kalashnikov sobre a mesa como lembrança.
Quando a documentarista ucraniana Alisa Kovalenko [na primeira foto] leu o plano de paz do presidente Trump, uma imagem lhe veio à mente. «Vi o rosto de Ludmyla, uma professora de 75 anos de uma
pequena aldeia perto de Kherson», disse ela. «Um soldado russo foi à sua casa em maio de 2022, esmagou seu rosto com a coronha do fuzil e quebrou seus dentes, cortou seu estômago com uma faca e a estuprou.
Depois, roubou sua bicicleta e deixou uma bala de Kalashnikov como lembrança».
Embora tenha havido uma intensa atividade diplomática na Europa nas últimas duas semanas, desde a apresentação do plano de 28 pontos de Trump, apoiado pela rússia,
o foco tem sido a negociação de concessões que forçariam a Ucrânia a ceder território a Moscovo/ou e a proibir sua entrada na NATO/OTAN. Para muitos ucranianos, no entanto, ainda mais
alarmante é a proposta de uma anistia geral para todas as partes envolvidas em ações durante a guerra, o que significaria perdoar os autores russos de estupro. «Como você pode olhar nos olhos
dessa mulher de 75 anos e dizer que não haverá punição pelo que aquele soldado russo fez com você?», disse Kovalenko, com os olhos marejados de lágrimas.
A ucraniana de 38 anos, natural de Zaporizhzhia, fazia parte de um grupo de quatro sobreviventes ucranianas de violência sexual e ativistas que vieram a Londres na semana passada para
pressionar parlamentares, membros da Câmara dos Lordes e funcionários do Ministério das Relações Exteriores britânico a fim de obter apoio contra a anistia proposta. [...]
Kovalenko e as outras mulheres também se encontraram com a Duquesa de Edimburgo, uma importante ativista contra a violência sexual em conflitos e a primeira integrante da família
real a visitar a Ucrânia durante a guerra. A duquesa discursou na exibição de «Traces», um comovente documentário dirigido por Kovalenko que retrata seis mulheres, incluindo Ludmyla,
que foram estupradas por forças russas desde a invasão total em 2022. «Eles não me mataram, mas me destruíram», diz uma delas.
Kovalenko foi uma das primeiras mulheres ucranianas a falar publicamente sobre seu próprio sofrimento após ser mantida em cativeiro por um oficial da inteligência russa
em Donbas, em 2014. Ele a obrigou a se despir e tomar banho na sua frente enquanto limpava sua arma, e depois a estuprou. «Não há espaço para indiferença nesta questão», disse
Melanne Verveer, diretora executiva do Instituto Georgetown para Mulheres, Paz e Segurança, que trouxe as mulheres a Londres. Verveer foi embaixadora itinerante dos EUA para questões globais da mulher. «A
rússia tem usado sistematicamente a violência sexual como parte de sua campanha genocida para subjugar e destruir a Ucrânia, e também como forma de tortura em centros de detenção»,
acrescentou. «Trouxemos essas mulheres aqui para conscientizar e enfatizar a necessidade de responsabilização por esses crimes nas negociações de paz. Não há lugar para anistia
para os perpetradores». «Justiça não é apenas uma palavra», disse Irina Dovhan, de 63 anos, que dirige a filial ucraniana da Sema, uma rede global de sobreviventes. «Para as sobreviventes,
é a coisa mais importante».
Assim como Kovalenko, Dovhan foi vítima de violência sexual durante o conflito no leste da Ucrânia em 2014. Na época, enquanto administrava um salão de beleza
em Donetsk, ela foi flagrada levando comida para combatentes ucranianos e presa pela «Brigada Vostok», uma notória unidade separatista pró-rússia. «Eles me acusaram de ser corretora de
artilharia e me torturaram, estupraram e espancaram», disse ela. «Depois, me envolveram em uma bandeira ucraniana, me amarraram a um poste na praça com um cartaz dizendo 'Uma assassina de crianças'
e os transeuntes vieram e me bateram e cuspiram em mim».
«Justiça não é apenas uma palavra», disse Irina Dovhan, hoje de 63 anos, que dirige a filial ucraniana da Sema, uma rede global de apoio a sobreviventes. Uma
fotografia dela sendo exposta ao pelourinho foi publicada no The New York Times, provocando indignação internacional, e ela foi libertada e foi para Kyiv. Mas, assim como Kovalenko — que transformou seu
calvário em uma peça teatral que apresentou na Ucrânia e na Alemanha antes de revelar que era verdade, apenas para encontrar descrença — Dovhan lutou para que as pessoas a ouvissem. «Mesmo
tendo cicatrizes visíveis, ninguém me disse que isso poderia ser documentado ou me deu qualquer apoio», disse ela. «Em 2016, um procurador/promotor finalmente me chamou para depor, mas quando contei
sobre o estupro, ele surtou e disse 'sua dignidade foi comprometida' e me obrigou a ir embora. Foi muito traumatizante. Meu próprio país não se importou». «É por isso que muitas
mulheres não testemunharam», concordou Kovalenko. «Era um círculo do inferno».
Por fim, em 2019, Dovhan foi a Haia para depor e conhecer o Dr. Denis Mukwege, o ginecologista congolês ganhador do Prémio Nobel, cujo Hospital Panzi tratou mais vítimas
de violação/estupro do que qualquer outro lugar no mundo. Ele a incentivou a criar uma filial ucraniana da Sema, sua rede de apoio a sobreviventes. Uma das primeiras a se juntar foi Kovalenko.
Logo após a invasão [russa] em grande escala em fevereiro de 2022, elas começaram a ouvir relatos de situações semelhantes sob a ocupação russa
e passaram a viajar para áreas libertadas ao redor de Kyiv, registrando depoimentos, e depois para Kherson, quando a cidade foi libertada. «São sempre estupros com extrema violência, e eles usam isso
como arma para nos humilhar e tentar destruir nossa resiliência», disse Kovalenko.
Há 384 ucranianas que registraram casos de estupro junto [ao Ministério Público] / aos promotores, mas acredita-se que esse número represente apenas uma fração
do total de vítimas. «Sabemos que é muito maior, são milhares», disse Dovhan. «A maioria permaneceu em silêncio por causa do grande estigma».
Elas coordenam um projeto de conscientização e viajam para comunidades em toda a Ucrânia, incentivando as mulheres a denunciarem os crimes. «Não há uma
aldeia onde não encontremos uma vítima», disse Kovalenko. «Mas estamos quebrando o muro do silêncio e nossas vozes estão se tornando mais fortes».
Eles também viajaram para as Nações Unidas em Nova York, em março, com um grupo de sobreviventes do sexo masculino, para tentar incluir a rússia na chamada
Lista da Vergonha, que reúne os responsáveis por violência sexual, no relatório anual do representante especial do secretário-geral da ONU. Para sua frustração,
a rússia recebeu apenas uma advertência. «É absolutamente lógico incluir a rússia nessa lista», disse Kateryna Levchenko, comissária ucraniana para a igualdade de gênero,
que fazia parte da delegação a Londres. Ela ressaltou que também há muitas vítimas do sexo masculino. «Até 70% dos prisioneiros de guerra sofreram violência sexual»,
afirmou.
Organizações ucranianas de apoio a sobreviventes estão lutando para continuar seu trabalho em meio a cortes nos orçamentos de ajuda humanitária e pediram
às autoridades britânicas envolvidas na reformulação do plano de paz que não permitam nenhum tipo de anistia para os soldados russos que destruíram tantas vidas.
«A paz não pode ser conquistada ao preço da justiça», disse Kovalenko. «Quero que todos que estejam pensando em qualquer tipo de anistia pensem em Ludmyla
e se lembrem dos crimes que [os russos] cometeram».
Oleksandra Matviichuk, que dirige o Centro para as Liberdades Civis na Ucrânia, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2022, alertou para as implicações globais da falta
de punição por crimes de guerra na Ucrânia. «Isso arruinaria o direito internacional e criaria um precedente que encorajaria outros líderes autoritários a pensarem que podem invadir
um país, matar pessoas e apagar suas identidades, e que serão recompensados com novos territórios», disse ela.
Nos últimos três anos, Ucrânia tem lutado por sua independência contra a agressão russa. Como é uma «vida pacífica» longe da linha
de frente, na retaguarda? Durante um ano e meio, o cineasta Vitaly Mansky documentou a vida em sua cidade natal, Lviv, onde o cotidiano das pessoas é afetado pela constante ameaça de mísseis russos.
O tempo que esses mísseis levam para atingir seus alvos agora molda a vida de cada ucraniano.
O Bundesarchiv alemão colocou à disposição pública o filme documental «Ukraine 1943», filmado, o mais provável pelos cineastas suíços, em
Kyiv, Dnipro, Zaporizhia, Nikopol, Rivne (a capial da Reichskommissariat Ukraine) e outras cidades ucranianas.
O produtor do filme foi Hans Leuenberger (10.01.1909 - 10.10.1979), nascido e falescido na Berna na Suíça.
Possivelmente uma das realizadoras do filme
Uma unidade alemã, à marchar em Kyiv, na atual rua Hrushevsky, em frente do atual Gabinete dos Ministros da Ucrânia
«Ukraine 1943», duração: 1.05´.55´´, am alemão, sem legenda:
Na tela podemos ver os camponeses, habitantes da cidade, alemães, polícias, muitas igrejas e catedrais, porcos, gansos, ovelhas, mulheres polovetsianas e avestruzes...
A catedral de São Volodymyr em Kyiv, onde foi batizado o autor deste blogue
Uma das mulheres polovetsianas
As mulheres polovetsianas são estátuas de pedra funerária erigidas pelos polovetsianos (quipechaques, cumanos), constituindo-se como monumentos de arte sacra dos séculos
IX à XIII. Mais de dois mil sobreviveram até aos dias de hoje, localizados sobretudo na Ucrânia e no sul da rússia.
A autoria da metáfora “renascimento fuzilado” pertence ao intelectual polaco Jerzy Giedroyc. Utilizou esta expressão, pela primeira vez, numa carta em 1958, propondo-a
como título de uma antologia da literatura ucraniana de 1917-1933.
Discutia-se que por um lado o título geral: “Renascimento Fuzilado. Antologia 1917-1933” soaria de uma forma impressionante. Por outro lado, o modesto título “Antologia”
poderia facilitar a penetração do livro atrás da Cortina de Ferro. Decidiu-se, então, pelo título inicial.
O Renascimento Fuzilado (também Renascimento Vermelho) é uma geração científica, educacional, espiritual, cultural, literária e artística das
décadas de 1920 e 1930 na Ucrânia soviética, que produziu obras e realizações altamente artísticas nos campos da literatura, filosofia, pintura, música, teatro, cinema, educação
e ciência, e que foi principalmente aniquilada fisicamente durante as duas ondas do terror comunista soviético (1935-36 e 1936-38).
Ao longo de uma década (1921-1931), a cultura ucraniana conseguiu compensar o atraso e até superar a influência de outras culturas, em particular a russa, no território
da Ucrânia (a 1 de outubro de 1925, existiam 5.000 escritores na Ucrânia socialista).
A mais influente das associações literárias ucranianas foi «Hart», mais tarde renomeada «VAPLITE» (Academia Livre de Literatura Proletária).
Foi a VAPLITE, representada por Mykola Khvylovy, que iniciou o famoso debate literário de 1925-1928 e o venceu, comprovando a existência e a necessidade de uma literatura nacional, específica e ucraniana,
virada para a Europa e não para a rússia.
Alguns dos reprimidos e perseguidos intelectuais ucranianos conseguiram escapar à morte e sobreviver nas prisões e nos campos de concentração soviéticos.
Alguns deles conseguiram mesmo fugir dos campos de concentração (Ivan Bahryany). Após cumprir a sua pena, Ostap Vyshnya tornou-se um defensor obediente do regime estalinista, e Borys Antonenko-Davydovych,
que só foi libertado, após a sua reabilitação em 1957, manteve-se em oposição ao regime soviético até ao fim da sua vida.
Não existem números exatos sobre o número de intelectuais ucranianos reprimidos e perseguidos durante as repressões comunistas durante o período do Renascimento
Fuzilado. Segundo algumas fontes, o número chegou às 30.000 pessoas.
De acordo com a avaliação da Associação de Escritores Ucranianos «Slovo» (uma organização de escritores ucranianos no exílio), enviada
a 20 de Dezembro de 1954 ao Segundo Congresso de Escritores da União Soviética, em 1930, eram ativos 259 escritores ucranianos e, após 1938, apenas 36 deles (13,9%) viram as suas obras publicadas. Segundo
a organização, 192 dos 223 escritores «desaparecidos» foram alvos de repressões do Estado soviético (fuzilados ou presos em campos de concentração com possibilidade de
fuzilamento ou morte), 16 simplesmente desapareceram e 8 suicidaram-se.
Estes dados estão em concordância com o martirológio de escritores ucranianos, «Altar da Dor» (compilador-chefe: Oleksa Musienko), que lista 246 escritores vítimas
do terror estalinista. Este número é mais do dobro do total de escritores ucranianos aí mencionados que foram alvos de repressão de outros regimes, em particular, o período da ocupação
nazi (55), da era Brejnev (29), no império russo pré-1917 (11), na Áustria-Hungria (3) e outros. De acordo com outros dados, de 260 escritores ucranianos ativos na década de 1930, 228 foram alvo
de repressões comunistas.
Bónus
A primeira exibição pública de um filme no império russo foi organizada em Kharkiv pelo fotógrafo Alfred Fedetsky em dezembro de 1896. Em 1930 aconteceu a
exibição do primeiro filme sonoro soviético: «Entusiasmo: Sinfonia de Donbas» (1931), filmado por Dziga Vertov na estúdio de cinema Ukrainfilm, em Kyiv.
A foto mostra a cidade de Kyiv num quadro do filme «O Homem com uma Câmara» (1929), de Dziga Vertov e produzido pelo estúdio de cinema ucraniano «Direção de
Foto e Cinema de toda Ucrânia» (VUFKU).
O filme documental Cuba & Alaska, de Yegor Troyanovsky, sobre o lado oculto de melhores amigas paramédicas ucranianas e as suas vidas. Nos cinemas da Ucrânia à partir de 14 de agosto.
As meninas festeiras e as estilosas têm um outro lado. Cuidem das vossas meninas. Podem salvar a sua vida um dia. Um filme contemporâneo sobre o trabalho agridoce das paramédicas
ucranianas.
No início, foi publicado um apelo: Acha que a guerra na Ucrânia é uma farsa? Que os media estão a mentir sobre o número de mortos e o impacto da «operação
militar especial» na Ucrânia? Venha à audição e torne-se o herói de um novo filme.
Foi assim que começou a ser escrita a história do filme «Velký vlastenecký výlet» (A Grande Viagem Patriótica), de Robin Kvapil. Sessenta
pessoas candidataram-se ao casting dos realizadores, e três «heróis» acabaram por ir para a Ucrânia com a equipa – dois homens e uma mulher, por coincidência todos mais ou menos
apoiantes da rússia de putin. Foram ver com os seus próprios olhos como é a guerra na Ucrânia. Um documentário do tipo road movie, na viagem de Praga para Kharkiv, devastada pela guerra, até a região de Donbas.
Blogueiro: naturalmente, os putinistas europeus (e todos os outros) são uma espécie de terraplanistas, mesmo vendo todas as atrocidades cometidas pela rússia e seu exército na Ucrânia,
dizem e vão dizer que «a curpa é da Ucrânia».
UPD: Conversando com um voluntário, as personagens do filme descobrem que soldados russos violaram crianças ucranianas: tanto raparigas como rapazes. Este facto choca profundamente
o trio checo. No entanto, mais tarde, um deles, Ivo encontra, se não uma desculpa, pelo menos uma boa explicação para as ações dos ocupantes russos: «Claro que não se pode violar
as raparigas. Mas se é um soldado que não sabe se vive amanhã e vê uma mulher bonita, que assim seja».
A curta-metragem «Polemos» é uma homenagem aos combatentes mortos de «Azov» e a todos os militares que deram as suas vidas pela independência da Ucrânia.
Uma co-produção da 12ª Brigada «Azov» em colaboração com a marca de vestuário ucraniana RIOTDIVISION.
Polemos (Πόλεμος em grego significa guerra) é uma homenagem ao filme «O Sétimo Selo», de Ingmar Bergman, sobre um cavaleiro que
regressa de uma cruzada e joga xadrez com a Morte, tentando adiar a sua morte.
A ideia e o argumento do filme Polemos foram escritos por Yulia Khoros e Valentyn Dzyubenko. As personagens principais são os militares de Azov: Dmytro «Horror» Kirov, Ilya
«Crowley» Kolesnikov, Valery «Shaman» Semenyuk, Serhiy «Gamer» Oliynyk, Ruslan «Storm» Yeremeyev, bem como o ator Slava Nikonorov.
A banda sonora da curta-metragem foi criada pela produtora Nastya Vogan, pela cantora, folclorista e figurinista Maria Kvitka e pelo violoncelista Artem Zamkov.
O filme «Pólemos» já participou em 18 festivais internacionais de cinema nos EUA, França, Índia, Brasil, África do Sul, Suécia e outros
países, e conquistou vários prémios. A sua estreia online ocorreu recentemente. Pode vê-lo no canal de YouTube da 12ª Brigada de Forças Especiais «Azov».
A pena, dos liberais russos, à priori e por padrão, por “meninos à lutarem pela Pátria russa num país estrangeiro”, está enraizada em toda a
cultura popular e neo-colonial soviética e russa.
Um dos casos emblemáticos é a famosa cena do filme “Sol Branco do Deserto” (1970), onde um inocente e supostamente libertário menino russo, “o nosso pobre Petrukha”,
na verdade não passa de um reles ocupante, e onde o “marvado e maligno basmach” Abdullah Negro (Sic!), na realidade estava simplesmente a defender a sua própria terra e a sua família:
Nos mesmos moldos muitos liberais russos vêem a atual guerra russa na Ucrânia, onde sentem imensa pena dos «seus meninos», à quem o malvado putin enviou, entende-se
contra a vontade deles, à guerra contra Ucrânia, onde estes «sofrem» e até «também são vítimas», ainda por cima não contam com nenhuma empatia por parte
dos ucranianos e da comunidade internacional.
A RARET (RÁdio RETransmissão) foi um antigo centro retransmissor, instalado em Portugal, que colocava no ár a rádio Free Europe (Europa Livre/Rádio Liberdade), que
tinha como objetivo combater o comunismo, funcionando entre 1951 e 1996.
Edifício da RARET, na Glória do Ribatejo | Foto: D.R. via 'Restos de Coleção
Dois trabalhadores numa das torres da RARET / Foto: Roberto Caneira
Foi instalada em 1951, na Herdade da Nossa Senhora da Glória, no coração do Ribatejo, a 73 km de Lisboa, segundo o blog A Minha Rádio. Na antiga Glória do
Ribatejo, em Salvaterra de Magos, e hoje se situa um grande complexo abandonado e devoluto. Em tempos, a RARET (Sociedade Anónima de Rádio Retransmissão, SARL) foi um antigo centro retransmissor, instalado em Portugal pelos americanos, e que
colocava no ar a Rádio Free Europe (Europa Livre/Rádio Liberdade), que tinha como objetivo conter o comunismo. RARET funcionou durante 45 anos neste local, entre 1951 e 1996, e colocou esta região quer na rota da Guerra Fria, quer nos programas bastante robustos do desenvolvimento social local.
Edifício da RARET, na Glória do Ribatejo | Foto: D.R. via ‘Restos de Coleção’
Funcionário a trabalhar numa das antenas da RARET / Foto: Roberto Caneira
A RARET chegou a Portugal no início da década de 1950, com um acordo entre os governos de Portugal e dos Estados Unidos para construir uma estação de rádio para emitir informação
livre aos países da Europa comunista. De estação de rádio, depressa passou a uma comunidade. Lá, foi construída uma escola, complexo desportivo, piscina, área residencial para
funcionários e até uma maternidade, usadas, pela população local de forma gratuíta.
Na rádio, ouvia-se a informação do e sobre o mundo ocidental, notícias, sem censura, vindas das nações cativas, leituras de livros prescritos e proibidos e a transmissão de música proibida pela censura comunista,
assim como a divulgação da música popular portuguesa, geralmente a de fadista Amália Rodrigues.
O objetivo era difundir a informação livre entre as nações sob ocupação comunista, situadas atrás da «cortina de ferro», crinado as condições para que estas nações se revoltassem, em busca de liberdade. Em 1960,
a RARET passou a transmitir programas em 18 línguas para os países e nações sob ocupação ou sob a influência da União Soviética.
A RARET revolucionou a vida da população de Glória do Ribatejo. Os serviços públicos por si prestados eram gratuítos, como, por exemplo, uma escola, um posto médico, a escola profissional, de técnicos de rádio. A realidade da época é retratada na série “Glória”, a primeira
produção portuguesa da Netflix, anunciada como «sendo uma história de ficção assente num contexto e em factos reais».
“Glória” é um thriller de espionagem histórico, centrado na RARET, em pleno Portugal da década de 1960. A série mostra como a vila da Glória, se tornou um improvável palco da Guerra Fria, local, à volta da qual se competiam as forças ocidentais e soviéticas.
No centro desta história está a personagem, pressupõe-se fictícia, de João Vidal, um jovem de uma família influente, com ligações ao Estado Novo português, recrutado pelo KGB depois de se politizar no decorrer da Guerra Colonial. João ver-se-á envolvido nas intrincadas teias do jogo da espionagem e, no final de contas, se torna um assassino friou e calculista, traindo o seu país, lutando, com todas as suas forças para transformar Portugal numa ditadura comunista, o que não consegue, mas não por falta da vontade.
Escola local construída e financiada pela RARET
Posto médico local, construído e financiado pela RARET
A maioria dos portugueses que trabalhava na RARET não se ineressavam muito pela finalidade do centro transmissor. Eram apenas técnicos, sem muita cultura geral e sem as ligações
político-partidárias, algo garantido pela secreta PIDE, a congénere portuguesa do KGB. Os primeiros anos de vida da rádio não foram fáceis. A RARET interferia, com muita facilidade, nas frequências, usadas pelas transmissões soviéticas, mas graças a um dos funcionários, o italiano Pasqualino, que conseguia distinguir a língua russa, o erro era rapidamente resolvido.
Em maio de 1985, a RARET foi alvo de um atentado terrorista bombista falhado, junto à uma das antenas e exatamente nas vésperas da visita do presidente americano Ronald Reagan, reinvidicado por um grupo, que surgiu de nada e que desapareceu sem deixar os rastos, auto-denominado «Grupo anti-capitalista
e antimilitarista». Não houve vítimas, apenas pequenos danos materiais, o que levou a que, nesse ano, houvesse um grande investimento na modernização das instalações da RARET. Muitas das vezes os atentados deste tipo são organizados pelos serviços secretos. Embora em 1985 na URSS começa a Perestroika, as posições do KGB eram fortes, e isso podeia ser uma espécie de aviso aos americanos e aos portugueses para retirar o RARET de Portugal. O que realmente acabou por acontecer, embora 11 anos mais tarde...
A rádio estava funcionando de vento em popa até 1989, quando se deu a queda do Muro de Berlim, estabelecendo uma ponte entre os países comunistas e o ocidente. Depois, a sua importância foi gradualmente diminuíndo e em 1996,
as instalações da RARET fecharam oficialmente e, dois anos depois, estavam completamente abandonadas, permanecendo assim até hoje.