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segunda-feira, julho 08, 2019

Uso do trabalho escravo na União Soviética comunista

GULAG soviético era composto por cerca de 53 campos de concentração com milhares de unidades e sucursais, 425 colónias correcionais, 50 colónias para menores, mais de 2.000 kommandanturas especiais. Mais de 30.000 locais de detenção. Milhões de escravos de mão-de-obra gratuita. O segredo da industrialização soviética.

Todas as conquistas da URSS foram baseadas no verdadeiro trabalho escravo, que, de uma ou de outra forma, foi usado durante toda a existência da União Soviética. Isso foi especialmente perceptível nas décadas do reinado do Estaline/Stalin – de fa(c)to, todas as conquistas daquela “verdadeira URSS” foram criadas por escravos que não tinham direitos e viviam sob a mais real servidão.

Como a escravidão foi consagrada na lei soviética
Até 1 de setembro de 1931 na URSS era vigente o sistema laboral com duas formas de funcionamento – trabalho contínuo ou a semana britânica de cinco dias. Tanto no primeiro, quanto no segundo caso, o trabalhador tinha o direito de 72 dias de folga por ano. Mas em 1/09/1931 foi introduzida a semana de seis dias laborais, o número de dias de folga foi diminuído e as mulheres foram enviadas para trabalhos pesados ​​em igualdade com os homens.

Em 1940, Estaline/Stalin assinou pessoalmente o decreto sobre a semana laboral de sete dias, com introdução de responsabilidade criminal por abandono não autorizado do posto de trabalho, atrasos e absenteísmo. O faltoso era condenado à um trabalho correcional por um período de seis meses, geralmente no mesmo local do seu trabalho. Durante o “trabalho correcional”, uma parte do seu salário era deduzida ao favor do Estado. Havia dinheiro suficiente para a compra dos alimentos mais básicos – para não morrer de fome.

Além disso, os cidadãos foram proibidos de abandonar voluntariamente o seu posto de trabalho – para isso precisavam obter uma “autorização” de seus superiores, e se uma pessoa saísse de sua livre vontade ou protestasse de alguma outra forma, era enviada aos campos de concentração soviéticos de GULAG. Além disso, os trabalhadores soviéticos comuns viviam frequentemente em apartamentos comunais ou em um quarto em uma barraca de madeira – como verdadeiros escravos. Na pobreza absoluta e sem o direito de escolher seu próprio caminho na vida.

Dalstroy. Escravos de campos de concentração

Em 1931 na URSS também foi criada a organização criminosa Dalstroy, que usava o trabalho forçado dos prisioneiros na construção das diversas obras faraónicas do regime soviético. Dalstroy respondia diretamente ao NKVD e quase toda a sua liderança era formada pelos órgãos repressivos do estado soviético.
Dalstroy usava os prisioneiros dos campos de concentração na procura de ouro e na construção de infra-estruturas nos territórios inabitados da Rússia soviética. Nas incrivelmente difíceis condições do norte, os prisioneiros construíram cidades e vilas e trabalharam nas minas – morrendo aos milhares de fome, frio e condições gerais desumanas.

Essa imagem mostra “Os maiores locais de construção do segundo plano quinquenal”, orgulhosamente exibida pela propaganda soviética:
O mapa dos campos do GULAG coincide quase exatamente com todas essas “conquistas da indústria” e “construções quinquenais”, servidos pelo trabalho escravo dos prisioneiros dos campos de extermínio soviéticos.
Várias vezes, estas “construções quinquenais” eram completamente insanas. Como a construção do caminho-de-ferro/ferrovia Salekhard – Igarka  (conhecida como “Ferrovia da morte”) – uma das construções do socialismo triunfante soviético das décadas de 1940 – início de 1950.
GULAG e "Ferrovia da morte"
Centenas de milhares de prisioneiros do GILAG foram lançados/jogados nos pântanos da Sibéria, morrendo também aos milhares. O projeto acabou sendo abandonado como absolutamente desnecessário. Deixando atrás de si cerca de 700 quilómetros de trilhos enferrujados – torcidos em diversos ângulos incríveis devido às difíceis condições naturais, pontes apodrecidas e trançadas, locomotivas ao vapor enferrujadas e abandonadas para sempre, os restos de campos de concentração – à cada 10 quilómetros do caminho-de-ferro / da ferrovia aparecem torres de guardas do GULAG, ainda preservadas.
Faça click para explorar o GULAG online em 3D
Não muito tempo atrás, os entusiastas que visitaram esses locais criaram o modelo 3D do campo de concentração de Barabanikha – localizado na área da auto-estrada/rodovia Transpolar. Acima dos portões do campo de concentração estava pendurado o slogan “Trabalho na URSS é uma questão de honra, uma questão de glória, uma questão de valor e do heroísmo” – o equivalente soviético da frase nazi(sta) “Arbeit macht frei”.

Escravatura soviética no campo

No mesmo ano de 1931, nos kolkhozes soviéticos foi introduzido o sistema de “dias-de-trabalho”. O sistema consistia no fato de que os camponeses deixaram de receber quailquer salário e, em vez disso, a sua assiduidade era controlada através dos “dias-de-trabalho”.
O camponês já não era deportado para as áreas remotas e terríveis do norte, mas usado como um escravo na sua própria comunidade. A pessoa trabalhava em trabalhos físicos pesados ​​no kolkhoz e, em vez de receber, pelo seu trabalho, recebia uma “varinha” no livro de controlo kolkhoziano. Mais tarde, esses “varinhas” podiam ser trocadas por algum alimento – outras poderiam ser canceladas como castigo por algum “erro”, como o não cumprimento de normas extremamente altas – à conta disso os camponeses perdiam até ¼ dos seus “dias-de-trabalho”.

Em 1932, quando a vida nos kolkhozes soviéticos tornou-se absolutamente insuportável, os bolcheviques deixaram de emitir aos camponeses os passaportes (documentos de identificação), legalizando a escravidão servil. A URSS retornou ao sistema de semiescravidão czarista pré-1861 – os camponeses não podiam se mover livremente, escolher o tipo de atividade, escolher o tipo de instituição de ensino para si ou para os filhos – tudo isso precisava de permissão do novo “senhor feudal” – o chefe do kolkhoz.

Neste sistema esclavagista soviético não havia pensões/reformas – naquelas décadas, os camponeses idosos recebiam cerca de 2 rublos por mês (3,38 dólares ao mês), o que era praticamente igual ao zero. Os “dias-de-trabalho” foram cancelados somente em 1966 e, no mesmo ano, os camponeses dos kolkhozes começaram a receber passaportes (documentos de identificação) – durante meio século, a maior parte da existência da URSS, eles viviam como verdadeiros escravos.

País construído por escravos. Em vez do epílogo
Imagem de cima "Indústria na URSS" | Imagem em baixo "Maiores campos de concentração na URSS"
Os fãs e amantes da URSS adoram Estaline/Stalin e seus “grandes projetos de construção” – pagos pelo preço exorbitante de milhões de vidas perdidas (muitas vezes em projetos desnecessários como caminho-de-ferro/rodovia Traspolar). Nesse sentido, a URSS era um império clássico, semelhante aos impérios do passado – construídos por escravos. A única diferença é que os antigos impérios usaram para esses fins prisioneiros de guerra capturados em outros países – as autoridades comunistas soviéticas transformaram em escravos a população do seu próprio país...

Imagens: arquivo | Texto: Maxim Mirovich

quarta-feira, maio 01, 2019

“Kolyma – pátria do nosso medo”

O jornalista russo Yuriy Dud´h apresentou recentemente o seu novo filme documental, chamado “Kolyma – pátria do nosso medo”. O filme é dedicado à região de Kolyma, um dos muitos locais onde se situava o famigerado arquipélago GULAG – o sistema dos campos de concentração soviéticos.

O filme é bastante comprido, 2h17, mas é bem feito: a história das repressões comunistas é vista através das histórias pessoais daqueles, que foram atingidos pelas repressões estalinistas em massa. Além disso, o filme mostra uma região bonita e as pessoas que ainda hoje lá vivem e trabalham.
Em 2019, a taxa de aprovação do Estaline/Stalin chegou na Rússia aos 70%. Os seus apoiantes, geralmente, acreditam em explicações bastante infantis para aceitarem os crimes de estalinismo: “apenas os culpados eram presos”, “sem trabalho escravo o país [União Soviética] não teria o dinheiro”, “Estaline/Stalin nada sabia sobre as repressões e fuzilamentos”, “exageros locais”, “os números são influenciados pelos democratas”, “Estaline/Stalin ganhou a guerra [II G.M.], o resto não conta”, etc.

Questão ucraniana

No filme aparecem os infográficos sobre os prisioneiros do GULAG, mas a questão não é comentada, nem discutida – no entanto, em 1949, ucranianos perfaziam 48% dos prisioneiros do GULAG, em 1953 este percentual aumentou para 53%.
Entre 1951 e 1953 praticamente desaparecem os prisioneiros com mais de 45 anos de idade, muito possivelmente, morrem, não aguentando o trabalho semi-escravo nas fábricas e minas. No entanto, a percentagem de ucranianos presos com idades de até 25 anos aumenta significativamente – até 10% em apenas 2 anos.

Além disso, são pessoas que no fim da II G.M., tinham no máximo 17 anos em 1945, ou seja, não participaram na guerra. Esta percentagem indica um aumento significativo da resistência ao sistema soviético no território da Ucrânia entre os jovens precisamente no período pós-guerra (fonte).

segunda-feira, março 04, 2019

A tragédia da Ucrânia

Anne Applebaum relata a fome premeditada por Estaline/Stalin para subjugar a população da Ucrânia, frear qualquer tentativa de nacionalismo e liquidar as organizações que resistiam a integrá-la à URSS.

por: Mario Vargas Llosa, El Pais (Brasil)
Red Famine: a Guerra do Estaline contra Ucrânia
Em 1928, Estaline/Stalin fez uma viagem pela Sibéria que durou três semanas. Tinha derrotado seus adversários dentro do partido comunista e já era o amo supremo da União Soviética. Os cereais começavam a escassear no imenso território e, depois do que viu e ouviu naquela viagem, Estaline/Stalin tirou as conclusões ideológicas pertinentes. Segundo a doutrina marxista, a culpa era dos camponeses retrógrados, que, graças à expropriação dos latifúndios e à liquidação dos kulaks/kurkuls, tinham se tornado pequenos proprietários de terra e contraído as taras características da burguesia. A solução? Obrigá-los a ceder suas granjas e a se incorporar às fazendas coletivas que os tornariam proletários, a força poderosa e renovadora que substituiria sua mentalidade burguesa pelo fervor solidário dos bolcheviques.

Segundo ela, a fome foi premeditada por Estaline/Stalin e seu séquito de cúmplices – Molotov, Kaganovich, Voroshilov, Postishev, Kosior e alguns outros − para subjugar a Ucrânia, frear qualquer tentativa de nacionalismo em seu seio e liquidar as organizações que resistiam a integrá-la à URSS sob o açoite de Moscovo/u. Ela cita como prova o fato de que, naqueles mesmos anos, o Politburo soviético reduziu drasticamente a publicação de livros e jornais em ucraniano, assim como o ensino dessa língua nas escolas e universidades, e impôs o russo como idioma oficial do país.

Seja como for, em 1929 é iniciada a dissolução das pequenas propriedades agrícolas a fim de incorporá-las às fazendas coletivas. Os camponeses, que tinham visto com simpatia a revolução, resistem a entregar suas terras e seu gado, e a se associar às enormes empresas coletivas que, dirigidas por burocratas do partido, costumam ser pouco eficientes. As instruções de Estaline/Stalin são rigorosas: aquela resistência só pode vir dos inimigos de classe que querem acabar com o socialismo, e deve ser esmagada sem piedade pelos revolucionários. As brigadas comunistas percorrem os campos confiscando propriedades, gado, ferramentas agrícolas e sementes, e mandando para a prisão quem não colabora. Um dos chefes do GULAG, na Sibéria, envia um telegrama a Moscovo/u pedindo que não lhe enviem mais detidos porque já não tem como alimentá-los. Ao mesmo tempo, um prisioneiro escreve para sua família: “Que maravilha! Eles me dão um pãozinho por dia!”

As colheitas começam a encolher, os roubos e ocultação de alimentos se multiplicam por todo lugar, Estaline/Stalin insiste que o partido deve ser “implacável” em sua luta contra os sabotadores da revolução, e a fome entra em cena com suas terríveis sequelas: roubos, assassinatos, suicídios, aldeias que desaparecem porque todos os seus habitantes fugiram para as cidades na esperança de encontrar trabalho e alimentos. Os cadáveres já são tão numerosos que ficam estendidos nas ruas e estradas porque não há gente suficiente para enterrá-los.

Os testemunhos reunidos por Anne Applebaum são de arrepiar: há pais que matam seus filhos com as próprias mãos para que não sofram mais e, os mais desesperados, para se alimentar com eles. Já comeram todos os cães, cavalos, porcos, gatos e até ratos que conseguiam pegar, e os comunicados que chegam à Ucrânia vindos de Moscovo/u são cada dia mais urgentes: negar a fome e, principalmente, o canibalismo e os suicídios, e punir sem dó os verdadeiros causadores dessa catástrofe: os inimigos de classe, os fascistas, os kulaks/kurkuls, os responsáveis reais pelas calamidades que se abatem sobre a Ucrânia.

Quantos morreram? Cerca de cinco milhões de ucranianos, pelo menos. Mas não há como saber com exatidão, porque as estatísticas eram forjadas pela disciplina partidária que assim exigia ou pelo medo dos burocratas do partido de ser punidos como responsáveis pela fome. O Kremlin impôs, além disso, uma versão oficial dos acontecimentos que era reproduzida não só pela imprensa comunista, mas também pela capitalista, que fazia isso por meio de jornalistas vendidos ou covardes, como o repulsivo Walter Duranty, então correspondente do jornal The New York Times, que, comprado com casas e banquetes por Estaline/Stalin, dava um jeito, em artigos que pareciam redigidos por um Pôncio Pilatos moderno, de apresentar um quadro de normalidade e desmentir os exageros de certos testemunhos que conseguiam vazar para o exterior sobre o que realmente ocorria na URSS e, principalmente, na Ucrânia. Uma das exceções foi o britânico Gareth Jones, quem conseguiu percorrer a pé o coração da fome durante várias semanas e contar aos leitores ingleses do jornal The Evening Standard os horrores vividos na Ucrânia.
Ler mais sobre Gareth R. V. Jones
Ler um livro como o de Anne Applebaum não é um prazer, e sim um sacrifício. Mas obrigatório, se queremos conhecer os extremos a que podem levar o fanatismo ideológico, a cegueira e a imbecilidade que o acompanham, e a irremediável violência que, mais cedo ou mais tarde, vem como consequência. A fome e as mortes na Ucrânia ajudam a entender melhor o terrorismo jihadista e a bestialidade irracional que consiste em se tornar uma bomba humana e explodir em um supermercado ou uma discoteca, pulverizando dezenas de inocentes. “Ninguém é inocente!” era um dos gritos do terror anarquista segundo Joseph Conrad, que descreveu melhor do que ninguém essa mentalidade em O Agente Secreto.

Se ler o livro de Anne Applebaum provoca calafrios, como terão sido os anos que sua autora levou para escrevê-lo? Posso imaginá-la muito bem, imersa horas e horas em arquivos empoeirados, lendo informes, cartas de suicidas, sermões, e descobrindo de repente que está com o rosto encharcado de lágrimas ou que está tremendo da cabeça aos pés, como uma folha de papel, transubstanciada por aquele apocalipse. Ela deve ter sentido mil e uma vezes a tentação de abandonar essa tarefa terrível. No entanto, continuou até o fim, e agora esse testemunho atroz está ao alcance de todos. Aconteceu há quase um século lá na Ucrânia, mas não nos enganemos: não é coisa do passado, continua ocorrendo, está ao nosso redor. Basta ter a coragem da Anne Applebaum para ver e enfrentar isso.

Direitos mundiais de imprensa em todas as línguas reservados a Edições EL PAÍS, SL, 2019. © Mario Vargas Llosa, 2019.

sábado, março 02, 2019

Toda a verdade sobre Mikhail Gorbachov

No dia 2 de março de 2019 Mikhail Gorbachov completou 88 anos. Último Secretário-geral do PCUS, primeiro e último presidente da União Soviética (15/03/1990 – 25/12/1991). O homem, que retirou o exército soviético do Afeganistão, acabou com a perseguição dos dissidentes, guerra fria e dominação de ideologia comunista.    

Os fãs do comunismo costumam acusar Gorbachov de traição, acreditando, ingenuamente, que este “arruinou a URSS” [fazendo parte de algum complô secreto dos reptilóides capitalistas]. Na verdade, Gorby pretendia fortalecer a URSS, iniciando uma série de reformas sistémicas (Uskorenie – Aceleração e depois a Perestroika – Reconstrução), sem perceber que o colapso da União Soviética seria o resultado mais natural de suas reformas. A escravidão não pode ser “reformada” – apenas abolida.

Carreira política dentro e fora do PCUS

Gorbachov nasceu em 1931 na região de Stavropol. Em 1937 o seu avô materno [ucraniano Panteleymon Hopkalo] foi preso, acusado de trotskismo, passou 14 meses na cadeia, foi vítima de tortura, humilhações e maus-tratos, escapou milagrosamente da execução.
Desde seus 15 anos, Gorbachov [que na sua meninice se comunicava em ucraniano] trabalhou como ajudante do motorista de um combinado (máquina agrícola usada na safra de trigo), aos 19 anos tornou-se o candidato ao PCUS (ainda na escola foi condecorado com a Ordem da Bandeira Vermelha pelo seu lavouro exemplar). Em 1950 Gorby terminou a escola com medalha de prata e foi aceite na Universidade Estatal de Moscovo sem exames de admissão, onde se formou na Faculdade de Direito. Em 1961-62, Gorbachov torna-se o primeiro secretário do Comité/ê distrital da juventude comunista Komsomol.

Depois disso, a sua carreira partidária e estatal apenas acelera – em 1969 ele é cotado como candidato ao cargo de vice-presidente do KGB da URSS. Em 1971, Gorbachov tornou-se membro do Comité/ê Central do Partido Comunista da União Soviética, em 1978 muda-se para Moscovo, onde é promovido ao membro do Politburo e, após a morte do Konstantin Chernenko torna-se o Secretário-geral do PCUS – em 11 de março de 1985.

Aceleração, Perestroika, Chornobyl e Afeganistão

Sendo especialista em propaganda, Gorbachov sabia que a propaganda comunista funcionava cada vez menos. Por isso, já em 20 de abril de 1985, ele anunciou a chamada Aceleração/Uskorenie – prometendo investir drasticamente na indústria e no bem-estar social dos cidadãos – o que, de fa(c)to, preparou a Perestroika, que começou apenas em 1987. Com o início da Perestroika, a URSS introduzi a política da Glasnost (Abertura), a censura comunista foi praticamente abolida – Gorbachov acreditava, corretamente, que era necessário lidar com os problemas e não encobrir os sintomas, proibindo falar sobre esses mesmos problemas.
Gorbachov e Boris Yeltsin
Na URSS começaram surgir as publicações independentes, programas interessantes da TV, foram produzidos filmes e desenhos animados que falavam sobre os problemas que se acumularam na União Soviética durante várias décadas de censura comunista sufocante. Os cidadãos começaram perceber que, de fa(c)to, a URSS não era nada daquilo que lhes haviam mostrado nos jornais e na televisão por quase 70 anos.

O desastre de Chornobyl (1986), mostrou claramente como o sistema soviético é incapaz, enganoso e de dupla moral – os cidadãos ucranianos e belarusos não foram informados sobre a catástrofe, o que causava graves problemas de saúde de dezenas de milhares de pessoas.

A Perestroika e Glasnost trouxeram a verdade sobre a guerra no Afeganistão – propaganda comunista dizia que os especialistas soviéticos construíam lá as casas e estradas, a realidade mostrava as mortes dos militares soviéticos e de dezenas de milhares de afegãos, as aldeias que foram varridas da terra, a droga trazida do Afeganistão em caixões de zinco e várias outras coisas semelhantes.

Tudo terminou exatamente como deveria terminar – na derrocada da URSS. As pessoas simplesmente perceberam quão injusto e enganoso era a União Soviética e decidiram que não queriam de viver num país assim. Gorby não quis acabar com URSS – pretendia torná-la “brilhante e perfeita”, fruto do socialismo utópico desprovido de falhas. Mas, como se viu, os princípios democráticos e regime comunista são coisas e realidades incompatíveis.

Retrato da época. Em vez de um epílogo
Mikhail Gorbachov era e é um homem bastante imperfeito [e definitivamente será julgado pela História. É responsável pelo Massacre de Tbilissi (19 mortos e mais de 4.000 feridos), ataques contra Lituânia (14 civis mortos e 702 feridos) e contra a cidade de Baku (conhecido historicamente como Janeiro Negro, resultante em 131-170 civis mortos e até 800 feridos), encobrimento da verdade sobre a catástrofe nuclear de Chornobyl na Ucrânia, vários outros desastres político-militares um pouco por toda a ex-URSS]. Mesmo assim, podemos e devemos agradecer Gorbachov pelo fim do sistema institucionalizado de delações, prisões, tortura e GULAG, caraterísticas intrínsecas da URSS entre 1922 à 1985. Foi na época de Gorbachov que as pessoas deixaram de ter medo e começaram realmente se tornar cidadãos – se vestir, pensar e falar de forma diferente, deixar de acreditar na propaganda comunista e recusar de aceitar de se mover em fileiras, no sentido figural e na realidade prática do seu quotidiano.
Ucranianos  (incluindo as crianças) que foram obrigados à marchar no centro de Kyiv no dia em 1 de maio de 1986,
com os níveis da radiação centenas de vezes superiores aos permitidos... | arquivo
As reformas do Gorbachov foram um grande passo rumo ao futuro e o começo do fim do comunismo, até hoje [um objetivo ainda por cumprir] – mas o primeiro passo nessa direção foi dado pelo Gorby. Muitas pessoas, a propósito, até hoje não entenderam que foi Gorbachov que as libertou da escravidão comunista – é simplesmente surpreendente como muita gente continua sem se aperceber disso.

Nos vossos comentários escrevam, por favor, o que pensam sobre Mikhail Gorbachov, argumentando a sua posição. Os vossos comentários poderão ser publicados no nosso blogue.

Fotos: BBC | TASS | arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

Bónus

Em 2014 Gorby apoiou a anexação russa da Crimeia ucraniana. Em 26 de maio de 2016, o Serviço de Segurança da Ucrânia proibiu a entrada de Gorbachov na Ucrânia por 5 anos. “Pelo apoio público da anexação da Crimeia, Mikhail Gorbachov, por cinco anos, é proibido de entrar na Ucrânia” – informou o comunicado do SBU.
Gorbachov em dezembro de 2016 | foto: BBC
Em dezembro de 2016, Mikhail Gorbachov sugeriu a possibilidade do surgimento de um novo Estado Unitário no espaço da antiga União Soviética: “Eu acho que uma nova União poderá existir”.

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Amnésia do GULAG na Europa: lutar contra o esquecimento

O projeto italiano Amnésia Gulag na Europa (AGE) origina-se da necessidade de preencher o lapso de memória que durante décadas, caracterizou em toda a Europa, a história das perseguições e extermínios cometidos nos campos de concentração comunistas do GULAG soviético. Este é o objetivo das diferentes atividades educacionais e científicas do projeto.

Uma das obras do projeto, co-financiado pela União Europeia no âmbito do programa “Europa para os Cidadãos”, Acção 4 “Memória Europeia Activa” foi a publicação em 2015 do livro Remembering the Gulag. Images and imagination, editado pela coordenadora do projeto Natascia Mattucci.

Como explica própria Dra. Mattucci no prefácio do livro: “A interseção entre história, filosofia, literatura, artes visuais – já foi frutífera ao lançar luz sobre o totalitarismo nazi e a Shoah como epítome de um século mortalmente violento - é o caminho seguido na pesquisa metodológica para o projeto europeu AGE, Amnesia in Gulag Europe, como testemunham os ensaios coletados neste volume”.

Insurgentes lituanos e ucranianos na luta e na prisão

Após a reocupação soviética da Lituânia e Ucrânia, em ambos os países as autoridades soviéticas encontraram forte resistência armada, conhecida genericamente como “irmandade da floresta” na Lituânia (1944-1953) e Exército Insurgente da Ucrânia, UPA (1942-1955) na Ucrânia.

Após a morte de Estaline e com aumento da mais diversa repressão soviética, os dois movimentos foram bastante enfraquecidos, os caminhos dos insurgentes ucranianos e lituanos começaram se cruzar no GULAG e nos locais de deportação.

por: Darius Juodis, historiador lituano, diretor do Museu do Deportações e da Resistência de Kaunas (Lituânia)

[...]
Representantes de ambas as nações tinham muitos objetivos semelhantes e um inimigo comum. Portanto, não foi difícil chegar a um consenso. As memórias dos antigos prisioneiros políticos lituanos mencionam frequentemente os ucranianos como companheiros de armas com quem construíram amizades pessoais. Eles foram principalmente unidos por um destino comum atrás das grades. Como recorda Jonas Žičkus, um ex-insurgente lituano e prisioneiro de GULAG soviético: «o grupo de prisioneiros consistia em pessoas de diferentes nacionalidades: lituanos, letões, estónios, ucranianos e outras. Todos compartilhamos o nosso fardo por igual e as nossas relações foram normais». Eles eram amigos ao nível humano. Como lembra Danute Ulozaite presa por atividades de resistência: «nós cortamos feno com foices e o secamos e o taiga ressoava com as nossas canções. Foi muito divertido. Nós vivíamos como uma família. As mulheres ucranianas e russas eram amigáveis, elas aprendiam as palavras lituanas e nós aprendemos as suas canções».

Lituanos e ucranianos celebravam feriados religiosos juntos, embora escondiam isso das autoridades prisionais. O ex-preso político Balys Juknevičius recorda: «O Natal chegou – não o primeiro e não o último na prisão. Toda a gente dos Estados Bálticos comemorava, em conjunto, a véspera de Natal. Os ucranianos eram nossos convidados. Na manhã de Natal, os ucranianos saíram para trabalhar usando apelidos/sobrenomes lituanos e lituanos ficaram nas barracas para celebrar o Natal. Os chekistas ficaram surpresos que todos os lituanos saíram para trabalhar durante a festa [pensando] que os ucranianos ortodoxos ficaram nas barracas». Foi assim que eles mostraram sua solidariedade para com outros.

Às vezes havia situações problemáticas. Leonas Vilutis, membro do movimento de resistência lituana lembra como a administração dos campos de trabalho tentou colocar as diferentes nacionalidades umas contra as outras, devido ao medo da unificação e das revoltas. Vilutis recorda um conflito entre lituanos e ucranianos num dos campo de GULAG, que foi incitado pela administração do campo. Os dois lados estavam armados e esperavam apenas uma escaramuça, mas tudo foi resolvido pacificamente e a administração do campo ficou insatisfeita. Segundo as suas recordações: «depois desse teste, os lituanos e os ucranianos uniram as forças». Suas relações amistosas só se fortaleceram. Há evidências de que os presos políticos lituanos e ucranianos lutaram juntos contra a hierarquia dos criminosos comuns [frequentemente apoiados e até armados pela administração dos campos] e venceram.

A unificação foi politicamente motivada. Administração do GULAG e os criminosos comuns se referiam aos lituanos e ucranianos pejorativamente como “fascistas”. Isso incentivou ainda mais a unificação contra um inimigo comum. A unidade das duas nações foi vista durante as revoltas em GULAG, em que os lituanos e os ucranianos participaram ativamente lutando pelos seus direitos. Pranas Skeiveris, um ex-membro da resistência lituana lembra que na revolta de Kengir em 1954 (em que participaram os lituanos e ucranianos, e os ucranianos foram eleitos para o Conselho da revolta): «A frente unida dos prisioneiros durante a revolta foi um enorme consenso político e nacional. Uma noite de amizade entre as nações foi realizada mais tarde, durante a qual recordamos as batalhas comuns contra os invasores e percebemos que nosso objetivo comum era a luta pela liberdade”.

A cooperação entre ucranianos e lituanos também foi notada nas revoltas em Norilsk e Vorkuta em 1953. Bronius Zlatkus, um prisioneiro político lituano, testemunha a situação nos campos de trabalho de Norilsk, onde havia uma relação amigável entre lituanos e ucranianos ocidentais [ucranianos oriundos da Ucrânia Ocidental], e eles se juntavam as forças. A partir de 1952, grupos de resistência foram formados para examinar a situação no campo.

Exemplos atestam que representantes de ambas as nações lutaram de várias maneiras para a independência de seus países e nunca esqueceram as suas aspirações. Tais interesses não tinham objetivos opostos, mas se tornaram a base de uma frente unida durante o seu encarceramento [no GULAG comunista soviético].

Remembering the Gulag. Images and imagination
Editado por Natascia Mattucci
ISBN: 978-88-6056-415-3
Primeira edição (italiana): fevereiro de 2015
©2015 EUM Edizioni Università di Macerata

sábado, dezembro 22, 2018

Testemunhos da barbárie comunista: os escritores que relataram o inferno do GULAG

Ao longo do século XX, milhões de pessoas foram presas e deportadas para campos de concentração na União Soviética. Entre eles estavam muitos artistas e escritores, vários dos quais partilharam a sua experiência em obras que vieram para a posteridade. A censura que sofreram, por parte da esquerda europeia, impediu muitos deles de ver as suas obras publicadas.

Gustaw Herling-Grudziński (Kielce, 20 de maio de 1919 – Nápoles, 4 de julho de 2000) é escritor, ensaísta, jornalista, crítico literário e sobrevivente do GULAG. Foi o primeiro intelectual ocidental a denunciar a existência do GULAG soviético.
Foi libertado do GULAG em janeiro de 1942 para se juntar ao exército polaco do general Anders em março do mesmo ano. Participou, com o Segundo Corpo Polaco/Polonês na Campanha da Itália, nomeadamente na batalha de Monte Casino.
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Em 1951, a editora londrina Heinemann publicou o seu livro “Um Mundo à Parte” em inglês, com prólogo de Bertrand Russell. Foi um dos primeiros testemunhos de horror do GULAG soviético, se tornando o objeto de uma autêntica caça às bruxas pela esquerda europeia, que negava a existência dos campos de concentração na URSS. Na França, nenhum editor teve a coragem de publicá-lo, apesar de os direitos foram adquiridos várias vezes e que próprio Albert Camus recomendou o livro a várias editoras, o livro demorasse mais de trinta anos para ser publicado em francês. Em 1990, livro foi publicado na URSS e na Polónia, onde por décadas liderou o índice de livros banidos pelo regime comunista (fonte).

Pavel Floresnky (Azerbaijão,  Yevlakh, 22 de janeiro de 1882 – GULAG, † 8 de dezembro de 1937), pensador e cientista russo, reconhecido pelo seu poliédrico interesse no campo do conhecimento, foi um dos defensores da necessidade de um pensamento capaz de aproximar e descrever o real em sua multiforme complexidade. O eloquente e convincente testemunho deste pensamento é a sua copiosa e ampla produção filosófico-teológica e científica. 
Em 1933, quando regime soviético decidiu levar Florensky para a prisão em GULAG, as cartas escritas aos familiares tornaram-se ocasião para que ele pudesse refletir pela última vez sobre aquelas intuições originais que estavam na base do seu projeto sobre o “pensamento integral” (fonte).
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Mais tarde, as suas cartas foram publicadas em espanhol sob o título “Cartas de la Prisión y de los Campos” (ler mais sobre o autor em português).

Karlo Štajner (15 de janeiro de 1902 – 1 de março de 1992) foi um ativista comunista austro-jugoslavo e um proeminente sobrevivente do GULAG. Štajner nasceu em Viena, onde ingressou na Juventude Comunista da Áustria, mas emigrou para o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos em 1922 sob a ordem da Juventude Internacional Comunista para ajudar ao recém-criado Partido Comunista da Jugoslávia. 
Karlo Štajner em 1988 | Wikipédia
Em 1932 se estabeleceu na União Soviética, onde trabalhou na editora Comintern em Moscovo. Durante o Grande Terror em 1936, Štajner foi preso e passou os 17 anos seguintes em prisões e campos de concentração, e mais três anos no exílio na Sibéria. Ele foi libertado em 1956 e após ser reabilitado voltou para a Jugoslávia. Passou o resto de sua vida em Zagreb com sua esposa Sonya, com quem se casou em Moscovo na década de 1930.

Em 1971, Štajner publicou um livro intitulado “Sete Mil Dias na Sibéria” sobre suas experiências. O livro foi um best-seller na Jugoslávia e foi nomeado o “livro do ano de 1972” pelo jornal Vjesnik.

Ante Ciliga (20 de fevereiro de 1898 – 21 de outubro de 1992) foi um político, escritor e editor croata, um dos fundadores do Partido Comunista da Jugoslávia (KPJ).
Ante Ciliga | foto: cartoliste
Em 1930, Ciliga ensinou na Universidade Comunista de Leninegrado. Preso pela OGPU, acusado de trotskismo, foi enviado para um campo de GULAG na Sibéria. Pelo resto de sua vida, Ciliga viveu na França e na Itália. Já expulso do Partido Comunista Jugoslavo em 1929, ele mais tarde renunciou à sua posição. Devido à sua cidadania italiana conseguiu sair da URSS em 1935.
Em 1936-1937 em Paris, ele escreveu o livro “No país da Grande Mentira”. Livro foi publicado em 1938. É uma história sobre a sua permanência na URSS e uma análise política do regime comunista, que Ciliga definiu como “capitalismo de estado”. Em seguida, este trabalho foi complementado, a sua versão final foi intitulada “Dez anos no país da Grande Mentira” (En el país de la mentira desconcertante). 
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Em agosto de 1941, ele completou o segundo volume de suas memórias “Sibéria. Terra da deportação e de industrialização” (“The Russian Enigma”).

Vasily Grossman (Berdichiv, Ucrânia, 12 de dezembro de 1905 – Moscovo, 14 de setembro de 1964), foi um proeminente escritor e jornalista soviético, de origem judaica-ucraniana.
Embora Grossman nunca tenha sido preso pelas autoridades soviéticas, suas duas obras-primas (“Vida e Destino” e “Tudo Passa”) foram censuradas na URSS como obras anti-soviéticas. O principal ideólogo da URSS, Mikhail Suslov disse ao Grossman que o seu livro “Vida e Destino” não poderia ser publicado em duzentos ou trezentos anos. 
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No livro “Tudo Passa” o autor descreve a vida Ivan Grigórievitch, um sobrevivente do GULAG, que passou nos campos de concentração sovieticos os últimos trinta anos da sua vida. Posto em liberdade após a morte de Estaline, descobre que os anos de terror impuseram uma escravidão moral coletiva... Quando Grossman morreu em 1964, as suas obras permaneceram inéditas. Foram publicadas na União Soviética apenas após a proclamação das reformas Mikhail Gorbachev. A Vida e Destino rapidamente alcançou enorme sucesso e chegou a ser saudado como uma das maiores obras literárias do século XX.

Victor Serge (pseudónimo do Victor Kibalchich), (Bruxelas, 1890 – México DF, 1947), foi um anarquista, político, escritor, desde 1919 funcionário do Comintern como jornalista, editor e tradutor. Crítico aberto do estalinismo, obrigado a abandonar a União Soviética fugindo à repressão, faleceu no exílio mexicano.
Victor Serge | Wikipédia
Em 1928, Serge é expulso do Partido Comunista e inabilitado para trabalhar para o Governo. Nos anos seguintes, escreve O ano I da Revolução Russa (1930 – existe tradução brasileira, da Editora Ensaio) e dois romances: Homens em Prisão (1930) e O nascimento do nosso poder (1931), além de traduzir para francês as Memórias de Vera Figner. Todas essas obras são banidas da União Soviética e publicadas na França e Espanha.
Victor Serge no GULAG
Serge é detido e levado a prisão em 1933. A maior parte da Oposição de Esquerda acabou por ser executada, mas Serge conseguiu abandonar o país graças às pressões e protestos de sectores políticos em França, Bélgica e Espanha.

No seu conto “O longo crepúsculo” ele conta a história de um professor soviético, detido pelo NKVD e acusado de ser contra-revolucionário devido à um comentário seu sobre a revolução francesa.

Varlam Shalamov (Vologda, Rússia, 18 de junho de 1907 — Tushino, URSS, 17 de janeiro de 1982) foi um escritor, jornalista, poeta, dissidente e prisioneiro político, sobrevivente do GULAG soviético.
Varlam Shalamov na cadeia de NKVD | Wikipédia
Shalamov passou dezoito anos preso nos campos de concentração soviéticos, cumprindo três condenações quase consecutivas por “atividades contra-revolucionárias”. Em 1956 foi reabilitado e retoma a sua atividade literária em Moscovo. 
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Em conjunto com a obra de Soljenítsin, a sua obra Contos de Kolimá é um dos melhores retratos da vida nos campos de concentração soviéticos, principalmente na Sibéria, em condições desumanas, com temperaturas baixíssimas que, como relata, “era tão frio que não era possível pensar em nada”.

Aleksandr Tvardovsky (08/21 de junho de 1910 – 18 de dezembro de 1971) foi poeta e escritor soviético, editor-chefe da revista literária (de cariz liberal) Novy Mir (Novo Mundo) de 1950 à 1954 e de 1958 à 1970.
Tvardovsky publicou o romance de Alexander Soljenítsin “Um dia da Vida do Ivan Denissovich”, verso de Leonid Kiselev, dirigido contra a política agressiva dos czares russos na Ucrânia (“Os Czares”), obra do Ivan Dziuba, já banida na Ucrânia Soviética. Tvardovsky se tornou um dos “desviados” da linha do partido comunista, principalmente após a publicação no Ocidente do seu poema “Por direito de memória (1968), e no início de 1970  foi removido do cargo de editor-chefe da revista.

Oleg Sentsov (Simferopol, Crimeia, 13 de Julho de 1976). Atualmente, na Rússia de Putin, o cineasta ucraniano Oleg Sentsov permanece numa prisão russa no Ártico sob acusações de “terrorismo” que foram denunciadas como amplamente exageradas ou fabricadas por motivos políticos.
A 12 de Dezembro de 2018 Oleg Sentsov recebeu (do Parlamento Europeu) o Prémio Andrey Sakharov para a Liberdade de Pensamento, em reconhecimento e solidariedade para com a sua luta. Na ocasião o Parlamento Europeu apelou à libertação imediata de Oleg Sentsov, descrevendo-o como um símbolo da luta pela libertação de todos os prisioneiros políticos na Rússia.

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