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| Publicidade do «Lada» dirigida ao mercado ocidental. Imagem: Internet |
Palmiro Togliatti foi o secretário-geral do Partido Comunista Italiano. Juntamente com Antonio Gramsci, organizou greves de trabalhadores na fábrica da Fiat na década de 1920. Em 1930, Togliatti aceitou a cidadania soviética e, mais tarde, estabeleceu-se em Moscou/vo. Participou na campanha de denúncias e repressões estalinistas contra os comunistas italianos que trabalhavam na Comintern.
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| «Viva o grande chefe e professor do partido comunista e do povo soviético camarada Estaline». 4.VI.1950, teatro Bolshoi de Moscovo, camarada Togliatti último à esquerda. |
Após o desembarque dos Aliados na Sicília e a capitulação de Itália, regressou à terra natal. Sob a sua liderança, o Partido Comunista Italiano tornou-se o maior partido do país e o maior partido comunista não governamental da Europa, com mais de dois milhões de membros.
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| Camarada Togliatti com as crianças soviéticas, década de 1960 |
Em 1964, Togliatti estava de férias e a receber tratamento na Crimeia. Enquanto visitava o campo infantil de «Artek» (acessível quase exclusivamente aos filhos da supra elite comunista), perdeu os sentidos e morreu subitamente. Uma delegação do partido soviético, chefiada por Leonid Brejnev, acompanhou o caixão de Togliatti até Itália. Dois meses depois, Brejnev, liderou o golpe do Estado que afastou Khrushchev do poder.
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| Nikita Krushechev à carregar o caixão (à direita), Brejnev está, de mãos livres, ao seu lado |
A morte súbita de Togliatti gerou muita especulação, envergonhando os camaradas soviéticos perante os comunistas italianos, e apenas dois meses depois, o Presidium do Soviete Supremo da rússia soviética decretou: renomear a cidade de Stavropol, na região de Kuibyshev, para Togliatti. É um tanto irónico que a cidade onde os carros eram fabricados sob licença italiana tenha sido batizada em homenagem ao homem que arruinou a indústria automóvel italiana.
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| Capa do jornal «Pelo Comunismo», publicado em Stavropol. «À partir de agora a nossa cidade ostentará o nome de Togliatti», 30.08.1964 |
Na Itália, Palmiro Togliatti foi sepultado perante uma enorme multidão. O artista italiano Renato Guttuso criou uma tela de grande escala para a ocasião, com a participação de Angela Davis, Ho Chi Minh, Dolores Ibárruri, Rosa Luxemburgo, Luchino Visconti, Salvatore Quasimodo, Jean-Paul Sartre, Estaline e cinco (!) Lenins. Khrushchev não está na pintura.
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| Obra do Renato Guttuso. Cinco Lenines e nenhum Khruschev... |
Falando sobre o Lada. No início da década de 1960, havia uma escassez catastrófica de automóveis na URSS. Khrushchev, e depois Brejnev, estabeleceram o objetivo de criar um automóvel popular produzido em massa — barato e fiável. A capacidade tecnologíca soviética própria era insuficiente para tal salto, pelo a URSS decidiu comprar uma solução já feita.
O lado soviético negociou simultaneamente com várias empresas ocidentais — Volkswagen, Renault, Ford, Peugeot e Fiat. Cada uma ofereceu o seu próprio modelo e condições para a construção da fábrica. A Renault era considerada a principal concorrente, com o seu hatchback de tração dianteira, o Renault 16, o «Carro do Ano 1966» na Europa. Tecnicamente, era mais avançado que o Fiat 124, mas esse mesmo facto jogou contra ele.
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| «Me chamo Fiat 124», a publicidade italiana de 1966 |
O Fiat 124 era um projeto clássico e simples: tração traseira, um motor básico, nada de luxos. Já o Renault 16, de tração dianteira, parecia demasiado complexo para a realidade soviética — tanto para a produção, como para a manutenção.
Mas o principal argumento acabou por ser político, não económico. O Partido Comunista Italiano era o maior partido comunista da Europa Ocidental, e as relações italo-soviéticas eram significativamente mais cordiais do que com a França, a Alemanha ou, principalmente, os Estados Unidos. Brejnev, depois de devolver Togliatti de Itália, após o seu funeral, disse: «Os italianos são mais próximos de nós».
A 4 de maio de 1966, foi assinado um protocolo de cooperação em Turim e, a 15 de agosto de 1966, foi assinado um acordo geral em Moscovo. A Fiat comprometeu-se a construir uma fábrica com capacidade para 660.000 veículos por ano na cidade de Togliatti. Que coincidência! Que símbolismo!
Os engenheiros soviéticos fizeram centenas de alterações ao design da Fiat 124 – simplificando o design, embora também reforçaram a carroçaria, aumentaram a altura ao solo, possivelmente pioraram o motor, reforçaram o motor de arranque, alteraram os vedantes e tentaram melhorar a proteção contra a corrosão em climas de inverno.
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| Publicidade de «Lada» no mercado da Alemanha Ocidental, 1970 |
O primeiro modelo de Lada «Zhiguli», lançado no mercado soviético em 1970, custava cerca de 5.600 rublos (9.655 dólares ao câmbio oficial soviético). Com um salário médio de 120 rublos, um cidadão soviético tinha de poupar totalidade dos seus rendimentos durante quase quatro anos para comprar um automóvel. Sob o «cabrão» Mussolini, um italiano podia comprar o carro popular economizando apenas um ano e meio.
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| Publicidade ocidental de «Lada» 2102 «Kombi», 1970 |

















































