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segunda-feira, julho 22, 2019

Ucrânia fez a sua escolha, é menos má, podia ser muito pior

As legislativas ucranianas decorreram neste domingo, partido do presidente eleito ganha a maioria dos mandatos, mas fica abaixo da maioria simples (226 deputados), abstenção histórica foi superior aos 50%.
Boa notícia é que todos aqueles que nos últimos 5 anos se dedicaram à propaganda anti-Poroshenko não entram no futuro parlamento ucraniano: coronel Hrytsenko, presidente do conselho municipal de Lviv – Andriy Sadoviy (seu partido Samopomich consegue apenas 0,6% de votos), nacionalistas com slogans e ideias esquerdistas, encabeçados pelo Oleh Tiahnybok (a sua lista conjunta dos nacionalistas unidos consegue cerca de 2% de votos), o ultra-populista Oleh Liashko, populista georgiano Mikheil Saakashvili... Todos foram dispensados e todos vão para uma espécie de lixeira política.

É especialmente caricato, se recordarmos, que muito recentemente Andriy Sadoviy sonhava com o posto do Primeiro-ministro (e em 2014 era uma figura presidenciável).

As próximas eleições municipais, muito possivelmente também antecipadas, poderão mudar, por completo, a composição política da Ucrânia.

Bónus

Prognóstico das eleições, dado pelo mentor e financiador do presidente Zelensky – oligarca ucraniano Ihor Kolomoysky nas vésperas das eleições:
Pelo meu prognóstico o Empregado/Servidor do Povo irá eleger 115-125 deputados pela listas partidárias, outros 40-70 deputados elegerá pelos circuitos uninominais (são 199 mandatos). Para a maioria faltarão cerca de 50 votos.

Significa que terá que formar a coligação/coalizão. Não se pode fazer coligação com Poroshenko ou Plataforma de Oposição, então sobram Vakarchuk (Holos) e Tymoshenko (Batkivshyna).

A opção mais preferida é a coligação com Vakarchuk, mas Tymoshenko também é uma boa possibilidade, se apresentará as exigências razoáveis aos postos governamentais. Nem podemos descartar, de tudo, mesmo a Plataforma de Oposição, se eles optarem pelo rebranding (fonte).

Bónus II
Na cidade de Lisboa votaram apenas 729 eleitores (dos cerca de 50.000 ucranianos residentes em Portugal); em Roma também votaram menos de 1.000 eleitores dos 8.009 lá registados. Na Austrália votaram apenas 4% dos 1.541 eleitores registados.

quarta-feira, julho 10, 2019

Ucrânia: entre Europa civilizacional e cú da história

O blogueiro ucraniano Volodymyr Zavgorodny desenhou esquematicamente o caminho civilizacional que Ucrânia percorreu nos últimos 30 anos. Sempre cambalhotando entre “Europa” e “cú da história”, ou seja entre a civilização e um beco sem saída.

Autor explica que não deve ficar preso aos termos, bastante aleatórios. À direita poderia ser escrito “império russo”, “URSS”, “federação russa”, “Horda Federativa Tartaro-Mongol”, “União de Taiga” ou mesmo outras versões alternativas especialmente excêntricas do universo.

Da mesma forma, do lado esquerdo, em vez da palavra “Europa”, poderia ser escrito “marditos liberais”, “liberdades civis”, “a economia que realmente funciona”, “Estado de Direito" e até “a oportunidade de ganhar mais de meio varenyk”, pode não ser muito óbvio, mas por via de regra, todas essas coisas estão inter-relacionadas: pessoas ganham dinheiro com mais frequência e mais facilidade em países onde há liberdades e funciona a economia de mercado, e menos frequentemente e mais difícil é ganhar dinheiro nos países onde em vez de liberdades e do mercado reinam as tradições retrógradas, fé medieval e outros mísseis Iskander que tentam se rir de uma forma desagradável.

[...]

E somente nos últimos anos Ucrânia [...] se afastou bruscamente de abraços imperiais amorosos. Sistematicamente se movendo na direção à Europa. Introduzindo as reformas, descentralização, descomunização, isenção de vistos, companhias aéreas de baixo custo, Tomos, renovando o exército – uma lista completa de coisas que alguns de ucranianos acham que “não se pode comer ao pequeno-almoço/cafe-de-manha” e, portanto, limitadas na sua visão e perspectiva, persistentemente tentam meter no cú. Independentemente de alguém gostar ou não, tudo isso aconteceu durante a presidência do presidente Petró Poroshenko. Embora, outros são livres de pensar que isso é apenas uma mera coincidência.

E agora olhamos novamente para o nosso cronograma, o que acontece depois. E vemos que em geral, o que acontece, não é uma coisa muito boa. Porque [oligarca] Kolomoisky está perseguir as companhias aéreas de baixo custo, o nome de [carniceiro] Zhukov é devolvido às ruas, o [lugar-tenente do Yanukovych] Portnov retorna ao país e manda, cada vez mais, não apenas na Internet, e o novo presidente em vez de uma janela para a Europa, quer reconstruir a ponte aos territórios ocupados. São os seus interesses. Nem se sabe como tudo isso aconteceu.

Por favor, notem que o último ponto no gráfico é mais à direita, mas ainda não se enquadra na área convencionalmente designada por nós como “cú”. Isto é, de alguma forma ainda há esperança. Há esperança para conseguir chamar à razão, há esperança de mudança.
Mas a tendência é simplesmente alarmante, entendem?
Ora o presidente eleito despede o [ministro dos negócios estrangeiros] Klimkin, ora o amigo do presidente eleito quer fornecer a água à Crimeia ocupada, ora o canal da TV anuncia “os pontes televisivos de amizade”, porque eles precisam urgentemente conversar com alguém.
Para onde Ucrânia irá a seguir?

sábado, junho 08, 2019

O comediante Volodymyr Zelensky ganhou triunfantemente o poder na Ucrânia, mas ninguém acredita nele

Ucrânia tem um novo presidente, o país com 40 milhões de habitantes agora é governado por Volodymyr Zelensky, um ator e artista sem experiência política, sem equipa e de fa(c)to, sem nenhum programa.

por: Serhiy Zhadan*, Neue Zürcher Zeitung

Em 20 de maio, Volodymyr Zelensky foi solenemente apontado como o sexto presidente da Ucrânia. Isso encerrou um período extremamente intenso de seis meses para Ucrânia, caracterizado por campanhas eleitorais, promessas, acusações, agitação relacionada à propaganda e suspeita populista de manipulação. Ucrânia agora tem um novo presidente, o país com 40 milhões de habitantes é agora governado por Volodymyr Zelensky, um ator e artista sem experiência política, sem equipa e de fa(c)to, sem nenhum programa. Zelensky conseguiu um resultado incrível – 73% dos votantes votaram nele.

O resultado reflete muito claramente o humor na sociedade ucraniana: os eleitores estão cansados ​​do sistema político anterior, a ideia deles – na qual a propaganda russa desempenhou um papel fundamental – há muito tempo a pobreza, a ausência de reformas genuínas, corrupção e o fracasso dos esforços de paz na Donbas.

Toda a retórica da campanha eleitoral teve como objetivo culpar pessoalmente Petró Poroshenko, [imputar-lhe] a responsabilidade por todos os abusos no país. Os meios de comunicação russos declararam abertamente que, para a Rússia (e, portanto, também para seus simpatizantes na Ucrânia), a meta eleitoral era destituir Poroshenko do poder; os canais de TV da Ucrânia, que estão sob o controle de oligarcas hosis ao Poroshenko, em princípio, diziam o mesmo.

Ler mais em alemão. 
foto: The British Library
* Serhiy Zhadan, nascido em 1974 em Starobilsk, é um dos principais autores da Ucrânia contemporânea.

domingo, maio 19, 2019

Os retratos do Grande Terror comunista na Ucrânia

Maria Bahliy-Ivanenko nasceu em 1912 na região de Kyiv. Tinha apenas 25 anos, quando foi fuzilada em 4/02/1938, decisão da “tróica” de NKVD, acusada da “atividade de espionagem à favor do governo do Japão”. Maria era simples costureira em Kyiv.

Cada ano, no terceiro domingo de maio Ucrânia e os ucranianos recordam as vítimas do Grande Terror comunista. As repressões políticas — são perseguições de uma pessoa ou grupo na sociedade por razões políticas, a fim de restringir ou impedir a sua capacidade de participar na vida política de uma sociedade, reduzindo assim as suas posições entre os seus concidadãos.

Hoje, podemos não sentir, ao nível individual, as repressões da época da União Soviética, mas estamos precisamente todos os dias lidando com suas consequências como país, como comunidade e como a nação. O regime bolchevique matou centenas de milhares de pessoas que deveriam viver e criar. Perda de Independência política transformou-se aos ucranianos no exílio, tortura e balas na nuca. Para o resto, foi um medo constante de se comunicar, unir, ter fé ou confiar.

Há 81 anos, neste dia em Kyiv, em 19 de maio de 1938, nas prisões do NKVD foram fuziladas 563 pessoas. Os fuzilamentos, por via de regra, conduziram-se no pátio de prisões, em porões do NKVD ou imediatamente antes do enterro. Inicialmente, nos cemitérios eram designadas áreas especiais para os enterros em massa. No auge das repressões comunistas, a fim de ocultar a escala dos crimes, NKVD mudou essa prática. Nos pomares, parques, florestas suburbanas, eram escavadas valas comuns, muitas vezes os cadáveres eram cobertos pelo cal.
 
Segundo os historiadores, na área secreta do NKVD na floresta de Bykivnya, o número total de mortos e executados pode ser de 20 à 100 mil pessoas. Aqui estão sacerdotes e estudiosos, camponeses e operários, artistas e escritores, atores e engenheiros, compositores e funcionários públicos. Suas vidas foram brutalmente interrompidas como parte da implementação do mais um “plano” de Estaline/Stalin de construção do paraíso comunista. Os túmulos na floresta de Bykivnya são comuns, mas não são anónimos.
As comunidades e nações desenvolvidas diferem de outros pela sua capacidade de lembrar as páginas mais terríveis de sua história e não se esconder delas, mas se fortalecer à partir delas. O poder de divulgar a verdade sobre aqueles que já não podem fazer isso sobre si mesmos. O poder de proteger o outro e o mundo do mal.
O Presidente e a 1ª Dama, Petró e Maryna Poroshenko
Este é o nosso passado. Que este nos torne mais fortes. Vamos se lembrar.

Instituto Ucraniano de Memória Nacional (UINP).

sexta-feira, abril 19, 2019

O comediante contra o Herói da Ucrânia

A edição online do The Wall Street Journal publicou a opinião do filósofo francês Bernard-Henri Lévy sobre as eleições presidenciais na Ucrânia: “Petró Poroshenko, o homem que enfrentou Putin, merece mais do que ser demitido por capricho da história”.

A campanha do primeiro turno da eleição presidencial na Ucrânia acabou de terminar. Estamos em 30 de março e eu estou numa marisqueira perto da Catedral de Santa Sofia [em Kyiv] com um homenzinho de camiseta preta, com a voz um pouco rouca, transbordando de energia de alta octanagem. Volodymyr Zelensky ainda é um comediante pouco conhecido. Ele chocará o mundo amanhã, chegando muito longe na primeira volta / no primeiro turno de votação.

Dado que o artigo do The WSJ é só para os assinantes, eis a síntese da opinião do Bernard-Henri Lévy sobre os dois candidatos, certamente algo simplista, mas que vale o que vale, vinda de uma das últimas mentes mais brilhantes da velha Europa.

Volodymyr Zelensky vale mais do que a sua caricatura, e talvez [ele] não é um populista, que eu [Bernard-Henri Lévy] o descrevi ontem [4/04/2019] em meu discurso, proclamado na Universidade Taras Shevchenko [de Kyiv].

[...]
Mas eu estou triste por Petró Poroshenko, a derrota do qual é muito difícil de aceitar para mim: o homem que se aguentou perante Putin, comandante-em-chefe, à quem eu acompanhei até a linha da frente, em Kramatorsk, junto às cabeceiras das vítimas de bombardeamentos horríveis realizados por separatistas pró-russos, o gigante ucraniano, imprevisível, mas firme, que eu vi no meio do inverno ucraniano, na sua oposição às desgraças e à solidão, merece mais do que ser demitido por causa dos caprichos da história...

sábado, abril 13, 2019

A pauperização da Ucrânia medida pelo Banco Mundial

Segundo os dados do Banco Mundial, o nível da pauperização (cidadãos que vivem abaixo do nível da pobreza) na Ucrânia é o mais baixo da sua história e se situa em apenas 2,4%.

É de notar que entre 2010 à 2014 este nível variou entre 7,8%-9%, mas desde 2014 começou à cair e em 2017 media apenas 2,4%.

Na federação russa, pelo contrário, o nível da pobreza subiu desde 2014 de 11,2% ao 13,2%.
Faça click para verificar os dados você mesmo
São dados do Banco Mundial, nem todos os fãs do Zelensky irão acreditar neles, vários países da Europa e do Ocidente confiam (spoiler – todos).

Por isso, quando os fãs do Zelensky entram em histeria a gritam que “Ucrânia foi levada à pauperização” e/ou “nunca vivemos tão mau economicamente” – se recordem como Ucrânia viveu 10, 15 ou 20 anos atrás.

Grunho e drogado não conseguirá fazer melhor, mas facilmente faria pior.
Assim ficou mais claro?!! (fonte) 

quinta-feira, abril 11, 2019

Porque Ucrânia precisa do Presidente Poroshenko e não de um palhaço?

Encontro de Normandia com a participação do Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko, Presidente da França François Hollande, Chanceler da Alemanha Angela Merkel e presidente da federação russa Putin em Milão, Itália, em 17 de outubro de 2014.


Olhe para os rostos, em seus mimetismos. Sinta a atmosfera. Imagine que você esteja segurando a câmara, e não o fotógrafo ucraniano Mykhaylo Palinchak.

Encontro em formato de Normandia, 17 de outubro de 2014. Esta foi a segunda reunião, e a primeira foi realizada no dia 6 de junho do mesmo ano. Apenas um dia antes da inauguração oficial do presidente Petró Poroshenko, apenas 12 dias após a sua eleição.
Nas reuniões deste nível não há assistentes e consultores, não há peritos e equipas. Estão lá os líderes de países e seus tradutores. As sedes das campanhas, conselheiros, ministros – eles também estão lá, mas eles não podem intervir ou ajudar, eles trabalham nos bastidores em procedimentos preparatórios. E no próprio encontro do mais alto nível – bem, no máximo podem fazer passar uma nota.

Agora imaginem uma exacerbação na linha da frente/front. Em maio de 2019, por exemplo. A União Europeia começará a manifestar a sua preocupação e organizará uma reunião no formato de Normandia. E de cada palavra, de cada gesto, da expressão da face e do tom da fala – disso tudo dependerão as VIDAS REAIS dos combatentes que naquele momento entrarão em combate.

Não daqui um ano, nem daqui dois anos. Imagine isso pode acontecer daqui à um mês. Por exemplo, em 3 de maio deste ano. Doze dias após a eleição presidencial.

Agora imaginem no lugar do Petró Poroshenko o...

Dessa forma fica mais claro?

Blogueiro: Na diplomacia existe um truque. Uso do tradutor, mesmo quando se domina a língua do seu interlocutor. A tradução leva algum tempo, embora não muito, e isso é um par de segundos extras para pensar. Todos os diplomatas estão cientes disso. O facto de Petró Poroshenko falar diretamente com os seus interlocutores (o presidente ucraniano domina bem 6 idiomas), sem uso dos tais segundos, diz muito sobre o caráter e as qualidades dele.

segunda-feira, abril 08, 2019

As análises que Zelensky aposta em esconder do público ucraniano

As análises da despistagem de drogas e do álcool do apresentador Zelensky (inovação do Zelensky) foram recolhidas por um ator do estúdio dirigido pelo próprio Zelensky, à trabalhar (no laboratório escolhido por Zelensky) como massagista (Sic!)

Após na Ucrânia serem conhecidos os dados dos exit-polls da 1ª volta/1º turno da eleição presidencial, que colocaram o ator e apresentador Volodymyr Zelensky no primeiro lugar da escolha dos ucranianos, o chefe do seu estado-maior eleitoral tinha dito que: “Zelensky participará nos debates apenas se haverá a demanda disso da sociedade ucraniana e essa demanda não existe”.

De seguida, Zelensky desafiou o Presidente Poroshenko aos debates, fazendo isso, propositadamente, em termos ao máximo grosseiros e inaceitáveis, na sua forma e no conteúdo, contando com a recusa do Presidente (exigindo os debates num estádio e não no estúdio; desafiando Yúlia Tymoshenko para ser a “moderadora”; exigindo a divulgação da declaração financeira do Presidente; exigindo a efetuação das análises da despistagem de drogas e do álcool; exigindo o pedido de desculpas do Petró Poroshenko que o chamou de “criatura do [oligarca] Kolomoysky”, exigindo a resposta, para tudo isso, em apenas 24 horas, entre outras coisas semelhantes):

A lei ucraniana é clara, os debates, entre os dois candidatos mais votados na 1ª volta/1º turno, e com a duração de, no mínimo 1 hora, são organizados pelo canal da TV pública da Ucrânia, com a transmissão pelos outros canais públicos da TV e rádio, e devem ser organizados, neste caso, no dia anterior ao “dia de silêncio”, ou seja no dia 19 de abril de 2019.

Presidente Poroshenko, aceitou o desafio, incluindo o local proposto pelo seu adversário, fazendo isso num vídeo bastante respeitoso para com Zelensky, que tratou Presidente pelo “tu”, apenas emendando a sua “falha” propositada de seguida, para conseguir mais uma graçola junto ao seu eleitorado:

Depois começaram as coisas verdadeiramente intrigantes.

Já no dia 5 de abril, pela manha cedo, o Presidente Poroshenko efetuou as análises clínicas no laboratório do Complexo Nacional Desportivo “Olimpiysky” (Olímpico), no gabinete do controlo médico e de antidopagem (até dia 15 de abril de 2019 o gabinete receberá as excursões pagas, e em grupo, de adultos e crianças ao preço entre 40-50 UAH (1,48-1,85 dólares) e 80-100 UAH (2,96-3,7 dólares) respetivamente, escreve Inforesist.org). Os resultados das análises, que o Presidente da Ucrânia fez em direto, mostraram que Petró Poroshenko está livre influência de álcool e das drogas.
De repente, Zelensky afirmou que não confiava no laboratório do “Olimpiysky”, local que ele próprio escolheu como o local dos debates e diz que faria as suas análises no laboratório EuroLab, pertencente a um amigo seu, que apoia ativamente a candidatura do Zelensky à presidência da Ucrânia.

Os primeiros dados das análises do Zelensky foram publicados com a data 2 de abril (na realudade foram efetuadas no dia 5 de abril), o laboratório explicou o sucedido com o erro da funcionária, que digitou o texto. Realmente foi um grande erro.

Na página do laboratório está escrito: “Laboratório médico EUROLAB representa o mais moderno complexo, certificado pela TUV ZUD ISO 9001:2008 e ISO 15189: 2012”. Adiante o laboratório afirma que “introduziu um sistema de informação digital único, baseado em codificação de estágio completo, eliminando a influência do “fator humano”.”
O que significa que ou análises do Zelensky efetuadas na EuroLab são falsas ou nem sequer foram efetuadas. Muito possivelmente, o laboratório usou os resultados das análises de uma outra pessoa, realmente efetuadas no dia 2 de abril de 2019, apenas redigindo o nome do paciente em programa Photoshop ou semelhante (Facebook automaticamente marca a imagem como resultado de Photoshop, mas isso não constitui uma prova definitiva).

Até que o blogueiro ucraniano Vladimir Zavgorodny reparou numa outra coisa muito comprometedora:
Os dois documentos do laboratório, datados de 2 e de 5 de abril — são assinados pelo mesmo clínico (Galagan N.,), que tem o mesmo número de identificação, mas duas assinaturas diferentes.
Mas há mais. As análises de sangue do Zelensky foram efetuados pelo ator semiprofissional Vladislav Kiryakulov, que participou na série «Svaty» (literalmente “Casamenteiros”), produzida pelo estúdio «Kvartal 95», dirigido pelo próprio Zelensky.
Na página do laboratório está escrito que assistente médico Kiryakulov trabalha no «EuroLab» há 10 anos, é um massagista, especialista em higiene geral, com a especialização em seleção de palmilhas individuais “Footbalance”, tratamento de “pés chatos, fascite placentária, esporões ósseos, joanete, pronação e supinação excessiva”.
Como ator, Kiryakulov  participou nos filmes “Ucrânia, goodbye!”, “Duplo do killer”, “Caça ao werewolf”, “Paramédico”. Também esteve no elenco da 8ª temporada ucraniana do show culinário “Master Chef”.

E por último, nascido em 1978 e jurista de profissão, Zelensky nunca serviu no exército e como indica o documento que publicamos recebeu, entre março de 2014 à agosto de 2015 (no momento, em que Ucrânia estava lutando até a morte, quando os meninos, que nunca tinham visto a arma antes da guerra, foram para a linha frente para se tornarem heróis) recebeu ao menos 4 (quatro) notificações do Comissariado Militar, mas nenhuma dos quais foi entregue, porque Zelensky nunca foi localizado no endereço que próprio mencionou como o seu local da residência.
Ou seja, se a parte da chamada militar se confirmar, então o FUJÃO, que se escondia deliberadamente das chamadas do exército ucraniano, agora pretende ser o Comandante Supremo das Forças Armadas da Ucrânia...
Blogueiro: existem fortes razões de pensar que Zelensky é um usuário recreativo de alguma droga pesada, naturalmente ele fará tudo para esconder as suas verdadeiras análises. Mas mais importante, apenas neste pequeno episódio, o candidato Zelensky mostrou, até em demasia, o que representa a sua “nova cara” na política: clientelismo, favorecimentos indevidos, falsificações, desrespeito, entre outras coisas semelhantes, enumerem vocês mesmos.   

domingo, março 31, 2019

Eleições presidenciais na Ucrânia: 2ª volta entre Zelensky e Petró Poroshenko

O cómico Volodymyr Zelensky e Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko passaram para a 2ª volta/o 2º turno das eleições presidenciais na Ucrânia, segundo os dados de exit-poll nacional, citado pela agência «Interfax».

Zelensky conseguiu 30,4% dos votos, Petró Poroshenko — 17,8%, Yúlia Tymoshenko — 14,2%.

Segundo os dados do exit-poll citado pelo serviço noticioso TSN (favorável ao candidato Zelensky), até 18h00 (hora ucraniana) Zelensky recebeu 30,1% dos votos, Petró Poroshenko — 18,5%, Yúlia Tymoshenko — 14%. Os dados da agência de estudos de opinião SOCIS apontam que às 19h00 Zelensky obteve 29,25% dos votos, Petró Poroshenko — 19,19% e Tymoshenko — 13,75%.

O exit-poll citado pela TSN foi efetuado no dia 31.03.2019 na saída da boca das urnas pelas empresas Kantar TNS e Info Sapiens, ao pedido do canal da TV 1+1 (as três entidades favoráveis ao candidato Zelensky). Foram abordados cerca de 20.000 eleitores maiores de 18 anos à saída de 600 assembleias de voto em toda Ucrânia (menos Crimeia, territórios ocupados e assembleias de voto especiais e no estrangeiro). Erro teórico não superior ao 0,7%.

Os resultados definitivos oficiais serão apurados até o dia 10 de abril. No total, na 1ª volta/ no 1º turno, neste domingo, 31 de março de 2019, participaram 39 candidatos. 2ª volta/2º turno terá o lugar no dia 21 de abril.

Blogueiro: caso estes dados se confirmem, a grande derrotada destas eleições será Yúlia Tymoshenko, efetuando uma campanha extremamente cara (avaliada em cerca de 250 milhões de UAH ou 9.250 milhões de dólares), que começou entre 12 à 9 meses antes da reta final. A derrota da Yúlia Tymoshenko afasta, em definitivo, o pior cenário eleitoral possível, a disputa na 2ª volta/no 2º turno entre os dois populistas, Zelensky e Tymoshenko.
Para já tudo indica que o Presidente Poroshenko tem bastante margem para o crescimento eleitoral e que o seu rival atingiu a margem máxima de aceitação. Mas muita coisa pode acontecer em 21 dias, na política é uma eternidade. O resultado definitivo dependerá dos acordos que os dois candidatos conseguirão fazer para reforçar as suas posições. 

sábado, março 23, 2019

As operações de “medidas ativas” russas contra os EUA e Ucrânia

O ex-agente especial do FBI, ex-oficial do exército dos EUA e especialista em segurança cibernética, Clint Watts, oferece um olhar devastador e essencial das campanhas de desinformação, notícias falsas e operações de espionagem eletrónica, que se tornaram a vanguarda da guerra moderna russa contra os EUA e contra Ocidente.
De momento, Clint Watts é o principal perito americano em “higiene digital”, ele chegou a testemunhar perante a Comissão do Senado no âmbito da investigação sobre o presidente Trump e da interferência russa nas eleições dos EUA. As imagens são extraídas do seu livro Messing with the Enemy.
Ler mais e/ou comprar o livro
Clint Watts explica como funciona o sistema russo dos hackers, trolls e “medidas ativas”, que neste momento está sendo estudado por outros países no intuito de o perceber para poder contrariar, usar e se defender dele.

As “medidas ativas” russas estão estruturadas em três níveis.
Profissionais (IRA), conhecidos como “trolls de Olgino”;
Apoiantes;
“Idiotas úteis”, que são a maioria.

Os trolls de Olgino reúnem os apoiantes em grupos em que estes se comunicam, sem desconfiar que o grupo é organizado pelos agentes/operativos russos, em seguida, no grupo são despejadas determinadas informações, os apoiantes partilham a informação pela Internet e o trabalho principal é feito por “idiotas úteis”, que buscam e distribuem a informação no resto da sociedade.

Assim é criado o vírus das determinadas informações que são úteis aos russos.

O blogueiro Michael Bernadsky explica como as táticas russas são usadas na Ucrânia:

“Cria-se uma conta no FB. A foto de uma pessoa é selecionada, roubada na Internet. À foto é anexada a bandeira ucraniana. Ou a frase “Free Sentsov!”. A conta é ativa. Usuário reposta constantemente notícias ucranianas sem qualquer importância. Faz parte de várias comunidades ucranianas. Desde “Kiev Interessante” até “Amantes de bordados ucranianos”. Usuário analisa os perfis dos visitantes e/ou dos seus amigos. Seleciona os “apoiantes”. Comunica com eles em privado. Cria o seu próprio grupo, por exemplo, “Diga não à corrupção na Ucrânia!” Convida os amigos e apoiantes à aderir ao grupo, depois convida toda a gente fazer o mesmo. O mesmo usuário opera várias contas, que se “comunicam” ativamente umas com as outras. Os usuários deste tipo (trolls de Olgino) são vários. Todos são amigos uns dos outros, todos se “comunicam” ativamente. Qualquer tópico escolhido por seus bots e bots de seus colegas parece uma conversa real. Nela participam os “apoiantes” e até os usuários desavisados que não percebem que estão envolvidos numa teia de “medidas ativas”. Eles são o alvo. Os chamados “idiotas úteis”. Eles reagem à qualquer “isca” e a espalham pela Internet. Além de notícias simplesmente polarizadas e pré-selecionadas, são lançadas as notícias falsas, as chamadas fake news. Eles também se espalham pela rede.

Fábrica de Lipetsk! Offshores! Férias nas Maldivas! Alcoolismo! Patronato dos corruptos. Lucrando com a guerra. Ficou rico em suprimentos militares!

Toda essa porcaria como um vírus se espalha pela rede”...

A receita do Clint Watts para combater as fake news – as refutar imediatamente na Internet para que as notícias falsas não tenham tempo para ganhar o impeto. Clint Watts também avisa que neste momento o poder total do sistema usado na Ucrânia está direcionado contra Presidente Petró Poroshenko.

Como uma vez disse o jornalista russo Arcady Babchenko: “a primeira coisa que Ucrânia deveria criar, é o instituto do estudo da Rússia”...