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domingo, junho 07, 2020

Morrer de tortura em Minneapolis ou no aeroporto de Lisboa

Muitas questões se levantam quando um cidadão que entra em Portugal com um visto de turista é torturado até à morte numa sala do aeroporto de Lisboa. Mas onde estiveram então as ONG’s e os activistas?

A 12 de março, em Lisboa, nas instalações do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) foi torturado até à morte um cidadão ucraniano de nome Ihor Homenyuk.

por: Zita Seabra, Observador.pt

Segundo os jornais vêm a divulgar posteriormente, citando, entre outras fontes, a acusação aos inspetores do SEF, estiveram sentados em cima dele, esmagando-lhe o tórax contra o solo. Depois de Ihor ter sofrido um ataque epilético, caiu e partiu os dentes. Tinha sinais de pancada e morreu depois de horas de agonia, atado com fita cola e preso com algemas.

Segundo relata a jornalista Joana Gorjão Henriques (Publico, 10 de maio de 2020): «O cidadão ucraniano que morreu no SEF do aeroporto esteve 15 horas manietado com fita-cola e algemas. Foi visto assim por enfermeiros, inspetores, chefes. Ficou numa sala preso, durante horas, com as calças pelos joelhos e cheiro a urina. O médico que passou o óbito não viu agressões e deu-a como morte natural. Auto de óbito do SEF também não refere qualquer lesão.»

No Observador de 1 de Abril de 2020, Sónia Simões e Kimmy Simões escrevem sobre as provas recolhidas pela PJ: «Ucraniano esteve fechado numa sala, após ter sido brutalmente agredido por três inspetores do SEF, durante 8 horas, segundo as provas recolhidas pela PJ. E foi encontrado já morto.» Continuam: «O corpo de Ihor Homenyuk, o ucraniano assassinado no aeroporto de Lisboa, apresentava tantos hematomas e tantos sinais de ter sido barbaramente espancado que quase não seria necessária uma autópsia para perceber qual tinha sido a causa da sua morte.»

Muitas questões se levantam se um cidadão que entra em Portugal com um visto de turista é torturado até à morte numa sala do aeroporto de Lisboa. Torturado, segundo a acusação, espancado e com alguém o esmagando, sentando-se, repito, sentando-se em cima do seu tórax até o esmagar. Tudo segundo a acusação ou a PJ.

No seguimento das notícias de alguns jornais, o ministro da Administração Interna foi chamado ao Parlamento e manifestou justas palavras de vergonha pelo sucedido. Os três inspetores foram detidos e seguiram para casa, em razão do covid-19. Sabe-se também que o diretor do SEF no aeroporto foi substituído.

Reconheçamos que é muito pouco.

Assassinar barbaramente, por tortura, no aeroporto de Lisboa, um cidadão ucraniano, refugiado ou emigrante ilegal, é um sobressalto em qualquer Estado de direito. No entanto, não tenho notícia de nenhum sobressalto cívico em Portugal. Nada. Nenhuma manifestação no aeroporto, nenhuma homenagem, nenhum memorial, nenhum voto (que eu saiba) no Parlamento, nenhuma palavra do Presidente da República, nenhuma palavra do primeiro-ministro. Que tristeza.

E das organizações de direitos humanos? Onde estão as ONG’s, a Amnistia Internacional e o SOS Racismo? Que fizeram os Médicos do Mundo, que têm intervenção no aeroporto de Lisboa? E a Ordem dos Médicos? Será verdade que um médico assinou uma declaração em que consta «morte natural»? Fez-se-lhe um inquérito? E o SEF é tutelado por quem? Os inspetores, que estavam em casa, continuam lá? E todos os funcionários e inspetores zelosos que passaram por lá foram acusados? E o sofrimento e medo das pessoas que estavam nas instalações, emigrantes com filhos, foram ouvidos os seus testemunhos? Havia, dizem, crianças por lá. Alguém afagou o seu medo e lhes deu colo?

Muito mais perguntas poderiam ser feitas e devem ser feitas para que seja feita justiça.

O polícia que nos Estados Unidos asfixiou um cidadão é uma imagem tão brutal que sempre que as nossas televisões o mostram não consigo ver nem imaginar o sofrimento de uma morte assim. Mas quando li e comecei a acompanhar as notícias da tortura até à morte de Ihor também não consegui imaginar o sofrimento deste ucraniano, que chegou a Portugal à procura de uma vida melhor.

Mas, excluindo a preocupação de um punhado de jornalistas (homenagem lhes seja feita), a sua morte passou – quase – em silêncio.

Ao tentar perceber as razões, só encontro uma: que interesse pode ter a morte de um ucraniano? Os ucranianos são sempre números. Morreram milhões de fome no Holodomor ou «Holocausto Ucraniano». Estaline matou milhões, cinco milhões, durante os anos de 1932 e 1933. Estão habituados

Mortos pelos comunistas soviéticos, entre 1932 e 1933, não existem, não contam. São números. Aliás, as vítimas do comunismo não são iguais às vítimas do nazismo. São apagadas da História.

Que importância tem para o mundo um ucraniano torturado e morto no aeroporto de Lisboa? E que, segundo a acusação, alguém se tenha sentado em cima do seu tórax e que tenha ficado em agonia horas, sem ser levado ao hospital? Algum deputado europeu se preocupou com isso e interrogou o governo português? Algum deputado português levou um voto ao Parlamento?

Importantes são as vítimas que possam ser usadas para fins políticos, que interessem a agendas da esquerda. Os outros apagam-se.

Chama-se a isto relativismo.

Mas o mundo só será melhor se uma vítima na América for igual a uma vítima em Portugal, independentemente de ser preto, branco ou amarelo. Morra em Hong Kong, em Minneapolis ou no aeroporto de Lisboa.

segunda-feira, junho 01, 2020

Morte em Lisboa: ucraniano espancado até a morte pelas autoridades de migração

Imagem e parte do texto @Facebook Ricardo Sá
A situação nos Estados Unidos faz lembrar o que aconteceu em Portugal no dia 12 de março de 2020. Os polícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) espancaram, até à morte, um imigrante ucraniano no Aeroporto de Lisboa.

Ihor Homeniuk sofria de convulsões mas isso não impediu os inspetores Duarte Laja, Bruno Sousa e Luís Silva, de o algemarem a uma cadeira e o espancarem com murros, pontapés e um bastão durante 20 minutos. Ao saírem da sala disseram "agora está mais calmo" e "hoje já não preciso de ir ao ginásio". Poucas horas depois Ihor morreu. O SEF tentou limpar as mãos declarando que o corpo tinha sido encontrado na rua. No Instituto Nacional de Medicina Legal, na ficha do registo de entrada foi escrito que o cadáver “era proveniente da via pública”. A ficha foi preenchida pelo inspetor do SEF Ricardo Girante. Só a autópsia levantou a suspeita de homicídio. Devido à pandemia Covid-19 os 3 polícias ficaram em prisão domiciliaria e não existiram manifestações de revolta.

Num país europeu, de forma extremamente violenta, às mãos das autoridades foi brutalmente assassinado um ucraniano. Mas quem é que quer saber disso?

#justiçaparaIhorHomeniuk

Ler mais: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/morte-no-aeroporto-agora-ele-esta-sossegado-disse-inspetor-do-sef

sábado, novembro 23, 2019

Aline Gallasch-Hall de Beuvink equipara nazismo ao comunismo

Discurso da 89ª Reunião da Assembleia Municipal de Lisboa em que a deputada Aline Gallasch-Hall de Beuvink equipara nazismo ao comunismo.
Além disso, a deputada luso-ucraniana fala de uma forma emotiva, sobre Holodomor ucraniano e do voto de saudação do PSD sobre a resolução do Parlamento Europeu em equiparar o nazismo ao comunismo.

quarta-feira, outubro 16, 2019

Leituras obrigatórias: “O Apelo da Tribo” do Mario Vargas Llosa

No seu livro “O Apelo da Tribo” Mario Vargas Llosa assina um conjunto de ensaios biográficos sobre autores que o ajudaram a traçar uma visão liberal do mundo.

Neste livro, o prémio Nobel da Literatura procura refletir sobre a vida e a obra dos autores que ajudaram o escritor peruano a moldar a visão liberal que tem sobre o mundo, visão que foi construindo, ao mesmo tempo que deixou um passado ligado ao marxismo.
Folha de rosto da obra de Adam Smith, numa edição de 1828, em Edimburgo
José Ortega y Gasset, Friedrich August von Hayek, Karl Popper, Raymond Aron, Isaiah Berlin, Jean-François Revel e Adam Smith foram os nomes escolhidos. E é um texto sobre este último que o Observador.pt revela (só para os assinantes), na pré-publicação de um livro que é publicado a 11 de outubro. Neste excerto, Mario Vargas Llosa escreve sobre “A Riqueza das Nações”, a obra que Adam Smith publicou em 1776 e que viria a tornar-se uma referência do liberalismo económico, até hoje.

domingo, junho 30, 2019

Os filhos dos filhos de Chornobyl que Portugal adotou (mas só durante o verão)

A história do programa português “Verão Azul” de apoio às crianças mais desfavorecidas da zona de Chornobyl — iniciativa 100% privada de responsabilidade social da seguradora Liberty Seguros, com apoio dos particulares, praticamente desconhecida pela sociedade.

por: Tânia Pereirinha, Observador.pt (versão curta)

Vivem a 50 km da antiga central nuclear e têm problemas de saúde por causa disso. Durante 5 semanas por ano, no verão, fogem da radioatividade e mudam-se para as casas dos pais portugueses.

Há 33 anos, quando o maior acidente nuclear alguma vez registado aconteceu, Tanya tinha 8 anos e Vasyl, o irmão mais velho, 10. Como todas as outras crianças de Musiiky, uma pequena aldeia junto a Ivankiv, hoje a cidade habitada mais próxima de Chornobyl, foram enfiados à pressa e sem grandes explicações num autocarro com destino ao Mar Negro. Era normal, todos os anos iam para o acampamento; em vez de ser no final das aulas, em 1986 ia ser antes, logo nos últimos dias de abril.

Como de costume, os pais ficaram para trás, a trabalhar, e as crianças seguiram viagem rumo a Odessa, na Crimeia. Ficaram por lá durante três meses, à guarda de monitores, sem dramas e com mergulhos, mais ou menos alheios à existência do reator destruído a apenas 50 quilómetros de casa e ao próprio estatuto de refugiados nucleares.

Quando regressaram, a cidade de Pripyat já era fantasma mas em Musiiky a vida continuava, como de costume. Ainda assim, nunca mais seria a mesma, conta agora ao Observador Anya Kot, 20 anos, a mais velha das duas filhas de Tanya [Tetiana] — hoje, aos 41, professora de Geografia, ainda a morar em Musiiky.
Anya Kot tinha 9 anos quando passou férias em Portugal pela primeira vez.
Ganhou uma nova família em Peniche | Observador.pt
Para escapar à radiação libertada pela explosão de um dos quatro reatores nucleares de Chornobyl, Tanya foi enviada para a Crimeia. Em 2008, 22 anos depois do desastre e um após enviuvar (o pai de Anya morreu num acidente de viação, tinha ela 8 anos e a irmã, Anastasiya, apenas 1), também ela meteu a filha, então com 9 anos, num autocarro pelo mesmo motivo — a radioatividade da central desativada desde dezembro de 2000 continua (e continuará) a contar vítimas durante pelo menos mais algumas décadas.

O destino é que foi diferente: primeiro aeroporto de Kyiv, depois Lisboa, a seguir Peniche, para a casa de Maria e Hernâni Leitão, a família de acolhimento que a recebeu.

Hoje, onze anos e outras tantas viagens para Portugal depois, Anya ostenta com orgulho a cidade piscatória da zona Oeste no perfil de Facebook: é natural de Peniche e vive em Peniche. Ou então não, mas está a trabalhar para isso: “Na Ucrânia é outra vida, há problemas de guerra, problemas de política, problemas de radiação. Aqui uma pessoa com 70 anos já viveu mais do que é normal. Estou a estudar Turismo, mas não há turismo na Ucrânia. Trabalho num banco e vejo que há pessoas que ganham 100 euros por mês e nem o gás conseguem pagar. Não quero ficar aqui e viver menos, quero juntar dinheiro para ir para Portugal. Vou ter uma vida mais feliz, com certeza”.

É num português quase irrepreensível que Anya Kot fala com o Observador, via Messenger, a partir da casa onde vive com o namorado em Brovary, nos subúrbios de Kyiv. Durante um ano, chegou a ter aulas uma vez por semana, com uma amiga de família, mas de resto tudo o que sabe aprendeu em Portugal, a um ritmo de cinco semanas de férias por ano, entre os 9 e os 16 anos, a idade limite para integrar o programa Verão Azul da Liberty Seguros.

De pioneira do programa de apoio às crianças mais desfavorecidas da zona de Chornobyl — fez parte do primeiro grupo de nove a viajar para o País — passou a monitora. “Este ano só vou uma semana por causa do trabalho. Chego no dia 14 de julho, volto a 21”.

De Ivankiv para Portugal

Terá sido em 2006 ou 2007, depois de um almoço com amigos espanhóis no entretanto falido Gemelli, que o CEO da Liberty resolveu seguir-lhes o exemplo e fazer alguma coisa pelas crianças vítimas da radioatividade na Ucrânia. “Não consegui dormir nessa noite, a minha cabeça tinha-se transformado num verdadeiro turbilhão de sentimentos desencontrados e conflituantes com o que me tinha sido contado ao almoço. Acordei rebentado e com umas olheiras gigantes de choro e falta de sono, mas com uma firme e inabalável decisão”, recordou José António Sousa em 2017 num livro sobre o programa de intervenção social da seguradora.

“A conversa com os meus amigos espanhóis foi a pedra basilar para a Liberty Seguros começar a contribuir para trazer a Portugal, no verão de cada ano, um grupo de crianças de uma cidade chamada Ivankiv, próxima de Chornobyl, permitindo-lhes assim passar um verão saudável, alimentando-se apropriadamente, vivendo no seio de famílias portuguesas [...]”, continuou a explicar o gestor, no mesmo texto.
O programa Verão Azul admite crianças entre os 6 e os 16 anos | Observador.pt
No início, as famílias de acolhimento eram apenas as dos funcionários da empresa; com o passar dos anos e a divulgação do projeto, qualquer residente em solo nacional passou a poder candidatar-se para receber uma (ou mais) crianças de Chernobyl em casa.

  • 1000 euros por criança é o valor médio gasto pela Liberty Seguros em viagens e seguros
  • Em 2019 serão 29 as crianças a viajar para Portugal
  • Os gastos com a estadia, alimentação e atividades de cada uma das crianças ficam a cargo das respetivas famílias de acolhimento
  • 36 foi o número máximo de crianças trazidas para Portugal num só ano
  • Podem candidatar-se crianças entre os 6 e os 16 anos. “Mas em Portugal não é habitual quererem receber crianças com menos de 8 ou 9 anos”, diz Paulo Guerra Pires
Como Anya foi das primeiras crianças a viajar de Ivankiv para Portugal, Paulo Guerra Pires foi também dos primeiros mas a fazer o percurso inverso. Gestor de sinistros da Liberty, faz parte do grupo restrito de funcionários encarregues de eleger, com a ajuda do Centro Social e Psicológico Doviria, criado na cidade menos de 10 anos depois do desastre, as crianças que seguem para as cinco semanas de férias em Portugal. “Todos podem candidatar-se, quando lá vou visito todas as casas, conheço os pais, e falo com os miúdos, para ver se têm o mínimo interesse em vir. Queremos que não venham apenas para comer e melhorar a saúde, mas também para aproveitarem qualquer coisa.”

[...]

Depois [...] só o advento das novas tecnologias e da internet veio, nos últimos anos, dar alguma contemporaneidade: “Eu e a minha família recebemos a Alina, durante seis anos, e a Karolina, por outros três. A Karolina, por exemplo, tem 10 irmãos e irmãs, que foi ela que ajudou a criar. É das mais velhas, tem 19 anos, e a mais nova tem uns 3 ou 4. A casa é pequena, têm um quarto para os pais, outro para os meninos e outro para as meninas, e cada um tem tarefas definidas: um trata dos coelhos, outro dos porcos, outro vai buscar água… São uma família pobre mas estruturada, têm eletricidade, um poço, o pai tem um empregozeco, salgam carne para o inverno, fazem compotas para aproveitar a fruta… A vida gira muito à volta disto, não há cinemas, uma vez por outra fazem um teatro, mas de resto não se passa nada. A grande revolução para estas pessoas foi a internet. Agora têm noção do que se passa no exterior mas há 11 anos, quando lá fui pela primeira vez, nem isso, só havia televisão”.

Das primeiras vezes que viajou para a zona de Ivankiv, conta o gestor de seguros, ainda teve medo das radiações e por várias vezes perguntou às pessoas por que motivo não tinham fugido dali depois do acidente nuclear. “Respondiam-me sempre a mesma coisa: «Tenho aqui a minha casa, que eu próprio construí, tenho amigos e família, o que vou fazer para outro lado qualquer da Ucrânia?!». Com a passagem do tempo, o perigo deixou de ser tão direto, pelo menos para quem, como eu, vai lá durante dois ou três dias e depois se vem embora. Agora, quando há um surto de gripe, as escolas fecham, porque as crianças não têm defesas e ficam todas doentes. Também há muitas alergias e a incidência de cancro da tiróide é muito alta. [...]
Os pais das crianças no momento da despedida, em Ivankiv, a 50 quilómetros de Chornobyl
| Observador.pt
Anya Kot recorda-se bem de, pelo menos nos primeiros anos em que viajou para Portugal, passar o início das férias de médico em médico, a fazer check-ups gerais. “Tinha alguns problemas de coração e de nariz — adenóides acho que se diz assim –, custava-me a respirar. Como não comia bem, tinha muitas dores de barriga. E também tinha problemas com os olhos, compraram-me uns óculos. É muito triste, muitas das pessoas que ficaram nesta terra morreram por causa da radiação, outras têm cancro e problemas de pele. O ar é tapado, faz muito mal. Comemos comida que está na terra com radiação, bebemos água com radiação, tomamos banho com radiação. Lembro-me, quando era pequena, de que quando chovia o chão ficava com umas coisinhas amarelas…”
A irmã de Anya, Nastya (Anastasiya), costuma ficar com uma família de Vila do Conde.
Há uns anos, visitaram o Buçaco juntas | Observador.pt
Um dos objetivos do programa Verão Azul é esse mesmo: interromper, através do ar, do sol, do mar e da alimentação, o ciclo de radioatividade a que estas crianças, filhas dos filhos de Chornobyl, estão sujeitas. Apesar de ser apenas durante algumas semanas, garante Paulo Guerra Pires, faz toda a diferença: “Os estudos dizem que o sol e a praia são bastante benéficos para eles. Um mês em Portugal permite-lhes baixar muito os níveis de radiação e recuperar um pouco. Ao mesmo tempo, aproveitam para comer melhor, viver melhor e ver um pouco o mundo, queremos abrir perspetivas de vida também. A maior parte destas crianças vive a 90 quilómetros de Kyiv e nunca lá foi”.

O regresso a Chornobyl

Os casos de Alina, que hoje tem 22 anos e está a fazer um mestrado em Kiev, na área do Direito Internacional; de Anya, de 20, que trabalha e estuda com o objetivo de se mudar para Portugal; e de Karolina, de 19, que está a tirar enfermagem, estão bem longe de ser a regra na zona de Ivankiv. Mas é exatamente por isso que têm meios e capacidade para conversar com o Observador sobre como é nascer e viver num dos sítios mais tétricos do mundo.

Via sms, com a ajuda de um tradutor online, Karolina Vasyanovytch explica que também os pais, ele condutor de tratores, ela doméstica, foram levados para a Crimeia três dias depois do acidente nuclear de 26 de abril de 1986. Uma vez regressados a Musiiky, não voltaram a sair.
A roda-gigante é o símbolo mais reconhecível da cidade-fantasma de Prypiat
 GettyImages | Observador.pt 
Nos últimos 23 anos, tiveram onze filhos: Petró, de 23, Maksym, de 22, Karolina, de 19, Yuri, de 18, Cristina, de 17, Veronica, de 16, Darya, de 14, Roman, de 13, Nastya, de 11, Sofia, de 10, e Mariana, de 4. Só Sofia já não vive na aldeia: “As pessoas já estão habituadas a isto e já não têm medo, mas há muitos problemas de saúde, doenças cardíacas, cancros de tiróide… A minha irmã Sofia teve problemas nas pernas, tinha muitas dores, fomos ao hospital e os médicos disseram-nos que não percebiam o que se passava, que estava tudo bem. Por causa disso, passou a morar em Espanha. Está lá já há um ano”, conta Karolina, que entre os 12 e os 17 anos passou os verões em Portugal, primeiro com Luís e Margarida Leite, em Espinho, mais tarde com Paulo Guerra Pires e Paula Mourão, em Paço de Arcos. “Passaram a ser da minha família e sinto muito a falta deles. Gosto muito de Portugal, das pessoas, da arquitetura, da comida e das estradas — são muito mais bonitas e largas do que na Ucrânia”, diz, num português traduzido automaticamente e nem sempre muito percetível.

Ao telefone, via Messenger, Anya Kot é mais eloquente. Recorda a birra que fez da primeira vez que a “mãe Maria” lhe pôs um prato de polvo cozido à frente — “Chorei tanto, tanto quando vi aquilo na mesa, não queria comer, nunca tinha visto polvo antes. Não gostei nada, queria vomitar! Agora adoro polvo, é tão bom!” –, e garante que a alimentação portuguesa não só sabe bem como faz bem à saúde — “Nos primeiros anos em que vim para Portugal e comi peixe de mar, batatas e outras frutas fiquei melhor”.

Apesar de não ter visto ainda a série da HBO que voltou a colocar Chornobyl na ordem do dia, a estudante de Turismo não é alheia à moda mais ou menos recente que incluiu a cidade abandonada de Pripyat e a velha central nuclear nos roteiros turísticos e até já obrigou o argumentista da série a pedir contenção nas selfies e afins. “Agora em Pripyat há um hotel e há sempre muita gente a chegar em autocarros. Para mim não é normal, isto não é uma zona para fazer excursões e passeios.”

Apesar disso, ela própria já visitou Chornobyl. [...] Já lá fui umas três vezes, a primeira vez quando tinha 12 anos, com a minha mãe, o meu padrasto e a minha mana, Nastya. Lembro-me de que havia muita polícia, abriram as portas do nosso carro, saímos e fomos revistados. Depois deram-nos um papel que tínhamos de devolver à saída.”

Nessa visita, recorda Anya, a primeira coisa que fizeram foi procurar a casa de uma tia, que em abril de 1986 deixou Pripyat apenas com a roupa que tinha vestida e os documentos de identificação para nunca mais voltar — hoje vive com a família na zona de Donetsk, a mais de 850 quilómetros de distância. “Havia muitas árvores, tudo era verde. Entrámos na casa da minha tia e estava tudo igual: havia água na garrafa, colheres em cima da mesa, a cama estava aberta e os jogos das crianças espalhados pelo chão. Pripyat era uma grande cidade, tinha tudo — até coisas que não existiam em Kyiv [Sic!]. Tinha hotéis [na verdade só 1], restaurantes [3], um grande rio, parques, escolas [5], universidade. Se não tivesse acontecido o que aconteceu, se calhar hoje era a capital da Ucrânia.”
Anya em Musiiky, com a mãe, Tanya, e a irmã, Anastasyia | Observador.pt
Numa altura em que turistas posam com máscaras de gás e compram canecas, ímanes e até preservativos que brilham no escuro, acredita Anya Kot, é necessária uma chamada à realidade: ali morreram pessoas. “Foi impressionante, os meus tios não trabalhavam em Chornobyl, mas todas as pessoas que trabalhavam e que morreram na altura fizeram tudo por nós, para que pudéssemos agora viver nesta zona. Todos os anos, no dia de Chornobyl, passam filmes e notícias na televisão. É um dia muito difícil, é uma história muito triste e emocional.”

Paulo Guerra Pires, que desde o divórcio deixou de acolher crianças mas continua empenhado no programa que durante cinco semanas por ano resgata crianças à radioatividade de Chornobyl, bate na mesma tecla: “Com a passagem do tempo, percebemos que alguns miúdos morreram. Lembro-me de perguntar à minha miúda e de ela me dizer que um amigo nunca mais tinha aparecido, que nunca mais tinha ido à escola. Nunca se sabe bem o que aconteceu, não fazem propaganda sobre o assunto, é um pouco tabu, mas Chornobyl continua a provocar vítimas”.

Blogueiro: um texto bastante interessante, pois quase toda a gente conhece o programa estatal cubano de recepção das crianças ucranianas e quase ninguém conheçe o propgrama privado português. Um certo senão é a personagem Anna Kot, que tem alguns problemas com a lógica e com a memória. A estudante de Turismo ora diz que “não há turismo na Ucrânia”, para logo à seguir confirmar que “Agora em Pripyat há um hotel e há sempre muita gente a chegar em autocarros”. Embora a frase mais risível é essa: “Pripyat era uma grande cidade, tinha tudo — até coisas que não existiam em Kyiv. Tinha hotéis, restaurantes, um grande rio, parques, escolas, universidade.” Na realidade em 1986 em Pripyat existiam apenas 3 restaurantes e 1 hotel (para a população local de 47.500 pessoas), naturalmente na cidade nunca existiu qualquer universidade (mas apenas 15 estabelecimentos pré-escolares para 4.980 crianças, 5 escolas completas para 6.786 crianças e 1 escola técnico-profissional para 600 alunos).

sábado, junho 29, 2019

Carta aberta ao Presidente do PSD Rui Rio

Estimado Presidente do Partido Social-Democrata,
Sr. Dr. Rui Rio

Após a votação na APCE/PACE (que consideramos fraudulenta e contrária aos valores democráticos, aos princípios da defesa dos direitos humanos e à luta contra a agressão e terrorismo) do membro do seu partido, Sr. Duarte Marques, os cidadãos de Portugal (de origem ucraniana) se dirigiram ao referido deputado através das redes sociais para entender melhor a sua posição, de facto, contra interesses legítimos da Ucrânia, que neste momento está se defendendo contra a agressão militar russa, tendo uma parte do seu território ocupado pela Rússia, contrariando o Direito internacional e todos os acordos internacionais.

Neste âmbito, consideramos o desrespeito extremo, a resposta do referido deputado do PSD, partido que declara o respeito pelos valores humanos e pelos direitos dos cidadãos, ao nosso pedido para comentar a sua decisão de votar favoravelmente ao retorno da federação russa ao APCE/PACE e o levantamento de todas as sanções aplicados à Rússia.

“Ignorância total”; “santa ignorância” e “manipulação ucraniana” são algumas das respostas do senhor deputado.

De facto, este é um completo desrespeito pelos cidadãos e um desrespeito pelos ucranianos que vivem e trabalham em Portugal!

Solicitamos ao líder do PSD, partido que respeitamos, uma explicação cabal sobre esse comportamento do deputado Duarte Marques.

Atenciosamente, o líder da Associação dos Ucranianos em Portugal,
Pavló Sadokha

Bónus
Os ativistas ucranianos em piquete junto à sede do Partido Socialista português em Lisboa. no Largo do Rato, dado que dois deputados do PS (Edite Estrela e Paulo Pisco) também votaram favoravelmente pelo retorno da federação russa ao APCE/PACE e o levantamento de todas as sanções aplicados à Rússia.

quarta-feira, junho 26, 2019

A tragédia de Chornobyl vista pela imprensa portuguesa

O desastre nuclear de 1986 chegou aos jornais portugueses com 3 dias de atraso. Ficou durante menos de um mês, em que Cavaco Silva admitiu uma central nuclear no país: o tema foi substituído pelo futebol.

por: Tânia Pereirinha, Observador.pt (versão curta)

O 4º reator da central nuclear de Chornobyl, no norte da Ucrânia, junto à fronteira com a Belarus e a cerca de 2 km da cidade de Pripyat, construída à medida como seu satélite na década de 1970 para albergar os trabalhadores e respetivas famílias, explodiu à 1h23 da madrugada de dia 26 de abril, um sábado. Mikhail Gorbachev, secretário-geral do Partido Comunista (PC) e presidente chefe do Estado da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), terá sido acordado poucas horas depois, com um telefonema por volta das 5 da manhã. Já as primeiras notícias demorariam um pouco mais: só surgiram nas primeiras páginas dos jornais de todo o mundo três dias depois, na terça-feira seguinte, dia 29. E apenas depois de o alerta ser dado por Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, que registaram “níveis de radiação anormais”, explicava o Diário de Notícias. “As primeiras indicações surgiram no domingo, quando peritos finlandeses detectaram níveis seis vezes superiores ao normal nas zonas de Tammarsfors, Karjana e Olkiluotot, e posteriormente registaram-se, também, valores invulgarmente altos na Dinamarca e em Oslo.”
As primeiras notícias sobre Chornobyl só aparecem na imprensa portuguesa
(tal como na internacional) a 29 de abril de 1986.
É o mesmo jornal (mas não só) quem o garantia: a assunção de responsabilidades por parte da URSS não foi imediata. Bem pelo contrário: “As autoridades soviéticas começaram por dizer que desconheciam qualquer acidente nuclear naquele país, ao surgirem as suspeitas de que a nuvem radioactiva provinha da URSS, mas, mais tarde, a agência TASS revelou que ocorrera um desastre na central de Chornobyl, a 130 quilómetros a norte de Kyiv, e que estava a ser prestada assistência às pessoas afectadas.”

A URSS reconheceu o acidente na noite de 28 de abril, quase 48 horas depois do desastre, em dois breves comunicados veiculados pela agência soviética de notícias TASS (e estranhamente replicados no dia seguinte por apenas um jornal soviético, o Izvestia, órgão oficial do regime).

Ao todo, contou na altura o The New York Times, foram impressas menos de 250 palavras para dar conta do sucedido — paradoxalmente, várias delas serviram para informar que já antes teriam sido registados “muitos acidentes nucleares, nos Estados Unidos e em outros países”.

Nas comunicações da TASS, sobre o caso concreto de Chornobyl, os jornalistas foram informados de que o acidente tinha provocado dois mortos e 197 feridos, 18 deles em estado grave, deixado um reator danificado e obrigado à evacuação de quatro “centros populacionais”. Nada mais.
A 30 de abril de 1986 a televisão soviética mostrou imagens de Chornobyl. A voz off
garantiu a inexistência de "destruição, fogos gigantescos ou milhares de vítimas" | GettyImages
Terá sido por isso que, nos jornais portugueses, as primeiras notícias sobre o acidente na União Soviética foram essencialmente compostas de informações sobre a nuvem radioativa que se deslocou de lá para a Escandinávia.

Ao contrário do que aconteceu na URSS onde, em vez de se mandar retirar as pessoas do local, a primeira medida tomada foi o corte das linhas telefónicas, para que a notícia não se espalhasse, na central nuclear de Forsmark, a norte de Estocolmo, assim que foi detetada uma “elevada concentração de radioactividade” nas roupas de um dos 600 funcionários, a fábrica foi imediatamente evacuada, relatou o Diário de Notícias.

No mesmo jornal, ainda na mesma notícia, a primeira publicada sobre o acidente, o facto de a URSS ter emitido um comunicado foi ainda assim saudado como um sinal da “abertura” de Moscovo: “Uma fonte diplomática ocidental, em Moscovo, considerou «um grande passo em frente» o facto de a União Soviética ter comunicado o acidente, indicando, inclusive, que pode querer dizer alguma coisa quanto ao grau de gravidade do mesmo. Outra fonte sugeriu que a notícia da TASS, dando conta do desastre, se insere aparentemente na linha da política de «maior abertura», defendida por Mikhail Gorbachev”. Alguns dias depois, a 4 de maio, também no DN, o “balanço oficial provisório do desastre” seria considerado “plausível” por especialistas do Comissariado Francês da Energia Atómica: “Numa conferência de imprensa em Paris, os especialistas disseram que os dois mortos foram certamente vitimados pelos efeitos mecânicos e térmicos do acidente, ou seja, projecção de peças metálicas ou jactos de vapor a alta temperatura. «No próprio momento, não pode haver morte por radiação», disse um especialista”.

Quando a notícia começou a correr mundo, a população de Pripyat já tinha sido retirada para longe da zona de risco das radiações. Mesmo assim, a ordem de evacuação foi dada demasiado tarde e só às 14h de domingo, dia 27 de abril, numa altura em que as radiações já tinham atingido máximos nunca antes vistos, é que os 49 mil habitantes começaram a deixar a cidade, em colunas de autocarros. Isto depois de serem avisadas, via rádio, com menos de uma hora de antecedência e sem que lhes tivesse sido comunicada qualquer informação sobre o risco que corriam.

A edição de dia 30 de abril de 1986 de A Capital dá conta de “evacuações em massa” de “mais de 25 mil pessoas” e do “incêndio incontrolável” ainda ativo na central nuclear ucraniana e questiona, em manchete, o número de vítimas reportado por Moscovo: “Quantos Mortos em Chernobyl? Dois ou dois mil”. “«Oitenta pessoas morreram imediatamente e cerca de duas mil a caminho dos hospitais», disse uma [cidadã] soviética, que [a agência americana United Press International] UPI afirma ter contactos com os serviços hospitalares e de socorro, em conversa telefónica a partir de Moscovo”, citava o artigo, imediatamente antes de referir a “breve nota oficial”, segundo a qual “o acidente causou dois mortos e os níveis de radiação na área estabilizaram”.
A URSS demorou a informar a comunidade internacional sobre Chornobyl.
Quando o fez, foi criticada por dar tão poucas informações.
No Diário de Notícias, seis dias mais tarde, já o assunto não tinha honras de primeira página — a zona estava isolada num raio de 30 quilómetros e o partido comunista até já tinha admitido que o acidente “fora causado por uma falha humana” mas o incêndio continuava por controlar –, a notícia era a de que “Boris Yeltsin, do PC de Moscovo” tinha garantido que “desde que as informações sobre a catástrofe foram reunidas, os países ocidentais foram imediatamente avisados”. Pelo caminho, contava também o DN, o comunista tinha ainda tinha feito questão de dar uma alfinetada aos meios de comunicação dos países não alinhados com Moscovo.

“Troçou da Imprensa ocidental, pelos seus «exageros», afirmando que os refugiados de Chornobyl «consomem leite e legumes, não se passeiam com guarda-chuvas e se lavam todos os dias os seus filhos é porque já o faziam antes». O Pravda, aliás, acusou a imprensa norte-americana de «fomentar o medo» e salienta que nenhuma das 151 avarias ocorridas de 1971 a 1984 em centrais de 14 países provocou semelhante reacção em Washington”, podia ler-se na edição de 6 de maio de 1986 do DN.

Hoje, 33 anos depois, sabe-se que apesar de a explosão do reator 4 de Chornobyl ter provocado apenas dois mortos, de forma direta, foram pelo menos 29 as pessoas que morreram nos três meses seguintes com síndrome de radiação aguda. O resto é difícil de contabilizar: de acordo com as várias agências das Nações Unidas, poderão ser atribuídas 4 mil mortes ao desastre, outras fontes, como a Greenpeace, dizem que terão sido 90 mil as vítimas de Chornobyl (ler mais sobre o custo real do Chornobyl).
As vítimas de Chornobyl foram transferidas para o Hospital número 6 do Ministério da Saúde,
em Moscovo | GettyImages
Factos incontornáveis: na Ucrânia, nos primeiros cinco anos após o acidente, os casos de cancros infantis aumentaram 90%; nas duas décadas seguintes, na Rússia, na Ucrânia e na Belarus, foram registados 5 mil casos de cancros de tiróide em pacientes que na altura da explosão tinham menos de 18 anos; 485 aldeias foram abandonadas por causa dos perigos da contaminação radioativa, sendo que ainda hoje, apesar de ter havido um grande trabalho de descontaminação e de até já lá existir algum turismo, a zona de Chornobyl ainda é radioativa.

Greves, canções e futebol

Quando o desastre de Chornobyl aconteceu, ainda faltavam [...] cinco para a queda do Muro de Berlim e sete para a dissolução da URSS. [...] No dia exato em que a explosão de Chornobyl fez um mês, a notícia principal em Portugal era a de que os “Infantes” [seleção masculina portuguesa de futebol sénior] tinham entrado em greve.

A partir de então, são cada vez mais raras as informações sobre o acidente. Para trás ficaram, além de inúmeras notícias sobre Chornobyl e suas vítimas, várias reportagens sobre o “caso português”.

No dia 9 de maio [de 1986], A Capital informava que a radioatividade tinha chegado ao território nacional: “Rastos de iodo na relva e de césio no leite foram detectados em Portugal, na sequência do acidente na central soviética de Chornobyl — disse ontem uma fonte do Ministério da Indústria. O mesmo informador referiu que os níveis daquelas substâncias, detectadas em vários pontos do País, eram muito baixos, sem significado, e acrescentou que não constituem qualquer ameaça para a saúde”. E um dia antes, o Diário de Notícias tinha noticiado que vários passageiros da Aeroflot — companhia aérea russa soviética com quatro ligações semanais entre Moscovo e Lisboa que 15 dias depois do acidente começou a anunciar regularmente na primeira página do jornal — “emanavam radioactividade” à chegada a Lisboa, na segunda-feira anterior.
Cavaco Silva chocou o País ao admitir, dias após o desastre de Chornobyl, construir uma central nuclear em Portugal
[...] Foi neste contexto que, de visita a Inglaterra, juntamente com Mário Soares, para celebrar o aniversário do Tratado de Windsor, o então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva chocou o país ao admitir em entrevista à BBC estar a estudar a possibilidade de instalar uma central nuclear em Portugal. “Nuclear português para inglês ouvir”, foi a manchete do Diário de Lisboa no dia 12 de maio de 1986. No programa “It’s your world”, Cavaco Silva respondeu a perguntas de 13 ouvintes a partir de 8 países: “Ainda a propósito da central nuclear, Cavaco justificou a possibilidade de lhe ceder pelo facto de importarmos 80 por cento da nossa energia, particularmente sob a forma de petróleo”, explicou o Diário de Lisboa.

segunda-feira, março 25, 2019

Dias de Cinema Ucraniano em Lisboa

Temos o prazer de anunciar o ciclo cinematográfico “Dias de Cinema Ucraniano”, que terá lugar nos dias 26, 27 e 28 de março, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro em Lisboa.
Nome de código "Banderas"
Trata-se de um evento aberto ao público e de entrada livre.
Esperamos poder contar com a Vossa presença.

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

“A Herança: A História de Um País”: exibição em Portugal

A Embaixada da Ucrânia em Portugal convida o público em geral à assistir o filme documental “A Herança: A História de Um País” de Oleksandr Tkachuk e Lesia Voroniuk, a longa dedicada à vyshyvanka (bordado ucraniano).
Em Lisboa terão lugar duas exibições do filme, no dia 26 de fevereiro, às 15h00, na Fundação AIP (Travessa da Guarda 3, 1300-307) e no dia 3 de março, às 9h00, no Salão de Igreja de São Jorge de Arroios (R. Alves Torgo 1, 1000-061).

O filme também será exibido no Porto (27/02), Braga (28/02) e Tavira (3/03).
Entrada é livre.
Não percam a oportunidade de conhecer Ucrânia melhor!