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domingo, abril 26, 2026

O dia em que a URSS abateu um Boeing sul-coreano sobre a Carélia

Em 20 de abril de 1978 o Boeing 707 sul-coreano, voo KAL 902, que voava de Paris para Seul com 97 passageiros e 13 tripulantes à bordo foi abatido pelas defesa anti-aérea soviética sobre a região da Carélia. Apenas o sangue frio e uma ótima preparação militar do piloto sul-coreano permitiram evitar a tragédia maior.

O piloto Kim Chang-Kyu, de 45 anos, coronel reformado/aposentado da Força Aérea e veterano da Guerra da Coreia, tentava escapar da floresta e pousar o avião no gelo do Lago Korpiyarvi, na Carélia, com um pedaço de três metros de comprimento da asa esquerda arrancado e um buraco na fuselagem. Ele conseguiu chegar a uma ilha para evitar que o avião caísse no gelo e pousasse de nariz. Das 110 pessoas a bordo, 108 sobreviveram (2 pessoas morreram e 13 foram feridas pelos estilhaços do míssil soviético).

Dano de fuselagem, causado pelo míssil soviético R-8

O voo 902 da Korean Air Lines (KAL-902) decolou do Aeroporto de Orly em 20 de abril de 1978, com 30 minutos de atraso. A rota Paris-Seul foi planeada para contornar o território soviético pelo Mar da Noruega e pelo Polo Norte, com uma paragem/parada para reabastecimento em Anchorage, no Alasca, e uma aterragem final em Tóquio. Enquanto sobrevoava a Groenlândia, o Boeing repentinamente virou bruscamente para o sul. As defesas aéreas soviéticas, ainda sobre águas neutras, detectaram um alvo desconhecido se aproximando ao território soviético.

Um caça-bombardeiro Su-15TM, pilotado por Alexander Bosov, do 431º Regimento de Aviação de Caça, decolou do aeródromo militar de Afrikanda, nos arredores de Murmansk. Na época, a Ordem nº 0040 do Ministro da Defesa e as instruções do serviço de caças de combate da Defesa Aérea Soviética estavam em vigor, estipulando que aeronaves de transporte militar e de passageiros que violassem o espaço aéreo soviético não deveriam ser alvejadas, mas sim forçadas a pousar ou serem expulsas. O piloto Bosov aproximou-se o máximo que pode, fazendo a sinalização com as asas e nariz do seu Su. O piloto soviético não usou a rádio, pois o seu aparelho não possuia as frequências usadas na aviação comercial ocidental. O comando militar soviético, no espírito da Guerra Fria fez-se à acreditar que o avião sul-coreano estivesse sobrevoando território soviético no intuíto de espiar os exercícios militares que estavam em andamento em Murmansk.

Su-15TM soviético, semelhante ao pilotado pelo Bosov

O piloto Bosov recebia ordens contraditórias, em que o comando do exército exigia o abate do aparelho, enquanto os comandantes de corpo argumentavam que abate seria contra as normas. O piloto não sabia a quem dar ouvidos; estava simplesmente farto da constante enxurrada de ordens para abatê-los e depois para não abatê-los. Em algum momento piloto gritou: «Digam-me o que fazer, por favor». Bosov voou ao lado do Boeing e não tinha mais dúvidas de que se tratava de um avião de passageiros. As pessoas sentadas na cabine da direita acenavam alegremente e tiravam fotos.

Dentro de seis minutos, o Boeing entraria no espaço aéreo da Finlândia, o que significava que o comandante do 21º Corpo, Tsarkov, o comandante do exército, Dmitriev, e o General Ozersky poderiam ser acusados de «deixar escapar o inimigo». Assim o Major-General Vladimir Tsarkov ordenou ao piloto Bosov que abatesse o alvo. 

O míssil R-8, guiado por calor explodiu perto do motor do Boeing, estilhaços arrancaram um pedaço de três metros de comprimento aquém do motor, quebrando uma janela e abrindo buracos na fuselagem. Permanece um mistério o motivo pelo qual o míssil não atingiu o motor e não destruiu o Boeing. O avião continuou voando, mas a despressurização da cabine ameaçou a vida dos passageiros.

O interior do Boeing após a sua aterragem. Foto do arquivo do Valeriy Volynets

A uma altitude de 9.500 metros, o comandante da aeronave iniciou um mergulho de 45 graus. Os passageiros pensaram que estavam caindo, gritando e rezando, mas a um quilómetro de altitude, o piloto estabeleceu/equalizou a pressão e anunciou que iria pousar. A menos de um quilómetro de altitude, com um pedaço da asa faltando e um buraco na lateral, Kim Chang-Kyu procurou um local para pousar em um terreno completamente desconhecido. No feixe de luz dos faróis, o piloto viu/avistou um comboio/trem e, descendo ainda mais, viu uma floresta e, além dela, uma ilha cercada de branco. Ele percebeu que era um lago e decidiu pousar. Temendo que houvesse placas de gelo, pousou com rodas/trem de pouso semiaberto, como se estivesse esquiando.

Tendo se aproximado da ilha, o avião já estava voando às cegas devido à neve e, usando os instrumentos de navegação, parecia estar com o nariz apontado para a ilha. Começou a incrível manobra do piloto sul-coreano que pilotou um caça numa guerra aérea real. Ele pousou o avião com precisão, baixando o nariz na margem, de modo que apenas rodas/trem de pouso atravessaram o gelo. Por cerca de duas horas, os passageiros esperaram por ajuda no lago congelado, enquanto caças soviéticas continuavam a procurá-los no ar.

Enquanto os passageiros permaneciam sentados no gelo e depois seguiam para Poduzhemye, o exército soviético forneceu camas de campanha, cobertores e os próprios soldados, esvaziaram o auditório do Clube de Oficiais local. O Clube dos Oficiais pareceu, às autoriudades soviéticas, o melhor e único local minimalmente digno para alojar os estrangeiros. Ao se encontrarem no antigo auditório, os coreanos, japoneses, alemães e franceses olharam com uma expressão de incredibilidade para as fileiras de camas de ferro, colchões listrados e lençóis com estampas cinza. Mas, devido ao frio, finalmente levaram/pegaram os cobertores militares e começaram a se enrolar. Os «hóspedes» locais chegaram a encontrar até o papel higiênico para os passageiros, já que não podiam lhes dar o jornal «Pravda» recortado, bastante usado na URSS na época. 

O KGB começou a investigar as circunstâncias da «violação da fronteira» pelo Boeing. O navegador testemunhou durante os interrogatórios que o avião saiu da rota porque seu equipamento de navegação falhou sobre o polo magnético da Terra. O piloto automático estava recebendo dados incorretos, causando uma curva para o sul. Afinal, para onde quer que vire a partir do Polo Norte, sempre estará virando ao sul. Devido a um erro do sistema, o seu «sul» indicava o norte soviético. Os agentes de KGB ficaram incrédulos e, após inspecionarem a aeronave, suas suspeitas foram «confirmadas».

No cabine de comandante, o KGB encontrou um rádio de emergência de reserva, as pistolas dos pilotos e uma revista «Newsweek» com um tanque na capa. Tudo isso, de acordo com a KGB, demonstrava «irrefutavelmente» a disposição da tripulação em arriscar a vida dos passageiros para obter segredos militares soviéticos. A versão final foi a seguinte: uma aeronave de reconhecimento, disfarçada de avião comercial civil com cem passageiros a bordo, violou o espaço aéreo soviético com intenções claramente hostis, mas foi forçada a pousar pacificamente no gelo de abril usando um caça Su-15 e um míssil ar-ar. Isso justificou a ordem do comando de aviação para abater a aeronave civil. Os chekistas também ficaram satisfeitos com isso: eles consideraram que «frustraram» um «ato de espionagem». Enquanto isso, o piloto sul-coreano reescreveu as suas notas explicativas por cinco vezes; primeiro, o departamento político as confiscou e, em seguida, o obrigou a reescrevê-las novamente.

Nenhuma aeronave de reconhecimento se comportaria dessa maneira a menos que fosse suicida, especialmente com passageiros a bordo. O Boeing não carregava nenhum equipamento de reconhecimento. Os operativos do KGB vascularam Boeing minuciosamente, mas não encontraram nada além de perfumes e conhaque francês. Esse tipo de aeronave tinha um defeito no seu sistema de navegação. Todas as aeronaves e aeródromos operam um canal internacional de radiogoniometria, que transmite um sinal de SOS em caso de emergência. O «Mayday» nas comunicações por radiotelefonia, e o Boeing enviou esse sinal quando percebeu que havia se desviado da rota oficial.

Os militares soviéticos acabaram por desmontar o interior do Boeing sul-coreano, carregando tudo o que for possível arrancar: principalmente a loiça, refrscos, sumos e bebidas alcoólicas, objetos da loja duty-free. Aparentemente, a bagagem de passageiros ficou salva do saque. Os soviéticos roubaram «apenas» uma câmera de vídeo, que nunca mais foi encontrada.

Em 30 de abril de 1978, os pilotos foram libertados. O jornal «Pravda» escreveu que eles «se arrependeram» e foram perdoados pela liderança soviética. O «New York Times» citou os próprios pilotos dizendo que não se arrependeram de nada, não pediram nenhum perdão e continuaram a afirmar que não fizeram nada de mal e que apenas o sistema de navegação havia falhado.

Logo após o incidente com o Boeing, piloto Alexander Bosov foi transferido para o Extremo Oriente soviético, um procedimento padrão, que, em teoria, deveria garantir ficaria de boca calada e que não falasse «em demasia» sobre aquilo que tinha acontecido. Em setembro de 1983, um outro Boeing coreano se desviou da rota sobre Kamchatka e entrou no espaço aéreo soviético. Ele também estava a caminho de Seul via Anchorage, desta vez vindo de Nova York. Caças de bases aéreas no Extremo Oriente foram acionados para interceptá-lo. Entre os pilotos prontos para receber a ordem de destruir o Boeing estava, então, o capitão Bosov. Ele deveria dar apoio ao piloto líder. Mas o piloto líder conseguiu abater o Boeing primeiro.

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Dessa feita, o Boeing-747 sul-coreano, voo KAL007, que seguia de Nova Iorque ao Seul caiu sobre o Mar de Okhotsk, ao sudoeste da Ilha de Sacalina, todas as 269 pessoas ao bordo (23 tripulantes e 246 passageiros), morreram...

sexta-feira, abril 10, 2026

Presidente Trump arrasa e humilha os blogueiros do MAGA

Imagem meramente ilustrativa
Presidente Trump atacou Tucker Carlson e outros blogueiros do MAGA que o apoiaram, mobilizando o seu eleitorado. Chamou-os de tolos, psicopatas, falhados, estúpidos, traidores e arruaceiros, e depois expulsou-os, simbolicamente, do MAGA. 

Eu sei porque é que o Tucker Carlson, a Megyn Kelly, a Candace Owens e o Alex Jones me atacam há anos, sobretudo porque acham extraordinário que o Irão — o Principal Patrocinador Estatal do Terrorismo — tenha armas nucleares — é que têm uma coisa em comum: o QI baixo. São pessoas estúpidas, sabem disso, as suas famílias sabem disso e toda a gente também sabe! Olhem para o passado deles, olhem para os seus históricos. Não têm o que é preciso, e nunca tiveram! Todos foram expulsos da TV, perderam os seus programas e nem sequer são convidados para outros programas porque ninguém se importa. São LOUCOS, ESCANDALISTAS e dizem qualquer coisa por publicidade «gratuita» e barata.

Agora pensam que estão a conseguir «curtidas» com os seus podcasts de terceira categoria, mas ninguém fala deles, e as suas opiniões são diametralmente opostas às do MAGA — caso contrário, não teria ganho as eleições presidenciais por uma margem ENORME. O MAGA concorda comigo e acabou de dar à CNN uma aprovação a 100% para «TRUMP», não para idiotas que gesticulam como Tucker Carlson, que nem sequer terminou a faculdade, estava devastado quando foi despedido da Fox e não é o mesmo desde então — talvez devesse consultar um bom psiquiatra! 

Ou Megyn Kelly, que me fez a já famosa pergunta «Só Rosie O'Donnell», ou a «maluca» Candace Owens, que acusa a estimada Primeira-Dama de França de ser um homem quando não o é, e espero que [Primeira-Dama de França] ganhe muito dinheiro no processo em curso. Na verdade, para mim, a primeira-dama de França é uma mulher muito mais bonita do que Candace — aliás, nem se compara! 

Ou o falido Alex Jones, que diz as coisas mais estúpidas e, como seria de esperar, perdeu toda a sua fortuna pelo seu horrível ataque às famílias das vítimas do massacre de Sandy Hook, alegando ridiculamente que tudo não passou de uma farsa. Esses tais «especialistas» são PERDEDORES, e sempre o serão! 

Agora, a CNN, a «Fake News», o decadente New York Times e todas as outras organizações de «notícias» da esquerda radical estão a «elogiar» estes veículos e a dar-lhes cobertura «positiva» pela primeira vez na vida. Não são «MAGA», são uns falhados a tentar agarrar-se ao MAGA. 

Como presidente, poderia conquistá-los a qualquer momento, mas quando eles ligam, não atendo porque estou demasiado ocupado com assuntos nacionais e internacionais, e depois de algumas chamadas, eles ficam «zangados», tal como a Marjorie «Traidora» Brown, mas eu já não me importo — só me importo de fazer o que é certo para o nosso país. 

... e na rússia 

Um processo semelhante, embora não igual, decorre na rússia, onde muito recentemente, um famoso propagandista russo, Viktor Olevich, presença assídua em programas propagandistas nos canais federais russos, conhecido pela sua voz geralmente mais eloquente e por vezes à questionar a vitória de putin na guerra contra Ucrânia, anunciou publicamente que teve de fugir da rússia devido à perseguição do FSB. 

O propagandista Olevich na TV estatal russa

Olevich era convidado regularmente para programas propagandistas russos; nunca se opôs à guerra contra Ucrânia e, na verdade, apoiava-a sempre. Única «falha» dele: aparentemente nunca defendeu o lançamento de bombas nucleares contra Ucrânia. Mas agora, na rússia, até esta posição pode ser motivo de perseguição judicial. 

O grito de socorro do Olevich em russo e inglês

Descobriu-se que Olevich é cidadão norte-americano. Agora, claro, ele lembrou-se da existência do seu passaporte americano. 

Trinta e cinco anos após a queda da União Soviética, a única grande diferença entre os EUA e a rússia está, na descrição de uma anedota da época de Guerra Fria: «Qualquer um pode livremente gritar em Washington em frente da Casa Branca: ´abaixo o presidente americano!´ Tal como qualquer um pode livremente gritar na Praça Vermelha em Moscovo: ´abaixo o presidente americano!´

quarta-feira, abril 08, 2026

O fim inglório do submarino nuclear soviético K-278 «Komsomolets»

Em 7 de abril de 1989, o submarino nuclear soviético K-278 «Komsomolets» afundou-se no Mar da Noruega, resultando na morte de 42 tripulantes dos 69 presentes. Os botes salva-vidas não funcionaram devidadmente e o comando da marinha soviética não permitiu ao capitão emitir o sisnal SOS. 

O K-278 «Komsomolets» era um submarino nuclear soviético de terceira geração, o único submarino da classe «Plavnik» do Project 685. Construído em 1983, aos 28 de fevereiro de 1989, o «Komsomolets» partiu para a sua terceira missão. A bordo seguia a 604ª tripulação de substituição, sob o comando do Capitão-de-Corveta Ievgeni Vanin. No dia 7 de abril, o submarino navegava a uma profundidade de 380 metros e a uma velocidade de 8 nós quando um incêndio deflagrou no sétimo compartimento, provocando a perda de flutuabilidade. O K-278 afundou a uma profundidade de 1.658 metros. A maior parte da tripulação acabou nas águas geladas do Mar da Noruega. Os botes salva-vidas não os comportaram devidamente: um virou e outro foi levado pelo vento. Das 69 pessoas que seguiam a bordo, apenas 27 sobreviveram. Quarenta e dois tripulantes morreram, mas apenas quatro deles num incêndio e os restantes 38 devido a hipotermia no mar gelado. Alguns morreram na água ou no interior da câmara de resgate, que emergiu danificada devido à queda de pressão. Entre os mortos estava o comandante do submarino. As causas exatas do desastre nunca foram estabelecidas. 

A tripulação morta no ocidente

A Marinha da URSS atribuiu a culpa da negligência aos projetistas e construtores navais, enquanto os construtores culparam as atividades pouco profissionais da tripulação do submarino nuclear. 

O submarino nuclear continua a emitir radiação. As amostras recolhidas excedem o limite de radiação em 800.000 vezes. As fontes podem ser o reator e dois torpedos com ogivas nucleares. 

O submarino nuclear K-278 Komsomolets foi construído em 1983 no estaleiro Sevmash em Severodvinsk e integrou a Frota do Norte. O submarino tinha um casco de titânio e era indetetável por qualquer meio técnico. Muito possível, que foi devido ao seu casco do titánio, a liderança militar soviética preferiu sacrificar os marinheiros, garantindo que o submarino não seja visto pelos especialistas ocidentais. O «Komsomolets» detém o recorde de profundidade de mergulho (1.027 metros) e o recorde de utilização de torpedos.

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Operação do KGB no Reino Unido: «Naked Spy»

Na década de 1950, vivia em Londres um osteopata chamado Stephen Ward. Ele criou uma agência de acompanhantes para clientes de alto escalão da sociedade britânica. Na realidade agência foi criada e gerida pelo KGB. Ward era apenas uma fachada e um mero executante.

Ele praticava a terapia manual. Certamente a praticava com um alto padrão profissional. Ward também tinha um hobby: era retratista e, por algum motivo, sonhava em ir a Moscovo/ou e desenhar ou pintar retratos de membros do Politburo. Por volta de 1960, Ward conheceu e fez amizade com um oficial da inteligência militar soviética (GRU), designado para a embaixada soviética em Londres, o Capitão de 1ª Classe Yevgeny Ivanov (morreu na pobreza em Moscovo/ou em 1994).

Naquele mesmo ano, Ward fundou uma agência de acompanhantes / «garotas de programa» para clientes de alto escalão da sociedade britânica. Com o tempo, a agência ganhou outro nome: o Clube das Quintas-feiras. Representantes masculinos de alto escalão da sociedade inglesa se reuniam na casa de Ward às quintas-feiras para conhecer as meninas/garotas que ele trazia, com tudo o que se seguia.

Ivanov manteve um caso com a socialité e dançarina exótica britânica Christine Keeler, que por sua vez se envolveu, muito possivelmente através da «sugestão» do KGB com John Profumo, o Secretário de Estado da Guerra britânico. O caso extraconjugal subsequente de Profumo com Keeler ocorreu em um momento em que ela também estava tendo relações sexuais com Ivanov.

Christine Keller fotografada por Lewis Morley, 1963

Em 1963, o escândalo conhecido como Caso Profumo eclodiu, envolvendo os dois ministros da guerra implicados no escândalo e levando à sua renúncia. A contraespionagem britânica, MI5, provou, então que Ward trabalhava para KGB e produzia/coletava fotografias incriminatórias de todos os altos funcionários que haviam utilizado os seus serviços. A lista era longa e impressionante. Como resultado, o governo conservador de Harold Macmillan renunciou. Foi substituído pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que era o preferido da liderança soviética.

Em 30 de julho de 1963, Ward foi preso e encontrado morto (oficialmente dado como suicídio por envenenamento por barbitúricos) na sua sua cela já em 3 de agosto. Ele tinha apenas 50 anos. O capitão Ivanov, juntamente com seu coautor Gennady Sokolov, publicou, na rússia em 1992, um livro sobre o caso, intitulado «O Espião Nu». No mesmo 1992, o livro também foi publicado no Reino Unido sob o título «The Naked Spy». No livro, os autores revelaram que o escritório de Ward foi criado pelo KGB. Ward era apenas uma fachada e um mero executante.

Assim, após o projeto bem-sucedido de Ivanov e Ward, o KGB repetiu a mesma operação em maior escala nos Estados Unidos, realizada por Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein...

sábado, janeiro 10, 2026

«Projet Niños»: as crianças espanhóis vítimas do comunismo e da guerra fria

Foi publicado na Espanha o livro «Projet Niños» da jornalista Carol Diaz, que conta o difícil destino de crianças e adolescentes espanhóis evacuados para a URSS em 1937-1938, durante a Guerra Civil Espanhola. Embora devessem retornar para casa após o fim das hostilidades, sua saída da União Soviética foi proibida por quase duas décadas. Somente a intervenção dos Estados Unidos, que tinham um interesse especial, ajudou a resolver o problema, escreve DW.

«Projet Niños» também é o nome que a CIA deu à operação especial realizada na Espanha no final da década de 1950, com foco nas 'Crianças da Guerra'. Entre 1956 e 1960, 2.400 dos 3.000 adultos, que em crianças foram enviadas para a União Soviética duas décadas antes, foram repatriadas para a Espanha. Ao retornarem, foram submetidas aos interrogatórios pela Agência de Inteligência dos Estados Unidos. A CIA lançou a 'Operação Projet Niños' em Madrid. Os arquivos dessa operação, que permaneceram secretos por 30 anos, foram desclassificados em setembro de 1995 e formam a base da série documental do canal televisivo DMAX España.

Quantas crianças espanholas foram parar na URSS?

Durante a Guerra Civil, o governo da Frente Popular, que lutava contra o general Francisco Franco, evacuou cerca de 37.500 crianças fora do país. Segundo Maria Ángeles Ramírez, professora de história da Universidade de Madrid, a maioria dos jovens espanhóis foi levada para países da Europa Ocidental e para o México. 2.895 crianças (5.000 crianças e adolescentes pelos dados da CIA) foram levadas para a União Soviética. Em 1939, após o fim das hostilidades na Espanha, quase todas as crianças puderam retornar – com exceção daquelas que acabaram na URSS.

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As crianças não foram libertadas pela decisão das autoridades soviéticas e liderança do partido comunista espanhol, que havia se instalado em Moscovo/ou, continuou Ramirez. Isso apesar dos apelos dos pais para que voltassem para casa. No entanto, os apelos ao governo soviético, à comunidade internacional, à imprensa e à Cruz Vermelha não surtiram efeito. Os motivos da detenção, ou seja, do sequestro das crianças, segundo ela, não foram ocultados na URSS. Declararam que elas deveriam ser criadas como uma «força de ataque» na luta pelo «futuro brilhante» da Espanha.

Criando futuros combatentes

As crianças separadas de seus pais, como se depreende de suas numerosas memórias, coletadas na época pela autora deste artigo, foram criadas de acordo com os padrões soviéticos. Eles foram aceitos como jovens pioneiros [a organização comunista para as crianças] e, nas aulas, falavam sobre as vitórias do socialismo e os vícios do capitalismo, da Igreja e de outros «inimigos do proletariado mundial». As crianças aprendiam canções patrióticas soviéticas, marchavam em formação com uma bandeira ao som de tambores. Quando cresciam, recebiam passaportes soviéticos (cerca de 35% do número geral, de acordo com a CIA).

Enquanto isso, essas crianças tiveram que suportar todas as dificuldades da Segunda Guerra Mundial, assim como todos os habitantes da União Soviética. Os mais velhos foram para a frente de batalha ou trabalharam na retaguarda. Os mais novos, que viviam em orfanatos, sofriam com a fome e as doenças. Alguns roubavam, principalmente comida, para sobreviver e acabaram no GULAG. No total, durante os anos de guerra, quase 200 menores espanhóis foram condenados a penas de cinco a oito anos por delitos menores.

A ajuda veio dos americanos e do degelo soviético

Mais tarde, a partir de meados da década de 1950, a União Soviética pareceu deixar de se opor ao retorno dos espanhóis: o «degelo» de Khrushchev entrou em vigor. Mas as autoridades espanholas, como observa Karol Díaz em seu livro, não ficaram satisfeitas com isso. O líder espanhól Franco, que saiu vitorioso da guerra civil, temia que os repatriados se juntassem às fileiras da oposição de esquerda – trazendo para a Espanha, como ele dizia «o contágio bolchevique».

Aqui os americanos intervieram na história. Naquela época, eles tinham forte influência sobre Franco. Os americanos falaram sobre direito humanitário e pressionaram o ditador para permitir o retorno dos espanhóis. Enquanto isso, o interesse dos EUA no problema, como observado no «Projet Niños», não se explicava por considerações humanitárias.

Em 1957, um acordo foi assinado entre os governos soviético e espanhol sobre o retorno de crianças deportadas anteriormente à sua pátria. Naquele mesmo ano e nos dois anos seguintes, cerca de metade (entre 1956 e 1960, 2.400 crianças, das 3.000 enviadas para a União Soviética duas décadas antes, foram repatriadas para a Espanha) dos espanhóis retornou à Espanha. A outra metade permaneceu na URSS. Primeiro, a situação política da Espanha não era particularmente atraente para eles. Segundo, muitos já tinham empregos na URSS ou haviam constituído família nessa época.

Citando fontes espanholas e americanas, Karol Diaz afirma que todas as pessoas que retornaram à Espanha foram interrogadas – frequentemente várias vezes – por representantes dos serviços secretos espanhóis, em conjunto com a CIA. Durante esses interrogatórios, que duraram quatro anos, os americanos obtiveram mais de 2.000 gravações. Um documento secreto baseado nelas foi compilado em 1963 pelo analista sênior da CIA, Lawrence E. Rogers. Esse documento foi desclassificado em setembro de 1995.

O que interessava à CIA

A autora de «Projet Niños» afirma que os espanhóis que retornaram da URSS eram de grande interesse para a CIA. Muitos deles, tendo recebido educação superior, trabalhavam em diferentes cidades e em vários setores da economia, incluindo na indústria de defesa. Além disso, eles podiam saber a localização de unidades militares e tinham informações sobre a situação e o clima social na União Soviética.

Os resultados práticos da operação

Quanto aos serviços de inteligência espanhóis, eles estavam interessados no grau de confiabilidade dos recém-chegados, bem como em informações sobre aqueles que não haviam retornado. Em Madrid, as autoridades chegaram a criar um Departamento para Repatriados da URSS sob a liderança do Major Teodoro Palacios. Tanto os espanhóis, quanto os americanos, em particular, buscavam obter informações sobre espanhóis que serviam na inteligência soviética. Aparentemente eram vários. Os mais famosos eram a coronel do NKVD-KGB Africa de las Eras, que se infiltrou na América Latina, e Ramon Mercader, o assassino de Lev Trotsky.

Vítimas de políticos

Carol Díaz chama os heróis de sua história de «vítimas da época e da política insensata». Nem às esperanças dos comunistas, nem os temores de Franco se concretizaram: os filhos que cresceram e voltaram para casa não se tornaram disseminadores do contágio bolchevique na Espanha. A tragédia de muitos deles era que se sentiam «como estrangeiros tanto na URSS, quanto em sua terra natal», onde eram submetidos a interrogatórios e exigências para denunciar seus compatriotas emigrantes.

A historiadora María Ángeles Ramírez classificou a prática de «sequestrar e manter crianças à força como imoral, devastadora e completamente desesperançosa». Ela lembrou que uma «prática vergonhosa» semelhante ainda existe em alguns países africanos, onde crianças sequestradas são usadas como soldados, e na própria rússia, no decorrer da agressão contra Ucrânia.

Agentes do KGB entre os retornados

O canal televisivo espanhol, DMAX España, produziu uma série documental, dedicada ao ‘Projet Niños’.

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Num dos depoimentos, transmitidos pelo canal, o coronel reformado do KGB, Oleg Nechiporenko, responsável pelo controlo/e dos estrangeiros na URSS (era o agente do KGB que teve contactos diretos com Lee Harwey Oswald, o presumivel assassino do John Kennedy), relata na série as operações secretas da KGB, explicando como soviéticos infiltraram os seus agentes entre os espanhóis que retornaram da URSS. «Entre os espanhóis também estavam nossos agentes, aqueles que cooperavam com o KGB», revelou ele.

Agentes do GRU entre os descendentes de espanóis 

Os dois passaportes do agente do GRU russo González-Rubtsov

Não podemos se esquecer do caso do agente russo do GRU, González-Rubtsov, que nasceu em Moscovo em 1982 numa família de imigrantes espanhóis. O seu avô, Andres González Yagüe, foi levado à URSS ainda criança, salvando-se da guerra civil espanhóla. A filha de Andres, María Elena González, casou com o cientista soviético Alexei Rubtsov; chamaram o seu filho de Pavel. “Estas famílias sempre estiveram no campo de visão da inteligência soviética e russa, eram seguidas”, explica a investigadora de inteligência e editora-chefe adjunta da página russa Agentura.ru Irina Borogan. “Porque eles, pela sua origem, falam línguas e têm parentes no estrangeiro e, por isso, são perfeitos para o recrutamento.”

quinta-feira, janeiro 08, 2026

Morreu traidor Aldrich Ames, ex-agente da CIA, que passou 32 anos na prisão


Aldrich Ames, ex-agente da CIA condenado à prisão perpétua por espionagem para Moscovo/ou, faleceu na prisão, passando lá 32 anos. Sua traição levou à morte de, no mínimo, 10 agentes americanos (entre eles um general e vários coronéis do GRU e do KGB), executados na URSS.

Aldrich Ames, ex-agente da CIA que atuou como agente para Moscovo/ou, morreu em uma penitenciária federal em Maryland. Ames tinha 84 anos. O Washington Post noticiou sua morte, citando o banco de dados de prisioneiros do Departamento Federal de Prisões.

Ames sob o nomes de código de “Alexander” e “Kolokol” (Sino) trabalhou para a inteligência soviética e, posteriormente, russa, de 1985 a 1994. Em juízo, ele admitiu ter fornecido à KGB os nomes de «praticamente todos os agentes da CIA e outros agentes americanos e do serviço exterior [na URSS] que eu conhecia», bem como «uma vasta quantidade de informações sobre política externa, defesa e segurança dos EUA». Por isso, Ames recebeu mais de um milhão de dólares (outros dados apontam de até 4,6 milões de dólares) em dinheiro e lhe foi prometido pelo menos mais um milhão de dólares e imóveis na rússia. Entre os agentes da CIA, que Ames entregou ao KGB e que foram executados estava o major-general do GRU Dimitri Polyakov e tenente-coronel Valery Martinov, o agente do KGB nos EUA, disfarçado do Adido Cultural da Embaixada soviética em Washington. Engraçado, que o neto do Martynov, Edward Coristine (2005), o famoso Big Balls, é um desenvolvedor de software, que ganhou a notoriedade em 2025 após ser nomeado para o Departamento de Eficácia Governamental (DOGE), comandado por Elon Mask.

O Washington Post relata que, quando Ames foi capturado, sua espionagem havia levado à morte de pelo menos 10 agentes e constituía o vazamento mais grave da história da CIA. Ames alegou que cooperou com a KGB não por considerações ideológicas (ele chamou o sistema soviético de «regime brutal e desumano»), mas por dificuldades financeiras.

Ames foi preso em fevereiro de 1994. Um dos principais fatores que levaram à sua exposição foram seus gastos exorbitantes. Na primavera de 1994, Ames foi condenado à prisão perpétua. Enquanto estava na prisão, ele processou o Serviço de Receita Federal (IRS), que exigia o pagamento de impostos atrasados sobre mais de um milhão de dólares que ele havia recebido por espionagem para Moscou. Amer perdeu o caso.

Entre as razões da sua descoberta foi o alto número dos oficiais do KGB – agentes da CIA, que foram executados na URSS em 1986-1988, além dos gastos financeiros, muito acima da média, praticados pelo Ames e pela sua esposa, a colombiana Maria del Rosario Casas Dupuy. Aparentemente, Maria Dupuy sofria de algum tipo de distúrbio mental, sendo compradora compulsiva.

Maria del Rosario Casas Dupuy, abandona o tribunal após Ames ter recebido
uma pena de prisão perpétua, Washington DC, 28 de Abril de 1994.
(Fotografia de Larry Downing/Sygma/Sygma via Getty Images)

Juntamente com Ames foi presa a sua esposa, Maria del Rosario Casas Dupuy, a 2ª secretária da Embaixada da Colômbia no México e também agente/informadora da CIA. Apos servir 5 anos na cadeia americana, ela foi expulsa para Colombia.

sábado, novembro 15, 2025

Nicholas G. Shadrin: oficial soviético “Herói da Guerra Fria” pela DIA

Artamonov-Shadrin testemunha perante o cogresso dos EUA (à direita, de bigodes)

A marinha da guerra soviética se viu em apuros no verão de 1959, quando o comandante do mais novo contratorpedeiro da Frota do Báltico, o “Stremitelny” (outros dados «Sokrushitelny»), o Capitão de 3ª Classe Nikolay Artamonov fugiu da Polónia para Suécia.

O contratorpederio soviético «Sokrushitelny» outros dados «Stremitelny»

O ponto mais picante da história residia no facto de que o capitão Artamonov era o genro do almirante Sergey Gorshkov, o todo poderoso Comandante-em-Chefe da marinha soviética e que a fuga do capitão se deu na companhia da sua amada polaca, Ewa Blanca Góra.

O almirante Sergey Gorshkov, nascido na Ucrânia, no meio

No verão de 1959, o capitão de 3ª classe (equivalente ao major do exercito) Nikolai Artamonov, comandante do mais novo contratorpedeiro da Frota do Báltico, o “Stremitelny”, fugiu para a Suécia numa lancha militar com a sua amada polaca, Ewa Góra, a partir do porto polaco de Gdynia. O marinheiro do barco, Ilya Popov, que aparentemente foi coagido a seguir para a Suécia na presença de representantes suecos, recebeu a sugestão do Artamonov de regressar à União Soviética, uma vez que «não havia nada para ele no Ocidente». Os suecos informaram a embaixada americana em Estocolmo, onde Paul Garbler era, então, o chefe da estação da CIA. Após se ter reunido com Artamonov, Garbler enviou um relatório a Washington atribuindo ao oficial soviético a classificação NIP (National Intelligence Potential). Isto significava que a sede deveria considerar este indivíduo como uma fonte potencialmente muito valiosa, capaz de fornecer informação de importância estratégica. Temendo a possibilidade de que o governo sueco deportasse Artamonov à União Soviética, a embaixada americana solicitou o apoio ao diretor da CIA, Allen Dulles. Este, por sua vez, contactou o conselheiro do primeiro-ministro sueco, Olof Palme, que um dia viria a ser o primeiro-ministro da Suécia. Artamonov e Góra seguiram para Washington. 

Artamonov e Ewa Góra no clube de oficiais de Gdynia

Nikolay Artamonov e Ewa Bianca Góra na Polónia

Toda essa atenção se explicava pelo facto que Artamonov não era um oficial comum. Estava casado com a filha do almirante Sergey Gorshkov, comandante da marinha da guerra soviética, e por isso sabia muitas coisas que um oficial da sua patente não era suposto de saber. De acordo com o procedimento estabelecido, Artamonov deveria ser submetido a uma verificação de antecedentes num centro especial da CIA em Frankfurt antes de seguir aos Estados Unidos. Mas, como a sua entrada nos Estados Unidos já tinha sido aprovada por Dulles e James Angleton [o chefe do serviço de contra-inteligência da CIA de 1954 à 1975]. Artamonov e Góra não foram sujeitos a verificação adicional. Quando chegou aos Estados Unidos, ao Artamonov, que mudou o seu nome para Nicholas George Shadrin, recebia o salário equivalente ao de um oficial da sua patente na marinha dos EUA.

A foto do Nicholas Shadrin no seu passaporte americano

O casal comprou uma modesta casa em Arlington, onde Ewa fazia a formação em medicina dentária. Após um ano e meio como consultor especial da CIA, Nicholas Shadrin foi transferido para a Direcção de Inteligência Naval dos EUA. Era de grande interesse para a CIA. Nesta altura, a URSS tinha construído aeronaves navais que portavam os mísseis de cruzeiro, o primeiro submarino nuclear armado com mísseis balísticos nucleares tinha entrado ao serviço. Nicholas Shadrin trabalhou durante sete anos na unidade analítica dos serviços de informação norte-americanos.

O casamento feliz de Nicholas e Blanca Shadrin em Baltimore

Na URSS, Shadrin-Artamonov deixou a mulher e o filho em Leninegrado, aos quais o KGB prestou apoio material constante. Primeiro, porque pertenciam aos circuitos da alta elite militar soviética, e depois, eram mantidos «na reserva», como pretexto para contactar Artamonov mais tarde, quando este se estabelecer nos Estados Unidos. O próprio almirante Gorshkov, diga-se de passagem, nascido na Ucrânia, aparentemente, não foi alvo de qualquer acusação formal ou mesmo repreensão informal.

Agente ilegal soviético Alexey Kozlov (no meio)

Na versão sovietica/russa, o KGB enviou para procurar Artamonov um dos seus agentes da contra-espionagem ilegal, o major Alexey Kozlov [agente ilegal em Portugal antes de 1974, decoberto e preso em 1980, pela NIS, devido à espionagem na África do Sul, libertado na troca de POW/espiões em 1982]. Segundo as fontes russas, em Washington, Kozlov ligou diretamente para casa do diretor da CIA, Richard Helms, se apresentou, explicando que alguns anos antes se tinha encontrado com dois oficiais da CIA no Paquistão. Fornecendo o seu nome e nomes dos agentes. Os americanos, alegadamente, aceitaram o contacto, apenas evitando a participação de qualquer pessoa da divisão soviética da CIA, suspeitando que naquele departamento havia uma “toupeira” do KGB. Kozlov afirmou ser major do KGB e que veio a Washington para recrutar Artamonov-Shadrin. Alegadamente estava insatisfeito com a sua posição no KGB e queria colaborar com a CIA. Se os americanos ajudassem a re-recrutar Artamonov, Kozlov poderia progredir na sua carreira e tornar-se um trunfo valioso para a CIA. Os americanos alegadamente aceitaram a sua oferta, atribuindo-lhe o nome de código «Kitty Hawk». Kozlov alegadamente disse aos americanos, que pretendia se casar com Svetlana, a filha única da poderosa membro do Politburo, Ekaterina Furtseva, a ministra da cultura soviética, conhecida pelo seu forte empreendedorismo económico e uma aguda falta de cultura geral. Em breve, a CIA e o FBI organizaram um encontro entre Kozlov e Artamonov. Kozlov mostrou ao Artamonov cartas da sua mulher e filho, que permaneceram em Leninegrado. Artamonov leu-as e disse que aceitaria se tornar um agente duplo, passando materiais confidenciais da DIA e da CIA ao KGB.

A história é muito bonita, mas claramente fabricada. Segundo a biografia de Alexey Kozlov, disponível na Wikipédia russa, ele foi recrutado pelo KGB em 1959, recebendo a oferta da Direção «C» da Primeira Direção Principal (inteligência estrangeira). A partir de agosto de 1959, foi submetido a um treino especial no programa de inteligência ilegal, a sua especialização era o alemão e o dinamarquês. Em outubro de 1962, foi enviado à Dinamarca para adquirir a profissão de desenhador técnico.

Um agente ilegal é um produto absolutamente unico, levando anos e bastante esforço fisico, emocional e até material no arranjo e na preparação da sua “lenda”, isso é, da cobertura legal. Um agente desta classe nunca se apresentaria junto ao pessoal da CIA, pois iria definitivamente revelar a sua identidade e aparência física (naturalmente CIA iria produzir as fotos, ficar com impressões digitais, gravar a voz, etc.) Neste caso, toda e quaisquer, sua carreira futura como agente ilegal acabaria imediatamente e de uma forma permanente.

A fabricação de uma identificação falsa aos modos do KGB

No entanto, a biografia do Shadrin-Artamonov na mesma Wiki russa explica a situação real. Quem se apresentou junto aos americanos em 1966, na verdade foi Igor Kochnov, um oficial de contra-espionagem estrangeira da Primeira Direcção Principal do KGB, que usava como a cobertura legal a sua posição do jornalista da agência noticiosa soviética “AP Novosti”, que habitualmente servia de cobertura aos agentes do KGB dentro e fora da URSS. Kochnov realmente se casou com Svetlana, a filha de toda poderosa Furtseva, embora para isso teve que desfazer o seu proprio casamento, abandonando a esposa e uma filha menor. No entanto, Svetlana, anteriormente era casada, no seu primeiro casamento, com um camarada chamado Oleg Kozlov, filho de Frol Romanovich Kozlov, membro do Bureau Político do PCUS. 

Coronel ou major do KGB Igor Kochnov (? - 1988)

Na URSS, os divorcios dos membros da elite soviética eram bastante mal-vistos pelo regime, ao acontecer, atrasavam ou mesmo impossibilitavam a sua progressão na carreira dentro do Partido-Estado. Neste ótica, muito possivelmente, a sua tarefa de enganar os americanos era uma espécie da tarefa-obrigação, que Kochnov recebeu do KGB. Usando os pedaços da sua própria biografia, combinada com as biografias de outras pessoas, para fabricar uma identificação falsa, mas sólida, que realmente poderia enganar os americanos, que não tinham muitos meios dentro da URSS para verificar quem é quem dentro da elite político-partidária soviética. Além disso, existem índices do que Kochnov entregou ao CIA os nomes e as identidades de alguns agentes do KGB nos EUA, nomeadamente do oficial americano «Sasha», recrutado pelo KGB na Alemanha Federal.

O casamento notável de Svetlana Furtseva e Oleg Kozlov na presença do Brejnev, Mikoyan e Khrushev

Após ter sido re-recrutado pelo KGB, Artamonov-Shadrin, sob o pseudónimo de «Lark», alegadamente escreveu uma declaração ao Presidium do Soviete Supremo da URSS, a tinta vermelha [não se sabe porque], pedindo a clemência: “...Os anos que passaram desde a prática deste gravíssimo crime ensinaram-me uma dura lição. Eu não era um inimigo consciente e inveterado da minha pátria. Sem de forma alguma me eximir da responsabilidade pelo que fiz, peço que me deem a oportunidade de expiar a minha culpa e, se de alguma forma eu puder ajudar a minha pátria, regressar a casa”.

O agente do KGB Igor Kochnov permaneceu em Washington até setembro de 1966. O que perfeitamente pode ser verdade, ja que os “jornalistas” soviéticos da «AP Novosti» passavam longas temporadas nos EUA, sob a cobertura jornalistica e até com as bolsas da fundação Fulbright (ou seja, os americanos, de facto, financiavam, a formação dos agentes do KGB nos EUA), “Lark” passou uma grande quantidade de informações sobre a CIA e prometeu elaborar um relatório sobre os desertores e emigrantes russos com quem tinha trabalhado. Posteriormente, Moscovo recebeu de “Lark” uma grande quantidade de informações sobre a Marinha dos EUA, particularmente sobre a sua frota de submarinos. Mas KGB ficou alarmada com o facto de algumas das suas operações falharem. Moscovo tinha perdido a confiança em Artamonov e, em 1974, foi elaborado um plano para raptar “Lark” em Viena, à onde este seria atraído sob o pretexto de um encontro com o novo agente infiltrado do KGB nos Estados Unidos. Em 1975, Artamonov foi informado de que o seu perdão tinha sido finalmente aprovado. No grupo do KGB encarregue do seu rapto, aparentemente estava o nosso Igor Kochnov, o que faz todo o sentido, dado que a velha tática, aplicada por diversos serviços secretos, é usar os amigos e conhecidos para ludibriar a alerta natural dos agentes. Sob o pretexto de um encontro com um agente infiltrado do KGB, Artamonov-Shadrin foi atraído para Viena, drogado com clorofórmio, e levado algemado, num carro, até à fronteira austro-checa, pouco vigiada. Aí, o carro atolou na berma da estrada. Decidiu-se abandonar o carro e levar Artamonov consigo.

Do lado checoslovaco, uma equipa de Moscovo aguardava o grupo, liderado por Oleg Kalugin  (então chefe do Departamento «K» da Primeira Direcção Principal do KGB). Segundo a equipa do KGB, foi Kalugin quem, pela segunda vez, aplicou o tranquilizante ao Artamonov, depois disso este nunca mais recuperou a consciência. Quando uma médica checa, possivelmente do StB/KGB, desconfiada, quis examinar Artamonov, que estava inconsciente, o general, alegadamente, proibiu-a. A operação, minuciosamente planeada, se revelou um fracasso.

Acrescente-se que, de 1966 a 1970, Oleg Kalugin desempenhou as funções de chefe adjunto da residentura do KGB em Washington e, a partir de 1970, de chefe adjunto da Direção «K» da Primeira Direção Principal do KGB. Desde 1973, chefiava a Direcção «K». Segundo alguns historiadores e veteranos do KGB, a operação para levar Artamonov à URSS não poderia ter falhado, mas fazê-lo colocaria Oleg Kalugin em risco de ser descoberto [segundo teorias de conspiração desde 1959 Oleg Kalugin era um agente da CIA]. Os atuais serviços secretos russos desconfiam, neste âmbito, que ele próprio realizou a operação e fez tudo o que estava ao seu alcance para impedir que Artamonov chegasse vivo ao Moscovo.

A 30 de dezembro de 1975, o Cônsul-Geral dos EUA em Moscovo, Clifford Gross, visitou o departamento consular do Ministério dos Negócios Estrangeiros da URSS, declarando que “o cidadão norte-americano Nicholas George Shadrin encontrou-se com dois funcionários soviéticos em Viena no dia 20 de dezembro, após o que desapareceu sem deixar rasto...” Em resposta, Gross foi informado que “em dezembro de 1974, Shadrin contactou a embaixada soviética em Viena com um pedido para regressar à União Soviética, mas não compareceu no encontro combinado”. Vladimir Kryuchkov, o chefe da Primeira Direção Principal do KGB, ficou, apesar de tudo, satisfeito com os resultados da operação. Oleg Kalugin, o chefe da contra-espionagem estrangeira do KGB, foi condecorado com a ordem militar “Bandeira Vermelha”.

No seu livro “Adeus Lubyanka” o próprio Kalugin conta que KGB estava desconfiar que Artamonov-Shadrin era agente duplo, da CIA e do KGB. Para isso, num determinado momento ele foi atraído ao Canadá, onde KGB, segundo Kalugin, tinha um agente no departamento de Contra Inteligência da Polícia Real Montada do Canadá (RCMP). No decorrer do jogo operativo, o agente “Lark” veio ao Canadá sob o pretexto do que funcionário da Direcção de Inteligência Ilegal do KGB queria reunir-se com ele em Montreal. Quando “Lark” chegou ao Canadá, o FBI informou o RCMP sobre ele e pediu-lhes que monitorizassem a sua presença no país. O relatório do RCMP, que o agente do KGB fez chegar ao Moscovo afirmava que o “Lark” estava sendo seguido e acompanhado por agentes americanas. Os responsáveis do KGB ficaram furiosos com esta «traição dupla», pois tinham providenciado que o seu filho frequentasse a Academia Militar soviética, mantendo as condições favoráveis para a família e prometendo o perdão no regresso à URSS.

O livro «Adéus Lubyanka» do Oleg Kalugin

Desta forma KGB decidiu executar a sentença de morte que fora imposta ao Artamonov em 1960. “Lark” foi convidado a encontrar-se na Áustria para receber formação em radiocomunicações, com o objectivo de, posteriormente, o entregar a um agente ilegal do KGB nos Estados Unidos. No dia do encontro com o tal agente, colocaram-lhe uma máscara de clorofórmio na cara, aplicaram-lhe uma injeção de sedativo e levaram-no em direção à fronteira com a Checoslováquia.

O artigo no The New York Times «Died of Soviet Defector and Spy», Novembro de 1993

Na versão do Kalugin “descobriram que tinha morrido de insuficiência cardíaca aguda, incapaz de suportar o stress”. O seu corpo foi levado num avião especial do KGB a Moscovo, onde o próprio chefe da 4ª Direcção Principal do Ministério da Saúde da URSS, o famoso «médico do Kremlin», Evgeny Chazov, confirmou o diagnóstico inicial. Uma autópsia, alegadamente, revelou que «Lark» tinha desenvolvido câncro/câncer renal e não lhe restava muito tempo de vida. Foi sepultado sob um nome letão num dos cemitérios da cidade de Moscovo. O desaparecimento de Artamonov-Shadrin causou grande agitação no Ocidente, com a sua esposa Bianca Chadrin, advogados e funcionários do governo a exigirem explicações públicas sobre o seu destino, tanto do lado americano, como do soviético. Além de Kissinger e Brzezinski, o Presidente Ford interveio na questão, enviando uma mensagem a Brejnev. Questionado por Ford sobre o paradeiro de Artamonov, Brejnev respondeu: «Nós próprios gostaríamos de saber onde está agora». Assim terminou a saga do agente duplo, cujo nome gerou paixões, acusações mútuas e recriminações durante quase dois anos. O jornal soviético «Literaturnaya Gazeta» publicou um artigo de propagandista Genrikh Borovik sobre o assunto, intitulado “Os cavalos cansados são abatidos, certo?” O título sugeria, de forma bastante clara, que Artamonov-Shadrin foi morto não pelo KGB, como aconteceu na realidade, mas pelo «Ocidente».

«O fim do ´Lark´», texto baseado nas memórias do Oleg Kalugin, «Moscow News», 1994

«A vida e a morte do agente duplo», jornal «S.Petersburg Vedomosti», 1993

O Major-general Oleg Kalugin denunciou os crimes do KGB, publicamente e pela primeira vez ainda em 1990. Perdeu a sua patente de general em junho de 1990, pela Resolução do Conselho de Ministros da URSS, mas foi plenamente reintegrado pelo Decreto do Presidente da URSS, de 31 de agosto de 1991. Em 1995, deixou a Rússia rumo aos Estados Unidos, e em 2002, na federação russa, foi condenado à revelia por “traição” e sentenciado aos 15 anos numa colónia penal de segurança máxima. Por decisão do Tribunal civil da Cidade de Moscovo, foi destituído da sua patente militar, retirada a pensão e vinte e duas condecorações estatais soviéticas. O presidente russo putin e vários oficiais dos serviços de secretos russos e soviéticos chamaram Kalugin de traidor. Apesar de que no tribunal não foram apresentadas as provas fatuais da sua suposta «traição» e acusação se basear, unicamente, no facto de general denunciar os crimes do KGB sovietico, praticados durante a vigência do regime sovietico, isso é, antes de 1991.

Do lado americano, em 13 de dezembro de 2019, o Diretor da DIA, Tenente-General Robert Ashley Jr., inaugurou uma placa no “Muro dos Patriotas” da DIA em memória e reconhecimento das contribuições de Nicholas G. Shadrin. Um comunicado subsequente do Departamento de Assuntos Públicos da DIA aclamou Shadrin como um “Herói da Guerra Fria”. 

O diretor da Agência de Inteligência de Defesa, Tenente-General Robert Ashley Jr., presenteia a Dra. Blanka Shadrin com um desenho de seu marido, Nicholas Shadrin, após a inauguração de sua placa no Memorial dos Patriotas da DIA (Foto cortesia da DIA), 2019

O Contra-Almirante na reforma, Tom Brooks, da Marinha dos EUA, no seu texto: «O enigma de Nick Shadrin… O último desertor soviético da ONI» escreveu a seguinte passagem: 

A nova geração de profissionais de inteligência se orgulhou do reconhecimento dado a um dos heróis desconhecidos da DIA, que fez o sacrifício supremo em defesa da nação. Embora alguns veteranos da inteligência aposentados tenham ficado surpresos com isso, a grande maioria ficou encantada e aplaudiu a coragem do Tenente-General Ashley em dar um desfecho substancial ao caso Shadrin após mais de quatro décadas, e com a presença de Blanka Shadrin. Ela ficou muito satisfeita que, depois de tantos anos, o reconhecimento tenha sido justamente concedido pela DIA como a agência que se manifestou e reconheceu a contribuição de Shadrin. Como gesto de gratidão, ela entregou ao Historiador-Chefe da DIA o cartão que Shadrin lhe dera na noite de seu desaparecimento, que continha os dois números de telefone para contato que ela deveria ligar “se algo desse errado”. Blanka carregou esse cartão em sua bolsa por 44 anos!

Por sua vez, Norman Polmar, que no início da década de 1970 era um consultor contratado do Dr. N.F. (Fred) Wikner, assistente especial do Secretário de Defesa, e do Contra-Almirante Earle F. (Rex) Rectanus, o Diretor de Inteligência Naval dos EUA, tem a seguinte memória do Nicholas Shadrin, à quem conheceu pessoalmente: 

Algumas pessoas ainda acreditam que ele era “bom demais” para ser o que parecia ser. Acredito que posso afirmar ter sido amigo de Nick Shadrin — ou Nickolai Fedorovich Artamonov — embora por um período muito breve. E, para usar uma expressão popular, “ele era um cara legal”.

sexta-feira, novembro 07, 2025

O correspondente de guerra mais jovem da Guerra do Vietname

Lỗ Mạnh Hùng era um menino de 12 anos de Saigon, que ficou internacionalmente famoso em fevereiro de 1968 como o correspondente de guerra mais jovem da Guerra do Vietname/nã.




Seu pai, Lo Vinh Hùng, de 40 anos, era dono de uma pequena agência fotográfica vietnamita, Bao Chi. Percebendo que seu filho conseguia rastejar onde um fotógrafo adulto não conseguia, o pai o contratou oficialmente para trabalhar. O pequeno correspondente conseguia facilmente rastejar sob os pés de seus concorrentes durante uma reunião oficial; além disso, sua altura permitia que ele tirasse fotos sem bloquear o setor para fotógrafos adultos mais altos, o que era importante, já que os fotógrafos vietnamitas eram famosos por seu comportamento agressivo durante sessões de fotos e podiam facilmente dar cotoveladas ou até mesmo agredir um concorrente.

Em fevereiro de 1968, Lỗ Mạnh Hùng já tinha dois anos de experiência profissional como fotógrafo; além disso, ele revelava e imprimia fotografias de forma independente e também atuava como agente, vendendo suas fotos e as de seu pai para a imprensa internacional/mídia mundial.




Talvez o menino nunca tivesse ido parar na linha de frente se a própria frente de batalha não tivesse chegado à sua cidade. Em 30 de janeiro de 1968, no feriado do Ano Novo Vietnamita, o Tet, quando as partes tradicionalmente acordavam um cessar-fogo de vários dias, os comunistas Viet Cong e o exército do Vietname/ã do Norte (de 500 mil a 1 milhão de combatentes) lançaram inesperadamente a chamada «Ofensiva do Tet» - atacando simultaneamente dezenas de assentamentos em todo o Vietname/ã do Sul, incluindo a cidade de Saigon. Embora a Ofensiva do Tet tenha sido repelida após seis meses de combates, os americanos e os vietnamitas do sul - sentiram muita dificuldade, de conter o avanço comunista. A imprensa/mídia americana repercutiu a história do corajoso menino vietnamita. «Ele foi aonde os adultos tinham medo de ir» - as manchetes como este apareciam na imprensa, que, aparentemente, pretendia envergonhar os covardes e aqueles com pouca fé, inspirando os soldados americanos aos novos feitos.

No entanto, os liberais ocidentais criticavam a decisão do pai Lo, dizendo que usar uma criança como correspondente de guerra, e ainda mais para fins de propaganda, é cruel.

Aparentemente, Lỗ Mạnh Hùng conseguiu deixar o Vietname/nã em segurança, abrindo o seu próprio estúdio fotográfico em São Francisco. Nos EUA ele adotou o nome de Jimmy Lo Hung e em 1998 falou com o ex-fotógrafo da Associated Press, Horst Faas, conforme relatado pelo San Francisco Examiner. No entanto, milhares de outros sul-vietnamitas não tiveram essa sorte, após a retirada americana do Vietname/ã e a queda de Saigon. A derrota dos EUA no Vietname e a consequente ocupação do Vietname do Sul pelos comunistas do Vietname do Norte resultou em milhares de mortos e na repressão sangrenta de grandes proporções:

Execuções e Prisões

Cerca de um milhão de pessoas foram enviadas para campos de «reeducação», das quais 165.000 nunca retornaram; entre 65.000 à 100.000 pessoas foram executadas após a guerra. Muitos ex-militares, políticos e ativistas do Vietname/ã do Sul foram presos em campos de concentração ou sofreram outras formas de perseguição.

Fuga

«Barcos de Refugiados»: de 1975 à 1984, cerca de 554.000 barcos transportando refugiados deixaram o Vietname/ã. De 200.000 à 250.000 pessoas morreram no mar enquanto tentavam fugir do país.

Em geral, entre 1954 à 1975, as autoridades comunistas de Viet Kong (Vietname do Norte) foram responsáveis pela morte de até 227.000 civis.

Ler mais: Revelando a História Oculta do Viet Cong: desvendando atos esquecidos de terrorismo.