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sexta-feira, outubro 01, 2021

A omnipresença da secreta comunista NKVD na Ucrânia em 1940

Os arquivos da secreta ucraniana SBU, abertos aos historiadores e aos investigadores, permitem avaliar o grau de penetração da secreta comunista NKVD nas estruturas sociais da Ucrânia soviética nas vésperas da guerra nazi-soviética (os dados de 20.01.1940).
NKVD da SSR da Ucrânia
1º Departamento Especial
ABSOLUTAMENTE SECRETO
OS DADOS NUMÉRICOS
sobre a presença da rede de agentes-informadores nas
Direcções regionais do NKVD da SSR da Ucrânia
em 20 de janeiro de 1940
***
cidade de Kiev.
Segundo os dados da estatística oficial soviética, a população da Ucrânia soviética perfazia em 1940 as 41.458.000 pessoas, contando com a população da República Autónoma Socialista Soviética de Moldova (que entre 12 de outubro de 1924 e 2 de agosto de 1940 fazia parte da Ucrânia e onde, de acordo com o censo soviético de 1939, viviam 599.156 pessoas: ucranianos – 50,7%, moldovos – 28,5%; russos – 10,2% e judeus – 6,2%). Os dados do censo de 1936 mostram um quadro muito semelhante: ucranianos – 45,5%; moldovos – 31,6%; russos – 9,7 %; judeus – 7,8 % judeus e alemães – 2,2%.
Total na Ucrânia: 47.357 | NKVD /centro/ 1.717
Região de Kyiv: 3.782 | de Kharkiv: 3.315 | de Zhytomyr: 3.128
de Dnipropetrovsk: 4.147 | de Odessa: 956
Dividindo o total da população ucraniana pelo número dos informadores e delatores do NKVD (47.357 pessoas) chegaremos ao número impressionante de 1 seksot (literalmente funcionário secreto) para 875 cidadãos. Possivelmente, só a famigerada Stasi, secreta da Alemanha Democrática (RDA), teve o rácio maior, já no fim da década de 1980.  
Região de Mykolaiv: 1.989 | de Poltava: 2.220 |
de Stalin (Donetsk): 5.538 | de Voroshilovograd (Luhansk): 2.111
Região de Vinnytsya: 1.775 | de Kamyanets-Podilska (Khmelnytska): 3.921
de Chernihiv: 2.120 | de Kirovograd: 1.557 | de Zaporizhia: 2.191
Como nota o blogueiro allin777, na URSS, no fim da década de 1980 – início da década de 1990, na Ucrânia soviética o número dos informadores — à tempo integral e “fora dos quadros”, afetos ao KGB e ao Ministério do Interior (milícia soviética) chegava, nas grandes cidades, ao rácio de 1 informador por cada 98 habitantes.
Região de Sumy: 2.590 | de ASSR de Moldova: 1.296 | de Lviv: 1.005
de Stanislaviv (Ivano-Frankivsk): 626 | de Ternopil: 430 
Região de Volyn: 429 | de Rivne: 428 |
de Drohobyh (incorporada na região de Lviv em 21/05/1959): 86
Blogueiro: uma questão muito importante, para onde toda essa gente se foi com início da guerra nazi-soviética de 22/06/1941? Uma parte deles fugiu da Ucrânia, outros andaram na clandestinidade e ainda outros serviram o regime de ocupação nazi. Um tema tabu para os historiadores soviéticos, ainda hoje sem muita estatística sobre o número de oficiais do NKVD, MVD (milícia) e dos seus agentes informadores ao serviço do 3º Reich... 

terça-feira, maio 25, 2021

Belarus: condenada pelo Hamas e pela comunidade internacional

Por ordem de ditador Lukashenka, um avião comercial da Ryanair foi desviado da sua rota Atenas-Vilnius sob pretexto de uma bomba à bordo e com auxílio da aviação militar. Tudo para deter e torturar um blogueiro. 

A bordo estava Roman Protasevich, fundador e ex-editor-chefe do canal de informação NEXTA. Este canal desempenhou um papel importante nos protestos belarusos em 2020 – coordenou os protestos e documentava os crimes e violações dos direitos humanos perpetuados pelas autoridades. Em resultado do desvio do avião, o KGB de Belarus deteve Roman Protasevich e a sua namorada Sofia Sapega. O regime abriu um processo criminal contra blogueiro, o ditador Lukashenka odeia-o pessoalmente e pode ser condenado à pena de morte.

Roman Protasevich

As autoridades belarusas chamam o jornalista Roman Protasevich de “terrorista” por suas publicações na Internet, mas nenhum outro país ou a Interpol reconheceu essas acusações. Protasevich estava voando de um país da União Europeia para outro, quando as autoridades belarusas coagiram os pilotos da Ryanair, usando a força militar, obrigando o avião a pousar em Minsk, especificamente para deter Protasevich e a sua namorada. Sofia Sapega foi coagida à “confessar” que também era editora de uma outra página da Internet, “O Livro Negro da Belarus” e foi detida, por dois meses, na cadeia do KGB em Minsk. O seu advogado assinou o termo de “não-divulgação”. Dessa forma o regime de Belarus mantém e silencia uma refém, para garantir as confissões necessárias do jornalista e blogueiro, prestados ao KGB. 

Sofia Sapega detida pelo KGB da Belarus

Roman Protasevich não teve acesso ao advogado. Três dias após a sua detenção as autoridades belarusas publicaram um vídeo seu, onde ele diz “estar bem” na cadeia de Minsk, afiança que “esta sendo tratado segundo a lei” e que “está colaborar com as autoridades”. No vídeo jornalista exibe o nariz quebrado, traços de espancamento na face, o rosto inchado e marcado.

Roman Protasevich detido pelo KGB da Belarus
Os líderes europeus, numa reunião de emergência do Conselho Europeu, anunciaram na segunda-feira que vão agravar as sanções ao regime belaruso e proibir aviões da Belarus de voarem em espaço aéreo europeu. Várias companhias aéreas europeias: Ryanair, alemã Lufthansa, polaca LOT ou a francesa Air France, anunciaram que vão suspender os voos para Minsk. A Grã-Bretanha e Ucrânia também fecharam os céus dos seus países aos aviões que sobrevoam o espaço aéreo da Belarus. 

Por último, o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, citado pela Aljazeera disse que o grupo “não tem absolutamente nada” à ver com o caso: “Não recorremos a esses métodos, que podem ser feitos de algumas partes suspeitas que visam demonizar o Hamas e frustrar o estado de simpatia mundial com nosso povo palestino e sua resistência legítima”, disse o porta-voz do Hamas”.

segunda-feira, junho 01, 2020

Morte em Lisboa: ucraniano espancado até a morte pelas autoridades de migração

Imagem e parte do texto @Facebook Ricardo Sá
A situação nos Estados Unidos faz lembrar o que aconteceu em Portugal no dia 12 de março de 2020. Os polícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) espancaram, até à morte, um imigrante ucraniano no Aeroporto de Lisboa.

Ihor Homeniuk sofria de convulsões mas isso não impediu os inspetores Duarte Laja, Bruno Sousa e Luís Silva, de o algemarem a uma cadeira e o espancarem com murros, pontapés e um bastão durante 20 minutos. Ao saírem da sala disseram "agora está mais calmo" e "hoje já não preciso de ir ao ginásio". Poucas horas depois Ihor morreu. O SEF tentou limpar as mãos declarando que o corpo tinha sido encontrado na rua. No Instituto Nacional de Medicina Legal, na ficha do registo de entrada foi escrito que o cadáver “era proveniente da via pública”. A ficha foi preenchida pelo inspetor do SEF Ricardo Girante. Só a autópsia levantou a suspeita de homicídio. Devido à pandemia Covid-19 os 3 polícias ficaram em prisão domiciliaria e não existiram manifestações de revolta.

Num país europeu, de forma extremamente violenta, às mãos das autoridades foi brutalmente assassinado um ucraniano. Mas quem é que quer saber disso?

#justiçaparaIhorHomeniuk

Ler mais: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/morte-no-aeroporto-agora-ele-esta-sossegado-disse-inspetor-do-sef

quinta-feira, dezembro 05, 2019

Ajudar aos EUA, recebendo 5 milhões de dólares em recompensa

O Escritório de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA tomou medidas contra a “Evil Corp.”, a organização cibercriminosa da Rússia responsável pelo desenvolvimento e distribuição do malware Dridex.

O Departamento de Estado dos EUA oferece uma recompensa de 5 milhões de dólares por informações sobre um hacker russo Maxim Yakubets (conhecido como organizador do “Evil Corp.”), mas que também “fornece assistência direta aos esforços maliciosos do governo russo em crimes cibernéticos”.

Os departamentos de Justiça e da Tesouraria dos EUA tomaram medidas na quinta-feira contra um grupo hacker russo conhecido como “Evil Corp.”, que roubou “pelo menos” 100 milhões de dólares de bancos, usando software malicioso que roubava credenciais bancárias, de acordo com um comunicado de imprensa conjunto.

“Evil Corp.”, é um nome que recorda a principal corporação malévola do popular série televisiva “Mr. Robot”, e é dirigido por um grupo de pessoas com sede em Moscovo, na Rússia, que têm anos de experiência e relacionamentos confiáveis e bem desenvolvidos entre si”, de acordo com comunicado de imprensa do Departamento do Tesouro.
Ler mais: como funcionava a fraude
No total, a ação americana tem como alvo 17 indivíduos associados à organização, incluindo o líder da Evil Corp., Maksim Yakubets. O Departamento de Estado ofereceu uma recompensa de 5 milhões de dólares por informações sobre Yakubets.

Além de suas atividades puramente criminosas no espaço cibernético, Yakubets, “também fornece assistência direta aos esforços cibernéticos maliciosos do governo russo, destacando o alistamento de cibercriminosos pelo governo russo para seus próprios fins maliciosos”, de acordo com o Departamento do Tesouro.

Ler mais:
https://home.treasury.gov/news/press-releases/sm845

quinta-feira, outubro 10, 2019

Secreta militar russa tem unidade própria para ações de desestabilização na Europa

Chama-se Unidade 29155, está ativa há pelo menos dez anos mas só agora foi descoberta por diversos serviços de informações ocidentais. Unidade russa terá estado envolvida no envenenamento de Skripal.

por: Gonçalo Correia, Observador.pt

As operações secretas em território estrangeiro têm sido muitas, mas os países ocidentais demoraram quase dez anos a descobrir que existe uma unidade dos Serviços Secretos das Forças Armadas Russas (conhecida pela abreviatura GRU) especializada em operações de desestabilização em território europeu. A divisão chama-se Unidade 29155, tem agentes peritos em ações de “subversão, sabotagem e homicídios” e foi responsável pelo envenenamento e tentativa de homicídio do antigo espião russo Sergei Skripal no Reino Unido, em 2018, pela tentativa de homicídio dois anos depois do primeiro-ministro de Montenegro e pelo envenenamento de um comerciante de armas na Bulgária, em 2015. Nenhuma destas operações foi concluída com sucesso.
O comerciante de armas búlgaro Emilian Gebrev sobreviveu a um ataque de envenenamento em 2015.
Crédito Nikolay Doychinov / Agence France-Presse - Getty Images
A revelação é feita pelo The New York Times (NYT). O jornal norte-americano teve acesso a documentos russos e a relatórios de unidades de Serviços Secretos de países ocidentais, recolhendo ainda depoimentos de agentes destas equipas e de um operacional “reformado” dos Serviços Secretos das Forças Armadas Russas.

Esta unidade dos secreta militar russa, agora revelada, contrasta com outras do mesmo país em termos de métodos. Ao invés de optar por ações de desestabilização informática — com recurso a hackers, por exemplo —, a Unidade 29155 realiza operações no terreno. Os seus agentes, alguns dos quais “veteranos de guerra condecorados” por serviços prestados “em alguns dos conflitos mais sangrentos” do exército russo (por exemplo, no Afeganistão, Chechênia e Ucrânia), “deslocam-se de e para países europeus” para operações secretas, aponta o NYT. O secretismo é tanto que a existência da unidade era desconhecida até de outras divisões do mesmo comando, a GRU.

Existem, no entanto, outras unidades russas com métodos similares, como o Serviço de Segurança Federal, que já foi liderado por Vladimir Putin e que chegou a ser acusado pelas autoridades britânicas de ter sido responsável pelo homicídio do antigo espião russo Aleksander V. Litvinenko, em 2006.
O major-general Andrei V. Averyanov, à esquerda, é o comandante da unidade.
O coronel Anatoly V. Chepiga foi indiciado na Grã-Bretanha pelo envenenamento de Skripal. imagem: NYT
Um agente europeu em atividade falou com o The New York Times sob condição de anonimato e afirmou tratar-se de “uma unidade que tem estado ativa ao longo dos últimos anos em território europeu”, admitindo ainda a surpresa perante a perceção de que “os russos, [através de] esta unidade dos serviços secretos, tenham-se sentido livres para sair do país e levar a cabo este tipo de atividades extremamente malignas em países amigáveis [com os quais têm relações diplomáticas]. Foi um choque”.

Os alertas sobre as ações secretas de agentes russos em território europeu têm sido sérios e múltiplos nos últimos anos. O chefe dos Serviços Secretos do Reino Unido (MI6), Alex Younger, já adimtiu que que “quase não há limites” nas operações secretas russas.

Em 2012, uma diretiva do Ministério da Defesa presidido por Vladimir Putin já reconhecia a existência desta unidade, autorizando que se dessem prémios especiais a três unidades secretas por “feitos especiais no serviço militar”. Uma delas era esta equipa agora descoberta pelos países ocidentais. As outras unidades eram a 74455 — que viria a estar envolvida, quatro anos depois, na alegada interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas, que opuseram Donald Trump a Hillary Clinton — e a 99450, cujos membros “terão estados envolvidos na anexação da Península ucraniana da Crimeia em 2014”.

Um dos aspetos que ainda intriga os países ocidentais é o fracasso de todas as operações conhecidas levadas a cabo por esta unidade de Serviços Secretos das Forças Armadas Russas. Não se descarta, para já, a hipótese de que tenham sido levadas a cabo outras operações com sucesso, de que os Serviços Secretos ocidentais não estejam ainda a par.

O jornal norte-americano tentou contactar um porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmitri S. Peskov, que “remeteu questões sobre esta unidade [dos serviços secretos] para o Ministério da Defesa da Rússia”. Contudo, o Ministério “não deu resposta aos pedidos de comentário” feitos a propósito desta revelação.

segunda-feira, agosto 26, 2019

Cristiano Lima completou 6 meses da cadeia russa

Completando 6 meses da cadeia russa, Cristiano Lima recebeu a notícia desencorajadora – o seu pedido de asilo foi, pela 2ª vez consecutiva, oficialmente recusado. Já Rafael Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão e seguiu para o local da punição numa colónia penal ucraniana. 

O nosso blogue segue de perto as peripécias do estalinista brasileiro Cristiano Lima, preso na Rússia. Detido, desde 24 de março na fronteira com a Finlândia, devido a sua permanência ilegal no país, desde o dia 25 de março ele esta preso no Centro de detenção dos emigrantes ilegais em Gatchino, onde aguarda a deportação compulsiva da Rússia, com a proibição de voltar ao país durante 5 anos.

Na cadeia, Cristiano escreveu uma carta ao presidente russo, pedindo a concessão do asilo, carta que ficou sem qualquer resposta conhecida. O seu advogado está preparando o 3º apelo ao Tribunal Supremo e 2º, no caso da recusa do asilo político. Todos os apelos anteriores foram oficialmente recusados pela justiça russa.    

Morando atualmente na cadeia, Cristiano continua à pagar o aluguer/aluguel do apartamento russo, onde estão os seus parcos pertences. Neste momento, o estalinista brasileiro está economicamente falido, além disso, o seu cartão de crédito foi apreendido pela justiça russa e bloqueado pelo banco.

Dado que os seus simpatizantes russos estão tentar amealhar 50.000 rublos (cerca de 757 dólares), isso indica que após a perca do último recurso, Cristiano será compulsivamente deportado ao Brasil. Algo que ele pretende evitar à todo o custo: devido às alegadas ameaças e devido a dificuldade de suportar a realidade: ser expulso, de forma bastante inglória, de um país que ele venerava tanto.

Evitando, ao todo custo, voltar ao Brasil, Cristiano Alves apresentará ao Tribunal Supremo russo um último recurso que lhe custará, no mínimo, mais 45 dias de cadeia russa.

... o caso Rafael Lusvarghi
No dia 31 de julho de 2019, o Tribunal de Recursos da cidade ucraniana de Dnipro efetuou a audiência sobre o recurso do advogado do Rafael Lusvarghi. Durante a audiência, o cidadão brasileiro interpôs uma ação para recusar o provimento ao recurso e o tribunal encerrou o processo de apelação, informou a Procuradoria (MP) de Kyiv.

Assim, a sentença, aprovada pelo tribunal da instância anterior, transitou em julgado (tornou-se válida). Lusvarghi foi definitivamente condenado aos 13 anos de prisão sob a acusação de envolvimento em atividades de organizações terroristas “ldnr” e grupos armados não previstas na lei ucraniana. A decisão do tribunal de recurso não está sujeita a apelação. Após a audiência, o réu Rafael Lusvarghi segui para o local da punição (uma colónia penal), informa a TV ucraniana TSN.ua

Anteriormente, mo dia 2 de maio de 2019, o Tribunal Interdistrital de Pavlohrad deu como provada a participação do Rafael Lusvarghi em atividades de organizações terroristas e dos grupos armados não previstas na lei e condenou-o aos 13 anos de prisão efetiva com confisco de todos os bens, informou a Rádio Svoboda.

sábado, junho 29, 2019

Carta aberta ao Presidente do PSD Rui Rio

Estimado Presidente do Partido Social-Democrata,
Sr. Dr. Rui Rio

Após a votação na APCE/PACE (que consideramos fraudulenta e contrária aos valores democráticos, aos princípios da defesa dos direitos humanos e à luta contra a agressão e terrorismo) do membro do seu partido, Sr. Duarte Marques, os cidadãos de Portugal (de origem ucraniana) se dirigiram ao referido deputado através das redes sociais para entender melhor a sua posição, de facto, contra interesses legítimos da Ucrânia, que neste momento está se defendendo contra a agressão militar russa, tendo uma parte do seu território ocupado pela Rússia, contrariando o Direito internacional e todos os acordos internacionais.

Neste âmbito, consideramos o desrespeito extremo, a resposta do referido deputado do PSD, partido que declara o respeito pelos valores humanos e pelos direitos dos cidadãos, ao nosso pedido para comentar a sua decisão de votar favoravelmente ao retorno da federação russa ao APCE/PACE e o levantamento de todas as sanções aplicados à Rússia.

“Ignorância total”; “santa ignorância” e “manipulação ucraniana” são algumas das respostas do senhor deputado.

De facto, este é um completo desrespeito pelos cidadãos e um desrespeito pelos ucranianos que vivem e trabalham em Portugal!

Solicitamos ao líder do PSD, partido que respeitamos, uma explicação cabal sobre esse comportamento do deputado Duarte Marques.

Atenciosamente, o líder da Associação dos Ucranianos em Portugal,
Pavló Sadokha

Bónus
Os ativistas ucranianos em piquete junto à sede do Partido Socialista português em Lisboa. no Largo do Rato, dado que dois deputados do PS (Edite Estrela e Paulo Pisco) também votaram favoravelmente pelo retorno da federação russa ao APCE/PACE e o levantamento de todas as sanções aplicados à Rússia.

terça-feira, junho 25, 2019

APCE/PACE: a venda absurda da consciência europeia

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE) aprovou na madrugada desta terça-feira um texto que torna possível o retorno da Rússia ao organismo, o que deve acabar com cinco anos de crise institucional com Moscovo.
Após quatro horas de debates, 118 parlamentares dos estados-membros do Conselho da Europa aceitaram (62 deputados votaram contra, 10 se abstiveram e alguns simplesmente não apareceram no plenário) que a Rússia apresente uma delegação já nesta terça-feira, o que lhe permitirá participar na quarta-feira da eleição do/a Secretário-geral desta organização de defesa dos direitos humanos.
Cartoon histórico: Líderes da "democracia" sem espinha dorsal, década de 1940
O deputado croata da APCE/PACE, liberal Goran Beus Richembergh, foi demolidor para com a venda da consciência europeia:
Goran Beus Richembergh | Facebook
Nunca nos 70 anos da sua história a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa não se reunia até a noite, sendo vergada aos interesses de um Estado-Membro, como é actualmente. A instituição que durante sete décadas foi a guardiã dos princípios da democracia, do Estado de direito e dos direitos humanos na Europa, agora cedeu à chantagem da Rússia, que durante dois anos não pagava as suas contribuições do membro, colocando [APCE] de joelhos e abrindo um enorme buraco no seu orçamento.

Um pequeno grupo de deputados tenta apresentar mais de 200 alterações ao resultado absurdo que a intenção da maioria de aprovação de um relatório especial da Comissão sobre as regras e funcionamento da delegação parlamentar russa que volta [ao APCE] com todos os seus direitos, independentemente da anexação da Crimeia, da ocupação de Donbas, dos 12.000 de vidas perdidas, ignorando a decisão do Tribunal Europeu do Direitos Humanos, apesar da proibição aos Comissários dos Direitos Humanos de visitar a Federação Russa [Sic!], [apesar] dos 70 presos políticos nas prisões russas, da liquidação de dissidentes políticos em casa e no exterior, da captura dos marinheiros ucranianos, da culpa comprovada no abate de um avião comercial [MH17] de centenas de pessoas mortas na Ucrânia e muito mais pelo que [Rússia] foi excluída da Assembleia Parlamentar durante cinco anos. Mas quase todos os grupos políticos, exceto parte de nós liberais, dos conservadores (britânicos), dos deputados ucranianos e [dos países] bálticos [e da Geórgia] inclinaram a cabeça e decidiram, por cerca de 30 milhões [de euros] da dívida russa, expor à humilhação a mais antiga instituição europeia e acabar com os últimos remanescentes de sua autoridade, permitindo aos russos regressarem amanhã [25/06/2019] triunfalmente ao Estrasburgo e participarem na eleição do novo Secretário-Geral ou da nova Secretária-Geral da UE na quarta-feira, como se nada tivesse acontecido.
Imagens: artista georgiano Shota Leladze.

Artista: Andriy Yermolenko (Ucrânia)
Blogueiro: uma deputada georgiana da APCE/PACE fez a pergunta retórica aos delegados: quantos países da Europa devem se tornar as vítimas da agressão russa para que em Estrasburgo reconheçam a verdadeira ameaça russa?

sábado, junho 22, 2019

A liderança comunista da Ucrânia soviética: carrascos e vítimas

A foto oficial do jornal ucraniano “Komunist” (Comunista) mostra a tribuna festiva em Kyiv, em 1 de maio de 1937. São suicidas, só que ainda não sabem, poucos deles chegarão vivos ao dia 1 de maio de 1938.

Stanislav Kossior, o 1º secretário (líder) do Comité Central (CC) do Partido Comunista (PC) da Ucrânia soviética – detido em 3 de maio de 1938, acusado de pertencer à suposta “Organização Militar Polaca/Polonesa”, fuzilado em 26 de fevereiro de 1939 em Moscovo.

Em 13 de janeiro de 2010, o Tribunal de Recurso Kyiv, o considerou culpado na organização intencional do Genocídio (Holodomor) de uma parte do povo ucraniano, resultando na morte de 3 milhões e 941 mil pessoas.

Grygoriy Petrovsky, o membro do CC do PC da Ucrânia, morreu em Moscovo em 1958. A vítima das repressões se tornou o seu filho, próprio Petrovsky desde 1939-40 ficou fora de qualquer posição ativa no PC ou no Estado.

Panas Lyubchenko, o chefe do Conselho dos Comissários Populares da Ucrânia (posição equivalente ao do Primeiro Ministro) – no dia 30 de agosto de 1937, após ser acusado publicamente de pertencer e liderar uma “organização contra-revolucionária nacionalista” matou a sua esposa e suicidou-se.

Iona Yakir, o chefe da Circunscrição militar de Kyiv, no dia 10 de maio de 1937 se torna o chefe da Circunscrição militar de Leninegrado, em 28 de maio de 1937 é detido e em 11 de junho de 1937, por ordem pessoal do Estaline/Stalin é fuzilado em Moscovo.

Mendel Khatayevich – o 2º Secretário do CC do PC da Ucrânia, preso em 9 de julho de 1937, condenado à morte sob acusação de pertencer a “organização terrorista contra-revolucionária da direita trotskista”, sob a suposta liderança da suposta “Organização Militar Polaca/Polonesa”, fuzilado em 30 de outubro de 1937 em Moscovo.

Em 13 de janeiro de 2010, o Tribunal de Recurso Kyiv, o considerou culpado na organização intencional do Genocídio (Holodomor) de uma parte do povo ucraniano, resultando na morte de 3 milhões e 941 mil pessoas.

Mikhail Amelin, o chefe do Departamento político da Circunscrição militar de Kyiv – preso em 19 de junho de 1937; em 8 de setembro de 1937 condenado à morte e executado no mesmo dia em Moscovo. Em 2 de novembro de 1937 a sua esposa foi sentenciada pela “tróica” do NKVD aos 8 anos de GULAG. A data e local da sua morte são desonhecidos.

Vsevolod Balitsky, o Comissário popular do Interior (equivalente ao Ministro do Interior) da Ucrânia, acusado de “traição do Partido e da Pátria e ativa atividade contra-revolucionária”, preso em 7 de julho de 1937, condenado aos 27 de novembro de 1937 “por uma ordem especial” e fuzilado no mesmo dia nos arredores de Moscovo.

Sergei Kudryavtsev, o 2º Secretário do CC do PC da Ucrânia (entre 26/09/1937 à 17/10/1937), preso em 13 de outubro de 1937, fuzilado em 25 de abril de 1938, nos arredores de Moscovo (fonte).

Blogueiro: os citados eram a mais “fina flor” do regime comunista da Ucrânia Soviética, totalmente subordinados às ordens de Moscovo, diretamente responsáveis em inúmeros crimes contra Ucrânia e contra os ucranianos (terror vermelho, assalto aos camponeses em forma de dekulakização/dekurkulização, Holodomor, repressões em massa, etc.). Os seus altos postos e a sua total ou quase total subserviência às ordens de Moscovo não os salvaram de serem puramente exterminados, por vezes, juntamente com as suas famílias.
No entanto, história nos ensina apenas uma coisa: “a história não ensina nada”. Na foto em cima é a cidade de Kyiv em 22 de junho de 2019, um grupo de criaturas, afetas à Igreja Ortodoxa da Rússia – Patriarcado de Moscovo saiu à rua, para, de forma ortodoxa (Sic!) recordar os carrascos e assassinos dos ucranianos...

quarta-feira, junho 19, 2019

Abate do MH17: mandados de captura internacionais para 4 suspeitos

Quatro suspeitos vão enfrentar acusações de assassinato pela queda do voo MH17 da Malaysia Airlines em 2014. Os procuradores holandeses acusaram três cidadãos russos: Igor Girkin, Sergey Dubinsky e Oleg Pulatov e um separatista ucraniano: Leonid Kharchenko.
O Boeing do voo MH17 da Malaysia Airlines, foi abatido com um míssil russo quando sobrevoava o leste da Ucrânia, controlado por separatistas pró-russos.

Entre os acusados está Igor “Strelkov” Girkin, um dos principais líderes separatistas no início do conflito, Sergei “Khmuriy” Dubinskiy [segundo dados ucranianos ele controlava o transporte da lançadora russa “Buk” da Rússia ao leste da Ucrânia], Oleg Pulatov, ex-oficial das forças armadas russas [e vice do Dubinskiy] e o separatista ucraniano Leonid “Krot” Kharchenko.
Sergei “Khmuriy” Dubinskiy
[Os investigadores holandeses possuem uma entrevista do Leonid Kharchenko, em que este, em 2015 se apresentava como “chefe do 2º departamento do gru da dnr”. O seu destino após 2015 é desconhecido. Existe informação que ele se mudou de Donetsk para a Rússia, vivia na região de Rostov, onde foi assassinado por desconhecidos.

Oleg "Gyurza" Pulatov
Sabe-se que é um cidadão da Ucrânia, natural de Donbas. No verão de 2014 ele chefiava várias unidades ilegais armadas da dita “dnr”, era o subordinado dos cidadãos russos Oleg "Gyurza" Pulatov e Sergei “Khmuriy” Dubinskiy, escreve a publicação ucraniana Fakty.ua].
Leonid “Krot” Kharchenko
O procurador Fred Westerbeke, que dirige a equipa de investigação holandesa, diz que “o seu objetivo nessa altura foi ganhar terreno às custas do Estado ucraniano e das suas forças armadas. Durante essas batalhas, foi usado armamento anti-aéreo. A procuradoria acredita que os planos e ações dos quatro suspeitos em julho de 2014 conduziram à queda do voo MH17”.

O processo arrancará em março do próximo ano, mas os suspeitos deverão ser julgados à revelia, já que os investigadores não acreditam que a Rússia irá colaborar, nem entregar nenhum dos indivíduos em questão.

Mas as acusações formais foram bem recebidas por familiares de algumas das 298 vítimas mortais.

Silene, que perdeu o filho Bryce, diz que “é de certa forma um alívio”, pois queria “ter uma data e nomes, é um bom começo”. Robby, que perdeu a filha Daisy, é da mesma opinião, porque “agora há uma data para o verdadeiro início do processo. Será no próximo ano, em 2020, e temos os nomes dos suspeitos neste caso”.

Ucrânia apelou ao Moscovo para que reconheça a sua responsabilidade. O Reino Unido afirmou que o Kremlin deve “cooperar integralmente” com a procuradoria holandesa e o secretário-geral da NATO considerou a acusação formal como um “momento chave” para o “esclarecimento de toda a verdade” em torno do incidente.

segunda-feira, junho 03, 2019

O massacre comunista dos operários soviéticos na cidade de Novocherkassk

Em 2 de junho de 1962, na cidade de Novocherkassk, na região russa de Rostov, as autoridades soviéticas abriram fogo real contra uma manifestação pacífica de operários. Os cidadãos exigiam a melhoria das condições sociais: aumento de salários e melhoramento das condições de trabalho. Em resposta, 26 deles foram mortos, 7 fuzilados e 105 (114) condenados aos campos de concentração e cadeias soviéticas.

Em 1962 em conexão com a difícil situação económica, na União Soviética começou se sentir a escassez de alimentos. O governo soviético aumentou os preços dos produtos da primeira necessidade. Os operários da Fábrica de Locomotivas Elétricas de Novocherkassk viram as suas normas aumentadas em cerca de um terço e os salários, pelo contrário, diminuirem.

Na manhã do dia 1 de junho, cerca de 200 trabalhadores da unidade de aço aderiram à manif improvisada com a demanda de aumentar os salários. Os manifestantes foram acompanhados por trabalhadores de outras unidades fabris. Como resultado, milhares de operários se juntaram nas portas da direção da fábrica. A greve foi sentida em toda a cidade e durou o dia todo, o número de manifestantes chegou aos cerca de cinco mil pessoas. O líder soviético Nikita Khrushchev foi imediatamente informado sobre o caso. Ele exigiu o uso de todos os meios possíveis para suprimir as manifestações, enviado ao Novocherkassk os membros da cúpula (Presidium) do Comité Central do PCUS.
Um dos cartazes reais dos manifestantes: "carne, manteiga, aumento salarial!"
Na noite de 2 de Junho, na cidade entraram vários tanques, veículos blindados e unidades de infantaria. Eles ocuparam todos os locais importantes, do Gosbank (Banco do Estado) foram retirados e transferidos todos os valores. De manhã, uma multidão de operários e suas famílias marchou até o centro da cidade: homens, mulheres e crianças. Na ponte sobre o rio Tuzlov que divide a cidade, eles foram bloqueados por unidades do exército, que, no entanto, não os deteve, sem recorrer à força. O vice-comandante do Distrito Militar do Norte do Cáucaso, tenente-general Matvey Shaposhnikov, recusou-se ao usar os blindados contra a população, desobedecendo uma ordem direta do seu chefe superior, declarando: “Eu não vejo um inimigo que deve ser atacado por nossos tanques”.
Uma das raras fotos reais da manif, 2/06/1962
O chefe do Comité Executivo da cidade de Novocherkassk se dirigiu à multidão com exigência de parar o comício e voltar aos seus postos de trabalho. Os operários responderam-lhe atirando paus e pedras. Ao edifício do Comité executivo chegou o chefe da guarnição de Novocherkassk major Oleshko com cerca de 50 soldados armados. Oleshko apelou à multidão para se dispersar. De seguida os soldados abriram fogo ao ar.
Local da manifestação, filmagem operativa do KGB
Depois disso, eles começaram o fogo contra a multidão (existe a versão de que os soldados realmente disparavam ao ar, e a multidão foi vítima do fogo dos franco-atiradores do KGB). Oficialmente, 26 manifestantes desarmados morreram e 87 ficaram feridos (os mortos foram sepultados em segredo nos túmulos alheios e em três localidades diferentes). Embora as testemunhas oculares dizem que viram os cadáveres de crianças, os documentos oficiais não mencionam as vítimas infantis.

De acordo com as testemunhas, toda a praça central da cidade estava coberta de sangue. As autoridades tentaram lavar vestígios de sangue com água, depois simplesmente a asfaltaram. Apesar das mortes, as manifestações na cidade continuaram. Mas logo começaram as prisões em massa, as autoridades comunistas colocaram a culpa do uso de munição real em “elementos hulíganes”.

Na sequência da manifestação as autoridades soviéticas detiveram 240 pessoas, colocando as em julgamentos “abertos ao público”. Os 7 ativistas mais importantes foram fuzilados e outras 105 (ou 114) pessoas foram condenadaos às penas entre 10 à 15 anos.
O caso do morte dos cidadãos em Novocherkassk foi classificado até o colapso da União Soviética. Só em 1992 foi aberto um processo criminal contra Khrushchev e alguns líderes do CC do PCUS, fechado de seguida “devido a morte dos acusados”. A reabilitação de manifestantes condenados em Novocherkassk ocorreu apenas em 1996.

Em 1966, o tenente-general Shaposhnikov foi demitido do exército. Em janeiro de 1967, ele foi expulso do PCUS. 26 de agosto de 1967 o KGB da região de Rostov o acusou formalmente de propaganda anti-soviética (Artigo 70 do Código Penal da Rússia Soviética). Em 23 de dezembro de 1967 o caso foi encerrado à troca do “arrependimento” do general, que foi reabilitado e readmitido no PCUS em 6 de dezembro de 1988 (morreu em 28 de junho de 1994).
O tenente-general Matvey K. Shaposhnikov
O massacre de Novocherkassk foi uma das consequências das políticas falhadas do Nikita Khrushev de alcançar e ultrapassar os EUA economicamente e também foi uma das razões, entre muitas, que ditaram a sua queda posterior (fonte).