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sexta-feira, outubro 09, 2026

🔥⚡️ Ucrânia, com a ajuda da resistência russa, ataca a refinaria de Omsk

Em 8 de outubro, as unidades Deep Strike das Forças de Operações Especiais da Ucrânia voltaram a atingir a refinaria russa de Omsk. Os drones FP-6 (a versão modernizada dos FP-1) das SSO-SOU percorreram quase 3.000 km e atingiram os seus alvos com sucesso. A operação foi realizada em cooperação com o movimento da resistência russa “CentelhaNegra”.

A refinaria de Omsk é a maior refinaria de petróleo da rússia. Faz parte da corporação «Gazprom Neft» e processa mais de 21-22,23 milhões de toneladas de petróleo por ano. A empresa que fica à uma distância de mais de 2.500 km da fronteira da Ucrânia produz gasolina, gasóleo e combustível de aviação, bem como vários outros produtos petroquímicos.

Registraram-se vários impactos no alvo, seguidos por um incêndio:

Esta é a refinaria russa mais remota alguma vez atacada por drones ucranianos. A refinaria de Omsk foi atacada pela primeira vez pelas SSO-SOU aos 6 de julho de 2026. Após o ataque, a refinaria deixou de refinar petróleo e foi temporariamente encerrada para as obras de reparação. 

As SSO-SOU trazem da volta à rússia a guerra iniciada por Kremlin – por mais longe que os ocupantes russos possam esconder as suas instalações. 

Forças de Operações Especiais: Sempre para além dos limites! 

Os drones ucranianos FP-1 atingiram a refinaria de petróleo em Salavat, no Bascortostão

A refinaria de petróleo de Salavat é um dos maiores complexos de refinação de petróleo da rússia, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de matérias-primas de hidrocarbonetos por ano.

Os drones ucranianos percorreram mais de 1.300 km para atingir os seus alvos. Como resultado do ataque, foram registados vários focos de incêndio nas instalações da empresa.

Maior data center da Yandex foi atingido 

Drones ucranianos FP-1 atingiram o centro de dados Yandex de Kaluga, localizado no parque industrial de Grabtsevo, na região russa de Kaluga. 

A capacidade projetada da instalação é de 63 MW, sendo o maior data center da empresa. Como resultado dos impactos, vários módulos do data center foram completamente queimados. O que, por sua vez, afeta vários serviços da economia russa: navegação de taxis, entregas, funiconamento do comércio online, mapas e diversos outras aplicações ligadas ao Yandex, monopolista do mercado russo.  

Em 2026, a Yandex detinha cinco grandes centros de dados, dois dos quais já foram atacados pelas Forças de Defesa da Ucrânia.

A detenção e a soltura do Mikhail «Rybar» Zvinchuk 

O criminoso de guerra e propagandista russo Mikhail Zvinchuk, co-fundador e coordenador principal do TG canal «Rybar», com cerca 1.300 mil subscritores, foi detido, por algumas horas, e depois solto no Montenegro. O propagandista diretamente ligado à inteligência militar russa GRU, viajava, numa comitiva de colaboradores pelos Balcãs há mais de uma semana, filmando peças de propaganda belicista e agressiva. Por exemplo, estando na Sérvia, ele filmou uma reportagem na qual, abertamente incitavava e exortava, os ataques de drones russos Shaheed/Geran contra os navios europeus perto do porto polaco de Gdynia.

O propagandista russo veio à Europa (embora não comunitária) para gravar um vídeo sobre como e onde a rússia deveria atacar a Enião Europeia, entrando na guerra com ela. Cedendo às pressões russas, Montenegro soltou Zvinchuk, embora expulsando o propagandista e a sua equipa do país.

Com esperanças muito ligeiras de que este vídeo chegue aos meios de comunicação polacos e que os serviços de inteligência polacos possam fazer as suas próprias perguntas à este homem.

segunda-feira, setembro 28, 2026

Ilya Ehrenburg: o «advogado» do anarquismo espanhol perante Kremlin

Ilya Ehrenburg na Espanha, à civil com o cachimbo
O papel do jornalista, escritor, tradutor, propagandista soviético e seguramente agente secreto de NKVD, judeu ucraniano nascido em Kyiv, Ilya Ehrenburg, na comunicação entre a Espanha republicana e a mais alta liderança soviética.

A 10 de setembro de 1936, o correspondente especial do jornal soviético «Izvestia», Ilya Ehrenburg, enviou uma carta pessoal de Madrid ao Estaline. Nela, descreveu a situação crítica nas frentes republicanas: a falta de uma frente única e de um exército regular, a escassez de pessoal de comando e a fragilidade da força aérea e da artilharia. Ehrenburg dedicou a sua atenção especial aos anarquistas: segundo as suas informações, os dirigentes da central sindical Confederación Nacional del Trabajo (CNT), Buenaventura Durruti e Juan García Oliver, estavam inclinados a reconhecer um comando republicano centralizado e, por isso, propôs cessar as críticas aos mesmos na imprensa soviética. Além disso, na carta, Ehrenburg propôs acelerar os fornecimentos soviéticos de aeronaves e artilharia antiaérea, envio de contingente militar, suavizando a linha dura do Kremlin em relação aos anarquistas.

Como se sabe, no final de setembro de 1936, o Bureau Político do PCUS tinha aprovado um plano para enviar os primeiros tanques e bombardeiros para Espanha. Mas o governo soviético não conseguiu ou simplesmente não considerou oportuno criar «amizade» com os anarquistas — após a morte de Durruti em novembro de 1936 e os confrontos em Barcelona em Maio de 1937, a política da URSS em relação aos anarquistas tornou-se mais severa ainda.

sexta-feira, setembro 18, 2026

A contraofensiva ucraniana em redor de Lyman, na região de Luhansk

O propagandista patrioteiro russo «Rybar» (blogueiro Mikhail Zvinchuk, muito próximo ao GRU russo), mostra um quadro bastante incrível de perdas russas de territórios ucranianos ocupados. No seu mapa, as tropas ucranianas já atravessaram o rio Zherebets e libertaram várias povoações na região de Luhansk. 

Portanto, as FAU estão prosseguir a sua contraofensiva precisamente no território da dita «república popular» de Luhansk, cuja «libertação» total e absoluta o Ministério da Defesa russo já anunciou por cinco vezes.

«...nas últimas semanas foi perdido tudo, que as FA
russas conquistaram desde início da primavera»

Todo o território ucraniano, que foi conquistado pelos ocupantes russos graças aos ataques constantes e bastante sangrentas de sua infantaria, efetuadas desde o início da primavera de 2026, foi libertado pelas FAU no decorrer de apenas algumas semanas. Os generais russos sacrificaram, mais uma vez, milhares dos seus soldados absolutamente em vão.

As primeiras imagens da «Operação Vivaldi», captadas pelas câmaras GoPro das unidades do Terceiro Corpo de Exército, que consiste em desinformação do inimigo, eliminação de infiltrados em 75 km², desocupação de 10 km² e captura de um porta-bandeira russo:

A operação conjunta conta com a participação da 60ª OMIBr; 66ª OMBr e 125ª OMBr, do BTG da Terceira Brigada de Assalto, do 3º ORB e do 25º OPTB (blindado), bem como da unidade especial «Artan» do GUR do Ministério da Defesa, do 8º Regimentode SSO-SOU e do 10ª MPZ «Dozor» do Serviço Estatal de Guarda-Fronteira da Ucrânia.

Na localidade de Poroshino, na região russa de Bryansk, os drones ucranianos localizaram e destruíram o sistema russo de mísseis S-400 «Triunfo», usado pelos ocupantes russos para atingir as grandes cidades ucranianas, como Sumy ou Chernihiv (no seu limite o sistema poderia ser, teoricamente, usado para alvejar a cidade de Kyiv, dado à distância de 350 km entre Bryansk e Kyiv e raio de ação de S-400 de cerca de 300 km), situados dentro de raio de ação daquele sistema.

Sistema russo S-400 destruído na região russa de Bryansk

Localização: 53.134816065987536, 33.942462527933365 

quarta-feira, setembro 16, 2026

Ucrânia liquida dois generais russos no decorrer de duas semanas

Em cerca de duas semanas, as forças ucranianas liquidaram dois generais russos: o comandante do 51º Exército do Distrito Militar do Sul, Tenente-General Sergei Milchakov e Major-General Anton Grunis, que comandava a 4ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados. 

Os meios de comunicação russos confirmaram a morte do comandante do 51º Exército do Distrito Militar do Sul, Tenente-General Sergei Milchakov, liquidado no ataque ao quartel-general do 51º Exército.

General russo Sergey Milchakov

O apelido/sobrenome Milchakov criou uma certa confusão, efetivamente, morreu um general e não Alexey «Fritz» / «Serb» Milchakov, conhecido neo-nazi russo, membro da unidade neo-nazi «dshrg russich» do exército russo. 

Os meios de comunicação russos também confirmaram a morte de outro general russo – Anton Grunis «Grozny», que comandava a 4ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados. 

A brigada participou nas batalhas de Bakhmut, Chasiv Yar e Kostyantynivka. A propaganda russa começou à transformar Grunis em um herói especial, ao ponto do seu nome for publicamente mencionado pelo presidente putin num dos seus discursos: «uma pessoa com apelido/sobrenome lituano, que nasceu em Kazan e que combate, combate de forma brilhante», o condecorrando com o título de Herói da rússia.

Propaganda russa chamava Grunis de «futuro marechal da vitória» ainda em janeiro de 2025

A propaganda russa ainda no início de 2025 começou forçar a ideia do que general Grunis poderia ser o «futuro marechal da vitória russa», opção, que seguramente tinha a ver, em grande parte, com a sua origem étnica, pois quaisquer império adora elevar ao patamar de heróis, aqueles, que renegaram as suas origens étnicas e se transformaram nas personagens da montra imperial. 

Após a sua liquidação, a conhecida propagandista russa Anastasia Kashevarova deu a entender que a localização de Grunis foi entregue à Ucrânia pelos informadores internos e que o seu quartel-general foi alvo de um ataque ucraniano de mísseis e drones após essa denúncia. 

É significativo que o antecessor de Grunis, o anterior comandante da 4ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, Vyacheslav Makarov, também tenha sido morto num ataque de precisão contra o seu posto de comando em 2024. 

O comandante ucraniano Robert «Magyar» Broudi, divulgou o vídeo do momento em que o general russo Grunis foi morto no dia 12 de setembro de 2026:

Além disso, continuam a surgir os obituários dos militares russos liquidados no ataque ucraniano ao posto de comando em Donetsk, no dia 26 de agosto.

Faça click para ver e ler mais

Entre os mortos está Viktor Basenko (46 anos, patente militar desconhecida), o Chefe do Estado-Maior de Logística e Apoio do 25º Exército do exército russo.

domingo, agosto 30, 2026

Ucranianos vistos pela Hollywood: máfia, mulheres, borsch, guerra e rússia

Como Hollywood, as produções de TV europeias e de outros países retratam os ucranianos: através da máfia, das mulheres, do borsch, da guerra, da rússia e de raras representações positivas. Embora os fãs ucranianos de cinema têm notado que, ultimamente, as referências à Ucrânia em filmes e séries de TV se tornaram não só mais frequentes, mas também mais positivas. 

Por exemplo, a quinta e mais recente temporada da popular série The Boys (2026) faz uma sátira à política dos EUA em relação à Ucrânia. 

Os vilões ucranianos de Hollywood

Na 22ª temporada de NCIS, um dos enredos gira em torno da ameaça de um potencial conflito nuclear. A equipa do NCIS interceta mensagens encriptadas que sugerem que a Belarus está a preparar um ataque com mísseis contra alvos na Europa. No final, descobre-se que as forças ucranianas já tinham destruído os lançadores móveis de mísseis belarusos antes mesmo de os Estados Unidos poderem lançar um ataque de retaliação. 

Igualmente importante, a resistência da Ucrânia está a mudar a forma como o mundo vê não só a Ucrânia, mas também a rússia. Um exemplo marcante é a série Sweetpea (2025), na qual a protagonista compara a mulher que a atormenta a um tumor cancerígeno, às alterações climáticas e à rússia, apontando que o mundo seria melhor sem qualquer um deles. 

No entanto, durante 30 anos, o cinema mundial tem vindo a criar uma imagem muito diferente da Ucrânia. 

Hollywood cria herói-amante ucraniano

Analisámos o que o cinema mundial sabe sobre Ucrânia desde a independência do país e estivemos à conversa com o cineasta ucraniano Antonio Lukich, mais conhecido pelo seu filme «Luxemburgo, Luxemburgo», sobre como devemos perceber e interpretar tudo isto. 

Ler mais em inglês ou ucraniano. 

A relação entre Ucrânia / ucranianos com a Hollywood não é estática. Por isso, sempre é muito interessante verificar como as coisas mudaram na última década e meio, para isso leia as análises anteriores, de 2011 e 2013.

sábado, agosto 22, 2026

A propaganda radiofónica do 3º Reich: uso das rádios pseudo-clandestinas

«Liquidação do analfabetismo via rádio». Pormenor de uma estatueta soviética da década de 1920.

Nas vésperas da II G.M., a propaganda do 3º Reich começa criar várias estações de rádio pseudo-clandestinas, destinadas ao público-alvo dos países adversários: a «New BBC» (Grã-Bretanha), «Za Rossiju» (URSS) ou projeto de uma «rádio astrológica-ocultista» destinada aos Estados Unidos, escreve a Rádio «Liberdade».

Em abril de 1938, o Ministro da Propaganda da Alemanha nazi, Josef Goebbels, escreveu no seu diário: «A nossa estação secreta, que transmite da Prússia Oriental para a rússia, está a atrair uma enorme atenção. Fala 'em nome de Trotsky' e está a causar consideráveis ​​problemas ao Estaline. Os vermelhos procuram desesperadamente a fonte de transmissão. Mas não a encontrarão». 

Relatório da Abwehr de França sobre a emissão de rádio «Velha Guarda de Lenine».
Novembro de 1941. Fonte: Bundesarchiv Berlin.

Era a chamada estação de rádio «negra» (Geheimsender). Os ouvintes deveriam acreditar que ela operava em território soviético em nome de organizações clandestinas anti-estalinistas. Como na realidade se situava na Prússia Oriental, era particularmente bem ouvida em Riga, Vilnius e Varsóvia. Mas, em certos dias, podia ser recebida até em Paris. O primeiro relato que se consegue encontrar sobre o assunto em jornais de emigração russa data do início de abril, portanto, o projeto deve ter começado em março de 1938. Ao longo da primavera e do verão de 1938, a imprensa de emigração russa, principalmente o jornal parisiense «Vozrojdénie», combinou transcrições de transmissões, rumores (que se espalharam como fogo em palha na emigração) e as suas próprias conjeturas para criar uma série completa e repleta de ação dedicada a essa estação de rádio. Se as conceções dos jornalistas eram inteiramente altruístas, isso requer uma investigação mais aprofundada. 

A 6 de maio de 1938, o «Vozrojdénie» publicou um relato bastante detalhado sobre a estação de rádio secreta. Chamava-se «União para a Libertação da Pátria» e a melódia do «Internacional» era tocada antes e depois da emissão. Um locutor misterioso ameaçava vingar-se de Estaline «pelas mortes de Tukhachevsky, Bukharin e Zinoviev». No final de abril, chegou a ser lida a sentença de morte do «tribunal secreto da União dos Libertadores da rússia». Este tribunal condenou Estaline à morte por «falsificar o testamento de Lenine, tomar o poder pelo terror, trair a revolução comunista e executar os melhores generais do exército vermelho em conluio com uma potência estrangeira», estando a execução marcada para 1 de maio na Praça Vermelha de Moscovo. 

Excerto de um artigo de Ivan Tkhorzhevsky sobre a estação de rádio anti-Estaline
no jornal parisiense «Vozhrojdénie». Maio de 1938. Fonte: Gallica.

O dia 1 de maio chegou rápido, mas os misteriosos ativistas da resistência, claro, tinham uma explicação lógica para a sobrevivência do ditador: um sósia de Estaline estava presente na Praça Vermelha no dia 1 de maio, tornando a execução planeada inútil.

Além disso, as emissões continham ocasionalmente mensagens encriptadas aparentemente incoerentes (números, sílabas, letras) alegadamente para camaradas expalhados por várias regiões da União Soviética. Na mesma edição, um dos principais publicistas do «Vozrojdénie», Ivan Thorzhevsky, publicou um editorial no qual elogiava os heróicos combatentes da resistência e relatava que Yezhov se tinha desdobrado na busca de um transmissor secreto. 

Duas semanas depois, a reportagem do «Vozrojdénie» foi recebida por nada mais nada menos que Ivan Solonevich, o conhecido monarquista e antisemita russo assumido, que por esta altura tinha acabado de se mudar para a Alemanha após a tentativa do seu assassinato, por parte de NKVD em Sófia, no qual a sua mulher foi morta. Neste caso, não precisamos de especular se os seus equívocos sobre a estação de rádio eram altruístas, pois foi precisamente no final de abril e início de maio de 1938 que Goebbels escreveu no seu diário: «Solonevich... Causou uma boa impressão. Quer dinheiro para o seu trabalho antibolchevique. Não tenho nada contra; pessoas assim podem ser-nos úteis...»

Assim, aos 18 de maio de 1938, Ivan Solonevich publicou um artigo no jornal nazi «Angriff», intitulado «Sinal de SOS de um Transmissor de Rádio Negro». Depois de analisar cuidadosamente as emissões enviadas pelos ouvintes em Vilnius, Riga e Helsínquia, Solonevich promove a conclusão de que a «oposição de direita» estava por detrás do transmissor secreto e que este tinha sido organizado por um grupo de conspiradores militares. De seguida, desmentiu os rumores sobre o trotskismo da estação de rádio (contradizendo audaciosamente, como vemos, até o seu patrocinador, o Dr. Goebbels, para quem todos os opositores soviéticos eram iguais e, por isso, chamados trotskistas). Solonevich afirma categoricamente que, na URSS moderna, «o caso trotsquista é um caso encerrado». Solonevich apresenta o surgimento do transmissor «secreto» como um claro símbolo da decadência do aparelho governamental soviético, usando a sua metáfora favorita: escorpiões num frasco, picando-se uns aos outros.

Antevisão do artigo de Solonevich sobre a estação de rádio anti-Estaline
em «Der Angriff». Maio de 1938. Fonte: Bayerische Staatsbibliothek

Posteriormente, sem a participação de Solonevich, a série continua com histórias de como os NKVDistas invadiram a estação de rádio secreta, primeiro perto de Minsk e depois em Bila Tserkva, na Ucrânia, onde supostamente ocorreu uma brutal batalha de vários dias entre a guarnição local e os chekistas, durante a qual a estação de rádio secreta também foi descoberta e destruída. O facto de ela ter voltado ao ar alguns dias depois foi apresentado como um sinal do poder da resistência anti-soviética, que possuía vários transmissores secretos e, por isso, sobreviveu facilmente à perda de um deles. 

A imprensa soviética também fez alusões vagas à existência de estações de rádio secretas, que (de facto) se encontravam fora das fronteiras da URSS. No entanto, segundo a propaganda soviética, os seus rastos conduziam à Itália, e não à Alemanha. Mas, então, a guerra técnica substituiu a luta ideológica, e a estação começou a ser activamente bloqueada por interferências induzidas, de tal modo que, a partir do Outono de 1938, os raros relatos nos jornais de emigrados russos sobre as emissões em curso eram dominados pela estática: «Tudo está afogado num ruído infernal. A emissão está interrompida». Contudo, pelo que se pode avaliar, a estação continuou a operar até à assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop, após o qual, por razões óbvias, as suas operações foram cessadas, retomando apenas após o ataque da Alemanha à União Soviética em junho de 1941. 

Embora Eberhard Taubert, advogado e propagandista antisemita, o chefe do Departamento Oriental do Ministério da Propaganda do Reich, já tivesse à sua disposição a «Anti-Comintern» — uma organização que se dedicava ativamente à propaganda anticomunista desde 1933, principalmente através da publicação de livros e revistas — segundo o seu próprio relato, surgiu a necessidade de criar um segundo aparelho de propaganda. As transmissões radiofónicas nas línguas europeus do centro-leste mais importantes — isto é, não só o russo, mas também o ucraniano, o belaruso, o estónio e o letão — deveriam ser iniciadas imediatamente nos primeiros dias da guerra. Estações de rádio secretas também deveriam ser reestabelecidas. Ao atravessar a fronteira, as tropas deveriam transportar cartazes, panfletos, gravações para altifalantes, filmes dobrados em russo, e assim por diante. 

Assim começou a história da fundação da «Vineta». Formalmente, a «Vineta» não era uma divisão do Ministério da Propaganda do Reich, mas uma organização sem fins lucrativos registada, com até o seu próprio estatuto, embora todo o financiamento fosse, naturalmente, canalizado pelo departamento de Goebbels.

Estatuto da Fundação Vineta, redação de 1944. Fonte: Bundesarchiv Berlin.

As primeiras emissões de rádio da «Vineta» começaram logo às 10h da manhã do dia 22 de junho. Foram transmitidos o discurso de Rosenberg e o pronunciamento de Goebbels, que delineava a conhecida teoria de um ataque preventivo alemão contra a URSS. As mensagens de propaganda, complementadas por relatos da linha da frente, foram inicialmente transmitidas em seis línguas (estónio/ano, lituano, letão, belaruso, ucraniano e russo) através de transmissores na Alemanha e em Varsóvia e, à medida que avançavam para leste, por estações nas cidades ocupadas: Lviv, Minsk e Baranovichi. O primeiro diretor da «Vineta» recordou após a guerra:

«Entre outras coisas, a população foi instada a dificultar ao máximo o avanço do exército vermelho... Ao longo de agosto de 1941, os apelos à deserção foram intensificados. Por exemplo, diziam algo como: «Parem com a sangrenta batalha, larguem as armas e voltem para casa. Caso contrário, não chegarão a tempo para a divisão dos terrenos. Os kolkhozes estão a ser desmanteladas agora»... Além disso, era transmitida propaganda direta aos pilotos e tripulantes de tanques soviéticos nas frequências de rádio das aeronaves e tanques do RKKA. As transmissões eram feitas no período da manhã, uma vez que, com base na experiência, os carros de combate e as aeronaves na linha da frente estavam prontos para o combate a essa hora e, por isso, tinham uma grande probabilidade de ouvir as transmissões. 

Ademais, a «Vineta» supervisionava estações de rádio secretas, que foram reativadas após o início da guerra e até mesmo ampliadas. Vamos citar novamente o diário de Goebbels: 

30 de junho de 1941: «Estamos a trabalhar para a rússia com três estações de rádio secretas. As emissoras são: a primeira é trotskista, a segunda é separatista e a terceira é nacionalista russa. Todas se opõem veementemente ao regime estalinista. Aqui, lançamos todas as bombas possíveis e empregamos os truques que se revelaram eficazes durante a campanha no Ocidente».

12 de outubro de 1941: «Nos interesses da guerra, somos obrigados a exortar o êxodo [populacional] em massa de Moscovo e Leninegrado. Por ora, estamos a utilizar para isso estações de rádio secretas, a fim de não nos expormos».

A estação, anteriormente conhecida como «União para a Libertação da Rússia», passou a chamar-se «Velha Guarda de Lenine». Era chefiada por Karl Albrecht, um homem cuja biografia merece um texto à parte. Crê-se que era um comunista que (como muitos outros comunistas) fugiu da Alemanha de Weimar para a URSS no início da década de 1920. O seu volumoso dossier nos arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão permite corrigir um pouco os factos.

Karl Löw-Albrecht. Fotografia do pós-guerra. Fonte: Wikipédia.

Karl Matthäus Löw (o seu nome verdadeiro) foi condenado a dois anos e meio de prisão na Alemanha, em 1923, por corrupção de menores. Como veterano da Primeira Guerra Mundial, recebeu quatro meses de licença por motivos de saúde. Dirigiu-se para Berlim e embarcou num navio soviético, fazendo-se passar por comunista fugitivo e adotando o nome de Albrecht. Na URSS, Karl Albrecht, fez uma carreira fenomenal, ascendendo em menos de dez anos de estrangeiro praticamente inútil, que não falava russo ao chefe do departamento florestal da Inspecção Operária e Camponesa, autor de livros e participante em reuniões no Kremlin. Subindo muito alto, provavelmente suscitou muita inveja de alguns camaradas, acabando por ser preso, primeiro ao abrigo do Artigo 58º (atividade contrarrevolucionária e espionagem), depois o caso foi reclassificado ao Artigo 152º (mais uma vez, corrupção de menores). Foi-lhe oferecido um perdão após ter cumprido mais de um ano de prisão, sob a condição de se declarar culpado. Foi obrigado a aceitar, acreditando que não suportaria mais tempo na prisão soviética.

Após a sua libertação, Albrecht, com o apoio da embaixada alemã, regressou de imediato à Alemanha, onde o aguardava na prisão por casa do delito cometido dez anos antes. Mas, rapidamente tornado-se um informador da Gestapo, Albrecht provou, que uma pessoa talentosa pode fazer carreira em qualquer regime. Escreveu um livro sobre as suas desventuras na União Soviética, intitulado «A Traição do Socialismo». Foi publicado pela própria Anti-Comintern, sob a supervisão de Eberhard Taubert, do Ministério da Propaganda do Reich. O livro (claro, com apoio publicitário estatal) tornou-se um best-seller, foi traduzido para outras línguas e enriqueceu o autor. Após a invasão da URSS, chegou a abrir a sua própria livraria em Berlim, instalada no antigo escritório da agência de turismo soviética.

Capa do livro «Der verratene Sozialismus» de Karl Albrecht, edição de 1943.
Fonte: vitber.com

Poucos dias antes do início da guerra nazi-soviética, Albrecht foi convocado ao serviço militar e já estava a caminho de um comboio em direção a Leste para se juntar a um dos exércitos da Wehrmacht como tradutor. Mas, no último momento, conseguiu emprego no Ministério da Propaganda e chefiar uma estação de rádio secreta. Nas suas memórias após a guerra, recordou: 

«Como estava convencido da culpa de Estaline em condenar os povos e as nações do Leste à terrível escravatura e em trair os fundamentos do marxismo e os ensinamentos de Lenine, cujos fiéis seguidores foram perseguidos e mortos, aproveitei a oportunidade para atacar o homem que odiava. Acreditava que o trabalho que levaria à queda de Estaline e do seu Politburo, bem como à proclamação de um novo governo soviético leninista, era totalmente coerente com as minhas convicções socialistas». 

Os editores de programação de rádios pseudo-clendestinas alemãs tinham à sua disposição uma vasta quantidade de material analítico: relatórios secretos da linha da frente, registos de interrogatórios de prisioneiros e desertores e transcrições de emissões de rádio soviéticas. As transmissões estavam proibidas de atacar a liderança nazi ou de incitar diretamente à resistência à Wehrmacht. Pelo contrário, eram incentivados excertos sobre a necessidade de uma paz separada e sobre a forma como a guerra entre a Alemanha e a URSS beneficiava apenas os «plutocratas ocidentais». 

Por razões óbvias, uma parte significativa da equipa da «Vineta», contratada logo após o início da guerra, era composta por emigrados russos monárquicos — simplesmente não havia outro grupo de pessoas na Alemanha que falasse russo. Eram, naturalmente, hostis à propaganda das ideias leninistas, mesmo que as fictícias. Um deles era Aleksandr Albow, um veterano da guerra civil russa, que se juntou à «Vineta» em setembro de 1941 e que mais tarde se tornou o Chefe do Departamento de Propaganda do Quartel-General da Força Aérea da ROA.

Devemos, naturalmente, esclarecer que grande parte da atmosfera da «Velha Guarda de Lenine» não foi inventada por Albrecht. Já existia em 1938. Tal como naquela época, as transmissões eram iniciadas e concluídas com a Internacional. Ainda assim, houve apelos a alegados grupos clandestinos em várias partes da URSS, relatos de resistência anti-soviética, real ou inventada, repressões contra activistas da resistência, mensagens pseudo-encriptados e assim por diante.

Descrição da estação de rádio «Velha Guarda de Lenine» em documentos internos do Ministério da Propaganda do 3º Reich. Julho de 1942. Fonte: Arquivo Federal de Berlim

De salientar que a intensa actividade das estações de rádio nazis pseudo-clandestinas não passou despercebida aos Aliados. A partir de maio de 1941, os britânicos, por sua vez, começaram a transmitir para a Alemanha em nome de uma secreta «oposição patriótica» alemã (Estação de Rádio Gustav Siegfried). No Verão de 1941, foi transmitido um programa de rádio soviético, «Soldado de Assalto Hans Weber», no qual um soldado de assalto, supostamente desiludido com o nazismo, se dirigia, à partir da Alemanha aos seus antigos camaradas. Outros programas produzidos na URSS sob o nome de «Estação de Rádio do Povo Alemão» (Deutscher Volkssender) serviam os mesmos propósitos de desinformação e engano, criando a impressão de que existia uma vasta rede de resistência anti-nazi na Alemanha, controlada por um transmissor soviético secreto. 

As técnicas utilizadas pelo lado soviético eram semelhantes às dos alemães: por exemplo, apelos aos seus agentes fictícios atrás das linhas alemãs utilizando pontos de referência geográficos («Atenção, amigos em Dessau!») ou criptográficos («Atenção, [agente] QR6!»). Mas também foram usados truques originais: os transmissores soviéticos sintonizavam a frequência das estações de rádio alemãs e inseriam-se em pausas ou «sobrepondo» directamente a programação alemã com comentários anti-Hitler. Como a voz do falso locutor parecia vir de longe, recebeu a alcunha de «voz fantasma» (Geisterstimme). Estes tipos de sabotagem incomodavam tanto os nazis que, por vezes, até começaram a interferir nas suas próprias transmissões de rádio. 

Referência à estação de rádio fictícia «Soldado de assalto Hans Weber» na
imprensa soviética. Agosto de 1941. Fonte: Yandex.Periodica

Um documento de julho de 1942 foi preservado nos arquivos do Ministério da Propaganda do 3º Reich, enumerando/listando estações de rádio pseudo-clandestinas, agrupadas sob o nome de «Concordia» (outros emissores ditos negros também existiam sob esta designação, como uma suposta estação separatista escocesa e uma estação «Índia Livre». Chegou a ser considerada a criação de uma «estação de rádio astrológica-ocultista» destinada a atingir os Estados Unidos). 

Nos arquivos alemães podem ser encontradas as referências de três estações raiofónicas russas pseudo-clandestinas: a já conhecida «Velha Guarda de Lenine» (nome alemão «Concordia V», a emitir desde 29 de junho de 1941, com programas diários de meia em meia hora e uma única repetição). 

A segunda estação chamava-se «Za Rossiju» (literalmente «Pela Rússia», nome interino alemão «Concordia Y», que tinha 20 minutos de duração, seguindo-se uma única repetição, tendo como tema musical o Prelúdio em Dó sustenido menor de Rachmaninov, sendo transmitidas desde 30 de junho de 1941. 

Esta estação era especializada em propaganda nacionalista russa e a sua equipa era composta principalmente por membros da União Nacional-Popular da Nova Geração (NTS). Surgiu, portanto, uma situação paradoxal: o papel dos nacionalistas russos fictícios era desempenhado por nacionalistas russos reais. Até o nome da emissora coincidia com o nome do jornal do NTS do período pré-guerra. O líder do grupo, Dmitry Brunst, recordou após a guerra: «As transmissões em russo eram realizadas em nome de uma organização clandestina fictícia, supostamente existente em território soviético... As transmissões continham apelos para o fim da guerra, para virar as baionetas contra o governo, e transmitiam relatos descaradamente fabricados 'do campo de batalha' de várias cidades da União Soviética, factos fictícios, acontecimentos fictícios e informações sobre a luta contra o poder soviético». 

Brunst foi preso pelo MGB após o fim da II G.M., sobreviveu o GULAG e escreveu memórias após a sua libertação, ficando refém na URSS, portanto o seu texto, carrega, naturalmente uma inclinação ideológica soviética: «relatórios descaradamente fabricados». 

Graças a uma feliz coincidência, alguns deles sobreviveram: em particular, foram publicados em 1942 pelo jornal em língua russa «Odesskaya Gazeta», publicado em Odesa, ocupada pela Romênia. Na verdade, os propagandistas nazis procuravam uma diversificação de conteúdos bastante precisa, em termos actuais: cada público-alvo recebia o seu próprio enfoque de propaganda, pelo que as mensagens subversivas para a retaguarda soviética não tinham lugar nos jornais do território ocupado (note-se que a propaganda soviética empregava uma táctica diferente: os jornais centrais faziam referência directa ao já referido emissor de rádio fictício do «Soldado de assalto Hans Weber»).

Reportagens da estação de rádio «Pela Rússia», publicadas no
«Jornal de Odessa». Maio de 1942. Fonte: libraria.ua

Mas Odesa estava sob controlo romeno, a censura militar era obviamente menos rigorosa ali, e as notícias recebidas pela rádio chegavam aos jornais, talvez até eram aceites como verdadeiras. Os relatos publicados confirmam a descrição de Brunst, relatando continuamente acidentes ferroviários, levantamentos locais, provocações, conflitos internos na retaguarda soviética e assim por diante. Ocasionalmente, as notícias eram intercaladas com apelos diretos:  

«Os comunistas levaram o país a um ponto em que agora, para o salvar da ruína, só há um caminho: concluir uma paz imediata. Mas o nosso governo não está a pensar nisso. Este governo começou a guerra sem preparar o país para ela, com um comando militar composto por ignorantes. O governo está a agir contra os interesses do país e do povo. Exigimos o fim da guerra; estamos à espera que uma nova geração do povo russo chegue ao poder, conclua a paz e salve o país da catástrofe». 

É desnecessário dizer que estes eram slogans puramente propagandísticos: o governo nazi da época não tinha qualquer intenção de uma paz separada, muito menos de reconhecer qualquer «novo governo russo». 

Finalmente, o terceiro transmissor, a «Rádio da União de Combate dos nacionalistas do povo russo», transmitia durante 30 minutos diários, sem repetição. O nome em alemão era «Concordia Z». A música não estava especificada e a transmissão terminava com o grito «Viva a rússia livre!» Possivelmente essa última rádio estava de alguma forma ligado ao centro Zeppelin, organização criada pelas SS para treinar e mobilizar sabotadores, uma vez que o novo nome da estação soava semelhante ao de uma das estruturas colaboracionistas russas controladas por Zeppelin. 

A audiência das emissões radiofónicas pseudo-clandestinas foi efémero. A 1 de julho de 1942, Goebbels escreveu no seu diário: 

«Estou a discutir a questão das estações de rádio secretas. Na minha opinião, os métodos de transmissão de rádio secreta estão ultrapassados. Uma estação de rádio secreta pode ter impacto se for utilizada de forma breve, ou seja, em situações críticas. As estações de rádio clandestinas, que operam há dois anos e demonstram pouco potencial, devem ser desactivadas... Algumas estações de rádio clandestinas que operam contra a URSS também não têm tido grande sucesso, dado que são praticamente desconhecidas». 

A emissora nacionalista russa «Za Rossiju» foi uma das primeiras vítimas, pois, segundo os auditores alemães, «o seu sucesso não era grande». As suas emissões cessaram a 1 de agosto de 1942. A propaganda nacionalista foi transferida para a «Concordia Z». O conteúdo das emissões da «Rádio da União de Combate dos nacionalistas do povo russo», que descrevia sabotagens e distúrbios reais ou imaginários na retaguarda soviética, seguia integralmente as tradições da estação de rádio «Za Rossiju».

Decisão de Goebbels de encerrar a estação de rádio «Pela Rússia».
Julho de 1942. Fonte: Bundesarchiv Berlin

Os auditores alemães apresentaram uma caracterização significativamente melhor da «Velha Guarda de Lenine»: «A emissora apoiava a antipatia dos membros do partido [comunista] em relação ao Estaline, apontando o exemplo de Lenine, que, ao contrário de Estaline, seguiu uma política oportunista de paz [referência ao Tratado de Brest]. A eficácia deste transmissor é confirmada pelo facto de que a propaganda soviética ter refutado detalhadamente os seus relatórios, e o jornal «Pravda» ter sido obrigado a contestar a alegação de que os seus relatórios eram distribuídos em fábricas, caminhos-de-ferro e mercados».

Contudo, no verão de 1942, Karl Albrecht foi demitido da «Vineta». Na sua caracterização posterior, Taubert observou a sua falta de disciplina e «esforços de propaganda mais do que duvidosos que roçavam a traição». 

Apesar disso, a própria estação de «rádio leninista» manteve-se no ar até, pelo menos, dezembro de 1943, quando os jornais suecos noticiaram inesperadamente o seu facto, alegando que o emissor de rádio de «Velha guarda do Lenine» estava, na realidade, localizado na Alemanha, e que os alegados «leninistas» que atendiam ao microfone trabalhavam para o Ministério da Propaganda alemão (ambas as afirmações eram verdadeiras). Segundo Taubert, a informação foi transmitida à Suécia pelos serviços de informação soviéticos. Taubert propôs a Goebbels esforços de propaganda em três formatos diferentes: para a imprensa alemã, para transmissões regulares de rádio russas a partir da Alemanha e, finalmente, para... os tais comunistas soviéticos da «velha guarda de Lenine». Em particular, esta última deveria responder tardiamente (uma vez que as notícias chegam lentamente à retaguarda soviética), declarando: «Estaline, incapaz de destruir o movimento leninista, tenta retratar os seus membros como agentes fascistas, como já fez com os trotskistas, Zinoviev, Bukharin e outros. Para nós, esta é mais uma prova de que Estaline está a começar a temer o nosso movimento». 

A reação de Goebbels a esta proposta não está conhecida, mas a estação de rádio exposta foi aparentemente encerrada pouco depois. Segundo um dos funcionários de «Vineta», a notícia de que propaganda pseudo-leninista tinha sido transmitida secretamente a partir de território alemão durante dois anos e meio causou algum descontentamento entre os figurões nazis que não tinham conhecimento prévio deste segredo. 

Avaliar o sucesso de qualquer propaganda é muitas vezes um esforço subjetivo. Os relatos dos sucessos da «Velha Guarda de Lenine», reflectidos em documentos sobreviventes do Ministério da Propaganda do 3º Reich, parecem hoje mais tentativas de auto-reabilitação por parte dos oficiais nazis que outrora decidiram lançá-la e depois defendiam a eficâcia das suas próprias posições. Na realidade, foi uma operação extremamente impressionante, mas de eficâcia bastante reduzida. As estações de rádio «negras» de «Vineta» tiveram pouco sucesso em desmoralizar a população soviética. Por conseguinte, na luta pela «decadência moral da retaguarda soviética», prevaleceu um paradigma ideológico diferente no final de 1942: a propaganda à favor do «Movimento de Libertação russo», do general soviético Andrey Vlasov, POW dos alemães, que, na verdade, surgiu inicialmente unicamente como um projeto de propaganda.

domingo, junho 14, 2026

«Lustige Blätter» – a propaganda visual política do 3º Reich

«Acho que devemos avançar juntos, uma vez que estás do nosso lado», diz Churchill, agarrando-se a Estaline enquanto uma estrela vermelha cai do céu. Edição publicada imediatamente a seguir a 22 de junho de 1941, o início da guerra nazi-soviética. Edição nº 31/1941.

«Lustige Blätter» (Páginas Cómicas) era a revista satírica do 2º, e depois do 3º Reich, publicada na Alemanha de 1852 à 1944. Durante todo este período, nunca publicou uma única caricatura dos dirigentes alemães, mesmo os retratando de forma positiva.

De 1939 à 1944 um dos seus alvos preferidos era Sir Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico. Em menor plano, a revista também caricaturava o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt e o ditador soviético Estaline. É de notar, que alguns temas e até as narrativas, textuais e visuais, criadas pela revista, hoje são reaproveitados pela propaganda gráfica russa, tendo como alvo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

«Resultados da Ofensiva de Inverno. Ele mordeu o aço». Os alemães sofreram as primeiras derrotas na Frente Leste na batalha de Moscovo no inverno de 1941. Os propagandistas tentam transformar a derrota em vitória. Edição nº 22/1942.

«A nossa proposta». A assinatura no monumento: general Lynch. «Um monumento aos
negros deveria ser erigido nos Estados Unidos; provavelmente se parecerá com isso».
A propaganda alemã tenta jogar a cartada racial. Edição nº 45/1943.

«Informações dos EUA». Quando o Tio Sam fala, a verdade está de pernas para o ar.
Edição nº 45/1943.

«Ele parece não está gostar deste cocktail». Winston Churchill acaba de servir o leão britânico, agora bastante magro, uma mistura de sangue e lágrimas (suor e trabalho árduo omitidos). Uma referência ao primeiro discurso de Churchill como Primeiro-Ministro: «Não tenho nada para vos oferecer além de sangue, trabalho árduo, lágrimas e suor». Edição nº 17/1942.

«Sou amigo de todos os países pequenos». Churchill retira a máscara.
A caricatura insinua que os britânicos usam outros países para lutar. Muito parecido com
as constantes acusações russas ao Boris Johnson e outros Primeiros-Ministros britânicos.
Edição nº 31/1941.

«Singapura. A Fortaleza Mais Forte do Mundo». A revista celebra os sucessos japoneses;
em 15 de fevereiro de 1942, a Singapura britânica foi ocupada pelo Japão. Edição nº 7/1942.

Winston Churchill tenta manter a Inglaterra unida com tábuas etiquetadas como «promessas».
Fá-lo com pregos de um cesto etiquetado como «Mentiras». Edição nº 23/1942.

«Acredite nele, Grã-Bretanha. Ele só quer protegê-la», diz Churchill.
A crítica nazi da aliança entre a Grã-Bretanha e a URSS. Edição nº 18/1942.

«Gigantomania Americana». Legenda: «Não é maravilhoso? O motor é tão potente que
voa sozinho, deixando o avião e a tripulação ilesos». Os nazis tentam descridibilizar a aviação americana. Edição nº 23/1942.

«A Espada do Samurai. Rasgará a Boca a Qualquer Um». A reação alemã ao ataque japonês a Pearl Harbor, a 7 de dezembro de 1941. A Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos a 11 de dezembro, e Roosevelt tornou-se imediatamente alvo de cartoons. Edição nº 2/1942.

«O que escondes atrás das costas, Franklin?», pergunta a América do Sul.
«As nossas alianças de casamento». Os nazis acusam os Estados Unidos de tentarem
subjugar a América do Sul. Edição nº 6/1942.

«Uma Criança Ambiciosa» Uma mãe para um padre: «Reverendo, não é um doce?
Quer ser um comissário soviético inglês quando crescer». Uma acusação de que os britânicos,
se tornariam em breve bolcheviques. Edição nº 7/1944.

«Torpedo ou Bomba? Nenhum dos dois — uma tempestade!»
Janeiro de 1943, a derrota das tropas alemãs em Estalinegrado.
As únicas boas notícias desse período eram dadas pela Kriegsmarine. Edição nº 5/1943.

«Abrigo Antibombas contra os Navios em Afundamento». A caricatura retrata as criaturas
do mar, que procuram abrigo dos navios aliados, afundados pelos submarinos alemães.
Na primavera de 1943 começaram bombardeamentos intensos anglo-americanos da Alemanha.
Fonte: Edição nº 18/1943.

«O Polvo» Os tentáculos do compló judeu controlam a Inglaterra, URSS,
Estados Unidos e China. Edição nº 27/1943.

«O Candelabro Americano». Outra dose de anti-semitismo. Edição nº 27, 1942.

Título da caricatura: «A transfusão de sangue». Edição nº 35, 1944.

«O Seu Caminho para 'Libertar' a Europa». A guerra está quase perdida e a
propaganda alemã traça retratos cada vez mais sombrios do inimigo. Edição nº 37, 1944.

Fonte: Lustige-Blatter 3º Reich

sábado, maio 23, 2026

Ucrânia atinge dois terminais petrolíferos russos em Novorossiysk no Mar Negro

Unidades de ataque profundo das Forças de Operações Especiais (SSO) atacaram, com sucesso, o terminal petrolífero «Sheskharis» e o complexo de transbordo «Grushovaya» no maior porto marítimo da rússia, Novorossiysk, na região de Krasnodar. Foi uma operação conjunta das SSO e do exército ucraniano.

O terminal, fundamental para o sul da rússia, é um importante centro de exportação de petróleo, onde convergem os oleodutos da empresa estatal russa «Transneft». Até sete petroleiros podiam ser carregados aqui em simultâneo. Anteriormente, as SSO já tinham atacado o terminal «Sheskharis», por duas vezes em 2026, no início de março e no início de abril. 

A geolocalização do terminal «Grushovaya»

A estação intermédia de bombagem de petróleo de «Grushovaya», com a sua infraestrutura neste sistema de transbordo, possui tanques automatizados com capacidade para 1,3 milhões de metros cúbicos e permite o processamento de mais de 500 a 600 vagões-cisterna por dia. 

O terminal «Grushovaya», pertencente à «Chernomortransneft», uma subsidiária da «Transneft», é a maior instalação de armazenamento de petróleo da região Cáucaso. O depósito é constituído por tanques subterrâneos e acima do solo com uma capacidade total de aproximadamente 1,2 milhões de toneladas de produtos petrolíferos. Cinquenta tanques ZhBR-10000 para petróleo e derivados, com uma capacidade total de 500.000 m³, e 14 tanques RVSpk-50000 para petróleo, com uma capacidade total de 700.000 m³. A sua principal função em tempo de paz é servir de enterposto/coletor à servir o porto petrolífero de Novorossiysk. 

Ver a geolocalização do terminal petrolífero de Grushovaya: 44.6929982099313, 37.76897663383929

Fonte OSINT: TG worldmilitares

Na localidade russa de Gubakha (região de Perm, cerca de 1700 km da Ucrânia), os drones ucranianos atingiram o complexo químico da empresa russa «Metafrax». A empresa é especializada na produção de amoníaco, ureia e melamina. A capacidade de produção do complexo é de aproximadamente 900 toneladas de amoníaco e mais de 1.600 toneladas de ureia por 24h.


A técnicas da propaganda goebbelsiana russa

A propaganda russa falsificou e publicou, numa conta da rede social X, as supostas primeiras páginas de quatro jornais europeus e um israelita, com a data de 12 de maio de 2026, todas elas contendo imagem negativa do Volodymyr Zelensky e uma clara narrativa russa em relação à Ucrânia.

Uma das capas falsas exibidas na TV estatal russa
As capas do «Público», falsa à esquerda e verdadeira à direita

As capas falsas foram do «Bild», da Alemanha; «Liverpool Echo», da Inglaterra; «Ouest France», de França; «Público» de Portugal e «Jerusalem Post», de Israel. Todas as capas foram alteradas digitalmente e se referiam às acusações mais ou menos vagas da ex-porta-voz do Zelensky, Iulia Mendel, que trabalhou na presidência da Ucrânia em 2019-21. Recentemente, Mendel deu uma entrevista ao propagandista americano pró-Kremlin Carson Tucker, projetada para ofuscar a imagem do presidente ucraniano. No entanto, a própria Mendel é lembrada no seu papel da porta-voz como uma menina pit bull, pessoa de lealdade exagerada ao Presidente Zelensky, chegando quase se lançar fisicamente aos jornalistas, para os impedir de fazer as perguntas, que em teoria, poderiam incomodar o seu chefe. Mendel também foi a autora de um livro extremamente complimentar e acrítico em relação ao presidente ucraniano real, chamado «Todos nós somos presidentes».
Não sendo as capas reais, existindo apenas virtualmente, que utilidade prática poderiam ter? Aqui a propaganda russa mais uma vez, está copiando as técnicas do nazismo alemão, desenvolvidas pelo Joseph Goebbels, famoso por criar os jornais e rádios falsos, soviéticos ou aliados, dirigidos ao público soviético ou europeu. 81 anos depois, a propaganda russa se dirige ao seu público doméstico, tentando «vender» as capas falsas como o seu exemplo do seu próprio sucesso externo. Os propagandistas estatais russos, exibindo as supostas capas nos progrmas da propaganda televisiva seguem a narrativa do pseudo-sucesso absurdo: «mas quem diria, ehm-ehm, ainda alguns anos atrás que os jornais europeus sejam tão abertamente críticos ao Zelensky?!», perguntam retoricamente eles, se dirigindo aos telespetadores.

A propaganda russa vive abertamente, tal como vivia a propaganda nazi em abril de 1945, num mundo paralelo, onde o 3º Reich conseguia várias vitórias milagreiras e o 22º exército alemão, comandado pelo general Walther Wenck, libertaria Berlim e rompesse o cerco soviético...