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sexta-feira, outubro 02, 2026

👌⚡️ Ucrânia atinge o maior nó de oleodutos da Eurásia em Samara

Na noite de 2 outubro, os drones ucranianos FP-1 atingiram a Estação Linear de Produção e Controlo (LPDS) de Samara, uma das maiores estações de bombagem de petróleo da Eurásia, resultando num forte incêndio no local. 

A LPDS de Samara continua em chamas após o ataque noturno, realizado pelas Forças de Defesa da Ucrânia. A instalação é um importante centro de recepção, armazenamento e processamento primário do petróleo proveniente do Tartaristão e da Sibéria Ocidental. A sua capacidade total é superior aos 1,6 milhões de m³ de petróleo, distribuídos por 71 tanques. Quatro oleodutos principais convergem neste local.

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Localização: 52.99314650147499, 50.53411769815576

A importância da LPDS de Samara é difícil de sobrestimar, pois a estação é responsável tanto pelo abastecimento de petróleo às refinarias da região, como pelo início do oleoduto «Druzhba» (assim como do Sistema de Oleodutos do Báltico-2 (BTS-2), a importante rota de oleodutos que liga o sistema de oleodutos «Druzhba» ao porto russo de Ust-Luga, no Mar Báltico), além de abastecer o sul da rússia (ramal para Tikhoretsk). 

Resultados técnicos do ataque ao LPDS de Samara aos 2 de outubro de 2026:

LDPS de Samara, antes de ataque, vista do satélite

  • Atingidas 5 unidades de distribuição de petróleo RVS-20000 (zonas 1 e 2);
  • Atingidas 3 unidades de distribuição de petróleo RVS-50000 (zona 3);
  • Danificados os oleodutos e uma estação elevatória na zona 1.

A área total afetada pelo incêndio é superior aos 15.000 m2.

Os danos em valores monetários:

  • Uma RVS-20000 custa mais de 10 milhões de dólares;
  • Uma RVS-50000 custa cerca de 25 milhões de dólares;
  • Custo de reparação dos tanques – entre 100 a 125 milhões de dólares (dependendo da extensão dos danos)
  • O valor do petróleo nestes tanques – cerca de 200 milhões de dólares (mesmo com o desconto da marca russa «Urals»). 

A primeira utilização em combate do primeiro míssil balístico tático ucraniano FP-7, lançado em 2 de outubro de 2026. O próximo passo é a sua produção em série. Glória à Ucrânia!

Os drones de ataque ucranianos FP-2 destruíram o sistema de mísseis antiaéreos russo «Pantsir-S2», que, em teoria, deveria impedir os drones ucranianos de penetrar profundamente na retaguarda russa. Após uma detonação secundária, o sistema foi totalmente desfeito.

O «Pantsir-S2» é uma versão modernizada, com radar de maior alcance e outras capacidades técnicas melhoradas, que em teoria, lhe permitiria detetar, seguir e destruir, diversos alvos aéreos em simultâneo.

Os blogueiros militares russos confirmam o derrube do helicóptero russo Mi-8 na região de Voronezh, abatido, muito possivelmente, pelo fogo-amigo de um Su-35 russo, que confundiu seu aparelho com um drone ucraniano. Aparentemente, Mi-8 estava fugindo de ataque de drones ucranianos. Três tripulantes morreram na sua queda.

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sexta-feira, setembro 25, 2026

Órgãos extra-judiciais da repressão sovietica no decorrer do Grande Terror: «troicas» e «dvoicas»

«Viva o NKVD, o guardião vigilante da revolução, a espada desembainhada do proletariado» 
No decorrer do Grande Terror soviético de 1937-38, vários órgãos extrajudiciais foram criados e operaram na URSS, realizando julgamentos de forma formal e acelerada. Eram conhecidos como «troicas», «dvoicas» e «troicas especiais». 

Quase todos estão familiarizados com o termo «troika» — este órgão repressivo soviético foi «legitimado» pela ordem operacional nº 00447 da NKVD durante a operação dita «Kulakiana». Mas também existiram outros órgãos criados especificamente para realizar repressões no decorrer das «operações nacionais» — isto é, ordens que sujeitavam à prisão não apenas pessoas de certos grupos étnicos — polacos, letões, alemães, coreanos e outros — mas também qualquer pessoa com laços reais ou imaginários com países estrangeiros, mesmo que, no momento da prisão, os únicos laços fossem o seu local de nascimento nos territórios da Polónia, Finlândia, Letónia, outrora pertencentes ao império russo, etc. 

  • 25 de julho de 1937 – “operação alemã”, foram condenadas 55.005 pessoas, das quais 41.898 foram fuziladas;
  • 11 de agosto de 1937 – “operação polaca/polonesa”, condenadas 139.815 pessoas, das quais 111.071 fuziladas;
  • 17 de agosto de 1937 – “operação romena”, condenadas 8.292 pessoas, das quais 5.439 foram fuziladas;
  • 20 de setembro de 1937 – “operação de Harbin” (chinesa), condenadas mais de 31.000 pessoas, das quais 19 mil fuziladas;
  • 30 de novembro de 1937 – “operação letã”, condenadas 21.300 pessoas, das quais 16.575 fuziladas;
  • 11 de dezembro de 1937 – “operação grega”, cerca de 15.000 detidos, cerca de 50% foram fuziladas ou morreram no GULAG;
  • 14 de dezembro de 1937 – a diretiva do NKVD sobre a extensão da repressão no âmbito da “linha letã” contra estónios, lituanos, finlandeses e búlgaros. 9.735 pessoas foram condenadas no âmbito da “operação estônia”, incluindo 7.998 pessoas condenadas à morte, 11.066 pessoas foram condenadas no âmbito da “operação finlandesa”, 9.078 foram condenadas à morte;
  • 29 de janeiro de 1938 – “operação iraniana”, condenadas 13.297 pessoas, das quais 2.046 à morte.
  • 1 de fevereiro de 1938 – “operações nacionais” contra búlgaros e macedônios;
  • 16 de fevereiro de 1938 – “operação afegã”, 1.557 pessoas foram condenadas, 366 à morte. 

O primeiro destes órgãos era coloquialmente conhecido por «dvoica»: os cidadãos eram «julgados» por apenas duas pessoas — o chefe do departamento local da NKVD e o procurador regional. Estas duas personagens determinavam a punição a aplicar aos indivíduos — a execução por fuzilamento ou pena de prisão em campo de concentração de GULAG de 5 a 10 anos. Compilavam as suas decisões sob a forma de listas que lembravam álbuns. Uma folha horizontal continha um perfil do indivíduo, descrevendo brevemente a natureza da sua investigação e a punição proposta. Estes «álbuns» eram enviados ao Comissário do NKVD Nikolai Yezhov e ao Procurador da URSS Andrei Vyshinsky em Moscovo para aprovação e depois eram devolvidos às regiões para execução.

Este procedimento manteve-se em vigor até ao Outono de 1938, quando se tornou claro que Moscovo e as regiões não conseguiam lidar com o fluxo de indivíduos detidos. No verão de 1938, Moscovo tinha acumulado «álbuns» para mais de 100.000 pessoas. Aos 15 de setembro, decidiu-se abolir o «procedimento de álbum» para as sentenças, que foi substituído pelas «troikas especiais» da NKVD. Estas foram criadas pela Ordem nº 00606 de 17 de Setembro especificamente para rever os casos dos presos antes de 1 de Agosto de 1938, em várias «operações nacionais». As «troicas especiais» receberam vários «álbuns» e começaram a «reexaminar» os casos — também com recurso a um procedimento simplificado, mesmo sem recorrer aos processos individuais de investigação. Uma diferença fundamental em relação às «dvoikas» era que a sentença de morte deveria ser executada imediatamente.

Analisando entre 50 e 800 casos de cada vez, as «troikas especiais» emitiram 108.000 veredictos em menos de dois meses. Tendo recebido, ao contrário dos seus antecessores, o direito de arquivar processos, libertaram 137 indivíduos. O trabalho das «troikas especiais» foi suspenso num único dia — 15 de novembro de 1938, dois dias antes do fim «oficial» do Grande Terror soviético.

Ler o texto da Ordem nº 00606 publicado na coleção de documentos históricos «Do CheKa ao FSB».

quarta-feira, julho 22, 2026

Eugeniusz Bodo: do galã do cinema polaco ao prisioneiro do GULAG soviético

Atores Eugeniusz Bodo e Helena Grossówna, década de 1930

Ator, encenador, empreendedor polaco Eugeniusz Bodo. O seu nome era Bohdan Eugène Junod; a sua mãe era polaca e o seu pai suíço, que fazia negócios e residia no império russo. Na Polónia entre as guerras, Eugeniusz era um dos principais estrelas de cinema, interpretando charmosos galãs românticos. Viveu em Lviv. Morreu num campo do GULAG soviético.

Um dos seus filmes mais famosos é a comédia de culto «Piętro wyżej» (o título internacional «Vizinhos», 1937). Está disponível em várias versões no YouTube:

A heroína (a bela Helena Grossówna) acaba de entrar, por engano, no apartamento do herói (Eugeniusz Bodo) e, sem se aperceber que está no apartamento de outra pessoa, adormece na sua cama. Entretanto, o herói regressa a casa embriagado, descobre a bela na sua cama e deixa-a galantemente dormir, enquanto ele, vestido com um fato e gravata, vai dormir para a banheira. Naturalmente, acorda de manhã, abre a torneira e vê-se encharcado da cabeça aos pés. Naturalmente, tudo termina com um final feliz.

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A famosa comédia soviética «A Ironia do Destino» (1975) usou o mesmo enredo (troca de apartamentos, herói bêbado, uma bela desconhecida, interpretada até por uma atriz polaca), como o elemento principal do seu trama. 

Em 1939, após o início da II G.M., Bodo encontrou-se em Lviv, na União Soviética. O conceituado músico Henryk Wars organizou a orquestra Lviv Tea-Jazz, que começou a fazer digressões por toda a União Soviética com grande sucesso. Bodo cantava nesse teatro; existem muitos registos dele a cantar em russo, incluindo a tradução russa da famosa canção polaca «Somente em Lviv».

«Tea Jazz-orquestra» de Lviv

Ao mesmo tempo, Bodo tentou, usando o seu passaporte suíço de viajar para a Suíça. Após o início da guerra nazi-soviética, quando o Exército Vermelho já deixou a cidade de Lviv, mas os alemães ainda não entraram nela, dois homens com uniformes da NKVD abordaram Bodo e disseram que tinham um carro e tentariam romper as linhas inimigas para leste, convidando-o a juntar-se a eles. Percorreram estradas rurais durante vários dias e, quando finalmente chegaram ao quartel-general do Exército Vermelho, disseram-lhe que estava, na verdade, preso e enviaram-no para o NKVD.

Entretanto, a partir de 30 de Julho de 1941, sob pressão do seu novo aliado, a Grã-Bretanha, a URSS aceitou assinar um acordo com o governo polaco no exílio em Londres (o Acordo Maisky-Sikorski). De acordo com este acordo, todos os cidadãos polacos presos na URSS e nos territórios por este controlados desde 1939 receberiam amnistia. A partir destes cidadãos, começou a formar-se um exército polaco na Ásia Central soviética, sob a liderança de general Anders. A orquestra de Wars também se juntou ao exército de Anders.
A sua última foto conhecida, prisioneiro dos soviéticos...

Bodo era muito conhecido, e os representantes polacos perguntavam constantemente aos soviéticos sobre o seu destino. Mas estes lhes responderam que Bodo não era cidadão polaco, mas sim suíço, e, por isso, não tinha direito a amnistia. Morreu num campo de concentração soviético nos arredores da cidade de Kotlas, de inanição (fome severa) em outubro de 1943. Durante décadas a URSS desinformava os polacos, afirmando que Eugeniusz Bodo foi assassinado pelos alemães. Somente em 1991, as autoridades soviéticas entregaram aos polacos os documentos a ele relacionados.

Já a atriz Helena Grossówna, chegou a participar na Revolta de Varsóvia de 1944 como tenente, usava o nom de guerre / codinome de «Bystra» (Rápida), foi capturada e presa em campos alemães de prisioneiros de guerra, casou com um oficial polaco, que libertou o campo e viveu uma longa vida na Polónia, falecendo em 1994 aos 90 anos. 

Blogueiro

A ironia do destino, um polaco-suíço que nada de mal fez à URSS e foi um artista aceite e reconhecido na União Soviética, não sobreviveu o GULAG comunista. Enquanto uma combatente, que lutou contra os alemães, de armas nas mãos, sobreviveu um campo de concentração nazi...

sábado, julho 18, 2026

A sangrenta luta soviética contra o «formalismo» nas belas-artes

No final da década de 1930, o estado comunista soviético iniciou a luta ferroz contra o «formalismo» nas artes. Segue um excerto do protocolo de interrogatório do famoso artista expressionista letão-soviético, Aleksandrs Rūdolfs Drēviņš (1889–1938), conduzido em 1938 por investigadores do NKVD.

PERGUNTA: Então, você, enquanto artista, aderiu ao movimento formalista na arte?

RESPOSTA: Sim, como artista, aderi ao movimento formalista reaccionário.

PERGUNTA: Explique o que é o movimento formalista nas belas-artes e qual a sua essência contrarrevolucionária?

RESPOSTA: Posso estar a ser um pouco vago na minha definição, mas entendo que a essência do movimento formalista nas belas-artes é que se opõe ao realismo socialista e apresenta nas belas-artes conteúdos e formas alheias à realidade soviética, inspirando-se em artistas fascistas ocidentais como Braque e outros. Gostaria de informar a investigação que o movimento formalista nas belas-artes foi subdividido em vários movimentos mais pequenos, como o Futurismo, o Cubofuturismo, o Suprematismo e o grupo Ost.

(…)

PERGUNTA: Diga-me, que obras específicas pintou com distorções contrarrevolucionárias?

RESPOSTA: Pintei várias obras com distorções contra-revolucionárias, como «O paraquedista», «A corça», «O desempregado em Riga», «A menina em kolkhoze» e «A paisagem do kolkhoze» [infelizmente, por enquanto, não foi possível achar as imagens dos dois últimos quadros na Internet, possivelmente foram apreendidos e/ou destruídos pelo NKVD].

Quadro «Descida do paraquedista», 1932

PERGUNTA: Qual é a essência das suas pinturas com distorções contrarrevolucionárias?

RESPOSTA: Não consigo dizer em pormenor qual é a essência contra-revolucionária de todas as pinturas, por exemplo, a pintura «A menina em kolkhoze». Em vez de retratar uma vida alegre, próspera e feliz numa quinta coletiva, pintei uma realidade difícil, triste e melancólica da quinta coletiva, como no quadro «A menina em kolkhoze». Havia distorções contrarrevolucionárias da mesma ordem noutras pinturas.

Quadro «A corça na neve», 1931-32

PERGUNTA: Então pintou quadros com distorções contra-revolucionárias enquanto cumpria as tarefas de uma organização nacionalista contra-revolucionária?

RESPOSTA: Sim, admito que, sob as instruções de uma organização nacionalista contrarrevolucionária, realizei trabalhos artísticos com distorções contrarrevolucionárias.

Quadro «A menina com a toalha», 1937 

Do protocolo do último interrogatório de Aleksandrs Rūdolfs Drēviņš pelo oficial operacional do 3º departamento da UNKVD, Danilkov, em 21 de janeiro de 1938 / a ortografia, a pontuação e os sublinhados do original foram preservados /

A 11 de fevereiro de 1938, Aleksandrs Rūdolfs Drēviņš foi condenado à pena capital e fuzilado a 26 de fevereiro de 1938. Tinha apenas 49 anos. Foi sepultado numa vala comum e anónima no polígono de Butovo nos arredores de Moscovo. O seu corpo nunca foi entregue à família. Vários quadros seus sobreviveram somente, porque a sua esposa, a pintora vanguardista russa, Nadezhda Udaltsova, os escondeu no seu próprio estúdio, declarando as como uma obra sua. O artista foi judicialmente reabilitado em 1957 «devido à ausência de crime». Pela primeira vez após a sua morte, os quadros foram mostrados ao público em 1959, em Riga. A sua primeira exposição individual ocorreu apenas em 1971, em Moscovo. Em 2022, um tribunal russo se recusou à devolver os quadros do pintor à sua neta e legítima herdeira...

quarta-feira, junho 24, 2026

Estaline poderia ter iniciado a Terceira Guerra Mundial em 1954

A edição estónia da obra
No seu novo livro «Um Fim Premeditado do Mundo: Como Estaline Preparou a Terceira Guerra Mundial», o historiador Alexander Gogun, radicado em Berlim, revela que o ditador soviético planeou desencadear uma nova guerra na primeira metade da década de 1950, desafiando os Estados Unidos. 

Baseado numa vasta gama de documentos recentemente desclassificados dos arquivos da rússia e de outros países, bem como em fontes publicadas numa dezena de línguas, a obra mostra como as autoridades soviéticas, fria e persistentemente, avançaram durante décadas para um ataque aos Estados Unidos com o objetivo de escravizar a humanidade, ou seja, de completar a revolução comunista global. São referidos casos até então desconhecidos do uso operacional de armas químicas e biológicas de destruição maciça. Por fim, são publicadas informações sobre as proezas de Estaline nos últimos anos da sua vida, quando sincronizou meticulosamente os seus esforços abrangentes para conquistar o planeta. O autor demonstra de forma convincente e persuasiva como a teoria da revolução mundial de Lenine e Trotsky foi meramente modernizada e reinterpretada por Estaline após o advento das armas nucleares, mas de forma alguma esquecida ou descartada. Este estudo histórico é particularmente relevante hoje, dado que a liderança da federação russa retomou as operações militares contra o Ocidente, interrompidas na década de 1990, e, tendo descartado o conceito de coexistência pacífica do governo pós-soviético, regressou a uma sangrenta batalha com o mundo democrático. 

O livro é poderoso na sua análise. Enquanto muitos outros autores que estudam as relações internacionais durante as fases iniciais da Guerra Fria ou o final do estalinismo enumeram frequentemente factos ou simplesmente descrevem acontecimentos ou fenómenos, esta obra explica-os claramente. Por outras palavras, o texto baseia-se numa estrutura de causa e efeito. 

A questão do antiamericanismo russo/soviético/russo 

A opinião pública no império russo, fraca sob o absolutismo ou mais forte no início do século XX, nunca sofreu de americanofobia. Mas os bolcheviques abandonaram completamente esta abordagem. Para eles, os Estados Unidos representavam o centro do capitalismo, o inimigo número um. Estaline enfatizou isto nos seus discursos até cerca de 1927. Depois abandonou esta ideia, ao começar a utilizar os americanos na industrialização e nas suas manobras políticas. No entanto, em correspondências internas do partido, escreveu ao Molotov e ao Kaganovich que os Estados Unidos eram o principal inimigo soviético. 

Depois de 1945, até deixou de o esconder. Os Estados Unidos continuaram a ser o principal inimigo para as autoridades da União Soviética e, mais tarde, para a rússia de putin. Este perdurou essencialmente, com poucas interrupções, durante cerca de 80 anos. 

Estaline utilizou o «método de controlo reflexivo» em relação aos Estados Unidos. O que significa?

Para dispersar as forças americanas pelo mundo, Estaline utilizou duas vagas de manipulação. De 1945 a 1949, orquestrou todo o tipo de provocações no oeste da Ásia, no Médio Oriente e na Europa, atraindo assim forças e recursos americanos, financeiros e materiais, para a região, desviando-os de Mao Tsé-Tung, que lutava pelo poder na China. E quando Mao chegou ao poder graças à ajuda soviética — directa (fornecimento de armas, apoio financeiro) e, principalmente, indirecta — Estaline, com a ajuda de Mao, iniciou uma segunda vaga de manipulação. Desviou forças e recursos americanos da Europa, do oeste da Ásia e do norte de África para a região da Ásia-Pacífico. A Guerra do Vietname começou contra os franceses, que eram apoiados pelos americanos.

Forças nacionalistas e comunistas na guerra civil chinesa


O auge das maquinações de Estaline foi a Guerra da Coreia, quando colocou a China e os Estados Unidos um contra o outro. Truman nunca conseguiu compreender totalmente este complexo jogo. A política de contenção, a famosa «Doutrina Truman», representou uma dispersão, um espalhamento de recursos e uma pressão não sobre a URSS, mas antes atingindo as pontas dos tentáculos do polvo vermelho. Esta política foi vantajosa para Estaline, que estava a reforçar sistematicamente as suas tropas e a preparar-se para uma campanha até Gibraltar e ao Canal da Mancha, seguida da conquista dos Estados Unidos. 

As ideias de Estaline para o desenvolvimento do Extremo Norte soviético/russo. O que tem o Ártico a ver com as ideias de dominação mundial e com a Terceira Guerra Mundial? 

Foi uma das combinações calculadas, porque o próprio Estaline passou um tempo considerável no Extremo Norte, exilado na região de Turukhansk. E como viveu durante a era da revolução científica e tecnológica, provavelmente já considerava a possibilidade de chegar aos Estados Unidos através do Pólo Norte. Nas décadas de 1920, 1930 e posteriormente, contava não só com o que tinha, mas também com o que poderia ser criado em 5 a 10 anos, tendo em conta o desenvolvimento da tecnologia. 

A Bacia Árctica, com as suas vastas extensões desabitadas, oferecia uma boa rota para penetrar no continente norte-americano. Para este efeito, Estaline desenvolveu a Rota Marítima do Norte, desde a URSS europeia até às costas dos Estados Unidos e do Canadá. O Canal do Mar Branco, curiosamente, foi também construído para chegar à América, pois proporcionava à frota um fácil acesso aos oceanos do mundo através do Mar Branco. Os navios construídos nos estaleiros de Gorky (atual Nizhny Novgorod) ou Leninegrado podiam então navegar até às costas dos Estados Unidos, quer através do Atlântico, quer, inversamente, através do Oceano Ártico. 

Mas o auge do avanço no Ártico ocorreu com as expedições aéreas a altas latitudes do final da década de 1940 e início da década de 1950, quando um grande número de aeronaves de combate, transporte e reconhecimento aterraram em gelo flutuante perto do Pólo Norte e realizaram manobras acrobáticas nos céus do Ártico. Essencialmente, preparavam-se para atacar os Estados Unidos pelo norte, se necessário. Os americanos também se aperceberam da ameaça, embora a tenham subestimado um pouco. 

Existem documentos ou provas de que Estaline planeou o início da Terceira Guerra Mundial num ano específico? 

É o discurso de Estaline [publicado primeiro em romeno] aos seus aliados, comunistas romenos, em janeiro de 1951. É uma reunião apocalíptica no Kremlin, onde ele diz: devem criar uma boa força armada dentro de três anos.

Recepção dos camaradas romenos no Kremlin, Moscovo, 1947

Isto leva-nos a 1954. Muitos documentos do último período do regime de Estaline são classificados até hoje, e isto também demonstra eloquentemente que o dia X estava mesmo ali. O decreto do Ministério da Segurança do Estado [NKVD-MGB] de finais de 1952 foi publicado parcialmente pela primeira vez por historiador Nikita Petrov. Contém uma frase sobre a necessidade de os chekistas passarem a atuar em chamada «inteligência ativa». Isto implicava terrorismo, tentativas de assassinato contra inimigos de classe, assassinatos, incêndios e atentados bombistas. Claramente, os líderes da NATO não ficariam de braços cruzados enquanto tentativas de assassinato contra eles — ou seja, contra «inimigos de classe» — começassem no seu próprio território, visando políticos e empresários influentes. Isso significava que Estaline já estava a soltar os travões. 

Para iniciar uma nova guerra mundial seriam necessários recursos colossais — tanto financeiros como humanos. A União Soviética possuía-os? 

A URSS adquiriu um recurso incrível: os recursos humanos. A sua carne para canhão era a República Popular da China, o país mais populoso do mundo. Além disso, Estaline adquiriu recursos adicionais sob a forma dos países da Europa Central, muitas vezes subestimados. Paradoxalmente, contrariando muitas avaliações e previsões dos americanos em 1945, da CIA, do Comité Conjunto de Informações e dos analistas do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a União Soviética foi capaz de renascer como uma fénix das cinzas em 1950. E em 1950, durante o plano quinquenal do pós-guerra, Estaline escreveu ao Mao: «Se a guerra é inevitável, que seja agora».

Agricultura soviética pós-II G.M.: uso extensivo de mão-de-obra semi-escrava

Por outras palavras, já estava preparado para iniciar a guerra em 1950, mas graças à sua manobra em várias frentes na Coreia, obteve melhores oportunidades para a lançar um pouco mais tarde e, felizmente, morreu. 

Obteve esses recursos, antes de mais, através da pilhagem da Europa Central. Para além da pilhagem directa e das reparações, Estaline também roubou países através do comércio desproporcional, roubando propriedade intelectual, todo o tipo de conhecimentos técnicos e patentes. E através do comércio desigual e das empresas mistas, drenou-os economicamente de recursos significativos. Portanto, o que se fala em «libertação» [da Europa] era, na verdade, a libertação de «excedentes» materiais. 

É óbvio que as armas nucleares seriam utilizadas nesta guerra. Estaline não foi dissuadido pelo medo da destruição de vastos territórios e de milhões de pessoas? 

Estaline era um misantropo. Muitas pessoas exploram as suas posições profissionais para garantir um tratamento preferencial e vantagens para os seus filhos. Em particular, o actual governo russo concede sinecuras aos seus filhos para que se possam divertir e viver confortavelmente. Estaline, por outro lado, utilizava os seus filhos para os seus próprios fins políticos, arruinando as suas vidas. Claramente, ele teria facilmente sacrificado a humanidade, ou uma grande parte dela. Para ele, a vida de dezenas de milhões de pessoas não significava nada.

Fonte

A decepção geral do povo [soviético] com os resultados da Segunda Guerra Mundial foi expressa de forma breve e precisa pelo três vezes Herói da União Soviética, o Marechal do Ar Alexander Pokryshkin, na revista «Soldado Soviético» (1985, nº 9, p. 32): “Todos concordavam: a guerra na Europa terminou, mas a fronteira capitalista permaneceu [intacta]”. 

Será que o camarada Estaline poderia ter aceitado isso? Ele não poderia e não aceitou. 

Os resultados da Segunda Guerra Mundial não o satisfizeram. Portanto, imediatamente após o fim da guerra, Estaline começou os preparativos para a Terceira Guerra Mundial. 

Este capítulo da história foi pouco estudado até agora. Ele nos foi apresentado pelo notável historiador militar moderno Alexander Gogun em seu livro «Um Fim Premeditado do Mundo: Como Estaline Preparou a Terceira Guerra Mundial». Recomendo fortemente a leitura.

Viktor Suvorov (Vladimir Rezun), veterano do GRU , no semanário ucraniano Dzerkalo Tyzhnya, 30/08/2025.

Ver: edição estónia; edição russa

sábado, junho 13, 2026

A crise petrolífera russa sem precedentes: defice à sovietica

Os comerciantes da Crimeia e de Donbas ocupadas invadem a região russa de Rostov, onde tentam comprar a gasolina aos galões para a revender ao dobro do preço em Donetsk ou em Simferopol. Há roubos de gasolina e em várias regiões russas combustível vende-se somente através do sistema de talões. 


As estações sem o combustível A92; A95 e A100

As estações de venda de combustível fornecem apenas 20 litros de gasolina ou 40 litros de gasóleo por carro particular. As organizações ou pessoas jurídicas porem obter até 200 l de gasóleo. Sem «borlas» na gasolina. Os russos até ontem «apolíticos» interrogam-se: «O que está a acontecer?»




A falta de combustível, de uma ou de outra forma, é sentida nas regiões russas tão distantes como Ulianovsk, Arkhangelsk, Khabarovsk, Rostov, Kazan, Vologda, Voronezh, Kursk, Volgogrado, São Petersburgo e até Moscovo.




Os drones ucranianos FP-1 à atacar a refinaria/usina petrolífera russa de Nizhnekamsk, na região de Tartaristão, distância aproximada à Ucrânia é de 1.400 km: 

— Mas que cú total. Estão a f..der por todos os lados. Vamos bazar da fábrica rapidamente. Tem lá outro drone. Estão a f...der a fábrica. Que c...ralho. 

A Donetsk ocupada, as filas intermináveis ​​nos postos de abastecimento. Não há gasolina:

Voltando às «boas práticas» russas da década bastante criminal de 1990, o roubo de gasolina voltou sendo praticado na calada de noite nas ruas e pátios dos bairros russos:


Nas regiões russas mais afetadas a compra e abastecimento de gasolina em galões/jerrycans foi proibida, mas a corrupção é um factor crucial para elevar a moral dos russos, pelo que estes ainda enchem os galões mediante o pagamento de uma «taxa extra».

As filas para abstecimento de combustílvel algures ao longo da autoestrada Moscovo - São Petersburgo:

Como resultado, também não há gasolina em Rostov. Os moradores da cidade estão furiosos, gritando que «os marvados dos ucrainos estão a levar tudo». Em síntese, a guerra russa está a decorrer conforme o plano-mestre original. 

Fonte: kazansky2017; Exilenova_plus

quarta-feira, maio 27, 2026

Cidadãos de 48 países que lutaram pela rússia estão presos na Ucrânia

Centenas de cidadãos estrangeiros, provenientes de 48 países, recrutados pela rússia para combater na sua guerra neocolonial, estão presos na Ucrânia. Cerca de 5.149 deles já morreram, destino de outros 3.080 é desconhecido. Mostramos apenas alguns deles, detidos no campo ucraniano de POW «Zahid-1». 

Não é porque a vida é tão boa que o «segundo maior exército do mundo» é obrigado a engrossar as suas fileiras com dezenas de milhares de estrangeiros através do engano, da coação e das promessas falsas. Trabalhadores migrantes da Ásia Central, desempregados da América do Sul, os segmentos mais pobres de África — a rússia não descarta ninguém. O projeto ucraniano «Quero Viver» já identificou mais de 28.000 estrangeiros que assinaram os contratos com o exército russo. Pelo menos 5.149 deles já morreram — apenas os que já foram identificados e/ou retirados do campo de batalha. Outros 3.080 estrangeiros estão no «limbo», os seus contratos com exército russo terminaram, sem serem prorrogados e sem serem dispensados do exército de ocupação. Ou seja, estes estrangeiros são MIA (desaparecidos em combate, mais provavelmente mortos, com corpos não recolhidos) ou SOCh (desertores, também mais provavelmente mortos, também, com corpos algures nos estepes da Ucrânia). 

Os estrangeiros no vídeo tiveram sorte em sobreviver e serem capturados pelas FAU. Ucrânia os trata com todos os direitos dos demais prisioneiros de guerra – nos mesmos campos de POW que os cidadãos russos. Recebem a mesma comida, podem trabalhar, praticar desporto, escrever e receber cartas e encomendas. Recebem também visitas de representantes do Comité Internacional da Cruz Vermelha e de organizações de defesa dos direitos humanos. 

Para a rússia, eles são o material descartável: o Ministério da Defesa russo simplesmente irá «adquirir» mais soldados estrangeiros. Por enquanto, a rússia está apenas a aumentar a escala do seu recrutamento no estrangeiro. Enquanto a rússia recrutou 8.200 pessoas em 2024, em 2025, foram quase 14.000 estrangeiros à assinar os contratos com o exército russo. O MoD russo planeia recrutar outros 18.500 cidadãos estrangeiros até o fim de 2026. 

Enquanto Kremlin produz os discursos sobre o «mundo multipolar» ou a «luta contra o neocolonialismo ocidental», na prática, a rússia desrespeita a soberania dos países africanos e asiáticos, recrutando ilegalmente os seus cidadãos e enviando-os para uma guerra neocolonial.

O Kremlin teme que as suas ações sejam expostas e os seus crimes revelados ao mundo. Por conseguinte, o Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, em conjunto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, está a lançar o recurso informativo http://stoprussianrecruiters.org A página publica informações sobre os principais esquemas, a geografia e a escala do recrutamento russo, bem como sobre os próprios recrutadores em vários países que trabalham para a rússia, enviando as pessoas para a morte certa em troca do dinheiro russo.

Faça click para ver mais (página com dificuldades de acesso de momento)

Este recurso foi criado para expor o sistema de recrutamento russo, alertar as potenciais vítimas e responsabilizar aqueles que, por dinheiro, enviam cidadãos de outros países para morrerem na guerra neocolonial russa, ao serviço do Kremlin.

Chatbot «Quero Viver»: t.me/kak_sdatsya_bot

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segunda-feira, abril 27, 2026

O dia em que Mikhail Gorbachev iniciou à Perestroika

Em 23 de abril de 1985, no plenário do Comité Central do PCUS, o Secretário-Geral Mikhail Gorbachev apresentou um relatório e declarou um rumo para mudanças na política económica e social da URSS.

Capa do jornal «Pravda» de 24 de abril de 1985

Gorbachev assumiu a liderança do partido em 11 de março de 1985, após a morte de Konstantin Chernenko. A nova política foi chamada de Uskorenie (aceleração do desenvolvimento socioeconómico) e mais tarde tornou-se parte da derradeira tríade soviética de Perestroika (reconstrução) - Glasnost (transparência) - Uskorenie (aceleração).

Assim, Gorbachev tentou salvar a URSS, que, de uma forma acelerada rumava ao seu colapso final e inevitável.

Pin soviético «Perestroika, democracia, transparência»

Mas só um ano depois, já se sentindo razoavelmente seguro como o novo líder soviético, em 8 de abril de 1986, durante uma visita a Togliatti, Gorbachev, falando aos operários da Fábrica de Automóveis Volga, usou publicamente, pela primeira vez, a palavra Perestroika para descrever o rumo da mudança na URSS. Antes disso, após sua eleição como Secretário-Geral em março de 1985, a retórica oficial soviética usava a fórmula «aceleração do desenvolvimento socioeconómico».

Gorby na fábrica automóvel de Togliatti que produzia as Ladas «Zhiguli»

«Devemos começar, antes de tudo, com a reestruturação do pensamento e da psicologia, da organização, do estilo e dos métodos de trabalho. Direi francamente: se não nos reestruturarmos, estou profundamente convencido disso, não reconstruiremos a economia e nossa vida social de acordo com o espírito das decisões do congresso. Mas, nesse caso, não conseguiremos lidar com as tarefas estabelecidas, cuja escala e novidade são sem precedentes», disse Gorby.

O termo Perestroika começou a ser usado regularmente em discursos oficiais da liderança da URSS e da impensa/mídia estatal. Tornou-se o nome da era anterior ao colapso final da URSS.

domingo, abril 26, 2026

O dia em que a URSS abateu um Boeing sul-coreano sobre a Carélia

Em 20 de abril de 1978 o Boeing 707 sul-coreano, voo KAL 902, que voava de Paris para Seul com 97 passageiros e 13 tripulantes à bordo foi abatido pelas defesa anti-aérea soviética sobre a região da Carélia. Apenas o sangue frio e uma ótima preparação militar do piloto sul-coreano permitiram evitar a tragédia maior.

O piloto Kim Chang-Kyu, de 45 anos, coronel reformado/aposentado da Força Aérea e veterano da Guerra da Coreia, tentava escapar da floresta e pousar o avião no gelo do Lago Korpiyarvi, na Carélia, com um pedaço de três metros de comprimento da asa esquerda arrancado e um buraco na fuselagem. Ele conseguiu chegar a uma ilha para evitar que o avião caísse no gelo e pousasse de nariz. Das 110 pessoas a bordo, 108 sobreviveram (2 pessoas morreram e 13 foram feridas pelos estilhaços do míssil soviético).

Dano de fuselagem, causado pelo míssil soviético R-8

O voo 902 da Korean Air Lines (KAL-902) decolou do Aeroporto de Orly em 20 de abril de 1978, com 30 minutos de atraso. A rota Paris-Seul foi planeada para contornar o território soviético pelo Mar da Noruega e pelo Polo Norte, com uma paragem/parada para reabastecimento em Anchorage, no Alasca, e uma aterragem final em Tóquio. Enquanto sobrevoava a Groenlândia, o Boeing repentinamente virou bruscamente para o sul. As defesas aéreas soviéticas, ainda sobre águas neutras, detectaram um alvo desconhecido se aproximando ao território soviético.

Um caça-bombardeiro Su-15TM, pilotado por Alexander Bosov, do 431º Regimento de Aviação de Caça, decolou do aeródromo militar de Afrikanda, nos arredores de Murmansk. Na época, a Ordem nº 0040 do Ministro da Defesa e as instruções do serviço de caças de combate da Defesa Aérea Soviética estavam em vigor, estipulando que aeronaves de transporte militar e de passageiros que violassem o espaço aéreo soviético não deveriam ser alvejadas, mas sim forçadas a pousar ou serem expulsas. O piloto Bosov aproximou-se o máximo que pode, fazendo a sinalização com as asas e nariz do seu Su. O piloto soviético não usou a rádio, pois o seu aparelho não possuia as frequências usadas na aviação comercial ocidental. O comando militar soviético, no espírito da Guerra Fria fez-se à acreditar que o avião sul-coreano estivesse sobrevoando território soviético no intuíto de espiar os exercícios militares que estavam em andamento em Murmansk.

Su-15TM soviético, semelhante ao pilotado pelo Bosov

O piloto Bosov recebia ordens contraditórias, em que o comando do exército exigia o abate do aparelho, enquanto os comandantes de corpo argumentavam que abate seria contra as normas. O piloto não sabia a quem dar ouvidos; estava simplesmente farto da constante enxurrada de ordens para abatê-los e depois para não abatê-los. Em algum momento piloto gritou: «Digam-me o que fazer, por favor». Bosov voou ao lado do Boeing e não tinha mais dúvidas de que se tratava de um avião de passageiros. As pessoas sentadas na cabine da direita acenavam alegremente e tiravam fotos.

Dentro de seis minutos, o Boeing entraria no espaço aéreo da Finlândia, o que significava que o comandante do 21º Corpo, Tsarkov, o comandante do exército, Dmitriev, e o General Ozersky poderiam ser acusados de «deixar escapar o inimigo». Assim o Major-General Vladimir Tsarkov ordenou ao piloto Bosov que abatesse o alvo. 

O míssil R-8, guiado por calor explodiu perto do motor do Boeing, estilhaços arrancaram um pedaço de três metros de comprimento aquém do motor, quebrando uma janela e abrindo buracos na fuselagem. Permanece um mistério o motivo pelo qual o míssil não atingiu o motor e não destruiu o Boeing. O avião continuou voando, mas a despressurização da cabine ameaçou a vida dos passageiros.

O interior do Boeing após a sua aterragem. Foto do arquivo do Valeriy Volynets

A uma altitude de 9.500 metros, o comandante da aeronave iniciou um mergulho de 45 graus. Os passageiros pensaram que estavam caindo, gritando e rezando, mas a um quilómetro de altitude, o piloto estabeleceu/equalizou a pressão e anunciou que iria pousar. A menos de um quilómetro de altitude, com um pedaço da asa faltando e um buraco na lateral, Kim Chang-Kyu procurou um local para pousar em um terreno completamente desconhecido. No feixe de luz dos faróis, o piloto viu/avistou um comboio/trem e, descendo ainda mais, viu uma floresta e, além dela, uma ilha cercada de branco. Ele percebeu que era um lago e decidiu pousar. Temendo que houvesse placas de gelo, pousou com rodas/trem de pouso semiaberto, como se estivesse esquiando.

Tendo se aproximado da ilha, o avião já estava voando às cegas devido à neve e, usando os instrumentos de navegação, parecia estar com o nariz apontado para a ilha. Começou a incrível manobra do piloto sul-coreano que pilotou um caça numa guerra aérea real. Ele pousou o avião com precisão, baixando o nariz na margem, de modo que apenas rodas/trem de pouso atravessaram o gelo. Por cerca de duas horas, os passageiros esperaram por ajuda no lago congelado, enquanto caças soviéticas continuavam a procurá-los no ar.

Enquanto os passageiros permaneciam sentados no gelo e depois seguiam para Poduzhemye, o exército soviético forneceu camas de campanha, cobertores e os próprios soldados, esvaziaram o auditório do Clube de Oficiais local. O Clube dos Oficiais pareceu, às autoriudades soviéticas, o melhor e único local minimalmente digno para alojar os estrangeiros. Ao se encontrarem no antigo auditório, os coreanos, japoneses, alemães e franceses olharam com uma expressão de incredibilidade para as fileiras de camas de ferro, colchões listrados e lençóis com estampas cinza. Mas, devido ao frio, finalmente levaram/pegaram os cobertores militares e começaram a se enrolar. Os «hóspedes» locais chegaram a encontrar até o papel higiênico para os passageiros, já que não podiam lhes dar o jornal «Pravda» recortado, bastante usado na URSS na época. 

O KGB começou a investigar as circunstâncias da «violação da fronteira» pelo Boeing. O navegador testemunhou durante os interrogatórios que o avião saiu da rota porque seu equipamento de navegação falhou sobre o polo magnético da Terra. O piloto automático estava recebendo dados incorretos, causando uma curva para o sul. Afinal, para onde quer que vire a partir do Polo Norte, sempre estará virando ao sul. Devido a um erro do sistema, o seu «sul» indicava o norte soviético. Os agentes de KGB ficaram incrédulos e, após inspecionarem a aeronave, suas suspeitas foram «confirmadas».

No cabine de comandante, o KGB encontrou um rádio de emergência de reserva, as pistolas dos pilotos e uma revista «Newsweek» com um tanque na capa. Tudo isso, de acordo com a KGB, demonstrava «irrefutavelmente» a disposição da tripulação em arriscar a vida dos passageiros para obter segredos militares soviéticos. A versão final foi a seguinte: uma aeronave de reconhecimento, disfarçada de avião comercial civil com cem passageiros a bordo, violou o espaço aéreo soviético com intenções claramente hostis, mas foi forçada a pousar pacificamente no gelo de abril usando um caça Su-15 e um míssil ar-ar. Isso justificou a ordem do comando de aviação para abater a aeronave civil. Os chekistas também ficaram satisfeitos com isso: eles consideraram que «frustraram» um «ato de espionagem». Enquanto isso, o piloto sul-coreano reescreveu as suas notas explicativas por cinco vezes; primeiro, o departamento político as confiscou e, em seguida, o obrigou a reescrevê-las novamente.

Nenhuma aeronave de reconhecimento se comportaria dessa maneira a menos que fosse suicida, especialmente com passageiros a bordo. O Boeing não carregava nenhum equipamento de reconhecimento. Os operativos do KGB vascularam Boeing minuciosamente, mas não encontraram nada além de perfumes e conhaque francês. Esse tipo de aeronave tinha um defeito no seu sistema de navegação. Todas as aeronaves e aeródromos operam um canal internacional de radiogoniometria, que transmite um sinal de SOS em caso de emergência. O «Mayday» nas comunicações por radiotelefonia, e o Boeing enviou esse sinal quando percebeu que havia se desviado da rota oficial.

Os militares soviéticos acabaram por desmontar o interior do Boeing sul-coreano, carregando tudo o que for possível arrancar: principalmente a loiça, refrscos, sumos e bebidas alcoólicas, objetos da loja duty-free. Aparentemente, a bagagem de passageiros ficou salva do saque. Os soviéticos roubaram «apenas» uma câmera de vídeo, que nunca mais foi encontrada.

Em 30 de abril de 1978, os pilotos foram libertados. O jornal «Pravda» escreveu que eles «se arrependeram» e foram perdoados pela liderança soviética. O «New York Times» citou os próprios pilotos dizendo que não se arrependeram de nada, não pediram nenhum perdão e continuaram a afirmar que não fizeram nada de mal e que apenas o sistema de navegação havia falhado.

Logo após o incidente com o Boeing, piloto Alexander Bosov foi transferido para o Extremo Oriente soviético, um procedimento padrão, que, em teoria, deveria garantir ficaria de boca calada e que não falasse «em demasia» sobre aquilo que tinha acontecido. Em setembro de 1983, um outro Boeing coreano se desviou da rota sobre Kamchatka e entrou no espaço aéreo soviético. Ele também estava a caminho de Seul via Anchorage, desta vez vindo de Nova York. Caças de bases aéreas no Extremo Oriente foram acionados para interceptá-lo. Entre os pilotos prontos para receber a ordem de destruir o Boeing estava, então, o capitão Bosov. Ele deveria dar apoio ao piloto líder. Mas o piloto líder conseguiu abater o Boeing primeiro.

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Dessa feita, o Boeing-747 sul-coreano, voo KAL007, que seguia de Nova Iorque ao Seul caiu sobre o Mar de Okhotsk, ao sudoeste da Ilha de Sacalina, todas as 269 pessoas ao bordo (23 tripulantes e 246 passageiros), morreram...

sexta-feira, abril 10, 2026

Presidente Trump arrasa e humilha os blogueiros do MAGA

Imagem meramente ilustrativa
Presidente Trump atacou Tucker Carlson e outros blogueiros do MAGA que o apoiaram, mobilizando o seu eleitorado. Chamou-os de tolos, psicopatas, falhados, estúpidos, traidores e arruaceiros, e depois expulsou-os, simbolicamente, do MAGA. 

Eu sei porque é que o Tucker Carlson, a Megyn Kelly, a Candace Owens e o Alex Jones me atacam há anos, sobretudo porque acham extraordinário que o Irão — o Principal Patrocinador Estatal do Terrorismo — tenha armas nucleares — é que têm uma coisa em comum: o QI baixo. São pessoas estúpidas, sabem disso, as suas famílias sabem disso e toda a gente também sabe! Olhem para o passado deles, olhem para os seus históricos. Não têm o que é preciso, e nunca tiveram! Todos foram expulsos da TV, perderam os seus programas e nem sequer são convidados para outros programas porque ninguém se importa. São LOUCOS, ESCANDALISTAS e dizem qualquer coisa por publicidade «gratuita» e barata.

Agora pensam que estão a conseguir «curtidas» com os seus podcasts de terceira categoria, mas ninguém fala deles, e as suas opiniões são diametralmente opostas às do MAGA — caso contrário, não teria ganho as eleições presidenciais por uma margem ENORME. O MAGA concorda comigo e acabou de dar à CNN uma aprovação a 100% para «TRUMP», não para idiotas que gesticulam como Tucker Carlson, que nem sequer terminou a faculdade, estava devastado quando foi despedido da Fox e não é o mesmo desde então — talvez devesse consultar um bom psiquiatra! 

Ou Megyn Kelly, que me fez a já famosa pergunta «Só Rosie O'Donnell», ou a «maluca» Candace Owens, que acusa a estimada Primeira-Dama de França de ser um homem quando não o é, e espero que [Primeira-Dama de França] ganhe muito dinheiro no processo em curso. Na verdade, para mim, a primeira-dama de França é uma mulher muito mais bonita do que Candace — aliás, nem se compara! 

Ou o falido Alex Jones, que diz as coisas mais estúpidas e, como seria de esperar, perdeu toda a sua fortuna pelo seu horrível ataque às famílias das vítimas do massacre de Sandy Hook, alegando ridiculamente que tudo não passou de uma farsa. Esses tais «especialistas» são PERDEDORES, e sempre o serão! 

Agora, a CNN, a «Fake News», o decadente New York Times e todas as outras organizações de «notícias» da esquerda radical estão a «elogiar» estes veículos e a dar-lhes cobertura «positiva» pela primeira vez na vida. Não são «MAGA», são uns falhados a tentar agarrar-se ao MAGA. 

Como presidente, poderia conquistá-los a qualquer momento, mas quando eles ligam, não atendo porque estou demasiado ocupado com assuntos nacionais e internacionais, e depois de algumas chamadas, eles ficam «zangados», tal como a Marjorie «Traidora» Brown, mas eu já não me importo — só me importo de fazer o que é certo para o nosso país. 

... e na rússia 

Um processo semelhante, embora não igual, decorre na rússia, onde muito recentemente, um famoso propagandista russo, Viktor Olevich, presença assídua em programas propagandistas nos canais federais russos, conhecido pela sua voz geralmente mais eloquente e por vezes à questionar a vitória de putin na guerra contra Ucrânia, anunciou publicamente que teve de fugir da rússia devido à perseguição do FSB. 

O propagandista Olevich na TV estatal russa

Olevich era convidado regularmente para programas propagandistas russos; nunca se opôs à guerra contra Ucrânia e, na verdade, apoiava-a sempre. Única «falha» dele: aparentemente nunca defendeu o lançamento de bombas nucleares contra Ucrânia. Mas agora, na rússia, até esta posição pode ser motivo de perseguição judicial. 

O grito de socorro do Olevich em russo e inglês

Descobriu-se que Olevich é cidadão norte-americano. Agora, claro, ele lembrou-se da existência do seu passaporte americano. 

Trinta e cinco anos após a queda da União Soviética, a única grande diferença entre os EUA e a rússia está, na descrição de uma anedota da época de Guerra Fria: «Qualquer um pode livremente gritar em Washington em frente da Casa Branca: ´abaixo o presidente americano!´ Tal como qualquer um pode livremente gritar na Praça Vermelha em Moscovo: ´abaixo o presidente americano!´