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quarta-feira, junho 17, 2020

Ucrânia e os cossacos ucranianos na TV turca TRT

A TV turca TRT realizou um filme histórico-documental, dedicado às artes bélicas dos cossacos ucranianos, que despertou bastante interesse entre o público turco. As filmagens decorreram na cidade ucraniana de Zaporizhia e na ilha de Khortytsia.

O embaixador da Ucrânia na Turquia, Andrij Sybiha, conta que os cineastas estavam completamente imersos na vida local, treinando e vivendo de acordo com os costumes cossacos.
Faça click para ver o filme
O mesmo grupo preparou o vídeo promocional da Ucrânia, dirigido especialmente ao público turco, chamado Ukrayna Bizleri Bekliyor (Ucrânia está esperando por nós):
Blogueiro: no passado histórico os cossacos ucranianos quer guerreavam os turcos, quer faziam acordos tácticos com eles, a famosa Roxelana (Roksolana de Rohatyn) foi a esposa e mãe de alguns sultões da Turquia. O filme mostra que Turquia e os turcos conseguem superar as traumas históricas e olham Ucrânia sem preconceitos coloniais.

sexta-feira, novembro 22, 2019

Ucrânia celebra o Dia da Dignidade e da Liberdade

Anualmente, em 21 de novembro, Ucrânia comemora o Dia da Dignidade e da Liberdade em homenagem ao início deste dia de duas revoluções: a Revolução Laranja (2004) e a Revolução da Dignidade (2013-14).
O feriado é estabelecido com o objetivo de afirmar na Ucrânia os ideais de liberdade e democracia, preservando e comunicando às gerações atuais e futuras informações objetivas sobre eventos fatídicos na Ucrânia no início do século XXI, bem como prestando homenagem ao patriotismo e coragem dos cidadãos que no outono de 2004 e de novembro de 2013 à fevereiro de 2014, defenderam os valores democráticos, direitos e liberdades do homem e do cidadão, os interesses nacionais do nosso país e sua escolha europeia.
Este feriado é o sucessor do Dia da Liberdade, comemorado de 2005 à 2011 em 22 de novembro em homenagem à Revolução Laranja. Mais sobre os eventos de 2004, 2013-2014 podem ser encontrados nos filmes “Made in Ucrânia” (2004), dirigido pelo Guto Pashko e “Winter on Fire: A luta pela liberdade da Ucrânia” (2015), dirigido pelo Eugene Afineevsky, que pode ser visto na Netflix Brasil.
O Dia da Dignidade e da Liberdade é especial para Ucrânia porque testemunha o cumprimento dos requisitos básicos do Euromaydan: o Acordo de Associação com a União Europeia entrou em vigor; o regime de isenção de vistos para viagens aos países da União Europeia começou a operar; educação e outras reformas foram adotadas. Essas conquistas provam que Ucrânia está caminhando no caminho certo ao desenvolvimento. Essas conquistas testemunham que os heróis da Centena Celestial não deram as suas vidas em vão, mas pela glória, liberdade e dignidade da Ucrânia.

sábado, outubro 26, 2019

«Nord-Ost. 17 anos»: o filme sobre a tomada de reféns em Moscovo

No dia 23 de outubro de 2002 um grupo de militantes chechenos tomou de assalto o teatro em Moscovo e por 3 dias manteve lá 916 reféns. No decorrer do assalto governamental que se seguiu morreram entre 130 à 174 reféns e todos os militantes.

Conta a realizadora russa Katernina Gordeeva, diretora deste filme documental (versão curta):

Paradoxalmente até hoje pouco se sabe sobre este ato. Não se percebe como os militantes chegaram ao centro de Moscovo à 5 km do Kremlin carregados de armas e explosivos. Não se sabe a composição do gás usado no assalto governamental, etc.

«Nord-Ost» foi o primeiro musical russo [à americana] com orçamento de 4 milhões de dólares, avião no palco, 100 atores, uma orquestra ao vivo e uma popularidade acima de média entre os espectadores.

Depois da tomada de reféns tudo mudou. Havia mulheres jihadistas que deixavam pessoas ir à casa de banho, outras – não. Havia moças reféns que se maquilhavam, havia pessoas comiam o sorvete (no teatro existia a máquina do sorvete), uns comiam apenas o pão ou um bocado do chocolate, outros não comiam nada.

Havia pessoas que esperavam a salvação, outros não esperavam nada e achavam que não sairiam de lá vivos. Estes últimos realmente não se salvaram...

No filme é entrevistado o jornalista Marco Franchetti que falou com os líderes dos militantes, Movsar Barayev e “Abu Bakar” [a sua identidade até hoje oficialmente é desconhecida]. Também conta a história do Zaurbeck Talkhigov, o checheno moscovita que veio ao teatro para trocar a si próprio pela libertação dos reféns. Ele participou ativamente nas negociações com os militantes, pois era único, da parte russa, que falava checheno. Nas vésperas do assalto governamental foi detido, acusado de colaborar com os terroristas e passou 8,5 anos na cadeia, onde foi contaminado pelo hepatite e diabete. Foi considerado pela ONG russa “Memorial” como prisioneiro político. Não sabe qual foi a sua culpa e qual foi a razão do tratamento que recebeu das autoridades russas.  

O filme fala com os homens que participaram no assalto governamental. Eles acham que assalto era única opção viável e contam que tinham o antídoto [contra o gás usado no assalto] e as instruções do seu uso.

O assalto governamental começou às 5h00 do dia 26 de outubro de 2002. Às 6h40 a operação acabou. Junto ao teatro estavam estacionadas 30-40 ambulâncias, que podiam salvar no máximo 40 pessoas. Os operativos do grupo «Alfa» contam que tinham 5 antidotes cada um. No momento do assalto no teatro estavam cerca de 800 reféns, significa que para salvar todos, o grupo de assalto deveria contar com mais de 150 elementos. Os operativos da “Alfa” sabiam do uso do gás, mas não estavam preparados como paramédicos. Os paramédicos nada sabiam sobre o uso do gás. Em resultado, os militantes foram abatidos e vários reféns mortos.

17 anos depois. A refém Lília Dudkina estava grávida, em fevereiro de 2003 deu luz à uma filha com encefalopatia tóxica e paralisia cerebral. A menina não é considerada como vítima do terrorismo e não recebe ajuda do estado russo que custa anualmente o equivalente aos cerca de 62.548 dólares americanos...

Ler a versão completa em russo.

sexta-feira, outubro 18, 2019

Filme dedicado aos ucraniano-brasileiros já faz história em festivais do Brasil

O filme da realizadora brasileira Andréia Kaláboa, “Parabéns a Você”, retrata a vida das colónias ucraniano-brasileiras da década de 1980 e será exibido em três festivais do Brasil, entre eles de Santa Maria (RS) e Santos (SP), escreve Tribuna Paraná.  

O curta-metragem é baseado na história real da cineasta e contou com a produção da produtora curitibana GP7 Cinema, a mesma da série Contracapa. A produção foi gravada nas colónias rurais de imigrantes ucranianos de Barra D’Areia, Ponte Nova, Taboãozinho e Manduri no município de Prudentópolis, cidade natal de Andréia e do produtor Guto Pasko, dono da GP7.
Cena do filme 'Parabéns a Você'. Foto: Divulgação/GP7 Cinema
O filme se passa em 1988, época em que o país vivia uma grande crise económica, e conta a história de Yulia, uma menina de sete anos,nascida em uma família humilde de agricultores,que sonha em ganhar uma festa de aniversário, porém, as dificuldades financeiras dos pais podem estragar o desejo da garota:
Parabéns a Você é um fantástico curta-metragem que utiliza o contexto histórico revelando as dificuldades reais de uma classe [e de uma etnia] que enfrentou problemas para crescer economicamente, além de preservar a cultura de um povo que escolheu o Brasil como moradia.

Encanta pela fotografia e cenários bucólicos,que trazem a geografia característica da paisagem paranaense como palco principal. A delicadeza no roteiro e a su(b)til interpretação dos atores também se destacam no filme.
Cena do filme 'Parabéns a Você'. Foto: Divulgação/GP7 Cinema
Ainda sem data de estreia em Curitiba [e no resto do Brasil e Ucrânia], Parabéns a Você se destaca por trazer uma ótima história do povo paranaense.

sexta-feira, setembro 20, 2019

Israelitas fazem o primeiro filme em hebraico sobre Holodomor ucraniano

“Com este filme, quero quebrar o silêncio em Israel sobre Holodomor”, disse o ator, diretor e produtor israelita/israelense Dim Amor numa entrevista ao Ukrainian Jewish Encounter.

por: Shimon Briman (em Israel)

O filme está sendo filmado às custas próprias da “Academia de Artes Cénicas” – uma escola particular de Dim Amor de preparação de atores. Os seis principais atores (Alina Rubin, Tanya Tal Makhin, Ruslan Vilnitsky e outros) são cidadãos israelitas/israelenses, alguns dos quais nasceram na Ucrânia. O hebraico será o idioma do filme, também serão produzidas as legendas de outros idiomas. O guião também foi escrito em hebraico.

As filmagens de inverno ocorrerão em dezembro de 2019 na vila de Dukhanivka, no distrito de Konotop, na região de Sumy – no local foram encontradas casas autênticas com telhados de palha. Uma empresa ucraniana parceira fornecerá adereços e automóveis da década de 1930, além de artistas locais como extras.

A área de Sumy é a região nativa do criador deste filme, Dmytro Shatokhin. Dmytro, que foi chamado de “Dim-Dim” na sua família, nasceu em Konotop em 1984, estudou numa escola ucraniana local e se repatriou ao Israel aos dezassete anos. Em 2003-2006, ele serviu nas Forças de Defesa de Israel (IDF) na divisão de combate Givati. Após o serviço militar, o jovem estudou nas escolas de arte cénica de Yoram Levinstein e de Yuval Karmi. Ele adotou o pseudónimo Dim Amor, no qual seu sobrenome profissional escolhido é “Roma”, a sua cidade preferida, soletrada de trás para frente.

Em 2016-2019, um grupo de jovens artistas israelitas/israelenses da “Academia de Artes Cénicas” de Dima Amor passou por ensaios de teatro em Kyiv. Uma nova viagem que oferece um estágio profissional para israelitas/israelenses na Universidade Nacional de Cultura e Artes de Kyiv ocorrerá em fevereiro de 2020.
Jovens artistas israelitas/israelenses durante o ensaio de teatro em Kyiv
O filme será chamado de “Fome”. O enredo contará a história de uma família – a mãe com seis filhos e os horrores da fome que caem sobre eles.

É interessante notar que imediatamente após o anúncio do início das filmagens o diretor recebeu mensagens dos institutos de teatro de Moscovo e de São Petersburgo sobre o fim de todo tipo de cooperação com a sua Academia. Muitas figuras teatrais russas o removeram dos seus amigos na rede social do Facebook.
A jornalista judia que alertou o mundo do Holodomor na Ucrânia
Dim Amor espera que o filme seja exibido em 2020, e não apenas nos cinemas israelitas/israelenses e no festivais de cinema. O jovem diretor enfatizou: “Eu realmente quero que o filme seja exibido no Knesset. Espero que nosso filme seja capaz de influenciar a posição dos parlamentares israelitas/israelenses na questão de reconhecer Holodomor [ucraniano] como genocídio”.

Ler mais em inglês ou ucraniano.

quarta-feira, agosto 28, 2019

Projeto Ukraïner: Ucrânia vista à partir do céu

O projeto ucraniano Ukrainer.net durante 3 anos (!) viajou pela Ucrânia e produziu um vídeo de 35 minutos onde mostra todas as regiões ucranianas à partir do céu:
Saber mais e até apoiar o projeto: https://ukrainer.net/donate

domingo, julho 14, 2019

Crimes soviéticos: a deportação dos boykos ao Donbas

Em 1951 mais de 10.000 boykos foram deportados da região de Drohobych para Donbas, atual região de Donetsk. Aconteceu na sequência da troca de populações e dos territórios entre URSS e Polónia comunista.
O processo de deslocalização forçada e começo da vida em um novo lugar foi muito difícil. Foi difícil deixar suas casas, nas quais os boykos viveram por séculos. Na região de Donetsk os boykos foram reassentados de forma compacta nos distritos de Olexandrivskiy e Bahmutskiy, na aldeia durante Novohryhorivka nos arredores de Druzhkivka. Agora muitos deles, especialmente os seus filhos que nasceram já depois da deslocalização, vivem nas cidades de Kramatorsk e Slovyansk.

Os deportados levados para o leste da Ucrânia se distinguiam dos locais pela sua fala regional e por outras características culturais. Por causa disso, às vezes havia atrito entre eles. Por exemplo, muitos dos heróis do filme lembram-se de serem chamados de “banderas” (nome genérico russo dado aos ucranianos vistos como patriotas da Ucrânia, e não necessariamente aos seguidores do líder da OUN-R, Stepan Bandera).
No filme aparecem os boykos que sobreviveram à deportação em 1951 e agora vivem na região de Donetsk. No momento do reassentamento eles tinham de 5 à 25 anos de idade. Foi perguntado à eles o que se lembravam da sua vida na Ucrânia Ocidental, sobre o processo de reassentamento e como eles viviam em um novo lugar, e se eles gostariam de um dia voltar para casa.

Ver o filme “Uzhe ne vernemos” (Já não voltaremos) no YouTube:

1ª parte (23'34''):

2ª parte (20'48''):

sábado, julho 06, 2019

Sionismo cristão ucraniano: os “barbudos” da família Semenyuk

Na região ucraniana de Odessa vive uma das maiores famílias do mundo – cerca de 400 familiares diretos com apelido/sobrenome Semenyuk. São seguidores do sionismo cristão, a fé religiosa que cresceu na Ucrânia Ocidental na década de 1930 e se abrigou das repressões e perseguições comunistas na costa ucraniana do Mar Negro.

Na Ucrânia a comunidade vive na aldeia de Dobroslav na região de Odessa e além dos cerca de 400 familiares diretos (todos eles Semenyuk), é composta por outros 700 membros com apelidos/sobrenomes de Marchuk, Dzyubuk, Laschuk, Kovalchuk ou Bondarenko. Homens usam a barba que não podem cortar, as mulheres cobrem os cabelos com o lenço. A fé começou no início da década de 1930 na região ucraniana de Rivne (na altura ocupada pela 2ª republica polaca/polonesa), hoje, Semenyuk já ocupam 5 ruas inteiras em Dobroslav.

No dia 5 de julho o canal de entretenimento alemão Pro7 dedicou-lhes a reportagem extensa do seu popular programa Galileo (neste momento os alemães ainda não colocaram o programa na Internet, por isso, e graças ao Roman Dzyuba, usamos o programa da TV Current Time de 2018):
O líder da comunidade é Pavló Semenyuk de 89 anos, ele tem 13 filhos, cerca de 212 bisnetos e 2 trinetos (o “pastor”, como é conhecido, ainda se consegue lembrar dos nomes de todos os seus 65 netos casados). 
O líder da comunidade, ancião Pavló Semenyuk, 2018
Os Semenyuk são seguidores do pastor pentecostal Ivan Murashko (1891), e se chamam de muraszkowcy, outros os chamam de “barbudos”.
O profeta Ivan Murashko, década de 1930
A família respeita e usa a língua ucraniana, segue a Sagrada Escritura, não aceita cruzes, imagens e ícones, têm casas muito limpas, aprumadas e grandes, com acabamentos modernos, construídas por uma empresa construtora composta por parentes Semenyuk. Todos possuem o seu próprio celeiro (as vacas e aves só podem ser abatidas de uma maneira especial que não deixa cair sangue na carne colhida, a família não consome a carne de porco e a sangue de animais e não compra a carne, embora aceitando comprar peixe, mas somente aquele que têm escama). Todo mês a família aumenta em 2 a 3 crianças, ou seja, cada ano, na escola local é formada uma turma inteira dos Semenyuk ou parentes próximos. A comunidade não impõe as suas crenças religiosas a ninguém, ou seja, não é uma seita.
Os muraszkowcy na construção de Nova Jerusalem, década de 1930 | ltraditionalist.livejournal.com
As crianças não vão para creche (por causa das regras rígidas de alimentação), mas estudam na escola até a 9ª classe (na escola local estudam 846 crianças, cerca de 1/3 são jovens sionistas cristãos), à partir de 15-16 anos de idade começam à trabalhar. Geralmente na construção civil. Cobram caro, mas garantem uma impressionante velocidade e qualidade das obras.

Na comunidade se casam praticamente só entre os da sua fé, os divórcios são proibidos, assim como quaisquer métodos contraceptivos. Por isso, as famílias são numerosas, como diz um dos filhos do “pastor”, tudo acontece de acordo com a vontade de Deus.  

Realmente, Ucrânia é um pequeno grande universo que merece todo o nosso apreço e estudo!

sábado, junho 29, 2019

O retrato triste mas fiel de um típico homem soviético

O visual do típico cidadão soviético das décadas de 1960-90 era simplesmente inconfundível. Principalmente nos homens: os fatos/ternos permanentemente amarrotados e mal feitos, dentes maus/ruins e ausência de um bom penteado.

Com apenas um reparo, na verdade, muitos cidadãos da URSS queriam ter uma outra vida melhor e após a queda da União Soviética começaram à viver de forma absolutamente diferente — se dedicar aos negócios, trabalhar para si mesmo, ganhar dinheiro, etc. Assim, o seu visual mudou radicalmente – eles começaram se vestir decentemente, arranjaram os dentes, seguiam as dietas e melhoraram a figura.
Ator britânico Jared Harris no papel do académico soviético Leonid Legasov
Na recente série sensacional “Chernobyl”, os atores britânicos e americanos conseguiram reencarnar, com a maior precisão possível, os cidadãos soviéticos. Os maquilhadores, figurinistas e produtores fizeram um trabalho incrível – reproduzindo os moradores da URSS de maneira absolutamente fidedigna.

1. Má figura e má pele

Os cidadãos soviéticos, em massa, não tinham nem o tempo, nem a motivação, nem as instalações para se dedicar ao desporto de forma a manter a sua saúde (alguns entusiastas claramente eram apenas a excepção da regra geral).
Uma cervejaria soviética sob o teto
Em segundo lugar (mas talvez é à razão principal), a má figura soviética era o fruto de uso, durante décadas, de alimentos de má qualidade – a boa carne ou frutos do mar eram um deficit terrível na URSS, a dieta soviética tinha pouquíssimos legumes frescos e um excesso de carboidratos: cereais, batatas e massas. Por isso, na idade de 35-40 anos, a figura de um homem soviético médio adquiria uma silhueta reconhecível – a barriga inchada, que se destacava ainda mais por causa de uma forte lordose lombar (por falta de exercícios físicos), e na parte superior do corpo havia ombros estreitos e braços magros.

Adicionando à isso a má aparência, a pele cor de cinza amarelado ou cinza “cor-da-terra” e má pele. Na URSS a maioria absoluta de homens e um número considerável de mulheres fumavam, naturalmente os cigarros soviéticos desagradáveis ​​com tabaco extremamente prejudicial, com uma grande percentagem de substâncias carcinógenos e alcatrão. Além disso, o tabaco soviético era cultivado e secado com a ajuda de agro-químicos, que ingeridos com o fumo também não aumentavam a saúde dos fumadores. Acrescente a isso o trabalho prejudicial à saúde e pesado nas fábricas soviéticas – e você entenderá por que as pessoas tinham toda essa aparência.

Dentes maus/ruins 
A venda da "boa carne" soviética em algum mercado kolkhoziano
Na URSS os alimentos e a situação ecológica geral eram bastante más/ruins, mas a odontologia era REALMENTE péssima. Por causa da má qualidade nutricional e da ecologia pobre, os cidadãos médios começavam à perder os dentes aos 35-40 anos, ou mesmo antes – e a ausência de odontologia de qualidade apenas reforçava este estado de coisas. URSS fabricava os mísseis e foguetes, mas não conseguia fabricar uma prótese dental ou uma pasta dentífrica em condições.
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Até a década de 1990, a URSS produzia e comercializava o “pó dentífrico” – um abrasivo que gastava os dentes quase até a raiz, razão pela qual os dentes mais ou menos saudáveis ​​se transformaram numa espécie de presas cinzentas. Mesmo as estrelas de cinema soviético – cuja aparência era o seu ganha-pão – raramente tinham bons dentes, e quase em todos os filmes soviéticos o povo sorria ao estilo “cú de frango”, timidamente escondendo os dentes estragados.
Ao mesmo tempo, a propaganda soviética ridicularizava, por todos os meios, o modo de vida e os sorrisos saudáveis dos americanos – “eles estão sorrindo com todos os dentes, provavelmente não são pessoas, mas robôs!” (o conto soviético Secretário Capaz de 1959).

Má roupa, mau calçado e maus acessórios

As roupas soviéticas comuns eram uma merda, pareciam uma merda e eram feitas dos materiais mais ruins e baratos. Os fatos/ternos masculinos eram castanhos/marrom-acinzentados e pareciam algum tipo de roupa de trabalho, os fatos/ternos femininos também não eram melhores. Tudo era feito de tecidos pesados ​​de lã com a adição de materiais sintéticos – eram simplesmente insuportáveis.
A compra de leite ou de kvas ao céu aberto
As mulheres tentavam costurar algo, usando tecidos mais ou menos decentes, partilhando e trocando os padrões de costura que valiam seu peso em ouro. Um bom paletó só podia ser encomendado no ateliê e custava desde 150 rublos (desde 2 salários mínimos ou um médio, desde 254 dólares ao câmbio oficial). Roupas bonitas começaram a aparecer apenas no fim da década de 1980 – quase no fim da URSS.

O calçado soviético deixava entrar água, era feio e custava caro – as botas femininas minimamente atraentes custavam desde 80 rublos. O sonho do homem soviético era “conseguir” sapatilhas/tênis checoslovacos “Botas” ou sapatos Salamander produzidos na RDA. A URSS era simplesmente era incapaz de produzir o calçado decente.

Mas o verdadeiro horror eram os acessórios. Basta recordar os horríveis óculos soviéticos “à Chikatilo”, pesados, eles pressionavam fortemente o nariz e cobriam metade do rosto – transformando até mesmo um homem bonito numa aberração com dois “televisores” na face.

Desarrumação geral

Além disso, existia nos cidadãos uma certa desarrumação geral – no “país dos sovietes”, ter uma boa aparência considerava-se um “mau tom”, uma espécie de desafio público ao Estado dos operários e camponeses, o cidadão soviético médio procurava se parecer bastante cinzento – para não ser considerado um stilyaga.
Uma cervejaria soviética ao céu aberto
No cinema soviético, até a época da Perestroika, uma personagem de boa aparência e de boas maneiras sempre era um herói negativo – e/snobe, arrogante, tentando de todas as maneiras romper com o “coletivo” e fugir ao seu honroso dever de construir o comunismo. Ainda na década de 1970-80 as patrulhas da juventude comunista Komsomol, podiam cortar, à força, os cabelos “demasiadamente cumpridos” dos rapazes ou rasgar/estragar as suas roupas se as considerar “indecentes”. 
Stilyagi na URSS, última foto é de 1984
As meninas podiam ser e eram fortemente criticadas nas reuniões do Komsomol pela sua “aparência imprópria burguesa” [as roupas elegantes e bonitas, corte de cabelo “demasiadamente ocidental”, unhas bem cuidadas e pintadas]. Ao contrário, os tipos bêbados e desleixados eram considerados algo como “proletários” e da “classe trabalhadora”.

O país da legítima infelicidade. Em jeito de epílogo.

Ao tudo o que foi descrito acima, é necessário acrescentar a humildade e opressão geral – o cidadão soviético médio sempre teve medo dos chefes e diretores, tentava, de todas as maneiras possíveis e imaginárias, ser indistinguível da multidão. O fato/terno amassado e mal ajustado acinzentado, uma camisa ligeiramente amarfanhada e amarelada, devido às numerosas lavagens, um cinto de cabedal/couro gasto, o relógio com uma pulseira oxidada, óculos de aro de tartaruga, sapatos gastos e empoeirados.

Essa aparência de cidadãos soviéticos foi ditada, em primeiro lugar, pelo baixo padrão de vida real na URSS e, em segundo lugar, pela memória genética das repressões estalinistas – quando Estado matou todos os melhores e mais brilhantes. Não se destaque, seja mais cinzento possível, tente ser invisível aos olhos das autoridades, não expresse a sua opinião, não sorria, tente parecer infeliz – e então o Estado não te tocará...

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

terça-feira, junho 25, 2019

A história real dos três mergulhadores de Chornobyl

A entrada dos três “mergulhadores suicidas” na cave alagada e radioativa do 4º reator de Chornobyl foi um dos momentos mais brilhantes e tensos da série “Chernobyl”. A operação realmente ocorreu em maio de 1986, embora de forma menos dramática.

O serviço ucraniano da BBC falou com um dos verdadeiros participantes daquele evento – Oleksiy Ananenko, ex-engenheiro-mecânico sénior da unidade de reatores da estação/usina nuclear de Chornobyl.

“Os suicidas”

No segundo episódio da série “Chernobyl”, académico Valery Legasov explica ao Mikhail Gorbachev o perigo de uma nova explosão na estação/usina, caso a “lava” do reator destruído chegar à piscina debaixo do mesmo. Se isso acontecer, poderá se dar uma nova explosão que lançara a radiação que cobrirá a metade do continente europeu.
“Solicitamos a sua permissão matar três pessoas”, – diz Valery Legasov e recebe a permissão do Secretário-geral do PCUS e líder soviético.

“Os voluntários”

Oleksiy Ananenko de 59 anos conta que na realidade nem sequer se perguntaram pelos voluntários, ele estava trabalhando na estação, quando recebeu o telefonema com a descrição da tarefa para cumprir (recordações não lhe são muito fáceis, em 2017 ele sofreu um acidente – foi atropelado por uma caro, passou 36 dias em coma induzido).
Ator que interpreta Oleksiy Ananenko na série
A tese dos voluntários foi inventada pelos jornalistas do jornal soviético “Trud” (Trabalho), que em 16 de maio de 1986 publicou no artigo chamado “Chornobyl: endereço da coragem” a seguinte passagem: “Eles se voluntariaram – o chefe do turno da estação/usina nuclear de Chornobyl B. Baranov, o engenheiro sénior da unidade de turbinas № 2 V. Bespalov e o engenheiro-mecânico sénior da unidade do reator № 2 O. Ananenko”.
Oleksiy Ananenko real na década de 1980, o seu bigode foi cortado após
acidente de Chornobyl para não capturar a radiação
Depois, a mesma tese foi copiada por outros jornais soviéticos.

Na realidade, a tarefa foi formulada pela comissão estatal – temia-se que o contato da “lava” do reator explodido com água poderá levar à segunda explosão de Chornobyl (a hipótese defendida pelo académico belaruso Vassili Nesterenko – protótipo da personagem Ulyana Khomyuk/atriz Emily Watson).
O artigo da imprensa soviética chamado “Rapazes heróicos”, baseado no texto
inicial do jornal soviético “Trud” de 16/05/1986
Para que isso não aconteça, era necessário drenar água das piscinas debaixo do 4º reator. Algo que podia ser feito apenas manualmente, numa cave alagada, três metros abaixo da superfície da estação. A missão calhou ao Baranov, Bespalov e Ananenko simplesmente porque era o seu turno laboral. Uma pessoa de fora dificilmente encontraria as escotilhas. Não foi lhes oferecida absolutamente nenhuma recompensa (na série se fala sobre o prémio de 400 rublos (equivalentes aos 678 dólares ao câmbio oficial) e uma subida na carreira).

Descida

Alguns anos atrás, Oleksiy Ananenko contou detalhadamente sobre a sua descida debaixo do reator (texto pode ser lido em russo AQUI).

As memórias do Oleksiy Ananenko:

Para manipular as escotilhas 4GT-21 e 4GT-22 era necessário descer ao corredor “zero zero um”, alagado por água radioativa. [...] O fator de risco foi a irradiação da água, uma vez que ninguém sabia como sua atividade mudaria pelo caminho ao longo do corredor, e, portanto, era impossível prever a magnitude da dose [da radiação que será] recebida”.
Reservatórios com água localizados imediatamente sob o reator (no esquema do Relatório do Grupo Consultivo Internacional sobre Segurança Nuclear são referidos como "capacitores do sistema de localização de acidentes"). Os mergulhadores de Chornobyl abriram as escotilhas num dos corredores próximos, o que permitiu o bombeamento de água fora dessas bacias.
Oleksiy Ananenko pediu que lhes sejam fornecidos os fatos de mergulho – para se proteger minimalmente contra água radioativa. Embora os fatos não tapavam os seus rostos, como na série, na realidade os mergulhadores usaram apenas as máscaras respiratórias soviéticas das mais primitivas, do tipo Lepestok
Máscaras da série "Chornobyl"
Essa foto é geralmente usada na Internet para ilustrar a história dos mergulhadores de Chornobyl. Na verdade, não são eles. No entanto, os mergulhadores usaram as máscaras semelhantes. Oleksiy Ananenko não sabe se eles foram fotografados ou não. Nos jornais soviéticos não foram localizadas as fotografias reais dos três mergulhadores.
Este tipo de máscaras defende apenas contra poeira e aerossóis, e não dificulta a comunicação (mais um mito, criado pelo mesmo artigo do jornal “Trud”).
Antes da entrada na cave, série "Chernobyl"
Cada mergulhador recebeu dois dosímetros de ionização: um colocado ao peito, o outro – no tornozelo para medir a radiação da água.
Na série Ananenko, Baranov e Bespalov usam os fatos de mergulho com garrafas de oxigénio.
Na verdade, eles usaram os fatos de mergulho com simples máscaras respiratórias.
As memórias do Oleksiy Ananenko:

A operação em si foi rápida e sem complicações [...] O último medo – de que nas escotilhas não haveria volantes ou que estes ficassem enganchados – também não se materializou. Eles os abriram com relativa facilidade, a chave inglesa não foi necessária. [...] De acordo com o ruído característico da água que fluía da piscina, ficamos convencidos de que a tarefa foi cumprida e a piscina foi esvaziada”.

As memórias do Valery Bespalov:

Eu olhei através do ombro de Baranov nos indicadores do instrumento [dosímetro militar DP-5] – a escala do dispositivo foi ultrapassada em todas as sub-bandas. Então veio um comando curto: mover-se muito rápido!

Correndo pela área perigosa, eu não resisti, olhei para trás e vi um gigantesco cone preto de fragmentos de reator explodido misturado com o miolo de concreto, que caia pela abertura tecnológica da sala central.

Na boca surgiu o sabor familiar metálico do fluido de radiólise”.

Apesar disso, os mergulhadores conseguiram evitar a exposição séria à radiação: “Eu não me lembro que leituras tivemos naquela época, e isso significa que eles não eram muito más/ruins”, – conta Oleksiy Ananenko.
Na cave, série "Chernobyl"
Além disso ninguém lhes aplaudiu após o seu retorno da cave e eles não se sentiam como heróis: “era um trabalho normal [...] sentimo-nos como de costume”, – conclui ele.

“Estou vivo e isso me basta”

Os mergulhadores de Chornobyl não morreram da doença de radiação aguda (a série informa disso nos seus momentos finais) e continuaram à trabalhar em Chornobyl.
Oleksiy Ananenko no seu apartamento em Kyiv, 2019
Borys Baranov morreu de enfarte em 2005, mas Oleksiy Ananenko e Valeriy Bespalov vivem em Kyiv. Oleksiy Ananenko trabalhou em Chornobyl até 1989, depois se transferiu para uma outra organização, ligada à segurança da energia atómica. A União Soviética lhe concedeu a ordem civil “Distintivo de Honra, e em 2018, o Presidente da Ucrânia Petró Poroshenko concedeu-lhe a ordem “Pela Coragem” do III grau.
Ordem “Distintivo de Honra” (em cima) e ordem “Pela Coragem” (em baixo)
Em 2017 Oleksiy Ananenko foi atropelado em Kyiv por um carro, numa passagem de peões. Ficou 36 dias no coma induzido com trauma severo da cabeça e do pé. Conseguiu manter o seu emprego, embora não voltou à trabalhar: “É preciso ficar feliz que pelo menos estou vivo. Não morri antes – ainda bem. Eu vivo e vivo, isso já é o suficiente”, acrescenta o mergulhador de Chornobyl.
Oleksiy Ananenko com esposa Valentyna em Kyiv, 2019
Blogueiro: a série anglo-americana não apenas foi a mais fiel aos acontecimentos da tragédia de Chornobyl (usando, naturalmente, uma certa dramatização dos eventos, coisa própria à “sétima arte”). A série até suavizou a realidade soviética, apresentando-a mais light e até mais simpática, em vários aspetos, do que essa mesma realidade era no quotidiano das pessoas que viviam e sobreviviam na URSS...