As fotografias do fotógrafo e jornalista norte-americano James Abbe, que colaborou com as publicações americanas e europeias famosas como a Vogue, Vanity Fair, The London
Magazine, Vu e Berliner Illustrirte Zeitung. Mas Abbe interessa-nos sobretudo pelas suas fotografias, tiradas durante as suas duas viagens à URSS — em 1927 e 1932. Durante a segunda viagem, visitou Ucrânia,
em particular Kharkiv, a região de Donetsk e Dniprobud/DniproHES.
PROIBIDO. Fotografar filas é tabu, especialmente filas de comida. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
PROIBIDO. Os engenheiros estrangeiros convidados concordam que as mulheres trabalhadoras são muito mais eficientes e responsáveis do que os homens. Um fotojornalista que já fotografou os encantos dos fatos de banho de Hollywood encontrará aqui pouco apelo, mas muitos músculos. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
PROIBIDO. Mais uma foto que levou à detenção do vosso fotógrafo. Por quê? Porque retrata uma cena numa estação ferroviária/ferrovia. Observe os equipamentos modernos… Movimento intenso… Crianças bem comportadas e bem vestidas. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
Abbe descreveu as suas impressões da viagem no livro de memórias «I Photograph Russia», publicado em Nova Iorque em 1934. Contém muitas desmistificações
da propaganda soviética e sarcasmo dirigido à realidade soviética. Afinal, como jornalista atento e vigilante, rapidamente se apercebeu de uma realidade paralela que a União Soviética escondia
cuidadosamente dos olhos dos estrangeiros. Essa realidade era a fome, a pobreza, a injustiça e a mentira, em que todos os dias viviam milhões de cidadãos da URSS.
“Ouvi relatos de testemunhas oculares sobre cenas nas ruas de muitas aldeias ucranianas, onde as pessoas jaziam em valas, não eram nem embriagadas, nem à dormir, mas mortas
devido a fome. Mas a multidão nas ruas prestava menos atenção aos cadáveres do que daríamos a um hidrante da rua nos Estados Unidos”, escreveu Abbe nas suas memórias.
PROIBIDO. Lar, doce lar… Esta foto mostra as casas dos trabalhadores de Dniprostroy/DniproHES. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
Construção da Central Hidroelétrica de Dnipro. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
Enquanto o camponês [ucraniano] passa fome, o seu estimado hóspede estrangeiro vive muito bem... especialmente se assinou uma declaração jurada afirmando que não presenciou a fome em Donbas. AbbeArchive / https://www.jamesabbe.com
Oferecemos-vos uma seleção de fotos da vida na Ucrânia/URSS, captadas pela sua câmara.
O engenheiro sul-africano Jerry Berman veio na década de 1930 para a União Soviética em busca de trabalho. Em 1932-1933, ele se viu envolvido na construção
de uma ponte em Stanytsia Luhanska na região de Luhansk e tornou-se a testemunha ocular do Holodomor.
Em 16 de fevereiro de 1903, nasceu na Lituânia, numa família judaica, Jerry Berman, um engenheiro sul-africano que, no início da década de 1930, cegado pela propaganda soviética, veio para a União
Soviética em busca de trabalho. Em 1932-1933, ele se viu envolvido na construção de uma ponte em Stanytsia Luhanska e tornou-se testemunha ocular do Holodomor. Jerry correspondia-se ativamente com seus
parentes – irmãos, irmã e melhor amigo. Em suas cartas, ele descrevia em detalhes o que viu e não escondia sua decepção e indignação
com o «paraíso soviético».
“Não acreditem no paraíso aqui e não acreditem em uma única palavra daqueles belos discursos que vocês leem nos jornais que eu envio! – escreve Berman em 8 de fevereiro de 1933 em uma de suas cartas. – Deus! Se eu pudesse descrever as cenas noturnas que vi! Vocês ficariam arrepiados! Nenhum de vocês consegue imaginar uma enorme pilha de cascas de batata misturadas com lama, neve e areia, perto de um refeitório! Para imaginar isso, vocês teriam que tentar descrever a sujeira com um cheiro e aparência repugnantes, e é melhor eu poupá-los disso!
Mas imaginem os quatro trabalhadores nesta ponte, que eu vi agachados na escuridão da noite às 3h da manhã, remexendo nessa pilha em busca de pedaços de casca de
batata para «alimentar» suas esposas e filhos! Uma pessoa consegue alimentar a si mesma e sua família com 800 gramas de pão preto e nada mais!
Um cobrador de elétrico/bonde recebe 80 rublos por mês. Um carpinteiro, 150 rublos. Um especialista 140-80 rublos. Um operário, 100-120 rublos. Um vigia, 55 rublos, etc.
Ao mesmo tempo, meio quilo de manteiga custa 20 rublos, um pão, 25 rublos. Dá vontade de enlouquecer com tanta pobreza!
Acho que não dá para aguentar mais! Maldições que atingem a todos e se espalham por todos! Maldições e raiva! Vi um capataz dormindo, de pé
com uma vareta na mão, pálido como a morte, com os ossos expostos! Que olhos terríveis! A caldeira estava prestes a explodir! Não havia água na caldeira e uma catástrofe de proporções
gigantescas era inevitável!
As cartas de Jerry Berman sobreviveram milagrosamente e foram encontradas no sótão da casa da família de Alison Marshall, no Reino Unido. Em 2021, ela as doou ao Museu Nacional do Holodomor-Genocídio.
A história de Jerry Berman se tornou base da pintura «Cartas do Sótão», que será publicada em breve. Acompanhe nossas novidades!
Desenho de Anna Komar (da pintura «Cartas do Sótão»).
Biografia de Jerry Berman
1903 – Jerry Berman nasceu em Pikeliai, Lituânia.
1921 – Junto com sua mãe e irmã, mudou-se para a Cidade do Cabo (África do Sul) para morar com seus irmãos e pai.
1923 – Ingressou na Faculdade de Engenharia Civil da Universidade da Cidade do Cabo.
1932-1935 – Trabalhou na URSS, inclusive na Ucrânia.
Após trabalhar na URSS, retornou à África do Sul, onde trabalhou na construção de pontes e estradas até sua reforma7aposentadoria no final da década
de 1960.
Na década de 1940, casou-se e, em 1947, tiveram um filho, Peter.
1979 – Jerry faleceu na Cidade do Cabo.
Blogueiro: é de notar, que na história existiu um outro engenheiro sul-africano, Robert Sassone, que vivia a trabalhava na União Soviética, quando foi preso pelo
NKVD em 3 dezembro de 1937, condenado pela “tróica” do NKVD já em 20 de dezembro, acusado de “agitação anti-soviética e intenções terroristas”, e fuzilado
apenas dois dias depois, em 22.12.1937.
Em 31 de dezembro de 1932 na Ucrânia soviética foi aprovada a emissão de passaportes internos para a população. Na prática a decisão se aplicava,
quase unicamente aos moradores de cidades e de vilas, ignorando a escravização da quase totalidade dos camponeses ucranianos. Situação que persistiu até 1974, quando as restrições
à emissão de passaportes para a população rural foram abolidas.
Juridicamente a decisão se baseava na resolução da Comissão Eleitoral Central e do Conselho de Comissários do Povo da URSS, intitulada “Sobre o Estabelecimento
de um Sistema Unificado de Passaportes na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas…”, datada de 27 de dezembro de 1932.
Os passaportes (o cartão de identidade em forma de uma caderneta) só podiam ser obtidos por moradores de cidades, assentamentos operários, por trabalhadores de transportes e de sovkhozes (farmas de
propriedade estatal soviética, que em 1927 eram cerca de 100 unidades em toda Ucrânia e que representavam apenas 1,8% de todos os ativos fixos da agricultura, 0,9% do gado e 4,9% de todos os equipamentos) e de construções novas. Passaportes não eram emitidos
para agricultores dos kolkhozes (farmas coletivas, que representavam a absoluta maioria da agricultura soviética daquela época), o que, na prática, levou à escravização dos camponeses
ucranianos. Essa situação persistiu até 1974, quando as restrições à emissão de passaportes para a população rural foram abolidas.
Durante o Holodomor, a maior parte dos camponeses ucranianos, não conseguia sair da sua aldeia e se salvar, pois não possuiam os documentos de identificação. Assim, eles tinham
que fugir ou recorrer a medidas extremas.
«Pai e mãe descobriram que a tia Katya e o marido dela tinham se estabelecido em algum lugar na Donbas. Eles disseram-lhes: ‘se consegue sobreviver, venham morar conosco».
O que vocês acham? Meus pais chegaram a isso… É errado, mas é a consequência daquilo que aconteceu…
Fome em casa, não tem nadica de nada! Durante à noite, para não serem apanhados (não havia passaportes naquela época aos membros de kolkhozes), meus pais foram
até a localidade de Kairy, onde passavam os navios a vapor. Eles embarcavam no porão do navio e chegavam à Zaporízhia. Lá, apanharam/pegaram um comboio/trem para a Popasna, ou alguma outra
cidade. Eles foram embora. Nós ficamos sozinhos. Acordo de manhã. Vasya: “Galya, os nossos pais foram embora.” Eu pergunto: “Como eles foram embora?” – “Sim, eles foram para
Donbas. Talvez encontrem abrigo lá e nos levem logo.” Comecei a gritar: “Eles nos abandonaram, eles nos abandonaram!” E eu desabei em lágrimas. Vasya me acalmou, ele era o mais velho. Eu tinha
7 ou 8 anos, e ele 11…
Antes de partirem, meu pai combinou com a professora que, se possível, nos colocariam em um orfanato [meu irmão e irmã mais novos já estavam lá, mas não
aceitaram as crianças mais velhas]. Só um mês depois, entramos no orfanato. A comida lá era horrível, mas pelo menos nos davam alguma coisa. As crianças estavam morrendo lá.
As mais novas – Nina e Vaninho (Nina tinha 4 anos, Vaninho 2) – adoeceram com disenteria. Essa disenteria levou Nina primeiro, e uma semana depois, foi Vanya.
Já era o fim do inverno – início da primavera de 1934. Lembro-me de uma mesa comprida, de madeira, e estávamos sentados com essas tigelinhas comendo alguma coisa.
De repente os rapazes, que já tinham comido, voltaram correndo e gritaram: “Vasya! Galya! Vosso pai chegou!” Eu não acreditei. Vasya foi correr com os meninos. De fato, pai estava perto do celeiro,
com o chefe do kolkhoze ao lado dele. Pai já tinha passaporte, já era um homem livre que não pertencia mais à fazenda coletiva...»
Extrato das memórias de Halyna Kuzmivna Milko, nascida em 1925, na aldeia de Tykhyi Sad, distrito de Hornostayiv, região de Kherson.
O mentor do movimento vanguardista e o «pai» do suprematismo, pintor ucraniano Kazimir Malevitch é o autor de um desenho a lápis conhecido como «Onde estão
o martelo e a foice, há morte e fome» (a citação de uma canção folclórica popular nas décadas de 1920 e 1930).
A imagem retrata três figuras cujas características faciais foram substituídas por uma foice e um martelo, uma cruz e um caixão. Kazimir Malevich é o único
artista ucraniano cuja obra conhecida retratou o Holodomor de 1932-1933.
Na cidade costeira de Barry, fica a campa do Gareth Jones, o corajoso jornalista galês que foi o primeiro a escrever sobre o Holodomor na Ucrânia. Sobre o seu túmulo estava
um cesto com as cores ucranianas. Jones era «um homem que sabia demais», razão pela qual foi assassinado.
É interessante como o sul do País de Gales está intimamente ligado à Ucrânia. Na cidade de Merthyr Tydfil, que fica a quarenta minutos de carro de Barry, nasceu
e viveu John Hughes, engenheiro, industrial e fundador da cidade de Donetsk (nome de fundação: Yuzovka).
Annie Gwen, a mãe do Gareth R. V. Jones
Se não tivesse comprado terras na Donbas (onde antes apenas os pastores com os seus cães costumavam ir), não tivesse construído lá uma casa, não tivesse
fundado a sua empresa lá, provocando uma verdadeira revolução industrial na região, então talvez Annie Gwen, a mãe de Gareth Jones, não se tivesse tornado governanta
dos seus netos. Foi ela que o ensinou em casa até aos sete anos de idade.
Annie Gwen e família do Arthur Hughes
Arthur Hughes, filho do John Hughes
Talvez se ela não tivesse contado ao filho sobre as estepes ucranianas, sobre as antigas Kyiv e Kharkiv «com as suas universidades e feiras mundialmente famosas», ele não
teria ido para lá, não teria testemunhado o terrível crime de Estaline, não teria escrito sobre ele nos jornais mais famosos do mundo. E talvez o mundo nem sequer tivesse ouvido falar do Holodomor
durante muito tempo. E talvez Orwell não tivesse escrito a sua «Revolução dos Bichos». Tais cadeias de acontecimentos estendiam-se desde o engenheiro galês.
A capa da edição ucraniana de “A Revolução dos Bichos” (“A Quinta dos Animais”), 1947
Annie Jones deixou as memórias da sua estadia na Ucrânia. É certo que, para ela, tudo era a «rússia», a começar pela Polónia (que chamou
de «rússia polaca», nessa altura a Polónia também era oprimida pelo império russo, a língua polaca era suprimida e proibida, os ocupantes russos tentavam impor o amor ao seu czar).
Annie não separa os ucranianos dos russos, embora descreva os ucranianos com as sua canções e roupas bordadas. Permaneceu nas estepes de Donetsk apenas alguns anos e foi obrigada a fugir da epidemia de
cólera. Mas ela lembrava-se muito desta viagem, em Kyiv ficou simplesmente maravilhada: «A sagrada e antiga Kiev apareceu diante dos meus olhos assim que atravessámos o vasto Dniepre. Fiquei impressionada
com a onda de igrejas a brilhar no céu azul com as suas torres e cúpulas douradas. Vi uma grande multidão de peregrinos que tinham vindo aqui a pé da Sibéria». A época, descrita
pelo escritor ucraniano Nechui-Levytsky na sua novela «Nuvens». Aí, ele, começando também pelos peregrinos de terras distantes até à Lavra (Mosteiro) de Pechersk, demonstra bem
a total russificação e desprezo impostos pela cultura ucraniana, tanto nas cidades como nas aldeias.
Os pais do Gareth Jones junto à casa
A casa do Gareth Jones em 2022
Em sua casa, na década de 1930, reuniam-se muitos jovens europeus, incluindo alguns simpatizantes nazis britânicos. Certa vez, Gareth Jones chegou a escrever aos seus familiares pedindo-lhes que não
os cumprimentassem com a mão levantada e a exclamação «Heil». Quando voou no mesmo avião com Hitler (entrevistou o ditador alemão), escreveu os seus pensamentos: «Se este
avião cair agora, certamente mudará a história».
A campa do Gareth Jones em Barry
Como os habitantes locais ficam surpreendidos quando os ucranianos lhes falem de todas estas pessoas. Principalmente sobre John Hughes, que fundou a moderna Donetsk. Eles não acreditavam
nisso ao princípio. Para muitos aqui, parece que estão a descobrir a sua própria história através da história ucraniana.
Jurista e autor do termo «genocídio», Raphael Lemkin foi o primeiro a definir os crimes do regime comunista estalinista contra ucranianos como o genocídio e também
analisou o Holodomor na Ucrânia no contexto do direito internacional.
Celebrando o aniversário do seu nascimento e da morte, convêm recordar 1953, quando no centro de Manhattan, em Nova York, foi recordado solenemente do vigésimo aniversário do Holodomor, Lemkin se dirigiu a três mil pessoas com um discurso, cujo trecho
publicamos:
«O assassinato em massa de povos e nações que caracterizou o avanço da União Soviética na Europa não é uma característica nova
de sua política expansionista. Nem é uma inovação inventada simplesmente para criar uma homogeneidade a partir das diferenças dos poloneses, húngaros, bálticos e romenos, que
agora permanecem na periferia do império soviético. Em vez disso, tem sido uma característica de longa data até mesmo da política interna do Kremlin, para a qual os atuais governantes tinham
amplo precedente nas ações da rússia czarista.
É de fato um passo necessário no processo de «unificação» que, como os líderes soviéticos fervorosamente esperam, criará um «homem
soviético», uma «nação soviética». Para atingir esse objetivo, essa nação unida, os líderes do Kremlin destruirão de bom grado as nações
e culturas que há muito habitam a Europa Oriental.
[...] O plano que as autoridades soviéticas usaram foi repetido e continua a ser repetido. É uma parte essencial do programa de expansão soviético, porque oferece
uma maneira rápida de unificar as diversas culturas e nações que compõem o império soviético.
O fato de esse método trazer sofrimento incalculável a milhões de pessoas não desviou o governo soviético do seu caminho. Mesmo que não houvesse outra
razão além desse sofrimento humano, teríamos que condenar esse caminho como criminoso.
Esta é uma questão de genocídio, a destruição não apenas de indivíduos, mas também de uma cultura e de uma nação.
Portanto, o que consideramos errado nos planos soviéticos, além dos problemas importantíssimos do sofrimento humano e dos direitos humanos, é o desperdício
criminoso da civilização e da cultura. Pois a unidade nacional soviética não é criada pela unificação de ideias e culturas, mas pela destruição completa de todas
as culturas e ideias, com exceção de uma — a soviética».
Ucrânia revogou a cidadania nacional ao Orest «Onufriy» Berezovsky, líder da igreja ortodoxa russa (IOR) na Ucrânia (UPC MP), o grupo religioso amplamente considerado
como «último reduto da influência russa na Ucrânia», informa a secreta ucraniana SBU.
Padre «Onufriy» marcou a posição do seu grupo religioso, quando que não se levantou, durante a sessão solene do Parlemento Ucraniano em 2014, para homenagear
as vítimas do Holodomor. Ou, quando numa entrevista, defendeu publicamente que Holodomor foi uma espécie do «castigo divino aos ucranianos», embora sem explicar a suposta razão, que o Deus
teria em se zangar para com os ucranianos.
Em 2002, «Onufriy» obteve voluntariamente a cidadania russa, sem informar as autoridades da Ucrânia. O hierarca manteve dupla cidadania por anos, enquanto mantinha laços
ativos com o Patriarca de Moscvo/ou, o Kirill Gundiayev, que, por sua vez, apoia diretamente a agressão russa contra Ucrânia.
Em Jerusalém, no Jardim das Rosas (Wohl Rose Garden), entre o Knesset e a Suprema Corte de Justiça, foi erguido o primeiro monumento em Israel às vítimas do Holodomor
de 1932-1933.
Foi o resultado da cooperação da Cidade de Jerusalém, da Fundação Timertei, da Embaixada da Ucrânia, do HREC e da Autoridade de Desenvolvimento de Jerusalém.
A autora é uma artista canadense de origem ucraniana, Ludmilla Temertey (junto com David Robinson, como mostra a placa), outro monumento dela, quase idêntico ao de Jerusalém, foi erguido em 1983 em Edmonton, no Canadá, para assinalar o 50º aniversário da tragédia ucraniana.
A placa explicativa em hebráico, inglês e ucraniano
A importância deste evento é a maior possível, e a gratidão a todos os envolvidos é imensurável, escreveu Lesya Hasidzhak, a directora do museu do Holodomor
em Kyiv.
Zoryan Kis, o director do Centro cultural da Ucrânia em Tel Aviv e 1º secretário da Embaixada da Ucrânia em Israel explica que o monumento ainda não foi inaugurado
oficialmente, pois o parque Wohl Rose Garden ainda está em reconstrução. Definitivamente a data e a hora da cerimônia será anunciada nas páginas da Embaixada da Ucrânia em Israel
e do Centro Cultural Ucraniano em Tel Aviv.
Vale ressaltar que as autoridades israelenses, por enquanto, oficialmente não reconheceram Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano.
A 26 de fevereiro de 1939, em Moscovo, na sequência das decisões do Colégio Militar do Supremo Tribunal da URSS, foram executados os mais proeminentes dirigentes da Ucrânia
Soviética e do partido comunista (bolchevique) da Ucrânia Soviética do início da década de 1930: Pavlo Postishev, Stanislav Kossior e Vlas Chubar.
Foram figuras centrais da política soviética e de russificação na Ucrânia durante o Holodomor de 1932-1933, a coletivização e as repressões em massa. Todos os três foram acusados
de “atividades contrarrevolucionárias”, “participação em organizações anti-soviéticas” e “atividade criminosa”. Foram presos em 1938
como parte da “grande purga” iniciada por Estaline para eliminar quadros-chave do partido.
A execução fez parte de uma campanha de grande escala para minar a elite do partido, que participou nas repressões, mas que se tornou vítima das mesmas. A estratégia
de eliminação do polaco/polonês Kosior, russo Postishev e ucraniano Chubar tornou-se a fase final das represálias contra a maioria dos líderes da Ucrânia Soviética, entre os quais Mykola Skrypnyk, Panas Lyubchenko e outros que já tinham
sido fuzilados. Em 1956-1957, durante a política de desestalinização, todos os três foram reabilitados postumamente e, em 2010, foram considerados, pela Procuradoria-Geral da Ucrânia, os responsáveis
de genocídio (Holodomor) na Ucrânia.
A lista de países que reconheceram o Holodomor como genocídio dos ucranianos está crescendo. Antes da invasão russa em grande escala, 16 países o reconheciam, agora é uma lista de 34 países.
Obrigado pelo apoio e pela divulgação da verdade!
Bónus
O livro “The Holy See and the Holodomor: Documents from the Vatican Secret Archives on the Great Famine of 1932-1933 in Soviet Ukraine” mostra que Vaticano compreendia o tamanho da catástrofe que se abateu sobre Ucrânia e também sabia a sua origem criada pelo Kremlin.
Nos últimos dias diversas paróquias da Igreja Ortodoxa da Ucrânia — Patriarcado de Moscovo (UPC — MP) passaram para alçada da Igreja Ortodoxa Ucraniana (PCU). Um processo doloroso, mas historicamente inevitável, que faz parte do processo de descolonização religiosa e cultural da Ucrânia.
Tudo começou na cidade de Khmelnitskiy, onde um veterano ucraniano, de origem étnica russa, embora isso pouco importa, entrou na igreja UPC-MP e fiz a pergunta retórica: «Quantas mortes precisa ainda para que vocês parem de ir à igreja subordinada à Moscovo?»
O momento de agressão em que padre mostra a sua habilidade em artes marciais
O veterano ucraniano foi atacado pelo padre local, sofrendo algumas agressões. O sucedido de tal forma indignou a absoluta maioria dos paroquianos, que em questão de horas eles reuniram mais de 1.000 assinaturas para a passagem da sua Sé Catedral, o palco deste acontecimento, para a jurisdição da PCU.
O Metropolita Antóniy (Patriarcado de Moscovo em Khmelnitskiy) aceitou a vontade da comunidade e entregou voluntariamente as chaves da Catedral. Ele pessoalmente disse que está mais que pronto para aderir à Igreja Ucraniana (no mesmo dia foi oficialmente destituído pela hierarquia do Patriarcado de Moscovo).
De seguida foi formada a comissão conjunta da UPC — MP e da Igreja Ucraniana que estava realizando um inventário dos bens da igreja e, enquanto isso, a primeira oração foi efetuada na Catedral de Khmelnitskiy em língua ucraniana e em preces pelos defensores da Ucrânia.
É de notar que UPC — MP desencoraja o uso da língua ucraniana na liturgia (Sic!), até muitos recentemente em muitas das suas igrejas da sua congregação as missas eram ministradas em russo (Sic!!) e mais recentemente passaram para o uso do antigo-eslavo, a língua morta, incompreendida pela absolutamente maioria dos fiéis.
Um bom exemplo da igreja moscovita UPC — MP aconteceu hoje na aldeia de Zadubrivka na região de Chernivtsi. A mãe do um militar ucraniano chora, às portas da igreja, pedindo humildemente, para que o pároco local deixe que o corpo do filho seja velado na igreja. O pároco, da igreja moscovita não deixa, mantendo as portas fechadas.
Razão? O militar ucraniano morreu defendendo Ucrânia, logo «desobedeceu» a exigência disfarçada do pedido do patriarca russo Cirilo, dirigido ao exército ucraniano logo no início da agressão russa em depor as armas e não resistir ao avanço da armada russa... Parece uma má piada, mas não, simplesmente a realidade ucraniana e da igreja, supostamente ucraniana, que continua ser subordinada ao moscovo.
Ainda em 2004, no auge da Revolução Laranja, o spin-doctor russo Marat Gelman tinha dito que «Igreja Ortodoxa Ucraniana — Patriarcado de Moscovo é a última e única força pró-russa, legal e de relevo na Ucrânia».
O momento solene em novembro de 2014, em que o líder da UPC-MP (com a bengala nas mãos) não se levanta no parlamento da Ucrânia, na sessão em homenagem às vítimas do Holodomor, o crime do estado e regime soviético que a igreja moscovita não reconhece
Assim como o aristocrata francês, Astolphe-Louis-Léonor Marquis de Custine, no seu livro “La Russie en 1839”, descreve a rússia como a antítese histórica e geográfica da Europa, uma anti-Europa, onde a vida e o destino dos leigos e do clero, dos senhores e dos cidadãos, depende única e exclusivamente da vontade despótica do seu soberano. O texto foi publicado pela primeira vez em 1843, mas parece que descreve a rússia actual: “Os clérigos ortodoxos moscovitas nunca eram e nunca serão nada mais do que a polícia vestida em uniformes algo diferentes dos fardamentos do exército laico do império. Os popes e os seus bispos formam um regimento clerical sob o comando do imperador. Nada mais”.
O Parlamento francês votou 168-2 ao favor do reconhecimento do Holodomor como um genocídio contra os ucranianos. Holodomor, também conhecido como Grande Fome, ocorreu de 1932 à 1933. Como resultado, estima-se que Ucrânia perdeu 10-15% da população, de 3,5 à 7 milhões de pessoas.
O reconhecimento do parlamento francês do Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano é importante e significativo. Somos gratos pela forte contribuição da França em expor os crimes da totalitária federação russa – do passado e do presente. Ao estabelecer a verdade e a justiça e, portanto, as responsabilidades.
Em 23 de fevereiro de 1879 nasceu em Kyiv, Kazimir Malevych, artista ucraniano de origem polaca/polonesa de vanguarda, fundador do suprematismo e um dos fundadores do cubismo futurismo.
Ele foi um dos artistas ucranianos que retratou o Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia. Trata-se de seu desenho a lápis, conhecido sob o nome de «Onde há foice e martelo, há morte e fome» (letra de uma canção folclórica popular nas décadas de 1920 e 1930). Representa três figuras cujos rostos foram substituídos por uma foice e um martelo, uma cruz e um caixão.
A propósito, muitas pinturas «camponesas» de Kazimir Malevych da década de 1930 contêm mensagens simbólicas ocultas de protesto. Por exemplo, a ausência de rostos. Além disso, quase todas as pinturas daquela época são deliberadamente datadas incorretamente de uma época anterior.
«Malevych foi o único artista que mostrou a trágica situação dos camponeses ucranianos durante a criminosa coletivização forçada», afirmou o historiador de arte francês, autor de várias monografias sobre Malevych, Jean-Claude Marcade.
O parlamento búlgaro reconheceu Holodomor de 1932-1933 na URSS como genocídio do povo ucraniano, informa a SEGA. Os deputados decidiram que o Dia da Memória das vítimas do Holodomor seria recordado todo último sábado de novembro.
O número de ucranianos que morreram de fome em 1932-1933 foi, segundo várias estimativas, de 4 a 7,5 milhões de pessoas. O número total de vítimas da fome em massa, que também afetou o Cazaquistão, Belarus, região do Volga, Kuban, Sibéria Ocidental e Urais, chega a 7-8 milhões. A escassez de alimentos entre a população rural foi causada por planos superestimados de compra de grãos, segundo a qual o estado tirou as colheitas dos camponeses.
O apoio à proposta foi votado por unanimidade pelo GERB-SDS, «Continuamos a mudança», DPS e «Bulgária Democrática». O partido «Vazrazhdane» (Renascimento) e um deputado do «Bulgarian Rise» votaram contra. Os deputados do Partido Socialista (BSP) não estiveram presentes na sala durante a votação.
O deputado Miroslav Ivanov censurou seus colegas do BSP por deixarem o plenário quando no início do dia os grupos parlamentares observaram um minuto de silêncio no dia 1 de fevereiro - dia em que a memória das vítimas do regime comunista é homenageada na Bulgária.
Ucrânia reconheceu o Holodomor como genocídio em 2006. Posteriormente, resoluções semelhantes foram adotadas por mais de 20 estados, incluindo o Vaticano. Em dezembro de 2022, o Parlamento Europeu adotou uma resolução reconhecendo a fome maciça na Ucrânia Socialista como genocídio. “O Parlamento decidiu que o branqueamento e a glorificação do regime totalitário soviético e o renascimento do culto à personalidade do ditador soviético Iosif Estaline transformaram a rússia de hoje em um estado que apoia o terrorismo”, diz o documento.
A
imagem do kit da ajuda alimentar americana enviada à União Soviética. Americanos
chegaram à alimentar todos os dias cerca de 10 milhões de pessoas. No total, em
1921-1923, os cidadãos da URSS receberam 1.163.296 destes kits.
Toda
ajuda americana era canalizada através da American
Relief Administration (ARA). ARA assinou um acordo especial e separado com o governo comunista
da Ucrânia Soviética em 10 de janeiro de 1922. Os principais tipos de
assistência eram o envio de pacotes alimentares, oferta de alimentos cozinhados em salas de
jantar especiais e fornecimento de medicamentos às instituições médicas.
As
primeiras salas de jantar, abertos à todos os famintos, independentemente da sua
origem étnica, começaram a operar na Ucrânia Soviética desde abril de 1922. De maio, do
mesmo ano, com a assistência do governo local, a rede dessas salas de jantar começou
a se expandir. Em 15 de agosto, no pico da assistência, a ajuda alimentar era
recebida na Ucrânia por 848 mil crianças e 800 mil adultos, que é perfazia 44% dos
famintos registados.
O
conteúdo calórico diário era de 460 kcal por dia. Em outubro de 1922, ARA
assinou um novo acordo com o governo da Ucrânia Soviética. O conteúdo calórico diário
foi aumentado para 660 kcal. No entanto, o número de famintos que recebia ajuda
diminuiu. Isso foi causado, em particular, a retirada do seio da ARA da maioria
das organizações, que anteriormente eram os seus membros.
Durante
os anos da sua actividade ARA entregou 180,9 milhões de kits alimentares, os medicamentos no
valor de mais de 3 milhões de dólares (aos preços de 1921-23), distribuiu na
Ucrânia Soviética 400.000 mil kits alimentares no valor de 10 dólares cada e
11.000 kits de roupa no valor de 20 dólares cada. ARA desempenhou um papel
importante no salvamento das vítimas de fome na Ucrânia. O tamanho da sua ajuda
alimentar excedeu a assistência de outras organizações estrangeiras e foi maior
do que ajuda do próprio governo da Ucrânia Soviética. Acusada, pelos bolcheviques,
de usar o seu aparelho para apoiar “os elementos contrarrevolucionários e de espionagem”,
as autoridades comunistas soviéticas proibiram as atividades da ARA na URSS em
junho de 1923.
Durante o Holodomor de
1921-1922 e a fome de 1923, na Ucrânia morreram de fome, segundo várias estimativas, de 2 a 5 milhões de pessoas. Sem
ajuda das organizações internacionais, em primeiro lugar –
as
americanas, o número de vítimas
doHolodomor de 1921-1922
poderia ser muito maior.
É
de recordar que a grande fome de 1921-22 e de 1923 na Rússia e na Ucrânia eram
as consequências directas das políticas soviéticas de “comunismo de guerra”.
Políticas tão desastrosas que obrigaram o estado soviético aderir à restauração
parcial da iniciativa privada durante a vigência da Nova Política
Económica (NEP).
Dez
anos depois, durante o novo Holodomor, que atingiu Ucrânia, Cazaquistão e a
região russa de Kuban, de predominância étnica ucraniana, o estado soviético adotou
uma política absolutamente oposta. A própria existência da grande fome foi
veemente negada, mesmo com ajuda ativa de alguns “idiotas úteis” ocidentais. Os
cereais eram compulsivamente retiradas das comunidades e das famílias, milhões
de ucranianos foram condenadas à uma morte cruel e deliberada pela política
agrícola soviética.
Na
prisão do Kremlin, na escola, no hospital, no campo de futebol, na oficina, ao
volante ou na Diáspora os ucranianos vão recordar solenemente neste sábado, 27
de Novembro, às 16.00 horas, a memória das vítimas do Holodomor de 1932-1933.
O
dia 27 de novembro, neste sábado, é o Dia da Memória das vítimas do Holodomor. Acendem
uma vela na sua janela, visitem os memoriais, expliquem às crianças o preço da
perca da liberdade.
Honrem
onde quer que estejam!
Destruição
dos ucranianos como uma Nação – este era o objetivo dos organizadores do
Holodomor. Finalmente eliminar a língua, a cultura, a história, tudo o que torna
os ucranianos únicos neste mundo. Por isso a envergadura do crime foi tão
grande, por isso foram mortas milhões de pessoas.
Mesmo
os que sobreviveram em 1932-1933 se tornaram as suas vítimas. Tiveram que
esquecer quem eles eram, quem eram os seus antepassados, o que os seus
descendentes deveriam preservar para o mundo. Tinham que esquecer quem os
matava e por quê.
Morte
e esquecimento – essa era a meta de Estaline e os seus comparsas em relação aos
ucranianos.
Que
não foi alcançada. Ucranianos sobreviveram e não esqueceram. Existem e se lembram.
Existem, exactamente porque que se lembram.
Se
lembrem do Holodomor.
Lembrem
que as disputas internas ajudavam ao inimigo externo.
Lembrem
o que acontece com aqueles, à quem faltarão as forças para defender a
liberdade. Quem pretenderá troca-la pelo pão. Que após a perca da liberdade perderá o
pão.
Lembrem
de quão caro sai a fé cega em slogans
atraentes. Como “terra aos camponeses” se facilmente transformou em “camponeses
debaixo da terra”.
Mas
também lembrem dos ucranianos se levantavam à luta contra o regime
comunista. Pelas suas revoltas, eles conseguiam desferir-lhes os rudes golpes, o
tornaram mais fraco, incapaz de repetir, algures numa outra parte da Europa escravizada,
os crimes da escala do Holodomor.
Lembrem daqueles ucranianos que compartilhavam o seu último pão, enfraquecidos pela
fome, mostravam ao mundo a força de humanidade.
Lembrem
a vingança de um jovem ucraniano em Lviv, pelo assassinato de milhões de seus
irmãos e irmãs, que se tornou uma manifestação da dignidade nacional.
Lembrem daqueles ucranianos que preservaram a memória do passado, embora pagavam por isso,
com a sua liberdade e até mesmo com a sua vida.
Lembrem
dos não-ucranianos que tiveram a força de dizer a verdade ao mundo, mesmo
quando ninguém os queria ouvir.
Esta
memória é revanche ucraniana pelos milhões de mortos. Ela os torna mais fortes,
porque dentro da memória os mortos voltam à vida, se participem do lado ucraniano
nas lutas atuais.
Por
isso os herdeiros dos assassinos então procuram apagá-la. Eles tentaram reescrever
os livros de história na Ucrânia, fechavam arquivos, espalhavam as inverdades sobre
o Holodomor.
Mas
a verdade se revelou mais forte, memória – insuperável. E assim transformou os
ucranianos.
As
mãos da criança, que há vinte anos, acendeu, pela primeira vez a vela da
memória, tornaram-se nas mãos de um soldado segurando uma arma, protegendo os seus
pais.
Olhos
que, ficavam em lágrimas pela história que contava avó sobre a sua
sobrevivência em 1932-1933, agora olham com confiança para o inimigo através de
uma mira.
Uma
Nação que se uniu nos momentos para honrar os mortos de fome no passado, se uniu
para proteger o seu futuro e criou um exército poderoso. A tristeza pelos
antepassados mortos dá força para proteger os seus descendentes.
A
história incrível de dois cientistas ucranianos que viajavam por quase toda Ucrânia nas décadas
de 1920-30, fotografando o país da ápoca pré-Holodomor e registando as suas obras de arte
perdidas para sempre.
Stefan
Taranushenko e Pavlo Zholtovsky conseguiram retratar o mundo ucraniano, gradualmente
perdido devido as políticas culturais do estado comunista soviético, que
pretendia apagar as memórias culturais e religiosas dos ucranianos. Em 1933, os
cientistas foram presos e condenados, acusados de pertencerem ao “bloco
fascista russo-ucraniano”.
90
anos atrás, dois estudiosos de arte viajaram por quase toda Ucrânia com as suas
câmaras fotográficas, tirando milhares de fotos e desenhos de igrejas e
sinagogas, casas, cidades, aldeias e outros monumentos históricos únicos que
foram posteriormente destruídas pelo regime soviético. Eles também visitaram as
regiões predominantemente ucranianas na província russa de Bryansk. Os
cientistas fizeram isso no ponto de viragem da coletivização – antes do
Holodomor – no final da década de 1920, no início da década de 1930. Uma
incrível história das viagens dos estudiosos permaneceu conhecida apenas entre
os cientistas. Radio Liberdade, se baseando nas fotos originais das
Taranushenko e Zholtovsky, conta como era Ucrânia antes do Holodomor e o que o
país perdeu para sempre.
De
acordo com avaliação do historiador Viktor Vechersky, das mais de 170 igrejas
descritos ou mencionados como existente na década de 1930 no estudo de Stefan
Taranushenko, apenas 16 sobreviveram até os dias de hoje.
No
outono de 1933 Zholtovsky e Taranushenko foram presos num processo fabricado. Na
companhia de outros cerca de 20 museólogos, os cientistas foram acusados de
participar no “bloco fascista russo-ucraniano”. Zholtovsky foi condenado aos 3
anos de GULAG, Taranushenko – aos 5 anos. Entre muitas acusações, este último
foi acusado de organizar as expedições científicas “para intensificar as atividades
da organização contra revolucionárias, na margem direita do rio Dnipro, recrutamento
novos membros na periferia”.
Apenas
após o fim da II G.M. aos cientistas foi permitido retornar à Ucrânia.
Zholtovsky voltou à cidade de Lviv em 1946,e Taranushenko em 1953 – à Kyiv. Ambos
foram politicamente reabilitados em 1958.
No
tempo do pós-guerra Pavlo Zhultovsky tornou-se um dos melhores estudiosos de arte
da Ucrânia: escreveu dezenas de artigos, publicou várias monografias, recebeu
prémios estatais. “Em geral, tudo é amargo e pesado, assim como o feliz, e
bonito na minha vida pessoal, lembrava Zholtovsky, está intimamente ligado aos
monumentos da antiguidade: quando eles eram destruídos - Eu vim junto com
outras figuras da nossa cultura para os campos de concentração: quando terminou
a época misteriosamente chamada de “culto de personalidade”, eu tive a sorte de
voltar ao meu trabalho outra vez, já como um especialista respeitado”. Até o
final da sua vida ele sempre participava nas expedições. Durante uma destas
expedições, com 81 anos de idade ele morreu.
Stefan
Taranushenko publicou em 1976 um estudo fundamental chamado “Arquitetura
monumental de madeira da região [da margem esquerda do rio Dnipro] da Ucrânia”.
No entanto, o texto do seu trabalho foi cortado era ao meio, retirando as informações
sobre as igrejas ucranianas da região de Bryansk, e os textos com as descrições
das igrejas foram muito reduzidos. No mesmo ano, com idade de 86 ele morreu.
Apenas em 2012 e 2014 o seu trabalho foi publicado na versão integral.