Da indústria da defesa ao terror total
O pretexto oficial era o combate à “espionagem e sabotagem alemãs”. Inicialmente, os chekistas deveriam identificar todos os cidadãos alemães nas fábricas militares e nos caminhos-de-ferro soviéticos. Foram concedidos 3 dias para a compilação das listas e 5 para a realização das detenções. No entanto, a procura por “inimigos” transformou-se instantaneamente numa espécie da linha de produção contínua.
A ordem obrigava à realização de um inventário completo de todos os alemães étnicos: camponeses, funcionários públicos, ex-cidadãos alemães e refugiados políticos.
A história de uma família: o caso de Heinrich Jacob
O arquivo do SBU contém a história de uma família dos elemães étnicos, que os soviéticos destruíram por completo.
Heinrich Jacob era um membro da juventude comunista Komsomol, de 25 anos, chefe do departamento de correspondentes do jornal ucraniano em língua alemã, publicado em Kyiv: «Die Wahrheit» (A Verdade, 1936-37). Foi preso a 14 de junho de 1937 — na realidade, a «caça aos alemães» do NKVD já se iniciou muito antes da emissão da ordem oficial.
Os motivos da acusação eram absurdos. NKVD alegava que, numa edição especial do jornal «Jung Sturm», teria colocado clichés de retratos de Estaline e Kuibyshev «de forma distorcida» e também «distorcido deliberadamente a tradução» do projecto de estatuto do Komsomol.
A detenção de Heinrich marcou o início da liquidação de toda a sua família:
— a sua mãe, Maria Zacher, foi detida 12 dias depois. Pena – 10 anos de prisão.
— o padrasto, Gustav Zacher, foi preso em setembro de 1937. Fuzilado em outubro do mesmo ano.
— a irmã, Ilse, foi presa no início de 1938. A “troika” condenou a jovem à morte por “espionagem”.
O próprio jovem jornalista recebeu inicialmente uma pena de 7 anos em campos de concentração. Em 1940, o Supremo Tribunal da URSS anulou a sentença e devolveu o caso para novas investigações. No entanto, nunca foi libertado.
Com o início da guerra germano-soviética de 1941, Heinrich Jakob foi fuzilado sob a justificação de “em consequências da situação de guerra”.
O caso de Heinrich Jakob e de milhares de outros alemães étnicos demonstra como o regime comunista soviético destruiu famílias inteiras somente para cumprir os planos fabricados para expor “agentes estrangeiros”.
Hoje, os documentos dos serviços secretos soviéticos estão disponíveis ao público. Pode obter mais informações sobre os familiares vítimas das repressões soviéticas, veja o procedimento para aceder aos materiais do arquivo de SBU.

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