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quinta-feira, junho 11, 2026

Rússia ruma à reintrodução da censura estatal prévia na área da arte e cultura

12 de junho de 1990: o fim oficial da censura soviética: «Censura é abolida!»

O ator, deputado, obscurantista e propagandista russo, Dmitry Pevtsov, publicou uma espécie de manifesto, onde exige a alteração da Constituição russa e a reintrodução da censura oficial do Estado, que será realizada por comissões especiais com a participação do FSB.

Como acontece neste tipo de iniciativas supostamente «populares», o Kremlin usa os representantes da intelligentsia cultural russa totalmente servil, para testar os limites da «nova normalidade» do seu regime neofascista. Se a reação da sociedade russa for mais ou menos silenciosa, a censura estatal avançará e muito rapidamente, já se a reação for bastante negativa e ruidosa, Kremlin dirá que era apenas uma proposta particular de um artista que por sua livre a expontânea..., enfim, discursos do costume.

Eis alguns trechos daquela apresentação (ortografia e pontuação preservadas do original):

«Este é um exemplo perfeito da censura soviética, que operava, antes de mais, dentro da estrutura do programa ideológico da URSS, um programa que foi implementado no país de forma sistemática e planeada, a partir dos primeiros anos da escola secundária. 

O «Código dos Construtores do Comunismo» [uma espécie da livro sagrado semi-oficial em vigor na União Soviética], com pequenas correcções, baseava-se nos mandamentos de Moisés (a partir do 5º mandamento). Esta ideologia é um corredor conceptual completamente específico, «saltando» fora do qual qualquer artista, realizador, escritor, etc. (representante de qualquer profissão criativa) ficava sem nada para fazer, ficava sem os espectadores, sem os direitos de autor, sem as perspectivas criativas, etc.

Quanto aos «excessos» da censura soviética, sim, houve muitos exemplos em que os filmes, as peças teatrais foram de facto fechados, «engavetados», proibidos, mas...

A censura soviética proibia as obras literárias tão distintas como «Por quem os sinos dobram» de Hemingway (até 1962) à «Lolita» de Nabokov, considerada na URSS de «amoral» e «pornográfica».

Vejam quantas obras-primas do cinema e do teatro nasceram durante a dura censura soviética. Sem falar da literatura e da música. 

Estou profundamente convencido de que a censura só ajudará à nossa cultura, a nossa arte, na promoção contínuo do seu desenvolvimento na direcção correcta.

Enquanto o artigo 13º da Constituição da federação russa falar sobre «pluralismo ideológico» (isto é, sobre a ausência de uma ideologia estatal), nada certo relacionado com a censura funcionará, porque não existem «limites» ideológicos na qual seja possível «inserir», «avaliar» e discutir esta ou aquela obra de arte. 

Mas! Penso em criar um órgão especial (comissão ou comité) semelhante em princípios e estrutura ao que existia na União Soviética... Encontrar pessoas que trabalhem por um salário e, ao mesmo tempo, «não por medo, mas por consciência» e de forma profissional.

Graças a Deus, ainda existem figuras normais da cultura e da arte no país: editores, críticos, actores, realizadores, argumentistas e dramaturgos...

Deveria haver lá representantes das lei e ordem, professores, psicólogos infantis e representantes das confissões religiosas oficiais.

Estou convencido que a arte e a cultura, agora durante a [operação militar especial, o termo russo permitido pela, de facto, a censura para designar a guerra russa contra Ucrânia] SVO, são também uma vanguarda, são o nosso «soft power»! O nosso «produto final» também exige o controlo Estatal.

Mas enquanto houver um artigo nos «Fundamentos da legislação da federação russa sobre a cultura» onde esteja escrito à preto-no-branco que «O Estado não tem o direito de interferir na criatividade...», nenhum funcionário público excederá voluntariamente os seus poderes nesta área.

[...] criar uma comissão ou comité, que irá operar em todo o lugar, onde existam instituições de cultura e da arte, dando as instruções claras — o que é permitido e o que não é.

Basta ter medo de alguma coisa — «ah, vamos violar ali qualquer coisa!», «ah, vamos magoar alguém!», «ah, os inocentes vão sofrer!»...

BASTA! Já nós perdemos três ou quatro gerações dos nossos filhos.

CHEGA. ESTÁ NA HORA DE ACABAR COM ISSO!»

Blogueiro 

A censura na União Soviética existiu praticamente desde a chegada dos bolcheviques ao poder e até junho de 1990, quando, em resultado das mudanças impostas pela Perestroika, foi abolido, da Constituição soviética de 1977 o artigo 6º, que definia o partido comunista PCUS como «a força orientadora e guia da sociedade soviética, o núcleo do seu sistema político».

A crítica soviética da censura soviética, revista satírica «Crocodilo», 1962, era Khruschev.
A palavra «amor» é censurada e substituida pelas: «amizade», «respeito», «simpatia» 

A censura soviética abrandou consideravelmente no período entre 1955 à 1964, na época do «degelo» de Khruschev, quando vários escritores, expulsos, presos e até executados, foram readmitidos à oficiosa União dos Escritores soviéticos. Algumas das obras, de alguns destes escritores foram publicados oficialmente.

As bandas e cantores ocidentais proibidos de serem tocados nas discotecas soviéticas.
Adenda à uma carta de 10 de janeiro de 1985.

No resto do tempo a censura estatal prévia garantia que nenhuma obra literária, filme, peça do teatro, música (em forma de discos LP, mais tarde K7 e até VHS) ou outra produção artística, poderiam vir ao público sem antes serem aprovadas de acordo com a ideologia comunista vigente.

Até a mencionar a existência da própria censura era proibido e censurado na URSS!

Em 1976 a Direção-Geral da Defesa dos Segredos Estatais (Glavlit) publicou «A lista de dados proibidos à serem publicados na imprensa, na rádio e na televisão». O documento secreto de 176 páginas, que decidia o que podiam e o que não podiam saber os cidadãos, foi preparado pelo Conselho dos Ministros da URSS em colaboração com KGB. Entre várias informações proibidas de publicar, eram as informações «sobre os órgãos do Glavlit da URSS, revelando o caráter, organização e métodos do seu funcionamento».

domingo, novembro 02, 2025

Música da Diáspora ucraniana: de folk ao jazz, de electónica ao pós-punk

A música ucraniana durante as décadas da ocupação soviética da Ucrânia era limitada pela censura. Havia proibições de textos, trajes, instrumentos e sons, ou, como diziam as autoridades da URSS, de «motivos burgueses».

Felizmente, o rock and roll rompeu a Cortina de Ferro e, mais perto do colapso da URSS, conhecido como «funk bigodudo» surgiu na música pop ucraniana. Eram os assim chamados VIA, os conjuntos vocais e instrumentais: «Smerichka», «Arnika», «Kobza», assim como cantores Volodymyr Ivasyuk, Vasyl Zinkevich, Sofia Rotaru e muitos outros. Eles deram um novo som ocidental combinado com motivos e textos ucranianos. 

por: Danylo Vavriv, Bomedia

E o que fizeram os ucranianos que viveram no Ocidente na atmosfera do auge do funk, do rock and roll e da liberdade? Ao contrário do «funk bigodudo», a Diáspora ucraniana teve acesso a músicas de vários gêneros e instrumentos musicais de alta qualidade e, o mais importante, à liberdade artística. Foi lá que nasceram as primeiras bandas ucranianas dos gêneros pós-punk e música eletrônica. 

Mickey e Bunny (Canadá, 1964, folk, country)

Imagem: Internet

A dupla foi formada por um casal — o farmacêutico Modest Sklepowich (Mickey) e a professora Orysia Evanchuk (Bunny). Em 1964, lançaram seu primeiro álbum, «Mickey e Bunny Cantam Música Country Ucraniana». 

A dupla ganhou popularidade e vendeu 10.000 cópias. Seguiram-se apresentações por todo o Canadá e em algumas das principais cidades dos Estados Unidos (Detroit, Las Vegas). No total, a banda lançou 19 álbuns e mais de 300 músicas. A sua versão de uma das canções folk mais populares dos Estados Unidos, «This Land Is Your Land», foi incluída no Arquivo Nacional de Ottawa.

D-Driffters-5 (Canadá, 1965, pop-rock, rock) 

Capa do álbum «The D-Drifters 5 sing and play Beatles
songs and other top English hits in Ukrainian», 1965. Imagem: Internet

A banda capturou com sucesso as tendências musicais dos anos 1960. Os rapazes tocavam música dançante animada com letras ucranianas. O D-Drifters 5 gravou um álbum inteiro com traduções e adaptações ucranianas de músicas dos Beatles, intitulado «The D-Drifters 5 sing and play Beatles songs and other top English hits in Ukrainian» (Os D-Drifters 5 cantam e tocam músicas dos Beatles e outros grandes sucessos ingleses em ucraniano). Infelizmente, os três, dos cinco integrantes originais da banda já faleceram.

A banda, aliás, colaborou de forma proveitosa com «Mickey and Bunny». Inicialmente, os rapazes se apresentaram como banda de abertura para a dupla e, posteriormente, continuaram a tocar após o show da dupla.  

Orquestra «Amor» e Ihor Rakowsky (EUA, 1968, tango, valsa, polcas) 

Ihor Rakowsky. Fonte: ukrmusic.online

O grupo surgiu em meados da década de 1950 no «Soyuzivka», o centro de arte ucraniano em Kergonkson, nos EUA. Eram músicos profissionais que buscavam modernizar e difundir a música popular ucraniana. 

O líder do conjunto, Ihor Rakowsky, é natural de Lviv. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família emigrou primeiro para a Europa e depois para os Estados Unidos. Igor era criminologista de formação e chegou a trabalhar por um tempo no departamento de controlo/e de drogas. 

Electro-Nova (EUA, 1975, música eletrónica) 

Fonte: ukrmusic.online

A primeira banda ucraniana no gênero de música eletrônica e atípica entre os músicos da Diáspora ucraniana. ElectroNova foi criado por Marko Sydorak. Era engenheiro de efeitos especiais e música para rádio e televisão. Em 1974, surgiu a ideia de um álbum de música eletrônica ucraniana. Marko chamou três americanos e outro ucraniano, Myroslav Makhmet.

 

Hoje, o álbum «UKRAINIAN» pode parecer ultrapassado. Mas no início dos anos 1970, a música eletrônica como gênero não existia, assim como a infinidade de samples que só se tornaram disponíveis 10 anos depois. 

Oseledets (Polónia/Polônia, 1985, pós-punk) 

Clube «Riviera-Remont» em Varsóvia, 1986, foto do arquivo de Volodymyr Nakonechny

Outra banda atípica para música da emigração e a primeira banda ucraniana do gênero pós-punk. A página «Amnesia» escreve sobre o «Oseledets»: «Fundada em 1985 por jovens ucranianos, a banda tocava pós-punk com vozes femininos. Para fugir da censura da Polónia comunista após as suas primeiras apresentações, o Oseledets teve que se refugiar no porão da igreja greco-católica. 

Mais tarde, migrando para um estilo de apresentação mais melódico, new wave, o Oseledets dividiu o palco com lendas do underground polonês, como «Dezerter». 

Zorya (EUA, 1987, folk, rock, pop, jazz)

 

Como muitas bandas ucranianas no exterior, a banda se concentrou em canções e temas folclóricos. O Zorya combinava folk com gêneros populares — rock, pop e jazz. Infelizmente, há pouca informação sobre a história da banda. 

KLOOCH (Canadá, 2006, pop-punk) 

Em 2006, dois ucranianos de Toronto, Yurko Mykhailiuk e Taras Blyznyuk (guitarrista nos concertos da Nelly Furtado), formaram a banda «KLOOCH», que imediatamente ganhou popularidade entre os ucranianos no Canadá e nos EUA com seu primeiro álbum. 

A banda ainda está em ativo. Ouçam as músicas «Pershyj Raz» (Primeira Vez), «Chomu ty taka» (Porquê você é assim) ou «Tse ye zhyttia» (A vida é assim) e sinta a atmosfera dos anos 2000 e do punk rock ao melhor estilo dos Green Day.

Ouvir Klooch em 10 de janeiro de 2026 em Toronto

Chayka (Canadá, 1977, funk, jazz, rock, folk, rock psicodélico) 

Capa do álbum «Chayka». Fonte: Museu da Música Canadense

Capa do álbum «Chayka». Fonte: Museu da Música Canadense

É triste e doloroso, mas não há muitas informações sobre várias bandas, como, por exemplo, a banda «Chayka». Algumas gravações também estão faltando, e as que estão disponíveis geralmente apresentam a baixa qualidade técnica. O álbum «Chayka», em boa qualidade, foi preservado e publicado pelo Museu de Música Canadense. Recomendamos ouvir a música «Buria» (Furacão).

sexta-feira, outubro 17, 2025

«Electro-Nova»: os pioneiros da música electrónica ucraniana

Os pioneiros da música electrónica ucraniana «Electro-Nova», foi a primeira banda musical da Diáspora ucraniana, nos EUA, a gravar canções e melodias ucranianas no gênero da música eletrônica. 

No início da década de 1970, grupos musicais ucranianos na América do Norte já criavam suas músicas em diversos estilos musicais, do rock ao jazz. Nos meados dos anos 1970, canções e melodias ucranianas, graças ao grupo «Electro-Nova», soaram pela primeira vez no, então, novo estilo, da música eletrônica. 

Participantes do projeto: 

  • Marko Sydorak – sintetizador, clavinete, órgão
  • Myroslav Mahmet – violão e guitarra
  • Marcelo Milan – guitarra solo
  • Gary Nagel, Calvin Curtis – bateria e percussão
  • Eugene Kotlarchuk, George Kuzyna, Vala Nalyvajko – vocal 

O projeto «Electro-Nova» foi organizado por Marko Sydorak, descendente de emigrantes ucranianos, especialista em música eletrônica, que profissionalmente criava acompanhamento musical e efeitos especiais para comerciais de rádio e televisão. 

Marko Sydorak começou a implementar a ideia de gravar música ucraniana usando sintetizadores musicais e tecnologia computacional no verão de 1974. Ele convidou Myroslav Makhmet, músico talentoso e também descendente de emigrantes ucranianos, e os americanos Marcelo Milan, Gary Nagel e Calvin Curtis para participar do projeto. Yevhen Kotlyarchuk, Heorhiy Kuzyna e Valya Nalyvayko participaram na execução das partes vocais. 

As gravações começaram em dezembro de 1974. Durante nove meses, principalmente à noite, os músicos trabalharam no estúdio. As gravações foram concluídas em agosto de 1975 e, no final do ano, foi lançado o álbum «Ukrainian», que, com sua sonoridade original, se destacou entre outros álbuns ucranianos lançados na época no mercado norte-americano. O design da capa também é interessante, com a imagem de um pysanka ucraniano (ovo de Páscoa) no painel de um sintetizador musical, que ilustra originalmente o tema do álbum. 

Ler e ouvir AQUI 

sexta-feira, maio 30, 2025

Valsa com o sistema: música popular ucraniana de 1950-60

O filme documental «Valsa com o Sistema» conta como melodias e canções que os ucranianos conhecem e cantam até hoje foram criadas nas décadas de 1950 e 1960: «Duas Cores», «Canção do rushnyk», «Como não te amar, a minha Kyiv», «Cheremshyna» e tantas outras. 

Na primeira parte, o narrador do filme, Yuri Makarov, revela como Ucrânia entrou num período de significativas transformações sociais após a morte de Estaline. O alívio da pressão totalitária coincidiu com a migração em massa de jovens ucranianos rurais para as cidades, o que criou condições únicas para a síntese cultural. Os jovens que se mudaram para as cidades em busca de novas oportunidades trouxeram consigo tradições rurais e começaram a repensá-las num contexto urbano.

 

Na década de 1950, ocorreu um verdadeiro renascimento da canção ucraniana. Surgiram obras que se tornaram símbolos da época: a majestosa «Minha Kyiv», a romântica «Shakhtarochka» (literalmente A Mineirinha) e a tocante «Canção do rushnyk» (a toalha ucraniana bordada). Estas canções nasceram das profundas experiências pessoais dos seus criadores, entre os quais Platon Maiboroda e Andriy Malyshko ocupam um lugar especial. Criavam estas canções não devido as exigências formais do regime, mas a pedido de alma e coração, investindo nelas os verdadeiros sentimentos e experiências das pessoas. 

No entanto, por detrás da aparente liberdade de criatividade, escondia-se o controlo rigoroso dos serviços secretos soviéticos. Documentos dos arquivos do KGB atestam a vigilância constante sobre Andriy Malyshko, suspeito de esconder os «sentimentos nacionalistas». A sua correspondência foi vigiada e violada, as conversas eram escutadas e a sua obra literária foi cuidadosamente analisada em busca de «manifestações antissoviéticas». Isso não impediu ao artista de criar canções que tocaram ao coração de milhões de ucranianos. 

No segundo episódio, o narrador do filme, Yuri Makarov, revela como os anos 1960 foram marcados por uma clara distinção entre criatividade oficial e genuína. Os compositores e poetas eram obrigados a criar canções oficiais sobre o partido e a juventude comunista, o Komsomol, mas a verdadeira arte nascia nos seus tempos livres. Foi então que surgiram canções que os ucranianos queriam e muito cantar e ouvir: sobre o amor, sobre a sua terra natal, sobre experiências e sentimentos pessoais.

 

O progresso tecnológico deste período influenciou significativamente a difusão das canções ucranianas. O aparecimento de rádios portáteis, os discos LP, gravadores, amplificadores, microfones e instrumentos elétricos tornou a música mais acessível ao público em geral. As pessoas podiam ouvir as suas músicas favoritas em casa, gravá-las e trocá-las. Criou-se assim um espaço paralelo da vida musical ao oficial, onde a popularidade de uma canção era determinada não pela sua suposta correcção ideológica, mas pela sua capacidade de tocar o coração das pessoas. 

Os artistas ucranianos aprenderam a trabalhar de duas formas: criaram obras oficiais para satisfazer as exigências do sistema comunista, mas dedicaram as suas melhores forças criativas às canções que compunham para a alma. Estas obras não oficiais, nascidas de uma inspiração sincera, e não à partir de uma ordem partidária comunista, tornaram-se verdadeiros clássicos da música popular ucraniana. Hoje, lembramo-nos delas, e não de canções sobre o partido e o Komsomol, que testemunham o verdadeiro valor da arte criada ao pedido do coração. 

Na cena final, podemos ouvir a canção do compositor Myroslav SKORYK «Desenha a noite para mim». 

Infelizmente, por enquanto este filme verdadeiramente fundamental, não possui as legendas em inglês. No entanto, o recomendamos vivamente, pois mostra a cidade de Kyiv nas décadas 1950-60, tocando as músicas populares ucranianas daquela época.

quinta-feira, março 13, 2025

«Within Temptation» apela ao apoio à Ucrânia

A vocalista da banda holandesa «Within Temptation», Sharon den Adel, apelou aos seus seguidores para apoiarem Ucrânia após a decisão dos EUA de interromper a sua ajuda.

Em sua mensagem de vídeo postada no Instagram, a cantora admitiu que ela e seus companheiros de banda se sentiram impotentes e decepcionados com a notícia. «Ficamos decepcionados com a decisão da América, mas isso não significa que não podemos ajudar. As doações por meio dessas duas organizações realmente fazem a diferença», ela observou.

Sharon marcou a UNITED24 e a Ukraine Aid Ops.

Os assinantes responderam ativamente ao apelo. Nos comentários, muitos americanos expressaram vergonha pelas ações de seu governo, observando que «nem todo mundo votou de uma determinada maneira».

Dan Adel também pediu que seu apelo fosse compartilhado, e os fãs da banda começaram a repassar o vídeo em massa, apoiando a iniciativa de ajudar a Ucrânia.

Fonte: wtofficial | Instagram

segunda-feira, setembro 16, 2024

«Rushnychok» - o «The Beatles» da diáspora ucraniana na América do Norte

O quarteto ucraniano-canadense foi fundado em 1970 por descendentes de imigrantes ucranianos, amigos de infância Andriy Garasymovich (guitarra), Yuriy Shtyk (baixo), Yevhen Osidach (acordeão) e Stepan Andrusiak (bateria), que frequentavam o ensino superior em Montreal. 

Faça click para ouvir no YouTybe

Os quatro adoravam música, sabiam tocar instrumentos musicais e conheciam desde cedo as canções ucranianas. Primeiro, decidiram atuar numa das festas de Ano Novo Ucraniano, onde o público os recebeu tão bem que os rapazes decidiram continuar as suas atividades musicais. Nessa época, a música folclórica era muito popular, pelo que o aparecimento de uma banda ucraniana foi oportuno.

Em breve, «Rushnychok» foi convidado a atuar em Ottawa para o público metropolitano, o que foi o início da sua fama e de uma carreira de sucesso de 10 anos do quarteto. Existiu até 1980.

As canções folclóricas ucranianas populares constituíram a base do repertório da banda. O ponto alto do quarteto foi a polifonia aliada a uma sonoridade moderna. Os músicos posicionaram-se não só como um coletivo que toca música ucraniana, mas como uma banda ucraniana. Durante 10 anos de atividade, a «Rushnychok» lançou cinco coleções, algumas das quais eram originais e tinham uma cor ucraniana distinta. Para o sucesso contribuiu também o estilo do «Rushnychok», que tinha uma especificidade étnica distinta - um traje estilizado de cossacos ou hutsul, sempre com as camisas bordadas, as bases dos microfones sempre eram ornamentadas com as toalhas ucranianas bordadas. É interessante que a imprensa tenha comparado «Rushnychok» com os «The Beatles», sublinhando que se trata de um quarteto ucraniano.

Fonte

domingo, dezembro 24, 2023

Feliz Natal: War is not over (vídeo musical)

Natal na Ucrânia é assim. Não aconchegante, no círculo familiar, mas frio, nas trincheiras, bosques e ruínas, ao som de disparos e rebentamentos. 

Apenas as FAU garantem que nada disso acontecerá nas suas casas, mas apenas até último militar ucraniano ficar de pé...

quinta-feira, maio 11, 2023

🤝Imagine Dragons lançam o «Crashed» dedicado à Ucrânia

Imagine Dragons lançaram o vídeo oficial «Crashed» dedicado à guerra na Ucrânia. A personagem principal do clipe é o menino ucraniano Sasha, de 14 anos, que volta à sua aldeia de Novogrigorivka, na região de Mykolaiv, da qual quase nada restou. 
Os «Dragões» apoiam Ucrânia na sua luta pela liberdade desde os primeiros dias. O clipe é forte e profundo. Veja por favor e divulgue.




Cultura é quando se trata do algo real e relevante. Agora trata-se de mostrar ao mundo a chegada do «mundo russo» à Ucrânia. A verdade por trás da propaganda russa que apela aos acontecimento de há 80 anos, para justificar a sua decisão de erradicar Ucrânia e os ucranianos da face da terra.

domingo, maio 07, 2023

Hetman Ivan Mazeppa na herança cultural e histórica da Europa

Ilustração de Currier e Ives para a impressão do poema do Byron em 1846
Hetman dos cossacos ucranianos, Ivan Mazepa foi a figura histórica, mas também a personagem literária muito apreciada pelos escritores do romantismo europeu, no meio dos quais o estadista ucraniano era conhecido como Mazeppa.

Em 1819 poeta romântico inglês Lord Byron escreveu «Mazeppa», um poema narrativo baseado em uma lenda popular sobre o início da vida de Ivan Mazepa (1639–1709), que mais tarde se tornou Hetman (líder militar eleito) da Ucrânia. O poema de Byron foi imediatamente traduzido para o francês, onde inspirou uma série de obras em várias formas de arte.

Mazeppa, Lord Byron, Londres, 1819, 1ª edição

Voltaire também escreveu sobre Ivan Mazepa e sua pátria cossaca ucraniana em duas de suas obras históricas mais conhecidas: História de Carlos XII, rei da Suécia e História do Império Russo sob Pedro, o Grande. A atitude de Voltaire em relação ao Hetman ucraniano, e a independência ucraniana em geral, foi basicamente positiva no seu trabalho sobre Carlos, mas foi muito mais cautelosa, na verdade negativa, em sua História do Império Russo, que foi um trabalho encomendado e pago pela corte russa.

O escritor francês Victor Hugo escreveu sobre Ivan Mazepa e Ucrânia o seu poema «Mazeppa», parte da coleção Les Orientales (1829). O legado do Hetman ucraniano deixou a sua marca na música, assim, em 1828 surgiu «Mazeppa», uma obra para piano de Carl Loewe Op. 27 e em 1862 «Mazeppa», uma cantata de Michael W. Balfe com texto de Jessica Rankin.

Essas obras foram mantidas longe do currículo escolar ucraniano, pois as memórias do Ivan Mazepa foram perseguidas e proibidas quer pelo czarismo russo, quer durante a ocupação soviética, fruto à sua aliança estratégica com a coroa sueca, na Guerra do Norte. Da mesma forma que hoje, as referências a Kyiv e Kyivan Rus são apagadas dos livros de história da rússia.

Pela primeira vez, Byron e seu «Mazeppa» foram traduzidos ao ucraniano por Dmytro Zagul em 1929, uma figura proeminente do «Renascimento fuzilado». O crítico literário morreu em Kolyma em 1944. Foi traduzido pela segunda vez em 1959 por Oleksa Veretenchenko (natural de Kharkiv que já havia traduzido depois de emigrar para os EUA).

Louis Boulanger, Mazeppa, 1827

O poema de Lord Byron sobre Mazepa inspirou diversos artistas europeus. Em particular, após o aparecimento do poema de Byron, a história do Ivan Mazepa tornou-se um dos motivos favoritos de artistas franceses como Géricault, Delacroix, Chassériot, Vernet, Boulanger.

Uma parte do legado cultural de Ivan Mazepa:

  • «Mazeppa» (1826-52), estudo para piano de Franz Liszt;
  • «Mazeppa» (1851), poema sinfônico de Franz Liszt;
  • «Mazeppa» (1819), um poema de Lord Byron;
  • «Mazeppa» (1829), poema de Victor Hugo;
  • «Mazeppa» (1884), ópera de Piotr I. Tchaikovsky;
  • «Mazeppa» (1993), filme francês dirigido por Bartabas;
  • «Molitva za hetmana Mazepu» (2002), filme ucraniano de Yuri Ilyenko.
  • Parque Nacional Mazeppa, Queensland, Austrália.
  • Cidade Mazeppa Bay, África do Sul.

Fonte: TG Stara Poltava

quinta-feira, março 16, 2023

URSS: internacionalismo ou russificação?

Embora a propaganda soviética rezava a igualdade dos povos e etnias na URSS, por alguma razão misteriosa 12 hinos de repúblicas soviéticas e da própria URSS exortavam a «posição especial» do povo russo, da rússia ou da Rus´, sem mencionar que essa era historicamente conhecida como Rus de Kyiv.

«Internacionalismo ou russificação?» também é um título do livro do escritor, crítico literário, ativista social e dissidente ucraniano Ivan Dzyuba, escrito em setembro-dezembro de 1965. O livro foi publicado fora da União Soviética em ucraniano, inglês, russo, chinês, francês e italiano sem a permissão e conhecimento do autor. 

Faça click para ler online em inglês

Na Ucrânia este trabalho foi publicado pela primeira vez apenas em 1990 na revista «Vitchyzna» e em forma do livro em 1991. As autoridades soviéticas consideraram «Internacionalismo ou russificação?» como obra antissoviética, e sua distribuição, armazenamento e leitura eram consideradas uma ofensa criminal. Ivan Dzyuba perdeu o seu emprego, foi expulso do Sindicato dos Escritores da Ucrânia e foi perseguido pelo KGB. Em 1972, Dzyuba foi preso e sentenciado à pena efetiva de 18 meses.

Ou seja, até as canções soviéticas eram um poderoso instrumento imperial de russificação.

domingo, março 05, 2023

Robert Del Naja apresenta o remix da música ucraniana «Abraça»

Robert Del Naja da banda «Massive Attack» apresentou a sua versão, um remix da música ucraniana «Obiymy» / «Abraça» (Legacy of War Mix) do grupo «Okean Elzy». 

A faixa foi lançada em apoio à Ucrânia. Todos os fundos serão transferidos para a restauração de assentamentos destruídos na região de Kyiv, apoio à Ucrânia em cooperação com a Legacy of War Foundation e UNITED24.

Faixa, o vídeo está aqui:

🔸https://www.legacyofwarfoundation.com/ep23

Usando a ligação você pode ouvir a versão da música, assistir a uma colagem de vídeo que inclui fotos e vídeos musicais, feitos pela equipa/e de Robert, pela equipa/e da OE e pelo Slava Vakarchuk, assim como fazer a pré-encomenda do vinil.

Vyacheslav Vakarchuk conheceu Robert Del Naja no verão de 2018, após o show icônico de «Massive Attack» em Kyiv. Todos que estavam lá naquela época certamente se lembraram da frase em ucraniano que corria na tela atrás dos músicos e se tornou, como se viu, profética - «Estamos juntos em tudo isso».

Robert foi uma das primeiras pessoas a telefonar ao Vyacheslav Vakarchuk após a invasão russa em grande escala. Foi quando ele teve a ideia desta faixa.

Obrigado, por apoiar Ucrânia. Valeu!

quinta-feira, janeiro 12, 2023

«Shchedryi Vechir»: Kalush Orchestra e Arnold Schwarzenegger

«Shchedryi Vechir», o famoso ator americano Arnold Schwarzenegger apareceu no novo vídeo musical dos vencedores da Eurovisão 2022, os ucranianos «Kalush Orchestra», no qual falava ucraniano.
Detalhes: No início do vídeo, Schwarzenegger (narrador) se dirige aos ucranianos com as seguintes palavras: «Especialmente agora, neste momento tão difícil. Todos podem ter um sonho. E todos podem torná-lo realidade».

E no final do clipe, ele já está na companhia do pessoal de Kalush Orchestra e diz em ucraniano o título ucraniano da música - shchedryi vechir (literalmente «tarde generosa»).

quarta-feira, março 02, 2022

Canção ucraniana que poderá concorrer na Eurovisão 2022

O autor da composição por enquanto está desconhecido, logo que soubermos o seu nome iremos creditar a música. Canção dedicada aos drones Bayraktar TB2, que estão ter um papel essencial na defesa da Ucrânia. 

Algumas operações contra os invasores russos, conduzidos pelos Bayraktar TB2 e os seus operadores.




segunda-feira, junho 14, 2021

Oksana Sowiak: a diva alemã de origem ucraniana

Oksana Sowiak é uma cantora alemã de origem ucraniana. Estudou música e canto nos EUA e na Alemanha. Canta em ucraniano, alemão, polaco/polonês e iídiche (clássico, jazz, folclore judaico e ucraniano, chançon alemã).

Ela atuou com pianistas e guitarristas famosos, e tem sido convidada frequente na rádio e televisão dos Estados Unidos e da Europa. Gravou 7 discos LP e muitos CDs. Um dos discos é inteiramente em ucraniano (fonte).

segunda-feira, novembro 23, 2020

Os americanos escutam e apreciam a música moderna ucraniana

Dois casais americanos escutam e reagem à música moderna ucraniana: Jinjer – “Pisces”, Verka Serduchka “Dancing Lasha Tumbai” (Eurovisão 2007), Khrystyna Soloviy “Fortepiano” e Onuka “Time”.

Seguramente você também poderá descobrir aqui a sua banda ucraniana preferida!

Bónus

As discotecas na URSS na era das proibições (20 fotos)


sábado, junho 08, 2019

Ex-oficial do “Alfa” SBU e ciborgue do DAP entra na política ativa

O ex-oficial do agrupamento “Alfa” da secreta ucraniana SBU, o tenente-coronel Roman “Grom” Kostenko, que participou na defesa do DAP, optou por fazer a parte da lista do partido liberal Holos, liderado pelo músico e líder do grupo “Okean Elzy” Svyatoslav Vakarchuk.

Roman Kostenko servia no “Alfa” de SBU, mas após o dia 5 de maio de 2014, “Alfa” deixou de ser usada na frente da batalha como infantaria linear, passando agir na retaguarda e participando nas operações especiais, e Kostenko, como um combatente bem treinado e motivado, queria participar em combates. Ele tirou férias no SBU e secretamente, sem avisar os colegas ou família, foi para o aeroporto de Donetsk (DAP) para combater lá como voluntário. Na parede, onde os ciborgues deixavam as suas assinaturas havia uma inscrição “CSO “A” Grom Mykolaiv”. Foi um ato muito significativo, o militar de carreira, oficial decente, saindo de férias para o lugar mais perigoso da guerra russo-ucraniana, onde constantemente decorriam os combates corpo-à-corpo.

Roman é um oficial de spetsnaz profissional, ele se graduou no curso-Q das Forças de Operações Especiais (SSO) das Forças Armadas da Ucrânia (FAU), sob a orientação de instrutores americanos, ou seja, a pessoa tem o desejo de evoluir, ele poderia não fazer isso, o curso não é nada fácil, tem a duração de seis meses.
Roman Kostenko na OAT | arquivo pessoal
Até hoje, na Internet não se encontram as fotos do Roman com a face destapada, apenas a política poderá mudar essa situação (ler mais sobre Roman Kostenko).

No DAP, Roman Kostenko, um sapador motivado, se destacou pela organização da minagem do perímetro interior, no momento em que a metade do terminal estava perdido, conseguindo surpreender, de forma muito criativa, os mercenários russo e separatistas, que atacavam constantemente as forças ucranianas.

Até recentemente o tenente-coronel Kostenko era vice-chefe do agrupamento “Alfa” na região de Mykolaiv. Anteriormente servia na 79ª Brigada aerotransportada das FAU.
"Alfa" SBU na zona de OAT | arquivo
Blogueiro: neste momento, o partido Holos, que foi formalmente apresentado ao público ucraniano pela primeira vez em 16 de maio de 2019, é o partido que está crescer mais rapidamente nas preferências dos eleitores ucranianos, evoluindo dos 4,6% (16-21 de maio de 2019) aos 5,6% (29 de maio – 3 de junho de 2019), ou seja, crescendo em 1% em cerca de duas semanas.
Svyatoslav Vakarchuk na apresentação do seu partido Holos, Kyiv, 16/0/2019
O partido se posiciona como um partido de centro-esquerda, oficialmente, a sua ideologia é “social-democracia; liberalismo e pró-europeismo”. Tudo indica que o partido poderá “canibalizar” uma parte dos eleitores do Volodymyr Zelensky, aqueles que, por um lado, apoiam o vetor pró-europeu da Ucrânia (adesão à EU e NATO/OTAN) e por outro lado votaram em Zelensky como forma de protesto contra o lento avanço de várias reformas estruturais do país.

terça-feira, dezembro 25, 2018

Alyona Alyona, a nova estrela do rap ucraniano

No dia 23 de outubro de 2018, a rapper ucraniana Alyona Alyona, colocou no YouTube a sua composição «Rybky 2» (Peixinhos 2) — vídeo musical, que mistura a paródia de um programa infantil com um rápido hip-hop. Momentaneamente nasceu uma nova estrela.

O marketing viral funcionou e Alyona Alyona divulgou mais quatro vídeos, cada um conseguindo mais de um milhão de visualizações e dezenas de comentários, maioria em russo, à dizer que isso é muito melhor do que todo o hip-hop russo. Até recentemente, Alena Savranenko (27) era educadora no jardim-de-infância na pequena cidade de Baryshevka, na região de Kyiv.

Alyona Alyona por Alena Savranenko (Meduza.io, versão curta)

Terminei a escola e fui trabalhar. Comecei aos 15 anos, em Kyiv no mercado de Troeschyna, vendia malas e sapatos numa barraca de um chinês. Depois trabalhei como a caixa, coletora, faxinheira nos centros comerciais, vendedora. Foi formada em psicologia e comecei trabalhar como assistente social. Dava as consultas às pessoas que necessitavam: jovens mães, mulheres de famílias problemáticas, pessoas que foram libertadas das cadeias, toxicodependentes, alcoólicos/alcoólatras.  

Comecei trabalhar no jardim-de-infância, como educadora, por lá não existir a vaga de psicóloga. Adorei e me formei em educação de infância, trabalhei por cinco anos, no meu segundo jardim-de-infância cheguei à ser diretora  — me despedi apenas no início de dezembro deste ano.

Gostava de trabalhar lá, gosto de fazer aplicações, desenhar, as crianças me oiçam, gostam de mim. Ensinar as crianças coisas boas, ser pessoas boas. Criança, digamos, partiu um galho, explicava que assim a árvore não irá crescer, passarinho ficará com fome, esquilo também. As crianças aprendem ter a compaixão, amar, não fazer mal. Isso é muito importante.

Desde os meus 12 anos escrevia poesia, depois ouvi rap e entendi — assim é possível contar toda a história num único texto. Aprendi os programas musicais para escrever os beats. Tínhamos um grupo, com mais duas meninas. Mas elas foram embora e eu continuei. Dentro da comunidade rap ucraniana era conhecida como a rapper, fora dela ninguém sabia de mim.
Escrevia textos para ser aceite no meio do rap, sobre as coisas que nada tinham ver com a minha vida. Depois esqueci tudo isso e comecei escrever sobre a minha vida, comecei ler hip-hop de forma rápida, algo desprezado no meio do rap ucraniano.

Cerca de 10 anos atrás fiz a minha primeira faixa em ucraniano, depois comecei ler em russo, experimentei o inglês. Mas queria usar a língua ucraniana, isso é meu. Comecei ler a nova prosa ucraniana — hoje em dia composta por muitas obras interessantes. Como educadora eu usava a língua ucraniana — assim o meu vocabulário aumentou ainda mais. Eu penso, quase sempre, em ucraniano. Além disso, a estrutura da língua ucraniana é ligeiramente mais simples de que a língua russa é a língua mais melódica, mais fofa e poética, não é à toa que se chama “a língua do rouxinol”.

Porque as minhas composições obtiveram o sucesso? Primeiro porque eu me encontrei. Em segundo lugar, há muitas pessoas que vivem nas províncias, de uma forma parecida com a minha vida, as suas histórias são semelhantes às minhas. Além disso, o fato de eu ser uma educadora de infância desempenha um papel, é uma coisa bastante incomum.

Eu não tinha (e não tenho) nenhuma ideia de promover a ideia do “corpo positivo”. Sou do jeito que sou. Eu não aceitei isso de imediato – somente após completar os meus 20 anos, na universidade. Decidi que as coisas que eu amo [à fazer] são mais importantes para mim do que o meu corpo. Deixei de usar as mais diversas dietas. Temos que encarar tudo isso de forma mais fácil – então a vida se torna muito mais bonita e elegante.
Eu quero desenvolver a música ucraniana. Na Ucrânia, o hip-hop é ainda difícil – mas acho que tudo vai mudar muito em breve. E também gostaria de preparar [a sociedade ucraniana para que] aceite pessoas como eu, normalmente. Eu não pretendo perder 40 quilos – e se eu puder dar [às pessoas] através da música a oportunidade de acreditar em si mesmo, se sentir mais livres, desenterrar algum talento seu, algures, eu farei isso.

[Quando os meus alunos do jardim-de-infância viam os meus vídeos], eles diziam: Alena Olegivna, você é tão linda! As crianças gostam da minha música. Eu não digo palavrões nos textos. Me mandam os vídeos de crianças à dançarem sob as minhas músicas. Os pais aparecem e dizem – coloquei a sua faixa para a minha criança, nós gostamos tanto!