segunda-feira, maio 10, 2021

Julgado por terrorismo na Ucrânia, Rafael Lusvarghi é preso com drogas e munições no Brasil

Conhecido por prisões no Brasil e na Ucrânia, Rafael Marques Lusvarghi, de 36 anos, foi preso em Presidente Prudente (SP) com 25 quilos de maconha, uma porção de substância similar à cocaína e 350 munições de calibre 9 mm. O flagrante, registrado pela Polícia Militar na noite de 8 de maio, também teve a apreensão de dinheiro, passaportes, balança de precisão e uma motocicleta de origem suspeita. 

Nenhum advogado compareceu à Delegacia da Polícia Civil para representar Rafael. 

Em patrulhamento de rotina pela Vila Geni, policiais das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) suspeitaram de dois homens que “se assustaram” quando viram a equipe da PM. Ambos estavam em pé, ao lado de um veículo, e foram abordados. Nada de ilícito foi localizado. 

Pouco mais de 25 quilos de maconha foram apreendidos na casa de Rafael Lusvarghi
— Foto: Polícia Militar

Um deles passou dados desencontrados sobre sua identificação, mas depois informou ser Rafael Marques Lusvarghi, natural de Jundiaí (SP). Ele tem vasto histórico de prisões, inclusive em Kiev, na Ucrânia, sob acusação de terrorismo. 

Com divergências durante os questionamentos da PM, o suspeito de 25 anos acabou por confessar que estava ali para comprar maconha. O suspeito de tráfico, confrontado, informou que venderia quatro gramas de cocaína ao rapaz. 

Após as informações sobre drogas, os agentes disseram que seria necessário verificar os documentos pessoais e apurar a existência de substâncias ilícitas na casa de Rafael. Ele, então, confessou que possuía cocaína, munições e grande quantidade de maconha, e em seguida entregou a chave do imóvel aos policiais e autorizou a entrada. 

Maconha, cocaína e munições foram localizadas na casa onde Rafael residia, na Vila Geni, em Presidente Prudente — Foto: Polícia Militar
Maconha, cocaína e munições foram localizadas na casa onde Rafael residia, na Vila Geni,
em Presidente Prudente — Foto: Polícia Militar

Na vistoria da casa, os policiais localizaram em um dos quartos uma caixa de papelão e dentro dela 33 tijolos de maconha. Ao lado, em uma bacia, foram encontrados papéis filme, saquinhos zip e R$ 259,70, além de 3,10 euros, uma balança de precisão e um saco plástico contendo cocaína. 

Ao lado da porta, dentro de outra caixa de papelão, a PM também encontrou um total de 350 cartuchos íntegros de munição de calibre 9 milímetros. 

Ainda no quarto de Rafael foram apreendidos um notebook, vários passaportes, documentos pessoais, uma agenda com anotações e três aparelhos celulares. A polícia apreendeu ainda uma moto. 

O outro abordado, questionado, alegou ser usuário de maconha e foi ao local por indicação de um grupo de amigos. O rapaz de 25 anos foi liberado. 

De Kyiv a Presidente Prudente 

Conforme o Boletim de Ocorrência, Rafael foi interrogado sobre o motivo de sua estadia em Presidente Prudente. Ele confirmou que esteve preso em Kiev, na Ucrânia, acusado por participar de organização terrorista, acrescentando que desembarcou no Brasil há cerca de um mês e seguiu para a capital do Oeste Paulista “a procura de emprego, por indicação de um amigo”. 

Munições de calibre 9 mm foram apreendidas na casa de Rafael Lusvarghi,
em Presidente Prudente — Foto: Polícia Militar

De acordo com o registro, Rafael declarou que algumas semanas atrás, por meio de “contatos”, aceitou guardar entorpecentes e munições em casa a pedido de outras pessoas, supostamente desconhecidas. A função era remunerada em R$ 3.000 por mês. 

Com os fatos, confissão e apreensões, Rafael teve a prisão em flagrante ratificada na Delegacia Participativa da Polícia Civil por tráfico de drogas e pela posse ilegal das munições. Foi pedida a prisão preventiva dele, concedida pela Justiça, neste domingo (9 de maio). 

De acordo com a Polícia Civil, após passar por perícia, o produto que seria cocaína “não foi identificado”. Contudo, foi confirmada a presença de Tetrahidrocannabinol (THC).

Blogueiro: alguns anos atrás o nosso blogue avisava as autoridades e a sociedade brasileira sobre o perigo que representam os cidadãos brasileiros que se dedicaram às atividades terroristas no leste da Ucrânia. Que um dia eles iriam decidir voltar ao Brasil e que trariam, consigo, a violência que praticaram contra as populações civis da Ucrânia.

Ucranianos na defesa de Hong-Kong contra invasão japonesa

Na batalha de defesa de Hong-Kong em dezembro de 1941 participaram 1985 militares canadianos/canadenses, entre eles 81 ucranianos, todos inseridos na unidade dos Granadeiros de Winnipeg. 

No decorrer de um mês de combates contra os japoneses, 130 granadeiros morreram, entre eles 6 ucranianos. Outros foram tomados prisioneiros da guerra pelos japoneses, nos campos de concentração onde a taxa de mortalidade chegava aos 27%. 

Um dos sobreviventes foi Ivan Slipchenko, nascido em 1903 na cidade de Stebliv na Ucrânia. Nos primeiros anos de ocupação soviética Ivan emigrou, via China, através da cidade de Harbina até ao Canadá, onde vive na província de Manitoba, serviu no exército e trabalhava como mecânico. Com início da II G.M., Ivan, como reservista novamente é chamado ao exército canadiano, onde primeiramente foi colocado na Jamaica e depois no Hong-Kong. Passou 4 anos no cativeiro japonês, recebendo a permissão de contactar a família, pela primeira vez, apenas em Janeiro de 1945, quando os japoneses permitiam aos POW de contactar com as suas famílias via rádio (podiam dizer seu nome, que estavam bem e na captividade japonesa). 

Libertado pelas tropas americanas em setembro de 1945, Ivan Slipchenko pesava menos de 45 kg. Já os seus companheiros ucranianos e canadenses, que morreram defendendo Hong-Kong estão sepultados nos dois cemitérios locais Sai Wan War Cemetery e Stanley Military Cemetery, geridas pelo poder local (fonte).    

terça-feira, abril 20, 2021

Aline Gallasch-Hall de Beuvink: a Guerra Fria voltou

A deputada municipal de Lisboa, a luso-ucraniana Aline Gallasch-Hall de Beuvink descodifica o passado e presente da Ucrânia aos olhos do público português.


Ler mais sobre a história da sua família, situada no espaço e tempo entre Ucrânia, Brasil e Portugal.   

sexta-feira, abril 16, 2021

A nova doutrina russa: desumanização da Ucrânia e dos ucranianos

A tese do «povo fraterno» é esquecida, no seu lugar é promovida a tese da «culpa coletiva dos ucranianos», pela qual, até 40% ou mais dos ucranianos, devem ser perseguidos e exterminados com uso dos «tribunais militares» e Ucrânia como país ser desmembrada e anexada.

A agência estatal russa RIAN publicou recentemente o artigo do propagandista russo Timofey Epifantsev chamado «Da qual Ucrânia nós não precisamos». No texto, o assessor do Sergey Kirienko (o primeiro vice-chefe da administração da presidência russa), explica ao pormenor a visão, seguramente compartilhada pela atual elite política e muito provavelmente por uma parte da sociedade russa.      

1. Culpa colectiva dos ucranianos

A elite [ucraniana] e a população (povo) ucraniano) são apresentados como culpados pela resistência ao separatismo local e invasão russa na Donbas, a guerra defensiva é classificada de “guerra … contra o povo russo de Donbass e da Ucrânia”. Autor defende que “será impossível remover este fator de culpa, bem como prevenir o renascimento do nazismo ucraniano [Sic!], sem denazificação adequada e proporcional”. 

2. Desmembramento forçada da Ucrânia

...Dado o envolvimento da população na agressão (a verdadeira culpa do povo), neste caso, o regime de ocupação corretiva em relação à Ucrânia não deve de forma alguma granjear favores da população, recorrendo inclusive à retórica do “povo fraterno”, tentando “atraí-lo ao seu lado” de acordo com os costumes e no sentido de suborno eleitoral, isto é, como também é chamado, “alimentar” – será bastante suficiente libertar o povo da Ucrânia do regime nazista, estabelecer as garantias de neutralidade militar da Ucrânia e o possível restabelecimento do país como uma confederação de regiões, com não menos possível saída das regiões ocidentais e orientais de sua composição (se a Ucrânia permanecer [como Estado] em qualquer composição)... 

3. Repressões e extermínios em massa

Para conseguir estes objectivos autor advoga que a Rússia deve aplicar na Ucrânia “…a sua própria jurisdição militar (tribunal militar), sem recorrer às instituições da justiça internacional” e “…suspender a moratória da pena de morte”. 

4. O alvo e âmbito das repressões

O papel do partido nazista na Ucrânia é desempenhado por [cidadãos] oriundos das províncias da grego-católicas ocidentais, que penetraram em todos os sistemas de política, educação, cultura e forças armadas e, de acordo com várias estimativas conservadoras, levaram consigo até 40%, e possivelmente um número maior da população da Ucrânia. 

Blogueiro: ao mesmo tempo, as diversas cabeças falantes no Ocidente receberam a tarefa de propagar a ideia de que “Os EUA não querem saber dos ucranianos … O cálculo é … fazer descer uma cortina de ferro entre Europa e Ásia, impedir a nova rota da seda chinesa que ligará África, Ásia e Europa”.

sexta-feira, dezembro 18, 2020

Os genocídios soviéticos contra grupos étnicos e nações inteiras

Em 1937, na União Soviética ocorreu uma série de campanhas repressivas em massa contra os cidadãos soviéticos de etnicidade “estrangeira” (polacos/poloneses, alemães, letões, lituanos, estonianos, finlandeses, gregos, romenos, búlgaros, chineses, iranianos, afegãos e outros). 

No final da década de 1930, e de acordo com o mecanismo de responsabilidade coletiva, todos os cidadãos de etnicidade “estrangeira” (na ótica da URSS), eram vistos como base para atividades de espionagem e sabotagem de serviços de inteligência estrangeiros e como ambiente potencialmente desleal ao regime soviético, caíram sob suspeita. Os oficiais do NKVD começaram uma busca por espiões e sabotadores entre representantes de minorias nacionais muito antes do início do Grande Terror, ainda em 1934. Paralelamente, ocorreram as prisões de clérigos luteranos e católicos. A propaganda introduziu na sociedade soviética a ideia de sabotagem universal, “agentes estrangeiros”, a onipresença dos espiões ocidentais e a presença de uma “quinta coluna” na URSS. 

De agosto de 1937 à novembro de 1938, no âmbito de todas as “operações nacionais”, foram condenadas 335.513 pessoas, das quais 247.157 pessoas foram condenadas à morte, ou seja, 73,66% do total de condenados. No decorrer das “operações nacionais”, foram executados mutos comunistas e os seus simpatizantes que fugiram para a URSS, salvando-se da repressão nos seus países de origem (fonte). 

Cronologia do terror comunista soviético: 

9 de março de 1934 – decreto “Sobre medidas para proteger a URSS da penetração de elementos de espionagem, terrorismo e sabotagem”;

março de 1937 – início da campanha da “saída voluntária” dos estrangeiros da URSS; prisões em massa de pessoas em contato com diplomatas estrangeiros;

25 de julho de 1937 – “Operação alemã”, foram condenadas 55.005 pessoas, das quais 41.898 foram fuziladas;

11 de agosto de 1937 – “Operação polaca/polonesa”, condenadas 139.815 pessoas, das quais 111.071 fuziladas;

17 de agosto de 1937 – “Operação romena”, condenadas 8.292 pessoas, das quais 5.439 foram fuziladas;

20 de setembro de 1937 – “Operação de Harbin”, condenadas mais de 31.000 pessoas, das quais 19 mil fuziladas;

30 de novembro de 1937 – “Operação letã”, condenadas 21.300 pessoas, das quais 16.575 fuziladas;

11 de dezembro de 1937 – “Operação grega”, cerca de 15.000 detidos, cerca de 50% foram fuziladas ou morreram no GULAG;

14 de dezembro de 1937 – a diretiva do NKVD sobre a extensão da repressão no âmbito da “linha letã” contra estónios, lituanos, finlandeses e búlgaros. 9.735 pessoas foram condenadas no âmbito da “linha da Estônia”, incluindo 7.998 pessoas condenadas à morte, 11.066 pessoas foram condenadas no âmbito da “linha da Finlândia”, 9.078  foram condenadas à morte;

29 de janeiro de 1938 – “Operação iraniana”, condenadas 13.297 pessoas, das quais 2.046 à morte. 

Em 31 de janeiro de 1938, a Resolução do Politburo do Comité Central do Partido Comunista de União Soviética foi emitida sobre a extensão das operações nacionais até 15 de abril de 1938

1 de fevereiro de 1938 – “operações nacionais” contra búlgaros e macedônios;

16 de fevereiro de 1938 – “Operação afegã”, 1.557 pessoas foram condenadas, 366 à morte. 

Em 26 de maio de 1938, a Resolução do Politburo do Comité Central do Partido Comunista da URSS foi emitida sobre a extensão das operações nacionais até 1 de agosto de 1938. 

De acordo com essas e outras operações, os seguintes deveriam ser submetidos à repressão: alemães, romenos, búlgaros, polacos/poloneses, finlandeses, noruegueses, estónios, lituanos, letões, pachtuns, macedônios, gregos, persas, mingrelianos, laks, curdos, japoneses, coreanos, chineses, carelianos, etc. 

Com início da II G.M. outros 10 povos foram submetidos à deportação total com base na etnia: coreanos, alemães, finlandeses da Ingermanland, karachais, calmuques, chechenos, inguches, balcares, tártaros da Crimeia e turcos da Mesqueta. Sete deles – alemães, carachais, calmuques, inguches, chechenos, balcares e tártaros da Crimeia – também perderam as suas autonomias nacionais.

Muitas outras categorias étnicas, étnico-confessionais e sociais de cidadãos soviéticos foram submetidas a deportações na URSS: cossacos, kulaks/kurkuls de várias nacionalidades: polacos/poloneses, belarusoss, azeris, curdos, assírios, chineses, russos, iranianos, judeus iranianos, ucranianos, moldavos, lituanos, letões, estónios, gregos, italianos, búlgaros, armênios, hemichis, armênios “dachnacos”, turcos, tajiques, iacutos, abecasos, entre outros.

quinta-feira, dezembro 17, 2020

A noite polaca dos cristais em Lviv

O livro “Lwów – kres iluzji” (Lviv – o fim das ilusões) é o primeiro estudo histórico de grande envergadura que descreve o pogrom antissemita perpetuado pelos militares polacos/poloneses contra os moradores judeus da cidade de Lviv após a queda da República Popular da Ucrânia Ocidental (ZUNR) em novembro de 1918.

Por quase um século a historiografia polaca/polonesa descrevia essa tragédia como uma série de crimes banais, perpetuadas pelos ucranianos ou mesmo judeus, desertados do exército austríaco. 

O historiador polaco/polonês Grzegorz Gauden prova, de uma forma convincente, que a série dos pogroms judaicos que coincidiu com a proclamação da 2ª república polaca não era uma mera coincidência. 

Edição polaca/polonesa

A página histórica ucraniana IstPravda publica os trechos do seu livro: 

Às 5h30 do dia 22 de novembro de 1918 em Lviv, o futuro hino da Polónia soou como uma trombeta, que deu ao exército um sinal para atacar o bairro judeu [da cidade]. 

Após décadas de intensa doutrinação pela Democracia Nacional e pela Igreja Católica [polaca/polonesa], os judeus se tornaram para os polacos/poloneses um demônio que ameaçava o sistema cristão e o quarto invasor da Polónia. Na retórica política polaca/polonesa no início do século XX, os judeus eram retratados como o agressor mais perigoso. 

A sinagoga profanada. Foto: DAS INTERESSANTE BLATT

[…] 

A imagem de soldados polacos/poloneses enfurecidos batendo com espadas os judeus indefesos, mulheres e homens, aparece em muitos depoimentos. Para zombar dos judeus, eles usaram mais do que apenas espadas; eles também usaram coronhas de revólver e de espingardas/rifle, punhos, baionetas, chicotes, paus, lanças e lâmpadas de querosene para atear fogo aos lares judeus. 

O exército e o público polaco/polonês tiraram das “forças estrangeiras”, das forças judaicas, das pessoas indefesas tudo o que poderia ser suportado. E quando algo não podia ser tolerado, eles o destruíam. 

[…] 

A edição ucraniana

O pogrom não se limitou à violência física. Para quem o planeou, a violência simbólica e a humilhação dos judeus foram muito importantes. 

“22/XI, às 11 horas, vi pela janela que em frente ao santuário [judaico] estavam os restos dispersos de publicações da sinagoga, e dois oficiais vieram em uma carroça de duas rodas. Eles observaram por um longo tempo enquanto legionários e civis armados chutavam, queimavam e atiravam – esses restos”, testemunhou Pinya Posthorn. 

[…] 

A queima pública de livros sagrados, a queima de sinagogas e a profanação do cemitério judaico foram uma demonstração do triunfo polaco/polonês e do prazer de humilhar os judeus. 

Os perpetradores polacos/poloneses do pogrom não tinham assassinatos, estupros, incêndios criminosos, tortura e saques suficientes. Os judeus também deveriam ter sido privados de sua dignidade humana. O espetáculo de violência simbólica e corrupção pública, que começou nos dias do pogrom, durou semanas e meses em Lviv. 

Jornal polaco/polonês "Nowy Dziennik", 27/11/1918

[…] 

As histórias de vítimas e testemunhas não são capazes de transmitir o horror desses acontecimentos. Neles não se ouvem os uivos de pessoas espancadas, os gritos de mulheres estupradas, os gemidos de pessoas queimando em casas, os gritos de homens, mulheres e crianças, o lamento vindo das varandas, pátios e ruas do bairro judeu de Lviv. 

Ler mais em polaco/polonês e/ou ucraniano

quinta-feira, dezembro 10, 2020

O comunista canadense que se tornou dissidente ucraniano

O comunista canadense de origem ucraniana, Ivan Kolyaska (John Kolasky), veio à União Soviética estudar o “comunismo científico”. Chegou à ser preso e deportado, se transformando no crítico da União Soviética e da distopia comunista. 

Ivan Kolyaska nasceu em 1915 no Canadá, filho dos pais ucranianos. Tornando-se órfão do pai e passando as necessidades no decorrer da grande depressão, aderiu à ideologia comunista, foi um membro e ativista do PC do Canadá entre 1932 à 1968. Em 1963-64 estudou em Kyiv na Escola Superior do Partido, uma espécie de academia ideológica do PC soviético. 

Na Ucrânia soviética ele vê uma imagem completamente diferente daquela que foi lhe apresentada no Canadá pela propaganda soviética. A principal coisa que o impressionou negativamente foi a política estatal da russificação total, qual, Moscovo, à todo custo escondia dos olhos do exterior. Ele está começando a reunir evidências da política planeada do Kremlin de destruição da língua e da cultura ucraniana. Acabou por ser preso e depois deportado da URSS como estrangeiro indesejável. Se tornou um dos principais porta-vozes da Diáspora ucraniana na campanha pelos direitos nacionais. 

Escreveu vários livros. Não tinha a sua própria família, por isso viveu e morreu na casa de um outro dissidente ucraniano, Levko Lukyanenko. Foi enterrado na aldeia de Khotiv na Ucrânia.

quarta-feira, dezembro 09, 2020

A real escravatura kolkhoziana soviética

Durante décadas, aos camponeses soviéticos não eram atribuídos os passaportes internos, para garantir que sem o documento de identificação eles não abandonassem o campo. Mas além disso, os camponeses reformados recebiam como reforma os valores absolutamente baixos, impossíveis de alimentar uma pessoa adulta. 

Por exemplo, o blogueiro ucraniano Mykola Myts mostra o certificado da reforma da sua mãe, Agrepyna Myts, que em 1964 se reformou, após uma vida inteira trabalhando para uma fazenda agrícola estatal, recebendo a reforma de 6 rublos e 45 copeque (10,93 dólares ao câmbio oficial). Aos preços soviéticos da época, Agrepyna podia comprar 4,03 kg da mortadela mais barata, conhecida na Ucrânia como “felicidade de cão”, que os reformados mais abastados, moradores das cidades, compravam para alimentar os seus gatos e cães (os pets).

No entender do estado soviético, os camponeses poderiam ter a sua própria horta/roça/machamba e poderiam criar os animais domésticos (galinhas, cabritos, vacas), como tal, poderiam sobreviver com uma pensão absolutamente miserável, num país, onde na década de 1960 o salário mínimo era de 60 (e mais tarde de 70) rublos…

terça-feira, dezembro 08, 2020

O extermínio físico da fina flor da elite intelectual da Ucrânia


Nos dias 8-10 de dezembro de 1937 na região russa de Solovki foi fuzilada a 2ª etapa inteira de prisioneiros políticos – no total 510 pessoas. Entre eles a fina flor da elite intelectual da Ucrânia. 

Entre as vítimas estava a médica dermatologista ucraniana Volodymyra (Woldemira) Krushelnytska. No início da década de 1930 com toda a sua família ela se mudou de Lviv, sob ocupação polaca a cidade de Kharkiv, de momento, a capital da Ucrânia soviética. Em Kharkiv, em 1934 ela foi presa e enviada ao campo de concentração de Solovki, no mesmo ano foram presos e fuzilados dois dos seus irmãos, poeta, dramaturgo e pintor Ivan (29) e escritor e tradutor – Taras (26). Um ano depois, do desgosto morreu a mãe deles – atriz e escritora Maria Krushelnytska. No outono de 1937 na mata de Sandermokh na região russa de Karélia, inseridos na 1ª etapa de Solovki foi fuzilado o pai da Volodymyra — escritor Anton Krushelnytskiy (59) e seus dois irmãos economista Bohdan (31) e jornalista Ostap (26). 

Os seus assassinos foram condecorados, no total o grupo de carrascos recebeu 10 pistolas, 4 prendas valiosas, 1 relógio, 1 jogo de chávenas de chá e 150 rublos de prémio. Após o fuzilamento da 1ª e 2ª etapas de Solovki (mais de 1.000 prisioneiros), todos os membros do NKVD de Leninegrado, responsáveis pelo fuzilamento em massa foram condecorados “pelo trabalho altruísta na combate à contrarrevolução” (ordem do NKVD da região de Leninegrado do 20 de dezembro de 1937). 

Oficiais Derevyanko, Larioshin, Tverdohleb, Chigintsev, Vasiliev, Yershov, Kuznetsov e até motorista Fedotos receberam as armas pessoais. 2º tenente Alafer, capitão Matveev, 1º tenente Polikarpov e 2º tenente Shalygin receberam “prendas valiosas”. Motorista Voskresenskiy recebeu relógio. 

Capitão Matveev recebeu um rádio, em 1939 ele próprio foi preso. Três dias depois tenente Polikarpov se suicidou, na eminência também ser detido. O chefe local do NKVD Ivan Dobrovolskiy chegou ao posto do coronel, recebendo uma boa reforma, até que em 1957 foi considerado “despedido, pelas ações que desacreditam a patente do oficial”. 

Tenente Podgorniy, comandante do 225º pelotão de fuzilamento, recebeu em dezembro de 1937 a condecoração e 100 rublos de prémio pelo «bom desempenho dos serviços especiais e garantia da preparação combativa». Alferes Polikarpov recebeu a mesma condecoração e 50 rublos de prémio pelo «bom desempenho dos serviços especiais e garantia da preparação combativa». Oficial Antonov-Gritsiuk levou um jogo de chá (2ª etapa de Solovki). 

Na foto inicial: a família Krushelnytski antes do início do Grande Terror soviético: sentados (da esquerda à direita): Volodymyra (fuzilada), Taras (fuzilado), Maria (mãe), Larisa, pai Anton (fuzilado). De pé: Ostap (fuzilado), Halyna (esposa do Ivan), Ivan (fuzilado), Natália (esposa do Bohdan), Bohdan (fuzilado).

domingo, dezembro 06, 2020

«Ucrânia: História, Cultura e Identidades». O primeiro curso online sobre Ucrânia em inglês

O Instituto Ucraniano, a Universidade Nacional «Academia Kyiv-Mohyla» e o estúdio de educação online EdEra desenvolveram o primeiro curso online sobre Ucrânia em inglês – «Ucrânia: História, Cultura e Identidades». O curso guiará os ouvintes através dos mil anos de história ucraniana, desde Rus de Kyiv até a declaração de independência em 1991.

O curso ajudará a adquirir conhecimentos básicos sobre a história e a cultura ucraniana, além de quebrar os estereótipos de que a Ucrânia está associada apenas à guerra e à catástrofe de Chornobyl. É o maior país da Europa, berço de Kazymyr Malevych, Alla Horska, Oleksandr Dovzhenko e de muitos artistas talentosos e figuras públicas conhecidas em todo o mundo. Ucrânia sempre teve influência na história global.

O curso online «Ucrânia: História, Cultura e Identidades» será lançado como um MOOC. Consiste em 5 módulos:

·         Ucrânia independente;

·         Rus de Kyiv e a Idade Média;

·         Território ucraniano no início da era moderna;

·         Ucrânia no século XIX;

·         Ucrânia no século XX.

Os leitores do curso são os investigadores ucranianos e os professores da Academia Kyiv-Mohyla. O curso será gratuito. A data de lançamento do curso será anunciada em breve. Acompanhe as novidades do projeto nas nossas redes sociais.

Saber mais:

https://ui.org.ua/onlinecourse_en

https://web.facebook.com/UkrainianInstitute