As informações sobre a morte de Baker só agora surgiram em grupos russos de Telegram. De acordo com os dados ucranianos, o norte-americano morreu há dois anos – no início de setembro de 2024 – e estava listado como desaparecido em combate desde 27 de setembro de 2024. Apenas três meses se passaram entre a assinatura do contrato com o Ministério da Defesa russo e a sua morte.
Seth William Baker, nascido a 7 de setembro de 2000, era natural do Arizona. Serviu anteriormente no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (a Marinha dos EUA confirma que teve nas suas fileiras o cabo Seth William Baker, que servia como «especialista em combustíveis a granel» mas não confirma, se é a mesma pessoa que aparece em algumas filmagens da Internet, vestindo uniforme russo). Segundo Baker, ele foi dispensado do serviço militar por se ter recusado a se vacinar durante a pandemia de COVID-19, que vitimou 1,2 milhões de americanos. Tentou então ingressar na academia de polícia, mas não conseguiu atingir a pontuação necessária.
Sentindo-se perdido, desprezado e abandonado na sua terra natal, Baker converteu-se à fé ortodoxa e partiu para a rússia, onde assinou o contrato com o exército russo aos 2 de junho de 2024. Tinha 23 anos à data do contrato e da sua morte. Enquanto o Kremlin bajula publicamente a Casa Branca, os cidadãos americanos atraídos para a rússia pela propaganda russa estão a ser forçados a participar em ataques sem nenhum sentido ao lado de mercenários de África e da Ásia.
Os azarados podem ser alvejados pelas costas, como aconteceu com o norte-americano Russell «Texas» Bentley, que foi torturado, estuprado e morto por militares da 5ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados, e o seu corpo foi atirado ao poço de uma mina. A rússia pode falar o que quiser sobre a sua suposta «amizade» com os americanos, mas, na realidade, um passaporte americano não protege ninguém de um tiro, de um ataque brutal ou de represálias numa guerra neocolonial russa.
Baker foi enviado para o 1442º Regimento de Fuzileiros Motorizados da 6ª Divisão de Fuzileiros Motorizados. Esta unidade é conhecida pelas suas pesadas baixas e por habitualmente «zerar os efectivos», eufemismo russo para morte propositada e/ou assassinato dos seus próprios militares, como foi repetidamente relatado pelas esposas dos soldados daquele regimento.
Para Baker, o exército russo tornou-se também o seu último local de serviço. Três meses depois de assinar o seu contrato, morreu, e apenas um canal propagandista russo da rede social Telegram, se recordou da sua morte, e mesmo assim, dois anos depois.
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Blogueiro: o caso do Seth William Baker faz nós lembrar o caso do brasileiro Rafael Lusvarghi. Ambos pertenciam à classe médias dos respetivos países, ambos tiveram uma razoável posição social e uma possibilidade privilegiada de progressão na carreira. Ambos destruíram a sua própria carreira por razões absolutamente fúteis, entrando no espiral de auto-destruição. Em resultado, Baker morreu, de uma forma totalmente inglória, na qualidade do ocupante e agressor. Enquanto Lusvarghi teve mais sorte, ele «apenas» cumpre a pena numa cadeia brasileira, devido ao tráfico de droga e poderá ser libertado algures em 2029...

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