terça-feira, setembro 01, 2026

⏳ Revolucionária judia-ucraniana que tentou eliminar Lenine

Fanni Kaplan, 1890-1918. Foto: Wikipédia

Aos 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenine discursava num comício na Fábrica «Mikhelson», em Moscovo. Ao sair para o pátio e dirigir-se para o seu carro após o discurso, foram disparados três tiros. Duas balas atingiram Lenine — uma no pescoço e no ombro, outra no braço. Os ferimentos eram graves.

Logo de seguida, Fanni Kaplan (nome de nascença Feiga Roitblat, alcunha revolucionária «Dora»), de 28 anos, uma revolucionária judia, nascida na Ucrânia, que tinha cumprido anos de trabalhos forçados sob o regime czarista, foi detida nas proximidades. Revolucionária anti-monárquica de longa data, após a revolução democrática russa de fevereiro de 1917, ela foi libertada e juntou-se ao partido dos Socialistas Revolucionários (SR), conhecidos como eseres.

Fanni Kaplan, foto após a detenção pela CheKa

Durante o interrogatório, Kaplan assumiu a responsabilidade pela tentativa de assassinato. Afirmou que já tinha decidido há muito tempo matar Lenine, por considerá-lo um «traidor da revolução». Uma das principais razões foi a liquidação da Assembleia Constituinte pelos bolcheviques em janeiro de 1918, após a derrota dos bolcheviques nas eleições para os seus rivais, SR. Kaplan alegou ter agido sozinha e recusou-se a revelar onde obteve a arma ou se teve cúmplices.

Pistola que foi usada na ação

A investigação bolchevique foi extremamente breve. Aos 3 de setembro, apenas quatro dias após a tentativa de assassinato, Kaplan foi sumariamente executada dentro do recinto do Kremlin, por comandante do Kremlin, por ordem de mais alta liderança bolchevique. O seu corpo foi profanado, queimado dentro de um tambor, regado com a gasolina. Os restos mortais, muito possivelmente, foram atirados ao Rio Moscovo.

Na mesma manhã, o chefe da Cheka local, Moisei Uritsky, foi assassinado em Petrogrado. Os bolcheviques usaram estes dois acontecimentos como justificação para um aumento drástico da repressão. Poucos dias depois, aos 5 de setembro, o Conselho de Comissários do Povo adotou oficialmente o decreto «Sobre o Terror Vermelho».

No entanto, as provas de que Kaplan foi a autora efetiva dos disparos não são consideradas absolutamente conclusivas. Testemunhas oculares deram relatos contraditórios, poucas testemunharam o disparo em si, e a execução sumária de Kaplan afastou a possibilidade de uma investigação completa, e muito menos imparcial.

Em 2016, na Ucrânia foi produzido um filme dramático-histórico, chamado «A minha avó Fanni Kaplan», que explorava a vida e história pessoal da Fanni, desde a sua meninice na Volyn, até a vida revolucionária, no mundos dos anarquistas e eseres, nas derradeiras e muito conturbadas décadas da existência do império russo.

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