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sexta-feira, setembro 11, 2026

Os crimes russos em Kyiv e Pavlohrad: mortos e feridos entre os civis ucranianos

Na manhã de 9 de setembro, um drone russo atingiu um edifício residencial multipisos em Kyiv, ferindo quatro civis ucranianos. Os ocupantes russos atingiram o centro de Pavlograd, 5 civis ucranianos morreram e cerca de 67 ficaram feridos.


Durante a noite, um ataque russo atingiu também um posto fronteiriço internacional na região de Odesa, junto à fronteira com a Moldova, causando dois mortos e três feridos. O funcionamento do posto foi suspenso.

O Dia de Luto Municipal em Pavlohrad, 09.11.2026

A rússia atacou também as regiões de Dnipropetrovsk, Mykolaiv, Zaporizhzhia, Kharkiv, Zhytomyr e Kyiv.

Como é de costume, as forças russas desrespeitam as regras de guerra, atacando, deliberadamente,
as unidades de socorro e de emergência, que tentam salvar as pessoas, Zolochiv, região de Kharkiv

Moscovo não pode entrar no inverno acreditando que o seu terror com mísseis e drones ficará sem resposta. Os parceiros da Ucrânia sabem do que o país mais precisa. Ucrânia agradece a todos os que apoiam o país e o seu povo.

Os ocupantes russo atingiram, usando drones Shaheed/Geran à jato, dois postos de abastecimento de combustível em Kyiv. Em plana luz do diz, quando nos locais estavam muitos civis. Há civis mortos e feridos.

Na cidade de Pavlograd, na região de Dnipropetrovsk, os ocupantes russos atacaram deliberadamente o centro da cidade, o local muito movimentado pelos moradores e vizitantes, em resultado do ataque russo 5 civis foram mortos e cerca de 67 ficaram feridos.



Os socoristas ucranianos de DSNS prestando os primeiros socorros em Pavlohrad

Para homenagear as vítimas do ataque russo, a cidade proclamou o dia 11 de setembro de 2026 como o Dia de Luto Municipal.


 

quarta-feira, setembro 02, 2026

Repressões Políticas, Violência e Resistência na Moldova socialista, 1924-1956

A 17 de agosto de 1937, o NKVD lançou oficialmente a “Operação Romena” na República Autónoma da Moldávia (parte da Ucrânia soviética). Sob o pretexto de combater a espionagem romena, NKVD realizava detenções em massa. Romenos, moldavos, ucranianos, russos, judeus, alemães e búlgaros foram o seu alvo.

As repressões no âmbito da “linha romena” foram rapidamente combinadas com purgas de pessoal. NKVD utilizou acusações de espionagem à favor da Romênia para eliminar os líderes políticos e culturais da autonomia.

Um dos objetivos oficiais da criação da ASSR da Moldávia em 1924 foi formar uma elite comunista que falasse romeno, língua que era designada por “moldavo” na URSS. Moscovo esperava utilizar os seus representantes para sovietizar a Bessarábia.

O Grande Terror destruiu uma parte significativa desta elite. Quando a URSS ocupou a Bessarábia, em 1940, quase não havia líderes que conhecessem a língua e a cultura local. Durante décadas, a liderança da RSS da Moldávia esteve entrincheirada nos quadros da antiga autonomia da margem esquerda do Dniestre, que tinham ligações com Kyiv e Moscovo.

De acordo com os dados atualmente disponíveis, 8.292 pessoas foram presos e condenadas durante a “operação romena”, das quais 5.439 condenados à pena de morte. NKVD inventou a sua própria “rede de espiões” à partir de biografias transfronteiriças, confissões sob tortura e nomes que os detidos forneceram, tentando salvar-se a si próprios e aos seus entes queridos. Entre eles não estavam apenas romenos: o nome da operação não determinava o círculo das suas vítimas.

Os registos mostram como o local de nascimento e os familiares residentes no estrangeiro, isso é, fora da URSS, eram vistos pelo NKVD como «provas de espionagem», e que os organizadores desta purga, eles próprios, se viram rapidamente vítimas de uma purga seguinte e como esta operação é hoje recordada em Moldova e na Roménia.

O material é baseado no livro de Igor Cașu «Dușmanul de clasă. Represiuni politice, violență și rezistență în R(A)SS Moldovenească,1924-1956, Cartier, 2015.» (O Inimigo de Classe. Repressões Políticas, Violência e Resistência na R(A)SS da Moldova, 1924-1956), Cartier, 2015, 389 páginas, PDF, ler e/ou descarregar/baixar gratuitamente em romeno.

A ocupação soviética da Bessarábia (região histórica, que atualmente em cerca de 70% pertence à Moldova e 30% à Ucrânia), anexada à União Soviética em 1940 e novamente, no fim da Segunda Guerra Mundial, é descrita no livro «Quanto custa uma pessoa», de uma honestidade absolutamente brutal, escrito e com as ilustrações de Eufrosínia Kersnovskaya (1907–1994), uma proprietária rural, que perdeu tudo em resultado da ocupação soviética e acabou no Gulag, que milagrosamente sobreviveu graças à sua força de vontade, saúde e educação. A descrição do início da ocupação soviética da Bessarábia faz lembrar a ocupação russa da Crimeia em fevereiro-março de 2014 — o mesmo equipamento russo que entrou sem que ninguém esperasse, e os soldados que apenas fingem serem «pessoas educadas», e na verdade — matam.

Eufrosínia Kersnovskaya «Quanto custa uma pessoa»

«Estávamos em 1940... No dia 27 de Junho, regressando do campo à noite e depois de terminar as tarefas domésticas, sentei-me com a minha mãe para tomar chá. A lâmpada não estava acesa: o pôr-do-sol brilhava lá fora, através da janela — a 'iluminação' preferida da minha mãe — e sentámo-nos junto à janela aberta, tomando chá lentamente e ouvindo o rádio. Nove horas. As últimas notícias estão a ser transmitidas de Bucareste: 'Londres informa...' Primeiro — sobre a situação em batalha, que é muito triste para a França: os alemães estão a avançar para sul sem qualquer resistência;

Devido à fome de 1947, novamente o número de mortos era tão grande que os
caixões não chegavam para todos

E de repente, com a mesma voz monótona, o locutor continua:

— A União Soviética reivindicou o território da Bessarábia. Uma comissão mista composta por... generais está a caminho de Odesa para resolver esta questão...

A minha mãe levava a chávena à boca. A mão tremia-lhe, e a chávena tilintava no pires. Lembro-me do seu olhar confuso:

— Como assim? O que será isto? O quê?

Acho que não percebi o que ouvimos. Ou pareceu-me algo fútil — mais uma “disparate”.

— Veremos o que acontece. Enquanto isso, beba o seu chá! — disse imperturbavelmente.

— «Assina! E poderás comer tudo isso e irás dormir!» (uma das técnicas de interrogação soviéticas, quando o investigador do NKVD fazia-se passar por «bom rapaz»)

Agora é até difícil imaginar que o coração, que deveria ser um presságio, não tenha previsto nada. É como se nada de semelhante tivesse acontecido nas repúblicas bálticas recentemente e como se não conseguíssemos adivinhar onde isso iria dar! Uma coisa é certa: nessa noite, sentámo-nos à mesa despreocupadamente pela última vez… Não terminámos o chá e levantámo-nos da mesa deprimidos. A mamã estava chateada, e eu… Ah, não fazia a mínima ideia do que nos esperava. À noite, carros com os faróis acesos. Pensávamos que eram romenos. Nunca nos ocorreu que tivesse sido construída uma ponte de barcas em Buzherovka e que aqueles fossem tanques e veículos blindados soviéticos.

Não fazia ideia de que uma reviravolta brusca tinha ocorrido nas nossas vidas e que tudo o que era familiar e inabalável já tinha desaparecido algures para lá do horizonte...” 

sexta-feira, agosto 28, 2026

🔥Ucrânia atinge e danifica o bombardeiro estratégico russo Tu-95MS

Na noite de 28 da agosto, os drones ucranianos atingiram o bombardeiro estratégico russo Tu-95MS, estacionado na aeródromo militar Engels-2 na região de Saratov. O aparelho era usado para a realização de ataques de mísseis contra Ucrânia. 

No ataque anterior, no dia 17 de agosto, as forças ucranianas atingiram e danificaram um Tu-95MS de treino, estacionado no mesmo aeródromo de Engels-2.

Tu-95MS de treino que perdeu a sua cauda em resultado do ataque ucraniano de 17.08.2026

Dado que os blogueiros militares russos, se apressaram dizer que não havia os bombardeiros Tu-95MS em Engels-2. Uma das páginas ucranianas de OSINT mostrou as imagens de satélite que comprovam o óbvio: um Tu-95MS foi atingido na noite de 28 de agosto, ficou com a asa direita gravemente danificada e um outro Tu-95MS foi danificado do ataque anterior. Além disso, os mísseis/drones ucranianos atingiram os armazéns de suprimentos, imagem claramente visível na fotografia tirada por satélite (na parte superior direito da imagem abaixo).

Aeródromo militar russo Engels-2 visto à partir de satélite

Na região russa de Yaroslavl, os drones ucranianos atingiram a refinaria local, que ficou em chamas. A Força-Tarefa composta por unidades de Forças de Operações Especiais SSO-SOU. 



Dois drones ucranianos voando ao encontro do seu alvo

A refinaria de Kstovo. A torre AVT-6 foi atingida. Em redor da AVT incendiada, estão posicionados vários guindastes, que estão tentar recuperar a instalação.

Os trabalhos de reparação da torre de produção AVT-6

A refinaria de Kstovo («LUKOIL-Nizhnegorodnaftoorgsintez») se posiciona entre 3 à 4 maiores refinarias da rússia, com uma capacidade de processamento de cerca de 17 milhões de toneladas de petróleo por ano.

Momento da explosão e pós-explosão, que liquidou o major da força aérea russa em São Petersburgo. A liquidação do Sergei Sechkov, um oficial, afecto ao regimento de helicópteros, responsável em bombardear a população civil ucraniana, foi confirmada pelo seu pai. A publicação russa Meduza escreve, que uma russa de 24 anos foi identificada como suspeita da ação. O seu nome não foi divulgado.

 

De acordo com a publicação, a alegada operacional não residia em São Petersburgo. Um dia antes da explosão, chegou de uma outra cidade e colocou a bomba na noite de 26 de agosto. Na manhã seguinte, embarcou num voo para a Turquia. Quando os agentes do FSB a identificaram e contactaram as autoridades turcas, descobriram que a suspeita já tinha chegado a Chisinau, portanto estando sá e salva, longe da jurisdição russa.

Sergey Sechkov, o major liquidado

Os dados pessoais do militar liquidado


Local de explosão, num bairro militar de São Petersburgo

sexta-feira, fevereiro 13, 2026

A enciclopédia ilustrada dos horrores e abominações do GULAG soviético

A fazendeira e escritora Eufrósínia Kersnovskaya passou 12 anos da sua vida aprisionada no GULAG soviético. Produziu centenas de pinturas, que com a precisão fotográfica mostram os horrores e abominações dos campos de concentração comunistas da União Soviética. 

Eufrósínia Kersnovskaya

Há uma verdadeira enciclopédia nessas imagens. Elas contêm um material tão informativo que nenhum memorialista consciencioso ou coleção de documentos poderia fornecer. O olhar perspicaz da artista captura situações que jamais poderiam ser registradas por fotografia e cinema (fotógrafos e cinegrafistas eram simplesmente proibidos no GULAG): a vida em confinamento solitário e celas compartilhadas, os horrores dos embarques, as etapas, a vida nos campos de Estaline, o trabalho dos prisioneiros em hospitais e serrarias, em necrotérios e nas minas, escreve blogue Antisovetsky. 

Chegada de uma nova etapa ao «campo corretivo-laboral» do GULAG
Kersnovskaya se lembra de tudo — como eram as parashas (latrinas), como os prisioneiros se vestiam, como aconteciam os interrogatórios, os shmons (rusgas), as lutas corporais, a lavagem nos banhos públicos e as rotinas de necessidades fisiológicas, os enterros dos mortos, os amores e romances.

«Descanso curto ao caminho da cova»

Com uma lapidação precisa, ela retrata seus anos de GULAG e nos trabalhos forçados, seus camaradas na desgraça e seus carrascos. Todos os tipos de personagens existem nesses desenhos: guardas prisionais, urkas (criminosos), professores doutores, delatores, presos especiais, menores, dokhodyagi (quase-mortos), camponeses, zhuchkas ((1) jovem prostitutas; 2) ladras; 3) concubina fieis)), brigadeiros laborais, koblas (lésbicas ativas), padrinhos (oficiais do NKVD encarregados da segurança interna dos campos), prostitutas. E tudo isso foi capturado por Kersnovskaya com precisão cinematográfica. Quase não há estática – tudo se move, age, vive, nas suas imagens. A carga psicológica e emocional das imagens está no limite! 

«Dúzia dos quase-mortos são levados aos trabalhos» 

Eufrósínia nasceu em em 1908 no sul da Ucrânia, em Odessa. Sua mãe era professora de inglês e francês. Seu pai era advogado e criminologista. Eufrósínia recebeu uma excelente educação e falava nove idiomas, no entanto optou por se formar em veterinária. 

Fugindo dos horrores do comunismo e do terror vermelho, após a queda da República Popular da Ucrânia (UNR), família conseguiu fugir à Romênia. Lá, na região de Bessarábia, perto da cidade de Soroki, na vila de Tsepilovo, ficava uma propriedade da família. No final da década de 1930, seu pai faleceu. A filha e a mãe teriam continuado morando em sua casa até que em agosto de 1939, a Alemanha nazi e URSS comunista assinaram um pacto de não agressão, que dividia as suas «esferas de influência» na Europa Oriental. O Exército Vermelho veio do oeste, e as pessoas da sua «esfera de influência» foram enviadas para a Sibéria em vagões de gado. Kersnovskaya também foi deportada, por ser «uma proprietária» e representante de uma «família rica». Ficou presa de 1942 a 1952, período durante o qual lavava roupas de cama de hospitais, passou pelo localidade de Zlobino, como ela chamava de «mercado de escravos de Norilsk». 

Uma lição de «economia» socialista 

«Aqui, crianças estão espalhadas em fila ao longo de um campo de trigo não colhido, a professora está explicando algo... Finalmente, entendi: essas crianças magras e famintas estão queimando o trigo...»

«... Galopando pelo campo... Não sei quem era. Aquele cavaleiro parecia mais um oprichnik! Só que na sela não havia uma cabeça de cachorro ou uma vassoura, mas um monte de mochilas. O que está acontecendo? O que aquelas crianças magras e as velhas fizeram de errado enquanto colhiam espigas de milho? Elas me explicaram na aldeia: 'Não recebes nada por um dia de trabalho. Quando você colhe espigas de milho, pode levar/pegar até 10 quilos... 

Mas as espigas de milho vão se perder de qualquer jeito! – 'Vão se perder mesmo. Mas se você permitir que colham as espigas de milho, ninguém vai trabalhar? Ou talvez elas deixarão as espigas [no campo] de propósito.'» 

Uma lição de alfabetização política 

Quando Kersnovskaya estava numa prisão na região de Altai, ela aprofundou os seus conhecimentos políticos. Ela escreve: «Uma jovem que saiu para passear conosco foi presa por não denunciar um homem que, usando quinze fósforos, formou o número «fatal» 666, depois a palavra «serpente» e, finalmente, «Lenine». Para mim, com minhas «limitações europeias», parecia que [cidadão] só se podia ser responsabilizado por seus próprios atos. Comecei a perceber, com dificuldade, que aqui, neste país, até mesmo palavras ditas são consideradas um crime. Mas ser mandada para a prisão por algo que se ouviu — não! Isso supera qualquer coisa que um louco possa imaginar em meio ao delírio!»

Uma lição de ateísmo

«Às vezes, um grupo [de mulheres] se reunia na pocilga... Uma vez, Irma Melman trouxe uma coleção de poemas antirreligiosos. É difícil dizer qual desses poemas era o mais estúpido e vulgar». 

«Qual a minha opinião sobre essa 'poesia'?», você pergunta. 

«Bem, uma pocilga é o lugar mais apropriado para ler tais poemas. Uma lixeira serviria igualmente bem...» Dei de ombros, respondendo às perguntas de Irma Melman, e fui alimentar os leitões. Longe de pensar que isso selava meu destino... Fui acusada de agitação antissoviética e atividade subversiva em uma granja de porcos, e também de ódio ao 'orgulho da poesia soviética — Maiakovski'." 

Sob essa acusação Eufrósínia Kersnovskaya foi enviada para Norillag.

Uma lição de «racionalização» soviética (a experiência de Norillag) 

Antes da II G.M., os prisioneiros eram enterrados em caixões rudimentares; durante a guerra, o número de cadáveres aumentou tanto que inventaram o chamado carro funerário — uma caixa sobre rodas onde os cadáveres nus eram colocados, em forma sobreposta. Ironicamente, o inventor desse «carro funerário» morreu subitamente e estava em uma das primeiras viagens. Em 1947, começaram a transportar prisioneiros em caixões novamente dos quais, aliás, eram lançados/jogados às valas comuns. 

«No momento da chamada todos devem estar presentes, Mesmo os mortos» 

Uma lição de humanismo socialista 

Enquanto trabalhava no hospital central do campo de prisioneiros de Norilsk, sua primeira morte ocorreu em serviço. «Um tártaro, originário da Crimeia, estava morrendo. Reunindo suas últimas forças, ele se sentou, me chamou e disse: 'Irmã! Aqui está o endereço da minha esposa... Escreva para ela.' Eu fiz o que ele pediu. Me meti em encrenca por isso! Mal sabia eu que um prisioneiro moribundo não tem o direito de se despedir — nem mesmo por carta — de sua família? Se eu ousar relatar outra morte, eles me mandarão para um campo penal para cavar areia». 

Uma lição sobre a verdade comunista

Em 1960, sete anos após a morte do Estaline e em pleno «degelo» de Khruschev, Eufrósínia Kersnovskaya, uma operária de explosivos da mina 13/15, escreveu uma carta ao jornal da cidade «Zapolyarnaya Pravda» sobre violações de normas de segurança no trabalho. Uma prestigiosa comissão, a pedido da redação, verificou os fatos e concluiu que a denúncia era uma calúnia contra cidadãos soviéticos.

No texto publicado em resposta, Eufrósínia foi acusada de «maldade», de ser proveniente de uma família rica e que os seus pais «fugiram para o exterior». O texto a acusava de «malícia contra tudo o que é soviético, herdada de seus pais», dizia que ela «apoia abertamente os nazistas» (?) e que «mesmo depois de cumprir sua pena, continua seu trabalho sujo» (?). Em resumo, os mineiros soviéticos estão lutando pelo título de uma mina de trabalho comunista, e Eufrósínia «ainda tem veneno nos lábios» (artigo se chamava «Uma Mosca Não Pode Eclipsar o Sol»). 

Houve então uma reunião no local de trabalho de Eufrósínia Kersnovskaya, mas as autoridades soviéticas sofreram uma derrota esmagadora: os mineiros saíram em sua defesa. Disseram que Kersnovskaya era uma excelente técnica de explosivos, uma camarada confiável e uma pessoa bondosa. A tentativa de prisão da investigadora fracassou... Então ela foi «aconselhada» a deixar Norilsk. Pediu para trabalhar por mais um ano e quatro meses até completar o tempo que lhe permitiria se reformar/aposentar mais cedo. O pedido foi negado. Assim, ela deixou para sempre a odiada Norilsk em 1959.

Um selo postal da Moldova, dedicado à Eufrósínia Kersnovskaya

Eufrósínia Kersnovskaya morreu em 8 de março de 1994 na cidade russa de Yesentuki. Autora de um livro de memórias (2.200 páginas manuscritas), acompanhado por 700 desenhos, sobre sua infância em Odesa e na Bessarábia, sua deportação e a sua prisão no GULAG. O texto completo das memórias de Evfrosinia Kersnovskaya, em seis volumes, foipublicado somente em 2001–2002.

Ler o livro de suas memórias «Quanto custa uma pessoa», +18, em russo


terça-feira, agosto 12, 2025

Os mercenários estrangeiros presos na rússia: bilhete só de ida

O contrato com o Ministério da Defesa russo é um bilhete só de ida. A rússia decididamente não liberta e não libertará os mercenários estrangeiros cujos contratos expiraram. A sua libertação só acontece em três casos: morte, invalidês ou a sua rendição aos militares da Ucrânia.  

As forças armadas russas russas recrutam, usam e sacrificam os mercenários estrangeiros, provenientes do Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Turquemenistão, Tajiquistão, Belarus, Sérvia, Cuba, Síria, Nepal, Índia, Sri Lanka, Brasil, Egito, Gâmbia, Argélia, Camarões, Gana, Nigéria e Marrocos. 

Alguns familiares e amigos destes mesmos mercenários contactam o projeto ucraniano «Quero Viver», tentando descobrir o paradeiro dos seus, dado que muitas delas simplesmente desapareceram. Ninguém sabe, ao certo o paradeiro de cada um dos que constam nas listas ucranianas – muitas vezes, nem o Ministério da Defesa russo sabe do seu paradeiro. O que se sabe com certeza é o que espera todas estas pessoas no futuro. 

Muitos mercenários estrangeiros que assinaram, conscientemente ou não, o contrato com as forças armadas russas estavam convencidos de que estavam a assinar contratos a termo certo de um ano. Mas não é o caso. Tal como no caso dos militares russos contratados ou mobilizados ào exército russo, os comandantes russos possuem o poder administrativo de prolongar os seus contratos até o fim da atual guerra. Naturalmente fazem-no com muito gosto. 

O projeto ucraniano «Quero Viver» possui as listas com os nomes de mais de 3.000 mercenários estrangeiros de 86 países cujos contratos com o exército russo ja expiraram, mas os mesmos foram automaticamente prorrogados. Se estes mercenários esperavam deixar o exército russo legalmente, só o poderiam fazer isso mortos ou então gravemente feridos, perdendo braços ou pernas, ou até ambos... 

Não há nada de surpreendente no facto de a rússia não deixar partir estrangeiros e obrigá-los a lutar até à morte ou invalidez. É assim que os próprios russos lutam, e ainda mais os cidadãos estrangeiros, pagos pelo seu desejo de matar os ucranianos e destruir a sua economia. A única esperança dos cidadãos estrangeiros que caíram na armadilha dos recrutadores russos é que os seus governos nacionais pressionem activamente a rússia. 

No verão de 2024, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, fez um ultimato ao putin: a rússia deveria libertar os cidadãos indianos recrutados, permitir o seu regresso à Índia e parar os recrutamentos futuros. A rússia, efetivamente, obedeceu, recuando e permitindo a saída dos mercenários indianos da frente de combate. 

Este é mais um lembrete para todos aqueles que têm a ilusão de que podem fazer um bom acordo com o diabo... 

Salve a sua vida e renda-se às FAU: t.me/spasisebyabot

Ligue para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos) 

Escreva para o Telegram ou WhatsApp:

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Por favor, divulgue essa imagem e o hashtag em todo o lado:

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  • #arrestputininalaska
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sábado, junho 21, 2025

Transnístria: os separatistas da Moldova acarinhados por Moscovo

Bandeira da Moldova é içada em Tighina (município de Bender)

Em 19 de junho de 1992, o conflito entre a Moldova e a autoproclamada República da Transnístria entrou numa fase acirrada: combates em larga escala começaram na região de Bender.

Os mercenários «cossacos» russos

Possivelmente milícia da Moldova

Exército/combatente da Moldova

Possivelmente as forças da Moldova

As tensões entre Chisinau e Tiraspol vinham crescendo desde agosto de 1990, quando Transnístria (uma faixa industrial da margem esquerda do rio Dniester) declarou a formação da república dentro da Moldávia socialista. Na primavera de 1992, ocorreram confrontos em Dubossary e Grigoriopol, e em junho, os combates envolveram a cidade estrategicamente importante na margem direita, Bender. 


Forças da Moldova, comandadas pelo coronel Leondid Carasiov

O 14º Exército da federação russa, que estava baseado na Transnístria na época, interveio ativamente no conflito. Parte de suas tropas e equipamentos foi transferida para as forças separatistas e, no final de junho, após o término dos combates, o comando russo abriu fogo direto contra as posições do exército moldavo. Após o acordo de cessar-fogo de julho de 1992 entre a Moldova e a rússia, a Transnístria nunca recebeu reconhecimento internacional e as tropas russas (formadas, nas sua maioria pelos moradores locais) permanecem no seu território. A própria Transnístria se transformou, desde então, numa enorme área de mentalidade saudosista soviética, passagem de contrabando e diversos outros esquemas «cinzentos», que deram de comer à muita gente em Moldova, na Transnístria e na Ucrânia. 

Combatentes/exército da Moldova

Os militares da 1ª Brigada de Infantaria Motorizada do exército da Moldova,
comandados pelo russo étnico, coronel Leonid Carasiov

Possivelmente as forças russo-separatistas

Em termos de lealdade, os ucranianos étnicos da Transnístria sempre apoiaram Moscovo, não mostrando nenhuma solidadriedade especial com Ucrânia ou ucranianos. Em 2014, na Transnístria encontraram o refugo seguro vários separatistas fugidos do sul da Ucrânia, principalmente após a vitória das forças ucranianas em Odessa. 

Jovem Igor Girkin na Transnístria

Neste conflito, do lado separatista, participaram ativamente os «voluntários» russos, ditos cossacos, reforçados pelo pessoal do FSB e outras unidades, sem a ligação formal à rússia, mas armados, alimentados, equipados e financiados pelo Kremlin. Um deles era Igor Girkin, o futúro «Strelkov», o primeiro «ministro da defesa» da dita «dnr», o elo de ligação entre estado russo (FSB e os empresários ligados ao Estado) e os separatistas locais. 

Voluntários ucranianos da UNSO do lado separatista

Ucrânia, manteve a neutralidade, não apoiando nenhuma parte do conflito, era época do presidente Leonid Kravchuk, conhecido como «raposo astuto», que era mestre em passar na «corda bamba» ou como se dizia na Ucrânia «entra as gotas da chuva». No entanto, a presença ucraniana no conflito existiu, através de relativamente poucos (entre 80 à 150) voluntários da Autodefesa Nacional da Ucrânia (UNSO), organização nacionalista, liderada na altura, pelo Dmytro Korchynskiy. UNSO e o seu líder explicava a sua decisão de apoiar os separatistas pelo desejo de «defender os ucranianos étnicos», não oficialmente entendia-se que era para garantir a experiência de combate e posse de armamento ligeiro aos seus militantes. Quando aos ucranianos, os realmente havia entre os moradores e residentes da Transnístria, dado que a maior parte da região fez parte da República Socialista Soviética Autónoma da Moldávia, uma república autónoma da Ucrânia soviética entre 12 de outubro de 1924 à 2 de agosto de 1940. Na altura, Korchynskiy simplesmente não percebia, ou então ignorava, o perigo, que advinha do apoio às ditas «repúblicas populares», o fenómeno duas décadas depois atingiu o leste da Ucrânia em 2014. 

Voluntários ucranianos da UNSO do lado separatista

Se pode pressupor, que naquele momento, Korchynskiy estabeleceu os seus primeiros contactos com a secreta militar russa, GRU, que era responsável pelo financimanto deste tipo de movimentos, que através dos conflitos híbridos de baixa densidade deveriam criar o cáos e incertezas no espaço soviético, com fortes tendências para a futura saída da União Soviética (Arménia e Azerbaijão, Geórgia, Moldova, Países Bálticos,Ucrânia). 

Voluntários da UNSO do lado separatista

Os contactos e mais provável o financiamento russo, levou em 2004 Korchynskiy à apoiar Viktor Yanukovych e se declarar abertamente anti-Revolução Laranja (1º Maydan) e anti-NATO. Ao mesmo tempo, sendo um revolucionário (à semelhança do seu preferido Éamon de Valera), Korchynskiy olhava aos russos apenas como «aliados situacionais». Por isso, com início da guerra russo-ucraniana, Korchynskiy estava ativo na criação do batalhão voluntário «Santa Maria», que ativamente defendeu Ucrânia em 2014-16. Mais tarde, o pessoal do seu grupo «Bratstvo» (literalmente Irmandade, uma formação político-religiosa), se juntou às unidades de operações especiais da GUR MOU (em dezembro de 2022 quatro membros do «Bratstvo» morreram na região de Bryansk, participando numa incursão na retaguarda russa). 

O ideologo do neo-fascimo russo Dugin (3) e Korchynskiy numa manif conjunta em 2005 

Tudo isso pode até parecer estranho mas não é, basta lembrar o caso do apoio ativo do kaiser alemão Wilhelm II (primo direto da imperatriz russa) ao grupo do Lenine e outros social-democratas (caso do vagão selado), na destruição, por dentro, do império russo. 

Os blindados do batalhão «Santa Maria», leste da Ucrânia, 2015

«Tudo aquilo que ajuda à causa revolucionária é moralmente aceite», costumava dizer Lenine. Vários revolucionários tentaram seguir a sua máxima, embora nem todos foram bem-sucedidos...