Atualmente, Ucrânia dispõe dos dados pessoais de pelo menos 994 cidadãos arménios que assinaram contratos com exército russo. Arménia está entre
os oito principais países em termos de recrutamento dos mercenários estrangeiros. Pelo menos 204 pessoas morreram ou estão desaparecidas.
Abandonada pela rússia e pela Organização do Tratado de Segurança Colectiva (OTSC), durante a guerra em Nagorno-Karabakh, Arménia apercebeu-se da natureza
ilusória dos compromissos de alianças com a rússia. Nos dias 4-5 de maio de 2026, a capital arménia acolhe a cimeira da Comunidade Política Europeia, com a presença dos líderes
de 48 países europeus e do Canadá.
Arménia perdeu na guerra neocolonial russa contra Ucrânia mais do que eram as sua perdas na Terceira Guerra de Karabakh, em 2023. Dois cidadãos arménios e cerca de
uma dúzia de arménios étnicos, mas cidadãos russos, estão actualmente detidos nos campos de POW na Ucrânia. O projeto ucraniano «Quero Encontrar», recebeu 621 pedidos de
busca por arménios desaparecidos.
São números bastante altos para um país pequeno. Importante compreender que, sem uma oposição formal e ativa de Yerevan, o Kremlin apenas aumentará
o ritmo de recrutamento dos arménios. Enquanto 83 cidadãos arménios assinaram contratos com os russos em 2023, este número subiu para 575 em 2025. Moscovo, dessa forma, tenta repor as perdas das
suas forças armadas, mas também tenta criar um factor de desestabilização e de pressão sobre a Arménia, que procura a integração europeia.
Importante lembrar que o recrutamento russo não é um problema apenas para os vizinhos da rússia e para os países africanos. De acordo com os dados ucranianos, cidadãos
de 23 dos 27 países da União Europeia passaram ou continuam pertencer ao exército russo. Dos 48 países participantes na cimeira de Yerevan, 38 têm cidadãos contratados pelo exército
russo.
No total, Ucrânia possui os dados pessoais de mais de 28.000 estrangeiros de 135 países recrutados pela Rússia para a guerra. Centenas deles, cidadãos de 48 países,
estão atualmente detidos na Ucrânia como prisioneiros de guerra.
William (Vasyl) Kurelek (1927 – 1977) – foi o artista e escritor canadense de origem ucraniana, autor de até 10 mil pinturas, gravuras e outras obras, incluindo mais de 4
mil dedicadas à história dos primeiros imigrantes ucranianos no Canadá, escreve a Diaspora.ua
Quanta aconchego familiar e conforto doméstico há nesta pintura, aparentemente simples. Mas, ao observar os detalhes cuidadosamente pensados e reproduzidos, que
recriam com incrível precisão e riqueza a vida cotidiana e a atmosfera de uma celebração familiar, é como se você mesmo estivesse lá, ao lado dos personagens da pintura. E é
como se você também estivesse sentado à mesa, sentindo o cheiro da comida, ouvindo a conversa entre mãe e filha e os comentários para a avó, e junto com o menino você observa
o beijo dos anfitriões... Este é um dos destaques das pinturas detalhadas de William Kurelek.
Ele também costumava escrever uma «história» através das suas pinturas, explicando o que está retratado nelas e focando em detalhes individuais. Por
exemplo, nesta pintura ele conseguiu chamar nossa atenção para o canto – um atributo indispensável das festas de Natal ucranianas, em particular a Noite Generosa.
Crescendo em uma fazenda ucraniano-canadenses em Alberta, com seus vastos campos dourados de trigo, e conhecendo bem o árduo trabalho dos agricultores, o artista, já na vida adulta,
retornou repetidamente ao tema da vida dos emigrantes ucranianos no Canadá, criando um ciclo de obras próprio intitulado «Pioneiros».
Esta obra de Kurelek, pintada em 1971, chama-se precisamente «Burdey» (uma palavra regional ucraniana que significa literalmente, casebre, abrigo). Ela retrata um esboço da vida de uma família ucraniana de imigrantes da primeira leva,
numa habitação como esta: uma noite fria de inverno, tudo coberto por uma espessa camada de neve, por onde uma mulher (obviamente, a mãe) caminha, carregando água para sua charrua para cozinhar
o jantar. Seu marido provavelmente está trabalhando, algures, como um trabalhador contratado, possivelmente na agricultura - naquela época, era comum que, no primeiro inverno, os imigrantes ucranianos recém-chegados tentassem ganhar a vida
para sustentar a família, o gado e as sementes, ou, na primavera, começar a cultivar a terra.
As cores simbólicas da pintura também chamam a atenção: a neve azul e o céu iluminado pelo sol poente amarelo.
A pintura está guardada no Museu Ucraniano do Canadá, Departamento de Alberta.
Uma das características marcantes das pinturas de Kurelek é a atenção dada aos detalhes, especialmente na representação do quotidiano. Aqui também,
os objetos que vemos indicam a situação financeira da família, a preservação das tradições trazidas pelos emigrantes de sua terra natal, bem como o desejo de manter uma conexão
com a Ucrânia por meio de seus símbolos, como Taras Shevchenko – o artista não colocou seu retrato na parede por acaso.
Em 1971, 15 anos antes do desastre nuclear de Chornobyl, Wlliam Kurelek, pintou uma tela simbólica que pode ser considerada uma obra profética da tragédia de 26 de abril de 1986.
William Kurelek viajou pela primeira vez para a Ucrânia em 1970. Visitou brevemente a aldeia ancestral da sua família, Borivtsi, apesar de estar sob forte vigilância das
autoridades soviéticas. A viagem inspirou a obra monumental «O Pioneiro Ucraniano» (1971, 1976). Com o advento do multiculturalismo, os interesses de Kurelek expandiram-se para incluir outros grupos linguísticos,
étnicos e religiosos no Canadá. Antes de falecer, concluiu séries sobre os Inuit, bem como sobre os canadianos de origem judaica, francesa, polaca e irlandesa.
Ucrânia saúda a adoção, pela Assembleia Geral da ONU, da resolução “Retorno das Crianças Ucranianas”, iniciada pela Ucrânia
juntamente com o Canadá e a União Europeia, e co-patrocinada por 48 Estados-Membros da ONU.
Dos 193 Estados-Membros da ONU, 92 votaram a favor (inicialmente 91, com a Costa Rica a juntar-se posteriormente). O Estado agressor, a rússia, juntamente com outros 11 países,
demonstrou que atualmente se opõe ao retorno das crianças ucranianas.
Até à data, apenas 1.850 crianças foram efetivamente devolvidas a casa — muitas vezes após meses de buscas, esforços complexos em várias fases
e operações de resgate.
A Assembleia Geral da ONU exige que a rússia devolva imediatamente, segura e incondicionalmente todas as crianças ucranianas e cesse qualquer prática de deportação,
transferência forçada, separação de pais ou tutores, alteração de dados pessoais, adoção ilegal e manipulação ideológica.
A resolução também confere ao Secretário-Geral da ONU um mandato abrangente:
coordenar o trabalho de todos os órgãos relevantes da ONU para garantir a implementação da resolução
dialogar com a Rússia para obter informação completa sobre a localização, o estado de saúde, a situação jurídica e as
condições de vida das crianças ucranianas
garantir o seu retorno
assegurar acesso irrestrito da ONU e de organizações humanitárias e de monitorização internacionais aos locais onde as crianças são
mantidas
informar regularmente os Estados-Membros sobre os progressos realizados.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia valoriza profundamente o papel importante dos Estados-Membros da ONU, das organizações internacionais e da
Coligação Internacional para o Retorno das Crianças Ucranianas, que trabalham incansavelmente para garantir que cada criança possa regressar a casa, receber reabilitação e reintegrar-se
num ambiente seguro.
Ucrânia continuará a cooperar estreitamente com os seus parceiros internacionais para garantir que cada criança levada ilegalmente seja localizada, protegida e devolvida
à sua família. Isto não é apenas um dever humanitário — é uma questão de justiça, responsabilidade e respeito pelos princípios fundamentais do direito internacional.
Standing Free é a primeira longa-metragem do diretor ucraniano-canadense Max Khomenko. Trata-se de um projeto documental profundamente pessoal, filmado durante suas três viagens
à Ucrânia em plena guerra. Através das histórias de crianças, civis e soldados, Max mostra o custo humano da agressão russa e sua própria trajetória pelo país
devastado pela guerra.
Ao trabalhar no filme, ele arriscou a vida, filmando nas linhas de frente no leste da Ucrânia e trabalhando ao lado de militares da Brigada «Azov», da Primeira Brigada Presidencial,
da 3ª Brigada de Assalto e da 95ª Brigada Aerotransportada de Assalto.
O mundo mudou como o conhecemos. Uma destruição que se espalha para além das fronteiras da Ucrânia é mostrada através dos olhos de um canadense com
raízes ucranianas. Os efeitos dessa guerra são explorados em um formato de documentário artístico. Um adolescente de Vancouver abandona sua vida pacífica para se reunir com sua família
na Ucrânia. Ele viaja e documenta opiniões e depoimentos de especialistas pelo Canadá, Geórgia e Eslováquia. Finalmente, ele chega à casa de sua família, que foi bombardeada
pelos russos. Max então realiza entrevistas com cidadãos ucranianos e soldados do exército para revelar os efeitos da guerra e como pessoas comuns superam imensos obstáculos.
Com o apoio da Fundação «Shevchenko», o filme já foi exibido em cinco países em formato de curta-metragem, arrecadando fundos para iniciativas humanitárias
e de manutenção da paz na Ucrânia. Quatro anos de trabalho árduo no projeto renderam a Maxim o Prêmio Humanitário John Gibbard (2023) da Associação das Nações
Unidas no Canadá.
Por ocasião do aniversário de Sua Majestade o Rei Charles III, oferecemos uma pequena, mas vibrante seleção de fotos do monarca com representantes da comunidade
ucraniana no Reino Unido, escreve Diaspora.ua
Na primeira e na segunda foto, o jovem Sua Alteza dança hopak com o grupo ucraniano «Hoverla» e conversa com os participantes no centro ucraniano em Derby (Grã-Bretanha) em 1981 (foto publicada originalmente
por Mariana Dzus).
Na terceira, ele conversa com Vera, filha do senador ucraniano-canadense Paul/Pavlo Yuzyk (final da década de 1960 - início da década de 1970). O senador Yuzyk é conhecido como o criador
do conceito do multiculturalismo canadense, que foi fundamental para a promoção da cultura e herança ucraniana no Canada.
A quarta foto foi tirada durante a visita do Príncipe Charles a Kyiv em 1996, tornando-o o primeiro monarca britânico a visitar a Ucrânia.
Recepção oficial ao Presidente Zelensky em Londres
Com a embaixadora da Ucrânia, Sra. Yulia Kovaliv, primavera de 2022
Na igreja ucraniana dem Londres, primavera de 2022
Com militares ucranianos, treinados pelo Reino Unido, 2023
Rei Charles III com a emigração ucraniana em Aberdeen, Escócia
Com os ucranianos mais pequenos, 2022
As restantes fotos não requerem comentários especiais, pois ilustram a posição de Sua Majestade e de toda a Commonwealth em relação ao apoio à
Ucrânia na atual guerra russo-ucraniana.
A música ucraniana durante as décadas da ocupação soviética da Ucrânia era limitada pela censura. Havia proibições de textos, trajes,
instrumentos e sons, ou, como diziam as autoridades da URSS, de «motivos burgueses».
Felizmente, o rock and roll rompeu a Cortina de Ferro e, mais perto do colapso da URSS, conhecido como «funk bigodudo» surgiu na música pop ucraniana. Eram os assim chamados
VIA, os conjuntos vocais e instrumentais: «Smerichka», «Arnika», «Kobza», assim como cantores Volodymyr Ivasyuk, Vasyl Zinkevich, Sofia Rotaru e muitos outros. Eles deram um novo som ocidental
combinado com motivos e textos ucranianos.
E o que fizeram os ucranianos que viveram no Ocidente na atmosfera do auge do funk, do rock and roll e da liberdade? Ao contrário do «funk bigodudo», a Diáspora ucraniana
teve acesso a músicas de vários gêneros e instrumentos musicais de alta qualidade e, o mais importante, à liberdade artística. Foi lá que nasceram as primeiras bandas ucranianas dos
gêneros pós-punk e música eletrônica.
A dupla foi formada por um casal — o farmacêutico Modest Sklepowich (Mickey) e a professora Orysia Evanchuk (Bunny). Em 1964, lançaram seu primeiro álbum, «Mickey
e Bunny Cantam Música Country Ucraniana».
A dupla ganhou popularidade e vendeu 10.000 cópias. Seguiram-se apresentações por todo o Canadá e em algumas das principais cidades dos Estados
Unidos (Detroit, Las Vegas). No total, a banda lançou 19 álbuns e mais de 300 músicas. A sua versão de uma das canções folk mais populares dos Estados Unidos, «This Land Is Your
Land», foi incluída no Arquivo Nacional de Ottawa.
Capa do álbum «The D-Drifters 5 sing and play Beatles songs and other top English hits in Ukrainian», 1965. Imagem: Internet
A banda capturou com sucesso as tendências musicais dos anos 1960. Os rapazes tocavam música dançante animada com letras ucranianas. O D-Drifters 5 gravou um álbum
inteiro com traduções e adaptações ucranianas de músicas dos Beatles, intitulado «The D-Drifters 5 sing and play Beatles songs and other top English hits in Ukrainian» (Os D-Drifters
5 cantam e tocam músicas dos Beatles e outros grandes sucessos ingleses em ucraniano). Infelizmente, os três, dos cinco integrantes originais da banda já faleceram.
A banda, aliás, colaborou de forma proveitosa com «Mickey and Bunny». Inicialmente, os rapazes se apresentaram
como banda de abertura para a dupla e, posteriormente, continuaram a tocar após o show da dupla.
O grupo surgiu em meados da década de 1950 no «Soyuzivka», o centro de arte ucraniano em Kergonkson, nos EUA. Eram músicos profissionais que buscavam modernizar e
difundir a música popular ucraniana.
O líder do conjunto, Ihor Rakowsky, é natural de Lviv. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua família emigrou primeiro para a Europa e depois para os
Estados Unidos. Igor era criminologista de formação e chegou a trabalhar por um tempo no departamento de controlo/e de drogas.
A primeira banda ucraniana no gênero de música eletrônica e atípica entre os músicos da Diáspora ucraniana. ElectroNova foi criado por Marko Sydorak.
Era engenheiro de efeitos especiais e música para rádio e televisão. Em 1974, surgiu a ideia de um álbum de música eletrônica ucraniana. Marko chamou três americanos e outro ucraniano,
Myroslav Makhmet.
Hoje, o álbum «UKRAINIAN» pode parecer ultrapassado. Mas no início dos anos 1970, a música eletrônica como gênero não existia, assim como
a infinidade de samples que só se tornaram disponíveis 10 anos depois.
Clube «Riviera-Remont» em Varsóvia, 1986, foto do arquivo de Volodymyr Nakonechny
Outra banda atípica para música da emigração e a primeira banda ucraniana do gênero pós-punk. A página «Amnesia» escreve sobre o
«Oseledets»: «Fundada em 1985 por jovens ucranianos, a banda tocava pós-punk com vozes femininos. Para fugir da censura da Polónia comunista após as suas primeiras apresentações,
o Oseledets teve que se refugiar no porão da igreja greco-católica.
Mais tarde, migrando para um estilo de apresentação mais melódico, new wave, o Oseledets dividiu o palco com lendas do
underground polonês, como «Dezerter».
Como muitas bandas ucranianas no exterior, a banda se concentrou em canções e temas folclóricos. O Zorya combinava folk com gêneros populares — rock, pop e
jazz. Infelizmente, há pouca informação sobre a história da banda.
Em 2006, dois ucranianos de Toronto, Yurko Mykhailiuk e Taras Blyznyuk (guitarrista nos concertos da Nelly Furtado), formaram a banda «KLOOCH», que imediatamente ganhou popularidade entre os ucranianos no Canadá e nos
EUA com seu primeiro álbum.
A banda ainda está em ativo. Ouçam as músicas «Pershyj Raz» (Primeira Vez), «Chomu ty taka» (Porquê você é assim) ou «Tse ye zhyttia» (A vida é assim) e sinta a atmosfera dos anos 2000 e do punk rock ao melhor estilo dos
Green Day.
Capa do álbum «Chayka». Fonte: Museu da Música Canadense
É triste e doloroso, mas não há muitas informações sobre várias bandas, como, por exemplo, a banda «Chayka». Algumas gravações
também estão faltando, e as que estão disponíveis geralmente apresentam a baixa qualidade técnica. O álbum «Chayka», em boa qualidade, foi preservado e publicado pelo Museu de Música
Canadense. Recomendamos ouvir a música «Buria» (Furacão).
«Diyaloh» era uma revista canadense em língua ucraniana, publicada em Toronto, por um grupo de editores de esquerda, entre os quais o historiador ex-marxista John-Paul Himka. Onze edições do «Diyaloh» foram publicadas de 1977 à 1987.
O «Diyaloh», que se posicionava «pela democracia e socialismo na Ucrânia independente» dedicava-se a uma análise socialista crítica dos acontecimentos
na Ucrânia e no Leste Europeu. A revista era alegadamente contrabandeada por ativistas para o Leste Europeu durante a Guerra Fria. Tendo em conta, o mais que prováveis, contactos entre John-Paul Himka e o KGB soviético, é possível
supor que o projeto era, de alguma forma, acarinhado pelo KGB, ou pelo menos, este tinha o conhecimento e não intervinha no assunto. Em 1974-1976, enquanto trabalhava na sua tese de mestrado, John-Paul
Himka passou um ano em Cracóvia, seis meses em Leningrado e um mês em Lviv e Kyiv, incluindo trabalhando nos arquivos históricos. Não é precisa explicar que na auge da Guerra Fria, um historiador, cidadão de um país
capitalista, nunca receberia a permissão de visitar a URSS e muito menos de trabalhar nos arquivos, se não esteja colaborar com KGB de alguma forma direta ou indireta.
Entre os autores publicados pela revista podemos ver alguns intelectuais ucranianos, que pertenciam à ala esquerda (trabalhista, socialista, maoista ou neo-marxista) do espectro político da
Diáspora ucraniana: Vsevolod Holubnychiy, Ivan Maistrenko, dissidente ucraniano e vítima da psiquiatria punitiva soviética Leonid Plyushch, jornalista e dissidente russo VadimBelotserkovskiy, etc.
No dia 9 de agosto de 2025, às 11h00, no Monumento de Internamento de Castle Mountain (Bow Valley Parkway, Parque Nacional de Banff) será lembrado o 30º aniversário
da inauguração do monumento em homenagem aos ucranianos e outros internados injustamente no Canadá durante a Primeira Guerra Mundial.
Entre 1914 e 1920, mais de 8.579 homens, a maioria ucranianos, foram rotulados como «estrangeiros inimigos» e colocados, contra a sua vontade em campos de internamento por todo o
Canadá — incluindo no local em Castle Mountain — onde suportaram trabalhos forçados, condições adversas e violações dos seus direitos básicos.
O campo de Castle Mountain em 1915. Imagem: Wikipédia/Glenbow Museum
O campo de Internamento de Castle Mountain foi fundado a 13 de julho de 1915, e um total de 660 estrangeiros inimigos foram internados nas suas instalações durante toda a operação.
O campo albergava os imigrantes de ascendência ucraniana, austríaca (possivelmente uma parte também ucraniana), húngara e alemã. As condições de vida no campo foram severamente
condenadas e criticadas pelos observadores neutros e pelas Potências Centrais, acusando o Canadá de violações das normas internacionais que regem o internamento de estrangeiros inimigos. Compreensivelmente,
as condições no campo tornar-se-iam do interesse do Ministério da Guerra em Londres e um ponto de discussão entre o governo britânico e Otava.
O programa solene será seguido de um culto de oração.
Como chegar ao local:
Siga pela Trans-Canada Highway a partir de Calgary, passando por Banff, saia na Highway 1A (Bow Valley Parkway) e siga por 28,4 km até passar por Castle Junction.
Vamos unir-nos para honrar a sua memória e refletir sobre este capítulo da história canadiano-ucraniana.
Desde o início da imigração ucraniana ao Canadá, uma das suas características foi a sua compacta localização. Frequentemente, os ucranianos imigraram para comunidades formadas por antigos residentes de aldeias e distritos/condados, e em terras desabitadas em Alberta, Saskatchewan e Manitoba, criando naturalmente povoações ucranianas homogéneas e áreas étnicas sólidas. Foi aqui que o censo de 1921 registou 90,1% dos ucranianos.
Posteriormente, a compactação da residência e a coesão garantiram a rápida formação da diáspora ucraniana, a criação de
organizações próprias e a representação nacional na sociedade canadiana.
Assim, surgiram vários povoados ucranianos, estendendo-se em arco desde o norte de Alberta até ao sudeste de Manitoba: New Kiew (nome usado pela escola desde 1908, a localidade oficialmente desde fim da década de 1920), Prut, Bucovina, Yaroslav, aldeia Ukraina, Kiev, Poltava,
Ternopil, Vytkiv, Snyatyn, Kolomyia, Sich, Sokal, Olha (em 2023 com apenas um único residente, ucraniano Marion Koltusky), Dnipro, Dnister, Zbruch, Karpati, Zaporizhzhia, Kosiv, Rosa, Pravda, etc.
Curiosamente, nos nomes das suas povoações, os imigrantes ucranianos reflectiam não só os nomes geográficos da sua terra natal, mas também os nomes
de figuras ucranianas famosas - Khmelnytskyi, Sirko, Shevchenko, Taras, Petlura, etc.
«As fronteiras da Pátria são sagradas e invioláveis». Cartaz do W. Ansikeew
Entre 1929 e 1989 os cidadãos soviéticos praticamente não tinham oportunidades de emigrar legalmente. Uma das poucas opções era casar com um(a) estrangeiro(a).
Por isso, aqueles que desejavam deixar a URSS tinham de recorrer a medidas extremas e inventar esquemas de rotas alternativas. A história registou os fugitivos mais desesperados que, para viajarem ao estrangeiro, desviaram os aviões, envenenaram-se ou atiraram-se dos navios no mar alto.
Liliana Gasinska sonhava em deixar a URSS desde a adolescência. Em busca deste objetivo, conseguiu um emprego como servente no cruzeiro soviético «Leonid Sobinov».
Em janeiro de 1979, o navio atracou no porto de Sydney. Após algumas tentativas mal sucedidas de pedir ajuda, a jovem saiu do navio pela janela e nadou em direção ao porto. Sabendo um pouco de inglês,
explicou-se a um transeunte, pedindo ajuda.
Os representantes do consulado soviético iniciaram uma verdadeira caça a Gasinska, mas os repórteres locais foram mais rápidos. Em busca de publicações
de grande visibilidade, esconderam Liliana em troca de uma entrevista prometida. Disse lhes que o comunismo que odiava se baseava apenas na propaganda e na mentira, e que uma pessoa mentalmente sã não era capaz de se
deixar levar por isso. Liliana Gasinska pediu asilo político, que lhe foi negado, no entanto, ela recebeu a permissão de ficar no país. Pousou para a 1ª edição australiana de Penthouse, fez cinema, dançarina, casou duas vezes e
foi a mãe de dois filhos, no fim se mudou para Grã-Bretanha, onde vive, feliz, até hoje.
Pilotos fugitivos
Em 1948, os pilotos militares Anatoly Barsov (1917-?) e Pyotr (Peter) Pirogov (1920-1987) voaram num bombardeiro Tu-2 pertencente à força aérea soviética, da Ucrânia para Áustria, onde solicitaram asilo
político, especialmente às autoridades de ocupação americanas.
Petr Pirogov (à esquerda) e Anatoly Borzov numa conferência de imprensa para os meios de comunicação ocidentais, logo após a aterragem na base aérea americana de Vogler. Foto: LIFE / Wikimedia
Os Estados Unidos aceitaram receber ambos os militares. Pirogov conseguiu estabelecer-se rapidamente no seu novo país. Colaborando com um agente literário,
escreveu um livro de memórias e deu palestras.
Três anos depois, Pirogov se casou com Valentina, uma russo-americana, filha dos emigrantes. Pirogov trabalhou na Rádio Liberdade, na Biblioteca do Congresso, se graduou em linguística e foi o professor associado na Escola de Línguas e Linguística da Universidade de Georgetown.
Já Anatoly Barsov não se encaixou nos EUA, ficou desiludido com a liberdade americana, não queria aprender o inglês, começou a beber, por fim contactou a embaixada soviética, recebendo a promessa de «ficar na cadeia por apenas dois anos» em caso de regresso voluntário. Voltou, ficou preso por cerca de 8 meses, no fim daquele período, aparentemente, foi fuzilado. Já após a morte do Estaline, em 1957, a embaixada soviética nos EUA entregou uma carta ao Pirogov, supostamente escrita pelo Barsov. Apesar de ser escrita numa caligrafia muito semelhante ao do Barsov, a carta não tinha erros ortográficos (Barsov fazia muitos) e estava assinada pelo apelido oficial, «Barsov», enquanto Anatoly sempre assinava as suas cartas com o seu apelido de nascença, Borzov (ele teve que mudar o apelido, para esconder o parentesco, o seu pai foi um pequeno empresário, algo que impossibilitava o engresso do Anatoly na escola dos pilotos, reservada aos filhos de «operários e camponeses»).
Viktor Belenko (à direita). /Foto: avatars.mds.yandex.net
Outro piloto, que procurou a vida melhor no estrangeiro foi Viktor Belenko. O piloto de caça MiG-25P fugiu ao Japão, pedindo o asilo nos Estados Unidos. Na URSS, foi condenado
à morte à revelia, o KGB expalhava os rumores do que Belenko ora «morreu no acidente rodoviário», ora «pediu para voltar e está na cadeia».
Na realidade o piloto foi feliz
nos EUA, trabalhou, durante décadas como piloto, e acabou por falecer em setembro de 2023.
Para os EUA via Índia
Em 1986, Dmitry Sokolenko, ucraniano étnico de 25 anos, residente em Novosibirsk, rússia, fugiu da miserável e triste URSS. Considerando várias opções, decidiu-se pelo visto turístico. A escolha
recaiu sobre a Índia, como um destino acessível ao cidadão comum, mas ao mesmo tempo não um Estado socialista (os riscos de extradição eram baixos). Depois de reunir uma pilha de papéis
e obter as autorizações necessárias, Sokolenko viu-se a bordo de um avião Moscovo-Déli. Após a aterragem, o jovem, que não se destacava no grupo de turistas, dirigiu-se para
o hotel. Mas, depois de esperar até à meia-noite, saiu do quarto e correu para a embaixada americana, onde viveu durante duas semanas.
Um dos representantes da ONU lhe ajudou com um pedido de asilo americano e organizou o transporte de contrabandistas ao Nepal. De seguida, o caminho passou pelo Paquistão, França
e Itália. De Roma Sokolenko voou para Nova Iorque, onde começou uma nova vida. Em 2003 Sokolenko escreveu o livro biográfico «Como escapei à URSS: das notas de um cidadão do universo», que foi publicado em 2009.
Arriscando a vida
Em abril de 1970, um navio de pesca soviético que navegava à 150 milhas de Nova Iorque enviou um sinal de socorro para a costa. O facto é que uma cozinheira (ou servente) de 22 (ou de 25) anos estava a morrer.
A letã Daina Palena foi levada de urgência para o hospital, onde se descobriu que tinha ingerido medicamentos potentes. Acontece que a jovem se tinha auto-envenenado propositadamente, com a intenção
de ficar nos EUA, pedindo o asilo político.
Pālēna passou cerca de uma semana num hospital de Nova Iorque sob a supervisão de membros da missão diplomática soviética. Ao recuperar
os sentidos, a letã confirmou a seriedade da sua intenção de não regressar a casa, afirmando que não tinha arriscado a vida em vão. Ela contou as autoridades que os cidadãos
soviéticos eram privados de vontade política, não tinham o direito de organizar manifestações e que as mais pequenas iniciativas que contradissessem a ideologia oficial eram reprimidas. As
autoridades americanas, após cerca de três semanas de reflexão, finalmente acederam ao pedido de Daina, apoiada pela Diáspora letã nos EUA.
Pālēna conseguiu um emprego como vendedora num supermercado em Nova Jérsia. Muitos letões nos EUA ofereceram-se para a ajudar com roupas, habitação e trabalho.
O seu dentista letão, Švarcbergs, trabalhava no hospital para o qual foi levada e assumiu as funções de intérprete. Daina Pālēna é natural de Sigulda e vem de uma família de sete
filhos. O resto da sua família está na Letónia. Infelizmente, nada mais se sabe sobre as suas atividades posteriores.
O oceanólogo Stanislav Kurilov sonhava viajar pelo mundo, mas o regime soviético não deixava. Em 1974, Kurilov saltou de um navio de cruzeiro no Oceano Pacífico
e nadou, cerca de 100 km até à ilha filipina mais próxima, Siargao. A ousada fuga foi divulgada na imprensa, e o cidadão foi julgado na União Soviética à revelia, deixado, pelas
autoridades filipinas de viajar até o Canadá, onde vivia a sua irmã e onde recebeu a cidadania.
No Canadá continuou a dedicar-se à investigação marinha, até se casar,
com uma israelita e se mudar para Israel, onde trabalhou na oceanografia, escreveu o livro de memórias, e morreu vários anos depois enquanto realizava os mergulhos.