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terça-feira, outubro 13, 2026

A nova região onde Moscovo intensifica esforços de recrutamento de mercenários

O Sudeste Asiático está a tornar-se a nova região onde Moscovo intensifica os seus esforços de recrutamento de mercenários. Sinais disso mesmo vêm da Indonésia, Vietname, Camboja, Filipinas, Malásia e Myanmar, em particular, cujos cidadãos começaram a aparecer nas fileiras do exército de ocupação russo, escreve South China Morning Post. 

A indignação pública e a oposição dos governos doadores estão a forçar a rússia a expandir o recrutamento de «carne para canhão» / «boi de piranha» para a sua guerra contra Ucrânia.

O método para recrutar residentes da região para combater na guerra é conhecido: os recrutadores visam grupos economicamente vulneráveis, prometendo «empregos bem remunerados» na rússia ou, então, bolsas de estudo. As vítimas caem nos anúncios nas redes sociais e, ao chegarem à rússia, vêem-se numa armadilha mortal. São enganados ou coagidos a assinar contratos com o Ministério da Defesa, após o que os seus documentos e telemóveis são confiscados e mercenários são enviados para a linha da frente. 

Considerando a experiência de países que combateram com sucesso as práticas criminosas da rússia, a ONU apela aos governos dos países que doam mercenários para que intensifiquem as campanhas de educação pública, alertando os cidadãos para os perigos representados pelas redes de recrutamento russas. 

«Os Estados são responsáveis ​​por identificar estas redes e definir claramente, nos seus quadros legais, disposições que criminalizem este fenómeno e garantam que os envolvidos são responsabilizados», afirmou Jovana Jezdimirovic Ranito, membro do Grupo de Trabalho da ONU sobre o Uso de Mercenários. 

A Amnistia Internacional publicou uma declaração sobre a guerra na Ucrânia contra o tráfico de pessoas, e este apelo é mais do que pertinente. As ações flagrantemente criminosas do Kremlin devem ser interrompidas de forma adequada. 

Alertamos os cidadãos de todos os países: participar na guerra neocolonial ao lado do exército russo acarreta um elevado risco de morte ou de ferimentos graves. Se está a ser recrutado para combater na Ucrânia ou já se alistou no exército russo, contacte o projeto «Quero Viver». O projeto ajudará a salvar a sua vida e a render-se em segurança. 

Renda-se e salve a sua vida: t.me/kak_sdatsya_bot

Salve a sua vida e entrega-se às FAU: t.me/spasisebyabot

Ligue para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos)

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sábado, outubro 25, 2025

As táticas da «guerra sexual» usadas pelas espiãs chinesas e russas

Espiã russa Maria Butina julgada nos EUA em 2018

As espiãs da China e da rússia estão usando cada vez mais táticas que os especialistas chamam de «guerra sexual». Trata-se de uma campanha secreta que envolve sedução e relacionamentos românticos de longo prazo com o objetivo de penetrar na indústria de tecnologia americana, escreve The Economic Times. 

A publicação observa que agências de inteligência chinesas e russas enviam agentes femininas para atacar engenheiros, executivos e pesquisadores no Vale do Silício. Elas estabelecem relacionamentos românticos, casam-se com seus alvos e até têm filhos. 

Tudo isso faz parte de uma estratégia de espionagem de longo prazo que lhes permite penetrar profundamente na vida pessoal de seus alvos e obter acesso a informações confidenciais. 

Essas operações são coordenadas pelos serviços de inteligência da China e da rússia, que utilizam mulheres especialmente treinadas que podem manipular emoções, construir confiança e extrair gradualmente informações secretas ao longo de muitos anos. 

Julgamento da Maria Butina que oferecia sexo à troca de informações

A tática, que tem suas raízes na espionagem da Guerra Fria, evoluiu para uma forma sofisticada de trabalho secreto, adaptada ao ambiente tecnológico mais competitivo do mundo: o Vale do Silício. 

De acordo com atuais e ex-oficiais de contrainteligência dos EUA citados pelo The Times, a abordagem combina romance, sedução e manipulação psicológica. 

«Conhecer, casar, ter filhos e, em seguida, conduzir uma operação de inteligência para a vida toda é algo muito desagradável de se pensar, mas é muito comum», disse um ex-oficial de inteligência dos EUA ao jornal. 

James Mulvenon, diretor de inteligência da Pamir Consulting e veterano em investigações de contrainteligência, disse ter visto pessoalmente o aumento dessa atividade. «Recebo muitas solicitações sofisticadas no LinkedIn do mesmo tipo de jovens chinesas atraentes», disse ele. «Parece que a situação realmente aumentou recentemente». 

Malvenon relatou um incidente em uma conferência de negócios na Virgínia, onde duas chinesas bem preparadas tentaram participar de um evento sobre riscos de investimento na China, mas foram recusadas. «É um fenômeno real», disse ele. «E vou te dizer uma coisa: é estranho». 

Um caso envolveu uma sedutora mulher russa que se casou com um engenheiro aeroespacial americano enquanto trabalhava em projetos de defesa. Depois de estudar em uma academia de modelos e fazer cursos na chamada «escola russa de soft power», ela ressurgiu alguns anos depois como especialista em criptomoedas em círculos ligados ao programa espacial militar dos EUA. Seu marido, segundo relatos, desconhecia sua verdadeira origem. 

Ler mais em inglês ou ucraniano

sábado, julho 12, 2025

O GULAG digital à chinesa, chegará à rússia já neste setembro

Artista russo Vasya Lozhkin, quadro: «Pátria Oiça», 2016

A Duma Estatal russa aprovou a lei que, a partir de 1 de setembro de 2025, o mensageiro russo Max será obrigatoriamente pré-instalado em todos os smartphones e tablets vendidos na rússia. Trata-se de uma tentativa russa de copiar o sistema chinês de vigilância total e absoluta da sociedade.

Trata-se de uma tentativa de copiar o WeChat chinês – uma super-aplicação que combina o WhatsApp, o Facebook, o Instagram, o PayPal, a Uber, o Tinder, o Skype, o Yelp, a App Store e o portal dos Serviços Estatais. Além disso, a conta bancária de cada utilizador está ligada ao WeChat. Pode pagar tudo através de um código QR: desde comprar uma garrafa de água numa banca de rua até contas de serviços públicos, aluguer de apartamentos, bilhetes de avião/comboio/trêm e pagamento de impostos. O dinheiro em numerário praticamente desapareceu na China.

Em vez disso, o Big Brother sabe tudo sobre si. O sistema verifica automaticamente todas as conversas (mesmo as privadas) em busca de palavras-chave «sensíveis». Se o sistema detetar uma palavra deste tipo, a mensagem simplesmente não chega ao destinatário, e o remetente nem sequer sabará disso. Desaparece no «vazio digital».

Em caso de violações sistemáticas ou «contravenções» graves, a conta do utilizador pode ser bloqueada para sempre. Para um chinês, isto equivale à morte social: perde o acesso ao dinheiro, aos contactos e a todos os serviços.

O sistema sabe tudo sobre uma pessoa:

— dados reais do ID/Cartão do Cidadão/passaporte, biometria (desbloqueio facial para pagamentos);

— geolocalização está constantemente rastreada;

— histórico de todas as compras;

— gráfico completo de ligações sociais, conteúdo de conversas;

— histórico clínico e todas as consultas médicas [conveniente para «apagar» uma pessoa indesejável, camuflando a sua morte pelas «causas naturais»];

p.s.

Os blogueiros/atores/artistas/pessoal do stand-up/inluenciadores russos pró-regime [na rússia praticamente não restaram outros] já fazem a publicidade do Max. Os programadores russos desajeitados, vindos a rede social VK, vão, naturalmente, deixar «cair» o sistema constantemente. Mesmo assim, a aplicação obtém acesso, em tempo real, à geolocalização, à câmara, às chamadas, ao Bluetooth e aos contactos.

O Max está constantemente ativo, impedindo o telefone de entrar em modo de espera e envia todos os dados aos servidores do VK. Para o pessoal do FSB [e departamento «K» da polícia russa, criado para combater quaisquer dissidência organizada, desde grupos ecologistas até os swingers. Não é por acaso, todas as sociedades totalitárias e autoritárias desejam manter o controlo sobre a vida sexual dos seus súbditos. Partindo do símples princípio que nenhum aspeto da vida privada deve ficar fora do controlo do Estado, senão o cidadão irá encorrer nos pensamentos libertários, logo «desviantes»].

Não é muito difícil prever o que vai acontecer a seguir — as pessoas terão dois telemóveis. Um para mostrar à polícia (certamente que haverá rusgas para verificar os telemóveis). E um outro, limpo, para si. Mas, gradualmente, o número de telefones limpos na rússia irá diminuir, e o número de telefones transparentes para as autoridades irá aumentar. Telefones transparentes = cérebros transparentes.

quarta-feira, julho 09, 2025

Secreta ucraniana SBU deteve dois espiões chineses

A contrainteligência da secreta ucraniana SBU deteve dois espiões chineses: pai e filho, que estavam atrás da documentação técnica dos mísseis anti-navio ucranianos «Neptuno». Os mesmos que afundaram o cruzador russo «Moskva» e foram adotados, com sucesso, para atingir os alvos terrestres. 

Os espiões eram cidadãos chineses: o filho é um antigo aluno de 24 anos de uma das universidades ucranianas em Kyiv, expulso, pelo insucesso escolar, Deng Yancheng, e o seu pai é Deng Jiehua. Este último vivia na China, mas visitava Ucrânia com frequência para coordenar o trabalho de espionagem do filho.

Deng Yancheng deveria obter documentação técnica sobre a produção do sistema de mísseis ucranianos RK-360MTs «Neptuno», que destruiu o cruzador de mísseis «Moskva», a nave-capitania da frota russa do Mar Negro. Para isso, tentou recrutar um cidadão ucraniano envolvido no desenvolvimento das mais recente armamento das FAU. O pai iria transmitir as informações recebidas aos serviços secretos chineses.

SBU expôs os espiões na fase inicial e deteve-os enquanto transferiam documentos secretos. Ambos enfrentam até 15 anos de prisão efetiva com confisco de bens.

sábado, junho 28, 2025

Mercenário chinês capturado pelas FAU em Toretsk

O cidadão chinês Wang Wu, pertence ao 102º Regimento de Infantaria Motorizada do exército russo, nom de guerre / codinome «Sabre». Ele, como a maioria dos mercenários estrangeiros, recebeu a promessa de trabalhar na retaguarda, mas após o treino/amento, foi imediatamente enviado para a linha de frente perto de Toretsk.

No vídeo recente, publicado pelo projeto ucraniano «Quero Viver», entre os 25 recrutas do 102º Regimento de Infantaria Motorizada da 150ª Divisão do exército russo, apenas quatro eram russos étnicos? Um deles já foi capturado pelas Forças Armadas da Ucrânia:

Como prevemos, a maioria dos capturados no vídeo está morta ou gravemente ferida. Quase todos eles não sobreviveram aos primeiros ataques, incluindo o amigo de Wang Wu, Yang Jinsheng. O chinês capturado viu a morte dele com os próprios olhos. Agora, ele se arrepende profundamente de ter assinado um contrato com o Ministério da Defesa russo e espera voltar para casa e rever sua família: “Eu realmente entendo que fomos enganados... Acredito que assinar este contrato é uma escolha vergonhosa... Tenho certeza de que é importante que outros chineses saibam que estão sendo enganados.”

Wang Wu não é o primeiro chinês a ser capturado pela Ucrânia. Em abril de 2025, tropas ucranianas capturaram dois cidadãos chineses que lutavam ao lado do exército russo na região de Donetsk. Mais tarde, em uma coletiva de imprensa, Wang Guangjun e Zhang Renbo falaram sobre as realidades do exército russo e sua atitude em relação a mercenários estrangeiros:

Alertamos todos os estrangeiros que, para os comandantes e camaradas russos, eles não passam de material descartável. Tal como cidadãos da rússia, representantes de outras etnias, além da russa, são cidadãos de segunda classe.

Lembramos que Ucrânia apela aos governos de todos os países cujos cidadãos foram recrutados pela federação russa para participar da guerra contra Ucrânia, bem como a toda a comunidade internacional, para que envidem todos os esforços possíveis para impedir esta prática criminosa.

Apelamos aos estrangeiros, para que evitem, por todos os meios possíveis, juntar-se às fileiras do exército de ocupação russo e, se enviados para a frente de batalha, que entrem em contato com o projeto «Quero Viver».

Salve a sua vida e renda-se às FAU: t.me/spasisebyabot

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  • +38 097 688 66 88 

quarta-feira, abril 02, 2025

Quo Vadis Estados Unidos?

Provavelmente já ouviu falar de Yuri Bezmenov, ex-oficial da 1ª Direção Geral do KGB que desertou para Canadá e revelou no Ocidente os modus operandi da secreta soviética. Bezmenov é mais conhecido por explicar o esquema de sabotagem ideológica que o KGB usou e que hoje continua à ser usado pelo regime russo. 

Este esquema, tal como descrito por Bezmenov, é constituído por 4 etapas: 

1. Desmoralização: esta fase dura 15 a 20 anos e envolve a destruição gradual dos valores sociais: morais, educacionais, culturais, legais, etc. 

2. Desestabilização: esta fase dura 2 a 5 anos e implica o estabelecimento de uma ditadura populista e o isolacionismo. 

3. Crise: esta fase dura 2 a 6 meses e envolve uma tomada violenta de poder por parte de agentes internos e externos. 

4. Normalização: esta etapa é ilimitada no tempo e envolve a transferência do país para o controlo externo da URSS/rússia, bem como a eliminação dos participantes das etapas anteriores. 

De acordo com este esquema, por exemplo, ocorreram os acontecimentos que levaram à Revolução da Dignidade na Ucrânia e à invasão russa em 2014 (mas os russos não tiveram em conta a subjetividade e a paixão muito maiores do que o normal do povo ucraniano, e o plano falhou no final da etapa 3).

Creio que os acontecimentos que estão a ocorrer agora nos EUA são uma versão ligeiramente modificada deste esquema. A primeira etapa decorreu da forma clássica e está agora concluída. A segunda etapa já está em curso, mas o seu tempo está o mais comprimido possível, em relação ao prazo da terceira. Isto é compreensível, porque a rússia simplesmente não possui de 2 a 5 anos, a sua economia não vai durar tanto tempo, por isso estão com pressa. A questão é saber quando ocorrerá a transição para a terceira fase, quem será a figura americana escolhida pelos russo e como será exactamente estabelecido o controlo/e externo (porque a intervenção militar russa directa parece bastante improvável).

A minha versão atual, da qual não tenho muita certeza, é a seguinte.

A figura-fantoche norte-americana, que poderá ser escolhida pelos russos, é provavelmente Bernie Sanders, que é atualmente o político mais popular dos Estados Unidos (% da aprovação, menos a % de desaprovação, ver a imagem em baixo). 

Pensem nisto: uma personagem de banda desenhada, um herói de memes, um homem que é considerado quase um comunista nos Estados Unidos, é o político mais popular dos Estados Unidos. Recentemente, organizou o maior comício nos EUA dos últimos 20 anos em Denver, com 35.000 pessoas (nada mau para Denver, mas é patético, em termos americanos, claro).

Relativamente ao cenário de estabelecimento de controlo/e externo, o meu entendimento é que o plano é privar os EUA de aliados e arrastá-los para várias guerras em simultâneo com a intenção de infligir uma derrota militar aos EUA às mãos da China. É precisamente sobre este aspecto que tenho mais dúvidas.

Mas, de qualquer modo, não vejo nenhuma força dentro dos EUA que tenha subjetividade, paixão e recursos suficientes para impedir a implementação deste plano. Portanto, a questão é saber se a Ucrânia se manterá como observadora não envolvida ou se tentará intervir activamente na situação.

domingo, março 23, 2025

Os voluntários chineses ​​nas fileiras das FAU

Os voluntários chineses ​​nas fileiras da 110ª Brigada de Infantaria das FAU: engenheiro electricista «Tima» (42) e construtor civil «Ivor» (45). 

A incrível história de dois soldados da China que se juntaram às fileiras do Batalhão de Sistemas Não Tripulados da 110ª Brigada das Forças Armadas da Ucrânia. Escolheram conscientemente o lado da luz — Ucrânia, e agora defendem a sua liberdade, apesar da barreira linguística (usam o inglês rudimentar, Google e linguagem de gestos) e de todas as dificuldades. 

O que os empurrou para este caminho? Como conseguem interagir com os seus colegas e manter-se organizados? As respostas a estas questões já estão na entrevista. Sobre uma situação rara e verdadeiramente única que é profundamente comovente.

quarta-feira, setembro 25, 2024

A China está a mobilizar o Sul Global, mas será pela paz na Ucrânia?

Depois do brilhante sucesso da diplomacia chinesa no ano passado para reconciliar rivais étnicos e religiosos de séculos – o Irão e a Arábia Saudita, o mundo estava cheio de expectativas de que Pequim pudesse também assumir outro “nó górdio” – a guerra da Rússia contra Ucrânia. 

Mas, com o tempo, as esperanças transformaram-se em desilusão. A iniciativa «Consenso de 6 Pontos», desenvolvida de forma proeminente em conjunto com o Brasil, pareceu demasiado vaga e pouco clara. Por vezes, parecia mais uma “iniciativa pela iniciativa”, uma tentativa da China de satisfazer as expectativas que prevaleciam em muitos países do Sul Global. As críticas ao plano chinês também foram expressas em ambos os lados da frente.

Mas parece que a situação está a começar a mudar dramaticamente. A China está a tentar tirar partido da actual incerteza pré-eleitoral nos Estados Unidos e já está a tentar seriamente pôr fim à guerra na Ucrânia, não permitindo sequer hipoteticamente que os louros do pacificador caiam nas mãos da actual ou futura administração da Casa Branca. .

Parece que Pequim poderia aplicar a sua energia de manutenção da paz noutro conflito, em particular em África, onde não faltam problemas de segurança. Mas a escolha de Pequim foi entrar em guerra na Ucrânia.

No entanto, Pequim está bem ciente de que não pode resolver estes problemas sozinho. Na Ucrânia há desconfiança por parte de Pequim, que, como se acredita razoavelmente, está inclinado a brincar secretamente com a rússia na guerra. Mas a rússia, que tem muitas desculpas para as suas tentativas de redesenhar as fronteiras das antigas repúblicas soviéticas, os lembretes de Pequim sobre os princípios da soberania são recebidos com irritação. 

Ler mais: https://cyprus-daily.news/china-is-mobilizing-the-global-south-but-is-it-for-peace-in-ukraine

sexta-feira, maio 10, 2024

A degradação do complexo militar-industrial russo

Sob a presidência de putin, o complexo militar-industrial russo degradou-se. Hoje, o exército russo carece de modelos avançados de equipamento militar que possam fazer frente aos equipamentos ocidentais do fim do século XX.

Em apenas 2 anos de uma guerra em grande escala, o mundo inteiro viu que o complexo militar-industrial russo era significativamente inferior aos seus homólogos ocidentais. MBT “Armata”, que nunca aparecerá na frente, defesa aérea, “abatendo” todos os ataques de mísseis e de drones em depósitos de petróleo e aeródromos, queda de aviões e motores de foguetes que não funcionam - uma imagem deplorável do estado real do complexo militar-industrial russo. 

As sanções ocidentais levaram a uma ruptura nas cadeias produtivas e tecnológicas russas. A indústria russa de alta tecnologia é criticamente dependente de componentes importados, armaduras, componentes, programas, etc. Na electrónica, máquinas-ferramenta e fabrico de instrumentos, a dependência das importações atinge 60-90% e isto rapidamente afectou a capacidade de produzir armas competitivas. 

A degradação da indústria militar russa é tão significativa que, em muitos aspectos, é necessário solicitar uma licença de produção à China. 

A rússia já não pode produzir e manter armas essenciais para a guerra; o seu complexo militar-industrial enfrenta escassez, em particular de microelectrónica. 

Espera-se uma maior degradação do equipamento russo e das suas forças armadas como um todo. A gama de armas mais modernas da Rússia depende criticamente de componentes estrangeiros: mísseis de cruzeiro, bombardeiros Tu-22, submarinos, o sistema de defesa aérea Nudol e radares antiaéreos, tanques T-80 e T-90, etc. 

Na rússia existe um número limitado de máquinas e linhas de produção, o que afeta diretamente a quantidade de armas produzidas, incl. veículos blindados. 

A “mobilização parcial” matou as últimas esperanças de desenvolver a nossa própria base de produção, centenas de milhares dos especialistas mais profissionais deixaram o país e centenas de milhares de outros foram para a frente. A rússia ficou sem desenvolvimento científico e tecnológico. 

Desde o outono de 2022, a rússia não teve sucessos estratégicos na frente de batalha. Apesar de levar a cabo várias formas de mobilização e de transferir parcialmente a economia para linhas militares, a rússia não é capaz de acumular potencial suficiente para conduzir uma operação ofensiva em grande escala ou romper a linha da frente. 

Nestas circunstâncias, a federação russa intensificou as suas tácticas genocidas de travar a guerra, realizando ataques com mísseis e bombas contra a população civil e instalações de suporte de vida nos centros regionais da Ucrânia (principalmente em Kharkiv, Odesa, Dnipro e Zaporizhzhia). 

A rússia intensificou a prática terrorista de atacar as infra-estruturas energética, de transportes e residenciais da Ucrânia. Desta forma, tenta causar o máximo dano à economia ucraniana, bem como semear o pânico entre a população ucraniana. Os ataques terroristas são acompanhados por uma campanha de desinformação sobre os planos de captura de Kharkiv, Dnipro, Zaporizhzhia e Kherson pelas tropas russas. 

Percebendo a impossibilidade de capturar Kharkiv, a federação russa está tentando desestabilizar a situação na cidade com ataques a bomba, tornar a vida na cidade impossível e forçar as pessoas a evacuarem. 

As forças de ocupação russas atacam Kharkiv e a região de Kharkiv todos os dias com bombas aéreas guiadas, drones e outras armas. A federação russa quer realmente transformar a cidade de um milhão de habitantes numa "zona cinzenta" imprópria para a vida. O Oblast de Kharkiv é uma das regiões da Ucrânia mais afetadas pela agressão russa. 

Como resultado dos ataques russos, quase toda a infra-estrutura energética em Kharkiv foi destruída, o que não pode ser restaurado rapidamente após o bombardeamento russo. Hoje, apesar dos bombardeios e dos cortes de energia, mais de um milhão de residentes permanecem na cidade. 

A situação do sistema energético da região é extremamente difícil - as principais capacidades de geração da cidade e região e a maioria das subestações transformadoras foram destruídas, o que levou à escassez de geração e à introdução de cortes de energia forçados diários de 7 a 12 horas. O exército russo disparou contra uma torre de televisão em Kharkiv para privar os residentes da cidade da comunicação mais necessária durante a guerra. 

O bombardeamento da energia e de outras infra-estruturas de Kharkiv e do Oblast de Kharkiv visa provocar pânico e dúvidas sobre a capacidade da liderança político-militar da Ucrânia para resolver a questão da defesa. 

Kharkiv está localizada perto da fronteira com a federação ussa. Portanto, o exército russo tem a capacidade de disparar contra ele virtualmente desimpedido com artilharia e MLRS, bem como atacar com UAVs, mísseis e bombas aéreas guiadas. 

Kharkiv, como “segunda capital” da Ucrânia, tem um significado simbólico para o Kremlin. O Kremlin também quer vingar-se por não ter conseguido capturar Kharkiv em 2022, e mais tarde ter sido forçado a retirar as suas tropas da maior parte da região de Kharkiv.

domingo, abril 14, 2024

A rússia certamente perderá na Ucrânia, avalia um especialista chinês

O professor da Universidade de Pequim, Feng Yujun, publicou um artigo no The Economist apontando 8 razões pelas quais a Rússia perderá na Ucrânia, numa guerra que, segundo ele, prejudicou as relações sino-russas. 

A guerra entre a rússia e Ucrânia foi catastrófica para ambos os países. Com nenhum dos lados desfrutando de uma vantagem esmagadora e as suas posições políticas completamente em desacordo, é pouco provável que os combates terminem em breve. Porém, uma coisa é certa: o conflito é um divisor de águas do pós-guerra fria que terá um impacto global profundo e duradouro. 

Quatro fatores principais influenciarão o curso da guerra. O primeiro é o nível de resistência e unidade nacional demonstrado pelos ucranianos, que até agora tem sido extraordinário. A segunda é o apoio internacional à Ucrânia, que, embora recentemente tenha ficado aquém das expectativas do país, continua a ser amplo. 

8 razões pelas quais a Rússia perderá e Ucrânia vencerá, segundo o professor Yujun:

1. Putin caiu num “casulo de informação”: ele não opera com informações reais verificadas e o seu sistema de gestão não possui um mecanismo eficaz de depuração e correção. Ucrânia, apesar de todas as suas deficiências, é muito mais flexível e eficiente.

2. O sucesso na guerra moderna é assegurado pela concorrência nos sistemas de comando, controlo, comunicações e inteligência, bem como no poder industrial. A base industrial da rússia nunca alcançará o potencial da URSS.

3. Forte resistência e unidade do povo da Ucrânia.

4. Apoio internacional à Ucrânia.

5. A rússia será forçada a retirar-se de todos os territórios ucranianos ocupados, incluindo a Crimeia, a fim de evitar a derrota.

6. A capacidade nuclear não é garantia de sucesso. Os Estados Unidos retiraram-se em tempos do Vietname, da Coreia e do Afeganistão, embora não tenham menos potencial nuclear do que o Kremlin tem agora.

7. Ucrânia provou que Moscovo não é invencível, pelo que uma trégua de acordo com o cenário “coreano” está excluída.

8. putin está em completo isolamento e tem pouco controlo sobre a situação política interna: a rebelião de Prigozhin, a eterna tensão interétnica e inter-religiosa, os ataques terroristas e o descontentamento de uma parte significativa do exército são prova disso.

Depois da guerra, a Ucrânia aderirá definitivamente à UE e à NATO, e Moscovo ainda perderá as suas colónias. O professor também defende a reforma da ONU e a redução do papel dos membros permanentes do Conselho de Segurança (incluindo a federação russa).

segunda-feira, janeiro 01, 2024

rússia: entre a talibanização ortodoxa crescente e o enfraquecimento do BRICS

As meninas russas ficaram sem as calças. Nas escolas em pelo menos 17 regiões russas proibiram o uso de calças para as alunas, apesar do frio de inverno e dos riscos óbvios para a saúde feminina. 

A proibição de calças para as meninas em instituições educacionais é relatada nos territórios de Khabarovsk e Primorsky, nas regiões de Iakutia, Altai, Voronezh, Rostov, Irkutsk, Penza, Orenburgo e outros. Não existe um sistema: na mesma cidade, numa escola, as meninas podem frequentar as aulas com roupas confortáveis ​​​​e quentes, mas numa escola vizinha, as alunas são colocadas no histórico escolar por causa das calças e são repreendidas publicamente, em frente dos colegas da escola. 

Aplicação ou não da regra talibanizada depende unicamente da opinião do diretor da escola. Nas instituições de ensino onde foi introduzida a proibição, a administração argumenta: isso é necessário para a melhor disciplina e o bom desempenho acadêmico. 

Os pais da região de Irkutsk reclamam que as meninas têm que chegar à escola com as temeraturas de -30ºC, usando a saia e meia-calça, razão pela qual algumas delas têm problemas de saúde. Calças não são o único item de roupa proibido. Frequentemente, as escolas russas proibem o uso das roupas quentes - suéteres, cardigãs, jaquetas. 

Os médicos criticam duramente essas ordens. Devido às características estruturais do corpo feminino, o risco de adoecer por hipotermia nas meninas é 5 vezes maior. “Isso é nostalgia dos tempos soviéticos”, diz o Professor de Mérito da rússia, Dr. Ievgeni Iamburg, “Estupidez vinda do nada”. 

No entanto, a rússia também está numa profunda crise económica e tenta usar os recursos dos seus parceiros de BRICS para conseguir algum apoio financeiro. Embora a única coisa que a rússia consegue oferecer fora portas são os seus recursos naturais: petróleo, gás, diamantes, madeira, etc. Mas o que a federação russa fará quando estes recursos esgotarem? Ou quando as poulações autoctónes das suas regiões petrolíferas ou diamantíferas reclamarem as partilha de justa parte da riquiza extraída do seu subsolo. Será que a população russas está pronta para voltar à década de 1990, cheia de incertezas e certas humilhações para todos aqueles que se auto-identificam com o passado imperial russo? Para evitar a repetição deste tipo de experiências, que seguramente poderão se revelar fatais ao seu status quo atual, a rússia usa e usará mais ativamente os seus espiões, sob o disfarce de diplomatas, para tentar aliciar os representantes dos países de BRICS. 

Aqui que os diplomatas e estadistas brasileiros, indianos e sul-africanos devem responder uma pergunta simples: desejam eles de interagir com um país que está mergulhando numa teocracia crescente? Ou que essa talibanização russa é uma ameaça clara às democracias, imperfeitas, mas reais, dos três restantes países de BRICS.

sexta-feira, dezembro 01, 2023

Detonação dupla na linha ferrea Baikal-Amur

Finalmente apareceu confirmação em vídeo do resultado da detonação das cisternas de combustível e do incêndio no túnel Severomuyski na linha ferrea Baikal-Amur, a principal ligação ferroviária entre a rússia e a China. 

Apesar da escala significativa de danos e de pelo menos três explosões, as autoridades da federação russa optaram em defender a tese de um curto-circuito. 



Segundo imprensa russa, na noite de 30 de novembro, desconhecidos explodiram um trem de carga na rota Itikit-Okusikan, que era composto por 50 vagões (41 cisternas com gasóleo e 3 cisternas com combustível de aviação). Segundo a tripulação da locomotiva, a tensão elétrica caiu durante a passagem pelo túnel e o comboio/trem parou. Enquanto o membros da brigada descobriam o que estava acontecendo, uma forte fumaça começou a se formar no túnel - a brigada estacionou o comboio/trem e saiu do túnel. 

Como resultado da explosão, 16 cisternas arderam. O transporte de restantes vagões não era possível. 

Após a primeira explosão e para continuar o movimento, os russos começaram a usar um desvio que passa pela chamada “Ponte do Diabo”. Era exatamente com isso que se contava: quando o comboio/trem passava por esta ponte de 35 metros de altura, os dispositivos explosivos embutidos nele explodiram. 

Ponto do Diabo

De acordo com os canais TG russos, as 6 cisternas arderam com a explosão. As autoridades russas tiveram que usar um combóio/trem especial de bombeiros para apagar o fogo. 

Os ocupantes russos deveriam se acostumar com o facto de que a justiça ucraniana os alcançará em quaisquer parte do mundo, mesmo na distante Buriácia.

quinta-feira, agosto 17, 2023

Rússia rumo ao seu inevitável isolamento internacional

Imagem: ripjar.com

Já lá vai o tempo em que a rússia gozava do respeito no mundo civilizado. Hoje, não o consegue, mesmo usando as ameaças ao presidente sul-africano, alegando que a prisão de putin por mandado do Tribunal Penal Internacional na cúpula dos BRICS equivaleria a uma declaração de guerra contra Pretória.

A recusa de putin em visitar a cimeira do BRICS é um poderoso tapa na reputação internacional russa e a sua transição à conscientização e aceitação do inevitável - o gradual, mas inevitável isolamento internacional.

Neste momento Moscovo/u está tão isolada do sistema financeiro global que até mesmo o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), um credor multilateral do qual é um dos fundadores, não quer iniciar novos projetos na rússia no contexto de sanções em larga escala impostos ao país. É absolutamente infundado supor que o banco possa continuar a trabalhar com o atual regime de Moscovo/u. As sanções à Moscovo/u em resposta a uma invasão em larga escala da Ucrânia tornaram a NDB tóxico aos olhos dos investidores, já que 20% do capital autorizado pertence à federação russa.

Tentando, em vão, resistir às sanções ocidentais, a rússia tenta atenuar as suas consequências. Em particular, está promovendo ativamente a ideia de rejeitar pagamentos em dólares no comércio internacional. Mas o projeto de «moeda única do BRICS», ativamente puxado por Moscovo/u, que o presidente russo anunciou logo após a invasão da Ucrânia fracassou, praticamente sem se iniciar e dificilmente será implementado num futuro próximo.

A recente reunião na Arábia Saudita testemunhou que os países membros do BRICS, que incluem Brasil, Índia, China e África do Sul, estão mudando fundamentalmente sua opinião sobre a guerra russa contra Ucrânia. A agressão russa contra Ucrânia tem provocado o fortalecimento de tendências depressivas em muitos países do mundo, entre as quais se destacam as causadas por choques inflacionários, desequilíbrios energéticos, rompimento de cadeias de criação de valor agregado.

A rússia usa habitualmente os eventos do BRICS para angariar o apoio, conduzir negociações nos bastidores, se comunicando pessoalmente com os líderes dos países-membros da organização. Hoje, Moscovo/u está privada dessa oportunidade.

A rússia e seu líder neste momento se encontram em isolamento global. As sanções estão gradualmente, mas inevitavelmente estrangulando a economia russa. A cada dia são ainda mais dolorosos e o seu efeito será irreversível para a débil economia russa.

quarta-feira, agosto 16, 2023

Apoio do Sul global no debloqueio dos portos ucranianos

Foto: https://twitter.com/DerekJGrossman

Os consumidores de alimentos ucranianos, em particular a República Popular da China, países do Oriente Médio e da África devem pressionar Moscovo/u para acabar o bloqueio ilegal russo dos portos ucranianos.

A Ucrânia continua a trabalhar com a ONU e a Turquia para retornar ao formato anterior de «negócios de grãos», tão críticos para a segurança alimentar mundial. Paralelamente, as opções de rotas e caminhos alternativos estão sendo trabalhados, assim como os formatos de funcionamento do corredor graneleiro, tendo em conta interesses económicos dos países parceiros.

A Marinha da Ucrânia anunciou novas rotas temporárias para o movimento de navios civis de e para os portos marítimos ucranianos do Mar Negro. Anteriormente estas rotas já foram propostas pela Ucrânia ao apreciação da Organização Marítima Internacional (IMO), que por sua vez reconheceu o direito da Ucrânia ao livre comércio marítimo, que é garantido por Direito Marítimo Internacional, instando a federação russa a aderir às convenções internacionais, e parar as ameaças à navegação mercante no Mar Negro.

segunda-feira, agosto 07, 2023

BRICS e espectativas da agenda colonial russa

Foto: PMO India

É provável que o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, seja um participante apenas virtual na cimeira dos países do BRICS na África do Sul no final deste mês, em vez de comparecer pessoalmente, segundo fontes em Nova Delhi.

O que indica uma queda no nível da representação da cimeira e a expectativa de que outros líderes dos países membros da organização se recusem a participar, enviando no seu lugar os ministros dos negócios estrangeiros / das relações exteriores.

O que, por sua vez, pode significar tanto a tendência de crescente perda da influência do BRICS como uma força global (composta por três democracias e duas ditaduras), quer a tentativa do putin de se vingar da posição independente da África. Não é segredo, que regime russo vê os países africanos, meramente na qualidade de «aliados úteis», uma espécie da nações e elites eternamente gratos pela participação ativa soviética na luta anticolonial. Mas desde as lutas do século XX, África cresceu e emancipou-se, chegando à percepção do que o passado histórico fica no passado e na atualidade os genuínos interesses africanos não são compatíveis com agenda ideológica russa, da cariz claramente colonial.

Ler Indian Prime Minister Modi unlikely to travel to South Africa for BRICS Summit: sources  (em inglês, só para os assinantes).

quarta-feira, maio 17, 2023

Caça aos cientistas «traidores» prossegue na academia russa

Foto: IPTM SO RAN

Três cientistas do Instituto de Mecânica Teórica e Aplicada de Novosibirsk (ITAM), envolvidos na criação de aeronaves hipersônicas, foram presos um após outro pelas forças russas, acusados de traição, com a pena máxima até prisão perpétua.

Na terça-feira, 16 de maio, funcionários do ITAM publicaram uma carta aberta na qual anunciavam a prisão por suspeita de traição do doutor em Ciências Técnicas e pesquisador-chefe Valery Zvegintsev, que fundou o laboratório de aero-gás-dinâmica de alta velocidade do instituto.

Desde 7 de abril, Zvegintsev está em prisão domiciliar. Seu supervisor imediato, o diretor do ITAM Alexander Shiplyuk, foi colocado no centro de detenção provisória de Lefortovo em agosto do ano passado, poucos dias após a prisão do pesquisador-chefe Anatoly Maslov. Ambos foram acusados ​​​​de acordo com o mesmo artigo - 275º do Código Penal da federação russa «Traição». Segundo o Academ.info, Maslov era suspeito de transferir dados relacionados a tecnologias hipersônicas para a China.

Shiplyuk e Maslov trabalham em mísseis hipersônicos há mais de 10 anos. Eles apresentaram o projeto experimental de tais armas em 2012 em um seminário científico na França, observa a Reuters. Quatro anos depois, surgiu um trabalho de autoria conjunta de dois cientistas sobre pesquisas aerodinâmicas em velocidades hipersônicas.

Shiplyuk também esteve envolvido no revestimento protetor de mísseis hipersônicos nos últimos anos - seu trabalho, citado online, é dedicado a esse tópico, escreveu o The Telegraph.

No total, na Seção Siberiana da Academia Russa de Ciências, conhecida por seu forte potencial no campo da física e da matemática, 16 pessoas foram alvos de processos-crime, incluindo o ex-chefe, acadêmico da Academia russa de Ciências Alexander Aseev. Um dos cientistas, Dmitry Kolker, de 54 anos, chefe do laboratório de tecnologias óticas quânticas da Universidade Estadual de Novosibirsk, morreu num centro de detenção provisória (SIZO) em Moscovo/u logo após ser preso pelo FSB.

Em 1 de março de 2018, o presidente Vladimir Putin anunciou a criação de armas hipersônicas na Rússia durante seu discurso à Assembleia Federal. Em uma apresentação animada demonstrando lançamentos nos Estados Unidos, Putin mostrou a deputados, senadores e autoridades o míssil antinavio Zirkon e o míssil balístico intercontinental Avangard com um bloco deslizante. Este último, segundo Putin, desenvolve velocidades acima de Mach 20 e derrete em voo, «como um picolé».

Além disso, Putin apresentou o sistema de mísseis hipersônicos Kinzhal, que, segundo o presidente, «com certeza superará» não apenas os existentes, mas também os promissores sistemas de defesa aérea e antimísseis.

Em 4 de maio, o comando das Forças Armadas da Ucrânia anunciou que havia derrubado o Kinzhal com a ajuda dos sistemas de defesa aérea Patriot americanos desenvolvidos na década de 1970, que Ucrânia recebeu da Alemanha e da Holanda. Posteriormente, a informação sobre a interceptação do míssil foi oficialmente confirmada pelo Pentágono.

O Kremlin não comentou a detenção de cientistas hipersônicos por suspeita de traição, disse o porta-voz presidencial Dmitry Peskov em entrevista coletiva na quarta-feira.

Fonte

segunda-feira, fevereiro 07, 2022

A história dos combates sino-soviéticos pelo controlo da ilha Damansky

Nos dias 2 e 14-15 de Março de 1969 decorreram os combates entre as forças chinesas e soviéticas pelo controlo da ilha Damansky (Zhēnbǎo), que resultaram na morte dos 58 militares soviéticos e da passagem da ilha sob controlo efetivo da China comunista. 

A deterioração das relações sino-soviéticas foi baseada nas diferenças ideológicas e políticas entre o PCUS e PCC. Muitos fatores se tornaram obstáculos: a avaliação da herança do Estaline/Stalin, a possibilidade de coexistência pacífica dos estados comunistas e capitalistas, experiências económicas chinesas, etc. Após a morte do ditador soviético Estaline, Mao tentou desempenhar um papel mais notável no controlo e influência no movimento comunista internacional. Algo que desagradava Moscovo. 

A China comunista avançou a ideia de guerra revolucionária. Mao considerava a terceira guerra mundial como uma bênção, pois não tinha dúvidas sobre a derrota do “imperialismo”. A morte de milhões de pessoas foi considerada pelo líder chinês como uma inevitabilidade para alcançar o grande objetivo – a vitória do comunismo em escala global. Na reunião de representantes dos partidos comunistas e trabalhadores em Moscovo/u em novembro de 1957, Mao apresentou a tese de que, mesmo que no caso de uma guerra termonuclear metade da humanidade seja destruída, a segunda metade, os povos vitoriosos, “de forma extremamente rápida criarão nas ruínas do imperialismo uma civilização mil vezes mais avançada do que com o sistema capitalista, construirão o seu futuro verdadeiramente lindo”. 

Além disso, os chineses reivindicaram mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados de território soviético, cedido, ao império russo entre 1860 à 1915 no âmbito dos acordos bilaterais. Por exemplo, não houve a demarcação rigorosa da fronteira entre a Rússia e a China desde o acordo de Pequim de 1860. Centenas de ilhas desabitadas nos rios Ussuri e Amur não foram delimitadas, de fato e de jure eram “de ninguém” e eram usadas nas atividades económicas de ambas as partes. 

Mais, em outubro de 1933, após a ocupação japonesa da Manchúria, o Conselho de Ministros da URSS tomou a decisão secreta de “transferir” a linha da fronteira, que passava pelos rios, até à costa chinesa. A URSS, de uma forma unilateral, assumiu o controlo/e exclusivo de quase todas as ilhas nos rios de Amur e Ussuri. A “movimentação” da fronteira também aconteceu em algumas parcelas terrestres. A URSS ocupou, ilegalmente um total de mais de 220 ilhas e áreas terrestres. A linha da fronteira não foi legalmente enquadrada e também nunca reconhecida pela China. 

Os militares chineses momentos antes do início de combates, 2/03/1969.
Foto do militar soviético morto de seguida. 

Da parte soviética nos combates pelo controlo da ilha Damansky, com território de apenas 0,74 km², no rio Ussuri morreram 58 militares, entre eles 49 pertenciam às tropas de guarda-fronteira, filiados no KGB. Os 94 militares foram feridos, cinco condecorados ao título do Herói da União Soviética, três deles ao título póstumo. As baixas chinesas são desconhecidas e são avaliados entre 100 à 800 pessoas (civis e militares). 

Artilharia chinesa, dias 14-15/03/1969. Foto: arquivo

Ainda antes do fim de 1969 a ilha foi totalmente ocupada pelo exército da China comunista. As autoridades chinesas instalaram na ilha um monumento com os nomes dos seus militares, considerados heróis nacionais da China, que morreram em 1969. Os militares da guarda-fronteira chinesa tomam o ali o seu juramento. Desde 2009 na ilha se situa uma base nacional de patriotismo, aprovada oficialmente. Na ilha também funciona um museu dedicado aos acontecimentos de 1969, com entrada proibida aos estrangeiros. 

Dentro do museu, foto: Internet 

No dia 19 de maio de 1991, a ilha Damansky foi oficialmente entregue à China sob um novo acordo da fronteira comum sino-soviética. No total, no início da década de 1990 a URSS / Rússia entregou à RP China mais de 600 ilhas nos rios Amur e Ussuri, bem como 10 km² de área terrestre. 

Blindado T-62, número 545, capturado pelos chineses, foto: arquivo

Deve-se notar que nos combates pelo controlo da ilha por parte soviética foi usado o sistema de mísseis BM-21 “Grad” e blindados T-62. Um destes blindados foi capturado pelos chineses e serviu da base para o blindado chinês WZ-122A “San Ye”, que, no entanto, nunca foi produzido em série. O próprio T-62 № 545 ainda hoje está exibido no Museu do Exército de Libertação do Povo em Pequim. 

Ver o filme propagandista soviético “Provocação no rio Ussuri”, 1969:

sábado, fevereiro 05, 2022

A inspiração gay da propaganda de amizade Moscovo – Pequim

"Amizade secular"
Por alguma razão desconhecida, a velha propaganda visual da amizade soviético-chinesa parece se inspirar na estética gay. Onde dois homens bastante musculosos (geralmente operários) estão juntos e felizes, as vezes junto com os seus filhos adotivos.
"Amizade secular para felicidade dos povos!"

"O nosso objetivo - comunismo!"

"Amizade secular!"


"Viva a amizade dos povos da URSS e da China!"

"Amizade secular"

"Sempre juntos!"


"Pelo caminho da paz e da amizade!"

Fonte: Imgur

sexta-feira, outubro 15, 2021

A comunidade ucraniana na cidade de Changai

Em setembro de 1932, na cidade chinesa de Changai foi oficialmente formada a organização social “Comunidade ucraniana”, que reunia no seu meio diversos ucranianos étnicos residentes naquela cidade. 

A permissão para o registo da comunidade foi obtida no Consulado francês, que geria uma parta da cidade chamada de Concessão francesa, habitada por cerca de 600 mil pessoas, na sua maioria chineses. Mas alguns meses depois, a polícia francesa anulou a permissão, possivelmente devido ao lobi russo, bastante influente na parte francesa da cidade. Dessa forma a comunidade ucraniana se mudou para a parte internacional de Changai, gerida pela Municipalidade britânica, onde foi inaugurada a nova casa em 26 de Novembro de 1932. Os ucranianos convidaram para a inauguração os representantes georgianos, dos povos do Cáucaso, lituanos e tártaros. 

A comunidade ucraniana em Changai tinha os seguintes objetivos: a) defesa dos interesses culturais e nacionais dos ucranianos; b) preservação da vida sócio cultural normal da comunidade ucraniana; c) apoio material e moral de compatriotas no leste da Ásia com a ajuda da palavra impressa ucraniana. 

Estima-se que no início da década de 1930 em Changai viviam cerca de 5.000 ucranianos étnicos, com diversos graus de consciência nacional e com diversa situação social e económica. 

Em dezembro de 1937 decorreu o novo registo da “Comunidade ucraniana”, foi comprado o espaço de chancelaria, escola e grupo teatral. A comunidade possuía um programa diário regular na rádio local, que era ouvido em Changai e Harbin. 

Dois anos depois, em 31 de Dezembro de 1939 a “Comunidade ucraniana” se transformou em “Colónia Nacional da Ucrânia” (UNK). Que declarava como o seu objetivo a “assistência e proteção de ucranianos na China, em particular, na cidade de Changai”. Os membros da Colónia elegeram o comité representativo, Ukrainian Reprehensive Comittee. A Colónia admitia membros maiores de 18 anos que deveriam «ser dignos representantes da ucrainidade em todas as dimensões da vida e apoiar o bom nome da Colónia Nacional da Ucrânia”. Existia a ala juvenil da UNK, que admitia os membros com as idades de 14–17 anos. As candidaturas eram votadas pelo plebiscito geral dos membros da Colónia. 

Para defender e preservar a sua identidade ucraniana, junto às autoridades chinesas de Changai e no Município da cidade o comité chamado Ukrainian Association in Shanghai. 

Durante os anos da sua existência a Comunidade Ucraniana (mais tarde – Colónia Nacional da Ucrânia, Comité Representativo Ucraniano, Clube Ucraniano) publicou três jornais: Comunidade de Changai (1938), A Voz Ucraniana no Extremo Oriente (1941 – 1944) e The Call of the Ukraine (1941 – 1942, em inglês), tinha um programa na rádio (1941 – 1942), possuía a escola, grupo de teatro, biblioteca. Existia uma unidade ucraniana no sei do Corpo Voluntário de Changai (SVC). 

Após o fim da II G.M., o Comité Representativo Ucraniano ficou engajado na evacuação dos ucranianos da China para EUA e Argentina. Com ajuda da congénere ucraniana de Buenos-Aires, cerca de 200 vistos foram atribuídos aos ucranianos de Changai. 

Como o fim de ilusões em relação à possibilidade de voltar à Ucrânia livre de ocupação soviética, a esmagadora maioria dos ucranianos de Changai optou por se mudar aos países onde já havia grandes comunidades de ucranianos, e, portanto, a possibilidade de preservar sua própria cultura – no Canadá, EUA ou Austrália. Assim, o fim da II G.M. e mudanças políticas na China ditaram o fim da presença ucraniana naquela região (fonte).

sexta-feira, maio 21, 2021

Os segredos do funcionamento do “Sistema de Crédito Social” na China

Na China, entrou em vigor o primeiro Código Civil do país, que consagra o chamado “Sistema de Crédito Social”, que avalia e analisa a vida de um cidadão comum por cerca de 160 mil parâmetros diferentes, vindas de 142 instituições. 

A essência da ideia dos especialistas chineses era uma proposta de dotar os habitantes da cidade condicional N com um certo número de pontos. Este número inicial, que garantia condições de partida iguais para todos os residentes, podia aumentar ou diminuir, dependendo do que a “carteira” do proprietário fizesse de útil ou prejudicial. 

Agora, cada cidadão tem uma classificação inicial de 1000 pontos. Um único centro de informação analisa cada um dos 160 mil parâmetros diferentes de 142 instituições. Se a classificação for superior a 1050 pontos, você é um cidadão exemplar e está classificado com o índice AAA. A partir de 1000 pontos você pode contar com A +, e de 900 – com B. 

Se a classificação cair abaixo de 849, você já é um portador suspeito da categoria C, que pode facilmente ser demitido de estruturas estaduais e municipais. Quem tem 599 pontos ou menos se enquadra no grupo D, que é comparável à “lista negra”, pois não serão contratados nem mesmo como taxistas. 

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Pessoas com classificação D não conseguem um emprego normal, não recebem empréstimos, não podem comprar passagens para transporte [principalmente avião e TGV] e podem até ter o aluguer/l de bicicletas negado. Para efeito de comparação, uma pessoa com classificação A + receberá uma bicicleta gratuitamente e poderá andar nela por mais meia hora sem pagar. Uma pessoa com uma classificação média de C pode alugar uma bicicleta apenas com uma fiança de 200 yuans [cerca de 31 USD]. 

A maioria dos cidadãos tem medo até de falar com pessoas da categoria D, porque alguém pode informar as autoridades sobre a comunicação com uma pessoa da “lista negra” e sua classificação pode ser rebaixada. Uma avaliação baixa também levará à censura pública e ao ridículo: a divulgação dos nomes dos culpados até a divulgação pessoal de amigos, colegas e parentes. 

Com o novo código, os chineses receberão pontos por: 

·         participar em atividades de caridade,

·         cuidar de familiares idosos;

·         manter boas relações com os vizinhos e ajudar os pobres;

·         doar sangue;

·         apoiando o seu governo nas redes sociais [dessa forma o governo comunista chinês obtém um verdadeiro exército de bots à custo zero];

·         ter um bom histórico de crédito financeiro;

·         cometendo qualquer a(c)to heroico.

·         etc. 

Os cidadãos perdem pontos por: 

·         violar as regras de trânsito;

·         participar num protesto contra as autoridades e postar mensagens antigovernamentais nas redes sociais [automaticamente o governo corta toda e qualquer participação democrática do cidadão no destino do seu país];

·         cuidado de forma insatisfatória os seus ais idosos;

·         espalhar boatos e falsificações na Internet [nos países comunistas habitualmente qualquer informação desfavorável ao governo é automaticamente classificada de boato e falsificação];

·         pedir desculpas não-sinceras pelas ofensas cometidas [no passado, em vários países comunistas os cidadão eram obrigados às secções da autocrítica pública ou, por exemplo, renunciar, publicamente, aos seus familiares e parentes, desde o momento que estes sejam considerados inimigos do povo];

·         envolver-se em atividades sectárias [nos países comunistas, muito habitualmente, qualquer igreja ou fé religiosa é/era considerada como “seita” e os seus membros presos e perseguidos] e trapacear em jogos online.

·         etc. 

Fonte 

Blogueiro: por um lado, os chineses estão implementar um sistema de divisas que não pode ser herdado. Por outro lado, parece que o país não aprendeu nada da sua caça aos pardais.