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| Funerais das vítimas do pogrom de Kielce, 8 de julho de 1946 © PAP/Jerzy Baranowski |
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| Caixões com os corpos de judeus mortos durante o pogrom em Kielce, Polónia, 6 de julho de 1946 |
Kielce viveu um pogrom clássico, o termo russo, que entrou para todos os dicionários do mundo. Do pogrom de agosto de 1945 em Cracóvia ao mais sangrento em Kielce, o cenário era sempre o mesmo, os rumores espalhados entre a populaça, baseados no libelo de sangue contra os judeus: «Um menino cristão foi morto por judeus para fins ritualísticos». A Igreja Católica na Polónia, com o seu antissemitismo inerente, desempenhou o papel mais que sinistro na construção do contexto para esta terrível tragédia. O pogrom em Kielce foi o mais sinistro precisamente porque um pequeno grupo de sobreviventes judeus do Holocausto se instalou numa casa, onde foram encurralados e assassinados metodicamente, durante horas. Foram mortos não só por polacos comuns, residentes na cidade, mas também com a participação direta do exército e da polícia polaca (as autoridades polacas chegaram prender 34 militares e oficiais do exército e das forças desegurança e 6 polícias). A Igreja Católica Polaca, representada pelo bispo local Czesław Kaczmarek, de forma singular para a Igreja, apoiou passivamente estes assassinatos e NUNCA os condenou.
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| Foto: Jerzy Baranowski / PAP / Vostock Photo |
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| A placa memorial em Kielce «em memória dos 42 judeus assassinados» |
Em resultado dos julgamentos pós-pogrom, que se prolongaram até dezembro de 1946, nove pessoas foram condenadas à morte, três a prisão perpétua e outras dez a sete anos de prisão. As sentenças subsequentes foram muito mais brandas, e dos altos funcionários da polícia e da segurança, apenas três foram julgados, sendo que somente o comandante do departamento de polícia provincial, Coronel Kuznytsky, foi condenado a um ano de prisão.
No decorrer do pogrom de Kielce morreram mais de 40 pessoas (37/42 judeus, 3 polacos e 35 pessoas ficaram feridos; o número de vítimas nos povoados vizinhos e na linha ferroviária / ferrovia não pôde ser determinado com precisão). Pensa-se que este pogrom terá sido o catalisador para a emigração em massa de judeus polacos para a Palestina e à partir de 1948 para o recém-criado Israel, e de cerca de meio milhão de judeus, que sobreviveram o Holocausto nazi no final da década de 1950, restaram não mais de 30.000 na República Popular da Polónia.
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| Foto original: Michael Star |
O Jerusalem Post, no seu artigo de 15 de janeiro de 2026, conta a história de militares judeus que servem nas fileiras das FAU — sem sentimentalismos, sem slogans, com a compreensão do preço de cada dia.
Não estamos a falar de histórias abstratas, mas de pessoas reais:
• Moshe Byzsemov de Mykolaiv é o comandante de uma unidade de drones de reconhecimento. Serve desde 2018, manteve-se na linha da frente mesmo após ter sido ferido e prolongou o seu contrato após o início da guerra em grande escala (24.02.2022).
• Andriy Chernetsky — condutor de um veículo blindado. Esteve na batalha de Bakhmut e foi ferido três vezes. O artigo descreve um episódio em que quebrou o protocolo e parou o blindado BMP para resgatar um soldado ferido sob os escombros.
• Tsvy-Hirsh (Gryhoriy) Zvergazda era cozinheiro e pai de dois filhos. Morreu na direção operativa de Kherson. Após a guerra, sonhava abrir um restaurante kosher com a estrela Michelin em Odesa.
• Andriy Korovsky de 32 anos era um professor da escola Chabad e operador de drones. Regressou à linha da frente após ter sido ferido e morreu em combate devido a um ataque cardíaco.
• Maksym Nelypa foi um ator e apresentador de TV ucraniano. Deixou a televisão no início da guerra, combateu e morreu em maio de 2025. Na altura, o seu filho servia na brigada «Golani» das Forças de Defesa de Israel.
• Benjamin «Nemo» Ásher era um voluntário judeu da Hungria, soldado das FAU, morreu no campo de batalha a Ucrânia; o seu nome é mencionado no contexto da sua ajuda nos funerais judaicos.
• O rabino Mayer Stambler é o chefe da Federação das Comunidades Judaicas da Ucrânia, que coordena a assistência às famílias dos falecidos e a organização de funerais de acordo com a tradição judaica.
• O rabino-tenente Yakov Sinyakov é um capelão militar que trabalha diretamente com os soldados na linha da frente: apoio psicológico, orações, conversas, ajuda aos recrutas.
Um ponto importante a destacar é a escala da participação.
Não existem «estatísticas judaicas» oficiais no exército ucraniano, mas, segundo as estimativas dos representantes das comunidades judaicas, entre 100 à 200 judeus ucranianos possivelmente já morreram na guerra desde 24.02.2022. Ao mesmo tempo, o número de judeus que servem nas FAU da Ucrânia é aproximadamente, no mínimo, o dobro do número de judeus que já morreram.
Não se trata de uma questão de contagem, nem de uma disputa sobre números. Os números demonstram apenas que não estamos a falar de histórias individuais, mas sim de uma camada significativa da sociedade que paga o mesmo preço da guerra que todos os outros.
Blogueiro: ao mesmo tempo, aproximadamente, zero palestinianos/nos fazem parte das FAU. Apesar, de que milhares de palestinos, estudaram na Ucrânia durante cerca de cinco décadas, muitos, de uma forma gratuita, vários deles constituiram as famílias e acabaram por ficar à viver na Ucrânia...
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| «As fronteiras da Pátria são sagradas e invioláveis». Cartaz do W. Ansikeew |
Liliana Gasinska sonhava em deixar a URSS desde a adolescência. Em busca deste objetivo, conseguiu um emprego como servente no cruzeiro soviético «Leonid Sobinov». Em janeiro de 1979, o navio atracou no porto de Sydney. Após algumas tentativas mal sucedidas de pedir ajuda, a jovem saiu do navio pela janela e nadou em direção ao porto. Sabendo um pouco de inglês, explicou-se a um transeunte, pedindo ajuda.
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| A famosa «menina de biquini vermelho», como Liliana foi conhecida na Austrália |
Os representantes do consulado soviético iniciaram uma verdadeira caça a Gasinska, mas os repórteres locais foram mais rápidos. Em busca de publicações de grande visibilidade, esconderam Liliana em troca de uma entrevista prometida. Disse lhes que o comunismo que odiava se baseava apenas na propaganda e na mentira, e que uma pessoa mentalmente sã não era capaz de se deixar levar por isso. Liliana Gasinska pediu asilo político, que lhe foi negado, no entanto, ela recebeu a permissão de ficar no país. Pousou para a 1ª edição australiana de Penthouse, fez cinema, dançarina, casou duas vezes e foi a mãe de dois filhos, no fim se mudou para Grã-Bretanha, onde vive, feliz, até hoje.
Pilotos fugitivos
Em 1948, os pilotos militares Anatoly Barsov (1917-?) e Pyotr (Peter) Pirogov (1920-1987) voaram num bombardeiro Tu-2 pertencente à força aérea soviética, da Ucrânia para Áustria, onde solicitaram asilo político, especialmente às autoridades de ocupação americanas.
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| Petr Pirogov (à esquerda) e Anatoly Borzov numa conferência de imprensa para os meios de comunicação ocidentais, logo após a aterragem na base aérea americana de Vogler. Foto: LIFE / Wikimedia |
Os Estados Unidos aceitaram receber ambos os militares. Pirogov conseguiu estabelecer-se rapidamente no seu novo país. Colaborando com um agente literário, escreveu um livro de memórias e deu palestras.
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| Livro do Peter Prigov publicado em 1950 |
Três anos depois, Pirogov se casou com Valentina, uma russo-americana, filha dos emigrantes. Pirogov trabalhou na Rádio Liberdade, na Biblioteca do Congresso, se graduou em linguística e foi o professor associado na Escola de Línguas e Linguística da Universidade de Georgetown.
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| Pirogov e Barsov nos EUA |
Já Anatoly Barsov não se encaixou nos EUA, ficou desiludido com a liberdade americana, não queria aprender o inglês, começou a beber, por fim contactou a embaixada soviética, recebendo a promessa de «ficar na cadeia por apenas dois anos» em caso de regresso voluntário. Voltou, ficou preso por cerca de 8 meses, no fim daquele período, aparentemente, foi fuzilado. Já após a morte do Estaline, em 1957, a embaixada soviética nos EUA entregou uma carta ao Pirogov, supostamente escrita pelo Barsov. Apesar de ser escrita numa caligrafia muito semelhante ao do Barsov, a carta não tinha erros ortográficos (Barsov fazia muitos) e estava assinada pelo apelido oficial, «Barsov», enquanto Anatoly sempre assinava as suas cartas com o seu apelido de nascença, Borzov (ele teve que mudar o apelido, para esconder o parentesco, o seu pai foi um pequeno empresário, algo que impossibilitava o engresso do Anatoly na escola dos pilotos, reservada aos filhos de «operários e camponeses»).
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| Viktor Belenko (à direita). /Foto: avatars.mds.yandex.net |
Outro piloto, que procurou a vida melhor no estrangeiro foi Viktor Belenko. O piloto de caça MiG-25P fugiu ao Japão, pedindo o asilo nos Estados Unidos. Na URSS, foi condenado à morte à revelia, o KGB expalhava os rumores do que Belenko ora «morreu no acidente rodoviário», ora «pediu para voltar e está na cadeia».
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| O livro biográfico, escrito pelo John Barron |
Na realidade o piloto foi feliz nos EUA, trabalhou, durante décadas como piloto, e acabou por falecer em setembro de 2023.
Para os EUA via Índia
Em 1986, Dmitry Sokolenko, ucraniano étnico de 25 anos, residente em Novosibirsk, rússia, fugiu da miserável e triste URSS. Considerando várias opções, decidiu-se pelo visto turístico. A escolha recaiu sobre a Índia, como um destino acessível ao cidadão comum, mas ao mesmo tempo não um Estado socialista (os riscos de extradição eram baixos). Depois de reunir uma pilha de papéis e obter as autorizações necessárias, Sokolenko viu-se a bordo de um avião Moscovo-Déli. Após a aterragem, o jovem, que não se destacava no grupo de turistas, dirigiu-se para o hotel. Mas, depois de esperar até à meia-noite, saiu do quarto e correu para a embaixada americana, onde viveu durante duas semanas.
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| Ler o livro, em PDF |
Um dos representantes da ONU lhe ajudou com um pedido de asilo americano e organizou o transporte de contrabandistas ao Nepal. De seguida, o caminho passou pelo Paquistão, França e Itália. De Roma Sokolenko voou para Nova Iorque, onde começou uma nova vida. Em 2003 Sokolenko escreveu o livro biográfico «Como escapei à URSS: das notas de um cidadão do universo», que foi publicado em 2009.
Arriscando a vida
Em abril de 1970, um navio de pesca soviético que navegava à 150 milhas de Nova Iorque enviou um sinal de socorro para a costa. O facto é que uma cozinheira (ou servente) de 22 (ou de 25) anos estava a morrer. A letã Daina Palena foi levada de urgência para o hospital, onde se descobriu que tinha ingerido medicamentos potentes. Acontece que a jovem se tinha auto-envenenado propositadamente, com a intenção de ficar nos EUA, pedindo o asilo político.
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| 20 de abril de 1970. Foto da Daina Palena no hospital público de Staten Island, em Nova York |
Pālēna passou cerca de uma semana num hospital de Nova Iorque sob a supervisão de membros da missão diplomática soviética. Ao recuperar os sentidos, a letã confirmou a seriedade da sua intenção de não regressar a casa, afirmando que não tinha arriscado a vida em vão. Ela contou as autoridades que os cidadãos soviéticos eram privados de vontade política, não tinham o direito de organizar manifestações e que as mais pequenas iniciativas que contradissessem a ideologia oficial eram reprimidas. As autoridades americanas, após cerca de três semanas de reflexão, finalmente acederam ao pedido de Daina, apoiada pela Diáspora letã nos EUA.
Pālēna conseguiu um emprego como vendedora num supermercado em Nova Jérsia. Muitos letões nos EUA ofereceram-se para a ajudar com roupas, habitação e trabalho. O seu dentista letão, Švarcbergs, trabalhava no hospital para o qual foi levada e assumiu as funções de intérprete. Daina Pālēna é natural de Sigulda e vem de uma família de sete filhos. O resto da sua família está na Letónia. Infelizmente, nada mais se sabe sobre as suas atividades posteriores.
Atravessar o Oceano Pacífico a nado
O oceanólogo Stanislav Kurilov sonhava viajar pelo mundo, mas o regime soviético não deixava. Em 1974, Kurilov saltou de um navio de cruzeiro no Oceano Pacífico e nadou, cerca de 100 km até à ilha filipina mais próxima, Siargao. A ousada fuga foi divulgada na imprensa, e o cidadão foi julgado na União Soviética à revelia, deixado, pelas autoridades filipinas de viajar até o Canadá, onde vivia a sua irmã e onde recebeu a cidadania.
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| Manifestação de judeus «refuseniks» em Moscovo, 10 de janeiro de 1973 |
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| O visto de saída permanente (normal, tipo M) da União Soviética. Ao sair definitivamente do país, o indivíduo perdia a cidadania soviética. |
O processo de apresentação e análise dos pedidos de saída era acompanhado por uma série de formalidades burocráticas sufocantes, destinadas a tornar a emigração em massa o mais difícil possível, ou melhor ainda, impossível. Antes da ratificação do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, em 1973, a URSS não reconhecia formalmente o direito à livre emigração, e a emissão de autorizações de saída dependia exclusivamente da boa vontade das autoridades.
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| Piquete nos EUA exigindo a libertação dos «prisioneiros de Sião» na União Soviética |
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| Uma manifestação em Los Angeles organizada pelo Conselho do Sul da Califórnia para a Liberdade dos Judeus Soviéticos |
O desejo de emigração era especialmente forte entre os judeus soviéticos, mas também entre outros grupos étnicos – alemães, gregos, armênios, tártaros da Crimeia, bem como entre os crentes de grupos religiosos que sofriam repressão das autoridades comunistas – os ortodoxos «velhos crentes», pentecostais, batistas, adventistas, testemunhas de Jeová, católicos em geral e greco-católicos ucranianos. Todos os «refuseniks» eram frequentemente alvo de perseguição, como, por exemplo, demissão do trabalho e, consequente perceguição judicial, sob o pretexto de «parasitismo». Oficialmente, a União Soviética, exigia aos seus cidadãos de possuir, obrigatoriamente, um local de trabalho formal. O sentimento de emigração entre os judeus aumentou acentuadamente após a Guerra dos Seis Dias de 1967 e a guerra de 1973, quando a URSS se aliou completamente aos países árabes em sua luta armada contra o Estado de Israel e apoiou movimentos palestinos radicais.
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| Agentes da KGB inspecionam uma exposição não autorizada, dedicada ao feriado israelita/israelense do Dia de Jerusalém, organizada na floresta de Ovrazhki, arredores de Moscovo/ou, 1979 |
A Guerra dos Seis Dias provocou um ressurgimento da consciência nacional dos judeus soviéticos. Em 10 de junho de 1968, um ano após o rompimento das relações com Israel, o Comité Central do PCUS recebeu uma carta conjunta da liderança do Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores da URSS e do KGB, assinada pelos Gromyko e Andropov, propondo permitir aos judeus soviéticos de emigrarem legalmente. No final da década de 1960 e início da década de 1970, a política de União Soviética sobre a repatriação para Israel se suavizou e, entre 1969 e 1975, cerca de 100.000 repatriados da URSS chegaram a Israel.
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| Emigrantes judeus chegam da URSS a Israel, 1972 |
No início da década de 1970, após o caso da tentativa de sequestrar e desviar um avião de passageiros do Leninegrado ao exterior, as autoridades soviéticas flexibilizaram as restrições à emigração da URSS para outros grupos étnicos que desejassem fazê-lo. No entanto, no início da década de 1980, após o início da Guerra do Afeganistão, surgimento de sindicato Solidariedade na Polónia e o exílio forçado do académico Dmitry Sakharov, as autoridades decidiram «encerrar» a emigração, e muitos daqueles que haviam solicitado a sua saída tiveram os pedidos recusados. Eles passaram a ser chamados de «refuseniks», uma mistrura de palavras, do inglês «to refuse» - «recusar» e do russo «otkaznik», o alvo de uma recusa, embora as recusas já tivessem sido praticadas antes. Se em 1979 os 51.333 judeus soviéticos receberam os vistos de saída, em 1982 foram recebidos 2.688 vistos, em 1983 - 1.315, e em 1984 apenas 896. As autoridades soviéticas anunciaram que não havia mais famílias aguardando a reunificação, embora isso não fosse a verdade e famílias de muitos judeus soviéticos os aguardavam no Israel e no Ocidente em geral.
Livro propagandista soviético de Yuri Ivanov «Cuidado: Sionismo!» (em cima), 1970. Foi publicado durante a fortíssima campanha Estatal antissemita, mascarada de antissionista, que começou em 1967, após a URSS romper relações diplomáticas com Israel em resultado da Guerra dos Seis Dias. O livro antissemita de autoria de um propagandista judeu, Adolf Edelman «Judaísmo: Passado sem Futuro», 1977.
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| «Refuseniks» no Aeroporto de Sheremetyevo se despedem de seu camarada partindo para Israel, 1970 |
Um movimento significativo em defesa dos «refuseniks», e especialmente dos «prisioneiros de Sião» (ou seja, os «refuseniks» presos), desenvolveu-se nos Estados Unidos, Inglaterra, França, Israel e outros países ocidentais.
«Prisioneiro de Sião», Iosif Begun, que passou oito anos em prisões e campos de trabalho forçado. Ele aparece em um cartaz da organização americana em defesa dos judeus soviéticos, 1985.
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| Participantes da greve de fome em Moscovo/ou: 36 «refuseniks» judeus georgianos, julho de 1971 |
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| Manifestação de judeus «refuseniks» em Leningrado |
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| Imigrantes da URSS no Aeroporto Ben-Gurion |
Os ativistas foram acusados de alta traição, crime punível com pena de morte nos termos do artigo 64º do Código Penal da rússia soviética. Mark Dymshits e Eduard Kuznetsov foram condenados à morte; mas, depois de protestos internacionais, a pena foi reduzida para 15 anos de encarceramento; Yosef Mendelevitch e Yuri Fedorov: 15 anos; ucraniano Oleksii Murzhenko: 14 anos; Sylva Zalmanson (esposa de Kuznetsov e a única mulher em julgamento): 10 anos; Arie (Leib) Knoch: 13 anos; Anatoly Altman: 12 anos; Boris Penson: 10 anos; Israel Zalmanson: 8 anos; Wulf Zalmanson (irmão de Sylva e Israel): 10 anos; Mendel Bodnya: 4 anos.
Trailer do filme documental Operation «Wedding», da diretora Anat Zalmanson-Kuznetsov (2016):
Em 20 de maio de 1978, no estado americano de Nova Jersey, o FBI deteve o espião soviético Vladimir Zinyakin junto à um esconderijo de materiais confidenciais. No mesmo dia, agentes do FBI prenderam seus colegas dois outros espiões soviéticos, V. Enger e R. Chernyaev, que estavam na área onde a operação estava sendo realizada. Zinyakin, que tinha imunidade diplomática, foi libertado. Enger e Chernyaev foram condenados a 50 anos de prisão. Após negociações, em 27 de abril de 1979, em Nova York, dois oficiais de inteligência soviéticos (Enger e Chernyaev) foram trocados por cinco dissidentes (incluindo Kuznetsov e Dymshits). Nos Estados Unidos e em Israel, os «aviadores» foram recebidos como heróis. Além de Kuznetsov e Dymshits, Anatoly Altman, Wulf Zalmanson, Arie Knoch, Boris Penson e Gilel Butman foram libertados no início de 1979.
Da esquerda para a direita: o grupo do «aviadores desviadores»: Arie Khnokh, Wulf Zalmanson, Boris Penson, Anatoly Altman e um dos líderes da organização sionista de Leningrado, Gilel Butman, antes de partir para Israel.
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| Panfleto ocidental em apoio dos «aviadores desviadores». Imagem: (c) acervo pessoal de Maxim Kravchinsky (Toronto) |
Em 1987, com a liberalização gradual do regime soviético, a grande maioria dos «refusenik» recebeu permissão para emigrar e, no final da década de 1980, esse foi desaparecendo. O fim dos «refusenik» se deu por completo com o colapso da URSS em 1991 e a adoção de leis sobre a liberdade de entrada e saída do país.
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| O primeiro-ministro israelita/israelense Yitzhak Rabin aperta a mão de emigrantes judeus a bordo de um avião voando para Israel, 1994 |
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| Monumento do Holodomor da Ludmila Temertey em Edmonton |
Zoryan Kis, o director do Centro cultural da Ucrânia em Tel Aviv e 1º secretário da Embaixada da Ucrânia em Israel explica que o monumento ainda não foi inaugurado oficialmente, pois o parque Wohl Rose Garden ainda está em reconstrução. Definitivamente a data e a hora da cerimônia será anunciada nas páginas da Embaixada da Ucrânia em Israel e do Centro Cultural Ucraniano em Tel Aviv.
Vale ressaltar que as autoridades israelenses, por enquanto, oficialmente não reconheceram Holodomor de 1932-1933 como genocídio do povo ucraniano.
Fotos de Jerusalém: Ludmila Kerbel
Engraçado que o apelido supostamente “judeu” de Vladislav foi muito provavelmente fabricado na sede do GRU russo, por pessoas sem ideias claras da história dos nomes judeus. É de salientar, que três anos atrás, Vladislav fez uma publicação (que já foi apagada, mas as almas bondosas tiveram o cuidado de a documentar) sobre a sua detenção e tentativa de se defender das acusações de estupro/violação.
Segundo o relatório oficial, desde agosto de 2024 que Vladislav Victorsson comunicava em hebraico e por vezes em inglês nas redes sociais com uma pessoa sob a alcunha de “Mari Hossi” (a julgar pelo texto da acusação, a comunicação era realizada via Telegram). Seguindo as instruções desta pessoa, o suspeito fez grafitis e afixou panfletos (o relatório do procurador esclarece que se tratava de grafitis e panfletos contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - por exemplo, «Bibi destruiu o estado de Israel», «Bibi = Hitler», «Bibi organizou o Holocausto dos reféns», «Bibi é mau para Israel»), escondeu dinheiro em locais específicos e até incendiou veículos na zona de Yarkon Park, em Telavive.
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| Carros incendiados perto do Parque Yarkon, em Telavive, alegadamente a mando de agentes iranianos, numa foto sem data. (Foto: Polícia de Israel) |
Para cumprir as suas tarefas, Vladislav envolveu mais dois cidadãos, incluindo a sua esposa Anna Bernstein, de 18 anos, que participou em algumas tarefas, informou a polícia. Além disso, Vladislav foi instruído para encontrar assistentes adicionais que realizariam diversas tarefas, em particular, fotografar manifestantes durante ações de protesto (para o efeito ele procurava aliciar os desempregados, toxicodependentes e outras pessoas em situação sócio-económica precária).
O Ministério Público israelita esclarece: “Por cada graffiti que os arguidos pintaram em Petah Tikva e Ramat Gan, receberam 20 dólares – um total de cerca de 2.000 dólares. Total de 145 dólares em criptomoeda e um valor adicional de 2.850 dólares como adiantamento para atear fogo a veículos no futuro.»
De salientar que os arguidos sabiam que desempenhavam as tarefas de um agente estrangeiro inimigo e estavam envolvidos em atividades subversivas e terroristas contra Israel.
Outro assistente envolvido de Victorsson foi um tal de Moshe Lukov (também um emigrante russo), a quem disse que estava a realizar tarefas por dinheiro através do Telegram. Os agressores usaram Moshe como motorista. Mais tarde, Moshe recusou-se a participar nesta atividade, percebendo que os serviços especiais inimigos estavam por detrás das tarefas.
As “taxas” aumentaram gradualmente. A acusação refere que, no dia 22 de setembro de 2024, o agente ofereceu ao arguido que disparasse sobre outra pessoa que se encontrava “no quinto andar de um prédio em Telavive, por um total de 40 mil dólares”. Nesta fase, o agente iraniano afirmou que após o homicídio iria saldar as dívidas do arguido, organizando a sua saída de Israel, apesar da existência de uma ordem de restrição contra o arguido. Prometeu que Vladislav e Anna se encontrariam «com um agente na rússia que cuidaria deles para uma vida confortável num terceiro país». Nenhum homicídio foi cometido. Victorsson recusou-se a matar com uma pistola com silenciador e propôs matar à longa distância, utilizando uma espingarda com mira óptica. Mas isso não foi mais discutido.
No dia 23/09/2024 Victorsson e os seus cúmplices foram detidos. No dia 14 de outubro de 2024, os detidos foram formalmente acusados.
A julgar pelo relatório da polícia e do Shin Bet, Vladislav Victorsson foi recrutado pelos serviços secretos iranianos, provavelmente com a ajuda da federação russa. Os russos continuam a ser seguidores e traidores do Kremlin, mesmo quando se mudam para outro país e mudam de cidadania. Alguém ficou surpreendido?, pergunta o político ucraniano Borislav Bereza.
O ataque do HAMAS a Israel assemelha-se surpreendentemente às acções da rússia na Ucrânia. A posição oficial do Kremlin, que não condenou as acções do HAMAS, enfatiza o apoio do Irão (aliado da rússia) e a coordenação estratégica dos ataques do HAMAS. As duas agressões têm semelhanças nas suas tácticas terroristas e exigem uma resposta internacional semelhante.
Os aliados de Israel forneceram-lhe rapidamente sistemas de defesa aérea modernos e alguns meios de garantir a segurança, o que lhe permitiu combater eficazmente as ameaças e proteger os civis. Esta experiência mostra como a comunidade internacional deve agir no apoio à Ucrânia – fornecendo-lhe defesa aérea, equipamento técnico e os meios necessários para se proteger dos ataques russos e evitar a escalada da guerra.
A rússia e o Irão cooperam na desestabilização não só do Médio Oriente, mas também da Europa. Moscovo procura expandir a sua influência no Médio Oriente, posicionando-se como uma alternativa ao Ocidente e apoiando forças anti-americanas como o HAMAS e o Hezbollah. Isto permite à rússia utilizar estas organizações para alavancar os interesses dos Estados Unidos e dos seus aliados, aumentando as tensões na região e fortalecendo a sua posição internacional.
Moscovo coopera estreitamente com o Hezbollah, que apoia o regime de Bashar al-Assad na Síria. A rússia fornece armas, treina combatentes e presta apoio informativo, o que prejudica a posição do Hezbollah e aumenta a influência de Moscovo na Síria, onde tem bases militares em Tartus e Khmeimim. A presença de armas russas nos túneis do Hezbollah no Líbano confirma mais uma vez os laços estreitos da rússia com grupos terroristas e o seu papel na desestabilização da região.
Os laços da rússia com o HAMAS, o Hezbollah e outros grupos terroristas são benéficos para Moscovo, ao mesmo tempo que ajudam a reforçar a sua influência e a explorar a instabilidade para alcançar os seus próprios objectivos geopolíticos. Estas ações representam ameaças à segurança de outros países, incluindo Israel e a Europa, e servem como uma ferramenta para manipular a situação internacional. Existe um risco crescente de terrorismo e de extremistas na Europa e nos países vizinhos devido à crise e aos fluxos migratórios provenientes do Médio Oriente. Cria ameaças adicionais à segurança. É exactamente isto que a rússia procura, tentando desviar a atenção do Ocidente da guerra na Ucrânia e desestabilizar outras regiões.
Na crescente reunião de Ramstein, em Outubro de 2024, a comunidade internacional deve tomar decisões importantes para alcançar a paz e a segurança na Europa. O reforço do apoio à Ucrânia é essencial neste contexto. Uma acção coordenada por parte dos Aliados (semelhante à que foi feita para ajudar Israel) pode assegurar uma contracção bem-sucedida à agressão russa e à consolidação da paz. Os esforços internacionais provaram a sua eficácia. Ucrânia necessita de assistência semelhante para se proteger de uma nova escalada. Só os esforços conjuntos podem criar um futuro estável, livre de terrorismo e violência.
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| Armas russas apreendidas pela IDF. Fonte: Canal 13 |
Estes túneis foram concebidos para armazenar armas e esconder terroristas, o que demonstra os laços estreitos da rússia com esta organização extremista. Assim, a rússia contribui activamente para a desestabilização do Médio Oriente e para a criação de ameaças à segurança de outros países, incluindo Israel.
Este caso não é exceção. A rússia tem apoiado grupos terroristas e extremistas durante muitos anos para alcançar os seus próprios objectivos geopolíticos. O exército russo apoiou activamente o regime de Bashar al-Assad na Síria, fornecendo armas, equipamento militar e especialistas, o que levou a enormes baixas civis e à destruição de infra-estruturas. Este apoio apenas prolongou o conflito e levou a um enorme sofrimento para milhões de sírios. Além da Síria, a Rússia apoia grupos armados na Líbia, fornecendo mercenários do Grupo Wagner, o que destabiliza a região. Na República Centro-Africana, os mercenários russos estão também activamente envolvidos no combate e no apoio aos rebeldes locais para controlar os recursos naturais.
Contudo, a agressão da rússia não termina aqui. Pelo terceiro ano consecutivo, a rússia tem levado a cabo uma invasão em grande escala da Ucrânia. Depois de ter ocupado ilegalmente a Crimeia em 2014 e de ter iniciado uma guerra no leste da Ucrânia com o apoio dos separatistas, a rússia iniciou, em Fevereiro de 2022, uma agressão em grande escala contra outros territórios ucranianos. Os bombardeamentos diários de cidades pacíficas, a destruição de infra-estruturas civis e de instalações energéticas tornam a vida insuportável para as pessoas comuns e forçam milhões de ucranianos a abandonar as suas casas.
O que é mais assustador são mais de 19 mil crianças ucranianas que foram deportadas à força dos territórios ocupados da Ucrânia para a rússia. Estas ações, que constituem um crime contra a humanidade, violam o direito internacional. Foi por isso que o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de detenção contra Vladimir Putin e a Comissária para os Direitos da Criança, Maria Lvova-Belova, pela deportação ilegal de crianças. Tais métodos de terror e repressão são utilizados para quebrar o povo ucraniano, ilustrando a essência do actual regime russo.
Todos estes factos indicam que o regime russo actua como uma organização terrorista. Faria qualquer coisa para atingir os seus objetivos. Apoio a organizações terroristas, agressão contra estados vizinhos, violação dos direitos humanos - tudo isto faz parte da estratégia russa. O desejo da rússia de expandir a sua influência, que representa uma ameaça não só para os países individuais, mas também para a segurança internacional, é comprovado pela sua agressão contra a Ucrânia, pela ocupação de territórios georgianos, pelo apoio aos movimentos separatistas na Moldova, em particular na Transnístria.
O mundo não pode ficar indiferente aos factos que indiciam o apoio da rússia aos regimes terroristas, à sua política agressiva e às violações sistemáticas dos direitos humanos. A próxima reunião do Grupo Ramstein, em Outubro de 2024, deverá reforçar o apoio à Ucrânia e conter a agressão russa. Isto é necessário para evitar uma maior propagação da influência russa e garantir um futuro pacífico.
Só ações decisivas e conjuntas da comunidade internacional poderão pôr termo à agressão e garantir uma paz e segurança duradouras, sem terrorismo e violência. A Ucrânia, como escudo para toda a Europa, necessita de um maior apoio para conter o agressor, o que ameaça não só a sua independência, mas também a estabilidade de todo o continente.
Vários recursos palestinianos divulgaram este vídeo de março de 2022. Nele, o animador de casamentos, palestiniano Mohammed Arani, canta cantigas nas quais, segundo a tradução, pede ao putin que ataque Ucrânia com mais força e que «deporte» as mulheres ucranianas para a Palestina, para que sejam «casadas» pelos palestinianos. A “criatividade” do cancionista visivelmente agrada os seus ouvintes.
O grupo neonazi russo «Rusich» tem um plano semelhante: «após extermínio da totalidade de população ucraniana (homens acima de 5 anos e as mulheres acima dos 10 anos), todas as mulheres meninas ucranianas devem ser entregues aos militares russos em número de 2-3 unidades (Sic!) para cada combatente russo».
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| O plano dos neonazis russos em relação às mulheres ucranianas |
📝 “O que se vê hoje em Israel está diretamente relacionado com o que se vê na Ucrânia todos os dias”, insiste a analista política Jessica Berlin sobre o envolvimento da rússia, lembrando que ao longo da última década a Rússia fortaleceu constantemente os laços com o Irão e o Hamas.
Bónus
Mulheres militares das Forças de Defesa de Israel cantam a canção ucraniana dos Atiradores de Sich, «Chervona Kalyna» que se tornou o hino não oficial da guerra pela independência da Ucrânia em 2022.
Bónus II
📷Amit Segal
Blogueiro
Tal como Ucrânia tem as FAU, Israel tem o Tsahal, e mesmo que o país seja atacada pelo Hezbollah com apoio do Irão, Israel irá sobreviver. O que já não está certo ao relação ao Hamas e todas as outras organizações terroristas, que atacaram o país nessa madrugada. Assim como Ucrânia irá sobreviver ao ataque do terrorismo estatal russo, irá se erguendo, como já fez várias vezes no passado.
Outro ponto é importante. Neste momento podemos realmente avaliar a força e o poderio real das FAU e das secretas ucranianas, que pelo 2º ano consecutivo estão resistindo, com muito sucesso não ao bandos matraquilhos de Hamas ou Hezbollah, mas ao um dos mais poderosos exércitos do mundo. Exército russo de ocupação, que à muito deixou de usar os grupos terroristas de «ldnr» e ataca Ucrânia com quase todo o seu arsenal disponível. E mesmo assim, teve um sucesso muito questionável, passando de querer ocupar «Kyiv em 3 dias» à fase «as FAU estão avançar muito lentamente».