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terça-feira, abril 14, 2026

A desonestidade intelectual do Michel Foucault: caso do Irão

Em 1978-1979, o filósofo francês, conotado com a esquerda intelectual, Michel Foucault, viajou por duas vezes como jornalista ao Irão, a convite do jornal italiano «Corriere della Sera». 

Observou os acontecimentos iranianos em primeira mão: participou em manifestações, encontrou-se com figuras da oposição, visitou mesquitas e entrevistou pessoas de todas as classes sociais, desde vendedores de mercado a intelectuais.

Foucault ficou fascinado, e esse fascínio é evidente nas suas reportagens.

Viu algo de fundamentalmente novo na revolução iraniana: não uma revolta marxista de classes ou uma revolução liberal, mas aquilo a que chamou “espiritualidade política” (spiritualité politique) — um movimento de massas motivado não por interesses económicos, mas por um impulso religioso e existencial.

Ficou fascinado com a própria ideia de que milhões de pessoas arriscavam a vida por algo que não se reduzia a bens materiais.

Descreveu Khomeini com evidente simpatia — como uma “voz” que exprimia a vontade coletiva do povo.

Quando as execuções em massa que começaram após a vitória dos ayatollah – principalmente de gays, mulheres que se recusavam a usar o hijab, activistas de esquerda – feministas iranianas, jornalistas (como Marie-Jo Bonnet) e activistas (como Kate Millett) escreveram uma carta aberta a Foucault com duras críticas. Repreenderam-no por romantizar o que de facto levou à morte de determinadas pessoas. 

Foucault respondeu – e a sua resposta foi bastante mal sucedida: tentou defender a sua posição distinguindo o «espírito da revolução» do que aconteceu depois. Os críticos consideraram-no desonestidade intelectual.

Entretanto, 48 anos após a sua visita, no Irão continua a operação de desmilitarização gradual do regime dos ayatollah.

O vídeo mostra a destruição de um lançador iraniano de mísseis balísticos, do lançador móvel de drones kamikaze Shahed-136, montado numa carrinha de caixa aberta, de um canhão anti-aéreo ZU-23-2 em posição de tiro e de um caça de fabricação chinesa Chengdu J-7.



Fonte: TG @kazansky2017

quarta-feira, março 11, 2026

A janela de oportunidades para 2ª frente russa contra os países da NATO e da UE

Ler o relatório em lituano, PDF
A rússia está a expandir as suas unidades militares na fronteira da NATO, proporcionando-lhes experiência de combate na Ucrânia, afirma a inteligência lituana na sua avaliação anual das ameaças à segurança em 2026.

Ao longo de toda a fronteira da NATO, estão a ser expandidas brigadas até o nível de divisões e estão a ser criadas novas unidades militares. De acordo com os serviços de informação, a maioria das unidades recém-formadas das forças armadas russas não estão totalmente equipadas e estão a ser criadas por etapas, devido à escassez de pessoal, equipamentos militares e infraestruturas. As unidades recém-formadas e os equipamentos que lhes estão atribuídos não permanecem nas suas áreas de implantação permanentes, mas estão a ser enviados para participar em operações de combate contra Ucrânia.

Anteriormente, os relatórios dos serviços de informação da Lituânia e da Estónia afirmavam que a rússia não pretendia iniciar operações militares na região do Báltico em 2026, e possivelmente em 2027, e que serão necessários cerca de seis anos para reconstruir totalmente o exército e prepará-lo para um conflito com a NATO. Depois disso, o exército russo, possivelmente, será de 30 à 50% mais forte e mais moderno. Mas isto refere-se a um conflito em grande escala com toda a NATO. Pois a rússia não precisa cumprir todos estes prazos para aterrorizar os países vizinhos com drones do tipo Shahed-136 ou organizar os separatismos locais do tipo de criação das «repúblicas populares».

Recentemente, na Estónia, a propaganda russa tenta promover a criação da uma «república popular de Narva» separatista, por enquanto nas redes sociais. No último mês, têm circulado este tipo da propaganda russs, nos canais de Telegram, VK e TikTok, espalhando ideias sobre a separação das cidades de Narva e Ida-Virumaa da Estónia e a criação de uma suposta «república popular». As descrições dos canais são muito diretas: «Esperando pela rússia».

O Ministério da Defesa russo elaborou um projeto de lei que autoriza a «utilização extraterritorial de unidades das forças armadas russas para proteger os cidadãos da federação russa». O documento, segundo a agência de notícias russa Interfax, citando uma fonte, foi aprovado por uma comissão governamental para ser submetido à Duma Estatal.

Esta é a notícia mais importante. Permitam-me recordar que exatamente isto já aconteceu duas vezes antes. A primeira vez foi a 1 de março de 2014, quando o conselho da federação (Cãmara alta do parlamento russo) autorizou o uso de tropas russas na Crimeia. A segunda vez foi a 22 de fevereiro de 2022, quando foi aprovado o uso das forças armadas russas no estrangeiro. Apenas dois dias depois, começou a invasão russa de larga escala da Ucrânia.

Neste momento, os ataques maciços contra Ucrânia praticamente cessaram, tanto nas principais cidades como ao longo da linha da frente. Nota-se uma diminuição significativa do uso de drones russo-iranianos «Shahed-136»/«Geran». Enquanto até mais recente eram usados sem parar, agora os ucranianos dormem mais descansados.

Isto pode indicar indirectamente que a rússia está a acumular recursos para um ataque noutro teatro de guerra.

Conclusão. Aparentemente, putin vê a 3ª Guerra do Golfo como uma janela de oportunidade que se abriu subitamente. O mundo inteiro está agora atento ao Irão, não há excedentes de armas, Trump não tem tempo para isso e os preços do petróleo estão novamente a subir. Uma dádiva divina.

A análise do jornalista russo, Arkady Babchenko, neste momento residente na Estónia e engajado na ajuda técnica às FAU, é bastente pessimista: Na minha opinião, a decisão de atacar os Países Bálticos já foi tomada em princípio, e a utilização extraterritorial das forçasarmadas russas para proteger os cidadãos russos é uma prova directa disso. A Duma Estatal russa nunca produz projetos de lei por iniciativa própria, a menos que a decisão já fosse tomada.E muito menos se o MinDefesa russo for o iniciador. Agora — neste preciso momento — os russos estão sentados a decidir se o momento de ataque já chegou ou ainda não.

terça-feira, março 10, 2026

O surgimento do regime teocrático do Irão em preto no branco

Manifestação a favor da principal figura da oposição, o aiatolá Kazem Shariatmadari. Tabriz, Irão,1980. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

As fotografias do lendário fotógrafo Gilles Peress, tiradas no Irão em 1979. Estas imagens são completamente diferentes de tudo o que já viu, mostrando as condições em que este regime teocrático surgiu há 47 anos. 

Manifestação num estádio. Tabriz, Irão. 1979. © Gilles Peress | Magnum

Ruas do Azerbaijão iraniano. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Apoiantes da oposição, aiatolá Kazem Shariatmadari. Azerbaijão iraniano. 1979.
© Gilles Peress | Fotos de Magnum

Em 1979, ocorreu a revolução islâmica no Irão. O Xá Mohammad Reza Pahlavi foi forçado à abandonar o país, um governo provisório assumiu o poder e, posteriormente, foi proclamada uma república islâmica. Em novembro do mesmo ano, os «estudantes» iranianos afiliados ao novo regime invadiram a embaixada dos EUA em Teerão e fizeram reféns americanos. 

Agentes do serviço secreto real, Savak, em julgamento na prisão de Evin.
Teerão, Irão. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Mãe e filho. Qom, Irão. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Mercado de armas. Curdistão iraniano, 1979. © Gilles Peress | Magnum

Foi então que o fotógrafo francês Gilles Peress chegou ao Irão. Nas suas fotografias para o livro «Telex Iran: In the Name of Revolution», captou o momento e as condições em que o atual regime islâmico estava a emergir. Peress trabalhou durante cinco semanas, e as suas fotografias não contam uma história específica, nem analisam as causas da revolução. Em vez disso, transmitem a atmosfera geral de tensão e violência que pairava no ar.

Viciados no bairro de Gumruch. Teerão, Irão, 1979. © Gilles Peress | Magnum

O clero apresenta queixas ao governo do novo regime.
Azerbaijão iraniano. 1979. © Gilles Peress | Fotos de Magnum

Não é claro se o Irão sobreviverá à atual Guerra do Golfo, que eclodiu no final de fevereiro de 2026. O futuro da república islâmica está em jogo — por isso publicamos as fotografias de Peress. Para mostrar as condições em que este regime teocrático surgiu há 47 anos.

Mais fotos do Gilles Peress

domingo, março 08, 2026

As lindas e charmosas iranianas nas páginas da revista «Vogue»

Em 1969, Henry Clarke, um fotógrafo de moda, foi ao Irão para tirar uma série de fotos para a revista «Vogue». Ele fotografou suas modelos nas mesquitas e palácios em Teerão, Isfahan, Shiraz e Persépolis. As fotos foram publicadas na «Vogue» em dezembro de 1969.












Esta edição da «Vogue» também incluiu uma foto da Rainha Farah Pahlavi (atualmente de 87 anos de vida) com um vestido inspirado na tradição balúchi de «Souzandoozi», um anúncio da Iran Air promovendo seu serviço de voos de Londres (e outros pontos da Europa) para Teerão e algumas fotos da elegante loja de Vida Zahedi em Teerão, «Number One Avenue Sanieddoleh», na página regular de Boutiques da «Vogue». 


Infelizmente, apenas 10 anos depois o poder no país caiu nas mãos de uma ditadura teocrática protofascista. As forças mas retrógradas e menos evoluídas da sociedade ocuparam o poder, censurando e proibindo as coisas tão banais como a música ocidental e as cantoras femininas, erradicando os animais domésticos / pets ou mesmo as gravatas, consideradas pelo regime dos ayatollah como um símbolo da «opressão ocidental».

Fonte

sexta-feira, março 06, 2026

A invasão e ocupação anglo-soviética do Irão: operação «Countenance»

Blindado T-26 soviético nas ruas de Tabriz. Foto: Wikipédia

Em agosto de 1941, a URSS e a Grã-Bretanha ocuparam conjuntamente o Irão. Os objectivos declarados da Operação «Coutenance» era garantir o fornecimento do programa Lend-Lease à URSS e impedir que o Irão caísse sob a influência da Alemanha nazi. O próprio país não foi consultado. 

Exército soviético nas ruas do Irão, agosto-setembro de 1941. Foto: Wikipédia

Após o início da guerra nazi-soviêtica (a Operação Barbarossa, junho de 1941), a União Soviética necessitava urgentemente de fornecimentos de armas, equipamento e alimentos, providenciados pelos Aliados ocidentais. Os EUA começaram a fornecer mantimentos no âmbito do programa Lend-Lease. O «corredor persa» tornou-se a rota principal e mais fiável.

O mapa da invasão. Imagem: Wikipédia

A 25 de agosto de 1941, as tropas soviéticas invadiram o Irão pelo norte (pela Transcaucásia e pela Ásia Central) e as britânicas pelo sul (pelo Iraque e Golfo Pérsico). O exército iraniano ofereceu uma resistência limitada. Segundo os dados oficiais, na operação morreram entre 40 à 50 militares soviéticos, mais, cerca de 1.000 ficaram feridos e doentes; as forças britânicas tiveram 64 mortos e feridos, também morreram cerca de 800 iranianos. Em meados de setembro, a operação estava concluída. 

Blindado soviético T-26 e blindado ligeiro Ba-10 no Irão,
Setembro de 1941. Foto: Wikipédia

Reza Shah Pahlavi foi obrigado a abdicar ao trono. O seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, assumiu o poder. O país manteve formalmente a sua independência, mas, na prática, encontrava-se sob o controlo dos Aliados.

Em janeiro de 1942, foi assinado um tratado trilateral (URSS–Grã-Bretanha–Irão), que confirmou a integridade territorial do Irão e prometeu a retirada das tropas após a guerra.

Pelo Irão passaram cerca de 4 à 5 milhões de toneladas de carga: milhares de tanques, aviões, automóveis, alimentos e materiais estratégicos. O «corredor persa» tornou-se uma artéria vital para a frente soviética, especialmente em 1942–1943.

A guerra na Europa terminou em maio de 1945. A Grã-Bretanha começou a retirar as suas tropas. A URSS, naturalmente, não honrou o seu compromisso assumido.

No norte do Irão (Azerbaijão e Curdistão), foram criadas as duas «repúblicas populares», instigadas, financiadas e apoiadas pela União Soviética: a república democrática do Azerbaijão (Azerbaijão do Sul com a capital em Tabriz) e a República de Mahabad (territórios curdos).

O governo iraniano foi impedido de enviar as tropas à região, porque o exército vermelho estava estacionado naquela zona. As potências ocidentais interpretaram isto como uma tentativa da URSS de ganhar influência no Médio Oriente e obter o controlo do petróleo iraniano.

O Irão apelou à recém-criada ONU, e os EUA adoptaram uma postura firme. O Presidente Truman deixou claro que um avanço soviético adicional para sul poderia causar um conflito sério. Foi um dos primeiros casos em que a questão foi levada ao nível da ONU como uma crise internacional.

BD / quadrinhos «A Glória Recuperada» (publicado em 1974, ilustrado por Dino Attanasio)
 relata a versão oficial da história do Irão pós-II G.M. até ao início da década de 1970.
A página dedicada à invasão anglo-soviética do Irão.

Na primavera de 1946, a URSS finalmente aceitou retirar as suas tropas. O governo iraniano enviou o exército para as províncias do norte. As ditas «repúblicas populares» foram liquidadas. O líder do «Azerbaijão democrático» Ja´far Pishevari fugiu para a URSS e foi liquidado pelo NKVD, num «acidente de viação», já o líder de Mahabad, Qazi Muhammad e alguns dos seus familiares / apoiantes foram executados, acusadas de traição, pelas autoridades iranianas.

Bónus

Os usos e costumes da sociedade iraniana antes da instalação da ditadura teocrática de 1979...




sexta-feira, junho 27, 2025

Política externa russa — uma ameaça direta à segurança global

Arte do Alesha Stupin - Rublev

putin aprovou a agressão iraniana contra os Estados Unidos, continuando a desempenhar o papel de «arquiteto do caos» no Médio Oriente, o que demonstra a extrema radicalização da política externa russa — uma ameaça direta à segurança global. 

A visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros /das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, a Moscvo/ou em 22 de junho de 2025, antes dos ataques às bases americanas no Qatar, Iraque e Síria, não é uma coincidência, mas mais uma confirmação da estreita coordenação militar-estratégica entre o Kremlin e Teerão. Segundo a Reuters e a Al Jazeera, na manhã de 23 de junho, foram registrados ataques com mísseis contra instalações americanas no Qatar, em particular a base de Al-Udeid – logo após o encontro de Araqchi com Lavrov em Moscovo/ou. Isso prova mais uma vez: rússia não apenas apoia, mas coordena ações de ataque contra o Ocidente, usando Teerão como um intermediário estratégico. 

Ex-presidente russo, Dmitry Medvedev mencionou publicamente a possibilidade de transferir armas nucleares para o Irão, o que demonstra a extrema radicalização da política externa russa. Isso não é mais apenas retórica geopolítica — é uma ameaça direta à segurança global. A resposta contundente de Donald Trump nas redes sociais mostra que a Casa Branca está ciente do nível de ameaça representado pelo novo «eixo do mal» entre Moscovo/ou e Teerão. 

Moscvo/ou e Teerão são uma aliança de duas autocracias que coordenam suas ações para desestabilizar a situação internacional. O ataque do Irão à base americana na província síria de Al-Hasakah e o ataque no Qatar são identificados por especialistas como operações coordenadas acordadas com o Kremlin. Não se trata de cooperação episódica, mas de uma estratégia de longo prazo para minar a influência do Ocidente. 

O apoio russo ao Irão também representa um desafio direto aos EUA e à NATO/OTAN. Segundo a nota de Interfax, de 22 de Junho, Moscvo/ou «condenou veemente» o ataque americano ao Irão, embora tenha realizado ataques diários contra cidades, bairros e civis ucranianos pelo terceiro ano consecutivo. Essa duplicidade de critérios expõe o Kremlin como um aliado hipócrita do Irão e um desestabilizador sistêmico da segurança. 

Neste momento, o Irão se tornou a ferramenta de Moscovo/ou para abrir uma nova frente contra o Ocidente. O regime de ayatollah, caiu no servilismo objetivo ao «pequeno satanas», como Teerão costumava chamar o regime de Moscovo no decorrer da «Guerra fria».

terça-feira, junho 24, 2025

Propaganda russa mostra o mapa do desmembramento do Irã(o)

Os propagandistas televisivos russos começaram a dizer aos seu povão, que no Irã(o), em geral, há corrupção, a sua sociedade é dividida, iranianas vão aos casinos na Armênia sem as burcas. Surge até o mapa do futuro desmembramento e da divisão do Irã(o).

Um dos principais propagandistas russos, Kiselyov, já traçou o mapa completo do eventual desmembramento do Irã(o) entre Azerbaijão, Iraque e Paquistão. Com a «manutenção do núcleo persa, mas com muita instabilidade». Outro propagandista mor, Solovyov, diz que o Irã(o) é um aliado «mais ou menos» - bastante falso, pouco confiável, nem mesmo um aliado de fato.

A propaganda russa mudou instantaneamente, prestes à abandonar o regime iraniano completamente. putin, respondendo à uma questão especialmente ensaiada, diz que os próprios iranianos não quizeram «trabalhar na área da defesa aérea» e agora, com quem diz, o azar é deles, «de fato, não temos nada à debater». O regime russo ainda não abandonou o Irã(o) completamente, mas a sua propaganda já deu o sinal verde para um esfriamento em relação ao regime dos ayatollah. É uma tendência interessante.

Que pode indicar uma realidade: os ataques israelitas e americanas foram bem-sucedidos. 

Além disso, nota-se que ultimamente, quer putin, quer os seus propagandistas, repetem, vezes sem conta, a ligeiramente modificada frase do Hitler sobre as botas do soldado alemão: „Wo der deutsche Soldat einmal steht, kriegt ihn keine Macht der Welt wieder weg” («Onde o soldado alemão estiver, nenhum poder no mundo poderá tirá-lo»). 

Leninegrado, 1942(?): «Onde quer que o soldado alemão esteja, está Alemanha»

putin no forum económico de São-Peterburgo: «Onde pisa o pé do soldado russo, aquilo é nosso».

sexta-feira, janeiro 10, 2025

Os perigos internacionais da frota russa de petroleiros-sombra

As transportadoras oficiais estão preocupadas com o crescimento nos mares internacionais da chamada frota de petroleiros sombra, cujos navios transportam petróleo e derivados, principalmente do Irã, Venezuela e rússia.

Em primeiro lugar, a dimensão ecológica está ameaçada. Em primeiro lugar, a maioria dos tais petroleiros são extremamente obsoletos, ou seja, estão à beira do desastre. Em segundo lugar, a maioria dos petroleiros-sombra não tem seguro adequado fornecido por seguradoras internacionais confiáveis. Terceiro, a maioria dos petroleiros-sombra é de propriedade de empresas offshore cuja propriedade é opaca. Portanto, no caso de um acidente envolvendo tal embarcação, não está claro quem é o proprietário e quem deve ser responsável por ela;

As atividades da frota paralela também colocaram em risco a dimensão da segurança. Sim, é comum que petroleiros-sombra desativem os sistemas de posicionamento de navios, o que é uma violação grave das regras da Organização Marítima Internacional (OMI), pois representa uma ameaça a outras embarcações. A ausência de uma resposta adequada a tais práticas, de facto, destrói o sistema de segurança marítima internacional;

OMI no final de 2023 adotou uma resolução solicitando aos estados-membros que tomem medidas mais rigorosas contra o registro fraudulento de navios e fortaleçam as inspeções de petroleiros nos portos. Contudo, na prática isso não funciona;

Parece que a Organização Marítima Internacional, sendo uma agência especializada da ONU, de fato «fez vista grossa» aos problemas acima mencionados;

De acordo com previsões de vários operadores marítimos, o tamanho significativo da frota paralela e suas atividades fora das regras da OMI levarão inevitavelmente a um acidente grave com um vazamento de óleo em mar aberto, o que terá consequências catastróficas para o meio ambiente. Além dos danos ambientais, empresas de transporte e logística cumpridoras da lei e honestas também sofrem perdas significativas devido à suspensão do tráfego em áreas contaminadas;

Além da inação da OMI, vale ressaltar a falta de atenção a esse problema por parte dos governos dos estados-membros da União Europeia, Reino Unido, Noruega e Islândia. Como resultado de suas políticas, operadores falsos e companhias de seguros inescrupulosas obtêm lucros extraordinários, enquanto as principais empresas armadoras que se recusam a transportar petróleo iraniano, venezuelano e russo sofrem sérias perdas. Por sua vez, os três estados autoritários acima mencionados conseguem contornar com sucesso as sanções internacionais;

É necessário não apenas reforçar as sanções contra Estados que violam o direito internacional, mas também neutralizar qualquer tentativa de contornar as mesmas. Os esforços internacionais relevantes devem ser consistentes e persistentes;

Muitos observadores há muito chamam a atenção para o fato de que a Dinamarca, com seus estreitos entre os Mares do Norte e Báltico, é perfeitamente capaz de controlar completamente a passagem de qualquer embarcação, incluindo petroleiros, por eles;

Além disso, o controlo/e de embarcações no Canal da Mancha deve ser reforçado pelas autoridades relevantes da Grã-Bretanha e da França. As inspecções dos Estados listados e de outros Estados europeus devem inspeccionar minuciosamente e, se forem detetadas violações, deter os petroleiros que atravessem as suas costas sem o seguro adequado;

Vale a pena apelar à OMI para que tome medidas adicionais para reforçar o controlo sobre a segurança do transporte marítimo global, de modo a que os proprietários, operadores e tripulações de navios que arvoram a chamada bandeira de conveniência percebam claramente que, por cada violação da sua parte, haverá seja uma punição real e rápida.

segunda-feira, outubro 14, 2024

Israel detêm dois agentes iranianos – o casal de emigrantes russos

A secreta israelita «Shin Bet» divulgou os nomes de dois agentes iranianos detidos – o casal de emigrantes russos: Anna Bernstein, de 18 anos, e o marido Vladislav Victorsson, de 30 anos. O casal vivia na cidade de Ramat Gan e as suas tarefas vinham desde propagação dos incêndios, pulverização de graffiti e afixação de panfletos, até ao assassinato dos militares e oficiais israelitas de alto escalão, informa YnetNews 

Engraçado que o apelido supostamente “judeu” de Vladislav foi muito provavelmente fabricado na sede do GRU russo, por pessoas sem ideias claras da história dos nomes judeus. É de salientar, que três anos atrás, Vladislav fez uma publicação (que já foi apagada, mas as almas bondosas tiveram o cuidado de a documentar) sobre a sua detenção e tentativa de se defender das acusações de estupro/violação.

Segundo o relatório oficial, desde agosto de 2024 que Vladislav Victorsson comunicava em hebraico e por vezes em inglês nas redes sociais com uma pessoa sob a alcunha de “Mari Hossi” (a julgar pelo texto da acusação, a comunicação era realizada via Telegram). Seguindo as instruções desta pessoa, o suspeito fez grafitis e afixou panfletos (o relatório do procurador esclarece que se tratava de grafitis e panfletos contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - por exemplo, «Bibi destruiu o estado de Israel», «Bibi = Hitler», «Bibi organizou o Holocausto dos reféns», «Bibi é mau para Israel»), escondeu dinheiro em locais específicos e até incendiou veículos na zona de Yarkon Park, em Telavive. 

Carros incendiados perto do Parque Yarkon, em Telavive, alegadamente a mando
de agentes iranianos, numa foto sem data. (Foto: Polícia de Israel)

Mais tarde, Vladislav foi encarregado de destruir as infraestruturas de comunicação e os ATM, bem como incendiar a floresta, informou a polícia. Algumas das tarefas descritas foram documentadas (foram tiradas fotografias e vídeos) e foram pagos mais de 5.000 dólares pela sua conclusão. Vlad recusou algumas tarefas, temendo pela sua saúde. De acordo com a investigação, Vladislav chegou a aceitar cumprir a tarefa de matar uma pessoa em Israel e lançar uma granada contra uma casa, e posteriormente os agentes iranianos envolveram-no na compra de armas, incluindo espingardas de precisão, pistolas e granadas para a realização de ataques terroristas. A acusação informa que ele próprio tentou fabricar um engenho explosivo.

Para cumprir as suas tarefas, Vladislav envolveu mais dois cidadãos, incluindo a sua esposa Anna Bernstein, de 18 anos, que participou em algumas tarefas, informou a polícia. Além disso, Vladislav foi instruído para encontrar assistentes adicionais que realizariam diversas tarefas, em particular, fotografar manifestantes durante ações de protesto (para o efeito ele procurava aliciar os desempregados, toxicodependentes e outras pessoas em situação sócio-económica precária).

O Ministério Público israelita esclarece: “Por cada graffiti que os arguidos pintaram em Petah Tikva e Ramat Gan, receberam 20 dólares – um total de cerca de 2.000 dólares. Total de 145 dólares em criptomoeda e um valor adicional de 2.850 dólares como adiantamento para atear fogo a veículos no futuro.»

De salientar que os arguidos sabiam que desempenhavam as tarefas de um agente estrangeiro inimigo e estavam envolvidos em atividades subversivas e terroristas contra Israel.

Outro assistente envolvido de Victorsson foi um tal de Moshe Lukov (também um emigrante russo), a quem disse que estava a realizar tarefas por dinheiro através do Telegram. Os agressores usaram Moshe como motorista. Mais tarde, Moshe recusou-se a participar nesta atividade, percebendo que os serviços especiais inimigos estavam por detrás das tarefas.

As “taxas” aumentaram gradualmente. A acusação refere que, no dia 22 de setembro de 2024, o agente ofereceu ao arguido que disparasse sobre outra pessoa que se encontrava “no quinto andar de um prédio em Telavive, por um total de 40 mil dólares”. Nesta fase, o agente iraniano afirmou que após o homicídio iria saldar as dívidas do arguido, organizando a sua saída de Israel, apesar da existência de uma ordem de restrição contra o arguido. Prometeu que Vladislav e Anna se encontrariam «com um agente na rússia que cuidaria deles para uma vida confortável num terceiro país». Nenhum homicídio foi cometido. Victorsson recusou-se a matar com uma pistola com silenciador e propôs matar à longa distância, utilizando uma espingarda com mira óptica. Mas isso não foi mais discutido.

No dia 23/09/2024 Victorsson e os seus cúmplices foram detidos. No dia 14 de outubro de 2024, os detidos foram formalmente acusados.

A julgar pelo relatório da polícia e do Shin Bet, Vladislav Victorsson foi recrutado pelos serviços secretos iranianos, provavelmente com a ajuda da federação russa. Os russos continuam a ser seguidores e traidores do Kremlin, mesmo quando se mudam para outro país e mudam de cidadania. Alguém ficou surpreendido?, pergunta o político ucraniano Borislav Bereza. 

quinta-feira, março 23, 2023

Mísseis iranianos «Fadak 2» ao serviço das FA da Ucrânia

Os mísseis iranianos S-8OF HE-FRAG, também conhecidos como «Fadak 2», fabricados em 2022, ao serviço das Forças Armadas da Ucrânia.

O helicóptero Mi-17-V5 preparado para o exército do Afeganistão, que dispara os mísseis iranianos - mais uma situação perfeitamente normal que acontece nas FAU. Não se sabe quem e como transferiu esses mísseis a Ucrânia, mas o país agradece do seu apoio.

Fonte: UaWeapons

sábado, janeiro 11, 2020

Irão admitiu que derrubou o Boeing ucraniano

Irão declarou que os militares iranianos “sem querer” abateram o avião da Ukraine International Airlines perto de Teerão, matando todos os seus 176 passageiros. Isso ocorreu devido a um “erro humano”, afirmaram as autoridades iranianas, citadas pela Associated Press.
Os militares iranianos disseram em comunicado que o avião foi confundido com um “alvo inimigo” depois alegadamente se virar na direcção do “centro militar sensível” da Guarda Revolucionária. Naquela época, dizia o comunicado, o estado de alerta militar aumentava em meio às tensões com os Estados Unidos.

O Irão pediu desculpas pelo acidente e prometeu atualizar seus sistemas para evitar esses “erros” no futuro.
Destroços do avião ucraniano no local da tragédia nos arredores de Teerão
Blogueiro: não é preciso perguntar porque razão a Guarda Revolucionária constrói os seus “centros militares sensíveis” nas proximidades dos aeroportos internacionais, tal como fica no ar a pergunta retórica “como agora ficarão todos aqueles que rasgavam os seus cús para provar a alegada inocência do regime iraniano?”