segunda-feira, setembro 03, 2018

Ucrânia apreciada à partir de um balão (33 fotos)

Nos dias 23-26 agosto na cidade ucraniana de Bila Tserkva decorreu o festival de balões de ar quente, atividade turística vista e fotografada pelo blogueiro ucraniano Ihor Bigdan, que partilhou connosco as suas fotos, emoções, sensações e conhecimentos.
Os voos em balões causam constante entusiasmo vibrante, não só entre os que voam, mas também entre o público espetador. Isso é facilmente explicado – literalmente, a partir de nada, em meia hora, perante os nossos olhos cresce uma enorme concha colorida com uma altura do prédio de quatro andares.
Quando há muitos balões o “efeito wow” se intensifica.

O tamanho dos balões é diferente, os modelos turísticos em média têm entre 2.500 à 5.000 metros³. Quanto o volume é maior – maior é a capacidade de carga do balão. Geralmente na cesta (gôndola) cabem 3-6 pessoas, incluindo o piloto.
Blogueiro ucraniano Ihor Bigdan com a sua família
Além dos passageiros a gôndola leva vários cilindros de gás que alimentam o queimador, que aquece o ar dentro do reservatório.
Há dois queimadores na foto em cima, mas apenas um é usado durante o voo – o segundo é de emergência, existe por questões de segurança, no caso da avaria do primeiro.
O gás que alimenta o queimador é queimado muito rapidamente – durante uma hora de voo, foi esgotado um cilindro e começou ser usado o segundo.
O gás é queimado rapidamente e com barulho – essa talvez é a principal desvantagem do balonismo, quando o idílio da ausência de peso é perturbado pelo ruído. Mas por outro lado, o gás não se queima constantemente, mas aos intervalos – quando o piloto puxa a alavanca apropriada, de modo que a maior parte do tempo se voa em silêncio.
A segunda desvantagem – se a sua altura é acima de 1.80 m, o queimador, devido ao aquecimento da radiação infravermelha irá aquecer demais a sua cabeça :) Portanto, querendo fazer um voo, não se esquece de levar um boné, realmente ajuda.
A temperatura do ar quente dentro do balão chega aos 100°C. Os gases têm a capacidade de se expandir muito, quando são aquecidos, de modo que o ar dentro do balão tem uma densidade muito menor do que o ar frio do lado de fora, e o balão com a carga sobe (ver a lei de Arquimedes).
O glamour especial é que toda essa construção é incrivelmente arcaica e não mudou muito desde a época dos irmãos Montgolfier, que lançaram o seu primeiro balão em 1783. Balões modernos possuem os revestimentos mais leves e mais resistentes ao fogo e usam o gás, mas ainda hoje são chamados, em vários países de Montgolfier e de “balões de ar quente” em Portugal e Brasil (ver também o caso do jesuíta luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão e da sua “passarola”).
Tal, como há três séculos, é possível dirigir o balão em apenas um plano – para cima e para baixo. Em teoria, é fácil: ligar o queimador – o balão soube, desligar – desce gradualmente, abre a válvula superior – desce rapidamente. Na prática, toda a física possui uma grande inércia: desde o momento da ligação do queimador até o momento da subida passam cerca de dez segundos, por isso é necessário calcular o tempo de “dar o gás” para não colidir com a linha de eletricidade ou não cair no galinheiro de alguém.
Piloto experiente proporciona a delícia aos turistas, subindo muito rapidamente, para depois levar o balão quase até o chão. Na foto em baixo o balão voa por cima do campo de milho, e os talos de milho “fazem cócegas” no fundo da gôndola :)
Os cães, cabras, galinhas, patos e outros animais à vista de um balão literalmente enlouquecem de horror. Em contraste com os Homo Sapiens, a mente de animais não é muito adequada para apreciação de novos fenómenos, e quando em cima de suas cabeças aparece um monstro expelindo as chamas, a sua reação normal é fugir para se esconder.
Já as pessoas acenam alegremente de seus jardins e até perguntam aos passageiros se estes não sentem medo. Ao contrário de um avião, o passageiro é separado do abismo apenas pelas paredes da gôndola, da qual é muito fácil de cair, e os passageiros nem sequer usam os cintos de segurança. Mas na prática, apenas os primeiros minutos de voo são assustadores, quando o balão está rapidamente ganhando o terreno. Depois, o passageiro se acostuma rapidamente e desfruta da experiência.
É impossível levar o balão da frente para trás ou da direita para a esquerda, a sua direção e velocidade dependem unicamente do vento. Nisso reside o gozo maior, se mover com a velocidade do fluxo ventoso, de modo que o vento em si quase não é sentido, o que aumenta a sensação de ausência de peso.
Outro ponto negativo é perigoso voar com vento forte e é simplesmente proibido de levar os turistas com os ventos acima de 4 m/s. Assim, os balões podem voar o ano inteiro, mas não todos os dias – precisam de bom tempo, vento fraco e temperatura adequada. Na Ucrânia se pode voar à partir da segunda quinzena de abril até o início de novembro, apenas pelas manhãs – 1-2 horas após o nascer do sol e à tarde – de 2 à 3 horas antes do pôr-do-sol.
Na foto acima – a sombra do balão. Em princípio, a luz lateral – é uma coisa boa para o fotógrafo, exceto quando o voo é numa tarde e o vento sopra para oeste :( Por isso, todos os balões que voavam acima do balão do blogueiro, foram fotografados com o sol ao fundo e não ficaram verdadeiramente brilhantes nas fotos.
No inverno europeu é possível voar durante todo o dia solar, mas os passageiros apanham algum frio e a vista é menos interessante – tudo está preto e cinza ou coberto pela neve. No verão – a beleza está em todos os lados.
Voos turísticos geralmente duram de 40 à 80 minutos. Dependendo da força do vento, durante este tempo o balão pode voar entre vários quilómetros às várias dezenas de quilómetros. Este vou percorreu mais de 20 km.
Em 2002, o empreendedor e viajante americano Steve Fossett tornou-se a primeira pessoa a voar ao redor do mundo. Para superar 34 mil quilómetros, ele demorou 13 dias e 12 horas – sem fazer nenhum pouso.
O balonismo de facto é uma atividade perigosa, mas apenas quando se trata de desporto e de conquistas. Para os passeios turísticos, as regras são tão restritivas que a chance de ter um acidente em um balão é muito menor de que na saída do seu restaurante preferido.
O balão pode aterrar em qualquer campo não semeado (para não causar o prejuízo aos agricultores), que pode ser alcançado de carro (para depois retirar de lá o balão e os passageiros). Às vezes, acontece que o tal campo deve ser procurado muito rapidamente, antes de escurecer e aparecer a neblina.
Alguma adrenalina também está sempre presente – por exemplo, neste voo aconteceu a aterragem ligeiramente durinha, como resultado a gôndola se virou. Mas esta é uma situação regular e ninguém ficou machucado. Apenas tiveram muita emoção :)
Na Ucrânia o voo do balão custa cerca de 3.000 UAH por pessoa, por uma hora de voo, cerca de 100 euros, o preço comercial regular europeu. É de notar que um balão novo custa aproximadamente o mesmo que um carro de classe executiva. O custo do balão da segunda mão – cerca de 10.000 Euros. E esses investimentos devem ser recuperados, tendo em conta que não se consegue fazer mais de dois voos por dia e não se voa todos os dias, mas menos de cem dias por ano. O gás é queimado a um ritmo frenético e os pilotos também precisam de ganhar algum dinheiro.
Na foto acima, a única ucraniana – piloto do balão :)
Ela é filiada no clube Spart-Aeros, cujos balões garantem os passeios turísticos em Bila Tserkva desde 1992. Se quiser organizar uma festa na sua cidade ou garantir um voo individual – todas as informações podem ser achadas na página do clube na Internet.

O festival local do balonismo é organizado pela ONG Bila Tserkva Turística (https://www.facebook.com/bctravelcomua). É uma pena que o festival não pode ser clonado em todas as cidades ucranianas. Quem não participou no festival neste ano – no próximo verão haverá mais balões em Bila Tserkva. 100% de garantia.

Texto e fotos Ihor Bigdan; algumas fotos extra: Roman Naumov.

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