sábado, julho 12, 2025

O GULAG digital à chinesa, chegará à rússia já neste setembro

Artista russo Vasya Lozhkin, quadro: «Pátria Oiça», 2016

A Duma Estatal russa aprovou a lei que, a partir de 1 de setembro de 2025, o mensageiro russo Max será obrigatoriamente pré-instalado em todos os smartphones e tablets vendidos na rússia. Trata-se de uma tentativa russa de copiar o sistema chinês de vigilância total e absoluta da sociedade.

Trata-se de uma tentativa de copiar o WeChat chinês – uma super-aplicação que combina o WhatsApp, o Facebook, o Instagram, o PayPal, a Uber, o Tinder, o Skype, o Yelp, a App Store e o portal dos Serviços Estatais. Além disso, a conta bancária de cada utilizador está ligada ao WeChat. Pode pagar tudo através de um código QR: desde comprar uma garrafa de água numa banca de rua até contas de serviços públicos, aluguer de apartamentos, bilhetes de avião/comboio/trêm e pagamento de impostos. O dinheiro em numerário praticamente desapareceu na China.

Em vez disso, o Big Brother sabe tudo sobre si. O sistema verifica automaticamente todas as conversas (mesmo as privadas) em busca de palavras-chave «sensíveis». Se o sistema detetar uma palavra deste tipo, a mensagem simplesmente não chega ao destinatário, e o remetente nem sequer sabará disso. Desaparece no «vazio digital».

Em caso de violações sistemáticas ou «contravenções» graves, a conta do utilizador pode ser bloqueada para sempre. Para um chinês, isto equivale à morte social: perde o acesso ao dinheiro, aos contactos e a todos os serviços.

O sistema sabe tudo sobre uma pessoa:

— dados reais do ID/Cartão do Cidadão/passaporte, biometria (desbloqueio facial para pagamentos);

— geolocalização está constantemente rastreada;

— histórico de todas as compras;

— gráfico completo de ligações sociais, conteúdo de conversas;

— histórico clínico e todas as consultas médicas [conveniente para «apagar» uma pessoa indesejável, camuflando a sua morte pelas «causas naturais»];

p.s.

Os blogueiros/atores/artistas/pessoal do stand-up/inluenciadores russos pró-regime [na rússia praticamente não restaram outros] já fazem a publicidade do Max. Os programadores russos desajeitados, vindos a rede social VK, vão, naturalmente, deixar «cair» o sistema constantemente. Mesmo assim, a aplicação obtém acesso, em tempo real, à geolocalização, à câmara, às chamadas, ao Bluetooth e aos contactos.

O Max está constantemente ativo, impedindo o telefone de entrar em modo de espera e envia todos os dados aos servidores do VK. Para o pessoal do FSB [e departamento «K» da polícia russa, criado para combater quaisquer dissidência organizada, desde grupos ecologistas até os swingers. Não é por acaso, todas as sociedades totalitárias e autoritárias desejam manter o controlo sobre a vida sexual dos seus súbditos. Partindo do símples princípio que nenhum aspeto da vida privada deve ficar fora do controlo do Estado, senão o cidadão irá encorrer nos pensamentos libertários, logo «desviantes»].

Não é muito difícil prever o que vai acontecer a seguir — as pessoas terão dois telemóveis. Um para mostrar à polícia (certamente que haverá rusgas para verificar os telemóveis). E um outro, limpo, para si. Mas, gradualmente, o número de telefones limpos na rússia irá diminuir, e o número de telefones transparentes para as autoridades irá aumentar. Telefones transparentes = cérebros transparentes.

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