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quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Homenagem ao ultras búlgaro do «Levski» (Sófia) que morreu pela Ucrânia

Os ultras/torcida do «Levski» (Sófia) homenageiam a memória do representante do seu movimento, Mikhail Ruskov, que tombou na defesa da Ucrânia.

Mikhail Ruskov, que pertencia aos ultras/torcida organizada «Sofia West» é o segundo ultras/torcedor do clube que morreu defendendo Ucrânia. Sabemos pouco sobre isso, mas, em geral, o movimento dos ultras do «Levski» é um dos poucos na Europa (além disso, fortes ultras pró-Ucrânia pertencem ao Zalgiris Vilnius e Dínamo Zagreb) com uma posição claramente pró-Ucrânia (e isso foi declarado mesmo antes de 2022). 

Mikhail «Misho» Ruskov

As circunstâncias da morte do búlgaro não foram especificadas. Também não está claro em que função ele participou dos combates. Os familiares do falecido expressaram respeito à sua memória e o descreveram como um homem que fez uma escolha consciente em defesa de uma causa que considerava justa. Sabe-se que Ruskov morreu em janeiro de 2026. 

Svetoslav Slavkov (31)

Este é o segundo torcedor do «blues» a morrer na Ucrânia. A morte de Svetoslav Slavkov (31) foi divulgada no início de 2024. Ele foi morto durante intensos combates por volta do Natal de 2023, perto de Kupyansk. 

No total, na defesa da Ucrânia até hoje morreram 4 voluntários búlgaros.

quinta-feira, novembro 20, 2025

A guerra de jogos do poder em curso na Igreja Ortodoxa russa (IOR)

O Patriarca russo Kirill (Gundiaev) demitiu abruptamente e colocou em julgamento eclesiástico o seu representante máximo na Europa Ocidental, incluido em Portugal e na Espanha, o Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko), escreve Novaya Evropa.

Na noite de sábado, 8 de novembro, um breve comunicado apareceu no site oficial da IOR: “Por ordem de Sua Santidade Kirill [..] o Metropolita Nestor de Korsun e da Europa Ocidental foi destituído de seu cargo como chefe do Exarcado Patriarcal da Europa Ocidental, bem como das dioceses e paróquias de Korsun, da Diocese Hispano-Portuguesa e das paróquias do Patriarcado de Moscovo/ou na Itália, em decorrência dos processos judiciais eclesiásticos instaurados contra ele. A administração temporária das referidas estruturas canônicas foi confiada ao Metropolita Mark de Ryazan e de Mikhailov.”

Acredita-se que o referido Mark possui o passaporte de um dos paises da União Europeia. Há um ano atrás, na auge do escândalo de cariz homosexual, envolvendo a demissão do Metropolita de Budapeste e da Hungria — Hilarion (Alfeyev), Mark foi encarregado da administração das paróquias da IOR na Hungria.

O Estatuto da IOR não concede ao patriarca russo o direito de destituir unilateralmente exarcas e administradores diocesanos. Tais decisões são geralmente tomadas por um órgão colegiado — o Santo Sínodo. No entanto, a própria existência deste tribunal e a legitimidade de sua composição são temas de debate entre especialistas em direito canônico.

Por um lado, poucos se surpreendem com o facto de o patriarca Kirill governar a IOR de uma forma absolutamente arbitrária, desconsiderando os cânones e as leis. Por outro lado, isso desvaloriza suas decisões — pelo menos aos olhos das estruturas e crentes ortodoxos ao nível internacional, fora da IOR. Por exemplo, o Patriarcado de Constantinopla não tem problemas em aceitar clérigos “expulsos” pela IOR por sua posição contra a guerra russa na Ucrânia, considerando as suspensões moscovitas como canonicamente nulas e sem nenhum efeito.

Bispo Nestor durante a visita de putin ao Centro Espiritual e Cultural Russo em Paris,
29 de maio de 2017. Foto: kremlin.ru

O Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko na vida civil), de 51 anos, desde 1999 serviu na França e na Espanha. Não tem histórico de envolvimento em escândalos públicos. É responsável pelas paróquias da IOR da Europa Ocidental (França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal e Itália). Em 2022-23, ele se permitiu uma discreta dissidência contra o Kremlin — por exemplo, não perseguiu, como era exigido por Moscovo, o Arcipreste de Madrid, Andrei Kordochkin, que denunciou a “natureza satánica” da guerra russa na Ucrânia. De momento os paroquianos da Catedral da Trindade em Paris já estão reunindo/coletando assinaturas em apoio ao seu bispo e, em conversas informais, expressaram inclusive a disposição de apoiar sua saída da IOR, talvez para o Patriarcado de Constantinopla. Afinal, o rebanho ortodoxo no Ocidente é diferente do da rússia, e os paroquianos se insurgem contra as decisões não transparentes da liderança da igreja moscovita.

Evgeny Sirotenko nasceu em 4 de setembro de 1974, em Moscovo/ou. Formou-se na Faculdade de Ciência da Computação do Instituto Histórico e Arquivístico da Universidade Estatal russa de Humanidades e trabalhou no Ministério das Relações Econômicas Externas/Exteriores da federação russa.

“Rejeitando o Mal e a Guerra”

Em 6 de abril de 2022, o Metropolita Nestor e o Arcebispo Francisco Javier Martínez, representante da Conferência Episcopal Espanhola, publicaram uma declaração conjunta condenando as ações da rússia no território soberano da Ucrânia. O texto ainda está disponível no site oficial da Diocese Hispano-Portuguesa da IOR, mas somente em espanhol. O documento começa com uma expressão de solidariedade “aos nossos irmãos ortodoxos, católicos e pessoas de todas as fés em relação à invasão da Ucrânia pela rússia”. Recordando os mandamentos pacifistas do Evangelho, o Exarca Patriarcal da IOR, juntamente com seu homólogo católico, apela para “o fim da violência e da barbárie, e para que se ouça na consciência a voz de Deus, que rejeita o mal e a guerra”.

Quando o Patriarca Kirill, de forma não canônica, suspendeu o Arcipreste Andrei Kordochkin, reitor da Catedral de Madrid de seu ministério, o Metropolita Nestor o protegeu tacitamente e não o demitiu oficialmente da Diocese. Isso provocou a ira de um dos bispos mais agressivos da IOR — o “Exarca da África”, Metropolita Leonid (Gorbachev) que advertiu: “Ninguém está nos pedindo para se lançarmos às baionetas, mas devemos permanecer fiéis. Teremos que tanto ouvir, quanto obedecer”. Apesar desses alertas, em fevereiro de 2023, o vigário de Nestor, Bispo Petru (Prutyanu), concedeu uma entrevista a uma publicação católica na qual expressou uma certa simpatia pela Ucrânia, chamando a guerra russa na Ucrânia de “escandalosa”.

A continuidade dessa linha de ação por parte da liderança do Exarcado da Europa Ocidental, e em particular da Diocese Hispano-Portuguesa, é evidenciada pelo encontro informal de Nestor com o Metropolita Olexandre (Drabinko), figura conhecida na Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que Moscovo/ou habitualmente chama de “cismática” e “nacionalista”. O encontro ocorreu em Madrid, em meados de outubro de 2025, quando ambos os metropolitas estavam presentes, e foi inteiramente fraternal. 

Encontro do Drabinko (à esquerda) e Nestor (mais alto) em Madrid

A IOR não apenas proibiu oficialmente aos seus subordinados qualquer contato com a Igreja Ortodoxa da Ucrânia e com o Patriarcado de Constantinopla, como também considera Drabinko um “traidor” e “desertor”, visto que até 2018 ele era um hierarca de alto escalão da IOR na Ucrânia. No contexto da nova onda de emigração ucraniana em massa, gerada pela guerra russa contra Ucrânia, no Ocidente, a IOR tenta se beneficiar da presença ucraniana em massa, atraindo os crentes ucranianos às suas paróquias europeias.

“Jogos, Trapaças e Bispos Fumegantes”

Formalmente, Kirill ordenou que o Supremo Tribunal da Igreja avaliasse a participação do Nestor em torneios internacionais de pôquer (!) e o uso de fundos da igreja para esse fim. Dois Cânones Apostólicos (a parte do direito canônico da IOR) — o 42º e o 43º — preveem a perda da posição de um bispo que “joga dados”, ou seja, participa nos jogos de azar. Um cânone posterior (o 50º do Concílio de Laodiceia) proíbe o clero até mesmo de visitar locais onde tais jogos são realizados. No entanto, no mundo moderno, o pôquer é considerado um desporto/esporte e, em muitos países, existem federações registradas ao nível nacional.

Metropolita Nestor num jogo do pôquer. Foto: pokernews.com

O Metropolita Nestor joga ao nível quase profissional, participando de torneios internacionais sob as bandeiras russa e francesa com seu nome civil, Evgeny Sirotenko. Em 2024 ele ficou em 20º lugar no Campeonato Francês e alcançou o terceiro lugar em um torneio internacional em setembro de 2025. Uma lista completa das conquistas do Metropolita em várias ligas de pôquer pode ser facilmente encontrada no Google. De acordo com as estatísticas oficiais do “The Hendon Mob”, os ganhos totais de Nestor em torneios ao longo dos anos ultrapassaram US$ 47.000, com sua maior vitória individual chegando a mais de US$ 8.000.

Ranking internacional de pôquer do Nestor-Sirotenko. 
Imagem: pokerdb.thehendonmob.com

Segundo o diácono Andrei Kuraev, declarado como “agente estrangeiro” pelas autoridades russas e atualmente residente em Praga, as acusações óbvias contra Nestor “não merecem, de forma alguma, um julgamento”. A IOR passa anos sem reagir as acusações significativamente mais graves — por exemplo, o Metropolita Georgy (Danilov) de Nizhny Novgorod, que construiu um heliporto privado nos terrenos de monumentos históricos protegidos e em cuja igreja eran filmados filmes pornográficos gay, permanece intocável. Uma fonte de uma das paróquias da IOR na Europa Ocidental disse que a ira do Kirill não foi causada pelo jogo de pôquer em si, mas pelo facto de essa informação ser divulgada ao público.

Acredita-se que o posto de Nestor pode ser ocupado pelo atual favorito do Kirill, o metropolita Anthony (Sevryuk), de 41 anos, presidente do Departamento de Relações Externas da IOR. Outro possível candidato ao cargo vago é o bispo Matthew (Andreyev) leal à “política externa pacifista” do Kremlin.

Paróquias russas de inteligência externa

Ao final do quarto ano da guerra russa contra Ucrânia as elites políticas ocidentais começaram a suspeitar que a IOR — no seu formato concebido por Estaline/Stalin em 1943 — dificilmente pode ser chamada de uma organização religiosa. A função principal de muitos de seus clérigos no exterior não era o trabalho pastoral ou o culto, mas sim o desempenho de tarefas muito mais delicadas. Já em 1946, o primeiro presidente do Departamento de Relações Externas, o Metropolita Nikolai (Yarushevich), que viajava livremente pelos países ocidentais, exortava os emigrantes russos a “retornarem à pátria que os aguarda”. Quase todos que acreditaram nele foram presos imediatamente ao cruzar a fronteira soviética e nunca mais retornaram vivos do GULAG. O sucessor imediato de Nikolai e pai espiritual do atual Patriarca da IOR, o Metropolita Nikodim (Rotov) era agente do KGB “Svyatoslav”. Ele abençoava os seus subordinados a colaborar com KGB e até tentou recrutar a liderança do Vaticano, mas morreu (possivelmente envenenado) durante uma audiência com o Papa João Paulo I, conhecido como “Papa Vermelho”. Graças à desclassificação dos arquivos da KGB na Ucrânia, tornou-se público que, nas primeiras décadas após o restabelecimento do Patriarcado de Moscovo/ou ordenada pelo Estaline/Stalin, praticamente 100% de seus bispos foram recrutados pelo KGB e se tornaram agentes ativos. Após o início da guerra russa na Ucrânia em 22.02.2022, a imprensa suica (Sonntagszeitung e Le Matin Dimanche) publicou os materiais da inteligência suíça, com as provas do que o jovem arquimandrita Kirill (Gundyaev), que serviu como representante da IOR no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra na década de 1970, era o agente da KGB “Mikhailov”.

Kirill (Gundiaev) de 24 anos, já agente do KGB «Mikhailov» na Suíça

Atualmente, existem aproximadamente 300 paróquias da IOR em funcionamento na União Europeia, no Reino Unido e na Suíça, muitas das quais com uma função de “dupla utilização”. As autoridades da Noruega, Suécia, República Checa, Grécia, Bulgária, Macedônia do Norte e dos Estados Bálticos reconheceram a gravidade do problema dos centros de inteligência russos que operam sob os auspícios de estruturas da IOR. Por exemplo, as igrejas da IOR em Bergen e Stavanger (Noruega) estão localizadas de forma suspeita perto de bases da OTAN, e representantes dessas paróquias tentaram comprar terrenos próximos a outras instalações militares importantes. As autoridades suecas acusaram a paróquia local da IOR de se transformar em uma “plataforma de coleta de informações”. O governador civil do Monte Atos — uma república monástica semi autônoma na Grécia — Anastasios Mitsialis, que chegou ao cargo diretamente da comunidade de inteligência, estava ciente dos riscos do uso contínuo do Monte Atos para atividades subversivas pela federação russa. Representantes da IOR foram declarados persona non grata e expulsos de vários países da UE: em 2023, o arquimandrita Vassian (Zmeyev) e o arcipreste Yevgeny Pavelchuk, clérigos da IOR em Sófia; em 2024, o arcipreste Nikolai Lishchenyuk, reitor do metóquio da IOR em Karlovy Vary em Chéquia. O metropolita Hilarion (Alfeyev) serve atualmente nesta igreja e também se queixa de ameaças das autoridades checas relacionadas à publicação de novas revelações do seu ex-namorado japonês e ao aparecimento de um video de Hilarion num campo de tiro do FSB. Existem, é claro, muitos outros casos de agências de inteligência russas operando sob os auspícios da IOR na Europa, mas métodos eficazes para combater esse tipo de “ministério” da IOR ainda não foram encontrados. Apesar do envolvimento óbvio e comprovado do Patriarca Kirill na incitação à agressão e nas atividades dos serviços secretos, a UE não conseguiu incluí-lo em suas listas de sanções devido à oposição da Hungria e aos esforços do lobby russo. Em suma, a IOR provou ser um bastião confiável dos interesses russos em áreas onde funcionários públicos e os agentes de inteligência russos comuns agora encontram extrema dificuldade de acesso. A a substituição do exarca da IOR, conhecido pela sua postura reconciliadora e mais pacífica, por alguém leal ao FSB/GRU parece perfeitamente lógico para o atual regime russo.

terça-feira, agosto 12, 2025

A história familiar dos nacionalismos russo e ucraniano

No seu livro «Uma Dinastia Dividida», o historiador suíço Fabian Baumann oferece uma perspectiva inesperada sobre o nacionalismo: não como uma inevitabilidade histórica, mas como uma escolha política consciente dos mulheres e homens.

O autor estuda as reivindicações culturais e históricas da Ucrânia, na vida dinâmica de uma periferia imperial e no seu papel de suportar – ou, então, se libertar – desse mesmo império, a vida política e cultural como um projecto familiar e, de forma mais ampla, o nacionalismo como uma escolha política contingente.

Utilizando uma abordagem micro-histórica, examina o destino da família Shulgin de Kyiv, que em menos de meio século se dividiu em dois ramos nacionais opostos: russo e ucraniano. Esta divisão foi causada não só pelas circunstâncias políticas, mas também pela vida familiar, na qual as mulheres desempenharam um papel decisivo, moldando a visão do mundo das gerações seguintes, bem como a educação e os laços sociais. A revolução russa de 1917 separou finalmente os Shulgin: assim Volodymyr Shulgin morreu na batalha de Kruty, defendendo a República Popular da Ucrânia, e um primo seu lutou contra Ucrânia. 

Uma narrativa cativante e magistralmente construída, baseada em fontes de arquivo — diários, memórias e correspondência de descendentes de ambos os ramos — revela diferentes dimensões da construção da nação no século XIX e início do século XX. A história dramática dos Shulgins tornou-se o reflexo de um processo mais vasto: a gradual, mas inevitável, divergência entre a Ucrânia e a rússia, que culminou na guerra atual. 

Política de moda do império russo 

«Em julho de 1879, Yakiv Shulgin foi preso em Odessa (sul da Ucrânia atual) e deportado, por ordem administrativa, em Yeniseysk, na Sibéria Central. Os motivos da prisão não eram claros: um documento da polícia russa de novembro de 1879 afirma que Shulgin «contactava regularmente o círculo de Kovalsky, participava em reuniões com Witten e Afanasyeva, pertencia ao partido revolucionário, comunicava com membros do Partido dos Insatisfeitos de Odessa e correspondia-se com revolucionários de Kiev». A polícia russa mencionou ainda a sua detenção em Paris e, estranhamente, acusou Yakiv e um seu amigo de viajarem para a localidade ucraniana de Zhmerynka e chamarem a atenção das autoridades com «as peculiaridades do traje, usando chapéus com abas escandalosamente largas». 

Yakiv Shulgin (1851-1911)

Muito possivelmente, se tratava de um chapéu «calabresa», como o do pintor ucraniano Pylyp Chirko, no retrato do seu amigo e também pintor, ucraniano Nikolay Yaroshenko. O chapéu «calabresa» era comum entre os estudantes democratas (desde os narodnik aos niilistas) do império russo – os «radicais», como se dizia na época. O dito chapeu teve a influência da imagem de um garibaldiano com um chapéu de abas largas.

«O Estudante», 1881

Um outro ilustre representante da parte ucraniana da família Shulhyn. Olexander Shulhyn, Ministro fundador do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, embaixador da Ucrânia na Bulgária (1918); membro do Governo da Ucrânia no exílio, morreu em Paris em 1960.











sexta-feira, dezembro 01, 2023

Exportação dos cereais ucranianos sem a participação ou a interferências russa

O lançamento do «Corredor de Grãos» sem a participação ou a interferências da rússia foi uma das maiores conquistas da Ucrânia em 2023. Isto fortaleceu a economia ucraniana e a posição internacional do país, ajudando salvar as pessoas vítimas da fome em todo o mundo. 

A Suíça destinará mais de 3 milhões de euros ao World Food Programm, que implementa a iniciativa «Grãos da Ucrânia» e promove a exportação de cereais ucranianos para aqueles que mais necessitam. A Comissão Europeia fornecerá à Ucrânia 50 milhões de euros para recuperação dos portos comerciais destruídos por ataques terroristas russos. A região de Odessa será protegida por sistemas adicionais de defesa aérea, que a Ucrânia irá receber dos seus aliados e parceiros estratégicos. 

Por sua vez, Ucrânia conduzirá as suas próprias operações da escolta militar dos navios que navegarão pelo “Corredor de Grãos” do Mar Negro. Ucrânia também saúda as iniciativas da Roménia, Bulgária e Turquia de condução de operações de limpeza das suas águas territoriais de minas marítimas, espalhadas no Mar Negro pela marinha russa. 

Calcula-se que desde o início da guerra, em 24.02.2022 a rússia roubou aproximadamente mil milhões de dólares em cereais ucranianos.

quinta-feira, março 02, 2023

Sérvia na sua aproximação à Europa e à Ucrânia

Sérvia vendeu recentemente 3.500 mísseis Grad à Ucrânia. O presidente sérvio Aleksandar Vučić também disse que todos os sérvios que se tornaram mercenários no Grupo Wagner serão presos assim que retornarem ao país.

Recentemente, surgiram informações de que a Sérvia vendeu 3.500 mísseis Grad à Ucrânia por meio de um país terceiro, podemos confirmar que os mísseis realmente foram entregues à Ucrânia e já estão sendo usados para aniquilar os ocupantes russos.

Mais interessante, os mísseis são «ER Grad 2000» com um alcance máximo de 40 km em vez dos habituais ~ 20 km.

Especificações do fabricante sérvio

Cauda do míssil de caraterística única do fabricante sérvio

Na sequência dos protestos de extrema-direita sérvia, organizados pelo Damjan Knezevic em apoio ao Grupo Wagner, o presidente Vučić acusou os manifestantes de serem anti-sérvios e pagos por estrangeiros - presumivelmente pela rússia.

“Não preciso do apoio do Wagner. Não preciso que me aplaudam ou me critiquem”, disse Aleksandar Vučić. Os sérvios que foram recrutados para lutar na Ucrânia «serão presos quando voltarem para a Sérvia e [estiverem] ao alcance de nossas instituições. Você não recruta assim em um país amigo», acrescentou ele na entrevista ao Politico.

Os líderes do mundo livre em apoio à Ucrânia

Estónia, Letônia, Lituânia, Bulgária, Polónia são verdadeiros líderes do mundo livre. Os EUA alocam apenas 5,9% do seu orçamento de defesa. Portugal também pode e deve fazer mais e melhor!


quinta-feira, fevereiro 02, 2023

O parlamento búlgaro reconheceu Holodomor como genocídio do povo ucraniano

O parlamento búlgaro reconheceu Holodomor de 1932-1933 na URSS como genocídio do povo ucraniano, informa a SEGA. Os deputados decidiram que o Dia da Memória das vítimas do Holodomor seria recordado todo último sábado de novembro.

O número de ucranianos que morreram de fome em 1932-1933 foi, segundo várias estimativas, de 4 a 7,5 milhões de pessoas. O número total de vítimas da fome em massa, que também afetou o Cazaquistão, Belarus, região do Volga, Kuban, Sibéria Ocidental e Urais, chega a 7-8 milhões. A escassez de alimentos entre a população rural foi causada por planos superestimados de compra de grãos, segundo a qual o estado tirou as colheitas dos camponeses.

O apoio à proposta foi votado por unanimidade pelo GERB-SDS, «Continuamos a mudança», DPS e «Bulgária Democrática». O partido «Vazrazhdane» (Renascimento) e um deputado do «Bulgarian Rise» votaram contra. Os deputados do Partido Socialista (BSP) não estiveram presentes na sala durante a votação.

O deputado Miroslav Ivanov censurou seus colegas do BSP por deixarem o plenário quando no início do dia os grupos parlamentares observaram um minuto de silêncio no dia 1 de fevereiro - dia em que a memória das vítimas do regime comunista é homenageada na Bulgária.

O líder do «Renascimento», Kostadin Kostadinov, disse que milhões morreram de fome e esse é um dos crimes do regime bolchevique. (Segundo Kostadinov e outros que seguem a mesma linha do pensamento, os ucranianos foram vítimas do Holodomor não por pertencerem à um determinado grupo étnico, mas por serem camponeses. Escusado de recordar que Rafael Lemkin, jurista polaco-americano e criador da palavra «genocídio» não tinha a mínima dúvida de classificar Holodomor como genocídio dos ucranianos).

Faça click para ler o artigo do Lemkin «Genocídio Soviético na Ucrânia» (1953)
artigo em 27 línguas, nas páginas 166-172 o texto em português

Ucrânia reconheceu o Holodomor como genocídio em 2006. Posteriormente, resoluções semelhantes foram adotadas por mais de 20 estados, incluindo o Vaticano. Em dezembro de 2022, o Parlamento Europeu adotou uma resolução reconhecendo a fome maciça na Ucrânia Socialista como genocídio. “O Parlamento decidiu que o branqueamento e a glorificação do regime totalitário soviético e o renascimento do culto à personalidade do ditador soviético Iosif Estaline transformaram a rússia de hoje em um estado que apoia o terrorismo”, diz o documento.

domingo, janeiro 22, 2023

As teses que a propaganda russa usa na Europa


As diversas teses que a propaganda russa usa nos países da Europa. Em Portugal são usados um pouco de todas, que aparecem nessa lista. Agora que você sabe quem as criou, a sua resistência às teses do Kremlin será mais forte.  












terça-feira, dezembro 04, 2018

Sófia: o universo pós-socialista distópico de «Half-Life 2»

Hoje mostraremos aos nossos leitores o universo pós-socialista do jogo distópico «Half-Life 2», baseado no ambiente da cidade de Sófia, capital da Bulgária, profundamente marcada pelo socialismo cinzento e adormecido.

O jogo distópico «Half-Life 2» foi lançado em 2004 e produziu o efeito de uma bomba – nunca antes o jogos de computador tinha tanta perfeição, estilo cinematográfico e a imersão máxima na trama. O jogo teve uma influência particularmente forte nos jogadores do espaço pós-soviético – de repente nos seus monitores apareceram não os arranha-céus ou a selva – mas os prédios tipicamente socialistas, que serviam de locais do enredo.

City 17. Aliança. Guerra das 7 horas
Forças da Aliança
(ler mais sobre universo de Half-Life 2)

Procurando pela cidade distópica
Os gamers pós-soviéticos repararam imediatamente que muita coisa que acontecia no Half-Life 2 lhes recordava o comunismo — Aliança como alusão à União Soviética, que de forma “pacífica e voluntária”, anexou uma república após a outra, e em meados do século XX espalhou a sua ideologia aos países da Europa Central e do Leste. City 17 era visualmente semelhante às cidades soviéticas – o jogo ocorre entre os “blocos” de edifícios de betão, prédios chamados “khruschevkas”, viaturas soviéticas nas ruas, como “Moskvich” ou “Lada”.
Design da City 17
Os gamers também discutiam muito sobre qual a cidade serviu de protótipo à City 17. Nos fóruns de jogos diziam que é Riga, Tallinn, Vílnius, Voronezh ou Minsk – cada jogador encontrava algo similar da sua cidade na City 17 distópica.

A City 17 realmente tem um protótipo real – o principal designer «Half-Life 2» é búlgaro Viktor Antonov, que viveu em Sófia quando criança, e foi com base na sua cidade natal que ele decidiu criar a cidade distópica.

Centro

Gordon Freeman chega ao centro do City 17, cercado pelos edifícios administrativos típicos do estilo balcânico, construídos no fim do século XIX – início do século XX. Tal como realmente acontece em Sófia:

Uma das características típicas da arquitetura búlgara é a presença de torres, que também aparecem na City 17 – exatamente como em Sófia – com as janelas redondas bem no meio do telhado.

Viktor Antonov também reproduziu no seu shooter e de forma subtil a combinação arquitectónica puramente europeia do leste com os traços socialistas de prédios quadrangulares que aparecem no Half-Life 2 com muita frequência. Uma cópia da realidade:

Caminhos-de-ferro / ferrovias e canais

Do centro da cidade Gordon Freeman se dirige à um grande nó ferroviário — que realmente existe em Sófia.

Passagens, cercas de rede, vagões velhos, edifícios técnicos – tudo isso também está presente em Sófia real.

Junto à antiga central termoeléctrica de Sófia existem também vários edifícios fabris abandonados – no Half-Life 2 aparecem coisas muito semelhantes.

Unidade fabril vazia:

Na história do jogo, Gordon Freeman, deixou a City 17 através do sistema de canais. Esta é também uma coisa muito específica de Sófia – os canais são uma espécie de valas de drenagem ao céu aberto e estão cheios de água quando sobem os caudais dos rios na primavera, devido a neve que derrete (como na foto). Isso evita as inundações. Foi através desses canais que Gordon Freeman dirigiu o seu buggy:

No verão, os canais de Sófia estão secos. Antigamente o lixo de grande porte era descarregado nesses locais, como os refrigeradores antigos – os canais tinham uma aparência muito mais pitoresca.

Na década de 1980, os canais de Sófia eram um dos lugares favoritos dos jogos de crianças – no Half-Liffe 2 Gordon Freeman passa por entre essas velhas geleiras/geladeiras e camas enferrujadas – talvez este era o imaginário infantil do próprio Victor Antonov nos seus jogos de infância.

No mapa Half-Life 2 “Através dos Canais” há também pequenas baías de água, no fundo das quais estão prédios de arquitectura socialista, e ainda além é possível ver as montanhas – tudo isso também existe em Sófia.

Prédios ao estilo “blocos de sovok”

Casas típicas socialistas, chamadas de “blocos” na Europa Central e do Leste, tornaram-se muito reconhecíveis no universo de Half-Life 2. Muitos pensam que os “blocos” da City 17 se assemelham a Minsk ou Voronezh – no entanto, esta é uma série tipicamente búlgara.

Os prédios possuem janelas grandes por toda a parede, e também nem todas as varandas são envidraçadas – o que indica um clima ameno, além disso, os mesmos prédios nos bairros depressivos de Minsk ou Vílnius possuem uma aparência diferente.

Na City 17 aparecem estes mesmos prédios – com as varandas avermelhadas nas extremidades que se projetam fora das paredes – um método arquitetônico puramente búlgaro para aumentar o tamanho de varandas, que são maiores do que as varandas nos prédios semelhantes na URSS.

Este contorno desigual de edifícios com as varandas parcialmente envidraçadas e parcialmente vazias é uma imagem muito reconhecível da totalitária City 17.

Finalmente, a coloração alaranjada das varandas e partes das paredes dos edifícios é transmitida com muita precisão no jogo:

Sobre a cor alaranjada. Jogando no Half-Life 2 é possível pensar que são chapas de metal enferrujadas que tapavam as varandas do lado de fora. Na realidade tudo é um bocado diferente:

Laranja não é uma ferrugem, mas a tinta que se desprendeu e expôs o gesso branco.

Na sua entrada, os edifícios parecem bastante comuns.

No interior. Os moradores desses blocos da Half-Life 2 se alistavam à Defesa Civil [nome de uma das cadeiras da escola secundária soviética, em que os alunos aprendiam montar e desmontar o AK-74 e o funcionamento de granadas RGD-5 ou F-1] da Aliança. O design do Antonov sugere uma coisa muito simples: o totalitarismo começa com as coisas bastante quotidianas, e muitas vezes – logo no limiar do seu apartamento.

Os corredores:

Outro tipo de prédios habitacionais da Half-Life 2 são típicos “khrushchevkas” búlgaros, onde se escondiam os franco-atiradores da Aliança, apontando as suas armas à personagem principal. Eles têm as janelas largas características e um telhado saliente.

Interior bastante normal

Posfácio

Prédios socialistas, carros soviéticos e atmosfera geral do “sovok” criaram em Half-Life 2 um efeito surpreendente – havia a sensação de que o fabuloso dragão eslavo Zmiy-Gorynych não vive em montanhas e florestas distantes, mas no nosso céu cinzento e entre os blocos socialistas – talvez ele até é um de nós. “O mal está junto de nos” – assim podemos caracterizar a principal impressão do universo deste jogo.

E vocês, nossos queridos leitores, já jogaram Half-Life-2? Gostam dos games?

Imagens: «Half-Life 2» | Fotos de Sófia e texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]