Num esforço de relações públicas, o KGB soviético anunciou em outubro de 1990, que realizou um concurso de beleza secreto e coroou uma funcionária como
«Miss KGB». A secretária Ekaterina «Katya» Mayorova, de 23 anos, foi declarada vencedora e desfilou pela comunicação social nos meses seguintes, escreve Spycraft101
As «andorinhas» do KGB
No final da década de 1980, a sociedade soviética da era Perestroika parecia ter redescoberto a beleza feminina. Uma onda de concursos de beleza varreu o país – «Miss
URSS», «Miss Estónia». Mas, mesmo neste contexto, a notícia da atribuição do título de «Miss KGB» pareceu sensacional.
O KGB era uma estrutura excessivamente secreta, e rumores sinistros circulavam em torno das suas agentes. KGB apelidava as agentes atraentes de «andorinhas» – eram utilizadas para tecer redes em torno de diplomatas, jornalistas, empresários estrangeiros e outras fontes de informação.
A chamada estratégia da «armadilha de mel» consistia em comprometer uma pessoa através do contacto íntimo com uma «andorinha» e, em seguida, chantageá-la
ou persuadi-la a cooperar.
KGB não forneceu informações sobre quando o concurso ocorreu ou quantas candidatas participaram. Mas as fotos da Katya a relaxar em casa ou a sorrir em frente ao Kremlin
e a participar alternadamente em treinos de artes marciais e tiro ao alvo apareceram nos meios de comunicação soviéticos e internacionais. Um artigo no «Pravda» descreveu-a a usar o seu colete
à prova de bala “com uma suavidade requintada, como uma modelo de [Pierre] Cardin”, e que foi treinada para dar um pontapé de karaté “na cabeça do seu inimigo”.
Katya apareceu no noticiário televisivo de Moscovo para fornecer atualizações sobre o KGB. Foi ainda entrevistada por David Remnick, correspondente do The Washington Post
em Moscovo.
«Katya Mayorova estava diante de mim – uma beldade de camisola de angorá e calças de ganga italianas justas. Na presença de um oficial do KGB encarregado das
'relações com a imprensa', Katya respondeu às minhas perguntas – ou, pode dizer-se, não as respondeu. Segundo ela, o concurso de beleza foi realizado 'em privado', e até
o número de candidatas era um segredo.
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| Igor Mikhalev/Sputnik |
É claro que não havia concurso nenhum. Presumi que isso fosse óbvio e não exigisse explicação. Mas para alguém 'treinada para matar'
e membro de uma das organizações mais temidas do mundo, Katya era encantadora», recordou mais tarde o jornalista. Mayorova disse à imprensa que gostava do filme «E Tudo o Vento Levou»,
que gostava de tricotar, que preferia bananas e que o seu homem preferido era James Bond. “Gostaríamos que as pessoas pensassem que não somos monstros a trabalhar aqui”, tinha dito ela.
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| Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
No entanto, esta mudança brusca de estratégia do KGB foi um caso de “muito pouco, muito tarde”. Quando foi coroada rainha da beleza, os protestos em massa aconteciam
por toda a Moscovo, apoiados por um número crescente de figuras públicas. O KGB perdera grande parte do controlo sobre a população moscovita e assistiu passivamente ao derrube de estátuas
e à construção de monumentos em homenagem aos milhões que morreram nas purgas de Estaline.
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| Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
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| Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
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| Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
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| Katya com um polícia de trânsito exemplar). Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
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| Foto: Igor Mikhalev/Sputnik |
O que aconteceu a Katya depois de a União Soviética ter finalmente colapsado em dezembro de 1991 é desconhecido. Nem sequer se sabe se Ekaterina «Katya» Mayorova
era o seu nome verdadeiro. Simplesmente desapareceu dos livros de História. Pode ter-se juntado ao recém-formado FSB, como muitos funcionários do KGB fizeram.
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