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quinta-feira, novembro 20, 2025

A guerra de jogos do poder em curso na Igreja Ortodoxa russa (IOR)

O Patriarca russo Kirill (Gundiaev) demitiu abruptamente e colocou em julgamento eclesiástico o seu representante máximo na Europa Ocidental, incluido em Portugal e na Espanha, o Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko), escreve Novaya Evropa.

Na noite de sábado, 8 de novembro, um breve comunicado apareceu no site oficial da IOR: “Por ordem de Sua Santidade Kirill [..] o Metropolita Nestor de Korsun e da Europa Ocidental foi destituído de seu cargo como chefe do Exarcado Patriarcal da Europa Ocidental, bem como das dioceses e paróquias de Korsun, da Diocese Hispano-Portuguesa e das paróquias do Patriarcado de Moscovo/ou na Itália, em decorrência dos processos judiciais eclesiásticos instaurados contra ele. A administração temporária das referidas estruturas canônicas foi confiada ao Metropolita Mark de Ryazan e de Mikhailov.”

Acredita-se que o referido Mark possui o passaporte de um dos paises da União Europeia. Há um ano atrás, na auge do escândalo de cariz homosexual, envolvendo a demissão do Metropolita de Budapeste e da Hungria — Hilarion (Alfeyev), Mark foi encarregado da administração das paróquias da IOR na Hungria.

O Estatuto da IOR não concede ao patriarca russo o direito de destituir unilateralmente exarcas e administradores diocesanos. Tais decisões são geralmente tomadas por um órgão colegiado — o Santo Sínodo. No entanto, a própria existência deste tribunal e a legitimidade de sua composição são temas de debate entre especialistas em direito canônico.

Por um lado, poucos se surpreendem com o facto de o patriarca Kirill governar a IOR de uma forma absolutamente arbitrária, desconsiderando os cânones e as leis. Por outro lado, isso desvaloriza suas decisões — pelo menos aos olhos das estruturas e crentes ortodoxos ao nível internacional, fora da IOR. Por exemplo, o Patriarcado de Constantinopla não tem problemas em aceitar clérigos “expulsos” pela IOR por sua posição contra a guerra russa na Ucrânia, considerando as suspensões moscovitas como canonicamente nulas e sem nenhum efeito.

Bispo Nestor durante a visita de putin ao Centro Espiritual e Cultural Russo em Paris,
29 de maio de 2017. Foto: kremlin.ru

O Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko na vida civil), de 51 anos, desde 1999 serviu na França e na Espanha. Não tem histórico de envolvimento em escândalos públicos. É responsável pelas paróquias da IOR da Europa Ocidental (França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal e Itália). Em 2022-23, ele se permitiu uma discreta dissidência contra o Kremlin — por exemplo, não perseguiu, como era exigido por Moscovo, o Arcipreste de Madrid, Andrei Kordochkin, que denunciou a “natureza satánica” da guerra russa na Ucrânia. De momento os paroquianos da Catedral da Trindade em Paris já estão reunindo/coletando assinaturas em apoio ao seu bispo e, em conversas informais, expressaram inclusive a disposição de apoiar sua saída da IOR, talvez para o Patriarcado de Constantinopla. Afinal, o rebanho ortodoxo no Ocidente é diferente do da rússia, e os paroquianos se insurgem contra as decisões não transparentes da liderança da igreja moscovita.

Evgeny Sirotenko nasceu em 4 de setembro de 1974, em Moscovo/ou. Formou-se na Faculdade de Ciência da Computação do Instituto Histórico e Arquivístico da Universidade Estatal russa de Humanidades e trabalhou no Ministério das Relações Econômicas Externas/Exteriores da federação russa.

“Rejeitando o Mal e a Guerra”

Em 6 de abril de 2022, o Metropolita Nestor e o Arcebispo Francisco Javier Martínez, representante da Conferência Episcopal Espanhola, publicaram uma declaração conjunta condenando as ações da rússia no território soberano da Ucrânia. O texto ainda está disponível no site oficial da Diocese Hispano-Portuguesa da IOR, mas somente em espanhol. O documento começa com uma expressão de solidariedade “aos nossos irmãos ortodoxos, católicos e pessoas de todas as fés em relação à invasão da Ucrânia pela rússia”. Recordando os mandamentos pacifistas do Evangelho, o Exarca Patriarcal da IOR, juntamente com seu homólogo católico, apela para “o fim da violência e da barbárie, e para que se ouça na consciência a voz de Deus, que rejeita o mal e a guerra”.

Quando o Patriarca Kirill, de forma não canônica, suspendeu o Arcipreste Andrei Kordochkin, reitor da Catedral de Madrid de seu ministério, o Metropolita Nestor o protegeu tacitamente e não o demitiu oficialmente da Diocese. Isso provocou a ira de um dos bispos mais agressivos da IOR — o “Exarca da África”, Metropolita Leonid (Gorbachev) que advertiu: “Ninguém está nos pedindo para se lançarmos às baionetas, mas devemos permanecer fiéis. Teremos que tanto ouvir, quanto obedecer”. Apesar desses alertas, em fevereiro de 2023, o vigário de Nestor, Bispo Petru (Prutyanu), concedeu uma entrevista a uma publicação católica na qual expressou uma certa simpatia pela Ucrânia, chamando a guerra russa na Ucrânia de “escandalosa”.

A continuidade dessa linha de ação por parte da liderança do Exarcado da Europa Ocidental, e em particular da Diocese Hispano-Portuguesa, é evidenciada pelo encontro informal de Nestor com o Metropolita Olexandre (Drabinko), figura conhecida na Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que Moscovo/ou habitualmente chama de “cismática” e “nacionalista”. O encontro ocorreu em Madrid, em meados de outubro de 2025, quando ambos os metropolitas estavam presentes, e foi inteiramente fraternal. 

Encontro do Drabinko (à esquerda) e Nestor (mais alto) em Madrid

A IOR não apenas proibiu oficialmente aos seus subordinados qualquer contato com a Igreja Ortodoxa da Ucrânia e com o Patriarcado de Constantinopla, como também considera Drabinko um “traidor” e “desertor”, visto que até 2018 ele era um hierarca de alto escalão da IOR na Ucrânia. No contexto da nova onda de emigração ucraniana em massa, gerada pela guerra russa contra Ucrânia, no Ocidente, a IOR tenta se beneficiar da presença ucraniana em massa, atraindo os crentes ucranianos às suas paróquias europeias.

“Jogos, Trapaças e Bispos Fumegantes”

Formalmente, Kirill ordenou que o Supremo Tribunal da Igreja avaliasse a participação do Nestor em torneios internacionais de pôquer (!) e o uso de fundos da igreja para esse fim. Dois Cânones Apostólicos (a parte do direito canônico da IOR) — o 42º e o 43º — preveem a perda da posição de um bispo que “joga dados”, ou seja, participa nos jogos de azar. Um cânone posterior (o 50º do Concílio de Laodiceia) proíbe o clero até mesmo de visitar locais onde tais jogos são realizados. No entanto, no mundo moderno, o pôquer é considerado um desporto/esporte e, em muitos países, existem federações registradas ao nível nacional.

Metropolita Nestor num jogo do pôquer. Foto: pokernews.com

O Metropolita Nestor joga ao nível quase profissional, participando de torneios internacionais sob as bandeiras russa e francesa com seu nome civil, Evgeny Sirotenko. Em 2024 ele ficou em 20º lugar no Campeonato Francês e alcançou o terceiro lugar em um torneio internacional em setembro de 2025. Uma lista completa das conquistas do Metropolita em várias ligas de pôquer pode ser facilmente encontrada no Google. De acordo com as estatísticas oficiais do “The Hendon Mob”, os ganhos totais de Nestor em torneios ao longo dos anos ultrapassaram US$ 47.000, com sua maior vitória individual chegando a mais de US$ 8.000.

Ranking internacional de pôquer do Nestor-Sirotenko. 
Imagem: pokerdb.thehendonmob.com

Segundo o diácono Andrei Kuraev, declarado como “agente estrangeiro” pelas autoridades russas e atualmente residente em Praga, as acusações óbvias contra Nestor “não merecem, de forma alguma, um julgamento”. A IOR passa anos sem reagir as acusações significativamente mais graves — por exemplo, o Metropolita Georgy (Danilov) de Nizhny Novgorod, que construiu um heliporto privado nos terrenos de monumentos históricos protegidos e em cuja igreja eran filmados filmes pornográficos gay, permanece intocável. Uma fonte de uma das paróquias da IOR na Europa Ocidental disse que a ira do Kirill não foi causada pelo jogo de pôquer em si, mas pelo facto de essa informação ser divulgada ao público.

Acredita-se que o posto de Nestor pode ser ocupado pelo atual favorito do Kirill, o metropolita Anthony (Sevryuk), de 41 anos, presidente do Departamento de Relações Externas da IOR. Outro possível candidato ao cargo vago é o bispo Matthew (Andreyev) leal à “política externa pacifista” do Kremlin.

Paróquias russas de inteligência externa

Ao final do quarto ano da guerra russa contra Ucrânia as elites políticas ocidentais começaram a suspeitar que a IOR — no seu formato concebido por Estaline/Stalin em 1943 — dificilmente pode ser chamada de uma organização religiosa. A função principal de muitos de seus clérigos no exterior não era o trabalho pastoral ou o culto, mas sim o desempenho de tarefas muito mais delicadas. Já em 1946, o primeiro presidente do Departamento de Relações Externas, o Metropolita Nikolai (Yarushevich), que viajava livremente pelos países ocidentais, exortava os emigrantes russos a “retornarem à pátria que os aguarda”. Quase todos que acreditaram nele foram presos imediatamente ao cruzar a fronteira soviética e nunca mais retornaram vivos do GULAG. O sucessor imediato de Nikolai e pai espiritual do atual Patriarca da IOR, o Metropolita Nikodim (Rotov) era agente do KGB “Svyatoslav”. Ele abençoava os seus subordinados a colaborar com KGB e até tentou recrutar a liderança do Vaticano, mas morreu (possivelmente envenenado) durante uma audiência com o Papa João Paulo I, conhecido como “Papa Vermelho”. Graças à desclassificação dos arquivos da KGB na Ucrânia, tornou-se público que, nas primeiras décadas após o restabelecimento do Patriarcado de Moscovo/ou ordenada pelo Estaline/Stalin, praticamente 100% de seus bispos foram recrutados pelo KGB e se tornaram agentes ativos. Após o início da guerra russa na Ucrânia em 22.02.2022, a imprensa suica (Sonntagszeitung e Le Matin Dimanche) publicou os materiais da inteligência suíça, com as provas do que o jovem arquimandrita Kirill (Gundyaev), que serviu como representante da IOR no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra na década de 1970, era o agente da KGB “Mikhailov”.

Kirill (Gundiaev) de 24 anos, já agente do KGB «Mikhailov» na Suíça

Atualmente, existem aproximadamente 300 paróquias da IOR em funcionamento na União Europeia, no Reino Unido e na Suíça, muitas das quais com uma função de “dupla utilização”. As autoridades da Noruega, Suécia, República Checa, Grécia, Bulgária, Macedônia do Norte e dos Estados Bálticos reconheceram a gravidade do problema dos centros de inteligência russos que operam sob os auspícios de estruturas da IOR. Por exemplo, as igrejas da IOR em Bergen e Stavanger (Noruega) estão localizadas de forma suspeita perto de bases da OTAN, e representantes dessas paróquias tentaram comprar terrenos próximos a outras instalações militares importantes. As autoridades suecas acusaram a paróquia local da IOR de se transformar em uma “plataforma de coleta de informações”. O governador civil do Monte Atos — uma república monástica semi autônoma na Grécia — Anastasios Mitsialis, que chegou ao cargo diretamente da comunidade de inteligência, estava ciente dos riscos do uso contínuo do Monte Atos para atividades subversivas pela federação russa. Representantes da IOR foram declarados persona non grata e expulsos de vários países da UE: em 2023, o arquimandrita Vassian (Zmeyev) e o arcipreste Yevgeny Pavelchuk, clérigos da IOR em Sófia; em 2024, o arcipreste Nikolai Lishchenyuk, reitor do metóquio da IOR em Karlovy Vary em Chéquia. O metropolita Hilarion (Alfeyev) serve atualmente nesta igreja e também se queixa de ameaças das autoridades checas relacionadas à publicação de novas revelações do seu ex-namorado japonês e ao aparecimento de um video de Hilarion num campo de tiro do FSB. Existem, é claro, muitos outros casos de agências de inteligência russas operando sob os auspícios da IOR na Europa, mas métodos eficazes para combater esse tipo de “ministério” da IOR ainda não foram encontrados. Apesar do envolvimento óbvio e comprovado do Patriarca Kirill na incitação à agressão e nas atividades dos serviços secretos, a UE não conseguiu incluí-lo em suas listas de sanções devido à oposição da Hungria e aos esforços do lobby russo. Em suma, a IOR provou ser um bastião confiável dos interesses russos em áreas onde funcionários públicos e os agentes de inteligência russos comuns agora encontram extrema dificuldade de acesso. A a substituição do exarca da IOR, conhecido pela sua postura reconciliadora e mais pacífica, por alguém leal ao FSB/GRU parece perfeitamente lógico para o atual regime russo.

sexta-feira, outubro 18, 2024

«Centro-5»: um novo campo dos POW russos aberto na Ucrânia

Dado que o número de russos que se rendem às Forças Armadas da Ucrânia todos os meses excede significativamente o número daqueles que a rússia recebe de volta como parte de trocas dos POW, os locais onde os prisioneiros de guerra russos na Ucrânia estão a encher muito rapidamente. 

As condições no «Centro-5» cumprem tradicionalmente todos os requisitos do direito internacional humanitário: dormitórios separados, três refeições quentes por dia, duches com água quente, acesso a cuidados médicos. Uma característica especial do “Centro-5” é que o campo criou condições para manter prisioneiros de guerra feridos: amputados, acamados, doentes, deficientes, etc. Há 2,5 anos que a Rússia se recusa a cumprir os requisitos das Convenções de Genebra e tem bloqueado a criação de comissões médicas mistas para o repatriamento de feridos e doentes. 

Ucrânia continua o mais aberta possível no que diz respeito ao tratamento dos prisioneiros de guerra e cumpre as suas obrigações ao abrigo das Convenções de Genebra. Vários observadores internacionais e os meios de comunicação social podem visitar o Centro-5 e outros locais onde estão detidos prisioneiros russos. 

Bónus 

Alexandros Tsilikas de 20 anos tem a dupla cidadania, grega e russa, e é soldado russo sob o contrato. 

Alexandros nasceu na Grécia e poderia facilmente viver na União Europeia sob o quente sol helénico, mas a sua mãe decidiu que a a vida na província russa seria melhor e levou o filho para a rússia. Aí ele ingressou no serviço militar, após o que foi instado a assinar um contrato militar e permanecer no exército russo. Depois disso, foi mandado à região de Luhansk, onde Alexandros foi capturado pelo exército ucraniano.

segunda-feira, agosto 05, 2024

A importância dos F-16 na Defesa Aérea da Ucrânia

Foto: Zelenskiy Official

No dia 31 de julho de 2024 Ucrânia recebeu o primeiro lote de dez caças F-16 via “Coligação/Coalizão de Caça” internacional. No dia 4 de agosto, durante as comemorações do Dia da Força Aérea das Forças Armadas da Ucrânia, os aviões de combate F-16 apareceram pela primeira vez no céu ucraniano.

Este evento não só testemunha o apoio contínuo da Ucrânia por parte dos parceiros ocidentais, como também abre novas perspectivas para a capacidade de defesa aérea da Ucrânia. Afinal de contas, a Ucrânia tem lutado contra os ataques diários do Kremlin às suas cidades, infra-estruturas civis e energéticas, hospitais, maternidades, escolas e casas de civis há dois anos e meio...

A Coligação de Caça, também conhecida como Coligação F-16, é uma coligação internacional de 14 países empenhados em apoiar a Ucrânia na sua luta contra a invasão russa. A coligação inclui países como a Bélgica, Grã-Bretanha, Grécia, Dinamarca, Canadá, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, EUA, França e Suécia. Estes estados estão a unir esforços para organizar o fornecimento de F-16, treinar pilotos, técnicos e pessoal de terra ucranianos e criar a infra-estrutura necessária que permitirá que estas aeronaves sejam efectivamente utilizadas em condições de combate.

O principal objectivo da coligação é reforçar as capacidades da Força Aérea Ucraniana para repelir os ataques aéreos russos e proteger os civis. Os países membros da coligação fornecem não só aeronaves, mas também o equipamento e as armas necessárias e formam especialistas militares ucranianos. Esta cooperação foi possível graças ao apoio dos países da NATO e ao seu desejo de reforçar as capacidades de defesa da Ucrânia face à contínua agressão da rússia.

Os F-16, ou “falcões de combate”, como são conhecidos nos círculos profissionais, estão entre as aeronaves de combate mais versáteis e eficazes. Estes caças multifuncionais, desenvolvidos na década de 1970, continuam a ser uma das principais aeronaves no arsenal de muitos países do mundo, graças às constantes atualizações e à elevada eficácia de combate. São capazes de realizar uma vasta gama de tarefas: desde o combate aéreo até aos ataques contra alvos terrestres.

Para a Ucrânia, que tem lutado contra um agressor russo há mais de dois anos e meio, rejeitando uma guerra russa total e não provocada, o F-16 representa um impulso significativo. Com a sua ajuda, as forças aéreas ucranianas poderão combater de forma mais eficaz os ataques de mísseis e drones russos. A presença do F-16 permitirá à Ucrânia reduzir significativamente o número de ataques às suas cidades e infra-estruturas críticas, o que é especialmente importante no contexto dos constantes bombardeamentos por parte da rússia.

Os pilotos ucranianos que treinaram no estrangeiro tiveram à sua disposição mais do que apenas modelos padrão de F-16. Os caças F-16 têm capacidade multifuncional e desempenharão um papel fundamental não só na defesa da Ucrânia, mas também em potenciais operações ofensivas. Estes caças estão equipados com sistemas de mira avançados, incluindo miras JHMCS montadas no capacete, que permitem aos pilotos atacar com precisão. Isto é especialmente importante para missões estratégicas, tais como ataques a alvos militares inimigos legítimos – bases militares, campos de aviação, depósitos de munições e outras instalações utilizadas para operações de combate. Assim, para além da defesa, os F-16 podem ser utilizados para realizar ataques preventivos contra alvos que representem uma ameaça à segurança da Ucrânia.

Além disso, os F-16 ucranianos estão equipados com postes modernos com sensores de alerta de ataque de mísseis integrados e sistemas de guerra eletrónica. Estas tecnologias são concebidas não só para melhorar as capacidades de combate dos aviões de combate, mas também para garantir a segurança dos pilotos em condições de combate intensas.

A Ucrânia espera que o número de F-16 aumente para 20 até ao final de 2024, com o número total destes caças a atingir os 79 até 2025. Tal aumento da frota de aviação permitirá à Força Aérea Ucraniana não só defender eficazmente as suas fronteiras, mas também conduzir operações ofensivas activas contra o agressor, o que poderá até alterar o rumo da guerra.

O aparecimento dos F-16 nos céus da Ucrânia não é apenas uma vitória militar, mas também uma vitória simbólica para o país. Esta é uma demonstração de que o impossível é possível quando a comunidade internacional se une para apoiar aqueles que lutam pela sua liberdade e independência.

Ucrânia, com o apoio de parceiros internacionais, planeia criar uma poderosa componente de aviação, que irá fortalecer significativamente a sua Força Aérea. O desenvolvimento desta componente visa garantir não só a protecção da soberania e integridade territorial da Ucrânia, mas também dar um contributo significativo para a segurança de todo o continente europeu. Isto é de particular importância nas actuais condições dos países bálticos, da Polónia, da Moldova e de outros Estados europeus, que têm sido repetidamente ameaçados pela federação russa. Face ao aumento da agressividade por parte da federação russa, estes países enfrentam uma ameaça crescente, o que torna necessário reforçar as capacidades de defesa de toda a Europa.

Recordemos que o Secretário-Geral da NATO, Jens Stoltenberg, num comentário para o Bild, enfatizou a importância da rápida entrega de caças F-16 à Ucrânia, referindo que este seria um exemplo significativo de apoio militar dos países da NATO. Stoltenberg observou que o facto de os aliados da NATO não só fornecerem o F-16, mas também treinarem pilotos e fornecerem armas para estes caças, é um exemplo importante da significativa assistência militar prestada à Ucrânia pela aliança.

Mateusz Morawiecki, Primeiro-Ministro da Polónia, enfatizou a importância de transferir caças modernos, como o F-16, para a Ucrânia, para reforçar as suas capacidades de defesa. Deu nota que a Polónia está pronta para apoiar a Ucrânia, fornecendo armas e treinando os militares ucranianos. Morawiecki sublinhou ainda que a Polónia apoia activamente os esforços da comunidade internacional na prestação de assistência à Ucrânia e vê este passo como um elemento importante para dissuadir a agressão russa.

Alexander De Croo, primeiro-ministro da Bélgica, manifestou apoio às decisões de transferência do F-16 para a Ucrânia, dizendo que isso demonstra a solidariedade da comunidade internacional com a Ucrânia na sua luta pela soberania. De Croo observou que a Bélgica também está envolvida em esforços internacionais para formar pilotos ucranianos e fornecer armas, o que representa um contributo importante para a segurança geral da Europa.

De que outras necessidades necessita a Ucrânia para combater o agressor russo? Assim, as principais necessidades da Ucrânia mantêm-se relevantes e inalteradas: em primeiro lugar, sistemas de defesa aérea modernos e eficazes, como o Patriot e o SAMP/T, bem como os mísseis de acompanhamento necessários para garantir o pleno funcionamento destes complexos. Além disso, os sistemas de artilharia e munições, os mísseis de longo alcance, os veículos aéreos não tripulados e os sistemas de guerra electrónica são fundamentais. Tudo isto é necessário em quantidades suficientes para repelir totalmente a agressão da rússia.

Para garantir a proteção completa e fiável do território da Ucrânia, são necessários pelo menos 25 sistemas Patriot. Estes complexos tornar-se-ão uma componente crítica na protecção do espaço aéreo do país e impedirão que as aeronaves russas penetrem a um alcance tal que lhes permitiria usar bombas guiadas para atacar alvos civis e militares.

A permissão concedida pelos Estados Unidos da América para utilizar armas fornecidas à Ucrânia para atacar alvos militares em território russo já demonstrou a sua eficácia. Isto ajudou a travar a ofensiva russa em Kharkiv. O levantamento adicional de todas as restrições à utilização das armas fornecidas, bem como um aumento do volume de fornecimento de sistemas defensivos, permitirão à Ucrânia combater de forma ainda mais eficaz a agressão russa e libertar gradualmente os territórios temporariamente ocupados.

Além disso, para combater eficazmente a aviação russa, que utiliza mais de 300 aeronaves contra a Ucrânia todos os dias, é necessário dotar o exército ucraniano de, pelo menos, 128 aviões de combate modernos. Garantir capacidades de ataque de longo alcance e criar um sistema de defesa aérea moderno e multifacetado são elementos-chave para acabar com o terror diário da Rússia. Estas medidas não só protegerão as cidades e as infra-estruturas ucranianas, como também criarão condições para a rápida restauração da paz, não só em solo ucraniano, mas também na Europa e no mundo.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Polónia 1981 – Grécia 2008

Os paralelos históricos entre a acção dos marginais burgueses na Grécia e do proletariado operário polaco.

Neste preciso momento, quando a esquerda radical de todo o mundo (nem que seja em seus sonhos), se aquece no fogo da devastação grega, peço vós recordar a luta dos mineiros polacos, que sem poupar a sua saúde e a vida, lutaram contra a ditadura “socialista”. Neste dia, mas 27 anos atrás, os grupos da “polícia comunitária”, começaram a “pacificação” da mina de carvão «Manifest Lipcowy». Mineiros polacos não queimavam as lojas (durante todo o período da Revolução Laranja na Ucrânia, quando no centro de Kyiv viveu cerca de meio milhão de pessoas, não foi partida uma única vitrine), não assaltavam os jornalistas. Eles apenas exigiam que o “poder do povo” lhes garante os seus reais direitos. Mas quer a esquerda europeia, quer a esquerda pós – soviética, não estão interessadas nestas memórias. Uns são anti – americanos por vocação, outros vêem a herança soviética como uma espécie da “vaca sagrada”. Os marginais gregos, provenientes das famílias burgueses ficam muito mais “sexy” no papel dos heróis românticos da “esquerda”, do que o proletariado antissoviético polaco. Paradoxo. Mas os monumentos do “camarada Lenin”, tão querido aos olhos das esquerdas europeias, foram derrubados, primeiramente, nas cidades operárias polacas. E isso é lógico. Mais, ontem, no dia 15 de Dezembro de 2008, completou-se o 8º aniversário da acção “Ucrânia sem (o presidente) Kuchma”. Movimento, inicialmente, apelidado de “marginal” que terminou com a Revolução Laranja, que por sua vez abriu a Ucrânia à Europa. 

Vídeo sobre a Polónia de 1981. Grzegorz Ciechowski / Obywatel G.C. http://www.youtube.com/watch?v=hBIGWquFZb8

++ Jornal polaco Gazeta Vyborcza escreve sobre os carrascos da NKVD, responsáveis pelo massacre de cerca de 22.000 soldados e oficiais polacos em Katyn. Traduzir para o português: http://translate.google.com/translate_t#plpt

P.S. A Câmara do Comércio da Grécia calcula que o prejuízo acende mais de 50 milhões de Euros apenas na capital, Atenas. Na cidade foram danificados pelo menos 435 lojas a bancos, 37 deles foram totalmente destruídos. Ver fotos da Grécia: http://alexbogd.livejournal.com/668775.html