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sexta-feira, outubro 02, 2026

O número total de baixas russas na Ucrânia pode chegar aos 617.000

O serviço russo da BBC, em conjunto com a Mediazona e uma equipa de voluntários OSINT, identificou as identidades de 266.032 militares russos mortos na invasão da Ucrânia. O número total de perdas russas, contando as unidades separatistas e os mercenários estrangeiros, pode chegar às 616.986 pessoas.

Uma análise dos registos de 10.000 soldados russos cujos corpos foram encontrados pelas equipas de evacuação entre 2025 e 2026 mostrou que, a descoberta dos corpos dos soldados russos mortos ocorreu com um atraso significativo, em média 150 dias após as suas mortes no campo de batalha. A declaração jurídica da morte, na ausência do corpo físico, ocorreu, em média, 236 dias depois. 

Nos últimos 30 dias os nomes de 22.358 soldados russos mortos foram adicionados à base de dados. Este aumento significativo não está diretamente relacionado com a situação na frente de batalha. A maioria dos nomes adicionados recentemente, ou seja, 18.657 indivíduos, são de pessoas que estavam desaparecidas há muito tempo, ou cujos corpos foram encontrados pelas equipas de evacuação em 2025-2026. Alguns destes soldados morreram em combate ainda em 2022, mas a maioria foi morta em 2025. 

Consegue-se confirmar as mortes destes soldados com base em dados abertos de registos estatais russos: especificamente, o registo de óbitos e decisões judiciais publicadas que reconhecem, juridicamente, a morte dos indivíduos como mortos em combate, mesmo na ausência física dos seus corpos. 

Os registos de óbitos militares no registo de inventário dos herdeiros confirma essencialmente o óbito de uma pessoa: documenta os pedidos de herança feitos pelos familiares do falecido. Consequentemente, os militares desaparecidos cujos nomes constam do registo ou já foram encontrados ou foram declarados mortos. A diferença entre as datas em que uma pessoa foi morta e a data em que foi registado o seu óbito demonstra o atual atraso na confirmação do óbito de um militar russo na linha da frente. 

Existem vários motivos para esta tendência: 

Durante os dois primeiros anos da guerra, o número de militares listados como desaparecidos em combate foi relativamente baixo. O aumento acentuado do número de desaparecidos em 2024-2025 deve-se principalmente à natureza mutável das operações de combate. 

A utilização generalizada de drones de reconhecimento e ataque, combinada com fogo de artilharia e colocação de minas, torna praticamente qualquer movimento perto da linha da frente perigoso, incluindo tentativas de evacuar feridos e mortos. 

Os investigadores Jack Watling e Nick Reynolds, do Instituto Real de Serviços Unidos (RUSI) britânico, observam no seu relatório que a evacuação de feridos exige agora frequentemente uma operação separada e cuidadosamente preparada. Isto requer esperar pela escuridão, nevoeiro ou chuva forte. As tentativas de chegar rapidamente aos feridos e mortos podem levar a mais baixas entre aqueles que realizam estas operações. 

Outro motivo são as múltiplas tentativas do lado russo para avançar em «zonas cinzentas». O analista militar norte-americano Michael Kofman observa que, desde 2025, as tropas russas têm tentado avançar cada vez mais em grupos de um ou dois soldados. Nestas condições, os corpos dos mortos permanecem na zona neutra durante muito tempo, fora do controlo de ambos os lados. 

A situação em 2026 

Desde o início de 2026, BBC/Mediazona encontraram os dados sobre a morte de mais de 90.000 militares russos. No entanto, as perdas de 2026 representam menos de 10% desse total, sendo que o restante das perdas confirmadas ocorreu entre 2022 e 2025. 

Até o início de outubro, foram conhecidos os nomes de apenas 7.854 militares russos que morreram em 2026 (alguns outros milhares russos possuem as datas de morte desconhecidas, pelo que ainda não possível atribuir as suas mortes a um ano em concreto). 

Quais são os números reais de baixas russas? 

As perdas reais do lado russo são superiores ao número de mortos cujos nomes podem ser confirmados por fontes abertas. Segundo os especialistas militares, a análise dos cemitérios russos, memoriais de guerra e obituários pode reflectir entre 45% e 55% do número real de mortos. 

Nem todas as mortes são divulgadas publicamente. Além disso, os corpos de um número significativo de militares russos mortos permanecem no campo de batalha. As tentativas de os evacuar representam um sério risco para os sobreviventes, principalmente devido à ameaça de ataques com drones. 

Com base nas estimativas dos especialistas, o número real de mortos de cidadãos russos pode situar-se entre 483.695 e 591.182. 

Uma análise dos obituários e publicações de 2022 sobre os soldados desaparecidos das ditas «repúblicas populares l/dnr» sugere que entre 21.000 e 23.500 separatistas morreram até ao final de 2022. 

Depois de analisar imagens de satélite e fotografias oficiais do novo memorial de guerra construído na Coreia do Norte, o Serviço Coreano da BBC identificou os nomes de 2.304 militares coreanos que combateram ao lado das forças russas e morreram entre 2024 e 2025.

Uma pequena parte de tumbas dos norte-coreanos mortos em Kursk em 2024-25

Assim, com base nos dados recolhidos, o total de baixas das forças russas pode variar entre 506.999 e 616.986 militares.

sábado, setembro 12, 2026

As rússia já perdeu 500.000 militares mortos na sua guerra contra Ucrânia

Segundo informações dos serviços de informação militares britânicos, aproximadamente 500 mil militares russos já morreram na guerra neocolonial russa na Ucrânia. Neste conjunto são conhecidos os nomes e as identides de 248.844 militares russos mortos, que representa cerca de metade de totalidade de baixas russas. 

Segundo informações dos serviços de informação militares britânicos, aproximadamente 500 mil militares russos foram mortos desde o início da invasão em larga escala na Ucrânia, de acordo com a Sky News. As perdas totais do exército russo desde fevereiro de 2022, incluindo os feridos, desaparecidos, POW e desertores, estão estimadas em cerca de 1,5 milhões. 

por: Deborah Haynes, a Editora de Defesa e Segurança @haynesdeborah

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Sir Richard Knighton, chama a atenção para o custo destas perdas: a grande maioria delas ocorreu após janeiro de 2023, período em que a rússia conquistou apenas cerca de 2% do território ucraniano. 

«Estes números demonstram claramente o desperdício insensato e inútil de vidas humanas em prol de um progresso tão insignificante e de um objectivo tão ilegítimo para o presidente putin», afirmou Knighton. 

A Sky News observa que a guerra em grande escala já dura há 1.660 dias — as tropas russas combatem na Ucrânia há mais tempo do que a rússia participou na Primeira e a União Soviética na Segunda Guerra Mundial. 

Apesar das perdas humanas e do crescente custo da guerra para a economia russa, as autoridades ocidentais ainda não viram qualquer sinal de que putin tenha abandonado o seu objectivo de forçar a Ucrânia a regressar à esfera de influência de Moscovo. 

A guerra, segundo Knighton, já levou a uma desaceleração do crescimento económico na rússia, a uma queda da procura dos consumidores e a uma inflação persistentemente elevada. «O custo para a economia russa, o bem-estar da população e as suas perspetivas futuras é enorme», afirmou. 

As baixas russas positivamente identificadas 

O serviço russo da BBC, em conjunto com a Mediazona e uma equipa de voluntários, identificou os nomes de 248.844 soldados russos mortos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia (somente entre 27 de agosto à 10 de setembro de 2026 foram identificadas 6.097 novos nomes).

A família «feliz» celebra a transformação do filho de 19 anos na assemleia de voto Nº 341

O número real de mortos é mais elevado: a lista da BBC/Mediazona baseia-se exclusivamente em dados disponíveis publicamente. No entanto, nem todas as mortes são divulgadas de forma pública. 

De acordo com os especialistas militares, a análise dos cemitérios russos, memoriais de guerra e obituários pode reflectir entre 45% e 55% do número real de mortos. 

Desde o início de 2025, os chefes de praticamente todas as regiões russas deixaram de divulgar as baixas na Ucrânia. Em dezembro de 2024, Vasily Limarenko, chefe da região de Sacalina, foi um dos últimos a deixar de publicar obituários, tendo anteriormente divulgado os nomes dos mortos semanalmente no seu canal de Telegram. As autoridades locais russas explicaram que deixaram de divulgar os números de vítimas ao pedido do Ministério da Defesa russo. Além disso, o número de militares russos não conta as baixas entre os homens recrutados nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia: Donetsk, Luhansk, entre outros.

terça-feira, agosto 25, 2026

Ucrânia celebra o 35º aniversário de restautração da Independência

Trinta e cinco anos de reestabelecimento da independência da Ucrânia. Trinta e cinco anos desde a adoção da Lei de Proclamação da Independência da Ucrânia. Os ucranianos preservaram a independência do seu Estado. Sem dúvida alguma, independência da Ucrânia será protegeda. Ucrânia será sempre independente. 

Os ucranianos não serão pedras debaixo dos pés dos czares e dos chefões. Os ucranianos não serão moeda de troca nas disputas entre capitais mundiais. Os ucranianos não se submeterão àquilo em que não acreditam e, definitivamente, não abandonarão o seu sonho – o sonho de viver, o sonho de viver de forma independente, escreveu o presidente Volodymyr Zelenskiy. 

Durante anos, temos observamos como aqueles que profetizaram a morte da Ucrânia, ou prometeram destruí-la, desaparecem, perecem, morrem um a um.

Enquanto Ucrânia vive e viverá.

Feliz Dia da Independência!

Ucrânia celebrou o 35º aniversário da Independência com o primeiro desfile militar do mundo composto inteiramente por sistemas não tripulados. Nas primeiras horas do dia, dezenas dos VTNT, como os «Termit» e «Rys PRO» desfilaram pela avenida Khreshchatyke e Maydan (praça de Independência), em Kyiv. Pelo rio Dnipro, navegaram drones navais «Magura», «Sea Baby» e «Sargan». No céu, sobrevoaram VANT / drones de reconhecimento, ataque e interceptação, junto com alguns caças tripulados.

O evento, não anunciado previamente e sem público, por fazões de segurança, ocorreu ao amanhecer, no centro de Kyiv e o vídeo foi exibido mais tarde durante as cerimónias oficiais com o presidente Zelensky. Ucrânia foi o primeiro país a criar um ramo militar dedicado exclusivamente a sistemas não tripulados.

Neste dia, é especialmente importante recordar graças a quem a independência da Ucrânia é possível.

O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) divulgou um vídeo exclusivo da troca de prisioneiros no dia 24 de agosto.

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A troca de foi um resultado do trabalho do Centro Conjunto de Coordenação da Busca e Libertação de Prisioneiros de Guerra, do Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra e de outras estruturas autorizadas, que conseguiram a libertação dos 10 militares ucranianos, que até a data eram tidos como MIA.

A vida de cada ucraniano é o valor supremo!

Hoje, como parte de uma etapa especial da troca, estamos a repatriar 10 dos nossos militares – através da Belarus. Militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional da Ucrânia. Defenderam o país na direção de Donetsk. Todos eles eram considerados desaparecidos. E é muito importante que tenhamos conseguido trazê-los de volta, escreveu o presidente Volodymyr Zelenskiy.

Hoje, no dia em que a Ucrânia celebra o 35º aniversário da sua independência, o Reino Unido anunciou novas medidas para apoiar a produção de mísseis de cruzeiro Storm Shadow/SCALP na Ucrânia. O anúncio foi feito pelo Secretário de Aquisições de Defesa do Reino Unido, Luke Pollard. 

Segundo o próprio, trata-se do míssil franco-britânico SCALP, cujo equivalente britânico é o Storm Shadow. As novas medidas deverão permitir à Ucrânia estabelecer a produção nacional de componentes para mísseis Storm Shadow/SCALP, utilizando a tecnologia franco-britânica transferida.

quarta-feira, julho 22, 2026

Eugeniusz Bodo: do galã do cinema polaco ao prisioneiro do GULAG soviético

Atores Eugeniusz Bodo e Helena Grossówna, década de 1930

Ator, encenador, empreendedor polaco Eugeniusz Bodo. O seu nome era Bohdan Eugène Junod; a sua mãe era polaca e o seu pai suíço, que fazia negócios e residia no império russo. Na Polónia entre as guerras, Eugeniusz era um dos principais estrelas de cinema, interpretando charmosos galãs românticos. Viveu em Lviv. Morreu num campo do GULAG soviético.

Um dos seus filmes mais famosos é a comédia de culto «Piętro wyżej» (o título internacional «Vizinhos», 1937). Está disponível em várias versões no YouTube:

A heroína (a bela Helena Grossówna) acaba de entrar, por engano, no apartamento do herói (Eugeniusz Bodo) e, sem se aperceber que está no apartamento de outra pessoa, adormece na sua cama. Entretanto, o herói regressa a casa embriagado, descobre a bela na sua cama e deixa-a galantemente dormir, enquanto ele, vestido com um fato e gravata, vai dormir para a banheira. Naturalmente, acorda de manhã, abre a torneira e vê-se encharcado da cabeça aos pés. Naturalmente, tudo termina com um final feliz.

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A famosa comédia soviética «A Ironia do Destino» (1975) usou o mesmo enredo (troca de apartamentos, herói bêbado, uma bela desconhecida, interpretada até por uma atriz polaca), como o elemento principal do seu trama. 

Em 1939, após o início da II G.M., Bodo encontrou-se em Lviv, na União Soviética. O conceituado músico Henryk Wars organizou a orquestra Lviv Tea-Jazz, que começou a fazer digressões por toda a União Soviética com grande sucesso. Bodo cantava nesse teatro; existem muitos registos dele a cantar em russo, incluindo a tradução russa da famosa canção polaca «Somente em Lviv».

«Tea Jazz-orquestra» de Lviv

Ao mesmo tempo, Bodo tentou, usando o seu passaporte suíço de viajar para a Suíça. Após o início da guerra nazi-soviética, quando o Exército Vermelho já deixou a cidade de Lviv, mas os alemães ainda não entraram nela, dois homens com uniformes da NKVD abordaram Bodo e disseram que tinham um carro e tentariam romper as linhas inimigas para leste, convidando-o a juntar-se a eles. Percorreram estradas rurais durante vários dias e, quando finalmente chegaram ao quartel-general do Exército Vermelho, disseram-lhe que estava, na verdade, preso e enviaram-no para o NKVD.

Entretanto, a partir de 30 de Julho de 1941, sob pressão do seu novo aliado, a Grã-Bretanha, a URSS aceitou assinar um acordo com o governo polaco no exílio em Londres (o Acordo Maisky-Sikorski). De acordo com este acordo, todos os cidadãos polacos presos na URSS e nos territórios por este controlados desde 1939 receberiam amnistia. A partir destes cidadãos, começou a formar-se um exército polaco na Ásia Central soviética, sob a liderança de general Anders. A orquestra de Wars também se juntou ao exército de Anders.
A sua última foto conhecida, prisioneiro dos soviéticos...

Bodo era muito conhecido, e os representantes polacos perguntavam constantemente aos soviéticos sobre o seu destino. Mas estes lhes responderam que Bodo não era cidadão polaco, mas sim suíço, e, por isso, não tinha direito a amnistia. Morreu num campo de concentração soviético nos arredores da cidade de Kotlas, de inanição (fome severa) em outubro de 1943. Durante décadas a URSS desinformava os polacos, afirmando que Eugeniusz Bodo foi assassinado pelos alemães. Somente em 1991, as autoridades soviéticas entregaram aos polacos os documentos a ele relacionados.

Já a atriz Helena Grossówna, chegou a participar na Revolta de Varsóvia de 1944 como tenente, usava o nom de guerre / codinome de «Bystra» (Rápida), foi capturada e presa em campos alemães de prisioneiros de guerra, casou com um oficial polaco, que libertou o campo e viveu uma longa vida na Polónia, falecendo em 1994 aos 90 anos. 

Blogueiro

A ironia do destino, um polaco-suíço que nada de mal fez à URSS e foi um artista aceite e reconhecido na União Soviética, não sobreviveu o GULAG comunista. Enquanto uma combatente, que lutou contra os alemães, de armas nas mãos, sobreviveu um campo de concentração nazi...

sexta-feira, julho 03, 2026

O «Blitz» nazi de Londres e ataques aéreos russos em Kyiv

A capital da Ucrânia, Kyiv novamente foi bombardeada pelos ocupantes russos, com as perdas e destruição. A situação é difícil e tem um paralelo histórico — destruição sofrida pela capital britânica durante os oito meses de 1940-41, que ficaram conhecidos na história como o «Blitz». 






Ao longo de mais de quatro anos de guerra em grande escala, os mísseis, drones e projécteis russos deixaram a sua marca em todos os distritos de Kyiv. O Texty.org.ua atualizou a sua base de dados de impactos na cidade, acrescentando casos de danos causados ​​por aterragens e queda de destroços até 15 de junho de 2026, que não tinham sido contabilizados anteriormente. Estes são apenas os casos relatados por fontes oficiais ou pelos meios de comunicação social. Mas mesmo estes dados são suficientes para perceber como o terror aéreo contra a capital mudou.

O foco mais denso de ataques russos formou-se na margem direita do rio Dnipro, desde os bairros históricos de Lukyanivka até Solomyanka, passando por Shulyavka. Aí, ao longo dos quatro anos de guerra, acumulou-se o maior número de impactos e quedas de destroços registados. O segundo maior foco formou-se na margem esquerda do Dnipro, em torno do complexo industrial de Darnytsia. Estas duas zonas são mais claramente visíveis no mapa, se o analisarmos não pelas fronteiras administrativas dos distritos, mas pela densidade dos impactos. 
Bombardeamentos nazistas e ruscistas de Londres (1940) e Kyiv (2025)

Tal distribuição explica-se, em grande parte, pela localização de grandes empresas industriais e instalações de infra-estruturas. A fábrica «Artem», outras empresas da indústria de defesa, grandes unidades de produção, complexos logísticos e instalações energéticas continuam a figurar entre os alvos prioritários dos russos. Uma categoria à parte são as instalações energéticas, que foram repetidamente atacadas durante as campanhas para destruir o sector energético ucraniano.

O «Blitz» nazi contra Londres, faça click para ler mais
O mapa de Londres mostra claramente a dimensão da destruição sofrida pela capital britânica durante os oito meses de 1940-41, que ficaram conhecidos na história como o «Blitz». Mais de 43 mil pessoas morreram e cerca de 1,4 milhões perderam as suas casas em Londres, durante a operação de Luftwaffe, que começou aos 7 de setembro de 1940 e terminou aos 11 de maio de 1941.

Como é que isso afetou a vitória dos alemães sobre a Grã-Bretanha? De forma alguma!

Nenhuma destruição ou perda de civis afetou alguma vez o curso das hostilidades. Muito menos a determinação do povo britânico em vencer (ler mais sobre o «Blitz»)




Os resultados dos bombardeamentos nazis de Londres
Em outubro de 1944, os Aliados destruíram as últimas instalações nazis para a produção de gasolina sintêtica. Seis meses depois, o 3º Reich sucumbiu aos ataques dos Aliados, ficando sem combustível.

Parafraseando o Chefe dos Comando de Bombardeiros da RAF, Arthur «Bomber» Harris: «Nunca na história alguém ganhou uma guerra incendiando refinarias de petróleo. Sim, mas ainda ninguém tentou, e nós vamos tentar».

Hoje, Ucrânia têm os seus próprios Harris. Robert «Magyar» Broudi e seus rapazes das USBS e das FAU já estão à incendiar aquele posto louco de abastecimento de combustível!

domingo, junho 14, 2026

«Lustige Blätter» – a propaganda visual política do 3º Reich

«Acho que devemos avançar juntos, uma vez que estás do nosso lado», diz Churchill, agarrando-se a Estaline enquanto uma estrela vermelha cai do céu. Edição publicada imediatamente a seguir a 22 de junho de 1941, o início da guerra nazi-soviética. Edição nº 31/1941.

«Lustige Blätter» (Páginas Cómicas) era a revista satírica do 2º, e depois do 3º Reich, publicada na Alemanha de 1852 à 1944. Durante todo este período, nunca publicou uma única caricatura dos dirigentes alemães, mesmo os retratando de forma positiva.

De 1939 à 1944 um dos seus alvos preferidos era Sir Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico. Em menor plano, a revista também caricaturava o presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt e o ditador soviético Estaline. É de notar, que alguns temas e até as narrativas, textuais e visuais, criadas pela revista, hoje são reaproveitados pela propaganda gráfica russa, tendo como alvo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

«Resultados da Ofensiva de Inverno. Ele mordeu o aço». Os alemães sofreram as primeiras derrotas na Frente Leste na batalha de Moscovo no inverno de 1941. Os propagandistas tentam transformar a derrota em vitória. Edição nº 22/1942.

«A nossa proposta». A assinatura no monumento: general Lynch. «Um monumento aos
negros deveria ser erigido nos Estados Unidos; provavelmente se parecerá com isso».
A propaganda alemã tenta jogar a cartada racial. Edição nº 45/1943.

«Informações dos EUA». Quando o Tio Sam fala, a verdade está de pernas para o ar.
Edição nº 45/1943.

«Ele parece não está gostar deste cocktail». Winston Churchill acaba de servir o leão britânico, agora bastante magro, uma mistura de sangue e lágrimas (suor e trabalho árduo omitidos). Uma referência ao primeiro discurso de Churchill como Primeiro-Ministro: «Não tenho nada para vos oferecer além de sangue, trabalho árduo, lágrimas e suor». Edição nº 17/1942.

«Sou amigo de todos os países pequenos». Churchill retira a máscara.
A caricatura insinua que os britânicos usam outros países para lutar. Muito parecido com
as constantes acusações russas ao Boris Johnson e outros Primeiros-Ministros britânicos.
Edição nº 31/1941.

«Singapura. A Fortaleza Mais Forte do Mundo». A revista celebra os sucessos japoneses;
em 15 de fevereiro de 1942, a Singapura britânica foi ocupada pelo Japão. Edição nº 7/1942.

Winston Churchill tenta manter a Inglaterra unida com tábuas etiquetadas como «promessas».
Fá-lo com pregos de um cesto etiquetado como «Mentiras». Edição nº 23/1942.

«Acredite nele, Grã-Bretanha. Ele só quer protegê-la», diz Churchill.
A crítica nazi da aliança entre a Grã-Bretanha e a URSS. Edição nº 18/1942.

«Gigantomania Americana». Legenda: «Não é maravilhoso? O motor é tão potente que
voa sozinho, deixando o avião e a tripulação ilesos». Os nazis tentam descridibilizar a aviação americana. Edição nº 23/1942.

«A Espada do Samurai. Rasgará a Boca a Qualquer Um». A reação alemã ao ataque japonês a Pearl Harbor, a 7 de dezembro de 1941. A Alemanha e a Itália declararam guerra aos Estados Unidos a 11 de dezembro, e Roosevelt tornou-se imediatamente alvo de cartoons. Edição nº 2/1942.

«O que escondes atrás das costas, Franklin?», pergunta a América do Sul.
«As nossas alianças de casamento». Os nazis acusam os Estados Unidos de tentarem
subjugar a América do Sul. Edição nº 6/1942.

«Uma Criança Ambiciosa» Uma mãe para um padre: «Reverendo, não é um doce?
Quer ser um comissário soviético inglês quando crescer». Uma acusação de que os britânicos,
se tornariam em breve bolcheviques. Edição nº 7/1944.

«Torpedo ou Bomba? Nenhum dos dois — uma tempestade!»
Janeiro de 1943, a derrota das tropas alemãs em Estalinegrado.
As únicas boas notícias desse período eram dadas pela Kriegsmarine. Edição nº 5/1943.

«Abrigo Antibombas contra os Navios em Afundamento». A caricatura retrata as criaturas
do mar, que procuram abrigo dos navios aliados, afundados pelos submarinos alemães.
Na primavera de 1943 começaram bombardeamentos intensos anglo-americanos da Alemanha.
Fonte: Edição nº 18/1943.

«O Polvo» Os tentáculos do compló judeu controlam a Inglaterra, URSS,
Estados Unidos e China. Edição nº 27/1943.

«O Candelabro Americano». Outra dose de anti-semitismo. Edição nº 27, 1942.

Título da caricatura: «A transfusão de sangue». Edição nº 35, 1944.

«O Seu Caminho para 'Libertar' a Europa». A guerra está quase perdida e a
propaganda alemã traça retratos cada vez mais sombrios do inimigo. Edição nº 37, 1944.

Fonte: Lustige-Blatter 3º Reich

sábado, maio 16, 2026

General Kyrylo Budanov: pode este homem acabar com a guerra?

O jornal britânico The Times publicou recentemente uma longa entrevista com Kyrylo Budanov. O artigo tem um título um bocado sensacionalista: «Pode este homem acabar com a guerra? O pacificador que putin quer matar».

É realçado que general Budanov sobreviveu a mais de uma dezena de tentativas de assassinato (fazendo lembrar o braço decepado do terrorista de 2019 e o envenenamento da sua mulher).

Narrativa: Estamos a mostrar ao Ocidente um novo negociador. Este não é um diplomata de fato, disposto a fazer concessões por uma bela foto. Trata-se de um militar das forças especiais que participou pessoalmente nas operações militares na Crimeia (o The Times escreve sobre isso diretamente), um Herói da Ucrânia com fortes ligações à CIA.

A mensagem ao Kremlin: «Estamos prontos para falar, mas vocês estarão a negociar com o homem que vos matou» — o que faz todo o sentido depois do que o Kremlin fez na Ucrânia. 

Abordagem pragmática às negociações: Budanov afirma categoricamente que não confia em nenhum russo: «Não preciso de confiar em ninguém, preciso de alcançar resultados». 

Narrativa: as negociações estão em curso e são difíceis. Foi anunciado que uma mega-troca de prisioneiros, «1.000 por 1.000», estava planeada para 9 de maio (Dia da Vitória na rússia), mas está parada. Budanov está a utilizar as suas antigas redes de inteligência e canais paralelos para exercer pressão. Não há datas definidas, mas o processo está ativo — a 1ª troca dos 205 por 205 foi o primeiro sinal disso. As trocas de POW são sempre difíceis, porque ambos os lados querem entregar aqueles que foram empenhados pela cooperação e não querem entregar figuras importantes ao inimigo. As linhas vermelhas de Moscovo são económicas.

Não haverá ataque nuclear contra Kyiv. Os britânicos estão a questionar os rumores de um ataque planeado com o míssil Oreshnik ou uma arma nuclear tática no centro de Kyiv (tendo como pano de fundo as passadas evacuações de embaixadas).

Budanov tranquiliza os colegas e parceiros ocidentais: «Sim, a rússia pode atacar a qualquer momento... Mas não vejo qualquer indício de preparação para um ataque nuclear. Se houvesse, eu saberia». Mensagem: Estamos no controlo da situação; não cedam à chantagem nuclear de Putin. Isto é compreensível — na linha da frente, com formações de combate dispersas, um ataque nuclear eliminaria alguns batalhões, e para atingir os «centros de decisão» de um bunker a 90 metros de profundidade, seria necessário destruir a Presidência da República (um edifício imponente e bem protegido na rua Bankova) com vários engenhos nucleares. As puras ameaças representam maiores benefícios para a rússia.

Reviravolta Tecnológica e a Exportação da Guerra. Elon Musk bloqueou os Starlinks russos (desativando os seus terminais), o que ajudou a repelir as forças russas em algumas áreas. Além disso, as baixas russas são estimadas em entre 20.000 à 25.000 soldados por mês, trocados por sucessos tácticos limitados (estimativas da NATO). Por outro lado, Ucrânia está a tornar-se um exportador de tecnologia. Os ataques profundos contra as refinarias de petróleo russas estão a todo o vapor, e Budanov está a oferecer abertamente aos EUA e às monarquias do Golfo (olá, Irão) a experiência da Ucrânia na construção de um sistema de defesa aérea em camadas.

Narrativa: Ucrânia já não é um parente pobre do Ocidente. É um laboratório de guerra moderna, onde drones inteligentes autónomos (dos quais já temos protótipos) permitem resistir a um adversário rico em recursos e ideologicamente motivado. Ocidente, com o vosso dinheiro, os ucranianos podem vós ensinar a abater os Shaheed, ao realmente baixo custo, para que não desperdicem milhões de dólares em mísseis e voos dos F-35.

Caso Yermak. A imprensa ocidental parece estar a deliciar-se com a queda de Andriy Yermak (o ex-chefe da Presidência da República, que se demitiu janeiro e está agora prestes à ser judicialmente investigado sob acusação de branqueamento de capitais, o que está a prejudicar as taxas de aprovação de Volodymyr Zelensky).

Narrativa: Budanov se posiciona como o oposto completo do seu antecessor. Promete «nenhuma gestão personalizada, delegação total de autoridade e total de responsabilidade». Mensagem aos doadores ocidentais: o polvo da corrupção foi dissecado e chegou uma equipa de tecnocratas (juntamente com Fedorov, que substituiu Umerov como Ministro da Defesa), pronta para trabalhar com transparência. Logicamente, ninguém quer ver corrupção depois de milhares de milhões de libras e euros em ajuda.

A mobilização vai continuar. Aqui, Budanov vai direto ao assunto. Não pode haver as ilusões sobre as FAU dependerem apenas de voluntários. Budanov promete combater os excessos dos «alistamentos compulsivos», mas afirma: esta é uma guerra total de sobrevivência. Ou a mobilização continua, ou o país acabará. O que deve ser dito o mais claro possível — todas as ilusões sobre voluntários estrangeiros sentados em painéis de controlo estão a ser destruídas pelos vastos espaços e milhões de pessoas, as pessoas estão se ferrir e morrer, a atingir o limite máximo de idade, saem das FAU por ferimentos, a se esgotar fisicamente e mentalmente, precisam de substitutos e Ucrânia precisa de reservas; a mobilização obrigatória continuará.

Resumo: O artigo é um caso clássico em que um novo «homem forte» da Ucrânia é apresentado ao público Ocidental. Possui a imagem de um pragmático implacável, que negoceia com o Kremlin com uma mão e envia um enxame de drones para incendiar refinarias de petróleo russas, com a outra. Reconhece os graves problemas de mobilização, repudia a corrupção dos seus antecessores e reapresenta Ucrânia ao Ocidente não como uma vítima, mas como uma valiosa startup militar cuja tecnologia, em breve, Ocidente necessitará desesperadamente.

Ler o artigo AQUI (em inglês e apenas aos assinantes).

sábado, março 21, 2026

As lições de guerra da Ucrânia aos EUA que Washington poderia aprender melhor

Ao longo dos quatro anos de guerra, as defesas antiaéreas ucranianas abateram aproximadamente 140.000 alvos e tornaram-se uma das mais sofisticadas e eficazes do mundo. Ucrânia já enviou 200 conselheiros militares ao Médio Oriente/Oriente Médio para ajudar os aliados dos EUA a repelir ataques de drones e mísseis.

Mas, apesar destes resultados, Donald Trump rejeita publicamente a ajuda da Ucrânia. Entretanto, descobre-se que as forças americanas e aliadas estão a gastar milhões de dólares para intercetar drones baratos e a cometer erros que os ucranianos aprenderam a evitar no início da guerra. O que os EUA e os seus aliados já estão a aprender com a Ucrânia é descrito num artigo fascinante do The Times:

...A Força Aérea Ucraniana, que combina as capacidades ar-ar e terra-ar, provou a sua eficácia ao longo de quatro anos de guerra intensa. Abateu aproximadamente 140.000 alvos: mísseis, drones, bombas voadoras e aeronaves inimigas. Mais de 44.000 deles eram drones Shahed, que estão agora a atacar bases americanas no Médio Oriente.

No entanto, o presidente Donald Trump rejeitou a oferta de ajuda de Kyiv. «A última pessoa de quem precisamos de ajuda é Zelenskyy», disse em entrevista à NBC News.

Justin Bronk, investigador sénior de aviação e tecnologia no Royal United Services Institute (RUSI), classificou esta posição como míope: «Ignorar as capacidades profissionais da Ucrânia é míope e estrategicamente errado». A Ucrânia está, sem dúvida, entre os líderes mundiais na organização de comando e controlo e na coordenação dos sistemas de defesa aérea.

Ucrânia possui um dos sistemas de defesa aérea mais sofisticados do mundo. Conseguiu integrar os sistemas soviéticos e da NATO, criando uma arquitetura em camadas que inclui sistemas de guerra eletrónica, aviões de combate, helicópteros, sistemas de mísseis Patriot, drones intercetores e até metralhadoras simples de unidades móveis.

Apesar das declarações públicas de Trump, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) solicitou especialistas ucranianos. De acordo com um oficial superior da Força Aérea Ucraniana, já foram enviados para a região do Golfo Pérsico. Segundo Volodymyr Zelenskyy, aproximadamente 200 conselheiros militares ucranianos estão a trabalhar no Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, ajudando a construir defesas contra mísseis e drones.

Os militares ucranianos, no entanto, ficaram surpreendidos com a escala e o custo da utilização dos sistemas americanos. De acordo com o responsável, nos países do Golfo, até oito mísseis Patriot — cada um a custar mais de 3 milhões de dólares — foram disparados contra um único alvo, e até contra drones baratos.

Na Ucrânia, os militares explicam que um no máximo dois mísseis são geralmente suficientes para intercetar mísseis balísticos russos. No entanto, como refere Bronk, a eficácia das intercepções tem variado à medida que a rússia aprimorou as suas tácticas.

Os dados das tripulações ucranianas de Patriot foram partilhados com os aliados. No entanto, de acordo com um responsável ucraniano, os EUA e os seus parceiros aparentemente ignoraram os cálculos complexos que permitiram à Ucrânia melhorar a eficácia da intercepção: «Não compreendo o que têm feito ou o que têm observado durante estes quatro anos enquanto estávamos a combater».

A 1 de março, três caças F-15E norte-americanos foram abatidos pelas defesas aéreas do Kuwait enquanto perseguiam drones — um incidente que chocou os ucranianos. «Em qualquer guerra, há casos de 'fogo amigo', mas aqui estamos a falar de uma clara negligência», afirmou um oficial das Forças Armadas da Ucrânia.

Os analistas acreditam que a diferença nas abordagens se deve às tácticas: nas monarquias do Golfo, as tripulações dos Patriot abrigam-se, programando os sistemas para o modo automático, enquanto os ucranianos continuam a fazer a gestão de fogo de forma manual.

«É extremamente difícil confundir um avião com um drone». Não é nada claro para onde os operadores estavam a olhar. «Os sistemas não estão totalmente automatizados», observou o responsável. «O piloto não voa no vácuo — alguém o dirige, dá comandos e atribui tarefas».

De acordo com Zelensky, nos primeiros quatro dias da guerra com o Irão, os EUA e os seus aliados dispararam mais de 800 mísseis Patriot — aproximadamente mais 200 do que a Ucrânia usou em três anos da guerra. Desde o início da invasão em grande escala, Ucrânia recebeu cerca de mil destes mísseis. Em 2024, a Lockheed Martin produziu 620 mísseis, planeando aumentar a produção para 2.000 nos próximos sete anos.

«Disparavam frequentemente de forma imprudente», disse o responsável ucraniano. «Por exemplo, usaram mísseis SM-6 — excelentes sistemas antimíssil que custam cerca de 6 milhões de dólares — para abater um Shahed de 70 mil dólares».

Os drones iranianos baratos já causaram milhares de milhões de dólares em danos aos EUA e aos seus aliados no Médio Oriente. Um radar de alerta antecipado AN/FPS-132, avaliado em cerca de mil milhões de dólares, foi alegadamente danificado, assim como pelo menos um radar THAAD, avaliado em aproximadamente 300 milhões de dólares. Estes objetos eram facilmente visíveis em imagens de satélite disponíveis ao público.

«Estiveram parados no mesmo local durante dois meses. Depois chegaram os Shahed — três drones por 70 mil dólares cada. E foi isso», disse um responsável ucraniano. Nas guerras de alta intensidade, o custo importa — e proteger os sistemas mais dispendiosos torna-se uma prioridade fundamental.

Os militares ucranianos tornaram-se mestres na camuflagem e na manobra, especialmente no que diz respeito aos sistemas de defesa aérea. Estas competências foram desenvolvidas através de erros graves nos primeiros anos da guerra. Agora, Kyiv está pronta para partilhar essa experiência.

As equipas ucranianas do Patriot também repensaram a utilização destes sistemas, transformando-os de uma ferramenta puramente defensiva numa ofensiva. A 13 de maio de 2023, um oficial de controlo de combate de 35 anos com o indicativo de chamada «Matiory» abateu três aeronaves russas e dois helicópteros sobre a região de Bryansk. «Lançavam bombas planadoras sobre Chernihiv do outro lado da fronteira, e ninguém podia fazer nada. Abater as próprias bombas era irracional — são armas baratas, mais baratas do que um carro usado, e cada míssil custa milhões», disse. A solução racional era destruir os próprios veículos de lançamento — aeronaves caras.

A sua unidade deslocou uma bateria Patriot para mais perto da fronteira e montou uma emboscada numa zona considerada segura pelas aeronaves russas. Os ucranianos aprenderam a implantar e a desmontar o sistema muito mais rapidamente do que as instruções americanas estipulavam — abrindo fogo e recuando antes de serem detetados.

Há outras lições também. Contra os mais recentes mísseis balísticos russos, que alteram a trajetória para mascarar o alvo, as equipas ucranianas são obrigadas a desativar a orientação automática e a operar manualmente — muitas vezes intercetando nos segundos finais, quando o míssil está quase em posição.

Nenhum país se deve permitir ser complacente em matéria de defesa aérea, afirma o Coronel Kyrylo Peretyatko, comandante do grupo táctico de defesa aérea. Aos 33 anos, recebeu o título de Herói da Ucrânia — a mais alta condecoração do Estado — depois de a sua equipa do NASAMS ter abatido 12 mísseis de cruzeiro em dois minutos, protegendo uma instalação de importância estratégica.

«Ninguém cometeu o mínimo erro ou hesitou por um segundo que fosse — porque operar qualquer sistema de defesa aérea é um trabalho de equipa. Ouvi oficiais a gritar pela rádio: 'Comandante, o céu está a arder, estamos a deitar tudo abaixo! '», recorda Peretyatko.

Segundo ele, a experiência da Ucrânia em organizar a defesa contra um vasto leque de ameaças pode ser útil para outros países: «Operações e confrontos como os que estamos a viver atualmente na Ucrânia nunca foram vistos na história mundial. Esta é uma guerra completamente nova — e todos a estão a estudar».

sexta-feira, março 06, 2026

A invasão e ocupação anglo-soviética do Irão: operação «Countenance»

Blindado T-26 soviético nas ruas de Tabriz. Foto: Wikipédia

Em agosto de 1941, a URSS e a Grã-Bretanha ocuparam conjuntamente o Irão. Os objectivos declarados da Operação «Coutenance» era garantir o fornecimento do programa Lend-Lease à URSS e impedir que o Irão caísse sob a influência da Alemanha nazi. O próprio país não foi consultado. 

Exército soviético nas ruas do Irão, agosto-setembro de 1941. Foto: Wikipédia

Após o início da guerra nazi-soviêtica (a Operação Barbarossa, junho de 1941), a União Soviética necessitava urgentemente de fornecimentos de armas, equipamento e alimentos, providenciados pelos Aliados ocidentais. Os EUA começaram a fornecer mantimentos no âmbito do programa Lend-Lease. O «corredor persa» tornou-se a rota principal e mais fiável.

O mapa da invasão. Imagem: Wikipédia

A 25 de agosto de 1941, as tropas soviéticas invadiram o Irão pelo norte (pela Transcaucásia e pela Ásia Central) e as britânicas pelo sul (pelo Iraque e Golfo Pérsico). O exército iraniano ofereceu uma resistência limitada. Segundo os dados oficiais, na operação morreram entre 40 à 50 militares soviéticos, mais, cerca de 1.000 ficaram feridos e doentes; as forças britânicas tiveram 64 mortos e feridos, também morreram cerca de 800 iranianos. Em meados de setembro, a operação estava concluída. 

Blindado soviético T-26 e blindado ligeiro Ba-10 no Irão,
Setembro de 1941. Foto: Wikipédia

Reza Shah Pahlavi foi obrigado a abdicar ao trono. O seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, assumiu o poder. O país manteve formalmente a sua independência, mas, na prática, encontrava-se sob o controlo dos Aliados.

Em janeiro de 1942, foi assinado um tratado trilateral (URSS–Grã-Bretanha–Irão), que confirmou a integridade territorial do Irão e prometeu a retirada das tropas após a guerra.

Pelo Irão passaram cerca de 4 à 5 milhões de toneladas de carga: milhares de tanques, aviões, automóveis, alimentos e materiais estratégicos. O «corredor persa» tornou-se uma artéria vital para a frente soviética, especialmente em 1942–1943.

A guerra na Europa terminou em maio de 1945. A Grã-Bretanha começou a retirar as suas tropas. A URSS, naturalmente, não honrou o seu compromisso assumido.

No norte do Irão (Azerbaijão e Curdistão), foram criadas as duas «repúblicas populares», instigadas, financiadas e apoiadas pela União Soviética: a república democrática do Azerbaijão (Azerbaijão do Sul com a capital em Tabriz) e a República de Mahabad (territórios curdos).

O governo iraniano foi impedido de enviar as tropas à região, porque o exército vermelho estava estacionado naquela zona. As potências ocidentais interpretaram isto como uma tentativa da URSS de ganhar influência no Médio Oriente e obter o controlo do petróleo iraniano.

O Irão apelou à recém-criada ONU, e os EUA adoptaram uma postura firme. O Presidente Truman deixou claro que um avanço soviético adicional para sul poderia causar um conflito sério. Foi um dos primeiros casos em que a questão foi levada ao nível da ONU como uma crise internacional.

BD / quadrinhos «A Glória Recuperada» (publicado em 1974, ilustrado por Dino Attanasio)
 relata a versão oficial da história do Irão pós-II G.M. até ao início da década de 1970.
A página dedicada à invasão anglo-soviética do Irão.

Na primavera de 1946, a URSS finalmente aceitou retirar as suas tropas. O governo iraniano enviou o exército para as províncias do norte. As ditas «repúblicas populares» foram liquidadas. O líder do «Azerbaijão democrático» Ja´far Pishevari fugiu para a URSS e foi liquidado pelo NKVD, num «acidente de viação», já o líder de Mahabad, Qazi Muhammad e alguns dos seus familiares / apoiantes foram executados, acusadas de traição, pelas autoridades iranianas.

Bónus

Os usos e costumes da sociedade iraniana antes da instalação da ditadura teocrática de 1979...