Apesar do seu marxismo declarado, os camaradas dos serviços secretos dos países comunistas não viam as revoluções populares nos países da Europa Central como as
manifestações de massas à favor da mudanças democráticas, mas antes como elementos de operações das secretas ocidentais.
Assim, em 5 de abril de 1969, o 1º Departamento do Ministério do Interior da Polónia (Inteligência externa) produziu um informe secreto sobre às atividades dos grupos
ocidentais na Checoslováquia, já após o esmagamento da Primavera de Praga pelas forças militares do Pacto de Varsóvia.
As ruas de Praga em agosto de 1968
O documento defendia que os alegados «centros de sabotagem ocidentais» estavam a enviar «os grupos especiais de formação» (Sic!) para a Checoslováquia,
com a tarefa de familiarizar os estudantes checoslovacos com «os métodos de organização de manifestações e combates de rua».
Como exemplo da atuação destes grupos, os polacos citam a «exibição de um filme de 45 minutos no dia 2 de abril deste ano, às 18h00, na Faculdade
de Filosofia da Universidade Carolina em Praga, dedicado a manifestações estudantis em França, na República Federal da Alemanha e no Japão».
Curiosa a composição do grupo, que incluia o ativista franco-polaco Charles Urjewicz, atualmente um professor emérito da história russa
e do Cáucaso, na altura o militante da organização francesa «trotskista-sionista» [assim no documento] Juventude Comunista Revolucionária (JCR), Jean-Paul Sidi, membro da mesma organização e Sibylle Plogstedt, a ativista da União Socialista dos Estudantes Alemães (Sozialistischer
Deutscher Studentenbund — SDS) de Berlim Ocidental (alemã Sibylle Plogstedt, que mais tarde se tornou jornalista e publicitária, na década de 1960 era militante ativa do Grupo de Marxistas Internacionalistas,
liderado por um proeminente socialista e sindicalista Jakob Moneta).
O blindado soviético esmaga um autocarro civil nas ruas de Praga, agosto de 1968
O 1º Departamento alertava os governantes polacos, que Urjewicz visitou a Polónia por diversas vezes, em 1962, 1963, 1964, 1966 e 1967, colaborando com os Komandosi, um proeminente grupo dissidente de estudantes de esquerda na Polónia comunista durante o final da década de 1960 e início da década de 1970, com figuras-chave como Adam Michnik, Jan Lityński
e Seweryn Blumsztajn. O grupo foi perseguido e parcialmente desmantelado pelos serviços secretos polacos na sequência dos protestos estudantis pró-democracia em março-agosto de 1968. O documento polaco também alega, que o líder do grupo alemão SDS, Eric Nohara (1928-1990), era, alegadamente, um «agente dos serviços secretos britânico e americano».
É de notar, que o documento produzido estava sendo assinado pelo chefe do 1º Departamento do Ministério do Interior, coronel (na altura) Miroslaw Milewski, mais tarde general da polícia, pertencente à ala estalinista da elita governante polaca (a chamada «ala do betão»), que em 1984 foi formalmente acusado de ser um dos mandantes morais do assassinato do padre católico Jerzy Popiełuszko. Como resultado destas acusações, em 1985 Milewski foi destituído
de todos os cargos no partido governante e no Estado, e posteriormente reformado/aposentado. Em 1990, chegou à ser brevemente detido e morreu em 2008, aos 69 anos de idade.
Aos 10 de maio, o Memorial do Holocausto de Paris inaugurou
uma exposição fotográfica, que recorda, solenemente, o 85º aniversário da primeira detenção e deportação em massa de judeus em Paris.
Todas as 98 fotografias tiradas pelo fotógrafo de guerra alemão Harry Croner durante essa detenção, a 14 de maio de 1941 — a primeira grande prisão em massa de judeus em
França — estão a ser exibidas publicamente pela primeira vez. Os negativos desta sessão fotográfica foram descobertos acidentalmente em 2020 por dois colecionadores amadores de fotografia
numa feira de antiguidades na Normandia e posteriormente doados ao Memorial. Estas fotografias foram parcialmente expostas no Memorial em 2021 e estão agora em exposição completa até 31 de dezembro.
A detenção de judeus em Paris, a 14 de maio, foi apelidada de «Operação do Bilhete Verde» (Rafle du billet vert). A polícia francesa, agindo sob ordens das autoridades de ocupação
alemãs, enviou 6.694 intimações verdes a judeus estrangeiros (principalmente polacos, mas também checos, austríacos e alemães). Homens entre os 18 e os 40 anos foram convocados para
«verificação de documentos» nas câmaras municipais, escolas secundárias e quartéis. Muitos compareceram acompanhados pelas suas esposas ou familiares, acreditando tratar-se de
uma mera formalidade burocrática.
No total, cerca de 3.800 homens compareceram à «verificação» nesse dia. Os familiares (principalmente esposas) foram imediatamente enviados para casa para recolher
os seus pertences, enquanto os homens eram trancados no Ginásio Polidesportivo de Japy, no 11º bairro. Quando as esposas dos prisioneiros regressaram com os seus pertences, não lhes foi permitido
ver os seus maridos; apenas algumas conseguiram ter uma breve conversa. Ninguém sabia que aquele seria o seu último encontro. Os homens foram colocados em autocarros/ônibus e levados para a estação
de Austerlitz, e daí, de comboio, para os campos de Pithiviers e Beaune-la-Rolande, a 90 km a sul de Paris. Permaneceram ali durante quase um ano, após o qual foram deportados para Auschwitz, onde quase todos
foram exterminados em câmaras de gás.
A operação foi organizada em conjunto pelos alemães (particularmente Theodor Dannecker, da Gestapo, responsável pelos assuntos judaicos) e pelas autoridades francesas
(o chefe da polícia de Paris, almirante François Bart). Os franceses controlavam completamente a polícia; os alemães tentaram permanecer nas sombras.
Esta foi a primeira detenção em massa de judeus pela administração de Vichy em Paris. Seguiram-se outras, incluindo a trágica Vel d'Hiv (16 e 17 de julho
de 1942, com mais de 13.000 pessoas). As próprias autoridades francesas tomaram a iniciativa, detendo especificamente mulheres e crianças. De 22 de Julho até ao final de Setembro de 1942, partiram de França
mais de 10 transportes de pessoas presas na detenção da Vel d'Hiv. Quase todos foram enviados para Auschwitz. Dos 13.152 reclusos, menos de 800 sobreviveram. Quase todas as crianças foram assassinadas
de várias formas imediatamente após a chegada a Auschwitz.
O fotógrafo de guerra alemão Harry Croner (1902-1992), que tirou fotografias a 14 de maio de 1941, foi posteriormente dispensado do exército e enviado para um campo de
concentração depois de se ter descoberto que o seu pai era judeu.
A letra latina «V» no uniforme do Theodor Dannecker, escolhida, em 2022 pelas forças russas como símbolo da sua invasão da Ucrânia
No total, aproximadamente 76.000 judeus foram deportados de França para campos de extermínio nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Os transportes de Paris continuaram até
literalmente aos últimos dias antes da chegada das tropas aliadas. Dos judeus deportados de França, apenas 3 à 4% sobreviveram.
Quase nenhum dos altos funcionários do regime de Vichy que participaram no Holocausto foi punido pela sua participação após a guerra. O secretário-geral da
polícia de Vichy, René Bousquet, o organizador directo das maiores rusgas policiais, incluindo o Velódromo de Inverno (Vel d'Hiv), foi simbolicamente condenado em 1949 apenas por «traição
contra a França» e quase imediatamente amnistiado. Só no início da década de 1990 é que os franceses começaram a perseguir aqueles que participaram no Holocausto, mas Bousquet
não viveu para ver o seu julgamento — foi assassinado por um psicopata em 1993. Os funcionários de nível médio e os polícias envolvidos nas operações escaparam completamente
ao castigo.
Em 1978-1979, o filósofo francês, conotado com a esquerda intelectual, Michel Foucault, viajou por duas vezes como jornalista ao Irão, a convite do jornal italiano «Corriere della Sera».
Observou os acontecimentos iranianos em primeira mão: participou em manifestações, encontrou-se com figuras da oposição, visitou mesquitas e entrevistou pessoas
de todas as classes sociais, desde vendedores de mercado a intelectuais.
Viu algo de fundamentalmente novo na revolução iraniana: não uma revolta marxista de classes ou uma revolução liberal, mas aquilo a que chamou “espiritualidade
política” (spiritualité politique) — um movimento de massas motivado não por interesses económicos, mas por um impulso religioso e existencial.
Ficou fascinado com a própria ideia de que milhões de pessoas arriscavam a vida por algo que não se reduzia a bens materiais.
Descreveu Khomeini com evidente simpatia — como uma “voz” que exprimia a vontade coletiva do povo.
Quando as execuções em massa que começaram após a vitória dos ayatollah – principalmente de gays, mulheres que se recusavam a usar o hijab, activistas
de esquerda – feministas iranianas, jornalistas (como Marie-Jo Bonnet) e activistas (como Kate Millett) escreveram uma carta aberta a Foucault com duras críticas. Repreenderam-no por romantizar o que de facto
levou à morte de determinadas pessoas.
Foucault respondeu – e a sua resposta foi bastante mal sucedida: tentou defender a sua posição distinguindo o «espírito da revolução» do
que aconteceu depois. Os críticos consideraram-no desonestidade intelectual.
Entretanto, 48 anos após a sua visita, no Irão continua a operação de desmilitarização gradual do regime dos ayatollah.
O vídeo mostra a destruição de um lançador iraniano de mísseis balísticos, do lançador móvel de drones kamikaze Shahed-136, montado numa
carrinha de caixa aberta, de um canhão anti-aéreo ZU-23-2 em posição de tiro e de um caça de fabricação chinesa Chengdu J-7.
Digitando a palavra “Ukraine” na Libraria Epstein, divulgada pela Justiça americana, podemos achar os dados de algumas ucranianas — embora não em grande número. Também podemos perceber o interesse do clã Rothschild e do próprio Epstein pela Ucrânia.
A faixa etária das mulheres ucranianas presentes nos ficheiros Epstein está entre 20 à 25 anos. Não há, entre elas nenhuma menor de idade — todas são
adultas, escreve o deputado ucraniano Maryan Zablotskiy.
Além de histórias pessoais, Epstein também se interessou e discutiu um pouco sobre a política ucraniana. Ele pensou em investir na Ucrânia, mas parece que
nada foi impementado no terreno. Ao mesmo tempo, ele comprou um apartamento em Lviv para a sua namorada ucraniana.
Pelo tom e teor de comunicação, assim através de certas dicas — pode se chegar ao conclusão do que ele estava envolvido em algum tipo recrutamento político
e, provavelmente, estava documentar os eventos por si organizados. Embora isso é apenas uma interpretação possível.
Em geral, cria-se a impressão do que Epstein trabalhava, principalmente, nos interesses da rússia. Talvez por isso, agora o escândalo em torno dos seus arquivos está
sendo usado para pressionar políticos americanos a obter concessões em relação à Ucrânia. Isso é indicado, em particular, pelo fato de que os dois maiores propagandistas americanos
abertamente pró-rússia — Tucker Carlson e Alex Jones — estão simultaneamente explorando ativamente esse tópico.
O tema da Ucrânia aparece, por exemplo, na troca de e-mails entre Epstein e A[riane] de Rothschild (a banqueira francesa Ariane de Rothschild aparece em 27 documentos, principalmente como um contato de Jeffrey Epstein mencionado nos e-mails entre
Epstein e Ghislaine Maxwell. Ela é citada em discussões comerciais sobre fundos de investimento em infraestrutura e compromissos sociais).
No e-mail datado de 18 de março de 2014, Ariane diz que gostaria de se encontrar com Epstein na noite de 19 de março e falar sobre Ucrânia.
Epstein responde: «A turbulência na Ucrânia deve proporcionar muitas oportunidades!»
Naturalmente, aqui podemos estar perante várias tipos de «oportunidades», embora tendo em conta que o e-mails foram trocados em março de 2014 (já após
o início da ocupação russa da Crimeia, mas antes do início da guerra híbrida russa no leste da Ucrânia), o mais realista será de supor que eram meros oportunidades comerciais e/ou de investimento.
Embora mais uma vez, isso é apenas uma interpretação possível.
Ao mesmo tempo, aparentemente, ao presidente Donald Trump realmente não há nada a apontar. Se houvesse algo mesmo sério nos ficheiros apresentados, estes: a) não
seriam publicados; b) os pontos já seriam vistos e divulgados por alguém interessado.
Porque dissemos que Epstein trabalhou para rússia? Basta ver o seu visto russo, com a duração de três anos e com a permanência autorizada de 6 meses consecutivos, dobro do máximo permitido por lei russa.
Este tipo de estadia necessita de uma permissão especial do Ministério do Interior, obtido através de uma carta-convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações
Exteriores da rússia (ou então dos serviços secretos, como GRU, FSB ou SVR).
Maria Bucher (apelido de solteira Drokova) na abaixo no centro da sauna. Ela se juntou ao movimento juvenil putlerista «Nashi» (Nossos) aos 15 anos e foi a sua porta-voz. Em 2009 se tornou famosa
por beijar putin publicamente (ver o filme documental putin´s kiss / O beijo do putin):
Mais tarde, Drokova se mudou para os Estados Unidos, onde criou um fundo de investimento em TI e trabalhou como assessora de imprensa para a rede de relações públicas de
Jeffrey Epstein, nos ficheiros do Epstein Masha foi mencionada mais de 1.600 vezes (Sic!)
Segunda foto é da Wikipédia russa, Bucher-Drokova à esquerda, de casaco branco
No passado recente, os democratas não usaram o tema dos ficheiros Epstein na luta política interna, muito possivelmente porquê vários membros e simpatizantes influentes, ligados ao partido são mencionados nos documentos: Bill Clinton, Bill Gates, Noam Chomsky, etc. No entanto, nos mesmos ficheiros também são mencionados notáveis membros e influenciadores republicanos, casos do Peter Thiel, Steve Bannon ou Elon Musk.
Blogueiro: alguns dos ensinamentos, que os ficheiros Epstein nós podem elucitar são os seguintes: sim, realmente existem as elites mundiais poderosas e absolutamente inéticas, que
adoram cometer os crimes mais hediondas, apenas pelo desporto ou hedonismo, priciplamente quando se sentem completamente impunes. Estas elites não tem alinhamento partidãrio, os seus membros tanto podem ser de esquerda ou da direita. No entanto, é o
capitalismo liberal que garante, com todas as imperfeições, a existência de impensa livre, que pode expor todos os podres da nossa sociedade. Nas ditaduras de esquerda ou da teocracia religiosa, o mesmo
já não acontece. Os ditadores, de Mau ao Ceaușescu e de Gaddafi aos Castro, matavam, estupravam e exterminavam os povos sob o seu domínio, sem que alguém impedisse os seus crimes. Realmente, tinha razão
Winston Churchill, quando afirmou em 1947: «De fato, já se disse que a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras que foram experimentadas ao longo do tempo...»
O fracasso dos serviços secretos russos – o comandante do RDK, Denis «WhiteRex» Kapustin, está vivo, e o meio milhão de dólares recebido por sua eliminação
fortalecerá as forças especiais da GUR. “Bem-vindo de volta!” – general Kyrylo Budanov felicitou/parabenizou o comandante do RDK e a equipa/e da GUR, que enganou os serviços
secretos russos.
O assassinato de Denis Kapustin, comandante do Corpo Voluntário Russo, a unidade composta pelos voluntários russos, que lutam contra Moscovo/ou como parte da “Unidade Especial
Timur” do GUR do Ministério da Defesa da Ucrânia, foi ordenado pelos serviços secretos russos, e meio milhão de dólares foi destinado à execução do crime.
Como resultado da complexa operação especial da GUR, que durou mais de um mês, a vida do comandante do Denis Kapustin, considerado inimigo pessoal do ditador russo vladimir
putin, foi salva, e um círculo de pessoas – os que ordenaram o crime nos serviços secretos russos e os executores – também foi identificado.
Vídeo genial que enganou os russos e que valeu meio milhão de dólares: detalhes da operação especial do GUR para salvar a vida do comandante do RDK, Denis Kapustin.
Para salvar a vida do comandante do RDK e expor a rede de agentes russos, a GUR conduziu uma complexa operação especial em várias etapas, durante a qual sua morte foi simulada.
Para corroborar a história, foi criada uma gravação em vídeo da atuação de dois drones de ataque: o primeiro drone «atinge» a van em que Kapustin estava, o segundo filmou
as “consequências do impacto” – uma viatura em chamas.
A informação foi divulgada pelo comandante da Unidade Especial “Timur” durante a reunião com o chefe do GUR, Tenente-General Kyrylo Budanov.
“Nossa equipa/e também recebeu a quantia correspondente de fundos alocados pelos serviços secretos russos para a execução deste crime. Neste momento, o comandante
da RDK está em território ucraniano e se prepara para continuar cumprindo as tarefas que lhe foram atribuídas”, informou Timur.
Kyrylo Budanov parabenizou o comandante da RDK, Denis Kapustin, que também participou na/da reunião por videoconferência.
“Antes de mais nada, Denis, parabéns pelo seu retorno à vida. É sempre um prazer. Fico feliz que os fundos recebidos para ordenar sua liquidação tenham
sido usados para ajudar nossa luta. Desejo sucesso a todos nós e a você pessoalmente”, disse o chefe do GUR da Ucrânia.
O comandante do RDK, informou estar pronto para continuar desempenhando funções de combate e missões especiais à frente da unidade.
“Minha ausência temporária não afetou a qualidade e o sucesso da execução das missões de combate. Estou pronto para avançar para a área
de atuação e continuar comandando a unidade RDK”, disse o comandante do RDK.
Kyrylo Budanov, chefe do Ministério da Defesa da Ucrânia, agradeceu a Timur e à equipa/e de inteligência militar pela execução bem-sucedida e excelente
da operação especial.
É de recordar que em 2018, SBU tinha efetuado uma operação para proteger a vida do jornalista russo Arkady Babchenko, um dos inimigos jurados do regime neofascista
russo. Assim como uma outra operação semelhante foi conduzida em 1982, na França, para proteger a vida do dramaturgo, escritor e dissidente romeno Virgil Tănase e para expor os modus operandi da secreta
comunista romena Securitate, na Europa.
O famoso comuno-fascista russo, escritor, panfletário, putlerista assumido e ideólogo neo-estalinista Alexander Prokhanov, na sua visão sobre a guerra próxima entre
Europa e a rússia...
«Odeio a rússia»
«A Europa está se preparando para a guerra com a rússia. O início da ação militar está previsto para o ano 2030... A rússia tem a amarga
e terrível experiência da guerra com a Europa, a experiência de suas vitórias e suas ilusões, a experiência de suas percepções e equívocos.
«Donbas é Ucrânia»
Gorbachev entregou aos inimigos um produto maravilhoso chamado Alemanha Oriental. Ele destruiu o cordão de segurança chamado Pacto de Varsóvia, permitindo que as guarnições
da NATO/OTAN chegassem aos arredores de Leningrado, Pskov, Smolensk e Bryansk. Dessas linhas, em 2030, a Europa começará seu ataque à rússia. Dessas linhas defensivas, sofrendo ferimentos mortais,
derramando sangue justo, a rússia mais uma vez repelirá essas guarnições ocidentais — para lá, para as capitais da Europa fumegando nas cinzas nucleares, onde a Torre Eiffel jaz como
um lingote de ferro disforme, as pedras derretidas do Coliseu — essas «pedras sagradas da Europa». Almejando o céu, a Catedral de Colônia foi transformada em um poço monstruoso, estendendo-se
em direção ao centro da terra, e a Abadia de Westminster, se assemelhará ao quarto bloco explodido em Chornobyl».
Pena que ainda há, os verdadeiramente ingénuos, os que ainda acham, sem que para isso sejam pagos pelo Kremlin, que a «rússia só quer a paz» e que o regime
neofascista russo «não pretende invadir a Europa».
Alexander Prokhanov
Fotos: a cidade ucraniana de Dobropillia, na região Donetsk após receber «ajuda da rússia», fotógrafada pelo militar das FAU Artem Skhidniy.
Ali, na coluna esquerda, está o artigo lendário, cujo título se tornou o slogan: “Por que morrer por Danzig?” Danzig era então chamada de atual cidade
de Gdańsk, Danzig – ou Gdańsk – Hitler exigiu e prometeu que, assim que a cidade livre se tornasse a Danzig alemã, nunca mais haveria outra guerra e todos viveriam em paz.
por: Yuriy Hudymenko, o título é de responsabilidade do nosso blogue
É verdade que, antes disso, Hitler também havia falado sobre a Renânia, a Áustria, os Sudetos e, depois, a Checoslováquia, então nem todos acreditaram
nele. Mas muitos simplesmente queriam acreditar. Não que acreditassem em Hitler – acreditariam que tudo que os acalmaria de alguma forma, que não haveria guerra, que tudo voltaria ao normal e nada de terrível
aconteceria.
Mas aconteceu.
O artigo do neossocialista, anfifascista e pacifista francês Marcel Déat foi publicado em 4 de maio de 1939 no jornal parisiense L'Œuvre. Faltavam menos de quatro meses
para o início da Segunda Guerra Mundial. Os franceses tiveram que morrer não por Danzig, mas pela França.
O autor do artigo, Marcel Déat, de neossocialista, rapidamente se tornou um verdadeiro nazi(sta), juntando-se ao governo colaboracionista da França ocupada pelos alemães.
Depois, fugiu, escondeu-se pelo resto da vida na Itália e foi enterrado em um túmulo sem nome na lápide. A sua frase continua famosa no Ocidente.
No seu livro «Uma Dinastia Dividida», o historiador suíço Fabian Baumann oferece uma perspectiva inesperada sobre o nacionalismo: não como uma inevitabilidade
histórica, mas como uma escolha política consciente dos mulheres e homens.
O autor estuda as reivindicações culturais e históricas da Ucrânia, na vida dinâmica de uma periferia imperial e no seu papel de suportar – ou, então,
se libertar – desse mesmo império, a vida política e cultural como um projecto familiar e, de forma mais ampla, o nacionalismo como uma escolha política contingente.
Utilizando uma abordagem micro-histórica, examina o destino da família Shulgin de Kyiv, que em menos de meio século se dividiu em dois ramos nacionais opostos: russo e
ucraniano. Esta divisão foi causada não só pelas circunstâncias políticas, mas também pela vida familiar, na qual as mulheres desempenharam um papel decisivo, moldando a visão
do mundo das gerações seguintes, bem como a educação e os laços sociais. A revolução russa de 1917 separou finalmente os Shulgin: assim Volodymyr Shulgin morreu na batalha de Kruty, defendendo
a República Popular da Ucrânia, e um primo seu lutou contra Ucrânia.
Uma narrativa cativante e magistralmente construída, baseada em fontes de arquivo — diários, memórias e correspondência de descendentes de ambos os ramos —
revela diferentes dimensões da construção da nação no século XIX e início do século XX. A história dramática dos Shulgins tornou-se o reflexo de um processo
mais vasto: a gradual, mas inevitável, divergência entre a Ucrânia e a rússia, que culminou na guerra atual.
«Em julho de 1879, Yakiv Shulgin foi preso em Odessa (sul da Ucrânia atual) e deportado, por ordem administrativa, em Yeniseysk, na Sibéria Central. Os motivos da prisão
não eram claros: um documento da polícia russa de novembro de 1879 afirma que Shulgin «contactava regularmente o círculo de Kovalsky, participava em reuniões com Witten e Afanasyeva, pertencia
ao partido revolucionário, comunicava com membros do Partido dos Insatisfeitos de Odessa e correspondia-se com revolucionários de Kiev». A polícia russa mencionou ainda a sua detenção
em Paris e, estranhamente, acusou Yakiv e um seu amigo de viajarem para a localidade ucraniana de Zhmerynka e chamarem a atenção das autoridades com «as peculiaridades do traje, usando chapéus com
abas escandalosamente largas».
Muito possivelmente, se tratava de um chapéu «calabresa», como o do pintor ucraniano Pylyp Chirko, no retrato do seu amigo e também pintor, ucraniano Nikolay Yaroshenko. O chapéu
«calabresa» era comum entre os estudantes democratas (desde os narodnik aos niilistas) do império russo – os «radicais», como se dizia na época. O dito chapeu teve a influência da imagem de um garibaldiano
com um chapéu de abas largas.
Um outro ilustre representante da parte ucraniana da família Shulhyn. Olexander Shulhyn, Ministro fundador do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, embaixador da Ucrânia na Bulgária
(1918); membro do Governo da Ucrânia no exílio, morreu em Paris em 1960.
Em 1965 a União Soviética começou a construção do primeiro protótipo do Tu-144, apostando absolutamente tudo, para se tornar o primeiro país
do mundo à explorar os aviões supersónicos na aviação civil comercial.
A 11 de dezembro de 1967, o Concorde anglo-francês foi apresentado ao público pela primeira vez, o que obrigou o Comité Central do PC soviético (PCUS) aprovar a ordem
de colocação do Tu-144 no ar até ao final de 1968. Custe o que custar...
No verão de 1977, o líder soviético Leonid Brejnev visitou a França. Viu o avião supersónico de passageiros Concorde, que já realizava voos
regulares há um ano. Brejnev ficou furioso. A URSS tinha o seu próprio projeto semelhante: o Tu-144. O seu primeiro voo operacional foi a 26 de dezembro de 1975, na rota Moscovo-Alma-Ata, mas transportando apenas
o correio.
Ao regressar a casa, Brejnev exigiu que o atraso inaceitável em relação ao «Ocidente decadente» fosse imediatamente suprido. Como resultado, a 1 de novembro
de 1977, os voos regulares do Tu-144 começaram na URSS, oficialmente, para assinalar o 60º aniversário do golpe bolchevique de outubro de 1917. Os voos foram realizados numa única rota, Moscovo -
Alma-Ata (distância de 3.260 km). Apenas duas aeronaves estiveram envolvidas. Os comandantes das aeronaves em todos os voos eram exclusivamente pilotos de testes do Bureaus de Construção «Tupolev». Os pilotos regulares da companhia soviética «Aeroflot» eram apenas admitidos como 2ºs pilotos, pilotos suplentes. Não havia reserva de combustível no aparelho: se o aeroporto principal de Alma-Ata não aceitasse voo e o único aeroporto de reserva em Tashkent estivesse encerrado devido às
condições meteorológicas, não haveria local para aterrar o avião. Os voos, à uma altitude de 16.000 a 17.000 m e à uma velocidade de cerca
de 2.000 km/h, eram realizados apenas uma vez por semana, com um máximo de 80 passageiros a bordo. Um bilhete deste voo custava 83 rublos e 70 copeques (141.86 dólares ao câmbio oficial da época).
O programa de voos regulares do Tu-144 durou na URSS apenas 7 meses. Em 1 de junho de 1978, foi definitivamente interrompido. As receitas com a venda de bilhetes de «Concordski»
não cobriram nem sequer uma pequena parte dos custos operacionais causados pelo elevado consumo de combustível e pela manutenção extremamente complexa destas aeronaves. O Concorde voou durante mais
25 anos depois disso. Só a British Airways realizou cerca de 50.000 voos, transportando 2,5 milhões de pessoas. «Concordski» realizou 55 (Sic!) voos de passageiros (102 no total), transportando 3.284
passageiros (em média, menos de 60 passageiros por voo). Na URSS, com 270 milhões de habitantes, as 3.284 pessoas conseguiram viajar como passageiros de Tu-144. Os restantes 270 milhões de soviéticos tiveram mais um belo conto de fadas, de como
a tecnologia soviética, era muito totalmente superior ao da sua congénere ocidental...
Jovens namorados Danylo Nikitsky e Alina Kusenko, mortos em Kryviy Rih por um míssil russo
Nas décadas de 1960-70, os intelectuais europeus procuravam, desesperados, o «socialismo com a face humana». Hoje, os mesmos intelectuais procuram o «bom russo»,
imperialista com a face humana. Vladimir Kara-Murza é um bom exemplo disso.
O liberal moscovita, dissidente do atual regime neofascista russo, Vladimir Kara-Murza sofreu, no passado, dois envenenamentos, em 2015 e 2017, possivelemte orquestrados pelo FSB e em 2023
foi condenado aos 25 anos por acusações de traição, segundo a «lei das fake news» e a colaboração com uma «organização indesejável». Em
2024 libertado, na troca dos prisioneiros, entre EUA e a rússia, em que vários opositores liberais russos foram trocados pelos espiões e até assassinos profissionais ao serviço do Kremlin,
detidos nos EUA e em alguns países europeus, como Alemanhã e Polónia.
Muito recentemente, Vladimir Kara-Murza, falava no Senado francês, na Comissão dos Assuntos Europeus, onde senador Claude Malhuret colocou-lhe a seguinte questão: hoje,
a maioria das tropas russas, para além dos criminosos condenados que foram retirados das prisões, são recrutadas entre os representantes das minorias étnicas. Consequentemente, a maioria dos militares
russos mortos que regressam em caixões de zinco são enviados de volta para a Daguestão, Inguchétia, Chechénia, e assim por diante.
Qual é a situação nestas repúblicas hoje? Existe a perspectiva de uma revolta, precisamente porque o exército russo está ocupado na Ucrânia?
Existe a possibilidade de uma revolta semelhante à revolta chechena da década de 1990? De uma forma mais geral, como define a posição destas minorias, destas repúblicas? Podemos falar de
uma situação colonial ou é algo mais complexo a que nós, aqui em França, talvez não estejamos habituados? Temos a nossa própria história colonial, mas é algo diferente
com o qual não estamos familiarizados.
Kara-Murza:
«Quanto à sua questão sobre as minorias étnicas, é absolutamente verdade que muitos militares russos na Ucrânia são oriundos destas repúblicas:
do Cáucaso, do Oeste (da Ásia Central?), da Sibéria e assim por diante. As razões são mais económicas. Como dissemos, Senhora Vice-Presidente, estas são regiões muito
pobres — muito mais pobres do que Moscovo e São Petersburgo, mas também mais pobres do que as regiões da rússia central.
O Ministério da Defesa russo está a oferecer muito dinheiro para as pessoas irem para esta guerra. E estas pessoas que não têm dinheiro, nem perspectivas, que não
têm nada nestas regiões remotas e pobres, muitas delas concordam com este dinheiro e vão para a guerra.
Além disso, como disse ontem em Estrasburgo, na sessão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, conversei com um colega que trabalha arduamente com prisioneiros de guerra
de ambos os lados.
Ela falou bastante com prisioneiros de guerra ucranianos que foram libertados da rússia e com prisioneiros de guerra russos que ainda estão na Ucrânia. E ela disse-me que
há outra razão pela qual o Ministério da Defesa russo atrai tantos representantes de minorias étnicas:porque, como se vê, é psicologicamente muito difícil para os russos matarem
os ucranianos. Porque somos o mesmo /povo/. São povos muito próximos, como todos sabem. Temos quase a mesma língua, a mesma religião, séculos de história comum. /Momento 6.41-7.00/
Mas se for alguém de outra cultura, supostamente é mais fácil. Foi o que este colega me disse ontem. Eu não tinha pensado nisso antes. Pareceu-me que as razões
eram sobretudo económicas. Mas depois das palavras dela, comecei a pensar também sobre o assunto.
E, como disseste, também há muito mais vítimas de guerra entre estes povos. Os caixões estão a regressar. Vemos que nestes caixões está escrito:
sim, como disseste – Daguestão, Chechénia. Mas a Chechénia é uma história diferente. O regime de Kadyrov na Chechénia, na minha opinião, é a pior parte do regime
de Putin. Nem consigo encontrar palavras para descrever o que se está a passar na Chechénia.
Mas mesmo noutras regiões do Cáucaso — na Inguchétia e no Daguestão, bem como no Extremo Oriente russo, em regiões como a Buriácia, por exemplo,
e a Iacútia — muitos militares vêm de facto de lá.
E, claro, sabemos que cada vez mais soldados estrangeiros estão a aparecer agora. Coreia do Norte, mas provavelmente viu as notícias de ontem sobre a detenção de
soldados chineses por ucranianos. Os soldados chineses que estavam com o exército russo na Ucrânia estão contra a Ucrânia.
E, de facto, isto também é indicativo: o facto de Putin ter agora de procurar soldados fora do país. Verificamos que o Ministério da Defesa russo é forçado
a aumentar constantemente os montantes dos pagamentos às pessoas que participam na guerra. Diz-me que não há pessoas suficientes dispostas a fazê-lo.”
Mais uma vez, os liberais russos transmitem, no Ocidente, a ideia de que os bons meninos russos não querem combater, nem querem matar. Que a culpa é sempre daqeles prEtos, de
olhos puxados e almas gananciosas, aqueles pretos maus, malignos e sanguinários, que tanto a rússia gosta de usar ao proveito próprio, mas assim que estes mesmos nativos começam à falar de
sua autodeterminação, manda lá os seus os bons meninos russos para retalhar, fuzilar, aprisionar, torturar e subjugar…
A literal coincidência com a retórica de putin sobre “o mesmo povo” não incomoda o combatente imperial contra o putinismo pelo mesmo império russo. Por
essa lógica, o seu próprio apelido tártaro, torna Kara-Murza psicologicamente mais adequado para matar os ucranianos?