sexta-feira, novembro 06, 2026

A luta bolchevique contra a liberdade de imprensa na URSS

A 4 de novembro de 1917, aproximadamente dez dias após os bolcheviques terem tomado o poder, quatro comissários do povo do primeiro governo soviético demitiram-se simultaneamente. Os comissários alertavam sobre os perigos do «terror político». 

Defenderam a criação de um «governo socialista homogéneo» com a participação de todos os partidos representados nos Sovietes (conselhos populares) e criticaram duramente as restrições à liberdade de imprensa. 

Um dos gatilhos para o conflito foi o Decreto sobre a Imprensa, adoptado pelo Conselho de Comissários do Povo aos 27 de Outubro. O documento estipulava que apenas as publicações que incitassem à resistência aberta, à desobediência ao novo governo ou a crimes seriam encerradas. Enfatizava o carácter temporário da medida: assim que a «nova ordem se consolidasse», as restrições administrativas seriam levantadas e a imprensa gozaria de completa liberdade — mas com responsabilidade legal. Na prática, vários jornais da oposição («Rech», «Den», «Russkoye Slovo» e outros) foram encerrados em Petrogrado quase imediatamente.

Aos 4 de Novembro, a questão foi debatida numa reunião do Comité Executivo Central de Toda a Rússia (VTsIK), o órgão máximo do poder soviético entre os congressos. Os Socialistas Revolucionários de esquerda (SR) e alguns bolcheviques opuseram-se ao decreto. O bolchevique Yuri Larin apresentou uma resolução revogando o documento; os Socialistas Revolucionários de Esquerda apoiaram-na. No entanto, o VTsIK acabou por adotar a resolução da fação bolchevique por maioria de votos. O documento aprovado justificava o encerramento dos jornais como necessário para privar os capitalistas — proprietários de gráficas e de papel — da capacidade de moldar unilateralmente a opinião pública. 

Nesse mesmo dia, o Comissário do Povo para o Comércio e a Indústria, Viktor Nogin; o Comissário do Povo para o Interior (o futuro primeiro-ministro da rússia soviética e da União Soviética de 1924 a 1929 e de 1924 a 1930, respectivamente), Alexei Rykov; o Comissário do Povo para a Agricultura, Vladimir Milyutin e o Comissário do Povo para a Alimentação, Ivan Teodorovich, anunciaram as suas demissões ao governo. Na sua declaração, escreveram que consideravam necessário formar um governo composto por todos os partidos soviéticos. Os comissários alertaram que, se tal não acontecesse, persistiria o rumo para um «governo puramente bolchevique», que, na sua opinião, só poderia ser mantido «através do terror político».

Mais tarde, alguns deles reconheceram os seus «erros» e regressaram ao serviço público. Mas não foram perdoados. Ivan Teodorovich e Vladimir Milyutin foram executados em 1937, Alexei Rykov em 1938. Viktor Nogin morreu de causas naturais em 1924; em 1930, à cidade de russa de Bogorodsk foi atribuido o novo nome, Noginsk (o mesmo nome ainda ostentava uma praça e uma estação de metro de Moscovo/ou).

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