A 2ª república polaca (1918-1939), era um país bastante agressivo, sobretudo para dentro, às suas minorias nacionais, mas também para fora, principalmente à partir da segunda metade
da década de 1930, quando a sociedade polaca sonhava em se transformar na detentora de colónias africanas.
«Não estamos aqui desde ontem. Seguiremos bem longe para Oeste»
«Não deixaremos de nós separar do Báltico!» 25.VI-2.VII. Dias do Mar. Liga Marítima e Colonial. Autor: Antoni Wajwód
É de recordar que em resultdo da guerra polaco-soviética de 1919-21, a Polónia passou a ocupar toda a Ucrânia Ocidental, mais a região de Volyn, a Belarus Ocidental
e uma parte considerável da Lituânia, incluíndo a sua capital atual e histórica, cidade de Vilnius.
Mês da Pomerânia. União da Defesa das Fronteiras Ocidentais. 16.XI-16.XII. 1930 «Defenderemos a Pomerânia contra a invasão teutónica».
«Polónia seguindo o caminho do Józef Piłsudski». 1914.6.VIII.1939
«Empréstimo de defesa antiaérea»
Em 1930, na Polónia foi formada a nova «Liga Marítima e Colonial», a organização polaca, criada na base na Liga Naval e Fluvial. Não se tratava simplesmente
de uma mudança de nome, mas de uma mudança de rumo e atitude — o programa da organização incluía pontos sobre a necessidade de lutar pela aquisição de colónias por parte
da Polónia. A organização era liderada pelo General Mariusz Zaruski.
A implementação prática do programa da organização consistiu na aquisição de territórios ultramarinos para uso dos colonos polacos (por
exemplo, no Brasil, Peru, Libéria). Em 1934, a organização comprou terras na província brasileira do Paraná e aí fundou um colonato/uma colónia chamada Morska Wola.
Em outubro de 1938, na sequência do Acordo de Munique, Polónia apoiou Alemanha nazi nas suas reivindicações territoriais para com a Checoslováquia, anexando e ocupando os territórios checos e eslovacos, nomeadamente a região de Cieszyn Silesia e a cidade de Český Těšín, os territórios de Orava e Spiš. Faltava menos de um ano
até a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop.
A invasão da Checoslováquia foi celebrada, com um aperto das mãos, dado em público, entre o marechal polaco Edward Rydz-Śmigły e o adido militar alemão,
coronel Bogislav von Studnitz (1888-1943) durante a parada do «Dia de Independência» em Varsóvia aos 11 de novembro de 1938. A própria parada polaca era especialmente ligada à captura
dos territórios checos e eslovacos.
No entanto, apenas um ano depois, no final de setembro de 1939, Hitler agradeceu publicamente à liderança da República Eslovaca pela ajuda dada ao Wehrmacht na campanha
da invasão da Polónia. Em 21 de setembro, os antigos territórios poloneses de Spis e Orava, com uma área de mais de 700 km², foram transferidos para a soberania da Eslováquia.
O Patriarca russo Kirill (Gundiaev) demitiu abruptamente e colocou em julgamento eclesiástico o seu representante máximo na Europa Ocidental, incluido em Portugal e na
Espanha, o Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko), escreve Novaya Evropa.
Na noite de sábado, 8 de novembro, um breve comunicadoapareceu no site oficial da IOR: “Por ordem de Sua Santidade Kirill [..] o Metropolita Nestor de Korsun e da Europa Ocidental foi destituído de seu cargo como chefe do Exarcado Patriarcal da
Europa Ocidental, bem como das dioceses e paróquias de Korsun, da Diocese Hispano-Portuguesa e das paróquias do Patriarcado de Moscovo/ou na Itália, em decorrência dos processos judiciais eclesiásticos
instaurados contra ele. A administração temporária das referidas estruturas canônicas foi confiada ao Metropolita Mark de Ryazan e de Mikhailov.”
Acredita-se que o referido Mark possui o passaporte de um dos paises da União Europeia. Há um ano atrás, na auge do escândalo de cariz homosexual,
envolvendo a demissão do Metropolita de Budapeste e da Hungria — Hilarion (Alfeyev), Mark foi encarregado da administração das paróquias da IOR na Hungria.
O Estatuto da IOR não concede ao patriarca russo o direito de destituir unilateralmente exarcas e administradores diocesanos. Tais decisões são
geralmente tomadas por um órgão colegiado — o Santo Sínodo. No entanto, a própria existência deste tribunal e a legitimidade de sua composição são temas de debate
entre especialistas em direito canônico.
Por um lado, poucos se surpreendem com o facto de o patriarca Kirill governar a IOR de uma forma absolutamente arbitrária, desconsiderando os cânones
e as leis. Por outro lado, isso desvaloriza suas decisões — pelo menos aos olhos das estruturas e crentes ortodoxos ao nível internacional, fora da IOR. Por exemplo, o Patriarcado de Constantinopla não
tem problemas em aceitar clérigos “expulsos” pela IOR por sua posição contra a guerra russa na Ucrânia, considerando as suspensões moscovitas como canonicamente nulas e sem nenhum
efeito.
Bispo Nestor durante a visita de putin ao Centro Espiritual e Cultural Russo em Paris, 29 de maio de 2017. Foto: kremlin.ru
O Metropolita Nestor (Evgeny Sirotenko na vida civil), de 51 anos, desde 1999 serviu na França e na Espanha. Não tem histórico de
envolvimento em escândalos públicos. É responsável pelas paróquias da IOR da Europa Ocidental (França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Espanha, Portugal e Itália). Em 2022-23,
ele se permitiu uma discreta dissidência contra o Kremlin — por exemplo, não perseguiu, como era exigido por Moscovo, o Arcipreste de Madrid, Andrei Kordochkin, que denunciou a “natureza satánica”
da guerra russa na Ucrânia. De momento os paroquianos da Catedral da Trindade em Paris já estão reunindo/coletando assinaturas em apoio ao seu bispo e, em conversas informais, expressaram inclusive a disposição
de apoiar sua saída da IOR, talvez para o Patriarcado de Constantinopla. Afinal, o rebanho ortodoxo no Ocidente é diferente do da rússia, e os paroquianos se insurgem contra as decisões não
transparentes da liderança da igreja moscovita.
Evgeny Sirotenko nasceu em 4 de setembro de 1974, em Moscovo/ou. Formou-se na Faculdade de Ciência da Computação do Instituto Histórico
e Arquivístico da Universidade Estatal russa de Humanidades e trabalhou no Ministério das Relações Econômicas Externas/Exteriores da federação russa.
Em 6 de abril de 2022, o Metropolita Nestor e o Arcebispo Francisco Javier Martínez, representante da Conferência Episcopal Espanhola, publicaram uma
declaração conjunta condenando as ações da rússia no território soberano da Ucrânia. O texto ainda está disponível no site oficial da Diocese Hispano-Portuguesa
da IOR, mas somente em espanhol. O documento começa com uma expressão de solidariedade “aos nossos irmãos ortodoxos, católicos e pessoas de todas as fés em relação à
invasão da Ucrânia pela rússia”. Recordando os mandamentos pacifistas do Evangelho, o Exarca Patriarcal da IOR, juntamente com seu homólogo católico, apela para “o fim da violência
e da barbárie, e para que se ouça na consciência a voz de Deus, que rejeita o mal e a guerra”.
Quando o Patriarca Kirill, de forma não canônica, suspendeu o Arcipreste Andrei Kordochkin, reitor da Catedral de Madrid de seu ministério, o Metropolita
Nestor o protegeu tacitamente e não o demitiu oficialmente da Diocese. Isso provocou a ira de um dos bispos mais agressivos da IOR — o “Exarca da África”, Metropolita Leonid (Gorbachev) que
advertiu: “Ninguém está nos pedindo para se lançarmos às baionetas, mas devemos permanecer fiéis. Teremos que tanto ouvir, quanto obedecer”. Apesar desses alertas, em fevereiro
de 2023, o vigário de Nestor, Bispo Petru (Prutyanu), concedeu uma entrevista a uma publicação católica na qual expressou uma certa simpatia pela Ucrânia, chamando a guerra russa na Ucrânia
de “escandalosa”.
A continuidade dessa linha de ação por parte da liderança do Exarcado da Europa Ocidental, e em particular da Diocese Hispano-Portuguesa, é
evidenciada pelo encontro informal de Nestor com o Metropolita Olexandre (Drabinko), figura conhecida na Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que Moscovo/ou habitualmente chama de “cismática” e “nacionalista”.
O encontro ocorreu em Madrid, em meados de outubro de 2025, quando ambos os metropolitas estavam presentes, e foi inteiramente fraternal.
A IOR não apenas proibiu oficialmente aos seus subordinados qualquer contato com a Igreja Ortodoxa da Ucrânia e com o Patriarcado de Constantinopla, como
também considera Drabinko um “traidor” e “desertor”, visto que até 2018 ele era um hierarca de alto escalão da IOR na Ucrânia. No contexto da nova onda de emigração ucraniana em massa, gerada pela guerra russa contra Ucrânia, no Ocidente, a IOR tenta se beneficiar da presença ucraniana em massa, atraindo os crentes ucranianos às suas paróquias
europeias.
“Jogos, Trapaças e Bispos Fumegantes”
Formalmente, Kirill ordenou que o Supremo Tribunal da Igreja avaliasse a participação do Nestor em torneios internacionais de pôquer (!) e o uso
de fundos da igreja para esse fim. Dois Cânones Apostólicos (a parte do direito canônico da IOR) — o 42º e o 43º — preveem a perda da posição de um bispo que “joga
dados”, ou seja, participa nos jogos de azar. Um cânone posterior (o 50º do Concílio de Laodiceia) proíbe o clero até mesmo de visitar locais onde tais jogos são realizados. No
entanto, no mundo moderno, o pôquer é considerado um desporto/esporte e, em muitos países, existem federações registradas ao nível nacional.
Metropolita Nestor num jogo do pôquer. Foto: pokernews.com
O Metropolita Nestor joga ao nível quase profissional, participando de torneios internacionais sob as bandeiras russa e francesa com seu nome civil, Evgeny
Sirotenko. Em 2024 ele ficou em 20º lugar no Campeonato Francês e alcançou o terceiro lugar em um torneio internacional em setembro de 2025. Uma lista completa das conquistas do Metropolita em várias
ligas de pôquer pode ser facilmente encontrada no Google. De acordo com as estatísticas oficiais do “The Hendon Mob”, os ganhos totais de Nestor em torneios ao longo dos anos ultrapassaram US$ 47.000,
com sua maior vitória individual chegando a mais de US$ 8.000.
Ranking internacional de pôquer do Nestor-Sirotenko. Imagem: pokerdb.thehendonmob.com
Segundo o diácono Andrei Kuraev, declarado como “agente estrangeiro” pelas autoridades russas e atualmente residente em Praga, as acusações
óbvias contra Nestor “não merecem, de forma alguma, um julgamento”. A IOR passa anos sem reagir as acusações significativamente mais graves — por exemplo, o Metropolita Georgy
(Danilov) de Nizhny Novgorod, que construiu um heliporto privado nos terrenos de monumentos históricos protegidos e em cuja igreja eran filmados filmes pornográficos gay, permanece intocável. Uma fonte de uma das paróquias da IOR na Europa Ocidental disse que a ira do Kirill não foi causada pelo jogo de pôquer em si, mas pelo facto de essa informação
ser divulgada ao público.
Acredita-se que o posto de Nestor pode ser ocupado pelo atual favorito do Kirill, o metropolita Anthony (Sevryuk), de 41 anos, presidente do Departamento de Relações
Externas da IOR. Outro possível candidato ao cargo vago é o bispo Matthew (Andreyev) leal à “política externa pacifista” do Kremlin.
Paróquias russas de inteligência externa
Ao final do quarto ano da guerra russa contra Ucrânia as elites políticas ocidentais começaram a suspeitar que a IOR — no seu formato concebido
por Estaline/Stalin em 1943 — dificilmente pode ser chamada de uma organização religiosa. A função principal de muitos de seus clérigos no exterior não era o trabalho pastoral
ou o culto, mas sim o desempenho de tarefas muito mais delicadas. Já em 1946, o primeiro presidente do Departamento de Relações Externas, o Metropolita Nikolai (Yarushevich), que viajava livremente pelos
países ocidentais, exortava os emigrantes russos a “retornarem à pátria que os aguarda”. Quase todos que acreditaram nele foram presos imediatamente ao cruzar a fronteira soviética e
nunca mais retornaram vivos do GULAG. O sucessor imediato de Nikolai e pai espiritual do atual Patriarca da IOR, o Metropolita Nikodim (Rotov) era agente do KGB “Svyatoslav”. Ele abençoava os seus subordinados a colaborar com KGB e até tentou recrutar a liderança do Vaticano, mas morreu (possivelmente envenenado) durante uma audiência com o Papa João Paulo I, conhecido como “Papa
Vermelho”. Graças à desclassificação dos arquivos da KGB na Ucrânia, tornou-se público que, nas primeiras décadas após o restabelecimento do Patriarcado de Moscovo/ou
ordenada pelo Estaline/Stalin, praticamente 100% de seus bispos foram recrutados pelo KGB e se tornaram agentes ativos. Após o início da guerra russa na Ucrânia em 22.02.2022, a imprensa suica (Sonntagszeitung
e Le Matin Dimanche) publicou os materiais da inteligência suíça, com as provas do que o jovem arquimandrita Kirill (Gundyaev), que serviu como representante da IOR no Conselho Mundial de Igrejas em Genebra
na década de 1970, era o agente da KGB “Mikhailov”.
Atualmente, existem aproximadamente 300 paróquias da IOR em funcionamento na União Europeia, no Reino Unido e na Suíça, muitas das quais
com uma função de “dupla utilização”. As autoridades da Noruega, Suécia, República Checa, Grécia, Bulgária, Macedônia do Norte e dos Estados Bálticos
reconheceram a gravidade do problema dos centros de inteligência russos que operam sob os auspícios de estruturas da IOR. Por exemplo, as igrejas da IOR em Bergen e Stavanger (Noruega) estão localizadas
de forma suspeita perto de bases da OTAN, e representantes dessas paróquias tentaram comprar terrenos próximos a outras instalações militares importantes. As autoridades suecas acusaram a paróquia
local da IOR de se transformar em uma “plataforma de coleta de informações”. O governador civil do Monte Atos — uma república monástica semi autônoma na Grécia —
Anastasios Mitsialis, que chegou ao cargo diretamente da comunidade de inteligência, estava ciente dos riscos do uso contínuo do Monte Atos para atividades subversivas pela federação russa. Representantes
da IOR foram declarados persona non grata e expulsos de vários países da UE: em 2023, o arquimandrita Vassian (Zmeyev) e o arcipreste Yevgeny Pavelchuk, clérigos da IOR em Sófia; em 2024, o arcipreste
Nikolai Lishchenyuk, reitor do metóquio da IOR em Karlovy Vary em Chéquia. O metropolita Hilarion (Alfeyev) serve atualmente nesta igreja e também se queixa de ameaças das autoridades checas relacionadas
à publicação de novas revelações do seu ex-namorado japonês e ao aparecimento de um video de Hilarion num campo de tiro do FSB. Existem, é claro, muitos outros casos de agências de inteligência russas operando sob os auspícios da IOR na Europa, mas métodos eficazes para combater esse tipo de “ministério”
da IOR ainda não foram encontrados. Apesar do envolvimento óbvio e comprovado do Patriarca Kirill na incitação à agressão e nas atividades dos serviços secretos, a UE não
conseguiu incluí-lo em suas listas de sanções devido à oposição da Hungria e aos esforços do lobby russo. Em suma, a IOR provou ser um bastião confiável dos interesses
russos em áreas onde funcionários públicos e os agentes de inteligência russos comuns agora encontram extrema dificuldade de acesso. A a substituição do exarca da IOR, conhecido pela
sua postura reconciliadora e mais pacífica, por alguém leal ao FSB/GRU parece perfeitamente lógico para o atual regime russo.
12.500.000 coroas checas (514.000 Euros) foram arrecadadas como parte da iniciativa popular checa «Presente para putin» (Dárek pro putina) para a compra de um míssil
ucraniano «Flamigo».
No início, foi publicado um apelo: Acha que a guerra na Ucrânia é uma farsa? Que os media estão a mentir sobre o número de mortos e o impacto da «operação
militar especial» na Ucrânia? Venha à audição e torne-se o herói de um novo filme.
Foi assim que começou a ser escrita a história do filme «Velký vlastenecký výlet» (A Grande Viagem Patriótica), de Robin Kvapil. Sessenta
pessoas candidataram-se ao casting dos realizadores, e três «heróis» acabaram por ir para a Ucrânia com a equipa – dois homens e uma mulher, por coincidência todos mais ou menos
apoiantes da rússia de putin. Foram ver com os seus próprios olhos como é a guerra na Ucrânia. Um documentário do tipo road movie, na viagem de Praga para Kharkiv, devastada pela guerra, até a região de Donbas.
Blogueiro: naturalmente, os putinistas europeus (e todos os outros) são uma espécie de terraplanistas, mesmo vendo todas as atrocidades cometidas pela rússia e seu exército na Ucrânia,
dizem e vão dizer que «a curpa é da Ucrânia».
UPD: Conversando com um voluntário, as personagens do filme descobrem que soldados russos violaram crianças ucranianas: tanto raparigas como rapazes. Este facto choca profundamente
o trio checo. No entanto, mais tarde, um deles, Ivo encontra, se não uma desculpa, pelo menos uma boa explicação para as ações dos ocupantes russos: «Claro que não se pode violar
as raparigas. Mas se é um soldado que não sabe se vive amanhã e vê uma mulher bonita, que assim seja».
Os jornalistas conseguiram aceder à correspondência da ala hacker da unidade Nr. 29155 do GRU russo. Foi descoberta a lista completa de alvos do GRU: desde empresas estatais
ucranianas a instalações de infraestrutura na Europa, um banco do Qatar e até clínicas médicas em todo o mundo.
A Unidade 29155 do GRU russo é mais conhecida pela sua longa lista de operações de assassinato e sabotagem, que incluem os envenenamentos de Salisbury, em Inglaterra, as
explosões em depósitos de armas na República Checa e uma tentativa de golpe de Estado no Montenegro. Mas as suas actividades no ciberespaço permaneceram na sombra – até agora. Depois
de analisar uma coleção de dados ocultos, o The Insider confirma que o mais notório esquadrão de operações secretas do Kremlin também mobilizou uma equipa de hackers – uma
que tentou desestabilizar a Ucrânia nos meses que antecederam a invasão em grande escala pela rússia.
The Insider identificou várias dezenas de membros do grupo, incluindo hackers previamente condenados na justiça russa, estudantes recém-formados e veteranos de operações de envenenamento
e sabotagem da GRU, sem nenhuma experiência em IT/TI. A maioria das operações de pirataria informática e de sabotagem de informação da Unidade 29155 falharam, o que não é
surpreendente, dado que os responsáveis do departamento de pirataria informática falaram publicamente sobre a sua baixa motivação, usaram identidades falsas para se encontrarem com
amantes e profissionais do sexo (fornecendo, assim, os seus dados pessoais) e desviavam, ao proveito próprio, os fundos destinados às operações de sabotagem na Ucrânia.
No entanto, o mesmo pode ser dito sobre muitas das operações da unidade, embora tenha havido alguns casos bem-sucedidos entre elas.
Em particular, entre as operações bem-sucedidas, houve o hackeamento de um banco do Qatar com a extração de uma base de dados de muitos clientes influentes, bem
como o trabalho de publicação de informações confidenciais de alguns políticos polacos/poloneses no domínio público – foi feito em nome dos alegados «nacionalistas ucranianos».
Ao mesmo tempo, a maioria dos membros da unidade praticamente não tinha conhecimentos de tecnologia informática, pelo que, na verdade, especializaram-se em provocações. Por exemplo, publicaram activamente dados sobre a presença de armamento de fabrico búlgaro encontrado entre os rebeldes sírios com o objectivo de, posteriormente, pressionar o governo búlgaro.
Naturalmente, o principal alvo dos esforços era Ucrânia – os membros da unidade tentaram organizar uma série de provocações, como por exemplo, organizar a produção dos graffiti contra o presidente Zelensky, alegadamente escritas por representantes da OZSP «Azov».
A característica distintiva da unidade era o gasto de enormes somas de dinheiro em necessidades pessoais (por exemplo, com os/as amantes), bem como a baixa motivação para realizar
o seu trabalho.
No final do dia, isto levou a uma série de fracassos absolutos, em particular o desperdício de grandes somas de dinheiro no recrutamento falhado de agentes na Ucrânia, nas
vésperas da invasão militar russa de larga escala de 22.02.2022.
A jornalista liberal russa, apoiante convicta do apartheid e crítica ferrenha das descolonizações, Yulia Latynina, publicou um texto programático em que estabelece os
paralelos entre as ações da Alemanha de Hitler e da rússia de putin, justificando ambas.
«Após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi declarada como a sua perpetuadora culpada, Áustria foi desmembrada. Os novos países jovens da Europa de Leste, com
a aprovação dos vencedores, mergulharam no nazismo local.»
«O nazismo na Europa não começou na Alemanha. Começou com estes pequenos Estados. O nazismo alemão foi uma contra-reacção.»
«Tomáš Masaryk jurou ao Wilson em Versalhes que iria construir uma nova Suíça, mas em vez disso construiu Ruanda. Não é de estranhar que os alemães
dos Sudetas quisessem fazer parte da Alemanha e apoiassem Hitler.»
Estas são algumas citações de um novo artigo da jornalista russa Yulia Latynina, considerada uma oposicionista do atual regime russo, que vive na UE (aparentemente no Chipre) e que costuma ser publicada em todos os meios de comunicação social russos, livres e liberais (neste caso o texto foi de tão forma tóxico, que aparentemente, as publicações liberais russas o rejeitaram).
A ideia principal do artigo é estabelecer o paralelo entre as ações da Alemanha de Hitler e da rússia de putin, justificando ambas.
Diz o texto que os malditos países da Europa de Leste simplesmente obrigaram Hitler a atacá-los, que eram tão nazis como os hitleristas, só que piores, e que tiveram
o que mereciam. Ucrânia, consequentemente, também forçou putin à atacá-la. O próprio putin fala sobre isso o tempo inteiro, repetindo como um mantra: «fomos forçados».
No texto Latynina simplesmente amplifica este tipo do discurso de uma forma mais detalhada.
A mais descabida, de todas, foi a comparação da Checoslováquia com Ruanda – um país onde até 1 milhão de pessoas foi massacrado em cerca de 4
meses. A estrela do jornalismo liberal russo afirma, com toda a seriedade, que o mesmo aconteceu com os alemães dos Sudetas na Checoslováquia nas décadas de 1930-40.
Mas sete anos antes, nas vésperas da anexação dos Sudetas pela Alemanha nazi, em setembro de 1938, aconteceu a revolta alemã dos Sudetas, uma rebelião armada dos alemães étnicos dos Sudetas contra as autoridades checoslovacas na Sudetenlândia,
apoiada por uma acção organizada orquestrada pelo Partido Alemão dos Sudetas (SdP), presidido por Konrad Henlein. A rebelião resultou em cerca de 200 KIA, WIA e MIA do lado alemão e 110 mortos
e 2.029 capturados do lado das forças checoeslovacas.
A conclusão à que Latynina chega é que a rússia não deve se arrepender, nem ser responsabilizada pela invasão da Ucrânia. A jornalista russa
argumenta, que à título de comparação, enquanto os veteranos da Wehrmacht estiveram vivos, eles não se arrependeram dos seus atos do passado e foram capazes de fazer renascer uma Alemanha
forte. Em contrapartida, a actual geração de alemães foi ensinada à arrepender-se – e agora a Alemanha vive os graves problemas económicos.
Por essa, e por muitas outras, que os ucranianos rejeitam constantemente algumas tentativas ocidentais de impor a «pacificação obrigatória» nas relações
da Diáspora ucraniana com as comunidades emigrantes russas. No entanto, os ucranianos simplesmente não percebem a pertinência de quaisquer coolaboração com os «outros putin». Pois, como
mais de 100 anos atrás dizia o escritor, político e estadista ucraniano, de tendências socialistas, Volodymyr Vinnychenko: «O democrata russo termina onde começa a questão ucraniana».
As guerras de rádio do bloco comunista contra Ocidente começaram, de forma maciça, após a II G.M., mas em 2024 a rússia colocou várias rádios ocidentais na sua lista oficial
de «entidade indesejáveis», proibindo aos cidadãos russos de colaborar com estes sob ameaça de perseguição criminal.
Um homem com o olhar turvo se ajoelha ao lado de um rádio suspenso no ar. Uma cobra com a boca bem aberta estava enrolada na antena do receptor, como em volta de uma taça de Hipócrates.
Esta não é uma pintura de Salvador Dali, mas uma caricatura soviética de ouvintes de “vozes inimigas” – estações de rádio ocidentais transmitindo línguas faladas
na União Soviética: “Voz da América”, “BBC”, “Rádio Liberdade” e “Deutsche Welle”.
A ideia inicial de usar o rádio para combater inimigos ideológicos remonta à década de 1920: a “Rádio Comintern” e a “Rádio de Moscovo/ou”
transmitiam ativamente em alemão e inglês para países europeus. A Alemanha, defendendo-se da propaganda comunista, bloqueou as transmissões. A URSS, por sua vez, bloqueou a rádio romena em
1931 e, mais tarde, a rádio espanhola e a alemã.
As maiores guerras de rádio começaram após a Segunda Guerra Mundial: em 26 de março de 1946, a BBC começou a transmitir regularmente em russo. Em 1947, um
departamento de língua russa apareceu na estação de rádio Voice of America, que foi originalmente criada como um contrapeso à propaganda nazi. O início da transmissão
do VOA em russo parecia um desafio ousado para a URSS: todos os meios de comunicação soviéticos receberam um comunicado de imprensa oficial da Embaixada dos EUA em Moscovo/ou. Nele, os americanos relataram
a programação da Voz da América com um pedido para transmitir informações sobre transmissões em russo dos EUA “para a atenção dos ouvintes soviéticos”.
A primeira emissão da VOA em ucraniano foi ao ár em 12 de dezembro de 1949.
“Atenção – fala Nova York! Hoje, 12 de dezembro, a Voz dos Estados Unidos da América inicia a transmissão de rádio à Ucrânia. Damos
as boas-vindas calorosas aos nossos novos ouvintes de rádio – ucranianos em todos os espaços onde nossa voz alcança, e esperamos servir ao povo ucraniano com informações verdadeiras
sobre o que está acontecendo no mundo.”
Estas foram as primeiras palavras da Voz da América em ucraniano, sete anos após a fundação
da estação de rádio Voz da América nos Estados Unidos.
Inicialmente, a VOA em russo era destinada à elite política e cultural da URSS, mas descobriu-se que havia muito mais pessoas dispostas a ouvi-la. Isso causou uma reação
nervosa da liderança soviética, que foi expressa pelo escritor Ilya Ehrenburg em seu artigo “Voz falsa”.
“Se você inventou algum tipo de goma de mascar inflável, por que você está distribuindo por todo o mundo em vez de soprar pacificamente bolhas de borracha em
casa?” – Ilya Ehrenburg, no artigo no jornal “Cultura e Vida”, 10 de abril de 1947.
Em 19 de abril de 1949, o Ministério das Comunicações da URSS lançou um programa para bloquear “vozes inimigas”: geradores de interferência começaram
a ser instalados em centros regionais e grandes cidades. E se em 1949 eram 350, no ano seguinte o número aumentou para 600.
A torre de interferências em Kharkiv, no bairro de Saltivka, construída em 1963 para que silenciar as «vozes inimigas»: BBC e Rádio Liberdade:
A imprensa da União Soviética publicava regularmente os artigos acusando estações de rádio ocidentais, e o famoso dramaturgo soviético Boris Lavrenev
publicou a peça teatral “A Voz da América”, que foi colocada em palco em todas as repúblicas da URSS. O seu autor recebeu o Prémio Estaline de Literatura em 1950.
Exibição «fechada» em Leninegrado, maio de 1950 Bilhetes são vendidos somente através das organizações do partido comunista, sindicatos estatais e a juventude comunista Komsomol
Além da propaganda e das estações de interferência, a URSS também implementou métodos de luta mais radicais. Em 18 de maio de 1949, o chefe do Comité de Radiodifusão A.A. Puzin enviou um relatório para o ideólogo soviético M.A. Suslov, que chefiou a Diretoria de Propaganda e Agitação, na qual propôs cortar o nó górdio
das “vozes inimigas” proibindo os receptores de certas ondas.
“A mais vil calúnia contra a União Soviética e os países de democracia popular está sendo realizada em transmissões de rádio ingleses,
americanos e algumas outras rádios estrangeiras em russo. Quase todas as transmissões de rádio estrangeiras para a União Soviética são realizadas por meio de estações
de rádio de ondas curtas. A defesa mais confiável contra a propaganda de rádio estrangeira hostil à URSS é a produção de receptores de rádio sem alcance de ondas curtas”,
escreveu Puzin ao Suslov.
A proposta foi aceita e, a partir de 1 de agosto de 1949, absolutamente todas as unidades soviéticas de produção de aparelhos de rádio, passaram a produzir receptores
de rádio de classe II e III sem a recepção de ondas curtas.
O problema com a transmissão das estações de rádio ocidentais nas cidades foi resolvido, mas a situação nas aldeias permaneceu incontrolável.
Um jornalista do jornal “Agricultura Socialista” na região de Kalinin, P. Dudochkin, após uma viagem aos kolkhozes, escreveu uma carta ao Comitê Central do Partido Comunista, relatando que os
camponeses estavam ouvindo ativamente “vozes inimigas”.
“Ao visitar kolkhozes, ficamos impressionados com o comportamento incorreto e, às vezes, completamente antipatriótico de alguns proprietários de rédios. Eles
ouvem estações de rádio estrangeiras e falam sem um pingo de consciência sobre o que as estações fascistas Voz da América e BBC transmitem. Assim, a agitação inimiga
contra o comunismo é espalhada pelo nosso próprio povo que está construindo o comunismo”, escreveu Dudochkin.
No final da carta, o correspondente sugeriu retirar à força os receptores de rádio das fazendas coletivas: “Pode ser inconveniente retirar todos os receptores de
rádio dos camponeses, mas, ao menos um deve ser retirado de cada aldeia”.
Nas áreas rurais, era muito mais fácil captar estações de rádio ocidentais, também porque elas não estavam no alcance dos bloqueadores, e a
20 quilômetros da cidade não havia problema algum em ouvir a Voz da América.
Posteriormente, o bloqueio de rádio aumentou e diminuiu, e tornou-se uma espécie de “pepel de teste” das relações entre a União Soviética
com o Ocidente. Se a Guerra Fria entrava em uma fase menos ativa, a intensidade do bloqueio diminuia — por exemplo, a partir de setembro de 1959, quando começou a «degelo» nas relações
entre a URSS e os EUA.
A primeira transmissão da edição ucraniana da Rádio Libertação foi transmitida de Munique em 16 de agosto de 1954. Já em 1959, a estação de rádio foi renomeada para Rádio Liberdade.
Em 1963, John Kennedy pediu o fim da Guerra Fria, e a interferência nas estações de rádio ocidentais cessou completamente — isso continuou até 1968, quando
ocorreu a Primavera de Praga e os países do Pacto de Varsóvia enviaram tropas para a Checoslováquia. O próximo degelo ocorreu em 1975, durante a Conferência de Helsinque sobre Segurança
e Cooperação na Europa, e terminou com a entrada de tropas soviéticas no Afeganistão em 1979.
Em 1986, a liderança soviética decidiu parar de bloquear a Voz da América e a BBC porque estes «geralmente apresentam seus materiais de forma tendenciosa, a partir
de uma posição antissoviética, mas tentam usar uma abordagem objetiva», e aumentar a interferência contra a Rádio Liberdade e na Deutsche Welle. Dois anos depois, em 30 de novembro de 1988, o bloqueio
de estações de rádio ocidentais cessou completamente.
Em 2024, a Rádio Liberdade novamente e oficialmente se tornou «indesejável» na Rússia. A decisão foi tomada pelo Ministério da Justiça
da Rússia, que adicionou a corporação «Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade» à lista de organizações não governamentais estrangeiras e internacionais
cujas atividades são consideradas indesejáveis no país. A mensagem foi publicada no site do departamento em 20 de fevereiro. Antes disso, a decisão de reconhecer as atividades da corporação
como indesejáveis foi tomada pela Procuradoria-Geral da federação russa; foi emitida em 2 de fevereiro de 2024, relata a RFE/RL.
Estar incluído na lista significa que a Radio Liberdade está proibida de operar no país, e os cidadãos russos estão proibidos de colaborar com a rádio
sob ameaça de perseguição criminal.
De acordo com o Comité Internacional para a Proteção de Jornalistas, desde 2021, as autoridades russas declararam dezenas de organizações de imprensa/mídia
«indesejáveis». A lista inclui vários veículos de comunicação russos independentes que foram forçados a deixar o país: a TV Rain, projetos Meduza, Novaya Gazeta
Evropa, Vazhiye Istorii, The Insider, Proekt.
Desde março de 2022, a Deutsche Welle também foi declarada «agente estrangeiro» na Rússia. Anteriormente, a DW foi proibida de transmitir, o escritório
da DW em Moscovo/ou foi forçado à fechar e se mudar para o exterior, o portal dw.com na rússia foi bloqueado em todos os idiomas nos quais a empresa alemã distribui seu conteúdo.
Em 2024 os processos criminais foram abertos contra pelo menos 45 jornalistas russos, de acordo com um relatório da Fundação Centro de Defesa da Mídia de Massa.
Note-se que, em comparação com 2023, o número de jornalistas sujeitos a processos criminais duplicou.
O maior número de processos criminais, dezesseis, está relacionado ao artigo do código penal sobre o descumprimento dos deveres de um «agente estrangeiro».
Dez vezes, jornalistas foram acusados de espalhar falsificações sobre o exército russo, oito de participar de uma comunidade extremista e sete de justificar o terrorismo. Os tribunais russos aplicaram, pelo menos, vinte e sete sentenças, dez das quais à revelia. As autoridades russas também abriram, pelo menos, doze processos criminais contra
os jornalistas estrangeiros que cobriram os conflitos na região de Kursk.
A animação ucraniana «Eu Morri em Irpin» de Anastasia Falileieva, foi selecionada para a competição internacional do 47º Festival de Curtas-Metragens
de Clermont-Ferrand.
O filme fala sobre as relações na família, no casal e consigo próprio, tendo como pano de fundo a ocupação russa de Irpin. Animação é
feita numa técnica complexa e rara – animação desenhada com carvão sobre papel.
«Eu Morri em Irpin» foi escolhido entre 8.200 trabalhos inscritos. No total, participarão na competição internacional 64 metros curtos de 49 países do
mundo.
É uma co-produção entre Ucrânia, Chéquia e Eslováquia.
A diretora encara o monumento da Pátria Mãe
O Festival de Clermont-Ferrand decorrerá de 30 de janeiro a 8 de fevereiro de 2025. Uma vitória aqui permite que o filme se qualifique automaticamente para um Óscar.
A Unidade GRU 29155, o esquadrão de assassinato e sabotagem da Rússia, explodiu armazéns de munições na República Tcheca. Teve a ajuda de Elena e Nikolai
Šapošnikov, uma família de espiões russos disfarçados que trabalhavam como traficantes de armas.
Nikolay Šapošnikov nasceu em 1961 em Severodvinsk, no extremo noroeste da Rússia, numa família de engenheiros militares. Em 1983, formou-se no departamento de engenharia
da Escola de Comando Militar de Baku e foi nomeado comandante de uma empresa de rifles motorizados em Baku, capital do Azerbaijão. Os registos mostram que a unidade de Šapošnikov foi enviada para o Afeganistão
entre 1983-1986, durante a ocupação soviética do país. Em 1985, ele se divorciou de sua primeira esposa, Natalia, e casou-se imediatamente com Elena Šapošniková (nascida Lisetskaya),
uma engenheira nascida em Kyiv e filha de um tenente-coronel que lecionava no instituto de comando militar de Kyiv. Na época do casamento, ela trabalhava no Instituto de Física de Baku no Azerbaijão. Elena teve um filho, Pavel,
de um casamento anterior. Ela e Nikolay tiveram uma filha, Valeria, nascida em 1986.
Hoje, o Centro de Inteligência Checo para o Combate ao Terrorismo e Crime Organizado divulgou as conclusões de uma investigação de anos sobre o papel da Unidade 29155
na destruição de dois depósitos de armas e munições geridos pelo governo checo em 2014 em Vrbětice, uma pequena cidade no sul da Morávia, região da Chéquia. Esses
ataques, que resultaram na expulsão de Praga de 18 oficiais da inteligência russa que operavam no país sob cobertura diplomática, foram conduzidos com dispositivos explosivos colocados pelos agentes
mais conhecidos da Unidade 29155: Alexander Mishkin, 44, e Anatoly Chepiga, 45. Ambos ganhariam notoriedade internacional. por tentar assassinar Sergei Skripal, um oficial do GRU que se tornou agente duplo britânico,
junto com sua filha Yulia, em Salisbury, Inglaterra, em 2018, com o agente nervoso de nível militar Novichok.
Os Šapošnikovs não só conseguiram que Mishkin e Chepiga tivessem acesso a dois armazéns diferentes em Vrbětice, mas também comunicaram diretamente
com o general Andrei Averyanov, 58, comandante fundador da Unidade 29155, que os encarregou de facilitar a violência contra a sua nação adotiva.
O GRU, tal como o SVR, o serviço de inteligência estrangeiro da Rússia, mantém há muito tempo o seu próprio programa de ilegalidades. Mas os Šapošnikovs
são o primeiro caso conhecido de afiliação à Unidade 29155, cuja missão é estritamente cinética. Em março o The Insider junto com seus parceiros investigativos 60 Minutes
e Der Spiegel descobriram evidências que implicavam a Unidade 29155 em ataques energéticos direcionados que se acredita serem a causa da Síndrome de Havana o nome dado a uma coleção de doenças
médicas debilitantes que afligem os oficiais de inteligência americanos e diplomatas em todo o mundo.
Embora ambos os cônjuges Šapošnikov envolvidos em espionagem para a Rússia tenham ajudado nas operações de sabotagem do GRU, a esposa, Šapošnikova,
62 anos, parece ter sido diretamente integrada na Unidade 29155, como evidenciado tanto pelas conclusões dos investigadores checos como pela descoberta independente de provas documentais pelo The Insider. Como tal,
concluíram os investigadores checos, ela provavelmente dirigiu e supervisionou as atividades do seu marido – e possivelmente do seu filho – em apoio aos interesses do Estado russo. As funções
clandestinas da família iam desde a recolha de informações até à facilitação logística, proporcionando refúgios seguros, esforços de recrutamento e até
ajudando a garantir o acesso físico aos agentes do GRU que conduziam missões de sabotagem.
O Insider também descobriu que Šapošnikova possuía até um passaporte secreto de serviço russo de uma série especial reservada para espiões
da Unidade 29155. Ela até recebeu o Herói da Federação Russa, a mais alta honraria estatal concedida àqueles que prestam “serviço ao Estado russo e nação, geralmente
associada a um feito heróico de valor”. O próprio Putin concedeu o título a Šapošnikova numa cerimónia secreta em Moscovo, após as operações de sabotagem da
Unidade 29155 na Chéquia e na Bulgária.
Em 2023, as autoridades checas, depois de conduzirem uma investigação criminal independente sobre o papel dos Šapošnikovs nos atentados bombistas de 2014 em Vrbětice,
declararam o casal “pessoas de interesse” e solicitaram o seu interrogatório às autoridades gregas. Nikolay e Elena Šapošnikov apresentaram uma declaração às autoridades
gregas alegando que são perseguidos pela República Checa e são “bodes expiatórios em nome de interesses desconhecidos”. Nikolay Šapošnikov morreu de ataque cardíaco
na Grécia em fevereiro de 2024, aos 62 anos.
A influência da rússia sobre os meios extremistas violentos de extrema-direita/motivação racial ou étnica (REMVE) na Europa é multifacetada e complexa.
Envolve atividades diretas, como financiamento ou apoio político, bem como atividades indiretas, como campanhas de desinformação.
Em alguns casos, a rússia esteve associada, ainda que remotamente, a alguns incidentes violentos de extrema-direita na Europa, incluindo a alegada tentativa de golpe de estado por parte
do movimento soberano Reichsburger, na Alemanha. Reconhecendo a política cada vez mais conflituosa da rússia em relação à Europa e a crescente ameaça do extremismo de extrema direita
na Europa, este livro analisa completa e sistematicamente a relação da rússia com diversos actores de extrema direita em dez países europeus ao longo da última década. Os países
abrangidos neste livro incluem Áustria, República Checa, França, Alemanha, Hungria, Itália, Polónia, Sérvia, Eslováquia e Suécia. Os capítulos são de autoria
de alguns dos especialistas mais respeitados do mundo em extremismo e influência russa.
No geral, este volume editado é a primeira tentativa abrangente de mapear o âmbito e a profundidade da influência russa sobre o extremismo de extrema direita na Europa, resultando
na identificação de padrões-chave de influência e oferecendo algumas recomendações possíveis para combatê-lo. Este livro é tanto um trabalho académico de
referência como um alerta e um guia de acção para os decisores políticos europeus.
Polónia forneceu, efetivamente, de 10 à 12 helicópteros de ataque Mi-24V modernizados à Ucrânia. Chéquia fornecerá helicópteros Mi-171Sh e possivelmente o Mi-35.
A República Checa fornecerá helicópteros militares adicionais a Ucrânia. Eles incluirão o Mi-171Sh e possivelmente o Mi-35. Além disso, os checos entregarão simuladores de F-16 para treino dos pilotos ucranianos.
Arquivo: Mi-171Sh checo
Arquivo: Mi-35 checo
Simulador do F-16
Bónus
A decisão de transferir os mísseis tático-operacionais ATACMS a Ucrânia foi tomada, agora é necessária apenas a aprovação de presidente Biden para iniciar as entregas — The Wall Street Journal.
O míssil ATACMS Block 1A tem um alcance de até 300 km.
A empresa checa produz 35 formas infláveis por mês que imitam os lançadores de mísseis M270 e M142 HIMARS. Muito possivelmente graças à este esforço as fontes russas reclamam a destruição dos 140% dos HIMARS fornecidos às Forças Armadas da Ucrânia.